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a carta. Por conta dos “valores deturpados” do músico, ele chega a chamar
Cazuza de “marginal”, minimiza a qualidade artística e a importância da obra
do compositor, dizendo que ele ”só começou a gravar pois o pai era diretor de
uma grande gravadora” e faz o protesto:
Fiquei horrorizada com o culto que fizeram a esse rapaz,
principalmente por minha filha adolescente ter visto o filme. Precisei
conversar muito para que ela não começasse a pensar que usar
drogas, participar de bacanais, beber até cair e outras coisas fossem
certas, já que foi isso que o filme mostrou. Por que não são feitos
filmes de pessoas realmente importantes que tenham algo de bom
para essa juventude já tão transviada e confusa? Será que ser
correto não dá Ibope, não rende bilheteria?
Por fim, cito mais um artigo, também anônimo
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, a respeito de música do
grupo brasileiro Tribalistas. A canção “Já Sei Namorar” insinua, para o autor, a
sexualidade descartável que ele julga pertinente à boa parte da juventude
atual, principalmente em trechos no qual a música diz: “já sei namorar, já sei
beijar de língua, agora só me resta sonhar” e, principalmente, o refrão: “eu sou
de ninguém, eu sou de todo mundo e todo mundo me quer bem”. Diz ele, sobre
o que chama, pejorativamente, de “namoro tribalista”:
Na hora de cantar todo mundo enche o peito nas boates, levanta os
braços, sorri e dispara: "eu sou de ninguém, eu sou de todo mundo e
todo mundo é meu também". No entanto, passado o efeito do uísque
com energético e dos beijos descompromissados, os adeptos da
geração "tribalista" se dirigem aos consultórios terapêuticos, ou
alugam os ouvidos do amigo mais próximo e reclamam de solidão,
ausência de interesse das pessoas, descaso e rejeição.
O artigo suscitou comentários de jovens pertencentes a comunidades
carismáticas. Uma adolescente cearense de 16 anos, integrante da
comunidade Recado afirma:
Ótimo texto. É realmente o que a juventude precisa não só ouvir mas
também vivenciar, por mais difícil que isso seja. Hoje em dia ninguém
valoriza-se, esquecendo que ao sermos batizados somos convidados
a sermos santos, e somos também templo do Espírito Santo! Vamos
evangelizar, por mais que aos olhos do mundo isso possa parecer
totalmente "careta"!!!!!
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Há apenas a referência de que ele teria sido livremente inspirado em um artigo do cineasta brasileiro
Arnaldo Jabor.