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Novembro de 2007 – Nº 16
CADERNOS
TEMÁTICOS
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EXPEDIENTE
Expediente
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
Centro de Informação e Biblioteca em Educação (CIBEC)
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&'8
Conselho Editorial
Patrícia Barcelos, Solange Moreira Corrêa, Maria Amelia Ayd Corrêa,
Sonia Ana Charchut Leszczynski, Sandra Branchine e Cinara Barbosa
Coordenação Editorial
Cinara Barbosa
Produção Executiva
Patrícia Barcelos e Sandra Branchine
Reportagens
Marco Aurélio Fraga, Rodrigo Farhat, Sophia Gebrim e Stela Rosa
Assistente de Produção Gráfica
Muriele Cristina de Oliveira
Relações Públicas
Pablo Viana
Revisão
Denise Goulart
Diagramação
www.grifodesign.com.br
Impressão
Cromos
Impresso no Brasil
A exatidão das informações, os conceitos e opiniões emitidos nos artigos e
nos resumos estendidos, relatos de experiência e práticas pedagógicas são de
exclusiva responsabilidade dos autores.
2007 Ministério da Educação
É permitida a reprodução parcial ou total desta obra, desde que citada a fonte.
Série Cadernos Temáticos
Tiragem: 10.000 exemplares
Ministério da Educação
Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica
Esplanada dos Ministérios, Edifício Sede, bloco L, 4º andar
CEP: 70047-900 – Brasília/DF
Telefones: (61) 2104-8127/9526
Fax: (61) 2104-9744
www.mec.gov.br
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SUMÁRIO
Marco Fraga
5
APRESENTAÇÃO
Apresentação
Esta publicação tem história. Resulta de um trabalho iniciado em mea-
dos de 2004. Àquela época, a equipe de Comunicação Social da Secretaria
de Educação Profissional e Tecnológica do Ministério da Educação tinha
alguns desafios à frente: revelar o cotidiano das escolas de formação de
trabalhadores; mostrar a diversidade dessas unidades; valorizar a produção
cultural e científica de servidores, estudantes e professores. Havia, ainda,
algumas barreiras a vencer, como manter e aperfeiçoar a qualidade de tex-
tos e imagens das publicações.
Quinze edições depois, as tentações são outras. Luta-se para ampliar
a tiragem, de forma a aumentar o número de leitores, assim como avaliar
qualitativamente cada edição.
Nesse percurso, mais precisamente em 2007, a coletânea Cadernos Te-
máticos da Educação Profissional passou a integrar o Qualis, lista de perió-
dicos com qualidade recomendada pela Coordenação de Aperfeiçoamento
de Pessoal de Nível Superior (Capes). Ao lado de anais, revistas e jornais,
os cadernos se tornaram divulgadores avalizados da produção intelectual
de professores e alunos de programas de pós-graduação. Os cadernos re-
ceberam classificação em três áreas distintas: ciência de alimentos (nível C
em âmbito nacional), educação (nível C nacional) e multidisciplinar (nível B
nacional). Dessa forma, os trabalhos produzidos por professores e estudan-
tes da Rede Federal de Educação Profissional ganharam mais visibilidade e
ampliaram o diálogo com as agências de fomento à pesquisa.
Hoje, todas as escolas da Rede Federal de Educação Profissional e Tec-
nológica recebem exemplares dos Cadernos Temáticos. Consegue-se, tam-
bém, atender às escolas estaduais de educação profissional. Entretanto, a
cobertura não atinge ainda as instituições públicas de ensino médio. É uma
meta a ser alcançada.
Em quatro anos, o projeto gráfico-editorial pouco foi alterado. A princi-
pal preocupação para as modificações foi o refinamento do projeto gráfico,
de forma a facilitar a leitura da revista e a compreensão de seu conteúdo,
tornando-a de leitura mais ágil. Barras coloridas passaram a servir de indi-
cadores das seções: reportagens em vermelho, artigos em azul, resumos,
relatos e práticas em verde, de forma a diferenciar uma página da outra. No
quesito editorial, buscou-se ampliar a abrangência, de maneira a descorti-
nar o mosaico de ações e estudos produzidos pelas escolas, numa ligação
explícita com a realidade de cada região.
A finalidade dos Cadernos Temáticos continua a mesma, ou seja, divul-
gar trabalhos, pesquisas e projetos de servidores, professores e alunos da
Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica. A seleção do material
enviado pelas escolas é feita de acordo com alguns critérios. Os mais impor-
tantes são a pertinência ao tema e a relevância das informações, de forma a
que os artigos contidos nesses cadernos reflitam a diversidade e a realidade
de cada local, de cada cidade e de cada escola. Todos mostram, por meio
de texto – artigos, resumos, relatos, práticas e reportagens –, a realidade da
formação de profissionais no Brasil.
O desafio de editar cada número dos Cadernos Temáticos, entretanto,
é o mesmo desde o início deste projeto da Setec: escrever a história da
educação profissional e tecnológica no país.
André Goldman
7
EDITORIAL
Editorial
Cadernos são retratos do Brasil
Os volumes 16 a 20 dos Cadernos Temáticos mostram experiências ino-
vadoras, práticas pedagógicas, pesquisas e resumos de artigos que contri-
buem para o desenvolvimento da educação profissional e tecnológica no
Brasil. São um retrato da harmonia das quase duas centenas de escolas da
rede com as realidades regionais do país.
De 1909 a 2002, 140 escolas técnicas foram construídas no país. De
2003 a 2010, serão mais 214, dentro do plano de expansão da rede federal
de educação profissional e tecnológica. A meta do Ministério da Educação
é chegar a 354 unidades, com a oferta de 500 mil vagas, num investimento
total de R$ 933 milhões.
A Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica oferece cursos
de qualificação, de ensino técnico de nível médio, superior e de pós-gradu-
ação. As áreas variam de acordo com a realidade regional, em sintonia com
os arranjos produtivos locais.
O trabalho do Cefet/Rio Grande do Norte com um grupo de idosos e a
prática de ginástica laboral na Universidade Tecnológica Federal do Paraná
são destaques deste número dos Cadernos Temáticos da Educação Profis-
sional, assim como o estudo sobre a prevalência de dengue em Uberaba,
o sistema para análise de concentração de cobre na cachaça e o gerencia-
mento de resíduos em hospital.
Com a ampliação da rede, mais experiências poderão ser temas de re-
portagens e cenários de experiências, práticas pedagógicas e pesquisas. A
diversidade brasileira tratará de enriquecê-las. Aguardem.
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CADERNOS TEMÁTICOS Nº 16 NOV. 2007
TERCEIRA IDADE
Uma escola para todos
Inglês, espanhol, ginástica e oficinas de
arte movimentam vida de integrantes do
grupo da terceira idade do Cefet/RN
Idosos, terceira idade, melhor idade. Não importa a forma como é cha-
mada essa fatia da população brasileira que só tende a crescer. Relevante
mesmo é saber como essas pessoas acima de 65 anos estão vivendo e o que
fazer para que aproveitem cada vez mais a melhor fase de suas vidas.
Em busca disso, o Centro Federal de Educação Tecnológica do Rio Gran-
de do Norte (Cefet/RN) criou, em 2000, o Programa Saúde e Cidadania na
Melhor Idade. O objetivo da instituição era possibilitar uma melhor quali-
dade de vida à terceira idade da cidade de Natal.
Inicialmente coordenado pelas professoras Edna Evaristo e Leonor
Araújo, o PROGRAMA oferece aulas de hidroginástica, natação, psicolo-
gia (dinâmica de grupo), ginástica, francês, espanhol, informática, oficina
de artes, além de palestras sobre os mais variados temas relacionados à
terceira idade. Para participar, basta pagar uma taxa mensal de 50 reais.
PROGRAMA
Professora da Universidade Federal
do Pará (UFPA), Edna Evaristo era
coordenadora de um programa de
idosos em Belém. Mudou-se para
Natal em 2000. Quando chegou
na cidade, deparou-se com a
necessidade de realizar um trabalho
também com os idosos da região. A
professora Leonor Araújo participou
da idealização do projeto no Cefet/RN,
juntamente com Edna, mas logo em
seguida aposentou-se.
Fotos: Marliete Maria
Professora Tânia Padilha (centro) coordena as atividades da turma
9
REPORTAGENS
“O nosso grupo conta hoje com 160 integrantes”, afirma a coordenadora
Edna. Segundo ela, qualquer pessoa acima de 50 anos pode participar
das atividades, que acontecem no próprio Cefet. A carga horária de cada
uma das disciplinas oferecidas no programa é de 40 horas/aula. “Mas
esse número pode variar, tem meses que os alunos querem mais aulas de
informática ou artes, por exemplo, então ajustamos a carga horária para
melhor atendê-los”, explica Edna.
ACOMPANHAMENTO MÉDICO – A médica Yvelise Castro de Andrade,
58 anos, acompanha o grupo voluntariamente em todas as suas atividades
fora do Cefet/RN desde o início. Em viagens, eventos e competições, ela
sempre está presente para prestar os primeiros socorros, caso necessário.
“
Atuo em outros grupos de terceira idade, além desse”, conta a doutora
Yvelise. Segundo ela, o mais importante nesses encontros é gerar uma rede
de relacionamentos entre os idosos, que muitas vezes sentem-se excluídos
pela própria família. “As pessoas não imaginam o que acontece em alguns
lares, tratando-se de exclusão e até mesmo preconceito com o idoso”.
Além de acompanhá-los em eventos, a doutora Yvelise também faz pa-
lestras sobre os mais variados assuntos. “Sexo na terceira idade, uso de
medicamentos e qualidade de vida na terceira idade são alguns dos assun-
tos mais abordados nas minhas palestras”, conta ela, que também afirma o
interesse dos idosos por esses assuntos.
A satisfação do trabalho, segundo a médica, não há dinheiro que re-
compense. “Observamos os laços de amizade que são criados. No final das
contas, todos nós formamos uma grande família”.
Dicas para melhor
atendimento ao idoso
Cartilha do Idoso – Ministério
Público do DF e Territórios
O idoso tem direito ao atendimento
preferencial. Atendimento preferen-
cial não significa necessariamente a
criação de guichês exclusivos, mas
atendimento mais rápido e oferta
de condições de conforto, tais como
existência de assentos para eventu-
al espera e facilidade de acesso aos
prédios e banheiros.
O idoso não pode ser discriminado, qualquer que seja sua idade, no ato de adquirir mercado
-
rias, abrir contas correntes ou fazer financiamentos.
Para o bom atendimento, as pessoas que lidam com o público devem ser devidamente
treinadas e orientadas a respeito dos direitos do idoso, de modo a não lhe causar nenhuma
forma de constrangimento.
Motoristas e cobradores de transportes coletivos devem atender aos idosos com a urbanidade e o
respeito devidos a qualquer cidadão e não discriminá-los em função da gratuidade a que têm direi-
to, até porque um dia eles também serão idosos e poderão necessitar dos serviços de transportes.
•
•
•
•
“Em alguns anos,
faremos parte
dos 2 milhões de
idosos do país”
Marta
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CADERNOS TEMÁTICOS Nº 16 NOV. 2007
UM POETA ENTRE NÓS – PEDRO GRILO NETO, um dos poucos homens
que compõe o grupo, freqüentou a escola apenas até o curso primário. Au-
todidata, começou a escrever aos 15 anos e, para ganhar a vida, foi pintor
de parede e de letreiros comerciais. Nas horas vagas, dedicava-se à poesia
e às trovas. Foi idealizador do jornal alternativo mensal, O Pitiguari, no qual
apresenta suas trovas e as trovas de outros autores potiguares. Lançou, em
2000, o livro Mel e Cicuta e é membro efetivo da Academia de Trovas do
Rio Grande do Norte, ocupando a cadeira de número 35, cujo patrono é
Ponciano Barbosa. Também integra a Sociedade dos Poetas Vivos e Afins
do Rio Grande do Norte e a União Brasileira de Trovadores. Participou
de vários concursos, ficando com o primeiro lugar em Passo Fundo/RS, na
Fetrova, em 1977, e com o primeiro lugar no concurso Santa Terezinha de
Jesus – UBT/RN, em 1999, em Natal.
SOLIDÃO E ABANDONO – Alguns dos primeiros integrantes do grupo
foram encaminhados ao programa por indicação de médicos e psicólo
-
gos. “Já tivemos muitos casos de pessoas que chegaram ao nosso grupo
encaminhadas por médicos, devido a fortes sintomas de depressão”, conta
Edna. Conforme ela acompanhou, a atitude dessas pessoas mudou, não só
a depressão foi curada como a alegria de viver voltou. “A relação entre eles,
que cria laços de amizade e companheirismo, às vezes supre uma marca de
carência que a própria família do idoso deixa”, diz ela.
UMA POPULAÇÃO QUE ENVELHECE – O Brasil possui hoje cerca de
19 milhões de idosos (pessoas acima de 65 anos), segundo dados do Institu-
to Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ou seja, 10,2% da população
total do país. Em 1996, esse número correspondia a 8,6%.
As previsões projetadas pelo IBGE para o Brasil no ano de 2020 apon-
tam que teremos uma população de cerca de 25 milhões de idosos, 15
milhões dos quais mulheres. Esses números apontam para uma realidade
que só tende a crescer
.
“Todos devem pensar numa atitude que vise à inclusão dos nossos ido-
sos na vida política, social e cultural do país”, ressalta a professora Edna.
Em muitos países, idade significa experiência acumulada. No Brasil, uma
pessoa com 40 ou 45 anos parece estar definitivamente fora do mercado
PEDRO GRILO NETO
Figura carismática da cultura
potiguar
, homem de princípios e
“espírito aguçado”, poeta trovador,
cantor e artista plástico. É assim
que os amigos e conhecidos
definem Pedro Grilo.
As alunas das professoras Edna Evaristo e Tânia Padilha ensaiam e dançam
11
REPORTAGENS
de trabalho. “Isso precisa mudar. E a mudança começa por nossas atitudes”,
diz. Segundo ela, atitudes não apenas de respeito pelos idosos, mas, antes,
de apreço e valorização dos seus talentos, das suas histórias de vida, e tam-
bém de suas percepções do mundo. “Afinal, não podemos esquecer que, se
tudo correr bem, em mais alguns anos estaremos entre aqueles 25 milhões
de idosos do país”, finaliza.
BALANÇARTE – Uma conquista que representa o coroamento de um
trabalho de seis anos com o grupo de dança popular “Balançarte”, integran-
te do Programa Saúde e Cidadania na Melhor Idade, do Centro F
ederal de
Educação Tecnológica do Rio Grande do Norte (Cefet/RN). É assim que a
coreógrafa e técnica da equipe, professora TÂNIA PADILHA, resume o sen-
timento dos componentes do programa diante da participação do grupo na
13ª edição do Gymnaestrada – maior festival de ginástica geral do mundo,
que aconteceu de 8 a 14 de julho de 2007, em Dornbirn, na Áustria.
Até chegar a esse resultado, o Balançarte participou das seletivas que
antecedem o evento mundial através da apresentação em festivais de nível
nacional e regional. Das 15 equipes que representarão o Brasil, apenas duas
são compostas por pessoas da terceira idade, entre as quais a do Cefet/RN.
O Gymnaestrada é um festival aberto a todas as idades e possibilida-
des. Acontece de 4 em 4 anos, desde 1953. No último ano reuniu em
torno de 22 mil ginastas. Focalizado na ginástica geral, possibilita o uso de
diversos materiais na composição das performances, como garrafas pet,
bambolês, cordas, bolas etc. “Em princípio, as senhoras da nossa equipe
não acreditavam muito nelas, mas, com o tempo, a gente percebeu que
a atividade gerou uma maior autonomia e melhor auto-estima”, explica
Tânia Padilha.
De acordo com a coreógrafa, embora o Balançarte tenha classificado seis
das sete coreografias propostas para o evento, o grupo elegeu representar
apenas três: “Reggae”, “Qualidade de Vida” (com música de Ivete Sangalo)
e “Bonequinhas Forrozeiras”. Entretanto, outras coreografias foram exibidas
ao público, no dia 11 de julho, na noite brasileira, evento que integra a pro-
gramação do Gymnaestrada. A delegação do Cefet/RN foi composta por 27
integrantes, sendo 25 ginastas, a técnica, Tânia Padilha, e uma médica.
TÂNIA PADILHA
Graduada em Educação Física
pela Universidade Federal do Rio
Grande do Norte (UFRN), Tânia
P
adilha é especialista em educação
motora na escola. Realiza trabalhos
com portadores de necessidades
especiais e grupos da terceira idade.
Também é diretora da Faculdade
Aberta para a Terceira Idade (FAT).
12
CADERNOS TEMÁTICOS Nº 16 NOV. 2007
HISTÓRIAS DE VIDA – Marta Medeiros de França, 59, está no grupo da
terceira idade do Cefet/RN desde quando foi criado, em 2000. Ela conta que
trabalhava na Telemar quando se aposentou e teve aquele susto inicial.
“Fiquei uma semana mal, em depressão, sem saber o que fazer da vida”,
conta. Foi quando uma amiga avisou do grupo que estava sendo criado no
Cefet. Para Marta, que queria arrumar outra atividade, mesmo após a apo-
sentadoria, foi uma das melhores escolhas da sua vida.
Hoje ela vê claramente que o projeto melhorou não só o início da de-
pressão, mas também curou o estresse do dia-a-dia, a tristeza e, muitas
vezes, a falta de companhia.
As histórias de Donatila Melo e Socorro Vilela, outras componentes do
grupo, também são parecidas com a de Marta. Ao aposentarem-se, surgiu
aquela necessidade de outra atividade, que envolvesse o contato com amigos
e criando uma rede de contato necessária para pessoas da terceira idade.
Unidas, hoje mais do que nunca amigas inseparáveis, as três comemoram
o sucesso do grupo, inclusive a recente viagem à Áustria no campeonato de
ginástica. “Nunca imaginamos alcançar reconhecimento, ainda mais nessa
altura da vida”, comemoram, satisfeitas e buscando sempre novas vitórias.
Reportagem: Sophia Gebrim
Deidade Negra
Vinteneto – Pedro Grilo Neto
Tens da grandeza de tu’alma a doação,
És generoso e ameno anjo
-guardião,
Gazela de ébano, énea silhueta,
Foste, no passado, a dócil mãe-preta,
Que extremosa, doou sem dilação,
o seio farto, ao filho do patrão...
deidade de azeviche, que és d’escola,
rútilo, nédio e resplandente sol;
ante os mui variegados dons da beleza,
com teus dotes, bens da natureza,
danairosa, cõ estonteante graça,
exuberante, ostentas tua raça...
superas as segregações bestiais,
até as sanhas monstruosas, do racismo,
espezinhas nas repulsões sociais,
nos inspirando, o mais puro lirismo,
com teus fêmeos atributos sensuais,
oh! – mulher negra, além da tua pujança,
tens garbo, tens ternura em abastança,
tens grácil majestosa, entre os demais...
“Nunca
imaginamos
alcançar
reconhecimento,
ainda mais nessa
altura da vida”
Donatila
Pedro Grilo recita, durante evento
13
REPORTAGENS
PREVENÇÃO
A comunidade da Escola Agrotécnica Federal (EAF) Antônio José Teixei-
ra, de Guanambi (BA), está preparada para enfrentar o desafio de prevenir
o uso e abuso de drogas na instituição. Em dezembro de 2006, a analista de
sistemas Alana Donato Teixeira leu um anúncio sobre a oferta de um curso
de prevenção ao uso de drogas para educadores de escolas públicas. Das
dez vagas destinadas à instituição, SETE foram preenchidas.
O curso oferecido pela Secretaria Nacional Antidrogas (Senad), o Minis-
tério da Educação (MEC) e a Universidade de Brasília (UnB) foi montado
em módulos e, para melhor aproveitá-los, os professores da escola criaram
um grupo de estudos. Cada módulo terminava com uma tarefa ou questio-
namento que a turma tinha que resolver, lembra Alana.
Eles montaram um projeto – Adolescente, agente transformador –, a partir
de diagnóstico da realidade local, e cada professor abordou o tema sob a ótica
de sua disciplina. Assim, o responsável pelo conteúdo de História falou sobre a
Curso altera rotina de
professores e estudantes na Bahia
Comunidade escolar de Guanambi
previne abuso de drogas entre alunos
SETE
O grupo foi formado por Alana
Donato Teixeira, Ana Marta
Prado Barreto, Wellington Lobo
de Almeida, Aline da Silva Reis,
Jane Geralda Alves Ferreira,
Paulo Aparecido Boa Sorte e
Estácio Moreira da Silva.
Fotos: Rodrigo Farhat
Alana e Eustáquio acreditam na formação de redes sociais para prevenção do abuso de drogas
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CADERNOS TEMÁTICOS Nº 16 NOV. 2007
chegada da cana-de-açúcar ao Brasil e sua importância econômica, e o profes-
sor de Física abordou a questão do álcool combustível e dos derivados do pe
-
tróleo. As propostas colocadas em sala de aula pelos docentes de Mecanização
Agrícola e de Agricultura e Irrigação foram o maquinário utilizado no cultivo e
no processamento da cultura, o solo e a produção da cana-de-açúcar.
Outros temas abordados foram os compostos orgânicos, nas aulas de
Química, a interpretação de textos sobre o tema do álcool no trânsito, nas
salas de Português e Inglês, e das relações do homem com a bebida, nas
disciplinas de Filosofia e Sociologia.
AGENTE TRANSFORMADOR – A pedagoga Ana Marta Prado Barreto
diz que o curso permitiu que os professores refletissem sobre a realidade da
escola. P
or meio de salas de bate-papo na internet, o grupo pôde, ainda,
trocar idéias com professores e coordenadores de cursos de outros estados
e, assim, ver como era a realidade de outras instituições. Ana Marta gostou
da experiência e acredita que o programa tenha resultado em mais seguran-
ça para os profissionais da educação.
Primeiro, procurou-se analisar o contexto social, familiar e cultural dos
jovens. “A escola, a família, o Estado e a sociedade precisam constituir uma
rede social de proteção contra o uso de DROGAS, devendo tratar o adoles-
cente como um ser em desenvolvimento e sujeito a direitos”, prevê o projeto.
Um dos principais fatores que leva o envolvimento do adolescente com as
drogas é sua vulnerabilidade, derivada, principalmente, de conflitos familiares
e violência doméstica, fracasso escolar, regras e sanções ambíguas na família
ou na escola e ausência de participação social e de um projeto de vida.
Alana acredita que a escola tem que, às vezes, assumir o papel da fa-
mília nessas questões. Para isso, foi criado um grupo de multiplicadores,
composto por pais, funcionários e professores da instituição. Ela defende a
criação de redes sociais para controlar o problema.
Grupo identifica casos na escola
O curso, o grupo de estudos e a mobilização da comunidade escolar
ajudaram na identificação de estudantes com problemas de abuso de álcool
na Escola Agrotécnica Federal (EAF) Antônio José Teixeira. O aluno de Agro-
pecuária Getúlio de Jesus Freitas foi um deles. Ele conta que chegou em
Guanambi, em 2004, com 16 anos e hoje, aos 20, com o distanciamento,
consegue perceber os caminhos que percorreu, de Candiba, cidade onde
nasceu, até os dias de hoje.
“Nunca antes tinha saído da casa de meus pais e descobri um mundo
diferente, para o qual não estava preparado”, conta. Tudo começou quando
viu que o estilo de vida dos colegas era diferente do dele e quis se integrar ao
grupo. Tentou acompanhar o ritmo dos colegas, sem se respeitar. Começou a
beber. Tomava de tudo: vodka e cachaça, principalmente, “pois são bebidas
mais baratas e têm poder de entorpecimento mais violento”. As notas na
escola ficaram horríveis. “Eu deixava de estudar para acompanhar os colegas.
Repeti a segunda série do curso de Agropecuária duas vezes”, lembra.
Numa fase de maior sensibilidade, passou a procurar a psicóloga Célia
Regina Guimarães Moura semanalmente. Célia, que divide seu tempo entre
a escola e uma clínica na cidade, revela que alguns professores a procura-
ram para que ela iniciasse um tratamento com Getúlio. Ela diz, no entanto,
que o trabalho para recuperá-lo foi coletivo. Ele passou a fazer terapia e
também a participar de encontros coletivos com os estudantes internos.
DROGAS
A Organização Mundial da Saúde
(OMS) define droga como qualquer
substância externa capaz de
alterar as funções fisiológicas ou
comportamentais no organismo de
uma pessoa. São classificadas como
depressoras (álcool, barbitúricos,
benzodiazepínicos e opióides);
estimulantes (anfetaminas, cocaína,
cafeína e tabaco) e alucinógenas
(maconha, cogumelo, plantas
alucinógenas, LSD e ecstasy).
Ana Marta afirma que projeto permitiu
refletir sobre realidade da escola
15
REPORTAGENS
Getúlio conta que sua vida em Candiba era regrada. Estudava, trabalha-
va numa oficina mecânica e freqüentava a igreja. Com a mudança no estilo
de vida, ele dormia e acordava embriagado. Nas férias, quando retornava à
cidade natal, se transformava no Getúlio antigo e, assim, seus pais não per-
ceberam a mudança de comportamento. “Meus pais souberam apenas par-
te de minha história. A relação com eles, pelo tempo que passei fora, ficou
comprometida”. “Hoje, bebo nos finais de semana, mas evito sair. Meus
colegas até zombam de mim, pois não saio tanto e comecei a ler mais”.
DISTÂNCIA – Na realidade das escolas agrotécnicas, que recebem jovens
de diferentes municípios das regiões de sua influência, a família nem sempre
participa ativamente da educação dos jovens. A distância física talvez seja a
principal razão para esse fato. O cotidiano de Guanambi não é diferente.
“Alguns pais jogam o problema nas mãos dos professores e participam
muito pouco da educação de seus filhos”, pontua o coordenador-geral de
assistência ao educando da escola, Simião Pires Lima.
Professores e diretores da escola baiana, no entanto, estão tentando minimi-
zar o problema. Na reunião com pais, do dia 20 de agosto de 2007, foi aberto
espaço para que o grupo fizesse uma apresentação do trabalho realizado pela
escola para prevenir o abuso de drogas. A analista de sistemas Alana Donato
Teixeira lembra que, após o término do curso, os participantes criaram um
grupo de multiplicadores, composto por pais, funcionários, professores, alunos
e diretores. Alana diz que a escola tem que assumir o papel da família. “Temos
que criar redes sociais para controlar esse problema”, diz.
Como conta a professora de História e Filosofia, Aline da Silva Reis, nem
sempre os problemas individuais são percebidos na sala de aula e o contato
com os pais é importante para conhecimento da realidade do aluno. “De-
pois do curso, passei a identificar mais facilmente os estudantes que tinham
problemas de abuso de drogas, como o álcool”, afirma. Ela disse que, geral-
mente, o aluno fica mais disperso e que o uso de óculos escuros também é
um indicador. O estudante dessa faixa etária, como está à procura de seu
lugar no mundo, tem problemas com a auto-estima. De qualquer maneira,
o diálogo foi aberto e, além do encontro entre pais e professores, foram
feitos outros. Até integrantes do ALCOÓLICOS ANÔNIMOS foram convidados
a participar
. Como garante Aline, o trabalho será contínuo.
O regimento da Escola Agrotécnica Federal (EAF) Antônio José Teixeira
foi alterado e, agora, o aluno encontrado com drogas na escola pode até
ser punido. Antes da punição, no
entanto, professores e diretores da
escola querem contar com o apoio
da população. O coordenador-
geral de ensino, Marcelo Fialho,
lembra que o trabalho de preven-
ção envolve toda a comunidade e
que a falta de lazer na cidade é um
problema a ser resolvido. Ele lem-
bra que Guanambi viveu seu auge
no CICLO DO ALGODÃO. De 1978 a
1990, a cidade cresceu. Levas de
trabalhadores chegaram para tra-
balhar com a cultura. Depois, com
a crise do setor algodoeiro, “toda
a mão
-de-obra inchou a periferia
das cidades”, conta Fialho.
Discussão sobre
drogas passa pela
instauração de outra
concepção de escola
Aline Reis explica relação do homem com as drogas
ALCOÓLICOS ANÔNIMOS
Os Alcoólicos Anônimos são uma
comunidade de voluntários que se
reúnem para alcançar e manter a
sobriedade através da abstinência total
de ingestão de bebidas. O programa é
baseado em 12 passos (veja em http://
www
.alcoolicosanonimos.org.br).
CICLO DO ALGODÃO
Tradicional produtor de algodão no
Brasil desde a década de 1930, a Bahia
chegou a cultivar 300 mil hectares
em meados de 1980, mas teve a
produção praticamente dizimada após a
liberação das importações, o aumento
da incidência de pragas como o bicudo,
a ausência de novas tecnologias e
adversidades climáticas. Com a perda
de competitividade, a produção de
algodão no estado praticamente zerou
na década de 1990. A partir de 1995,
no entanto, grandes produtores de soja
do estado, em busca de alternativas
para a rotação com a soja, voltaram a
investir no algodão.
16
CADERNOS TEMÁTICOS Nº 16 NOV. 2007
Pesquisa mostra usos de drogas
Em março de 2005, a Unesco publicou pesquisa de Miriam Abramovay
e Mary Garcia Castro sobre drogas nas escolas. O estudo, lançado inicial-
mente três anos antes, envolveu crianças e jovens do ensino fundamental e
médio de 14 capitais brasileiras.
A obra apresenta uma série de recomendações relacionadas ao projeto
pedagógico da escola. Entre elas, a defesa de que é preciso criar escolas
protegidas, ou seja, que “discutam o tema de drogas não somente por meio
de programas específicos, mas pela instauração de uma outra concepção
de escola”. O estudo defende escolas que sejam “capazes de estimular nos
jovens a busca de outras alternativas, que possibilitem aventuras no campo
do conhecimento e das diversões, que ofereçam perspectivas para outros
sentidos do prazer que não as drogas, para a solidariedade e a importância
de conhecer e viver com horizontes que dignificam a vida no plano indivi-
dual e da responsabilidade social. Além disso, as escolas devem estimular
nos jovens o sentimento de fazer parte da comunidade escolar, como sujei-
tos de um processo de grande alcance social e coletivo”, como escreveram
na apresentação do livro o presidente de uma rede de escolas, Walter Luiz
Diniz Braga, e o representante da Organização das Nações Unidas para a
Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) no Brasil, Jorge Werthein.
Os seguintes pontos destacam-se, dentre as recomendações gerais pro-
postas pelas autoras do livro Drogas nas Escolas:
Investir em posturas “em favor de uma cultura de paz, com ênfase
no respeito ao outro, no reconhecimento da diversidade, no traba-
lho em conjunto, na cooperação, na solidariedade, em princípios
compartilhados, pela vida e pelo sentimento de pertencimento a um
projeto civilizatório ético de defesa da justiça social”.
Realizar atividades de extensão, extracurriculares, atrativas, sem sen-
tido de obrigatoriedade.
Manter programas sociais que “comportem atividades lúdicas, medi-
cina preventiva, acompanhamento psicológico” e realizar atividades
culturais e profissionalizantes.
“Estabelecer nexos entre escola e família, envolvendo pais, mães e
responsáveis no debate sobre programas de prevenção”.
“Estabelecer redes entre escolas para debates sobre os problemas
comuns e promover ‘discussão pública sobre a questão da droga
e do tráfico’”.
Dois eixos se entrelaçam, segundo as autoras, na
definição das recomendações. O primeiro mostra que
se deve investir para que o jovem desenvolva “sua
criatividade crítica e que venha a construir seus pró-
prios mecanismos alternativos às drogas e uma postu-
ra reflexiva sobre significados subjetivos e sociais das
drogas, em particular, via atividades associativas. O
segundo enfatiza a escola como “ponto de referência,
sua excelência e seu clima, ou seja, que as políticas
sobre drogas nas escolas pautem-se pelo resgate da
sua qualidade e por uma maior democracia, sem tu-
tela e pretensão de controle sobre os jovens”.
Reportagem: Rodrigo Farhat
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“Meus pais
souberam apenas
parte de minha
história”
Getúlio
Getúlio e Célia conversam durante sessão
17
REPORTAGENS
GINÁSTICA LABORAL
Qualidade de vida no
ambiente de trabalho
Ginástica laboral resulta em qualidade de vida
para funcionários da UTFPR
Postura inadequada no ambiente de trabalho, esforço repetitivo em ati-
vidades sedentárias, estresse. Esse conjunto de fatores é responsável pelo
surgimento de uma doença ocupacional que atinge milhões de trabalhado-
res em escala mundial: as LESÕES POR ESFORÇOS REPETITIVOS (LERs) ou
Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT).
Apontada por especialistas da área de educação física como uma das al-
ternativas para minimizar as lesões ocupacionais, a GINÁSTICA LABORAL foi
implantada há cinco anos pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná
(UTFPR). “A ginástica laboral já era desenvolvida em nossa instituição desde
a década de 1990, quando a UTFPR era Cefet. Mas a atividade começou a
ser aplicada com mais ênfase a partir de 2003”, explica o professor de edu-
cação física e coordenador do programa de ginástica laboral na instituição,
Gumercindo Vieira dos Santos. Para Santos, o objetivo é proporcionar mais
qualidade de vida para os funcionários da universidade.
LESÕES POR ESFORÇOS REPETITIVOS
Segundo a Organização Mundial da
Saúde (OMS), as Lesões por Esforços
Repetitivos, também conhecidas por
DORT, é a doença ocupacional em
maior evidência no mundo. As LERs
são a segunda causa de afastamento
do trabalho no Brasil.
GINÁSTICA LABORAL
A ginástica laboral na UTFPR é
praticada nos campi das cidades
de Curitiba, Ponta Grossa, Campo
Mourão, Medianeira, Pato Branco,
Dois Vizinhos e Cornélio Procópio.
A ginástica laboral melhora o relacionamento interpessoal dos funcionários
Fotos: Divulgação/UTFPR
18
CADERNOS TEMÁTICOS Nº 16 NOV. 2007
Três vezes por semana, Santos aparece nos setores administrativos da
UTFPR para dar início aos exercícios da ginástica laboral. Seja do setor
produtivo ou administrativo, Santos vai chamando – e incentivando – os
servidores. As atividades naquele setor param por 15 minutos, tempo de
duração da ginástica.
Ao falar sobre a atividade, o educador físico coloca que antes da
implantação da ginástica foram realizadas palestras e sessões de vídeo
para explicar o funcionamento e os benefícios da ginástica laboral. “O
principal”, diz, “foi demonstrar que a ginástica poderia proporcionar ao
praticante uma melhor utilização de sua capacidade funcional por meio
de exercícios de alongamento, de prevenção de lesões ocupacionais e
dinâmicas de recreação”.
Na opinião de Santos, a ginástica laboral foi compreendida como um
grande instrumento na melhoria da saúde física do trabalhador quan-
do começou a reduzir e ajudar a prevenir problemas decorrentes de
movimentos corporais repetitivos e posturas inadequadas, por meio de
exercícios específicos que são realizados no próprio local de trabalho. “A
ginástica laboral não cansa o praticante da atividade porque é de curta
duração. Ela pode ser realizada com a roupa que cada pessoa utiliza
para a execução de suas tarefas diárias”, explica. Para ele, a atividade
compreende exercícios físicos de alongamento, respiração, reeducação
postural, controle e percepção corporal, fortalecimento e compensação
dos grupos musculares e estruturas não envolvidas nas tarefas do dia-a-
dia dos funcionários.
A atividade da ginástica laboral pode ser praticada no próprio ambiente de trabalho
A ginástica laboral é
a possibilidade que a
grande maioria dos
trabalhadores dispõe
para cuidar da saúde
19
REPORTAGENS
Tipos de ginástica
Existem três tipos de ginástica laboral: a preparatória, a compensatória e
a relaxante. A sessão de ginástica preparatória deve ser realizada no início
do turno de trabalho, quando a atividade laboral exigir emprego de força
muscular. Assim é possível aquecer e preparar o corpo para o trabalho.
A do tipo compensatória é realizada durante o expediente, e é aplicada
quando a atividade laboral exigir emprego de muita atenção mental ou
tiver características repetitivas, pois assim pode-se “quebrar o ritmo”, ali-
viando a tensão e drenando o acúmulo de ácidos nos músculos, evitando
ou diminuindo a fadiga.
Já a relaxante é realizada no fim do expediente. Normalmente é aplica-
da quando a atividade laboral produz contraturas ou fadiga muscular inten-
sas, pois assim consegue-se relaxar o corpo do trabalhador.
Benefícios para todos
A prática da ginástica laboral é responsável por benefícios não só para os
trabalhadores, mas também para os empregadores. No caso dos trabalha-
dores, ela proporciona a diminuição dos sintomas de dor corporal, corrige
os vícios posturais, desenvolve a consciência corporal e melhora a auto-es-
tima e o relacionamento interpessoal.
Para a empresa/instituição, os principais benefícios de incorporar essa
prática são a diminuição de custos com assistência médica e o aumento
ou manutenção da produtividade e a REDUÇÃO DE ACIDENTES. Na opi-
nião da coordenadora de projetos sociais da UTFPR, Ilka Cristina T
ripolo-
ne, dirigentes de instituições já se deram conta de que o desempenho de
suas organizações está diretamente relacionado com a qualidade de vida
de seus funcionários. Para ela, um funcionário com auto-estima elevada,
saúde resguardada, relacionamento solidário com os colegas e chefia gera
um ambiente de trabalho harmonioso e, conseqüentemente, benéfico
para todos e em todos os aspectos. “As atividades físicas praticadas duran-
te o expediente deixaram de ser um modismo, transformando-se numa
ferramenta de aumento de produtividade e bem-estar do funcionário”.
REDUÇÃO DE ACIDENTES
Dados da Organização
Internacional do T
rabalho (OIT)
mostram que acontecem cerca de
5 milhões de acidentes de trabalho
por ano no mundo inteiro. Cerca
de 4% do Produto Interno Bruto
(PIB) mundial são gastos com as
despesas relacionadas a doenças
e acidentes de trabalho.
A ginástica laboral proporciona diminuição da
dor corporal e corrige vícios de postura
20
CADERNOS TEMÁTICOS Nº 16 NOV. 2007
Mais disposição
Antes de praticar a atividade na instituição, a chefe do setor gráfico
da UTFPR, Maria Angélica Serena, não era adepta de exercícios físicos.
O sedentarismo, aliado a movimentos repetitivos no computador, causou
uma tendinite em um dos braços da funcionária. “Tive que passar por uma
cirurgia, mas depois que comecei a praticar a ginástica laboral, estou mais
disposta para o trabalho e não sinto as dores que sentia antes”, explica.
Mais animada e feliz. É assim que se define Laura Alves Silva. Executan-
do atividades administrativas que exigem que trabalhe muito tempo senta-
da, a funcionária do departamento de recursos humanos da universidade
não sente mais as dores no pescoço e nas pernas como antigamente. “Sen-
tia muito cansaço, mas depois da ginástica laboral estou muito bem”.
De acordo com Santos, muitas empresas e instituições descobriram
que a perda de alguns minutos, em dias seguidos ou alternados, interca-
lando a prática da ginástica laboral no trabalho, tem ajudado a manter um
bom relacionamento com seus empregados. Para ele, todos os praticantes
da ginástica laboral reconhecem que a atividade é uma forma de preven-
ção de problemas físicos que poderão se tornar lesões graves. “A ginástica
laboral é a possibilidade que a grande maioria dos trabalhadores dispõe
para cuidar de sua saúde. Caso esta prática se transforme num hábito
diário, todos irão se beneficiar”.
O que é LER/DORT?
A LER/DORT é uma modalidade de acidente de trabalho denominada
“doença ocupacional”.
A sigla LER – Lesões por Esforços Repetitivos – foi criada para identificar
um conjunto de doenças que atingem músculos, tendões e articulações dos
membros superiores (dedos, mãos, punhos, antebraços e braços) e eventu-
Maria Angélica ganhou qualidade
de vida com a ginástica laboral
Reeducação postural é um dos benefícios da ginástica laboral
21
REPORTAGENS
almente membros inferiores e coluna vertebral (pescoço, coluna torácica e
lombar), relacionadas diretamente com as exigências das tarefas, ambientes
físicos e organização do trabalho.
A sigla DORT – Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Tra-
balho – é a mais nova terminologia adotada pelo Instituto Nacional de
Serviços Sociais (INSS) que amplia o conceito da doença para distúr-
bios inflamatórios e/ou oriundos da compressão de nervos, provocados
por atividades que exigem do trabalhador uma sobrecarga física, como
movimentos manuais repetitivos, continuados, rápidos e/ou vigorosos e
posturas inadequadas por um longo período de tempo.
Lesões mais comuns
Tendinite: uso constante de punhos, cotovelos e ombros podem cau-
sar pequenos rompimentos nos tendões, que ficam inchados, inflama-
dos e dolorosos. A dor é mais à noite.
Vista cansada
: é um resultado do trabalho por período prolongado com
tela de vídeo, computador.
Dor lombar: está geralmente relacionada à má postura ou com levanta-
mento inadequado de objetos.
Sintomas
: fadiga muscular, sensação de peso e cansaço no membro afe-
tado, dores, formigamentos, inchaço, dormência, perda da força mus-
cular e dos reflexos, calos localizados.
Para começar bem o dia
Cinco exercícios básicos de alongamento ao se levantar. Em cada posição,
a pessoa deve permanecer de 10 a 15 segundos.
Aquecimento – Estender os braços sobre a cabeça. Manter as mãos
entrelaçadas.
Alongamento da coluna cervical – Apoiar uma das mãos na lateral
da cabeça e flexionar o pescoço, puxando levemente. Manter o ou-
tro braço relaxado. (Repetir com a
outra mão, puxando a cabeça para
o outro lado.)
Alongamento dos músculos pei-
torais e ombros – Entrelace os de-
dos atrás dos quadris, estendendo
os braços levemente.
Alongamento dos quadríceps
– Flexione um dos joelhos, se-
gurando a ponta do pé por trás.
Mantenha a perna de apoio leve-
mente flexionada. (Repita com a
outra perna.)
Alongamento da região lombar
– Flexione o tronco para a frente,
mantendo os braços e a cabeça re-
laxados. As pernas devem perma-
necer estendidas.
Reportagem: Marco Fraga
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Exercícios de alongamento são orientados pelo
professor Gumercindo (ao fundo) durante atividade
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CADERNOS TEMÁTICOS Nº 16 NOV. 2007
EDUCAÇÃO AMBIENTAL
Moradores aprendem
a economizar água
Projeto implantado pelo Cefet/CE leva técnicas seguras
de reúso das águas a moradores de baixa renda
Implantado no Renascer, um dos conjuntos habitacionais carentes da
cidade de Fortaleza, localizado no bairro Dias Macedo, o CENTRO DE ES-
TUDOS AMBIENTAIS (CEA) é uma iniciativa do Centro Federal de Educa-
ção Profissional - Ceará, em parceria com a prefeitura local, o Ministério
da Saúde e a Fundação Nacional de Saúde (Funasa). Funcionando como
um espaço de extensão da escola, no local tem atividades de pesquisas
aplicadas e cursos de capacitação na área ambiental e profissionalizante
para os moradores da localidade e dos bairros vizinhos.
O coordenador-geral do CEA, Júlio César da Costa Silva, explica que o
principal objetivo do projeto é a valorização do meio ambiente e da cida-
dania, por meio da implementação de ações ambientais que possibilitem
o desenvolvimento sustentável e a promoção da inclusão social. Um dos
principais trabalhos que está sendo desenvolvido é o programa de reúso de
ÁGUAS RESIDUÁRIAS DOMÉSTICAS das LAGOAS DE ESTABILIZAÇÃO para
agricultura e piscicultura. Júlio César Silva conta que a prática do uso de
esgotos domésticos, principalmente para a irrigação de hortaliças, é, de
CEA
Construída em uma área de 6,8
hectares, o centro tem três tanques
para piscicultura, estufas para
hidroponia, biblioteca, laboratório
de química, salas de aulas, área
para agricultura orgânica, uma
sala da administração e centro de
inclusão digital.
ÁGUAS RESIDUÁRIAS DOMÉSTICAS
Águas residuais são todas as
águas rejeitadas que resultam
da sua utilização para diversos
fins. As domésticas são aquelas
provenientes do banho, da cozinha e
das lavagens de pavimentos.
Fotos: André Goldman
Aluna mostra cuidados necessários para cultivar hortaliças com reúso da água
23
REPORTAGENS
certa forma, difundida no Brasil, porém, é feita de forma
informal, sem planejamento ou controle. “Na maioria das
vezes, as pessoas não sabem que o alto índice de poluição
dessas águas é prejudicial à saúde pública e provoca im-
pactos ambientais negativos”, avalia.
Ele pontua que a escassez de água potável versus
a quantidade necessária de utilização da mesma para a
produção de alimentos é outra questão que torna impres-
cindível adotar soluções para racionalizar o uso. Relatório
da Organização das Nações Unidas (ONU) de 2006 alerta
que somente a atividade agrícola absorve 74% de toda a água retirada pelos
humanos dos rios, lagos, aqüíferos e áreas inundadas. Outros 18% são usa-
dos pela indústria e 8%, nos serviços de abastecimentos públicos.
Para os especialistas, o quadro tende a se agravar, pois a demanda au-
menta junto com o crescimento populacional. No Brasil, comparado com
países como a África, a situação não é das mais críticas. Aqui estão 53% da
água doce da América Latina e 12% do total mundial, mas a reserva está
localizada em regiões com baixas taxas de ocupação. Relatório divulgado
pela ONG Geo Brasil Recursos Hídricos em 2007 aponta uma enorme dis-
crepância, pois 74% do total da água disponível estão na região hidrográfica
amazônica, que é habitada por menos de 5% dos brasileiros.
Júlio César acredita ser fundamental conscientizar e sensibilizar a po-
pulação sobre as questões ambientais, tais como a separação e reciclagem
do lixo, o uso racional da água e os riscos de ingerir alimentos conta-
minados devido ao cultivo com águas poluídas. Iniciativas que, segundo
ele, podem minimizar os diversos problemas ambientais e fortalecer a
agricultura familiar. “Aqui integramos pesquisa aplicada, divulgação de in-
formações e projetos de educação ambiental”, diz. Ele relata que muitos
moradores do Renascer já fazem informalmente o reúso dos EFLUENTES
tratados, mantendo pequenas hortas e plantação nas vizinhanças da Esta-
ção de T
ratamento de Água (ETA). “Infelizmente, isso tem provocado im-
pactos ambientais negativos e colocado em risco a saúde deles mesmos”,
ressalta Júlio César.
Comunidade acompanha estudos
De olhos atentos, os moradores acompanham as explicações dos pes-
quisadores acerca das experiências em andamento. No local, já tem cultivo
de milho, utilizando como fertilizante os RESÍDUOS ORGÂNICOS, plantação
de alface por meio de HIDROPONIA e criação de TILÁPIA. Posteriormente,
também serão plantadas banana e cana-de-açúcar. Todo o sistema é abas-
tecido com a água dos esgotos domésticos tratados na ETA.
Durante a visita, Sianne Priscilla Passos, aluna bolsista que pesquisa sobre
hidroponia, relata como são feitas as experiências. “Periodicamente, fazemos
o exame da água e verificamos os tipos de substâncias existentes. Essa che-
cagem é fundamental para que os alimentos não sejam contaminados e se
desenvolvam de forma segura para o consumo”, alerta.
A produção do centro também beneficiará a comunidade. Parte das
frutas, hortaliças e peixes será doada para as creches locais, e o restan-
te, comercializados pela Associação de Moradores do Renascer. Edílson
Aguiar de Moura, membro da associação, aposta que o projeto trará
muitos frutos. “Além do reforço para a merenda escolar, os moradores
podem adquirir conhecimentos para desenvolver suas hortas e gerar ali-
LAGOA DE ESTABILIZAÇÃO
É uma lagoa artificial para onde é
canalizado o esgoto após passar por
um pré-tratamento que retira a areia
e a matéria sólida não degradável
(plásticos, madeira, borracha etc.). No
interior das lagoas, o esgoto passa por
uma série de etapas de depuração –
com tempo de retenção ou permanência
calculada – que simulam o processo
que ocorreria naturalmente num rio.
EFLUENTES
São produtos líquidos ou gasosos
produzidos por indústrias ou resultante
dos esgotos domésticos urbanos, que
são lançados no meio ambiente. P
odem
ser tratados ou não tratados.
RESÍDUOS SÓLIDOS ORGÂNICOS
São constituídos basicamente de
restos de alimentos, sobras de frutas
e verduras em geral, resíduos de feiras
livres e lodo de esgoto sanitário.
HIDROPONIA
É um sistema de cultivo dentro
de estufas sem uso de solo. Os
nutrientes que a planta precisa para
o desenvolvimento e a produção
são fornecidos somente por água
enriquecida com os elementos
necessários, como nitrogênio, potássio,
fósforo, magnésio etc.
TILÁPIA
O nome comum dado a vários
gêneros de peixes ciclídeos de água
doce pertencentes à sub
-família
Pseudocrenilabrinae e, em particular,
ao gênero Tilapia. Eles são nativos da
América do Sul e África, mas foram
introduzidos em muitos lugares nas
águas abertas do sul da América do
Norte e são agora comuns na Flórida,
Texas e partes do sudoeste dos EUA.
CEA está localizado no Conjunto Renascer,
bairro carente de Fortaleza
24
CADERNOS TEMÁTICOS Nº 16 NOV. 2007
mentos. Isso ajudará, e muito, as pessoas que vivem aqui”, comemora
– opinião compartilhada por Terezinha Ferreira de Alcântara, também
membro da associação. Ela diz que a construção do CEA já foi positiva.
“Antes, aqui era um terreno baldio e trazia risco para a nossa saúde, pois
juntava sujeira. Agora, ele foi transformado no espaço de estudos e de
oferta de cursos. Para os jovens do local, muitos sem emprego, represen-
ta uma esperança”, frisa.
O engenheiro Olívio Britto, técnico responsável pelo acompanha-
mento das pesquisas feitas no CEA, acredita que o projeto deve ter im-
pactos importantes na qualidade de vida. Atualmente moram, somente
no Renascer, cerca de 2,8 mil pessoas. O perfil socioeconômico da po-
pulação apresenta indicador de pobreza, com renda per capita, para
uma média de 4,5 habitantes/domicílio, de US$ 0,96. Detectam-se tam-
bém baixos índices de ocupação e escolaridade da população. As do-
enças mais freqüentes que atingem os moradores são gripe (81%), ver-
minoses e doenças respiratórias (15%) e doenças de pele (12%). “Essa é
uma comunidade que necessita de alternativas sustentáveis que possam
colaborar para a melhoria da qualidade de vida e geração de emprego
e renda”, atesta.
Reúso da água pode contribuir
para reduzir escassez
Do ponto de vista ambiental, o trabalho desenvolvido no CEA beneficia
não só a população da região, mas pode contribuir com o planejamento e
sistematização de alternativas para minimizar o problema de escassez de
água. No Ceará, o problema já é enfrentado em muitas localidades. Em
2006, de acordo com a ONG Instituto Terramar, 76 municípios cearenses,
que corresponde a 41,3% do total, decretaram estado de emergência devi-
do à falta de água. Diante do contexto, a reutilização dos esgotos tratados
é uma alternativa viável para a gestão sustentável dos recursos hídricos,
podendo ser utilizada na irrigação agrícola e cultivo de animais.
Olívio Brito pontua que a meta é fazer várias experiências com cul-
turas diversas para detectar as que melhor se adaptam à hidroponia, os
cuidados que devem ser tomados para evitar contaminação e quais as
vantagens de adotar um sistema de reutilização. “Todos esses experi-
mentos serão sistematicamente testados. A idéia é potencializar essas
iniciativas para depois divulgá-las e estimular essa prática entre peque-
nos agricultores”, vislumbra.
Ele diz que esse método de cultivo também apresenta algumas vanta-
gens em relação ao tradicional, pois não é necessário usar tratores e água
tratada. Com isso, além de economizar recursos naturais, evita-se a utili-
zação de adubos e agrotóxicos, dando uma trégua para o solo, alternativa
que também pode repercutir positivamente para minimizar o processo de
DESERTIFICAÇÃO já adiantado em algumas cidades brasileiras. De acordo
com o Ministério do Meio Ambiente (MMA), esse processo abrange 1.488
dos cerca de 1,8 mil municípios que compõem os nove estados do Nordes
-
te, realidade que atinge também algumas cidades do norte de Minas Gerais
e do noroeste do Espírito Santo.
“Outra vantagem é a possibilidade de manter produções familiares em
terrenos urbanos ou no fundo de quintal. Empresas e escolas podem pro-
duzir sua própria verdura, e os pequenos agricultores podem adotar essa
alternativa com custos menores”, explica Brito.
ESTAÇÃO DE TRATAMENTO DE ÁGUAS
São estações que tratam as águas
residuais de origem doméstica e/ou
industrial, denominadas de esgotos
sanitários ou despejos industriais, para
depois serem escoadas para o mar ou
rio com um nível de poluição aceitável
ou então “
reutilizadas” para usos
domésticos ou na agricultura.
DESERTIFICAÇÃO
É o processo de degradação de regiões
áridas, semi-áridas e subúmidas
secas, resultantes de fenômenos
naturais, quando ocorrem mudanças
climáticas, e da ação humana, como
o uso inadequado do solo, queimadas,
desmatamentos, uso de tecnologias
pesadas, ou os dois simultaneamente.
Na prática, isso significa que as terras
tornam-
se improdutivas.
Pesquisadora explica hidroponia
e criação de tilápias
25
REPORTAGENS
Meta é capacitar
600 pessoas por ano
Construída em regime de muti-
rão, o primeiro curso promovido no
CEA foi destinado para os pedrei-
ros e eletricistas do bairro. Depois
de passarem por um processo de
qualificação, eles ajudaram a edifi-
car as paredes do centro. Oficinas
de fabricação de saneantes, produ-
ção de perfumes e reciclagem tam-
bém são ofertadas à comunidade.
A expectativa é beneficiar cerca de
600 moradores por ano.
Dentre os cursos de formação
oferecidos, uma das prioridades
é difundir informações relativas à
questão ambiental e formar agentes
para que eles divulguem junto aos
outros moradores atitudes corretas com o meio ambiente. Para isso, perio-
dicamente são feitas palestras e oficinas sobre o tema. A moradora Cristiane
Maria da Costa já participou de cursos de informática e reciclagem. “Aprendi
que, ao jogar lixo na rua, estamos prejudicando a nossa própria saúde, por
isso a importância de fazer a separação para a reciclagem”, conta.
A responsabilidade de cada um com a preservação da natureza e os
riscos da deteriorização da camada de ozônio são conceitos que passaram
a fazer parte da vida de Ana Maria Ribeiro depois que ela participou da ofi-
cina sobre reciclagem. “Eu nem imaginava como o nosso comportamento
pode prejudicar a natureza e o quanto essa questão é séria. O clima está
ficando mais quente e a água, escassa”, conta.
Ana Amélia Souza Paiva, integrante da ONG Sociarte, uma das institui-
ções parceiras para ministrar as capacitações, acredita que a iniciativa tem
um papel importante para a formação dos jovens do local. “Temos uma
juventude carente de informações e com necessidades de cursos de capa-
citação. Para nós, essa iniciativa é superimportante”, avalia.
Inclusão digital para alunos
de escolas públicas e comunidade
No CEA também funciona o Centro de Inclusão Digital (CID). O es-
paço será usado por alunos das escolas públicas locais e a população. O
CID dispõe de uma biblioteca multimídia, um laboratório de informá-
tica e uma sala polivalente multimeios. No local, serão realizados cur-
sos profissionalizantes na área de informática, desenvolvidas atividades
socioculturais e os usuários terão acesso à internet. O projeto do CID
conta com o apoio dos ministérios das Comunicações e da Ciência e
Tecnologia, e tem a finalidade de se transformar em um centro irradia-
dor de conhecimentos, disponibilizando informação e formação para os
moradores da comunidade.
Reportagem: Stela Rosa
Olívio Britto desenvolve pesquisa com hidroponia
Comunidade é beneficiada com
cursos promovidos pelo CEA
26
CADERNOS TEMÁTICOS Nº 16 NOV. 2007
Prevalência da dengue
na cidade de Uberaba
TEIXEIRA, Estelamar B.; ABDALA, Vera L.; BARBOSA, Ozeni A.
Centro Federal de Educação Tecnológica Uberaba/MG
Palavras-chave: Dengue; Epidemia; Saúde.
RESUMO
Foram avaliadas as notificações dos casos de dengue, feitas pelo Centro de Con-
trole de Zoonoses (CCZ), nos anos de 2000 a 2006. Os agentes visitaram as resi-
dências realizando a eliminação de criadouros de dengue e notificando os focos
do mosquito. Identificou-se a prevalência dos números de casos de dengue em
Uberaba/MG, nos anos de 2000 a 2006. Para análise dos dados foram utilizados
os números de notificações, calculando, através do software Excel, o índice de
crescimento dos focos até 2006 e das notificações da dengue clássica até 2005.
Deve ser feito um trabalho efetivo junto à população de sensibilização quanto à
gravidade do problema e a importância da ação de cada um como responsável
por um ambiente saudável e da qualidade de vida para todos, adquirindo nova
postura frente às questões ambientais e de saúde.
Fotos: Shutterstock
27
ARTIGOS
Introdução
Uberaba situa-se na microrregião do
Triângulo Mineiro, a oeste do Planalto
da Serra Geral, que separa as águas do
rio Grande e do rio São Francisco, ao
sul 19°45’27’’, e a oeste a 47°55’36’’.
Ocupa uma área física total que corres-
ponde a 48,1% da microrregião do Vale
do Rio Grande, (PMU, 2006). A sede do
município está a 764 metros de altitu-
de e o ponto geodésico é de 808 me-
tros. A metade meridional do município
pertence à Bacia do Rio Grande, sendo
drenada principalmente pelo rio Uberaba, e a outra parte pela Bacia do
Rio Paranaíba. A região possui mais de duzentos riachos e córregos, o que
proporciona um grande potencial hidroenergético, propiciando condições
para o desenvolvimento da agricultura irrigada.
Desde que os Bandeirantes ali chegaram a caminho para as minas goia-
nas, Uberaba passou a atrair por sua localização geográfica. De acordo com a
PMU (2006), o município possui aproximadamente 300 mil habitantes. Evi-
dencia-se que, com o crescimento da área urbana, houve um agravamento
dos problemas em relação ao despreparo do poder público municipal e da
própria população no que se refere à situação epidêmica da dengue.
O presente trabalho teve como objetivo investigar os principais fatores
ambientais que contribuíram para a evolução dessa epidemia em bairros
periféricos do município de Uberaba e assim avaliar como os estudos am-
bientais integrados de uma determinada região pressupõe o entendimento
das dinâmicas de funcionamento do ambiente. Consideram-se também as
avaliações das ações antrópicas a partir da elaboração do plano de zonea-
mento, que norteará o método de trabalho baseado na compreensão das
características e da dinâmica do meio natural e do meio socioeconômico
integrado às características da paisagem como um todo.
Material e método
A pesquisa foi realizada na cidade de Uberaba, estado de Minas Gerais.
O município possui uma área territorial de 4.516 km
2
, com uma população
residente de 252.051 habitantes.
Casuística para adequar o procedimento das informações referentes aos
casos notificados da epidemia de dengue no município de Uberaba, onde
foi estabelecido um contato com a Secretaria de Saúde – Centro de Zoono-
se, para que se pudesse ter acesso aos referidos dados.
Os dados para o desenvolvimento da pesquisa foram coletados no mês
de janeiro de 2006, referentes ao período de janeiro de 2000 a dezembro
de 2005, e uma nova coleta em junho de 2006, dos meses de janeiro a
maio do referido ano. Esses dados epidemiológicos dos casos notificados no
município de Uberaba, no período de 2000 a 2006, foram obtidos através
de planilhas no Centro de Zoonose.
Para análise dos dados foram utilizados os números de notificações, cal-
culando através do software SPSS (Statistical Package for the Social Scien-
ces), versão 12.0 for Windows, o índice de crescimento dos focos até 2002
e das notificações da dengue clássica até 2006.
Estelamar BorgesTeixeira é
professora mestre em Ciências
dos Alimentos e Nutrição pela
Unesp/Araraquara/SP (2003).
Atualmente, é professora titular e
coordenadora do Curso Superior
em Desenvolvimento Social do
Cefet Uberaba/MG. Experiência na
área de nutrição, com ênfase em
educação nutricional, trabalhando
com: fibras dietéticas, ganho de
peso, renda familiar e saúde.
Vera Lúcia Abdala é professora
mestre em Geografia pela UFU/
Uberlândia (2005). Atualmente,
é professora titular do Cefet
Uberaba/MG. Experiência na área
de Geografia (Ensino Médio), com
ênfase em Gestão Ambiental,
trabalhando com: recursos
hídricos, bacias hidrográficas e
educação ambiental.
Ozeni Amorim Barbosa é
professora mestre em Educação
Profissional – UFRRJ (2005).
Atualmente, é professora titular
do Cefet Uberaba/MG. Experiência
na área de Saúde Pública e
Fisiologia, com ênfase em
Fisiologia de Órgãos e Sistemas,
trabalhando com: saúde pública,
avaliação nutricional, obesidade
infantil e desnutrição.
28
CADERNOS TEMÁTICOS Nº 16 NOV. 2007
Histórico
A dengue é uma doença infecciosa febril aguda, que pode apresentar
resultado benigno ou grave, dependendo da forma como se apresente, e
pode variar entre: infecção inaparente, dengue clássica, febre hemorrágica
ou síndrome do choque da dengue. Causada por um arbovírus (abreviatura
do inglês de arthropod-bornvirus, vírus oriundo dos artrópodos), do gênero
Flavivírus, pertence à família Flaviviridae, os sorotipos conhecidos são: 1, 2,
3 e 4. Esta doença é considerada como a mais importante arbovirose que
afeta o ser humano e apresenta uma série de problemas para a saúde públi-
ca em todo o mundo. Aparece principalmente em áreas tropicais e subtro-
picais do mundo onde as condições do ambiente favorecem a reprodução
do mosquito vetor, Aedes aegypti.
As epidemias geralmente ocorrem no verão, durante ou imediatamente
após períodos chuvosos. A transmissão ocorre pela picada do mosquito
Aedes aegypti, uma espécie hematófaga originária da África que chegou
ao continente americano na época da colonização. A dengue foi vista pela
primeira vez no mundo no final do século XVIII, no sudoeste Asiático, em
Java, e nos Estados Unidos, na Filadélfia. Mas a Organização Mundial da
Saúde (OMS) só a reconheceu como doença no século XX.
O primeiro caso de febre hemorrágica da dengue que se tem notícia
apareceu na década de 1950, nas Filipinas e Tailândia. Após a década de
1960, a presença do vírus intensificou-se nas Américas. Pesquisadores iden-
tificaram vários sorotipos da doença, que foram numerados de 1 a 4, de-
pendendo do grau de letalidade do vírus.
No ano de 1976, o Aedes aegypti foi introduzido no Brasil devido à
sua presença em muitos países vizinhos (OSANAI apud TAUIL, 2001). As
espécies de Aedes, primitivamente insetos florestais de origem africana,
foram levadas para as Américas logo após o descobrimento, onde se adap-
taram como um mosquito urbano e doméstico, estreitamente associado
ao habitat humano e acompanhando o homem em seus deslocamentos.
Por isso, tem sido reintroduzido freqüentemente em áreas de onde havia
sido erradicado (REY, 1991).
29
ARTIGOS
Esse inseto põe seus ovos em recipientes com água, como tanques, bal-
des, potes, latas, vasos de flores, pias, calhas e caixas de água, ou em qual-
quer lugar onde se acumule água limpa (TAUIL, 1987). O Aedes aegypti,
um culicídeo que tem hábitos diurnos e preferência por sugar os humanos,
pica desde o amanhecer até o fim do dia, recolhendo-se ao interior das
casas para repousar nos cantos sombrios (REY, 1991).
O potencial de disseminação da dengue é referido por Tauil (1987)
como causa de epidemias “explosivas”. As manifestações variam de uma
síndrome viral, inespecífica e benigna, até um quadro grave e fatal de doen-
ça hemorrágica. A cepa do sorotipo do vírus infectante, o estado imunitário
e genético do paciente, a concomitância com outras doenças e a infecção
prévia por outro sorotipo viral da doença contribuem para a gravidade do
quadro clínico (PINHEIRO e TRAVASSOS-DA-ROSA, 1996).
As razões para a re-emergência da dengue são complexas. Gubler (1997)
considera que mudanças demográficas ocorridas nos países subdesenvolvidos
consistiram em intensos fluxos migratórios para as periferias urbanas, cujo siste-
ma público de planejamento não é adequado para atender às necessidades dos
migrantes. O saneamento básico, particularmente o abastecimento de água, e
a coleta de lixo, segundo o autor supracitado, são insuficientes ou inadequados
nas periferias das cidades. A distorção desses sistemas cria potenciais condições
para desenvolvimento do principal mosquito vetor da dengue.
Atualmente, o mosquito transmissor é encontrado numa larga faixa do
continente americano, que se estende desde o Uruguai até o sul dos Esta-
dos Unidos, com registro de surtos importantes de dengue em vários países,
como Venezuela, Cuba, Brasil e Paraguai.
Aspectos clínicos da dengue
A dengue clássica se caracteriza pela diminuição da circulação de plaquetas
(plaquetopenia) e o aumento da concentração do sangue (hemoconcentração),
avaliadas no hemograma. Os sintomas podem ser de febre (de início súbito),
dor de cabeça, dores musculares, articulares, ósseas, erupções na pele, coceira
principalmente em palmas e plantas, prostração, náuseas, vômitos, dor abdo-
minal, diarréia, tonturas ao sentar ou levantar que podem caracterizar queda
de pressão arterial ao se levantar (hipotensão postural), hemorragias induzidas
ou espontâneas. A febre pode desaparecer no terceiro dia, mas as manifesta-
ções podem progredir. A presença de febre menor que sete dias associada a
dois ou três desses sinais ou sintomas indicam a dengue clássica.
A doença evolui a cura dentro de cinco a dez dias. Alguns sintomas po-
dem prenunciar gravidade mesmo que não haja alterações laboratoriais ca-
racterísticas de dengue hemorrágica (plaquetopenia e hemoconcentração),
tais como vômitos muito freqüentes, dor abdominal importante, tonturas
com hipotensão postural e hemorragias.
A dengue hemorrágica é caracterizada, segundo a Organização Mundial
da Saúde – OMS, pela concomitância de alterações laboratoriais, caracte-
rizadas pela diminuição de plaquetas abaixo de 100 mil e elevação de he-
matócrito acima de 20% (hemoconcentração), e de alterações clínicas asso-
ciadas à síndrome febril, apresentadas com gravidades variáveis. Entretanto,
essa classificação tem muitos problemas práticos, porque, em significativa
parte dos casos, o paciente pode evoluir sem apresentar alterações hemor-
rágicas clínicas ou laboratoriais para a síndrome de pré-choque ou choque,
ou pode apresentar outras manifestações graves, neurológicas, hepáticas
e/ou cardíacas, também sem ter tido hemorragias prévias.
30
CADERNOS TEMÁTICOS Nº 16 NOV. 2007
Tratamento
Todas as pessoas com febre de menos de sete dias durante uma epidemia
ou por casos suspeitos de dengue, cuja evolução não é possível predizer,
devem procurar tratamento médico onde algumas rotinas estão estabelecidas
para o acompanhamento, conforme a avaliação clínica inicial e subseqüente,
quanto à possibilidade de evolução para gravidade. A hidratação oral (com
água, soro caseiro e água de coco) ou venosa, dependendo da fase da doen-
ça, é a medicação fundamental e está indicada em todos os casos em abun-
dância. Devem ser evitados o ácido acetil salicílico (AAS) e seus derivados
porque podem interferir no processo de coagulação, uma vez que o AAS
reduz a adesão das plaquetas e, na dengue, a diminuição do número de pla-
quetas (plaquetopenia) é freqüente; como também a dipirona, porque, em
algumas pessoas, baixa a pressão arterial, o que pode ser confundido com a
ocorrência de baixa pressão por causa do levantamento do paciente (hipo-
tensão postural), sintoma que pode estar também presente na dengue.
Notificações de dengue
De acordo com a PMU (2006), o número de notificações de dengue na
cidade em 2006, até o mês de março, foram de 1.712, sendo 253 casos
confirmados de dengue clássica e dois de dengue hemorrágica.
Combate ao mosquito
O controle da dengue pode ser feito de duas formas, uma pela redução
de infestação pelo mosquito, e outra, teoricamente, pela utilização de uma
vacina eficaz. O desenvolvimento de uma vacina para a dengue constitui
um difícil problema tecnológico, pois, como se trata de quatro tipos de
vírus, a vacina deveria conter todos eles, em proporções adequadas. Por
outro lado, essas amostras vacinais deveriam ser previamente manipuladas
para ter suas virulências reduzidas ou eliminadas.
Os resultados até então obtidos ainda não permitem definir com cer-
teza quando vacinas eficazes e seguras estarão disponíveis para dengue,
restando como alternativa as medidas de combate aos vetores. O que é
mais surpreendente é que nos bairros periféricos, de população mais po-
bre, o índice de infestação é muito baixo; enquanto na região central, de
população de melhor poder aquisitivo, a infestação é maior. Isso pode ser
explicado pelo fato de que os profissionais da zoonose en-
contram dificuldade de acesso aos domicílios nos bairros de
classe média e alta.
Contratados mais profissionais atuantes no combate à den-
gue no ano de 2006, a equipe de dedetizadores de Uberaba
conta com 192 agentes, 100% mais que em 2004. Na gestão
atual de Anderson Adauto, foi constatado que ao assumir o
governo municipal havia a ocorrência de desvio de função em
mais de 30 profissionais da zoonose que atuavam na ação de
combate ao transmissor, o que foi imediatamente corrigido.
O “Disk-dengue” da prefeitura não foi criado para que o
denunciante seja punido, e sim para que os agentes possam
direcionar suas ações para o local denunciado, buscando
acabar com o foco. As penalidades (como multas) só foram
aplicadas em casos de reincidência e após a notificação do
proprietário do imóvel.
31
ARTIGOS
Quanto ao uso sistêmico de inseticida para o combate ao mosquito,
podem ocorrer dois problemas, que são a tolerância adquirida pelo inseto
e a poluição ambiental em longo prazo. Mas é importante ressaltar em lon-
go prazo a possibilidade da utilização de bioinseticida para o combate ao
mosquito transmissor da dengue, o Aedes aegypti.
Resultados e discussão
Verificou-se que no ano 2000 foram pesquisadas 36.309 casas, com um
índice de foco de 2,1%. Em 2001, foram pesquisadas 26.777 residências,
diminuindo esse índice de foco para 1,2%. Das 32.771 casas visitadas em
2002, houve um aumento significativo no índice de foco para 1,5%. De
2000 a 2003, a média de casos de dengue clássica em Uberaba era de 200
casos/ano, diminuindo a incidência 32,5% em 2004, mas havendo uma
epidemia em 2005, aumentando 844% os casos de dengue clássica e uma
notificação de dengue hemorrágica.
Tabela 1. Notificações de dengue no município de Uberaba/MG, até 2005
Anos 2000 2001 2002 2003 2004 2005
Notificações 541
483 553 527 227 2.716
Conforme se pode observar na figura 1, o número de notificações nos
anos de 2000 a 2003 não apresentou alterações significativas, houve uma
redução nos números de casos no ano de 2004 (227 casos) e, em 2005,
um aumento significativo (2.716 casos). Pode-se notar, ainda, uma queda
gradativa e discreta no número de casos positivos e pouca oscilação no nú-
mero de casos positivos, porém, o ano de 2004 se mostrou, de uma forma
geral, com índices menores em relação aos anos anteriores. Merece desta-
que o ano de 2005, que se mostrou atípico, com um aumento significativo
nos itens notificações e casos positivos, apresentando, inclusive, um caso de
febre de dengue hemorrágica.
Figura 1. Notificações de dengue em Uberaba, 2000/2005
32
CADERNOS TEMÁTICOS Nº 16 NOV. 2007
REFERÊNCIAS
BRASIL, Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde. Disponível em:http://portal.
saude.gov.br/portal/svs/visualizar_texto.cfm?idtxt=2143. Acesso em: 8 de junho de 2006.
GUBLER, D. J., 1997. Dengue and dengue hemorragic fever: Its history and resurgence as a
global health problem. In: Dengue and Dengue and Hemorragic Fever (D. J. Gubler & G.
Kuno, eds.), New York: CAB International.
OSANAI, C. H.; TRAVASSOS-DA-ROSA, A. P. A.; AMARAL, S.; PASSOS, A. C. D. & TAUIL, P.
L., 1983. Surto de Dengue em Boa Vista, Roraima. Revista do Instituto de Medicina Tropical
de São Paulo, 1.
PMU, Prefeitura Municipal de Uberaba. Dados do Município de Uberaba. Disponível em
http://www.uberaba.mg.gov.br. Acesso em: maio de 2006.
PINHEIRO, F. P.; TRAVASSOS-DA-ROSA, J. F. S., 1996. Febres hemorrágicas viróticas. Febre
hemorrágica do dengue. In: Tratado de Infectologia (R. Veronesi & R. Focacia, Org.), São
Paulo: Editora Atheneu.
REY, J. C. La democracia venezolana y la crisis del sistema populista de conciliación. Estudios
Políticos. Madri, vol. 74, 1991.
TAUIL, P. L. Dengue e febre amarela: epidemiologia e controle no Brasil. Rev. Soc. Bras. Med.
Trop., Uberaba, vol. 20, nº 1, 1987.
___________ Urbanização e ecologia da dengue. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro,
vol. 17, 2001.
Figura 2. Notificações de dengue em Uberaba, 2006
Na figura 2, pode-se observar um aumento do número de casos de
dengue clássica nos meses de fevereiro e março, respectivamente 1.645
e 1.456 casos. Embora no mês de fevereiro tenham sido notificados dois
casos de febre de dengue hemorrágica, em um total de 1.645 casos noti-
ficados, foi no mês de abril, com um total de 1.090 casos notificados, que
aumentou o número de dengue de febre hemorrágica para três.
Conclusão
Deve ser feito um trabalho mais efetivo, durante o ano todo e não ape-
nas em períodos críticos, junto à população, de sensibilização quanto à gra-
vidade do problema e a importância da ação de cada um como responsável
por um ambiente saudável e da qualidade de vida para todos, adquirindo
novas posturas frente às questões ambientais e as políticas de saúde.
33
ARTIGOS
Desenvolvimento de sistema
para análise de concentração
de cobre na cachaça
MENDONÇA, Jean K. A.; CARVALHO, Diego N.; NORA, Douglas D.; BULIGON, Tiago O.
Centro Federal de Educação Tecnológica de São Vicente do Sul/RS
Palavras-chave: Cachaça; Cobre; Determinação.
RESUMO
Este artigo trata sobre o desenvolvimento de um sistema composto por gar-
rafas pet e algodão para detectar concentração limite de cobre na cachaça.
A cachaça artesanal é, geralmente, produzida em destiladores de cobre, os
quais conferem melhor qualidade ao produto, se comparados aos alambiques
confeccionados com outros materiais, como aço inox, podendo contaminar
o produto quando o manejo da produção é inadequado. A contaminação de
aguardentes ocorre em conseqüência do acúmulo do azinhavre nas paredes
dos destiladores, o qual é solubilizado na cachaça. O excesso de cobre solú-
vel no organismo humano (hipercupremia) pode ser tóxico devido à afinidade
do cobre com grupos S-H de muitas proteínas e enzimas, causando doen-
ças como epilepsia, melanomas, artrite reumatóide e doenças psiquiátricas.
Saber os níveis de concentração de cobre na cachaça é importante para o
Sistema utiliza garrafas PET e algodão
Fotos: Jean Karlo Mendonça
34
CADERNOS TEMÁTICOS Nº 16 NOV. 2007
produtor artesanal, mas as técnicas que possibilitam esta determinação
não são de fácil acesso, sendo assim, este trabalho baseou-se em desen-
volver um sistema com materiais domésticos de fácil obtenção que seja
capaz de detectar níveis na ordem de 5 mg/l de cobre, que é o valor
máximo permitido pelo Ministério da Agricultura. O sistema proposto
baseia-se na adsorção do aquocomplexo de cobre que tem coloração
azulada, em chumaço de algodão e o resultado da análise é feito atra-
vés da observação do surgimento de uma mancha azulada no algodão.
Os resultados obtidos pelo sistema proposto foram comparados com
resultados obtidos por espectrofotometria, e o coeficiente de correlação
obtido após a comparação das técnicas foi de 0,9881, o que valida os
resultados obtidos pelo sistema proposto.
Introdução
O cobre apresenta papel funcional nos seres humanos e se encontra
distribuído praticamente em todo o organismo sob diferentes concentra-
ções. As atividades protéicas, como a tirosinase, a citocromo oxidase e a
ceruloplasmina, são basicamente regidas pelo cobre. Apesar da grande
importância no corpo humano, seu excesso no organismo é nocivo pela
interferência nas atividades catalíticas normais de algumas enzimas. O me-
tal é encontrado em carnes, frutos do mar, em muitos vegetais, cereais e
nozes. Estima-se que, na dieta, são necessários de 2 a 5 mg de cobre por
dia (SARGENTELLI et alii, 1996). O alimento que contém cobre é digerido
no aparelho digestivo do indivíduo.
O cobre assimilado é distribuído para os tecidos, soro, glóbulos e fíga-
do, este processo é chamado de fluxo normal de cobre. Pequenas mudan-
ças podem ser desprezíveis e não leva a maiores complicações. Todavia,
grandes alterações podem provocar graves distúrbios e até doenças. Essas
últimas podem ser decorrentes tanto do excesso como também da falta
de cobre, causando hiper e hipocupremia, respectivamente. A mais co-
nhecida enfermidade decorrente dos distúrbios do metabolismo do cobre
é a degeneração hepato-lenticular, ou doença de Wilson, que, à primeira
vista, parece tratar-se de um caso de hipercupremia. Os sintomas apre-
sentados pelos pacientes são: peso do lado direito do corpo (dilatação
da cápsula do fígado), dores ao correr e andar (alterações musculares),
mudança na cor da pele para amarela (alteração da função bioquímica do
fígado) e tremores fortes nos dedos (alterações nervosas) (SARGENTELLI
et alii, 1996). Os sintomas da doença de Wilson caracterizam-se pela
precipitação do metal nas córneas e pela destruição do fígado e do tecido
nervoso (WAGGONER et alii, 1999).
O metabolismo do cobre pode ser considerado como um fator de
risco, a epilepsia, o melanoma e a artrite reumatóide são também alguns
exemplos que justificam as controvérsias e discussões da comunidade
científica com relação ao papel real deste metal no organismo humano.
A epilepsia é uma afecção que, além de incidir no homem, ocorre em
vários animais, consistindo em distúrbios de consciência, movimentos
musculares involuntários e perturbações no sistema nervoso. O mela-
noma é um tipo de câncer maligno que aparece em forma de mancha
preta, podendo levar à cegueira e à morte. A artrite reumatóide é uma
doença de natureza imunológica, definida como afecção que atinge as
articulações, vários órgãos e sistemas, como: coração, pulmão e rins.
Jean Karlo Acosta Mendonça
é doutor em Química pela
Universidade Federal de Santa
Maria e atua nas áreas de
pesquisa que envolvem Química
Analítica e Química Ambiental.
35
ARTIGOS
Essas três enfermidades apresentam em comum o fato de provocarem
alterações generalizadas e aumentarem a concentração de cobre no
plasma sanguíneo, podendo ser consideradas como casos de hipercu-
premia (SARGENTELLI et alii, 1996).
Os aspectos gerais de qualidade da cachaça exigem a realização de
análises físico-químicas que monitoram a composição inorgânica (me-
tais e outros) e orgânica (componentes secundários) da mesma (BOS-
COLO et alii, 2000). Dentre os compostos inorgânicos, o cobre assume
grande importância na qualidade final do produto, sendo permitida uma
quantidade máxima de 5 mg/l de cachaça, de acordo com o Ministério
da Agricultura.
A cachaça artesanal é, geralmente, produzida em alambiques de co-
bre, o que confere melhor qualidade ao produto quando comparado aos
alambiques confeccionados com outros materiais, como aço inox; po-
rém, podem contaminar o produto quando o manejo (principalmente a
higiene) da produção é inadequado (FARIA, 1989; NASCIMENTO et alii,
1998). O excesso de cobre solúvel no organismo (hipercupremia) pode
ser tóxico devido à afinidade do cobre com grupos S-H de muitas proteí-
nas e enzimas, causando várias doenças (SARGENTELLI et alii, 1996).
Os alambiques de cobre são amplamente utilizados, especialmente
por produtores que trabalham em microescala. Existem várias controvér-
sias sobre o uso desse metal, no entanto, muitos pesquisadores atribuem
ao cobre o papel de catalisador durante o processo de destilação da ca-
chaça. Quando a cachaça é fermentada e destilada em recipientes consti-
tuídos de outros materiais, como o aço inox, o produto final contém com-
postos sulfurados, sendo a bebida resultante de baixa
qualidade organoléptica. Porém, a presença de cobre
na cachaça em elevadas concentrações é indesejável,
pois é prejudicial à saúde humana, sendo, portanto,
fundamental sua quantificação. A contaminação da ca-
chaça ocorre durante o processo de destilação, no qual
se forma o “azinhavre” [CuCO
3
Cu(OH)
2
] nas paredes
internas dos alambiques de cobre. Esse composto é dis-
solvido pelos vapores alcoólicos ácidos, contaminando
o destilado (LIMA NETO et alii, 1994).
De acordo com Garbin et alii (2005), a contami-
nação de cobre na cachaça deve ser evitada através
de procedimentos de higienização do destilador e uso
de tecnologias adequadas de produção. A concentra-
ção de cobre após a destilação pode ser reduzida com
o uso de procedimentos de filtração antes do engar-
rafamento. As etapas de filtração, quando usadas na
produção da cachaça, são feitas com a fase sólida de
algodão ou carvão ativo; ou pela passagem da cacha-
ça por filtros de celulose ou filtros de polipropileno.
Dentre os processos citados anteriormente, os filtros
de celulose e de polipropileno apenas retiram partí-
culas menores em suspensão e o carvão ativo adsorve
compostos apolares que geram coloração e odores na
cachaça; apenas o algodão é capaz de remover o co-
bre. Em trabalho recente, Andrea de Oliveira (2006)
– http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ul-
t306u14970.shtml – desenvolveu um método simples
Shutterstock
36
CADERNOS TEMÁTICOS Nº 16 NOV. 2007
para a remoção de cobre na cachaça. Este método baseia-se na captura
do cobre pelo ânion carbonato, o qual é adicionado na cachaça recém-
destilada quantidades de mármore ou calcário em pó (ambos formados
à base de carbonato de cálcio).
A determinação de cobre em meio aquoso pode ser feita com o uso
de várias técnicas analíticas, das quais a mais usada para este fim é a
espectrofotometria de absorção molecular, na qual o cobre é sempre
complexado com um ligante propositalmente adicionado na amostra, e o
produto formado é um cromóforo que irá ser quantificado. Baseado nesta
técnica, existem vários kits que se baseiam neste mesmo princípio, mas a
quantificação de cobre é feita através da comparação visual do cromóforo
formado na amostra com o formado em soluções analíticas de cobre. A
proposta desses kits é que a análise possa ser feita sem a necessidade de
tanto aparato instrumental, laboratório e conhecimento teórico do analis-
ta, de modo que eles são propostos para que o próprio produtor utilize-os
no local de produção.
O objetivo do trabalho é desenvolver um sistema extremamente sim-
ples, para que o produtor possa montá-lo sem a necessidade da aquisição
de nenhum material de uso não rotineiro em sua casa. Este sistema pro-
posto deverá ser capaz de identificar quantitativamente a concentração
de cobre máxima permitida pela legislação brasileira,
que é de 5 mg/l, e até determinar níveis de 2 mg/l de
cobre, que é máximo permitido pelos padrões europeus.
O princípio de funcionamento do sistema proposto é a
passagem lenta de um volume de amostra por um chu-
maço de algodão hidrofílico, o qual irá adsorver o aquo-
complexo de cobre, tornando-se levemente azulado ao
ponto de ser visto a olho nu.
Materiais e métodos
Para a realização dos experimentos, foram usados água
ultra pura de um sistema de Milli-Q, sulfato de cobre ani-
dro PA (Merck), amostras de cachaça artesanal e as quan-
tificações do cobre foram realizadas em um espectrofo-
tômetro UV/Vis Hewlett-Packard 8453. A curva analítica
foi realizada em 520 nm, com soluções analíticas de 1,0;
3,0; 5,0; 7,0 e 10,0 mg/l de cobre, o qual era previamente
derivado com uma solução de 4-(2-piridilazo)-resorcinol
(PAR) 0,2 mmol/l em 0,1 mol/l ácido acético e 0,3 mol/l de
hidróxido de sódio. A derivação foi feita com partes iguais
de água + solução do PAR + amostra.
A metodologia proposta consiste da passagem lenta de
um volume de amostra em um chumaço de algodão, o que
não é difícil de se fazer em um laboratório, basta montar
um sistema de acordo com a figura 1 (a). Este sistema com
vidraria de laboratório foi usado algumas vezes, principal-
mente quando necessitava-se alterar a vazão do sistema.
O sistema proposto pode ser visto na figura 1 (b) e com
ele foram feitos praticamante todos os experimentos deste
trabalho. Os componentes necessários para a construção
são apenas três garrafas de politereftalato de etila (PET) de
dois litros (transparente) e um chumaço de algodão.
Materiais usados e comparação dos sistemas
37
ARTIGOS
De acordo com a figura 1 (b), a descrição do sistema de baixo para
cima consiste de: uma garrafa PET com a tampa cortada na extremidade,
esta tampa cortada é colocada invertidamente como funil e dentro dela é
colocado o chumaço de algodão. Nesta primeira garrafa é conectada uma
outra garrafa PET (que teve as duas extremidades cortadas), e logo acima
conecta-se invertida a terceira garafa PET, que deverá ter um corte na parte
de cima, onde deverá ser adicionada a amostra que será passada pelo siste-
ma. Para que a vazão da amostra seja pequena, o furo na tampa plástica da
garrafa foi feito com uma agulha bem fina.
A adsorção do aquocomplexo de cobre no chumaço de algodão ocor-
re após gotejamento de um volume controlado de amostra. A vazão com
que a amostra passa pelo algodão é uma variável importante, já que a
adsorção do complexo não ocorre instantaneamente, sendo assim, a ve-
locidade com que a mostra passa pelo algodão deve ser lenta para que se
obtenha sucesso na análise. Os sistemas foram montados sempre com o
objetivo de se conseguir baixos valores de vazão, e esta variável foi mo-
nitorada em unidades de mililitros de amostra por hora (ml/h), em um kit
contendo 1,5 litro de amostra.
Com este sistema, foram passados alíquotas de 0,5 l de amostras de ca-
chaça com concentração de cobre conhecida, e realizadas quantificações
espectrofotométricas dos níveis de concentração de cobre antes e depois
da etapa de filtração.
Os limites de detecção do método proposto foram avaliados através
da passagem de sucessivas frações de 0,5 l de cachaça com concentração
conhecida e corrigida para valores de 1,0, 2,0; 3,0; 4,0; 5,0; 6,0; 7,0;
8,0; 9,0 e 10,0 mg/l de cobre, através de chumaços de algodão, e obser-
vou-se o volume de amostra necessário para o aparecimento de mancha
azul. A vazão do sistema foi fixada em 5 s/gota.
Os níveis de cobre existentes em dez amostras de cachaça foram deter-
minados por espectrofotometria e também pelo sistema proposto, que se
Figura 1. Em (a) tem-se o sistema montado com vidraria de
laboratório, e em (b) tem-se o sistema construído com materiais
domésticos que o produtor poderá montar facilmente em casa
38
CADERNOS TEMÁTICOS Nº 16 NOV. 2007
baseou em passar sucessivas porções de 0,5 l de amostra em um chumaço
de algodão até a observação do aparecimento de uma leve coloração azu-
lada. Os resultados obtidos foram interpretados de acordo com o padrão de
comportamento previamente estudado. A validação do sistema proposto
foi feita através da comparação dos seus resultados com os obtidos pela
técnica espectrofotométrica.
Resultados e discussão
A metodologia usada para a determinação de cobre por espectrofoto-
metria apresentou um coeficiente de correlação de 0,9908; coeficiente an-
gular de 0,0688 e coeficiente linear de 0,1078 em uma curva analítica com
variação de 10 unidades de mg/l.
O sistema proposto com as garrafas PET substitui tranquilamente o sis-
tema montado com vidraria de laboratório, apresentando como única des-
vantagem a forma de regular a vazão da amostra, pois isto depende apenas
do tamanho do furo feito na tampa da garrafa – figura 1 (b).
O estudo da variação da vazão mostrou que ela assumiu valores me-
nores à medida em que a coluna de amostra sobre o orifício da tampa go-
tejadora é menor. Basedado neste comportamento, escolheu-se trabalhar
com o sistema sempre com no máximo colunas de amostra de 0,5 l, já que
assim é possível obter vazões em torno de 40 ml/h. Considerando que este
sistema gera gotas de aproximadamente 0,06 ml, então uma vazão de 40
ml/h equivale a uma vazão de 5,4 s/gota. Esta última unidade de vazão é
mais prática de ser usada.
O resultado das análises das alíquotas de cachaça de concentração de
cobre conhecida após a passagem pelo sistema mostrou que a concentração
de cobre apresentou uma redução de 10%, o que confirma a observação
de que o aquocomplexo de cobre é adsorvido pelo algodão. O provável
motivo pelo qual o aquocomplexo de cobre seja adsorvido pelo algodão é
de que a estrutura da celulose apresente alguns de seus grupamentos –OH
desprotonados, os quais atrairiam compostos de carga contrária, que é o
caso do aquocomplexo de cobre [Cu(H
2
O)
4
]
2+
, estabelecendo uma extra-
ção de parte do complexo existente na fase líquida para a fase sólida.
Algodões mostram resultados
39
ARTIGOS
Figura 2. Volume de cachaça necessário para o
aparecimento da mancha azulada no algodão
Figura 3. Concentrações de cobre encontrado nas
amostras de cachaça por diferentes técnicas
A avaliação dos limites de detecção da metodologia proposta pode
ser vista na figura 2, que correlaciona os volumes de amostra de cada
concentração necessários para a observação do surgimento de uma
mancha azulada no chumaço de algodão.
Através dos resultados obtidos, observa-se que o sistema é capaz de
quantificar níveis de concentração de mercúrio na faixa de 1 a 10 mg/l de
cobre, observando que concentrações baixas exigem grandes volumes de
amostras. De acordo com este padrão de comportamento, ao passarmos
4,0 l de amostra de cachaça a uma vazão de 5 s/gota em um chumaço de
algodão, e não observarmos a formação de uma mancha azulada, isso indi-
ca que a cachaça apresenta níveis de concentração aceitáveis pelos critérios
do Ministério da Agricultura.
A comparação dos resultados obtidos através da análise das amostras
de cachaça por espectrofotometria e pela metodologia proposta podem ser
vistos na figura 3.
A comparação entre os resultados da concentração de cobre obtidos em
cada amostra por diferentes técnicas pode ser visto na figura 4.
40
CADERNOS TEMÁTICOS Nº 16 NOV. 2007
REFERÊNCIAS
BOSCOLO, M.; BEZERRA, C. W. B.; CARDOSO, D. R.; LIMA-NETO, B. S.; FRANCO, D. W.
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narum. Tese de Doutorado. Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP, São Paulo. 1989.
GARBIN, R.; BOGUSZ, S. J.; MONTANO, M. A. Níveis de cobre em amostras de cachaça
produzidas na região nordeste do Rio Grande do Sul, Brasil. Ciência Rural, 2005.
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Química Nova. 1998.
SARGENTELLI, V.; MAURO, A. E.; MASSABNI, A. C. Aspectos do metabolismo do cobre no
homem. Química Nova. 1996.
WAGGONER, D. J.; BARTNIKAS, T. B.; GITLIN, J. D. The role of copper in neurodegenerati-
ve disease. Neurolobiology of Disease. 1999.
O comportamento dos resultados obtidos pelo sistema desenvolvido
apresentou um coeficiente de correlação de 0,9881 perante os resultados
obtidos pela espectrofotometria. Um coeficiente de correlação bem próxi-
mo de 1 mostra que os resultados obtidos através da metodologia proposta
são coerentes com os valores reais.
Conclusão
O princípio funcional da metodologia proposta pode ser montado
tranqüilamente com materiais domésticos, e os resultados obtidos por
este sistema mostraram boa correlação ao ser comparado a uma técnica
de espectrofotometria. A proposta é de que este sistema seja montado e
manipulado pelo próprio produtor de cachaça artesanal, de forma que ele
seja capaz de quantificar os níveis de concentração de cobre. O conheci-
mento da concentração de cobre na cachaça artesanal indica ao produtor
se o processo de destilação está contaminando a cachaça com cobre aci-
ma das concentrações permitidas, e conseqüentemente indica a hora da
limpeza do destilador. Outro provável usuário deste sistema poderiam ser
os revendedores de cachaça artesanal, que poderiam facilmente observar
a qualidade da cachaça revendida, já que a presença de altos níveis de
cobre mostra indiratamente uma falta de higiene do produtor durante o
processo de destilação da cachaça.
Figura 4. Comparação dos resultados obtidos por técnicas diferentes
Shutterstock
41
ARTIGOS
RESUMO
Os refrigerantes consistem, em grande parte, de água com gás misturada com açú-
car ou adoçantes artificiais, vários aromatizantes naturais ou artificiais e corantes,
traz pouco ou nenhum valor nutritivo. Muitos contêm cafeína, principalmente os
do tipo cola. A cafeína é um alcalóide da classe das xantinas e é um dos estimulan-
tes mais antigos e potentes. A ingestão da mesma em excesso causa vários sinto-
mas desagradáveis: irritabilidade, dores de cabeça, insônia, diarréia e palpitações
cardíacas. O objetivo deste trabalho foi determinar o teor de cafeína em amostras
de refrigerantes contendo “cola” comercializado em Teresina/PI por espectrofoto-
metria no UV-visível. Preparam-se quatro amostras de diferentes marcas de refri-
gerantes (A, B, C e D) à base de cola, a partir de diluições 1:50 ml (amostra/água
destilada) e fez-se leitura direta em 273,50 nm em espectrofotômetro. Para cálculo
da concentração da cafeína nas amostras de refrigerantes usou-se uma equação
Análise do teor de cafeína em
refrigerantes comerciais contendo “cola”
utilizando espectrofotometria UV-vis
ANDRADE, Terezinha J. A. S.; ALVES, Edgar A. Júnior; CIARAMELLA, Graziella M.
Centro Federal de Educação Tecnológica do Piauí
Palavras-chave: Cafeína; Espectrofotometria UV-vis; Refrigerantes.
Fotos: Shutterstock
42
CADERNOS TEMÁTICOS Nº 16 NOV. 2007
da reta proposta de acordo com a lei de Beer. Os resultados mostraram que
a amostra D apresentou maior teor de cafeína – 31,90 mg/ml. Nos rótulos
de todas as marcas não havia indicação do teor de cafeína. Todos os valores
encontrados estavam fora dos valores permitidos pela legislação.
Introdução
Atualmente, tem-se observado no Brasil e no mundo um alto consumo
de refrigerantes. Isso é um motivo de grande preocupação, uma vez que a
escolha por esse tipo de bebida pode ter várias conseqüências sobre a saú-
de do indivíduo. Diferentemente de outros grupos de alimentos isolados, os
refrigerantes têm sofrido a pressão de grandes grupos científicos, comerciais,
industriais e de agências governamentais, talvez por seu envolvimento gigan-
tesco com diferentes faixas etárias e pela enorme diversidade de bebidas dis-
poníveis, apresenta-se o maior volume de vendas em todo o mundo dentro
do campo dos alimentos, e seguramente isto gera uma enorme repercussão
contrária a interesses multinacionais. No entanto, ater-se aos fatos científicos
é a melhor maneira de tentar entender as principais relações entre o consu-
mo de refrigerantes e possíveis repercussões na saúde humana.
Os refrigerantes são classificados como bebidas não alcoólicas gasosas. Eles
consistem, em grande parte, de água com gás misturada com açúcar ou ado-
çante artificial, além de vários aromatizantes naturais ou artificiais e corantes,
traz pouco ou nenhum valor nutritivo. Muitos contêm cafeína, principalmente
aqueles do tipo cola (FISBERG et alii, 2002; ARMENTA et alii, 2005).
O teor de cafeína em refrigerantes não deve exceder o limite de 20
mg/100 ml do produto a ser consumido (FISBERG et alii, 2002). Segun-
do alguns fabricantes, os refrigerantes de cola contêm somente pequenas
quantidades de cafeína como aditivo do sabor do produto, por exemplo,
uma porção de 200 ml de refrigerante à base de cola contém aproximada-
mente 19 mg de cafeína. A grande preocupação é saber o quanto de fato
dessa substância está sendo utilizada no refrigerante.
O Decreto n° 2.314, de 4 de setembro de 1997, regulamenta a Lei n°
8.918, de 14 de julho de 1994, que dispõe sobre a padronização, classifica-
ção, registro, inspeção, produção e fiscalização de bebidas (BRASIL, 1997).
A cafeína é um dos aditivos legalmente permitidos na indústria manufa-
tureira de bebidas, no entanto, parâmetros analíticos são necessários para
assegurar que estão dentro dos valores máximos permitidos e garantir a
saúde dos consumidores (DAGHBOUCHE et alii, 1998).
O regulamento técnico para fixação dos padrões de identidade e qua-
lidade para refrigerantes estabelece, na Portaria nº 544, de 16 de novem-
bro de 1998, que o teor de cafeína máximo permitido é de 20 mg para
cada 100 ml (BRASIL, 1998).
Teresinha de Jesus Aguiar
dos Santos Andrade é
mestranda em Biotecnologia
pela Universidade Luterana
Brasileira do Rio Grande do Sul
(Ulbra) e licenciada em Química
pela Universidade Federal do
Piauí. Atualmente desenvolve
pesquisas na área de toxicidade
de extratos vegetais.
43
ARTIGOS
Cafeína
Cafeína (1,3,7 trimetilxantina) é um alcalóide que pertence à classe de
compostos das xantinas (HORRIGAN et alii, 2006). Segundo a farmacopéia
brasileira, a mesma está incluída entre os excitantes psicomotores, princi-
palmente pela propriedade de estimular a atividade mental (RIESSELMANN
et alii, 1999; ARMENTA et alii, 2005). É encontrada naturalmente em chás,
café, guaraná e outras plantas.
Historicamente, a cafeína tem sido intensivamente objeto de pesqui-
sas, e estudos têm sido conduzidos em várias espécies para se determi-
nar o impacto da cafeína em vários processos bioquímicos e fisiológicos
(HORRIGAN et alii, 2006).
Em humanos, sob condições normais, em doses terapêuticas (100-200
mg), produz leve excitação psíquica, favorecendo o trabalho intelectual,
afastando a sonolência e a sensação de fadiga. No entanto, a ingestão de
grandes quantidades pode provocar problemas à saúde, com vários sin-
tomas desagradáveis, incluindo a irritabilidade, dores de cabeça, insônia,
diarréia e palpitações do coração (RIESSELMANN et alii, 1999; CHAVES
et alii, 2004; HORRIGAN et alii, 2006; SINGH et alii, 2006). A desin-
formação e as contradições existentes a respeito do assunto provocam,
nos consumidores, o desejo de buscar alternativas em bebidas isentas de
cafeína ou com teores reduzidos.
A cafeína que é adicionada aos refrigerantes não tem como objetivo
realçar seu sabor, como alegam os fabricantes, mas provocaria dependência
nos consumidores, que nem sequer conseguem distinguir se a substância
está presente ou não. Assim, poderia estar incluída nas bebidas devido a
suas propriedades aditivas e com o objetivo de incentivar ao consumo.
Espectrofotometria UV-vis
Em bebidas, a cafeína pode ser bem determinada por diferentes técnicas
analíticas, como espectrofotometria UV-vis, potenciometria ou amperiome-
tria e mais freqüentemente usando métodos de separação de cromatografia
líquida de alta eficiência (HPLC) e ainda por espectrometria infravermelho
por transformada de Fourier (FTIR) (ARMENTA et alii, 2005). Neste estudo,
a técnica utilizada para determinar a concentração da cafeína nos refrige-
rantes à base de cola foi a espectrofotometria ultravioleta (UV).
A espectrofotometria na região UV-vis do espectro eletromagnético é uma
das técnicas analíticas mais empregadas, em função da robustez e custo re-
lativamente baixo. Os procedimentos envolvem medidas diretas de espécies
que absorvem radiação e estão fundamentados na lei de Beer-Lambert, pois
a mesma parte do conceito de que quando um feixe de radiação monocro-
mática incide sobre uma solução homogênea, uma parte dessa radiação é
absorvida. A lei de Beer-Lambert descreve que (ROCHA et alii, 2004).
A = a.b.c
A intensidade da radiação absorvida (A) depende do caminho óptico
que a luz percorre dentro da solução (b), da concentração da espécie em
solução e da constante de absortividade desta espécie (a). Para se realizar
uma análise espectrofotométrica, é necessário conhecer o espectro de ab-
sorção da amostra que se quer determinar; isto é feito para definir qual
Figura 1. Estrutura da cafeína
44
CADERNOS TEMÁTICOS Nº 16 NOV. 2007
comprimento de onda de radiação incidente causará o máximo de absor-
ção pela amostra (SK
OOG et alii, 2002).
Devido a erros determinados (pesagem dos reagentes, aferição do me-
nisco, manipulação da bureta etc.) e indeterminados que podem ocorrer em
uma análise, os resultados, para que possam ter significação, devem ser sub-
metidos a um tratamento estatístico e as dispersões dos resultados podem ser
expressas através do desvio padrão (BASSET et alii, 1992). O desvio padrão (s)
é calculado pela expressão ao lado e mede a precisão dos resultados.
Materiais e equipamentos
Na tabela 1 constam os materias e reagentes utilizados neste estudo.
Tabela 1. Materiais utilizados na análise do teor de cafeína
em refrigerantes à base de cola
Materiais Especificações
Balão volumétrico 50 ml
Bureta
50ml
Pipeta graduada 5ml
Pipeta volumétrica 5 ml e 1 ml
Espátula Metálica
Cafeína Padrão de grau farmacêutico
Balança analítica APX-200 max: 200g (±0,1g)
Espectrofotômetro HITACHI mod. U-3000
Cálculo do Desvio Padrão
Amostras
As amostras analisadas constaram de quatro tipos diferentes de re-
frigerantes do tipo cola que possuem em sua composição a cafeína, se-
gundo informação do rótulo. Para melhor identificação, denominou-se
em ordem aleatória de amostras A, B, C e D. Preparam-se as amostras
A, B e D a partir da diluição de 1:50 ml (amostra/água). Mediu-se 1 ml
das amostras (A, B e D) e transferiu-se para o balão volumétrico e com-
pletou-se com água destilada. A amostra C foi preparada a partir de uma
diluição 5:50 ml (amostra/água).
Construção da curva analítica da cafeína padrão
Construiu-se uma curva analítica da cafeína padrão a partir do preparo
de uma solução estoque de 510 mg/l em água destilada e diluição nas se-
guintes concentrações 0,0; 5,1; 10,2; 15,4; 20,6 e 25,5 mg/l e medindo a
absorbância em cada ponto sempre frente ao branco (água destilada).
Resultados e discussão
A amostra de refrigerante possui composição
relativamente conhecida e, portanto, de
fácil maneira para eliminar interfe-
rentes que poderiam vir interferir
na análise de cafeína.
45
ARTIGOS
Tabela 2. Dados obtidos para construção da curva analítica
Concentração da cafeína mg/ml Absorbância
5,1 02565
10,2
0,5179
15,4 0,7776
20,6 1,0275
25,5 1,2855
Figura 3. Curva da cafeína padrão de grau farmacêutico
Espectro eletrônico e curva analítica
Figura 2. Espectro da cafeína padrão em 273,50 nm
A curva de absorbância versus concentração apresentada na figura 3
foi construída com os dados da tabela 2; a boa linearidade observada (r =
0,9999) indica a boa correlação linear entre absorbância e concentração. Foi
obtida a partir de soluções com cinco concentrações diferentes da cafeína, e
medindo-se a absorbância em cada ponto sempre frente a um branco.
O máximo de absorção do alcalóide cafeína ocorre 273,50 nm, bem
como o fato de não existir ombros ou bandas estranhas na vizinhança veri-
ficado pela obtenção do espectro (figura 2) permitiu que fosse usado esse
comprimento de onda na construção da curva analítica (figura 3).
A tabela 2 mostra a absorbância para obtenção da curva analítica.
46
CADERNOS TEMÁTICOS Nº 16 NOV. 2007
Figura 4. Espectros das amostras A, B, C e D de refrigerantes
Tabela 3. Resultados da análise de cafeína nos refrigerantes
Marca Teor de cafeína mg/100ml ± (limites de confiança) s
A 26,38 ±(1,34) 0,54
B
30,26 ± (2,83) 1,14
C 24,73 ± (0,17) 0,07
D 31,96 ± (2,43) 0,98
Os espectros das amostras apresentaram apenas a banda relativa à ca-
feína, não necessitando separação dessa substância para posterior análise
– isso é importante, pois torna a análise mais rápida e minimiza erros ex-
perimentais. Pelos espectros de absorção (figura 4), a amostra D apresenta
maior teor de cafeína que as outras. Para a amostra C, a maior absorbância
que para A e B não significa maior concentração, pois enquanto que para o
preparo da solução de análise para A, B e D foi usado 1 ml do refrigerante,
para a solução C foram usados 5 ml.
Os resultados propriamente ditos para os teores de cafeína encontrados
na análise estão descritos na tabela 3.
Para o cálculo da concentração da cafeína nas amostras de refrige-
rantes, usou-se a equação da reta seguinte proposta de acordo com a
lei de Beer:
Y = interseção + inclinação X , que implica
Y = 0,0028 +0,05014 X; portanto, A = 0,0028 + 0,05014.C
Espectro eletrônico das amostras
47
ARTIGOS
REFERÊNCIAS
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HORRIGAN, .L A., KELLY, J. P., CONNOR, T.J. Immunomodulatory effects of caffeine: Friend
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ROCHA, F. R. P., TEIXEIRA, L. S.G. Estratégias para aumento de sensibilidade em espectrofoto-
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SINGH, D. K. Espectrophotometric determination of caffeine and theophylline in pure alkaloids
and is application in pharmaceutical formulations. Analytical Biochemistry, vol. 349, 2006.
SKOOG, D. A., NIEMAN, T. A.; HOLLER, F. J. Princípios de análise instrumental. 5ª ed. Porto
Alegre: Ed. Bookman, 2002.
O método mostrou-se adequado à análise de cafeína em refrigerantes
do tipo cola, o que pode ser justificado pelos baixos desvios padrões ob-
tidos para as análises, indicando confiabilidade na análise e poucos erros
determinados e/ou indeterminados.
Pode-se observar uma variação nos teores de cafeína nas marcas de
refrigerantes estudadas, sendo que a amostra D é a que apresenta a maior
concentração, porém, todas elas apresentam quantidade de cafeína supe-
rior ao estabelecido pela Anvisa, visto que estes valores encontram-se fora
do intervalo de confiança.
Os rótulos dos refrigerantes não fazem nenhuma referência ao teor de
cafeína encontrado nos mesmos, no entanto, segundo alguns fabricantes, o
objetivo da adição da cafeína em refrigerantes é o de aumentar o sabor ou
paladar, apesar de que quando ingerida em excesso possui vários sintomas
indesejáveis (FISBERG et alii, 2002). Deve-se lembrar que, além dos refri-
gerantes, alguns outros alimentos (chás, café, chocolate etc.) também pos-
suem cafeína em certa quantidade – o cafezinho, por exemplo, (xícara de
50 ml) contém aproximadamente 100 mg de cafeína. Resumindo, a cafeí-
na, quando consumida em doses elevadas, não é considerada segura para
o ser humano. Sugere-se, neste caso, para os consumidores de refrigerantes
à base de cola, um controle paralelo no consumo de alimentos variados a
fim de evitar um consumo excessivo de cafeína.
Conclusão
Todos os valores encontrados de cafeína em mg/100 ml nas amostras
analisadas mostraram-se maiores que o permitido pela legislação, que é 20
mg por 100 ml. A técnica mostrou-se eficaz para análise em questão, o que
pode ser justificado pelos baixos valores dos desvios.
48
CADERNOS TEMÁTICOS Nº 16 NOV. 2007
Afecções ginecológicas evidenciadas
no Papanicolau em uma unidade de
Saúde da Família em João Pessoa
SANTANA, Andrezza P. de; GOMES, Angely C.; MARQUES, Karla J. F.;
ANDRADE, Kátia K. P.; SILVA, Fernanda M. C. da; GOMES, Jeane da S.
Escola Técnica de Saúde da Universidade Federal da Paraíba
Palavras-chave: Afecções Ginecológicas; Mulheres; Papanicolau.
RESUMO
O estudo do tipo exploratório, numa abordagem quantitativa, objetivou iden-
tificar as afecções ginecológicas evidenciadas no Papanicolau em um PSF na
cidade de João Pessoa/PB, desenvolvido em uma Unidade de Saúde da Famí-
lia, onde é desenvolvido o Programa Saúde da Família, no município de João
Pessoa, na Paraíba, bem como o projeto de extensão Prevenindo o câncer de
mama e de colo uterino em uma Unidade Básica de Saúde, desenvolvido por
discentes e docentes da Escola Técnica de Saúde da UFPB. A amostra cons-
tou das fichas de exames citológicos do PSF em tela, realizados entre janeiro
de 2001 e dezembro de 2005. Foram obedecidos os critérios da Resolução
196/96. A coleta dos dados foi realizada nos meses de dezembro de 2005 a
Fotos: Shutterstock
49
ARTIGOS
fevereiro 2006. O instrumento utilizado para a coleta dos dados foi o livro
de registro dos exames do Papanicolau da Unidade de Saúde da Família
em estudo. A amostra constou de 2.579 exames realizados pelo Papanico-
lau no período já descrito. Os resultados demonstraram que a faixa etária
predominante de mulheres encontra-se entre 15 e 25 anos. As afecções
ginecológicas mais destacadas pelo Papanicolau em números foram: ba-
cilos de Dordelein, 882; inflamação, 754; Cocos, 396; Cândida albicans,
338; Gardenerella vaginalis, 81; Trichomonas vaginalis, 17; e Papiloma
Vírus Humano, 9. A conclusão do estudo evidenciou a certeza de que o
exame Papanicolau é extremamente necessário, por ser uma arma para o
rastreamento do câncer de colo uterino, além de favorecer a detecção de
algumas afecções ginecológicas e doenças sexualmente transmissíveis.
Introdução
No Brasil, a atenção à saúde feminina se encontra em fase de mudan-
ças, pois desde a década de 1980 vem se tentando trabalhar na perspectiva
de promoção à saúde da mulher em sua integralidade, seja no ciclo repro-
dutivo ou não. Todavia, apesar do empenho dos programas de saúde, no
tocante ao planejamento familiar, à prevenção de doenças sexualmente
transmissíveis e à prevenção de neoplasias malignas, perdura ainda hoje
uma preocupação mundial relacionada à prevenção do câncer de colo de
útero e de mama, onde o primeiro é a segunda causa de óbito por neopla-
sias malignas no Brasil, conforme a localização primária do tumor, sendo
superado apenas pelo câncer de mama (BRASIL, 1997).
Nesse sentido, os programas de atenção à saúde da mulher têm sido
operacionalizados, inicialmente com o Programa de Assistência Integral à
Saúde da Mulher (PAISM), com o Programa Nacional de Controle do Câncer
do Colo do Útero (PNCCCU) e agora através do Viva Mulher, que engloba
a atenção à mulher no tocante às mamas e aos órgãos genitais, com a rea-
lização do exame clínico das mamas, da orientação para o auto-exame das
mamas e do Papanicolau – este último, apesar de ser específico para o ras-
treamento e detecção precoce do câncer do colo uterino, detecta também
afecções ginecológicas passíveis de tratamento e cura (BRASIL, 2000
a
).
Portanto, enquanto docentes e discentes de um curso profissionalizante
da área de saúde – o Técnico de Enfermagem, na Escola Técnica de Saúde
da UFPB, participando de um projeto de extensão na saúde da mulher in-
titulado: Prevenindo o câncer de mama e de colo uterino em uma Unidade
Básica de Saúde – e inquietas com a problemática desses tipos de cânceres
em mulheres e de afecções ginecológicas evidenciadas nos resultados dos
exames de Papanicolau, as autoras do presente trabalho resolveram desen-
volver uma pesquisa, tentando identificar as principais afecções ginecoló-
gicas evidenciadas no Papanicolau da USF em estudo. Para isso, propôs-se
como objetivo de pesquisa: identificar as afecções ginecológicas evidencia-
das no Papanicolau em um PSF na cidade de João Pessoa.
Metodologia
O estudo foi do tipo exploratório, numa abordagem quantitativa, realiza-
do numa Unidade de Saúde da Família (USF), onde se desenvolve o Progra-
ma de Saúde da Família (PSF), no município de João Pessoa, localizada no
bairro São José, pertencente ao Distrito Sanitário V. A opção por esta unidade
decorreu de diferentes critérios: ser um local onde ocorre o Programa Nacio-
Andrezza Pereira de Santana,
Angely Caldas Gomes, Karla
Janaína Ferreira Marques e
Kátia Karine Pessoa Andrade
são alunas do Curso Técnico
de Enfermagem e integrantes
do projeto de extensão:
Prevenindo o câncer de mama
e colo uterino em uma Unidade
Básica de Saúde.
Fernanda Maria Chianca da
Silva é enfermeira. Mestre
em Enfermagem. Professora
da Escola Técnica de
Saúde da UFPB/Orientadora
Coordenadora do projeto de
extensão: Prevenindo o câncer
de mama e colo uterino em
uma Unidade Básica de Saúde.
Jeane da Silva Gomes é
enfermeira. Professora da
Escola Técnica de Saúde
da Universidade Federal da
Paraíba (UFPB) – Coordenadora
do Curso Técnico de
Enfermagem da Escola Técnica
de Saúde da UFPB.
50
CADERNOS TEMÁTICOS Nº 16 NOV. 2007
nal de Controle do Câncer de Colo do Útero e de Mama (PNCCCUM) e ser
sede do projeto de extensão P
revenindo o câncer de mama e de colo uterino
em uma Unidade Básica de Saúde, o qual atualmente está sendo executado
por discentes e docentes da Escola Técnica de Saúde da UFPB.
A amostra foi composta por todas as fichas de exames citológicos da
Unidade de Saúde da Família em análise, realizados no período de janei-
ro de 2001 a dezembro de 2005. É oportuno relatar que toda a pesquisa
obedeceu às considerações éticas preconizadas pela Resolução n
o
196, de
10 de outubro de 1996, da Comissão Nacional de Ética e Pesquisa (Conep)
(BRASIL, 1996). Os dados foram coletados no período de dezembro de
2005 a fevereiro de 2006.
O instrumento utilizado para a coleta dos dados foi o livro de registro
dos resultados dos exames de Papanicolau, da Unidade de Saúde da Famí-
lia em estudo. Os resultados foram analisados quantitativamente.
Resultados e discussão
O presente estudo foi realizado a partir do levantamento dos dados epi-
demiológicos contidos nos resultados dos exames de citologia oncótica para
câncer de colo uterino, habitualmente chamado de Papanicolau, exame de
lâmina, ou simplesmente citológico. Deve-se orientar e incentivar a mulher
para a realização periódica desse exame, a fim de prevenir essa neoplasia,
bem como tratar algumas afecções que podem ser detectadas através dele,
pois quando o câncer do colo do útero é diagnosticado em sua fase inicial,
permite grandes probabilidades de cura.
No que diz respeito às características das mulheres alvo da pesquisa,
essas residem em uma comunidade de periferia, localizada na zona leste
da cidade de João Pessoa, numa várzea entre uma barreira e o rio Jagua-
ribe, denominada bairro São José, anteriormente conhecida como Favela
Beira Rio. Elas apresentam, na sua maioria, baixo nível de escolaridade,
tendo o trabalho de doméstica e o informal como sua principal fonte de
renda. Essa comunidade é composta por famílias com baixo poder socio-
econômico, sendo considerada uma área de risco para a criminalidade
e prostituição, onde a vida sexual é iniciada muito cedo, trazendo como
conseqüência a gravidez precoce e indesejada, assim como as doenças
sexualmente transmissíveis (DSTs). Apresenta aproximadamente 7.350
habitantes, com cerca de 1.971 residências, distribuídas entre casas, quar-
tinhos e barracos (SILVA, 2002).
O primeiro PNCCCU nessa comunidade foi implantado na Unidade Bá-
sica de Saúde (UBS) Beira Rio I do referido bairro, em julho de 2000, hoje
Unidade de Saúde da Família, onde era comum observar mulheres que não
realizavam o exame Papanicolau ou o tinham feito num período superior a
1 ano. A partir de janeiro de 2001, foi dada continuidade ao projeto acima
citado, e esse exame passou a ser realizado com regularidade nas mulhe-
res dessa comunidade. Hoje, essa comunidade é contemplada com quatro
Unidades de Saúde da Família, desenvolvendo o Programa de Saúde da
Família. Foi possível também detectar no estudo que a faixa etária com
maior predominância de afecções ginecológicas concentrou-se entre 15 e
25 anos. Este fato é atribuído ao início precoce de suas atividades sexuais e
da reprodução humana.
As afecções ginecológicas encontradas geralmente são denominadas
de vulvo-vaginites e se constituem em uma das formas de morbidade que
51
ARTIGOS
Os bacilos de Dordelein foram observados em 34,20% dos resulta-
dos dos exames. Esse microorganismo normalmente está presente na flo-
ra vaginal, devido ao tecido epitelial vaginal ser rico em glicogênio e a
população bacteriana ser composta predominantemente de lactobacilos,
os quais são identificados por bacilos de Dordelein, estes “utilizam o gli-
cogênio ou os produtos de sua hidrólise e produzem o ácido lático, o PH
do conteúdo vaginal tende então a diminuir com valores em torno de 4,5,
tornando a vagina inóspita para algumas espécies bacterianas” (GHIONE;
PALO, [199-], p.17-18).
Todavia, quando esses microorganismos aparecem nos resultados dos
exames Papanicolau, atribui-se que houve um aumento da sua prolife-
ração, ou seja, do conteúdo de glicogênio nas células vaginais e, con-
seqüentemente, um aumento do PH, que de ácido passa para alcalino,
podendo ser conferido a vários fatores, como ciclo menstrual, estresse
mecânico e químico no ambiente vaginal durante e após o coito, gravi-
dez, contaminações das regiões anal e perianal e, sendo de origem fecal,
são provavelmente suficientes para causar uma alteração na microflora
vaginal. Desse modo, esses bacilos podem associar-se a outras espécies
bacterianas (GHIONE; PALO, 199-).
Os cocos apresentaram um percentual de 15,35%. Este microorganis-
mo também é uma bactéria, mas são células com formato esférico que,
quando agrupadas aos pares, recebem o nome de diplococos. Quando
Gráfico 1. Distribuição dos microorganismos evidenciados
nos resultados dos exames de Papanicolau das mulheres
do grupo de estudo (João Pessoa, 2006)
*Utilizou-se o total de exames para o cálculo, independente da quantidade de afecções
encontradas, ou seja, 2.579 exames.
acometem as mulheres, com o aparecimento de leucorréia, caracterizada
por corrimento de aspecto leitoso, seroso ou purulento, de acordo com a
etiologia, apresentando também como outras sintomatologias o prurido,
o ardor e o aumento da sensibilidade vulvar, tendo geralmente como mi-
croorganismos causadores das afecções as bactérias, os protozoários e os
fungos, destacando-se entre eles a Gardenerella vaginalis, a Trichomonas
vaginalis e a Cândida albicans (CORREIA; McAULIFFE,1999).
No gráfico 1 apresenta-se a distribuição das afecções mais incidentes
nos resultados dos exames Papanicolau.
52
CADERNOS TEMÁTICOS Nº 16 NOV. 2007
o agrupamento constitui uma cadeia de cocos, esses são denominados
estreptococos; cocos em grupos irregulares, lembrando cachos de uva,
recebem a designação de estafilococos. Esse microorganismo é caracteri-
zado por ser um germe piogênico, aeróbio e anaeróbio, de fácil transmis-
sibilidade (MURAY et alii, 2000).
A Cândida albicans evidenciou-se em 13,10% dos resultados. É o
fungo causador da candidíase, a mais freqüente infecção fúngica opor-
tunista. Tem seu habitat na flora vaginal normal, porém, há pré-fatores
que podem alterar o meio vaginal, como obesidade, diabetes mellitus,
hipoparatireoidismo, antibioticoterapia, gravidez, corticosteróides, o uso
de anticoncepcional oral, uso de altas doses de progestênicos, imunossu-
pressores, anovulatórios. No entanto, quando não se pode atribuir essa
alteração aos fatores predisponentes, relaciona-se ao ato sexual, tendo
como sintomatologia a leucorréia esbranquiçada, com aspecto de leite
coalhado, prurido vaginal, dispaneuria e hiperemia vulvar (CARVALHO,
1996; SMELTZER; BARE, 2002).
A Gardenerella vaginalis esteve presente em 3,14% dos resultados dos
exames, sendo, portanto, uma bactéria do tipo bastonete, que faz parte da
flora vaginal normal de grande parte das mulheres sexualmente ativas (em
torno de 20% a 80%). Quando há um desequilíbrio da microbiota vaginal,
ocorre um predomínio dessa bactéria, às vezes, até mesmo em associação
com outros microorganismos, fazendo com que essas mulheres passem a
apresentar um quadro de vaginose bacteriana, ou seja, desequilíbrio micro-
biótico da floral vaginal normal, caracterizando-se por odor fétido na vagi-
na, que as mulheres descrevem como sendo semelhante ao odor de peixe
podre, geralmente acompanhado por secreção mais intensa que a normal,
sendo notada em particular após o ato sexual (SMELTZER; BARE, 2002).
No tocante ao microorganismo Trichomonas vaginalis, por sua vez, foi
observado em 0,66% dos resultados. Constitui-se de um protozoário flage-
lado, tendo como reservatório a vagina e a uretra, sendo considerada uma
vaginite sexualmente transmitida. Acomete homens e mulheres, sendo mais
comum e freqüente no sexo feminino e está relacionada com a falta de
higiene corporal. No homem, a sintomatologia é mais discreta e por vezes
despercebida. “O homem pode ser um portador assintomático, que abriga
o microorganismo em seu trato urogenital e transmite a infecção para sua
parceira” (SMELTZER; BARE, 2002, p. 1072-1073). Os homens, quando
apresentam sintomas, é corrimento uretral, geralmente pela manhã, antes
da primeira micção, bem como irritação da uretra e prurido no pênis. Po-
rém, nas mulheres, os sintomas são bem mais perceptíveis e manifestam-se
por corrimento abundante de cor amarelo esverdeado, às vezes, espuman-
te e com mau cheiro; prurido ou irritação vulvar; dificuldade na micção e
dor no ato sexual (CARVALHO, 1996).
O Papiloma Vírus Humano (HPV) esteve presente em 0,35% dos resulta-
dos, com um total de nove exames. É uma doença sexualmente transmissí-
vel, tendo relação com o desenvolvimento de neoplasia intraepitelial cervi-
cal (NIC) e do câncer invasor do colo uterino. Essa DST é caracterizada pela
formação de verrugas no períneo, conhecidas popularmente como crista de
galo ou jacaré, que podem se espalhar e atingir outros órgãos, como colo
do útero e ânus. A transmissão do vírus se dá, sobretudo, na relação sexual.
É importante salientar que no homem o HPV ou condiloma acuminado é
apenas uma lesão esteticamente feia, mas na mulher é precursora do cân-
cer de colo de útero, doença grave. Portanto, tratar o homem é prevenir
uma complicação séria para a mulher (BRASIL, 2000
b
).
53
ARTIGOS
A tabela 1 aponta dados quantitativos comparativos dos exames Papa-
nicolau realizados no período de 2001 a 2005, na Unidade de Saúde da
Família em estudo, no que concerne às principais afecções ginecológicas
evidenciadas.
No ano de 2001, percebe-se um número elevado de Cândida albicans,
Gardenerella vaginalis e Trichomonas vaginalis, em detrimento aos demais
anos. Atribui-se esses dados ao início do projeto de extensão Prevenindo o
câncer de mama e de colo do útero em uma Unidade Básica de Saúde na
USF do bairro São José, bem como à adesão dessas mulheres ao tratamen-
to e ao retorno para a realização do exame citológico, geralmente anu-
almente. Porém, a Cândida albicans apresentou números relativamente
semelhantes nos anos de 2002 (59 casos) e 2005 (56 casos). Imputam-se
esses números talvez ao fato de ser um fungo oportunista e ter seu habitat
na flora vaginal, pelos fatores predisponentes, ou também à conjuntura
vivenciada pelas mulheres da comunidade, que iniciaram sua vida sexual
precocemente, e à questão de algumas delas haverem relatado que o
companheiro não se trata quando é orientado, mesmo sendo o tratamen-
to geralmente indicado para o casal.
No ano de 2003, destacou-se o diagnóstico de HPV em número de 8,
apesar dos demais anos haver ocorrido um declínio dessa doença sexual-
mente transmissível. Esse número é preocupante pelo fato do HPV ocupar
o terceiro lugar nas DSTs, que 85% das mulheres sexualmente ativas no
Brasil são contaminadas pelo vírus e esse ser um dos precursores do câncer
de colo uterino (SILVA apud ALVES, 2002).
Em 2004, observa-se um número elevado (124) de cocos persistentes
nos resultados dos exames, dado significante, além de outras afecções gi-
necológicas. A presença do cocos talvez possa ser caracterizada por ser um
germe de fácil transmissão e à higiene genital deficiente dessas mulheres,
que tendem a facilitar o avanço do processo.
É valido salientar que a inflamação vulvar esteve presente em 31,8%
dos resultados dos exames, caracterizando um processo inflamatório do
trato genital inferior feminino, sendo considerado um dos problemas gi-
Tabela 1. Distribuição dos principais microorganismos evidenciados pelo
Papanicolau anualmente, no período de 2001-2005 (João Pessoa, 2006)
Microorganismo 2001 2001 2002 2002 2003 2003 2004 2004 2005 2005 Total Total
Bacilos de
Dordelein
171 40,14% 247 62,69% 190 56,55% 142 45,37% 132 51,97% 882 51,19%
Cocos 51 11,97% 61 15,48% 99 29,46% 124 39,62% 61 24,01% 396 22,98%
Cândida
albicans
161 37,79% 59 14,97% 28 8,33% 34 10,86% 56 22,05% 338 19,62%
Gardenerella
vaginalis
36 8,45% 21 5,33% 10 2,98% 9 2,87% 5 1,97% 81 4,70%
Trichomonas
vaginalis
7 1,64% 6 1,52% 1 0,30% 3 0,96% 0 0% 17 0,99%
HPV 0 0% 0 0% 8 2,38% 1 0,32% 0 0% 9 0,52%
TOTAL 426
394 336 313 254 1723
54
CADERNOS TEMÁTICOS Nº 16 NOV. 2007
necológicos mais comuns entre as mulheres de diferentes faixas etárias.
Existem alguns fatores de risco que predispõem o aparecimento dessa
inflamação: multiplicidade de parceiros, uso de anticoncepcional oral,
ducha vaginal, alterações anatômicas, alterações da flora intestinal, uso
inadequado de antibióticos e gravidez. Entretanto, também podem ser
atribuídas a isso a falta de regularidade do exame Papanicolau e a ausên-
cia da higiene genital, tanto depois das eliminações fisiológicas quanto
antes e após o ato sexual (CARVALHO, 1996).
Apesar da baixa incidência, foi também constatada nos resultados dos
exames a presença de 46 casos de metaplasia; 3 casos de neoplasia intrae-
pitelial cervical (NIC) e 3 casos de carcinoma invasor. A metaplasia consti-
tui-se na diferenciação de um tecido em outro.
No que se refere às lesões malignas de alto grau ou nível alto, en-
contram-se o carcinoma invasor, adenoma in situ, NIC II e NIC III; de
baixo grau ou nível baixo, NIC I; e nas alterações pré-cancerígenas estão
o papiloma vírus humano, alterações celulares de significados indeter-
minados (ASCUS) e alterações glanulares de significado indeterminado
(AGUS), essas últimas também denominadas de atipia de significado in-
determinado (SILVA, 2002).
No início do projeto, no ano de 2001, foi confirmado um caso de NIC
II. Logo após o diagnóstico, a usuária foi encaminhada para um serviço
mais especializado, de referência para realização de exames, bem como
um tratamento mais específico e adequado. Apesar da luta constante dos
agentes comunitários de saúde em mostrar a importância do tratamento e
incentivá-la para a sua realização, a usuária recusou o tratamento, pois não
acreditou no seu resultado favorável e tampouco no programa da Unidade
Básica de Saúde, gerando uma evolução rápida da doença. Três anos após
a confirmação do carcinoma ela veio a óbito.
55
ARTIGOS
Considerações finais
O estudo em questão preocupou-se
em detectar as principais afecções do
trato genital inferior feminino, detecta-
das através do Papanicolau, incentivando
assim a mulher na realização deste tipo
de exame, assim como a prevenção do
câncer cérvico-uterino.
Deve-se ressaltar a importância dos
profissionais da Unidade de Saúde da Fa-
mília e dos programas desenvolvidos no
âmbito da promoção da saúde e preven-
ção de agravos da comunidade assistida.
Dessa forma, acredita-se que é de grande
importância a continuidade das ações su-
geridas anteriormente:
1. realização de palestras e eventos
educativos com as usuárias;
2. orientação quanto à importância do uso do preservativo, quando
necessário, e a importância da higiene genital;
3. incentivo à mulher para a realização do exame ginecológico com
regularidade, para detecção de afecções ginecológicas e doenças se-
xualmente transmissíveis e prevenção do câncer cérvico- uterino;
4. aconselhamento à mulher quanto a não usar com freqüência roupas
apertadas e, se possível, dar preferência a roupas íntimas de algodão; e
5. estímulo a mulheres quanto a procurar a USF quando apresentar
alguma alteração vulvo-vaginal.
Assim, espera-se haver contribuído cada vez mais para uma melhora na
qualidade de vida dessas mulheres.
REFERÊNCIAS
BRASIL. Ministério da Saúde. Conselho Nacional de Saúde. Comissão Nacional de Ética e pesquisa
– Conep. Resolução nº 196/96 sobre pesquisa envolvendo seres humanos. Brasília, 1996.
BRASIL, Ministério da Saúde. Instituto Nacional do Câncer. Coordenação de Programas de
Controle de Câncer – Pro-Onco. O problema do câncer no Brasil. 4ª ed. Rio de Janeiro:
MS/INCA, 1997.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria Nacional de Assistência à Saúde. Instituto Nacional de
Controle do Tabagismo, Prevenção e Vigilância do Câncer (Conprev). Falando sobre o câncer
de colo do útero. Rio de Janeiro: MS, INCA, 2000
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BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Políticas de Saúde. Doenças Sexualmente Trans-
missíveis: Manual de bolso. Brasília: DF, 2000
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CARVALHO, G. M. de. Enfermagem em ginecologia. São Paulo: EPU, 1996.
CORREIA, Luciano L.; McAULIFFE, JAY F. Saúde materno-infantil. In: ROUQUAYROL, Maria
Zélia. Epidemiologia & saúde. 4ª ed. Rio de Janeiro: MEDSI, 1999.
GHIONE, M.; PALO, G. de. Ecossistema microbiológico vaginal. In: ___________. Colposco-
pia e patologia do trato genital inferior. [s.l. s.n], [199-].
SILVA, Fernanda M. C. da S. Prevenção do câncer cérvico uterino em uma Unidade Básica de
Saúde: estratégias para atuação de enfermagem. 2002. 121 f. Dissertação (Mestrado em Enfer-
magem). Centro de Ciências da Saúde. Universidade Federal da Paraíba. João Pessoa, 2002.
SMELTZER, S. C.; BARE, B. G. Brunner/Suddarth tratado de enfermagem médico-cirúrgica.
9ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002.
56
CADERNOS TEMÁTICOS Nº 16 NOV. 2007
Identificação de sujidades em
pimenta-do-reino e corante em pó
SILVA, Janaina S. M. e; MARINHO, Jucianne A.; DIAS, Cristina Z. de M. C.
Centro Federal de Educação Tecnológica do Piauí
Palavras-chave: Sujidades; Condimentos; Tamisação.
RESUMO
O objetivo deste trabalho consiste detectar a presença de sujidades e
materiais estranhos nos condimentos através do método de peneiração
em tamis, auxiliado pela observação em estereoscópio. Para isso, foram
adquiridas amostras de pimenta-do-reino em pó e de corante de uru-
cum em pó, comercializadas a granel na Ceasa, localizada na cidade de
Teresina/PI. De cada ponto-de-venda, coletou-se uma amostra de 50g
dos condimentos, totalizando 20 amostras, sendo 10 de pimenta-do-
reino e 10 de corante de urucum. Na tamisação, utilizou-se apenas três
tamises de diferentes aberturas (16, 24 e 35 mesh). Obtiveram-se três
frações de cada amostra, sendo transferidas para placas de petri e assim
observadas em microscópio estereoscópio. Concluiu-se que 20% das
amostras de pimenta-do-reino e 10% de corante de urucum apresenta-
ram insetos oriundos do campo e/ou armazenamento. E, apesar disso,
Fotos: Janaina Shamia M. e Silva e Cristina Zita
Pimenta-do-reino em pó e de corante de urucum são comercializadas a granel na Ceasa na cidade de Teresina/PI
Shutterstock
57
ARTIGOS
Janaina Shamia M. e Silva, Cristina
Zita de M. C. Dias e Jucianne A.
Marinho são graduandas do Curso
de Tecnologia em Alimentos do
Cefet/PI.
estão de acordo com a atual legislação RDC nº 175, por não serem con-
siderados prejudiciais à saúde. De acordo com a mesma Resolução, 20%
das amostras de pimenta-do-reino são consideradas impróprias ao con-
sumo por conter pêlos de roedor, evidenciando o contato do alimento
com roedores que são nocivos à saúde humana.
Introdução
Os condimentos são substâncias sápidas, de origem natural, com ou
sem valor nutritivo, empregados nos alimentos com o fim de modificar ou
exaltar o seu sabor. Essas substâncias deverão ser puras, sãs e limpas, além
de corresponderem às suas características botânicas normais (GRACIANO
et alii, 2006).
As especiarias, sendo cultivadas em regiões tropicais e subtropicais
submetidas a variações climáticas e secas de modo artesanal, estão mais
sujeitas à contaminação por microrganismos e insetos (GERMANO,
1998). Esses últimos, por sua vez, favorecem o crescimento de fungos
através de sua atividade metabólica, que aumenta o teor de umidade e
temperatura do meio, existindo, assim, uma associação entre insetos e
fungos, onde um fornece condições para o desenvolvimento do outro
(LAZZARI, 1997).
A pimenta-do-reino é o fruto obtido da planta trepadeira Piper nigrum
L. O fruto é do tipo baga com uma só semente; cada pedúnculo comum
suporta de 20 a 30 frutos, a princípio verdes, que depois se tornam ver-
melhos e, enfim, amarelos, quando completamente maduros; como são
colhidos antes da completa maturidade, tornam-se cinza enegrecido pela
dessecação; são então esféricos, de superfície rugosa, odor sui generis e
sabor picante (BEUX, 1997).
O Brasil é um dos maiores produtores de pimenta-do-reino, oscilan-
do entre a segunda e terceira posição no mercado mundial. Das 50 mil
toneladas por ano, o país exporta 45 mil, principalmente para a Europa e
para os Estados Unidos. As variedades mais recomendadas são: Cingapura,
Bragantina e Guajarina [1].
O urucum é o fruto obtido do arbusto Bixa orellana L. O fruto consiste
em uma cápsula grande, pardacenta, vermelho ou roxa escura, revesti-
da de espinhos moles contendo numerosas sementes (BEUX, 1997). O
corante do urucum é extraído a partir do pericarpo da semente da Bixa
orellana L., constituída de fina camada resinosa, possui coloração verme-
lho-alaranjado e corresponde, aproximadamente, a 4% do grão integral.
Esse corante apresenta-se convencionalmente de duas formas: a bixina
lipossolúvel e a norbixina, que é hidrossolúvel. A bixina é o principal co-
rante dessa bixaceae, pertence à classe dos carotenóides e está presente
na semente entre 70 a 80%, sendo o restante um pigmento ainda não
caracterizado, de cor amarela, em pequenas quantidades, cujas estrutu-
ras estão relacionadas com a bixina, incluindo a norbixina (LIMA et alii,
2001; OLIVEIRA et alii, 2003; TOLEDO et alii, 2004).
58
CADERNOS TEMÁTICOS Nº 16 NOV. 2007
O corante de urucum é utilizado na
culinária como condimento e também
colorante, emprega-se sob a forma de
pó obtido por trituração das sementes,
usualmente misturadas a certo teor de
outros grãos também triturados, devi-
do ao arilo que envolve as sementes,
que fornece matéria corante vermelha
característica. É apreciado pela quase
ausência de sabor e por não apresen-
tar os efeitos prejudiciais dos corantes
artificiais [2].
O uso dos condimentos estimulou a
sua importação e estes podem chegar ao
consumidor com baixa qualidade, cau-
sada pela perda de seus óleos essenciais
voláteis, pela contaminação por micror-
ganismos ou pela infestação por insetos.
Como são oriundos de diversos órgãos
vegetais, colhidos em regiões tropicais
e subtropicais, submetidos a variações
climáticas e secos de modo artesanal, estão sujeitos à fermentação e/ou à
proliferação de microrganismos (GERMANO, 1998).
As condições sanitárias das plantações influem nos níveis de contamina-
ção, assim como os cuidados com a colheita. Por outro lado, o armazena-
mento em galpões velhos, úmidos, mal ventilados e com paredes cobertas
de bolor propicia a multiplicação das espécies contaminantes e/ou a in-
vasão por novas espécies a partir do ambiente. A perda de qualidade das
especiarias traduz-se por diminuição das propriedades sensoriais: cor, odor
e sabor (GERMANO, 1998).
Materiais de diferentes diâmetros e de graus de divisão podem ser sepa-
rados com bastante facilidade, utilizando-se, para este fim, um conjunto de
tamises (peneiras). Este processo de separação permite evidenciar com mais
facilidade a presença de insetos, larvas, ovos, excrementos de roedores e
outras sujidades. Auxilia, também, a evidenciar certas fraudes.
Sendo assim, o objetivo deste trabalho é detectar a presença de sujida-
des e materiais estranhos nos condimentos através do método de peneira-
ção em tamis, auxiliado pela observação em estereoscópio.
Materiais e métodos
No mês de junho de 2007, foram adquiridas amostras de pimenta-do-
reino em pó e de corante de urucum em pó, comercializadas a granel na
Ceasa, localizada na cidade de Teresina/PI. De cada ponto-de-venda, co-
letou-se uma amostra de 50g dos condimentos, totalizando 20 amostras,
sendo 10 de pimenta-do-reino e 10 de corante de urucum.
As amostras dos condimentos em estudo foram analisadas no Laborató-
rio de Saneamento do Centro Federal de Educação Tecnológica do Piauí.
Para análise e identificação de sujidades e materiais estranhos, realizou-
se o método de tamisação, utilizando-se apenas três tamises de diferentes
aberturas (16, 24 e 35 mesh). Obtiveram-se três frações de cada amostra,
sendo transferidas para placas de petri e assim observadas em microscópio
estereoscópio. Os resultados das observações foram anotados.
Condições sanitárias, cuidados com a colheita e
armazenamento influem nos níveis de contaminação
59
ARTIGOS
Resultados e discussão
Os resultados obtidos para as amostras de pimenta-do-reino em pó e
corante de urucum em pó estão descritas na tabela abaixo:
Tabela 1. Número e porcentagem de amostras com presença
de sujidades e materiais estranhos em 10 amostras de
pimenta-do-reino em pó e 10 de corante de urucum em pó
Presença Número (N) Porcentagem (%)
Pimenta-do-reino
F
ragmentos de planta 10 100
Pedaços de grãos de milho 1 10
Grãos de farinha de mandioca 1 10
Erva-doce 1 10
Alpiste 1 10
Insetos 220
Pêlos de roedor 2 20
Fios de cabelo 1 10
Outras sujidades 880
Corante de urucum
“Pedras” de sal 2 20
Erva-doce 1 10
Insetos 110
Fragmentos de inseto 1 10
Outras sujidades 10 100
De acordo com a tabela, observa-se que em todas as amostras de pi-
menta-do-reino analisadas foram encontrados fragmentos de planta. Es-
tes são naturalmente retirados juntamente com os grãos do condimento
durante a colheita. Isso evidencia que nos locais de beneficiamento deste
condimento não é realizada a etapa de seleção, que consiste na eliminação
destes fragmentos vegetais antes da moagem dos grãos.
Observa-se que em apenas uma amostra (10%) de pimenta-do-reino fo-
ram encontrados pedaços de grãos de milho, grãos de farinha de mandioca,
erva-doce e alpiste. Este dado é aceitável pela forma de comercialização do
produto, que é exposta e com outros produtos também vendidos no esta-
belecimento. E os fios de cabelo encontrados em uma amostra dão indício
de que não são aplicadas as boas práticas de fabricação e/ou de manipula-
ção deste produto durante a venda.
Detectou-se que apenas duas (20%) amostras de pimenta-do-reino
continham insetos, ou de campo ou de armazenamento, indicando as-
sim uma baixa incidência deste tipo de sujidade leve na pimenta-do-
reino. Os insetos encontrados foram identificados como sendo Sitophi-
60
CADERNOS TEMÁTICOS Nº 16 NOV. 2007
lus zeamais e Lophocateres.pusillus, pertencentes à ordem Coleóptera.
Embora esses tipos de insetos não causem nenhum dano à saúde do
consumidor, os locais onde esses produtos são fabricados devem ser
adequados segundo a legislação de boas práticas de fabricação, consi-
derando ainda o padrão de identidade e qualidade do produto (D.O.U.,
1997). Além disso, os comerciantes dos pontos-de-venda deste produto
na Ceasa devem adotar medidas de proteção contra insetos, já que estes
condimentos ficam expostos para a venda. Como alternativa, pode-se
cobrir com tampa removível os recipientes em que estes condimentos
ficam acondicionados.
Esse tipo de contaminação, embora inócua à saúde, não é perceptível
pelo consumidor que adquire o produto e não consegue reconhecer sua
qualidade. Geralmente, existem dois problemas principais na associação
entre o consumo dos artrópodos versus doença. O primeiro é a diversidade
do alimento e dos insetos e o segundo é a falta de pesquisas e dados dispo-
níveis na área (GRACIANO et alii, 2006).
Observa-se também que duas (20%) amostras estavam contaminadas
com pêlos de roedor. Estes podem estar presentes nos alimentos e sua iden-
tificação é importante, pois são indicadores de contaminação acidental ou
fecal. Os ratos e camundongos têm o hábito de lamber-se, ocasião na qual,
engolem os pêlos que resistem à digestão e são eliminados nos excremen-
tos, portanto, o achado de pêlos nos alimentos pode indicar a presença de
bactérias fecais (GRACIANO et alii, 2006).
Os roedores constituem sérios problemas em todas as fases de pro-
cessamento, produção e armazenamento de gêneros alimentícios. Além
das perdas de alimento devidas ao consumo por estes animais, ocorre a
contaminação pela presença de seus pêlos, fezes e/ou urina. Os roedores
são transmissores em potencial de uma série de doenças, entre elas a
leptospirose, causada por diversos sorotipos de Leptospira interogans, que
se alojam nos rins desses animais e são continuamente eliminadas pela
urina. Quando depositadas na água, ou em superfícies para o preparo
de alimentos que estejam úmidas, as leptospiras têm chance de sobre-
viver durante um tempo suficientemente
longo para serem infectantes. Existem ou-
tras doenças transmitidas por roedores e/ou
através de seus excrementos e urina, como
salmoneloses, peste (bubônica, pneumôni-
ca, septicêmica) e viroses, entre outras (ibi-
dem). Assim, de acordo com a Resolução
RDC nº 175, 20% das amostras de pimen-
ta-do-reino são consideradas impróprias ao
consumo humano por apresentar pêlos de
roedor (D. O. U., 2003).
Com relação ao corante de urucum, ob-
serva-se que em duas amostras (20%) foram
encontradas “pedras” de sal, evidenciando
fraude, pois nos estabelecimentos em que
este produto foi coletado não era também
comercializado sal. E a erva-doce encontra-
da em pequena quantidade em uma amos-
tra (10%) pode ser explicada pela forma de
comercialização deste produto, que tam-
bém é exposta e com outros produtos.
Comerciantes não adotam medidas de
proteção contra insetos, na Ceasa
61
ARTIGOS
REFERÊNCIAS
BEUX, Márcia Regina. Atlas de microscopia alimentar: identificação de elementos histoló-
gicos vegetais. 1ª ed. São Paulo: Livraria Varela, 1997.
Brasil. Portaria SVS/MS nº 326, de 30 de julho de 1997. Regulamenta as Condições Higiê-
nico-Sanitárias e de Boas Práticas de Fabricação para Estabelecimentos Produtores/Industria-
lizadores de Alimentos. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 1 de agosto de 1997. Seção I.
Disponível em: http://www.anvisa.gov.br/legis/resol/1997/rdc/326_03rdc.htm.
Brasil. Resolução RDC nº 175, de 8 de julho de 2003. ANVISA. Aprova o Regulamento Técni-
co de Avaliação de Matérias Macroscópicas e Microscópicas Prejudiciais à Saúde Humana em
Alimentos Embalados. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 2003. Disponível em: http://www.
anvisa.gov.br/legis/resol/2003/rdc/175_03rdc.htm.
GERMANO, P. M. L.; GERMANO, M. I. S. Importância e risco das especiarias. Hig. Alim. 1998.
GRACIANO, R. A. S. et alii. Avaliação das condições higiênico-sanitárias de cominho e
pimenta-do-reino em pó comercializados em cidades do estado de São Paulo, Brasil, me-
diante a presença de matérias estranhas. Rev. Inst Adolfo Lutz, 2006.
LAZZARI, F. A. Umidade, fungos e micotoxinas na qualidade de sementes, grãos e rações.
2ª ed. Curitiba: Editora do Autor, 1997.
LIMA, L. R. P., OLIVEIRA. T. T.; NAGEM, T. J.; PINTO, A. S.; STRINGHETA, P. C., TINOCO, A.
L. A.; SILVA, J. F. Bixina, norbixina, quercetina e seus efeitos no metabolismo lipídico de
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OLIVEIRA, A. C. A. X. de; SILVA, I. B.; MANHÀES-ROCHA, D. A.; PAUMGARTTEN, J. R. Induction
of liver monooxigenases by anatto and bixin in females rats. Braz. J. Med. Biol. Res, 2003.
TOLEDO, T. O., et alii. Propriedades biológicas de los tintes naturales. Ars Pharmaceutica, 2004.
[1] Disponível em: http://www.ceplac.gov.br/radar/pimentadoreino.htm. Acesso em: 5 de
julho de 2007.
[2] Disponível em: http://www.pt.wikipedia.org/wiki/urucum. Acesso em: 5 de julho de 2007.
De acordo com a tabela, verifica-se que em uma
amostra (10%) de corante de urucum foi encontrado um
inseto e um fragmento de isento (asa). Estes foram poste-
riormente identificados como sendo da mesma amostra.
O inseto foi identificado como sendo Theocolax elegans,
pertencente à ordem Hymenoptera. A asa é do mesmo
tipo de inseto.
Tanto os insetos encontrados na pimenta-do-reino
como o do corante, não são nocivos à saúde por não
pertencerem às ordens Blattodea e Diptera, que são
considerados vetores mecânicos (D. O. U., 2003).
Considerações finais
De acordo com os resultados obtidos no presente
trabalho, podemos concluir que 20% das amostras de
pimenta-do-reino e 10% de corante de urucum apre-
sentaram insetos oriundos do campo e/ou armazena-
mento. E, apesar disso, estão de acordo com a atual
legislação RDC nº 175 por não serem considerados pre-
judiciais à saúde. De acordo com a mesma Resolução,
20% das amostras de pimenta-do-reino são considera-
das impróprias ao consumo por conter pêlos de roedor,
evidenciando o contato do alimento com roedores que
são nocivos à saúde humana.
62
CADERNOS TEMÁTICOS Nº 16 NOV. 2007
Saneamento e saúde: gerenciamento
de resíduos em um hospital
MARTINS, Edison L. C.; SÁ, Jocelito S.
Centro Federal de Educação Tecnológica de Pelotas/RS
Palavras-chave: Saneamento; Saúde Pública; Gestão Ambiental.
RESUMO
O trabalho busca contribuir no aprofundamento da discussão do saneamento e
saúde e tem como objetivo ser mais um instrumento orientador de gestão am-
biental para as instituições de saúde, preparando-as e adequando-as à legislação
sanitária e ambiental vigente e ajudando a difundir instrumentos de aprendizado
e ensino técnico para a gestão de resíduos sólidos de serviço de saúde. A insti-
tuição escolhida para realização dos levantamentos e pesquisa foi um hospital
particular, localizado no município de Pelotas/RS. O diagnóstico e o Programa de
Gestão de Resíduos dos Serviços de Saúde (PGRSS) desenvolvidos ressaltam que
a organização do sistema de gerenciamento interno dos resíduos deve ser uma
atividade programada dentro do processo administrativo do serviço de saúde,
devido à sua importância em relação ao fator de risco na cadeia de infecção
hospitalar, em relação aos aspectos ambientais e ocupacionais. Conclui-se que
a adoção de princípios da não geração de passivos ambientais e a minimização
destes é fundamental. No momento em que se discutem instrumentos e metodo-
Fotos: Shutterstock
63
ARTIGOS
logias para promoção do desenvolvimento sustentável mediante o uso de
processos e de tecnologias limpas, a implantação de um PGRSS, em cum-
primento à RDC nº 306/04 da Anvisa e da Resolução Conama nº 358/05,
será de fundamental importância.
Introdução
A nossa civilização chega ao limiar do século XXI como a civilização dos
resíduos, marcada pelo desperdício e pelas contradições de um desenvolvi-
mento industrial e tecnológico sem precedentes na história da humanidade,
enquanto populações inteiras são mantidas à margem, não só dos benefí-
cios de tal desenvolvimento, mas das condições mínimas de subsistência. Ao
mesmo tempo em que utilizamos os recursos da biosfera como se fossem
inexauríveis, todos os dias lançamos à natureza o desafio de ter que assimilar
novos produtos artificiais, desconhecidos dos agentes naturais incapazes, por-
tanto, de promover o controle de seus usos e riscos, ultrapassando os limites
da capacidade dos ciclos naturais e dos fluxos de energia. A unificação dos
habitantes da Terra pela globalização dos efeitos no meio ambiente e a cons-
tatação tecno-científica da possibilidade de responsabilizar-se pelo fim da
humanidade, colocam o homem moderno frente à questão central da vida.
O conceito de Resíduos Sólidos de Serviço de Saúde (RSSS) surgiu como
uma evolução do termo “lixo hospitalar”, pois se verificou que outras uni-
dades de saúde também produziam resíduos com características semelhan-
tes aos gerados no ambiente de um hospital. Tais resíduos chegaram a ser
chamados de “Resíduos hospitalares e de estabelecimentos congêneres”. A
legislação americana descreve os resíduos de serviço de saúde como sendo
aqueles provenientes do diagnóstico, tratamento ou imunização de seres
humanos ou animais, de pesquisas pertinentes ou na produção e/ou testes
de material biológico (Schneider et alii, 2001).
Segundo normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas 1 (ABNT,
NBR 12.807 e NBR 12.808), os RSSS são definidos como sendo aqueles ge-
rados em estabelecimentos que prestam assistência sanitária à população,
ligados direta ou indiretamente à saúde humana ou de animal, tais como:
hospitais, postos de saúde, clínicas médicas, odontológicas e veterinárias,
laboratórios e farmácias.
Aos órgãos ambientais competentes, integrantes do Sistema Nacional
de Meio Ambiente (Sisnama), incumbe a aplicação dessa resolução, ca-
bendo-lhes a fiscalização, bem como a imposição das penalidades admi-
nistrativas previstas na legislação pertinente, ou seja, a Resolução n
o
358,
de abril de 2005 (Conama).
Independente do conceito, o fato é que os RSSS devem ser gerenciados
adequadamente para garantir maior segurança à saúde da população e pro-
teção ao meio ambiente. Isso é possível quando se conhecem os resíduos
e a sua ordenação em classes (classificação), de modo a dar um destino
adequado a cada um deles.
O Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde consiste na gestão
responsável e cidadã do lixo hospitalar e congêneres gerados em um estabe-
lecimento de saúde em decorrência de suas atividades, com o uso de ferra-
mentas específicas que abrangem, necessariamente, as etapas de geração,
manuseio, armazenamento temporário, transporte e destinação final dos
resíduos, tanto na fase intra quanto extra-estabelecimento. Gerenciar corre-
Edison Luis Castro Martins é
aluno de iniciação científica do
Curso Superior de Tecnologia
em Saneamento Ambiental do
Cefet Pelotas/RS.
Jocelito Saccol de Sá é
professor Dr. do Curso Superior
de Tecnologia em Saneamento
Ambiental Cefet/RS.
64
CADERNOS TEMÁTICOS Nº 16 NOV. 2007
tamente esses resíduos não significa somente acondicioná-los e dar-lhes uma
destinação final de acordo com o preconizado em leis, resoluções, normas e
decretos vigentes, mas sim conduzi-los a fins que alcancem a minimização de
seu volume ainda em seu ponto de origem, conferindo qualidade e elevando
a eficiência dos serviços oferecidos pelo estabelecimento.
Para tanto, deve-se entender também que os membros da comunida-
de hospitalar e outras (funcionários, pacientes e visitantes em geral) estão
igualmente expostos aos riscos por eles ocasionados, fazendo-se necessário,
então, que todos tomem conhecimento desta categoria de resíduos e parti-
cipem junto aos estabelecimentos, adotando medidas preventivas e sendo
parte integrante da solução para este problema.
Obviamente, a geração desta categoria de resíduos depende da com-
plexidade do estabelecimento e da freqüência com a qual oferece seus ser-
viços. Vale ressaltar que muitos destes resíduos podem ser encaminhados
a outra forma de destinação final, como a reciclagem, que pode contribuir
para ganhos extras do estabelecimento.
O presente trabalho tem como objetivo o levantamento de informações
necessárias para a organização e orientação de um gerenciamento de re-
síduos sólidos de serviços de saúde gerados em um hospital particular do
município de Pelotas/RS.
Materiais e métodos
Os procedimentos investigatórios visando à elaboração de um plano de
gerenciamento de resíduos de serviço de saúde (PGRSS) iniciaram a partir
de um diagnóstico de um estabelecimento de saúde localizado no municí-
pio de Pelotas/RS. O local de estudo possui uma área construída de 3.050
m
2
, com 92 funcionários e 33 leitos. A entidade oferece especialidades
como clínica médica, cirúrgica, obstétrica, berçário, pronto atendimento
clinico e traumatológico, serviços de UTI e de nutrição e dietética.
Realizou-se a caracterização do local de estudo, a identificação do esta-
belecimento, as atividades por ele desenvolvidas, capacidade instalada, ho-
rário de funcionamento, área do terreno, setores de atendimento, quadro
de recursos humanos e físicos e especialidades médicas oferecidas.
Simultaneamente à identificação das fontes geradoras de resíduos só-
lidos, observaram-se os procedimentos quanto ao manejo, segregação,
acondicionamento e transporte dos resíduos. Os dados foram anotados em
planilhas, também fotografados e utilizados para confirmação da caracteri-
zação dos resíduos sólidos.
O estudo de caracterização dos resíduos sólidos de serviço de saúde
do hospital teve como objetivo um levantamento quantitativo e qualitati-
vo. Para a pesagem, identificação e tipificação dos resíduos realizaram-se
reuniões com o setor de limpeza e higienização do estabelecimento. Os
Resíduos de Serviços de Saúde (RSS) foram classificados segundo a NBR
12.807, da ABNT.
A elaboração do PGRSS seguiu as orientações da Anvisa (RDC n° 33,
de 25/02/2003), na qual o gerenciamento dos RSS se constitui de um con-
junto de procedimentos de gestão planejada a partir de bases científicas e
técnicas, normativas e legais, com o objetivo de minimizar a produção de
resíduos e proporcionar um encaminhamento seguro de forma eficiente,
visando à proteção dos trabalhadores e à preservação da saúde pública, dos
recursos naturais e do meio ambiente.
65
ARTIGOS
Resultados e discussão
O quadro 1 apresenta os resultados da identificação das fontes gerado-
ras de resíduos contaminados e seus resíduos.
Quadro 1. Fontes geradoras do hospital
Fonte geradora Tipos de resíduos
PA Clínico
P
A Traumatológico
Endoscopia
Bloco Cirúrgico
Pavimentos
1, 2 e 3
Perfurocortantes: agulhas, lâminas de bisturi, scalp, lancets, ampolagem, aparelho de gilete, fios de
sutura com agulhas.
Outros resíduos contaminados: equipo, papéis de uso sanitário, copos usados na administração de
medicamentos, materiais descartáveis utilizadas em procedimentos diversos (gazes, luvas, esparadrapos,
ataduras, materiais para sondagem) e algodão que teve contato com secreções ou sangue, resíduos de
medicamentos ou dos insumos farmacêuticos recicláveis, como: frascos de soro, papel toalha, papel
de material estéril.
Cozinha Resíduos comuns: recicláveis e não recicláveis. Restos alimentares.
Pavimentos 1, 2 e 3 Quartos Resíduos comuns: recicláveis e não recicláveis. Restos alimentares.
Farmácia Perfurocortantes: agulhas, lâminas de bisturi, ampolagem, aparelho de gilete.
Resíduos de medicamentos ou dos insumos farmacêuticos recicláveis, como: frascos de soro, papelão
e resíduos comuns.
Resíduos químicos: antibacterianos, antimicrobianos, digitálicos, medicamentos vencidos, portaria
344/98 e imunossupressores.
Vestiários Fem./Mas. Resíduo comum. Papéis de uso sanitário.
Consultórios Outros resíduos contaminados: materiais descartáveis utilizadas em procedimentos diversos (luvas
de procedimentos e plásticas, esparadrapos, ataduras), e algodão que teve contato com secreções ou
sangue, resíduos de medicamentos ou dos insumos farmacêuticos recicláveis, como: papel impresso
diversos, papel de material estéril e resíduos comuns.
Setores Administrativos Resíduo comum (papéis em geral, canetas etc.).
A caracterização dos resíduos e sua quantificação resultaram na deter-
minação do peso de cada porção de resíduos encontrada e ao mesmo tem-
po a identificação de que categorias são geradas e quais as fontes geradoras
dentro do hospital (fotos 1, 2, 3 e 4).
1. Pesagem dos resíduos
2. Caracterização resíduos Grupo A
Fotos 1 a 8: Edison Luis Martins
66
CADERNOS TEMÁTICOS Nº 16 NOV. 2007
A relação entre quantidade média gerada por dia e número de leitos
ocupados encontrada no hospital foi de 3,69 kg RSS por paciente ao dia.
Para efeitos comparativos, no Reino Unido, gera-se entre 1,5 a 2,5 kg RSS
por leito/dia e, no Brasil, o equivalente a 3,5 a 4,5 kg RSS leito/dia (quadro
2). A geração estimada mensal de RSS foi de 3.529,67 kg de RSS (quadro
3), sendo que, deste total, 10,37% representam resíduos do Grupo A – Re-
síduos que apresentam riscos à saúde pública e ao meio ambiente devido à
presença de agentes biológicos.
O diagnóstico da situação atual do hospital apontou: 1) desconhecimen-
to da legislação ambiental; 2) tipos de recipientes, sacos plásticos e demais
contenedores de resíduos fora das normas; 3) abrigos internos e externos
para armazenamento não se enquadram nas normas ambientais vigentes; 4)
inexistência de um responsável pelo PGRSS; e) desconhecimento do fluxo
dos resíduos intra e extra-estabelecimento; 5) problemas na definição do
tipo de EPI e sua utilização; 6) necessidade de um programa de treinamento
dos recursos humanos; 7) verificação da necessidade de tratamento de al-
guns tipos de resíduos; e 8) falta de empenho dos proprietários/administra-
dores em se enquadrar nas normas ambientais vigentes (fotos 5, 6, 7 e 8).
4. Resíduos segregados de forma incorreta
3. Caracterização resíduos Grupo D
5. Recipientes de resíduos fora das normas
6. Funcionária fazendo transporte interno
67
ARTIGOS
8. Abrigo externo fora das normas
Durante o estudo de implantação do PGRSS, foi observada a inexis-
tência de um programa de treinamento para os funcionários e a carência
de informações a respeito da legislação referente aos resíduos de serviço
de saúde. Esses fatos contribuem para um aumento da quantidade de re-
síduos infectantes gerados. Todo processo de gerenciamento de resíduos
de serviços de saúde pode ficar comprometido se deixarmos de lado o
treinamento da equipe de funcionários do hospital, os atores do PGRSS.
Visando minimizar a quantidade de resíduos infectantes e atender às fi-
nalidades do PGRSS, foi sugerido um plano de treinamento e assuntos,
como segue abaixo.
O gerador de RSS deverá manter um programa de treinamento periódi-
co, previsto no PGRSS, que deve contemplar, dentre outros assuntos:
noções gerais sobre o ciclo de vida dos materiais;
conhecimento da legislação em vigor;
definições, tipo e classificação dos resíduos e do seu potencial de risco;
sistema de gerenciamento adotado internamente no hospital;
formas de reduzir a geração de resíduos;
conhecimento das responsabilidades e de tarefas;
reconhecimento dos símbolos de identificação das classes de resíduos;
orientação quanto ao uso de Equipamentos de Proteção Individual
(EPIs);
orientações sobre biossegurança e higiene pessoal;
orientações especiais e treinamentos em proteção radiológica;
providências a serem tomadas em caso de acidentes e de situações
emergenciais;
visão básica do gerenciamento dos resíduos sólidos no município;
noções básicas de controle de infecção.
Conclusão
A execução do presente trabalho oportunizou importante contribuição
para a ampliação do conhecimento a respeito dos resíduos de serviços de
saúde e também para minimizar os déficits quanto ao atual gerenciamento
dos resíduos adotado, principal objeto de estudo.
O diagnóstico e um PGRSS ressaltam que a organização do sistema de
gerenciamento interno dos resíduos deve ser uma atividade programada
dentro do processo administrativo do serviço de saúde, devido à sua im-
portância em relação ao fator de risco na cadeia de infecção hospitalar, em
relação aos aspectos ambientais e ocupacionais.
Para que ocorram as mudanças organizacionais e operacionais frente à
problemática dos RSSS, é necessário o envolvimento de toda a instituição
hospitalar, fazendo com que todos os setores se preocupem para a efeti-
vação de um sistema de gerenciamento de RSS eficiente, evitando que a
responsabilidade e a consciência sanitária da administração pública tenham
como base apenas a legislação para evitar penalidades.
É de responsabilidade dos estabelecimentos prestadores dos serviços
de saúde promover programas de educação específicos para os pro-
fissionais inseridos nos processos de geração dos resíduos ao correto
manejo, dando ênfase à responsabilidade participativa quanto aos pro-
cessos corretos de descarte.
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•
7. Carrinho de coleta e transporte interno
68
CADERNOS TEMÁTICOS Nº 16 NOV. 2007
REFERÊNCIAS
ANVISA. Resolução RDC nº 33, de 25/02/2003. Regulamento técnico para o gerenciamento
de resíduos sólidos de serviços de saúde. Disponível em: http://www.anvisa.gov.br. Acesso em:
15 de setembro de 2006.
BRASIL – Associação Brasileira de Normas Técnicas – NBR 10.004. Resíduos sólidos: classi-
ficação. São Paulo (SP), 1987.
BRASIL – Associação Brasileira de Normas Técnicas – NBR 12.808. Resíduos de serviços de
saúde – classificação. São Paulo (SP), 1993.
BRASIL – Associação Brasileira de Normas Técnicas – NBR 12.809. Manuseio de resíduos de
saúde: procedimentos. São Paulo (SP), 1993.
CONAMA – Conselho Nacional do Meio Ambiente. Resolução nº 358, de 29/04/05 – Dispõe so-
bre o tratamento e a disposição final dos resíduos dos serviços de saúde e dá outras providências.
Um PGRSS consiste num documento integrante do processo de licen-
ciamento ambiental baseado nos princípios da não geração de passivos am-
bientais e na minimização destes, que aponta e descreve as ações relativas
ao seu manejo, no âmbito dos estabelecimentos, contemplando os aspec-
tos referentes à geração, segregação, acondicionamento, coleta, armazena-
mento, transporte, tratamento e disposição final, bem como a proteção à
saúde pública.
No momento em que se discutem instrumentos e metodologias para
promoção do desenvolvimento sustentável mediante o uso de processos
e de tecnologias limpas, a implantação de um PGRSS, em cumprimento
à RDC nº 306/04, da Anvisa, e da Resolução Conama nº 358/05, será de
fundamental importância. Neste contexto, as instituições de ensino, como
o Cefet/RS, têm grande relevância.
No PGRSS é importante entender profundamente quatros pontos essen-
ciais, como seguem:
a) a distinção dos 5 níveis de resíduos, distribuídos nos grupos A, B, C,
D e E, conforme NBR 10.004;
b) as 6 fases do manuseio: segregação; acondicionamento; identifica
-
ção; armazenamento interno e externo; transporte interno e exter-
no; destinação ou tratamento final;
c) treinamento; e
d) supervisão e monitoramento.
Em uma análise não muito profunda, é possível perceber que uma das
principais dificuldades no gerenciamento se encontra na primeira e essen-
cial fase do processo, a segregação, onde muitos tipos de resíduos que não
oferecem risco de contaminação são misturados aos de risco, comprome-
tendo sua qualidade e impossibilitando-o de receber uma destinação final
diferenciada (reciclagem), aumentando seu volume e onerando ainda mais
o processo.
Cada etapa do processo de gerenciamento dos resíduos de serviços de
saúde pode ser vista como um elo que sustenta uma cadeia, cujo rompi-
mento acarretará danos e perdas aos demais integrantes do processo, por
isso cada uma dessas etapas deve ser tomada de maneira responsável e
comprometida, pois envolve pessoas e, conseqüentemente, a melhoria de
sua qualidade de vida, bem como do meio ambiente e da saúde que de-
pendem de um processo correto. A atuação dos profissionais deveria, por-
tanto, ser mais consciente e comprometida com a qualidade, tanto do seu
ambiente de trabalho como do meio ambiente e da saúde pública.
69
ARTIGOS
Análise dos fatores geradores de
estresse em uma central telefônica
SANTOS, Juliana C.; SANTOS, Maria Luiza C.
Centro Federal de Educação Tecnológica da Paraíba
Palavras-chave: Estresse; Condições de Trabalho; Telefonista.
RESUMO
O presente estudo buscou estabelecer uma relação entre a organização do tra-
balho de uma central telefônica com o estresse ocupacional. Teve como objeti-
vos identificar os fatores causais do estresse ocupacional, seus sinais e sintomas,
e relacionar as condições físicas e organizacionais existentes no ambiente de
trabalho com a finalidade de sugerir métodos para encaminhar recomendações
quanto à sua prevenção. Inicialmente, foi realizado um levantamento bibliográfi-
co abordando o estresse ocupacional e as condições de trabalho. Posteriormente,
foram realizadas entrevistas individuais, juntamente com a aplicação da técnica
de observação direta e de um instrumento abordando: atividade profissional,
organização do trabalho, condições ambientais, posturas exercidas durante o
trabalho e sintomas de estresse. Mediante os resultados, foi possível evidenciar
a existência de deficiências ergonômicas concomitantes à presença de sinais e
sintomas da patologia em estudo. Logo, estabelecemos que os operadores da
central telefônica apreciada estão expostos a alguns fatores desencadeantes do
estresse ocupacional, devido à carga física direta e/ou indireta. Foram enunciadas
Juliana Santos
70
CADERNOS TEMÁTICOS Nº 16 NOV. 2007
recomendações para que os postos de trabalho estejam adequados para a
execução das atividades, localizados em um ambiente reservado e regidos
por estratégias organizacionais que valorizem o capital humano decorrente
da força de trabalho estudada.
Introdução
Na sociedade moderna, os trabalhadores são constantemente instados a
forçar sua adaptação às novas tecnologias, na tentativa de se manterem atuali-
zados perante um mercado cada vez mais restritivo e competitivo, garantindo
assim a sua empregabilidade. Desta forma, o avanço tecnológico, o aumento
da competitividade, a pressão de consumo, a busca da qualidade, a ameaça
de perda do emprego e outras dificuldades do cotidiano tornam a vida dos
trabalhadores cada vez mais repleta de incertezas. Diante dessas situações,
o ser humano encontra-se envolvido em um processo complexo e dinâmico
que afeta suas condições somáticas, seus processos cognitivos e emocionais
(MOURA, 2003). As reações orgânicas e psíquicas de adaptações apresenta-
das pelo homem quando é exposto a qualquer estímulo que o excite, irrite,
amedronte ou o faça muito feliz são consideradas como estresse, sendo este
definido pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como “a doença do
século 20” (LIMONGI, 1997, PINHEIRO; ESTARQUE, 2000).
O estresse como processo de adaptação humana às exigências do ambiente
tem apresentado uma conotação negativa – distress – em ambientes de traba-
lho, nos quais o indivíduo esteja mais sujeito a erros e acidentes, e conseqüen-
temente tem repercussões em sua produtividade, sua capacidade de trabalho
e sua qualidade de vida (FIORI, 1997). Nesse sentido, este artigo pretende es-
clarecer de que forma as condições de trabalho dos operadores de uma central
telefônica são consideradas fontes desencadeadoras do estresse ocupacional,
mediante o estabelecimento de relações entre a forma de organização do tra-
balho ali praticada, caracterizada por promover monotonia, repetitividade e
fadiga e a constatação do desencadeamento do distress.
Estresse ocupacional
O estresse ocupacional resulta da relação entre o indivíduo e o seu am-
biente de trabalho, em circunstâncias onde as exigências desta ultrapassam
as habilidades do trabalhador para enfrentá-las, acarretando desgaste do or-
ganismo que interfere na sua produtividade (SIQUEIRA, 1995).
Segundo Grandjean (1998, p. 165), o estresse de trabalho pode ser defi-
nido como “o estado emocional, causado por uma discrepância entre o grau
de exigência do trabalho e os recursos disponíveis para gerenciá-lo”, tornan-
do-se um fenômeno subjetivo que depende da compreensão individual da
incapacidade de gerenciar as exigências do trabalho.
Uma grande parte de autores (e.g. Iida, 2005; França e Rodrigues, 1999;
e Grandjean, 1998) converge acerca de que o estresse possa ser explicado
pela ação de fatores. Tais fatores estressores relacionados ao trabalho podem
ser decorrentes de: i) Desenho do trabalho: elevada carga de trabalho, ausên-
cias de pausas, turnos ou horas do trabalho longos; não uso das habilidades
dos trabalhadores, baixa autonomia na realização das atividades; ii) Estilo ge-
rencial: excesso de pressão, chefias rígidas e autoritárias, falta de participação
dos trabalhadores na tomada de decisões, falta de comunicação na organi-
zação e falta de política favorável à vida familiar; iii) Relações interpessoais:
Juliana da Costa Santos é
mestre em Engenharia da
Produção pela Universidade
Federal da Paraíba e docente
do Centro Universitário de
João Pessoa (Unipe) e da
Universidade Federal da
Paraíba (UFPB).
Maria Luiza da Costa Santos
é doutora em Administração
pela Universidade Federal da
Paraíba e docente do Centro
Universitário de João Pessoa
(Unipe), do Centro Federal
de Educação Tecnológica
da Paraíba (Cefet/PB) e
do Instituto Paraibano de
Educação (IESP).
Shutterstock
71
ARTIGOS
ambientes pouco sociais, falta de apoio de colegas e supervisores, conflitos
com colegas e superiores; iv) Papéis do trabalho: expectativas de trabalho mal
definidas ou impossíveis de atingir, excesso de responsabilidade, excessos de
funções; v) Preocupações com a carreira: insegurança de trabalho e falta de
oportunidade para o crescimento pessoal, promoções ou ascensões; vi) Con-
dições ambientais: condições desagradáveis e perigosas, presença de ruído,
problemas ergonômicos, enclausuramento, condições pobres do ambiente
(luz, qualidade do ar, temperatura, entre outros); e vii) Carga qualitativa infe-
rior às possibilidades (underload): atividades pouco estimulantes ou desafia-
doras, que não exigem criatividade, monótonas e repetitivas.
Esses fatores de riscos influenciam o processo social e o funcionamento
psicológico de uma forma bastante complexa e inesperada, podendo pro-
duzir respostas ao estresse que aumentam o potencial para o adoecimento.
Essas respostas podem ser classificadas em emocionais (irritabilidade, an-
gústia, insatisfação no trabalho), fisiológicas (aumento da pressão arterial, da
freqüência cardíaca e respiratória, da tensão muscular) e comportamentais
(absenteísmo, uso indevido da força, drogas, bebidas alcoólicas) (BRIDI,
1997; MONN, 1996 apud MOURA, 2003).
A realização de toda e qualquer atividade de trabalho envolve a com-
preensão da interação de pelo menos três aspectos: o físico, o cognitivo e
o emocional. Assim, através dos estudos realizados por Lê Guillant já em
1956, acerca da análise da síndrome neurótica das telefonistas, foi possí-
vel evidenciar que as exigências do trabalho podem desencadear cefaléias,
zumbidos, assobios, assim como provocar a emersão de pensamentos ob-
sessivos com relação ao trabalho, como a repetição de fragmentos este-
reotipados de discursos, além de alterações no sono e no humor (AÑEZ;
DAVID; LOBO, 2005; AUBERT, 1996).
Esta relação saúde versus trabalho, à qual as telefonistas estão expostas,
foi objeto de estudo de Lê Guillant e Bégoin, que perceberam que estas
profissionais, quando expostas a condições de trabalho penosas, são ca-
pazes de modificar a capacidade de adaptação, são acometidas por uma
desorganização de conduta a que denominaram de “síndrome neurose das
telefonistas”, ou “síndrome geral da fadiga nervosa”. Tal síndrome é carac-
terizada por sintomas como nervosismo intenso, insônia total, diminuição
acentuada das possibilidades intelectuais com repercussão sobre o estado
geral do indivíduo. Além do que, essas profissionais se sentiam acuadas,
pressionadas e vigiadas, situação esta que contribuía para o desencadea-
mento da desorganização da personalidade do indivíduo (AUBERT, 1996).
Escopo da ergonomia
A ergonomia estuda os diversos aspectos do comportamento humano
no ambiente de trabalho, assim como outros fatores que sejam considera-
dos importantes para o delineamento de sistemas de trabalho. Esses fatores,
segundo Iida (2005), são: o ser humano, com suas características físicas,
fisiológicas e psicológicas; a máquina, que corresponde aos recursos que o
homem utiliza no seu trabalho, como equipamentos, ferramentas, mobiliá-
rios e instalações; o ambiente, que envolve temperatura, ruídos, vibrações,
iluminação e outros; a informação, que se refere à comunicação existente
entre os elementos de um sistema; a organização, que é a conjugação dos
elementos citados no sistema produtivo e envolve aspectos como horários,
turnos de trabalho e formação de equipes; e as conseqüências do trabalho,
que envolve as questões de controle, como inspeção de tarefas, estudo dos
erros e acidentes e o gasto energético, como a fadiga e o estresse.
72
CADERNOS TEMÁTICOS Nº 16 NOV. 2007
Neste sentido, a ergonomia possui como objeto de estudo a relação
existente entre o operador humano e seu trabalho e como objetivo analisar
todos os padrões de comportamento e de processos mentais que os gover
-
nam, assim como os mecanismos patológicos que os afetam, as emoções
que os influenciam.
Método
A pesquisa, de lógica descritiva e exploratória, é caracterizada também
como estudo de caso, já que pretende associar a realidade das condições
de trabalho dos operadores da central telefônica do Cefet/PB com a litera-
tura direcionada a estresse ocupacional.
O universo da pesquisa foi composto por funcionários desta, perfazen-
do um total de três operadoras. Quanto à coleta dos dados, foram utilizados
entrevistas e observação direta combinadas com a aplicação de um formu-
lário. O formulário foi aplicado a cada telefonista no próprio ambiente de
trabalho durante o turno de trabalho e abrangeu perguntas abertas e fecha-
das, sendo dividido em cinco partes: (a) atividade profissional e organização
do trabalho, (b) avaliação das condições ambientais, (c) posturas durante o
trabalho, (d) saúde geral e (e) sintomas de estresse.
Concomitantemente à aplicação do formulário, foi realizada a obser-
vação direta da realização das atividades laborais dessas pesquisadas. Os
dados coletados foram tratados de forma qualitativa e quantitativa.
Caracterização da atividade de telefonista
De acordo com o Catálogo Brasileiro de Ocupações (CBO), disponi-
bilizado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (BRASIL, 2004), os tra-
balhadores dessas ocupações têm vínculo de trabalho assalariado, com
carteira assinada, atuando, predominantemente, em empresas de saúde,
serviços sociais, correios e telecomunicações. Trabalham com supervisão,
em ambientes fechados, revezamento de turnos, com compromisso de
manter sigilo. O trabalho é exercido sob pressão e exposto a ruído inten-
so, levando à situação de estresse. A transferência de funções de telefo-
nistas para sistemas automatizados de mensagens, bem como a migração
para outras ocupações, como telemarketing, tende a diminuir o emprego
nessa ocupação.
Ainda segundo o CBO (BRASIL, 2004),
os operadores de telefonia manejam uma
mesa telefônica ou uma seção da mesma,
movimentando chaves, interruptores ou
outros dispositivos para estabelecer co-
municações internas, locais ou interurba-
nas. Eles operam equipamentos, atendem,
transferem, cadastram e completam cha-
madas telefônicas locais, nacionais e inter-
nacionais, comunicando-se formalmente
em português e/ou línguas estrangeiras,
assim como auxiliam o cliente, fornecendo-
lhe informações e prestando-lhe serviços
gerais. Podem ainda treinar funcionários e
avaliar a qualidade de atendimento do ope-
rador, identificando pontos de melhoria.
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73
ARTIGOS
Resultados e discussão
Todas as pesquisadas são do sexo feminino, com faixa
etária entre de 20-38 anos e as funcionárias apresentam,
nesta função, um tempo de trabalho que varia entre 1-
10 anos, enquanto que apenas uma delas remanescente
apresenta um tempo de serviço entre 11-20 anos. Cada
funcionária tem uma carga horária de cinco horas diárias.
Portanto, as operadoras já estão há algum tempo expos-
tas aos fatores estressantes relacionados tanto ao ambien-
te de trabalho como aos decorrentes da própria atividade.
Assim, todas as alterações físicas e químicas, usadas pelo
organismo como estratégia de adaptação frente ao agente
estressor, são mantidas inadequadamente por longo tempo.
Logo, essa situação pode levar ao estresse crônico, tornan-
do o organismo mais susceptível às infecções e patologias
físicas e/ou mentais (ANTUNES; LULA; TONANI, 2004).
De acordo com a observação realizada, a atividade básica desenvolvida
pelas operadoras desta central telefônica corresponde a efetuar e atender
ligações externas e internas da empresa através de um único equipamento
de telecomunicação, que está colocado em uma mesa com formato retan-
gular e cujos comandos são operacionalizados por sinais sonoros ou visuais.
Para a realização da atividade, que consiste em efetuar as ligações telefô-
nicas solicitadas pelos usuários, as operadoras, que já utilizam headphone,
realizam constantemente movimentos de extensão e flexão dos dedos no
acionamento dos comandos.
As pesquisadas afirmaram não existir pressão da chefia, mas registraram
insatisfação em relação à atividade executada, considerada monótona. A
monotonia, conforme Iida (2005), é considerada como um fator estressan-
te, decorrente da insatisfação com o trabalho, principalmente nas organiza-
ções onde o ritmo de trabalho é constante.
Outro aspecto destacado foi quanto à comunicação dentro da organi-
zação, que dificulta a realização de suas tarefas, uma vez que elas não têm
acesso às informações. As pesquisadas afirmaram que elas desempenham,
também, a função de recepcionista, e isto sobrecarrega no desempenho
com qualidade da função. Conforme França e Rodrigues (1999), esta situa-
ção pode ser considerada como conflito de papéis, uma vez que o profissio-
nal tem que desempenhar mais de um papel em uma mesma situação.
Em relação às condições ambientais, as operadoras afirmaram que exis-
te ruído no ambiente de trabalho. O barulho é proveniente do próprio
posto de trabalho, decorrente da própria atividade e do barulho do ar con-
dicionado, e também do ambiente externo, uma vez que próximo à central
de telefonia há uma cafeteria e uma bomba de água. Esses fatores tornam
ainda mais estressante o desempenho da atividade, já que dificultariam a
concentração das operadoras. Percebe-se, desta forma, que o ruído presu-
mivelmente interfere na carga de trabalho dessas telefonistas devido tanto
à falta de tratamento acústico no ambiente de trabalho quanto pela grande
concentração de pessoas no setor ao lado, que passa a ser um elemento
perturbador na execução da atividade.
Em relação ao fator iluminação, todas as telefonistas afirmaram que
a iluminação é confortável para a execução da atividade. A iluminação
deste local de trabalho é proveniente de dois focos de luz artificial e esta
situação é favorecida pelo fato de que o ambiente de trabalho é delimi-
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CADERNOS TEMÁTICOS Nº 16 NOV. 2007
tado, não por paredes, mas sim por vidros que permitem, de certa for-
ma, a presença de luz natural durante o dia. A Norma Regulamentadora
17, item 5.3, que versa sobre ergonomia, determina que em todos os
locais de trabalho deve haver iluminação adequada, natural ou artificial,
geral ou suplementar, apropriada à natureza do trabalho (NASCIMEN-
TO; MORAES, 2000).
Quanto à temperatura, foi considerada adequada, pois há uso constante
de um ar condicionado. A temperatura do posto de trabalho deve ser re-
lacionada com a atividade executada, uma vez que o calor excessivo tem
efeito sobre a produtividade do empregado, causando cansaço, sonolência,
reduzindo a atenção e aumentando as possibilidades de falhas (CARVA-
LHO; NASCIMENTO, 1997; GRANDJEAN, 1998). Baseando-se na NR 17,
as condições ambientais de trabalho devem ser adequadas às características
psicofisiológicas dos trabalhadores e a natureza do trabalho a ser executado
(NASCIMENTO; MORAES, 2000).
No que se refere às posturas adotadas na execução da atividade, as ope-
radoras geralmente adquirem a seguinte postura corporal: coluna levemente
encurvada para frente, pés apoiados no chão, membros superiores apoiados
sobre a mesa, sendo os cotovelos e os antebraços áreas de maior pressão.
Quanto à avaliação da saúde geral, constatou-se que as telefonistas da
central de atendimento do Cefet/PB apresentam comprometimento de sua
saúde física e mental, já que apresentam sintomas como problemas de con-
centração, insônia decorrente de preocupações, maior tempo para execu-
tar os afazeres, perda de interesse nas atividades normais diárias, dificulda-
des para tomar decisões, cansaço, incapacidade de superar dificuldades,
nervosismo e tensão.
Para avaliação dos sinais e sintomas do estresse ocupacional, consta-
tou-se que todas as telefonistas apresentam sinais e sintomas de estresse.
Assim, de acordo com as respostas das pesquisadas, os sinais e sintomas do
estresse foram classificados em quatro categorias: sintomas físicos, sintomas
emocionais, sintomas cognitivos e sintomas comportamentais.
Em relação aos sintomas físicos, constatou-se que todas as entrevistadas
reportaram tensão muscular. Duas das entrevistadas assinalaram sintomas
como boca seca, cansaço, tontura e insônia e uma delas mencionou respi-
ração ofegante. No que tange aos sintomas cognitivos, uma delas assinalou
esquecimento, cansaço mental e maior probabilidade para erros e aciden-
tes; e, por fim, duas delas falaram em perda do humor. É possível constatar
uma grande interdependência entre os sintomas físicos e os sintomas cogni-
tivos, uma vez que existe um ciclo vicioso que permite que o estresse físico
desencadeie o estresse psicológico e vice-versa.
No que diz respeito aos sintomas emocionais, as pesquisadas citaram
angústia e irritabilidade. Finalmente, em relação aos sintomas comporta-
mentais, foram apontados mudança de apetite e problemas de relaciona-
mento relacionados com sentimentos de desconfiança.
Na verdade, as profissionais estão expostas a fatores estresso-
res que abrangem os aspectos físico, psicológico e cognitivo
do ser humano, considerados interligados e que uma
vez sobrecarregado qualquer um desses aspetos, há
sobrecarga dos demais. Entretanto, é importante res-
saltar que o fator vulnerabilidade pessoal deve ser con-
siderado, pois as pessoas reagem de formas diferentes
quando expostas aos mesmos fatores estressores.
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75
ARTIGOS
Conclusão
Constatou-se que o estresse no caso estudado está relacionado com os
fatores ocupacionais associados à repetitividade da tarefa executada, in-
satisfação com a tarefa e ausência de pausas no trabalho. Além disso, a
presença de ruídos internos e externos, assim como a susceptibilidade, ine-
rente aos seres humanos, para o desenvolvimento da fadiga, a monotonia e
a insatisfação salarial. A atividade executada é encarada como uma situação
laboral de risco, seja pela carga física direta (manutenção da mesma postura
por longos períodos), seja pela carga física indireta, decorrente da somatiza-
ção da ansiedade e do estresse do cotidiano.
O estudo provocou recomendações quanto à necessidade de organizar
um posto de trabalho ergonomicamente adequado à execução de ativida-
de de telefonia, com localização em ambiente reservado, sem sobrecarga
ambiental, física e/ou mental. Também aponta para a necessidade da im-
plementação de ações organizacionais que visem promover o enriqueci-
mento de cargo, a correção de fatores físicos no ambiente e a aplicação de
uma gestão efetiva dos fatores interpessoais.
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76
CADERNOS TEMÁTICOS Nº 16 NOV. 2007
RESUMO
O presente artigo apresenta uma pesquisa histórico-empírica circunscrita ao município de
Belém/PA, resultado de dissertação de mestrado defendida em 2004. Refere-se precisa-
mente à Política Municipal de Saúde na gestão de 1997-2000 desenvolvida na Unidade
Municipal de Saúde - UMS do bairro de Fátima, quando o município assume a condição
de unidade gestora da saúde, numa conjuntura em que o governo municipal esteve an-
corado na busca de inversão de modelo. Dessa forma, estiveram envolvidos 18 usuários
dos serviços e um membro do Conselho Gestor da UMS. A questão central trabalhada
referiu-se aos fatores que facilitaram e/ou dificultaram o acesso aos serviços de saúde pelos
usuários da UMS-Fátima, contextualizando Belém, e apresentando sua estrutura, funcio-
namento e recursos. Com este trabalho, pretendeu-se identificar a utilização efetiva dos
serviços de saúde realizada pela população, como resultado do confronto que se estabe-
lece entre os recursos oferecidos e a demanda. A partir desta lógica, este estudo teve a
pretensão de explicitar alguns dos fatores que vêm dificultando o acesso dos usuários aos
serviços de saúde, em particular no bairro de Fátima, suscitando algumas descobertas que
podem, de uma forma ou de outra, contribuir para a melhoria da qualidade dos serviços.
O acesso dos usuários
aos serviços de saúde
CRISTO, Solange
Centro Federal de Educação Tecnológica do Pará
Palavras-chave: Política de Saúde; Acesso; Descentralização.
Fotos: Shutterstock
77
ARTIGOS
Introdução
Tem centralidade nos debates sobre o setor saúde a constatação de que
a oferta dos serviços de saúde não corresponde à grande demanda. As es-
peras por um leito, por uma consulta especializada, ou, ainda, por uma
ficha para consulta são algumas das dificuldades que os usuários vêm en-
frentando no setor público. Uma outra dificuldade é o mau atendimento
por parte de alguns trabalhadores, em que pese tanto as limitações quanto
as condições de trabalho enfrentadas por estes.
O princípio da universalização foi consagrado pelo Sistema Único de
Saúde – SUS como expressão de uma tendência das políticas sociais bus-
carem o aprofundamento do acesso igualitário de todos aos serviços de
atenção à saúde. Com isso, o movimento pela reforma sanitária buscou
justificar os princípios norteadores de um sistema de saúde universal, equâ-
nime e igualitário. A argumentação em defesa da universalização e descen-
tralização foi considerada a saída para a solução de problemas presentes
no sistema nacional de saúde existente antes da promulgação da Consti-
tuição Federal de 1988. Esta caracterização toma um significado particular
ao apresentar uma proposta de operacionalização da política centrada no
mote “como fazer as coisas acontecerem”, ou seja, trazer para a esfera mu-
nicipal o planejamento, a execução e o controle das ações em saúde.
A análise desenvolvida neste artigo, e o resultado da pesquisa realizada
na dissertação de mestrado (CRISTO, 2004), tem como referência o perío-
do pós-1988, cujo marco é a promulgação da Constituição Federal, que no
Artigo 196 assegura a “saúde como direito do povo e dever do Estado”. A
conquista deste direito constitucional é consolidada no bojo do processo de
democratização do país iniciado nos anos 1980. Com a aprovação da Cons-
tituição, o movimento pela reforma sanitária reivindicava o acesso universal
e equânime à saúde, o que foi registrado nos dispositivos legais de criação
do SUS. Este sistema propunha a descentralização, com a garantia de que o
município era a instância responsável pela execução da política, sem que a
União e o estado ficassem isentos de participação na sua implementação,
bem como o atendimento integral com prioridade para atividades preventi-
vas, sem prejuízo dos serviços assistenciais, e a participação da comunidade.
A análise do panorama da política de saúde a partir de 1988, consideran-
do os múltiplos aspectos que a impactam, justifica a ênfase nos fatores que
obstaculizam a viabilização desta política de acordo com os preceitos da Car-
ta Constitucional. Faz parte do debate acerca da política de saúde, na década
de 1990, a inclusão das diretrizes econômicas adotadas segundo a ótica do
neoliberalismo. Para Netto (1998), o processo de reestruturação produtiva
do capital estabelece a base material do projeto de ideal político neoliberal.
Estabilizar, desregular e privatizar são processos da política econômica que se
tornaram preponderantes a partir das décadas de 1980 e 1990 do século XX.
Estas prioridades desenvolveram-se com o apoio dos governos e da comu-
nidade financeira nacional e internacional, tentando delegar ao mercado o
papel de único mecanismo de regulação econômica e social.
Os resultados não previstos dessas transformações e até hoje sem con-
trole de qualquer poder institucional, segundo Fiori (1992), leva intelectuais
e políticos de diferentes países a admitirem cada vez mais que essas mu-
danças têm deixado como conseqüência altos índices de desemprego que
alcança proporções nunca vistas. Este quadro é agravado pela intensidade
dos movimentos migratórios, o que, inexoravelmente, provoca más condi-
ções sociais de vida dos trabalhadores dos países industrializados e, de for-
ma mais aguda, daqueles residentes nos países considerados periféricos.
Solange Cristo é mestre,
doutoranda do Programa de
Estudos Pós-Graduados em
Ciências Sociais Aplicadas/Serviço
Social da PUCSP, do Núcleo de
Pesquisa Saúde e Sociedade e
professora do Cefet/Pará.
78
CADERNOS TEMÁTICOS Nº 16 NOV. 2007
É nesse contexto de grave crise que foram desenvolvidos alguns fatores
que facilitaram e/ou dificultaram o acesso aos serviços de saúde pelos usuá-
rios da UMS
-Fátima, no período de 1997-2000, em Belém/PA, proposta da
dissertação, e foi por meio de pesquisa exploratória, buscando-se informa-
ções concernentes ao objeto estudado junto aos órgãos das esferas de gover-
no municipal, estadual e federal, atuantes na área de saúde, assim como nas
entrevistas, que revelaram dados importantes para a construção do trabalho.
Material e método
A pesquisa empírica foi desenvolvida segundo a abordagem de estudos
focais, centrados no critério de escolha de uma amostra do universo de mo-
radores do bairro de Fátima. O bairro apresenta certas especificidades, en-
tre estas, a dicotomia que simboliza contrastes geo-espaciais e sociais entre
as vias principais, como a Antônio Barreto, Domingos Marreiros e parte da
Antônio Baena, urbanizadas, e as passagens sem saídas, onde estão aglome-
radas famílias pobres, sem saneamento básico, rede de esgoto, transporte e
coleta de lixo, gerando, em conseqüência, altos índices de doenças. Traba-
lhou-se com moradores de baixa renda e, nesse sentido, tentou-se instituir
uma melhor compreensão sobre as possibilidades e dificuldades de garantir
o acesso dessas populações aos serviços de saúde.
Para tanto, foi eleita uma família de cada uma das 19 passagens existentes
no bairro, onde estivesse residindo um(a) morador(a) dos mais antigos(as),
matriculado(a) na UMS-Fátima. A escolha do morador mais antigo justifi-
ca-se pela proposta de recuperar a história da prestação dos serviços de
saúde no bairro de Fátima, estabelecendo uma relação entre o período que
antecede e o período posterior à implantação do SUS. Foram entrevistados
18 moradores (uma das passagens sinalizadas no mapa não foi encontrada),
mais o usuário que compõe o Conselho Gestor da UMS-Fátima.
O trabalho de campo foi feito por meio de entrevistas semi-abertas.
Operou-se com um conjunto de informações que são diferentes, contradi-
tórias, complementares e que puderam produzir novas informações. É um
modo de conceber as várias situações vividas pela comunidade do bairro,
buscando não apenas constatá-las, mas compreendê-las criticamente, des-
vendando suas contradições e seus componentes ideológicos.
Partindo dos pressupostos acima mencionados, em Belém, grandes con-
tingentes de trabalhadores estão expostos a desordens econômicas, sociais
e ambientais, redundando em graves problemas, dentre os quais, os de saú-
de. A leitura do perfil epidemiológico da cidade mostra, segundo Machado
(2004), que durante as últimas quatro décadas, período de intensificação
deste fenômeno, aumentou para os belenenses os riscos de adoecer e mor-
rer por doenças originadas da escassez e da pobreza (doenças infecciosas,
parasitárias e carenciais) e por doenças atribuídas à “modernização” da so-
ciedade (não-infecciosas, crônicas, degenerativas e os agravos provocados
por acidentes, violências e outras associadas ao estresse oriundo do estilo
de vida urbana, às mudanças psicossociais e à desintegração sociocultural).
Esses fatores, no entanto, encobrem profundas desigualdades intra-ur-
banas, uma vez que as estatísticas oficiais continuam sendo produzidas
globalmente, para uma população hipoteticamente homogênea (MACHA-
DO, 2004). A falta de uma metodologia capaz de elaborar indicadores que
demonstrem essas desigualdades ofusca o estado de saúde da população,
colaborando para a produção de políticas públicas com focos comuns para
situações diferentes.
79
ARTIGOS
Resultado e discussão
Em Belém, as técnicas utilizadas para demonstrar o perfil epidemiológi-
co da população não têm refletido os diferenciais de saúde de cada contex-
to social. Isto implica generalizações que influenciam o planejamento e a
implementação de programas de saúde que não atendem às necessidades
específicas de cada contexto.
O proprietário de um hotel localizado no bairro de Fátima, que abriga
moradores de outros municípios para tratamento em Belém, sugere algu-
mas medidas alternativas ao mesmo tempo em que revela a intensidade da
deficiência do sistema de saúde:
“Acho que o secretário de Saúde precisa estar mais próximo dos
bairros, porque o secretário do SUS, diretamente hoje é o repre-
sentante da saúde do estado, e deveria ir ao bairro ver a necessi-
dade; ir ao posto de saúde ver qual a doença que está crescendo
lá e enviar mais médicos pra lá. Se têm dois ginecologistas, e per-
guntava para o atendente quantas pessoas ficaram fora de atendi-
mento? – 50. Não pode acontecer isso! Teriam que ser atendidos
todos, porque nesses 50 estão 10 que estão com problemas e que
podem descobrir logo, e a despesa diminui, e a saúde das pessoas
seria bem atendida. É nesse ponto que é mais difícil, porque não
pode atender, não tem mais vagas. Então, se um médico está aqui,
e não está fazendo nada, desloca pra lá. O secretário de Saúde
deveria fazer isso juntamente com os postos de saúde, se reunia:
qual a sua demanda que está dando mais, é problema ginecoló-
gico? Eu digo ginecológico porque eu trabalho mais com câncer
ginecológico e de mama, poderia ser outros casos: problema de
coração, de pele, outros” (Morador e proprietário de um hotel no
bairro de Fátima – abriga pacientes vindos de outros municípios
para receberem atendimento em Belém via recursos do Trata-
mento Fora do Domicílio – TFD).
Na pesquisa de campo realizada na dissertação, observou-se que exis-
tem passagens sem asfaltamento no bairro de Fátima, onde a macrodrena-
gem não passou, que apresentam casas com dois compartimentos, casas
em madeira e de chão batido, outras casas já em alvenaria, além de casas
do tipo palafita em áreas alagadas. Nas passagens pavimentadas com para-
lelepípedos ou asfaltadas, constatou-se que ainda existem muitas casas de
madeira e de chão batido. Na paisagem de algumas passagens favorecidas
pela macrodrenagem observou-se casas ainda deterioradas e sem estrutura
firme, onde ainda se sente o mau cheiro vindo das valas. Observou-se,
também, que em algumas passagens o sistema de esgotamento está inaca-
bado e completamente aberto, e que outras passagens possuem casas com
o quintal totalmente alagado; constatou-se, ainda, que muitas passagens
estão tomadas pelo mato.
No que se refere aos equipamentos de saúde, as UMS de Belém/PA
estão presentes nos oito distritos administrativos, quais sejam: do Benguí
– Daben, da Sacramenta – Dasac, de Mosqueiro – Damos, de Belém
– Dabel, do Entroncamento – Daent, de Icoaraci – Daico, do Guamá
– Dagua e de Outeiro – Daout. O bairro de Fátima faz parte do Dasac.
O Dasac é o segundo maior distrito da cidade, com uma população estima-
da em 249.370 habitantes, distribuídos em 55.690 domicílios (SEGEP, 2001).
80
CADERNOS TEMÁTICOS Nº 16 NOV. 2007
Belém vem tentando contemplar os fatores até aqui desenvolvidos. O
acesso aos serviços de saúde no município foi explicitado a partir da análise
específica da UMS
-Fátima. Destaca-se a seguir a gestão do governo munici-
pal no período estudado, no que se refere à área da saúde.
Segundo o relatório do prefeito à Câmara Municipal de Belém, o
projeto “Saúde para todos” – uma das marcas do governo municipal na
gestão 1997-2000 – tinha como objetivo implementar medidas viabiliza-
doras do processo de inclusão social e impulsionar a inversão do modelo
de atenção à saúde, tentando garantir a universalidade, a integralidade, a
eqüidade e o controle social. Os fundamentos desta proposta estão cen-
trados em princípios básicos, e diretrizes estabelecidas pela Constituição
da República (1988), tais como: acesso universal e igualitário às ações
e serviços; rede regionalizada e hierarquizada; descentralização; atendi-
mento integral e participação comunitária. Com isso, o governo municipal
tenta superar o modelo de atenção em saúde dos governos anteriores,
modelo tradicional conservador, privatista, medicalizante, centralizado na
figura do médico, no trabalho individual e na concepção de doença como
expressão de sintomas físicos – modelo este que ainda co-existe no siste-
ma de saúde pública.
Na proposta do governo municipal, garantir “saúde para todos” significa
o compromisso de expandir a rede municipal de saúde. Desta forma, foram
reformadas e ampliadas doze unidades municipais de saúde; reconstruí-
das e adaptadas cinco unidades municipais; foram alugados dezoito imó-
veis para garantir o funcionamento de onze unidades do Programa Família
Saudável, e o funcionamento de sete unidades de apoio ao Programa de
Agentes Comunitários de Saúde. A Prefeitura Municipal de Belém – PMB
também implantou quatorze serviços especializados de saúde. O Hospital
do Pronto Socorro Municipal – HPSM foi reformado e ampliado, o HPSM
do Guamá foi construído e inaugurado em 2001 e está sendo construído o
HPSM da Sacramenta (SEGEP, 2001).
A ampliação de investimentos também se deu por meio dos recursos
financeiros destinados à implementação da política municipal de saúde. Em
1996, o sistema municipal de saúde contava com o recurso de R$ 26,9 mi-
lhões; em 1997, os recursos financeiros eram de R$ 61,1 milhões; em 1998,
foi ampliado para R$ 88,3 milhões; em 1999, passou para R$ 91,7 milhões
e, a partir de 2000, aumentou para R$ 166,7 milhões (SEGEP, 2001).
De acordo com uma moradora do bairro de Fátima, a mesma revela
com relação ao SUS:
“Essa é a dificuldade que existe. Eu até que tenho vontade de
fazer uma coisa assim pra mim, mas pra ter plano de saúde já é
quase R$ 200,00, pra uma pessoa aposentada que ganha só um
salário. Eu não sou contra nada do SUS, pelo menos eu sou bem
atendida, graças a Deus! A única coisa que eu acho que está
desorganizado é isso: até ir pegar uma ficha pra se consultar é
interminável. Antes se pegava a carteirinha do INPS, chegava lá
no hospital e você era consultado, se era pra ser internado, você
ficava logo. O que acontece é que você está ali passando a maior
dificuldade. Minha mãe, quando ela teve problema de dor de
estômago, nós levamos lá pro pronto socorro pra conseguir leito,
nós não conseguimos, trouxemos ela pra cá. Meu irmão, que é
do exército, de Guajará-Mirim, ele falou com um dos comandan-
tes dele daí da praça Brasil, ele ligou pra Santa Casa, aí é que
81
ARTIGOS
foi arrumado imediatamente, na hora! Sabe que é na hora?!”
(Moradora do bairro e usuária da UMS-Fátima).
A questão central trabalhada na dissertação, como já foi citado, refere-
se aos fatores que facilitaram e/ou dificultaram o acesso aos serviços de
saúde pelos usuários da UMS-Fátima, no período entre 1997-2000, em
Belém/PA, quando o município assumiu a condição de unidade gestora da
saúde, numa conjuntura em que o governo municipal estava ancorado na
busca de inversão de modelo.
O representante do Conselho Gestor da UMS-Fátima, órgão que atua
na formulação e controle da execução da política de saúde em nível de
unidade, incluindo seus aspectos econômicos, financeiros e de gerência
técnica administrativa e operacional (compõem o Conselho: 50% de
usuários; 25% de trabalhadores de saúde e 25% de prestadores de ser-
viço do SUS), revela:
“A questão do Sistema Único de Saúde antes e hoje, qual é a
diferença? Eu tinha, na minha época, assistência médica da in-
dústria e do comércio, então, se eu chegasse com a minha car-
teirinha, eu era atendido. Era pela minha categoria profissional,
eu pagava, não era muito, era uma taxa mensal; só que tinha
uma diferença do sistema antes: aquelas pessoas que não tinham
nada de plano de saúde, que não tinham como ser atendidas,
elas não pagavam INSS, porque uma parte da seguridade social
era para manter a saúde. Então, a pessoa que precisava de aten-
dimento naquela época era indigente da saúde. Quando foi im-
plantado o SUS, então deu direito a todos. Na Constituição diz
que se todos pagarem impostos, temos direitos. Agora, no atual
é que a demanda é muito grande, então nós estamos na fase da
estruturação e aperfeiçoamento, e isso nós só vamos conseguir
através das diretrizes que são discutidas nas conferências muni-
cipais, estaduais e nacionais de saúde, então aí são discutidas as
diretrizes para aperfeiçoar o SUS” (Gilberto – representante do
Conselho Gestor da UMS-Fátima).
Neste processo de reorganização do sistema, a atenção à saúde foi pro-
posta, no texto da lei, em moldes progressivamente universalizantes. Segun-
do a regulamentação do SUS, toda a população, independente de vínculo
previdenciário, passa, formalmente, a ser atendida pelos serviços de saúde
do sistema público. A atenção à saúde está inscrita na conceituação mais
ampla de seguridade social e é afirmada enquanto direito social universal,
cabendo ao Estado, dada a sua determinação social, econômica e política,
garanti-la mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução de
riscos ou agravos.
Na região Norte e no Pará, em especial, fatores como as deformida-
des regionais e inter-regionais e a baixa habilidade de gestão da maioria
dos municípios conferem aos estados e ao Governo Federal um papel
decisivo na consolidação do SUS e na estratégia de superação das desi-
gualdades regionais.
Como conseqüência disso, temos o deslocamento de pessoas vindas
do interior para buscar atendimento em outras cidades, principalmente
na capital, quando o seu município já poderia estar garantindo serviços de
saúde de qualidade. Esta realidade é sentida no próprio bairro de Fátima,
pois está localizado naquele espaço o Hotel Macapá, que recebe pessoas
82
CADERNOS TEMÁTICOS Nº 16 NOV. 2007
vindas principalmente do Amapá, as quais utilizam recursos do SUS para
TFD
, disponibilizado às pessoas que precisam fazer determinado proce-
dimento fora de seu município, em função de o mesmo não ter aquele
atendimento. Quando o paciente não tem a consulta marcada, fica muito
difícil marcá-la. Um outro complicador surge quando o paciente passa
muitos meses no local onde foi buscar atendimento específico, acaba re-
alizando outros procedimentos fora do TFD e faz consulta como sendo
parte daquele município, onerando-o.
Conclusão
Nestes termos, a garantia do acesso da população à rede dos serviços
de saúde é função do Estado e das políticas que ele formula para viabi-
lizá-lo. Com este trabalho, pretendeu-se identificar a utilização efetiva
dos serviços de saúde realizada pela população, como resultado do con-
fronto que se estabelece entre os recursos oferecidos e a demanda. A
partir desta lógica, este estudo teve a pretensão de explicitar alguns dos
fatores que vêm dificultando o acesso dos usuários aos serviços de saú-
de, em particular no bairro de Fátima, suscitando algumas descobertas
que podem, de uma forma ou de outra, contribuir para a melhoria da
qualidade dos serviços.
Desta forma, devem ser feitos um pacto federativo e o implemento da
sua fase concreta, isto é, o arcabouço político-administrativo para o desen-
volvimento e, nesse sentido, ampliar a cooperação entre estado e municí-
pio, promovendo a produção dos serviços de saúde. É importante também
a implementação de mecanismos de controle social que promovam a infor-
mação de interesse público como forma de fortalecer o processo de decisão
do cidadão.
Com estas indicações, a interferência no processo decisório só terá
impacto na qualidade dos serviços se forem construídas novas relações
entre os dirigentes das organizações, os trabalhadores de saúde e os usu-
ários; essa relação intrínseca poderia contribuir para que a missão social
dos serviços de saúde fosse gradativamente viabilizada. A articulação das
diferentes políticas e estratégias nos municípios, espaços concretos em
que se efetivam as mudanças das práticas sanitárias, dependem de sujei-
tos comprometidos.
REFERÊNCIAS
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL, 1988.
CRISTO, S. C. A. de. Política de saúde e acessibilidade: reflexões a partir da Unidade Muni-
cipal de Saúde de Fátima em Belém/PA. Dissertação (Mestrado). Centro Socioeconômico/
UFPA. Belém, 2004.
FIORI, J. L. O Desafio Político-Econômico Brasileiro no Contexto Latino-Americano. In: Textos
IEI, nº 290, Rio de Janeiro: UFRJ, Dezembro/1992.
MACHADO, M. das D. de J. Produção de doenças em contextos urbanizados: desigualdades
intra-urbanas de saúde em Belém. Tese (Doutorado). Núcleo de Altos Estudos Amazônicos/
UFPA. Belém, 2004.
PAULO NETTO, J. Neoliberalismo e crise do capitalismo hoje. 1998
RELATÓRIO DO PREFEITO À CÂMARA MUNICIPAL DE BELÉM 1997 a 2000. Secretaria Mu-
nicipal de Coordenação Geral do Planejamento e Gestão – Segep, 2001.
83
ARTIGOS
RESUMO
O objetivo do trabalho foi elaborar e desenvolver um produto embutido
cozido, de boa palatabilidade, fonte de proteínas de alto valor biológico,
baixo valor calórico e baixo índice de gordura, utilizando na elaboração
misturas com quantidades variadas de filés de peixes de água doce, água,
aditivos e condimentos nas formulações. O produto em questão busca di-
versificar a alimentação dos habitantes de regiões ribeirinhas, onde o cos-
tume de se consumir pescado é grande, e dos apreciadores de peixes em
geral. Objetivou-se, também, determinar os parâmetros físico-químicos,
microbiológicos e sensoriais do apresuntado de peixe pronto para o consu-
mo, que, ao final da pesquisa, foi bem aceito pelos provadores. Foi também
verificada a vida de prateleira do produto.
Desenvolvimento de formulação para
apresuntado de peixe de água doce
CARVALHO, Márcia M. de; MAGRI, Margareth
Escola Agrotécnica Federal de Barbacena/MG
Palavras-chave: Apresuntado de Peixe; Composição do Apresuntado de Peixe;
Análise Sensorial do Apresuntado de Peixe.
Análise microbiológica
Fotos: Margareth Magri
84
CADERNOS TEMÁTICOS Nº 16 NOV. 2007
Introdução
No presente trabalho foi estudada a preparação de um alimento de
boa palatabilidade, constituindo fonte de proteínas de alto valor biológico,
baixo valor calórico e baixo índice de gordura. Nas formulações, foram
balanceadas quantidades diferentes de filés de peixe de água doce, água,
aditivos e condimentos, objetivando sua produção em escala artesanal e
industrial. O produto final foi submetido a análises físico-química, micro-
biológica e sensorial.
Para a elaboração do apresuntado de peixe, foram utilizados filés de
tilápia (Oreochromis niloticus), selecionados, que possuíam uma carne
de boa qualidade, com baixo teor de gordura e alta porcentagem de
proteínas, sendo estes devidamente higienizados e sem pele. O apre-
suntado de peixe destaca-se por conservar seu valor protéico, baixo
valor calórico e gordura.
Materiais e método
Na elaboração das formulações do apresuntado de peixe, foram uti-
lizados os seguintes condimentos e aditivos necessários ao processo de
fabricação: 65% a 85% de filé de peixes de água doce, 1% a 4% de fé-
cula, 1% a 5% de proteína isolada de soja, 10% a 30% de água gelada,
0,5% a 2% de sal, 0,5% a 2% de aromatizante, 0,1% a 0,5% de açúcar,
0,1% a 1% de realçador de sabor glutamato monossódico, 0,1% a 0,5%
de estabilizante/emulsificante polifosfato de sódio, 0,01% a 0,015% de
conservadores nitrito de sódio e 0,01% a 0,03% de nitrato de sódio. Toda
a matéria-prima utilizada no processo de fabricação, assim como os in-
gredientes e aditivos, foram fornecidos pela Escola Agrotécnica Federal de
Barbacena/MG, onde os experimentos foram realizados.
Equipamentos
Foram utilizados moedor de carnes modelo Caf Boca 22, de aço
inoxidável, com disco de 5 mm, misturador de pá com capacidade de
30 kg por batelada, fôrmas de aço inoxidável revestidas com plásticos
termoresistentes, tacho para o cozimento das peças em banho-maria,
termômetro digital tipo agulha, para conferência da temperatura interna
das peças, e termômetro com escala de mercúrio -10°C a 100°C, para
acompanhamento da temperatura da água de cozimento e câmara frigo-
rífica (freezer) para o acondicionamento das peças após o cozimento.
Márcia Maria de Carvalho
é mestre em Ciência e
Tecnologia de Alimentos,
Universidade Federal de
Viçosa (UFV), professora
efetiva da Escola Agrotécnica
Federal de Barbacena, área
de Processamento de Carnes.
Margareth Magri é aluna
do Curso Técnico em
Agroindústria da Escola
Agrotécnica Federal de
Barbacena.
Estufa para incubação de amostras
Etapas do preparo do apresuntado de filé de tilápia, da tritura ao cozimento
85
ARTIGOS
Ingredientes
Foram utilizados filés de tilápia (Oreochromis niloticus), fécula de man-
dioca, proteína isolada de soja, água gelada, sal, aromatizante, açúcar, gluta-
mato monossódico, polifosfato de sódio, nitrito de sódio e nitrato de sódio.
O filé de peixe foi responsável pelo sabor e odor característicos; a fécula,
além de agir como substância de enchimento, ligador, tem alta capacidade
de retenção de água; a proteína isolada de soja também age como substân-
cia de enchimento, ligador, possui alta capacidade de retenção de água e
alto valor nutricional; a água gelada mantém a temperatura baixa para não
desestabilizar a emulsão no momento do cozimento; o sal, além de extrair
proteínas miofibrilares, tem função saporizante; o aromatizante confere ou
intensifica o aroma ao produto final; o açúcar age como realçador de sabor;
o glutamato mossódico também tem função realçador de sabor; o polifos-
fato de sódio tem função emulsionante/estabilizante, ou seja, estabiliza a
emulsão, tornando-a com aparência uniforme; o nitrito e o nitrato de sódio
são conservadores, antioxidantes, prevenindo a oxidação e prolongando a
vida de prateleira do produto.
Resultados e discussão
Durante os experimentos, foram obtidas duas formulações de apresun-
tado de peixe, ambas de filés de tilápia, utilizando proporções diferentes de
pescados, condimentos e aditivos.
Os produtos obtidos foram submetidos à análise sensorial por 49 prova-
dores, com preenchimento de questionário; dos quais 30,62% degustaram
apenas a 1ª formulação; 34,69% degustaram a 1ª e a 2ª formulações e
34,69% degustaram apenas a 2ª formulação. No teste de aceitação, a gran-
de maioria dos provadores, ou seja, 76,67% preferiram a 2ª formulação,
pois, segundo os julgadores, a amostra estava com sabor excelente, e sem
odor característico de peixe. Esta preferência não significou a rejeição total
da 1ª formulação, que obteve 23,33% de aceitação.
Quanto ao teste de atitude, ou seja, para avaliação se comprariam ou
não o produto, 70% dos provadores afirmaram que adquiririam o da 2ª
formulação, e 30% dos provadores o da 1ª formulação; permanecendo, en-
tão, a preferência dos mesmos pela 2ª formulação, pois quando comparada
à 1ª formulação, esta foi considerada salgada e com odor forte; o que foi
melhorado na 2ª formulação por sugestão dos julgadores.
Após a confecção do apresuntado de peixe, uma peça foi mantida in-
teira e sob refrigeração de +8°C a +10°C, em geladeira doméstica e fora
Plaqueamento (topo) e diluição das amostras
86
CADERNOS TEMÁTICOS Nº 16 NOV. 2007
da forma correta de armazenamento recomendada para tal produto, que é
de +2°C a +4°C, pelo tempo aproximado de 100 dias, quando foi observado
o aparecimento das primeiras alterações em sua composição, desenvolven-
do uma limosidade na parte externa. Após 122 dias, o apresuntado manteve-
se estável, com consistência sólida, apenas com limosidade na parte externa,
estando a parte interna em perfeito estado, sem odor pútrido e com pH de
4,3 (ácido). A peça cortada ao meio e armazenada sob as mesmas condições
e temperatura acima mencionadas, apresentou alterações após 46 dias e o
apresuntado fatiado, armazenado da mesma forma, começou a apresentar de-
terioração após 22 dias. Estes testes foram realizados nas duas formulações e
apresentaram resultados semelhantes, como: após o início da deterioração, o
apresuntado apresentou coloração parda e textura pegajosa na parte externa,
visivelmente sofrendo deteriorações causadas por microrganismos, porém, o
seu interior continuou com a coloração pêssego inicial.
Ao final do processo de avaliação, observou-se que o gosto não se al-
terou significativamente, de modo que a fatia se tornou um pouco mais
salgada. O odor também não teve grandes alterações, mantendo-se o odor
característico de peixe.
As análises microbiológicas das duas formulações revelaram resultados
satisfatórios, considerando o produto apto ao consumo. As análises físico-
químicas revelaram as qualidades nutricionais do apresuntado de peixe.
Conclusão
No presente trabalho, foi pesquisada a elaboração de um novo produto,
sendo este liberado para consumo humano, pois as análises (organoléptica,
físico-química e microbiológica) realizadas para as condições deste trabalho
apresentaram-se dentro dos limites estipulados pela legislação vigente.
Apesar da contaminação e deterioração do pescado ocorrer com muito
mais facilidade, o apresuntado de peixe obteve um bom tempo de con-
servação, devido aos cuidados em sua manipulação e aos condimentos e
aditivos adicionados em sua composição, podendo até mesmo se igualar
aos demais apresuntados existente no mercado.
O novo produto desenvolvido demonstrou ser nutritivo, apresentando
boas qualidades sensoriais, e os cuidados especiais quanto à manipulação,
tanto do pescado de água doce como de seus respectivos componentes
utilizados na formulação, foram fatores determinantes para que o mesmo se
mantivesse dentro dos limites microbiológicos previstos na legislação. Sen-
do assim, o produto é adequado para ser produzido tanto em condições
artesanais como em escalas industriais.
Diluição e plaqueamento das amostras
REFERÊNCIAS
ANVISA. AGÊNCIA NACIONAL DA VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Resolução – RDC nº 12, de 2
de janeiro de 2001. Padrão Microbiológico para Alimentos. Disponível em: www.anvisa.gov.
br/legis/resl/12-01rdc.html. Acesso em: 17 de abril de 2006.
BRASIL, MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, Instrução Normativa nº 62. Alimentos/Águas. Micro-
biológicos. Contagem de coliformes fecais... Disponível em: www.anvisa.gov.br/reblas/bio/anali/
analitico_064.htm#1. Acesso em: 5 de dezembro de 2005 e 13 de dezembro de 2005.
MARTINS, C.V.B., POOTZ, D.O., MARTINS, R.S., HERMES, C.A., VAZ, S.K., MINOZZO,
M.G., CUNHA, M., ZACARKIM, C.E. Avaliação da piscicultura na região oeste do estado do
Paraná. Boletim do Instituto de Pesca, São Paulo, 27, 2001.
RANKEN, M. D. Manual de Industrias de los Alimentos. Editorial Acribia, S.A. 2
a
ed.
España, 1993.
87
RESUMOS ESTENDIDOS, RELATOS DE EXPERIÊNCIAS E PRÁTICAS PEDAGÓGICAS
Objetivando trabalhar questões relacionadas à melhoria da qualidade
de vida da população e do ambiente no distrito de Cruzeiro dos Peixotos,
no município de Uberlândia/MG, foram realizadas, por professores e alu-
nos graduandos, quatro gincanas entre abril de 2006 e junho de 2007, na
área urbana do distrito.
Para realização das gincanas, foram formados grupos com alunos da
Educação Infantil e da 1ª à 8ª série do Ensino Fundamental. Cada grupo
contava com um ou dois professores e um membro da equipe do projeto
para acompanhá-los. Para as três primeiras gincanas, as equipes visitaram
residências em quarteirões estabelecidos pelos organizadores para recolher
os resíduos.
Saúde e ambiente: inter-relações
para melhoria da qualidade de vida
no distrito de Cruzeiro dos Peixotos
LEMOS, Jureth C.; OLIVEIRA, João C. de
Escola Técnica de Saúde da Universidade de Uberlândia/MG
Fotos: Camila Faleiros, Jaqueline Ferrete, Thaís Pereira e João C. de Oliveira
Novo Cruzeiro à frente da Capela de Santo Antônio, no distrito de Cruzeiro dos Peixotos
88
CADERNOS TEMÁTICOS Nº 16 NOV. 2007
Na primeira gincana, antes dos grupos saírem para recolher os possí-
veis criadouros, houve uma palestra introdutória com a professora coor-
denadora do projeto sobre doenças veiculadas por mosquitos com foco
voltado principalmente para a dengue. Logo após as orientações, foram
distribuídos sacos para colocar os resíduos coletados seletivamente e
luvas para recolhê-los. O trabalho de recolhimento dos resíduos teve
duração de 2 horas. Praticamente todas as residências foram visitadas.
Os resíduos foram levados para a quadra esportiva do distrito, onde
ocorreu a contagem, isto porque o grupo que conseguisse recolher o
maior número de possíveis criadouros seria premiado. Também foi dis-
tribuído lanche.
Equipe de pesquisa: Baltazar
Casagrande, Núbia R. Batista,
Elaine A. Borges, Camila
de M. Faleiros, Jakson A.
Ferrete, Jaqueline A. Ferrete,
Kênia Rezende, Mariana O.
Rodrigues, Sérgio M. Silva e
Ana C. P. Sousa.
Tabela 1. Materiais recolhidos nos quintais dos domicílios durante as quatro gincanas,
no distrito de Cruzeiro dos Peixotos, e posteriormente comercializados – agosto/2007
Tipo de material Peso (kg) Valor R$ (kg) Total (R$)
Plástico - pet (vasilhames de 600 ml, de 2 l e outros)
190 0,40 76,00
Vidros
106 0,05 5,30
Papel e papelão 45 0,10 4,50
Plástico em geral (frascos de detergentes, óleo, amaciantes e outros) 50 0,15 7,50
Sucatas (latas, vasilhas de alumínio e outras) 35 0,12 4,20
Latinhas (refrigerantes, cervejas e outras) 7 2,50 17,50
TOTAL
433 - 115,00
Tabela organizada pelos autores. Julho/2007.
Localização do distrito de Cruzeiro dos Peixotos no Município de Uberlândia
Demonstração do ciclo do Aedes aegypti e albopictus
89
RESUMOS ESTENDIDOS, RELATOS DE EXPERIÊNCIAS E PRÁTICAS PEDAGÓGICAS
Em dezembro de 2006, a gincana aconteceu de forma
aleatória, os alunos formaram seus próprios grupos e reali-
zaram a coleta dos resíduos durante uma semana. No final
da semana houve a premiação para o grupo que recolheu
o maior número de possíveis criadouros.
Por recomendação do Secretário Municipal de Saúde
de Uberlândia, o início do ano letivo de 2007 deveria
ser com aulas sobre dengue (nos dois primeiros dias). Por
isso, a coordenadora do projeto e a equipe foram até a
escola do distrito e desenvolveram algumas atividades,
como palestra e apresentação do ciclo do Aedes aegypti
e do albopictus (ovo, larva, pupa e mosquito adulto). Na
ocasião, foi dada uma terceira tarefa para que os alunos
recolhessem novamente os possíveis criadouros e levas-
sem até a escola.
Na última gincana, as equipes saíram em ruas pré-
estabelecidas pela equipe do projeto, para que, além do
recolhimento dos resíduos, os alunos conhecessem o fun-
cionamento da armadilha Adultrap, que é um novo méto-
do para detectar a presença do Aedes aegypti.
Durante as atividades das quatro gincanas foram re-
colhidos materiais conforme demonstrado na tabela 1.
Todo esse material foi levado pela equipe do projeto para
Uberlândia e comercializado, sendo o dinheiro entregue
à direção da escola.
O valor adquirido com a comercialização dos resíduos
não foi tão significante, mas o ganho maior das gincanas
foi o de proporcionar um ambiente limpo, que pode evitar
a proliferação de vetores e, conseqüentemente, de doen-
ças como a dengue, bem como, também, a uma melhor
qualidade de vida para a população e conservação do
meio ambiente. Isso porque são necessárias 25 garrafas
pet para pesar um quilo.
Acredita-se que com trabalhos junto à comunidade, como este, pode-se
contribuir para a saúde e para a conservação do meio ambiente. Uma abor-
dagem holística da saúde e do ambiente aumenta o bem-estar e reduz o ris-
co de doenças nas crianças e adultos. O desenvolvimento de atividades de
vigilância e conservação da saúde e ambiente pode resultar em importantes
determinantes voltados à comunidade e, por extensão, de suas famílias,
contribuindo para a obtenção de ganhos a médio e longo prazo.
Da esquerda para a direita: palestra sobre dengue; entrega de luvas e sacos plásticos para acondicionar resíduos; alunos manuseando armadilha Adultrap
Capela de Santo Antônio, no
distrito de Cruzeiro dos Peixotos
Professora e membros da equipe vencedora
90
CADERNOS TEMÁTICOS Nº 16 NOV. 2007
A mortalidade por câncer de mama está aumentando nos últimos anos.
O Rio Grande do Sul é considerado o estado com uma das maiores taxas de
incidência de câncer de mama, sendo essa a primeira causa de óbitos entre
mulheres na faixa etária de 30 a 49 anos.
A comunidade precisa estar ciente da importância dos cuidados com
a saúde das mamas, bem como de sua saúde geral. Para tanto, um grupo
de voluntários do Centro Federal de Educação Tecnológica de Bento Gon-
çalves (Cefet-BG), com apoio do Instituto da Mama do Rio Grande do Sul
(Imama/RS) iniciaram em 2003 um programa de conscientização acerca do
câncer de mama, aplicando uma metodologia própria nas comunidades
próximas a Bento Gonçalves – Projeto Imama na Escola.
Devido a padrões culturais históricos da região, não é habitual a po-
pulação expressar o que sente, apresentando dificuldade em lidar com a
sexualidade, bem como com a possibilidade do câncer. O conhecimento
do corpo e o cuidado com as mamas são os focos principais do projeto, de-
senvolvido por alunos de ensino médio, ensino superior e servidores, que
são capacitados por profissionais voluntários do Imama/RS.
Programa Imama na Escola
GIACOMAZZI, Elizabethe P.; ZANDONÁ, Susana;
OLIVEIRA, Maria do Carmo; CIGNACHI, Maria da Glória
Centro Federal de Educação Tecnológica de Bento Gonçalves/RS
Oficina de conscientização em evento social
Fotos: Elizabethe Giacomazzi
91
RESUMOS ESTENDIDOS, RELATOS DE EXPERIÊNCIAS E PRÁTICAS PEDAGÓGICAS
Considerando-se que a área de abrangência do Cefet-BG é de mais de
100 municípios da região, aproveita-se a facilidade de acesso a estas comu-
nidades através dos alunos e seus familiares para alertar essas comunidades
sobre questões como auto-conhecimento e valorização do corpo, já que
algumas possuem acesso restrito à informação.
O diferencial do Projeto Imama na Escola é o de ser conduzido por
jovens não vinculados à área da saúde, alunos dos cursos de Agropecuária,
Enologia, Informática e Tecnólogo em Alimentos. Esses, preocupados pre-
cocemente com o tema, dispõem-se a alertar outras pessoas, independente
de idade e sexo. A naturalidade e preocupação com que o grupo discute e
expõe as informações comove a quem os assiste.
Nas oficinas de conscientização, o objetivo principal do grupo é enfa-
tizar sempre a importância do hábito de olhar-se no espelho, de tocar-se,
conhecer seu próprio corpo e perceber possíveis alterações, educando-se
para a prevenção. Muitas vezes, com o objetivo motivacional, utilizamos di-
nâmicas de grupo, em que o grupo de teatro do projeto atua fazendo breves
apresentações temáticas criadas pelos voluntários, as quais desencadeiam,
de forma agradável, descontraída e criativa, a discussão do momento.
Os alunos apresentam a estrutura e a fisiologia da mama e oferecem
orientações quanto aos passos que devem ser seguidos para a realização
correta do auto-exame das mamas, destacando a forma desapercebida e
invasiva de como a doença se manifesta.
Nesses momentos, aproveita-se a atenção do grupo e introduz-se o quan-
to é importante zelar pela saúde, conhecer e precaver-se contra as doenças
sexualmente transmissíveis, bem como em relação à gravidez indesejada na
adolescência. O grupo, aos poucos, vai descobrindo que não se trata apenas
da saúde da mulher, uma vez que o homem também desenvolve câncer de
mama. Torna-se claro que todos, independentemente de sexo e idade, de-
vem escolher um dia do mês e realizar o auto-exame das mamas. Salienta-se
que, quanto mais tardio é o diagnóstico, mais restrito é o tratamento, funda-
mentando assim a importância de cada um se conhecer e direcionar-se ao
seu médico, apontando qual a alteração observada em seu corpo.
O Projeto Imama na Escola já realizou apresentações em várias escolas da
região, e diferentes setores da sociedade, como igrejas, escolas de enfermagem,
reuniões de pais e mestres, desfiles cívicos, eventos sociais, refeitórios de esco-
las e empresas, em estandes de feiras técnicas e em seminários de extensão.
Todas essas ações são registradas em ata (de dezembro de 2003 até setembro
de 2007 foram registrados 164 encontros). No final do ano, os participantes do
projeto recebem certificados, registrando a importância do exercício da cida-
dania, da responsabilidade social e da necessidade de parcerias.
O Projeto Imama na Escola solidifica-se a cada novo encontro e entu-
siasma-se ao perceber o engajamento e receptividade dos locais onde o
grupo expõe o tema: escolas da região, três Seminários de Extensão Uni-
versitária da Região Sul (SEURS), apresentação para mais de 1.000 pessoas
num “Encontro de Senhoras do Meio Rural de Nova Prata”, “Semana do
Município” de várias cidades da região, Semana Interna de Prevenção de
Acidentes (Sipat) da Embrapa Uva e Vinho – BG, oficina de conscientização
na Associação de Deficientes Visuais, entre outras.
Contando com a atuação destes jovens, hoje temos a certeza de que a
mensagem está sendo absorvida pelos que os assistem e que hábitos sim-
ples e saudáveis estão sendo introduzidos nas suas rotinas, o que lhes asse-
gurará qualidade de vida.
Colar da Vitória é um dos recursos didáticos
Equipe Imama no Cefet BG
92
CADERNOS TEMÁTICOS Nº 16 NOV. 2007
Normalmente, as famílias compram e armazenam em casa uma varie-
dade de frutas e hortaliças, as quais são perecíveis, para utilizarem ao longo
da semana ou do mês. Neste pequeno texto, pretendemos colocar algumas
regras básicas e muito simples para que possamos aproveitar ao máximo os
serviços da nossa geladeira e, ao mesmo tempo, evitarmos desperdícios de
alimentos e, também, de dinheiro.
O Brasil é um dos maiores produtores mundiais de frutas e hortaliças.
Entretanto, ao mesmo tempo, está situado entre os países que mais des-
perdiçam alimentos. Alimentos significam vitaminas, elementos minerais e
outras substâncias indispensáveis para a manutenção da nossa saúde. In-
felizmente, este é um dos dilemas que possuímos, pois, apesar da imensa
produção de frutas e hortaliças, nos situamos, também, dentre países que
“passam fome”, com uma grande parcela de nossa população com proble-
mas de subnutrição e carência de uma alimentação equilibrada.
Informações básicas para conservação
de frutas e hortaliças em casa
SAQUET, Adriano A.
Centro Federal de Educação Tecnológica de São Vicente do Sul/RS
Fotos: Rodrigo Farhat
93
RESUMOS ESTENDIDOS, RELATOS DE EXPERIÊNCIAS E PRÁTICAS PEDAGÓGICAS
Dicas para melhor conservação das frutas e hortaliças
Escolha e preparo prévio dos alimentos
Ainda no supermercado ou na feira, onde normalmente são adqui-
ridas as frutas e hortaliças, devem ser tomadas medidas de precaução
na hora da escolha a fim de evitar que peguemos alimentos que irão
durar menos em função do estado em que se encontram. De prefe-
rência, devemos escolher aqueles que se encontram em balcões refri-
gerados. Devemos observar o tamanho, no caso de frutas em geral ou
hortaliças-frutos, como o tomate, a berinjela e outros. De maneira geral,
frutos maiores, além de serem menos saborosos, apresentam maiores
problemas de conservação, estragando mais rapidamente. A presença
de danos mecânicos, como ferimentos expostos e batidas, favorecem a
ocorrência de podridões, estragando mais rapidamente. Danos mecâni-
cos por amassamento também influenciam negativamente a qualidade
das frutas. Muitas vezes não percebemos, mas as frutas que caíram no
chão ou aquelas que foram pressionadas com as mãos por outras pes-
soas apresentam este tipo de problema, que nem sempre é perceptível
externamente no momento da compra.
Em casa, principalmente com as hortaliças, é importante que se faça
uma toalete, principalmente no caso de folhosas como a alface, couve e ou-
tras que apresentarem folhas sujas ou moles. A extremidade do caule deve
ser cortada a fim de eliminarmos podridões que por ventura já estejam se
desenvolvendo nestas regiões e que ainda não percebemos visualmente. Às
vezes, é necessária a lavagem, mas é importante que não se deixe excesso
de água nas folhas, o que poderá induzir e acelerar o apodrecimento.
Frutas que podem ser compradas um pouco “verdes” ou mais firmes e
que posteriormente amadurecem em casa são: maçã, ameixa, pêra, kiwi,
banana, pêssego e nectarina, abacate, manga, goiaba, melão e mamão.
Deve-se observar, entretanto, que estes frutos não sejam adquiridos muito
verdes, pois poderão não amadurecer de forma normal posteriormen-
te. Eles podem murchar, originando insuficiência de sabor, suculência e
aroma. Existem algumas hortali-
ças-frutos que também podem ser
adquiridas mais verdes ou firmes,
como é o caso do tomate, que
posteriormente amadurece.
Frutos como o morango, uvas
em geral, laranjas, bergamotas e
demais frutas cítricas não amadu-
recem após a colheita, sendo, por-
tanto, recomendado que sejam
colhidos ou comprados maduros.
Muitas vezes eles até mudam a
coloração da casca, de verde para
amarelo, mas isso não significa,
necessariamente, que estejam
maduros internamente. Algumas
vezes, por falta de conhecimento
técnico básico, são colhidos ante-
cipadamente e não adquirem sa-
bor e aroma adequados nos dias
que se sucedem.
94
CADERNOS TEMÁTICOS Nº 16 NOV. 2007
Observação da temperatura
ideal de conservação
Dentre os frutos, existem basi-
camente dois grandes grupos que
se diferenciam quanto à tempera-
tura de conservação na geladeira
ou na câmara frigorífica: as frutas
tropicais, que não toleram tempe
-
raturas muito baixas, e as frutas de
clima temperado, que suportam e
se conservam muito bem em tem-
peraturas próximas de zero grau.
Frutas como a manga, o abaca-
te, o abacaxi e a banana, quando
colocados na geladeira, mesmo na
gaveta, onde a temperatura é um
pouco mais elevada do que na
parte superior, escurecem a casca
e até mesmo a polpa. Este tipo de
problema acontece freqüentemen-
te, pois tais frutas não deveriam ser colocadas na geladeira. Dependendo
da temperatura ambiente, em função da época do ano, é aconselhável
que permaneçam fora da geladeira. Já frutas como maçã, pêra, pêssegos
e nectarinas, morango, kiwi e ameixas se conservam bem melhor quando
armazenadas em temperaturas próximas de zero.
Hortaliças, de maneira geral, conservam-se muito bem quando arma-
zenadas na gaveta da geladeira. Estes alimentos, normalmente, não apre-
sentam tais peculiaridades com relação à temperatura de conservação e
devem permanecer na geladeira sempre. Uma exceção é o rabanete, que,
às vezes, pode apresentar manchas internas de aspecto úmido devido à
temperatura muito baixa.
Embalagens para acondicionamento e conservação
A umidade do ar dentro da geladeira é sempre muito baixa, justificando,
desta forma, a formação constante de gelo em torno do congelador. Se co-
locarmos alimentos desprotegidos no interior da geladeira, estes, em pouco
tempo, perderão muita água e apresentarão aspecto murcho. A perda de
água pelos alimentos, além de prejudicar o aspecto visual dos produtos,
favorece também uma maior perda de vitamina C, que é a vitamina mais
importante encontrada nas frutas e hortaliças. Esta perda de água excessiva,
então, acaba por reduzir o período de conservação das frutas e verduras.
Uma forma simples, mas que exige um mínimo de conhecimento para
uma melhor conservação, é o uso de embalagens plásticas para melhor con-
servar as frutas e hortaliças na geladeira. Antes de serem embalados, é neces-
sário que estes produtos sejam resfriados a fim de evitar que ocorra conden-
sação de vapor de água no seu interior, ou seja, a formação que pequenas
gotas de água. Este processo induz uma maior ocorrência de podridão visto
que ocorre também na superfície dos alimentos dentro da embalagem.
Um outro aspecto muito importante a ser observado com esta técnica
é a espessura do saco plástico que será usado. Em caso de embalagens fi-
nas, como as que normalmente são encontradas nos supermercados para
acondicionamento de frutas e hortaliças para a pesagem, não é necessá-
rio a realização de orifícios nas mesmas. As frutas e hortaliças podem ser
95
RESUMOS ESTENDIDOS, RELATOS DE EXPERIÊNCIAS E PRÁTICAS PEDAGÓGICAS
ensacadas e acondicionadas na geladeira. Porém, quando os sacos forem
mais grossos, é necessário que se faça um pequeno orifício para auxiliar
na aeração interna dos alimentos, pois estes estão vivos e precisam de ar
para respirar e também para eliminar o gás carbônico interno. No caso
das embalagens finas, essas trocas gasosas acontecem através da porosida-
de natural que a embalagem possui.
Sacolas de supermercado coloridas não são recomendadas para fru-
tas e hortaliças que serão ingeridas sem descascar, pois as mesmas pos-
suem produtos químicos em sua composição que poderão contaminar os
alimentos. Frutas ou hortaliças que são descascadas antes da utilização
podem ser acondicionadas neste tipo de embalagem. Em caso de conge-
lamento, nunca devem ser usadas em função do tempo prolongado de
contato com os alimentos.
Grupos específicos de alimentos de acordo com o sabor e o aroma
Existem alguns tipos de alimentos que exalam aromas característicos,
como é o caso da cebola e do alho. Tais alimentos não devem ser mistura-
dos com outros, pois estas substâncias influenciarão no cheiro e sabor dos
outros alimentos, o que pode não agradar na hora do consumo.
Normalmente dizemos que o refrigerador conserva os alimentos. Na
verdade, o que acontece é um prolongamento da vida dos alimentos que
temos na geladeira. É importante salientar que a geladeira não melhora
as características dos alimentos, e sim tenta manter a qualidade o maior
tempo possível. Esta qualidade e período de conservação dependem mui-
to da qualidade inicial quando adquirimos as frutas e hortaliças. Desta
forma, se comprarmos uma fruta danificada ou já com sintomas de podri-
dão, não será a geladeira que irá solucionar esses problemas. Por isso, é
muito importante que sejamos muito criteriosos no momento da escolha
destes produtos, e que sejamos muito exigentes com aquilo que estamos
adquirindo, pois estamos pagando e, na maioria das vezes, muito caro por
estes alimentos.
Shutterstock
96
CADERNOS TEMÁTICOS Nº 16 NOV. 2007
CONTATOS
Contatos
BA
Curso altera rotina de professores
e estudantes na Bahia
Escola Agrotécnica Federal
Antônio José Teixeira
Zona Rural – Distrito de Ceraíma
Caixa Postal 009 – Guanambi/BA
CEP: 46430-000
Telefones: (77) 3493-2100
Fax: (77) 3493-2099
Site: www.eafajt.gov.br
CE
Moradores aprendem
a economizar água
Júlio César da Costa Silva
Centro Federal de Educação
Tecnológica do Ceará
Av. 13 de Maio, 2081
Benfica – Fortaleza/CE
CEP: 60040-531
Telefone: (85) 3288-3674 / 3676
Site: www.cefetce.br
MG
Desenvolvimento de
formulação para apresuntado
de peixe de água doce
Márcia Maria de Carvalho
Margareth Magri
Escola Agrotécnica
Federal de Barbacena
Rua Monsenhor José Augusto, 204
São José – Barbacena/MG
CEP: 36205-018
Telefone: (32) 3693-8600 / 8607
Fax: (32) 3693-8614
Site: www.eafb.org.br
Saúde e ambiente: inter-relações
para promoção da melhoria da
qualidade de vida no distrito
de Cruzeiro dos Peixotos
Jureth Couto Lemos
João Carlos de Oliveira
Escola Técnica de Saúde/UFU
Av. Amazonas, s/nº, Bloco 4K
Campus Umuarama
Uberlândia/MG – CEP: 38400-902
Telefone: (34) 3218-2218 / 2318
Fax: (34) 3218-2410
Site: www.estes.ufu.br
Prevalência da dengue
na cidade de Uberaba
Vera Lúcia Abdala
Estelamar Maria Borges Teixeira
Ozeni Amorim Barbosa
Centro Federal de Educação
Tecnológica de Uberaba
Rua João Batista Ribeiro, 4000
Bairro Mercês – Uberaba/MG
CEP: 38064-900
Telefone: (34) 3319-6017 / 6016 / 6014
Fax: (34) 3319-6003
Site: www.cefetuberaba.edu.br
PA
O acesso dos usuários
aos serviços de saúde
Solange Conceição A. de Cristo
Centro Federal de Educação
Tecnológica do Pará
Av. Almirante Barroso, 1155 – Marco
Belém/PA – CEP: 66093-020
Telefone: (91) 3201-1798 / 1796
Fax: (91) 3226-9710
Site: www.cefetpa.br
PB
Afecções ginecológicas
evidenciadas no Papanicolau
em uma unidade de Saúde da
Família em João Pessoa
Fernanda Maria Chianca da Silva
Andrezza Pereira de Santana
Angely Caldas Gomes
Karla Janaína Ferreira Marques
Kátia Karine Pessoa Andrade
Jeane da Silva Gomes
Escola Técnica de Saúde/UFPB
Centro de Ciências da Saúde
Cidade Universitária
Campus I – Castelo Branco
João Pessoa/PB – CEP: 58051-900
Telefone: (83) 3216-7400
Fax: (83) 3216-7189
Análise dos fatores geradores de
estresse em uma central telefônica
Maria Luiza da Costa Santos
Juliana da Costa Santos
Centro Federal de Educação
Tecnológica da Paraíba
Av. 1º de Maio, 720 – Jaguaribe
João Pessoa/PB – CEP: 58015-905
Telefone: (83) 3208-3000 / 3241-4408
Fax: (83) 3208-3088
Site: www.cefetpb.edu.br
PI
Análise do teor de cafeína
em refrigerantes comerciais
contendo “cola” utilizando
espectrofotometria UV-vis
Teresinha de Jesus Aguiar dos
Santos Andrade
Graziella Ciaramella Moita
Edgar Alves de Araújo Júnior
Identificação de sujidades em
pimenta-do-reino e corante em pó
Janaina Shamia Melo e Silva
Cristina Zita de Morais Costa Dias
Jucianne Araújo Marinho
Centro Federal de Educação
Tecnológica do Piauí
Praça da Liberdade, 1597 – Centro
Teresina/PI – CEP: 64000-040
Telefone: (86) 3215-5224
Fax: (86) 3215-5206
Site: www.cefetpi.br
PR
Qualidade de vida no
ambiente de trabalho
Gumercindo Vieira dos Santos
gumersan@utfpr.edu.br
Universidade Tecnológica
Federal do Paraná
Avenida Sete de Setembro, 3165
Rebouças – Curitiba/PR
CEP: 80230-901
Telefone: (41) 3310-4545
Fax: (41) 3310-4432
Site: www.utfpr.edu.br
RN
Uma escola para todos
Tânia Padilha
Centro Federal de Educação
Tecnológica do Rio Grande do Norte
Av. Senador Salgado Filho, 1559
Tirol – Natal/RN – CEP: 59015-000
Telefone: (84) 4005-2600
Fax: (84) 4005-9728
Site: www.cefetrn.br
RS
Desenvolvimento de sistema
para análise de concentração
de cobre na cachaça
Jean Karlo Acosta Mendonça
Diego Nunes Carvalho
Douglas Dalla Nora
Tiago de Oliveira Buligon
Informações básicas para
conservação de frutas e
hortaliças em casa
Adriano Arriel Saquet
Centro Federal de Educação
Tecnológica de São Vicente do Sul
Rua 20 de Setembro, s/nº – São
Vicente do Sul/RS – CEP: 97420-000
Telefone: (55) 3257-1114
Fax: (55) 3257-1263
Site: www.cefetsvs.gov.br
Programa Imama na Escola
Elizabethe Terezinha Pitt Giacomazzi
Susana Zandoná
Maria do Carmo Oliveira
Maria da Glória Cignachi
Centro Federal de Educação
Tecnológica de Bento Gonçalves
Av. Osvaldo Aranha, 540 – Bairro
Juventude – Bento Gonçalves/RS
CEP: 95700-000
Telefone: (54) 3455-3231/ 3200
Fax: (54) 3452-2835
E-mail: [email protected].br
Site: www.cefetbg.gov.br
Saneamento e saúde:
gerenciamento de resíduos
em um hospital
Edison Luis Castro Martins
Jocelito Saccol de Sá
Centro Federal de Educação
Tecnológica de Pelotas
Praça 20 de Setembro, 455 – Centro
Pelotas/RS – CEP: 96015-360
Telefone: (53) 2123-1005
Fax: (53) 2123-1006
Site: www.cefetrs.tche.br
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