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homem que, após o casamento, começa a engordar, ao passo que a mulher continua bela e
magra. O descontrole inicia-se com a fome incontrolável: “[...] Virava-se para a mulher, com
lágrimas nos olhos: ‘Eu sou um caso perdido, um fracasso! Quero e não posso! Tenho comigo
uma fome mortal!’. [...]” (CO, 209)
Desenvolve uma loucura calma e disfarçada em ciúme, insônia, agressividade,
sentimento de inferioridade. Durante todo o tempo em que engorda, produz sintomas que
compõem um quadro de neurose (FREUD, 1977, p.17;85). O desfecho do conto é o ápice do
comportamento tresloucado da personagem:
Nessa noite, ele parecia tranqüilo. Mas era uma calma intensa, uma apaixonada
serenidade. O casal recolheu-se na hora de sempre. Wilson deixou que a mulher
dormisse. E então, quando Ivone pegou no sono, ele fez simplesmente isto: matou-a
com dois tiros, quase à queima-roupa.
E, mais tarde, na delegacia, declarava:
– Mais cedo ou mais tarde eu seria traído! (CO, 211)
A morte violenta está presente nos textos acompanhada do grotesco que compõe a
figura humana e seus atos, como no romance O casamento, quando Xavier mata Noêmia:
Quando enterrou o punhal, Noêmia fez um movimento de quem se espreguiça. E
ele foi apunhalando. A pequena gira e cai em cima de uma mesa. Com a ponta do
punhal, abre um talho, de lado, no pescoço. E não tinha havido um grito, uma
palavra, nada. Quando a viu no chão, pôs-se de joelhos e riscou-lhe a cara. Faz um
xis na boca. E sem nenhuma fúria.
Era como se fosse outro, e não ele, ou como se ele fosse apenas um espectador de si
mesmo. O “outro” não parava. Noêmia estava morta e o “outro” a retalhava ainda.
(E tudo tão sem grito.) Depois, sempre de joelhos, ele levantou o vestido, desceu a
calça. O punhal gravou no sexo uma cruz.
Xavier ergueu-se. Como o sangue vivo é de um vermelho tão lindo!
Disse, em voz baixa:
– Morreu. Está morta. (C, 230)
Lançar-se para o futuro é um aspecto freqüentemente encontrado no ser humano.
Como afirma Heidegger, o homem é um ser que se pre-ocupa, ou seja, ocupa-se com o que
está por vir, com a morte (HEIDEGGER, 1986, p.389). Essa construção de pensamento é
apropriada para uma situação trágica, pois o paradoxo existencial está em viver e morrer a