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1) Fale um pouco de sua trajetória pessoal? (Origem social e econômica,
familiar, lembranças mais marcantes da infância e da adolescência).
Nasci em 15/01/1949. Origem humilde, mas digna. Aos 12 anos
começo a trabalhar como auxiliar de mecânico, os pais não tinham
condições de me manter no La Salle. Aos 17 tocava num conjunto (banda)
em bailes, aniversários, etc. Nesta época ao tocar num aniversário de 15
anos, conheci a aniversariante, e continuamos juntos ainda até
hoje.(ENTREVISTADO ‘A’)
Bem,meus pais possuem formação superior,meu pai é
administrador de empresa e minha mãe é professora e diretora de escola.
Somos de classe média e meus pais sempre batalharão bastante para
poder nos dar principalmente educação.Sempre fomos uma família super
unida e lembro que tanto na infância quanto na adolescência,meus pais
sempre foram e são meus melhores amigos. (ENTREVISTADO ‘B’)
Nasci em Canoas, mas fui morar muito cedo em Santa Maria, pois
meu pai era da aeronáutica (está aposentado agora), portanto me considero
muito mais uma santa-mariense. Sou de uma família de classe média, fui
durante 10 anos filha única. As coisas que mais marcaram minha infância
eram os passeios que fazia com minha família, por morar no interior tive
muito contato com a natureza, e nossos passeios eram pescarias,
acampamentos, piqueniques. Na adolescência a vida foi muito tranqüila,
pois sempre fui muito caseira. (ENTREVISTADO ‘C’)
Chamo-me (...), chamam-me freqüentemente de “Isa”, e por isso,
“Isa” deixou de ser um apelido para tornar-se meu segundo nome; talvez até
o primeiro. Acho muito simpático o “Bel” - quase um mantra - por rimar com
mel, puro néctar, mistura de flores e de insetos labutares, e, por rimar com
fel. “Cristina”, a versão feminina de Cristo, contribuição de minha mãe, muito
provavelmente influenciada pelas telenovelas da época. O “Rocha”,
sobrenome herdado das raízes de meu pai.
Filhos de agricultores do interior do estado do Rio Grande do Sul,
meu pai, pintor de profissão e minha mãe, costureira, “artistas na vida”,
freqüentaram muito pouco os bancos escolares percebendo desde de cedo
o valor da escolarização na vida de qualquer cidadão - “na pele, de sol a
sol”, com saber de experiência feito e, infelizmente, quando a escola e a
possibilidade de estudar passou a ser um sonho distante, pois seus
contextos não lhes permitiram, e o tempo, impiedosamente, nem sempre
traz de volta oportunidades não vivenciadas. Do contexto fez-se o texto, a
vontade e o desejo de estudar pautaram suas vidas e, mesmo com
dificuldades, meus pais priorizaram a mim e aos meus irmãos o acesso à
escola e a oportunidade de estudar como herança de inquestionável valor.
O “Poggetti” herdei por opção de quem busca dividir a vida com
alguém. Dentre todas as artimanhas do amor, existe uma em especial que
me chama muita atenção, o “sentimento de pertencer”, não como posse,
mas amorosidade, inteireza, pertencimento. Contudo, a vida a dois, a três, a
quatro, e tudo o que ela nos possibilita vivenciar é uma “grande escola”.
Casar é uma forma de gestar sonhos, projetos, gestar vidas numa
experiência valiosa do ato de viver. É aprender concretamente a relação do
binômio educar e educar-se; hoje, como mãe e, muitas vezes, como pai.
Comecei cedo a caminhada escolar, com apenas cinco anos iniciei
aquilo que mais tarde descobri ser a alfabetização - a incursão no mundo da