
A Criança e sua infância: combates nos saberes em educação
Solange Estanislau dos Santos
102
transitórias, sendo “identificações em curso” (KREUTZ, 1999, p. 81).
As identidades estão em constante transformação e só “adquirem sentido por
meio da linguagem e dos sistemas simbólicos pelos quais elas são representadas”
(WOODWARD, 2000, p.8). Para Stuart Hall (1997), as identidades se constroem
[...] sobre um referente empírico, mas simbólico e cultural, pondo-se em questão não
apenas o discurso, mas também o lugar e a ótica de interação com esse discurso. Além
disso, a identidade unificada, completa, segura e coerente é uma fantasia, pois ela está
diretamente envolvida com o processo de representação que se localiza no tempo e no
espaço simbólicos (STUART HALL, 1997, p. 13 e 75, apud KREUTZ, 1999, p. 81).
Ao discutir os processos em que são produzidas as identidades, Moreira
(2005)
67
, por sua vez, destaca que é preciso analisar quais são os lugares e práticas sociais que se
entrecruzam nas experiências vividas dos sujeitos e grupos sociais:
As identidades são, portanto, produzidas no entrecruzamento entre esses mais diversos
aspectos que compõem a vida humana [classe, etnia, nacionalidade, gênero, raça,
geração, sexualidade etc.] os quais nunca podem ser explicados isoladamente nem
vistos como universais e fixos. As identidades são múltiplas e variáveis, estão sempre
em mudança e se re-organizam em meio a disputas sociais que envolvem classificações,
ordenamentos, hierarquias e supõem sempre diferenciações (p.146).
Ao se levar em conta a multiplicidade de identidades existentes, é possível
compreender a escola como o local onde essas identidades se cruzam e dialogam, sendo “o
espaço de encontro entre as diferentes formas de ser, de pensar e de sentir, de valorizar e de viver,
construídas em um marco de tempo e espaço que dão pertinência e identidade a indivíduos e
grupos sociais” (KREUTZ, 1999, p. 92). Diante disso, a escola precisa enfrentar as “difíceis
questões do multiculturalismo, da raça, da identidade, do poder, do conhecimento, da ética e do
trabalho” (GIROUX, 1995, p. 88, apud KREUTZ, 1999, p. 93).
Ao tomar o conceito de identidade infantil como foco de análise, deparei-me
com a afirmação feita por Rodriguez, citada por Kreutz, sobre a edificação da identidade, pois
essa construção “supõe sempre a alteridade, permitindo auto-descrever-se dentro de um grupo
que lhe dá referências para a ação e permitindo entender a realidade mediada pela diferenciação”
(RODRIGUEZ, 1998, p. 3, apud KREUTZ, 1999, p. 92). Na verdade,
67
Consultar também: MOREIRA.M.F.S. Identidade social e o ensino fundamental: leituras, práticas e
representações sociais. In: ARIAS NETO, José Miguel. (Org.). Dez anos de pesquisas em ensino de História.
Londrina-PR, 2005, v. 1, p. 879-887.