
certa forma, difundida no Brasil, porém, é feita de forma
informal, sem planejamento ou controle. “Na maioria das
vezes, as pessoas não sabem que o alto índice de poluição
dessas águas é prejudicial à saúde pública e provoca im-
pactos ambientais negativos”, avalia.
Ele pontua que a escassez de água potável versus
a quantidade necessária de utilização da mesma para a
produção de alimentos é outra questão que torna impres-
cindível adotar soluções para racionalizar o uso. Relatório
da Organização das Nações Unidas (ONU) de 2006 alerta
que somente a atividade agrícola absorve 74% de toda a água retirada pelos
humanos dos rios, lagos, aqüíferos e áreas inundadas. Outros 18% são usa-
dos pela indústria e 8%, nos serviços de abastecimentos públicos.
Para os especialistas, o quadro tende a se agravar, pois a demanda au-
menta junto com o crescimento populacional. No Brasil, comparado com
países como a África, a situação não é das mais críticas. Aqui estão 53% da
água doce da América Latina e 12% do total mundial, mas a reserva está
localizada em regiões com baixas taxas de ocupação. Relatório divulgado
pela ONG Geo Brasil Recursos Hídricos em 2007 aponta uma enorme dis-
crepância, pois 74% do total da água disponível estão na região hidrográfica
amazônica, que é habitada por menos de 5% dos brasileiros.
Júlio César acredita ser fundamental conscientizar e sensibilizar a po-
pulação sobre as questões ambientais, tais como a separação e reciclagem
do lixo, o uso racional da água e os riscos de ingerir alimentos conta-
minados devido ao cultivo com águas poluídas. Iniciativas que, segundo
ele, podem minimizar os diversos problemas ambientais e fortalecer a
agricultura familiar. “Aqui integramos pesquisa aplicada, divulgação de in-
formações e projetos de educação ambiental”, diz. Ele relata que muitos
moradores do Renascer já fazem informalmente o reúso dos EFLUENTES
tratados, mantendo pequenas hortas e plantação nas vizinhanças da Esta-
ção de T
ratamento de Água (ETA). “Infelizmente, isso tem provocado im-
pactos ambientais negativos e colocado em risco a saúde deles mesmos”,
ressalta Júlio César.
Comunidade acompanha estudos
De olhos atentos, os moradores acompanham as explicações dos pes-
quisadores acerca das experiências em andamento. No local, já tem cultivo
de milho, utilizando como fertilizante os RESÍDUOS ORGÂNICOS, plantação
de alface por meio de HIDROPONIA e criação de TILÁPIA. Posteriormente,
também serão plantadas banana e cana-de-açúcar. Todo o sistema é abas-
tecido com a água dos esgotos domésticos tratados na ETA.
Durante a visita, Sianne Priscilla Passos, aluna bolsista que pesquisa sobre
hidroponia, relata como são feitas as experiências. “Periodicamente, fazemos
o exame da água e verificamos os tipos de substâncias existentes. Essa che-
cagem é fundamental para que os alimentos não sejam contaminados e se
desenvolvam de forma segura para o consumo”, alerta.
A produção do centro também beneficiará a comunidade. Parte das
frutas, hortaliças e peixes será doada para as creches locais, e o restan-
te, comercializados pela Associação de Moradores do Renascer. Edílson
Aguiar de Moura, membro da associação, aposta que o projeto trará
muitos frutos. “Além do reforço para a merenda escolar, os moradores
podem adquirir conhecimentos para desenvolver suas hortas e gerar ali-
LAGOA DE ESTABILIZAÇÃO
É uma lagoa artificial para onde é
canalizado o esgoto após passar por
um pré-tratamento que retira a areia
e a matéria sólida não degradável
(plásticos, madeira, borracha etc.). No
interior das lagoas, o esgoto passa por
uma série de etapas de depuração –
com tempo de retenção ou permanência
calculada – que simulam o processo
que ocorreria naturalmente num rio.
EFLUENTES
São produtos líquidos ou gasosos
produzidos por indústrias ou resultante
dos esgotos domésticos urbanos, que
são lançados no meio ambiente. P
odem
ser tratados ou não tratados.
RESÍDUOS SÓLIDOS ORGÂNICOS
São constituídos basicamente de
restos de alimentos, sobras de frutas
e verduras em geral, resíduos de feiras
livres e lodo de esgoto sanitário.
HIDROPONIA
É um sistema de cultivo dentro
de estufas sem uso de solo. Os
nutrientes que a planta precisa para
o desenvolvimento e a produção
são fornecidos somente por água
enriquecida com os elementos
necessários, como nitrogênio, potássio,
fósforo, magnésio etc.
TILÁPIA
O nome comum dado a vários
gêneros de peixes ciclídeos de água
doce pertencentes à sub
-família
Pseudocrenilabrinae e, em particular,
ao gênero Tilapia. Eles são nativos da
América do Sul e África, mas foram
introduzidos em muitos lugares nas
águas abertas do sul da América do
Norte e são agora comuns na Flórida,
Texas e partes do sudoeste dos EUA.
CEA está localizado no Conjunto Renascer,
bairro carente de Fortaleza