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CARACTERIZAÇÃO
SÓCIO-ECONÔMICA
DO ESTUDANTE
UNIVERSITÁRIO
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PUBLICAÇÕES
DO
CENTRO BRASILEIRO DE PESQUISAS EDUCACIONAIS
SÉRIE VIM - PESQUISAS E MONOGRAFIAS - VOL. 3
INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS PEDAGÓGICOS
BRASIL — MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E CULTURA
CENTRO BRASILEIRO DE PESQUISAS EDUCACIONAIS
RUA VOLUNTARIOS DA PATRIA. 107
RIO DE JANEIRO, GB — 1968
CARACTERIZAÇÃO SÓCIO-ECONÔMICA
DO ESTUDANTE UNIVERSITARIO
CENTRO BRASILEIRO DE PESQUISAS EDUCACIONAIS
INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS PEDAGÓGICOS
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E CULTURA
SÉRIE VIII PESQUISAS E MONOGRAFIAS - VOL. 3
CARACTERIZAÇÃO SÓCIO-ECONÔMICA DO
ESTUDANTE UNIVERSITARIO
SÉRIE VIII - PESQUISAS E MONOGRAFIAS
VOL. 1 — HUTCHINSON, BERTRAM — Mobilidade e Trabalho — 1960
VOL. 2 — FERNANDES, GONÇALVES — Estruturas tensionais da censura
familial — 1961
VOL. 3 — CASTRO, C. L. Monteiro de et alii — Caracterização sócio-
econômica do estudante universitário — 1968
Todos os direitos reservados pelo
INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS PEDAGÓGICOS
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E CULTURA
1968
EQUIPE DE TRABALHO
Planejamento:
Célia Lucia Monteiro de Castro
Hamilton Nonato Marques
Jayme Simões Aguiar
Luiz Alberto Gomes de Souza
Maria Lais Mousinho Guidi
Sérgio Guerra Duarte
Úrsula Albersheim dos Santos
Aplicação e codificação:
11
Celia Lucia Monteiro de Castro
Hamilton Nonato Marques
Jayme Simões Aguiar
Maria Lais Mousinho Guidi
Sérgio Guerra Duarte
Úrsula Albersheim dos Santos
Centros Regionais de Pesquisas
Educacio-
nais e Universidades do Ceará, Paraná e
Brasília
13
21
45
Tabulação: Aurélia Sampaio Leite
Célia Lucia Monteiro de Castro
Malvina Ghivelder
Sérgio Guerra Duarte
Úrsula Albersheim dos Santos
Redação: célia Lucia Monteiro de Castro
Malvina Ghivelder Maurice
Aaron Sterns Sérgio Guerra
Duarte Úrsula Albersheim dos
Santos
Revisão: Celia Lucia Monteiro de Castro
61 Malvina Ghivelder
Marta Maria Sampaio de Souza
SUPERVISÃO E COORDENAÇÃO DA EQUIPE:
81 Célia Lúcia Monteiro de Castro
(*) Na redação do Capítulo 14, integrou-se ã equipe o
Sr. Maurice Aaron Sterns, bolsista da Fundação
Ford.
ÍNDICE
Prefácio....................................
CAPÍTULO 1.
Objetivos, Material e Métodos ..........
CAPÍTULO 2.
Características Gerais do Estudante
Univer-
sitário ...............................
CAPÍTULO 3.
Caracterização Sócio-Econômica do
Estudan-
te Universitário de Fortaleza ..........
CAPÍTULO 4.
Caracterização Socio-Econômica do
Estudan-
te Universitário do Recife .............
CAPÍTULO 5.
Caracterização Socio-Econômica do
Estudan-
te Universitário de Salvador ...........
CAPÍTULO 6.
Caracterização Sócio-Econômica do Estudan
te Universitário de Belo Horizonte ........ 101
CAPÍTULO 7.
Caracterização SÓcio-Econômica do Estudan_
te Universitário de Niterói .............. 123
CAPÍTULO 8.
Caracterização Sócio-Econômica do Estudan
te Universitário do Rio de Janeiro...... 7.. 141
CAPÍTULO 9,
Caracterização Sócio-Econômica do Estudan
te Universitário de São Paulo ............. 201
CAPÍTULO 10.
Caracterização Sócio-Econômica do Estudan
te Universitário de Curitiba .......... 7.. 269
CAPÍTULO 11.
Caracterização Sócio-Econômica do Estudan
te Universitário de Porto Alegre ... ' .... 293
CAPÍTULO 12.
Caracterização SÓcio-Econômica do Estudan
te Universitário de Brasília .......... 7.. 315
CAPÍTULO 13.
Caracterização Sócio-Econômica do Estudan
te de Medicina .......................... 333
CAPÍTULO 14,
Caracterização Sócio-Econômica dos Estudan
tes de Direito, Economia e Ciências Socias 351
APÊNDICES
I. Matrícula e Freqüência na Primeira Se '
rie Universitária .................... 381
II. Opiniões de Estudantes Universitários.. 421
III. Questionário Utilizado na Pesquisa .... 435
BIBLIOGRAFIA ................................. 439
PREFÁCIO
Em janeiro de 1965,foi iniciada na Divisão de
Aper-feiçoamento do Magistério do Centro Brasileiro de
Pesquisas Educacionais uma pesquisa de âmbito
nacional,vi sando a caracterizar do ponto de vista
sócio-econômico o estudante universitário brasileiro.
Publicados inicial mente em fascículos independentes,
são agora os resulta dos da pesquisa apresentados em um
único volume.
A complexidade do tema estudado, o grande número
de informantes e o tempo empregado na pesquisa determi
naram a mobilização de um elevado número de especialls
tas. Técnicos de educação e antropólogos,lotados na Di-
visão de Aperfeiçoamento do Magistério,participaram das
diversas fases do estudo, enquanto que diretores e che-
fes das divisões de pesquisas educacionais e sociais dos
Centros Regionais de Pesquisas Educacionais de
Pernambu-co, Bahia, Minas Gerais, São Paulo e Pòrto
Alegre,assim como os responsáveis pelo Instituto de
Antropologia da Universidade Federal do Ceará, pelo
Departamento de Psi-cologia da Universidade de Brasília
e a Universidade Fe deral do Paraná se encarregaram da
coordenação local dos trabalhos.
Ao término da pesquisa, aproveitamos a oportunida
de para agradecer ao Dr. Carlos Pasquale(diretor do
INEP no período 1964-1966), ao Dr. Carlos Correa
Mascaro ( a tual diretor do INEP ) e ã professora
Lucia Marques Pi nheiro (coordenadora da Divisão de
Aperfeiçoamento do Magistério)pela orientação e
encorajamento recebidos; às professoras Elza Rodrigues
Martins, Elza Nascimento Alves e Regina Helena
Tavares, chefes das Seções de Do cumentação e
Intercâmbio, Biblioteca e Bibliografia do Centro
Brasileiro de Pesquisas Educacionais pelas suges tões
oferecidas nas várias etapas da pesquisa; ao pro
fessor Walter Augusto do Nascimento, pelo assessoramen
to em estatística e a Marlene Cardoso Pereira pelo cál
culo dos testes de significância, bem como a Aladyr Cor
rêa, responsável por todo o serviço de datilografia. Fi
nalmente, agradecimentos são também devidos às reitori
as e faculdades incluídas no estudo e aos universitári
os que se prestaram à investigação agora apresentada.
Capítulo 1
Objetivos, material e métodos
I - Objetivos da pesquisa
Admitindo que o conhecimento das características
do estudante constitui um dos pontos fundamentais, tan
to para a análise como para a reformulação de qualquer
sistema de ensino, o Centro Brasileiro de Pesquisas Edu
cacionais promoveu, em 1965, em cooperação com os Cen
tros Regionais e as Universidades do Ceará, do Parana
e de Brasília, a pesquisa "Caracterização sócio-economic
ca do estudante universitário". Propôs-se a mesma estu
dar a situação sócio-econômica do aluno do ensino supe
rior, verificando, além disso, as possíveis variações
destas condições em relação às localidades,faculdades e
ramos de ensino pesquisados.
Acreditamos que as informações obtidas a partir de
bases factuais, precisas e atualizadas,possam ser úteis
para a análise da realidade brasileira no campo da edu
cação superior, fornecendo ainda subsídios gara uma ree
mlaboração da política educacional universitaria.
II - Técnica empregada
A - Instrumento
Para o levantamento dos dados necessários ã pesquis
sa, elaborou-se um questionário com 69 quesitos (Apêndi
ce III). Foram feitas várias perguntas sôbre um mesmo
assunto, procurando cada uma complementar ou corrigir a
informação dada anteriormente, o que explica o número ele
vado de itens; dessa maneira, pretendeu-se obter respos
tas precisas e tão coerentes quanto fosse possível. Ao
término do questionário, acrescentou-se um tópico "Comen
tários e observações", visando a permitir ao aluno expres_
sar-se livremente, após ter sido solicitado a responder
a uma série de questões predeterminadas.
Os itens pesquisados podem ser agrupados nas seguin
tes categorias:
1-0 estudante: sexo, idade, estado civil e número
de filhos, nacionalidade e naturalidade, local de nasci
mento (zona urbana ou rural) e tempo de moradia na capì
tal;
2 - a família: número de elementos do grupo domésti
co, estado civil dos pais, local de moradia dos genito
res, moradia do estudante com os pais, nacionalidade dos
pais e nível de instrução de pais e irmãos;
3 - a vida escolar: intervalo entre o término do
curso médio e o ingresso ã escola superior, frequência a
cursos vestibulares, número de exames vestibulares presta
dos no ramo de ensino freqüentado e em outra modalidade
de ensino superior, frequência a outros cursos universitá
rios e turno freqüentado;
4 - a situação econômica do estudante e de sua fami
lia: número de elementos do grupo doméstico com salario
ou renda, nível ocupacional de pais e irmãos; caracterís_
ticas da ocupação exercida pelo estudante: motivos para o
exercício da ocupação, nível ocupacional, tempo de traba
lho e época de início da atividade remunerada, carga hora_
ria semanal, tipo de empregador, despesas custeadas pelo
salário; ajuda monetária prestada pela família, ao estu
dante, tipo e número de propriedades da família, tipo de
residência (própria ou alugada); entidade mantenedora da
escola média freqüentada pelos informantes e bólsa de es
tudo recebida na escola media.
Na avaliação da situação econômica do estudante, e
vitaram-se as perguntas diretas sôbre salário ou renda,
quer do aluno, quer de sua família, ja que o pré-teste *
* O pré-teste foi realizado com alunos de direito, ciên
cias econômicas, engenharia, filosofia e medicina de
escolas superiores sediadas na Guanabara.
demonstrara a inexeqüibilidade de tais quesitos: os in
formantes se recusavam a responder, forneciam dados in
compativeis com outras respostas ou reagiam de forma in
tensamente_negativa ã pesquisa. Por iste motivo, a ca
racterização econômica foi obtida de modo indireto atra
vés das perguntas anteriormente mencionadas.
Utilizou-se, para os níveis ocupacionais, a escala
adotada por B. Hutchinson *; esta escala, com base ex
plícita no prestígio social desfrutado pelas ocupações,
tem, segundo o autor, o valor de uma classificação de
nível econômico, já que as ocupações de maior prestígio
têm alto nível de remuneração e as de menor prestígio
correspondem a níveis salariais baixos. Varios traba
lhos, como por exemplo, as monografias integrantes do
projeto "Brasil Provinciano", desenvolvido pela Divisão
de Estudos e Pesquisas Sociais, do Centro Brasileiro
de Pesquisas Educacionais utilizaram com proveito a re
ferida escala. Os níveis ocupacionais citados na mesma
são:
1 - sem habilidades manuais e semi-habilidades ma
miais;
2 - habilidade manual;
3 - inspeção, supervisão e outras ocupações não
manuais de padrão baixo;
4 - inspeção, supervisão e outras ocupações não
manuais de padrão alto;
5 - dirigentes e executivos;
6 - profissionais e administradores.
Os irmãos dos estudantes, para efeito de compu
tação dos resultados, foram enquadrados em três catego
rias segundo a idade cronológica: dos 11 aos 14 anos, e
dos 15 aos 17 e 18 ou rnais anos. Nos quesitos relativos
a nível de instrução de todos os irmãos e nível ocupa
cional dos irmãos com 18 ou mais anos, foram assinalados
para cada informante e para cada categoria de idade os
níveis rnais baixo e mais alto encontrados.
B - Informantes
Com o intuito de realizar o trabalho em
dimensões nacionais, a pesquisa abrangeu tôdas as
escolas superio
* HUTCHINSON, B.- Mobilidade e Trabalho, um estudo na
cidade de São Paulo, Rio de Janeiro,
MEC, INEP, CBPE, 1960
res sediadas nas capitais dos Estados que contavam com
o efetivo total de 4 000 ou mais estudantes matricula
dos, em 1964, em cursos de graduação *. A importância
de Brasília, quer como capital da República, quer como
sede da rnais avançada universidade brasileira, forçou a
sua inclusão na amostra, apesar de não obedecer a este
critério. Assim sendo, a aplicação do questionário deu-
se em dez centros urbanos: Fortaleza, Recife Salvador,
Belo Horizonte, Niterói, Rio de Janeiro,São Paulo,
Curitiba, Porto Alegre e Brasília. Deve ser assinalado
que, considerando os dados da matrícula do ano letivo
de 1964, nestas dez cidades se concentra 90% de nossa
população universitária.
A pesquisa limitou-se aos alunos da primeira sé
rie dos cursos de graduação, já que se pretendia obter
dados que possibilitassem uma aplicação prática à atual
geração universitária, no caso de uma reestruturação do
ensino superior brasileiro.
Além dos critérios já citados, dois outros gresi-
diram a escolha dos informantes: a não identificação do
estudante e a aplicação do_questionário em aulas de
maior freqüência (informação obtida nas secretarias das
escolas). Com tais medidas, pretendeu-se alcançar:
a) - maior veracidade das respostas, o que foi re
forçado pela multiplicação das perguntas rela
cionadas ao tema;
b) - informações relativas ao maior número possa
vel de universitários, eliminando, logicameli
te, aquêles que não comparecem às aulas.
A eliminação dos alunos que não freqüentam assídua
mente os cursos foi feita deliberadamente. É verdade
que, usando tal critério, correu-se o risco de se fazer
um estudo incompleto e talvez mesmo parcial, já que as
características específicas do estudante pouco assíduo
podem depender do nível sócio-econômico do mesmo. Pre
feriu-se, no entanto, incorrer nesta omissão, limitando
o estudo aos que efetivamente freqüentam as aulas, do
que estender a pesquisa a todos os alunos matriculados,
já que, neste último caso, não seria possível manter o
anonimato do informante, condição considerada básica
para a veracidade das respostas.
* Distribuição da matrícula do ensino superior por Uni-
dade da Federação em 1964. Boletim Informativo CAPES,
Rio de Janeiro (147): 11, fev. 1965.
C - Aplicação dos questionários
Para a aplicação do questionário, recrutou-se, em
cada uma das capitais anteriormente mencionadas, uma
equipe de estudantes universitários, não primeiranis
tas, preferentemente alunos dos cursos de ciencias soci
ais; os aplicadores receberam o treinamento necessário
a execução da tarefa.
Os questionários foram distribuídos nas salas de
aulas_e recolhidos imediatamente após o seu preenchimen
to, não tendo sido limitado o tempo disponível para as
respostas. A preferência recaiu nesta maneira de obter
os dados, uma vez que a prática vem demonstrando que a
distribuição com devolução posterior pelo próprio infor
mante acarreta em perda extremamente elevada de ques
tionários. —
A aplicação foi feita nos meses de junho, agosto,
setembro e outubro de 1965.
D - Computação dos resultados
A computação dos resultados foi feita no Centro de
Processamento de Dados da Pontifícia Universidade Cató
lica do Rio de Janeiro, a partir de questionários codi
ficados localmente em cada uma das cidades já menciona"
dap.
-
Dos 18 230 questionários aplicados, 274 tiveram de
ser abandonados por conterem erros de codificação ou in
formações contraditórias, o que representa uma elimina
çao de 1,5% da amostra inicial.
O número de faculdades estudadas em cada centro ur
bano,bem como o número de questionários computados e ã
relação entre este número e a matrícula em junho de
1965 sao apresentados no Quadro 1.
* Dados referentes à primeira série dos cursos universi
tarios de graduação, em junho de 1965.
Além da tabulação das questões, expressa em núme
ros absolutos e percentagens, foram calculados, em rela"
ção a diversos itens (idade do estudante, número de fi
lhos, tempo de moradia na capital, número de pessoas do
grupo doméstico e número de pessoas deste grupo com ren_
da ou salário, duração do curso vestibular, número de
exames vestibulares, tempo de trabalho do estudante, in
tervalo entre as escolas média e superior),a média ari£
mética e o desvio padrão. No caso específico dos capítu
los dedicados ao estudo de determinadas modalidades do
ensino superior (medicina, direito, economia e ciências
sociais), foi feito o teste do qui-quadrado, a nível de
QUADRO 1
Faculdades estudadas, matrícula
e
questionários computados *
significância 0,05.
E - Apresentação dos resultados
As informações obtidas são apresentadas a seguir,
obedecendo ao seguinte critério:
1. inicialmente são descritos os resultados gerais
para o total de estudantes pesquisados (Capítulo 2), ob
jetivando uma caracterização ampla do universitário bra
sileiro; -
2. os dados relativos às localidades estudadas são
analisados separadamente (do Capítulo 3 ao Capítulo 12)
possibilitando o conhecimento da situação específica de
cada centro urbano;
3. alguns ramos de ensino como medicina (Capítulo
13), direito, economia e ciências sociais (Capítulo 14)
sao analisados isoladamente, procurando-se verificar se
melhanças e diferenças entre os estudantes destas moda
lidades e o conjunto de primeiranistas;
4. aspectos não estritamente vinculados à situação
sócio-econômica do universitário, mas decorrentes da
propria realização da pesquisa, como matrícula, freqüên
cia e opinião dos estudantes sao detalhados em apendi
ces. —
CAPÍTULO 2
Caracteristicas gerais do estudante universitário
Os dados obtidos, analisados segundo a técnica des
crita no capítulo anterior, permitem caracterizar o es
tudante universitário brasileiro do modo seguinte:
1-0 Estudante
Sexo
Praticamente 2/3 dos primeiranistas (64,86%)são
do sexo masculino. Embora existam variações percentu-
ais locais, em nove das dez capitais analisadas há pre-
domínio diste sexo; a única exceção i a cidade de Salva-
dor, onde aparece um número elevado de universitárias
(50,05%).
Estado civil
E insignificante o
e desquitados (0,26%), cons
de maioria (90,69%); a maio
casados é encontrada em Nit
universitários casados têm
respectivamente, as percen
dois elementos; o número de
em sua quase totalidade, de
2,23; desvio padrão = 1,
numero de alunos viuvos(o,12% )
tituindo os solteiros a gran_
r percentagem de estudantes
eroi (15,23%). Nem todos os
filhos, sendo 8,39 e 7,01,
tagens obtidas para estes
filhos é pequeno, variando,
1 a 3 (média aritmética =
40) .
Idade
Na faixa dos 18 a 22 anos estão concentrados
64,74% dos primeiranistas. A variação na idade cronoló
gica, apresentada no Quadro 1, é, no entanto, muito am
pla, sendo que 3,42% do corpo discente tem 34 ou rnais
anos (para Niterói: 5,47%); esta amplitude explica os
valores encontrados: média aritmética igual a 22,11 anos
e desvio padrão, 4,68.
QUADRO 1 Distribuição
das idades cronológicas
Idade (em anos) Percentagem
Sem resposta 6,81
17
0,
35
18
1
0
,
53
19
1
5
,
89
20
1
6
,
05
21
1
2
,
97
22
9,
30
23
6,
55
24
4,
17
25
3,
57
26
2
,61
27
1,
87
28
1741
29
1,
30
30
1,
18
31
0,
67
32
0,
70
33
0,
57
34 e rnais
3
,42
Dados referentes a primeira série dos cursos
univer-sitários de graduação, em 1965
Nacionalidade
95,20% dos informantes são brasileiros; em apenas
três cidades a taxa de estrangeiros é superior a 5%: Ni
terói (5,71%), são Paulo (6,54%) e Curitiba (5,22%). No
caso de estudantes estrangeiros, predominam os de ori
gem latino-americana (1,99%), o que pode ser devido a
maior proximidade geográfica, concomitantemente a
exis-tência de convênios de intercâmbio universitário.
Naturalidade
De uma maneira geral, a maioria dos alunos
freqüen-ta escolas superiores no próprio Estado onde
nasceu; as sim, em Fortaleza 80,71% dos universitários
são natu rais do Ceará; em Recife, 6 8,41% são
pernambucanos;em Salvador, 83,14% baianos; em Belo
Horizonte 90,56% nas ceram em Minas Gerais; em são
Paulo, a taxa de paulis-tas é 82,10% e em Porto Alegre
sobe a 88,54% a proporção de gaúchos. Em algumas
cidades, a situação se apresenta de forma um pouco
diferente; em Niterói, há 46,42% de informantes
fluminenses enquanto que os cariocas atingem a
percentagem de 21,42; no Rio de Janeiro, 56,01% dos
estudantes são naturais da Guanabara e 9,48% são on
ginãrios do Estado do Rio; entre outros fatôres, a pro
ximidade entre estas duas cidades (Pio e Niterói) pode
explicar o fenômeno. Por outro lado, Brasília atende
principalmente a alunos vindos de Minas Gerais (23,17%),
Goiás (13,51%), São Paulo (13,09%) e Guanabara (12,44%) ;
condições peculiares, relativas ã fundação da capital
brasileira e ã criação da universidade,são responsáveis
por esta migração estudantil. Curitiba se apresenta tam
bém com características próprias: 49,30% dos primeira
nistas são paranaenses,16,92% catarinenses e 14,27% pau
listas; possivelmente não é estranho a esta situação o
pequeno número de faculdades encontrado em Santa Cata
rina; por outro lado, seria necessário um estudo rnais
detalhado para determinar os fatôres causais do desloca
mento paulista.
A distribuição percentual dos primeiranistas em fun
ção de sua naturalidade, em cada uma das dez cidades es
tudadas, é apresentada no Quadro 2.
Tempo de moradia na capital
Pode-se afirmar que, para a maioria dos alunos, o
ensino superior não implica em mudança de residência,
quer de um Estado para outro, quer dentro do mesmo Esta-
do, tanto assim que 52,17% dos informantes haviam nas
cido na própria cidade sede da escola freqüentada e
17,30% nela viviam há dez ou rnais anos. No entanto, pa-
ra alguns estudantes o início do estudo universitário
coincide com o deslocamento para a capital, embora não
se possa afirmar que haja relação causa-efeito. Em vári-
as cidades, a percentagem no corpo discente com uma mo
radia local de 1 a 3 anos não ultrapassa 20% do total
de alunos; é o caso de Fortaleza (10, 66%),Recife (16,01%),
Salvador(15,60%),Niterói(15,23%) ,Rio de Janeiro(10,00%),
São Paulo (16,32%) e Porto Alegre (16 ,78%).Contudo,
co mo seria de esperar, em Brasília este índice
percentu-al aumenta muito atingindo 65,22%; os dados
obtidos pa-ra Belo Horizonte (23,17%) e Curitiba
(35,09%) indicam também uma mudança domiciliar recente
de um numero con-siderável de estudantes.
Local de nascimento
Relacionando aos dados acima citados, deve ser men
cionado que a grande maioria dos informantes nasceu em
zona urbana (88,50%), ou seja, o universitário ou nas
ceu na própria cidade em que estuda ou veio de um outro
centro urbano; os alunos nascidos em zona rural repre-
sentam apenas 17,46% do total.
Comentários
Das características gerais do estudante universitá
rio, descritas nos parágrafos anteriores, quatro nos
pa-recem merecer especial atenção: o sexo, a idade, o
esta do civil e a naturalidade.
Embora existam cursos universitários, de clientela
essencialmente feminina, como é o caso da enfermagem, o
predomínio do sexo masculino em nossos cursos superio
res ê nítido, o que pode ser devido ã posição de depen-
dência econômica e cultural da mulher na sociedade bra
sileira. Fato curioso é que diferenças regionais,mes
mo as rnais diretamente relacionadas a desenvolvimento e
conômico e nível de industrialização alcançado, nao pa_
recem determinar modificações na distribuição
percentu-al da matrícula feminina: 33,24% para o Rio de
Janeiro, 33,36% para São Paulo, 36,28% para
Fortaleza;34,76% pa ra Niterói e 50,05% para
Salvador.
Considerando que os primeiranistas deveriam ter
i-dades cronológicas entre 17 e 19 anos, na
dependência da época de início da escola primária (aos
6 ou 7 anos) e da própria duração do curso elementar (4
a 5 anos),ob serva-se que apenas 26,77% dos informantes
se situam nes_ ta faixa etária. Se aceitarmos 19 anos
como a idade es perada para a primeira série dos
cursos universitários de graduação, verifica-se um
atraso de três anos em têr mos da média brasileira
(média aritmética= 22,11 anos). A explicação do
fenômeno parece estar ligada aos obstá culos que o
aluno defronta em sua escalada educacional,
representados principalmente pelos exames de admissão
ao ginásio e vestibular, os quais estariam determinando
discrepância entre a idade real e a esperada para a sé_
rie. Não é necessário ressaltar as implicações sociais
e econômicas deste fato, bastando lembrar que, em ulti
ma análise, produzem uma postergação do inicio da
ativi-dade profissional, fenômeno tanto mais sério quarto
mais precárias forem as condições de desenvolvimento da
regi-ão ou país.
Não dispomos de dados para aquilatar se o número
de indivíduos casados aumenta à medida em que o estu
dante progride em seu curso. Em relação à primeira se-
rie, a maioria do corpo discente é solteira.Queremos men
cionar, no entanto, que em Niterói, onde há proporcio
nalmente um maior número de alunos com mais idade(media
aritmética= 23,35 e desvio padrão= 5,76), há também um
maior número de informantes casados (15,23%).Havendo^re
lação direta entre o estado civil e a idade cronológi
ca, mesmo guando a pessoa se mantém na condição de
estu-dante, sera cabível o aumento do número de alunos
casa dos durante o curso, notadamente nos casos de
iníciotar-dio dêste. Nestas circunstâncias, a escola
superior te rã de se adaptar a esta nova situação de
sua clientela.
Um certo número de informantes (17,74% com
residên-cia de 1 a 3 anos no centro urbano) se deslocou
para as capitais e esta mudança de domicílio coincidiu,em
vários casos, com o início do curso superior. Não
temos dados para afirmar que esta migração foi
determinada pelo de sejo de freqüentar a escola, embora
seja plausível esta
explicação pela inexistência de vários cursos em algumas
cidades (*), bem como pela dificuldade de ingresso em
certas faculdades pelo alto nível de exigências do
exa-me vestibular. De qualquer maneira, deve ser
lembrado que ã adaptação à vida universitária, naquilo
em que es ta difere da escola média, acrescenta-se a
acomodação às condições de vida em uma nova cidade ou
um nôvo Esta do, com suas possíveis repercussões sôbre
o rendimento do aluno.
2 - A Família
Numero de elementos do grupo doméstico
63,25% das famílias dos universitários têm de 3
a 6 elementos, sendo que em 8,51% dos casos existem 10
ou rnais pessoas no grupo doméstico. As variações locais
são grandes, devendo ser ressaltado que em cinco cida-
des o número de famílias com 10 ou mais membros é supe-
rior a 10% do total: Brasília (11,15%), Belo Horizonte
(15,69%), Salvador (17,80%), Recife (18,85%)e Fortaleza
(29,96%). Para o conjunto dos dez municípios, foi encon-
trado 5,61 como média aritmética,sendo 2,91 o desvio
pa-drão.
Composição do grupo doméstico
Um número razoável de estudantes (13,22%) é ór
fão de pai, sendo bem menor o número de mães falecidas
(5,72%). A grande maioria dos pais (80,54%) vive com a
família, sendo raros os casos de pais desquitados ou se
parados (3,79%). Mais da metade dos pais (52,22% para o
genitor e 61,93% para a genitora) vive na própria
cida-de em que o aluno estuda; em 28,50% dos casos
para o pai e 29,01% para a mãe, o local de residência
é dife-rente do centro urbano onde está situada a escola;
estas diferenças percentuais entre pai e mãe podem ser
expli-cadas, quer pelo falecimento de um dos
responsáveis7 quer pela separação dos mesmos.
Relacionado a situação já descrita (1 - 0 Estudante),
em Brasília e em Curiti ba há separação entre o
domicílio da família e o do uni-versitário, parecendo
haver migração estudantil para es tes locais; no caso
dos primeiranistas da capital Fe deral, apenas 28,96%
dos pais e 31,54% das mães residem no próprio município;
para Curitiba, or- dados são, res
(*) Ver a respeito o item "Diferença de oportunidades
educacionais nas diversas localidades estudadas",
no Apêndice J.
pectivamente, 39,14% e 43,85%.
Nacionalidade dos pais
Considerando-se o genitor, verifica-se que 82,22%
são brasileiros. Em algumas cidades, o número de pais
(genitor masculino) estrangeiros aumenta; é o caso de
Sao Paulo com 2 8,83%. A maior parte dos pais estrangei^
ros é originária do Japão (3,63%), Portugal^(2,96%) e
países latino-americanos (2
¿
18%); o grande número de ja
ponêses, no cômputo geral, é conseqüência dos dados en
contrados em são Paulo e Curitiba, onde estas percenta
gens atingem, respectivamente, a 11,47% e 6,76% do to
tal.
Nacionalidade das mães
As características de nacionalidade da genito
ra são semelhantes, com predomínio de mães brasileiras
(87,04); em São Paulo, a taxa de mães estrangeiras é de
25,01%, havendo um grande número de japonesas (10,72%).
Tomando os dados gerais para as dez cidades analisadas,
as mães estrangeiras, em sua maioria, são de nacionali
dade portuguêsa (2,16%) e japonêsa (3,41%).
Nível de instrução dos pais
É variado o nível de instrução dos pais,embora
grande parte deles tenha curso médio ou superior; o nú
mero de séries escolares freqüentadas pelo pai é,de for
ma geral, superior ao da mãe. Tomando-se cada genitor
separadamente, observamos que 59,47% dos pais (genitor
masculino) iniciaram, pelo menos, os estudos de nível
pós-primário, sendo que 22,96% têm curso superior com
pleto; deve ser notado, entretanto, que 29,81% têm ape
nas instrução primária (completa ou incompleta).Em sete
das cidades analisadas, 1/3 ou rnais dos pais não ultra
passou a escola elementar:Fortaleza (45,33%), Recife
(39,42%), Salvador (48,68%), Belo Horizonte (39,49%),
Niterói (39,04%), Curitiba (37,37%) e Brasília(37,11%).
Nível de instrução das mães
Em relação ã instrução das mães,nota-se que 51,20%
têm, no mínimo, a primeira série ginasial. Considerando
se os pontos extremos da escada educacional,verifica-se
que 39,49% não atingiram níveis superiores ao da escola
primária, enquanto apenas 5,19% terminaram cursos uni
versitários. Da mesma maneira que em relação ao nível
de instrução do pai, há variações locais;em apenas três
localidades, a percentagem de mães com instrução prima
ria (incompleta ou completa) é inferior a 40%: Belo Ho
rizonte (38,80%), Rio de Janeiro (31,24%)e São Paulo
(39,43%); nas demais, tal índice varia de 41,69% ( Reci-
fe) a 51,40% (Salvador).
Nível de instrução dos irmãos
Se o nível de instrução dos pais é relativamente
baixo, principalmente levando em conta que se trata de
famílias de estudantes universitários, o mesmo nao se
verifica para os irmãos dos informantes. A grande maio
ria dos estudantes (73,37%) não têm irmãos de 11 a 14
anos; quando os têm, o nível de instrução corresponde,
em linhas gerais, ao esperado para a idade cronológica,
tanto assim que, limitando-nos ao nível rnais baixo de
instrução, 17,63% dos irmãos iniciaram o primeiro ciclo
médio, 3,04% têm primário completo e 5,00% estão termi-
nando a escola elementar, 65,33% dos primeiranistas ale
gam não ter irmãos na faixa dos 15 aos 17 anos; no caso
de resposta afirmativa, novamente o nível de instrução
se aproxima do esperado para a respectiva idade: 15,69%
dos irmãos, pelo menos, iniciaram a escola média; 2,87%
terminaram o ciclo ginasial e 12,92% têm ciclo colegi
al incompleto (dados estes relativos ao nível de
instru-ção rnais baixo observado em cada caso).
A situação em relação aos irmãos de 18 e mais a
nos é diferente. Em primeiro lugar, a inexistência de
irmãos nesta faixa etária é bem menor (apenas 26,42% dos
informantes). Em segundo, embora predominem os níveis
rnais adiantados (13,98% com segundo ciclo incompleto;
15,37% com colegial completo; 10,08% com início de esco
la superior e 4,08% com término de curso universitário).
um grande número de irmãos têm instrução inferior a que
seria de esperar, considerando-se a idade: 9,80% com
curso elementar; 9,82% com ginasial incompleto e 7,32%
com primeiro ciclo médio completo (tomando-se sempre o
nível rnais baixo de instrução verificado na faixa etá
ria, para cada informante).
O nível de instrução dos pais e irmãos dos
estu-dantes universitários é apresentado no Quadro 3.
Comentários
Algumas considerações pertinentes às
caracterís-ticas da família do primeiranista devem ser
feitas. Pode-se dizer que os universitários permanecem
em meio familiar, já que é pequeno o número de
estudantes órfãos de pai e mãe, são poucos os casais
separados ou desqui-tados e a maior parte dos alunos
reside com os genito res .
Parece haver, em linhas gerais, no que se refe
re ã instrução dos pais (genitor masculino)dois grandes
grupos: um, indo do analfabeto ao indivíduo com primá
rio completo, e, outro, começando no segundo ciclo com
pleto do curso médio e terminando ao nível do ensino
superior. 0 mesmo se observa em relação ao grau de esco
laridade das mães, embora, neste caso, predominem os e
lementos do primeiro grupo. Não se observa nada
semelhan-te quando se faz o estudo do nível de
instrução dos ir mãos.
Ja fizemos referência a que os irmãos de 11 a 17
anos têm instrução compatível com a esperada para a ida_
de, não se podendo dizer o mesmo no caso dos irmãos rnais
velhos (18 e rnais anos). Entre os diversos fatôres que
podem ter influência neste aspecto, queremos lembrar o
aumento de oportunidades educacionais (representado pe_
Io maior número de escolas e matrículas) nos últimos anos,
as demandas crescentes da sociedade em relação ã
instru-ção do indivíduo e, talvez mesmo, a melhor
situação eco nômica de determinadas famílias, permitindo
manter os fi lhos rnais novos por rnais tempo na escola.
3 - Vida Escolar
Turno
74,74% dos informantes freqüentam escolas diur-
nas; há variações locais, podendo ser mencionado que em
Brasília não há cursos noturnos, enquanto em Niterói
45,71% dos universitários estudam ã noite.A iste respei
to, duas características do estudante fluminense devem
ser lembradas: é maior o número de casados (15,23%) e
maior a média aritmética relativa ã idade cronológica
(23,35 anos); possivelmente estes três elementos estão
interligados.
Frequência anterior em cursos universitários
Apenas 8,70% dos primeiranistas alegaram experi
ência prévia com o ensino superior, através de
freqüên-cia a outros cursos universitários; em quatro
localida des, esta proporção ultrapassa a 10% dos
alunos: Rio de Janeiro (10,28%), Curitiba (12,50%),Porto
Alegre(10,29%) e Brasília (12,87%).
Intervalo entre as escolas média e superior
Menos da metade (47,79%) ingressa no ensino supe
rior no ano subseguente ao término da escola média;quañ
do há intervalo, este é em geral de um a três anos, en
globando-se nesta faixa 37,21% de todos os informantes.
Dois outros aspectos do problema nos parecem importan
tes: 1 - o período entre a diplomação ao nível colegial
e a matrícula na primeira série universitária pode se
estender a 18 ou rnais anos, dando, como resultado,a m é
dia aritmética de 2,99 anos e um desvio padrão de 3,61.
2 - Os maiores centros universitários, como o Rio de Ja
neiro e a cidade de São Paulo, não se distinguem das de
rnais localidades no que se refere ao tempo intermedia
rio entre as escolas média e superior; em compensação,
Niterói tem a maior percentagem de estudantes que não
ingressaram na faculdade imediatamente após a conclu
são da terceira série colegial (60,77%).
Curso vestibular
65,71% dos alunos afirmaram ter freqüentado cur
sos vestibulares. Em nove das dez capitais analisadas,
a maioria dos universitários se matricula nestes cur
sos, embora a proporção possa variar de município a mu
nicípio; a menor percentagem é encontrada em Porto Ale
gre (50,57%) e a maior em são Paulo (75,80%). A única,
exceção é Brasília, onde apenas 34,97% fazem referência
a cursos preparatórios. É curioso assinalar que, embora
a maioria dos primeiranistas (50,45%) mencione tão só
mente um ano de curso vestibular, 8,13% dos informantes
alegam 2, o que explica a média aritmética e o desvio pa
drão encontrados (respectivamente 1,20 e O,63).
Exames vestibulares
Muitos alunos prestaram mais de um exame, antes
de lograr o ingresso na escola superior. Em termos per
centuais,os dados obtidos foram: 62,59% se candidataram
uma única vez; 14,97% se apresentaram por duas vêzes;
5,77%, três e 2,94%, quatro, ou seja, 23,68% dos primei-
ranistas fizeram de 2 a 4 exames vestibulares.São Paulo
se apresenta em situação rnais séria, uma vez que apenas
47,12% de seus estudantes realizaram um único concurso
de acesso ã escola superior. A média aritmética e o des
vio padrão para o total 60s dez municípios forarn,respec
tivamente, 1,57 e 1,64, sendo que para a capital bandei
rante, como seria de esperar, diante da referência ante
rior, os resultados foram rnais altos: 2,04 e 1,88.
Se apenas 8,70% dos informantes tinham tido
expe-riência anterior com cursos universitários, o
número de exames prestados para outros ramos de ensino
é um pouco maior: 17,58% dos alunos mencionaram ter
feito de 1 a 2 exames para ramos diferentes daqueles que
estavam seguin-do em 1965.
Comentários
As características acima referidas apontam um
problema já bastante antigo e por que não dizer já bas_
tante estudado*, qual seja o da falta de continuidade
entre as escolas media e superior. 0 diploma do curso
colegial não abre as portas da Faculdade e o aluno deve
submeter-se a exame de seleção; para tanto, o próprio
conteúdo aprendido não é suficiente e surge a
necessida-de de treinamento específico em curso
preparatório, õ que significa,muitas vêzes, a perda de
um ou rnais anos.
O obstáculo representado pelo exame vestibular
tem, a nosso ver, duas conseqüências importantes.Atrasa
o ingresso no ensino universitário e, obviamente, a di
plomação profissional; já fizemos referência a este as
pecto ao analisarmos as características gerais do
estu-dante universitário; queremos, no momento,
ressaltar, tão somente, as implicações econômicas do
fenômeno. Pa ra que uma família mantenha um indivíduo
até os 22 anos (média aritmética de idade cronológica
do aluno da pri-meira série universitária) como
estudante, há necessida-de de um certo nível econômico,
já que esta manutenção implica na existência de um
adulto que não trabalha ou que o faz em horário
parcial, contribuindo pouco ou na
A este respeito, pode ser mencionado um trabalho re
cente, de Nadia Franco da Cunha: Preparação de can-
didatos ao vestibular de 1964 na Guanabara, Rio de
Janeiro, MEC, INEP, CBPE, 1965 - 2v.
da para a renda do grupo doméstico. Acresce a is_ so
a mensalidade cobrada nos cursos vestibulares, o que
aumenta o problema. Pode-se dizer, então, que o retarda
mento no início do ensino superior contribui para o agra
vamento do privilégio econômico da clientela universitá
ria.
Além disso, a dificuldade de ingresso represen
tada pelo concurso vestibular faz com que um certo núme
ro de indivíduos preste exame em ramos de ensino dife
rentes, tentando matricular-se na escola superior.Poder
se-ia inferir, assi que um certo número de vocações não
são atendidas, já que algumas pessoas farão nao o
curso que pretendem, mas aguele no qual conseguiram a
provação no exame de seleção. Por outro lado, o numero
de indivíduos que inicia um curso superior para depois
abandoná-lo sugere a necessidade imperiosa de uma
orien-tação e seleção vocacionais, já que, entre
outros fato res, há um desperdício de tempo e dinheiro,
quer para o indivíduo, quer para o Estado.
4 - Situação econômica do Estudante e de sua Família
Elementos do grupo doméstico com renda
Em 80,87% dos casos, de uma a três pessoas do gru
po doméstico contribuem para o orçamento familiar,sendo
que 34,09% dos informantes mencionam unicamente uma pes
soa; foram obtidos a média aritmética de 2,13 e o des
vio padrão igual a 1,59.
Nível de ocupação dos genitores
É insignificante o numero de genitores (sexo mas
culino) que viviam de renda (0,4 5%) ou que estavam
de sempregados (0,15%) por ocasião da aplicação dos
ques_ tionrios. Adotada a classificação de Bertram
Hutchin son, em seis níveis, observa-se que 77,91% dos
pais têm ocupações compreendidas entre os níveis 3 e 6,
ou seja entre a categoria de inspeção, supervisão e
ocupações não manuais de padrão baixo e a de
profissionais e ad-ministradores; apenas 8,52% exercem
atividades de níveis 1 (sem-habilidades manuais e semi-
habilidades manuais) e 2 (habilidade manual).
Ocupação remunerada da genitora
A maior parte das mães dedica-se a afazeres domés_
ticos (80,48%). Quando existe ocupação remunerada, esta
se distribui entre os níveis 2 e 5 (dirigentes e exe
cutivos), englobando 17,79% dos casos. Das genitoras
que trabalham, 35,25% o fazem no próprio domicílio ou
em emprêsas pertencentes ao grupo familiar.
Ocupação remunerada dos irmãos
44,11% dos primeiranistas têm irmãos com 18 e
rnais anos trabalhando; os níveis ocupacionais, mais bai-
xos, encontrados com maior freqüência foram: 4 (corres
pondendo a inspeção, supervisão e outras ocupações não
manuais de padrão alto), representando 11,48% do total;
3 (11,00%) e 5 (7,40%) . Deve ser assinalada uma taxa al-
ta de ausência de resposta ao item (32,90%), o que pode
ser explicado, até certo ponto, pela inexistência de ir
mãos nesta faixa etária. Por outro lado, 22,99,% dos in
formantes alegaram que os irmãos ainda são estudantes.
Considerado o intervalo de 14 a 17 anos, nota-se
que 49,56% dos primeiranistas afirmam não ter irmãos
nes-ta faixa etária; entre os que têm, predominam os
casos de irmãos estudantes (39,37% do total); é
insignifican-te o número de irmãos menores que
trabalham (0,67%) ou que se dedicam, simultâneamente,
ao trabalho e ao estu-do (0,59%).
As percentagens relativas a nível de ocupação de
pais e irmãos de estudantes universitários são apresen
tadas no Quadro 4.
QUADRO 4
Nível de ocupação de pais e irmãos do
estudante universitário (*)
Distribuição percentual
Nível de Ocupação Pai Mãe
Irmãos de
18 e rnais
anos **
Sem resposta 12.91 80,48 32,90
Sem habilidades manuais e semi-
habilidades manuais (nível 1)
1,77 0,52 1.56
Habilidade manual (nível 2) 6,75 3,78 ' 4,49
Inspeção,supervisão e outras
ocupações não manuais de padrão
baixo (n(vel 3)
16.99 2.99 11,00
Inspeção,supervisão e outras
ocupações não manuais de padrão
alto (nível 4)
32,39 4,87 11,48
Dirigentes e executivos (nível 5) 8,22 6.15 7.40
Profissionais e administradores
(nível 6 )
20,31 0,63 4,57
Vive de renda 0,45 0.54 0.02
Sem emprêgo 0,15
—
3.54
Estudante
— —
22,99
( * ) Dados referentes ã primeira série dos cursos uni.
versitários de graduação em. 1965. (**)
Considerado o nível rnais baixo de ocupação observa-
do para os irmãos de cada informante.
Ocupação remunerada do estudante
44,12% dos universitários trabalham; os níveis
ocupacionais encontrados com maior freqüência são: 4
(15,81%), 3 (13,08%) e 5 (11,48%), englobando-se nestas
categorias 40,37% do total de informantes.Em Niterói há
um menor número de universitários dedicados exclusivamen
te ao estudo (39,52%), o que pode estar relacionado ãs
caracteristicas anteriormente descritas (estudantes
rnais velhos, maior número de informantes casados, maior
numero de alunos em cursos noturnos).
Entidade patronal
0 estudante que trabalha o faz tanto em emprêsa
particular (19,53%) como em organização estatal(18, 75%) ;
há variações locais, sendo que em 9 dos 10 municípios
es- tudados, predomina o serviço prestado ao govêrno
(fe deral, estadual ou municipal); o ligeiro predomínio
da entidade patronal particular, quando se considera o
con junto das dez cidades, se deve ã situação
observada em São Paulo, onde há um grande número de
alunos emprega dos em firmas particulares (26,05%).
Carga semanal de trabalho
A maior parte dos estudantes que exerce ocupação
remunerada trabalha de 17 a 24 horas semanais (27,16%);
um pequeno número (6,40%) afirma trabalhar rnais de 8 ho
ras diárias.
Motivos determinantes do trabalho
vários foram os motivos citados para o exercício
da ocupação; com maior frequência, há referência ã ne
cessidade econômica da família paterna (15,16%); em se
gundo lugar, aparecem o desejo de independência finan
ceira (9,85%) e a vontade de adquirir experiência pro
fissionai, em face da carreira futura (9,29%). Em
Curi-tiba, as alegações de que é preciso auxiliar o
orçamen to doméstico e de que o trabalho atual pode ser
útil pa_ ra a profissão pretendida se encontram
praticamente no mesmo plano (10,52%) e (10,66%)
respectivamente.Se estu darmos os motivos de ordem
econômica (necessidade de a-judar a família paterna ou
no sustento de sua própria família) e as razões de
base são econômica (desejo de adquirir experiência
profissional, vontade de independên cia em face da
família e outros motivos) ,verificamos que predominam
estes últimos (24,76% do total de informan tes);
embora existam variações locais, a preponderância do
conjunto de causas não diretamente vinculadas a sala
rio é observada em tôdas as localidades analisadas.
Tempo de trabalho
Em geral o trabalho foi iniciado antes do
ingres-so ã escola superior (em 37,72% do total de
informan tes). No entanto, o tempo de trabalho e
extremamente va riado, indo de meses a dezoito ou mais
anos, sendo que no intervalo de 1 a 5 anos se concentram
25,74% dos estu-dantes; esta grande amplitude é
responsável pela média (5,96 anos) e desvio padrão
(5,93) encontrados.
Utilização do salário
No caso do aluno solteiro, a utilização do salário
é vária; no conjunto de universitário, 13,79% custeiam
apenas parte das despesas individuais; 10,50% se encar-
regam de todos os seus gastos e 10,60% contribuem ainda
para o orçamento doméstico. Em 4 localidades, uma peque
na maioria ajuda nas despesas da família: Fortaleza
(12,51%), Recife (12,80%), Belo Horizonte (14,47%) e Ni-
terói (15,47%) .
No que se refere ao estudante casado, o fenômeno
se apresenta de forma diversa: um maior número sustenta
totalmente a sua própria família (3,90%) e uma propor_
ção menor (1,99%) é responsável por parte das despesas
familiares; neste último caso, pode-se presumir a ajuda
financeira do cônjuge. Deve ser mencionado que alguns
primeiranistas (1,20%) ainda auxiliam monetàriamente a
família paterna.
Ajuda monetária da família
A maior parte dos informantes (62,49%)alega ter a_
juda financeira da família; se bem que esta situação
Se-ja comum aos dez municípios observados, em dois
deles aumenta proporcionalmente o número dos que não
dispõem de mesada ou contribuição paterna, qualquer
que seja sua modalidade: Niterói (42,61% dos alunos nada
recebem) e Brasília (40,77%).
Propriedades
Apenas 9,98% dos universitários declararam que sua
família não possuía quaisquer bens, móveis e imóveis.
Em algumas localidades, esta percentagem aumenta; é o
caso de Salvador (20,41%) e Rio de Janeiro (13,81%).
Casas e apartamentos
A maioria dos estudantes (51,40%) têm de 1 a 2 ca
sas, havendo grandes variações locais. Se em Belo Hori
zonte (61,81%), São Paulo (56,75%) e Curitiba (58,12%)
a proporção é maior, no Rio de Janeiro (40,16%) se
veri fica a situação inversa. Tal circunstância parece
indi car caracteristicas locais de habitação, já que
na Gua nabara é bem maior o número de famílias com 1 ou
2 apar tamentos (20,71% para as dez cidades estudadas;
32,04%" para o Rio de Janeiro). É possível associar
estes dados com outros, especificamente com o tipo de
moradia (pró pria ou alugada) do primeiranista;
verifica-se, entao, que há predomínio da residência
própria (34,83%) sôbre a alugada (25,15%); em apenas
duas cidades, há um gran de numero de alunos vivendo em
quarto alugado:Curitiba (14,20%) e Brasília (30,90%),
sugerindo pelos dados já citados( características
gerais do universitário e de sua família) migração
estudantil para estas capitais.
sitios, terrenos, fazendas
18,91% dos informantes possuem um ou dois sítios
e terrenos; em relação aos alunos de Fortaleza, Curiti
ba e Brasília, as proporções são um pouco rnais altas, ã*
tingindo, respectivamente, 27,59%, 27,73% e 23,38%.Um nu
mero relativamente pequeno de famílias tem uma fazenda
(7,84%); como seria de esperar,há variações locais, sen
do que, em cinco capitais, a percentagem sobe a rnais
de 10%: Fortaleza (12,74%), Salvador (10,78%) Belo Hori
zonte (12,46%), Curitiba (11,62%) e Brasília (10,51%).
Emprêsas comerciais e industriais
Os Estados do Sul apresentam maior número de uni
versitários com emprêsas comerciais e industriais. Em
relação ao primeiro item (emprêsa comercial),consideran
do-se o total de informantes, observa-se que 10,49% ale"
gam tal propriedade; no entanto, os dados para São Pau
lo (14,29%), Curitiba (11,92%) e Porto Alegre (11,09%T
são superiores ao total geral. 0 mesmo se verifica para
as emprêsas industriais: 5,64% para o conjunto das dez
cidades e 8,32% para São Paulo; 7,79% para Curitiba e
6,42% para Porto Alegre.
Automóveis
Mais da quarta parte das famílias (27,75%)têm um
automóvel; 8,71% têm dois. Novamente os Estados do Sul
apresentam taxas, mais elevadas: são Paulo (44,01% com um
ou dois carros), Curitiba (37,59%) e Porto Alegre(41,38%).
Deve ser assinalado que Brasília acompanha as capitais
sulinas em relação ao maior número de emprêsas comerci
ais (11,37%) e meios de transporte próprio (42,04% com
um ou dois automóveis).
Apólices e títulos
Foi também perguntado o número de apólices ou ti
tulos; a imensa maioria (98,92%) não respondeu ao item.
Parece-nos cabível a dúvida: realmente as famílias não
possuem títulos ou os estudantes desconhecem a real si
tuação do grupo doméstico em relação a tal elemento.
Os índices relativos a tipo e número de proprieda
de são apresentados no Quadro 5.
QUADRO 5
Tipo e número de propriedades da
família do estudante universitário*
* Dados referentes ã primeira série dos cursos universi
tários de graduação em 1965.
Entidade mantenedora da escola média
Um outro elemento relacionado ã caracterização e
conômica do primeiranista deve ser abordado.Refere-se a
entidade mantenedora da escola média freqüentada pelo
informante. A maioria dos universitários cursou tão so
mente escolas particulares (41,42%); um contingente gran
de (33,91%) utilizou-se de cursos públicos e
particula-res e apenas 22,44% mencionou, com
exclusividade, a es cola oficial (estadual ou
federal). Em Salvador e Curi tiba há proporcionalmente
rnais alunos provenientes de escolas públicas (31,51% e
29,43%, respectivamente). A importância de tal
informação deve ser ressaltada já que em 81,64% dos
casos, os estudantes não se beneficia-ram de bolsas de
estudo durante o curso médio.
Comentários
O fato dos pais (genitor masculino) dos primeira
nistas exercerem atividades remuneradas de nível alto
ou médio, a existência de inúmeros irmãos_maiores ainda
dedicados ao estudo, a ausência de ocupação assalariada
em relação ã maioria das mães, a inexistencia de proprie
dades em um número proporcionalmente pequeno de
famíli-
as, a freqüência a escolas médias particulares em um
grande número de casos são elementos que atestam um cer
to grau de seleção econômica no que se refere à cliente
la universitária; este privilégio educacional pode ser
traduzido através de um único elemento: apenas 8,52% dos
genitores masculinos se dedicam a atividades manuais (ní-
veis ocupacionais 1 e 2 da escala de B.Hutchinson). Os
dados obtidos na presente pesquisa apontam, entre vari
as causas possíveis, dois elementos de seleção
econômi-
ea: a escola média paga e as dificuldades decorrentes
do exame vestibular, obrigando a freqüência a cursos es
pecializados, em sua maioria, particulares.
5 - Conclusões e sugestões
As características sócio-econômicas detalhadas
neste capitulo podem ser resumidas:
1 - predomínio de indivíduos solteiros e do sexo
masculino; idade variando, a grosso modo, dos
18 aos 22 anos; maioria de brasileiros, nasci
dos em zona urbana e naturais do Estado -sede
da escola superior que freqüenta;
2 - família, em geral, com um pequeno número de
membros, morando a maior parte dos universitá
rios com os pais na própria cidade onde estu-
dam; pais brasileiros com nível de instrução
variado, predominando os genitores com cursos
médio ou superior; irmãos dos estudantes, na
maioria das vêzes, com nível de escolaridade
compatível com o esperado para a respectiva i-
dade cronológica;
3 - predomínio de universitários matriculados em
escolas diurnas, sendo raros os casos de
pri-meiranistas com experiência universitária
an terior; intervalo entre as escolas médias
e superior verificado em cêrca de metade dos
Ca-sos; maioria de primeiranistas acusando
fre-quência a cursos vestibulares e aprovação
no primeiro concurso de habilitação a
faculdade;
4 - em média dois elementos do grupo doméstico
dispondo de salário ou renda; pais (genitor
masculino) exercendo ocupações de tipo medio
ou superior, segundo a escala de B.Hutchinson;
pequeno número de mães dedicadas a atividades
remuneradas; irmãos de l8 e mais anos exercen-
do ocupações de tipo médio ou estudando; ir
mãos menores, em geral, dedicados unicamente
ao estudo;
5 - predomínio de primeiranistas sem ocupação re
munerada; os indivíduos que trabalham o fazem,
na maior parte das vêzes,em emprêsas estatais
ou particulares, sob regime de tempo parcial;
início do trabalho antes do ingresso a escola
superior (prazo igual ou inferior a cinco a-
nos) e utilização do salário para custeio par
cial das despesas individuais;
6 - pequeno número de família não dispondo de bens;
tipo e número variados de propriedades, sendo
rnais freqüentes casas, apartamentos, sítios e
terrenos, automóveis;
7 - maioria de primeiranistas egressos de escolas
médias particulares, não se tendo beneficiado,
neste período, de bolsas de estudo.
No que se refere à utilização da pesquisa tendo
em vista uma possível reelaboração da política
educacio-nal universitária, três pontos nos parecem de
suma im-portância.
1 - Reforma do ensino: O atraso no ingresso ã uni
versidade,por suas conseqüências econômicas e sociais,
avultando entre as mesmas o início tardio da atividade
profissional, e a falta de entrosamento entre as esco
las média e superior revelado pelas dificuldades do exa
me vestibular, demonstram,mais uma vez,a necessidade de
reforma,quer da escola média quer da superior, ressal-
tando as deficiências das soluções até agora encontra
das.A este respeito, devem ser mencionadas as críti-
cas ultimamente feitas à criação da terceira série cole_
gial anexa ã faculdade, preconizada pela Lei de Diretri
zes e Bases*.
2 - Aproveitamento do trabalho estudantil:Lembran
do certas características da ocupação estudantil,ou se
ja, de que muitos alunos trabalham com o intuito de ad
quirir experiência para o exercício da profissão futura,
que a atividade se exerce em tempo parcial e para 6r
gãos governamentais (federal, estadual ou municipal), é
possível sugerir o aproveitamento do trabalho estudan-
til dentro da própria universidade, o que permitiria con
ciliar os aspectos econômicos com os relativos à
propria aprendizagem.
3 - Assistência ao estudante: A seleção da clien-
tela universitária descrita anteriormente sugere a ne-
cessidade de uma distribuição adequada de bolsas de es-
tudo ao nível das escolas médias e superior, evitando
que se percam elementos capazes, mas de situação
econô-mico precária.
* CUNHA, Nádia Franco da - "Os Institutos Centrais e o
Colégio Universitário da L.D.B.:Razões de uma
Preferência" - Boletim Informativo CBPE,Rio de
Janeiro, (109): 25 - 32. Agosto 1966.
Capítulo 3
Caracterização Socio-Econômica do Estu-
dante Universitário de Fortaleza
No capítulo anterior foram apresentadas, em seus
aspectos globais, as características sócio - econômicas
do universitário brasileiro. No presente e nos capítu-
los posteriores, serão analisados, dentro dos mesmos mol
des, os resultados encontrados para cada uma das dez
lo-calidades pesquisadas.
I - Aplicação da Pesquisa em Fortaleza
Em Fortaleza, a aplicação da pesquisa, a codifica
ção dos questionários e a revisão desta codificação
fi-caram a cargo do Instituto de Antropologia da
Universi dade Federal do Ceará, sendo o trabalho
coordenado nes-ta localidade pelo professor Francisco
de Alencar.
Foram pesquisadas 17 escolas superiores, totali
zando 871 primeiranistas. O número de questionários
computados e a relação entre este número e a matrícula
em junho de 1965, para cada uma das faculdades estuda
das, são apresentados no Quadro 1.
QUADRO 1
Faculdades estudadas, matrícula e
questionários computados*
* Dados referentes à primeira série dos cursos universi-
tários de graduação, sediados em Fortaleza,em 1965.
II - Resultados obtidos
Utilizando-se a classificação em quatro
categori-as podemos apresentar para Fortaleza,os
seguintes resul-tados:
1-0 Estudante
SEXO
Ha predomínio do sexo masculino (62,80%) na maio
ria das faculdades, excetuando-se as escolas de Serviço
Social (3,22%), Filosofia, Ciências e Letras (21,18%),
Farmácia (36,36%), Biblioteconomia (8,33%) e Enfermagem
(0,00%).
ESTADO CIVIL
A percentagem de solteiros é de 92,30, subindo a
100 na Faculdade de Veterinária. Entre os alunos da U
niversidade Federal do Ceará há 1 desquitado e nos Es_
tabelecimentos Isolados, 1 viúvo.A proporção de casados
é de 6,77%, indo a 16,66% no Curso de Biblioteconomia e
a 19,44% na Faculdade de Direito.
Os casados que têm filhos representam 6,19% dos
informantes, variando o número de filhos de 1 a 3
(5,04%); o desvio padrão é 2,37 e a média aritmética
1,57.
IDADE
Na faixa etária dos 19 aos 22 anos concentram-se
56,24% dos primeiranistas, aparecendo com 34 anos ou
rnais 5,40% dos alunos da Faculdade de Administração;
9,09% na Escola de Arquitetura e 9,33% no Curso de
Bi-
blioteconomia; as médias aritméticas e os desvios pa
drão são apresentados no Quadro 2.
QUADRO 2
Distribuição das Idades Cronológicas
* Dados referentes à primeira série dos cursos universi-
tários de graduação sediados em Fortaleza,em 1965.
Estão,portanto,os estudantes de Fortaleza com um
atraso cronológico de 3 a 4 anos no ingresso ao curso
superior,uma vez que a idade prevista para a la. série
universitária é 18 ou 19 anos, dependendo de ter sido
começado o curso primário aos 6 ou 7 anos.
NACIONALIDADE E NATURALIDADE
A quase totalidade dos informantes é brasileira
(98,85%); 80,71% são naturais do Ceará,havendo 6,77% de
piauienses seguindo seus estudos em Fortaleza.
LOCAL DE NASCIMENTO
0 local de nascimento de 58,09% é na zona urbana
e de 38,92% na zona rural. Um predomínio de elementos
advindos da zona rural é encontrado nas Faculdades de
Agronomia (54,54%),Farmácia (63,63%).Matemática(55,55%)
e Serviço Social (61,29%). Os alunos (3)da la. série do
Instituto de Física são todos nascidos em zona urbana.
TEMPO DE MORADIA NA CAPITAL
Aquêles que se radicaram na capital há 10 anos ou
rnais correspondem ã percentagem mais alta,no caso 22,61%
(media aritmética 9,50 e desvio padrão 6,80), excetuan-
do-se a Escola de Serviço Social onde 25,80% dos
primei-ranistas residem na cidade há um ano. Estes
dados noi" levam a crer que não houve migração
estudantil para a capital com a finalidade específica
de cursar uma esco la superior em Fortaleza, a não ser
talvez em relação à Escola de Serviço Social.
2 - A Família
NÚMERO DE ELEMENTOS DO GRUPO DOMÉSTICO
A família composta de 10 ou mais elementos se re
fere a 29,85% dos universitários e aparece com a
percen-tagem rnais elevada em várias faculdades;
excluem-se as escolas de Veterinária e Biblioteconomia
onde as famí-lias de 7 pessoas correspondem aos índices
mais altos (26,60% e 25,00%, respectivamente). A média
aritmética é 7,93 e o desvio padrão 3,71.
COMPOSIÇÃO DO GRUPO DOMÉSTICO
São muito poucos os casos de pais separados ou des
quitados (3,21%), morando a maioria com a família (76, 69%) 7
Como órfãos de pai, encontramos 11,48% ¿los estudantes e
órfãos de mãe, 4,47%. Vivem na própria cidade onde
estu-da o informante 59,58% dos pais e 66,70% das
mães;na Fa culdade de Veterinária 73,33% dos pais e
60,00% das mães moram em outro local que nao a capital
e na Escola de Enfermagem a proporção é de 36,84% para
os pais e 42,10% para as mães; esta diferença entre
pais e mães é deter-minada pelo número de pais ou mães
falecidos ou separa dos.
Os pais são brasileiros na maioria absoluta dos
casos (pai 95,63% e mãe 98,39%).
NÍVEL DE INSTRUÇÃO DOS PAIS
Para o nível de instrução do pai vamos encontrar
19,74% com primário incompleto, 18,82% com primário com
pleto e 18,14% com superior completo, havendo pràtica-
mente as mesmas percentagens para os dois pontos extre-
mos da escala educacional. Ma Faculdade de Veterinária o
quadro apresenta-se um pouco diferente: pais com pri-
mário incompleto 40,00%, primário completo 20,00% e 2º
ciclo incompleto 13,33%.
0 grau de instrução da mãe é, de maneira geral,in
ferior ao do pai.embora a percentagem para primario com
pleto (23,30%) seja superior ã encontrada para o pai e
a de primário incompleto (17,91%) pouco inferior à do
genitor, somente 2,98% das mães lograram concluir o cur
so superior, havendo 16,64% com curso colegial completo .
Apesar de ser em número bastante reduzido,observa
mos analfabetos entre os pais dos universitários (pai e
mãe) . Na Escola de Agronomia há 5 casos de analfabetis-
mo (3 pais e 2 mães), no Curso de Biblioteconomia, 2 (1
pai e 1 mãe) e na Faculdade de Ciências Econômicas, 4
(3 pais e 1 mãe). Além disso, há somente pais analfabe-
tos nas Faculdades de Direito (2 casos)e Medicina(1
ca-so), Farmácia (1), Filosofia (1), Matemática (1),
Quími ca (1), Serviço Social (1) e Administração (1).
NÍVEL DE INSTRUÇÃO DOS IRMÃOS
Verificou-se a existência de irmãos na faixa
11-14 anos para mais da metade dos informantes (60,39%)
e observou-se que 18,59% não haviam terminado o curso
primário, ou seja, encontram-se aquém do esperado para
a idade.
47,18% dos primeiranistas não têm irmãos de 15 a
17 anos; 29,04% possuem curso ginasial incompleto
enquan-to 6,53% ainda se encontram em nível primário.
Um certo número de irmãos de 18 anos ou rnais tem
lº ciclo incompleto (13,54%) estando estes,portanto, a
trasados em relação a idade cronológica; uma grande
par-te, porém, concentra-se no 2º ciclo incompleto
(21,46%) 7 não havendo irmãos nesta faixa etária para
15,15% dos universitários. Maiores detalhes sôbre o
nível de ins-trução dos pais e irmãos são apresentados
no Quadro 3.
QUADRO 3
Nível de Instrução de Pais e Irmãos do
Estudante Universitário (*)
* Dados referentes ã primeira série dos cursos univer-
sitãrios de graduação, sediados em Fortaleza,em 1965.
** Considerado o nível rnais baixo de instrução observa
do em cada faixa etária.
MORADIA DOS ESTUDANTES
Mais da metade dos estudantes(62,45%) mora com os
pais e 8,15% residem com amigos. Na Faculdade de
Veteri-nária 40,00% moram com amigos, 26,66% sózinhos e
33,33% com os pais.
3 - Vida Escolar
TURNO
0 turno diurno engloba 88,51% dos estudantes e o
noturno 11,48%. As Faculdades que possuem curso noturno
são: Ciências Econômicas (40,65% dos estudantes). Direi
to (25,92%) e Administração (47,29%). É também na
Facul-dade de Direito onde há a maior proporção de
casados e daí talvez a maior procura para o curso
noturno.
INTERVALO ENTRE AS ESCOLAS MÉDIA E SUPERIOR
49,02% dos alunos indicaram intervalo entre os
cur-sos médio e superior e 47,64% ingressaram na
Universida-de ao terminar o colégio,sendo portanto muito
pequena a diferença entre estes dois grupos de estudantes
.Um maior número de alunos concluiu o curso médio e foi
para o cur so superior sem solução de continuidade nas
Faculdades de Filosofia, Ciências e Letras (54,23% e
44,91%), Medi-cina (63,41% e 35,36%), Química (63,82%e
36,17%), Enfer magem (42,10% e 36,84%) e Serviço
Social(58,06e35,48%).
Havendo intervalo, este é basicamente de um ano
(21,00%) e as variações entre 1 a 6 anos perfazem 42,12%
dos universitários. Na Escola de Arquitetura a percen-
tagem maior se localiza no intervalo de 2 anos(27,27%).
A média aritmética encontrada neste item foi de 2,56 e
o desvio padrão 2,59.
CURSO VESTIBULAR
A freqüência aos cursos preparatórios atinge a
71,98% dos primeiranistas. Fizeram um ano de curso ves-
tibular 46,61% e dois anos 11,81%, tendo sido encontra
do 1,27 como média aritmética e 1,03 como desvio padrão
para o número de anos de freqüência aos cursos
vestibu-lares.
FREQÜÊNCIA ANTERIOR EM CURSO UNIVERSITÁRIO
Experiência anterior em cursos superiores foi
acusada por 8,95% de estudantes.Os alunos de Farmácia,
Física, Matemática, Odontologia, Serviço Social e Vete
rinária, ao que parece, não tiveram dúvida na escolha
da carreira ou qualquer empecilho, pois nestas
Faculda-des não foi apontada freqüência a outro curso
universi-tário. Na Escola de Administração 18,91% dos
alunos che garam a cursar anteriormente outro ramo de
ensino.
EXAMES VESTIBULARES
72,21% dos alunos conseguiram entrar para a facul-
dade desejada prestando um só concurso; já 12,51% tive_
ram que fazer uma 2a. tentativa sendo no caso a média a_
ritmetica 1,21 e o desvio padrão 0,65. A proporção da
queles que se candidataram ao vestibular por 2 vezes pa_
ra o mesmo ramo de ensino é rnais alta nas Faculdades de
Arquitetura (33,63%), Engenharia (34,72%) física(33,33%)
e Medicina (20,73%) do que nas demais escolas.
80,59% não responderam ao quesito "número de exa-
mes vestibulares para outro ramo de ensino"; 13,20% fi
zeram um vestibular para outra modalidade e 4,82% chega
ram a tentar por duas vêzes o ingresso em ramos de en
sino diversos do que o cursado por ocasião da aplicação
da pesquisa. Dos primeiranistas de Arquitetura 45,45%
tentaram através de 1 exame outra modalidade de ensino;
o mesmo ocorreu para 33,33% dos alunos de Bibliotecono-
mia e 25,67% de Administração.(Média aritmética igual a
1,64 e desvio padrão, 2,63).
4 - Situação Econômica do Estudan-te
e de Sua Família
ELEMENTOS DO GRUPO DOMÉSTICO COM RENDA
Em 71,11% dos casos, de uma a três-pessoas contri
buem para o orçamento familiar, sendo que 29,73% dos in
formantes mencionam ùnicamente uma pessoa. A
diferença entre a média aritmética (2,41) e o desvio
padrão(3,00J indica a grande dispersão existente.
NÍVEL DE OCUPAÇÃO DO PAI
Por ocasião da aplicação dos questionários,nenhum
pai estava desempregado e a reduzida taxa de 0,57% vivia
de renda. pela classificação de Bertram Hutchinson, em
seis níveis, 78,86% dos pais têm ocupações compreendidas
entre os níveis 3 e 6, ou seja, entre a categoria de ins
pèção,supervisão e ocupações não manuais de padrão bai
xo e a de profissionais e administradores;apenas 9,40%
exercem atividades de níveis 1 (sem habilidades manuais
e semi-habilidades manuais) e 2 (habilidade manual).
OCUPAÇÃO REMUNERADA DA MÃE
A maior parte das mães é únicamente dona de casa
(73,01%). Quando existe atividade remunerada, esta se
distribui entre os níveis 2 (habilidade manual) e 5 (di
rigentes e executivos), perfazendo 18,12% dos casos.11,70%
das genitoras exercem ocupação remunerada no próprio am
biente doméstico ou colaboram em negócios pertencentes
ao grupo familiar.
OCUPAÇÃO REMUNERADA DOS IRMÃOS
31,22% dos irmãos dos primeiranistas, com 18 anos
e rnais, estão estudando. 0 nível ocupacional rnais
bai-xo encontrado com maior freqüência foi o
correspondente a inspeção, supervisão e outras
ocupações não manuais de padrão alto (nível 4
englobando 20,78% dos casos).
Na faixa dos irmãos de 14 a 17 anos,18,25%
decla-raram não ter irmãos com esta idade. 25,37% não
respon-deram e 55,79% informaram que os irmãos estão
dedicados aos estudos, havendo somente 0,11% de irmãos
menores trabalhando e 0,45% trabalhando e estudando.
As demais percentagens referentes ao nível de o
cupação de pai, mãe e irmãos de 18 e rnais anos são apre
sentadas no Quadro 4.
QUADRO 4
Nível de Ocupação de Pais e Irmãos do
Estudante Universitário*
Dados referentes à primeira série dos cursos univer-
sitários de graduação,sediados em Fortaleza,em 1965.
Considerado o nível rnais baixo de ocupação observado
para os irmãos de cada informante.
OCUPAÇÃO REMUNERADA DO ESTUDANTE
40,06% dos primeiranistas trabalham. Nas Faculda-
des de Direito (58,33%), Filosofia (49,15%) e Adminis-
tração (70,27%) é maior a proporção dos que têm
ativida-de remunerada.
CARGA HORÁRIA SEMANAL
21,12% perfazem 17 a 24 horas semanais de traba_
lho e somente 3,55% chegam a 41 horas ou mais, não ten
do sido apresentada nenhuma outra variação de horário
além das duas apontadas. Na Escola de Administração
10,11% assinalaram uma carga semanal de 41 horas ou
rnais.
ENTIDADE PATRONAL
0 Govêrno é o empregador de 23,65% dos alunos; por
conta própria trabalham somente 3,67% e 12,16% estão em
pregados em emprêsas particulares. Na Escola de Arqui-
tetura a proporção dos que trabalham em emprêsas parti
culares e estatais é a mesma, 27,27%; na Escola de
Enge-nharia há um índice ligeiramente superior para as
empre-sas particulares (15,27%) em relação às
estatais (13,88%); os estudantes de Farmácia (18,18%) e
os de Me dicina (12,19%) são todos funcionários do
govêrno.
MOTIVOS DETERMINANTES DO TRABALHO
A necessidade econômica da família paterna levou
16,30% dos estudantes a procurarem.uma atividade
remune-rada; 9,52% foram motivados pelo desejo de
independên-cia financeira e 6,65% preocuparam-se em
buscar experi-ência profissional.
TEMPO DE TRABALHO
Em 32,95% dos casos, o trabalho foi iniciado an
tes do curso superior. 0 tempo de trabalho,embora varia
do, apresenta no intervalo de 1 a 5 anos 28,68% dos es
tudantes, havendo 1,03% trabalhando há 18 anos ou rnais.
Devido ã grande variação, a média aritmética é de 4,92
e o desvio padrão 4,77.
UTILIZAÇÃO DO SALÁRIO
No caso do aluno solteiro, 12,16% custeiam parte
das suas despesas e 8,15% contam com o salário para tô
das as despesas individuais; 12,51% contribuem para o
orçamento doméstico e 1,14% arcam com tôdas as despesas
da família. Nas Faculdades de Agronomia (10,90%),Biblio
teconomia (25,00%), Matemática (18,51%), Administração
(22,97%) e Veterinária (13,33%), a percentagem maior re_
fere-se ã ajuda estudantil ao orçamento doméstico.
Para o aluno casado, o salário representa o
custeio de tôdas as despesas para 3,2.1% dos informantes,
parte das despesas para 1,26% e ainda auxílio à família
paterna para 1,60%.
AJUDA MONETÁRIA DA FAMÍLIA
A maior parte dos informantes declarou receber a
juda monetária da família (58,20%), sendo que 30,42% ne
garam ter esse auxílio. Nas Faculdades de Administra
ção (48,64%) e Biblioteconomia (50,00%), é maior o núme
ro de estudantes que não são ajudados pela família, en
quanto que na Faculdade de Veterinária equivalem-se os
dois grupos (46,66%).
PROPRIEDADES
Somente 7,80% dos universitários declararam que a
família não possuía bens, quer móveis ou imóveis.
A maioria dos estudantes (51,88%) acusou proprie
dade de 1 a 2 casas, sendo muito pequeno o número dos
que possuem apartamentos (1 a 2 apartamentos 5,27%);21,81%
assinalaram ter um sítio, 12,74% uma fazenda, 9,98% uma
emprêsa comercial, 4,82% uma emprêsa industriale 2 3,88%
um automóvel.
As famílias dos alunos de Biblioteconomia e Enfer
magem não possuem fazendas, emprêsas comerciais ou indus_
triais; os alunos de Física, além dessas propriedades,
também não possuem automóvel; na Faculdade de Ciências
Econômicas 3,29% dos informantes declararam a posse de
5 automóveis; nas Faculdades de Filosofia (2,54%) e Ser
viço Social (3,22%) há referência a 3 automóveis.
22,38% dos primeiranistas indicaram como tipo de
moradia o imóvel alugado e 14,34% referiram-se a casa
de estudante, quarto alugado, hotel ou pensão; na Facul-
dade de Veterinária nenhum aluno mora em casa própria.
As percentagens concernentes ao tipo de moradia (casa do
estudante,quarto alugado hotel ou pensão) provavelmente
estão ligadas à migração estudantil para Fortaleza.
Foi também inquirido o número de apólices ou
títu-los; 99,08% dos informantes não responderam ao
item, le vando-nos a ausência de respostas a duas
interpretações ou as famílias não possuem títulos ou os
estudantes não têm conhecimento real a este respeito.
Os índices relativos a tipo e número de
proprieda-des são apresentados no Quadro 5.
QUADRO 5
Tipo e Número de Propriedades da
Família do Estudante Universitário *
* Dados referentes à primeira série dos cursos
universi-tirios de graduação, sediados em
Fortaleza,em 1965.
ENTIDADE MANTENEDORA DA ESCOLA MÉDIA
A maior parte dos estudantes freqüentou ùnicamen
te escolas médias particulares(42,36%),seguindo-se aque-
les que cursavam escolas públicas e particulares
(37,08%); 17,56% foram alunos exclusivamente de escolas
públicas. Paralelamente a estes dados, há 29,39%de
universitários que se beneficiaram de bolsas de estudo
durante o curso médio e 63,94% que não se utilizaram
deste sistema de auxílio estudantil.
III - Conclusões
Através da análise dos dados obtidos, procuramos
apresentar algumas características sócio-econômicas do
estudante universitário do primeiro ano da capital cea
rense.
Os dados anteriormente mencionados podem ser assim
resumidos em suas linhas gerais:
1 - predomínio de indivíduos do sexo masculino,com
idades variando de 19 a 22 anos, brasileiros,
nascidos em zona urbana e naturais do Estado
do Ceará;
2 - família com grande número de membros, morando
os universitarios com os pais na capital geni-
tores brasileiros, com nível de instrução va
riado, embora haja uma maioria a nível do cur
so primário; irmãos com nível de escolaridade
compatível com o esperado para a respectiva i-
dade cronológica;
3 - predomínio de universitários matriculados em
escolas diurnas sendo poucos os estudantes com
experiência universitária anterior; intervalo
entre as escolas média e superior observado
na metade dos casos; maioria de estudantes
com freqüência a cursos preparatórios e apro
vação no primeiro concurso de habilitação;
4 - três pessoas do grupo doméstico com renda ou
salário; pais exercendo ocupações de tipo mé
dio e superior, segundo a escala de B.Hutchin
son; pequeno número de genitoras com ativida-
de remunerada; irmãos de 18 e mais anos com
ocupações de tipo médio e superior;irmãos me
nores dedicados exclusivamente ao estudo;
5 - maioria de universitários sem ocupação remune-
rada; os que trabalham, o fazem em regime de
tempo parcial, em emprêsas estatais, em ocupa
ções de tipo médio; início da atividade antes
do ingresso na universidade, devido a necessi-
dade econômica da família paterna;salário
uti-lizado para custear parcialmente as
despesas individuais ou as da família;
6 - pequeno número de famílias sem bens móveis e
imóveis; tipo e número variados de
proprieda-des, sendo rnais freqüentes casas,
sítios, ter renos, fazendas e automóveis;
7 - predomínio de primeiranistas egressos de esco
las médias particulares, não se tendo
benefi-ciado neste período de bolsas de
estudo;
Há ainda a ressaltar três pontos: parece-nos que
não houve em Fortaleza uma relação nítida entre os ní-
veis de instrução de pais e filhos, uma vez que 38,56%
dos genitores possuem tão somente curso primario(compie
to e incompleto) e mesmo assim o filho é universitário.
Por outro lado, o salário do primeiranista de
For taleza destina-se, em proporções praticamente
idênticas, ao custeio parcial das despesas individuais e
à partici-pação no orçamento doméstico, enquanto que no
total das cidades pesquisadas a maioria dos estudantes
usa o salá-rio somente para pagar parte de suas
despesas.Ao mesmo tempo, a percentagem referente à
inexistencia de bens é menor em Fortaleza do que no
total das localidades estu-dadas.
Consideramos além disso que cabem para Fortaleza
as mesmas sugestões apresentadas em capítulo anterior*
no que diz respeito ã desigualdade de oportunidades
edu-cacionais, ã reforma do ensino e ao
aproveitamento do trabalho estudantil na própria
universidade ou faculda-des.
Características gerais do estudante universitário.
Capítulo 4
Caracterização Socio-Económica do
Estudante Universitário do Recife
I - Aplicação da pesquisa no Recife
No Recife, a aplicação da pesquisa, a codificação
dos questionários e a revisão desta codificação estive
ram a cargo do Centro Regional de Pesquisas Educacionais
do Recife, dirigido pelo Dr. Gilberto Freyre, sendo res
ponsaveis pela coordenação local dos trabalhos os pes
quisadores Carlos Frederico do Rêgo Maciel (coordenador
da Divisão de Pesquisas Educacionais) e Myriam Brindei
ro de Moraes Vasconcelos (coordenadora da Divisão de
Pes-quisas Sociais).
Foram pesquisadas 29 escolas superiores, tota-
lizando 2.138 primeiranistas. O número de questionários
computados e a relação entre iste número e a matrícula
em junho de 1965, para cada uma das faculdades estuda
das, são apresentados no Quadro 1.
QUADRO 1
Faculdades estudadas, matrícula e questiona-
rios computados*
* Dados referentes ã primeira série dos cursos universi-
tários de graduação sediados no Recife, em junho de
1965.
II - Resultados obtidos
Utilizando a classificação em quatro cateqorias,
podemos apresentar, para a capital do Estado de
Pernam-buco, os seguintes resultados:
1-0 Estudante
SEXO
Pouco mais da metade (57,53%) dos informantes é
do sexo masculino, havendo variações desta percentagem
conforme se considerem as diversas universidades e
facul-dades. Na Universidade Rural de Pernambuco, este
índice é maior (91,07%), englobando a quase todos os
alunos. Algumas escolas, no entanto, registraram uma
percenta-gem mais elevada de alunas; a Escola de Belas
Artes (60,86%), a Faculdade de Filosofia do Recife
(100,00%),
o Curso de Nutrição (90,90%), a Faculdade de Filosofia
de Pernambuco (56,20%), a Faculdade de Filosofia,Ciên
cias e Letras (51,90%), a Faculdade de Odontologia
(58,52%), a Escola de Enfermagem N. Sra. das Graças
(100,00%), o Instituto de Psicologia Aplicada da Facul-
dade de Filosofia (86,95%) e o Instituto Superior de CT
ências Religiosas (83,33%).
ESTADO CIVIL
A maioria dos estudantes é solteira (91,12%) e é
ínfima a proporção de alunos separados ou desquitados
(0,20%). Nem todos os universitários casados têm filhos,
sendo a percentagem de casados 8,25% e a de informantes
com filhos, 7,22%. 0 número de filhos é pequeno, em ge_
ral de l a 3, com média aritmética de 2,72 e desvio pa
drão 1,95.
IDADE
Os primeiranistas concentram-se na faixa dos 18
aos 22 anos (60,13%). No entanto, há ampla variação da
idade cronológica (expressa no Quadro 2), tendo 3,23%
dos informantes 34 anos ou mais. Esta variação pode ex
plicar os valores encontrados: média aritmetica igual
a 22,34 e desvio padrão 4,97. Algumas escolas apresenta
ram maior número de alunos com 34 e mais anos; tais es
colas são: a Escola de Belas-Artes (8,69%) e a
Faculda-de de Direito da Universidade Federal de
Pernambuco
(8,33%), o Curso de Jornalismo da Faculdade de Filo
sofia (9,37%), o Instituto Superior de Ciências Religio_
sas (16,66%) e a Escola de Serviço Social de Pernambuco
(10,52%).
QUADRO 2 Distribuição
das Idades Cronológicas*
Dados referentes à primeira série dos cursos universi-
tários de graduação, sediados no Recife, em 1965.
NACIONALIDADE E NATURALIDADE
A quase totalidade dos primeiranistas é brasilei-
ra (98,07%). A maioria (68,41%) é natural de
Pernambu-co, seguindo-se os estados vizinhos ã sede
da escola que freqüentam: Paraíba (9,15%) e Alagoas
(6,53%). Pare ce que o ensino superior não implicou
diretamente em mu dança de residência, uma vez que
53,13% são naturais do Recife, 17,54% vivem nesta
cidade há 10 anos ou mais e apenas 8,80% ali residem
há um ano. A Universidade Ru ral apresentou a este
respeito condições diversas: ape nas 45,53% dos
informantes nasceram no Recife, enquanto 21,42% ali
residiam há um ano.
LOCAL DE NASCIMENTO
A maioria dos estudantes (71,85%) é naturai de zo
na urbana; no entanto, os alunos da Universidade
Rural-possuem pequena maioria de naturais de zona
rural(57,14%) .
2 - A Família
GRUPO DOMÉSTICO
46,24% das famílias dos informantes têm de 4 a 7
pessoas, sendo que 18,85% têm 10 ou mais membros;foi ob
tido 6,98 como média aritmética.
Um número razoável de estudantes é órfão de pai
(15,76%), sendo bem menor a percentagem de órfãos de mãe
(5,71%). É pequeno o número de pais separados ou desqu£
tados (3,99%).
Pouco mais de metade dos pais (52,16% para o geni-
tor e 59,46% para a genitora) vive na mesma cidade em
que o aluno estuda. Na Universidade Rural a situação é
um tanto diferente: 61,60% dos genitores e 66,96% das
genitoras não residem no Recife. As diferenças percen-
tuais entre pai e mãe podem ser explicadas pelo faleci
mento de um deles ou pela separação dos mesmos.
NACIONALIDADE DOS GENITORES
Quanto ao genitor, 93,25% são brasileiros; esta
percentagem sofre um pequeno decréscimo na Faculdade de
Ciências Econômicas de Pernambuco, onde 86,36% dos pais
são brasileiros e 10,22% estrangeiros.
As características de nacionalidade da mãe são se
melhantes, com predomínio, mais acentuado ainda de bra
sileiras: 96,76%.
NÍVEL DE INSTRUÇÃO DOS PAIS
O nível de instrução dos pais (pai e mãe) é bas
tante variado; de maneira geral, o das mães é inferior
ao dos pais. Considerando que se trata de pais de
estu-dantes universitários, o grau de escolaridade é
relati-vamente baixo: 20,70% dos genitores e 20,22% das
genito ras não chegaram sequer a concluir o curso
primário.
Analisando-se separadamente os genitores, observa
mos que 20,16% dos pais (sexo masculino) tinham nível
de escola elementar, 32,06% haviam pelo menos iniciado
estudos de nível pós-primário e 17,61% tinham curso
su-perior. Quanto às mães dos alunos, 23,67% tinham
comple tado a escola elementar, 46,91% iniciaram cursos
médio ou superior mas apenas 2,75% possuíam diplomas
universi-tários.
NÍVEL DE INSTRUÇÃO DOS IRMÃOS
Este baixo nível de escolaridade também se
verifi-ea para os irmãos dos informantes. Um pouco
mais da me tade dos estudantes (64,69%) nega a
existência de irmãos dos 11 aos 14 anos, quando
existem, o nível de instru-ção varia de ginasial
incompleto (20,30%) e primário completo (3,64%) - ou
seja, a instrução esperada para a idade cronológica - a
primário incompleto (10,18%).
58,56% dos informantes declararam não ter irmãos
de 15 a 17 anos; em 12,86% dos casos, os irmãos nesta
faixa têm segundo ciclo incompleto, em 2,28% há concila
são do ginásio e em 21,81% foi alcançado o ciclo ginasi-
al, embora sem conclusão do mesmo.Tais dados indicam um
certo desnivelamento entre o grau de escolaridade atin-
gida e a idade cronológica.
Quanto aos irmãos de 18 anos ou mais,apenas 2,06%
possuíam diplomas universitários e 8,67% tinham curso
superior incompleto, concentrando-se a maioria no ciclo
colegial, incompleto (17,06%) e completo (14,65%)22,84%
declararam não possuir irmãos nesta faixa etária.
Para possibilitar uma visão mais detalhada,o nível
de instrução de pais e irmãos dos primeiranistas é apre
sentado no Quadro 3.
QUADRO 3
Nível de Instrução de Pais e Irmãos do
Estudante Universitário*
Dados referentes ã primeira série dos cursos univer-
sitários de graduação, sediados no Recife, em 1965.
** Considerado o nível mais baixo de instrução observa
do para cada faixa etária.
3 - Vida Escolar
TURNO
68,61% dos estudantes freqüentam cursos diurnos,
havendo grande variação do turno freqüentado, de escola
para escola, por vêzes dentro da mesma universidade. As
sim, a maior parte das faculdades da Universidade Federal
de Pernambuco apenas possui aulas diurnas; excetuam-se
três escolas que mantêm os dois turnos e que apresentam
as seguintes percentagens de informantes matriculados an
cursos noturnos: Faculdade de Ciências Econômicas de Per
nambuco - 55,68%, Faculdade de Direito - 58,33% e Fa
culdade de Filosofia de Pernambuco - 36,49%. A Universi
dade Católica de Pernambuco tem 69,77% de seus alunos
estudando à noite; excetuam-se a Faculdade de Direito e
a Escola de Enfermagem N. Sra. das Graças,
exclusivamen-te com aulas diurnas e a Escola
Politécnica,com 55,17% de seus alunos freqüentando
aulas diurnas. As duas esco las da Universidade Rural
de Pernambuco têm cursos diur-nos enquanto, entre os
estabelecimentos isolados,apenas a Faculdade de
Odontologia tem curso noturno.
FREQÜÊNCIA ANTERIOR EM CURSOS UNIVERSITÁRIOS
Somente 6,46% dos estudantes declararam ter
expe-riência universitária anterior ao curso
freqüentado no momento da pesquisa.
INTERVALO ENTRE AS ESCOLAS MÉDIA E SUPERIOR
52,85% dos primeiranistas alegaram ter havido in
tervalo entre o termino do curso médio e o ingresso em
escola superior.Na Escola de Enfermagem N. Sra. das Gra
ças, no entanto, a maior proporção de alunos (81,81%r
ingressou na faculdade imediatamente após a conclusão
do ciclo colegial.
Quando há intervalo entre um curso e outro,este é
em média, de 2,74 anos, com desvio padrão de 2,70.
CURSO VESTIBULAR
69,09% dos alunos freqüentaram curso vestibular.É
curioso assinalar que em ambos os cursos de enfermagem
existentes no Recife - quer na Universidade Federal de
Pernambuco, quer na Universidade Católica de Pernambu_
co - uma percentagem elevada de alunos não freqüentou
tais cursos preparatórios, respectivamente 60,00% e
72,72%.
Quando há freqüência a cursos vestibulares, esta
é, em geral, de um ano, o que é expresso pel^ média ari.t
mética igual a 1,23, com desvio padrão de 0,67.
EXAMES VESTIBULARES
A maioria dos estudantes (65,86%) prestou apenas
um exame vestibular para o ramo de ensino freqüentado
por ocasião da aplicação da pesquisa, embora 12,31%
prestassem dois exames e 3,90% mais de dois exames. Foi
obtida a média aritmética de 1,28 exames, com desvio pa
drão de 0,91.
13,69% dos estudantes se submeteram também a um
concurso de habilitação para outro ramo de ensino e 5,07%
a mais de um. A média aritmética foi de 1,60 com desvio
padrão de 3,64, o que bem indica a grande variedade en
contrada neste particular.
4 - Situação Econômica do Estudan
te e de sua Família
ELEMENTOS DO GRUPO DOMÉSTICO COM RENDA
Embora, como vimos, de maneira geral a família do
estudante tenha de 4 a 7 membros, em 57,32% dos casos
apenas uma ou duas pessoas têm renda ou salário; é ver
dade que existem famílias em que um maior número de ele
mentos tem renda, o que é responsável pela média aritm?
tica encontrada de 2,18 pessoas com desvio padrão de 1,49.
NÍVEL DE OCUPAÇÃO DOS PAIS
Nenhum dos genitores dos informantes estava desem
pregado por ocasião da pesquisa e foi ínfimo (0,20%) o
número dos que viviam de renda. Quanto às ocupações dos
demais, foi adotada a escala de B. Hutchinson; segundo
esta escala, 51,54% dos pais concentravam-se nos níveis
3 e 4 (correspondendo respectivamente a inspeçEo, supe£
visão e outras ocupações não manuais, de padrão inferi
or e superior) e 18,30% se encontravam no nível 6.
OCUPAÇÃO REMUNERADA DAS MÃES
75,15% das mães dedicam-se somente a afazeres do
mestiços; 5,23% ajudam em negócio da família e apenas
13,27% trabalham fora de casa ou para fora. Os níveis
ocupacionais mais freqüentemente encontrados iam do n¿
vel 2 (4,26%) ao nível 5 (3,64%).
OCUPAÇÃO REMUNERADA DOS IRMÃOS
Um grande número de primeiranistas (31,93%)não de_
clarou a ocupação dos irmãos de 18 ou mais anos,por não
possuí-los ou por não desejar (ou saber) dar esta
infor-mação; 25,18% têm irmãos nesta faixa etária
dedicados apenas ao estudo. No caso de irmãos com
exercício de a tividade remunerada, o nível mais
freqüente foi o 3,cor respondendo a 15,41% dos casos.
Quanto aos irmãos de 14 a 17 anos, 44,87%dos pri-
meiranistas declararam não possuir irmãos nesta faixa
e tária e 46,18% tinham todos os irmãos estudando; um
nu mero irrisório (11, ou seja 0,75% dos
informantes)tinha irmãos trabalhando, enquanto apenas 7
(0,48%) afirmaram que os irmãos se dedicavam
simultâneamente ao trabalho e ao estudo.
As percentagens relativas a nível de ocupação de
pais e irmãos dos primeiranistas são apresentadas no
Quadro 4.
QUADRO 4
Nível de Ocupação de Pais e Irmãos
do Estudante Universitário*
* Dados referentes à primeira série dos cursos
univer-sitários de graduação no Recife, em 1965.
** Considerando o nível mais baixo de ocupação observa
do para os irmãos de cada informante.
OCUPAÇÃO REMUNERADA DO ESTUDANTE
Considerando o conjunto dos informantes,mais da me
tade (52,71%) não exerce qualquer ocupação remunerada.
Verificamos aqui uma grande variação, nao só entre as
universidades como entre as diversas escolas,tomadas se
paradamente. Assim, na Universidade Católica de Pernam-
buco a situação se inverte, pois 57,00% dos
primeiranis-tas exercem atividade remunerada, enquanto
na Universi-dade Rural de Pernambuco a proporção de
estudantes que não trabalham se acentua nitidamente:
83,03%.
Analisando as escolas, vejamos as que se distin-
guem especialmente, seja acentuando, seja contrariando
a tendência geral assinalada no Recife ou na
universida-de a que pertencem. Na Universidade Federal
de Pernambu-co, onde a maioria (59,00%) não exerce
ocupação remune-rada, destacam-se a Faculdade de
Farmacia,em que nenhum informante trabalha, e três
faculdades, nas quais a maior percentagem dos alunos
exerce atividade remunera da: a Faculdade de Ciências
Econômicas de Pernambuco, com uma proporção bem
acentuada: 72,72%, a Faculdade de Filosofia de
Pernambuco (51,82%) e o Curso de Nutrição (50,00%). Na
Universidade Católica de Pernambuco, onde a maior
percentagem de primeiranistas declarou ter ocupa ção
remunerada, destacam-se duas escolas em que um núme ro
grande de informantes não trabalha: a Escola de En
fermagem N. Sra. das Graças (72,72%) e a Escola
Politéc-nica (63,21%) . Finalmente, enquanto para o
conjunto de estabelecimentos isolados, 55,81% dos
informantes decla-raram não trabalhar, somente a
Faculdade de Ciências MS dicas de Pernambuco tem a
maioria de seus alunos (76,81%) nesta situação,
influenciando o total pela sua matrícula bem maior; nas
demais a maioria exercia ocupação remune-rada por
ocasião da realização da pesquisa: a Escola de Educação
Física de Pernambuco (60,00%), a Faculdade de
Odontologia de Pernambuco (70,96%) e a Escola de Servi-
ço Social de Pernambuco (57,89%).
NÍVEL DE OCUPAÇÃO DO ESTUDANTE E ENTIDADE PATRONAL
Os estudantes que trabalham possuem ocupações do
tipo médio: 35,42% têm ocupações compreendidas entre
os níveis 3 e 5. Trabalham tanto para organizações esta
tais (20,92%) como para emprêsas particulares (13,97%),
variando apenas ligeiramente as proporções de escola
pa-ra escola.
CARGA HORÁRIA SEMANAL
A maioria (23,74%) dos que trabalham o fazem com
uma carga de 17 a 24 horas semanais.
MOTIVOS DETERMINANTES DO TRABALHO
Os motivos alegados para o trabalho variaram
bas-tante; 16,85% indicaram necessidade econômica e
21,04% apresentaram causas várias, de ordem não
diretamente e conômica: 7,91% declararam desejar
independência finan ceira, em face da família paterna,
8,25% justificaram seu trabalho, pelo desejo de
adquirir experiência pro fissionai, enquanto 4,88%
apresentaram outras razões.
De um modo geral as percentagens em que estes mo
tivos foram alegados nao variaram muito entre as diver
sas faculdades. No entanto, em duas escolas da
Universi-dade Católica de Pernambuco, foi verificada
uma propor ção acentuada de informantes que indicaram
o desejo de adquirir independência financeira como o
motivo para seu trabalho: na Faculdade de Ciências
Econômicas (30,00%) e no Instituto de Psicologia
Aplicada da Faculdade de Filosofia (34,78%).
TEMPO DE TRABALHO
Na maioria dos casos (34,75%) o trabalho foi
ini-ciado antes do ingresso na escola superior e apenas
uma percentagem muito pequena (5,09%) o fêz depois de
ini-ciado o curso universitário.
UTILIZAÇÃO DO SALÁRIO
No caso do estudante solteiro que trabalha,12,80%
auxiliam nas despesas da família, 11,63% utilizam seu
salário para custear parte de suas despesas individuais,
6,46% arcam com tôdas as suas despesas e um índice
mui to pequeno (1,44%) é responsável por tôdas as
despesas da família.
Entre o pequeno grupo de informantes casados,a SI-
tuação se apresenta de modo diverso: 3,02% custeiam to
das as despesas da família, 1,58% ainda auxiliam a fami
lia paterna; 1,30% são responsáveis por parte das despe
sas da família ( o que permite pressupor auxílio
finan-ceiro do cônjuge) e uma percentagem mínima
(0,41%) arca com tôdas as despesas da família paterna.
AJUDA MONETÁRIA DA FAMÍLIA
A maioria dos informantes (52,71%)recebe ajuda fi
nanceira de sua família, embora em algumas escolas a si
tuação se inverta; é o que ocorre, por exemplo, na Fa-
culdade de Ciências Econômicas (50,00%) e na Escola de
Enfermagem N. Sra. das Graças (54,54%), ambas da
Univer-sidade Católica de Pernambuco e na Faculdade de
Odonto-logia de Pernambuco (48,38%).
PROPRIEDADES
Apenas 9,63% declararam não possuir qualquer pro
priedade, variando bastante o tipo e o número delas.
A família da maioria dos estudantes (51,12%) tem
de 1 a 2 casas. Associando-se este dado com o tipo de
residência, verifica-se uma certa predominância da resi
dência própria (30,28%) sôbre a alugada (26,49%).No en
tanto, os alunos de alguns estabelecimentos apresentam
uma situação diversa, explicada pelo próprio caráter do
curso: na Universidade Rural de Pernambuco 21,42% moram
em residência alugada, 21,42% em quarto alugado e 18,75%
em alojamento estudantil; vale lembrar aqui que a maio
ria dos pais destes alunos não reside no Recife, o que
também acontece na Escola de Enfermagem N. Sra. das Gra
ças, onde 6 3,63% dos primeiranistas residem em casa de
estudante.
Quanto aos demais tipos de propriedade da família
dos estudantes, a sua distribuição é apresentada no Qua
dro 5.
QUADRO 5
Tipo e Numero de Propriedades da Fa
mília do Estudante Universitário*
* Dados referentes ã primeira série dos cursos universi-
tários de graduação, sediados no Recife, em 1965.
Também foi perguntado o número de apólices ou
tí-tulos, práticamente todos, ou seja, 99,86% não
responde ram a este item e apenas 2 (0,13%) declararam
possuir de 21 a 30 apólices ou títulos.
ENTIDADE MANTENEDORA DA ESCOLA MÉDIA
A maioria dos informantes (50,65%) cursou apenas
escolas particulares; 14,38% freqüentaram escolas
públi-cas e 30,69% indicaram escolas publicas e
particulares, Os estudantes da Faculdade de Farmácia
cursaram, em mai or número (60,00%), escolas públicas è
particulares du-rante o curso médio, enquanto o
restante se distribuiu equitativamente entre escolas
públicas ou particulares.
A maioria (74,87%) não recebeu bolsa de estudos
durante os cursos ginasial e colegial.
III - Conclusões
Por ocasião da análise dos dados globais para as
dez capitais, objeto da presente pesquisa, tecemos vã
rias considerações gerais, sôbre os aspectos que mere
cem maior atenção num estudo relativo ao universitário.
Não as repetiremos aqui, remetendo o leitor ao capítulo
referido*.
Resumiremos, tão somente, as principais caracte-
rísticas dos primeiranistas do Recife:
1 - em sua maioria, alunos solteiros, com idades
variando de 18 a 22 anos, brasileiros, nasci
dos em zona urbana e naturais de Pernambuco;
2 - família contando com um número médio de 4 a 7
membros (número superior ao encontrado para o
conjunto dos primeiranistas pesquisados nas
dez capitais brasileiras); pouco mais da rneta
de vivendo com os pais na própria cidade em
que estuda; pais brasileiros, sendo variável
o nível de instrução (inferior ao encontrado
para o conjunto das dez cidades estudadas); ir
mãos com nível de escolaridade inferior ao
es-perado para a idade cronológica (contrário
ao verificado na análise dos dados globais
das dez cidades observadas);
3 - em sua maioria matriculados em cursos diur
nos, sendo raros os casos de experiência ante
rior em cursos universitários; cêrca da meta-
de acusando intervalo entre as escolas média
e superior; grande procura dos cursos
vestibu-lares e muitos casos de mais de um
exame para
* Características gerais do estudante universitário.
o ingresso na faculdade;
4 - em média, um ou dois membros da família com
renda ou salário; genitores exercendo ocupa
ções de tipo médio ou superior, segundo a es
cala de B. Hutchinson, sendo raras as mães de
dicadas a atividades remuneradas; irmãos com
18 ou mais anos estudando ou exercendo ocupa-
ções do tipo médio; irmãos menores, em geral,
dedicados exclusivamente ao estudo;
5 - maioria dos primeiranistas não exercendo qual
quer atividade remunerada; os que trabalham,
têm ocupações de tipo médio, em regime de tem
po parcial, trabalhando em organizações esta-
tais ou em emprêsas particulares; início do
trabalho, na maior parte dos casos,antes do
ingresso ao ensino superior; maioria receben
do auxílio financeiro da família;
6 - grande número das famílias possuindo bens; ex
tremamente variados o tipo e número de pro-
priedades, sendo mais freqüentes casas,sítios
ou terrenos, fazendas e automóveis;
7 - maior parte egressa de escolas médias parti-
culares, não tendo recebido bolsas de estudo
neste período.
Capítulo 5
Caracterização Sócio-Econômica do
Estudante Universitário de Salvador
I - Aplicação da pesquisa em Salvador
Na capital baiana, a aplicação da pesquisa, a co
dificação dos questionários e a revisão desta codifica
ção ficaram a cargo do Centro Regional de Pesquisas
Edu-cacionais de Salvador, sendo o trabalho coordenado
nes-ta localidade por Da. Regina Espinheira, chefe da
divi-são de Estudos e Pesquisas Educacionais.
Foram pesquisadas 24 escolas superiores, totali-
zando 955 primeiranistas. O número de questionários
computados e a relação entre este número e a matrícula
em junho de 1965, para cada uma das faculdades estuda-
das, são apresentados no Quadro 1.
QUADRO 1
Faculdades Estudadas, Matrícula e
Questionários Computados *
* Dados referentes à primeira série dos cursos universi-
tários de graduação,sediados em Salvador,em junho de
1965.
Continuação do Quadro 1
II - Resultados obtidos
ütilizando-se a classificação em quatro
categori-as, podemos apresentar para Salvador os
seguintes resul-tados:
1-0 Estudante
SEXO
Ao contrário das demais cidades, onde foi
observa-da nítida predominância masculina, a
distribuição dos primeiranistas de Salvador, quanto ao
sexo, acusa igual dade numérica (50,05% dos informantes
pertencem ao sexo feminino). Na Universidade Católica
da Bahia, a propor-ção feminina atinge a 70,89%,
enquanto que na Univer sidade Federal da Bahia
predomina o sexo masculino, em 54,08% dos casos;
quanto ao conjunto de estabelecimen tos isolados, é de
4 8,21 a percentagem atribuída a cada sexo (3,57% de
casos sem resposta).
Examinando o mesmo item por faculdade, notaremos,
quanto ã Universidade Federal da Bahia, a predominância
masculina nas escolas de Administração (80,95%),Arquite
tura (71,42%), Ciências Econômicas (91,66%), Direito
(66,66%), Politécnica (96,00%), Geologia (93,75%), Med¿
ciña (67,85%) e Odontologia (56,09%); a predominância
feminina ocorre nas escolas de Belas-Artes (80,00%) , BJL
blioteconomia e Documentação (100,00%) ^nfermagem(100/X)%) ,
Farmácia (56,52%), Filosofia (66,36%) e Nutrição(91,66%) .
A Universidade Católica da Bahia reproduz,para ea
da ramo de ensino, as tendências de distribuição por
sexo registradas na Universidade Federal; assim,há pre
dominância masculina em Ciências Econômicas (78,26%),
Direito (70,37%) e Medicina e Saúde Publica (78,94%) e
feminina em Filosofia (92,96%) e Serviço Social(10D,00%) .
No tocante aos estabelecimentos isolados, â exce
ção de Medicina Veterinária, que apresenta 83,33% de in
formantes do sexo masculino, as demais escolas apon
tarn primazia feminina. No Conservatório Baiano de Can
to Orfeônico, no Instituto de Musica e na Escola de MÏ
sica essa primazia foi absoluta (100,00%) e na ' Escola
de Sociologia e Política abrangem 55,55% dos casos
(22,22% de homens e 22,22% sem resposta).
Por conseguinte, no tocante ao sexo, Administra
çio, Arquitetura, Ciências Econômicas, Direito, Engenha
ria, Geologia, Medicina_ e Saúde Publica, Medicina Vete
rinária e Odontologia são ramos de ensino onde há predo
minãncia masculina; Belas-Artes, Biblioteconomia, Can
to Orfeônico, Enfermagem, Farmácia, Filosofia, Musica,
Nutrição, Sociologia e Política e Serviço Social, ramos
de predominância feminina.
ESTADO CIVIL
91,20% dos informantes de Salvador são soltei^
ros, só alcançando 7,43% a proporção dos casados. Na U
niversidade Federal da Bahia essas proporções são, res
pectivamente, de 93,73% e 4,81%; na Universidade CatólX
ea, de 85,44% e 13,14% e no conjunto de estabelecimen
tos isolados, 82,14% e 17,85%. Em três escolas a percen
tagem de solteiros vai a 100%: Enfermagem, Geologia e
Nutrição.
FILHOS
A maioria dos informantes (75,18%) não tem filhos
(5,75% com filhos e 19,05% sem respostas), sendo que a
proporção dos que os tem é maior no conjunto de estabe
lecimentos isolados (14,28%); foi obtida a média aritm?
tica 2,54 (desvio padrão: 1,40) para o item " número de
filhos".
IDADE
64,38% dos informantes aparecem com idades compre
endidas entre 18 e 22 anos. Considerando por universida
de, 68,64% é a percentagem da Universidade Federal dã
Bahia para essa faixa etária; 56,42% a da Católica e
42,83% a do conjunto de estabelecimentos isolados.A mi
dia aritmética encontrada para a localidade foi de 21,97
(desvio padrão igual a 4,56).
Algumas escolas apontaram, contudo, médias mais
elevadas; na Universidade Federal da Bahia, Belas-Artes
indicou 27,87 (desvio padrão 8,56) e no grupo de esta
belecimentos isolados, o Conservatório Baiano de Canto
Orfeônico assinalou 2 7,42 (desvio padrão 6,70.).
As médias aritméticas e desvios-padrão relativos
ã idade cronológica são apresentados no Quadro 2.
QUADRO 2
Distribuição das Idades Cronológicas*
* Dados referentes à primeira série dos cursos univers^
tários de graduação, sediados em Salvador,em 1965.
LOCAL DE NASCIMENTO
74,97% dos primeiranistas de Salvador nasceram em
zona^urbana, dado que para a Universidade Federal da Ba
hia e de 75,07%, para a Católica 77,93% e para os esta
belecimentos isolados desce para 62,50% (nesse último
grupo, 33,92% nasceram na zona rural).
Considerando por faculdade, é no Instituto de Mu
sica da Bahia (com 50,00%) e nas escolas de Medicina vê"
terinaria ( com 43,33%) e Sociologia e Política ( com
44,44%), que se acham as mais altas proporções de rurí
genas. —
NATURALIDADE
Nasceram na Bahia 83,14% dos informantes e 4,29%
num Estado vizinho - Sergipe. Examinando por faculdade,
o indice de naturais de outro Estado só supera 10% em
tres casos, dois dos quais referentes a Sergipe: Geolo
gia (12,50% de sergipanos), Medicina e Saúde Publica
(10,52% de cearenses) e Medicina Veterinária (20,00% de
sergipanos).
2 - A Família
GRUPO DOMÉSTICO
59,24% dos informantes fazem parte de grupos do
mestiços cuja composição numérica varia de 4 a 9 mem
bros. "Dez ou mais pessoas" foi, porém, a categoria que"
abrigou maior número de respostas 17,80%. A média arit
metica referente a esse dado foi de 6,96 (desvio padrão
3,28).
RESIDÊNCIA ATUAL
Mais da metade dos primeiranistas de Salvador
(54,65% dos casos) reside com os pais e uma parte menor
com outro parente (10,47%). No conjunto de estabeleci
mentos isolados, residência com os pais,embora continue"
sendo a alternativa de maior número de respostas,baixa
sensivelmente em sua proporção numérica (37,50% de ea
sos), seguida de residência com amiqos (21,42% de casos?
no total de Salvador essa resposta envolve apenas 8,16%
dos informantes).
NACIONALIDADE DOS PAIS
89,94% dos genitores masculinos são brasileiros;
quando estrangeiros (5,65%) são em suamaioria oriundos
de países latino-americanos. A proporção de estrangei
ros em duas escolas da Universidade Federal da Bahia ?
sensivelmente mais elevada: na Faculdade de Farmácia
(17,39%) e na Escola de Geologia (18,75%).
Quanto às mães, também a maioria(95,70%) é forma
da de brasileiras. Em certas escolas, a percentagem de
estrangeiras, que no conjunto não ultrapassa 4,30%,atin
ge cifras bem maiores: 11,76% na Escola de Enfermagem
da Universidade Federal da Bahia e 12,50% na Escola de
Geologia da mesma universidade.
NÍVEL DE INSTRUÇÃO DOS PAIS E IRMÃOS
44,39% dos genitores masculinos têm curso prima
rio (30,57% completo e 13,82% incompleto); uma propor
ção menor apresenta curso superior completo ( 18,11%).
Quanto ãs mães, as que têm curso primário totalizam 48,16%
(com primário completo, 33,61%; incompleto, 14,55%), en
quanto as que têm curso superior completo só perfazem
4,29% dos casos.
Algumas escolas têm, no entanto, maior proporção
de genitores masculinos com diploma universitário:na U
niversidade Federal da Bahia, a Faculdade de Arquitetu
ra (42,85%) e a Escola de Biblioteconomia e Documenta
ção (41,17%); nos estabelecimentos isolados, o Conser
vatório Baiano de Canto Orfeônico (40,00%).
Verificou-se a inexistência de irmãos na faixa de
11 a 14 anos em 70,05% dos casos, enquanto que 16,75%
dos informantes têm irmãos neste grupo etário cursando
o primeiro ciclo de escola média (ou seja, na faixa es
colar correspondente ãs suas idades).
Mais da metade dos primeiranistas (64,71%)não po£
sui irmãos na faixa de 15 a 17 anos; 18,21% indicaram
ter irmãos freqüentando o primeiro ciclo de nível médio,
enquanto 10,68% o faziam no segundo ciclo.
Com relação aos irmãos de 18 ou mais anos,predoini
na o segundo ciclo completo (12,98%), devendo também ser
assinalados o segundo ciclo incompleto (12,35%), o pri^
meiro ciclo incompleto (10,98%) e o primário completo
(10,15%). Maiores detalhes sôbre o nível de instrução
dos pais e irmãos são expostos no Quadro 3.
QUADRO 3
Nível de Instrução de Pais e Irmãos
do Estudante Universitário*
* Dados referentes à primeira série dos cursos univer
sitários de graduação,sediados em Salvador, em 1965.
** Considerado o nível mais baixo de instrução observa do
em cada faixa etária.
3 - Vida Escolar
FREQÜÊNCIA A CURSOS VESTIBULARES
68,48% dos primeiranistas freqüentaram cursos ves
tibulares. Essa proporção é muito mais acentuada,no ea
so da Universidade Federal da Bahia, nas escolas de Ar
quitetura (82,85%), Belas-Artes (80,00%), Politécnica
(92,00%), Farmácia (91,30%) e Odontologia (82,92%)i; no
caso da Universidade Católica, nas escolas de Ciências
Econômicas (82,60%) eMedicina e Saúde PÚblica(94,73%).
A proporção dos que não freqüentaram cursos vestibula
res, que no conjunto de Salvador não ultrapassa 27,74%,
atinge em certas faculdades níveis muito mais altos, co
mo ocorre, no caso da Universidade Federal da Bahia,com
as escolas de Direito (53,03%) e Nutrição (50,00%);e no
caso da Universidade Católica, com a Faculdade de Direi^
to (51,85%).
A maioria (55¿49%) freqüentou por um ano tais cur
sos vestibulares, nao havendo variação de monta entre
as duas universidades e o conjunto de estabelecimentos
isolados; a apreciação dos dados por escola, embora a_
cusando sempre um ano como o período dominante, permite
encontrar dois casos, na Universidade Federal da Bahia,
onde dois ou mais anos atinge proporções maiores ( no
conjunto, 13,90%): Arquitetura (19,99%) e Politécnica
(22,66%). Para o conjunto de Salvador, foi encontrada a
média aritmética 1,21 (desvio-padrão 1,03).
EXAMES VESTIBULARES
Atinge 72,77% a percentagem dos que se submeteram,
para o ramo de ensino superior que cursavam por ocasião
da realização da pesquisa, a um único exame vestibular
(média aritmética 1,22 e desvio-padrão O,81),pouco va
riandò esse índice de escola para escola.
A maioria dos informantes (85,65%) não se submeteu
a exames vestibulares para outro ramo de ensino; quando
isso ocorreu, a maioria acusou um único exame ( media
aritmética 1,38 e desvio-padrão 0,75), perfazendol4,33%
do total a proporção dos que fizeram de um a três exa
mes. Na Faculdade de Ciências Econômicas da Universida
de Federal da Bahia, porém, a percentagem dos que presta
ram de um a três exames vestibulares para outra modalT
dade de ensino ascendeu a 36,09%, na de Farmácia a 43,46%,
na de Filosofia da mesma universidade a 21,51%, e na de
Nutrição a 24,99%; na Faculdade Católica de Ciências E
conômicas a 21,73%, no Conservatório Baiano de Canto Or
feônico a 30,00%, na Escola de Musica a 20,00% e em Me
dicina Veterinária a 29,99%.
FREQÜÊNCIA ANTERIOR EM CURSO UNIVERSITARIO
A freqüência a outro curso universitário só se ma
nifesta em 6,49% de casos. Na Faculdade Católica de DT
reito, essa proporção alcança 18,51%, no Conservatório
Baiano de Canto Orfeônico, 40,00% e no Instituto de MÚ
sica, 50,00%.
ÉPOCA DE INGRESSO NA FACULDADE
Metade dos informantes (48,58%) logrou ingresso
imediato no curso superior, ou seja, logo ao terminar o
curso médio. Outros 48,48%, por outro lado, indicaram in
tervalo de tempo entre uma e outra condição discente.
As escolas de Belas-Artes (70,00%), Ciências Eco
nômicas (69,44%), Farmácia (73,91%) e Nutrição(75,00%),
da Universidade Federal da Bahia; as escolas de Ciênci-
as Econômicas (65,21%), Direito (66 ,66%)
.Filosofia(61,71%) e Serviço Social (81,25%) da
Universidade Católica; o Conservatório de Canto
Orfeônico (50,00%), as Escolas de Sociologia e Política
(55,55%) e Medicina Veterinária (56,66%), no caso dos
estabelecimentos isolados,apresen taram maior proporção
de alunos que, ao invés da passa gem imediata ã escola
superior, tiveram um interregno de um ou mais anos.
A explicação dessa tendência deve exigir respos
tas específicas para cada caso, pois embora se saiba que
no Brasil a relação oferta-procura de matrículas desem
penha papel determinante na severidade do exame de in
gresso em certas escolas, acarretando por isso a forma
ção de um contingente de candidatos reprovados que reno
va em anos seguintes suas tentativas de admissão ã mes_
ma escola, também a busca de outro ramo de ensino, após
repetidos insucessos no primeiro, ou, em proporção me
nor, o simples desejo de retorno aos estudos após anos
de afastamento devem explicar as elevadas taxas percen
tuais de intervalo de temgo em ramos de ensino cuja in
fluência de interessados e sabidamente reduzida,nao po
dendo assim ser compreendidas em função da relação ofer
ta-procura de vagas.
NUMERO DE ANOS DE INTERVALO
19,89% dos informantes apresentaram um ano e 10,15%
dois anos de intervalo entre um e outro nível de instru
ção, tendo sido encontrada para o item a média aritmétr
ea 3,21 (desvio-padrão 4,06).
Na Universidade Federal da Bahia, a Escola de Be
las-Artes apresenta grande variação no tocante aos inteF
valos de tempo, havendo 10,00% de informantes que indr
caram 18 ou mais anos e 50,00% com taxas de 2 a 17 anos.
Esse parece ser um dos casos em que o abandono e poste
rior retorno aos estudos explicaria o ingresso na esco
la superior muito tempo após o término da escola média,
hipótese que se robustece quando se consulta a distribui
ção dos alunos por idade, verificando-se a elevada me
dia aritmética de 2 7,87 e um índi.ce percentual de20,00%
de alunos de 34 anos ou mais.
Também a Escola de Nutrição da mesma universidade
acusa 33,22% de informantes com dois ou mais anos de in
tervalo; na Universidade Católica, 43,44% dos primeira_
nistas da Faculdade de Ciências Econômicas e 56,25% na
Escola de Serviço Social acham-se nesta situação,
ocor-rendo o mesmo quanto aos estabelecimentos
isolados, com a Escola de Medicina Veterinária (29,98%
com dois ou mais anos de intervalo).
TURNO FREQÜENTADO
81,78% dos alunos freqüentaram turnos diurnos. So
mente a Universidade Católica tinha maioria de primeira_
nistas que estudavam ã noite (70,89%), ao passo que o
ensino diurno era exclusivo no caso dos estabelecimen-
tos isolados; na Universidade Federal da Bahia,apenas a
Faculdade de Direito mantinha aulas noturnas em 1965, a
brigando 34,84% dos seus primeiranistas.
NÚMERO DE ELEMENTOS DO GRUPO DOMÉSTICO COM RENDA
Ja vimos que a família do universitário de Salva
dor tem de 4 a 9 membros; destes, de 1 a 3 têm renda ou
salário (englobando 70,67% dos casos). Forarn obtidos _a
média aritmética de 2,35 e o desvio padrão de 1,60. Não
há variações notáveis de uma escola para outra.
OCUPAÇÃO DOS PAIS E IRMÃOS
53,92% dos pais ( genitor masculino)exercem ocupa
ções dos tipos 3 e 4, segundo a escala adotada por B.
Hutchinson, ou seja, entre os níveis de inspeção, super
visão e outras ocupações não manuais de padrão baixo e
de inspeção, supervisão a outras ocupações não manuais
de padrão alto; 16,75% acham-se no nível 6 (
profissio-nais e administradores), enquanto não atingiu
mais que 0,10% a proporção dos que viviam de renda ou
mais que 0,41% a dos que se achavam desempregados por
ocasião da pesquisa.
Examinando por faculdade, na Universidade Federal
da Bahia, a Escola de Nutrição é a que apresenta índi-
ces mais baixos, dado que 83,32% dos informantes indica
ram os níveis 3 e 4.
Quanto às mães, em todos os casos, a ausência de
ocupação remunerada suplantou percentualmente qualquer
outra faixa ocupacional. Assim, 69,31% das mães dos in
formantes não tem emprêgo remunerado (12,87% dos alunos
deixaram de responder esse item). A proporção de mães
que tem ocupação remunerada (que no conjunto vai a 17,78%)
atinge 28,55% em Arquitetura, 26,65% na Escola Politéc
nica, 26,30% na Escola Baiana de Medicina e Saúde
Públi-ca e 26,65% em Medicina Veterinária.
No tocante aos irmãos de 14 a 17 anos, quase a me
tade dos informantes (43,14%) negou a existência dos
mes-mos nessa faixa etária, enquanto quase outro tanto
(45,44%) afirmou estarem seus irmãos dedicados
exclusivamente aos estudos, sendo irrisórias as
proporções dos informantes com irmãos dedicados
unicamente ao trabalho (0,41%) ou simultâneamente ao
trabalho e ao estudo (0,62%), soman do-se a essas
percentagens 10,36% de casos sem respos-tas.
Examinando o mesmo item por faculdade, não se veri-
ficam quaisquer alterações significativas, reproduzin-
do-se pois a distribuição acima.
Quanto aos irmãos de 18 e mais anos, observa-se
que a terça parte dos informantes não respondeu a esse
item; 27,32% indicaram a condição de estudantes e 32,52%
declararam exercerem seus irmãos ocupação remunerada,
predominando nessa situação específica o nível 4, abar
cando 12,35% do total de informantes de Salvador.
O quadro 4 expõe a distribuição percentual das o
cupações dos pais e irmãos do estudante de Salvador.
QUADRO 4
Nivel de Ocupação de Pais e Irmãos
do Estudante Universitário*
* Dados referentes ã primeira série dos cursos univer
sitários de graduação, sediados em Salvador,em 1965.
** Considerando o nível mais baixo de ocupação observa
do para os irmãos de cada informante.
OCUPAÇÃO REMUNERADA DO ALUNO
A maioria dos primeiranistas de Salvador não
exer-ce ocupação remunerada, ou seja, 54,65% do
total,enquan-to 39,79% trabalham (5,54% de casos sem
resposta) .Na U niversidade Federal da Bahia a proporção
dos que não tra
balham sobe para 6 3,84% e a dos que trabalham atinge a
penas 30,17% dos casos; no conjunto de estabelecimentos
isolados, os índices correspondentes são de 51,78% e
35,71%; entretanto, a Universidade Católica apresenta
situação inversa, já que 25,82% não trabalham, fazendo-
o 71,83% dos primeiranistas.
Considerando individualmente cada escola, na
Uni-versidade Federal da Bahia as escolas de Belas -
Artes (75,00%) e Ciências Econômicas (58,33%);na
Universida-de Católica, as escolas de Ciências
Econômicas(91,30%), Direito (66,66%), Filosofia
(77,34%) e Serviço Social (68,75%) e, no conjunto de
estabelecimentos isolados, o Conservatório Baiano de
Canto Orfeônico (70,00%) apre_ sentam maioria de
alunos exercendo atividades remunera das. No caso da
Universidade Católica, uma única de suas escolas — a
de Medicina e Saúde Pública — apresen ta maioria que
não trabalha, perfazendo 78,94% dos ca sos.
NÍVEL DA OCUPAÇÃO EXERCIDA PELO UNIVERSITÁRIO
A maioria dos alunos que trabalham se coloca nos
níveis ocupacionais 4 ou 5, perfazendo respectivamente
14,24% e 17,90% do total. Saliente-se, porém, a maioria
de casos sem resposta (62,30%), tendo em vista que pou
co mais da metade dos primeiranistas não trabalha.
Somente nas escolas a seguir relacionadas,a percen
tagem de sem resposta não é predominante: na de Belas-
Artes, 30,00% dos alunos se acham no nível ocupacional
4 e 45,00% no nível 5; na de Ciências Econômicas da Uni-
versidade Federal da Bahia, 47,22% se acham no nível 4;
na Universidade Católica, a escola de Ciências Econômi
cas apresenta 73,91% de casos no nível 4, a de Direito
29,62% de casos no nível 3 e 14,81% no nível 4,a de Fi
losofia 64,06% de casos no nível 5 e a de Serviço
Soci-al 31,25% de casos no nível 4; quanto aos
estabelecimen-tos isolados, 40,OO% dos alunos de Canto
Orfeônico o-cupam o nível 4. Cabe lembrar que a falta
de respostas, nesse caso e nos seguintes, quase sempre
se relaciona à falta de trabalho.
TIPO DE EMPREGADOR
A maioria dos primeiranistas não respondeu esse i_
tem, perfazendo 61,88% dos casos; 18,63% trabalham para
o governo, 13,61% para entidades particulares e 5,86%
por conta própria. Na Universidade Católica, as varia
ções são mais regularmente distribuídas: 30,28% traba-
lham para o govêrno, 30,51% não responderam, 28,16%exer
cem atividades em firmas particulares e 10,32% traba-
lham por conta própria.
Nas escolas_a seguir mencionadas, a percentagem
de sem resposta não é predominante: Belas-Artes, 70,00%
dos informantes trabalham para o govêrno: Ciências
Eco-nômicas da Universidade Federal da Bahia: 2 5,00%
traba-lham.para firmas particulares e 27,77% para o
govêrno na Universidade Católica, 78,26% dos alunos de
Ciências Econômicas trabalham para firmas particulares
enquanto que 37,03% dos alunos de Direito, 33,15% dos
primeira nistas de Filosofia e 50,00% dos estudantes
de Serviço Social são funcionários públicos.
MOTIVOS PARA 0 TRABALHO
Mais da metade (62,30%) dos informantes não res
pondeu a esse item; 13,40% indicaram necessidade econo
mica da família paterna, 9,94% vontade de adquirir
expe-riência profissional, 7,12% desejo de
independência fi-nanceira, 4,60% apontaram outros
motivos nao especifica dos e 2,61% necessidade
econômica do próprio aluno. Ã necessidade econômica da
família paterna se faz sentir como razão predominante
em tôdas as escolas.
TEMPO DE TRABALHO
Um ano é o tempo de trabalho mais citado (9,73%)
embora 6 3,03% dos informantes não respondessem esse
i-tem. Na Universidade Católica, a proporção dos que
têm um ano de trabalho se eleva a 23,47%; somente em
dois casos - Biblioteconomia e Documentação (com dois
anos)e Direito (com três) - um ano deixa de ser a
marca domi nante, no primeiro exemplo em 11,76% dos
informantes,nõ segundo em 11,11% dos casos. Dada a
grande variedade na distribuição percentual de
ocorrências menos numero sas, foi achado para esse
item a média aritmética 5,10 (desvio padrão 3,25%).
NÚMERO DE HORAS SEMANAIS DE TRABALHO
22,40% dos universitários que se submeteram ã pes
quisa trabalhavam de 17 a 24 horas semanais; ficaram
po-rém sem resposta 72,56% dos questionários. Aquêle
espa-ço de tempo predomina tanto na Universidade
Federal da-
Bahia (17,20%) como na Católica (40,84%) e nos estabele-
cimentos isolados (16,07%).
UTILIZAÇÃO DO SALÁRIO DO ESTUDANTE QUANDO SOLTEIRO
15,18% dos informantes custeiam parte das despe
sas individuais, 8,69% tôdas as despesas individuais e
7,95% ajudam em parte nas despesas da família; 67,43%
não responderam esse item e somente 0,73% custeiam tô
das as despesas da família. Essa ordem é a mesma para
todos os três grupos de escolas: Universidade Federal
da Bahia, Católica e conjunto de estabelecimentos isola
dos.
UTILIZAÇÃO DO SALÁRIO DO ESTUDANTE QUANDO CASADO
Em vista da esmagadora proporção de solteiros,93, 92%
de informantes não responderam esse item. Nos poucos ca
sos em que houve resposta, esta referiu-se
dominantemen-te ao custeio de parte das despesas da
família (2,82%). As mesmas características foram
assinaladas no exame in dividual de cada faculdade.
AJUDA MONETÁRIA DA FAMÍLIA
62,30% recebem ajuda, 25,02% não recebem e em 12,67%
dos casos não houve resposta. Na Universidade Federal
da Bahia, a proporção dos que recebem ajuda chega a
65,74% e a dos que não recebem atinge 20,69%. Para a
Universidade Católica, esses dados são,respectivamente,
53,05% e 38,49% (na escola de Ciências Econômicas,excep-
cionalmente, a percentagem dos que não recebem ajuda e'
maior - 73,31% -e a dos que recebem só alcança 26,08%) ;
e nos estabelecimentos isolados, 55,35% e 26,78%.
PROPRIEDADES DA FAMÍLIA DO UNIVERSITÁRIO
A maioria das famílias de Salvador possui bens
pois só alcança 20,41% a resposta ausência de proprie
dades. Cabe assinalar, porém, que em nenhuma outra ci-
dade esse índice negativo foi tão alto e que para o to
tal das dez cidades a ausência de bens só atinge a
9,98% dos informantes.
Mais freqüentemente encontramos casas e automó
veis; em proporção menor, em ordem decrescente de
inci-dência, sítios ou terrenos, fazendas,apartamentos,
em
presas comerciais e industriais. Em cada um desses
dife-rentes tipos de propriedades, a posse de um único
bem e mais encontradiça que cada uma das outras
alternativas em que o número é superior ã unidade
(duas ou mais ca sas, dois ou mais automóveis, etc.)
.
0 exame particularizado de cada escola superior
nao indicou tendências diversas da já apontada para o
conjunto de estabelecimentos de Salvador, a qual é apre
sentada em maior detalhe no Quadro 5.
QUADRO 5
Tipo e Número de Propriedades da
Família do Estudante Universitário *
* Dados referentes à primeira série dos cursos universi-
tários de graduação, sediados em Salvador em 1965.
ENTIDADE MANTENEDORA DA ESCOLA MÉDIA
A maioria dos primeiranistas de Salvador (41,67%)
freqüentou tanto escolas médias públicas como partícula
res durante o curso médio;' 31,51% unicamente
estabeleci-mentos públicos e 23,76% exclusivamente
escolas parti-culares. A primazia de escolas públicas e
particulares" se reproduz em ambas as universidades e,
também,no con-junto de estabelecimentos isolados.
Em certas escolas, excepcionalmente, há predomínio
de outras alternativas: unicamente pública domina nume
ricamente nas faculdades de Belas-Artes(35,00%),Direito
(46,96%) e Medicina(48,80%), tôdas três da Universidade
Federal da Bahia; unicamente particular, por seu turno,
domina em Biblioteconomia e Documentação (64,70%) e
Serviço Social (43,75%), a primeira pertencente à Uni-
versidade Federal da Bahia, a última ã Universidade Ca-
tólica.
BOLSA DE ESTUDO
A maioria dos estudantes (72,25%) não recebeu
bôl-sas de estudos durante o curso médio, só atingindo
18,74% a proporção dos que usufruíram esse benefício.
Não há diferenças expressivas entre as universidades,
pois na da Bahia, 71,28% não receberam bolsas, na
Católica, 75,58% e no total de estabelecimentos
isolados, 71,42%.
Tomadas individualmente, as escolas não acusam
também alterações significativas em relação aos dados
de conjunto, devendo, no entanto, ser mencionado que na
Faculdade de Filosofia da Universidade Federal da Bahia
o índice percentual dos que receberam bolsa alcança
23,76%.
III - Conclusões
Através da análise dos dados obtidos, procuramos
apresentar algumas características sócio-econômicas do
estudante universitário do primeiro ano, na capital baia
no. Os dados anteriormente mencionados podem ser assim
resumidos:
1 - primeiranistas equitativamente distribuídos
quanto ao sexo, não havendo, ao contrário das
demais cidades, predomínio nítido de homens;
maioria de solteiros,com idade variando de 18
a 22 anos, brasileiros, nascidos em área urba-
na e naturais da Bahia;
2 - de modo geral, família com grande número de e_
lementos morando os universitários com os pais
em Salvador; pais brasileiros com nível de ins
truçao variado, a maioria tendo apenas o cur
so primário; irmãos dos estudantes, na maior
parte dos casos, com nível de escolaridade com
patível com o esperado para a respectiva ida
de cronológica;
3 - maior parte dos estudantes freqüentando esco
las diurnas, sendo poucos os casos dos que
ti-veram experiência anterior em outros cursos
u niversitários; maioria tendo sido aprovada
no primeiro concurso de habilitação,tendo
frequen-tado cursos vestibulares;
4 - no grupo doméstico, em média apenas dois mem
bros com renda ou salário; pais exercendo o
cupações do tipo médio ou alto, segundo a es
cala de Bertram Hutchinson, sendo raras as
mães com ocupação remunerada; irmãos de 18 e
mais anos trabalhando em atividades de tipo
medio, ou ainda estudando; irmãos menores, em
sua maioria estudando;
5 - maioria dos primeiranistas não exercendo
ati-
vidade remunerada (na Universidade Católica,
porém, mais de dois terços trabalham);maioria
de estudantes que trabalham dedicados ao ser
viço público em regime de tempo parcial, com
ocupações do tipo médio; início do trabalho
antes do ingresso no curso superior,por neces-
sidade economica da família paterna; salário
utilizado no caso de solteiros,para o custeio
de parte das despesas individuais; no caso de
casados para o custeio de parte das despesas
da família;
6 - poucas famílias dos primeiranistas não
possuin-
do bens (embora tal proporção seja superior a
encontrada para o conjunto das cidades pesqui-
sadas) ; tipo e número variados de proprieda-
des podendo ser assinalados, como mais fre-
quentes, casas e automóveis;
7 - maior parte dos informantes egressos de esco
las médias, públicas e particulares, não ten
do se beneficiado, nesse período, de bolsa de
estudo.
Capitulo 6
Caracterização Socio-Econômica do
Estudante Universitário de
Belo Horizonte
I • Aplicação da pesquisa em Belo Horizonte
Em Belo Horizonte, a aplicação da pesquisa, a co
dificação dos questionários e a revisão desta codifica
ção ficaram a cargo do Centro Regional de Pesquisas
Edu-cacionais "João Pinheiro", sob a direção do Dr.
Abgar Renault. 0 trabalho foi coordenado nesta
localidade pe-la professora Doris de Mello Brito,
diretora da Divisão de Estudos e Pesquisas Educacionais
do referido Centro.
Foram pesquisadas 21 escolas superiores, totali-
zando 1.550 primeiranistas. O número de questionários
computados e a relação entre iste número e a matrícula
em junho de 1965 são apresentados no Quadro 1.
QUADRO 1
Faculdades Estudadas, Matrícula e
Questionários Computados*
Dados referentes à primeira série dos cursos
universitários de graduação, sediados em Belo
Horizonte, em junho de 1965.
II - Resultados obtidos
Utilizando-se a classificação em quatro categori-
as, podemos apresentar para Belo Horizonte os seguintes
resultados:
1-0 Estudante
SEXO
Não obstante os primeiranistas de sexo masculino
representarem 69,63% do total, nas escolas de enferma-
gem Carlos Chagas e Hugo Werneck, na Escola de
Biblio-teconomia e no Conservatório Mineiro de Musica,
a tota lidade dos estudantes é do sexo feminino. Ha
ainda pre-domínio do elemento feminino nas escolas de
Serviço So cial (96,87%) e Educação Física (53,84%),
no Curso de Belas-Artes (93,00%) e nas faculdades de
Filosofia das Universidades Federal de Minas Gerais
(59,36%) e Cató-lica de Minas Gerais (70,73%).
ESTADO CIVIL
A percentagem de solteiro é de 93,28 indo a 100
na Faculdade de Ciências Médicas e na Escola de Enferma
gem Hugo Werneck. É ínfimo c número de viúvos (0,12%) e
desquitados (0,19%); a percentagem de casados é de 6,07,
atingindo a 19,78 na Faculdade de Direito da
Universida-de Federal de Minas Gerais.
FILHOS
Os estudantes que têm filhos aparecem na propor
ção de 4,65%, variando o número de filhos, basicamente,
de um a dois (2,47%); a média aritmética encontrada foi
de 2,73 filhos e o desvio padrãol,81. Na Faculdade de
Direito da Universidade Federal de Minas Gerais, a per-
centagem de primeiranistas com filhos é de 16,48 e o nú-
mero de filhos oscila em geral de um a três (12,07%).
IDADE
No que se refere ã idade cronológica, os primeira
nistas de Belo Horizonte apresentam uma grande
diversi-dade, podendo ser considerados dois grupos; um,
concen-
trando na faixa de 18 a 22 anos a maioria dos estudan-
tes (63,75%) e o outro englobando 25,21% de alunos en
tre 23 e 29 anos. Na Faculdade de Direito da
Universida-de Federai de Minas Gerais, os alunos de 34
anos ou mais representam 14,28% dos informantes; este
percentual é o mais alto não so dentro desta Faculdade,
como também na Universidade Federal de Minas Gerais; é
também nesta Fa culdade que se encontra a maior
variação de idade; os a lunos se distribuem dos 18 aos
34 anos, havendo pelo menos um elemento para cada
idade deste intervalo. O al to desvio padrão (7,46
anos) obtido para o Curso de Be las-Artes é
justificado pela existência de 12,50% dos alunos com
34 anos ou mais; na Escola de Biblioteco-nomia, o
desvio padrão de 5,92 pode também ser explica do pela
variação encontrada: 3,33% dos primeiranistas com 27
anos, 3,33% com 31 e 3,33% com 34 ou mais.
Na Universidade Católica de Minas Gerais, as esco
las de Cinema e de Enfermagem apresentara as maiores
me-dias de idade cronológica, respectivamente, 25,00 e
24,57 anos.
As médias aritméticas e os desvios padrão encon-
trados para cada uma das faculdades pesquisadas são a
presentados no Quadro 2.
QUADRO 2
Distribuição das Idades Cronológicas*
* Dados referentes à primeira série dos cursos universi-
tários de graduação, sediados em Belo Horizonte, em
junho de 1965.
Os dados apresentados no Quadro 2 permitem infe-
rir que os primeiranistas dos cursos universitários se
diados em Belo Horizonte têm um atraso cronológico de
três anos, no mínimo, para o ingresso no curso superi
or: foi encontrada a média aritmética de 22,14, quando
a matrícula na primeira série universitária é possível
a partir dos 18 ou 19 anos.
NACIONALIDADE E NATURALIDADE
Pràticamente a totalidade dos informantes é bra
sileira (99,03%); 90,56% são mineiros aparecendo 1,22%
baianos, 1,61% paulistas e 1,20% espirito.-santenses. Das
dez cidades pesquisadas, Belo Horizonte é a que apresen
ta maior percentagens de alunos nascidos no Estado sede
da escola superior freqüentada*.
LOCAL DE NASCIMENTO
O local de nascimento de 78,81% é na zona urbana
e 20,09% na zona rural. Uma proporção maior de elemen
tos advindos da zona rural é encontrada na Escola de Ve
terinária (45,23%) e nas faculdades de Farmácia e Bio
química (39,91%), Odontologia (28,39%) e Direito da Uni.
versidade Federal de Minas Gerais (26,37%); na
Universi-dade Católica de Minas Gerais, as maiores
percentagens são observadas nas escolas de Cinema
(22,22%)e Educação Física (23,07%) e na Faculdade de
Ciências Médicas(25,00%).
TEMPO DE MORADIA NA CAPITAL
Há uma variação grande para o tempo de moradia na
capital: os que aí se radicaram há 10 anos ou mais cons-
tituem 18,86%; seguem-se os que residem há um ano na
ci-dade (12,20%); as demais percentagens distribuem-se
en tre 2 e 9 anos; a média aritmética é 8,98 anos e o
des-vio padrão 7,78. Tais dados devem ser
interpretados em função do domicílio do estudante e de
sua família, suge-rindo uma certa migração do interior
do Estado para a Capital, talvez relacionada a
freqüência ã escola.
* Ver, a respeito, o capítulo "Características gerais
do estudante universitário".
2 - A Família
NÚMERO DE ELEMENTOS DO GRUPO DOMÉSTICO
A família composta de 10 ou mais elementos refe_
re-se a 15,69% dos universitários,seguindo-se a família
de 5 pessoas (15,11%); a média aritmética obtida foi
6,83 pessoas e o desvio padrão 4,14.Na Universidade
Fe-deral de Minas Gerais, observamos para a família de
10 membros um índice maior nas seguintes faculdades:
esco las de Biblioteconomia (16,66%)e
Engenharia(17,39%), fa-culdades de Farmácia e Bioquímica
(21,27%) ,Medicina(2L6 4%) Odontologia (17,28%), Escola de
Veterinária (19,14%) e Curso de Belas-Artes (25,00%);
já na Universidade Cató-lica de Minas Gerais se
destacam as faculdades de Direi-to (18,18%) e de
Filosofia,Ciências e Letras (17,07%).
COMPOSIÇÃO DO GRUPO DOMÉSTICO
São muito poucos os casos de pais separados ou des_
quitados (2,06%), morando a maioria com a família (72,06% ) .
Como órfãos de pai há 13,56% e órfãos de mãe 6,13%.
Vivem no próprio local onde estuda o informante
46,38% dos pais e 53,22% das mães. Na Faculdade de
Far-mácia e Bioquímica, 51,06% dos pais e 53,19% das
mães moram em outro local que não a capital mineira;
na Fa-culdade de Medicina, as proporções são: 52,98%
(pais) e 52,23% (mães) e na Escola de
Veterinária,52,38% (pais) e 54,76% (mães). Na
Universidade Católica de Minas Ge rais 42,85% dos pais
(pai e mãe) moram em outro local do Brasil, sendo que
na Faculdade de Filosofia, Ciênci-as e Letras Santa
Maria as percentagens são:47,56%(pais e 46,34%
(mães)*.
NACIONALIDADE DOS PAIS
Os pais são brasileiros, na maioria absoluta dos
casos: 92,23% dos pais e 95,41% das mães.
* As diferenças percentuais entre o local de residência
de genitores e genitoras podem ser devidas aos casos
de pais e mães falecidos ou separados.
NÍVEL DE INSTRUÇÃO DOS PAIS
Para o nível de instrução do pai, vamos encontrar
36,75% ao nível do curso elemental (13,82% com prima
rio incompleto e 22,93% com primário completo)e 25,96%
ao nível do curso superior (4,32% com curso
universitá-rio incompleto e 21,64%, completo). A
situação apresen .ta-se um pouco diferente em algumas
faculdades da Uni versidade Federal de Minas Gerais,
aumentando as percen-tagens de genitores com diplomas
universitários:Arquite tura (41,02%), Biblioteconomia
(30,00%), Música(42,85%) e Belas-Artes (31,25%).
O grau de instrução da mãe é, de maneira
geral,in-ferior ao do pai. Embora a percentagem para o
nível ele mentar seja a mesma, 36,74% (9,81% com
primário incom-pleto e 26,93% com primário completo),
somente 4,19% têm curso universitario (completo ou
incompleto); já com instrução de nível médio completo,
observamos 31,58% das mães.
Não obstante serem em número bastante reduzido,
existem analfabetos entre os pais dos universitários(pai
e mãe). Nas escolas da Universidade Federal de Minas Ge
rais podemos assinalar o seguinte: em Ciências
Econômi-cas há um pai e u'a mãe analfabetos; em
Direito, dois pais e três mães; em Enfermagem um pai e
u'a mãe;em En-genharia, um pai e três mães; em
Filosofia, um pai e u'a mãe; em Medicina, u'a mãe; em
Odontologia, u'a mãe e em Veterinária, um pai. Em
relação à Universidade Ca-tólica de Minas Gerais, podem
ser destacadas as seguin-tes escolas: Cinema (1
genitora), Enfermagem ( 1 pai ), Filosofia (1 pai),
Ciências Médicas (1 pai) e Serviço Social (2 mães).
NÍVEL DE INSTRUÇÃO DOS IRMÃOS
Verificou-se a inexistência de irmãos na faixa de
11 a 14 anos para mais da metade dos informantes (63,24 ) ;
28,16% dos primeiranistas alegaram que os irmãos deste
grupo etário possuem ciclo ginasial incompleto e 8,20%
acusaram curso primário (completo ou incompleto); há,
portanto, correspondência entre idade cronológica e
ní-vel de instrução alcançado.
A mesma correspondência se observa em relação aos
irmãos de 15 a 17 anos; 55,49% dos primeiranistas nega
ram a existência de irmãos nesta faixa; 26,28% informa-
ram que os irmãos têm 19 ciclo médio (completo e
incom-pleto) e 15,50% fizeram referência ao ciclo
colegial
(completo e incompleto).
Para os irmãos de 18 e mais anos a situação é di-
versa. Diminui o número de universitários sem irmãos com
estas idades (15,05%) e observa-se um número grande de
casos com nível de instrução inferior ao esperado para
a idade cronológica: 15,03% dos primeiranistas alegaram
irmãos com curso primário (completo ou incompleto), 24,04%
com ciclo ginasial (completo ou incompleto),36,30% com
segundo ciclo médio (completo e incompleto) e apenas
9,16% em nível universitário (completo ou incompleto).
0 Quadro 3 apresenta o nível de instrução de pais
e irmãos do universitário.
QUADRO 3
Nível de Instrução de Pais e Irmãos do
Estudante Universitário*
* Dados referentes ã primeira série dos cursos univer-
sitários de graduação sediados em Belo Horizonte, em
1965.
** Considerado o nível mais baixo de instrução observa
do em cada faixa etária.
MORADIA DO ESTUDANTE
cêrca da metade dos estudantes (52,06%) mora com
os pais; 13,63% com amigos; 11,62% residem com outro pa
rente e 7,23% vivem sozinhos; tais dados reforçam o que
foi dito anteriormente em relação ao domicílio dos pais
dos primeiranistas.
3 - Vida Escolar
TURNO
O turno diurno engloba 84,30% dos estudantes e o
noturno 15,69%. As faculdades que possuem curso notur-
no na Universidade Federal de Minas Gerais são:Direito
(48,90% dos informantes) e Belas-Artes (6,25%); na Uni-
versidade Católica de Minas Gerais, estão nesta situa
ção o Instituto Politécnico (77,61%), a Faculdade de
Fi-losofia. Ciências e Letras Santa maria (37,88%) e
a Es-cola de Cinema (que só funciona ã noite).
INTERVALO ENTRE AS ESCOLAS MÉDIA E SUPERIOR
54,06% dos alunos assinalaram intervalo entre o
curso médio e o superior e 44,12% ingressaram na
facul-dade ao terminar o colégio. Um maior número de
alunos concluiu o curso médio e foi para o curso
superior, sem solução de continuidade, nas escolas de
Arquitetura (51,28%) e Engenharia (61,30%) e na
Faculdade de Filoso fia da Universidade Federal de
Minas Gerais (49,40%); na Universidade Católica de
Minas Gerais ocorre o mesmo na Escola de Educação Física
(61,53%) e na Faculdade Mi-neira de Direito (53,03%).
Havendo intervalo, este é basicamente de 1 ano
(21,00%) e as variações entre 1 e 6 anos perfazem
47,97% dos universitários. A média aritmética obtida
foi de 2,83 anos e desvio padrão 3,09.
CURSO VESTIBULAR
A freqüência aos cursos preparatórios atinge a
57,81% dos informantes; 51,22% fizeram 1 ano de curso
vestibular, tendo sido encontrados 1,13 anos como média
aritmética e 0,52 como desvio padrão.
FREQÜÊNCIA ANTERIOR EM CURSO UNIVERSITÁRIO
Experiência anterior em cursos superiores foi a
cusada por 9,94% dos estudantes. Os alunos de Enferma-
gem, Belas-Artes e Educação Física, ao que parece, não
tiveram dúvida na escolha do curso ou qualquer outro em
pecilho pois nestas faculdades nao foi apontada
freqüên-cia a outro curso universitário. Na Faculdade
de Direi-to da Universidade Federal de Minas Gerais,
23,62% dos alunos chegaram a cursar anteriormente outro
ramo de en sino universitário.
EXAMES VESTIBULARES
55,23% dos primeiranistas conseguiram entrar para
a faculdade desejada prestando um só concurso,já 16,86%
tiveram que fazer uma segunda tentativa sendo no caso
a média aritmética 1,58 e o desvio padrão 1,17. No
Ins-tituto Politécnico (29,85%), na Escola de
Engenharia (22,17%), nas faculdades de Ciências
Médicas (38,63%), Ciências Econômicas (28,75%)
Veterinária (30,95%) e Mi-neira de Direito (19,69%), são
mais altas as percenta-gens de primeiranistas que se
submeteram a dois exames vestibulares para uma mesma
modalidade de ensino supe rior.
79,65% não responderam ao item "número de exames
vestibulares em outro ramo de ensino"; 14,82% fizeram
um vestibular para outra modalidade e 3,87% chegaram a
tentar duas vêzes o ingresso em ramos de ensino diver
sos do que cursavam por ocasião da aplicação da
pesqui-sa. Dos primeiranistas de Farmácia e Bioquímica,
25,53% tentaram através de um exame, 17,02% através de
dois e 14,89% através de três exames, outra modalidade
de ensi-no; na Faculdade de Odontologia 28,39% fizeram
um vesti-bular, 9,87% dois, 4,93% candidataram-se a 3,
4,93% com pareceram 4 vêzes e 2,46% chegaram a realizar
6 concur sos para outro ramo de ensino superior;
também na Esco-la de Veterinária observamos casos de
um a dois exames vestibulares (21,42% e 11,90%
respectivamente). No Cur so de Belas-Artes 12,50%
candidataram-se a dois vestibu-lares; na Faculdade de
Filosofia, 17,52% fizeram o mes mo; na Escola de Cinema
(38,88%) e na Faculdade de Ciên-cias Médicas (20,45%)
encontramos a tentativa para ou tra modalidade de
ensino através de um exame vestibu-lar. 1,48 é a
média aritmética e 1,07 o desvio padrão obtido.
4 - Situação Econômica do Estudante e
de sua Família
ELEMENTOS DO GRUPO DOMÉSTICO COM RENDA
Em 69,82% dos casos de uma a três pessoas contri
buem para o orçamento doméstico, sendo praticamente a
mesma percentagem para um elementos (25,45%)e para dois
(26,22%) com salário ou renda; a média aritmética é
2,51 e o desvio padrão 1,61.
Na Faculdade de Odontologia ha um caso de 10 ou
mais elementos que trabalham, ocorrendo o mesmo na Fa
culdade de Medicina e na Escola de Engenharia. Nas fa
culdades de Farmácia e Bioquímica, Filosofia, Medicina7
Odontologia e Direito, tôdas da Universidade Federal de
Minas Gerais, observa-se uma variação muito grande, ha
vendo de 1 a 5 pessoas no grupo domestico dedicadas a
atividades remuneradas; na Universidade Católica de Mi
nas Gerais, ã exceção da Escola de Cinema, as demais
fa-culdades apontam no mínimo 3 pessoas com ocupação
remu-nerada.
NÍVEL DE OCUPAÇÃO DOS PAIS
Por ocasião da aplicação dos questionários, havia
3 (0,19%) pais desempregados e 7 (0,45%) vivendo de
ren-da; pela classificação de B.Hutchinson, 52,77% dos
pais têm ocupações de níveis 3 e 4 (14,34% em nível
3e38,43% em nível 4), ou seja nas categorias de
inspeção,supervi-são e outras ocupações não manuais, de
baixo e alto pa drão. Na Escola de Veterinária,
situam-se nos níveis 3 e 4, 59,52% dos pais; na
Faculdade de Medicina, 57,45%; na Escola de Engenharia
56,51%; no Curso de Belas-Artes 56,25%; na Faculdade de
Odontologia 54,32%. Na Universi dade Católica de Minas
Gerais, algumas escolas têm tam-bém proporções mais
altas de pais nestes níveis:as facul dades de Ciências
Médicas (61,36%) e Direito (54,52%)7 o Instituto
Politécnico ( 55,21%) e a Escola de Serviço Social
(53,15%).
Na categoria de profissionais e administradores,
isto é, no nível 6, enquadram-se 19,89% dos pais. Na Es
cola de Arquitetura há neste nível 28,20% dos pais; na
Escola de Biblioteconomia, 30,00%; na Faculdade de
Ciên-cias Econômicas, 22,17% e no Curso de
Belas'Artes,31,25%. já na Universidade Católica, anotamos
uma proporção mai-or de genitores com nível ocupacional
6, nas escolas de
Cinema (27,77%) e de Enfermagem (28,57%), no Instituto
politécnico (20,89%), nas faculdades de Filosofia (21, 95%)
e de Serviço Social (25,00%).
OCUPAÇÃO REMUNERADA DAS MÃES
A maior parte das mães é unicamente dona de casa
(72,35%). Quando existe atividade remunerada, esta se
distribui entre os níveis 2 (habilidade manual) e 5 (di
rigentes e executivos), perfazendo 19,49% dos casos;4,05%
trabalham no próprio domicílio, 4,26% colaboram em
negó-cios pertinentes ao grupo familiar e 12,20%
trabalham fora de casa.
OCUPAÇÃO REMUNERADA DOS IRMÃOS
27,00% dos irmãos dos primeiranistas com 18 anos
e mais estão estudando. O nível ocupacional mais baixo
encontrado com maior freqüência foi o correspondente à
inspeção, supervisão e outras ocupações não manuais de
padrão alto (nível 4) - 19,70%.
Na faixa de 14-17 anos, 42,37% dos primeiranis-
tas responderam não ter irmãos com estas idades;50,06%
têm irmãos dedicados aos estudos, havendo somente 0,96%
com irmãos menores trabalhando e 0,71% com irmãos que
trabalham e estudam ao mesmo tempo.
As demais percentagens referentes ao nível de
ocupação do pai, mãe e irmãos de 18 e mais anos são a
presentadas no Quadro 4.
QUADRO 4
Nivel de Ocupação de Pais e Irmãos do
Estudante Universitário*
* Dados referentes ã primeira série dos cursos
Univer-sitários de graduação, sediados em Belo
Horizonte,em 1965.
** Considerado o nível mais baixo de ocupação
observado para os irmãos de cada informante.
OCUPAÇÃO REMUNERADA DO ESTUDANTE
47,41% dos primeiranistas trabalham e 49,93% não
exercem ocupação remunerada. Em tôdas as faculdades da
Universidade Católica de Minas Gerais, é muito maior a
proporção dos que trabalham, excetuando-se a Escola de
Enfermagem e a Faculdade de Ciências Médicas. Assim,na
Escola de Cinema 88,88% trabalham;_na Faculdade de Di-
reito, 65,15%; na Escola de Educação Física,92,30%; no
Instituto Politécnico, 50,74%; na Faculdade de Filoso
fia, 60,97%; na Escola de Serviço Social, 59,37%.Na Esco
la de Enfermagem os que não trabalham representam 57,14%
e na Faculdade de Ciencias Médicas, 79,54%.
Na Universidade Federal de Minas Gerais, a situa
ção inverte-se: é maior a proporção dos que não traba-
lham. Se em cinco escolas a percentagem dos que possuem
atividade remunerada é mais alta (Biblioteconomia, 60,00%;
Ciências Econômicas, 65,00%; Direito, 77,47%;Filosofia,
51,79%; Odontologia, 56,79%), há maioria de alunos que
não trabalham nas seguintes faculdades: Arquitetura
(64,10%), Enfermagem (83,33%), Engenharia (73,91%), Far
macia e Bioquímica (63,82%), Medicina (87,31%), Música
(50,00%), Veterinária (54,76%) e Belas-Artes (56,25%).
CARGA HORÁRIA SEMANAL
33,72% dos estudantes perfazem de 17 a 24 horas
semanais de trabalho e 4,90% chegam a 41 horas ou mais,
não tendo sido apresentada nenhuma outra variação além
das duas apontadas. Na Faculdade de Direito da Univer-
sidade Federal de Minas Gerais, 17,03% assinalaram 4T
horas ou mais de trabalho; na Escola de Cinema tal pro
porção atinge a 27,77% dos primeiranistas.
ENTIDADE PATRONAL
0 Govêrno é o empregador de 2 3,06% dos alunos;por
conta própria trabalham somente 3,35% e 20,93% estão
empregados em emprêsas particulares.
MOTIVOS DETERMINANTES DO TRABALHO
A necessidade econômica da família paterna levou
20,34% dos estudantes a procurarem uma atividade
remune-rada; 9,94% foram motivados pelo desejo de
independên-cia financeira e 7,75% preocuparam-se em
buscar expe-riência profissional.
TEMPO DE TRABALHO
Em 41,2 7% dos casos, o trabalho foi iniciado an
tes da matrícula no curso superior. O tempo de traba-
lho, embora variado, apresenta 11,75% dos estudantes (a
maior proporção) com 1 ano de exercício de ocupação
remunerada e 2,26% com 18 anos ou mais. Devido à grande
variação, a média aritmética é 5,5 3 anos e o desvio pa
drão 5,49.
UTILIZAÇÃO DO SALÁRIO
No caso do aluno solteiro, o salário representa
auxílio ã família paterna para 14,47%, o custeio de tô
das as despesas individuais para 13,11% e pagamento dê"
parte destas despesas para 13
i
56%; uma percentagem moi
to reduzida (0,64%) é responsável por todas as despesas
da família. 0 auxílio à família paterna é menor em de
terminadas faculdades da Universidade Federal de Minas
Gerais: nas faculdades de Farmácia e Bioquímica(10,6 3%)
e Filosofia (13,94%), no Conservatório de MÚsica(7,14%) ,
na Escola de Veterinária (2,38%) e no Curso de Belas-Ar
tes (12,50%). Na Universidade Católica, a proporção dos
que ajudam a família (16,65%) é menor em relação à uti-
lizaçao do salário para custeio das despesas individuais
(33,32%) .
Para o aluno casado, o salário representa o custeio
de tôdas as despesas para 2,51% dos informantes, parte
das despesas para 1,42% (neste caso podendo-se pressu-
por a ajuda do cônjuge) e ainda auxilio ã família pa
terna para 1,03%.
AJUDA MONETÁRIA DA FAMÍLIA
A maior parte dos informantes (56,20%)declarou re
ceber ajuda monetária da família, enquanto 33,91%
nega-ram ter este auxílio. Nas faculdades de Ciências
Econô-micas_(57,50%) e de Direito (62,63%) e na Escola
de E ducação Física (61,53%) é maior a proporção dos
que não têm ajuda monetária da família.
PROPRIEDADES
Apenas 8,65% dos estudantes afirmaram não possuir
bens de espécie alguma. Na Universidade Federal de Mi
nas Gerais,esta proporção aumenta nas faculdades de Ci-
ências Econômicas (15,00%), Direito (15,93%), Filosofia
(9,56%) e no Curso de Belas-Artes (12,50%); na Universi-
dade Católica de Minas Gerais, ocorre o mesmo em rela
cão à Faculdade de Filosofia (13,41%).
A maioria dos estudantes (61,81%) tem de 1 a 2
ca-sas e 13,30% referiram-se ã posse de um apartamento.
14,98% dos informantes possuem um sítio ou terre
no, sendo um pouco menor a proporção dos que possuem u
ma fazenda (12,46%).
As famílias dos universitários que possuem uma em
prêsa comercial representam 10,46% havendo um número
bem menor dos que possuem uma emprêsa industrial(4,45%).
28,29% das famílias dos primeiranistas têm 1 auto
móvel e 6,97% possuem 2.
Nas Escolas de Enfermagem, quer da Universidade
Federal de Minas Gerais, quer da Universidade Católica,
foi observada a ausência de apartamentos, fazendas e em
prêsas comerciais, havendo um caso de propriedade de om
prêsa industrial na Escola de Enfermagem da Universida-
de Católica. Na Escola de Educação Física de Minas Ce
rais, os alunos alegaram inexistencia de apartamentos,
sítios ou terrenos e emprêsas comerciais,entre suas pro
priedades.
Foi também perguntado o número de apólices ou
tí-tulos; a quase totalidade (98,90%) não respondeu.
Pode -se inferir deste fato que as famílias realmente
não possuem títulos ou os estudantes desconhecem a real
si-tuação do grupo doméstico em relação a tal item.
Os índices relativos a tipo e número de
proprieda-des são apresentados no Quadro 5.
QUADRO 5
Tipo e Numero de Propriedades da
Família do Estudante Universitário *
Dados referentes à primeira série dos cursos
univer-sitários de graduação, sediados em Belo
Horizonte, em 1965.
ENTIDADE MANTENEDORA DA ESCOLA MÉDIA
A maior parte dos alunos (4 4,70%) cursou ünicamen
te escolas particulares; um número elevado dividiu seus
estudos entre a escola particular e a pública (38,63%)
e um grupo pequeno freqüentou somente escolas públicas
(14,72%) Paralelamente a estes dados, 81,91% dos estu-
dantes não se beneficiaram de bolsas de estudo na esco
la média.
Na Universidade Católica de Minas Gerais a taxa
dos que cursaram unicamente escolas particulates sobe a
53,28%; os que freqüentaram colégios públicos e parti-
culares representam 34,09% dos casos e 10,10%referem-se
a alunos que cursaram exclusivamente a escola pública.
Na Universidade Federal de Minas Gerais, as per-
centagens são: 41,75% freqüentaram escola particular,
40,75% referem-se a escolas públicas e particulares e
16,31% representam os alunos egressos de escolas públi-
cas; já nas escolas de Biblioteconomia(50,00%), Engenha_
ria (46,08%) e Filosofia (40,23%) a percentagem mais
alta é para freqüência a escolas públicas e particula_
res.
III - Conclusões e Sugestões
Através da análise dos dados obtidos, procuramos
apresentar algumas características sócio-econômicas do
universitário da capital mineira (subpopulação estuda
da) .
Os resultados anteriormente mencionados podem ser
resumidos, em seus aspectos mais gerais:
1 - maioria de estudantes do sexo masculino, sol-
teiros, com idades variando dos 19 aos 21 a-
nos, brasileiros, nascidos em zona urbana e
naturais do Estado de Minas Gerais;
2 - em geral, família composta de um número médio
de elementos, morando os estudantes com os
pais, na própria cidade onde estudam;pais
bra-sileiros com grau de instrução
variado,concen trando-se porem ao nível do
curso elementar; irmãos dos estudantes, com
nível de escolari_ dade compatível com a
idade cronológica;
3 - maioria de alunos, ingressando no curso supe
rior em turno diurno, um ano após concluir a
escola média, tendo freqüentado curso vestibu
lar e sido aprovados no primeiro exame presta_
do; poucos freqüentaram anteriormente outros
cursos universitários;
4 - em média, famílias com 7 membros, 3 tendo ren
da ou salário; pais, exercendo ocupações do
tipo médio segundo a escala de Hutchinson;
mães, donas de casa; irmãos menores de 18 a_
nos estudando e os de 18 anos ou mais com o
cupações do tipo médio e superior ou ainda
estudando;
5 - cêrca da metade dos estudantes exercendo ocupa_
ção remunerada de tipo médio, em regime de
tempo parcial, em emprêsas privadas e esta_
tais; início do trabalho antes do ingresso no
curso superior, devido às necessidades eco
nômicas da família paterna; salário utilizado
para ajudar as despesas domésticas e para
custear no todo ou em parte os gastos indivi^
duais;
6 - poucas famílias não possuindo bens, móveis ou
imóveis; tipo e número de propriedades varia
dos, sendo mais freqüentemente encontrados ea
sas e automóveis;
7 - primeiranistas egressos de escolas médias par
ticulares, não tendo recebido bolsas de estu
do neste período.
São válidos para Belo Horizonte os coment£
rios feitos em capítulo anterior*relacionados
a aspectos como desigualdade de oportunidades
educacionais, necessidade de reforma das esco
las médias e superior e vantagens do
aprovei-tamento do trabalho estudantil na
própria uní-versidade.
Um outro aspecto merece ainda ser ressaltado:
a grande variação entre os dados, em muitos
dos itens estudados. Assim, há percentagens
significativas nos pontos extremos de um mes
mo quesito ou então aparecem percentagens em
tôdas as alternativas apresentadas.Verificam-
se tais fenômenos para idade cronológica do
universitário, tempo de moradia do mesmo na
capital mineira, número de elementos do grupo
Características gerais do estudante universitário.
doméstico, nível de instrução do pai e dos ir
mãos de 18 ou mais anos, intervalo entre ai"
escolas média e superior, número de elementos
do grupo doméstico que trabalham e nível de o
cupação do pai.
Capitulo 7
Caracterização Socio-Econòmica do
Estudante Universitário de Niterói
I - Aplicação da pesquisa em Niterói
Foram pesquisadas 10 escolas superiores, totali^
zando 420 primeiranistas. O número de questionários
computados e a relação entre este número e a matrícula
em junho de 1965, para cada uma das Faculdades estuda_
das, são apresentados no Quadro 1. Cabe assinalar que,
das dez capitais estudadas, Niterói foi a que apresen-
tou mais baixo percentual de informantes (36%).
QUADRO 1
Faculdades Estudadas, Matrícula e
Questionários • Computados*
* Dados referentes à primeira série dos cursos universi^
tários de graduação, sediados em Niterói, em junho
de 1965.
II - Resultados obtidos
Utilizando a classificação em quatro categorias,
podemos apresentar, para Niterói, os seguintes resulta
dos: "~
1-0 Estudante
SEXO
são do sexo masculino 63,09% dos universitários,o
que muito se aproxima da média para as dez capitais
(64,86%); a distribuição por escolas mostra que a pre
ponderância dos homens é mais acentuada nas escolas de
Ciências Econômicas (93,93%), Direito (74,54%), Engenha
ria (95
t
OO%), Medicina (89,13%), Odontologia (74,13%) e
Veterinária (75,75%), ao passo que três estabelecimen
tos acusam supremacia feminina: Enfermagem (61,11%)7
Filosofia, Ciencias e Letras (72,88%) e Serviço Social
(93,33%).
IDADE
Na faixa de 18 a 22 anos de idade se acham 52,36%
dos estudantes, sendo que a maioria (14,52%) tinha 20
anos na época de aplicação da pesquisa. A Faculdade
de Direito apresenta somente 30,88% entre 18 e 22 anos,
havendo cêrca de um quarto dos alunos (25,45%) com id£
de igual ou superior a 34 anos. Para toda a Universida
de foram obtidos a média aritmética de 23,35 anos e o
desvio-padrão de 5,76. 0 Quadro 2 indica a distribui_
ção das idades cronológicas por faculdade.
QUADRO 2 Distribuição
das Idades Cronológicas*
Dados referentes à primeira série dos cursos unive£
sitarios de graduação, sediados em Niterói, em junho
de 1965.
ESTADO CIVIL
São solteiros 84,04% dos alunos, sendo que na Fa^
culdade de Medicina essa proporção atinge 100%; índices
mais baixos que a média de predomínio de solteiros fo
ram assinalados nas escolas de Direito (61,81%), Ciên
cias Econômicas (81,81%), Odontologia (82,75%) e Vete
rinária (75,75%).
NÚMERO DE FILHOS
Não têm filhos 74,04% dos universitários, mas na
Faculdade de Direito essa proporção desce a 47,27% a_
tingindo aí 38,18% a dos que têm descendentes (para o
conjunto das escolas, 13,80%). Com relação ao número
destes, varia para o conjunto de 1 a 3 (média aritméti
ea 2,12 e desvio padrão 1,39).
NACIONALIDADE
A nacionalidade brasileira existe em 93,57% dos
casos, baixando a 77,58% no caso de Odontologia
i
cuja e£
cola abriga 20,68% de estrangeiros. No tocante a origem
destes, predominam os de procedência latino - americana
(3,80%).
NATURALIDADE
A naturalidade dominante é a fluminense, mas não
atinge a metade dos casos (46,42%); de um Estado viz£
nho procede quase a quarta parte dos alunos, pois chega
a 21,42% a percentagem de cariocas, fato que se compr£
ende pela proximidade das cidades de Niterói e Rio de
Janeiro. Na Escola de Enfermagem, no entanto,50,00% dos
informantes são de Sergipe, 16,66% da Guanabara, 11,11%
de Pernambuco e nenhum aluno do próprio Estado do Rio
de Janeiro. Esses dados apontam assim a grande propor
ção de nordestinos no curso superior de enfermagem,fato
que se verifica também nos estabelecimentos congêneres
do Estado da Guanabara.
Além de Enfermagem, dois outros ramos de ensino
em Niterói - Engenharia (52,50% da Guanabara e 35,00%
do Estado do Rio de Janeiro) e Odontologia (32,75% da
Guanabara e 24,13% do Estado do Rio de Janeiro) -
apon-tam predomínio de naturais de outro Estado.
A distribuição percentual dos primeiranistas de
Niterói em função de sua naturalidade é apresentada no
Quadro 3.
QUADRO 3 Naturalidade
do Estudante Universitário*
* Dados referentes ã primeira série dos cursos
Universi-tários de graduação, sediados em Niterói,
em junho de 1965.
LOCAL DE NASCIMENTO
são oriundos da zona urbana 80,47% dos primeira
nistas; na Faculdade de Veterinária esse predominio e"
menor, pois alcança 69,69%, sendo 30,30% oriundos da zo
na rural.
TEMPO DE MORADIA NA CAPITAL
19,52% do total de alunos responderam ter 10 ou
mais anos de moradia na cidade, atingindo outros perío-
dos percentagens menores. A Escola de Enfermagem apre-
senta, porém, 61,11% de alunos com um ano de moradia
(para o conjunto de escolas de Niterói, esse período só
reuniu 9,52% dos casos) e 11,11% com 2 anos.
2 - A Família
GRUPO DOMÉSTICO
54,2 8% dos informantes têm de 3 a 5 pessoas em
seu grupo doméstico, não havendo variações de monta de
uma escola para outra. Foi obtida a média aritmética de
5,04 e o desvio padrão 2,25.
85,23% dos genitores residem com a família, atin-
gindo somente 5,4 7% a proporção dós separados ou
desqui-tados. Brasileiros eram 86,66% dos pais e
90,00% das mães; em Odontologia, a predominância
brasileira decres-ceu entre os pais (65,51% de
brasileiros para 32,75% de estrangeiros) e mães
(respectivamente 68,96% e 31,03%). Com os pais residem
55,00% dos informantes e 14,76% com o conjuge; na
Escola de Enfermagem, todavia, a ten dência se inverte:
residem sozinhos 61,11% dos alunos e apenas 16,66% cop
os pais.
NÍVEL DE INSTRUÇÃO DOS GENITORES
Confirma-se para o item nível de instrução uma
ten-dência assinalada para o conjunto das dez cidades
estu dadas, ou seja o nível mais elevado de instrução
dos pais em relação às mães. 21,91% dos pais têm curso
supe-rior completo, ao passo que as mães só alcançam
esse ni-vel em 5,47% dos casos; por outro lado, estas
apresen tarn, em 27,14% e 16,42% dos casos, primário
completo e
incompleto, índices que para os pais são de 18,09% e
15,00%, respectivamente.
Em alguns estabelecimentos, há variações dignas
de registro: Enfermagem acusa, para os pais,33,33% com
primário completo e 16,66% incompleto; para as mães is
ses índices são de 27,77% e 33,33%, o que demonstra que
metade dos genitores não ultrapassou o nível elementar
de instrução. Em Veterinária há algo parecido: 18,18%
dos pais têm primário completo e outros 18,18% o têm in
completo; quanto às mães, 36,36% o têm completo e 18,18 %
incompleto.
NÍVEL DE INSTRUÇÃO DOS IRMÃOS
Considerando apenas os mais baixos níveis de ins
trução indicados, o dos irmãos na faixa de 11 a 14 anos
é correspondente ã idade em que se acham, ou seja, a
maioria dos irmãos (12,14%) se encontra cursando o
pri-meiro ciclo da escola média. No caso de
Enfermagem,esse nível é mais baixo, pois 11,11% têm
primário completo e incompleto outros 11,11%.
Na faixa etária de 15 a 17 anos,a maioria (9,52%)
dos que informaram apontam ainda o ginásio (incompleto)
como a marca atingida, estando assim aquém da expecta-
tiva. Enfermagem está muito abaixo dessa média,pois con-
ta com maioria de 16,66% com primário incompleto.
Quanto aos irmãos de 18 ou mais anos, a maioria
dos que responderam acusa o curso médio completo(14,28%) ,
mas, em alguns casos, o nível dominante ê o primário
completo (Enfermagem, 33,33%; Farmácia,24,24%; Direito,
14,54%; Veterinária, 27,27% e Odontologia, 15,51%).
0 nível de instrução dos pais e irmãos acha-se ex
posto no Quadro 4.
QUADRO 4
Nível de Instrução de Pais e Irmãos do
Estudante Universitário*
* Dados referentes ã primeira série dos cursos univer-
sitários de graduação, sediados em Niterói,em 19657
Considerado o nível mais baixo de instrução observa do
em cada faixa etária.
3 - Vida Escolar
INTERVALO. ENTRE AS ESCOLAS MÉDIA E SUPERIOR
60,47% dos alunos não ingressaram imediatamente
no ensino superior, só sendo nele admitidos após um es
paço de tempo que variou de um (17,14%), dois (13,80%)
ou mais anos. Duas únicas escolas - Enfermagem com55,55%
e Engenharia com 50,00% - indicaram maioria de informan
tes com ingresso imediato no curso superior; por outro
lado, o curso de Farmácia foi o que indicou a maior ta
xa (75,75%) de intervalo entre os cursos médio e
univer-sitario. Considerado esse item para o conjunto
de esco las de Niterói, foi estabelecida a média
aritmética dê" 3,80 anos (maior portanto que a média
das dez cidades, que foi de 2,99) e um desvio padrão de
3,58.
Embora a maioria, conforme foi registrado acima,
indicasse um ano como o intervalo dominante,alguns
cur-sos apontaram dois anos: Filosofia, Ciências e
Letras (com 13,55% dos casos), Medicina (com 30,43%) e
Serviço Social (com 17,77%).
CURSO VESTIBULAR
68,09% freqüentaram cursos vestibulares; em Medi
cina esse índice quase alcançou a totalidade dos casos
(91,30%), o mesmo ocorrendo com Engenharia (92,50%); em
somente duas escolas a maioria não freqüentou cursos
vestibulares: Direito (58,18%) e Enfermagem (72,22%).
Foi de 1,36 a média aritmética e de 0,94 o desvio pa
drão encontrados para o conjunto de informantes nas dez"
Faculdades de Niterói, no tocante à duração dos cursos
preparatórios.
FREQUÊNCIA ANTERIOR EM CURSO UNIVERSITÁRIO
Apenas 7,14% freqüentaram outro curso superior de
graduação, pois 89,76% não o fizeram (3,09% não
respon-deram). Todos os cursos indicaram maioria na
segunda condição; examinando, porém, por escola, a
proporção dos que freqüentaram, nota-se que ela é mais
acentuada em Serviço Social (13,33%), Medicina
(10,86%), Direito (9.09%) e Odontologia (8,62%).
EXAMES VESTIBULARES
Quanto ao número de exames vestibulares para o
ra-mo de ensino que freqüentavam em 1965, 69,28%
indicaram üm exame e 11,19% dois exames; considerando
por faculda-de, nota-se que tôdas apontam um exame como
índice domi-nante. No curso de Enfermagem, esse índice
chega a 100%, enquanto Engenharia e Medicina acusam mais
diversifica-da proporção do número de anos - em
Engenharia, um exa-me engloba 42,50% dos casos, dois
exames 27,50%,três e xames 10,00%, quatro exames 10,00% e
cinco ou mais 10/30 % em Medicina, um exame abrange 30,4
3% das respostas,dois exames 21,73%, três exames
10,86%,quatro exames 15,21% e cinco ou mais, 15,20%.
No tocante ao número de exames vestibulares para
outra modalidade de ensino, a maioria não os fêz,sendo
de um exame o número dominante entre os que os fizeram.
É de se notar que, enquanto no cômputo geral um exame
atinge 13,09% e dois 5,71%, algumas faculdades apontam
índices mais avultados: 18,18% dos informantes de Farmá-
cia acusaram um exame e outros 18,18%,dois; em Veteriná-
ria, chega a 30,30% a proporção dos que fizeram um exa-
me e a 15,15% a de dois exames. Resumindo, para esse
úl-timo ramo de ensino, a proporção do número de exames
pa ra outra modalidade, superior à unidade,chega-se a 36,
36%, o mais alto índice encontrado entre as dez escolas
(pa-ra o conjunto, esse índice alcançou 9,49%).
TURNO
O turno diurno é, o da maioria dos
informantes,per fazendo 54,28% dos casos. Niterói é,
porém, a cidade de maior proporção dos que estudam ã
noite,com 4 5,71% dos casos, o que deve estar
relacionado as altas propor ções também ai encontradas
dos que têm trabalho remune-rado, são casados e têm
idade mais avançada.Alguns cur-sos são exclusivamente
diurnos, como Enfermagem,Engenha ria, Farmácia,
Medicina e Serviço Social; outros, exclu sivamente
noturnos, como Ciências Econômicas,Filosofia, Ciências
e Letras e Veterinária.
4 - Situação Econômica do Estudante
e de sua Família
NÚMERO DE ELEMENTOS DO GRUPO DOMÉSTICO COM RENDA
Em 8 3,09% dos casos, de uma a três pessoas do gru
po doméstico contribuem para o orçamento familiar,sendo
que a maioria dos informantes (36,19% do total) mencio
nou duas pessoas; foram obtidos a média aritmética de
2,08 e o desvio padrão de 1,24. No caso específico da
Escola de Serviço Social, o índice de 3 pessoas cobriu
40,00% dos casos.
NÍVEL DE OCUPAÇÃO DOS GENITORES
0 estudo do nível ocupacional dos genitores mas
culinos demonstrou que somente 0,47% viviam de renda. Ã
dotada a classificação de B.Hutchinson, em seis níveis,
observa-se que 57,84% dos pais têm ocupações compréendi-
das entre os níveis 3 e 6, ou seja, entre a categoria
de inspeção, supervisão e ocupações não manuais de pa_
drão baixo e a de profissionais e administradores; ape_
nas 11,89% exerciam ocupações de nível 1 (sem
habilida-des manuais ou semi-habilidades manuais) e 2
(habilida-des manuais). No caso de Farmácia (com
27,27%),Odontolo gia (com 22,40%) e Veterinária (com
21,21%), os índices referentes aos níveis 1 e 2 são
mais elevados; em con-trapartida, o curso de Engenharia
apresenta nada menos que 32,50% de casos no nível 6
(para o conjunto esse in dice é de 15,47%), o mais
elevado da classificação o-cupacional, subindo a
60,00% se forem considerados os níveis 5 e 6 (para o
conjunto das escolas esse índice foi de 26,89%).
OCUPAÇÃO REMUNERADA DA GENITORA
A maioria das mães é somente dona de casa (72,38%)
, fato que se reproduz em tôdas as escolas. Mas em
Ciên cias Econômicas (com 27,27%) e Enfermagem (com
27,27%), a proporção das que trabalhavam fora do lar é
bem expres siva. Dentre as que têm trabalho remunerado,
a maioria se distribui entre os níveis 2 e 5
(habilidade manual e dirigentes e executivos),
englobando 20,21% dos casos.
OCUPAÇÃO REMUNERADA DOS IRMÃOS
Somente 34,27% dos informantes declararam ter ir
mãos na faixa etária de 14 a 17 anos, sendo
insignifi-cante o caso dos que trabalham (0,47%), pois
a maioria se dedica exclusivamente aos estudos. Não
houve caso al-gum de irmão menor com ocupação
simultânea de trabalho remunerado e estudo.
Quanto aos de 18 ou mais anos, 48,30% dos infor
mantes alegaram ter irmãos trabalhando,predominando nes
se caso o nível 4 da escada de Hutchinson. O nível
2(ha-bilidade manual), porém, predominava em Farmácia
(24,24%) e Veterinária (21,21%). Para o conjunto de
escolas,atin giu a 17,14% a proporção dos informantes
que alegaram ter irmãos estudantes e há 29,14% de
casos sem respos ta, o que pode ser explicado pela
ausência de irmãos nesta faixa etária.
As percentagens relativas a nível de ocupação de
pais e irmãos dos estudantes universitários de Niterói
são apresentados no Quadro 5.
QUADRO 5
Nível de Ocupação de Pais e Irmãos do
Estudante Universitário*
* Dados referentes à primeira série dos cursos
Univer-sitários de graduação,sediados em Niterói,em
1965¿
** Considerado o nível mais baixo de ocupação observado
para os irmãos de cada informante.
OCUPAÇÃO REMUNERADA DO ESTUDANTE
A maioria dos primeiranistas de Niterói exerce
atividades remuneradas (59,28%); o oposto ocorre porém
em Medicina, em que 84,78% não exercem, em Enfermagem
(77,77%) e em Engenharia (77,50%). A proporção maior de
estudantes trabalhando ocorreu em Direito (85,45%), Fi
losofia, Ciências e Letras (81,35%) e Serviço Social
(77.77%).
Niterói foi, das dez cidades estudadas, a que a
presentou a mais baixa proporção de estudantes dedica
dos somente ao estudo(39,52%), o que pode ser explica
do em função das variáveis maior proporção de estudan-
tes casados, mais idosos e de cursos noturnos.
NÍVEL OCUPACIONAL
Quanto ao nível de ocupação, o mais apontado foi o
4 (inspeção, supervisão e outras ocupações não manuais
de padrão alto), com 24,52%. Considerando, entre as di-
ferentes faculdades, para fins de confronto, os dois ní-
veis mais baixos da escala, há maior número de casos em
Farmácia (21,21%), Odontologia (22,41%) e Veterinária
(21,21%).
ENTIDADE PATRONAL
Trabalhavam para órgãos governamentais 36,90% dos
informantes e 18,57% para firmas particulares. Somente
em Ciências Econômicas e Engenharia a situação era in
versa; no primeiro caso, é de 51,51% e 18,18% a propor
ção dos que trabalham respectivamente em emprêsas
parti-culares e estatais; no segundo caso, 10,00% e
7,50%.
CARGA HORÁRIA SEMANAL E MOTIVOS PARA 0 TRABALHO
O exercício de ocupação remunerada se fazia na
carga horária semanal de 17 a 24 horas ( 40,23% dos ca
sos ); dentre os motivos alegados para o trabalho figu
ram em primeiro lugar a necessidade econômica da fami_
lia paterna (22,61%), desejo de independência finan-
ceira (14,04%) e a vontade de experiência profissionar
(10,95%). Essa ordem de motivos é a mesma alegada no
conjunto das dez cidades.
TEMPO DE TRABALHO
Em mais da metade dos casos (52,61%), o exercício
da ocupação remunerada se fazia antes de iniciado o cur
so. Em Direito essa proporção é maior, 78,18%. 0 tempo
de trabalho que prepondera é um ano (7,61%) e 31,40%
dos que responderam se acham nos casos de 1 a 5 anos.
Para esse dado foi encontrada a média aritmética 6,92 e
o desvio padrão 6,42, tendo em vista que em 15,20% dos
casos o tempo apontado é de 10 ou mais anos. Considerar
do por escolas, as médias maiores de tempo de trabalho
ocorreram em Direito (11,11) e Enfermagem (9,50).
UTILIZAÇÃO DO SALÁRIO
O aluno solteiro, em 15,47% dos casos,auxilia nas
despesas da família sendo de 14,28% a proporção dos que
custeiam com seu salário tôdas as despesas individuais
e também de 14,28% a dos que o faziam só em parte.
Quando casado, o estudante custeia tôdas as despe
sas da família (6,90%) e, em proporção menor, parte de
ias (3,57%). Dos informantes, 85,95%, todavia, não res
ponderam esse quesito, pois é pequena a proporção dos
casados.
AJUDA MONETÁRIA DA FAMÍLIA
54,76% dos alunos alegaram receber ajuda monetá
ria da família e 42,61% o oposto. Vale notar que Nite
rói foi, das dez cidades examinadas, a que apontou mais
alta percentagem de alunos que não recebem ajuda finan
ceira do grupo doméstico.
PROPRIEDADES
No tocante a posse de bens móveis e imóveis, ape
nas 11,90% alegaram que suas famílias não os tinham de
espécie alguma. Essa resposta negativa foi mais acentua
da em Farmácia (com 33,33%), Veterinária (com 18,18%)
e Ciências Econômicas (com 15,15%). Um grande número de
famílias dos estudantes (38,09%) possui uma casa (em Me
dicina, 60,86% e em Engenharia 57,50%) ou duas (9,28%);
um apartamento (17,38%) ou dois (6,66%); um terreno ou
sítio (12,14%) ou dois (1,66%); uma fazenda(5,95%); uma
emprêsa comercial (8,57%) ou duas (1,19%), uma emprêsa
industrial (3,80%); um automóvel (20,23%;em Engenharia,
40,00%) ou dois (5,23%) e nenhum título ou apólice(99,28%).
Os índices relativos a tipo e número de proprieda
des são apresentados no Quadro 6.
QUADRO 6
Tipo e Número de Propriedades da Família
do Estudante Universitário*
Dados referentes ã primeira série dos cursos univer
sitários de graduação, sediados em Niterói,em 1965.
ENTIDADE MANTENEDORA DA ESCOLA MÉDIA
42,61% dos informantes cursaram o nível médio so
mente em escolas particulares, 40,71% em escolas públi
cas e particulares e 15,23% somente em escolas públicas.
O estudo simultâneo em escolas públicas e particulares
durante o nível médio constitui a maioria em alguns ra
mos: Enfermaqem (50,00%), Farmácia (51,51%), Medicina
(54,34%) e Serviço Social (42,22%). Finalmente, a maio
ria dos informantes não recebeu bolsas de estudos duran
te o curso médio (somente 15,47% obtiveram bolsas).
III - Conclusões
Os dados obtidos de 420 primeiranistas de Niterói
em 1965 permitem elaborar, a respeito distes, as seguin
tes observações gerais:
1 - escolas de Niterói (entre as das dez capitais
estudadas) apresentando proporção mais acen
tuada de primeiranistas com idade elevada(com
34 e mais anos), casados, estudando ã noite e
não tendo ingressado no curso superior imedia
tamente após o término do curso médio,alem de
menor proporção de alunos dedicados exclusiva
mente aos estudos (sem ocupação remunerada);
2 - maioria de informantes do sexo masculino, sol.
teiros, com idade variando entre 18 e 22 anos;
brasileiros, nascidos em zona urbana, predomi
nando os naturais do Estado do Rio de Janei
ro;
3 - família com um pequeno número de membros, os
universitários morando com os pais em Niterói;
pais brasileiros, sendo variado o seu nível
de instrução havendo uma maioria com curso
primário ou médio; irmãos dos estudantes com
nível de escolaridade inferior ao esperado pa
ra a respectiva idade cronológica;
4 - dois elementos do grupo doméstico com renda
ou salário; genitores masculinos exercendo o
cupações do tipo médio ou superior, segundo
a escada de Hutchinson, sendo raras as mães
dedicadas a atividades remuneradas ; irmãos com
18 ou mais anos com ocupações de tipo médio;
irmãos menores, em geral, dedicados unicamen
te ao estudo;
5 - maioria dos primeiranistas exercendo ativida
de remunerada, dedicando-se a ocupações do tï
po médio, em emprêsas estatais ou particul£
res, sob regime de tempo parcial, alegando ne
cessidade econômica da família paterna, haven
do iniciado o trabalho antes do ingresso na
escola superior ( em prazo igual ou inferior
a cinco anos), utilizando o salário para auxi
liar as despesas do grupo doméstico ( quando
solteiro ) e custeando tôdas as despesas da
família (quando casado);
6 - maioria das famílias possuindo bens,sendo va
riado o tipo e número de propriedades; mais"
freqüentes casas, automóveis, apartamentos,si
tios ou terrenos.
7 - maioria dos alunos tendo cursado tão somente
escolas médias, particulares, nao tendo se be
neficiado, nesse período, de bolsas de estu
do.
CAPÍTULO 8
Caracterização Socio-Econòmica do
Estudante Universitário do Rio de Janeiro
I - Aplicação da pesquisa no Rio de Janeiro
Na Guanabara, foram pesquisadas 54 escolas su
periores, totalizando 4.386 primeiranistas. 0 número
de questionários computados e a relação entre iste nume
ro e a matrícula, em junho de 1965, para cada uma das
Faculdades estudadas são apresentados no Quadro 1.
II - Resultados obtidos
Utilizando a classificação em quatro categorias,
podemos apresentar, para o Rio de Janeiro, os seguintes
resultados:
1-0 estudante
SEXO
64,77% dos estudantes universitários da Guanabara
são do sexo masculino, havendo, no entanto, grandes va
riações do predomínio de um ou outro sexo, conforme se
considerem os casos particulares de universidades ou fa_
culdades.
Ha escolas de freqüência nitidamente masculina,co
mo, por exemplo, as de administração (FAF-UEG; 85,48% e
EBAP: 80,32%), as de ciências econômicas (FCE-UFRJ:
89,73%; FCE-UEG: 80,72%; FEFRJ: 88,63%; FCPERJ: 93,49%
e FCECARJ: 89,39%), as de engenharia (EE-UFRJ: 96,78%;
EE-UEG: 98,30% e EP-PUCRJ: 94,02%) e algumas escolas de
medicina (FM-UFRJ: 87,50% e FHRJ: 85,96%); o mesmo ocor
re no Instituto Rio Branco (100,00%), na Faculdade de
Ciências Jurídicas do Rio de Janeiro (84,44%),na Escola
Nacional de Ciências Estatísticas (84,33%),na Escola Na
cional de Geologia (85,71%) e na Escola de Q uí nica
(82,05%) .
O sexo feminino representa a quase totalidade das
matrículas nas escolas de biblioteconomia (EBDISU-PÜCRJ:
94,44% e CBBN: 87,87%), nas de enfermagem (EEAN-UFRJ:
97,77%, EERHL-UEG: 95,00%, EELM-PUCRJ: 100,00% e EEAP:
83,33%), em algumas escolas de filosofia (FFCL - PUCRJ:
90,96% e FFCLISU-PUCRJ: 86,66%), nas de nutrição (IN-
UFRJ: 100,00% e ECN: 84,00%) e em certas escolas de Ser
viço Social (ESS-PUCRJ: 95,00%; FSS-UEG: 85,18% e CSSE
EAN-UFRJ: 8 0,00%) e na Academia de Musica Lorenzo Fer
nandez (100,00%).
0 predomínio relativo da matrícula feminina é ob
servado nas seguintes faculdades: Escola de Belas-Artes
(78,46%), Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da
Universidade do Estado da Guanabara (67,29%), Faculdade
de Filosofia de Campo Grande [63,38%), Curso de Museus
do Museu Histórico Nacional (73,91%), Conservatório Bra
sileiro de Musica (62,50%), Faculdade de Serviço SociaT
do Rio de Janeiro (76,19%) e Faculdade de Serviço So
ciai da Guanabara (75,00%).
ESTADO CIVIL
Apenas 20 dos 4.386 primeiranistas que responde
ram ao questionário na Guanabara são separados ou desquT
tados (0,45% do total) e o número de viúvos é ainda me"
nor: 10 alunos.
Embora a maioria dos estudantes seja solteira
(87,55%), a proporção de casados é razoável (11,42% dos
informantes). Algumas escolas apresentam uma percentagem
de estudantes casados_superior a_20%; ê o que se verifi
ea na Faculdade de Ciências Econômicas, Contábeis e Atui"
riais do^Rio de Janeiro (28,78%), na Faculdade de Ciên
cias Políticas e Econômicas do Rio de Janeiro (24,39%),
na Faculdade de Economia e Finanças do Rio de Janeiro
(32,57%), na Faculdade Brasileira de Ciências Jurídicas
(28,57%), na Faculdade de Ciências Jurídicas do Rio de
Janeiro (35,55%), na Faculdade de Filosofia, Ciências e
Letras do Rio de Janeiro (30,00%), na ' Faculdade de Filo
sofia de Campo Grande (33,33%) ,no Conservatório Brasile!
ro de Música (25,00%) e na Faculdade de Serviço SociaT
da Guanabara (25,00%). Tôdas estas faculdades pertencem
ao grupo de estabelecimentos isolados de ensino superior
na Guanabara.
NÚMERO DE FILHOS
11,42% dos estudantes são casados e 9,75% têm fi
lhos; o número de filhos varia, em sua maioria, de 1 a
3 (8,38% dos informantes), sendo 2,11 a média aritmética
e 1,20 o desvio padrão. Em alqumas escolas, mais da quin
ta parte dos universitários têm de 1 a 3 filhos, e o ea
so da Faculdade de Ciências Econômicas, Contábeis e AtUci
riais do Rio de Janeiro (22,72%) , da Faculdade de Econo
mia e Finanças do Rio de Janeiro (22,71%) , da Faculdade
Brasileira de Ciências Jurídicas (21,29%), da Faculdade
de Ciências Jurídicas do Rio de Janeiro (26,76%) e da
Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras do Rio de Ja
neiro (22,39%).
O conjunto de estabelecimentos isolados da Guaná
bara apresenta proporção elevada de estudantes com 1 a_3~
filhos (16,21%). Deve ser assinalado que esta taxa é cêr
ea do dobro da percentaqem encontrada para os alunos da
Universidade do Estado da Guanabara (6,13%), o triplo da
verificada na Universidade Federal do Rio de Janeiro
(4,71%) e sete vêzes maior oue o índice obtido para a
Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (2,34%).
IDADE
53,68% dos primeiranistas do Rio de Janeiro têm
idades compreendidas entre 18 e 21 anos; apenas 21 estu
dantes (correspondendo a 0,47% dos informantes) aleqaram
a idade de 17 anos e 5,40%' dos universitários declararam
34 ou mais. Considerando-se o total dos alunos que fo_
ram estudados a média aritmética é de 22,58 anos e o des_
vio padrão iqual a 5,67.
Da mesma maneira que em relação a estado civil e
número de filhos, os estabelecimentos isolados^em conjun
to apresentaram resultados mais altos: idade média iquaT
a 25,05 e desvio padrão, 6,70.
As médias aritméticas e os desvios encontrados em
relação a idade cronológica, para cada estabelecimento
de ensino superior, são apresentados no Quadro 2.
QUADRO 2
Idade Cronológica do Estudante
Universitário da Guanabara *
Quadro 2 (continuação)
* Dados relativos ã primeira série dos cursos univers^
tários de graduação em 1965.
Algumas escolas têm médias de idade superiores a
25 anos, como a Escola de Musica da Universidade Federal
do Rio de Janeiro (25,75%), a Faculdade Brasileira de
Ciências Jurídicas (26,92), a Faculdade de Ciências Juri^
dicas do Rio de Janeiro (29,03), a Faculdade de Direito
Cândido Mendes (25,77), a Faculdade de Economia e Finan
ças do Rio de Janeiro (26,36), a Faculdade de CiênciasPo
líticas e Econômicas do Rio de Janeiro (25,95) , a Escola
de Enfermagem Alfredo Pinto (26,75)*, a Faculdade de Filo
sofia, Ciências e Letras do Rio de Janeiro (25,69),o Con
servatório Brasileiro de Musica (26,50) e a Faculdade de
Serviço Social da Guanabara (26,00).
Quadro 2 (continuação)
Muitas dessas faculdades forarn mencionadas quando
analisamos o estado civil e a existência de prole, suge
rindo a relação entre estes elementos e idade cronolõgT
ea, mesmo quando o indivíduo mantém a condição de estü"
dante. "
NACIONALIDADE E NATURALIDADE
A quase totalidade dos universitários da cidade
do Rio de Janeiro (94,82%) é brasileira; os estudantes
estrangeiros, em sua maioria, são oriundos de países Ia
tino-americanos (2,27% do total de informantes) e de Por
tugal (1,00%). Predominam, entre os brasileiros, os indi
viduos nascidos na própria localidade (56,01%), embora
exista um número razoável de alunos naturais do Estado
do Rio de Janeiro (9,48%).
A presença de fluminenses nas faculdades da Guaná
bara pode ser explicada, entre outras causas, pela proxi
midade geográfica entre os dois Estados e a matricula
de alunos nascidos em_outros países latino-americanos po
de ser devida 5 existência de convênios de intercâmbio
universitário. Parece, no entanto, que outros elementos
determinam o fenômeno.
Em certas escolas, aumenta o número de alunos es
trangeiros; e o caso da Faculdade de Arquitetura(17,96%),
da Escola de Enfermeiras Ana Néri (22,22%), da Faculdade
de Farmácia (31,25%), da Escola de Sociologia e Política
(12,69%), da Escola de Enfermagem Raquel Haddock Lobo
(10,00%), da Escola de Engenharia da Universidade do Es
tado da Guanabara (11,01%), da Escola de Desenho Indus
trial (13,63%) , da Escola de Enfermagem Alfredo Pinto
(16,66%), da Escola Nacional de Geologia (21,42%), da Es
cola de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro (10,82%) è~
da Escola Central de Nutrição (12,00%) .
Por outro lado, o número de estudantes naturais da
cidade do Rio de Janeiro é relativamente menor em deter
minados estabelecimentos de ensino superior, como, por
exemplo, na Escola de Enfermeiras Ana Néri (22,88%), na
Faculdade de Farmácia (31,25%), na Faculdade de Medicina
da Universidade Federal do Rio de Janeiro (36,93%),na Es_
cola de Enfermagem Raguel Haddock Lobo (35,00%), na Fã
culdade de Ciências Medicas (46,72%), na Escola de Enfer
magem Luiza de Marillac (22,22%), na Faculdade de Filoso
fia, Ciências e Letras de Instituto Santa Úrsula(43,33%),
na Faculdade de Economia e Finanças do Rio de Janeiro
(49,24%), no Instituto Rio Branco (25,00%), na Faculdade
de Ciências Jurídicas do Rio de Janeiro (45,18%), nã E£
cola de Enfermagem Alfredo Pinto (16,66%), na Escola de
Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro (38,70%), nã Facul^
dade de Medicina do Rio de Janeiro (42,10%) e nã Escola
Central de Nutrição (48,00%).
A presença, em determinados estabelecimentos de
ensino, de um maior número de alunos estrangeiros e de
brasileiros não naturais do Rio de Janeiro sugere a pos_
sibilidade do deslocamento de estudantes para a Guanaba
ra, visando seguir especificamente um determinado ramo
de ensino ou freqüentar uma determinada escola.
TEMPO DE MORADIA NA CIDADE
Considerados todos os primeiranistas do Rio de Ja_
neiro, verificamos que 17,0 5% vivem na Guanabara há dez
ou mais anos e que 10,00% residem neste Estado em um pe
riodo de tempo não superior a 3 anos; este último grupo
englobaria, certamente, os indivíduos que se teriam de£
locado para a localidade com o objetivo de freqüentar es_
colas de nível superior.
A pesquisa não procurou determinar os motivos des_
ta transferência do domicílio estudantil, de tal forma
que somente hipóteses podem ser oferecidas e não fatos.
No entanto, não deixa de ser curioso que, em determina
das faculdades, haja um grande número de alunos com resT
dência no Rio de Janeiro inferior a 2 anos; tais esco
las são: Escola de Enfermeiras Ana Neri (26,66%)dos prX
meiranistas), Faculdade de Farmácia (18,75%), Faculdade
de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro
(15,90%), Escola de Enfermagem Raquel Haddock Lobo (30,00%),
Escola de Enfermagem Luiza de MariLac (33,33%), Faculda
de de Filosofia, Ciências e Letras do Instituto Santa Or
sula (13,33%), Escola de Sociologia e Política da Pontr
fícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (12,69%),
Escola Brasileira de Administração Publica (11,47%), Es
cola Nacional de Geologia (21,42%), Escola de Medicina
e Cirurgia do Rio de Janeiro (16,12%) e Faculdade de Me_
dicina do Rio de Janeiro (22,80%).
Varias dessas faculdades foram mencionadas em pa
rãgrafos anteriores, ao serem comentadas a nacionalidade
e a naturalidade dos primeiranistas do Rio de Janeiro, o
que a nosso ver serve de elemento de reforço para a te
se da mudança domiciliar com a finalidade de seguir estu
dos superiores.
LOCAL DE NASCIMENTO
A grande maioria dos universitários da Guanabara
(88,50%)dos informantes) nasceu em zona urbana; há entre
tanto, grandes variações de acôrdo com a universidade e
com a escola que se considera.
A Pontifícia Universidade Católica do Rio de Ja
neiro se apresenta com a menor percentagem de estudantes
nascidos em zona ruraj. ^3,14%). Por outro lado, em três
faculdades esta proporção é superior a 20% dos alunos: a
Faculdade de Serviço Social da Universidade do Estado da
Guanabara (25,92%), a Faculdade de Ciências Jurídicas do
Rio de Janeiro (22,96%) e a Escola de Enfermagem Alfredo
Pinto (33,33%).
COMENTARIOS
Considerações a respeito do sexo, estado civil,
idade e naturalidade do primeiranista foram feitas no ea
pítulo "Caracterização Socio-Econômica do Estudante UnT
versitário - Dados Gerais", não sendo necessária aqui a
repetição das mesmas.
Há, no entanto, um dado que merece uma análise
mais demorada. Tomados os universitários cariocas,em con
junto, já fizemos referência a que a maioria nasceu na
Guanabara, havendo, um número apreciável de estudantes
naturais do Estado do Rio de Janeiro. Ao se fazer,entre
tanto, o estudo individual dos ramos de ensino ou mesmo
das faculdades, verifica-se que em muitos casos aumenta
quer o número de estranerei ros, queç a proporção de brasi^
leiros oriundos de outros Estados. Ê o que se observa,
por exemplo, nas escolas de enfermagem e em algumas fa_
culdades de medicina.
A ser estável tal tendência e não unicamente fru
to de peculiaridades do primeiranista de 1965, seria o
caso de se estudar o destino destes alunos, verificando
de sua permanência ou não na capital onde freqüentaram
escolas de nível superior; na realidade, duas situações
poderão ocorrer: os alunos se radicam na Guanabara, ou
pelo contrário, este Estado funciona como escola de for.
mação para outras unidades federadas brasileiras. O co
nhecimento desta realidade e, obviamente, de suas cau
sas, ê fundamental para o estabelecimento de uma adequa^
da política educacional universitária,principalmente por
suas repercussões na área da oferta e procura no mercado
de trabalho.
2 - A família
NÚMERO DE ELEMENTOS DO GRUPO DOMÉSTICO
73,09% das famílias dos primeiranistas têm de 3 a
6 elementos, sendo 4,94 a média aritmética e 2,34 o des_
vio padrão. Ha variações deste número de acôrdo com a es_
cola considerada sendo que, em alguns estabelecimentos,a
média aritmética do numero de pessoas do grupo-doméstico
é superior a 6 : na Escola de Enfermeiras Ana Néri (6,64),
no Curso de Serviço Social da Escola de Enfermeiras Ana
Néri (6,50), na Escola de Enfermagem Luiza de Marillac
(6,50) e na Escola de Enfermagem Alfredo Pinto (6,40).
PAIS FALECIDOS
0 número de pais falecidos é apreciável (15,68%),
sendo que tal proporção baixa para os alunos da Pontifí
cia Universidade Católica do Rio de Janeiro (8,44%)e au
menta para o conjunto de estabelecimentos isolados (20,99%7.
Em certas faculdades, o número de primeiranistas
órfãos de pai é superior a 20%; é o caso da Escola de
Educação Física e Desportos (22,95%), da Faculdade de
Farmácia (43,75%), do Instituto de Nutrição (27,27%), do
Curso de Serviço Social da Escola de Enfermeiras Ana Ne
ri (25,00%), da Faculdade de Ciências Econômicas da Uni
versidade do Estado da Guanabara (25,30%), da Escola de
Enfermagem Raquel Haddock Lobo (35,00%), da Escola de En
fermaqem Luiza Marillac (44,44%), da Escola Brasileira
de Administração Pública (26,22%), da Faculdade de Ciên
cias Econômicas, Contábeis e Atuariais do Rio de Janeiro
(28,78%), da Faculdade Brasileira de Ciências Jurídicas
(25,56%), da Faculdade de Ciências Jurídicas do Rio de
Janeiro (32,59%), da Faculdade de Filosofia de Campo
Gran-de (33,33%), do Conservatório Brasileiro de Música
(50,03%) da Escola Central de Nutrição, da Faculdade de
Serviço So cial da Guanabara (25,00%) e da Faculdade de
Serviço So cial do Rio de Janeiro (28,57%).
MÃES FALECIDAS
O número de universitários órfãos de mãe ê sensi
velmente menor: 6,56% do total de primeiranistas que res_
ponderam ao questionário na Guanabara. Da mesma maneira
que em relação ao pai, poucos alunos da Pontifícia Uni-
versidade Católica do Rio de Janeiro assinalaram mãe fa
lecida (3,73%), enquanto tal proporção aumenta para o con
junto de estabelecimentos isolados (9,39%).
Ha também variações de acôrdo com a escola, deven
do ser observado que, em certos estabelecimentos, a pro
porção de mães falecidas ultrapassa 10% do total de pri-
meiranistas: Escola de Música da Universidade Federal do
Rio de Janeiro (12,50%), Escola de Enfermagem Raquel Had
dock Lobo (25,00%), Escola de Enfermagem Luiza de Maril-
lac (11,11%), Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras"
do Instituto Santa Úrsula (11,66%), Faculdade de Economia
e Finanças do Rio de Janeiro (16,66%), Faculdade Brasi
leira de Ciências Jurídicas (14,28%), Faculdade de
Ciên-cias Jurídicas do Rio de Janeiro (11,85%), Escola
de En-fermagem Alfredo Pinto (50,00%), Faculdade de
Filosofia de Campo Grande (13,33%), Conservatório
Brasileiro de Mú sica (25,00*), Escola Central de
Nutrição (12,00%) e Fa-culdade de Serviço Social da
Guanabara (20,00%).
PAIS DESQUITADOS OU SEPARADOS
A grande maioria dos pais (80,05%) reside com a fa
mília sendo pequeno o número de casais separados ou des_
quitados (6,04%). A proporção de pais separados ê maior
nas seguintes faculdades: Faculdade de Ciências Econômi-
cas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (11,16%) ,
Escola de Enfermeiras Ana Néri (15,55%), Escola de
Enfer-magem Raquel Haddock Lobo (10,00%), Faculdade de
Serviço Social da Universidade do Estado da Guanabara
(11,11%), Faculdade de Direito da Pontifícia
Universidade Católica do Rio de Janeiro (12,82%),
Faculdade de Direito cândido Mendes (10,90%), Escola
Nacional de Geologia (14,28%),Fa culdade de Serviço
Social da Guanabara (15,00%) e Facul-dade de Serviço
Social do Rio de Janeiro (14,28%).
LOCAL DE MORADIA DOS PAIS
Um outro elemento deve ser mencionado em relação
ã composição do grupo doméstico do estudante universitá
rio: 61,92% dos pais e 70,42% das mães vivem no Rio de
Janeiro, sendo que 66,37% dos primeiranistas alegam resi
dir no domicílio da família paterna e 10,82% com o
cônjuge.
Fazendo-se um estudo mais detalhado verifica-se
que em muitas escolas é relativamente grande o número de
pais que vivem em outros pontos do território brasilei-
ro; é o que se observa, por exemplo, na Faculdade de Di
reito da Universidade Federal do Rio do Janeiro(21,47%),
na Escola de Enfermeiras Ana Néri (37,77% para o genitor
e 40,00% para a mãe), na Faculdade de Farmácia (25,00% pa
ra o pai e 31,25% para a genitora), na Faculdade de
Medi-cina da Universidade Federal do Rio de Janeiro
(44,31% e 44,88%, respectivamente), no Curso de Serviço
Social da Escola de Enfermeiras Ana Néri (20,00% e
25,00%,respecti vamente), na Escola de Enfermagem Raquel
Haddock Lobo (40,00% dos pais e 35,00% das mães), na
Escola de Enge nharia da Universidade do Estado da
Guanabara (22,03% ), na Faculdade de Ciências Medicas
(30,84% dos genitores e 32,71% das genitoras), na Escola
de Enfermagem Luiza de Marillac (44,44% dos pais e
55,55% das mães), na Faculda-de de Filosofia, Ciências e
Letras do Instituto Santa Or sula (33,33% para os
genitores e 31,66% para as genito ras) , na Escola de
Serviço Social da Pontifícia Universi dade Católica do
Rio de Janeiro (15,00% e 20,00% respec tivamente), na
Faculdade de Ciências Políticas e Econômi cas do Rio de
Janeiro (21,13% e 22,76%, respectivamente na Faculdade
de Economia e Finanças do Rio de Janeiro (22,72% para o
genitor e 20,45% para a Genitora), no Ins tituto Rio
Branco (25,00%) , na Escola de Medicina e CT rurgia do
Rio de Janeiro (40,86% para o pai e 43,01% pa ra a
mãe), na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro
(50,87% para o genitor e 52,63% para a genitora) e no Con
servatório Brasileiro de Musica (25,00% dos pais).
As diferenças percentuais encontradas para a si-
tuação de cada genitor podem ser explicadas pelo faleci-
mento de um deles ou pela existência de casais separados
ou desquitados. Apesar dessas pequenas diferenças, os da
dos sugerem que para determinados ramos de ensino ou mes
mo para escolas específicas, haja migração do estudante,
o que levanta para a faculdade problemas sérios de aten
dimento desta clientela não natural da cidade sede da es
cola.
NACIONALIDADE DOS PAIS
A maioria dos pais dos primeiranistas da Guanaba
ra é brasileira (83,44% para o pai e 88,18% para a mãe),
havendo predomínio entre os estrangeiros dos latino-ame
ricanos (5,76% dos genitores e 3,46% das genitoras) e
dos portuguêses (2,53% e 2,59%, respectivamente).
Ha variações de escola a escola, devendo ser men
cionado que na Escola de Arquitetura 25,56% dos pais e
20,31% das mães são estrangeiros; na Escola de Enfermei-
ras Ana Néri, os índices sao, respectivamente, 28,88% e
22,2%; na Faculdade de Farmácia, a proporção de pais não
brasileiros atinge a 31,25% do total de informantes. Ou
tras escolas podem ser ainda citadas: a de Desenho Indui"
trial (27,27% dos pais e 22,72% das mães) e a Escola Na
cional de Geologia (42,85% dos genitores e 21,42% das ge
nitoras).
Se considerarmos agora os casos em que apenas um
dos genitores seja estrangeiro, dando realce às escolas
em que tal índice ultrapasse a quinta parte dos informan
tes, teremos os seguintes estabelecimentos: Escola de En
genharia da Universidade do Estado da Guanabara: 22,88%
dos genitores (sexo masculino), Escola de Enfermaqem Al
fredo Pinto: 33,33% dos pais (sexo masculino). Escola de
Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro: 24,73% dos pais
(sexo masculino) e Conservatório Brasileiro de Música:
25,00% dos genitores (sexo masculino).
NÍVEL DE INSTRUÇÃO DO PAI
0 nível de instrução do pai varia conforme se con
sidere uma dada universidade ou uma determinada escola.
O Quadro 3 apresenta a distribuição percentual dos ní
veis de instrução dos genitores dos primeiranistas do
Rio de Janeiro, segundo as universidades pesquisadas.
* Dados referentes aos pais de alunos matriculados _na
primeira série dos cursos universitários de graduação,
sediados no Rio de Janeiro, em junho de 1965.
Algumas considerações podem ser feitas em relação
ao quadro acima. Em primeiro lugar deve ser ressaltada a
distribuição quase que equitativa dos pais pelos tres
grandes escalões do ensino: 23,66% com nível de instru
ção primária, 31,81% com instrução média e 37,27% com
instrução superior. Observa-se, contudo, que no grupo de
indivíduos com nível de escolaridade média, predominam
aquêles com segundo ciclo completo, com o que, talvez,se
possa distinguir dois grandes grupos: pais com instrução
elementar e responsáveis com término de escola secunda
ria ou educação superior. Por outro lado, é flagrante o
melhor nível de instrução dos pais dos estudantes da Pon
tifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro: 63,06%
com diplomas de cursos universitários.
Além disso, há variações de nível de instrução do
genitor de escola para escola. Em alguns estabelecimen
tos, mais de 40% dos pais têm curso superior completo: é
o caso da Escola de Belas-Artes (47,69%), da Escola de
Química (41,02%), da Faculdade de Direito da Universida
de do Estado da Guanabara (40,82%), dos Cursos de Biblio
teconomia da Biblioteca Nacional (42,42%), da Escola de
Desenho Industrial (59,09%), do Instituto Rio Branco
QUADRO 3
Nível de Instrução do Pai, segundo a
Universidade freqüentada p
e
lo Informante *
(75,00%), da Escola Nacional de Geologia (42,85%) e do
Curso de Museus do Museu Histórico Nacional (65,21%). De
ve ser mencionado que duas escolas se apresentam como ex
ceção na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Ja_
neiro: a Escola de Enfermagem Luiza de Marillac onde o
nível mais alto de instrução do pai é o ciclo ginasial
completo (representando 22,22% dos casos) e a Faculdade
de Filosofia, Ciências e Letras do Instituto Santa Orsu
la, na qual o número de pais com diploma superior só a
tinge a 38,33% dos estudantes.
Se compararmos o nível de instrução dos pais dos
universitários da Guanabara com o observado para o con
junto das dez cidades estudadas, verificamos que, no Rio
de Janeiro, é sensivelmente mais alto o nível de escola
ridade dos genitores: 34,11% dos pais dos 17.956 infor
mantes tinham apenas nível de escola primária, completa
ou incompleta *; para a cidade do Rio de Janeiro esta
percentagem desee a 23,80%.
NÍVEL DE INSTRUÇÃO DA MÃE
De um modo geral a escolaridade alcançada pelas
mães dos primeiranistas é inferior ã do pai. O Quadro 4
mostra a distribuição dos níveis de instrução das genito
ras, segundo as universidades cursadas pelos infor_
mantes.
Ver, a respeito, o capítulo "Características gerais
do estudante universitário".
* Dados referentes ãs mães dos alunos matriculados na
primeira série dos cursos universitários de graduação,
sediados no Rio de Janeiro em junho de 1965.
Novamente a Pontifícia Universidade Católica do
Rio de Janeiro apresenta níveis mais altos de instru
ção, quando comparada com as demais universidades e o con
junto de estabelecimentos isolados: é menor a taxa de ge
nitores com instrução primária e maior a proporção com
escolaridade média e superior.
Fazendo-se o estudo individual das escolas, nota
mos faculdades com percentagens relativamente altas de
mães com diplomas universitários, podendo ser menciona
dos o Instituto de Nutrição (18,18%), o Curso de Serviço
Social da Escola de Enfermeiras Ana Néri (20,00%), a Es
cola de Biblioteconomia e Documentação do Instituto San
ta Úrsula (22,22%), a Faculdade de Direito da Pontifícia
Universidade Católica do Rio de Janeiro (23,07%), a Esco
la de Serviço Social (30,00%) e a Escola de Sociologia e
Política (20,63%) da mencionada universidade, a Escola
Nacional de Geologia (28,57%) e o Curso de Museus do
Mu-seu Histórico Nacional (34,78%). Duas faculdades
apresen tarn uma proporção relativamente alta de mães
analfabetas a Escola de Enfermeiras Ana Néri (6,66%) e a
Escola de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro (4,30%).
As mães dos universitários da Guanabara têm nível
de instrução superior ao verificado para o conjunto dos
QUADRO 4
Nível de Instrução da Mãe, segundo a
Universidade freqüentada
p
elo Infornante
*
dez centros urbanos pesquisados; é o que se observa atra
vés dos seguintes dados: 24,94% das genitoras dos
primei-ranistas da cidade do Rio de Janeiro tinham
escolaridade limitada ao nível elementar primário
(completo ou incom-pleto); para o total das dez
localidades estudadas*, ã proporção encontrada foi de
40,99%.
NÍVEL DE INSTRUÇÃO DOS IRMÃOS
De uma forma geral o nível de instrução dos irmãos
acompanha o que seria de esperar para a respectiva idade
cronológica, conforme se verifica no Quadro 5. Neste qua
dro, assinalamos o nível de instrução mais baixo verifi
cado para os irmãos de cada informante nas faixas etári
as de 11 a 14 anos, de 15 a 17 e de 18 e mais anos.
QUADRO 5
Nível de Instrução dos Irmãos do
Estudante Universitário *
* Dados referentes aos irmãos dos alunos matriculados na
primeira série dos cursos universitários de graduação,
sediados no Rio de Janeiro em junho de 1965.
** Assinalado o nível mais baixo encontrado para os ir
mãos de cada informante na respectiva faixa etária.
Ver, a respeito, o capítulo "Características gerais
do estudante universitário".
A análise do Quadro 5 demonstra ser grande o núme
ro de universitários que alegaram inexistência de irmãos
entre 11 e 17 anos. No caso específico dos irmãos entre
11 e 14 anos, predominam aquêles com ginasial incompleto
(13,01%), o que seria a escolaridade esperada para a ida-
de; em apenas 3 casos há referência a irmãos analfabetos
ou que saibam 1er e escrever sem ter freqüência regular
ã escola primária (representando 0,06% do total de infor
mantes para a Guanabara), o que pode ser devido a
proble-mas particulares de tais crianças. Em relação ao
grau de escolaridade atingido pelos irmãos nesta faixa
etária, (11 a 14 anos), não há variações quando se faz o
estudo individual quer de universidades quer de
faculdades.
A grande maioria dos irmãos de 15 a 17 anos se en
contra na escola média (26,26%), sendo que apenas em 1/16%
dos casos há referência à instrução primária ou mesmo
analfabetismo. Em oposição ao que foi observado em fun
ção da instrução dos pais, não há diferença nítida entre
as diversas universidades e faculdades (fato já menciona
do em relação ã faixa etária imediatamente inferior), ha
vendo relação entre a idade cronológica e o nível de es
colaridade atingido.
Situação um pouco diversa se observa no que se re
fere aos irmãos de mais idade. De um modo geral, aumenta
o número de irmãos nesta faixa e se torna menos nítida a
correlação grau de instrução e idade, tanto assim que,em
bora predominem os indivíduos com escola média e superi"
or, encontramos 6,65% dos casos em nível de curso prima
rio completo.
O estudo mais detalhado das universidades e facul-
dades aponta algumas diferenças. A Pontifícia Universida
de Católica do Rio de Janeiro apresenta apenas 1,76% dos
irmãos de 18 e mais anos com o curso primário completo;
já nos estabelecimentos isolados da Guanabara, tomados
em conjunto, esta proporção sobe a 10,10%. Restringindo a
nossa análise aos irmãos maiores que tenham limitado sua
instrução à escola elementar (já que o estudo da
propor-ção inicio ou término de cursos universitários
iria de_ pender em grande parte da idade do irmão),
verificamos que, em algumas escolas, tal taxa é
superior a 10%; é o caso da Escola de Enfermeiras Ana
Néri (13,33%), Faculda-de de Farmácia (25,00%),
Faculdade de Serviço Social da Universidade do Estado da
Guanabara (11,11%) , Escola de Enfermagem Luiza de
Marillac (22,22%), Faculdade de Ciên-cias Econômicas,
Contábeis e Atuariais do Rio de Janeiro (10,60%),
Faculdade de Economia e Finanças do Rio de Ja neiro
(18,18%), Faculdade Brasileira de Ciências Jurídí cas
(16,54%), Faculdade de Ciências Jurídicas do Rio de
Janeiro (10,85%), Faculdade de Filosofia de Campo Gran
de (16,66%), Escola Central de Nutrição (20,00%), Facul
dade de Serviço Social da Guanabara (20,00%) e
Faculda-de de Serviço Social do Rio de Janeiro
(23,80%).
COMENTÁRIOS
No capítulo "Caracterização Sócio-Econômica do
Estudante Universitario - Dados Gerais", tecemos alguns
comentários relativos ã permanência do primeiranista no
meio familiar e ao grau de instrução de seus pais e ir
mãos. Não há necessidade de repeti-los agora. No
entan-to, outras considerações podem ser feitas.
De uma maneira geral o estudante da Guanabara vi
ve com seus pais no Rio de Janeiro. Ha,entretanto,casos"
de pais falecidos, pais desquitados, pais estrangeiros
e pais que vivem em outro ponto de território nacional
e,muitas vêzes, tais situações ocorrem com maior fre-
qüência em determinadas escolas ou ramos de ensino.
Quando o universitário não vive com a família,quer seja
por ter se dirigido ã Guanabara para realizar um curso
superior, quer seja pelo falecimento dos genitores, po
dem surgir problemas sérios de acomodação e alimenta
ção, tanto mais dificilmente resolvidos quanto mais pre
caria for a situação econômica do indivíduo e de sua fã
milia. Admitindo que a solução de tais problemas pesso
ais é parte das funções da faculdade, no sentido de tor
nar melhor as condições de vida e, implicitamente, de a
prendizagem de seu aluno, é cabível perguntar até que
ponto as faculdades da Guanabara têm se desincumbido da
tarefa e com que resultados. Por outro lado, no caso es
pecífico do estudante estrangeiro quando, as circunstân
cias já mencionadas, devem ser acrescidas as dificulda
des da língua e adagtação a novos costumes, a pergunta
assume maior pertinencia; a faculdade que aceita o estu
dante estrangeiro, até que ponto dispõe de elementos pa
ra orientá-lo em seu novo meio?
As perguntas anteriores prendem-se, em última aná
lise, aos valores reais ou proclamados de ensino univer
sitário brasileiro.. Se admitirmos que cabe à univers ida
de não so a formação do profissional competente ou do
especialista, mas também a formação do homem, que faz a
escola superior em face de alunos tão diversos? Conside
remos mais um exemplo a variedade do nível de instrução
das famílias dos universitários, principalmente no que
se refere a pais e irmãos mais velhos. Alguns primeira
nistas vêem de famílias com instrução superior, outros"
de grupos com escolaridade elementar; é provável, que
em sentido amplo, as oportunidades culturais sejam dife
rentes em um e outro caso; que faz a universidade oü
que deveria fazer? Até que ponto os currículos de cunho
eminentemente profissional deveriam ser enriquecidos,en
globando a cultura geral, suprindo deficiências quer da
orientação familiar, quer da escola média?
3 - Vida escolar
INTERVALO ENTRE AS ESCOLAS MÉDIA E SUPERIOR-
51,64% dos informantes acusaram intervalo entre o
término da escola média e o início do curso superior,
enquanto 46,51% entraram na faculdade no ano subseqüen
te ã diplomação no ciclo colegial.
Consideradas as universidades como unidades, a
Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro apre_
senta características diferentes das demais, já que
70,53% de seus alunos não assinalaram qualquer interva
lo de tempo entre as escolas média e superior.
Fazendo-se uma análise individual de tôdas as fa
culdades localizadas na Guanabara, dois tipos aparecem
de forma nítida. Num grupo, a maioria dos estudantes con
segue ingresso imediatamente após a conclusão do 2º ci
cio médio; é o caso da Faculdade de Direito da Universi
dade Federal do Rio de Janeiro (60,40%), Escola de Qui
mica (65,38%), Escola de Biblioteconomia e Documentação
do Instituto Santa Úrsula (61,11%), Faculdade de Direi
to da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janei
ro (76,92%), Escola Politécnica (74,62%), Faculdade de
Filosofia, Ciências e Letras da Pontifícia Universidade
Católica do Rio de Janeiro (75,90%) Faculdade de Filo
sofia, Ciências e Letras do Instituto Santa Ú r s u l a
(65,00%) e Escola de Serviço Social da Pontifícia Uni-
versidade Católica do Rio de Janeiro (85,00%).
Em outros estabelecimentos, predominam os primei
ranistas que não ingressaram no curso universitário ime
diatamente após, a conclusão do ciclo colegial;neste gru
po estão incluídas a Faculdade de Farmácia (68,75%), a
Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de
Janeiro (63,63%), a Escola de Musica da Universidade Fe_
deral do Rio de Janeiro (75,00%), a Faculdade de
Odonto-logia (75,00%), a Faculdade de Administração e
Finanças (77,41%), a Escola de Engenharia da
Universidade do Es tado da Guanabara (60,16%), a
Faculdade de Ciências Me dicas (63,55%), a Faculdade de
Serviço Social da Univer-sidade do Estado da Guanabara
(77,77%) , a Escola Brasi-leira de Administração
Publica (72,13%), a Faculdade de Ciências Econômicas,
Contábeis e Atuariais do Rio de Ja
neiro (68,18%), a Faculdade de Ciências Políticas e Eco
nômicas do Rio de Janeiro (72,35%),o Instituto Rio Bran
co (83,33%), a Faculdade de Ciências Jurídicas do Rio
de Janeiro (60,74%), a Escola de Enfermagem Alfredo Pin
to (100,00%), a Escola Nacional de Ciências EstatístT
cas (62,65%), a Faculdade de Filosofia, Ciências e Le
tras do Rio de Janeiro (66,15%), a Faculdade de Filoso
fia de Campo Grande (60,00%), a Escola de Medicina e cí
rurgia do Rio de Janeiro (63,44%), a Faculdade de Medi
cina do Rio de Janeiro (73,68%), o Conservatorio Brasi
leiro de Musica (87,50%), a Escola Central de Nutrição
(68,00%), a Faculdade de Serviço Social do Rio de Janei
ro (71,42%) e a Faculdade de Serviço Social da Guanaba"
ra (60,00%). Nas demais escolas, nao há, a rigor, predo
mínio de um ou outro grupo.
NÚMERO DE ANOS ENTRE AS ESCOLAS MÉDIA E SUPERIOR
19,08% dos primeiranistas assinalaram um ano de
intervalo entre as escolas média e superior e 10,78% a
cusaram um período intermediário de dois anos. No entan
to, este intervalo pode ser superior a 18 anos, embora
numa percentagem mínima de casos, (0,95% do total); a
grande, amplitude da variação encontrada justifica a mé
dia aritmética (3,55 anos) e o desvio padrão (4,22)obti
dos.
Em algumas faculdades, o número de alunos que in
gressaram no curso universitário, dois anos depois do
término do curso colegial (o que equivale a possibili
dade de realização de três exames vestibulares) ê supe
rior a 20%, o que ocorre, por exemplo, na Faculdade de
Farmácia (25,00%), na Faculdade de Medicina da Universi
dade Federal do Rio de Janeiro (21,02%), na Faculdade
de Odontologia (22,91%), na Escola de Enfermagem Raquel
Haddock Lobo (25,00%), na Faculdade de Filosofia de
Cam po Grande (26,66%), na Escola Nacional de
Geologia (21,42%), na Escola de Medicina e Cirurgia do
Rio de Ja_ neiro (23,65%) e na Faculdade de Medicina do
Rio de Ja neiro (24,56%).
FREQUÊNCIA A CURSOS VESTIBULARES
A maioria dos primeiranistas (67,78%) freqüentou
cursos vestibulares, havendo, entretanto, variações de
acôrdo com a faculdade considerada.
Em certas escolas a freqüência a tais cursos atin
ge a mais de 80% dos informantes conforme se verifica
nas Faculdades de Direito (87,24%), Engcnharia(85,35%),
Medicina (93,18%), Odontologia (93,75%) e Química da U
niversidade Federal do Rio de Janeiro (80,76%), na Esco
la de Engenharia da Universidade do Estado da Guanabara
(87,28%), na Faculdade de Ciências Medicas (84,11%), na
Escola Politécnica (80,59%), na Faculdade Brasileira de
Ciências Jurídicas (80,45%), na Escola de Medicina e Ci
rurgia do Rio de Janeiro (90,32%), na Faculdade de Medi
cina do Rio de Janeiro (87,71%) e na Escola Central de
Nutrição (84,00%).
Em compensação, em outros estabelecimentos há pre
domínio dos alunos que não freqüentaram cursos vestibu
lares, como ocorre na Escola de Música da Universidade
Federal do Rio de Janeiro (75,00%), na Escola de Enfer
magem Raquel Haddock Lobo (70,00%), na Escola de Biblio
teconomia e Documentação do Instituto Santa Úr s u l a
(66,66%), na Escola de Enfermagem Luiza de Marillac
(77,77%), na Escola de Desenho Industrial (63,63%), no
Curso de Museus do Museu Histórico Nacional (78,26%), no
Conservatório Brasileiro de Musica (62,50%) e na Facul-
dade de Serviço Social da Guanabara (80,00%).
NÚMERO DE ANOS DE CURSO VESTIBULAR FREQÜENTADOS
A freqüência a cursos vestibulares foi feita du
rante um (53,28% dos primeiranistas) ou dois (9,09%)
anos. Deve ser mencionado, contudo, que em algumas fa
culdades mais de 20% dos alunos assinalaram dois anos
de cursos vestibulares; é o caso das Faculdades de Far
mácia (37,50%), Medicina (25,00%) e Odontologia da
Uni-versidade Federal do Rio de Janeiro (27,08%), da
Escola de Engenharia da Universidade do Estado da
Guanabara (27,li%) , da Faculdade de Ciências Medicas
(24,29%), da Faculdade de Medicina e Cirurgia do Rio
de Janeiro (35,48%), e da Faculdade de Medicina do Rio
de Janeiro (35,08%) .
Tomados os 2.973 informantes que freqüentaram cur
sos vestibulares (67,78% do total), foram obtidos os
seguintes valores: média aritmética igual a 1,21 anos e
desvio padrão igual a 0,54.
FREQUÊNCIA A OUTRO CURSO UNIVERSITÁRIO
A grande maioria dos universitários(82,69%)não ha
via freqüentado outra escola superior, além do curso no
qual estavam matriculados em 1965. Em alguns estabeleci
mentos, a totalidade dos alunos nega qualquer
experiên-cia anterior com o ensino universitário,
conforme se observa no Instituto de Nutrição, na
Faculdade de Odon-tologia, na Escola de Enfermagem
Raquel Haddock Lobo e na Escola Central de Nutrição.
Entretanto, na Faculdade de Administração e Finan
ças (36,25%), na Faculdade de Ciências Econômicas da U
niversidade do Estado da Guanabara(21,68%), na Escola
de Biblioteconomia e Documentação do Instituto Santa
Úrsula (16,66%), na Escola de Sociologia e Política
(23,80%), na Escola Brasileira de Administração Pública
(19,67%), na Faculdade de Ciências Políticas e Economi
cas do Rio de Janeiro (17,07%), na Escola de Desenho In
dustrial (36,36%), no Instituto Rio Branco (75,00%), na
Escola Nacional de Ciências Estatísticas (15,66%),na Fa
culdade de Medicina do Rio de Janeiro (14,03%),no Curso
de Museus do Museu Histórico Nacional (30,43%) e no Con
servatório Brasileiro de Musica (25,00%), um certo núme
ro de primeiranistas fêz referência a matrícula ante
rior em outra modalidade de ensino superior.
A percentagem de informantes da Guanabara(10,28%)
que, haviam freqüentado outros cursos superiores é ligei
ramente superior ã observada para o conjunto das dez ci
dades pesquisadas (8,70%).
EXAMES VESTIBULARES
67,03% dos estudantes prestaram um exame vestibu
lar para o ramo de ensino no qual estavam matriculados,
quando a pesquisa foi realizada; 14,04% realizaram dois
exames. Ha, entretanto, casos de alunos com cinco ou
mais vestibulares (1,88%), dando como resultado, a me
dia aritmética de 1,47 e o desvio padrão de 1,44.
A distribuição das médias e dos desvios encontra
dos para cada estabelecimento de ensino superior na Gua
nabara é apresentada no Quadro 6.
QUADRO 6
Numero de Exames Vestibulares Prestados para o
Ramo de Ensino Freqüentado em 19C5*
Quadro 6 (continuação)
Quadro 6 (continuação)
Dados relativos à primeira série dos cursos universi
tários de graduação.
Pelo Quadro 6 é fácil constatar que determinados
ramos de ensino, como engenharia e medicina, apresentam
índices elevados quer para a média aritmética,quer para
o desvio padrão.
84,82% dos alunos prestaram exames vestibulares
somente para o ramo de ensino no qual estavam ma
triculados em 1965. No entanto, 9,22% dos informantes
haviam feito um exame para outro ramo de ensino e 3,72%
haviam feito dois.
Para algumas escolas é relativamente alta a per
centagem de estudantes que haviam tentado outros cursos
universitários. Se considerarmos o total de 1 e 2 exa
mes feitos para outras modalidades de ensino superior,
encontraremos as seguintes proporções: Faculdades de Ci
ências Econômicas, 17,84%; Educação Fisica e Desportos,
27,86%; Farmácia 25,00%; Filosofia, 23,76%; Música,
37,50%; Nutrição, 36,36% e Odontologia da Universidade
Federal do Rio de Janeiro, 37,49%; Faculdade de Adminis
tração e Finanças, 43,38%; Faculdade de Ciências Econo
micas da Universidade do Estado da Guanabara,18,06%; Fa
culdade de Serviço Social da Universidade do Estado da
Guanabara, 25,91%; Escola de Biblioteconomia e Documen
tação do Instituto Santa Úrsula, 22,22%; Escola de So
ciologia e Política, 23,80%; Escola Brasileira de Admi
nistraçao Publica, 30,50%; Cursos de Biblioteconomia da
Biblioteca Nacional, 30,30%; Faculdade de Ciências Eco
nômicas, Contábeis e Atuariais do Rio de Janeiro,18,18%;
Faculdade de Ciências Políticas e Econômicas do Rio de
Janeiro, 34,95%; Faculdade de Economia o Finanças do
Rio de Janeiro, 16,16%; Escola de Desenho Industrial,
31,81%; Instituto Rio Branco, 83,33%; Faculdade Nacio
nal de Ciências Estatísticas, 28,70%; Faculdade de Filo
sofia, Ciências e Letras do Pio de Janeiro, 28,45%; Fa
culdade de Medicina do Pio de Janeiro, 17,53%;Curso dê"
Museus do Museu Histórico Nacional, 39,12%; Academia de
Musica Lorenzo Fernandez, 30,76%; Conservatório Brasi
leiro de Musica, 37,50*. Escola Central de Nutricão
24,00% e Faculdade de Serviço Social do Rio de Janeiro,
33,33%.
TURNO FREQÜENTADO
Mais de 2/3 (67,09%) dos primeiranistas da Guana
bara freqüentam cursos diurnos. As diversas universida-
des adotam orientação diferente em relação ao horário
em que as aulas são ministradas.
Na Universidade Federal do Rio de Janeiro predomi-
nam os cursos diurnos embora algumas faculdades tenham
turmas de primeira série tanto de dia como de noite, co
mo a de Direito (40,26% dos informantes estudam a noi
te), Ciências Econômicas (47,76%) e Filosofia (apenas
2,18% dos informantes).
Na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Ja
neiro a quase totalidade dos alunos freqüenta cursos di
urnos, ja que apenas a Faculdade de Direito tem aulas
noturnas (33,33% dos primeiranistas que responderam à
pesquisa).
Ja na Universidade do Estado aa Guanabara os alu
nos de cursos noturnos estão em maioria (53,70%); isto
se deve a existência de uma escola em regime exclusivo
de aulas noturnas (a Faculdade de Filosofia, Ciências e
Letras) e a presença de cursos noturnos em outras esco
las, como é o caso de Ciências Econômicas (63,85% dos
informantes), Direito (48,52%) e Serviço Social(74,07%).
Em. relação aos estabelecimentos isolados, há esco
las exclusivamente noturnas, como o Curso de
Biblioteco-nomia da Biblioteca Nacional, a Faculdade de
Ciências E conômicas, Contábeis e Atuariais do Rio de
Janeiro,a Fa culdade de Ciências Políticas e Econômicas
do Rio de Ja neiro, a Faculdade de Economia e Finanças
do Rio de Ja_ neiro, a Faculdade de Filosofia,
Ciências e Letras do Rio de Janeiro, a Faculdade' de
Filosofia de Campo Gran de e a Faculdade de Serviço
Social da Guanabara. Em ou tras faculdades, há cursos
diurnos e noturnos como se observa na Faculdade
Brasileira de Ciências Jurídicas (64,66% dos
informantes estudam à noite), na Faculdade de Ciências
Jurídicas do Rio de Janeiro(57,03%),na Fa culdade de
Direito Cândido Mendes(61,81%), na Escola Na cional de
Ciências Estatísticas (63,85%) e na Faculdade de
Serviço Social do Rio de Janeiro (71,42%).
COMENTÁRIOS
As características da vida escolar do primeiranis
ta, acima mencionadas, se aproximam dos aspectos glo
bais já descritos em capítulo anterior, quando se fêz à
analise para o conjunto dos informantes nas dez cidades
brasileiras. Naquela ocasião, alguns comentários foram
feitos sôbre o exame vestibular,suas possíveis causas e
conseqüências. Queremos aqui retomar a questão.
Anualmente, um certo número de indivíduos se can
didata a concursos de habilitação; realizado o exame
vestibular, em alguns casos, as reprovações são propor
cionalmente elevadas. O fenômeno tem sido explicado, ba
sicamente, por dois fatôres: a falta de entrosamento en
tre as escolas média e superior e o reduzido número de
vagas nas faculdades, transformando um possível exame
de verificação de conhecimentos em concurso de seleção.
Os dados obtidos para os primeiranistas da Guanabara
permitem uma análise mais detalhada do problema.
De um modo geral, os alunos carecem sentir que o
preparo recebido na escola média nao é suficiente para
que logrem aprovação no exame vestibular; daí a procura
a cursos preparatorios, como maneira de receber quer o
conhecimento quer o treinamento necessários. Terminado
o curso vestibular, tais alunos se candidatam ao exame
e conseguem aprovação logo na primeira tentativa. Neste
caso, poder-se-ia falar em deficiência da escola média
e na falta de entrosamento desta com a escola superior,
aparecendo o curso vestibular como elemento capaz de com
plementar conhecimentos e permitir a articulação entre
os dois níveis de ensino. Sendo verdadeira esta hipóte
se, soluções como a terceira série colegial especializa
da, anexa ou não às Faculdades, ou a criação de institu
tos centrais nas Universidades seriam viáveis, abolindo
os cursos preparatórios e permitindo a passagem suave
entre o ciclo colegial e a faculdade.
No entanto, os dados obtidos para a Guanabara su
gerem que o elemento básico a ser considerado não é tan
to a deficiência da escola média ou a falta de entrosa
nento com o curso superior, quanto o critério seletivo
do exame vestibular, estabelecido pela diferença numéri
ca entre os alunos que desejam freqüentar tais ou quais
ramos de ensino e o número de vagas existentes nos mes
mos. A maior procura a determinados cursos elevaria o
nível de exigencia do exame vestibular, obrigando o can
didato a um preparo específico para o exame, independen
temente das qualidades ou dos defeitos da escola média.
É, a nosso ver, a explicação cabível para fenômenos co
mo a aprovação no exame vestibular,em determinadas esco
las, para uma maioria de alunos que freqüentou cursos
vestibulares, bem como a existência de dois ou mais ves_
tibulares em determinados ramos de ensino.
Para exemplificar, tomemos três tipos de escolas:
química, engenharia e medicina, reputados como de aces
so difícil. Nos três ramos de ensino, a maioria dos alu
nos freqüentou cursos vestibulares: Escola de Química,
80,76%; Escola de Engenharia da Universidade Federal do
Rio de Janeiro, 85,35%; Escola de Engenharia da Univer
sidade do Estado da Guanabara, 87,28%, Escola Politécni
ca, 80,59%; Faculdade de Medicina da Universidade Fe
deral do Rio de Janeiro, 93,18%; Faculdade de Ciências
Médicas, 84,11%; Escola de Medicina e Cirurgia do Rio
de Janeiro, 90,32% e Faculdade de Medicina do Rio de
Janeiro, 87,71%. No entanto, na Escola de Química a maio
ria dos alunos prestou um único exame, enquanto que nas
escolas de medicina e engenharia a média aritmética do
número de exames realizados é, em geral, superior a 2
(Quadro 6). Por outro lado, nas quatro escolas de medi
cina da Guanabara,mais de 20% dos primeiranistas haviam
feito dois anos de curso vestibular.
Além disso, se consideraramos, na Guanabara,as mo
dalidades de ensino nas quais mais de 80% dos primeira
nistas se matriculam em cursos vestibulares,veremos que
estes ramos se reduzem a seis: direito, engenharia,medi
cina, nutrição, odontologia e química. Nos demais, não
parece haver esta necessidade imperiosa de curso prepa_
ratório, devendo ser notado que, em certos casos, como
em algumas escolas de arte, biblioteconomia,enfermagem
e serviço social, a grande maioria dos alunos não pro
cura tais cursos.
Dados gerais para o Brasil reforçam este ponto de
vista. O quadro 7 apresenta o número de inscrições no
exame vestibular, o número de aprovações, a lotação da
primeira série, o número de inscrições por vagas exis
tentes e o coeficiente de aprovação nos principais ra
mos de ensino superior no Brasil em 1964.
Nas duas modalidades, engenharia e medicina, em
que há maior procura em relação ã oferta, há também me
nor coeficiente de aprovação no exame vestibular, o que
ressalta o aspecto de concurso de seleção e não de de_
monstração de conhecimento adquirido.
A dificuldade do acesso, manifestada pelo alto ní
vel de exigências de determinados exames vestibulares ,
tem, a nosso ver, duas conseqüências nítidas:de um lado
retarda o ingresso ã universidade e, por outro lado,faz
seleção negativa de vocações, encaminhando para alguns
cursos alunos que não conseguiram aprovação na modalida
de de ensino desejada. Um exemplo pode ser apontado a
respeito deste último item.
Nas faculdades de medicina da Guanabara, as per
centagens de alunos, matriculados na primeira série,que
não haviam prestado exames vestibulares para outros ra
mos de ensino oscilavam de 82,45% (Faculdade de Medici
na do Rio de Janeiro) a 94,88% (Faculdade de Medicina
da Universidade Federal do Rio de Janeiro). No caso das
faculdades de farmácia e de odontologia tais propor
ções baixaram respectivamente a 62,50% e 50,00%, suge
rindo que um certo número de estudantes se matriculam
em tais escolas depois de ter tentado e não ter conse
guido aprovação em outras, possivelmente, em medicina.
As conseqüências de tal fato nos parecem evidentes: ou
o indivíduo permanece em um curso, em relação ao qual
poderá ter ou não despertado o seu interêsse, ou o aban
dona, ao fim de alguns meses, com visível desperdício
de tempo, esforço e dinheiro. Vale a pena ressaltar que
nas faculdades de medicina do Rio de Janeiro, percenta
gens variando de 3,97% (Faculdade de Medicina da Univer
sidade Federal do Rio de Janeiro) a 14,03% (Faculdade de
Medicina do Rio de Janeiro) indicam o número de alunos
que já haviam freqüentado outro curso superior.
Se o elemento básico a ser considerado em relação
ao exame vestibular é a relação número de inscrições/nú
mero de vagas, medidas tomadas no sentido de reformular
a educação média e superior, por mais necessárias que
sejam, não serão capazes de resolver o problema na Gua
nabara. Além disso, a duplicação, pura e simples,do nú
mero de vagas nos estabelecimentos de ensino superior co
mo já foi tentada no Brasil, como medida geral,nos pare
ce contraproducente. Se as faculdades de filosofia,ciên
cias e letras apresentam a taxa 0,7 como a relação en
tre o número de inscrições no exame vestibular e a lota
ção da primeira série e as faculdades de engenharia e
medicina têm como proporções, respectivamente,3,6 e 7,6,
poder-se-ia advogar a duplicação de vagas distes últi
mos cursos mas nao dos de filosofia.
Imaginemos, por outro lado, que fosse tentada quer
a criação de novas vagas quer a abertura de novas esco
las de medicina e engenharia na Guanabara. Ja dispomos,
no momento, de 4 faculdades do primeiro tipo e 3 do se_
gundo. Qual a capacidade de absorção desta mão de obra
especializada no Rio de Janeiro? Seria justo a criação
aqui de novas escolas médicas e de engenharia, ou o au
mento da matrícula na primeira série, determinando, con
seqüentemente, o aumento do número de diplomados nestas
profissões, sem a certeza prévia do aproveitamento lo
cal destes indivíduos? Ou seria mais acertada a adoção
de tais medidas em outras localidades? E em que lugares?
Dois outros aspectos da vida escolar do primeira
nista devem ser ainda citados. Algumas escolas mantêm
cursos diurnos e noturnos, outras funcionam exclusiva
mente ã noite. Entretanto, nem todos os ramos de ensino
são oferecidos em cursos noturnos; na realidade, apenas
os de biblioteconomia, ciências estatísticas, direito,
economia, filosofia e serviço social. Poder-se-ia deba_
ter se há possibilidade real de aprendizagem nestes cur
sos noturnos, já que a prática profissional é na maior
parte das vêzes realizada durante o dia. Por outro la
do, a inexistência de um sistema adequado de bolsas de
estudo em nível universitário como que leva o aluno ca
rente de recursos a estudar ã noite, dedicando o dia
para o trabalho; nestas condições o campo de estudo do
indivíduo pobre é extremamente limitado. Deve ser res
saltado que parece haver relação entre idade cronológi
ca e freqüência a aulas noturnas, tanto assim que,tiran
do a Escola de Musica da Universidade Federal do Rio de
Janeiro e o Conservatório Brasileiro de Música,tôdas as
escolas superiores da Guanabara que têm idade média de
seus alunos igual ou superior a 25 anos são noturnas
(Quadro 2). Havendo relação entre situação econômica pre
cária, idade mais avançada, exercício de ocupação remu
nerada e curso noturno, cresce de importância a limita_
ção doa ramos do ensino oferecidos ã noite,situação que
acreditamos só poderá ser solucionada através de uma as
sistência eficaz ao estudante carente de recursos econô
micos.
Um certo número de alunos tinha freqüentado outros
cursos universitários antes de 1965. Até certo ponto tal
frequência pode ser explicada pela dificuldade de ingres_
so no curso pretendido: o indivíduo tenta um exame ves
tibular em um determinado ramo de ensino, não consegue
ser aprovado, tenta outra modalidade de escola,passa no
exame, se matricula e continua freqüentando esta segun
da escola até obter aprovação no ramo de ensino que
al-meja realmente seguir. Entretanto outras
explicações devem existir, principalmente nos casos de
universitá rios matriculados em cursos de
administração, ciências econômicas, sociologia e
política, desenho industrial etc. Seria legítimo,
nestes casos, falar em êrro de es cola inicial? 0
problema é grave, porque em última aná lise representa
perda de esforço, tempo e dinheiro quer do indivíduo
quer dos órgãos governamentais.
4 Situação econômica do estudante e
de sua família
NÚMERO DE ELEMENTOS DO GRUPO DOMÉSTICO COM RENDA
Já vimos que a família do universitário da Guaná
bara tem de 3 a 6 elementos; destes, de 1 a 3 têm renda
ou salário (englobando 85,82% dos informantes). Foram
obtidos a média aritmética de 2,02 e desvio padrão de
1,49.
Em tôdas as faculdades, as variações são pequenas
devendo ser salientada uma única exceção: a Escola de
Enfermagem Luiza de Marillac onde a media de membros do
grupo doméstico com remuneração ou outros recursos bai-
xa a 1,25 (desvio padrão igual a 0,55).
OCUPAÇÃO DOS PAIS
76,27% dos pais (genitor masculino) exercer ocupa
ções dos tipos 3, 4, 5 e 6 segundo a escala adotada por
B. Hutchinson, ou seja, entre os níveis de inspeção, su
pervisão e outras ocupações não manuais de padrão baixo
e o de profissionais e administradores. Apenas 9,61%
es-tão classificados nos níveis 1 (indivíduos sem
habilida des manuais e semi-habilidades manuais) e 2
(habilidade manual). Foi irrisória a percentagem obtida
para genito res que viviam de renda (0,13%) ou se
achavam desempre gados por ocasião da pesquisa
(0,06%).
As variações encontradas, para as diversas facul
dades, entretanto, parecem-nos significativas. O quadro
8 dá a distribuição percentual das ocupações dos pais,
segundo a universidade freqüentada pelo informante.
QUADRO 8
Nível de ocupação dos pais, segundo a
universidade freqüentada pelo
informante*
Dados referentes aos pais dos alunos matriculados na
primeira série dos cursos universitários de graduação,
sediados no Rio de Janeiro, em junho de 1965.
Pelo quadro 8, é nítida a melhor situação ocupa
cional dos pais dos alunos matriculados na Pontifícia U
niversidade Católica do Rio de Janeiro: apenas 3,14% dos
genitores se incluem nas categorias de trabalho manual
(1 e 2) e a maioria (50,49%) exerce atividades em
pro fissões liberais ou em altos cargos
administrativos;tais informações são compatíveis com as
obtidas em relação ao nível de instrução do pai
(Quadro 3).
Além disso, há também variações da ocupação exer-
cida pelo genitor, segundo os ramos de ensino superior
freqüentados pelo universitário. Assim, no caso de en
fermagem, o nível ocupacional do pai do primeiranista é
inferior ao encontrado para o conjunto dos informantes
na Guanabara, conforme se observa pelos seguintes dados:
EEAN-UFRJ: 33,32% dos pais em atividades manuais e
13,33% no nível ocupacional 6 (profissionais e
adminis-tradores),EERHL-UEG: 25,00% dos pais nos níveis
1 e 27 5,00% no nível 6; EELM-PUCRJ: 33,33% nos níveis
1 e 2, 11,00% no nível 6; a Escola de Enfermagem
Alfredo Pinto é a unica em que o fenômeno não ocorre:
há ausência de pais nos níveis 1 e 2 e 33,00% se
concentram na catego-ria 6.
A presença de um grande número de genitores com
níveis ocupacionais baixos é também observada nas esco
las de nutrição (IN-UFRJ: 9,09% dos pais com nível 67
ECN: 16,00% nos níveis 1 e 2, 12,00% no nível 6), na es
cola de educação física (14,74% nos níveis 1 e 2; 18,03%"
no nível 6), em algumas escolas de Serviço SocialiCSSEEAN-
UFRJ: 15,00% nos níveis 1 e 2; FSS-UEG: 2 5,92% nos ní
veis 1 e 2, 7,40% no nível 6; FSSRJ: 9,52% nos níveis 1
e 2; 4,76% no nível 6; FSSGB - 25,00% nos níveis 1 e 2 ;
10,00% no nível 6), filosofia (FFCL-UEG; 10,89% nos ní
veis 1 e 2; 11,84% no nível 6; FFCG: 19,99% nos níveis
1 e 2; 6,66% no nível 6; FFCLRJ: 19,22% nos níveis 1 e
2, 11,53% no nível 6), economia (FCE-UEG: 15,66% no ní
vel 6; FCECARJ: 15,14% nos níveis 1 e 2, 7,57% no nível
6; FEFRJ: 12,11% nos níveis 1 e 2; 12,12% no nível 6),
administração (FAF-UEG: 16,12% nos níveis l e 2;
12,90% no nível 6) e direito (FBCJ: 15,78% nos níveis
1 e 2, 12,78%, no nível 6; FCJRJ: 19,25% nos níveis
le2; 5,92% no nível 6).
Algumas escolas apresentam, pelo contrário,níveis
ocupacionais altos para o genitor do primeiranista; é o
caso da Escola de Biblioteconomia e Documentação do Ins
tituto Santa Úrsula (50,00% dos pais em nível 6), Facul
dade de Direito da Pontifícia Universidade Católica do
Rio de Janeiro (74,35% no nível 6), Faculdade de Filoso
fia, Ciências e Letras da mesma universidade (64,45?
no nível 6), Escola de Sociologia e Política (57,14% no
nível 6), Escola de Desenho Industrial (50,00% no nível
6), Instituto Rio Branco (66,66% no nível 6) e Curso de
Museus do Museu Histórico Nacional (56,52% no nível 6).
OCUPAÇÃO DAS MÃES
19,91% das mães dos primeiranistas da Guanabara
exercem ocupação remunerada,sendo que 7,12% trabalham em
negocios da família ou na própria residência. Os níveis
ocupacionais encontrados com maior freqüência são 4 (cor
respondendo a inspeção, supervisão e outras ocupações
não manuais de padrão alto e englobando 6,47% dos casos)
e 5 (dirigentes e executivos, totalizando 5,42%das mães
dos informantes). Deve ser salientado que na Escola de
Enfermeiras Ana Néri 17,76% das mães exercem ocupações
de tipo 1 e 2, ou seja, na área da atividade manual.
OCUPAÇÃO DOS IRMÃOS DE 18 E MAIS ANOS
Um grande número de primeiranistas (37,7 3%) não
respondeu ao item relativo ã ocupação dos irmãos de 18
e mais anos (o que pode ser explicado pela inexistência
de irmãos nesta faixa etária) e 22,13% alegaram que os
irmãos ainda estão estudando. 25,73% dos informantes têm
irmãos dedicados a ocupações remuneradas entre os níveis
3 (inspeção, supervisão e outras ocupações não manuais
de padrão baixo) e 5 (dirigentes e executivos), conside_
rando-se o nível ocupacional mais baixo encontrado em
cada caso.
A análise dos dados obtidos em cada faculdade apre
senta alguns resultados interessantes ; em alguns
estabe lecimentos, não há nenhum irmão com 18 ou mais
anos ain da dedicado aos estudos (Escola de Enfermagem
Luiza de Marillac, Escola de Música da Universidade
Federal do Rio de Janeiro e Conservatório Brasileiro
de Música).
Em outros, há um? percentagem relativamente alta
de irmãos, nesta faixa etária, dedicados a ocupações de
tipo 1 e 2: Faculdade de Administração e Finanças da U
niversidade do Estado da Guanabara (9,67%), Escola de
Enfermagem Raquel Haddock Lobo (15,00%), Escola de Enfer
magem Alfredo Pinto (50,00%), Faculdade de Serviço So
cial da Universidade do Estado da Guanabara (18,51%),
Faculdade de Serviço Social da Guanabara (25,00%), Fa
culdade de Serviço Social do Rio de Janeiro(19,04%), Fa_
culdade de Ciências Econômicas, Contábeis e Atuariais
do Rio de Janeiro (10,60%), Faculdade de Ciências Pol£
ticas e Econômicas do Rio de Janeiro (9,74%),Faculdade
de Economia e Finanças do Rio de Janeiro (11,35%), Fa
culdade Brasileira de Ciências Jurídicas (11, 27%) ,Facul^
dade de Filosofia de Campo Grande (23,33%) e Escola Cen
trai de Nutrição (20,00%).
Se compararmos tais dados com as informações obt£
das para a ocupação do pai, parece existir uma certa re
lação entre os níveis de ocupação de pais e irmãos,pelo
menos nos casos de ocupações classificadas nas catego
rias mais baixas.
OCUPAÇÃO DOS IRMÃOS DE 14 A 17 ANOS
54,85% dos informantes na Guanabara negaram a e xis
tência de irmãos entre os 14 e 17 anos; 32,01% dos prT
meiranistas responderam que os irmãos, com estas ida
des, estão ainda estudando, sendo irrisórias as percen
tagens de irmãos trabalhando (O,34%) ou dedicados simuT
tâneamente ao trabalho e ao estudo (0,18%).
A análise feita individualmente em cada faculda
de confirma estes resultados globais, não havendo quai£
quer discrepancias nos diversos estabelecimentos de en
sino.
NÚMERO DE UNIVERSITARIOS QUE TRABALHAM
Praticamente a metade dos primeiranistas do Rio ds
Janeiro exerce atividade remunerada (46,39%).havendo di^
ferenças nítidas segundo a universidade ou a escola fre
qüentadas. Assim a Universidade Federal do Rio de JaneT
ro e a Pontifícia Universidade Católica do Rio de JaneT
ro apresentam as percentagens mais baixas de estudantes
que trabalham, respectivamente, 35,82% e 21,02%.
Em determinados ramos de ensino, há predomínio de
universitários dedicados a ocupação remunerada,cano ocor
re em administração (FAF-UEG: 85,48%; EBAP:59,01%), el
ências econômicas (FCE-UEG; 63,85%; FCECARJ: 78,78%;
FCPERJ: 82,11%; FEFRJ: 85,60%); direito (FBCJ: 75,18%;
FCJRJ: 85,18%; FDCM: 64,24%), filosofia (FFCL- UEG:
63,03%; FFCLRJ; 82,30% e FFCG: 66,66%) e serviço social
(FSS-UEG: 77,77%, FSSRJ: 85,71%); o mesmo predomínio se
verifica nas seguintes escolas: Escola de Educação FÍsi^
ea e Desportos (63,93% dos estudantes trabalham),Escola
de Musica da Universidade Federal do Rio de Janeiro
(62,50%), Escola Nacional de Ciências Estatísticas(69, 87% )
e Conservatório Brasileiro de Musica (62,50%).
Tirando as escolas de enfermagem que estão sujei
tas a regime especial, o menor número de primeiranistas",
dedicados simultâneamente ao trabalho e ao estudo, é ob
servado nos seguintes estabelecimentos: Faculdade de AF
quitetura (17,18%), Faculdade de Engenharia da UniversT
dade Federal do Pio de Janeiro (18,92%), Escola Politcc
nica (10,44%), Faculdade de Medicina da Universidade Fe
deral do Rio de Janeiro (14,77%), Faculdade de Medicina
e Cirurgia do Rio de Janeiro (14,77%), Escola de Quími^
ea (17,94%), Escola de Sociologia e Política (19,04%) e
Escola Nacional de Geologia (7,14%).
NÍVEL DA OCUPAÇÃO EXERCIDA PELO UNIVERSITÁRIO
Quase todos os estudantes que trabalham se dedi
cam a ocupações compreendidas entre os níveis 3 e 7
(46,39% dos primeiranistas têm ocupação remunerada e
42,30% se distribuem nestes níveis).
É curioso observar que em algumas escolas aparece
um certo número de universitários que declinam ocupa_
ções manuais (categorias 1 e 2); é o que se observa na
Faculdade de Direito Cândido Mendes (4,24%), na Facul
dade de Filosofia, Ciências e Letras do Rio de Janeiro
(6,92%) e na Faculdade de Serviço Social da Guanabara
(20,00%).
TIPO DE EMPREGADOR
Os universitários que trabalham tanto o fazem pa_
ra organizações particulares (19,08%) como para entida
des governamentais (21,02%); é pequeno o número de alu
nos que trabalham por conta própria (5,51%).
Fazendo-se um estudo em separado de cada faculda_
de, notam-se grandes variações. Ha estabelecimentos on
de predomina a organização patronal particular,como ocor
re na Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade
Federal do Rio de Janeiro (25,44%), na Faculdade de Ci^
ências Econômicas da Universidade do Estado da Guanaba
ra (34,93%), na Faculdade de Ciências Econômicas, Conta
beis e Atuariais do Rio de Janeiro (53,03%), na Faculda
de de Ciências Políticas e Econômicas do Rio de Janeiro
(51,21%), no Curso de Serviço Social da Escola de Enfe£
meiras Ana Néri (20,00%), na Faculdade de Direito da
Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro
(15,38%), na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras
do Instituto Santa Úrsula ( 13,33%), na Escola de Socio
logia e Política (14,28%) e na Escola Brasileira de Ad
ministração Pública (39,34%).
Em outras escolas, ocorre o inverso, com predonií
nio de estudantes trabalhando para o govêrno:Escola de
Belas-Artes (18,46%), Escola de Educação Física e Des_
portos (39,34%), Escola de Farmácia (25,00%), Faculdade
de Filosofia da Universidade Federal do Rio de Janeiro
(28,14%), Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da
Universidade do Estado da Guanabara (37,91%), Faculdade
de Filosofia, Ciências e Letras do Rio de Jaieiro (39,23% ) ,
Faculdade de Filosofia de Campo Grande (50,00%),Escola
de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro
(37,50%), Conservatório Brasileiro de Musica (37,50%),
Instituto de Nutrição (27,27%), Escola Central deNutri^
ção (20,00%), Faculdade de Odontologia (16,66%), Escola
de Enfermagem Raquel Haddock Lobo (20,00%).Faculdade de
Ciências Médicas (19,62%), Faculdade de Medicina do Rio
de Janeiro (15,78%), Faculdade de Serviço Social da Un£
versidade do Estado da Guanabara (44,44%), Faculdade de
Serviço Social da Guanabara (40,00%), Faculdade de Ser
viço Social do Rio de Janeiro (47,61%), Escola NacionaT
de Geologia (7,14%) e Curso de Museus do Museu Historic
co Nacional (30,43%).
Em apenas 3 faculdades a maioria dos alunos traba
lha por conta própria: Escola de Química (11,53%), Escõ
la de Desenho Industrial (18,18%) e Academia de Musica
Lorenzo Fernandez (38,46%).
MOTIVOS PARA 0 TRABALHO
O problema da necessidade econômica aparece em
17,96% dos casos como o motivo para o trabalho estudan
til; razões não diretamente ligadas ã condição economi
ea (como o desejo de independência em face da família
e a vontade de adquirir experiência para o exercício da
futura profissão) são mencionadas por 26,89% dos univer
sitários.
Em algumas faculdades, a necessidade de contribuir
financeiramente, quer para a própria familia,quer para
o sustento da família paterna, se apresenta nitidamente
como a principal causa do trabalho, como se verifica na
Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal
de Rio de Janeiro (22,75% dos informantes), na Faculda
de de Ciências Econômicas, Contábeis e Atuariais do Rio
de Janeiro (34,84%), na Faculdade de Economia e Finan
ças do Rio de Janeiro (39,39%), na Faculdade de Direito
da Universidade Federal do Rio de Janeiro (26,84%),na Fa_
culdade Brasileira de Ciências Jurídicas (39,84%), na
Faculdade de Ciências Jurídicas do Rio de Janciro(45,18%) ,
na Faculdade de Farmácia (18,75%), na Escola de Musica
da Universidade Federal do Rio de Janeiro (37,50%), na
Escola de Enfermagem Raquel Haddock Lobo (15,00%),na Fa_
culdade de Ciências Médicas (16,81%), na Faculdade de
Medicina do Rio de Janeiro (21,04%), na Faculdade de
Serviço Social da Universidade do Estado d¿ Guanabara
(33,33%), na Faculdade de Serviço Social do Rio de Ja
neiro (38,09%), na Escola Nacional de Ciências Estatís_
ticas (32,52%) e na Faculdade de Filosofia de ' Campo
Grande (30,00%).
Em outras faculdades, os alunos citam com maior
freqüência motivos relacionados ã aquisição de experiên
cia no campo profissional escolhido: Escola de Bibliote
conomia e Documentação do Instituto Santa Úrsula(22,22%) ,
Faculdade de rilosofia, Ciências e Letras do Instituto
Santa Úrsula (15,00%), Faculdade de Filosofia, Ciências
e Letras do Rio de Janeiro (25,38%) e Conservatório Bra_
sileiro de Musica (37,50%).
Nas escolas mencionadas a seguir, o motivo mais
freqüentemente alegado foi da independência pessoal fren
te ã família: Escola de Engenharia da Universidade do
Estado da Guanabara (11,86%), Escola de Serviço Social
da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro
(15,00%), Escola de Sociologia e Política(14,28%), Cur
sos de Biblioteconomia da Biblioteca Nacional (24,24%)e
Instituto Rio Branco (25,00%).
TEMPO DE TRABALHO
A maior parte dos alunos (39,30%) iniciou a ocup¿
ção antes do ingresso ã faculdade, sendo que 20,59% e£
tavam trabalhando num período compreendido entre 1 a 3
anos. Embora um número pequeno de estudantes (4,10%)ale_
gue mais de 18 anos de exercício de atividade remunera
da, a maior concentração incide no intervalo de 1 ano
(8,66%) .
A título de esclarecimento podem ser mencionadas
as escolas nas quais as percentagens de alunos com 18
ou mais anos de trabalho são iguais ou superiores a 10%
do total dos informantes: Faculdade de Ciencias Econôrrá
cas, Contábeis e Atuariais do Rio de Janeiro (12,12%),
Faculdade de Economia e Finanças do Rio de Janeiro
(10,60%), Faculdade Brasileira de Ciências Jurídicas
(15,78%), Faculdade de Ciências Jurídicas do Rio de Ja
neiro (22,96%), Faculdade de Direito Cândido Mendes
(10,30%), Faculdade de Filosofia de Campo Grande(10,00%)
e Faculdade de Serviço Social da Guanabara (10,00%).
NÚMERO DE HORAS SEMANAIS DE TRABALHO
30,30% dos universitários que se submeteram ã pes
quisa trabalhavam de 17 a_24 horas semanais e 6,06% in
dicaram mais de 8 horas diárias de atividade remunerada.
Os estabelecimentos isolados, tomados em conjun
to, apresentam uma percentagem relativamente elevada de
alunos com 41 ou mais horas semanais de
Isso se deve fundamentalmente às seguintes escolas: Fa
culdade de Ciências Econômicas, Contábeis e Atuariais"
do Rio de Janeiro (22,72%), Faculdade de Ciências Poli
ticas e Econômicas do Rio de Janeiro (17,07%).Faculdade
de Economia e Finanças do Rio de Janeiro(12,87%), Facul
dade Brasileira de Ciências Jurídicas (19,54%), Faculdá
de de Ciências Jurídicas do Rio de Janeiro(20,74%), Fa
culdade de Direito cândido Mendes (14,54%), Escola Nã
cional de Ciências Estatísticas (16,86%) e Faculdade
de Filosofia, Ciências e Letras do Rio de Janeiro (11,53%).
Na Universidade do Estado da Guanabara, duas faculdades
se encontram na mesma situação: a Faculdade de Adminis
tração e Finanças (16,12%) e a Faculdade de Ciências E
conomicas (15,66%).
UTILIZAÇÃO DO SALÁRIO DO ESTUDANTE SOLTEIRO
No caso do estudante solteiro, é variada a utili
zação do salário recebido; para alguns universitários
(13,79%), o salário serve para o custeio de parte das
despesas individuais; para outros (9,66%) para o paga
mento de todos os gastos pessoais; um terceiro grupo
(10,39%) ainda auxilia financeiramente a família pater
na.
Em alguns estabelecimentos de ensino superior é
relativamente alta a proporção de estudantes solteiros
que contribuem, em parte ou no todo, para o orçamento
do grupo doméstico, conforme se verifica nas faculdades
de economia (FCE-UFRJ: 30,34%; FCE-UEG:19,27%; FCECARJ:
21,21%; FCPERJ: 19,50% e FEFRJ: 21,21%), em algumas es
colas de Direito (FD-UFFJ: 20,80%; FBCJ: 21,05%; FCJRJ:
18,51%; FDCM: 14,53%), na Faculdade de Educação Física
e Desportos (19,661), em algumas escolas de filosofia
(FFil-UFRJ: 15,83%; FFCL-UEG: 14 , 6 8% ; FFCLRJ : 17,68% e
FFCG: 13,33%), na Escola de Musica da Universidade Fe
deral do Rio de Janeiro (50,00%), nas faculdades de ad
ministração (FAF-UEG: 33,86%, EBAP: 16,39º), em detenni
nadas escolas de serviço social (FSS-UEG: 18,51% e FSSRJ:
23,80%), na Escola Nacional de Ciências Estatísticas
(30,11%) e no Curso de Museus do Museu Histórico Nacio-
nal (13,03%).
UTILIZAÇÃO DO SALÁRIO DO ESTUDANTE CASADO
Para o estudante casado, predomina a utilização
dos vencimentos no custeio de tôdas as despesas da
famí-lia (5,47% dos informantes); um número
ligeiramente me nor (3,03%) auxilia apenas nestas
despesas, o que nos
leva a pressupor a participação financeira do cônjuge.
O pequeno número de primeiranistas casados impos
sibilita a análise detalhada do que ocorre em cada fa
culdade, no que se refere à utilização do salário do es-
tudante.
AJUDA MONETÁRIA DA FAMÍLIA
A maioria dos primeiranistas (64,04%) recebe aju-
da monetária de sua família; é interessante observar
que na Pontifícia Universidade Católica do Rio de
Janei-ro apenas 8,05% dos alunos alegaram não receber
qualquer auxílio econômico do grupo domestico; esta
percentagem sobe a 45,62% quando se considera o
conjunto de estabe lecimentos isolados.
_Há grande variação em cada uma das faculdades em
relação a iste tópico; em alguns estabelecimentos de en
sino predominam os estudantes que nada recebem dos pa
rentes; é o que ocorre, por exemplo, na Faculdade de Ad
ministração e Finanças (56,45% dos informantes), na Fa
culdade de Serviço Social da Universidade do Estado da
Guanabara (55,55%), na Faculdade de Serviço Social da
Guanabara (55,00%), na Faculdade de Serviço Social do
Rio de Janeiro (57,14%), na Faculdade de Ciências Eco
nômicas. Contábeis e Atuariais do Rio de Janeiro(66,66%)7
na Faculdade de Ciências Políticas e Econômicas do Rio
de Janeiro (57,72%), na Faculdade de Economia e Finan
ças do Rio de Janeiro (53,78%), na Faculdade
Brasilei-ra de Ciências Jurídicas (64,66%), na
Faculdade de Ciên cias Jurídicas do Rio de Janeiro
(63,70%) e na Faculda de de Direito Candido Mendes
(49,09%).
INEXISTÊNCIA DE BENS
Apenas 13,81% dos primeiranistas da Guanabara ale
garam que sua família não possui quaisquer proprieda
des; esta proporção desce a 5,36% no caso dos alunos da
Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e
so-be a 17,08%, quando se considera o conjunto de
estabele cimentos isolados.
Há grandes variações segundo a escola considera
da; assim, mais da quinta parte das famílias dos estu-
dantes não possui propriedades nos seguintes estabeleci
mentos de ensino: Escola de Belas-Artes (21,53%) ,Facul
dade de Direito da Universidade Federal do Rio de
Janei-ro (20,13%), Faculdade Brasileira de Ciências
Jurídicas
(26,31%), Faculdade de Farmácia (31,25%), Escola de Mú
sica da Universidade Federal do Rio de Janeiro(37,50%),
Conservatório Brasileiro de Musica (25,00%), Curso de
Serviço Social da Escola de Enfermeiras Ana Néri(35,00%),
Faculdade de Serviço Social do Rio de Janeiro (28,57%),
Faculdade de Administração e Finanças (27,41%), Escola de
Enfermagem Luiza de Marillac (22,22%), Faculdade de
Ciências Econômicas, Contábeis e Atuariais do Rio de Ja-
neiro (31,81%), Faculdade de Ciências Políticas e Eco
nômicas do Rio de Janeiro (26,01%), Faculdade de Filoso
fia de Campo Grande (30,00%), Escola Nacional de Geolo
gia (21,42%) e Escola Central de Nutrição (24,00%).
No outro extremo da escala, aparecem as faculda-des
onde a totalidade dos alunos declara que sua famí lia tem
bens, qualquer que seja o tipo de propriedade; é o que se
verifica na Faculdade de Direito da Pontifí cia
Universidade Católica do Rio de Janeiro, na Faculda-de de
Direito da Universidade do Estado da Guanabara,na Escola
de Serviço Social da Pontifícia Universidade Ca-tólica do
Rio de Janeiro e na Escola de Enfermaqem Al-fredo Pinto.
CASAS E APARTAMENTOS
40,16% das famílias dos alunos das escolas supe
riores sediadas no Rio de Janeiro possuem de 1 a 2 ca-sas
e 32,04% de 1 a 2 apartamentos.
Fazendo-se um estudo em separado para cada facul-
dade, poucas são as diferenças observadas, embora al guns
estabelecimentos apresentem situação nitidamente
privilegiada. Na Escola de Biblioteconomia e Documenta
ção do Instituto Santa Úrsula, 72,21% das famílias têm de
1 a 3 apartamentos; na Faculdade de Direito da Pont fícia
Universidade Católica do Rio de Janeiro, 61,53% das
famílias têm 1 a 2 casas e 66,65% de 1 a 4 aparta mentos;
na Escola Politécnica, 55,96% indicaram proprie dades de
1 a 3 casas e 56,70% de 1 a 2 apartamentos; no Instituto
Rio Branco os dados são: 41,65% com 1 a 3 ca sas e 74,99%
com 1 a 3 apartamentos.
Fazendo-se uma comparação com os dados obtidos pa
ra o conjunto das dez cidades pesquisadas, verifica-se
que no Rio de Janeiro aumenta proporcionalmente o núme ro
de famílias proprietárias de apartamentos(32,04% com 1 ou
2), diminuindo a posse de casas (40,16% com 1 ou 2).
TIPO DE MORADIA DO ESTUDANTE
Embora sejam pequenas as diferenças encontradas
em relação a posse de casas e apartamentos quando se faz
um estudo individualizado das faculdades, o mesmo não
se verifica em relação ao tipo de moradia do estudante.
Para o conjunto dos informantes da Guanabara, pre
domina a residência em casa própria (40,94%). Como seria
de esperar, em função dos dados já apresentados,tal per
centagem sobe a 59,13% no caso dos alunos da Pontifícia
Universidade Católica do Rio de Janeiro, descendo a
35,08% para os estabelecimentos isolados tomados em con
junto.
En. algumas escolas são encontrados, com maior fre
qüência, alunos vivendo em casa alugada, como ocorre no
Instituto de Nutrição (45,45% dos primeiranistas),na Fa
culdade de Odontologia (35,41%), na Faculdade de Ciên
cias Políticas e Econômicas do Rio de Janeiro (47,96%)
na Faculdade Brasileira de Ciências Jurídicas (33,08%)
na Escola Nacional de Ciências Estatísticas (40,96%) e
na Faculdade de Filosofia de Campo Grande (53,33%).
Em outras, há uma percentagem relativamente ele
vada de universitários residindo em quarto alugado ou
em casa de estudantes: Faculdades de Farmácia (18,75%) e
de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro
(19,87%), Faculdade de Ciências Médicas (14,01%), Facul
dade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro (17,19%),
Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro (14,02%), Facul
dade de Filosofia, Ciências e Letras do Instituto Santa
Úrsula (23,32%) e Escola Nacional de Geologia (28,56%).
As escolas de enfermagem constituem um caso à par
te, já que tendem a fornecer alojamento para as suas a
lunas.
SÍTIOS E TERRENOS
Uma percentagem relativamente pequena de alunos
(14,88% do total de informantes) fez referência à posse
de 1 a 2 sítios ou terrenos.
Em alguns estabelecimentos, esta proporção é ain-
da menor: na Escola de Enfermeiras Ana Néri (8,88% com
um sítio ou terreno), na Faculdade de Odontologia(6,25%
com um), na Faculdade de Serviço Social da Universidade
do Estado da Guanabara (3,70% com um), na Faculdade de
Ciências Econômicas, Contábeis e Atuariais do Rio de Ja
neiro (7,57% com um ou dois), na Faculdade de Economia
e Finanças do Rio de Janeiro (9,08% com um ou dois), na
Escola Nacional de Ciências Estatísticas (8,42% com um
ou dois), na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras
do Rio de Janeiro (6,91% com um ou dois), na Escola Na
cional de Geologia (7,14% com um sítio ou terreno) e na
Escola de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro (8,60%
com um). Os alunos do Curso de Serviço Social da Escola
de Enfermeiras Ana Neri e da Escola de Biblioteconomia
e Documentação do Instituto Santa Úrsula negam este ti
po de propriedade, enquanto que no Instituto Rio Branco
49,99% das famílias dos alunos têm de um a dois sítios
ou terrenos e no Curso de Museus do Museu Histórico Na
cional 34,78% têm um.
FAZENDAS
Apenas 4,67% dos primeiranistas da Guanabara se
referiram ã posse de fazendas. Se considerarmos as fa
culdades em que tal percentagem é superior a 10% podere
mos mencionar a Escola de Enfermagem Raquel Haddock Lo
bo (20,00%), a Faculdade de Direito da Pontifícia Uni
versidade Católica (10,25%), a Faculdade de Filosofia,
Ciências e Letras do Instituto Santa Úrsula (13,33%),
a Faculdade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro
(13,97%) e a Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro
(10,52%).
Em oposição a totalidade dos alunos da Faculdade
de Serviço Social da Universidade da Guanabara, da Esco
la de Musica da Universidade Federal do Rio de Janeiro,
do Conservatório Brasileiro de Música, do Instituto de
Nutrição e da Escola Central de Nutrição, da Faculdade
de Biblioteconomia e Documentação do Instituto Santa Úr
sula, da Escola de Desenho Industrial e da Escola Nacio
nal de Geologia nega a propriedade de fazendas pelo gru
po doméstico.
EMP
RÊSAS COMERCIAIS
Poucas famílias (8,26% do total dos primeiranis
tas que responderam à pesquisa) possuem uma ou duas em
presas comerciais. Embora haja variação desta percenta
gera de faculdade a faculdade, ela não ultrapassa 25% dos
informantes, sendo maior nos seguintes estabelecimentos
de ensino superior da Guanabara: Faculdade de Ciências
Econômicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro
(11,60%), Faculdade de Ciências Econômicas da Universi-
dade do Estado da Guanabara (12,04%), Faculdade de Far
macia (18,75%), Escola de Química (15,38%), Escola de
Engenharia da Universidade do Estado da Guanabara
(11,85%), Escola Politécnica (10,44%), Faculdade de Di-
reito da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Ja
neiro (15,38%), Faculdade de Direito cândido Mendes"
(12,71%), Escola de Serviço Social da Pontifícia Univer
sidade Católica do Rio de Janeiro (10,00%), Escola de
Sociologia e Política (17,45%), Instituto Rio Branco
(33,33%), Escola Nacional de Geologia (14,28%), Faculda
de de Medicina do Rio de Janeiro (14,0 3%) e Academia de
Música Lorenzo Fernandez (15,38%).
Em algumas escolas, a totalidade dos informantes
nega a propriedade de emprêsas comerciais, como se ob
serva na Escola de Biblioteconomia o Documentação do Ins_
tituto Santa Úrsula, na Escola de Enfermagem Luiza de
Marillac, na Escola de Enfermagem Alfredo Pinto, na Es_
cola Nacional de Musica, na Escola Central de Nutrição
e na Faculdade de Serviço Social do Rio de Janeiro.
EMPRÊSAS INDUSTRIAIS
Novamente um número reduzido de informantes (4,14%)
assinala a propriedade industrial para o grupo domesti-
co. A grosso modo, os alunos da Pontifícia Universida-
de Católica do Rio de Janeiro apontam com frequência um
pouco maior tal propriedade (7,07%), enquanto para os
estabelecimentos isolados, considerados em conjunto,tal
proporção é menor (3,06%).
É relativamente grande o número de escolas em que
a totalidade dos primeiranistas nega a posse de emprê-
sas industriais por sua família; é o caso da Escola de
Musica da Universidade Federal do Rio de Janeiro,da
Aca-demia de Música Lorenzo Fernandez, do Conservatório
Bra_ sileiro de Música, do Instituto de Nutrição e da
Escola Central de Nutrição, do Curso de Serviço Social
da Esco la de Enfermeiras Ana Neri, da Escola de Serviço
Social da Pontifícia Universidade Católica do Rio de
Janeiro, das Faculdades de Serviço Social do Rio de
Janeiro e da Guanabara, das Escolas de Enfermagem
Raquel Haddock Lo bo, Luiza de Marillac e Alfredo
Pinto, da Escola de Bi-blioteconomia e Documentação do
Instituto Santa Úrsula e da Escola de Desenho
Industrial.
Em um único estabelecimento mais de 10% das famí-
lias têm uma emprêsa industrial: a Faculdade de Direito
da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro
(com 15,38%).
AUTOMÓVEIS
36,38% das famílias têm de 1 a 3 automóveis,sendo
que na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janei
ro, tal percentagem se eleva a 56,86%.
Dois pontos extremos podem ser considerados;de um
lado aquelas escolas em que a posse de automóveis não
atinge a 20% das famílias, conforme se verifica na Esco
la de Enfermeiras Ana Néri (86,66% sem meio próprio de
transporte) e Luiza de Marillac (100% sem), na
Faculda-de de Farmácia (87,50% sem), na Escola de
Musica da Uni-versidade Federal do Rio de Janeiro
(87,50%), no Insti-tuto de Nutricio (81,81%), no Curso
de Serviço Social da Escola de Enfermeiras Ana Néri
(85,00%), nas Faculda-des de Serviço Social da
Universidade do Estado da Gua nabara (81,48%) e do Rio
de Janeiro (95,23%), na Facul dade de Filosofia,
Ciências e Letras do Rio de Janeiro (85,38%) e na
Faculdade de Filosofia de Campo Grande (83,33%).
De outro, dois estabelecimentos em que menos de
20% dos informantes declaram não possuir automóvel o
grupo doméstico: a Faculdade de Direito da Pontifícia
Universidade Católica do Rio de Janeiro (17,94%) e o
Ins-tituto Rio Branco (16,66%). A título de
esclarecimento pode ser mencionado que 10,25% destes
alunos de direito têm quatro automóveis e que 50,00%
das famílias dos fu-turos diplomatas têm dois.
APÓLICES E TÍTULOS
Como já foi apontado no capítulo" Caracterização
SÓcio-Econômica do Estudante Universitário-Dados Gerais",
a grande maioria dos alunos não respondeu ao item
"títu-los e apólices de propriedade da família". Na
Guanaba ra, a ausência de respostas atingiu a 98,44%
dos casos, o que dificulta se não impossibilita a
interpretação do dado. .
TIPO E NÚMERO DE PROPRIEDADES
Considerando-se o total de informantes da Guanaba
ra e com o objetivo de dar uma visão mais com pleta
no que se refere a número e tipo de proprie dades,
resumindo as informações até aqui expostas,
apresentamos o Quadro 9.
QUADRO 9
Tipo e número de propriedades da fa lia
do estudante universitário da
Guanabara*
* Dados relativos à primeira série dos cursos universi_
tários de graduação em 1965.
ENTIDADE MANTENEDORA DA ESCOLA MÉDIA
A maioria dos primeiranistas cursou tão somente
escolas médias particulares (48,35%); 27,86% freqüenta
ram escolas públicas e particulares e um pouco mais da
quinta parte dos alunos (21,88%) faz menção unicamente
a estabelecimentos oficiais. Na Pontifícia Universidade
Católica do Rio de Janeiro mais de 2/3 (67,97%) dos es
tudantes provêm de escolas médias pagas.
A análise dos resultados obtidos para cada estabe
lecimento de ensino superior da Guanabara revela que,em
um número relativamente pequeno de escolas, ha predomí-
nio de estudantes que cursaram escolas médias públicas:.
é o que se verifica na Escoia de Engenharia da Universi
dade Federal do Rio de Janeiro(35,71% dos primeiranis
tas), no Instituto de Nutrição (45,45%), nas Faculdades
de Filosofia, Ciências e Letras (43,60%) e de Serviço
Social (48,14%) da Universidade do Estado da Guanabara
e na Escola Nacional de Ciências Estatísticas (34,93%).
Tais dados tendem a assinalar a precariedade numérica
da rêde de escolas médias oficiais (estaduais e federais)
no Estado da Guanabara.
BOLSA DE ESTUDO
A grande maioria dos universitários (86,27%) não
se beneficiou de bolsas de estudo durante a escola me
dia, podendo mesmo ser mencionadas faculdades em que ne
nhum aluno gozou de tal ajuda: Faculdade de Farmacia e
Escola de Musica da Universidade Federal do Rio de Ja_
neiro, Escola de Biblioteconomia e Documentação do In£
tituto Santa Úrsula, Escola de Desenho Industrial e Ins_
tituto Rio Branco.
Em oposição, há escolas em que o número de alu-
nos bolsistas (durante os cursos ginasial e colegial)
é igual ou superior a 15% dos informantes: Escola de
Enfermeiras Ana Néri (26,66%), Raquel Haddock Lobo
(25,00%), Luiza de Marillac (33,33%) e Alfredo Pinto
(33,33%); Curso de Serviço Social da Escola de Enfermei-
ras Ana Neri (20,00%), Faculdades de Serviço Social da
Guanabara (15,00%) c da Universidade do Estado da Guana
Lara (18,51%), Escola de Sociologia e Política(19,04%),
Faculdade Brasileira de Ciências Jurídicas (18,79%),
Escola Nacional de Geologia (21,42%), Faculdade de Medi
cina e Cirurgia do Pio de Janeiro (15,05%), Academia de
Musica Lorenzo Fernandez (15,38%) e Conservatório Brasi
leiro de Música (25,00%).
COMENTÁRIOS
Os dados obtidos, referentes ã situação econômica
do estudante da Guanabara e de sua família,atestam um
certo grau de seleção econômica do universitário. Se
a grande maioria dos pais, por exemplo, é assalariada,
as ocupações exercidas são de tipo médio ou superior,
sendo escassos os genitores que se dedicam a atividades
manuais, vários outros elementos podem ser lembrados: é
pequeno o número de famílias que não possuem bens,os ir
mãos menores do primeiranista estão estudando, poucas
sao as mães que trabalham, a maioria dos informantes
freqüentou escolas médias pagas etc.
Se o fator econômico é elemento importante para a
freqüência ã universidade, os resultados de Rio de Ja
neiro revelam que os estudantes têm duas maneiras de
contornar a situação: matrícula em cursos que garantam
alojamento e alimentação ou em escolas noturnas.
Das diversas carreiras universitárias, a enferma
gem talvez seja a que goza de menor prestígio social;
por outro lado as escolas de enfermeiras tendem a pro
porcionar às alunas alojamento e alimentação.Nestas con
dições é difícil explicar, com os dados de que dispo
mos, o que acontece realmente: os alunos de melhor meio
sócio-econômico fogem de enfermagem pelo baixo prestí
gio da profissão ou as moças de situação econômica pre_
cária procuram tais cursos pelas facilidades materiais
oferecidas? É claro que as duas hipóteses levantadas não
se excluem mutuamente e qualquer que seja a causa,os re
sultados obtidos na Guanabara falam de um nível sócio-
econômico mais baixo da aluna de enfermagem quando com
parado com o dos demais estudantes universitários.
No Rio de Janeiro, há um número apreciável de es
colas noturnas principalmente nos campos de direito, ci
ências econômicas, filosofia e serviço social. Tais es
colas, em função do próprio horário adotado,permitem o
trabalho estudantil e, conforme se mencionou anterior
mente, nelas aumenta o número de alunos com mais idade,
casados, com ocupação remunerada e com situação econô
mica menos privilegiada. Parece, assim, que estas esco
las possibilitam oportunidades educacionais para os in
divíduos que desejam ascensão social, mas que não pos_
suem as condições econômicas mínimas para freqüentar cur
sos diurnos.
,Se as escolas de enfermeiras e as faculdades de
direito e economia, principalmente, desempenham as fun
ções acima assinaladas, permitindo o ensino universitá
rio a pessoas carentes de recursos, o mínimo que se po
de dizer é que a escolha da profissão futura se torna ex
tremamente limitada para o pobre; iste fato reforça a
necessidade de um sistema adequado de bolsas de estudo
ao nível quer da escola média, quer da superior.
Além disso, dois problemas podem ser ainda levan
tados. Um certo número de alunos estuda na Guanabara,
sendo oriundos de outros Estados. Ja discutimos este as
pecto em páginas anteriores, principalmente, em função
do local de destino distes estudantes ao término do cur
so. Queremos, agora, nos referir à situação existente
durante o próprio período de estudos. Afastados do ambi
ente doméstico, tais alunos vivem em quartos alugados,
em repúblicas ou em condições equivalentes.Havendo preo
cupação das autoridades em fornecer alimentação ao alu
no, através do sistema de restaurantes estudantis,seria
o caso de também fornecer moradia, aumentando c número
de alojamentos universitários atualmente existentes?
As faculdades do Rio de Janeiro abrigam um certo
número de estudantes com mais idades, casados e com ati-
vidade remunerada. Tais características falam, a grosso
modo, a favor de um maior grau de responsabilidade, in
terêsse e esforço por parte distes alunos. No entanto,
estão sujeitos como os demais a um currículo fixo a
ser cumprido em um determinado numero de anos. Não se
ria possível estabelecer planos de estudos mais flexí-
veis, expandindo talvez o sistema de "créditos" das fã"
culdades norte-americanas, instituindo inclusive cursos
universitários durante o período de férias? Tais
modifi-cações permitiriam ao aluno, em decorrência do
seu grau de maturidade, da sua capacidade de trabalho
e do seu interêsse, abreviar ou aumentar a duração do
curso supe rior, sem diminuir o nível de exigências do
mesmo. Pos_ sivelmente seria, ao lado de medidas
tendentes a assis tir materialmente o estudante, um
dos meios de possibi-litar o acesso ã escola superior
do indivíduo carente de recursos.
III - Conclusões
Muitos dos aspectos mencionados em relação ao es
tudante universitário da Guanabara se aproximam dos ele
mentos já descritos no capítulo "Caracterização sócio-
Econômica do Estudante Universitário - Dados Gerais",
quando se fêz a análise global dos dados obtidos em dez
capitais brasileiras.
Assim, de uma maneira geral, os primeiranistas,
das escolas superiores do Rio de Janeiro (subpopulação
estudada) se caracterizam por:
1 - predomínio de indivíduos solteiros, do sexo
masculino, brasileiros, naturais da Guanaba
ra, nascidos em zona urbana, idade variando a
grosso modo dos 18 aos 21 anos;
2 - família em geral com um pequeno número de mem-
bros, morando os estudantes com os pais no
Rio do Janeiro; pais brasileiros, com nível
de instrução variado; irmãos com nível de
ins-trução compatível com o esperado para a
res-pectiva idade cronológica;
3 - predomínio de universitários matriculados em
faculdades diurnas, assinalando intervalo de
um a dois anos entre a diplomação ao nível co
legial e o ingresso na escola superior; fre-
qüencia a cursos vestibulares e aprovação no
primeiro exame de habilitação ã faculdade (a-
lunos de engenharia e medicina em geral apro
vados no segundo concurso); poucos estudantes
com experiência universitária anterior,embora
um maior número tenha se submetido a exames
vestibulares para modalidades de ensino supe
rior diferentes do que estavam cursando em
196 5;
4 - dois elementos do grupo doméstico dispondo de
renda; pais exercendo ocupações de níveis me-
dio e alto; mães dedicadas unicamente a
afaze-res domésticos; irmãos de 18 e mais anos
estu-dando ou trabalhando em níveis
ocupacionais médios; irmãos de 14 a 17 anos
estudando;
5 - praticamente a metade dos universitários com
atividade remunerada, trabalhando em níveis o
cupacionais médios para organizações estatais
ou particulares, em regime de tempo parcial;
tempo de serviço variado com predomínio do in
tervalo de um a três anos; motivos para o tra_
balho ligados ã necessidade econômica, desejo
de independência em face da família paterna e
vontade de adquirir experiência profissional;
salário sendo utilizado para o custeio das
despesas individuais e para auxílio ao grupo
doméstico; maioria de alunos recebendo ajuda
econômica da família;
6 - pequeno número de famílias não dispondo de
bons, móveis ou imóveis, tipo e número varia-
dos de propriedades sendo mais freqüentes ca
sas, apartamentos e automóveis; uma pequena
percentagem assinalando posse de sítios e
terrenos, fazendas, emprêsas comerciais e
in-dustriais;
7 - maioria de primeiranistas egressos de escolas
médias particulares, não se tendo beneficiado
de bolsas de estudo neste período.
A necessidade de trabalhos sôbre o universitário
em cada localidade, além do estudo mais global sôbre o
aluno de nossas escolas superiores, fica claramente de
monstrada, quando se analisam os resultados obtidos na
Guanabara. As diferenças encontradas entre as diversas
faculdades são nítidas, sugerindo que a clientela de
ca-da uma delas se defronta com problemas específicos.
Os dados aqui expostos apresentam algumas dessas
diferen-ças; outros trabalhos, no entanto, são
necessários com uma dupla finalidade: aprofundar o
exame pela inclusão de outros elementos, como os
psicológicos, por exemplo, e verificar se os aspectos
estudados têm caráter de re lativa constância e
permanência, ou se, ao contrário, representam
peculiaridades observáveis apenas no primei ranista de
1965.
Comentários e observações foram feitos no decor
rer da própria apresentação dos resultados. Alguns as
pectos como o destino, após o curso, dos universitários
que freqüentam escolas no Rio de Janeiro; o atendimento
de alunos estrangeiros ou de estudantes oriundos de ou
tros Estados brasileiros durante o próprio curso supe_
rior; a possível vantagem da inclusão no currículo pro
fissionai de temas de cultura geral; a falta de entro
samento entre as escolas média e superior e o número
limitado de vagas em determinados ramos de ensino;o pos
sível desvio de vocações determinado pelo alto nível
de exigências do exame vestibular; a limitação das opor
tunidades educacionais oferecidas ao estudante carente
de recursos; a necessidade de orientação vocacional no
ensino médio e superior; a seleção econômica dos
univer-sitários; a necessidade de currículos flexíveis,
foram já discutidos.
Um único item mereceria ainda ser debatido. Dadas
as diferenças da caracterização sócio-econômica do
estu-dante universitário da Guanabara, acreditamos que
uma reformulação educacional universitária, em bases
mais realistas, teria de considerar, além dos
problemas ge rais do ensino superior, os problemas
específicos de ca-da modalidade de ensino bem como as
questões relativas a cada escola. Isto seria, em última
análise, respeitar os direitos de autonomia
administrativa, didática e fi-nanceira de nossos
estabelecimentos de ensino superior.
Capítulo 9
Caracterização Socio-Econômica do
Estudante Universitário de são Paulo
I - Aplicação da pesquisa em são Paulo (Capital)
Em São Paulo, a aplicação da pesquisa, a codifica_
ção dos questionários e a revisão desta codificação es
tiveram a cargo do Centro Regional de Pesquisas Educa_
cionais "Prof. Queiroz Filho", sendo o trabalho coorde_
nado, nesta localidade, pelos pesquisadores Celso de
Rui Beisiegel (coordenador-assistente da Divisão de Es_
tudos e Pesquisas Sociais e Educacionais) e Maria do
Carmo Guedes (técnica de educação).
Foram pesquisadas 47 escolas superiores, totali-
zando 4.505 primeiranistas. O número de questionários
computados e a relação entre este número e a matrícula
em junho de 1965, para cada uma das faculdades estuda_
das, são apresentados no Quadro 1.
Sôbre a realização da pesquisa na capital do Esta-
do de São Paulo, duas ressalvas devem ser feitas.Em pri-
meiro lugar, não foi feita a computação dos dados do
Instituto Musical de são Paulo, e do Conservatório Musi
cal Carlos Gomes, já que, em cada caso, para uma matri-
cula de dois alunos,so foram obtidas respostas de um in
formante.
Por outro lado, foram incluídas a Faculdade de Di_
reito de São Bernardo e a Faculdade Municipal de Cien
cias Econômicas e Administrativas de Santo André, uma vez
que, juntamente com as demais escolas citadas no Quadro
1, fazem parte da mesma área metropolitana; des sa
maneira, doravante, sempre que fôr mencionada a capí-tal
paulista, subentende-se esta área metropolitana.
II - Resultados Obtidos
Utilizando a classificação em quatro categorias,
podemos apresentar, para a capital bandeirante, os se-
guintes resultados:
1-0 Estudante
SEXO
Praticamente 2/3 (65,23%) dos primeiranistas de São
Paulo são do sexo masculino. Há, no entanto,grandes
variações de faculdade a faculdade, as quais devem ser
analisadas para melhor compreensão deste dado global.
Algumas escolas e certos ramos de ensino superior se a
presentam como de matrícula essencialmente masculina; é o
que ocorre, por exemplo, nas faculdades de economia
(FCEA-USP: 92,47%; FCECACJ-PUCSP:97,22%;FCE-UM: 91,66%;
FCESP: 89,42%; FCESL: 100,00%; FEFASP: 87,50% e FMCEASA:
84,61%), administração (FPAE-PUCSP: 96,22%; ESAN-PUCSP:
99,27% e EAESP: 100,00%), engenharia (EP-USP: 96,19%;
FEI-PUCSP: 96,16%; EE-UM: 95,88% e EEM: 98,54%), medici-
na (FM-ÜSP:' 83,33%; EPM: 80,59% e FCMHSCM: 75,00%) e na
Faculdade de Medicina Veterinária (80,76%).
O sexo feminino tem domínio relativo (ou mesmo ab
soluto) nas escolas de enfermagem e obstetrícia (EESP-
USP: 96,9C%;EELJL: 80,00%;EESJ: 100,00%;EEHSP : 100,00% e
EO-USP: 100,00%), filosofia (FFCL-USP: 60,03%;FFCLSB--
PUCSP: 72,97%; FFCLSS-PUCSP: 100,00%e FFCL-UM: 71,91%),
serviço social (ESS-PUCSP: 100,00% e FPSS-PUCSP: 64,10%),
belas-artes (EASP: 81,81%; EASM: 100,00% e EAFAAP:
81,81%), canto orfeônico (CBCO: 55, 55% e CECOICE:100, 00%) ,
na Escola de Sociologia e Política (66,66%), na
Faculda-de de Jornalismo "Casper Líbero" (52,17%), nas
Escolas de Biblioteconomia de São Paulo (100,00%),
Educação Fí-sica do Estado de São Paulo (52,77%) e no
Instituto Mu sical Santa Marcelina (100,00%).
Nas demais escolas, observa-se a proporção,anteri-
ormente mencionada, de predomínio relativo (embora em
percentagens variáveis) da matrícula masculina.
ESTADO CIVIL
A quase totalidade dos informantes é solteira (93,85%)
sendo irrisória a proporção dos primeiranistas viúvos
(0,06%) e separados ou desquitados (0,17%).
Em algumas escolas, no entanto, a percentagem de
casados é superior a 10%; tais faculdades são: Ciências
Econômicas e Administrativas (18,27%), Economia, Finan
ças e Administração de São Paulo (14,58%),Municipal de
Ciências Econômicas e Administrativas de Santo André
(10,25%), Paulista de Administração de Emprêsas(22,64%),
Direito de São Bernardo (24,20%), Escola de Artes de São
Paulo (18,18%) e Conservatório Brasileiro de Canto Or-
feônico (44,44%).
NÚMERO DE FILHOS
Nem todos os estudantes casados (5,19%dos alunos)
têm filhos (3,81% do total de informantes); contudo,
nas escolas mencionadas no item anterior(estado civil),
a proporção de primeiranistas com filhos é também supe
rior a 10%:Ciências Econômicas e Administrativas (13,97%)7
Economia,Finanças e Administração de São Paulo(14,58%),
Municipal de Ciências Econômicas e Administrativas de
Santo André (10,25%), Paulista de Administração de Em
presas (16,98%), Direito de São Bernardo (21,65%),
Esco-la de Belas-Artes de São Paulo (18,18%) e
Conservatório Brasileiro de Canto Orfeônico
(44,44%).
0 número de descendentes varia de 1 a 3(3,56% dos
primeiranistas),sendo 1,94 a média aritmética encontra
da e 1,09 o desvio padrão.
IDADE CRONOLÓGICA
60,87% dos universitários têm idades compreendi
das entre 18 e 21 anos, sendo que 1,66% (correspondendo
a 75 alunos) têm 34 ou mais. Esta amplitude de variação
pode explicar a média aritmética e o desvio padrão
obti-dos, respectivamente, 21,46 e 4,12.
O quadro 2 apresenta as médias e os desvios encon
trados para cada uma das escolas pesquisadas.
QUADRO 2
DISTRIBUICÃO
DAS
IDADES
CRONOLÓGICAS
A simples leitura do Quadro 2 revela alguns as
pectos interessantes. Em três estabelecimentos de ensi
no superior, a média de idades é superior a 25 anos,con
forme se observa na Faculdade Paulista de Administração
de Emprêsas (25,71), no Conservatório Brasileiro de Can
to Orfeônico (26,00) e na Faculdade de Direito de São
Bernardo (25,02).
Por outro lado, em apenas 5 (das 47 escolas pes
quisadas) a média aritmética de idades não atinge os 20
anos: na Escola Politécnica (19,62) e na Faculdade de
Medicina (19,72), ambas da Universidade de São Paulo,
nas escolas de Serviço Social (19,54), Engenharia da U
niversidade Mackenzie (19,94) e Engenharia Mauá(19,97).
Parece haver, em relação ao fator idade, dois ti
pos de alunos: aquêles para quem a escola superior re
presenta uma seqüência natural das escolas primária e
média e aquêles, para os quais, o curso universitário
é um alvo atingido tardiamente. No segundo grupo de
alu-nos incluiríamos, entre outros, os 75 estudantes,já
men-cionados, com 34 e mais anos.
O primeiro grupo merece atenção. Admitido um iní-
cio da escola elementar aos 7 anos de idade e um curso
primário com 5 séries, poderíamos ter um indivíduo aos
12 anos matriculado na la. série ginasial, aos 16 na la.
colegial e aos 19 na faculdade, isto sem contar a
possi-bilidade de uma escola primária de menor duração.
Os da-dos obtidos para a capital de São Paulo revelam,
entré tanto, que apenas 29,00% dos primeiranistas se
incluem na faixa dos 18 e 19 anos, ou seja, para a
grande maio ria dos estudantes, os cursos apresentam
obstáculos quer em relação à reprovação durante os
mesmos, quer em rela-ção ã dificuldade de passagem de
um a outro nível de en sino.
Estes dois grupos de estudantes explicariam os va
lores altos obtidos nas diversas faculdades; as conse-
qüências deste fenômeno sao óbvias: retardo do início
do curso superior e, conseqüentemente, postergação da
diplomação universitária.
NACIONALIDADE
A quase totalidade (92,71%) dos primeiranistas é
brasileira;entre os estrangeiros,as nacionalidades mais
freqüentemente encontradas são: italiana (1,10% dos in
formantes), portuguêsa (0,91%) e latino-americana (0,93%)
Em algumas faculdades, a proporção de estrangei-
ros é superior a 10%; é o caso das escolas de
arquitetu-ra (FAU-USP: 11,76% e FA-UM: 16,36%), da
Escola Politéc-nica (11,74%), da Faculdade de Farmácia
e Bioquímica (16,66%), das escolas de Enfermeiras do
Hospital de são Paulo (14,28%), Paulista de Medicina
(13,43%) e Adminis-tração do Emprêsas de São Paulo
(13,79%).
NATURALIDADE
3 699 estudantes (correspondendo a 82,10% dos in
formantes) nasceram no próprio Estado de São Paulo; te
domínio se torna mais nítido quando observamos as de mais
percentagens encontradas: 3,04% são naturais de Mi-nas
Gerais, 1,26% do Paraná e 1,22% da Guanabara.
Há variações de escola a escola, mas sem implicar
a flutuação em afastamento da tendência geral. Talvez
como em situação um pouco diversa possam ser citadas a
Escola de Administração de Emprêsas de são Paulo(17,24%
dos informantes nasceram na Guanabara) e algumas esco
las de enfermagem: Lauriston Job Lane (3 paulistas e 2
mineiras), São José (8 paulistas, 2 goianas e 1 baiana)
e do Hospital de são Paulo (5 paulistas, 2 catarinenses
1 baiana, 1 mineira, 1 fluminense e 1 gaúcha).
É interessante analisar que, embora as faculdades
da capital bandeirante sejam freqüentadas por uma quase
totalidade de paulistas, há migração estudantil de São
Paulo para outros Estados conforme assinalamos no capí-
tulo "Características Gerais do Estudante Universitário"
(14,27% dos primeiranistas de Curitiba são naturais do
Estado de São Paulo).
LOCAL DE NASCIMENTO DO ESTUDANTE
A grande maioria (83,99%) nasceu em zona urbana,
sendo que das três universidades, a Mackenzie é que apre
senta o menor índice de alunos oriundos de zona rural
(8,74%) .
Há variações de escola a escola, podendo ser
men-cionadas como mais significativas as verificadas
nas escolas de Enfermagem de São Paulo (48,48% das
alunas nasceram em áreas rurais), Obstetrícia (22,22%)
e Supe rior de Administração de Negócios (31,38%), nas
facul-
dades de Ciências Econômicas, Contábeis e Atuariais Co
ração de Jesus (23,14%), Jornalismo "Casper Líbero"
(26,08%) e Paulista de Serviço Social (35,89%), no Con-
servatório Estadual de Canto Orfeônico do Instituto
Caetano de Campos (25,00%), nas faculdades de Ciências
Econômicas de São Paulo (30,76%) e Economia,Finanças e
Administração de são Paulo (27,08%), nas escolas de
en fermagem Lauriston Job Lane (40,00%) e São José
(50,00%7 e na Faculdade Municipal de Ciências
Econômicas e Administrativas de Santo André (30,76%).
TEMPO DE MORADIA NA CAPITAL DE SÃO PAULO
Considerando-se o total de informantes, verifica-
se que 55,47% nasceram na capital paulista; 16,87% vi-
vem nesta localidade há dez ou mais anos e 16,32% têm
período de residência que varia de meses ate 3 anos.
Admitindo que um período pequeno de moradia na ci-
dade (digamos de 1 a 3 anos) possa significar,até certo
ponto,mudança domiciliar relacionada à matricula no en
sino superior,observamos que várias faculdades têm per_
centagens relativamente altas de primeiranistas nesta
si-tuação:as escolas de Enfermagem de São Paulo
(39,39%) e Belas-Artes de São Paulo (36,36%), o
Conservatório Esta dual de Canto Orfeônico do Instituto
Caetano de Campos (37,50%),as escolas de Educação
Física do Estado de são Paulo (36,10%)e Enfermagem
Lauriston Job Lane (60,00%).
Tais dados podem sugerir, aliados às informações
sôbre a naturalidade do primeiranista, que em determina
das escolas haja migração estudantil, principalmente do
interior do Estado para a capital; as causas desta mi-
gração não foram pesquisadas no presente trabalho,
embo-ra seja possível, como fizemos, levantar a
hipótese de desejo de matrícula no curso superior.
COMENTÁRIOS
As caracteristicas, até aqui mencionadas, revelam
alguns aspectos importantes: o atraso no ingresso a
fa-culdade, a migração estudantil e a baixa percentagem
de primeiranistas nascidos em zona rural.
já tecemos algumas considerações a respeito dos
dois primeiros elementos; queremos, agora, fazer um co-
mentário, embora rápido, sobre o local do nascimento do
estudante universitário da capital de são Paulo.
14,09% dos primeiranistas alegaram ter nascido em
zona rural. Tal afirmação deve ser analisada com caute
la, já que implica em conceituação de áreas urbana e ru_
ral, talvez não perfeitamente dominada pelos informan-
tes. De qualquer modo, mesmo admitindo erro, o índice
é suficientemente baixo para merecer atenção.
Segundo dados do Serviço Nacional de Recenseamen-
to, em 1960, para uma população total de 70 119 071 bra
sileiros, havia 37 647 694 (53% do total) vivendo em zo-
na rural, proporção nitidamente superior ã observada pa_
ra o universitário.
Não 5 possível explicar o fenômeno, admitindo que
os estudantes nascidos em zona rural estejam sendo to
talmente atendidos no próprio interior do Estado. As re
lações fornecidas pela Diretoria do Ensino Superior (MT
nistério da Educação e Cultura) e pela Coordenação do
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior indicam
que no interior de São Paulo sao oferecidos os
seguintes ramos de ensino: agricultura,
biblioteconomia, canto or-feõnico, ciências econômicas,
direito, educação física, enfermagem, engenharia,
farmácia, filosofia, medicina , odontologia e serviço
social, variando muito o número de faculdades e
conseqüentemente o número de vagas ofe_ recidas em cada
uma destas modalidades de ensino supe rior; regra
geral, são mais numerosas as faculdades de filosofia e
as de ciências econômicas. Dessa maneira, a matrícula
em determinados ramos universitários implica ria no
deslocamento do aluno do interior para a capital do
Estado ou para outra cidade brasileira; a este res-
peito seria interessante determinar as causas da
migra-ção estudantil de São Paulo para Curitiba.
Não dispomos de dados sôbre a matrícula universi-
tária no interior de São Paulo, mas é possível que o pe
queno número de primeiranistas, nascidos em area rural
e matriculados nas escolas da capital,seja devido, além
do possível atendimento nas escolas do interior e em
Curitiba, a fatos relacionados ao próprio
desenvolvimen-to do sistema educacional brasileiro.
Deve ser lembrado que, de acôrdo com o Censo Escolar do
Brasil, realizado em 1964, 83,6% das crianças de 7 a 11
anos e 77,6% dos ce 12 a 14 freqüentavam escolas nas
zonas urbanas e su burbanas do são Paulo; tais
percentagens desciam,respec-tivamente, a 64,0 e 53,4
no caso de crianças residen-tes em áreas rurais.
2 - A Família
NÚMERO DE ELEMENTOS DO GRUPO DOMÉSTICO
73,44% dos informantes têm de 3 a 6 pessoas no
grupo doméstico, tendo sido obtida a média aritmética
de 5,03 com desvio padrão de 2,27. Tais resultados de
vem ser acrescidos de outros elementos, principalmente-
os relativos a famílias mais numerosas; 188 estudantes
(representando 4,17% do total) acusaram 10 ou mais pes
soas, sendo que em três faculdades a proporção encontra
da foi superior a 10%; nas escolas de enfermaqem de São
Paulo (15,15%) e São José (16,66%) e na Escola Paulista
de Medicina (10,44%).
ESTUDANTES ÓRFÃOS DE PAI
Um número apreciável de estudantes (10,29%) é or
fão de pai. Existem variações desta percentagem confor-
me se considerem as universidades ou as faculdades iso
ladamente. Na Pontifícia Universidade Católica de São
Paulo, tal proporção baixa a 8,55% e em vários
estabele-cimentos de ensino não foram encontrados
alunos órfãos" de pai; é o que se verifica na Escola de
Obstetrícia,na Faculdade de Jornalismo "Casper Líbero",
nas escolas de Artes de são Paulo e Santa Marcelina e
no Conservatório Estadual de Canto Orfeônico.
Ha estabelecimentos de ensino, contudo, em que
mais da quinta parte dos primeiranistas alegou genitor
falecido; é o caso da Faculdade de Ciências Econômicas
e Administrativas (20,43%), da Escola de Biblioteco-
nomia de São Paulo (22,85%), das escolas de enfermagem
Lauriston job Lane (60,00%), São José (25,00%) e a do
Hospital de São Paulo (42,85%) e da Faculdade de Direi
to de São Bernardo (21,01%).
ESTUDANTES ÓRFÃOS DE MÃE
A proporção de primeiranistas órfãos de mãe é pe
quena (4,08%), principalmente se comparada com os dados
acima apresentados. Os maiores índices de universitári-
os órfãos de mãe são encontrados nas escolas de Enferma
gem de são Paulo (12,12%), Biblioteconomia de São Paulo
(11,42%), Enfermagem Lauriston Job Lane (40,00%) e En-
fermeiras do Hospital de são Paulo (21,42%).
Na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, nas
Esco-las de Serviço Social, de Artes Santa Marcelina e
de Ar tes da Fundação Armando Álvares Penteado, nos
conserva-tórios Brasileiro e Estadual de Canto
Orfeônico, nas Es
colas de Enfermagem São José e Administração de Emprê_
sas de São Paulo e na Faculdade Municipal de Ciências"
Econômicas e Administrativas de Santo André,nenhum es-
tudante acusou "mãe falecida".
A análise dos dados referentes a pais e mães fal_
eidos demonstra que, com as possíveis exceções das
esco-las de enfermagem Lauriston Job Lane e a do
Hospital de Sao Paulo e da Escola de Biblioteconomia são
raros os ca-sos de primeiranistas órfãos, ao mesmo
tempo de pai e mãe.
ESTADO CIVIL DOS PAIS
A grande maioria dos pais reside com a família,,
sendo diminuta a proporção de pais separados ou desqui-
tados (2,39%). Em apenas quatro escolas a percentagem
de pais separados é superior a 5% do total de informan
tes: Arquitetura e Urbanismo (5,88%), Sociologia e
Polí-tica (6,66%), Educação Física do Estado de São
Paulo (8,33%), Enfermagem são José (16,66%).
LOCAL DE MORADIA DOS PAIS
63 41% dos pais e 69,01% das mães residem na
cida-de de São Paulo, enquanto que 23,90% dos
genitores e 24,37% das genitoras vivem em outro ponto
do território brasileiro. As diferenças percentuais
encontradas em re-lação a pai e mãe podem ser devidas,
quer ao falecimento de um dos genitores, quer ã
separação dos mesmos.
O local da residência dos pais é importante, uma
vez que pode, até certo ponto, sugerir migração do jo-
vem, provocada pelo desejo de freqüentar um certo ramo
de ensino ou mesmo uma determinada escola. Não foi pes
quisado, no presente trabalho, o motivo determinante do
deslocamento estudantil; entretanto, é possível assina
lar que, em algumas escolas, é relativamente alta a
pro-porção de pais que não residem na cidade onde o
filho estuda; tais facilidades sao: escolas de
Enfermagem de São Paulo (60,60% dos pais e 57,57% das
mães),Lauriston Job Lane (40,00% dos pais e 40,00% das
mães), São José (50,00% e 83,33% respectivamente) e a
do Hospital de São Paulo (35,71% e 28,57%), Escola
Politécnica da Uni-versidade de São Paulo (33,33% dos
pais e 34,28% das mães), faculdades de Engenharia
Industrial (33,62% e 35,39%, respectivamente) e
Paulista de Serviço Social (30,76% dos genitores e
30,76% das genitoras), Conserva tório Estadual de Canto
Orfeônico (50, 00% de nais e mães]"
e Escola de Educação Física do Estado de São Paulo
(41,66% e 47,22%, respectivamente).
MORADIA DOS ESTUDANTES COM OS PAIS
A maior parte dos universitários (66,61%) reside
com os pais na Capital de Sao Paulo; tal resultado con
firma as informações anteriores sôbre o local de mora
dia dos pais dos primeiranistas.
A não-residência do aluno com a família paterna
pode ser devida, entre outros fatôres, ao estado civil
do próprio informante ou ã migração estudantil efetuada
com o objetivo de freqüentar escolas média ou superior.
Nas faculdades de Ciências Econômicas e Administrativas
(18,27%), Economia, Finanças c Administração de São Pau-
lo (14,58%), Municipal de Ciências Econômicas e Admi-
nistrativas de Santo André (10,25%), Paulista de Admi-
nistração de Emprêsas (18,86%), Direito de São Bernardo
(21,65%) e no Conservatório Brasileiro de Canto Orfeôni-
co (33,38%), aumenta proporcionalmente o número de
pri-meiranistas que residem com o cônjuge, reiterando,
as sim, os dados obtidos em relação ao estado civil do
uni-versitário.
Excetuadas as escolas de enfermagem que, por ofe-
recerem em geral alojamento, se apresentam em situação
especial, verificamos que em vários estabelecimentos de
ensino superior são relativamente altas as percentagens
de alunos que vivem sozinhos, com amigos ou com paren
tes, ou seja, que não residem no domicílio da própria
família ou da família paterna; tais escolas são: Poli-
técnica da Universidade de São Paulo (35,54%),
Engenha-ria Industrial (27,12%), Engenharia da
Universidade Ma ckenzie (25,91%), Filosofia, Ciências
e Letras da Uni-versidade de São Paulo (27,78%),
Paulista de Serviço So cial (35,89%), o Conservatório
Estadual de Canto Orfeônico do Instituto Caetano de
Campos (75,00%), Ciências Econômicas de Sao Paulo
(30,76%), Educação Fisica do Es tado de são Paulo
(41,65%) e Paulista de Medicina (40,00%)
NACIONALIDADE DOS PAIS
A maioria dos pais é brasileira (C8 , 30%),entre os
estrangeiros predominam os japoneses (11,47% dos pais
dos informantes), os portuguêses (13,66%) e os italia
nos (3,19%). Sao Paulo a este respeito se
distingue,jun-tamente com Curitiba, das demais capitais
estudadas, já que, para o conjunto dos 17 956
universitários pesquisa
dos, 82,22% dos pais nasceram no Brasil.
Em determinadas escolas, a proporção dos pais es
trangeiros é igual ou superior ã terça parte do total
de genitores, conforme se verifica em quase tôdas as fa
culdades de economia (FCEA-USP: 34,40%; FCECACJ-PUCSP :
39,81%; FCE-UM: 35,71%; FCESP: 46,15% e FEFASP: 33,33%)
em algumas escolas de Engenharia (EP-USP: 37,14% e EEM:
34,95%), nas escolas de Enfermagem de são Paulo (57,57%)
e de Obstetrícia (51,85%), nas faculdades de Farmácia e
Bioquímica (44,44%) e Medicina Veterinária (34,61%), na
Escola Superior de Administração de Negócios (41,60%) ,
nas faculdades Paulista de Serviço Social (35,89*) e
Ar-quitetura da Universidade Mackenzie (45,45%), na
Escola de Artes Santa Marcelina (40,00%) e no
Conservatório Brasileiro de Canto Orfeônico
(33,33%).
NACIONALIDADE DAS MÃES
As características de nacionalidade da mãe são
se-melhantes às do genitor: maioria de
brasileiras(74,09%) e predomínio de japonêsas (10,72%),
portuguêsas (2,90%) e italianas (2,33%) entre as
estrangeiras. Os dados ob tidos para São Paulo mostram
uma proporção mais elevada de genitoras estrangeiras
(25,01%) em relação ao conjun-to dos dez municípios
pesquisados (12,95%).
A percentagem de mães estrangeiras é igual ou su-
perior à terça parte do total de genitoras, nos seguin-
tes estabelecimentos de ensino superior: Arquitetura e
Urbanismo (35,29%), Ciências Econômicas e Administrati-
vas (34,40%), Ciências Econômicas, Contábeis e Atuariais
Coração de Jesus (33,33%), Ciências Econômicas de São
Paulo (41,34%), escolas de Enfermagem de São Paulo
(51,51%) e São José (33,33%), Obstetrícia (33,33%),
Farmácia e Bioquímica (44,44%) e Escola Superior de
Administração de Negócios (35,76%).
NÍVEL DE INSTRUÇÃO DOS PAIS
As informações obtidas em referência ao nível de
instrução do pai do primeiranista de São Paulo apresen
tarn alguns aspectos importantes: 36 pais (corresponden
do a 0,79% do total) sao analfabetos; 31,26% têm
instru-ção primária (completa ou incompleta), 36,27%
freqüenta-ram escolas médias e 26,29% iniciaram ou
terminaran cur sos de nível superior. Há, assim, pais
em cada um dos-níveis de ensino, as percentagens mais
altas se encon-trando em escola superior completa
(21,39%), término do segundo ciclo da escola média
(17,04%) e conclusão da
escola elementar (17,60%).
Algumas escolas apresentam índices mais elevados
de pais com diplomas universitários, como se observa nas
faculdades de Arquitetura e Urbanismo (35,29%),
Arquite-tura da Universidade Mackenzie (36,36%) e
Medicina da Universidade de São Paulo (34,44%), na
Escola de Socio logia e Política (36,66%), nas
faculdades Paulista de Administração de Emprêsas
(35,84%) e Paulista de Direi to (42,45%) ,nas Escolaste
Artes Santa Marcelina (30,00%) e da Fundação Armando
Álvares Penteado (36,36%) e na Es-cola de
Biblioteconomia de São Paulo (31,42%).
Em compensação, em determinados estabelecimentos
de ensino superior é muita alta a proporção de pais com
nível de escolaridade elementar; tais estabelecimentos
são: as faculdades de Ciências Econômicas, Contábeis e
Atuariais Coração de Jesus (49,98% com escola primária
completa e incompleta), Ciências Econômicas de São
Pau-Io (51,91%), Economia, Finanças e Administração de
São Paulo (58,32%), Municipal de Ciências Econômicas e
Admi-nistrativas de Santo André (66,66%), Jornalismo
"Casper Libero" (47,80%), Paulista de Serviço Social
(56,40%) e escolas de enfermagem Lauriston Job Lane
(40,00%), São José (58,32%) e a do Hospital de São
Paulo (47,99%).
NÍVEL DE INSTRUÇÃO DAS MÃES
De um modo geral, o nível de instrução das mães é
inferior ao dos pais, tanto assim que 68 (1,50% das mães
dos informantes) são analfabetas, 39,43% têm escola pri
maria (completa ou incompleta), 44,14% cursaram escolas
médias e apenas 7,78% escolas superiores; aa percenta
gens mais altas correspondem a primário completo (25,23%)
e término do ciclo colegial (21,88%).
Ha um maior número de genitora s com instrução li
mitada ã escola elementar nas escolas de Enfermagem de
São Paulo (57,57%), Lauriston Job Lane (80,00%), São Jo
sé (74,99%) e a do Hospital de São Paulo (71,41%), nac
escolas de Obstetrícia (59,24%), Superior de- Administra
ção de Negócios (49,61%),nas Faculdades de Ciências Eco
nômicas,Contábeis e Atuariais Coração de Jesus (58,31%^
Ciências Econômicas de São Paulo (66 , 38%) ,Economia,Finaii
ças e Administração de são Paulo (64,58%), Municipal de
Ciências Econômicas e Administrativas de Santo A ndré
(64,09%), Jornalismo "Casper Libero" (60,86%) na Escola
de Serviço Social (45,64%),na Faculdade Paulista de Servi
ço Social (51,27%),nos Conservatórios Brasileiro (44,44%T
e Estadual de Canto Orfeônico (62,50%) e na Faculdade de
Direito de são Bernardo (45,21%).
Em apenas dois estabelecimentos a proporção de qe
nitoras com diplomas universitários é superior a 10% do
total: na Faculdade de Arquitetura da Universidade a
ckenzie( 14,54%) e na Escola de Biblioteconomia de São
Paulo (11,42%). Tal fato deve ser realçado, já que em
várias escolas é nula a percentagem de mães com gradua
ção universitária, conforme se verifica nas duas Esco-
las de Serviço Social da Pontifícia Universidade
Católi-ca de Sao Paulo, nas Escolas de Artes de são
Paulo e San ta Marcelina, no Conservatório Estadual de
Canto Orfeô-nico do Instituto Caetano de Campos, nas
escolas de en fermagem Lauriston Job Lane e do
Hospital de São Paulo e na Faculdade Municipal de
Ciências Econômicas e Admi-nistrativas de Santo
André.
É necessário assinalar que, embora seja baixo
oní-vei de instrução de pais e mães do universitário da
capital bandeirante, esta cidade tem posição
privilegiada se comparada com os dados obtidos para o
conjunto dos dez centros urbanos pesquisados *
NÍVEL DE INSTRUÇÃO DOS IRMÃOS
Um grande número de primeiranistas (76,53%) nao
possui irmãos de 11 a 14 anos; os que responderam afi£
mativamente à pergunta acusaram nível de instrução com
patível com o esperado para esta faixa cronolóqica : 4,81?,
dos universitários têm irmãos com escolaridade primária
(completa ou incompleta) e 17,82% com primeiro ciclo (com
pleto ou incompleto) da escola média. Embora existam va
riações de percentagens segundo as universidades ou fa
culdades consideradas, estas variações são de pequena im
portância e nao se afastam da tendencia geral.
Em relação aos irmãos de 15 a 17 anos, a situação
é semelhante a já descrita: a maior parte dos estudantes
do primeiro ano dos cursos universitários de graduação
(68,39%) nao têm irmãos com estas idades; no caso de
existência de irmãos, o nível de escolaridade se aproxi_
ma do esperado para a faixa etária: 13,85% dos informan
tes acusaram irmãos com primeiro ciclo da escola média
e 12,94% com segundo ciclo. As pequenas diferenças en
* Ver a respeito o capítulo "Características gerais do
estudante universitário".
contradas em cada faculdade não se opõem a esta configli
ração global, devendo, no entanto, ser mencionado que
em três escolas aumenta o número de irmãos com instrução
elementar: nas faculdades de Ciências Econômicas, Conta
beis e Atuariais Coração de Jesus (5,54%), Economia, FT
nanças e Administração de são Paulo (8,33%) e Municipal
de Ciências Econômicas e Administrativas de Santo André
(5,12%).
A análise dos dados relativos aos irmãos de 18 e
mais anos apresenta resultados bem diversos dos até ago
ra referidos;em primeiro lugar é bem menor a incidência
de universitários sem irmãos nesta faixa etária (28,92%
dos informantes); em segundo, embora predominem os ní
veis mais elevados de instrução (14,07% dos primeiranii"
tas alegaram irmãos com segundo ciclo médio incompleto7
16,40% término do ciclo colegial e 10,49% início de cs
tudos universitários), o que seria de esperar para a T
dade cronológica, há uma proporção relativamente alta
de irmãos com instrução elementar (11,11%). Além disso
há diferenças nítidas de faculdade a faculdade.
Se tomarmos apenas os casos de irmãos com 18 e
mais anos com instrução de nível primário, veremos que
em alguns estabelecimentos de ensino superior é relatif
vãmente elevada esta proporção. Assim, nas faculdades
de Direitoda Universidade de São Paulo (11,83%) e Di^
reito de São Bernardo (22,92%); nas escolas de enferma
gem de são Paulo (12,12%), são José (16,66%) e do HospT
tal de São Paulo (35,71%); na Escola de Obstetrícia
(18,51%); nas Faculdades de Filosofia, Ciências e Letras
da Universidade de São Paulo (12,32%) e da Universidade
Mackenzie (12,35%); na Faculdade de Odontologia (13,42%);
na Escola Superior de Administração ds Negócios (18,23%);
nas Taculdades de Ciências Econômicas, Contábeis e Atua_
riais Coração de Jesus (27,77%), Ciências Econômicas da
Universidade Machenzie (11,89%), Economia, Finanças e
Administração de São Paulo (27,07%), Ciências Economi
cas de São Paulo (2 4,03%) e Municipal de Ciências Econo
micas e Administrativas de Santo André (33,32%); na Fa
culdade de Jornalismo "Gasper Libero" (13,04%);na FacuT
dade Paulista de Serviço Sokcial (12,81%) no Conservato
rio Estadual de Canto Orfeônico do Instituto Caetano dê"
Campos (62,50%) e na Escola de Artes de são Paulo (18,18%)_,
os índices de irmãos desta faixa etária com instrução
limitada ã escola elementar (completa ou incompleta)
são superiores a 10% do total estudado. Tais resultados
se afastam dos obtidos para os irmãos mais novos,mas de
certo modo se aproximam dos dados encontrados para os
genitores dos informantes.
O quadro 3 apresenta a distribuição percentual de
pais e irmãos do primeiranista de acôrdo com o nível de
instrução alcançado.
COMENTÁRIOS
As informações obtidas, referentes ã família do
primeiranista de São Paulo, representara elementos impor
tantes^ Ja tecemos comentários sôbre os problemas rela"
tivos ã migração estudantil, expressa através das difê
renças de domicílio do universitário e de sua família"
além disso, algumas considerações podem ser feitas a res
peito da nacionalidade e nível de instrução de pais ê"
irmãos.
Como seria de esperar, em face das característi
cas da população paulista, encontramos um grande número
de pais estrangeiros. Feita a comparação das nacionali
dades de pai e mãe, verifica-se que as maiores conceïï
trações de estrangeiros são encontradas nas faculdades
de ciências econômicas, de obstetrícia e de farmácia.
Por outro lado, há um grande número de pais e
mães cora escolaridade reduzida ao curso elementar nas
faculdades de economia e enfermagem, enquanto aumenta a
proporção^de genitores (ambos os sexos) com diplomas
universitários nas escolas de arquitetura e biblioteco
nomia.
~
Não dispomos de dados para tirar conclusões a res
peito, mas seria proveitoso investigar se tais fenômenos"
se aplicam ã massa de universitários da capital paulis
ta ou se representam, tão somente, peculiaridades dos"
primeiranistas do ano letivo de 1965; na hipótese de re
presentarem tais resultados tendências de cunho generi
co, seriaconveniente determinar as causas de uma prova
vei relação entre modalidade do ensino superior freqüeñ
tada e nacionalidade da família paterna, bem como entre
matrícula em determinador cursos universitários e nível
de instrução de pai e mãe.
3 - Vida Escolar
INTERVALO ENTRE OS CURSOS MÉDIO E SUPERIOR
2 376 informantes (correspondendo a 52,74% do to
tal) acusaram intervalo entre o término da escola média
e o inqresso no ensino superior. Em relação a este item,
parecem existir três tipos de alunos. Em um déles predo
minam os primeiranistas que se matricularam na faculdã"
de no ano subseqüente â diplomação no ciclo colegial rial
grupo engloba os seguintes estabelecimentos de ensino:
Enfermagem de São Paulo (69,69% dos alunos não indica
ram periodo intermediário entre as escolas média e supe
rior), Paulista de Direito (63,38%) e Direito da Unive£
sidade Mackenzie (62,88%), Filosofia, Ciências e Letras
"Sedes Sapientiae" (61,39%), Jornalismo " Casper Libero"
(73,91%), Serviço Social da Pontifícia Universidade Ca
tólica de são Paulo (58,69%), escolas de artes de são
Paulo (63,63%) e Santa Marcelina (90,00%) e Administra
ção de Emprêsas de São Paulo (62,06%).
Um segundo grupo, mais numeroso, incorpora as fa_
culdades onde a^maioria dos alunos alegou intervalo en
tre os níveis médio e superior; tais escolas são: Ciên
cias Econômicas e Administrativas (60,21%),Ciências Eco
nômicas, Contábeis e Atuariais Coração de Jesus(70,37%X
Ciências Econômicas da Universidade Mackenzie (62,50%),
Ciências Econômicas de são Paulo (69,23%), Ciências Eco
nômicas são Luís (59,01%) , Economia, Finanças e Adminis_
tração de são Paulo (60,41%), Municipal de Ciências Eco
nômicas e Administrativas de Santo André (61,53%), Far
macia e Bioquímica (74,07%), Odontologia (67,16%), MedT
cina Veterinária (92,30%), Paulista de Administração e
Emprêsa (60,37%), Superior de Administração de Negócios
(66,42%), Paulista de Serviço Social (61,53%),Filosofia
Ciências e Letras da Universidade Mackenzie (64,04%),
Conservatórios Brasileiro (66,66%) e Estadual de Canto Or
feõnico (87,50%),Enfermagem Lauriston Job Lane (80,00%!^
Ciências Médicas dos Hospitais de Santa Casa da Miseri^
córdia (73,75%) e Direito de São Bernardo (61,78%). ""
No terceiro, as percentagens obtidas não permitem
falar em predomínio de um ou outro grupo de estudantes.
NÚMERO DE ANOS DE INTERVALO
42,41% dos primeiranistas alegaram de 1 a 3 anos
de intervalo entre as escolas média e superior,a maior
percentagem se encontrando em um ano (25,90%).
Este período intermediário, no que se refere ã du
ração,tem especial importância para algumas faculdades,
já que existem nelas proporções superiores a 10% dos^pri
meiranistas com um intervalo de três anos entre o têrmT
no do ciclo colegial e o início do curso universitário,
conforme se verifica na Escola de Obstetrícia (11,11%),
nas Faculdades de Farmácia e Bioquímica (14,81%), Medi^
cina Veterinária (38,46%) e Paulista de Administra
ção de Emprêsas (11,32%), na Escola Superior de Admini£
tração de Negócios (10,21%), nas Faculdades de Ciências
Econômicas da Universidade Mackenzie (10,11%) e Ciênci
as Econômicas de São Paulo (11,53%), no Conservatório
Estadual de Canto Orfeônico (25,00%) e na Escola de Edu
cação Fisica do Estado de são Paulo (11,11%).
Por outro lado, tomados os alunos que acusaram ês
te intervalo, obteve-se para a cidade de sRo Paulo a me
dia aritmética de 2,50 anos, com um desvio padrão de
3,17; a magnitude do desvio padrão expressa, de forma
clara, a grande variação encontrada. A análise em sepa
rado das diversas escolas demonstra que, em muitas,a mé
dia é igual ou superior a três anos de intervalo; é o
caso das faculdades de Ciências Econômicas e Administra
tivas (3,03) e Economia, Finanças e Administração de são
Paulo (3,36), das faculdades de direito da Universidade
de São Paulo_(3,70), da Universidade Mackenzie (3,03) e
Direito de são Bernardo.(3,98), das escolas de enferma^
gem de São Paulo (6,50) e São José (3,OU), da Faculdade
Paulista de Administração de Emprêsas (5,43) e da Esco
la de Administração de Emprêsas de São Paulo (4,72),dai"
faculdades de Filosofia, Ciências e Letras São Bento
(3,01), Paulista de Serviço Social (3,37) e dos conser
vatórios Brasileiro (7,60) e Estadual (5,28) de Canto
Orfeônico.
Estes dados podem ser explicados, entre outros fa
tôres, pelo nível de exigências do exame vestibular, pe_
Io desejo de matrícula em outras modalidades de ensino,
pela freqüência a outros cursos de nível superior ou
mesmo pelo afastamento da escola durante um certo núm£
ro de anos.
FREQUÊNCIA A CURSOS VESTIBULARES
A grande maioria dos informantes (75,80%) freqüen
tou cursos vestibulares, devendo ser notado que esta
foi a percentagem mais alta encontrada entre os dez cen
tros urbanos pesquisados.
Ha variações de acôrdo com a faculdade considera-
da, sendo que, em um número apreciável de escolas, 80%
ou mais dos primeiranistas tinham seguido cursos prepa
ratórios para o exame de habilitação ao ensino superior
conforme se verifica nas faculdades de Arquitetura e Ur
banismo (91,17%) e Arquitetura da Universidade Macken
zie (87,27%), na Escola Politécnica (92,69%), na FacuT
dade de Engenharia Industrial (89,38%), nas escola:; de
Engenharia da Universidade Mackenzie (83,95%) e Engenha
ria Mauá (85,92%), nas faculdades de Farmácia e BioquT
mica (83,33%) e Medicina da Universidade de São Paulo
(94,44%), na Escola Paulista de Medicina (82,08%) e nas
faculdades de Ciências Médicas dos Hospitais da Santa
Casa de Misericordia (97,50%), Medicina Veterinaria
(100,00%), Ciências Econômicas da Universidade Macken
zie (81,54%), Ciências Econômicas de São Paulo (88,46%)
Ciências Econômicas são Luís (85,24%), Economia, Finan
ças e Administração de São Paulo (93,75%), nas escolas
de artes Santa Marcelina (80,00%) e da Fundação Armando
Alvares Penteado (95,45%), Enférrhagem Lauriston Job
Lane (100,00%) e Administração de Emprêsas de • São
Paulo (100,00%).
Em compensação, em vários estabelecimentos há
inversão da tendência geral, predominando os alunos que
não freqüentaram cursos vestibulares: na Escola de So
ciologia e Política (60,00%), nas faculdades de Jorn£
lismo "Casper Libero" (69,56%) e Paulista de Serviço
Social (56,41%), na Escola de Biblioteconomia de Sao
Paulo (68,57%), nos conservatórios Brasileiro (88,88%)
e Estadual (62,50%) de Canto Orfeônico e na Escola de
Educação Física do Estado de são Paulo (63,88%).
NUMERO PE ANOS PE CURSO VESTIBULAR FREQÜENTADOS
62,44% dos primeiranistas fizeram um ano de curso
vestibular, enquanto 9,70% fizeram dois. Em seis esco
las, mais da quinta parte dos informantes freqüentaram
durante dois anos estes preparatorios; é curioso assina
lar que estas seis faculdades se enquadram no que se
costuma chamar de "ciências médicas", em sentido ampio:
as faculdades de Farmacia e Bioquímica (33,33%), Odonto
logia (22,38%) e Medicina Veterinaria (46,1.5%), as fa
culdades de Medicina da Universidade de São Paulo
(31,11%), Paulista de Medicina (29,85%), e Ciências Me
dicas dos Hospitais da Santa Casa da Misericordia
(36,25%) .
Para o total de universitarios foi obtida a média
de 1,17 anos de frequência a cursos vestibulares (des_
vio padrão igual a 0,60) . Como seria de esperar, de
acôrdo com os dados apresentados no.parágrafo anterior,
as maiores médias encontradas se referem às faculdades
de Farmácia e Bioquímica (1,62), Odontologia (1,41), Me_
dicina Veterinária (1,73), Medicina (1,37), Paulista de
Medicina (1,42) e Ciências Medicas dos Hospitais da San
ta Casa de Misericórdia (1,52).
NÚMERO DE EXAMES VESTIBULARES
D questionário utilizado discriminava entre núme_
ro de exames vestibulares prestados para a modalidade
de ensino que o informante cursava em 1965 e os realiza
dos para outros ramos de ensino superior.
No primeiro caso, São Paulo se apresenta em situa
ção ímpar quando comparado com os demais centros urbi"
nos pesquisados, já que apenas 47,12% dos primeiranii"
tas haviam realizado um único exame de acesso ao ensT
no superior; 18,22% haviam prestado dois e 9,65%, trêsT
Foi obtida a média aritmética de 2,04 e um desvio pa
drão de 1,88, o que bem atesta a variedade encontrada.
-
O alto nível de exigências do exame vestibular
pode ser mencionado como uma das causas do fenômeno,
principalmente em relação ãs faculdades de engenharia
e medicina. Para engenharia, as médias encontradas pa
ra as diversas escolas foram: 2,95 (EP-USP), 3,64 (FEI
-PUCSP), 3,38 (EE-UM) e 3,56 (EEM); para medicina, os
valores foram: 2,47 (FM-USP), 2,80 (FPM) e 3,20
(FCMHSCM).
Ë curioso observar que em duas outras faculdades
foi relativamente alta a média aritmética de exames ve£
tibulares prestados: na Escola de Serviço Social (2,84)
e na Faculdade de Ciências Econômicas de São Luis
(2,36).
O número de exames vestibulares feitos dentro de
uma mesma modalidade de ensino universitário, para cada
uma das faculdades estudadas, é apresentado no Quadro 4.
OUTROS EXAMES VESTIBULARES
11,18% dos primeiranistas haviam se apresentado a
um exame vestibular para ramos de ensino superior dife
rentes dos que cursavam por ocasião da realização da
pesquisa, 4,57% haviam realizado dois exames e 1,59%
três, dando uma média aritmética igual a 1,83 e um des
vio padrão de 1,64.
O estudo em separado de cada escola mostra algu
mas variações importantes. Assim, na Faculdade de Farraã
cia e Bioquímica, os alunos matriculados no primeiro
ano haviam prestado, em média, 3,21 exames para outras
modalidades de ensino; na Faculdade de Odontologia, o
índice foi de 3,19 subindo a 4,2 3 na Faculdade de Medi
cina Veterinária; tais resultados sugerem que os primei
ranistas se matriculam tardiamente nestes ramos de ensi
no, depois de haver tentado o ingresso em outras modali
dades de curso superior.
No entanto, as médias mais altas não ficaram limi
tadas a estas escolas, devendo ainda ser citadas a Esco
la de Obstetrícia (2,00), a Faculdade Paulista de Admi
nistração de Emprêsas (2,29) e a Escola Superior de
Administração de Negócios (2,29), as faculdades de Jor
nalismo "Casper Libero" (3,33), Ciências Econômicas da
Universidade Mackenzie (2,19) e Economia, Finanças e
Administração de São Paulo (2,00), as escolas de Artes da
Fundação Armando Álvares Penteado (3,00) e Enferma gem
Lauriston Job Lane (3,75).
FREQUÊNCIA A OUTROS CURSOS UNIVERSITARIOS
O fato de que vários primeiranistas haviam presta
do exames vestibulares para outras modalidades de ensi no
superior, diferentes das que estavam cursando em 1965,
não fica limitado à hipótese de tentativa frus trada de
ingresso em outros ramos. Na realidade alguns
universitários (5,72% dos informantes) já haviam fre
qüentado escolas superiores.
Há variações segundo as universidades e as facul
dades consideradas, sendo que a proporção destes estu
dantes é maior na Universidade de São Paulo (8,14%),
caindo a 4,27% na Pontifícia Universidade Católica de São
Paulo e a 3,68% na Universidade Mackenzie.
Nas faculdades de Ciências Econômicas e Adminis_
trativas (21,50%), Municipal de Ciências Econômicas e
Administrativas de Santo André (10,25%), Direito da Uni_
versidade de São Paulo (10,85%), Medicina Veterinária
(15,38%) e Jornalismo "Casper Libero" (13,04%), nas es
colas de Artes de São Paulo (18,18%) e Administração de
Emprêsas de são Paulo (10,34%) é superior a 10% a pro
porção de primeiranistas com experiencia anterior de
freqüência a cursos universitários.
TURNO FREQÜENTADO
A maioria dos primeiranistas (71,25%) freqüenta
cursos diurnos, havendo variações na orientação adota da,
em relação ao horário das aulas, quer pelas três
universidades, quer pelos vários estabelecimentos isola
dos.
Na Universidade de São Paulo, há escolas únicamen
te diurnas, como Arquitetura e Urbanismo, Enfermagem,
Obstetrícia, Politécnica, Sociologia e Política, Medici
na e Medicina Veterinária; não há faculdades de regime
horario exclusivamente noturno e as escolas restantes têm
aulas quer durante o dia, quer ã noite.
Ja na Pontifícia Universidade Católica de São Pau
lo, os estabelecimentos de ensino funcionam exclusiva
mente durante o dia ou unicamente à noite; neste último
caso, estão as faculdades Paulista de Administração de
Emprêsas, Ciências Econômicas, Contábeis e Atuariais Co
ração de Jesus e Paulista de Serviço Social e a Escola
Superior de Administração de Negócios.
Na Universidade Mackenzie, as faculdades de Arqui-
tetura, Direito e Engenharia têm somente aulas diurnas,
enquanto as demais funcionam em dois horários.
Os estabelecimentos isolados da capital paulista,
tomados em conjunto, têm a mais alta percentagem de alu
nos matriculados em cursos noturnos (43,61%); isto sede
ve, principalmente, à existência de faculdades em regi
me exclusivo de aulas noturnas como o Conservatório Bra
sileiro de Canto Orfeônico, as faculdades de Ciências E
conômicas de São Paulo, Ciências Econômicas São Luís,
Economia, Finanças e Administração de São Paulo, Munici
pal de Ciências Econômicas e Administrativas de Santo
André e Direito de São Bernardo. Alguns estabelecimen-
tos, entretanto, funcionam com aulas diurnas, o que se
verifica nas escolas de Artes (de são Paulo, Santa Mar
Celina e Fundação Armando Álvares Penteado), Biblioteco
nomia de São Paulo, no Conservatório Estadual de Canto
Orfeônico, nas escolas de Educação Física do Estado de
são Paulo, enfermagem (Lauriston Job Lane, São José e a
do Hospital de são Paulo) e Engenharia Mauá, nas facul-
dades de medicina (Paulista e Ciências Médicas),no Ins
tituto Musical Santa Marcelina e na Escola de Adminis
tração de Empresas de são Paulo.
COMENTÁRIOS
Já fizemos referência ao analisar o fator idade
cronológica que parece haver, na capital bandeirante,
dois tipos de primeiranistas: aquêles para quem a matrí
cula no curso superior é seqüência lógica das escolas
elementar e média e aquêles para os quais o ingresso na
faculdade ê fenômeno tardio, havendo interrupção entre
o ciclo colegial e o início do curso superior.
No caso de retorno ã escola depois de um certo nú
mero de anos de intervalo, os indivíduos parecem prefe
rir os cursos noturnos, o que tem relação com idade, es
tado civil e situação economica.
Nem todos os ramos de ensino são ministrados ã noi
te; a rigor, apenas oito modalidades o são: administra_
ção, canto orfeônico, ciências econômicas, direito, far
macia, filosofia, odontologia e serviço social. Análisa
dos estes cursos, do ponto de vista da idade cronologi
ea dos estudantes, verifica-se que os cursos noturno?
tendem a ter alunos mais velhos, conforme está exposto
no Quadro 5.
Um outro dado pode ainda ser citado: em três fa
culdades da capital bandeirante, a média de idades dos
primeiranistas ê igual ou superior a 25 anos; tais fa.
culdades (Faculdade Paulista de Administração de Emprê
sas, Conservatório Brasileiro de Canto Orfeônico e Fa
culdade de Direito de são Bernardo) são exclusivamente
noturnas.
No que concerne a estado civil, conforme vimos no
item 1 (O estudante), o maior número de estudantes casa
dos é observado em faculdades com cursos noturnos; é o
que ocorre, por exemplo nas faculdades de Ciências Eco
nômicas e Administrativas, Ciências Econômicas de São
Paulo, Municipal de Ciências Econômicas e Administrati.
vas de Santo. André e Paulista de Administração de Emprê-
sas, no Conservatório Brasileiro de Canto Orfeônico e
na Faculdade de Direito de São Bernardo. A única exce_
ção é a Escola de Artes de são Paulo, com um número re_
lativamente alto de primeiranistas casados e funcionan
do em regime diurno exclusivo.
Além disso, parece haver uma certa relação entre
frequência a curso noturno e algumas características da
família paterna. A pesquisa permitiu o levantamento do
nível de escolaridade de pais e irmãos; tomado o nível
de instrução do genitor do primeiranista, já vimos no
item 2 (A Família) que em certos estabelecimentos de en
sino há um número relativamente grande de pais com ins_
trução limitada ã escola elementar. Das escolas então
citadas (Faculdades de Ciências Econômicas, Contábeis e
Atuariais Coração de Jesus; Ciências Econômicas de Sao
Paulo; Economia, Finanças e Administração de são Paulo;
Municipal de Ciências Econômicas e Administrativas de
Santo André; Jornalismo "Casper Libero" e Paulista de
S"erviç_o Social; escolas de Enfermagem Lauriston Job La_
ne, Sao José e a do Hospital de são Paulo), muitas fun
cionam em regime de aulas noturnas, sendo exceção as es
colas de enfermagem (com características prógrias, já
que tendem a fornecer alojamento e alimentação a seus
alunos) e a Faculdade de Jornalismo. Por outro lado, en
tre as escolas com alto índice de genitores com diplo
mas universitários (faculdade de Arquitetura e Urbanis_
mo, Arquitetura da Universidade Mackenzie, Medicina da
Universidade de São Paulo, Sociologia e Política,Paulis_
ta de Administração de Emprêsas e Paulista de Direito,
escolas de artes Santa Marcelina e da Fundação Armando
Alvares Penteado, Biblioteconomia de São Paulo), apenas
a Faculdade Paulista de Administração de Emprêsas tem
curso noturno.
Havendo relação entre matrícula em cursos noturnos
e fatôres como idade, estado civil e nivel de instrução
ùo responsável, no sentido de que indivíduos mais velhos
oriundos de famílias mais humildes e cm situação econô
mica mais precaria, procuram matricular-se em faculdades
com aulas noturnas, é possível perguntar se os ramos de
ensino oferecidos satisfazem ã variedade de vocação exis_
tentes; sendo ministradas apenas oito modalidades de en
sino em cursos noturnos, a resposta c obviamente négati
va. Por outro lado, o ensino superior em regime de aulas
noturnas pode ser criticado, haja visto a necessidade ce
prática profissional, geralmente realizada durante o dia,
Nestas circunstâncias,as soluções deveriam se encaminhar
para uma adequada distribuição de bolsas de estudo,quer
a nível da escola média,quer a nível da escola superior.
Deve ser mencionado que mesmo os alunos, para os
quais a matrícula na escola superior é seqüência lógica
do término do ciclo colegial, não entram todos na uni-
versidade no ano letivo subseqüente ã diplomação na es
cola média. O intervalo, aqui, principalmente nos ca
sos de engenharia e medicina, parece ser devido ao alto
nível de exigências do próprio exame vestibular. Possi
velmente associado a este fenômeno aparece um certo nú-
mero de primeiranistas que haviam tentado o ingresso em
modalidades de ensino diferentes das que estavam cursan
do por ocasião da aplicação da pesquisa.
A proporção de estudantes que freqüentaram ou
tros cursos universitários é sempre inferior ã dos que
haviam realizado outros exames vestibulares;em ambos os
casos, no entanto, pode-se falar em perda de tempo, es
forço e dinheiro, sugerindo tais_dados, entre outros fa
tôres, a necessidade de orientação vocacional possível
mente ao nível ainda da escola média*.
4 - Situação Econômica do Estudante e de sua Famí
lia.
NÚMERO DE ELEMENTOS DO GRUPO DOMÉSTICO COM RENDA
84,90% dos primeiranistas têm de 1 a 3 pessoas no
grupo doméstico com renda ou salário, tendo sido obtidos
a media aritmética de 2,03 e o desvio padrão de 1,43.
A orientação vocacional, aliás, foi sugerida pelos
próprios estudantes. Ver, a respeito, o apêndice "O
piniões de Estudantes Universitários".
As variações encontradas em cada faculdade são pou
cas, nao se afastando da tendência geral; pode ser men
cionado, contudo, que em alguns estabelecimentos mais
de 10% das famílias têm 4 pessoas percebendo salário ou
renda; tais faculdades são: Odontologia (10,44%),Escola
Superior de Administração de Negócios (15,32%), faculda
des Paulista de Serviço Social (12,82%), Ciências Econô
micas de são Paulo (11,53%),Economia, Finanças e Admi
nistração de São Paulo (18,75%), Municipal de Ciências
Econômicas e Administrativas de Santo André (15,38%) e
Escola de Enfermagem são José (25,00%).
NÍVEL DE OCUPAÇÃO DO GENITOR
Um número diminuto de pais vivia de renda (0,42%)
ou estava desempregado (0,26%) por ocasião da aplicação
da pesquisa; a grande maioria (79,97%) exercia ocupações
dos tipos 3, 4, 5 e 6, segundo a classificação adotada
por B. Hutchinson.
Foram encontradas variações quer em relação às uni
versidades, quer em relação às faculdades. Consideradas"
as universidades, verifica-se que, na Universidade Ma-
ckenzie, é bem mais elevado o nível ocupacional dos pais
dos primeiranistas: enquanto apenas 4,59% se dedicam a
profissões do tipo manual (níveis 1 e 2), 29,90% se en
quadram na categoria de profissionais e administradores
(nível 6). Os estabelecimentos isolados, tomados em con
junto, se situam em posição oposta: aumenta a proporção
dos trabalhadores manuais (11,39%) e diminui a percenta-
gem daqueles classificados no nível 6 (17,25%).
Ha uma certa relação entre estas diferenças e o
nível de instrução atingido pelos genitores; na
Univer-sidade Mackenzie, 22,99% dos pais têm instrução
limita da à escolaridade primária (completa e
incompleta) e 24,23% terminaram cursos universitários;
já no conjunto de estabelecimentos isolados, os índices
são, respecti-vãmente, 36,07% e 16,31%.
Os dados referentes ao nível ocupacional do pai
do estudante, segundo a universidade freqüentada pelo
informante, são apresentados no Quadro 6.
QUADRO 6
Nível de Ocupação do Pai do Estudante Universi-
tário*
* Dados relativos ã primeira série dos cursos universi
tários de graduação sediados na capital de são Pau
lo, em 1965.
Aprofundando-se a análise, verifica-se que várias
escolas podem ser classificadas em dois grandes grupos.
No primeiro, aumenta a percentagem de pais dedicados às
atividades manuais (níveis 1 e 2), atingindo-se índices
superiores a 10%; tais faculdades são: Enfermagem de são
Paulo (12,12%), Obstetrícia (25,91%), Farmácia e
Bioquí-mica (18,50%), Medicina Veterinária
(19,23%),Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de
São Paulo (11,17%), Filosofia, Ciências e Letras de São
Bento (10,26%), al-gumas faculdades de economia
(FCECACJ-PUCSP: 20,36% ; FCESP: 22,11%; FEFASP: 37,49%
e FMCEASA: 20,50%),a Esco la Superior de Administração
de Negócios (12,40%),as fa_ culdades de Jornalismo
"Casper Líbero" (13,03%) e Pau lista de Serviço Social
(10,25%) e a Escola de Engenha ria Mauá (11,15%). A
maioria desses estabelecimentos
foi mencionada anteriormente ao ser analisado o baixo
nível de instrução do pai do universitário, sugerindo
assim a existência de uma correlação positiva entre es
colaridade e nível ocupacional.
Em compensação, em várias escolas, mais da quarta
parte dos primeiranistas têm pais ocupando altos cargos
administrativos ou exercendo profissões liberais (nível
6 da escala de Hutchinson), como ocorre nas duas facul
dades de Arquitetura (FAU-USP: 29,41% e FA-UM: 40,00%),
na maioria das escolas de direito (FD-USP: 28,28%; FPD-
PUCSP: 35,21% e FD-UM: 40,20%) e medicina (FM-USP:
27,77% e FCMHSCM: 27,50%), na Escola de Sociologia e Po
litica (33,33%), nas faculdades de Filosofia, Ciências
e Letras "Sedes Sapientiae" (27,90%K Jornalismo "Cas
per Libero" (26,08%), Ciências Econômicas (25,59%) e En
genharia (30,45%) da Universidade Mackenzie, nas esco
las de artes de São Paulo (27,27%), Santa Marcelina"
(30,00%) e da Fundação Armando Alvares Penteado
(45,45%), nas escolas de Biblioteconomia de são Paulo
(31,42%) e Administração de Emprêsas de São Paulo
(31,03%). várias dessas faculdades forarn citadas ante
riormente como as que tinham maior proporção de pais
com diploma universitário, reforçando a hipótese de cor
relação entre nível de instrução e nível ocupacional.
Os demais estabelecimentos de ensino superior em
são Paulo seguem a tendência geral, não se destacando,
neste aspecto,em nenhum sentido. É curioso observar que
a Faculdade de Jornalismo "Casper Libero" apresenta, ao
mesmo tempo, uma percentagem relativamente elevada de
pais exercendo atividades manuais e de genitores dedica
dos a profissões liberais e altos cargos administrât]^
vos.
OCUPAÇÃO DA MÃE
A grande maioria das mães (75,38%) não exerce
ocupação remunerada; as 20,34% que trabalham, o fazem
em sua própria residência (3,59%), em negócio ou emprê
sa pertencente ã família (7,28%) ou em instituições não
ligadas ao grupo doméstico (9,47%).
17,35% das genitoras exercem ocupação dos níveis
2 (habilidade manual) a 5 (dirigentes e executivos); na
categoria 6, encontramos 0,77% das mães a no nível 1,
0,24%. Tais resultados parecem compatíveis com o nível
de instrução, no sentido de que as mães, tendo nível de
escolaridade inferior ao dos pais, ocupam posições tam
bem em categorias ocupacionais inferiores.
A análise feita,comparando-se níveis de instrução
e de ocupação de pais e mães de primeiranistas, revela
um aspecto interessante: 21,39%^ dos genitores (sexo
masculino) têm diploma universitário e 20,88% exercem
ocupações de padrão alto (nível 6); para as genitoras,
os dados são, respectivamente, 5,03% e 0,77%. Não dispo
mos de informações mais detalhadas a respeito, de taT
maneira que cabe a pergunta: estas mães não exercem
ocupação remunerada ou a exercem em níveis inferiores
ao esperado?
Do ponto de vista da ocupação materna,existem va
riações segundo a escola considerada. Em várias faculda_
des, a percentagem de mães unicamente dedicadas aos afa
zeres domésticos é inferior a 6 5%, como se observa em
Arquitetura e Urbanismo (64,70%), nas escolas de enfer
magem de São Paulo (63,63%) e Lauriston Job Lane(60,00%T
Obstetrícia (62,96%), na Faculdade de Farmácia e Bioqui^
mica (61,11%) e no Conservatório Brasileiro de Canto
Orfeônico (55,55%). Em outras, tal proporção é superior
a 85%: faculdades de Jornalismo "Casper Libero" (86,95%)
e Ciências Econômicas da Universidade Mackenzie (86,30%) ,
Conservatório Estadual de Canto Orfeônico (100,00%) eEs
cola de Administração de Emprêsas de São Paulo (86,20%X
OCUPAÇÃO DOS IRMÃOS
No que se refere aos irmãos de 14 a 17 anos,56^0%
dos primeiranistas alegaram inexistência de irmãos nes_
ta faixa etária, enquanto 35,67% afirmaram que os i£
mãos estudam; é ínfimo o número de irmãos trabalhando
(0,64%) ou dedicados, simultâneamente, a trabalho e e£
tudo (0,93%).
Para os irmãos de 18 e mais anos, a situação se
apresenta de modo diferente: 35,62% dos informantes não
responderam ã questão, percentagem esta ligeiramente
superior â observada em relação ao nível de instrução
dos irmãos nesta faixa etária (28,92%); é possível que
esta diferença percentual se prenda ao desconhecimento,
em alguns casos, da atividade exercida. Cêrca da quinta
parte dos primeiranistas (21,93%) têm irmãos estudando
e os dados relativos ã ocupação são: 5,80% com irmãos
trabalhando nos níveis ocupacionais 1 e 2 (ocupações ma
nuais), 21,37% nos níveis 3 e 4 (inspeção e supervisãoT
e 10,84% nos níveis 5 e 6 (dirigentes, executivos, pro
fissionais liberais e administradores).
As variações encontradas para as ocupações dos i£
mãos maiores (18 e mais anos) merecem ser mencionadas.-
Nas escolas de enrermagem aumentam as proporções de ir
mãos com atividades manuais; assim, na Escola de EnfeF
magem de São Paulo, 15,15% dos primeiranistas têm iF
mãos em ocupações de níveis 1 e 2; na Escola de Enferma'
gem Lauriston Job Lane, para um total de 5 informantes7
2 têm irmãos nestes níveis; na Escola de Enfermagem são
José, os números são, respectivamente, 12 e 3; na Esco
la de Enfermeiras do Hospital de São Paulo, para 3 ea
sos de irmãos estudando, há 2 sem emprêgo e 3 dedicados
a ocupações manuais.
Em outras escolas, o mesmo fenômeno ocorre; assim
na Escola de Obstetrícia (15,15%), nas faculdades Pau
lista de Serviço Social (12,81%), Ciências Econômicas
de São Paulo (16,34%) e Economia, Finanças e Administra
ção de São Paulo (18,74%), a percentagem de irmãos com
18^e mais anos trabalhando nos níveis ocupacionais 1 e
2 é superior a 10% do total.
O Quadro 7 apresenta, em linhas gerais, os níveis
de ocupação de mãe e irmãos (de 18 e mais anos) do pri
meiranista da capital paulista.
QUADRO 7 NÍvel de Ocupação de Mae e Irmãos
do Estudante Universitário *
* Dados relativos a primeira série dos cursos universitários de graduação
sediados na capital de são Paulo, em 1965.
** Considerado o nível mais baixo de ocupação observado para os irmãos de
cada informante.
OCUPAÇÃO REMUNERADA DO ESTUDANTE
A maioria dos primeiranistas (55,09%) não exerce ocupação remunerada,
não havendo diferenças significati vas a respeito, quando se consideram isoladamente
as dX versas^universidades (Universidade de São Paulo:58,12%~ Pontifícia
Universidade Católica de São Paulo: 52,71% e Universidade Mackenzie 58,89%).
Este resultado global, no entanto, mascara a si tuação encontrada em
várias faculdades. Em certos esta belecimentos de ensino mais de 60% dos
universitários exercem atividade remunerada, conforme se verifica em
tôdas as faculdades de economia (FCEA-USP: 73,11%;
FCECACJ-PUCSP: 92,59%; FCE-UM: 75,59%; FCESP: 93,26%;
FCESL: 85,24%; FEFASP: 97,91%; FMCEASA: 92,30%),em algu
mas escolas de administração (FPAE-PUCSP:86,79% e ESAN-
PUCSP: 92,70%), na Faculdade Paulista de Serviço Social
(89,74%), nos conservatórios de canto orfeônico (Conser
vatõrio Brasileiro: 88,88% e Conservatório Estadual:
87,50%) e na Faculdade de Direito de são Bernardo
(79,61%).
Se há faculdades, onde a maior parte dos primeira
nistas trabalha e estuda ao mesmo tempo, em outras a
grande maioria dos informantes não exerce ocupação remu
nerada. Tais escolas são as de medicina (FM-USP:81,11%;
FPM: 91,04% e FCMHSCM: 87,50%) e de engenharia (EP-USP:
75,87%; FEI-PUCSP: 81,71%; EE-UM: 88,06% e EEM: 89,32%)
a Faculdade de Medicina Veterinária (80,76%), as facul^
dades de arquitetura (FAU-USP: 76,47% e FA-UM: 81,81%),
e algumas escolas de Belas-Artes (EASM: 80,00% e EAFAAP:
72,72%).
Tais dados têm importância realçada se comparada
com o horário das faculdades: quase todas as escolas,
nas quais a maioria de primeiranistas trabalha, mantêm
cursos noturnos, sendo a recíproca também verdadeira.As
únicas exceções são constituídas pelos conservatórios
de canto orfeônico, nos quais mais de 80% dos informan
tes trabalham, embora um funcione em regime diurno e o
outro com aulas noturnas.
MOTIVOS DETERMINANTES DO TRABALHO ESTUDANTIL
Se 42,70% dos universitários exercem ocupação re
munerada, 17,53% o fazem para atender a necessidades
econômicas, quer da própria família (1,42%), quer da fa
mília paterna_(16,11%). A maior proporção, no entanto,
apresenta razões não diretamente vinculadas a problemas
econômicos (23,63%); entre elas podem ser mencionadas a
vontade de obter independência em face da família pater
na (9,47%) e o desejo de adquirir experiência no campo
profissional escolhido (9,90%).
Foram observadas poucas variações em relação a ês
te aspecto do trabalho estudantil, nas diversas unive£
sidades e faculdades da capital paulista. Na Universi-
dade Mackenzie, são intensificados os motivos não econô
micos (25,29% das respostas), aparecendo a necessidade
de contribuir monetàriamente para o orçamento doméstico
somente em 11,37% dos casos. Por outro lado, em apenas
sete escolas, observa-se que esta necessidade economica
se sobrepõe ao conjunto dos demais motivos,conforme se
verifica nas faculdades de Ciências Econômicas e Adnú
nistrativas (38,70% trabalham porque necessitam ajudar
a família; 29,02% apresentam outros motivos), Ciências
Econômicas, Contábeis e Atuariais Coração de Jesus
(49,07% e 40,73%, respectivamente). Economia, Finanças
e Administração de São Paulo (52,08% e 43,73%, respectif
vãmente), Farmácia e Bioquímica (20,37% e 14,80%), Filo
sofia, Ciências e Letras da Universidade de. São Paulo
(22,19% e 20,38%), Jornalismo "Casper Libero" (26,08% e
21,72%) e Odontologia (34,32% e 10,44%).
NÍVEL DA OCUPAÇÃO EXERCIDA PELO ESTUDANTE
A maioria dos primeiranistas que trabalham exerce
ocupações compreendidas^ entre os níveis 3 e 5 (39,9 8%
dos informantes). Não há variações nítidas nas diver
sas universidades e faculdades, devendo, no entanto, pa_
ra maior clareza, serem mencionados outros dados.
729 primeiranistas exercem funções de nível 3,
614 de nível 4 e 459 de nível 5, perfazendo um total de
1 802 alunos; 39 (correspondendo a 0,85% dos estudantes
pesquisados) se ocupam em atividades manuais (catego
rias 1 e 2), 29 (0,64% do total) exercem atividades do
nível 6, 5 estavam desempregados por ocasião da apli
cação da pesquisa e 2 alegaram viver de renda.
TIPO DE EMPREGADOR DO ESTUDANTE UNIVERSITÁRIO
Quando foi feita a análise, em conjunto, das res
postas dadas pelos 17 956 primeiranistas, verificou-se
que os alunos que trabalhavam, tanto o faziam para or
gãos governamentais como para instituições partícula
res*. Em São Paulo, contudo, há predomínio nítido da
entidade patronal privada (26,05% dos informantes).
7,08% dos universitários alegaram trabalhar por
conta própria; esta proporção torna-se mais significata
va em certos estabelecimentos de ensino, chegando a se
fazer majoritária, como ocorre nas faculdades de arqui^
tetura (FAU-USP: 11,76% e FA-UM, 7,27%) e em algumas
escolas de engenharia (EP-USP: 14,92%; EE-UM: 5,76% e
EEM: 4,85%).
Trabalham para o govêrno (federal, estadual e mu
nicipal)* 9,10% dos primeiranistas; este índice, aumen
ta em cinco faculdades, passando a representar a maio
* Ver, a respeito, o capítulo "Características gerais
do estudante universitário".
ria dos estudantes que trabalham; é o que se verifica
nas escolas de serviço social ( ESS-PUCSP: 19,56% e
FPSS-PUCSP: 43,58%), em duas escolas de artes (EASP:
27,27% e EAFAAP: 13,63%) e no Conservatório Estadual de
Canto Orfeônico do Instituto Caetano de Campos (62,5 0%).
NÚMERO DE HORAS DE TRABALHO DO ESTUDANTE
A maior parte dos estudantes que trabalham utili
za de 17 a 24 horas por semana nesta atividade (23,57¥
dos informantes); 7,76% alegam trabalhar mais de oito
horas diárias. Chama a atenção no item o grande numero
de casos de ausência de resposta (68,65%), superior ã
proporção de primeiranistas que não trabalham (55,09%);
não possuímos elementos para uma interpretação adequada
do fenômeno.
Estudadas isoladamente, quer universidades, quer
faculdades, verifica-se que nos estabelecimentos isola
dos, tomados em conjunto, I relativamente maior o nume
ro de estudantes com oito ou mais horas diárias de atT
vidade remunerada (12,23%). O número destes primeira_
nistas com uma carga horária maior i também mais eleva
do em algumas escoias de administração ( FPAE-PüCSP:
30,18% e ESAN-PUCSP: 31,38%), na maioria das faculdades
de economia (FCECACJ-PUCSP: 42,59%; FCE-UM: 19,04%;
FCESP: 25,96%; FCESL:^19,67%; FEFASP: 37,50%; FMCEASA:
46,15%), no Conservatório Brasileiro do Canto Orfeônico
(33,33%) e na Faculdade de Direito de São Bernardo
(23,56%).
INÍCIO DO TRABALHO ESTUDANTIL
36,33% dos primeiranistas haviam iniciado a ativi
dade remunerada antes da matrícula no curso superior,
enquanto que apenas 6,19% tinham seguido caminho inver
so.
Embora esta tendência geral seja observada em qua
se tôdas as faculdades, em alguns estabelecimentos é su
perior a 10% a percentagem de alunos que haviam princi
piado o trabalho, posteriormente ao começo do curso unT
versitário; tais escolas são: Ciências Econômicas e AdmT
nistrativas da Universidade de são Paulo (18,27%), Pau
lista de Direito (12,67%), Jornalismo "Casper Libero
71
"
(13,04%), Filosofia, Ciências e Letras da Universidade
Mackenzie (13,48%), Ciências Econômicas são Luís (19,67%),
Educação Física (13,88%) e Administração de Emprêsas de
São Paulo (24,13%).
TEMPO DE TRABALHO DO UNIVERSITARIO
Relacionado ao item anterior, foi perguntado aos
primeiranistas há quanto tempo exerciam qualquer ativi^
dade remunerada. Os resultados obtidos demonstram uma
ampla variedade de respostas, a tal ponto que se a mé
dia aritmética foi de 5,45 anos, o desvio padrão foi de
5,16.
Do ponto de vista da distribuição percentual,
26,87% dos informantes trabalhavam em períodos compreen
didos entre um e cinco anos, o maior índice incidindo
em um ano (9¿,27%) ; 2,37% dos primeiranistas tinham 10
anos de emprêgo, enquanto 1,44% exerciam ocupações remu
neradas há dezoito anos ou mais.
Examinando-se isoladamente cada faculdade, obse£
va^se que em algumas aumentada proporção de estudantes
com mais tempo de trabalho; é o que ocorre nas faculda
des de Ciências Econômicas e Administrativas (5,37% com
10 anos e 5,37% com 18 e mais), Ciências Econômicas da
Universidade Mackenzie (4,76% com 10 anos),Ciências Eco
nômicas de são Paulo (8,65%_com 10 anos), Economia, FT
nanças e Administração de São Paulo (12,50% com 10 anosl7
Municipal de Ciências Econômicas e Administrativas de
Santo André (10,25% com 10 anos).Odontologia^ (8,95% com
10 anos) e Paulista de Administração de Emprêsas (5,66%
com 18 e mais anos), na Escola Superior de Administração
de Negócios (7,29% com 10 anos), nas faculdades de Filo
sofia, Ciências e Letras da Universidade Mackenzie (4,49%
com 18 e mais anos) e de Direito São Bernardo (7,64%
com 18 e mais anos).
UTILIZAÇÃO DO SALARIO DO ESTUDANTE SOLTEIRO
De uma forma geral, os estudantes solteiros util£
zam o salário recebido quer para custear parte das des_
pesas individuais (14,13% dos informantes), quer para
arcar com tôdas as despesas pessoais (10,81%), quer pa
ra auxiliar monetariamente a família paterna (11,25%).
Na Universidade Mackenzie é relativamente menor a
progorção de estudantes que contribuem para o orçamento
doméstico (8,28%), havendo predomínio de primeiranistas
que utilizam o salário unicamente para custear parte de
suas despesas individuais (14,57%). Fenômeno semelhan_
te, ou seja, maioria de primeiranistas financiando par
cialmente seus próprios gastos, é observado nas seguin
tes escolas: Arquitetura e Urbanismo (11,76%) e ArguT
tetura da Universidade Mackenzie (9,09%), Politécnica
(16,82%), Engenharia Industrial (9,43%), Engenharia da
Universidade Mackenzie (5,76%) e Engenharia Mauá(6,31%),
Medicina da Universidade de são Paulo (12,22%) e Ciênci
as Médicas dos Hospitais da Santa Casa da Misericórdia"
(7,50%), Sociologia e Política (23,33%), Paulista de D£
reito (21,12%) e Direito da Universidade Mackenzie
(19,58%),faculdades de Filosofia, Ciências e Letras São
Bento (17,83%) e "Sedes Sapientiae" (11,16%), Jornalis
mo "Casper Libero" (26,08%), Serviço Social da Pontif7
cia Universidade Católica de São Paulo (23,91%), Escola"
de Artes da Fundação Armando Álvares Penteado (22,72%),
Educação Física do Estado de são Paulo (25,00%) e Admi
nistração de Emprêsas de São Paulo (41,37%).
Em situação oposta estão aquelas escolas nas quais
a maioria dos primeiranistas, alem de arcar com as des
pesas pessoais, contribui monetàriamente para o orçamen
to doméstico; é o que se observa nas faculdades de Ciên
cias Econômicas e Administrativas (24,73%), Economia,
Finanças e Administração de são Paulo (41,66%), Municip
pai de Ciências Econômicas e Administrativas, de Santo
André (43,58%) e Odontologia (23,88%).
Além disso,um contingente numeroso ou paga todos
os seus gastos ou contribui para as despesas da família
nas seguintes escolas: Paulista de Administração de Em
presas (50,93% dos informantes) e Superior de Adminis
tração de Negócios (69,33%), Ciências Econômicas, Contag
beis e Atuariais Coração de Jesus (62,03%) e Ciências E
conômicas de são Paulo (68,26%).
UTILIZAÇÃO DO SALARIO DO ESTUDANTE CASADO
0 pequeno número de estudantes casados dificulta
uma análise mais aprofundada; entretanto os seguintes
dados podem ser mencionados: 120 primeiranistas (2,66%
do total de informantes) custeiam tôdas as despesas fa_
miliares e 41 (0,91%) apenas parte destas despesas, 28
(0,62%) auxiliam ainda a família paterna e 5 (0,11%)
são responsáveis, ao mesmo tempo, por todo o sustento
de sua família e da família paterna.
Como esclarec omento, pode ser referido que em du
as faculdades aumenta proporcionalmente o número de prí"
meiranistas casados que auxilia financeiramente a fam?
lia paterna, como se observa nas faculdades de Ciên
cias Econômicas e Administrativas (3,22%) e Ciências E
conômicas da Universidade Mackenzie (2,38%).
AJUDA MONETÁRIA PRESTADA PELA FAMÍLIA
A grande maioria dos estudantes (65,94%) recebe a
juda monetária da família. As variações em relação a ês[
te item são numerosas, principalmente quando se estuda
cada escola individualmente.
Nas faculdades de Arquitetura e Urbanismo(85,29%),
politécnica (88,57%), Engenharia Industrial (81,41%),En
genharia da Universidade Mackenzie (87,65%) e Engenha
ria Mauá (88,83%), Medicina da Universidade de são Pau
Io (94,44%), Paulista de Medicina (89,55%) e Ciências
Médicas (91,25%), na Escola de Serviço Social (80,43%),
nas escolas de artes Santa Marcelina (90,00%) e da Fun
dação Armando Alvares Penteado (95,45%), o auxílio fi
nanceiro prestado pela família atinge a mais de 80% da
clientela universitária. Deve ser ressaltado além disso
que,' na maioria destas faculdades, quando o primeiranis
ta trabalha, utiliza seu salário apenas para o custeio
parcial das despesas individuais, o que pode indicar o
bom nível econômico de suas famílias.
Passando para a posição oposta, há inúmeras esco
las nas quais a maioria dos informantes não recebe quaT
quer auxilio financeiro do grupo doméstico; ê o que se
verifica na maioria das faculdades de economia(PCEA-USP:
50,53%; FCECACJ-PUCSP: 68,51%; FCESP:69,23%; FEFASP:
77,08% e FMCEASA: 71,79%) e administração(FPAE - PUCSP:
66,03% e ESAN-PUCSP: 64,96%), na Faculdade Paulista de
Serviço Social (53,84%), no Conservatório Brasileiro de
Canto Orfeônico (66,66%) e na Faculdade de Direito de
são Bernardo (55,41%). Estes estabelecimentos já haviam
sido mencionados ao se tratar da utilização do salário
do estudante solteiro, quer no que se refere ao custeio
de tôdas as despesas individuais, quer no que se relacio
na ã contribuição para o orçamento do grupo domésticoT
PROPRIEDADES DO GRUPO DOMÉSTICO
Um número relativamente pequeno de famílias (7,79%)
não possui quaisquer bens móveis e imóveis.
Esta percentagem torna-se superior a 10% nos se
guintes estabelecimentos de ensino superior: Ciências E
conômicas e Administrativas (10,75%), Ciências EconômT
ças, Contábeis e Atuariais Coração de Jesus(12,96%) , Cl"
ências Econômicas de São Paulo (13,46%),Economia, Finan
ças e Administração de São Paulo (16,66%), Municipal dê"
Ciências Econômicas e Administrativas de Santo André
(10,25%), Obstetrícia (11,11%), Farmácia e Bioquímica
(12,96%), Odontologia (14,92%), faculdades de Filoso
fia, Ciências e Letras das Universidades de são Paulo
(10,03%) e Mackenzie (10,11%), Paulista de Serviço Soc£
al (17,94%) e Direito de São Bernardo (14,01%).
Em algumas faculdades, a totalidade dos primeira
nistas alegou que sua família possuía bens materiais7
tais escolas foram: Arquitetura da Universidade Macken
zie, as escolas de artes de São Paulo e da Fundação Ar
mando Alvares Penteado, o Conservatório Brasileiro de
Canto Orfeônico e a Escola de Enfermagem Lauriston Job
Lane.
Deve ser mencionado que das três Universidades es
tudadas a Mackenzie apresenta a percentagem mais baixa
de ausência de propriedades para a família do primeira
nista: 3,68%.
CASAS E APARTAMENTOS
56,75% das famílias têm de uma a duas casas o
22,14% possuem de um a dois apartamentos. Tais propor
ções parecem estar ligadas a características locais de
moradia, já que no Rio de Janeiro, por exemplo, aumenta
o número de famílias com apartamentos (32,04%),diminuin
do o índice relativo a propriedades de casas (40,16%),
T
Existem variações das percentagens acima menciona
das, conforme se considerem Universidades e Faculdades;
contudo, em_apenas cinco escolas a situação observada
foge ã tendência geral. Na Faculdade de Farmácia e Bio
química, 51,85% dos primeiranistas afirmaram que sua fa
mília não possuía casas e 88,88% fizeram idêntica declã
ração no que se refere a apartamentos. Para os outros
estabelecimentos, tais proporções foram: Odontologia
(46,26% e 85,07%, respectivamente), Paulista de Serviço
Social (43,58% e 82,05%), escolas de enfermagem Lauris_
ton Job Lane (60,00% e 100,00%) e do Hospital de são Pau
lo (42,85% e 92,85%).
TIPO DE MORADIA DO ESTUDANTE
Se um grande nùmero de famílias é proprietária,
quer de casas, quer de apartamentos, seria de esperar
Ver, a respeito, ""Características Gerais do Estudante
Universitario".
que um grande número dos universitários vivesse em resi^
dência própria. Isto não foi observado, entretanto.
Em referência ao tipo de moradia do çrimeiranis
ta encontrou-se uma percentagem alta de ausencia de res_
postas (27,23%); iste fato, por si só, recomenda caute
la, já que os dados obtidos podem não expressar exata_
mente a realidade.
Feita esta ressalva, verifica-se que 36,33% dos
primeiranistas afirmaram morar em residencia própria,
enquanto 22,13% aludiram a residência alugada. A^peque
na proporção de estudantes residentes sob teto próprio,
principalmente se comparada com os índices relativos â
propriedade de casas e apartamentos, pode indicar mais
uma vez. a diferença de domicílio do grupo doméstico e
do estudante. A este respeito, deve ser mencionado que,
na capital paulista,¿6,88% dos primeiranistas vivem em
alojamentos estudantis (pertencentes ou não is Universi
dades e Faculdades), 3,46% moram em quarto alugado e
3,95% em hotel ou pensão.
SÍTIOS E TERRENOS
A grande maioria dos informantes (78,09%) nega a
posse de sítios e terrenos. Entre aqueles que os pos_
suem, as variações encontradas são pequenas,podendo, no
entanto, ser destacados cinco estabelecimentos.nos quais
mais da quinta parte das famílias alega este tipo de
propriedade: Enfermagem de São Paulo (27,27%), Politéc-
nica da Universidade de São Paulo (25,71%), Ciências E
conômicas da Universidade Mackenzie (23,21%), Educação
Física (22,22%) e Ciências Econômicas de são Paulo
(22.11%).
FAZENDAS
Apenas 7,45% das famílias dos primeiranistas pos
suem 1 ou 2 fazendas; tal percentagem se torna sensível
mente maior nas seguintes escolas: Arquitetura e Urba
nismo (17,69%) e Arquitetura da Universidade Mackenzie
(14,54%), Sociologia e Política(19,99%).Direito(16,49%)
e Engenharia (14,39%) da Universidade Mackenzie e Ciên
cias Econômicas São Luís (18,02%).
EMPRÊSAS COMERCIAIS
Para os 17 956 estudantes pesquisados, verificou-
-se que 10,49% das famílias possuem uma emprêsa comeri
al*; tal índice ê nitidamente mais alto na capital pau
lista, chegando a 14,29%.
Ha oscilações nas percentagens obtidas, na depen
dência da Universidade ou da Faculdade consideradas. Em
determinados estabelecimentos de ensino superior, a pro
porção de famílias proprietárias de emprêsas comerciais
ê aproximadamente o dobro da taxa encontrada para as
dez cidades estudadas; é o que se verifica nas faculda
des de Farmácia e Bioquímica (22,22%), Direito (20,61%)
e Engenharia (20,16%) da Universidade Mackenzie, Ciên
cias Médicas (21,25%), Administração de Emprêsas de São
Paulo (34,48%) e Municipal de Ciências Econômicas e Ad
ministrativas de Santo André (23,07%).
EMPRÊSAS INDUSTRIAIS
Fenômeno semelhante ocorre em relação as emprêsas
industriais. Para as dez localidades estudadas obser
vou-se que 5,64% das famílias dos informantes possuem
tais emprêsas :em são Paulo, foi encontrada a proporção
de 8,32%.
Da mesma forma como fizemos no item anteriormente
mencionado, é possível destacar escolas nas quais o ín
dice de famílias proprietárias de empresas industriais
é praticamente igual ou superior ao dobro da percenta
gem obtida para o conjunto dos estudantes universitãri
os: Medicina da Universidade de são Paulo (11,11%), Pau
lista de Administração de Emprêsas (13,20%),Ciências É
conômicas,Contábeis e Atuariais Coração de Jesus(12,03%),
Filosofia, Ciências e Letras São Bento (11,89%), as Fa_
culdades de Arquitetura (20,00%), Ciências Econômicas
(13,09%), Direito (11,34%) e Engenharia (13,16%)_da Uni-
versidade Mackenzie, a Escola de Artes da Fundação Ar
mando Álvares Penteado (27,27%),Ciências Econômicas são
Luís (11,47%) e Administração de Emprêsas de São Paulo
(31,03%).
Tais dados parecem se prender a características
econômicas da região, já que nas localidades sulinas
(são Paulo, Curitiba, Porto Alegre) foram relativamente
mais altas as proporções de famílias donas de emprêsas
industriais e comerciais*.
* Ver, a respeito, o capítulo: "Características Gerais
do Estudante Universitário".
AUTOMÓVEIS
Mais da quarta parte das famílias (31,03%)tem um
automóvel; 12,98% possuem dois e 3,72%, três; tais ín
dices são nitidamente superiores aos obtidos para o con_
junto dos dez urbanos pesquisados*.
Dois grandes grupos são fàcilmente percebidos; no
primeiro se encontram as escolas nas quais mais de 50%
das famílias possuem de um a três carros, conforme se
observa nas faculdades de arquitetura (FAU-USP: 61,75%
e FA-UM: 65,43%), na Faculdade de Medicina da Universi
dade de São Paulo (59,99%), em algumas Escolas de Direi
to (FPD-PUCSP: 57,73% e FD-UM: 58,75%), na Faculdade de
Filosofia,Ciências e Letras "Sedes Sapientiae"(55,33%),
na Escola de Serviço Social (58,68%), em determinadas
Faculdades de Ciências Econômicas (FCE-UM: 57,12% e
FCESL:62,28%)e de Engenharia(EE-UM:62,54%e EEM:52,90%),
nas Escolas de Artes(EASP:63,63%;EASM:80,00% e EAFAAP:
72,91%), nos Conservatórios de Canto Orfeônico ( Conser
vatório Brasileiro: 88,88% e Conservatório Estadual:
50,00%) e na Escola de Administração de Emprêsas de São
Paulo (68,96%).
Em campo oposto, estão as escolas onde predominam
as famílias sem meios próprios de locomoção: as escolas
de enfermagem e obstetrícia (EESP-USP: 69,69%; EO-USP,
62,96%; EELJL: 60,00%; EESJ: 91,66% e EEHSP: 78,57%), a
Faculdade de Odontologia (65,67%), algumas Faculdades
de Economia (FCECACJ-PUCSP:65,74%;FEFASP:70,83% e FMCEASA:
66,66%), as faculdades de Jornalismo "Casper Libero"
(65,21%) e Paulista de Serviço Social (84,61%).
APÓLICES E TÍTULOS
0 questionário utilizado na pesquisa fazia refe
rência à propriedade de apólices e títulos;99,08% dos
informantes não responderam ao quesito, parecendo ser
cabível a dúvida: ou as famílias não possuem ações ou
os primeiranistas desconhecem a real situação do grupo
doméstico em relação a este elemento.
Com o intuito de permitir uma visão mais geral do
assunto, os índices relativos a tipo e número de pro
priedades são apresentados no Quadro 8.
* Ver a respeito o capítulo "Características gerais do
estudante universitário".
QUADRO 8
Tipo e Numero de Propriedades da
Família do Estudante
Universitario*
* Dados referentes ã primeira série dos cursos universi
tários de graduação, sediados na capital de são Pau
lo, em 1965.
ENTIDADE MANTENEDORA DA ESCOLA MÉDIA
40,91% dos primeiranistas freqüentaram unicamente
escolas médias particulares, 27,12% somente escolas pú
blicas e 30,01% alternaram escolas oficiais com colégi
os pagos.
Em algumas Faculdades, predominam os alunos oriun
dos de escolas médias públicas; tais estabelecimentos
são: Enfermagem de São Paulo (45,45%) ,Politécnica(48,57%)
Farmácia e Bioquímica (50,00%), as Faculdades de Filoso
fia,Ciências e Letras (41,28%) e Medicina (44,44%) da U
Universidade de São Paulo e o Conservatório Estadual de
Canto Orfeônico (50,00%).
BOLSAS DE ESTUDO DURANTE A ESCOLA MÉDIA
Apenas 8,90% dos primeiranistas receberam bolsas
de estudo durante a escola média. Existem variações de
Faculdade a Faculdade, mas em nenhum estabelecimento a
percentagem de bolsistas é superior a 25% dos informan
tes. As escolas com maior número de ex-beneficiários de
bolsas de estudo são: Obstetrícia (18,51%), Enfermeiras
do Hospital de São Paulo (21,42%), Filosofia,Ciências e
Letras da Universidade de São Paulo (10,69%),Sociologia
e Política (13,33%), Ciências Econômicas, Contábeis e
Atuariais Coração de Jesus (13,88%), Filosofia,Ciências
e Letras São Bento (11,89%), Serviço Social (13,04%) e
Paulista de Serviço Social (17,94%), Ciências Econômi
cas de São Paulo (12,50%) e Economia, Finanças e Admi
nistração de são Paulo (14,58%), Educação Física do Es
tado de são Paulo (11,11%) e Paulista de Medicina
(13,43%) .
COMENTÁRIOS
Alguns dados relativos a situação econômica do es
tudante universitário e de sua família merecem uma aná
lise menos superficial. Um deles se refere ã possível
correlação entre os níveis de instrução e de ocupação
dos genitores.
Vimos que em algumas escolas há maior índice de
pais com escolaridade limitada ao ensino elementar, ao
mesmo tempo que uma proporção maior de genitores dedica
dos a ocupações do tipo manual; o mesmo se observa em
relação a instrução universitária e o exercício de ocupa
ções de níveis mais altos.
A correlação existente, no entanto, não é forte
mente positiva (foi obtido o coeficiente 0,62), o que
pode ser devido a presença de um certo número de pais
que exercem ocupações de tipo médio (níveis 3 e 4 da es
cala de Hutchinson), embora tenham freqüentado únicamen
te a escola primária.
O Quadro 9 compara os níveis de instrução e ocupa
ção dos pais dos estudantes universitários da capital
bandeirante.
Falamos, em itens anteriores, nas possíveis rela
ções existentes entre freqüência a cursos universitá
rios noturnos, idade cronológica (estudantes mais ve
lhos) e estado civil (alunos casados). Parece haver tam
bem relação entre o turno freqüentado e o exercício de
ocupação remunerada por parte do primeiranista. Embora
nem todos os alunos que estudam ã noite se dediquem ao
emprêgo durante o dia, a percentagem de estudantes que
trabalham é sensivelmente maior nas escolas noturnas,
conforme se demonstra pelo Quadro 10.
A importância de tais dados pode ser assim resumi
da: se alguns estudantes, mais velhos, muitas vêzes cã"
sados, procuram os cursos universitários noturnos como
maneira de satisfazer, ao mesmo tempo, sua necessidade
econômica (trabalho durante o dia) e_seu desejo de aper
feiçoamento cultural ou especialização profissional, o
diminuto número de modalidades de ensino superior ofere
cidas em regime noturno e a precariedade do sistema dê"
distribuição de bolsas de estudo contribuem para limi
tar extraordinariamente a possibilidade de estudo aos
indivíduos de nível econômico precário; nessa situação,
as pessoas não se dedicam ao que gostariam talvez de a
prender mas aquilo que têm possibilidades de estudar.
III - Conclusões e sugestões
Os dados obtidos para os primeiranistas pesquisa
dos na cidade de São Paulo indicam como principais ca
racterísticas as seguintes:
1 - maioria de informantes de sexo masculino, sol
teiros, com idades variando dos 18 aos 21 a
nos, brasileiros, naturais do Estado de são
Paulo e nascidos em zona urbana; cêrca da sex
ta parte residindo na capital paulista em pe
ríodos compreendidos entre 1 e 3 anos;
2 - de maneira geral, famílias com pequeno número
de membros; poucos os casos de pais desquita_
dos ou separados e raros os estudantes órfãos
de pai e mãe; maior parte dos pais residindo
em São Paulo, com o filho universitãrio;maio
ria de genitores brasileiros, havendo contudo
um grande número de estrangeiros,principalmen
te japoneses; nível de instrução do pai varia_
do, nao havendo propriamente predomínio de
qualquer nível sobre o outro; nível de escola
ridade da mãe em geral inferior ao do pai;
irmãos em sua maior parte com nível de instru
ção compatível com o esperado para a respecti
va idade cronológica;
3 - maior parte dos informantes acusando interva_
lo entre as escolas média e superior, de um a
três anos; grande maioria freqüentando cursos
vestibulares durante um ou dois anos, sendo
que menos da metade obteve aprovação no Pri.
meiro concurso de habilitação prestado;vários
alunos tendo se candidatado a outros ramos de
ensino superior, embora sendo relativamente
pequeno o número de estudantes com experiên
cia universitária anterior; maior parte dos
universitários freqüentando cursos diurnos;
4 - em média, duas pessoas do grupo doméstico com
renda ou salário; pais exercendo ocupações de
níveis médio e alto; mães, em sua maioria, se
limitando aos afazeres domésticos;irmãos de
14 a 17 anos estudando; irmãos de mais idade
ou ainda estudando ou trabalhando em ocupa
ções do tipo médio;
5 - menos da metade dos primeiranistas com ocupa
ção remunerada; os que trabalham não o fazem
somente por motivos econômicos, tendo sido
também alegados o desejo de independência em
face da família paterna e a vontade de adqui
rir experiência no campo profissional escolhi
do; estudantes exercendo atividades compreen_
didas entre os níveis 3 e 6, em organizações
particulares, trabalhando de 17 a 24 horas se
manais; trabalho iniciado antes da matrícula
na escola superior, sendo muito variado o nú
mero de anos do exercício da ocupação;salário
do estudante solteiro utilizado para o custeio
das despesas individuais ou para ajuda no or
çamento do grupo doméstico; estudante casado
custeando em geral todos os gastos de sua fa
mília; maioria dos primeiranistas recebendo
ajuda monetária da família;
6 - poucas famílias não possuindo bens móveis ou
imóveis, mencionando-se, com maior freqüên
cia, casas, apartamentos, emprêsas comerciais
e automóveis;
7 - predomínio de universitários egressos de esco
las médias particulares, sem benefício de bôl
sas de estudo durante os ciclos ginasial e co
legial.
Comentários a respeito do atraso no ingresso ã fa
culdade, migração estudantil, baixa percentagem de estu
dantes nascidos em zona rural, nacionalidade dos pais,
nível de instrução de pais e irmãos, turno freqüentado
pelo primeiranista e exercício de ocupação remunerada
pelo universitário foram feitos no decorrer do próprio
trabalho, não necessitando ser aqui repetidos.
Dois outros aspectos, no entanto, devem ser men
cionados: a necessidade do estudo das condições especí
ficas de ensino e aprendizagem em cada escola e a pes
quisa das condições do mercado de trabalho na capital
paulista. Ou seja, procuramos apresentar, em linhas ge
rais, como é o indivíduo que se matricula nas faculda
des; é preciso saber, além disso, o que se passa com ês_
te indivíduo durante todo o curso superior e o que o es
pera ao receber o diploma universitário.
Capítulo 10
Caracterização Socio-Econômica do Es_
tudante Universitário de Curitiba
I - Aplicação da pesquisa em Curitiba
Na capital paranaense, a aplicação da pesquisa, a
codificação dos questionários e a revisão desta codifi
cação estiveram a cargo do Centro Regional de Pesqui
sas Educacionais "Prof. Queiroz Filho" sendo o trabalho
coordenado, nesta localidade, pelos professores Celso
de Rui Beisiegel (coordenador-assistente da Divisão de
Estudos e Pesquisas Sociais e Educacionais) e Maria do
Carmo Guedes (técnico de educação).
Foram pesquisadas 22 escolas superiores, totali
zando 1.969 primeiranistas. O número de questionários
computados e a relação entre este número e a matrícula
em junho de 1965, para uma das faculdades estudadas,são
apresentados no Quadro 1.
II - Resultados obtidos
Utilizando-se a classificação em 4 categorias, po
demos apresentar, para Curitiba, os seguintes resulta
dos:
1-0 Estudante
SEXO
A proporção de estudantes do sexo masculino ê ní
tidamente superior: 73,28%. Não obstante, o sexo femini
no é absoluto na Escola de Enfermagem Madre Maria Leo
nie e predomina no Curso de Biblioteconomia e Documen
tação (77,77%), nas Faculdades de Farmácia (57,69%) e
Filosofia, Ciências e Letras da Universidade Federal do
Paraná (65,87%) e na Escola de Serviço Social do Paraná
(83,33%).
ESTADO CIVIL
Existe uma percentagem muito pequena de estudan
tes casados (9,12%), nenhum viúvo e um número insigni
ficante de desquitados (0,29%) para uma maioria de sol
teiros (90,36%). Algumas escolas apresentam um índice
maior de estudantes casados: o Conservatório Estadual
de Canto Orfeônico (50,00%) e as Faculdades de Ciências
Econômicas do Paraná (59,52%) e Direito de Curitiba
(57,50%).
FILHOS
Nem todos os estudantes casados têm filhos,já que
apenas 8,46% dos informantes declararam possuí-los; o
número de filhos é pequeno, sendo a média aritmética de
2,26 e o desvio padrão de 1,52.
IDADE CRONOLÓGICA
A maioria dos primeiranistas concentra-se na fai
xa dos 18 aos 22 anos (66,41%), havendo uma proporção
pequena de estudantes com 34 anos ou mais (3,82%). É in
teressante assinalar que os estabelecimentos que apre_
sentaram maior percentagem de alunos casados também re
gistraram proporções superiores de primeiranistas com
34 anos ou mais: o Conservatorio Estadual de Canto Or
feônico (25,00%) e as Faculdades de Ciências Econômi
cas do Paraná (13,09%) e Direito de Curitiba (12,50%).
Ha, além disso, grande variação da idade cronoló
gica, o que explica a média aritmética (22,09 anos) e o
desvio padrão (5,22) encontrados; as médias e os des
vios obtidos em cada estabelecimento de ensino superior
são apresentados no Quadro 2.
NACIONALIDADE
A esmagadora maioria dos estudantes é brasileira
(93,52%), sendo que em quatro Faculdades da Pontifícia
Universidade Católica do Paraná não se encontraram pri
meiranistas estrangeiros; tais escolas são a Faculdade"
Católica de Direito do Paraná, as escolas de Enfermagem
Madre Marie Leonie e de Serviço Social do Paraná e a
Faculdade de Sociologia.
NATURALIDADE
Apenas 49,30% dos primeiranistas são naturais do
Paraná, enquanto 16,92% são originários de Santa Cata_
rina e 14,27% de São Paulo. Deve ser mencionado que as
escolas de Enfermagem Madre Marie Leonie (60,00%) e de
Serviço Social do Paraná (83,33%) apresentam uma percen
tagent mais elevada de paranaenses.
TEMPO DE MORADIA NA CIDADE
Uma proporção relativamente baixa de informantes
(34,43%) é natural de Curitiba; para 18,69% dos infor
mantes, a matrícula na escola superior parece ter implT
cado em mudança de residência, pois vivem na capitaT
paranaense há um ano ou menos; 15,52%, embora não natu
rais de Curitiba, residem nesta cidade há 10 anos ou
mais. A média para o tempo de moradia na capital paraná
ense, para os que não nasceram nela, é de 5,6 8 anos com
desvio padrão de 5,99.
LOCAL DE NASCIMENTO
A maioria (72,47%) dos informantes provém de zona
urbana.
COMENTÁRIOS
Os dados relativos ao local de nascimento sugerem
um certo deslocamento de escudantes para Curitiba,vin_
dos de outras cidades do Paraná ou mesmo de outros Esta
dos. A migração dos catarinenses talvez possa ser explT
cada, entre outros fatôres, pelo pequeno número de esco
las superiores em Santa Catarina; a interpretação dês_
te fenomeno em relação aos paulistas exigiria um estudo
mais detalhado.
2 - A Família
NÚMERO DE ELEMENTOS DO GRUPO DOMÉSTICO
A maioria (62,53%) das familias dos primeiranis_
tas conta com 3 a 6 elementos sendo que 5,88% dos infor
mantes alegaram famílias com 10 ou mais membros.Foi oE
tida como média aritmética 5,35 e como desvio padrão,
2,56.
Existe uma proporção relativamente grande de alu
nos órfãos de pai (11,33%) e uma percentagem menor de
órfãos de mãe (5,88%). A quase totalidade dos pais(86,31%)
vive com a família, sendo reduzido o número de pais des_
quitados ou separados (2,06%).
LOCAL DE MORADIA DOS PAIS
Menos da metade dos pais (39,14% para o pai e 43,85%
para a mãe*) reside em Curitiba^ São exceções o Curso
de Biblioteconomia e Documentação (88,88%) e a Escola
de Serviço Social do Paraná (83,33%), em que taxas mais
elevadas de genitores residem com os filhos na capital
paranaense. As diferenças de domicílio da família pa
terna e do primeiranista sugerem um certo grau de migra_
ção estudantil, como já foi assinalado anteriormente.
NACIONALIDADE DOS PAIS
Curitiba apresenta uma proporção relativamente al
ta de cais estrangeiros (18,98% para o pai e 15,82% pa
ra a mae) , sendo entre os estrangeiros, a nacionalidade"
dominante a japonêsa (33,45% para o pai e 39,31% para a
mãe) .
NÍVEL DE INSTRUÇÃO DO PAI
Considerando separadamente cada genitor, verifica
mos que 53,61% dos pais (sexo masculino) iniciaram estu_
dos de nível pós-primário, sendo que 17,36% têm curso
superior completo.No Curso de Biblioteconomia e Documen
tação, os pais dos primeiranistas apresentaram uma pro
porção bem mais elevada de diplomados em cursos univer
* As diferenças percentuais entre pai e mãe podem ser
explicadas pelo falecimento de um dos genitores.
sitários (44,44%), enquanto no Conservatório Estadual
de Canto Orfeônico, o nível de instrução foi bem mais
baixo: nenhum genitor com diploma universitário, embora
50,00% tivessem iniciado, pelo menos, estudos pós-primá
rios.
NÍVEL DE INSTRUÇÃO DA MÃE
0 nível de instrução das mães ê, em linhas gerais,
inferior ao dos pais, tanto assim que 45,44% das genito
ras têm instrução superior à primária, mas apenas 3,60%
têm curso superior completo. No Conservatório Estadual
de Canto Orfeônico, da mesma forma como foi registrado
em relação ao nível de instrução do pai, a situação é
ainda mais precária: 62,50% das mães terminaram a esco
la elementar mas nenhuma atingiu outro nível de instrü
ção.
NÍVEL DE INSTRUÇÃO DOS IRMÃOS
Para os irmãos de 11 a 17 anos, o nível de instru
ção correspondeu ao esperado para estas idades,havendo,
no entanto, uma elevada percentagem de inexistência de
irmãos nesta faixa. Para os irmãos de 18 e mais anos, a
situação é um tanto diversa: um maior número de primei^
ranistas declarou possuir irmãos neste grupo etário e,
embora predominem os níveis mais adiantados, existe um
número elevado com instrução inferior ã esperada para a
idade.
Para maior clareza apresentamos, a seguir, os da_
dos relativos ao nível de instrução de pais e irmãos do
estudante universitário - Quadro 3.
3 - Vida Escolar
TURNO
80,27% dos informantes freqüentam cursos diurnqs.
Das escolas pesquisadas, têm aulas noturnas, as faculda
des de Ciências Econômicas e de Sociologia (ambas da
Pontifícia Universidade Católica do Paraná), O Conserva
torio Estadual de Canto Orfeônico, as faculdades de CT
ências Econômicas do Paraná e de Direito de Curitiba. A
Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal
do Paraná tem cursos diurno e noturno: 35,00% dos infor
mantes estudam durante o dia e 65,00% à noite.
FREQUÊNCIA ANTERIOR A CURSO UNIVERSITARIO
Uma proporção significativa de primeiranistas já
tinha tido experiência universitária anterior a curso
que freqüentava em 1965 (12,50%).
INTERVALO ENTRE ESCOLAS MÉDIA E SUPERIOR
55,11% dos universitários ingressaram na escola
superior no ano subseqüente ao têrmino do ciclo colegi^
al; há variações de faculdade a faculdade, mas em ge
ral as percentagens oscilam em torno de 50%. Em cer
tos estabelecimentos, no entanto, a maioria dos alunos
acusou intervalo entre o têrmino da escola mèdia e o
início do curso universitário, conforme se verifica na
Faculdade de Odontologia (68,00%), na Escola de Enfer
magem Madre Marie Leonie (60,00%) e na Faculdade de So
ciologia (64,86%).
Nos casos em que há intervalo de tempo entre as
escolas média e superior, foram encontrados 3,05 anos
como média aritmética e 3,60 como desvio padrão. A maio
ria dos alunos (30,90%), entretanto, concentra-se na
faixa de 1 a 3 anos, embora 2,33% dos informantes te
nham indicado um período superior a 10 anos entre os
dois níveis de ensino. Embora se trate de proporção pe
quena é notável, de um ponto de vista individual,o fato
de 32 pessoas voltarem a estudar após mais de 10 anos
decorridos da conclusão da escola média.
CURSO VESTIBULAR
56,88% dos primeiranistas declararam ter realiza
do cursos vestibulares tendo freqüentado, em média,1,23
anos (desvio padrão = 0,90). Algumas escolas apresentam
características especiais, com uma proporção maior de
estudantes que não freqüentaram curso vestibular:o Cur
so de Biblioteconomia e Documentação (77,77%), a FacuT
dade Católica de Filosofia, Ciências e Letras do Parana
(65,51%) e a Escola de Serviço Social do Paraná(83,3 3%).
EXAMES VESTIBULARES
A maioria dos informantes (73,28%) prestou apenas
um exame vestibular para o ramo de ensino freqüentado;
éste fato é indicado pela média 1,30 e o desvio padrão
0,81.
Deve ser mencionado, no entanto, que um número
grande de alunos (27,41% dos primeiranistas) havia rea
lizado exames vestibulares para outras modalidades do
ensino superior, embora apenas 12,50% dos informantes
tenham efetivamente freqüentado outros cursos univers^
tãrios. Ha pequena variação na quantidade de exames
prestados, o que fica expresso na média aritmética de
1,54 exames, com desvio padrão de 1,05.
ELEMENTOS DO GRUPO DOMÉSTICO COM RENDA
Em 81,16% dos casos, de uma a tris pessoas do gru
po doméstico possuem renda ou salário, sendo que 36,57%
dos informantes mencionam apenas uma pessoa; a média
aritmética foi de 2,04, com desvio padrão de 1,22.
NÍVEL DE OCUPAÇÃO DO PAI
Quanto ã ocupação do pai, 11,11% dos informantes
deixaram de responder; apenas 0,07% dos genitores esta
vam desempregados e 1,25% viviam de renda. Adotando-se
a escala de B.Hutchinson, que divide as categorias o
cupacionais em 6 níveis, 79,15% dos pais foram inclui^
dos entre os níveis 3 a 6 (ou seja, a partir da catego
ria de inspeção, supervisão e ocupações não manuais de
padrão baixo até a de profissionais e administradores);
apenas 8,38% exerciam atividades de níveis 1 (sem habi
lidades manuais e semi-habilidades manuais) e 2 (habilT
dade manual).
De tôdas as escolas estudadas, distinguiam-se ape
nas o Conservatório Estadual de Canto Orfeônico e a Es_
cola Superior de Educação Física e Desportos do Paraná,
em que aparece um numero maior de pais cujas ocupações
estão incluídas nos níveis 1 e 2 respectivamente 37,50%
e 18,51%.
OCUPAÇÃO REMUNERADA DA MÃE
A maior parte das mães limita-se aos afazeres do
mestiços (72,99%); apenas 8,97% trabalham fora de casa7
enquanto 8,33% auxiliam em negócio da família. Quatro
escolas da Pontifícia Universidade Católica apresenta
ram resultados um pouco diferentes dos acima referidos7
aumentando a proporção das genitoras que exercem ativi
dade remunerada^ tais escolas são a Escola de Serviço
Social do Paraná (33,33% das mães trabalham fora de ea
sa e 16,66% auxiliam em negócio da família); a Faculdã
de Católica de Filosofia, Ciências e Letras ( em que
62,64% das mães permanecem dedicadas aos afazeres domes
ticos,enquanto 22,98% auxiliam em negócio de família i"
6,32% trabalham fora); a Faculdade de Sociologia (com
62,16% das genitoras unicamente como donas de casa e
18,91% trabalhando fora) e a Escola de Enfermagem Madre
Marie Leonie ( em que existe uma proporção elevada de
genitoras que trabalham fora: 20,00%).
Quando existe ocupação remunerada de genitora, es
ta se distribui entre os níveis 3 e 5 (14,86%).
OCUPAÇÃO REMUNERADA DOS IRMÃOS
x _ —
Quanto a ocupação dos irmãos de 18 e mais anos,
registrou-se uma percentagem elevada de ausência de res
posta (35,32%), superior a encontrada na pergunta refe"
rente ao nível de instrução dos irmãos nesta faixa eta
ria (23,54%)*; 18,32% dos primeiranistas assinalaram
que os irmãos ainda estudam. Quando há ocupação, os ní
veis ocupacionais encontrados com maior freqüência fõ"
ram 3 (inspeção, supervisão e outras ocupações não mã
nuais de padrão baixo, correspondendo a 14,27% dos ir
mãos dos informantes), 4 (9,41%) e 5 (grupo de dirigen
tes e executivos, com 8,16%); apenas 5,00% não tinham
emprêgo.
Considerando-se o intervalo de 14 a 17 anos,49, 96%
dos informantes declararam não possuir irmãos nesta fai
xa etária, enquanto 41,50% têm irmãos estudando. É muT
* Portanto, é possível que esta diferença possa ser a
tribuida ao desegnhecimento da ocupação e não à ine
xistencia de irmãos nesta faixa etária.
—
to pequeno o número de informantes que declararam ter
irmãos desta idade trabalhando (2,06%) e ínfima a pro
porção dos que trabalham e estudam (0,88%).
~~
As percentagens relativas ao nível de ocupação de
pais e irmãos dos estudantes universitários são apresen
tados no Quadro 4. —
OCUPAÇÃO REMUNERADA DO ESTUDANTE
Um pouco mais da metade dos primeiranistas não e
xerce qualquer ocupação remunerada (53,12%). Esta per
centagem, entretanto, varia bastante: na Universidade Fè~
deral do Paraná 62,57% dos informantes não trabalham;
na Pontifícia Universidade Católica é praticamente o
mesmo o número de estudantes que trabalham (48,19%) e
dos que não trabalham (48,75%); tomando-se os estabele
cimentos isolados como um todo, a maioria de seus alu
nos exerce ocupação remunerada (86,79%). Se considerar
mos as escolas isoladamente, mais uma vez observamos?
variações: na Universidade Federal do Paraná, o Curso
de Biblioteconomia e Documentação apresentou a maior
proporção de estudantes que trabalham (77,77%) e as Fa
culdades de Ciências Econômicas (58,75%) e Direito
(55,91%) registraram alto índice de primeiranistas com
ocupação remunerada.
Na_Pontifícia Universidade Católica o resultado
quase idêntico para as duas alternativas deve-se ã con
centração muito grande em poucas escolas,_quer dos ele
mentos que trabalham, quer daqueles que não trabalham .
Senão, vejamos:
Os estudantes que trabalham exercem ocupações do
tipo médio: níveis 4 (18,39%), 3 (11,99%) e 5(10,59%),
estando as outras categorias praticamente ausentes.Eles
o fazem quer em emprêsas particulares (18,32%), quer em
organizações estatais (21,26%) e a maioria trabalha de
17 a 24 horas semanais; um reduzido número (8,46%) afir
ma trabalhar 41 ou mais horas por semana.
MOTIVOS DETERMINANTES DO TRABALHO ESTUDANTIL
Os motivos alegados para o trabalho são vários:
14,34% alegam necessidade econômica; alguns expressam o
desejo de adquirir independência em face da família pa
terna (9,49%), enquanto outros (10,66%)^ almejam adquT
rir experiência profissional. 58,27% não responderam a
esta pergunta, correspondendo esta percentagem aproxima
damente aos gue não trabalham. Assim, as razões de or
dem não economica (27,36%)* predominam sôbre as econo
micas.
TEMPO DE TRABALHO
De modo geral, a ocupação remunerada foi iniciada
antes do ingresso no ensino superior, variando muito o
tempo de trabalho, desde alguns meses até 18 e mais a
nos; assim, 19,85% indicaram de 1 a 4 anos, 10,57% de
5 a 9 anos e 10,70% declararam trabalhar há dez anos ou
mais.
UTILIZAÇÃO DO SALARIO
Para o aluno solteiro que trabalha, ê bastante di
versificada a utilização de seu salário: 13,90%custeiam
parte de suas próprias despesas, 13,46% custeiam tôdas
as suas despesas e unia proporção menor (7,06%) contribui
para as despesas da família paterna.
No caso do estudante casado, a maioria arca com
tôdas as despesas de sua família (5,29% do total). Al
guns são responsáveis por garte das despesas (o que per
mite presumir a contribuição do cônjuge) e uma pequena
percentagem (1,10%) ainda auxilia a família paterna.
* Foi acrescentada a percentagem de respostas alegando
"outro motivo" - 7,21%.
AJUDA MONETARIA DA FAMÍLIA
A maior parte dos informantes (6 3,87%)declarou re
ceber auxílio financeiro da família; no entanto, em qu£
tro escolas a situação se inverte, isto é, a maioria
dos primeiranistas não recebe auxílios: no Conservato
rio Estadual de Canto Orfeônico (75,00%) e nas Faculda
des de Ciências Econômicas do Paraná (70,23%), Direito
de Curitiba (72,50%), Sociologia da Pontifícia Univers^
dade Católica (70,27%).
PROPRIEDADES
são muito poucas as famílias de universitários que
não possuem bens (3,82%); o tipo de propriedade varia
bastante, o que é configurado no Quadro 6.
QUADRO 6
Tipo e Numero de Propriedades da Farrú
lia do Estudante Universitário*
Dados referentes ã primeira série dos cursos universi^
tários de graduação em 1965.
MORADIA DO ESTUDANTE
Uma proporção elevada de primeiranistas declarou
possuir uma casa (42,08%) ou um apartamento (8,90%);
no entanto, apenas 28,99% afirmaram morar em residência
própria. Por outro lado, um grande número de estudantes
vive com amigos (20,30%) ou mesmo sozinhos _ (12,43%).
Tais dados podem ser explicados pela migração estudan
til já que 44,81% dos pais (sexo masculino) não residem
em Curitiba, onde o filho estuda.
ENTIDADE MANTENEDORA DA ESCOLA MÉDIA
A entidade mantenedora da escola média freqüenta
da pelo informante foi outro aspectoanalisado,tendo sT
do registrada em Curitiba uma variação considerável en
tre os diversos tipos de escolas e não tendo sido encon
trada supremacia nitida de nenhuma modalidade de entida
de mantenedora.
A percentagem mais alta correspondeu aos estudan
tes que freqüentaram escolas públicas e particulares
(38,48%); além disso, os primeiranistas cursaram apenas
escolas públicas ou apenas particulares,aproximadamente
na mesma proporção (29,43% e 28,69%, respectivamente).
Ao se fazer, no entanto, a análise, em separado,
quer de universidades, quer de faculdades, algumas ten
dências são observadas. Na Universidade Federal do Pa
ranã, embora predominem os alunos que freqüentaram um
e outro tipo de escola (39,92%), aumenta a proporção
de estudantes oriundos de escolas públicas (32,89%). Na
Pontifícia Universidade Católica, a maior percentagem de
primeiranistas cursou tão somente escolas particulares
(39,88%),_seguindo-se os alunos que se matricularam em
escolas médias oficiais e privadas (32,40%); a propor
ção de estudantes vindos de escolas públicas só atinge
a 22,16% do total de informantes.
Estudando-se as Faculdades, isoladamente, algumas
apresentaram uma situação um tanto diversa da observa
da, globalmente, para a localidade. Nas Faculdades de Ã
gronomia e Veterinária (44,00%), de Farmácia (61,53%)
e de Educação Física (48,14%), predominam os primeira
nistas que se matricularam em escolas médias públicas;
na Escola de Biblioteconomia e Documentação (44,44%),
na Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Fe
deral do Paraná (36,25%) e no Conservatório Estadual de
Canto Orfeônico (50,00%) são mais numerosos os estudan
tes oriundos de escolas médias pagas.
Tais informações assumem especial importância pa
ra a caracterização econômica da família do università
rio, uma vez nue apenas 7,43% dos informantes alegaram
ter recebido bolsas de estudo durante a escola média.
III - Conclusões e Sugestões
Os dados anteriormente referidos permitem apre
sentar algumas características do primeiranista dos cur
sos universitários de graduação de Curitiba:
1 - maioria de estudantes do sexo masculino, sol
teiros, brasileiros, nascidos em zona urbana,com idades"
variando de 18 a 22 anos; cêrca da metade dos primeira
nistas natural do Paraná, distribuindo-se o restante prirT
cipalmente pelos Estados vizinhos (Santa Catarina e São
Paulo) ;
2 - de modo geral, família com um peimeno número
de membros; menos da metade dos alunos residindo com
seus pais em Curitiba; genitores brasileiros, variando
bastante o seu nível de instrução, embora com maior con
centração nos níveis primário ou superior; irmãos dos
universitários, de modo geral, apresentando nível de e£
colaridade compatível com o esperado para a respectiva
idade croftolõgica;
3 - freqüência a escolas diurnas, sendo vários os
casos de alunos com experiência universitária anterior;
pequena maioria ingressando no ensino superior imediata
mente após a conclusão do curso colegial ; metade dos prT
meiranistas tendo freqüentado cursos vestibulares;
4 - famílias tendo, em média, 5 a 6 membros dos
quais apenas 2 com renda ou salário; pais exercendo
ocupações do tipo médio, segundo a escala de Bertram
Hutchinson, sendo raras as mães que exercem ocupação re
munerada; maioria dos irmãos de 14 a 17 anos estudando-
irmãos de 18 e mais anos com ocupações do tipo médio ou
superior ou ainda estudando;
5 - metade dos estudantes não trabalha; para os
que têm atividade remunerada, início da mesma antes do
ingresso no curso universitário com trabalho em emprê
sas estatais e particulares, em regime de tempo parciaT;
6 - poucas famílias sem propriedades; tipo e nume
ro variado de bens, predominando, em geral, casas, sl_
tios, terrenos e automóveis;
7 - primeiranistas egressos de escolas médias nú
blicas e particulares, sendo reduzido o número de alunos
beneficiados com bolsas de estudo, neste período.
São válidos, para Curitiba, os comentários feitos
em capítulo anterior*, relacionados a aspectos como de
siqualdade de oportunidades educacionais,necessidade dê"
reforma das escolas média e superior e vantaqens do a
proveitamento de trabalho estudantil na própria univeF
sidade.
Condições específicas da localidade sugerem estu
dos referentes ã migração estudantil principalmente dos
alunos naturais de São Paulo e Santa Catarina,ressaltan
do, ao mesmo tempo, os problemas diretamente lioados a
esta mudança domiciliar. Seria interessante verificar
até que ponto tais estudantes se radican na cidade onde
fazem o curso superior e como as universidades e facul
dades vêm atendendo a esta clientela, proporcionando fã"
ciudades de alojamento e alimentação.
* Características gerais do estudante universitário.
CAPÍTULO 11
Caracterização Socio-Econòmica do
Estudante Universitario de Porto Aleqre
I - Aplicação da Pesquisa em Porto Aleqre
Em Porto Aleqre, a aplicação da pesauisa, a codi_
ficação dos questionários e a revisão desta codificação
ficaram a cargo do Centro Peqional de Pesquisas Educa
cionais, dirigido pelo Dr. Alvaro Maqalhães, sendo res
ponsavel pela coordenação local dos trabalhos a pesqui
sadora Odiles Fonseca Pereira.
Foram pesquisadas 25 escolas superiores, tota
lizando 1.991 primeiranistas. O número de questiona
rios computados e a relação entre iste nùmero e a matrí
cuia em junho de 1965, para cada uma das Faculdades es
tudadas, são apresentados no Quadro 1.
II - Resultados obtidos
Utilizando-se a classificação em quatro cateqori
as, podemos apresentar para Porto Alegre os seguintes"
resultados:
1-0 Estudante
SEXO
Perto de 2/3 dos informantes são do sexo masculi
no (67,55%). Algumas escolas, no entanto, apresentaram
predominância do sexo feminino; a existência de maior
número de alunas em determinados ramos de ensino repete
para Porto Alegre o fenômeno já verificado em outras ea
pitais brasileiras*. Assim, o sexo feminino predomina
nas duas escola? de enfermaqem (na da Universidade Fe
deral do Pio Grande do Sui: 78,57% e na Escola de Enfer
magem Madre Ana Moeller: 92,30%), nas Escolas de Artes
(65,38%) e Serviço Social de Porto Alegre (88,23%), na
Faculdade de Ciências (54,09%) e na Escola de Jornalis
mo (60,00%). Nas Faculdades de Filosofia da Universida
de Federal do Pio Grande do Sui (70,61%) e da PontifT
cia Universidade Católica do Rio Grande do Sui (77,15%7Í
observa-se também a preponderância do elemento femini
no; no entanto, na Faculdade de Filosofia Marcelino Cham
pagnat 100,00% dos primeiranistas são do sexo masculino,
o que se explica por ser este estabelecimento confessio
nai dedicado exclusivamente à educação de rapazes.
ESTADO CIVIL
A grande maioria (89,25%) dos informantesêsoltei
ra, havendo um número ínfimo de viúvos (3) e de separa
dos ou desquitados (3) ;a percentagem de alunos casados
(9,74% no total de Porto Alegre) aumenta na Pontifícia
Universidade Católica (16,59%).
NOMEPO DE FILHOS
Nem todos os universitários casados têm filhos,
pois é de 7,88% a percentagem encontrada para o total e
14,07% para a Pontifícia Universidade Católica; na Fa
culdade de Ciências Políticas e Econômicas a proporção
de estudantes com filhos é bem maior (25,54%). O número
* Ver a respeito, entre outros, os capítulos relativos
ao Rio de Janeiro e a são Paulo.
de filhos varia de 1 a 3, sendo de 2,12 a média aritmé
tica e o desvio padrão 1,10.
IDADE
Mais da metade dos primeiranistas (56,08%) concen
tra-se na faixa de 18 a 21 anos; a variação da idade ero
nologica, no entanto, é grande, indicada pela média arit
mética de 22,11 anos e 'desvio padrão 4,60,havendo 3,36S"
dos estudantes com 34 ou mais anos. Na Pontifícia Un¿
versidade Católica do Rio Grande do Sui, amédia obtida
foi mais alta (23,63 anos, com desvio padrão 5,25), fa
to este que pode ser associado à maior proporção de alu
nos casados encontrada nesta universidade. Considerando
as escolas separadamente, apresentaram média aritmética
mais alta os seguintes estabelecimentos: Ciências Poli
ticas e Econômicas (25,22) e Direito da Pontifícia UnT
versidade Católica do Pio Grande do Sui (24,45), Joma
lismo (24,37), Enfermagem Madre Ana Moeller (25,30) e
Filosofia Marcelino Champagnat (26,75). As médias arit
méticase os desvios padrão para tôdas as escolas estu
dadas são apresentados no Quadro 2.
NACIONALIDADE
94,97% dos primeiranistas sao brasileiros e em sua
maioria (88,54%) naturais do Rio Grande do Sui; apenas
3,06% são naturais de Santa Catarina, sugerindo migra
cao estudantil interestadual extremamente reduzida. S5
mente 4,16% são estrangeiros, predominando entre eles
os originais de países latino-americanos (2,05%).Em qua
tro estabelecimentos não existe qualquer aluno estran
geiro: FaculdaAe de Ciências_Politicas e Econômicas, Es_
cola de Serviço Social de Porto Alegre e Escola Supe
rior de Educação Física de Porto Alegre e Faculdade de
Filosofia Marcelino Champagnat.
NATURALIDADE
Cêrca de metade dos informantes (49,67%)é natural
de Porto Alegre. Para os demais varia bastante o tempo
de moradia nesta Capital (média aritmética = 8,23 anos
e desvio padrão = 6,88); uma percentagem baixa (7,48%)
declarou residir na Capital gaúcha há um ano, o que po
de indicar miqração estudantil.
LOCAL DE NASCIMFNTO
A maioria (80,76%) é natural de zona urbana, embo
ra 84,61% dos primeiranistas da Escola de Enfermagem Ma_
ãre Ana Moeller e 75,00% da Faculdade de Filosofia Mar_
celino Champagnat sejam naturais da zona rural.
2 - A Família
NUMERO DE ELEMENTOS DO GRUPO DOMÉSTICO
A família de 69,14% dos informantes possui de 3 a
6 membros; apenas 3,81% das famílias dos universitários
tem dez ou mais pessoas. Foi encontrada a média aritm£
tica de 5,17 elementos, com desvio padrão de 2,28.
COMPOSIÇÃO DO GRUPO DOMÉSTICO
A maior parte dos pais (81,91%) vive com a famí^
lia, havendo um peaueno número de pais separados ou des_
quitados (3,36%); e razoável a proporção de estudantes
órfãos de pai (13,71%), sendo inferior a de órfãos de
mães (5,52%) .
LOCAL DE PESIDÊNCIA DA FAMÍLIA
Mais da metade dos pais (50,92% para o genitor e
57,60% para a genitora) reside na própria cidade em que
o informante estuda; em duas escolas da Universidade Fe
deral do Pio Grande do Sul e em todos os estabelecimen
tos isolados, essa situação se modifica, uma vez que a
maioria dos pais reside em outro ponto do território n£
cional; na Universidade Federal do Fio Grande do Sui es
tas faculdades são: Agronomia e Veterinária (47,82% dos
genitores e 49,56% das genitoras) e Enfermagem (50,00%
e 57,14%, respectivamente).
Para o conjunto de estabelecimentos isolados,
50,00% dos pais e 50>89% das mães não residem na Capi
tal gaúcha, característica que se acentua na Escola de
Enfermagem Madre Ana Moeller: 76,92% dos genitores (e
84,61% das genitoras) residem em outro local do Brasil,
7,69% dos pais vivem no estrangeiro e 15,38% dos genito
res (e 7,69% das mães) são falecidos.
NACIONALIDADE DOS PAIS
Considerando-se o genitor, observa-se que 85,28%
são brasileiros; quando estrangeiros, a maior proporção
incide em naturais de países latino-americanos (2,66%)
e da Alemanha (2,05%). Quanto às mães, uma percentagem
um pouco maior é brasileira (90,55%); as estrangeiras
são oriqinárias, em maior número, da América Latina
(2,61%) e de diversos países europeus (1,75%).
NÍVEL DE INSTFUÇÃO DOS PAIS
O nível de instrução dos- pais é bastante variado
e, de maneira geral, é mais alto para os genitores (se_
xo masculino). Para estes, 60,30% iniciaram pelo menos
estudos de nível pós-primário, tendo 20,29% curso supe
rior completo. Deve ser mencionado que o grau de escola
ridade atingido pelo pai do primeiranista varia sensT
velmente entre as diversas escolas e as próprias univer
sidades tomadas em conjunto. Na Universidade Federal do
Pio Grande^do Sui, 65,00% dos genitores prosseguiram os
estudos além da escola elementar, sendo que 23,17% têm
diplomas universitários; na Pontifícia Universidade Ca_
tólica, o nível de instrução dos pais é ligeiramente in
ferior: 54,07% têm instrução pós-primária e 16,44% cur
so superior completo; o grau de escolaridade decresce
ainda mais para o conjunto de estabelecimentos isolados:
47,31% dos genitores continuaram os estudos após o tér
mino da escola primária, mas tão somente 12,50% diplo
maram-se em faculdades.
Analisando as escolas separadamente, verifica-se
que algumas apresentaram maior proporção de pais com di^
plomas de curso superior: as duas faculdades de Direito
(a da Universidade Federal do Rio Grande do Sui: 35,71%
e a da Pontifícia Universidade Católica: 33,33%), a F£
culdade de Medicina de Porto Alegre (32,77%) e a Escola
de Jornalismo (33,33%). Entre os estabelecimentos isola
dos, três das escolas repetem aproximadamente as percen
tagens verificadas para o conjunto destas Faculdades,
enquanto na Faculdade Católica de Medicina de Porto Ale
gre os pais (sexo masculino) dos primeiranistas têm nT
vei de instrução semelhante ao encontrado para o totaT
de informantes em Porto Alegre: 19,44% têm curso supe
rior; 15,27% concluíram a escola elementar e 63,85%
inT ciaram ou concluíram estudos em nível pós-primário.
NÍVEL DE INSTRUÇÃO DAS MÃES
O nível de instrução das mães é inferior ao dos
pais, como já foi assinalado. Uma proporção bem pequena
possui curso superior completo ou incompleto (5
i
ll%);
cêrca da metade (49,50%) iniciou estudos pós-primários,
tendo 16,17% completado o segundo ciclo da escola mé
dia; 26,92% têm curso primário completo.
NÍVEL DE INSTRUÇÃO DOS IRMÃOS
75,83% dos primeiranistas não têm irmãos entre os
11 e 14 anos; para os demais, verificou-se maior inci^
dência no ciclo ginasial incompleto (16,92%). Um grupo
também numeroso de informantes não tem irmãos na faixa
dos 15 aos 17 anos (67,55%); 14,21% possuem irmão fre
qüeittando o ciclo colegial e 12,65% o primeiro ciclo da
escola média. No caso dos irmãos com 18 ou mais anos,os
dados obtidos foram: 24,81% dos primeiranistas não pos_
suem irmãos nesta faixa, 11,70% tinham irmãos freqüen
tando algum curso superior e 5,37% declararam que seus
irmãos haviam se diplomado por Faculdades; a maior pro
porção tinha como nível mais baixo de instrução o ciclo
colegial incompleto (13,10%) ou completo (12,45%).
Para melhor visão de conjunto, o nível de instrvj
ção de pais e irmãos dos estudantes é apresentado no
Quadro 3.
3 - Vida Escolar
TURNO
81,76% dos primeiranistas estudam durante o dia.
A maioria das escolas da Universidade Federal do Rio
Grande do Sui oferece apenas cursos diurnos; excetuam-
-se quatro escolas que possuem também aulas noturnas,em
bora predominem os primeiranistas de cursos diurnos: CT
ências Econômicas (58,64%), Direito (68,57%),Engenharia
(69,62%) e Farmácia (51,47%). Na Pontifícia Universid¿
de Católica, a maioria das escolas mantém apenas cursos
diurnos; a Faculdade de Ciências Políticas e Econômicas
funciona tão somente ã noite enquanto a Faculdade de Di^
reito tem alunos que estudam durante o dia (59,09%) e
à noite (40,90%). Os estabelecimentos isolados possuem
apenas cursos diurnos.
FREQUÊNCIA ANTERIOR A CURSOS UNIVERSITÁRIOS
10,29% alegaram ter tido experiência _ university
ria anterior ao curso freqüentado por ocasilo da aplica
ção da pesquisa. Não obstante, 21,63% haviam prestado
um ou mais vestibulares para outros ramos de ensino, di^
ferentes daquele ao qual se dedicavam naquele momento.
0 número de exames prestados varia, sendo encontrada a
média aritmética de 1,51 com desvio padrão de 1,00.
INTERVALO ENTRE AS ESCOLAS MÉDIA E SUPERIOR
Pouco mais da metade (57,00%) ingressou imediata
mente no curso superior após concluir os estudos de nT
vei médio; entretanto, em algumas escolas observou-se
o contrário: nas Faculdades de Ciências Econômicas(54,13%
dos primeiranistas acusaram intervalo entre o término
do ciclo colegial e a matrícula na Faculdade), Odontolo
gia (56,09%) e Medicina (49,57%), da Universidade Fe^
deral do Rio^Grande do Sui; nas Faculdades de Ciências*
(54,09%), Ciências Políticas e Econômicas (56,93%) e
Direito da Pontifícia Universidade Católica (53,03%).
Quando há intervalo, este varia de 1 a 5 anos (35,29%);
dez primeiranistas indicaram um intervalo excepcional
de 18 anos ou mais; foi obtida a média aritmética de
2,85 anos com desvio padrão de 3,54.
CURSO VESTIBULAR
50,67% dos universitários freqüentaram curso ves
tibular, o que representa uma proporção bem inferior "a
encontrada para o conjunto'das dez cidades pesquisadas;
na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do
Sui, essa baixa freqüência a cursos preparatórios ainda
se acentua mais (44,88%). Estudando isoladamente as es
colas de nível superior da capital gaúcha, encontramos
diversas em que a maioria dos informantes não freqüen
tou curso vestibular; na Universidade Federal do Rio
Grande do Sui, tais faculdades são: Agronomia e Veteri^
nária (54,78%[, Biblioteconomia e Documentação(90,00%),
Ciências Econômicas (51,12%), Enfermagem (71,42%), Filo
sofia (50,87%)^ e Geologia (67,85%). Na Pontifícia UnT
versidade Católica, observa-se o mesmo para as Faculda
des de Direito (53,03%), Filosofia (60,40%), Jornalismo
(60,00%) e Serviço Social (76,47%). Nos estabelecimen
tos isolados, as percentagens de primeiranistas que não
freqüentaram curso vestibular variam de 76,92% ( na Es_
cola de Enfermagem Madre Ana Moeller) a 100,00% (na Fa
culdade de Filosofia Marcelino Champagnat|, excetuando-
-se a Faculdade Católica de Medicina de Porto Alegre,
em que mais de 3/4 (80,55%) dos informantes freqüenta
ram tais cursos.
A maioria dos alunos que freqüentaram curso vest£
bular em Porto Alegre indicou apenas um ano (29,33%),
mas 4,46% assinalaram um período maior;_foi obtida a me
dia aritmética de 1,19, com desvio padrão de 0,90.
4 - Situação Econômica do Estudante e
de Sua Família
ELEMENTOS DO GRUPO DOMÉSTICO COM RENDA
No grupo doméstico de 83,21% dos universitários,
de 1 a 3 pessoas contribuem para o orçamento familiar
sendo que 32,94% dos informantes indicam apenas uma pes_
soa; foi obtida c média aritmética de 2,03 com desvio
padrão 1,11.
NÍVEL DE OCUPAÇÃO DOS PAIS
Ë insignificante o número de pais (genitor) desem
pregados ou que vivem de renda (9, ou seja 0,45%); em
sua maioria (77,27%) exercem ocupações que variam do ní
vel_3 a 5, ou seja,_entre a categoria_de inspeção,super
visão e ocupações não manuais de padrão baixo ea dê"
profissionais e administradores. Vale assinalar que ape
nas 8,17% exercem atividades de níveis 1 (sem habilida
des e semi-habilidades manuais) e 2 (habilidade manual)7
embora na Escola Superior de Educação Física de Porto
Alegre, tenha sido encontrada uma proporção bem elevada
de pais exercendo ocupações de nível 2 (30,43%).
OCUPAÇÃO REMUNERADA DAS MÃES
A maior parte das mães (70,71%) dedica-se apenas
aos afazeres domésticos. Algumas exercem atividade remu
nerada em casa (4,62%) e outras ajudam em negócios da
família (7,23%)¿ 11,90% exercem atividade remunerada fo
ra do grupo doméstico. Um maior numero (7,83%)tem ocupa_
ções de nível 5 (dirigentes e executivos), sendo que na
Escola Superior de Educação Física de Porto Alegre repe
tiu-se o ocorrido em relação ã_ocupação do pai: uma pro
porção relativamente alta de mães (17,39%) exerce ocupa
ções de nível 2.
OCUPAÇÃO REMUNERADA DOS IRMÃOS
Quanto ã ocupação dos irmãos de 18^ou mais anos,
34,65% não responderam ao item; 22,14% têm irmãos estu
dando, sendo que o nível mais baixo de atividades mais
freqüentemente citado para os irmãos neste grupo etário
foi a categoria 3 (12,40%). Deve ser mencionado que na
Escola de Enfermagem Madre Ana Moeller, 30,76% dos ir
mãos exercem ocupações de nível 2 e 23,07%-de nível 1.
_Mais da metade dos primeiranistas j(52,23%) decla
rou não possuir irmãos menores; 37,26% têm irmãos estu
dando e um número ínfimo indicou irmãos menores traba
lhando (0,55%) ou trabalhando e estudando (0,80%).
As percentagens relativas a nível de ocupação de
pais e irmãos dos estudantes universitários são apresen
tadas no Quadro 4.
OCUPAÇÃO REMUNERADA DO ESTUDANTE
Mais da metade (56,45%) dos primeiranistas não e
xerce qualquer atividade remunerada. No entanto, se con
siderarmos as escolas separadamente ou mesmo as
univer-sidades, notam-se grandes variações. Na
Universidade Fe deral do Rio Grande do Sul há maior
número de' informan tes que não trabalham (65,28%),
assim como nos estabele-cimentos isolados, tomados em
conjunto (73,21%); na Pon tifícia Universidade Católica
ocorre o inverso:a maior proporção (60,44%) dos alunos
de la. série tem ocupação remunerada. Vejamos as
escolas: na Universidade Federal do Rio Grande do Sul,
dois estabelecimentos se salien tem pelo elevado
número de alunos que trabalham: Biblio-teconomia e
Documentação (60,00%) e Ciências Econômicas (68,42%);
por outro lado, em outros, foi observado um número
reduzido de primeiranistas com atividade remune rada:
Agronomia e Veterinária (17,39%),Geologia(14,28%),
Medicina (12,60%), Odontologia (14,63%) culminando esta
situação em Enfermagem, onde apenas um estudante(7,14%)
declarou trabalhar. Em duas Faculdades da Pontifícia U
niversidade Católica uma percentagem bastante alta de
informantes trabalha: em Ciências Políticas e Econônú
cas (92,70%)e em Direito (71,21%). Vale notar que nes_
tas duas faculdades há um número elevado de estudantes
casados (respectivamente
-
29,92% e 12,12%)^e nelas forarn
encontradas médias aritméticas relativas ã idade também
mais altas (respectivamente, 25,22 e 24,45 anos).
ENTIDADE PATRONAL
Os níveis ocupacionais dos universitários osci
lam, de modo geral, entre as categorias 3 e 5 (39,21%),
Trabalham tanto para entidades públicas (19,78%)como p£
ra emprêsas particulares (18,43%) , quando consideramos
o dado global; no entanto, analisando as escolas isola
damente, o tipo de empregador dosalunos varia bastan
te. No Quadro 5 são indicados aquêles estabelecimentos
em que os resultados diferem, de uma forma ou de outra,
do dado global.
QUADRO 5
Tipo de Empregador do Estudante
Universitário*
* Dados referentes à primeira série de alguns cursos u
niversitários de graduação, sediados em Porto AlegreT
em 1965.
MOTIVOS DETERMINANTES DO TRABALHO
Necessidade econômica não parece ser o motivo pre
ponderante para o trabalho do primeiranista: 16,41 dos"
informantes alegaram esta causa, enquanto 25,10% assina
laram outras razões, tais como o desejo de adquirir ex
periência profissional, independência financeira ou oü"
tras. Na Escola de Enfermagem de Porto Alegre, o único
motivo indicado foi a necessidade econômica, mas nesta
Faculdade apenas um primeiranista tem ocupação remunera
da.
—
TEMPO DE TRABALHO E CARGA HORARIA SEMANAL
Na maioria dos casos (36,06%), o trabalho foi ini
ciado antes do ingresso no curso superior e apenas 6,37%
dos informantes o fizeram depois de iniciados os estu
dos universitários. O tempo de trabalho incide, na maio
ria das vêzes, entre 1 a 5 anos (26,29%) e apenas 1,85%"
dos estudantes declararam trabalhar há 18 ou mais anos;
foi obtida a média aritmética de 5,09 anos, com desvio
padrão de 5,50.
A carga semanal de trabalho é de 17 a 24 horas pa
ra a maioria (27,17%).
UTILIZAÇÃO DO SALARIO
O estudante solteiro utiliza o salário para custe
ar algumas (14,86%) ou tôdas (11,15%) as despesas indT
i/iduais; 6,93% auxiliam a família paterna e apenas sete
(0,35%) são responsáveis por todos os gastos da famí^
lia. 0 aluno casado, em geral, paga tôdas as despesas
de sua família (4,62%) ou arca com parte destas despe_
sas (2,61%), o que faz pressupor auxílio financeiro do
cônjuge; um pequeno número ainda ajuda a família pate£
na (0,95%) ou paga tôdas as suas despesas (0,25%).
AJUDA MONETARIA DA FAMÍLIA
A maioria (67,15%) dos primeiranistas declarou re
ceber ajuda monetária de sua família, mas em algumas
Faculdades ocorre o inverso: Ciências Econômicas(50,37%
não dispõem deste auxílio), Ciências Políticas e Econô
micas (62,77%), Direito da Pontifícia Universidade Cato
lica do Rio Grande do Sul (50,00%), Enfermagem Madre
Ana Moeller (61,53%) e Filosofia Marcelino Champagnat
(75,00%).
ENTIDADE MANTENEDORA DA ESCOLA MÉDIA
Quanto à entidade mantenedora da escola média 40,88%
indicaram escolas públicas e particulares,38,72% ùnica
mente escolas particulares e 18,98% apenas escolas pu
blicas. Também aqui há grande variação entre as faculda^
des; a freqüência a escolas médias privadas é maior
nos seguintes estabelecimentos: Enfermagem de Porto Ale_
gre (71,42%), as Faculdades da Pontifícia Universidade
Católica do Rio Grande do Sui (46,66%) com exceção da
Faculdade de Engenharia (que repete a tendência geral).-,
Enfermagem Madre Ana Moeller (69,28%),Filosofia Marceli
no Champagnat (75,00%) e Católica de Medicina de Porto
Alegre (40,27%).
A maioria (80,31%) dos estudantes não recebeu qual
quer bolsa de estudos para o curso médio.
PROPRIEDADES
São poucas as famílias do primeiranista que não
possuem qualquer tipo de propriedade (7,83%); esta per
centagem aumenta um pouco na Faculdade de Arquitetura
(14,28%), na Escola de Enfermagem de Porto Alegre (21,42%) e
na Escola Superior de Educação Física (13,04%).
O tipo e o número de propriedades varia bastante,
como é indicado no Quadro 6,mas são mais freqüentes ca-
sas, apartamentos, sítios,terrenos e automóveis.
QUADRO 6
Tipo e Número de Propriedades da Famí-
lia do Estudante Universitário*
* Dados referentes ã primeira série dos cursos
universi-tários de graduação sediados em Porto
l 1965
III - Conclusões
Em capítulo anterior* foi feita a análise e inter
pretação dos asgectos que mais chamam a atenção numa
caracterização sócio-econômica do estudante università
rio. Estas considerações são de maneira geral válidas
para o caso específico do primeiranista de Porto Alegre,
razão pela qual não as repetiremos aqui,-apresentaremos,
agora, tão somente um resumo das principais caracteris
ticas do estudante universitário da capital gaucha.Vale
salientar que em muitos casos o dado global não pode
servir para descrever as condições de uma Faculdade es
pecífica, tendo em vistala grande variação encontrada;
observou-se que muitas vêzes algumas Faculdades apresen
taram condições diametralmente opostas, o que foi res
saltado durante o exame de cada item do presente estu
do.
1 - maioria de primeiranistas do sexo masculino,
solteiros, com idades variando de 18 a 21 a_
nos, brasileiros, nascidos em zona urbana e
naturais do Pio Grande do Sul;
2 - de um modo geral, família com pequeno número
de membros, morando os estudantes com os pais,
na cidade onde estudam; pais brasileiros, sen
do variável o seu nível de instrução, embora
haja u'a maioria com curso médio ou superior;
irmãos geralmente com nível de escolaridade
compatível com o esperado para a respectiva
idade cronológica;
3 - maioria dos informantes freqüentando escolas
diurnas; raros os que já tiveram experiência
universitária anterior ao curso que freqüenta
vam em 1965; pouco mais da metade ingressando
no curso superior imediatamente após concluir
os estudos de nível médio, tendo freqüentado
curso vestibular; maioria tendo prestado ape
nas um exame de habilitação;
4 - 1 a 2 pessoas do grupo doméstico com renda ou
salário; pais exercendo ocupações de tipo mé
dio ou superior, segundo a escala de B.Hutchin
son, sendo raras as mães com atividade remune
rada; irmãos de 18 ou mais anos com ocupações
de tipo médio e irmãos menores, em geral,dedi
cados unicamente ao estudo;
* "Características Gerais do Estudante Universitário".
5 - mais da metade dos primeiranistas sem ocupa_
ção remunerada; os que trabalham,detêm ocupa
ções do tipo médio, em entidades públicas ou
particulares, sob regime de tempo parcial;iní
cio do trabalho antes do ingresso no curso su
perior, em prazo igual ou inferior a 5 anos,
por motivos predominantemente não econômicos;
salário utilizado para custear parte das des_
pesas individuais; maioria recebendo auxílio
monetário da família;
6 - quase tôdas as famílias com bens; tipo e nume
ro de propriedades variados,encontrando-se com
maior freqüência casas, apartamentos, sítios,
terrenos e automóveis;
7 - maior parte dos primeiranistas egressos de es_
colas médias públicas e particulares,não ten
do se beneficiado, neste período, de bolsas
de estudo.
\
CAPÍTULO 12
Caracterização Socio-Econômica do
Estudante Universitário de Brasília
I - Aplicação da pesquisa em Brasília
A inclusão de Brasília na presente pesquisa deve-
se ã sua condição de Capital Federal e, principalmen
te, ao fato de ser sede da mais avançada Universidade
brasileira, embora o número de seus estudantes esteja
muito aquém do mínimo tomado como limite para a realiza
ção do trabalho.
A aplicação, a codificação dos questionários e a
revisão desta codificação estiveram a cargo do Departa_
mento de Psicologia do Instituto Central de Biologia da
Universidade de Brasília, sob a responsabilidade da
Dra. Carolina Martuscelli Bori.
Foram pesquisadas 19 escolas superiores, totali-
zando 466 primeiranistas. O número de questionários
computados e a relação entre este número e a matrícula
em junho de 1965, para cada um dos cursos ou Faculdades
estudadas, são apresentados no Quadro 1.
QUADRO 1
Faculdades estudadas. matrícula e questionários computados*
Dados referentes a primeira serie dos cursos universitarios de graduação, sediados em
Brasília, em junho de 1965.
II - Resultados obtidos
Na análise dos dados levantados para Brasília, é
necessário lembrar que a caracterização de aspectos par
ticulares de diversos cursos baseia-se, muitas vêzes,em
um número reduzido de informantes, fato que pode ser ve
rificado através do Quadro 1.
Feita esta ressalva, podemos apresentar, para a
Capital Federal, os seguintes resultados:
1-0 Estudante
SEXO
Na Universidade de Brasília, a maioria dos infor
mantes (77,03%) é do sexo masculino, excetuando-se os
Cursos de Biblioteconomia (em que apenas um de seus 20
estudantes é do sexo masculino) e de Letras Brasileiras
(com ligeira maioria de alunas: 64,10%),no Curso de Eco
nomia observa-se um domínio quase absoluto de rapazes,
já que apenas 2 primeiranistas são do sexo feminino (cor
respondendo a 5,55%). Em oposição, na Faculdade de Ser
viço Social, há uma pequena proporção de alunos do sexo
masculino (20,00%).
ESTADO CIVIL
É reduzido o número de alunos casados (10,0 8%),
predominando os solteiros (88,84%). Os cursos de Direi
to (22,22%) e Matemática (27,77%) apresentam uma percen
tagem um pouco maior de estudantes casados;o mesmo ocor
re em relação ã Faculdade_de Serviço Social (14,28%)7
Apenas três estudantes são separados ou desquitados
(0,64%).
FILHOS
Nem todos os casados têm filhos,uma vez que a pro
porção dos que os possuem é da 9,44%; excetuam-se a fa
culdade de Serviço Social (17,14% assinalaram descenden
tes, índice este superior ao número de estudantes casa
dos) e o Curso de Matemática da Universidade de Brasí
lia (igual proporção de estudantes casados e com filhos:
27,77%). Quando existem descendentes, o seu número va
ria de 1 a 3, com média aritmética igual a 2,44 e desvio
padrão, 1,51.
IDADE CRONOLÓGICA
62,86% dos primeiranistas concentram-se na faixa
etária de 18 a 22 anos, havendo, entretanto, considerá
vel variação que se traduz na média aritmética de 22,58
anos e desvio padrão de 5,18. No total, 4,29% têm 34
anos ou mais, aumentando esta percentagem para a Facul
dade de Serviço Social (17,14%); este dado pode estar re
lacionado ao maior número de informantes casados nesta
escola. A distribuição das idades cronológicas, para ca
da um dos cursos ou Faculdades analisados, é apresentada
no Quadro 2.
QUADRO 2 Distribuição das
Idades Cronológicas*
Dados referentes a primeira serie dos cursos universitarios de gradua
ção, sediados em Brasília, em junho de 1965.
NACIONALIDADE E NATURALIDADE
Quase todos os informantes são brasileiros (98,06%)
e, em sua maioria, nasceram em zona urbana (80,25%),embo
ra no Curso de Geologia da Universidade de Brasília os
primeiranistas naturais de zonas urbana e rural se apre
sentem em percentagens iguais (42,85%). O Estado brasi
leiro de onde são originarios varia bastante, como seria
esperável para a nova capital; Minas Gerais está mais
representado (com 23,17%), seguindo-se Goiás (13,51%),
São Paulo (13,09%) e Guanabara (12,44%).
TEMPO DE MORADIA NA CAPITAL
O tempo de moradia no local, analisado para os ou
tros centros urbanos, não apresenta o mesmo interêsse
em Brasília, dadas as condições especiais da Capital Fe
deral; a grande maioria (84,58%) ali se encontrava de 1
a 5 anos, sendo de 8 anos o tempo máximo de residência
na localidade (indicado por apenas 1,28% dos informan
tes). De qualquer forma deve ser assinalado que varia
bastante o tempo de moradia na cidade, sendo a média
aritmética igual a 2,45, com desvio padrão de 1,90; a
maior percentagem incidiu em um ano (45,27%).
2 - A Família
NÚMERO DE ELEMENTOS DO GRUPO DOMÉSTICO
65,85% dos primeiranistas têm famílias com 2 a 7
elementos, embora 11,15% contem com 10 ou mais pessoas
em seu grupo doméstico; a média aritmética obtida foi
de 5,8 7 membros, com desvio padrão igual a 3,27.
COMPOSIÇÃO DO GRUPO DOMÉSTICO
A maioria dos pais (57,93% para o genitor e 58,15%
para a genitora) não reside em Brasília, morando em ou
tiro ponto do território brasileiro. Isto parece indicar
migração estudantil para a Capital Federal, o que pode_
ria ser apoiado pelo fato de 45,27% dos informantes re_
sidirem na cidade há um ano.
Uma certa proporção de primeiranistas é constituí
da de órfãos (12,44% órfão de pai e 9,65% de mãe); as
sim, a diferença de percentagens verificada para o lo
cal de moradia dos genitores pode ser explicada pelo fa
lecimento de um deles, bem como pela existência de pais
separados ou desquitados (3,64%).
NACIONALIDADE DOS PAIS
Considerando-se o genitor, isoladamente,89,1% são
brasileiros; no caso de pai estrangeiro, o país de ori
gem varia bastante, havendo pequena maioria de portugue
ses (1,93%), italianos (1,71%) e japonêses (1,28%).
Uma percentagem um pouco superior de mães(93,34%)
é brasileira; no entanto, alguns cursos da Universidade
de Brasília apresentam proporções menores de mães brasi
leiras: Arquitetura (81,81%), Comunicação Visual e Ar
tes Industriais (83,33%) e Psicologia (82,35%). Quando
estrangeiras, o país de origem também se diversifica,
com um número ligeiramente superior de japonêsas(l,28%),
italianas (1,07%) e sírio-libanesas (1,07%).
NÍVEL DE INSTRUÇÃO DOS PAIS
O nível de instrução dos pais varia considerável
mente, sendo mais alto para o genitor. No caso do pai,
verifica-se que 24,46% atingiram o nível superior e
36,24% pelo menos iniciaram cursos pós-primários; entre
tanto, deve ser assinalado que 17,38% tem apenas escola
primária completa. Distinguem-se aqui os Cursos de Geo
logia (em que os pais dos estudantes apresentaram nível
de instrução mais precário; nenhum com curso superior
completo, 28,57% com curso superior incompleto e 42,85%
sem concluir sequer o curso primário) e de Psicologia
(com instrução mais elevada dos pais uma vez que 35,29%
têm diplomas universitários).
Para a mãe, apenas 5,79% possuem curso superior,
concentrando-se a maior parte no segundo ciclo do curso
médio (24,46%) e no curso primário (23,81%).
É interessante notar-se que na Faculdade de Servi
ço Social o nível de escolaridade de pai e mãe é bem
inferior; nenhum dos genitores tem diploma universitá
rio, tendo a maioria curso primário completo (31,42%
para o pai e 45,71% para a mãe) ou incompleto (25,71%
para o genitor e 34,28% para a genitora).
NÍVEL DE INSTRUÇÃO DOS IRMÃOS
Se o nível de instrução dos pais é relativamente
baixo, considerando tratar-se de pais de universitari
os, para os irmãos dos informantes foi encontrado um
ní vel de escolaridade compatível com a idade
cronológica. Na categoria dos 11 aos l4 anos
(correspondendo ao pri meiro ciclo da escola média)
verifica-se que 62,44% dos primeiranistas não
têm_irmãos desta idade; quando os têm, predominam os
irmãos com curso ginasial incompleto (22,74% dos
informantes).
51,93% não possuem irmãos de 15 a 17 anos (ciclo
colegial); 21,24% alegaram que os irmãos ainda nao ha
viam terminado o ginásio e para 18,02% havia sido ini
ciado o curso colegial.
Quanto aos irmãos de 18 anos ou mais, 15,02%decla
raram não os possuir nesta faixa etária; um grande núme
ro tem curso colegial incompleto (20,60%) ou completo
(16,73%); 9,65% iniciaram cursos universitários e l,71%
têm diplomas de ensino superior. Para os irmãos deste
grupo etário dos alunos da Faculdade de Serviço Social,
ocorre o mesmo que em relação aos seus pais; o nível de
instrução é mais baixo: apenas 8,57% tinham terminado a
escola média e 2,85% iniciaram o curso superior.
O nível de instrução de pais e irmãos dos estudan
tes ê apresentado no Quadro 3.
3 - Vida Escolar
TURNO
Todos os informantes freqüentavam cursos diurnos.
FREQUÊNCIA ANTERIOR EM CURSO UNIVERSITÁRIO
Apenas 12,87% dos primeiranistas alegaram experi
ência_universitária anterior ao curso freqüentado por
ocasião da aplicação da pesquisa, no entanto, 30,88%
prestaram de 1 a 5 exames vestibulares para outro ramo
de ensino, diferente daquele que cursavam naquele momen
to.
INTERVALO ENTRE AS ESCOLAS MÉDIA E SUPERIOR
Mais da metade (55,22%) ingressou na Faculdade
imediatamente após a conclusão do curso médio. O inver
so ocorreu para os alunos da Faculdade de Serviço Soci-
al de Brasília, onde 88,57% indicaram intervalo entre
um curso e outro. Quando há intervalo, este oscila de 1
ano (período em que se verificou a maior concentração:
17,16%) a 18 ou mais (com apenas 3 casos,correspondendo
a 0,64%); foi encontrada a média aritmética de 3,61 a
nos, com desvio padrão igual a 3,60.
CURSO VESTIBULAR
Ao contrário do que foi verificado nas outras ci
dades em que se realizou esta pesquisa, a maioria dos
primeiranistas de Brasília (63,94%) não freqüentou cur
so vestibular; iste fenômeno é mais acentuado para a Fa
culdade de Serviço Social, em que apenas 11,42% decla_
raram ter freqüentado cursos preparatórios. Tal tendên
cia é contrariada em alguns cursos da Universidade de
Brasília: Administração (54,54% freqüentaram cursos ves
tibulares), Medicina (54,54%), Psicologia (52,94%), Qui"
mica (66,66%), Ciências Biológicas (50,00%),Comunicação
Visual e Artes Industriais (50,00%)e Matemática(50,00%).
Entre os que fizeram curso vestibular, a maioria
o fêz por um ano (28,11%), embora um informante decla
rasse 5 anos ou mais; a média aritmética foi de ï,25 a
nos com desvio padrão de 0,71.
4 - Situação Econômica do Estudante
e de sua família
ELEMENTOS DO GRUPO DOMÉSTICO COM RENDA
Em 85,61% dos casos, de uma a três pessoas contri
buem para o orçamento doméstico, sendo que 37,55% indi
cam apenas uma;_a média aritmética foi de 2,10 pessoas,
com desvio padrão 1,30.
NÍVEL DE OCUPAÇÃO DO PAI
É muito baixo o número de pais que vivem de
ren-da (3,64%) e apenas um estudante declarou que o
genitor não tinha emprego por ocasião da aplicação da
pesquisa. Um grande número de pais (35,19%) exercia
ocupações de nível 4 da escala de_B. Hutchinson
(inspeção,supervisão e outras ocupações não manuais de
padrão alto), seguin-do-se 24,67% dos pais com
ocupações de nível 6 (profis sionais e
administradores) e 14,80% no nível 3 (inspe ção,
supervisão e outras ocupações não manuais de padrão
baixo). Apenas 18,87% dos genitores foram incluídos nos
níveis de ocupação 1 e 2 (sem ou semi-habilidade manual
e habilidade manual).
OCUPAÇÃO REMUNERADA DA MÃE
A maior parte das mães (66,52%) dedicava-se ape
nas aos afazeres domésticos; 10,29% ajudavam em negócio
da família ou trabalhavam en casa, enquanto 17,16% tra_
balhavam fora. Quando existe ocupação remunerada, esta
se distribui entre os níveis 2 e 5 (dirigentes e executi
vos), englobando 18,66% dos casos.
OCUPAÇÃO REMUNERADA DOS IRMÃOS
Quanto aos irmãos com 18 ou mais anos, 16,30% dos
informantes indicaram não possuir irmãos neste grupo e
tário, enquanto 19,52% tinham irmãos estudando.Entre os
primeiranistas que têm irmãos com ocupação remunerada,
a maioria destes (31,32%) exerce atividades de nível 4
ou 5 sendo que 8,15% estavam desempregados na ocasião.
Considerando os irmãos da faixa etária de 14 a 17
anos, 45,49% dos primeiranistas declararam não possuir
irmãos com esta idade, enquanto 52,57% tinham irmãos es
tudando; em apenas 1,28% dos casos os irmãos deste gru
po trabalhavam, enquanto um estudante tinha irmãos nes
ta faixa trabalhando e estudando.
Para maior detalhe, as percentagens relativas a
nível de ocupação de pais e irmãos dos universitários
são apresentadas no Quadro 4.
OCUPAÇÃO REMUNERADA DO ESTUDANTE
Pouco menos da metade (43,56%) dos informantes e
xerce atividade remunerada. Ha variações na dependência
da escola ou curso considerados; a quase totalidade dos
alunos da Faculdade de Serviço Social (94,28%) trabalha
e em alguns cursos da Universidade de Brasília há predo
minio de primeiranistas trabalhando: Biblioteconomia
(65,00%),Cinema(66,66%),Direito(69,44%),FÍsica(55,55%),
Letras Brasileiras (56,41%) e Musica (75,00%).
NÍVEL DE OCUPAÇÃO
As ocupações exercidas pelos primeiranistas são
incluídas nos níveis 4 e 5 em sua grande maioria(32,61%
do total), encontrando-se apenas 5,36% no nível 3 e tão
somente quatro estudantes (0,85%) com atividades de ní
vel 2.
ENTIDADE PATRONAL E CARGA HORÁRIA SEMANAL
Entre os estudantes que trabalham,a maioria (32,83%)
o faz para o govêrno, enquanto um menor número (8,5 8%
do total) trabalha para emprêsas particulares; tal fato
talvez decorra das próprias condições de vida da nova
capital. A carga horária da atividade remunerada na qua
se totalidade dos casos (35,19%) incide entre 17 a 24
horas semanais.
TEMPO DE TRABALHO
Na maior parte dos casos (42,06%), a ocupação foi
iniciada antes do ingresso no curso superior; 25,73% e
xercem atividade remunerada em períodos compreendidos
entre 1 a 5 anos; alguns (3,64%) trabalham há 18 anos
ou mais; esta ampla variação do tempo de trabalho é tra
duzida na média aritmética de 6,42 com desvio padrão de
6,25.
MOTIVOS DETERMINANTES DO TRABALHO
várias foram as causas apontadas para o exercício
de atividade remunerada; os motivos de ordem econômica
somaram 15,87%, enquanto razões diversas chegaram a
28,10%; incluem-se nesta última categoria o desejo de
independência financeira (10,30%) e de aquisição de ex
periência profissional (8,36%).
UTILIZAÇÃO DO SALÁRIO
A utilização do salário por parte do estudante é
vária. No caso do solteiro, 13,51% custeiam tôdas as
suas despesas, enquanto 10,08% ainda contribuem para o
orçamento da família; 10,08% arcam com apenas parte de
seus gastos individuais. No caso dos estudantes casa
dos, que são poucos, 4,72% arcam com tôdas as despesas
da família, 2,78% custeiam parte destas despesas
(fazen-do presumir colaboração do cônjuge) enquanto
1,71% auxi liam à família paterna.
AJUDA MONETÁRIA DA FAMÍLIA
Pouco mais da metade dos primeiranistas (57,51%)
recebe auxílio monetário da família, embora na Faculda
de de Serviço Social a maioria (74,28%) não receba esta
ajuda.
ENTIDADE MANTENEDORA DA ESCOLA MÉDIA
Uma pequena maioria (51,71%) cursou escolas médias
públicas e particulares, dividindo-se o restante mais
ou menos eqüitativamente entre freqüência exclusiva a
escolas públicas (24,46%) ou particulares (23,39%). Por
outro lado, a maioria (84,57%) não se beneficiou de bôl
sa de estudos durante o curso médio.
PROPRIEDADES
Foi averiguada a existência de propriedades da fa
mília do primeiranista e a sua discriminação. Apenas
8,79% dos estudantes declararam que suas famílias nada
possuem. Por outro lado, varia bastante a proporção de
bens móveis e imóveis, o que é apresentado no Quadro 5.
QUADRO 5
Tipo e Número de Propriedades da
Família do Estudante Universitário*
* Dados referentes à primeira série dos cursos universi
tários de graduação, sediados em Brasília,em 1965.
Associado ã propriedade de imóveis por parte da
familia do estudante foi considerado o tipo de moradia
do primeiranista (própria ou alugada), dado que em Bra
sília perde parte de seu valor uma vez que apenas 30,04%
dos primeiranistas residem com seus pais (para o conjun
to das dez capitais estudadas, 52,22% dos pais e 61,93%
das mães vivem na cidade em que o filho estuda). Feita
esta ressalva, pode ser mencionado que 14,37% dos pri
meiranistas de Brasília moram em residência própria,
33,69% em residência alugada e 30,90% em quarto aluga
do.
III - Conclusões
As principais características encontradas para o
estudante universitário da Capital Federal podem ser as_
sim resumidas em suas linhas gerais:
1 - predomínio de estudantes do sexo masculino,
solteiros, com idades variando dos 18 aos 22
anos, nascidos em zona urbana e naturais dos
Estados de Minas Gerais, Goiás, são Paulo e
Guanabara;
2 família de tamanho médio, não morando os pais
dos estudantes em Brasília; pais brasileiros,
com nível de instrução variado, embora com
maioria nos níveis médio e superior; irmãos
dos informantes em nível de escolaridade com
patível com a respectiva idade cronológica;
3 - totalidade de universitários matriculados em
escolas diurnas sendo raros os estudantes com
experiência universitária anterior; ingresso
no ensino superior imediatamente após a con
clusão do curso médio para a maioria e aprova
ção no primeiro concurso de habilitação sem
freqüência a cursos preparatórios;
4 - uma a três pessoas do grupo doméstico com
ren da ou salário; pais exercendo ocupação
do ti po médio e superior, segundo a escada
de B. Hutchinson; número pequeno de genitoras
com a tividade remunerada; irmãos de 18 anos ou
mais com ocupações de tipo médio; irmãos
menores dedicados exclusivamente ao estudo;
5 - maioria de universitários sem ocupação
remune rada; os que trabalham o fazem em
regime de tempo parcial, em órgãos
governamentais, em ocupações do tipo médio;
início do trabalho antes do ingresso na
universidade devido a mo tivos de ordem não
econômica; salário utiliza do para custear
parcialmente as despesas indi viduais;
6 - pequeno número de famílias sem bens móveis ou
imóveis; tipo e número variados de proprieda
des, sendo mais freqüentes, casas,sitios, ter
renos e automóveis;
7 - primeiranistas egressos de escolas médias quer
públicas quer particulares, não tendo se
bene-ficiado neste período de bolsas de
estudo.
CAPÍTULO 13
Caracterização SÓcio-Econômica
do Estudande de Medicina
A pesquisa, em seu planejamento, previu a análise
das características sócio-econômicas do estudante uni_
versitário, segundo a modalidade de ensino freqüentada.
Dentro diste critério foi estudado o ramo de medicina.
I - As Escolas de Medicina Estudadas
Foram analisadas 20 escolas, abrangendo 1.618 pri^
meiranistas. 0 número de questionários computados e a
relação entre iste número e a matrícula em junho de
1965, para cada uma das Faculdades pesquisadas,são apre
sentados no Quadro 1.
II - 0 Estudante Universitário Brasileiro
Através da análise dos dados obtidos, alguns as
pectos sócio-econômicos do primeiranista de medicina pu
deram ser apontados, permitindo um confronto entre es
tes estudantes e os alunos matriculados nas demais moda
lidades do ensino superior brasileiro.
Como vimos em capítulo anterior*, as característi
cas gerais dos primeiranistas dos cursos
universitários de graduação, sediados nas dez capitais
estudadas,podem ser assim resumidas:
1 - predomínio de indivíduos solteiros e do sexo
masculino; idade variando, a grosso modo, dos 18 aos 22
anos; maioria de brasileiros nascidos em zona urbana e
naturais do Estado-sede da escola superior que frequen
tam;
2 - família, em geral, com um pequeno número de
membros, morando a maior parte dos universitários com os
pais, na própria cidade onde estudam; pais brasileiros,
com nível de instrução variado, predominando os genito
res com cursos médio ou superior; irmãos dos estudantes
na maioria das vêzes, com nível de escolaridade compati
vel com o esperado para a respectiva idade cronológica;
3 - predomínio de universitários matriculados em
escolas diurnas, sendo raros os casos de primeiranistas
com experiência universitária anterior; intervalo entre
as escolas média e superior verificado era cêrca da rneta
dedos casos; maioria de primeiranistas_ acusando fre
qüência a cursos vestibulares e aprovação no primeiro
concurso de habilitação à Faculdade;
4 - em média, dois elementos do grupo domestico
dispondo de salário ou renda; pais exercendo ocupações
de tipo médio ou superior, segundo a escala de B.Hutchin
son; pequeno número de mães dedicadas a atividades remu
neradas; irmãos de 18 e mais anos exercendo ocupações
de tipo médio ou estudando; irmãos menores, em geral,de
dicados unicamente ao estudo;
5 - predomínio de primeiranistas sem ocupação re_
munerada; os que trabalham o fazem, na maior parte das
vêzes, em emprêsas estatais ou particulares, sob regime
de tempo parcial, alegando necessidade econômica da fa
mília paterna; início do trabalho antes do ingresso ã
escola superior (prazo igual ou inferior a cinco anos)
e utilização do salário para o custeio parcial das des_
pesas individuais;
* Características Gerais do Estudante Universitário
6 - pequeno número de famílias não dispondo de
bens; tipo e número variado de propriedades, sendo mais
freqüentes casas, apartamentos, sítios e terrenos, auto
móveis;
7 - maioria de primeiranistas egressos de escolas
médias particulares, não se tendo beneficiado, neste pe
riodo, de bolsas de estudo.
III - 0 Estudante de Medicina
_Em face das características acima apontadas, qua
tro são os aspectos em que o estudante de medicina se di
ferencia dos demais*: ocupação remunerada, ajuda monetá
ria da família, freqüência a cursos vestibulares e núme
ro de exames vestibulares; os dois primeiros se referem
a problemas econômicos, os últimos a questões de nature
za escolar.
Para se verificar a significação estatística das di
ferenças percentuais encontradas, foi utilizado o
teste de qui-quadrado a nível 0,05.
Uma das possíveis causas destas diferenças (menor
percentagem de estudantes trabalhando e maior proporção
de alunos recebendo auxílio monetário da família) esta
ria relacionada ao próprio regime de estudo nas escolas
médicas; estas são sempre escolas diurnas, tendendo a
maioria a ocupar o estudante por um longo período do dia
enquanto que, em diversos ramos de ensino, o número de
horas diariamente dedicadas às aulas pode ser menor, ha
vendo ainda a possibilidade de cursos noturnos. Neste
caso, as próprias atividades escolares dificultariam,no
caso das Faculdades de Medicina, o exercício de ativida
de remunerada por parte do primeiranista.
Poder-se-ia também explicar iste menor trabalho
estudantil através de uma melhor situação econômica do
aluno e de sua família; nestas condições, o primeiranis
ta médico não trabalharia porque não teria necessidade
de fazê-lo. Esta segunda hipótese pode ser estudada com
maior detalhe, utilizando alguns dos dados levantados
na presente pesquisa.
NÍVEL DE OCUPAÇÃO DA FAMÍLIA
As ocupações exercidas pela família e a posse de
propriedades pelo grupo doméstico são elementos que pos
sibilitam um melhor conhecimento da situação econômica
do estudante universitário. Em relação ao primeiro
(ocupações exercidas pela família), os dados obtidos de
monstram que:
a) não há diferença significativa entre os níveis
ocupacionais dos pais*, quando comparados estu
dantes universitários em geral e estudantes de
medicina (Quadro 4).
b) não há também diferenças entre as ocupações
exercidas pela genitora e pelos irmãos, quando
se faz a comparação entre os dois grupos de es
tudantes. No caso dos primeiranistas de medici
na, 73,36% das mães se dedicam exclusivamente
aos afazeres domésticos; quando considerados
todos os universitários, 73,22% das genitoras
se encontram nesta situação. Por outro lado,
as atividades dos irmãos do estudante podem
ser assim resumidas:
0,24% dos alunos do primeiro ano médico têm ir
mãos de 14 a 17 anos dedicados unicamente às
atividades remuneradas e 26,45% têm irmãos de
18 e mais anos ainda estudando; para o univer
sitário em geral as proporções são, respecti
vamente, 0,67% e 22,99%.
* Segundo a escala adotada por B. Hutchinson.
PROPRIEDADES DO GRUPO DOMÉSTICO
Limitando a analise à posse de casas,apartamentos
e automóveis (os bens mais citados pelos informantes),
é fácil verificar que são pequenas as diferenças percen
tuais encontradas, não se revelando o teste de qui-qua
arado significante a nível 0,05 (Quadro 5).
QUADRO 5
Distribuição Percentual das
Propriedades do Grupo Doméstico
* Dados relativos a todos os primeiranistas estudados
em 10 capitais brasileiras. ** Dados relativos
aos primeiranistas de 20 escolas mé_
dicas.
As informações relativas às ocupações exercidas
pela família e ã posse de propriedades pelo grupo domés
tico não permitem concluir que haja diferença de nível
econômico entre a clientela que Se matricula nas esco
las médicas e aquela que freqüenta as demais escolas su
periores brasileiras. Esta aparente semelhança da situa_
ção econômica de dois grupos de estudantes que trabalham
ou recebem ajuda monetaria dos pais em proporções dife
rentes sugere, de um lado, que possa haver um maior es
forço por parte das famílias dos estudantes de medicina;
nesse .sentido, embora não disponham de maiores recursos,
os pais dos primeiranistas das escolas médicas,tendo em
vista a impossibilidade de trabalho por parte do estu
dante, empenhar-se-iam mais, objetivando manter o filho
na Faculdade. Por outro lado, no entanto,é possível que
os instrumentos usados (ocupações de pais e irmãos, nú
mero e tipo de propriedades) não sejam suficientemente
precisos para aquilatar pequenas diferenças, com o que
se tornaria necessário um exame mais aprofundado do pro
blema, utilizando-se outros índices, como, por exemplo,
o de "conforto doméstico" (número de elementos do grupo
doméstico, número de cômodos da residência em relação ao
número de pessoas que nela vivem, número de aparelhos
eletrodomésticos, etc).
B - O Problema Escolar
FREQUÊNCIA A CURSOS VESTIBULARES
Uma proporção mais alta de primeiranistas de medi
cina alegou ter freqüentado cursos vestibulares, confor
me se verifica no Quadro 6.
QUADRO 6 Freqüência
a Cursos Vestibulares
Qui-quadrado significante a nível 0,05.
* Dados relativos a todos os primeiranistas estudados
em 10 capitais brasileiras. ** Dados relativos aos
primeiranistas de 20 escolas médicas.
O caráter extremamente competitivo dos concursos
de habilitação às escolas médicas, determinado, por um
lado, pelo número relativamente pequeno de vagas ofere
cidas na primeira série, e de outro, pela grande afluên
cia de candidatos, pode explicar a maior procura dos cur
sos preparatórios. A propósito, deve ser assinalado que
no período 1954-1964, de cada cinco inscrições para os
exames de ingresso ao ensino superior, uma se fazia pa
ra as escolas médicas e que a percentagem de aprovação
nos exames vestibulares de medicina, neste mesmo peno
do, nunca foi superior a 20,9% (proporção obtida em
1962)*; nestas condições, não é de estranhar que um nú
mero proporcionalmente elevado de primeiranistas de me
dicina tenha freqüentado cursos vestibulares.
DURAÇÃO DO CURSO VESTIBULAR
A importância do problema, qual seja a admissão
dos estudantes às escolas médicas, exige uma análise me
nos superficial. Vimos que o primeiranista de medicina,
quando comparado ao universitário em geral, freqüentou
em maior proporção cursos preparatórios para os concur
sos de ingresso ã escola superior; a diferença,no entan
to, não se limita apenas ã maior freqüência, havendo,
também, indicações de que esta freqüência se faça por um
período maior de anos (Quadro 7).
QUADRO 7 Duração do Curso
Vestibular
* Segundo o Relatório da CAPES, em 1965.
Embora o cálculo de qui-quadrado não se revele siq
nificante a nível 0,05, deve ser assinalado que 20,82%
dos primeiranistas de medicina alegaram freqüência a
cur sos vestibulares por dois anos letivos (o indice
para todos os primeiranistas sendo 8,13%). Este dado
pode se tornar mais revelador, quando a comparação é
feita, não com o universitário em geral e sim em
relação a determi nados ramos de ensino; se
aproximadamente a quinta par te dos primeiranistas
matriculados em 1965, em 20 esco las médicas,
freqüentou cursos vestibulares por dois anos letivos,
os resultados para outras modalidades são: 1,71% para os
estudantes matriculados nos cursos de le tras das
Faculdades de Filosofia (qui-quadrado signifi cante a
nível 0,05), 2,17% para os primeiranistas de so
ciologia e política e dos cursos de ciências sociais das
Faculdades de Filosofia (diferença estatisticamente sig
nificativa), 3,62% para os alunos de jornalismo (qui-
quadrado significante a nível 0,05), 4,62% para os alu
nos de direito (diferenças estatisticamente significati
vas), 5,53% para os alunos dos cursos de ciências das
Faculdades de Filosofia, 7,16% para os estudantes de ci
ências econômicas, 11,2% para os primeiranistas de geo
logia, 11,55% para os estudantes de engenharia, 17,34%
para farmácia e 14,69% para odontologia.
EXAMES VESTIBULARES ANTERIORES
Além disso, a proporção de primeiranistas de medi
cina que prestou dois ou mais exames vestibulares é sen
sïvelmente maior que a dos demais universitários (Qua
dro 8).
QUADRO 8 Numero de Exames
Vestibulares Anteriores
Qui-quadrado significante a nível 0,05.
* Dados relativos a todos os primeiranistas estudados
em 10 capitais brasileiras. ** Dados relativos aos
primeiranistas de 20 escolas mé dicas.
Se fixarmos como ponto de comparação a percertagem
de estudantes que se submeteram a mais de dois concursos
de habilitação para o ingresso a uma determinada modali
dade de ensino superior, em oposição aos 27,45% dos prT
meiranistas de medicina (e 11,53% para o universitário
em geral), teremos: l,51% para os alunos de sociologia e
política e cursos de ciências sociais das Faculdades de
Filosofia; 1,82% para jornalismo; 2,13% para odonto-
logia; 2,50% para os cursos de letras das Faculdades de
Filosofia; 2,74% para farmácia; 3,40% para os cursos de
ciências das Faculdades de Filosofia; 5,71% para direi
to; 7,04% cara geologia e 8,03% para ciências econômicas"
(em todos estes casos, as diferenças percentuais encon
tradas são significantes a nível 0,05). Ou seja,para to
das estas modalidades, o ingresso ã Faculdade é sensí
velmente menos difícil quando comparado com as escolas
médicas; apenas engenharia apresenta percentagens ainda
mais impressionantes: 35,09% dos primeiranistas alega
ram ter feito mais de dois exames vestibulares.
EXAMES VESTIBULARES PARA OUTRAS MODALIDADES DE ENSINO
Se o concurso de habilitação às escolas médicas re
presenta um obstáculo de difícil transposição, levando
os estudantes a freqüentar cursos preparatorios e a se
apresentar repetidas vêzes ao exame,pode ser também uma
das causas que levam o aluno a se inscrever em concur
sos para outras modalidades de ensino superior: 9,14%
dos primeiranistas de medicina haviam feito um concurso
para outros ramos, 1,29% haviam realizado dois.
A interpretação destes dados deve ser feita de mo
do reservado já que:
a) não foi encontrada, a este respeito, diferença
significativa entre o aluno das escolas médicas (9,14%
com um exame) e o universitário, em geral (12,96%);
b) alguns ramos de ensino apresentam taxas mais
elevadas: odontologia com 17,69% (1 exame) e 10,97% (2
exames) e farmácia com 20,74% (1 exame) e 17,06% (2 exa
mes) sugerem que o candidato aos cursos médicos se sub"
rneta a outros exames vestibulares, numa tentativa de per
manecer no campo das ciências biológicas ou de aprovei
tar, em outros concursos, o cabedal de conhecimentos já
adquiridos (diferenças significantes a nível 0,05).
c) outros fatôres, talvez não diretamente ligados
às dificuldades do exame vestibular, mas relacionados ã
falta de orientação vocacional ou a condições específi
cas do mercado de trabalho ou mesmo das escolas, podem,
determinar a procura de outras Faculdades,explicando as
sim o fenômeno observado nos cursos de letras das Facul
dades de Filosofia (12,01% dos primeiranistas haviam se
submetido a concursos para outras modalidades), em eco
nomia (14,71%); nos cursos de ciências sociais (15,36%)
e de ciências físico-matemático-biológicas (17,72%) das
Faculdades de Filosofia e em jornalismo (22,82%).
INTERVALO ENTRE AS ESCOLAS MÉDIA E SUPERIOR
O primeiranista de medicina, quando comparado com
os demais universitários, se apresenta como um indivíduo
que freqüenta em maior número os cursos vestibulares (e,
em relação a determinados ramos de ensino, por um perío
do maior de anos) e se submete a um maior numero de con
cursos de habilitação. Nestas condições seria lógico
pensar que houvesse, no caso específico das faculdades
médicas, um maior intervalo de tempo entre as escolas me
dia e superior; os dados obtidos negam esta hipótese,
quer em relação ã existência de intervalo (Quadro 9),
quer no que se refere ao número de anos de intervalo.
QUADRO 9 Ingresso ã
Faculdade
* Dados relativos a todos os primeiranistas estudados
em 10 capitais brasileiras. ** Dados relativos aos
primeiranistas de 20 escolas mé dicas.
Os índices referentes ao número de anos de inter
valo entrego término do ciclo colegial e a matrícula na
primeira série universitária são, no caso do primeira
nista de medicina: 26,01% com um ano; 16,37% com dois,
5,37% com três e 6,24% com quatro; para o universitario
em geral, as proporções encontradas foram,respectivamen
te, 21,01%, 10,60%, 5,60% e 11,50%; tais diferenças per
centuais, como as apresentadas no Quadro 9 não são sig_
nificantes a nível 0,05.
IDADE CRONÓLOGICA DO PRIMEIRANISTA
Se não se verifica um maior intervalo, também não
há diferenças significativas nas idades cronológicas do
estudante de medicina e do universitário brasileiro
(Quadro 10).
QUADRO 10 Idade
Cronológica
* Dados relativos a todos os primeiranistas estudados
em 10 capitais brasileiras.
** Dados relativos aos primeiranistas de 20 escolas mé
dicas.
A ausencia de um intervalo maior e de uma idade
mais avançada sugere que os primeiranistas de medicina
tenham freqüentado cursos preparatórios ao mesmo tempo
que terminavam o ciclo colegial o que se tenham submeti
do a vários concursos de habilitação em um mesmo ano le
tivo; a existência, no entanto, ce um grande número de
estudantes (20,82%, Quadro 7) que fizeram cursos vesti
bulares por dois anos, o que levaria a diferenças per-
centuais da idade cronológica e do período compreendido
entre as escolas média e superior_(o que não se verifi
ca), indica que outros fatôres, não pesquisados no pre-
sente trabalho, devem estar em jogo.
IV - Conclusões
Quando se compara o primeiranista de medicina com
o aluno matriculado na primeira série das demais modali
dades do ensino superior brasileiro, quatro diferenças
se tornam nítidas (qui-quadrado significante a nível
0,05):
1 - a percentagem de estudantes de medicina que
trabalham é três vêzes menor;
2 - é maior a proporção de alunos das escolas me
dicas que recebem ajuda monetária da família;
3 - uma proporção mais alta de primeiranistas de
medicina alegou ter freqüentado cursos vestibulares;
4 - a percentagem de estudantes de medicina que
prestou dois ou mais concursos de habilitação é sensì
velmente maior.
As diferenças encontradas em relação ao trabalho
estudantil e a ausência de dados confirmativos de um me
lhor nível econômico do aluno das escolas médicas suge
rem a necessidade de estudos mais detalhados a respei
to. Por outro lado, o problema da articulação das esco
las média e superior torna necessários trabalhos refe
rentes ao:
a) planejamento e execução de uma colitica univer
sitaría, tendendo a ampliar o numero de vagas
oferecidas nas primeiras séries médicas ou mes_
mo o aumento numérico das escolas já existen
tes;
b) aperfeiçoamento dos critérios de seleção da cli
entela da escola médica, quer seja pelo desen-
volvimento do colégio universitário, quer seja
pela expansão dos chamados institutos básicos,
quer seja pelo estabelecimento de exames vesti
bulares de cunho universitário (não relativo às
escolas individualmente).
CAPÍTULO 14
Caracterização Sócio-Econômica dos Estudantes
de Direito, Economia c Ciências Sociais
I - Introdução
O presente capítulo visa ã caracterização sócio
-econômica dos alunos de Direito, Economia e Ciências
Sociais, comparando-os com os primeiranistas matricula
dos nos demais ramos do ensino universitário brasileiro.
A secolha destas modalidades do ensino superior e seu
es
tudo em conjunto prende-se a três fatôres:
1 - sao ramos dedicados ã análise das múltiplas re
lações que se estabelecem entre o indivíduo e a socieda
dado ou entre dois ou mais grupamentos humanos, o quê
justifica a sua análise em conjunto;
2 - representam fases diversas na evolução histó
rica do ensino universitário brasileiro (Direito como
uma das modalidades mais tradicionais e de maior prestí
gio social; Economia e Ciências Sociais como ramos dê
desenvolvimento mais recente), permitindo assim a compa_
ração entre escolas de maior e menor tradição;
3 - além disso, entre Economia e Ciências Sociais,
um outro, aspecto pode ser ressaltado: a primeira, dadas
talvez as condições de desenvolvimento do país, tem con
seguido, principalmente nos últimos anos, aumentar o nú
mero de escolas, de estudantes e de candidatos,passando
a competir, no que se refere a afluência de alunos, com
outros ramos mais antigos.
Uma outra explicação é necessária. Incluímos para
a caracterização do ramo Ciências Sociais, não só as Fa
culdades de Sociologia e Política como os cursos de Ci
ências Sociais e História das Faculdades de Filosofia,
Ciências e Letras; acreditamos que tal junção seja jus
tificada pela proximidade das áreas de estudo leciona"
das no dois tipos de estabelecimentos.
II - Amostra
Como se indica no Quadro 1, foram pesquisadas 25
Faculdades de Ciências Econômicas, 24 de Direito e 3 Es
colas de Sociologia e Política, totalizando 4.677 prí
meiranistas. Destes alunos, 2.134 estudavam Economia (re
presentando 66,8% da matrícula da primeira série das 25
escolas), 2.441 eram estudantes de Direito (58,9% da ma
trícula do primeiro ano das faculdades) e 102 se dedica
vam ã Sociologia e Política (67,5% do total de primeira
nistas das 3 escolas).
QUADRO 1
FACULDADES ESTUDADAS,
MATRlCULA E NÙMERO DE
QUESTIONÁRIOS COMPUTADOS
Do Quadro l podemos retirar os seguintes elementos
principais:
A - Ciências Econômicas
a. matrícula inicial 3.590
b. matrícula em junho 3.197
% da matrícula inicial 89,1
c. questionários computados 2.134
% sôbre a matrícula em junho 66,8
B - Direito
a. matrícula inicial 4.560
b. matrícula em junho 4.145
% da matrícula inicial 90,9
c. questionários computados 2.441
% sôbre a matrícula em junho 58,9
C - Sociologia e Política
a. matrícula inicial 162
b. matrícula em junho 151
% da matrícula inicial 93,2
c. questionários computados 102
% sôbre a matrícula em junho 67,5
Além distes alunos de Direito, Economia e Sociolo-
gia e Política, no presente capítulo foram considerados
770 primeiranistas matriculados nos cursos de Ciências
Sociais e História de 31 Faculdades de Filosofia, Cien-
cias e Letras, localizadas nos dez centros urbanos pes-
quisados. No que concerne a estes estudantes não dispo
mos de informações relativas a matrícula inicial e ma
trícula em junho, razão pela qual não foram incluídos
no Quadro 1.
III - Diferença entre a Matrícula Inicial e a Ma
trícula em Junho
Chama de imediato a atenção, através da análise do
Quadro 1, a diferença entre a matrícula inicial (meses
de fevereiro, março ou abril, na dependência da época
de realização da matrícula) e a matrícula verificada no
mês de junho: 11% dos estudantes de Economia, 9% dos
primeiranistas de Direito e 7% dos alunos de Sociologia,
matriculados no início do ano letivo de 1965 nas respec
tivas faculdades, não estavam freqüentando aulas ao ter
mino do primeiro semestre.
0 decréscimo, conforme assinalamos no apêndice I*,
tem intensidade variável, segundo a localidadeexamina-
da. Assim, a cidade de São Paulo assume posição desta-
cada, uma vez que as diferenças percentuais atingem a
16,3% para os estudantes de Economia, a 22% para Socio-
logia e Polìtica e a 25,7% para Direito.
Não dispomos de elementos para a interpretação quer
do fenômeno geral, quer das variações locais; não pode-
mos também assegurar que estas diferenças percentuais
de matrícula se repetem anualmente ou refletem tão so-
mente uma situação particular observada no ano letivo
de 1965. Quer nos parecer, no entanto, que o decrésci-
mo de matrícula merece estudos específicos, tendo sido
sugerido em estudo anterior que podem ser fatôres deter
minantes de evasão (considerados todos os primeiranis-
tas) os seguintes:
1 - falta de orientação vocacional dos
alunos, fazendo com que alguns abandonem os
cursos, tão cedo tenham contacto com os
mesmos, per cebendo a possível falta de
integração pes-soal ã especialização
futura;
2 - exercício de atividade remunerada,
coincidindo com o ingresso na faculdade e
determi nando a evasão, quer pela
incompatibilidade de horários, quer pelo
esforço despendido;
3 - falta de_flexibilidade de currículos e
pro gramas não atendendo aos interêsses e
neces sidades individuais dos alunos;
4 - falta de adaptação do estudante ã
estrutura universitária, pelo contraste
entre a facul dade e a escola de nível
médio.
Matrícula e freqüência na primeira série univer
sitária.
Ë possível que, dadas as características específi
cas dos alunos de Direito e Economia (maior número de
indivíduos casados, dedicados simultâneamente ao estudo
e ao trabalho e freqüentando cursos noturnos, como vere
mos adiante) e as peculiaridades do estudo das ciências"
sociais, se tornem mais importantes,neste decréscimo de
matrícula, fatôres como dificuldades de natureza
sócio-econômica impossibilitando a continuação do
curso; exi gências das Faculdades quanto a trabalhos e
estágios, difíceis de serem atendidas pelo aluno que
trabalha ou mesmo diferenças de padrão de ensino
(quer_entre a esco la média e a superior, quer mesmo em
relação às várias faculdades),ocasionando decepções ou
frustrações e pres soes do meio social e do próprio
mercado de trabalho, acenando com maiores
possibilidades de emprêgo ou me lhor remuneração nas
áreas de cunho mais técnico ou ci entifico, tornadas
possíveis pelo próprio desenvolvimen to industrial.
IV - Características Específicas dos Estudantes de Di
reito, Economia e Ciências Sociais
Dos 69 quesitos do questionário aplicado, os estu
dantes de Direito, Economia e Ciências Sociais diferem
dos demais universitários em relação a 9 itens*.
Deve ser salientado, de início, que as diferenças encon
tradas não se referem a muitos dos aspectos sócio-econô
micos pesquisados, como nível ocupacional do genitor,
nível de instrução dos pais, tipo e número das proprie-
dades do grupo doméstico, tipo de moradia da família
(própria ou alugada) e motivos determinantes da ocupa
çao remunerada do primeiranista; os resultados obtidos
sugerem que as diferenças observadas se prendem mais a
características individuais do estudante que a condi-
ções sócio-econômicas de suas famílias. Além disso, os
alunos de Direito e Economia se apresentam com muitas
caracteristicas comuns, distinguindo-se claramente dos
primeiranistas matriculados nas Faculdades de Sociolo
gia e Política e nos cursos de Ciências Sociais e Histó
ria das Faculdades de Filosofia.
Desejando apresentar os dados obtidos de maneira
clara e concisa, dividiremos as diferenças encontradas
em três categorias: o problema econômico, o problema
escolar e o problema social.
Ver, a respeito, o capítulo Características Gerais
do Estudante Universitário.
A - 0 Problema Econômico
1 - Ocupação remunerada
Como indicamos no Quadro 2, os_estudantes das Fa_
culdades de Filosofia (cursos de Ciências Sociais e His_
tória) e de Sociologia e Política se distribuem, no que
concerne ao exercício da ocupação remunerada. de forma
semelhante ã dos demais universitários; os alunos de Di
reito e Economia, no entanto, divergem da tendência ge
ral, aumentando significativamente a proporção dos pri
meiranistas dedicados simultâneamente ao estudo e ao tra_
balho.
QUADRO 2 Exercício de Ocupação
Remunerada
2 - Ajuda Monetária da Família
Se um maior número de estudantes de Direito
(61,36%) e de Economia (74,64%) trabalha, em comparação
com o total de estudantes universitários (44,12%), uma
percentagem menor (diferenças estatisticamente signifi-
cativas) recebe ajuda monetária de suas famílias; 48,83%
para os primeiranistas de Direito e 40,48% para os alu-
nos de Ciências Econômicas. Os alunos das faculdades
de Sociologia e Filosofia (Ciências Sociais e História),
da mesma maneira que em relação ao item precedente, não
se afastam significativamente da tendência geral (62,49%
do total de estudantes universitários e 63,18% dos alu-
nos de Sociologia e Polìtica e dos cursos de Ciências
Sociais e História das Faculdades de Filosofia são auxi-
liados monetàriamente pelo grupo doméstico, Quadro 3).
Para os alunos de Direito e Economia, o fato de ha
ver uma percentagem maior de indivíduos trabalhando e,
inversamente, uma menor proporção recebendo auxilio eco
nômico do grupo doméstico, pode estar relacionado aos
seguintes fatores:
a. existência de cursos noturnos e uma menor car
ga diária de atividades universitárias, permi
tindo a dedicação simultânea ao estudo e ao tra
balho;
b. maior número de estudantes casados e de mais i-
dade sugerindo um maior grau de independência e
conômica em face da família paterna;
c. situação anterior de trabalho, levando o indiví
duo que já desempenha uma ocupação remunerada à
seguir um curso universitário, visando ã forma
ção, aperfeiçoamento ou especialização no campo
de sua própria atividade;
d. facilidade do mercado de trabalho,
possibilitan-
do o aproveitamento em atividade remunerada dos
estudantes de Direito e Economia;
e. interêsse por parte destes estudantes em inici
ar atividade remunerada ligada aos cursos, per
mitindo um certo grau de experiência profissio
nal.
Quaisquer que sejam as causas do fenômeno, não pa-
recem estar diretamente relacionadas ás condições sócio
-econômicas das famílias, como veremos adiante.
QUADRO 3 Ajuda
Monetária da Família
0 grande número de estudantes do sexo feminino nas
Faculdades de Sociologia e Filosofia (Ciências Sociais
e História) e o papel tradicional da mulher na
socieda-de brasileira poderiam explicar, de outro lado,
a menor participação destes alunos em atividades
remuneradas e a maior necessidade da contribuição
familiar para o seu próprio sustento.
B - O Problema Escolar
1 - Turno
Cêrca de 3/4 (74,74%) dos primeiranistas estudam
durante o dia (Quadro 4); tal percentagem é ligeiramen
te menor para os alunos de Filosofia e Sociologia
(71,90%), diminuindo ainda mais no caso dos estudantes
de Direito (61,49%) e Economia (29,66%), sendo a
dife-rença estatisticamente significativa.
QUADRO 4 Turno
Freqüentado
0 grande numero de estudantes matriculados em cur
sos noturnos (principalmente no que se refere às Facul
dades de Economia) pode explicar, pelo menos em parte,
resultados anteriormente apresentados (maior índice de
alunos que trabalham e menor percentagem de primeiranis-
tas recebendo ajuda monetária do grupo doméstico); embo
ra pareça haver relação entre estes elementos, não dis
pomos de dados para uma análise em termos de causa é
efeito.
2 - Numero de Exames Vestibulares
De cada 100 estudantes universitários,63 haviam se
submetido a um unico exame de habilitação para o ingres
so ao curso superior, 15 haviam feito dois exames e 6
tinham se apresentado por três vêzes (Quadro 5); o mes_
mo fenômeno é observado para os estudantes de Direito
(65,54% fizeram um exame; 15,56% prestaram 2 e 4,34%
realizaram 3) e de Economia (respectivamente, 68,32%;
14,52% e 5,29%). Os alunos das Faculdades de Filosofia
(cursos de Ciências Sociais e de História) e de Sociolo
gia e Política, contudo, se apresentam em condições di
versas, aumentando o número de casos com um unico exame
(76,94%) e, inversamente, diminuindo os de dois (9,63%)
e três (1,03%) .
QUADRO 5 Numero de
Exames Vestibulares Anteriores
Tais dados guardam relação com o número de inscri-
ções ao exame vestibular, o número de vagas disponíveis
na primeira série e a percentagem de aprovação nos con
cursos de habilitação. Segundo dados da CAPES*,as Facul
dades de Direito, em 1964, contavam com 1,7 inscrições
ao exame vestibular para cada vaga existente, as de Eco
nomia com 1,5, as de Sociologia e Política com 1,1 e as
* CAPES - Relatório 1965, Rio de Janeiro, CAPES, 1965.
de Filosofia, Ciências e Letras (considerados todos os
cursos) com 0,7; neste mesmo ano, as percentagens de a
provação nos concursos de habilitação foram: 57,8% para
Direito, 61,3% para Economia, 74,3% para Filosofia, Ci
ências e Letras e 85,0% para Sociologia e Política.
Neste sentido, havendo menor número de candidatos
em relaçãos às vagas e maior percentagem de aprovação
nas Escolas de Filosofia e Sociologia, torna-se claro o
fenômeno anteriormente descrito (menor número de exames
vestibulares para os estudantes destas modalidades de
ensino superior).
3 - Freqüência a Cursos Vestibulares
Praticamente 2/3 do total dos primeiranistas pes_
quisados freqüentaram cursos vestibulares (Quadro _6),
não havendo diferença significativa em relação a este
item, quando se analisam isoladamente os estudantes de
Direito (64,80%) e de Ciências Econômicas (67,47%). Os
alunos matriculados nas Faculdades de Sociologia e Polí-
tica e nos cursos de Ciências Sociais e História das Fa
culdades de Filosofia, no entanto, da mesma forma que
em relação ao quesito precedente, se afastam dessa ten
dência geral, freqüentando em menor número os cursos
preparatórios.
QUADRO 6 Freqüência a Cursos
Vestibulares
Esta menor freqüência aos cursos vestibulares, no
caso das faculdades de Filosofia e Sociologia e Políti-
ca, pode se relacionar ao menor Indice de competição ob
servado nos exames vestibulares destas escolas (menor
número de candidatos em relação às vagas e maior propor
ção de postulantes aprovados), conforme já assinalamos.
Entretanto, é possível que, além disso, influa o menor
número de cursos vestibulares especialmente dedicados
ao preparo para estas faculdades; dados levantados para
a Guanabara* indicam que em 1964 existiam 10 cursos ves
tibulares para Direito, 8 para Ciências Econômicas e a-
penas 4 para Ciências Sociais. Ou, em outras palavras,
ao lado de um menor nível de exigências do exame vesti-
bular (determinando uma menor necessidade de preparo esí
pecífico), haveria menor possibilidade de preparo em
cursos, levando o candidato a um estudo individual inde
pendente.
C - O Problema Social
1 - Sexo
64,86% dos primeiranistas pesquisados em 1965 eram
do sexo masculino (Quadro 7). Os alunos de Direito se
guem esta distribuição geral, embora com um ligeiro
acréscimo do número de rapazes (70,21%), enquanto que
os estudantes de Ciências Econômicas e os Primeiranis
tas matriculados nas Faculdades de Sociologia e Políti
ca e nos cursos de História e Ciências Sociais das Fa
culdades de Filosofia se afastam dela: no primeiro ca
so, aumentando significativamente a matrícula masculina
e atingindo a quase totalidade dos alunos (89,45%); no
segundo,'invertendo a tendência geral e estabelecendo
um predomínio feminino (72,24%).
* CUNHA, N. F. - Preparação de candidatos ao vestibular
de 1964 na Guanabara, Rio de Janeiro,
INEP, CBPE, DEPE, 1965, 2v.
As diferenças percentuais da distribuição da matrí
cula segundo o sexo nestas modalidades do ensino supe-
rior brasileiro podem ser talvez explicadas em função
de algumas caracteristicas sócio-econômicas do país. Na
medida em que as ciências econômicas se aproximam das
ciências exatas e têm aumentado seu mercado de trabalho
pelo próprio desenvolvimento da sociedade brasileira,
atrairão mais o sexo masculino, quer pelo conteúdo que
ensinam (possível maior interêsse dos rapazes pelos es-
tudos matemáticos), quer por maiores e melhores oportu-
nidades de emprêgo. Por outro lado, a área de estudos
de Sociologia e Política, relativamente recente é de ca
racterizaçao profissional ainda não claramente delimita
da e a formação do magistério, precipuamente objetivada
nas faculdades de Filosofia poderão funcionar como de-
sestímulo para elementos do sexo masculino; nesse sentì
do tem sido sugerido que as moças, mais que os rapazes,
podem se arriscar ao estudo em novos campos profissio-
nais pela menor pressão que sofrem em relação à necessi
dade de independencia econômica.
2 - Estado Civil
A proporção de estudantes universitários casados,
viúvos ou desquitados atinge a 8,77% (Quadro 8); os pri
meiranistas de Filosofia (cursos de História e Ciências
Sociais) e de Sociologia se aproximam deste dado geral
(8,47%), aumentando, no caso dos alunos de Direito
(15,64%) e de Economia (15,32%) a percentagem dos casa-
dos.
QUADRO
7
Sexo
Já fizemos referência a este aspecto ao discutir-
mos o problema econômico; as escolas de Direito e Econo
mia, mantendo, em vários casos, cursos noturnos, possi-
bilitam a dedicação simultânea ao trabalho e ao estu-
do, favorecendo assim o individuo carente de recursos;
nao ê de estranhar, portanto, que o aluno casado, rece-
bendo possivelmente menor ajuda econômica da família pa
terna e necessitando prover o sustento de sua própria
família, seja mais encontradiço nestas escolas.
3 - Naturalidade
Como indicamos no Quadro 9, a quase totalidade dos
estudantes pesquisados (87,31%) é originária de 12 Esta
dos brasileiros; em 5,05% dos casos nao foi dada respon
ta ao quesito e os demais universitários se distribuí
ram, em proporções mínimas, pelos outros Estados. A in
terpretação deste dado merece cuidados especiais uma
vez que as percentagens obtidas dependem diretamente
da densidade demografica (fazendo com que os naturais
de São Paulo, Guanabara, Minas Gerais e Rio Grande do
Sul apareçam em maior numero) e do desenvolvimento re-
gional da rêde escolar (determinando em alguns lugares
maior número de oportunidades educacionais). Por outro
QUADRO 8
Estado Civil
lado, a realização da pesquisa em dez centros urbanos,
embora compreendendo estas localidades cêrca de 90% da
população universitária brasileira*, como que mascara a
realidade, já que não informa sôbre a naturalidade dos
primeiranistas que estudam em centros menos populosos.
Mesmo com estas ressalvas, um fato chama a aten-
ção. Se os alunos de Economia e Direito seguem em li-
nhas gerais a distribuição observada para todos os uni-
versitários estudados, aquêles matriculados nos cursos
de Ciências Sociais e História das faculdades de Filoso
fia e nas escolas de Sociologia e Política apresentam
algumas discrepaticias: aumenta o número de estudantes
nascidos em Pernambuco, Bahia, Rio Grande do Sul e Para
nã, diminuindo, por outro lado, os originários do Ceará
e Minas Gerais.
QUADRO 9
Naturalidade
* Ver, a respeito, o capítulo Características Gerais
do Estudante Universitário.
A explicação deste fenômeno, a nosso ver, implica-
ria na análise dos seguintes elementos:
a. distribuição por sexo no grupo etário e
percenta-
gem da matrícula feminina nas escolas média e su
perior, em cada uma das localidades examinadas,
uma vez que há maior incidência do elemento femi
nino nas faculdades de Sociologia e Política e
Filosofia (cursos de Ciências Sociais e Histó
ria) ;
b. oportunidade de estudo e de trabalho considera
das as localidades e as diversas modalidades do
ensino superior;
c. prestigio desfrutado pelas diversas profissões e
especializações em cada um dos centros urbanos
pesquisados;
d. mobilidade inter e intra estadual dos estudantes
universitários e de suas famílias, já que o lo
cal de residência permanente nem sempre coincide
com o dado de naturalidade; neste sentido os i-
tens anteriormente citados (oportunidades de es
tudo e de trabalho e prestigio ocupacional) de
veriam ser examinados segundo a naturalidade e o
domicílio permanente (ou temporário) do aluno.
4 - Moradia
Um maior número de estudantes de Direito ( 14,33% )
e de Ciências Econômicas (15,08%, Quadro 10) reside com
o cônjuge (7,82% para o total de universitários), enquan
to aumenta, no caso dos primeiranistas de Filosofia (Ci-
ências Sociais e História) e Sociologia a proporção dos
que vivem com os pais (68,00% para estes alunos e 59,06%
para os 17 954 estudantes pesquisados). Como curiosida-
de pode ser assinalado que para todos os universitários
analisados no presente capitulo diminuem as percentagens
relativas a "residência com amigos".
Caracteristicas anteriormente mencionadas neste es-
tudo podem explicar os presentes resultados; ã medida em
que aumenta o número de estudantes casados nas faculda-
des de Direito e Ciências Econômicas, cresce a proporção
dos que abandonam o domicílio paterno, passando a viver
com o cônjuge e diminuindo em conseqüência a percentagem
daqueles que vivem com amigos ou mesmo sozinhos (caso es_
pecífico dos alunos Ce Economia). Por outro lado, o gran
de número de elementos dó sexo feminino nas escolas de
Sociologia e nos cursos de Ciências Sociais e de Histó-
ria das faculdades de Filosofia explicaria, dadas as ca-
racterísticas da sociedade brasileira, a maior proporção
de alunos vivendo com os genitores e o menor índice de
estudantes que vivem sozinhos, com outros parentes ou
mesmo com amigos; é possível ainda que para estes estu.
dantes seja de menor intensidade o fenômeno migratório
inter ou intra-estadual.
Q
UADRO 10
Moradia
5 - Nível ocupacional do pai e propriedades da
família
Os quadros apresentados em páginas anteriores —
ocupação remunerada, ajuda monetária da família, tur
no, numero de exames vestibulares anteriores,freqüência
a cursos vestibulares, sexo, estado civil, naturalidade
e moradia — referem-se a diferenças percentuais que se
mostraram significativas pelo teste do qui-quadrado. Os
dados que serão discutidos a seguir — nível de ocupação
do pai, propriedades do grupo doméstico e idade
cronoló-gica do primeiranista — embora não revelem
diferenças estatisticamente significativas, são úteis,
uma vez que sugerem certas tendencias,_as quais podem
contribuir pa ra uma melhor caracterização do aluno de
Direito, Eco nomia e Ciências Sociais; as semelhanças
observadas em alguns itens podem servir para dar maior
ênfase às dife renças encontradas.
Ao se analisar o nível de ocupação do genitor, não
foram obtidas variações significativas entre os estudan
tes analisados no presente trabalho e o total de univer
sitários; este elemento sugere (como já assinalamos an-
teriormente) que as características dos alunos das fa-
culdades de Direito, Ciências Econômicas, Sociologia e
Política e Filosofia (cursos de História e Ciências So-
ciais) dependem mais das peculiaridades dos próprios
primeiranistas do que de condições sócio-econômicas de
suas famílias. No caso específico dos estudantes de
Economia, contudo, embora a diferença encontrada não se
ja estatisticamente significativa, há um maior número
de pais nas ocupações de níveis 1 e 2 (10,91%) e uma me
nor proporção de genitores em atividades de níveis 5 e
6 (23,75%), quando comparados com os pais dos demais u-
niversitários (respectivamente 8,52% e 28,53%); a ser
confirmada esta tendência, através de estudos mais deta
lhados, poderia a mesma explicar o maior número de pri
meiranistas de Ciências Econômicas que estudam ã noite,
trabalham e não recebem ajuda econômica do grupo domés-
tico.
Para maior esclarecimento, um outro dado relativo
ao nível econômico do grupo doméstico pode ser citado.
Entre todos os estudantes pesquisados, uma pequena per
centagem (9,98%) alegou que sua família não pssuía
quaisquer bens, móveis ou imóveis;esta proporção é li
geiramente menor para os universitários matriculados
nas Faculdades de Sociologia e Política e nos cursos de
História e Ciências Sociais das Faculdades de Filosofia
(8,71%), aumentando no caso dos alunos de Direito
(10,56%) e de Economia (12,60%). Embora as diferenças
percentuais encontradas não sejam estatisticamente sig
nificativas, o que confirma os resultados obtidos no
que se refere ao nível ocupacional do genitor,novamente
há indícios de que os alunos de Ciências Econômicas te
nham uma situação econômica ligeiramente inferior à dos
demais.
6 - Idade Cronológica do Estudante
42,82% do total de estudantes universitários se in
cluem entre os 17 e 20 anos; tal índice sobe a 45,3%
no caso dos alunos das Faculdades de Filosofia (Histó
ria e Ciências Sociais e Sociologia, e Política,descendo
a 33,01% para os primeiranistas de Direito e a 24,79%
para os de Ciências Econômicas (Quadro 12).
QUADRO 12
Idade Cronológica
Embora não fosse obtida diferença estatìsticamente
significativa, os estudantes de Direito e Ciências Eco-
nômicas tendem a ser mais velhos, enquanto os primeira-
nistas das faculdades de Filosofia (Ciências Sociais e
História) e de Sociologia e Política se aproximam da
distribuição observada em relação ao total de universi-
tários. A ser confirmada esta tendência por estudos
mais detalhados, poder-se-ia pensar em relacionar idade
cronológica com turno freqüentado (alunos mais velhos
matriculados em curso noturno), estado civil (maior nú-
mero de estudantes casados entre os de maior idade), e-
xercício ocupação remunerada (alunos mais velhos de-
dicados simultâneamente ao trabalho e ao estudo), ajuda
monetária recebida pela família (estudantes de mais ida
de recebendo menos auxílio) e mesmo escolha da ativida-
de profissional; no que concerne a este último elemento
seria útil investigar se a modalidade de ensino superi-
or procurada (em função das características locais do
mercado de trabalho, no que se refere à pssibilidade
de emprêgo e a nível de salário) tem relação com a ida-
de cronológica do universitário, uma vez que cursos
mais tradicionais (Direito) ou em grande desenvolvimento
(Economia) parecem atrair candidatos de mais idade.
V - Conclusões e Sugestões A
- Conclusões
Quando se compara o primeiranista de Direito, Ciên
cias Econômicas e Ciências Sociais com os demais estu-
dantes universitários (independentemente da modalidade
de ensino superior freqüentada), algumas diferenças sur
gem:
1 - entre os alunos de Ciências Sociais (Faculda-
des de Sociologia e Politica e cursos de Ciên-
cias Sociais e História das Faculdades de Filo
sofia) há maior número de elementos solteiros
e o sexo feminino, que residem com os pais e
não se dedicam a ocupações remuneradas; ê me-
nor a proporção dos que freqüentaram cursos
vestibulares e maior o índice daqueles que se
submeteram a um único concurso de habilitação;
2 - entre os primeiranistas de Direito, há maior
percentagem de alunos mais velhos, casados, vi
vendo com os pais ou com o cônjuge, dedicados
simultâneamente ao trabalho e ao estudo e não
recebendo ajuda monetária do grupo doméstico;
3 - entre os alunos de Ciências Econômicas, aumen-
ta a proporção dos elementos do sexo masculino
e de indivíduos mais velhos, residindo com os
pais ou com o cônjuge, estudando ã noite, tra-
balhando durante o dia e não recebendo auxílio
econômico da família;
4 - os estudantes de Direito e Economia apresentam
um certo número de características comuns (e-
xercício de ocupação remunerada e auxílio mone
tário da família; idade e estado civil, turno
freqüentado), distinguindo-se nestes aspectos
do primeiranista de Ciências Sociais;
5 - em muitos itens do questionário utilizado (ní-
vel de ocupação do pai e nível de instrução
dos genitores, tipo e número de propriedades
da família, tipo de moradia, motivos determi-
nantes do trabalho estudantil, entidade mante-
nedora da escola média freqüentada e bolsas de
estudo recebidas) não foi encontrada diferença
estatísticamente significativa entre os estu
dantes universitários (em geral) e os alunos
matriculados nas escolas de Direito, Economia,
Sociologia e Política e Filosofia (cursos de
História e Ciências Sociais), sugerindo que as
diferenças encontradas se referem mais a carac
terísticas específicas dos alunos que a condi-
ções peculiares do grupo doméstico.
B - Sugestões
—
---------
1 -.Ao ser tentada a caracterização sócio-econômi-
ca do estudante de Direito, Ciências Econômi-
cas e Ciências Sociais, comparando tais alunos
com os demais universitários, verificou-se que
as diferenças percentuais estatisticamente sig
nificativas se prendiam mais a características
individuais dos primeiranistas que propriamente
a condições específicas de suas famílias; em
relação ao estudante de medicina, observou-se
fenômeno semelhante*. Neste sentido foi averi-
guado que alunos que não se distinguiam dos de
mais em relação a nível ocupacional de pai, ní
vel de instrução dos genitores, tipo e número
de propriedades do grupo doméstico, tinham com
portamento diferente em face do exercício dê
ocupação remunerada e do auxílio econômico
prestado pelo grupo doméstico. Estes dados su
gerem que seria interessante aprofundar a aná-
lise do problema, quer obtendo instrumentos
mais precisos para aquilatar o nível sõcio-eco
nômico das famílias (talvez através de índices
de "conforto doméstico"), quer examinando com
maior detalhe os motivos determinantes da ati-
vidade remunerada do universitário e os elemen
tos que a condicionam. Além disso, o fato dê
que determinados aspectos aparecem nos dois
trabalhos (no presente estudo e no relativo ao
primeiranista de medicina) com nítido poder di
ferenciador (ocupação remunerada do universitá
rio, ajuda monetária da família, número de exa
mes vestibulares e freqüência a cursos prepara
tórios) indica que estes elementos poderão ser
utilizados em trabalhos futuros como itens ca-
pazes de estabelecer diferenciações básicas.
2 - Seria interessante também estudar os motivos
que levam á escolha de uma determinada modali-
dade de ensino superior, verificando até que
ponto os estudantes são influenciados por fatô
res como características da escola (turno, car
ga diária de atividades escolares e duração do
* Ver a respeito o capítulo Caracterização sócio-econô-
mica do estudante de medicina.
curso), prestigio social da futura profissão e
possibilidades do mercado de trabalho (facili-
dades de emprêgo e nivel de salário), já que
entre outros o presente trabalho assinala di-
ferenças do número de escolas, matrícula na
primeira série e afluência de candidatos ao e-
xame vestibular, na dependêncía do ramo de en-
sino analisado.
3 - Tôdas as tabelas mencionadas em páginas anteri
ores referem-se a caracteristicas sócio-econô-
micas do universitário classificado segundo o
curso freqüentado; mesclam-se assim, dentro de
uma mesma modalidade de ensino, alunos matri
culados em escolas públicas e escolas parti
culares. Admitindo que as características só
cio-econômicas do estudante poderão variar em
função da entidade mantenedora da faculdade e
sabendo que a iniciativa particular tem se com
portado de forma diversa, mostrando-se mais in
teressada em relação a determinados ramos uni-
versitários, seria de toda conveniência compa-
rar alguns aspectos do estudante matriculado
em escolas públicas com o oriundo de faculda-
des privadas, bem como estudar a distribuição
das diversas modalidades segundo a entidade
mantenedora do estabelecimento; tal trabalho
poderia fornecer elementos importantes para a
análise das oportunidades de acesso a profis-
são universitárias.
4 - Aceito que os estudantes podem apresentar ca-
racteristicas sócio-econômicas diversas, em
função do ramo de ensino freqüentado, seria
conveniente analisar, de um lado, as escolas e,
de outro, o mercado de trabalho. Ou, em ou-
tras palavras, estudar até que ponto, por exem
plo, as condições sob as quais se processa o
ensino de Direito, Economia e Ciências Sociais
e as possibilidades de emprêgo e de remunera-
ção em cada uma dessas áreas se relacionam com
as caracteristicas já analisadas dos estudan-
tes que se matriculam em tais cursos.
APÊNDICE I
Matrícula e Freqüência na
Primeira Série Universitária
O planejamento e a aplicação da pesquisa deram mar
gem ã obtenção de dados que, embora não sendo diretamen
te pertinentes à caracterização sócio-econômica do estu
dante universitário, são úteis, na qualidade de elemen
tos caracterizadores de nosso sistema educacional.
Os mencionados dados referem-se a matrícula e fre-
qüência e, analisados sob o ponto de vista da localida
de pesquisada e do ramo de ensino, permitem as seguin.
tes conclusões:
1 - Diferença entre a matrícula inicial e a matrí
cula em junho:
Um fato que chama de imediato a atenção é a dife-
rença entre a matrícula inicial(meses de fevereiro,mar
ço ou abril, na dependência da época da matrícula) e a
matrícula verificada no mês de junho.
Assim, nas dez cidades, para uma matrícula inicial
de 28.793 alunos, foi observada, em junho, uma matrí
cuia de 26.113, ou seja um decréscimo correspondente a
9% da matrícula inicial.
Como se pode ver no Quadro 1, tal fenômeno é varia
vei de localidade a localidade, sendo mais nítido em
Curitiba (18%), São Paulo (16%) e Recife (14%).
QUADRO 1
Matrícula Inicial e Matrícula em
Junho, segundo a Localização*
Dados referentes ã primeira série dos cursos univer
sitários de graduação em 1965.
Por outro lado, há também flutuações de acôrdo com
o ramo de ensino considerado: Educação Física, Canto Or
feônico e Estatística apresentam decréscimos superiores
a 15% (Quadro 2).
QUADRO 2
Matrícula Inicial e Matrícula em Junho,
segundo os Ramos de Ensino*
* Dados referentes ã primeira série dos cursos univer
sitãrios de graduação, em 1965, era dez capitais bra
sileiras.
As causas deste decréscimo não foram estudadas na
presente pesquisa, podendo-se, no entanto, presumir que,
dentre os fatôres determinantes deste resultado, cons-
tem os seguintes:
a - falta de orientação vocacional dos alunos, fa-
zendo com que alguns abandonem o curso, tão ce
do tenham contacto com o mesmo, percebendo a
possível falta de integração pessoal à profis-
são futura;
b - falta de flexibilidade de currículos e progra-
mas não atendendo aos interêsses e necessida-
des individuais dos alunos;
c - falta de adaptação do estudante ã estrutura
universitária, pelo contraste entre a faculda-
de e a escola de nível médio;
d - incompatibilidade de horários, gerada pelo e-
xercício da atividade remunerada.
Quaisquer que sejam as causas, as conseqüências do
decréscimo fazem-se sentir, aumentando o custo "aluno-
-ano" e "aluno-conclusão".
Quadro
2
(continuação)
2 - Diferença de matricula segundo os ramos de ensino
Os dados da pesquisa referentes ã matrícula segun-
do os ramos de ensino confirmam estudos anteriores, prin
cipalmente os levantamentos feitos nos últimos anos,
pela Campanha de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível
Superior (atual Coordenação do Aperfeiçoamento de Pes-
soal de Nível Superior).
Considerando-se as 270 faculdades estudadas e a
distribuição das mesmas pelos respectivos ramos de ensi
no, é possível verificar a extrema diversidade da matrT
cuia na primeira série dos cursos de graduação universi.
tária (Quadro 2)
De acôrdo com iste quadro, observa-se a seguinte
distribuição da matrícula em junho (considerada esta
como mais representativa do que a matrícula inióial,
pelo que foi exposto no item 1).
- com menos de 100 alunos: Canto Orfeônico, Desenho In
dustrial, Diplomacia, Museo
logia, Nutrição, Psicologia
e Teologia;
- de 100 a 250 alunos:
Educação Física, Estatísti-
ca, Geologia, Jornalismo,Mu
sica, Sociologia, Veteriná-
ria;
-de 250 a 500 alunos: Artes, Biblioteconomia, Enfer
magem e Obstetrícia, Farmácia,
Química Industrial;
-de 500 a 750 alunos: Administração, Agronomia, Ar-
quitetura e Serviço Social;
-de 750 a 1 000 alunos: Odontologia;
-de 2 000 a 3 000 alunos: Medicina;
-de 3000 a 4 000 alunos: Economia;
-de 4 000 a 5 000 alunos: Direito e Engenharia
-acima de 6 000 alunos: Filosofia
Parece, sem dúvida, haver discrepância entre a rea
lidade manifestada pela matrícula, nestas dez cidades
brasileiras, e as necessidades econômicas e culturais
do país. Até que ponto podem e devem ser tomadas medi-
das no sentido de orientar esta procura estudantil, li-
mitando o acesso a determinados cursos e aumentando o
número de vagas em outros que habilitem a profissões
consideradas socialmente mais úteis, é assunto que mere
ce amplo debate.
3 - Diferença de freqüência dos alunos, segundo a
faculdade, a localidade e o ramo de ensino
Significativa nos parece ser a variação encontrada
nos diversos ramea de ensino, segundo as localidades es_
tudadas (Quadro 3)
Do ponto de vista da localização geogràfica, 8 ci-
dades se dispõem entre 60 e 80% de aplicação; Brasilia
(con 89%) e Niterói (com37%) são casos, ã primeira vis-
ta, diferentes dos demais. Ë possível que circunstân-
cias peculiares ã vida universitária em cada localidade
sejam responsáveis por esta flutuação, não se desprezan
do as condições decorrentes da própria aplicação da pes_
guisa.
Por outro lado, as variações de percentagem de a-
plicação, segundo o ramo de ensino, podem ser resumidas
como segue:
- de 20 a 30% - Teologia;
- de 50 a 60% - Artes, Música;
- de 60 a 70% - Economia, Diplomacia, Direito, Farmá-
cia, Filosofia, Jornalismo;
- de 70 a 80% - Administração, Arquitetura, Desenho
Industrial, Educação Física, Engenha-
ria, Geologia, Medicina, Nutrição, O-
dontologia, Quimica Industrial, Socio
logia e Política, Veterinária;
- de 80 a 90% - Agronomia, Biblioteconomia, Canto Or-
feônico, Enfermagem e Obstetrícia, Es_
tatística, Psicologia e Serviço So-
cial;
- de 90 a 100% - Museologia.
A interpretação de tal fenômeno exige estudos mais
detalhados. Talvez possam ser lembrados como fatôres:-
as exigências do próprio curso, o regime de tempo inte-
gral ou parcial, o maior contrôle da freqüência feito
pela secretaria do estabelecimento, o nível sõcio-econô
mico do aluno, determinando ou não a atividade remunera
da concomitante ete.
4. Diferença de oportunidades educacionais nas d.i
versas localidades estudadas:
Considerando as oportunidades educacionais ao ní-
vel do ensino superior, oferecidas nas dez cidades estu-
dadas, encontra-se grande variedade.
Assim, para a média brasileira de 1,78 estudantes
universitários por 1 000 habitantes, a Guanabara assume
posição de absoluto privilégio: 6,02%. Os dados relat^
vos aos Estados (e nao ãs capitais) indicam que o Rio
Grande do Sul e São Paulo estão acima da média, Pernam-
buco e Paraná próximos a ela e os demais (Ceará, Bahia,
Minas Gerais e Rio de Janeiro) em posição nitidamente
inferior.
0 Quadro 4 apresenta o número de alunos de nível
superior por 1.000 habitantes em todos os Estados brasi^
leiros.
QUADRO 4
Distribuição da Matrícula do Ensino Superior,
por Unidade da Federação em 1964*
* CAPES, Boletim - 147: 11 fev. 1965.
Comparemos agora a matrícula inicial na Ia. série
universitária, nos dez municípios onde a pesquisa foi
feita, com a população total respectiva (Quadro 5).
QUADRO 5
População Total e Matrícula Inicial
em dez Capitais Brasileiras
* Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
Conselho Nacional de Estatística - Anuário Estatísti co
do Brasil - 1965. ** Dados referentes à primeira série
dos cursos univer sitários de graduação em 1965, em
dez capitais brasT leiras (Quadro 1).
A análise do Quadro 5 permite algumas observações:
a - Recife e Belo Horizonte, com população aproxi
mada, oferecem matrículas iniciais próximas (2,6% é
2,4%); situação totalmente diferente se verifica nos ea
sos de Porto Alegre e Salvador: populações próximas ê~
matrículas iniciais diferentes (3,5% e 2%,respectivamen
te) .
b - Curitiba, Niterói e Porto Alegre apresentaram
índices relativamente altos, principalmente se compara-
dos com São Paulo e Rio de Janeiro.
c - Considerando a proximidade geográfica de cida-
des como Rio de Janeiro e Niterói, facilitando a locomo
ção diária de elementos de uma localidade para outra
ê admissível calcular a população total das duas
metrópoles (4 135 000 habitantes) e a população
universitária global (8 617 alunos); neste caso, a
relação matrícula na primeira série/população passa a
2,1%.
d - Há certa divergência entre a relação matrícula
inicial da 1. série nas capitais/população estimada
(Quadro_5) e o quociente matrícula total universitária/
população do Estado (Quadro 4). Não possuímos elemen-
tos específicos para explicar tal discrepância, podendo,
entretanto, a priori ser considerados os seguintes fatô-
res:
i - desenvolvimento da rêde universitária no inte-
rior de alguns Estados, diminuindo, proporcio-
nalmente, a importância da capital como centro
de ensino superior;
ii - evasão escolar mais acentuada em alguns Esta-
dos , provocando distorção da realidade se nos
prendemos exclusivamente ã matricula da primei
ra série;
Do ponto de vista do ramo de ensino oferecido, no-
ta-se que as cinco "grandes" modalidades de ensino (fi-
losofia, direito, engenharia, economia e medicina) são
ensinadas nas dez capitais analisadas. É verdade que,
do ponto de vista numérico, mesmo nestas profissões, a
variedade é a regra; tanto assim que, para nos limitar-
mos a um exemplo único, no caso específico da engenha-
ria, tomando os dados de matrícula inicial, Fortaleza
apresenta 73 matrículas, Recife 268, Salvador 145, Belo
Horizonte 540, Niterói 101, Guanabara 899, São Paulo
1 675, Curitiba 240, Porto Alegre 564 e Brasília 51.
(Anexos 1 a 10 no final deste apêndice).
Os outros ramos de ensino são oferecidos em número
variável de capitais (Quadro 6)
Limitando-nos às dez cidades e às 270 faculdades
estudadas (Quadro 6) é possível esquematizar a situação
da seguinte maneira:
- ramos de ensino apresentados nas 10 capitais: Econo-
mia, Direito, Engenharia, Filosofia,
Medicina, Odontologia, Serviço Social;
- em 9 capitais: Enfermagem e Obstetrícia, Farmácia;
- em 8 capitais: Arquitetura, Biblioteconomia;
- em 7 capitais: Artes Plásticas, Cinema, Teatro;
- em 6 capitais: Educação Física, Veterinária;
- em 5 capitais: Administração, Geologia, Música, Quí-
mica Industrial;
- em 4 capitais: Agronomia, Canto Orfeônico, Jornalis-
mo;
- em 3 capitais: Nutrição, Sociologia e Politica;
- em 2 capitais: Psicologia;
- em apenas 1 capital - Desenho Industrial, Diplomacia,
Estatística, Museologia, Teologia.
Se, por um lado, há variação dos índices relativos
ã matrícula inicial na primeira série e se, por outro,
há flutuações em relação aos ramos de ensino ofereci-
dos, a diferença de oportunidades educacionais nas dez
localidades estudadas é flagrante. Estudos posteriores
poderiam indicar se tais condições se prendem a diferen
ças reais das necessidades regionais.
5 - Diferenças de matrícula média por faculdade,
segundo os ramos de ensino
Um ponto ainda a ressaltar é a diferença da capaci
dade discente das escolas, segundo os ramos de ensino.
As 270 escolas estudadas abrigam 26.113 alunos (matrí
cula em junho), o que dá a média de 97 estudantes por
escola na primeira série dos cursos de graduação univer
sitária (Quadro 7).
QUADRO 7
Número de Estabelecimentos e Matrícula
em Junho, segundo os Ramos de Ensino*
Quadro 7 (continuação)
Dados referentes a primeira serie dos cursos univer
sitários de graduação, em dez capitais brasileiras
(1965).
Ao considerarmos, no entanto, os diversos ramos de
ensino, as diferenças são nítidas, indo da média de 9
(Canto Orfeônico) a de 236 alunos (Engenharia). De for
ma esquemática, a matrícula média na primeira série po-
de ser apresentada da seguinte maneira:
- menos de 10 alunos: Canto Orfeônico;
- de 10 a 20 alunos: Diplomacia, Enfermagem, Música,
Teologia ;
- de 20 a 50 alunos: Artes, Cinema, Teatro, Bibliote-
conomia, Desenho Industrial, Edu
cação Física, Geologia
¿
Jornalis_
mo, Museologia, Nutrição, Psico-
logia, Serviço Social, Veteriná-
ria;
- de 50 a 100 alunos: Administração, Arquitetura, Far-
mácia, Odontologia, Química In-
dustrial, Sociologia e Política;
- de 100 a 150 alunos:
- de 150 a 200 alunos:
- de 200 a 250 alunos:
Agronomia, Ciências Econômicas ,
Estatística, Medicina;
Direito, Filosofia;
Engenharia.
A esquematização feita, mesmo de maneira extrema-
mente simples, permite afirmar que:
a - os "grandes" ramos de ensino (direito, econo-
mia, engenharia, filosofia e medicina) representando 80*
da matrícula universitária total*, apresentam, de modo
geral, as maiores médias de matrícula por estabelecimen
to;
b - nos casos específicos de canto orfeônico^ en-
fermagem e obstetrícia, geologia, música e nutrição, a
matrícula média na primeira série é inferior a 25 alu-
nos, havendo como que um número excessivo de faculdades
em função do corpo discente tão reduzido.
Uma análise mais acurada deveria contar com dados
relativos ao número de professores universitários brasi
lelros e sua distribuição pelos vários estabelecimentos
de ensino. Não obstante, os dados acima referidos são
suficientes para apontar a necessidade de realizar estu
dos no sentido de equacionar a capacidade discente 1-
deal para cada escola e cada ramo de ensino, desenvol-
vendo talvez a noção da "unidade escola" defendida por
Kafuri em seu plano de Reforma da Universidade Federal
do Rio de Janeiro; igualmente útil seria verificar a
possibilidade de diminuição do número de faculdades em
alguns ramos de ensino, deslocando talvez os alunos para
um ou mais centros, evitando a dispersão dos recursos na
manutenção de estabelecimentos de matrícula redu zida ou
anexando estes cursos a outras faculdades afins.
*Abreu, Jayme - Aspectos da expansão do ensino superior
no Brasil. Revista Brasileira de Estu-
dos Pedagógicos, Rio de Janeiro. 43 (97):
3-13, jan./mar. 1965.
ANEXO N91
MATRlCULA INICIAL, MATRlCULA EM JUNHO E NÚMERO PE
QUESTIONÁRIOS APLICADOS EM FORTALEZA*
* Dados referentes ã primeira série dos cursos univers^
tários de graduação em 1965.
ANEXO N<? 2
MATRÍCULA INICIAL, MATRÍCULA EM JUNHO E NUMERO PE
QUESTIONÁRIOS APLICADOS NO RECIFE*
Dados referentes ã primeira série dos cursos univer sitários
de graduação em 1965.
ANEXO Nº 5
MATRÍCULA INICIAL, MATRÍCULA EM JUNHO E NUMERO DE
QUESTIONÁRIOS APLICADOS EM NITERÓI*
* Dados referentes à primeira série dos cursos universal
tários de graduação em 1965.
ANEXO N° 10
MATRÍCULA INICIAL. MATRÍCULA EM JUNHO E NÚMERO DE
QUESTIONÁRIOS APLICADOS EM BRASÍLIA*
* Dados referentes ã primeira série dos cursos universitarios de graduação em 1965.
APÊNDICE II
OPINIÕES DE ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS
Considerando que as opiniões emitidas por estudan-
tes podem representar, em alguma medida, os seus an-
seios e aspirações e que as críticas por eles feitas a-
pontem problemas novos ou mesmo já analisados no campo
educacional, julgamos interessante apresentar comentá-
rios feitos por alunos universitários brasileiros. Es-
tes comentários poderão ser úteis para uma visão mais
ampla e uma análise mais acurada do complexo educativo.
I - Origem do presente estudo
0 questionário utilizado na pesquisa "Caracteriza-
ção Sôcio-Econômica do Estudante Universitário" conti-
nha 70 quesitos, o último dos quais sob o titulo "Comen
tários e Observações". Na introdução, fazia-se referen
cia específica a que o informante poderia utilizar tal
quesito para o registro de observações pessoais ou in-
formações complementares que fossem julgadas necessári-
as, sendo-lhe dadas para tanto cinco linhas.
De início não foi prevista qualquer análise dos co
mentários feitos pelos estudantes, já que se admitia
que a finalidade precípua do item seria permitir ao-alu
no a expressão livre, ao término de um questionário lon
go, talvez cansativo e até certo ponto de cunho imposi-
tivo. Pensou-se também que os dados assim obtidos se-
riam em pequeno número e que poderiam, no máximo, con-
firmar ou esclarecer as respostas dadas nos 69 quesitos
anteriores.
O número dessas observações, no entanto, excedeu
as expectativas, ao mesmo tempo que os temas abordados
ultrapassaram os estritos limites da caracterização só-
cio-econômica do estudante, deixando antever uma série
de problemas do corpo discente de nossas escolas supe-
riores. Alguns comentários, abaixo transcritos, mos-
tram a grande variedade de opiniões emitidas:
"Julgo que a Universidade, no Brasil, assim como o ensi
no em geral, estão relegados a um plano muito inferior.
Aguardo esperançoso que as autoridades e os educadores
façam algo pelo Brasil, enquanto ainda é tempo".
"Espero que tôdas essas perguntas tragam mesmo algo de
proveitoso para nós estudantes".
"Campo de trabalho difícil na profissão escolhida, prin
cipalmente na época atual".
"O estudante universitário, num país tão subdesenvolvi
do como o nosso, já é, por si só, um privilegiado".
"Talvez este esclarecimento tenha utilidade: sou 3º sar
gento".
"Tudo que respondi, relacionado a pai, em vez do meu
pai, foi padrasto, pois é com êle que vivo há 21 anos;
portanto só sei sôbre êle, quanto ao outro nada me in-
teressa" .
"Fiz o vestibular na Escola..., com o fim exclusivo de
conseguir alimentação gratuita".
"Tenho medo de ficar louco ao desejar tantas cousas bo
as para mim e meus familiares, entretanto muito difí
ceis de alcançar".
I
II - Técnica empregada no trabalho
Esta variedade de observações e comentários levou-
nos a estabelecer as seguintes categorias para efeito
de tabulação dos dados :
1. Justificativa das respostas dadas nos itens anterio-
res do questionário.
2. Opinião sôbre o questionário:
a - favorável ao questionário e/ ou ao aplicador b -
desfavorável ao questionário e/ ou ao aplicador c -
atitude de expectativa quanto aos objetivos e/ou
resultados de pesquisa.
3. Questões de ordem pessoal e/ ou familiar
4. Questões de ordem econômica:
a - situação econômica precária
b - necessidade de obtenção de emprêgo
5. Questões referentes ã própria escola e/ ou ramo de
ensino considerado:
a - administração deficiente do estabelecimento de
ensino
b - deficiência das instalações materiais e do equi-
pamento
c - deficiência do ensino ministrado (programas, mé-
todos, organização das cátedras e departamentos,
atividade docente)
d - eficiência do ensino ministrado (programas, méto
dos, organização das cátedras e departamentos,
atividade docente)
e - dificuldade de conciliar o horário de trabalho
com o de aulas
f - oposição ao horário integral
g - opinião favorável ao horário integral
h - falta de estruturação da profissão
6. Questões referentes ao ensino universitário em geral:
a - falta ou deficiência da assistência ao estudante
b - necessidade de estágio remunerado
c - preço excessivo do livro didático
d - escassez do livro didático em lingua nacional
e - necessidade de reorganização do sistema educacio
nal
f - necessidade de desenvolvimento da rêde universi-
tária
g - necessidade de maior ajuda do govêrno a cursos
técnicos e/ ou artísticos
h - necessidade de seleção e orientação vocacional
i - oposição ao caráter de privilégio do ensino bra-
sileiro
j - oposição à cobrança de anuidades
1 - opinião favorável à melhor remuneração do profes
sor universitário
7. Questões de ordem política:
a - deficiência da administração pública em geral
b - oposição à situação política atual
c - oposição ao cerceamento da liberdade estudantil
8. Observações ininteligíveis
III - Número e distribuição dos comentários
3 134 alunos (17,2% da amostra estudada na pesqui-
sa sôbre caracterização sócio-econômica do estudante u-
niversitário) fizeram 3 612 comentários e observações;
a diferença entre o número de informantes e o número de
observações se prende ao fato de alguns estudantes abor
darem mais de um tema em suas considerações. Deve ser
ressaltado que, em algumas localidades, os universitá-
rios se manifestaram em maior número: Niterói (31% da
amostra local), Fortaleza e Belo Horizonte (em cada uma
20%), Brasília (26%)Salvador (25%) e Recife (24,2%).
Não parecem ter influência sôbre esta maior incidência
de comentários fatôres como idade cronológica e exercí-
cio de ocupação remunerada; nas dez capitais estudadas,
as idades, em sua maioria, variaram dos 18 aos 22 anos
e aproximadamente 43% dos alunos se dedicavam, simultâ-
neamente, ao trabalho e ao estudo.
Os comentários feitos tiveram a seguinte distribui
ção numérica:
Justificativa das respostas dadas: 1 113 comentários
(30,9% do total)
Questões referentes ao ensino universitário em geral:
782 (21,7%)
Opinião sôbre o questionário: 529 (14,6%) Questões
de ordem econômica: 386 (10,7%) Questões referentes
ã própria escola: 379 (10,5%) Observações
ininteligíveis: 193 (5,3%) Questões de ordem pessoal
e/ ou familiar: 115 (3,2%) Questões de ordem
política: 115 (3,2%)
Se admitirmos como válida a hipótese de que o indi
víduo tende a expressar aquilo que mais o preocupa em
um determinado momento, desde que o motivo de sua preo-
cupação não esteja sendo objeto de repressão violenta ,
podemos concluir que os interêsses dos estudantes se
prendiam, por ocasião da pesquisa, a temas relativos ã
própria aplicação do questionário, a questões gerais do
ensino universitário, a problemas de ordem econômica e
às condições de sua escola.
IV - Opiniões e atitude relativas ã própria pesquisa:
1 113 comentários justificaram respostas dadas an-
teriormente no questionário. Com muita frequência, o
informante referiu-se à escola secundária onde tinha es
tudado, à classificação obtida no exame vestibular, à
situação de trabalho anterior ã atual e temas correla-
tos.
Por outro lado, 529 opiniões se prenderam ao pró-
prio questionário, devendo ser ressaltado que o número
de opiniões negativas foi ligeiramente superior às favo
ráveis (186 e 154, respectivamente).
Estes dados permitem inferir uma atitude de serie-
dade do estudante em face de pesquisas deste tipo. Com
efeito, nenhum aluno se recusou a responder e pouquíssi
mos foram os casos de respostas de cunho galhofeiro ou
decididamento desrespeitoso (na Guanabara e em Niterói,
por exemplo, foram aplicados 4 886 questionários e ape-
nas 5 informantes tiveram esta reação). Tal fenômeno
nos parece de suma importância, já que muitas informa-
ções no campo da investigação social dependem da atitu-
de de colaboração do elemento objeto da pesquisa.
Deve ser ainda assinalado que 16 8 opiniões revela
ram uma atitude de expectativa, quer em relação aos 6E
jetivos, quer em relação ao término do trabalho. A ati
tude de expectativa, no que se refere aos objetivos da
pesquisa, é de fácil explicação: os anos letivos de 1964
e 1965 foram marcados por profundas alterações na vida
universitária, principalmente no que concerne à partici
pação estudantil; nessas condições, é de supor-se que
alguns alunos temessem a utilização indevida dos resul
tados obtidos.
Por outro lado, a expectativa quanto ao término do
estudo e sua aplicação prática revela uma atitude de
descrença bem marcada; na realidade, alguns universitá-
rios manifestaram claramente a opinião de que mais uma
vez se lhes pediam informações sem que disso resultasse
qualquer fim útil. fi difícil determinar até que ponto
tal descrença se prende ao insucesso de algumas inicia-
tivas de investigação sócio-educacional e até que ponto
revela um desânimo acentuado frente a medidas de órgãos
governamentais.
Queremos ressaltar, contudo, que esta atitude de
expectativa, mesmo quando expressamente declarada, não
impediu o estudante de fornecer as informações pedidas
no questionário.
V - Questões referentes ao ensino universitário em ge-
ral;
A simples análise numérica revela dados interessati
tes: 782 opiniões (21,7% de todos os comentários) se re
feriram a questões gerais sôbre o ensino universitário.
Dessas, as mais freqüentemente mencionadas foram: a fal
ta ou a deficiência da assistência prestada ao estudan-
te, a oposição à cobrança de anuidades em escolas públi
cas, a necessidade de reorganização do sistema educacio
nal, a necessidade de desenvolvimento da rêde universi-
tária e a crítica ao caráter de privilégio do ensino
brasileiro.
Muitas dessas opiniões coincidem com as manifesta-
das em campanhas já realizadas por diversos diretórios
acadêmicos em todo o território nacional; se pensarmos
que tais comentários foram feitos por primeiranistas, é
perfeitamente válida a dúvida: os problemas existem e
são sentidos com grande intensidade? Há rápida adapta-
ção do estudante ao meio universitário, com seu caráter
reivindicativo próprio? Há uma profunda influência da
opinião do diretório sôbre o aluno do primeiro ano? Ou
os primeiranistas estão simplesmente repetindo opiniões
divulgadas através de organizações estudantis de nível
colegial?
De qualquer maneira, tem-se a impressão, a partir
dos comentários feitos, que a preocupação maior do estu
dante, encarando o problema educacional brasileiro em
seus aspectos mais amplos, é com o aspecto quantitativo:
um maior número de indivíduos deve estudar. Para tanto
advogaram várias soluções: maior número de escolas, au-
mento do número de vagas em cada estabelecimento de en-
sino, criação de cursos noturnos e modificação nos cri-
térios de seleção do aluno para o curso superior. Liga-
do a este aspecto quantitativo, há a preocupação de não
impedir o prosseguimento dos estudos ao aluno carente
de recursos; se, de um lado, houve oposição nítida ã co
brança de anuidades nas escolas públicas, sob a alega-
ção de que tal medida tende a estabelecer um privilégio
educacional de base econômica, de outro, foram freqüen-
tes os pedidos ou as reclamações no campo assistencial:
233 comentários mencionaram necessidade de alimentação
gratuita ou de preço accessível, aumento dos alojamen-
tos universitários, assistência médica e medidas seme-
lhantes .
A preocupação com o aspecto quantitativo não impli
cou em esquecimento dos fatôres relacionados ã qualida-
de do ensino e da aprendizagem; nesta área, as suges-
tões foram várias, embora em menor número. No que se
relaciona ã própria atividade estudantil, houve referen
cias a problemas de recrutamento e ao treinamento teóri
co e prático: seis alunos apontaram a necessidade de
seleção e orientação vocacional e um número bem maior
(43 observações) assinalou uma questão crucial do ensino
universitário brasileiro: a escassez da bibliografia em
língua nacional e o preço excessivo do livro didático.
Não contentes com a aprendizagem do tipo livresco, 14
estudantes pediram estágio remunerado, o que parece
aproximar os aspectos qualitativos (melhor preparo pro-
fissional) aos fatôres financeiros (amparo econômico ao
universitário).
A título de curiosidade deve ser mencionado que
um número pequeno de estudantes foi sensível ao proble-
ma da baixa remuneração do professor de ensino superior
(3 comentários) e que um aluno clamou por maior ajuda
governamental aos cursos de natureza técnica e/ ou ar-
tística.
VI - Aspectos relacionados ã própria escola;
No item anterior (V - Questões referentes ao ensi-
no universitário em geral) procuramos sintetizar as in-
formações colhidas, apontando como os estudantes se ma-
nifestaram a respeito dos problemas educacionais brasi-
leiros, como um todo, independentemente do curso ou da
escola freqüentados. Queremos assinalar, contudo, que
um número apreciável (370 observações ou,seja,10,5% de
todos os comentários feitos) analisou problemas especí-
ficos de sua faculdade.
pela análise dos comentários feitos, três proble-
mas parecem ser sentidos com maior intensidade: o baixo
nível do ensino ministrado, a deficiência das instala-
ções e do equipamento, a incompatibilidade dos horários
com outras atividades extra-universitãrias.
Poucos alunos (8) admitiram que o ensino que rece-
bem seja de boa qualidade; em oposição, 116 observações
criticaram os programas, os métodos empregados, a orga-
nização das cátedras e dos departamentos, a atividade
docente etc.; foram freqüentes os comentários de que os
professores ensinam mal e as sugestões para a abolição
do sistema de cátedra vitalícia.
Além disso, 113 estudantes se queixaram das insta-
lações deficientes e da pobreza do equipamento existen-
te em nossas escolas superiores; a isto, talvez deve
ser somada a crítica de 12 alunos em relação ã adminis-
tração de sua própria faculdade.
A crítica feita pelos estudantes ás escolas que
freqüentam, quer em função de seus aspectos didáticos,
quer em relação à aparelhagem existente, parece-nos de
especial importância. Poucos têm sido os estudos sôbre
as reais condições de nossas escolas superiores*, difi-
cultando, portanto, o confronto entre a situação objeti
va e a opinião dos alunos. De qualquer modo, deve sea
admitida a influência deste tipo de reação na própria a
* Podemos citar, entre os mais recentes, os levantamen-
tos feitos pela Associação Brasileira de Escolas Méd¿
cas e pelo Instituto de Ciências Sociais da Universi-
dade Federal do Rio de Janeiro.
prendizagem do estudante universitário; se a faculdade
visa ao preparo do profissional ou do especialista,
uma de suas maiores preocupações deve ser o nível do en
sino que ministra, eliminando, tanto quanto seja possí-
vel, os entraves a uma aprendizagem eficiente, princi-
palmente se tais dificuldades são sentidas por primeira
nistas ainda no início do ano,letivo.
Problema interessante é o relativo ao horário, já
que a opinião dos alunos parece se opor, pelo menos em
parte, às metas do Plano Nacional de Educação, no que
se prende ã educação superior. 104 estudantes ressalta-
ram a dificuldade de conciliar o horário de trabalho
com o de aulas; 9 se manifestaram contrários ao horário
integral e apenas 1 se declarou favorável a esta medida.
Admitindo-se que um certo número de estudantes universi
tãrios trabalha, que em certos casos há incompatibilida
de de horários entre a atividade remunerada e a ocupa-
ção discente e lembrando» ao mesmo tempo, que muitos a-
lunos se queixaram de falta ou deficiência da assistên-
cia a eles prestada, enquanto outros clamaram por está-
gio remunerado, seria o caso de se pensar no aproveita-
mento da atividade estudantil dentro da própria univer-
sidade, oferecendo paralelamente assistência econômica
e treinamento prático na profissão escolhida.
Além disso, o aparecimento de novas oportunidades
educacionais em nível superior, sem a imediata regula-
mentação da profissão correspondente, tem determinado
atritos que alguns primeiranistas reconheceram: a fal-
ta de estruturação da profissão, mencionada por 9 alu-
nos.
VII - Questões de ordem política:
Desde há muito, o estudante universitário brasile^
ro tem se mostrado ativo em relação a questões de polí-
tica nacional e internacional. Não é de estranhar, por
tanto, que alguns informantes tenham assinalado estes
problemas.
Três áreas foram especialmente mencionadas. De um
lado, houve crítica à administração dos negócios públi-
cos, feita de um modo geral (29 comentários); de outro,
houve referência específica à situação política em 1965,
manifestando-se alguns estudantes (62) em oposição ã
mesma. Deve ser ainda ressaltado que 13 alunos se refe
riram ao cerceamento da liberdade estudantil, principal
mente da atividade dos diretórios acadêmicos.
VIII - Questões de cunho individual;
As referências a problemas de cunho mais indivi-
dual, denotando atritos na área familiar ou dúvidas de
natureza emocional, foram em pequeno número (3,2% de to
dos os comentários). Talvez se possa admitir que, devi
do ao próprio conteúdo do questionário, os estudantes
sentiram que tais questões fugiam ao objetivo da pesqui
sa, não se manifestando, portanto, a respeito, só o fa-
zendo raramente em casos de maior gravidade.
Por outro lado, houve freqüência maior de conside-
rações sôbre aspectos econômicos. Já nos referimos, an
teriormente, às observações feitas pelos estudantes em
relação à necessidade de maior assistência por parte
das autoridades governamentais, ã oposição a cobrança
de anuidades nas escolas superiores públicas, ao preço
excessivo do livro didático etc, que se prendem a pro-
blemas de ordem econômica. Queremos ressaltar que,
além desses comentários, 259 universitários mencionaram
especificamente a precária situação financeira de suas
famílias, enquanto 127 assinalaram a necessidade de ob-
tenção de emprêgo; neste último caso, com freqüência os
alunos afirmaram ser difícil encontrar uma ocupação re-
munerada condizente com o nível de escolaridade já al-
cançado e compatível com o tempo despendido nas faculda
des.
Se lembrarmos que a idade da maioria dos alunos,
objeto da pesquisa sôbre caracterização sócio-econômica,
variou entre 13 a 22 anos, e que aproximadamente 43%
do grupo afirmaram ter emprêgo, o problema econômico as
sume maior gravidade, já que ao número dos que efetiva
mente trabalham deve ser somado a contingente dos que
necessitam auxiliar suas famílias, mas não o fazem por
dificuldade de obtenção de ocupação remunerada de tempo
parcial.
IX - Conclusões;
Os comentários anteriormente assinalados foram fei
tos voluntariamente por 3 134 estudantes, representando
apenas 17,2% da amostra analisada na pesquisa. Portan-
to, não podem ser encarados como representativos da opi
nião geral do corpo discente de nossas escolas superio-
res.
Feita esta ressalva, três conclusões se impõem: a
seriedade com que os alunos se submeteram ã pesquisa de
ve ser ressaltada, indicando a possibilidade de utiliza
ção desta técnica para outros estudos, visando a escla-
recer aspectos múltiplos do ensino universitário brasi-
leiro.
Ficou claramente demonstrada a sensibilidade do es
tudante face a variados problemas de nosso sistema edu-
cacional. Os aspectos quantitativos e qualitativos, as_
sinalados pelos universitários, têm sido comentados por
inúmeros educadores; não é possível, portanto, afirmar
que a opinião do corpo discente não tem correspondência
com fatos objetivos.
Os problemas econômicos, tão freqüentemente cita-
dos, sugerem a necessidade de levantamentos acurados da
real situação financeira do estudante, principalmente
tendo em vista a política atual de pagamento de anuida-
des nas faculdades oficiais.
COMENTÁRIOS
E
OBSERVAÇÕES
D E
ESTUDANTES
UNIVERSITÁRIOS
COMENTÁRIOS E OBSERVAÇÕES DE
Dados referentes s opinião de alunos da primeira serie dos cursos de graduação.
manifestada em 1965, por ocasião da aplicação da pesquisa sôbre caracterização
sócio-econômica do estudante universitario.
ESTUDANTES
UNIVERSITÁRIOS*
APÊNDICE _______III
QUESTIONÁRIO UTILIZADO NA PESQUISA
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de Janeiro, 37 (85): 55 - 73, jan./mar., 1964.
TIPOGRAFIA DANUBIO S. A. RIO
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