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A segunda parte do desenvolvimento da biotecnologia molecular envolve,
além de pesquisas acadêmicas, a validação e a implantação de processos
industriais. Embora existam no Brasil centros de excelência em engenharia de
processos, a interação com a área de biotecnologia não está enraizada, e
mecanismos de estimulação dessa interação deverão ser implementados. No
mercado internacional, a produção em grande escala de proteínas recombinantes é
reconhecidamente um gargalo, já que a capacidade instalada de produção está
plenamente saturada. O lançamento recente de várias proteínas de uso
potencialmente muito amplo, e a sua aprovação pela FDA, gerou uma demanda que
não pode ser atendida nas instalações existentes. Essa parte de desenvolvimento
tecnológico requer investimentos vultuosos e uma estreita interação com o setor
produtivo. No âmbito internacional, essa parte de desenvolvimento, garantindo
investimentos e lucros vultosos, é feita essencialmente nas grandes empresas
farmacêuticas multinacionais. Devemos notar que a maioria de companhias
menores de pesquisa e desenvolvimento em biotecnologia oriundas da esfera
acadêmica, criadas nos EUA e na Europa na década de 80, foi comprada por
empresas gigantes multinacionais de industria químico-farmacêutica. No Brasil, o
estado atual nessa área foi agravado pelo fato que a maior parte das industrias
farmacêuticas que atuam no país são as multinacionais que não desenvolvem
nenhuma pesquisa no país. A transferência de patentes das companhias
multinacionais pelo uso abusivo de pipeline, que acompanhou a implantação das
patentes na área de biotecnologia, permitiu o registro das patentes antigas como
novas, gerando uma dificuldade adicional na implantação de processos de produção
no país. Cabe ao poder público introduzir urgentemente as correções necessárias,
limitando o poder da proteção de processos industriais vitais para a área de saúde
no país (como já proposto para os antivirais usados no tratamento de infeção por
HIV) e introduzindo os métodos corretivos que permitirão a transferência de
investimentos de empresas multinacionais para o setor de pesquisa e
desenvolvimento no país. Devemos notar que, à diferença de outros países
industrializados onde os centros de pesquisa e desenvolvimento são em grande
parte localizados em instituições privadas, no Brasil esses centros de competência
instalada fazem parte de sistema público acadêmico e de instituições
governamentais de pesquisa, que possuem uma estrutura e quadros científicos de