
está passando dos aspectos quantitativos para
os qualitativos, torna-se imprescindível o apoio
a pesquisas educacionais sensíveis a essa
realidade, e a ampla disseminação dos
resultados das mesmas.
A situação do setor é agravada pelos problemas
de produção de informações fidedignas e
relevantes para a tomada de decisões. A
pesquisa educacional vem sendo desenvolvida
de forma precária e nem sempre voltada para os
problemas cruciais e imediatos do setor. Há
insuficiência de recursos financeiros,
despreparo do pessoal técnico e, em certos
casos, isolamento e descompasso dos meios
acadêmicos com relação à administração das
redes públicas e privada da educação. Ao
mesmo tempo, cabe ressaltar que não tem
havido uma avaliação por parte dos órgãos
requerentes dos estudos e pesquisas produzidos
nos meios acadêmicos quanto às suas próprias
condições e competência para analisar e utilizar
o produto demandado. Lidar com as prioridades
político-históricas ou da estrutura de um Estado,
de um lado, e com a intuição, a sensibilidade, a
habilidade e a competência de pesquisadores, de
outro, exige um esforço dialógico em que o in-
tercâmbio de idéias, interesses e percepções se
faz fundamental.
Outro aspecto a considerar é o da disponi-
bilidade de informações e análises para outras
instâncias, sejam da área política, ou de
diferentes níveis de administração educacional.
O formalismo dos relatórios de pesquisa e a
estrutura acadêmica dos artigos especializados
não encontram um veículo de comunicação
rnais adequado e ágil para que seus resultados
sejam acessíveis às diferentes instâncias de
órgãos decisórios e executivos. Isto limita a
sociali-
zação desses conhecimentos e seu possível
impacto social.
Ao mesmo tempo, as dimensões continentais do
país tendem a isolar regiões em função não
apenas da distância geográfica mas também das
desigualdades sócio-econômico-culturais. A
existência de redes pública e privada e níveis
distintos de administração (federal, estadual,
municipal) leva à extrema possibilidade de que
os rnais de 5 mil municípios tenham uma
educação diferenciada em suas escolas. A
divisão da administração da educação básica
entre duas redes autônomas (estadual e
municipal) com liberdade para definir políticas
e programas de educação, bem como formas de
gestão diversificadas, com fraca articulação
entre elas, dificulta o fluxo de informações
entre as várias agências da educação.
É preciso, necessariamente, desenvolver
condições para a utilização eficiente de
informações dos rnais diversos níveis e esferas
da educação que sirvam de apoio a mudanças
conscientes que levem à melhoria do quadro da
Educação brasileira. A partir do conhecimento e
divulgação de projetos inovadores que "deram
certo", as autoridades educacionais, nos vários
níveis da administração e até mesmo em nível
de escolas, podem planejar mudanças neces-
sárias, adaptando ou reproduzindo experiências,
ou nelas se inspirando.
O CRIE
Nesta perspectiva, foi criado, na estrutura do
INEP, um Centro de Referências sobre
Inovações e Experimentos Educacionais
(CRIE) para captar, analisar e disseminar
informações sobre experimentos e inova-