disciplina de Matemática. Foi perguntado o que ela achava do diálogo travado
entre professor-aluno em suas práticas pedagógicas. Ela diz assim: “O diálogo dá
oportunidade aos alunos de mostrar até que ponto eles são capazes de
formularem conceitos e melhorarem na participação das aulas.”
O lugar da sala de aula valoriza indivíduos como representantes bem
caracterizados de constituição e formadores de identidade. Os conceitos, em sala
de aula, podem ser constituídos a partir do outro ou constituindo-se de si mesmo.
Observem quando a docente diz: “eles são capazes de formular conceitos...” Essa
intencionalidade pressupõe a possibilidade de contribuição da educação da
escola, da Professora Maria Helena de Paula à transformação da sociedade.
Assim posto, em um exercício de sintetize, pode-se considerar que aula e
sala de aula podem ser compreendidas, como locais ou diversos locais, quaisquer
que sejam, onde ocorre uma relação de aprendizagem e desenvolvimento
recíproco entre sujeitos ou múltiplos sujeitos.
A aluna Maria Leonídia dos Santos da escola Golda Meir deu, também, sua
contribuição:
-Qual a diferença entre escola e família?
A estudante afirma que: “escola é onde se aprende e família é onde se
vive”. Ao questionamento foi perguntado se poderia ser ao contrário, ou seja, que
a escola é onde se vive e a família é onde se aprende! Ela respondeu
objetivamente que “sim”. Em seguida ao questionar a mesma aluna, na tentativa
de criar dúvida, foi perguntado se a escola e família (se ela concordava) ser local
de vivência e aprendizado? Ela, sem ponderar, riu e respondeu: “Se eu aprendo
na escola é porque eu vivo nela e se eu vivo em casa também aprendo nela”.
No primeiro momento de sua fala, Maria Leonídia estabeleceu diferenças
entre casa e escola. Em um segundo momento, na próxima pergunta estas
diferenças não mais foram estabelecidas. Ela percebeu que em suas relações
familiares algo também poderia ser apreendido, o que possivelmente, não se
aprende na escola, ou também se aprende? Depois descobriu que tanto no
espaço escolar e no contexto familiar algo se constitui. Cada um com sua
contribuição, sua constituição, com o seu conhecimento. Mas aprenderia? Ou
apreenderia? Quem sabe ainda a descoberta de acolher e ser acolhida, nos dois
espaços, sobretudo aquele que ao longo da vida tem sido sistemático e
organicamente excluído do saber e do próprio sentimento. Ser acolhido, ser
ouvido, ser escutado. A escuta como princípio básico da Democracia.
Possibilidade de ter direito a si mesmo, sem ser rejeitado, sem ter medo de sê-lo.
A possibilidade de falar de seu sentir, de sua dor, de sua alegria, daquilo que a
aflige no cotidiano: família, casa, rua, escola. Aquilo que a aflige a si mesmo, mas
tendo alguém para partilhar e compartilhar, ouvir, acolher, dar atenção. Contar
sua história, sua trajetória, rir de si mesmo, com o outro, brincar consigo e com o
outro. Ser. Enfim, um mundo de cultura historicamente produzida e acumulada
que passa pelo canto, desencanto, encanto, desenho, conto, poesia, pelo
impróprio, pelo cordel, pela estória de avós, pais. Ser. Sabedoria popular negada
por todos os positivistas, mas presentes nos jovens e adolescentes de escolas
públicas, de Belford Roxo a Barra da Tijuca, dos condomínios de luxo as classes
mais miseráveis e desprivilegiadas do Brasil, inerentes a um certo universo de
tráfico e traficantes, mas também ao universo do sentir e pensar.