
Por treinamento para os resultados compreende-se
um treinamento muito próximo das condições da compe-
tição. 0 treinamento para os resultados é ao mesmo tem-
po um controle de nível do atirador e o controle de dife-
rentes aperfeiçoamentos adquiridos. Seja como for, em
cada atirador será preciso reconhecer uma diferença pre-
cisa entre os dois treinamentos.
Somente no primeiro, que porá toda sua concentra-
ção para melhorar e automatizar seus aperfeiçoamentos
técnicos. Por outro lado, os controles de nível devem le-
var à proximidade dos problemas de competições. NQ tiro,
desafortunadamente, estes fatores são ignorados amiúde.
Encontram-se erros semelhantes em vários outros esportes.
Conheço futebolistas que jogam desde 10 ou 15 anos. A
única coisa que adquiriram e sabem é atacar sem precisão.
Mas controlar uma bola, conduzir e fazer lances não-progra-
mados, não o sabem, porque não estão ou não são seriamen-
te treinados.
O iniciante, em seu princípio, deveria empreender
seu treinamento técnico sob o controle de um treinador.
A primeira necessidade para um treinamento técnico fa-
vorável é a existência de uma boa condição especial e ge-
ral. Muito diferente é o caso do atirador já adiantado.
Para ele, o treinamento técnico se situa principalmente em
fevereiro, março, abril. Falamos do plano de treinamento
do período preparatório.
Em f
Igualmente, no correr do ano, o treinamento técnico
é um ponto importante do treinamento geral.
Caso este treinamento técnico seja negligenciado, os
erros podem aparecer e considera-se o erro de uma técnica
geral e que o atirador não reconhece.
Na psicologia do ensino fala-se de aperfeiçoamentos
negativos. Com o fim de evitar este perigo, recomenda-se, de-
pois de um fatigante período de competições, abandonar o
treinamento especial, sem abandonar o treinamento corporal.
Em seguida, o atirador deve voltar a seu treinamen-
to técnico.
Em regra geral, pode-se aconselhar aos atiradores: se
os resultados das competições abaixam sem razão inexpli-
cável, não precisa começar a fazer experiências, mas é ne-
cessário cessar o treinamento para os resultados e reiniciar
o treinamento técnico. É preciso insistir que um resultado
baixo ou uma baixa nos resultados não se combate com
um treinamento mais intensivo, por vezes agressivo, mas
de preferência por uma parada. Os controles sistemáticos
de nível podem, por outro lado, ter muito bons resultados
psicológicos no atirador. O atirador adquire confiança em
si e o sentimento do que é capaz.
O estado antes da competição leva o esportista tan-
to no seu psiquismo quanto no seu aspecto biológico à
parede. Ele possui, em princípio, todos os elementos para
recobrar-se, mas se arrisca ao fracasso sob o efeito dos es-
forços contraídos. Com freqüência, a interferência do pe-
dagogo sabe reconhecer o momento de equilíbrio entre o
sucesso e o fracasso. (Prof. Manfred Steinbach, Practique
de l'entraínement corporel, ano 9, n. 11.)
Um dos problemas mais interessantes e mais impor-
tantes é equilibrar os resultados de treinamento e os resul-
tados de competições. É preciso reconhecer que há uma
quantidade de atiradores que jamais obterão, em competi-
ções, os resultados do treinamento. Pelo contrário, outros
atiradores se controlam perfeitamente, desde que são pos-
tos em competição. Os sinais exteriores do estado antes
da competição podem ser muito diferentes; por exemplo:
o aumento da freqüência de pulsação, respiração ou da
tensão.
Igualmente a aparição de transpiração, a mudança
do tônus muscular, mudança da cor do rosto, perturba-
ções intestinais, uma sensação de peso no peito são sinais
característicos e evidentes deste estado. A força destas
aparições nos diferentes tipos de indivíduos é talvez dife-
rente, segundo as circunstâncias. A medida depende geral-
mente dos seguintes fatores:
— importância da competição;
— consciência de si e confiança em suas possibilida-
des;
— preparação para a competição mesmo em um lon-
go período;
— emoções positivas como o contentamento, a ale-
gria ou indiferença;
— as emoções negativas, tais como a ambição mal
posta, o descontentamento, o medo ou a cólera, a lem-
brança do fracasso nas competições anteriores.
A importância de uma competição tem uma grande
influência no estado antes da competição. Por esta razão,
é importante não trazer muito cedo para a competição
um atirador em vias de desenvolvimento, pois o nível dos
resultados para atingir pode provocar emoções negativas.
Seus aperfeiçoamentos seriam insuficientes para uma com-
petição tão importante. O iniciante deve ser levado à com-
petição através de competições de dificuldades crescentes.
Por este meio aprende a reconhecer seu estado e
suas reações, e pode aí tirar seus benefícios e lições. Para
o atirador laureado com medalha ou título de mestre, é
bom verificar suas reações nestas condições e concluir so-
bre a tática favorável. Saberá, mediante uma grande emo-
ção, atrasar seu tiro, pelo tempo que lhe é permitido.
A aparência exterior da emoção é vista no tremer da
arma, no aumento da pulsação e na incapacidade de atirar
com perfeição.
O atirador não pode naturalmente esperar que tudo
volte ao normal; deve esperar e buscar os métodos e
meios para encontrar sua calma. Estes são individuais. Pa-
ra certos atiradores, basta que abandonem o estande um
momento, a fim de poder de novo se concentrar em sua
tarefa. Outros buscam a conversa com os espectadores, o
treinador ou um camarada de tiro para pensar em outra
coisa. A auto-sugestão tem seu valor, isto é, busca-se com
as palavras trazer uma influência benéfica sobre as emo-
ções não habituais. "Quando o atirador luta contra a in-
fluência negativa do medo, é preciso que pense em agir
como quer fazer" (Weistein). Este conselho é parecido ao
princípio do treinamento autógeno, pelo qual, por meio
de palavras ou de pensamentos dirigidos, obtém-se o esta-
do desejado. O atirador não pode esperar que durante
uma competição, pudesse se concentrar em seu trabalho,
se nao está treinado a fazê-lo. A concentração é aprendida
como a força e/ou a rapidez. Uma das tarefas mais impor-
tantes, ao lado da preparação física e técnica, é a de trei-
nar a vontade e a força da concentração. Durante o trei-