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COPPE/UFRJCOPPE/UFRJ
SIMULAÇÃO NUMÉRICA DE PROCEDIMENTOS DE
INSTALAÇÃO DE DUTOS SUBMARINOS
Elton Charles Galgoul
Dissertação de Mestrado apresentada ao
Programa de Pós-graduação em Engenharia
Civil, COPPE, da Universidade Federal do Rio
de Janeiro, como parte dos requisitos necessários
à obtenção do título de Mestre em Engenharia
Civil.
Orientador: Breno Pinheiro Jacob
Rio de Janeiro
Setembro de 2009
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SIMULAÇÃO NUMÉRICA DE PROCEDIMENTOS DE
INSTALAÇÃO DE DUTOS SUBMARINOS
Elton Charles Galgoul
DISSERTAÇÃO SUBMETIDA AO CORPO DOCENTE DO INSTITUTO ALBERTO
LUIZ COIMBRA DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA DE ENGENHARIA
(COPPE) DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO COMO PARTE
DOS REQUISITOS NECESSÁRIOS PARA A OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE
EM CIÊNCIAS EM ENGENHARIA CIVIL.
Aprovada por:
____________________________________________
Prof. Breno Pinheiro Jacob, D.Sc.
____________________________________________
Prof. Gilberto Bruno Ellwanger, D.Sc.
____________________________________________
Dr. Isaias Quaresma Masetti, D.Sc.
RIO DE JANEIRO, RJ – BRASIL
SETEMBRO DE 2009
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iii
Galgoul, Elton Charles
Simulação Numérica de Procedimentos de Instalação
de Dutos Submarinos / Elton Charles Galgoul – Rio de
Janeiro: UFRJ/COPPE, 2009.
XVI, 220 p.: il.; 29,7 cm.
Orientador: Breno Pinheiro Jacob
Dissertação (mestrado) – UFRJ/ COPPE/ Programa de
Engenharia Civil, 2009.
Referencias Bibliográficas: p. 207-209.
1. Instalação de Dutos Submarinos. 2. Métodos
Numéricos. 3. Dutos Submarinos. 4. Algoritmos de
Integração I. Jacob, Breno Pinheiro. II. Universidade
Federal do Rio de Janeiro, COPPE, Programa de
Engenharia Civil. III. Titulo.
iv
À minha esposa, Lucinéia, e
aos meus filhos, João Marcos e Juliana.
v
AGRADECIMENTOS
À minha esposa, Lucinéia, pelo seu contínuo incentivo e paciência, sem os quais
não teria energias para a conclusão desta empreitada.
A meu irmão, Nelson Szilard Galgoul, pelo estímulo ao enfrentamento deste
desafio.
Ao professor Breno Pinheiro Jacob, pela valiosa orientação, apoio e incentivo
durante todo o período de mestrado.
Aos professores do Programa de Engenharia Civil da COPPE, pelos
conhecimentos e experiências transmitidos ao longo do curso, e em especial aos
professores Roberto, Gilberto e Taborda pelo seu incentivo ao longo de todo o período.
Ao colega do COPPE/LAMCSO Mauro Henrique Alves de Lima Junior pela sua
valiosa orientação quanto ao entendimento do software SITUA/PROSIM/PETROPIPE,
sem o qual não teria desenvolvido as análises com este software.
Ao colega do MCS Jonylson Amarante e da PETROBRAS Patricia Meliande e
Claudia Perí, pela sua orientação quanto à utilização do software PIPELAY.
Ao colega da DNV Danilo Lawinscky, também pela sua orientação quanto ao
entendimento do software SITUA/PROSIM/PETROPIPE enquanto esteve no
COPPE/LAMCSO.
Aos amigos da SUPORTE pelo seu apoio e incentivo, em especial a André Massa.
À minha equipe de dutos submarinos da SUPORTE que soube entender quando às
vezes faltava-me tempo para lhes dar a devida assistência.
À Engª e colega de trabalho Asthar Luana pela sua valiosa orientação quanto à
formatação deste documento.
vi
Resumo da Dissertação apresentada à COPPE/UFRJ como parte dos requisitos
necessários para a obtenção do grau de Mestre em Ciências (M.Sc.)
SIMULAÇÃO NUMÉRICA DE PROCEDIMENTOS DE
INSTALAÇÃO DE DUTOS SUBMARINOS
Elton Charles Galgoul
Setembro/2009
Orientador: Breno Pinheiro Jacob
Programa: Engenharia Civil
A análise de instalação de dutos submarinos no Brasil tem aumentado sua
importância nos últimos anos em função da prospecção de petróleo em águas cada vez
mais profundas gerando a necessidade de instalação de novos dutos. Essa Dissertação
tem por objetivo, portanto apresentar estudos paramétricos relacionados à simulação das
várias fases de instalação de um duto submarino em diferentes cenários, comparando os
softwares disponíveis e variando diferentes parâmetros da modelação e da análise.
vii
Abstract of Dissertation presented to COPPE/UFRJ as a partial fulfillment of the
requirements for the degree of Master of Science (M.Sc.)
NUMERICAL SIMULATION OF
SUBMARINE PIPELINE INSTALLATION PROCEDURES
Elton Charles Galgoul
September/2009
Advisor: Breno Pinheiro Jacob
Department: Civil Engineering
The installation of submarine pipelines in Brazil has recently increased in
importance due to the oil exploitation in deeper water depths. The objective of this work
therefore is to present parametric studies related to the numerical simulation of the
several phases of the installation of submarine pipelines, in different scenarios,
comparing the available software and varying different analysis and modeling
parameters.
viii
SUMÁRIO
1.
INTRODUÇÃO ........................................................................................... 1
1.1.
CONTEXTO E MOTIVAÇÃO ................................................................................... 1
1.2.
OBJETIVOS E METODOLOGIA .............................................................................. 2
1.3.
ORGANIZAÇÃO ....................................................................................................... 3
2.
MÉTODOS DE INSTALAÇÃO DE DUTOS RÍGIDOS ............................... 4
2.1.
GENERALIDADES SOBRE PRODUÇÃO OFFSHORE .......................................... 4
2.2.
MÉTODOS DE INSTALAÇÃO ................................................................................. 7
2.2.1.
S-LAY ....................................................................................................................... 8
2.2.2.
J-LAY ...................................................................................................................... 12
2.2.3.
REEL....................................................................................................................... 15
2.2.4.
MÉTODOS ALTERNATIVOS ................................................................................. 17
2.3.
SOFTWARES DE ANÁLISE DE DUTOS .............................................................. 21
2.3.1.
OFFPIPE ................................................................................................................. 21
2.3.2.
ORCAFLEX ............................................................................................................ 22
2.3.3.
PIPELAY ................................................................................................................. 23
2.3.4.
SITUA / PROSIM / PETROPIPE ............................................................................ 23
3.
FORMULAÇÃO DOS MÉTODOS DE ANÁLISE ..................................... 26
3.1.
INTRODUÇÃO ........................................................................................................ 26
3.2.
MODELOS HIDRODINÂMICOS PARA O CASCO DA BALSA............................ 27
3.3.
MODELOS DE ANÁLISE ESTRUTURAL DAS LINHAS ...................................... 28
3.3.1.
CARACTERÍSTICAS DO COMPORTAMENTO DAS LINHAS ............................. 28
3.3.2.
FORMULAÇÃO DO MODELO MATEMÁTICO ..................................................... 30
3.3.3.
SOLUÇÃO DO MODELO MATEMÁTICO: MÉTODOS NUMÉRICOS ................. 30
3.4.
GERAÇÃO DAS MALHAS DE ELEMENTOS FINITOS DAS LINHAS ................ 43
3.4.1.
INTRODUÇÃO ........................................................................................................ 43
3.4.2.
EQUAÇÕES DA CATENÁRIA ............................................................................... 43
3.4.3.
RELAXAÇÃO DINÂMICA ...................................................................................... 49
3.5.
MODELOS HIDRODINÂMICOS PARA AS LINHAS ............................................. 50
3.6.
CONCEITO DA FORÇA EFETIVA ......................................................................... 54
4.
MÉTODOLOGIAS DE PROJETO ........................................................... 59
4.1.
CRITERIOS DE PROJETO DE UM DUTO SUBMARINO ..................................... 59
4.1.1.
ANÁLISE HIDRÁULICA DO DUTO ....................................................................... 60
4.1.2.
DIMENSIONAMENTO MECÂNICO ....................................................................... 62
4.1.3.
VERIFICAÇÃO AO COLAPSO LOCALIZADO ..................................................... 65
ix
4.1.4.
ANÁLISE DE ESTABILIDADE HIDRODINÂMICA ................................................ 68
4.1.5.
ANÁLISE DE PROTEÇÃO CATÓDICA ................................................................. 68
4.2.
ANÁLISE DE INSTALAÇÃO ................................................................................. 73
4.2.1.
FASES DA ANÁLISE DE INSTALAÇÃO .............................................................. 73
4.2.2.
METODOLOGIAS DE ANÁLISE ........................................................................... 76
5.
DESCRIÇÃO DOS CENÁRIOS ............................................................... 79
5.1.
CENÁRIO 1 – S-LAY – DUTO 16” x 0,438” ......................................................... 80
5.1.1.
CARACTERÍSTICAS DO DUTO ............................................................................ 80
5.1.2.
CARACTERÍSTICAS DA EMBARCAÇÃO ............................................................ 81
5.1.3.
CARACTERÍSTICAS DA RAMPA DE LANÇAMENTO ........................................ 81
5.1.4.
DADOS METEO-OCEANOGRÁFICOS ................................................................. 83
5.1.5.
RAOS DA EMBARCAÇÃO .................................................................................... 84
5.1.6.
CARACTERÍSTICAS DO EXEMPLO CONSIDERADO ........................................ 85
5.1.7.
MODELO DA EMBARCAÇÃO .............................................................................. 87
5.2.
CENÁRIO 2 – S-LAY – DUTO 16” x 0,625” ....................................................... 103
5.2.1.
CARACTERÍSTICAS DO DUTO .......................................................................... 104
5.2.2.
CARACTERÍSTICAS DA EMBARCAÇÃO .......................................................... 104
5.2.3.
CARACTERÍSTICAS DA RAMPA DE LANÇAMENTO ...................................... 105
5.2.4.
DADOS METEO-OCEANOGRÁFICOS ............................................................... 107
5.2.5.
RAOS DA EMBARCAÇÃO .................................................................................. 108
5.2.6.
CARACTERÍSTICAS DO EXEMPLO CONSIDERADO ...................................... 109
5.2.7.
MODELO DA EMBARCAÇÃO ............................................................................ 111
5.3.
CENÁRIO 3 – J-LAY – DUTO 18” x 0,875” ........................................................ 118
5.3.1.
CARACTERÍSTICAS DO DUTO .......................................................................... 119
5.3.2.
CARACTERÍSTICAS DA EMBARCAÇÃO .......................................................... 120
5.3.3.
CARACTERÍSTICAS DA TORRE J-LAY ............................................................ 120
5.3.4.
DADOS METEO-OCEANOGRÁFICOS ............................................................... 122
5.3.5.
RAOS DA EMBARCAÇÃO .................................................................................. 123
5.3.6.
CARACTERÍSTICAS DO EXEMPLO CONSIDERADO ...................................... 124
5.3.7.
DESCRIÇÃO DOS MODELOS DAS EMBARCAÇÕES ...................................... 125
6.
ESTUDOS PARAMÉTRICOS / RESULTADOS / COMPARAÇÕES .... 134
6.1.
INTRODUÇÃO ...................................................................................................... 134
6.2.
CENÁRIO 1 – S-LAY – DUTO 16” x 0,438” ....................................................... 135
6.2.1.
FORÇA EFETIVA ................................................................................................. 136
6.2.2.
MOMENTO FLETOR ............................................................................................ 141
6.2.3.
TENSÃO DE VON MISES .................................................................................... 143
6.3.
CENÁRIO 2 – S-LAY – DUTO 16” x 0,625” ....................................................... 146
6.3.1.
COMPARAÇÃO DE MÁXIMOS ........................................................................... 146
x
6.3.1.1.
FORÇA EFETIVA .......................................................................................... 147
6.3.1.2.
MOMENTO FLETOR .................................................................................... 150
6.3.1.3.
TENSÃO DE VON MISES............................................................................. 153
6.3.2.
ANÁLISES PARAMÉTRICAS ...................................................................... 156
6.3.2.1.
VARIAÇÃO DO TAMANHO DO ELEMENTO DO MEF ............................... 157
6.3.2.2.
VARIAÇÃO DO PASSO DE TEMPO DA SIMULAÇÃO .............................. 162
6.3.2.3.
VARIAÇÃO DO TEMPO TOTAL DE SIMULAÇÃO ..................................... 166
6.4.
CENÁRIO 3 – J-LAY – DUTO 18” x 0,875” ........................................................ 170
6.4.1.
COMPARAÇÃO DE MÁXIMOS ........................................................................... 170
6.4.1.1.
FORÇA EFETIVA .......................................................................................... 171
6.4.1.2.
MOMENTO FLETOR .................................................................................... 174
6.4.1.3.
TENSÃO DE VON MISES............................................................................. 176
6.4.2.
ANÁLISES PARAMÉTRICAS .............................................................................. 178
6.4.2.1.
VARIAÇÃO DO TAMANHO DO ELEMENTO DO MEF ............................... 179
6.4.2.2.
VARIAÇÃO DO PASSO DE TEMPO DE SIMULAÇÃO .............................. 183
6.4.2.3.
VARIAÇÃO DO TEMPO TOTAL DE SIMULAÇÃO ..................................... 187
6.4.2.4.
SERIE TEMPORAL DA TRAÇÃO NO TRACIONADOR ............................. 191
6.4.2.5.
ESPECTROS DE FREQUÊNCIA FORÇA EFETIVA NO
TRACIONADOR ............................................................................................................. 202
7.
CONCLUSÕES ...................................................................................... 205
8.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..................................................... 207
9.
APÊNDICES .......................................................................................... 210
xi
SUMÁRIO DE FIGURAS
Figura 2-1 – Lançamento S-Lay em Águas Rasas .................................................. 9
Figura 2-2 – Balsa S-Lay BGL-1 ................................................................................. 9
Figura 2-4 – Balsa Hercules (GLOBAL) ................................................................... 10
Figura 2-5 – Balsa Solitaire - Foto ........................................................................... 11
Figura 2-6 – Solitaire - Lançamento S-Lay em Águas Profundas ....................... 11
Figura 2-7 – Balsa J-Lay Balder ................................................................................ 12
Figura 2-8 – Torre J-Lay – Vista ................................................................................ 13
Figura 2-9 – Torre J-Lay - Clamp .............................................................................. 14
Figura 2-10 – Balsa Reel-lay Seven Ocean (SUBSEA7) ...................................... 15
Figura 2-11 – Balsa Reel-lay Seven Navica (SUBSEA7) ..................................... 16
Figura 2-12 – Balsa Reel-lay Deep-Blue (TECHNIP) ............................................ 16
Figura 2-13 – Balsa Reel Lay – Retificador ............................................................. 16
Figura 2-14 – Balsa Reel-S-Lay (STENA) ............................................................... 17
Figura 2-15 – Rampa de Lançamento de Dutos em Terra ................................... 18
Figura 2-16 – Deflexão Lateral na Praia (PETROBRAS – UN/RNCE) ............... 19
Figura 2-17 – Reboque (PETROBRAS – Baía de Guanabara) ........................... 19
Figura 3-1 – Elemento de treliça ............................................................................... 33
Figura 3-2 – Elemento de Pórtico Espacial ............................................................. 34
Figura 3-3 – Parâmetros para Equação da Catenária ........................................... 44
Figura 3-4 – Condição de Deriva .............................................................................. 46
Figura 3-5 – Exemplificação do Princípio de Arquimedes .................................... 54
Figura 3-6 – Conceito da Força Efetiva e Peso Efetivo ......................................... 55
Figura3-7 – Força Efetiva e Peso Efetivo em um Duto ......................................... 56
Figura 4.1 – Célula de Corrosão Básica .................................................................. 69
Figura 5-1 – RAOs da Embarcação .......................................................................... 84
Figura 5-2 – Sistema de Referência ........................................................................ 87
Figura 5-3 – PETROPIPE - Geração da Geometria - Apresentação ................. 88
Figura 5-4 – PETROPIPE - Geometria – Rampa de Lançamento ...................... 89
Figura 5-5 - PETROPIPE - Propriedades do Duto - Entrada ............................... 89
Figura 5-6 – PETROPIPE - Parâmetros de Análise ............................................... 90
Figura 5-7 – OFFPIPE - Rampa de Lançamento ................................................... 91
Figura 5-8 – OFFPIPE – Stinger ............................................................................... 91
xii
Figura 5-9 – OFFPIPE - Descrição Típica dos Roletes ......................................... 92
Figura 5-10 – OFFPIPE - Descrição do Duto .......................................................... 93
Figura 5-11 – OFFPIPE - Descrição dos Revestimentos ...................................... 93
Figura 5-12 – OFFPIPE - Descrição do Ambiente ................................................. 93
Figura 5-13 – OFFPIPE - Dados Ambientais e Parâmetros de Análise ............. 94
Figura 5-14 – ORCAFLEX - Sistema de Referência ............................................. 95
Figura 5-15 – ORCAFLEX – Geometria – 3D ......................................................... 95
Figura 5-16 – ORCAFLEX – Geometria – Elevação .............................................. 96
Figura 5-17 – ORCAFLEX – Geometria – Planta ................................................... 97
Figura 5-18 – ORCAFLEX – Parâmetros de Integração ....................................... 99
Figura 5-19 – ORCAFLEX – Modelo da Linha ...................................................... 100
Figura 5-20 – ORCAFLEX – Ambiente de Lançamento ...................................... 100
Figura 5-21 – ORCAFLEX – Propriedades da Linha ........................................... 101
Figura 5-22 – ORCAFLEX – Perfil de Correnteza ................................................ 101
Figura 5-23 – ORCAFLEX – Propriedades do Espectro de Ondas................... 102
Figura 5-24 – RAOs da Embarcação ..................................................................... 108
Figura 5-25 – ORCAFLEX – Geometria – 3D ....................................................... 111
Figura 5-26 – ORCAFLEX – Geometria – Elevação ............................................ 112
Figura 5-27 – ORCAFLEX – Geometria – Planta ................................................. 113
Figura 5-28 – ORCAFLEX – Parâmetros de Integração ..................................... 113
Figura 5-29 – ORCAFLEX – MEF ........................................................................... 114
Figura 5-30 – ORCAFLEX – Ambiente de Lançamento ...................................... 114
Figura 5-31 – ORCAFLEX – Propriedades da Linha ........................................... 115
Figura 5-32 – ORCAFLEX – Perfil de Correnteza ................................................ 115
Figura 5-33 – ORCAFLEX – Espectro de Ondas ................................................. 116
Figura 5-34 – Suportação na Torre ......................................................................... 121
Figura 5-35 – CLAMP ............................................................................................... 121
Figura 5-36 – RAOs da Embarcação ..................................................................... 123
Figura 5-37 – ORCAFLEX – Geometria – 3D ....................................................... 125
Figura 5-38 – ORCAFLEX – Modelo ...................................................................... 125
Figura 5-39 – ORCAFLEX – Parâmetros de Integração ..................................... 126
Figura 5-40 – ORCAFLEX – MEF ........................................................................... 127
Figura 5-41 – ORCAFLEX – Cenário da Instalação ............................................ 127
Figura 5-42 – ORCAFLEX – Propriedades do Duto ............................................ 128
xiii
Figura 5-43 – ORCAFLEX – Perfil de Correnteza ................................................ 129
Figura 5-44 – ORCAFLEX – Espectro de Ondas ................................................. 129
Figura 5-45 – PIPELAY – Modelo ........................................................................... 133
Figura 5-46 – PIPELAY – Parâmetros de Análise ................................................ 133
Figura 6-1 – Força Efetiva Estática ......................................................................... 138
Figura 6-2 – Força Efetiva Dinâmica – Variação da Tração no Domínio do
Tempo no Tracionador .............................................................................................. 139
Figura 6-3 – Força Efetiva Dinâmica – Variação da Tração no Domínio da
Frequência no Tracionador ...................................................................................... 140
Figura 6-4 – Momento Fletor Estático .................................................................... 142
Figura 6-5 – Diagrama de Tensões de Von Mises Estáticas ............................. 144
Figura 6-6 – Diagrama de Tensões de Von Mises Dinâmicas ........................... 145
Figura 6-7 – Força Efetiva Dinâmica ...................................................................... 148
Figura 6-8 – Força Efetiva Estática ......................................................................... 148
Figura 6-9 – Força Efetiva Dinâmica no Tracionador no Domínio do Tempo . 149
Figura 6-10 – Momento Fletor Estático .................................................................. 151
Figura 6-11 – Momento Fletor Dinâmico ............................................................... 152
Figura 6-12 – Diagrama de Tensões de Von Mises Estáticas ........................... 154
Figura 6-13 – Diagrama de Tensões de Von Mises Dinâmicas ......................... 155
Figura 6-14 – Variação da Malha de Elementos Finitos – Força Efetiva ......... 159
Figura 6-15 – Variação da Malha de Elementos Finitos - Diagrama de
Momentos Fletores .................................................................................................... 160
Figura 6-16 – Variação da Malha de Elementos Finitos - Diagrama de Tensões
de Von Mises .............................................................................................................. 161
Figura 6-17 – Variação do Passo de Tempo de Simulação – Força Efetiva ... 163
Figura 6-18 – Variação do Passo de Tempo de Simulação – Momento Fletor 164
Figura 6-19 – Variação do Passo de Tempo de Simulação – Von Mises ........ 165
Figura 6-20 – Variação do Tempo Total de Simulação – Força Efetiva ........... 167
Figura 6-21 – Variação do Tempo Total de Simulação – Momento Fletor ....... 168
Figura 6-22 – Variação do Tempo Total de Simulação – Von Mises ................ 169
Figura 6-23 – Força Efetiva Estática ...................................................................... 173
Figura 6-24 – Força Efetiva Dinâmica Máxima ..................................................... 173
Figura 6-25 – Momento Fletor Estático .................................................................. 175
Figura 6-26 – Momento Fletor Dinâmico Máximo ................................................ 175
xiv
Figura 6-27 – Tensão de Von Mises Estática ....................................................... 177
Figura 6-28 – Tensão de Von Mises Dinâmica Máxima ...................................... 177
Figura 6-29 – Força Efetiva ...................................................................................... 180
Figura 6-30 – Momento Fletor ................................................................................. 181
Figura 6-31– Tensão de Von Mises ........................................................................ 182
Figura 6-32 – Força Efetiva ...................................................................................... 184
Figura 6-33 – Momento Fletor ................................................................................. 185
Figura 6-34 – Tensão de Von Mises ....................................................................... 186
Figura 6-35 – Força Efetiva ...................................................................................... 188
Figura 6-36 – Momento Fletor ................................................................................. 189
Figura 6-37 – Tensão de Von Mises ....................................................................... 190
Figura 6-38 – Elemento 2m – Passo de 0,05s – Simulação de 1400s ............. 192
Figura 6-39 – Elemento 2m – Passo de 0,05s – Simulação de 1400s (detalhe)
...................................................................................................................................... 193
Figura 6-40 – Elemento 5m – Passo de 0,05s – Simulação de 300s ............... 194
Figura 6-41 – Elemento 5m – Passo de 0,05s – Simulação de 300s (detalhe)
...................................................................................................................................... 195
Figura 6-42 – Elemento 5m – Passo de 0,05s – Simulação de 1400s ............. 196
Figura 6-43 – Elemento 5m – Passo de 0,05s – Simulação de 1400s (detalhe)
...................................................................................................................................... 197
Figura 6-44 – Elemento 10m – Passo de 0,05s – Simulação de 1400s ........... 198
Figura 6-45 – Elemento 10m – Passo de 0,05s – Simulação de 1400s (detalhe)
...................................................................................................................................... 199
Figura 6-46 – Elemento 5m – Passo de 0,05s – Simulação de 10800s ........... 200
Figura 6-47– Elemento 5m – Passo de 0,10s – Simulação de 1400s .............. 201
Figura 6-48 – Força Efetiva no Domínio da Frequência no Tracionador
(Software ORCAFLEX) ............................................................................................. 203
Figura 6-49 – Força Efetiva no Domínio da Frequência no Tracionador
(Software Situa-PROSIM) ........................................................................................ 204
Figura 9- 1 – Tracionador de Balsa S-Lay ............................................................. 210
Figura 9- 2 – Berço de Roletes ................................................................................ 211
Figura 9- 3 – Duto Sobre a Rampa ......................................................................... 211
Figura 9- 4 – Torre J-Lay – Movimentação do Tubo ............................................ 212
Figura 9- 5 – Torre J-Lay - Carregando a Torre ................................................... 213
xv
Figura 9- 6 – Torre J-Lay - Soldando Tubos ......................................................... 214
Figura 9- 7 – Balsa Reel Lay - Carretel .................................................................. 215
Figura 9- 8 – Balsa Reel Lay - Carregando o Carretel ........................................ 216
Figura 9- 9 – Balsa Reel Lay - Carregando o Carretel ........................................ 217
Figura 9- 10 – Balsa Reel Lay - Carregando o Carretel – Visão Geral............. 217
Figura 9- 11 – Balsa Reel Lay – Carregando Carretel ........................................ 218
Figura 9- 12 – Balsa Reel Lay – Carregando Carretel ........................................ 219
Figura 9- 13 – Balsa Reel Lay – Carregando Carretel (Detalhe) ....................... 219
Figura 9- 14 – Balsa Reel Lay – Instalando Anodos ............................................ 220
xvi
SUMÁRIO DE TABELAS
Tabela 4-1 – Verificação à Deformação – Critério Simplificado ........................... 67
Tabela 5-1 – Características do Duto ....................................................................... 80
Tabela 5-2 – Coordenada dos Roletes – Rampa de Lançamento ...................... 82
Tabela 5-3 - Coordenada dos Roletes – Stinger .................................................... 82
Tabela 5-4 – Perfil de Correnteza ............................................................................. 83
Tabela 5-5 – Espectro de Ondas Jonswap ............................................................. 83
Tabela 5-6 - Características do duto ...................................................................... 104
Tabela 5-7 - Coordenadas dos Roletes da Rampa de Lançamento ................. 105
Tabela 5-8 - Coordenadas dos Roletes do Stinger .............................................. 106
Tabela 5-9 – Perfil de Correnteza ........................................................................... 107
Tabela 5-10 – Espectro de Ondas .......................................................................... 107
Tabela 5-11 - ORCAFLEX – Parâmetros da Análise Paramétrica .................... 117
Tabela 5-12 – Características do Duto ................................................................... 119
Tabela 5-13 – Perfil de Correnteza ......................................................................... 122
Tabela 5-14 – Altura Significativa e Período de Pico........................................... 122
Tabela 5-15 - ORCAFLEX – Parâmetros da Análise Paramétrica .................... 131
1
1. INTRODUÇÃO
1.1. CONTEXTO E MOTIVAÇÃO
Dentro do cenário Offshore, a instalação de dutos submarinos tem adquirido
ao longo do tempo uma dedicada atenção por parte dos profissionais e pesquisadores
no âmbito dos métodos construtivos e principalmente na etapa do desenvolvimento do
projeto. Entre outras, a utilização de ferramentas computacionais para a resolução de
problemas gerais e específicos da instalação dos dutos, as quais têm avançado
continuamente na medida em que os recursos de hardware possibilitam esse
crescimento.
Atualmente, existem poucos softwares capazes de atender com certa
desenvoltura os problemas decorrentes dos métodos atuais de instalação de dutos
submarinos. O principal software existente no mercado até recentemente o
OFFPIPE, desenvolvido pela RCM em Houston, Texas – apresenta diversas limitações
e, além disso, não tem sido atualizado, se mostrando incapaz de acompanhar a
evolução da informática, não tirando proveito dos avanços em termos de hardware e
não se mostrando adequado para o uso em sistemas operacionais como o Windows,
que foi desenvolvido para ambientes DOS. Isto tem produzido a necessidade do
recurso a novos softwares que possam substituir o OFFPIPE.
Recentemente, foi desenvolvida pelo LAMCSO – Laboratório de Métodos
Computacionais e Sistemas Offshore da COPPE-UFRJ, a partir de uma iniciativa da
PETROBRAS, uma ferramenta computacional denominada PETROPIPE, tendo por
base o software SITUAM / PROSIM, e voltada especificamente para a simulação de
operação de instalação de dutos submarinos. Outras ferramentas também tem sido
disponibilizadas, tais como o ORCAFLEX, desenvolvido pela ORCINA no Reino Unido,
e o PipeLay.
2
1.2. OBJETIVOS E METODOLOGIA
Nesse contexto, o objetivo principal desta dissertação é apresentar estudos
paramétricos relacionados à simulação das várias fases de instalação de um duto
submarino, comparando os softwares disponíveis e variando diferentes parâmetros da
modelação e da análise.
Os estudos serão feitos no contexto da metodologia de análise desacoplada.
Nesta metodologia, em uma primeira etapa realiza-se uma análise de movimentos da
embarcação, considerando a teoria da difração, e se obtém a resposta de movimentos
que pode ser expressa em termos de tabelas conhecidas RAOs, contendo a amplitude
de movimentos para os seis graus de liberdade da embarcação para uma onda
unitária associada a diversos períodos.
Em uma segunda etapa dessa metodologia desacoplada, o duto a ser
analisado é então submetido à ação de um mar irregular definido por um espectro de
ondas, a partir do qual se definem os movimentos da embarcação aplicados no topo
do duto pelo cruzamento com os RAOs e, concomitantemente, se determinam as
cargas hidrodinâmicas aplicadas ao longo do duto utilizando a teoria de Airy e a
fórmula de Morison. As análises apresentadas aqui tratam desta segunda etapa, que
corresponde à análise estrutural do duto, empregando métodos de solução no domínio
do tempo do problema dinâmico não-linear.
Na comparação entre os programas, deve-se considerar que eles utilizam diferentes
formulações de Elementos Finitos, e diferentes métodos de integração das equações
diferenciais ordinárias (EDO) que resultam da discretização no espaço pelo método
dos Elementos Finitos (MEF).
3
1.3. ORGANIZAÇÃO
A organização do restante desse texto está estruturada conforme descrito a
seguir.
O capítulo 2 trata acerca dos métodos de instalação de dutos rígidos
submarinos. Uma visão geral sobre a produção offshore, bem como os principais tipos
de lançamentos e métodos alternativos serão abordados. Este capítulo conclui com
uma descrição dos softwares mais utilizados na resolução de problemas relativos à
análise de dutos.
O capítulo 3 apresenta resumidamente os métodos de análise empregados
nos nesses softwares, tratando acerca da formulação hidrodinâmica e estrutural
empregada para representar o problema.
O capítulo 4 discorre sobre a metodologia de projeto de dutos submarinos.
Serão apresentados os critérios de projeto de um duto submarino, quanto ao
escoamento do fluido, o dimensionamento mecânico e verificações de colapso
localizado. Metodologias de análise acoplada e desacoplada serão discutidas neste
capítulo.
Com base nas discussões e bases apresentadas nos capítulos anteriores, o
capítulo 5 descreve cenários de instalação de dutos, os quais servirão como base para
os estudos paramétricos que serão efetuados com as ferramentas computacionais
disponíveis. Serão considerados três cenários possíveis, dois deles utilizando o
método de instalação tipo S-Lay e um cenário utilizando o método de instalação tipo J-
Lay. Diâmetros, espessuras e lâminas d’água distintas serão considerados.
A partir dos cenários ilustrados, o capítulo 6 fornecerá os estudos
paramétricos, resultados e comparações, em termos dos esforços (forças axiais e
momentos) obtidos ao longo do duto, bem como as tensões de Von Mises nas regiões
mais críticas observadas. A discussão acerca dos resultados sob o ponto de vista das
ferramentas computacionais também será avaliada.
Finalmente o capítulo 7 tratará sobre as conclusões obtidas a partir das
análises e discussões vistas ao longo desta dissertação, bem como propostas para
trabalhos e pesquisas futuras acerca deste assunto.
As referências e fontes bibliográficas utilizadas como base para a realização
do presente estudo são fornecidas no capítulo 8.
4
2. MÉTODOS DE INSTALAÇÃO DE DUTOS RÍGIDOS
2.1. GENERALIDADES SOBRE PRODUÇÃO OFFSHORE
O projeto do complexo de exploração de um campo submarino de petróleo,
uma vez definido o potencial do campo, vai desde a extração do óleo ou gás do
subsolo marinho até a entrega dos mesmos em terra, passando por todo um conjunto
de instalações que incluem, na parte submarina, árvores de natal molhadas, dutos de
coleta, dutos de injeção, PLETs, PLEMs, Jumpers, SCRs, plataformas flutuantes,
plataformas fixas de produção e de rebombeio, e dutos de exportação da produção. O
projeto deste complexo, de forma mais ampla, e de um duto submarino, em particular,
vai desde o Projeto Conceitual até o Projeto Detalhado do duto.
O projeto conceitual define a forma como a produção de um poço de petróleo
ou, de forma mais ampla, a produção de um campo, será transferida para terra.
Dependendo da lâmina d’água, a captação do petróleo pode ser feita por plataformas
fixas em lâminas d’água menores, e pelo uso de plataformas semi-submersíveis ou de
embarcações tipo FSO (Floating, Storage and Offloading) ou FPSO (Floating,
Production, Storage and Offloading) em minas d’água maiores, quando as
plataformas fixas não forem mais economicamente e tecnicamente viáveis.
No primeiro caso a produção é coletada por condutores. A plataforma fixa é
formada por uma jaqueta, que é uma estrutura treliçada em aço apoiada no leito
marinho e fixada a este por estacas de aço, e por um convés ou por módulos apoiados
na jaqueta. Os condutores sobem verticalmente no interior da jaqueta levando a
produção até ao convés onde o óleo ou gás é tratado. O escoamento do mesmo é
feito através de risers rígidos ou flexíveis em aço, com os primeiros apoiados nas
faces da jaqueta e os últimos em catenária livre. A produção pode, então, ser
exportada para terra (ou para outra plataforma) através de um duto rígido ou flexível,
ou para um quadro de bóias onde navios aliviadores recebem a produção e a levam
para um terminal.
As plataformas semi-submersíveis e os FSOs e FPSOs são embarcações
sem propulsão própria que ficam permanentemente ancoradas no leito marinho. Estas
embarcações são utilizadas quando a lâmina d’água torna técnica e comercialmente
inviável a utilização de plataformas fixas. Nestes casos tanto os dutos de coleta quanto
os dutos de exportação estão em catenária livre, podendo ser em aço SCRs ou
flexíveis. Cada vez mais, no entanto, se tem utilizado SCRs, primeiro devido ao seu
5
menor custo, mas também pela inviabilidade de se trabalhar com flexíveis em águas
cada vez mais profundas. A quantidade de SCRs, cada vez maior, chega a interferir na
ancoragem da embarcação no leito marinho, não podendo ser desprezada.
Há duas concepções de FPSOs:
FPSO com turret;
Ancoragem direta (sistema de ancoragem DICAS).
No primeiro caso o turret atua como uma imensa roldana em torno da qual o
navio gira. A ancoragem da embarcação e o ponto de conexão dos risers se dão no
turret, permitindo que o navio gire, se adequando à condição de mar.
No segundo caso não o turret e a ancoragem da embarcação se ao
longo da mesma. Esta alternativa tem o inconveniente de permitir um giro limitado do
navio, estando mais suscetível às ações ambientais. Tem, porém, a vantagem de
permitir a instalação de uma quantidade maior de risers.
outras formas de captação de óleo e gás do leito marinho além das
citadas acima tais como plataformas de concreto em águas rasas e Spar-buoys e
TLPs em águas profundas, além de torres complacentes. ainda as embarcações
responsáveis pela exploração ou limpeza dos poços, como as plataformas auto-
elevatórias em águas rasas, e os modus em águas profundas.
As plataformas fixas em concreto, que tem a forma de um imenso tanque,
foram concebidas para armazenarem o óleo produzido no seu interior. No
Brasil a sua utilização foi abandonada pela grande dificuldade de
instalação;
As TLPs (Tension Leg Platforms) são plataformas flutuantes, como as
semi-submersíveis, mas ancoradas verticalmente no leito marinho por
meio de tendões. A movimentação vertical é mínima devido aos tendões,
permitindo a utilização de árvores de natal secas, ou seja, as árvores de
natal são instaladas na plataforma. A restrição ao movimento horizontal é
fruto da tração nos tendões;
Os Spar-buoys são estruturas flutuantes cilíndricas de grande calado.
Como as TLPs, os Spar-buoys têm baixa movimentação vertical. Neste
caso a baixa movimentação se dá devido ao alto calado da estrutura;
6
As torres complacentes são estruturas treliçadas, como as plataformas
fixas, porém não resistem aos esforços horizontais oriundos das ações
ambientais. Esta tarefa é executada por cabos de ancoragem a exemplo
das plataformas flutuantes. Permitem, portanto, a utilização de árvores de
natal secas;
As plataformas auto-elevatórias são estruturas flutuantes destinadas a
intervir nos poços, quer perfurando os mesmos, ou procedendo à sua
limpeza. As plataformas auto-elevatórias recebem este nome pelas
pernas treliçadas que possuem, e que descem quando a plataforma se
posiciona sobre o poço até que as mesmas toquem o leito marinho. A
partir daí o corpo da plataforma é levantado, tendo comportamento de
plataforma fixa, embora não sejam permanentemente fixadas ao leito
marinho;
Os modus são plataformas semi-submersíveis utilizadas quando não
mais é possível a utilização de plataformas auto-elevatórias em função da
lâmina d’água.
Conforme descrito acima, o escoamento da produção a partir das plataformas
por meio de dutos de exportação, ou para elas por meio de dutos de coleta, se por
condutores, que ligam verticalmente os poços ao convés de uma plataforma fixa, e
risers. Os risers podem ser rígidos ou flexíveis e, dependendo da lâmina d’água,
podem ser fixadas à plataforma (risers rígidos) ou estar em catenária livre como os
risers flexíveis, desde pequenas lâminas d’água, porém até certo limite, e os risers
rígidos a partir de certa lâmina d’água. Estes últimos são denominados SCRs ou Steel
Catenary Risers.
7
2.2. MÉTODOS DE INSTALAÇÃO
A instalação de um duto submarino pode ser feito por diversos métodos,
sendo os mais comuns os métodos S-Lay, J-Lay e Reel. Há métodos alternativos para
instalação de dutos submarinos, os quais serão apresentados adiante.
O método J-Lay, recebe esta denominação em função da forma em J que a
catenária toma. Neste caso não há uma rampa curva, mas apenas uma torre reta que
assume a inclinação necessária em função da lâmina d’água. Quanto maior a lâmina
d’água, mais a torre se aproxima da posição vertical. Um exemplo desta forma de
lançamento é a balsa BALDER da HEEREMA.
O terceiro método é uma variante do segundo. A diferença é a existência de
um carretel onde é armazenada uma quantidade grande de tubos com plastificação
dos mesmos devido ao curvamento imposto. Neste caso a torre possui um retificador
onde é imposta ao duto deformação que anule a curvatura adquirida no carretel de tal
forma que o duto deixe a balsa sem curvamento. Isto significa que o duto sofre duas
plastificações, a saber, a primeira quando o mesmo é enrolado no carretel e a
segunda quando o duto passa pelo retificador. “A vantagem deste método, que admite
lançamento de dutos até 16”, é a velocidade no lançamento. O barco carrega o
carretel em terra, lança o seu conteúdo, que pode chegar a 12 km de duto, e volta
para nova operação de carregamento do carretel. A desvantagem é a diminuição da
vida útil do duto fruto das plastificações a que o mesmo é submetido. Um exemplo
desta forma de lançamento é a balsa DEEP-BLUE da TECHNIP.
Existem métodos alternativos para instalação de dutos submarinos que
dispensam a utilização de uma balsa de lançamento. Um exemplo é a utilização de
uma rampa de lançamento em terra, método que vem sendo utilizado na recuperação
da malha de dutos da Baía de Guanabara. Outro exemplo de “lançamento” de dutos
alternativo é o método utilizado no Nordeste brasileiro. Neste método o duto,
normalmente de pequeno diâmetro, é fabricado (soldado) na praia, arrastado para o
mar por deflexão lateral em regime elástico, rebocado com a utilização de flutuadores
posicionados no duto ainda na primeira fase, e abandonado no local de instalação pela
inundação do duto, das bóias ou dos dois. Um terceiro método, ainda em
desenvolvimento, consiste em utilizar um carretel horizontal flutuante para simular sem
balsa o sistema reel. Nesta versão o enrolamento é feito em regime elástico em águas
abrigadas e o carretel é rebocado até o lugar de instalação do duto onde o mesmo vai
sendo progressivamente descarregado.
8
2.2.1. S-LAY
O método S-Lay recebe esta denominação devido à formação de um S pelo
conjunto catenária / rampa de lançamento. Neste método, a rampa de lançamento,
composta de roletes ou berços de roletes, é formada por um trecho plano, com uma
leve inclinação (inferior a ) associada a um trecho em curva em que é definido um
raio de curvatura. O trecho curvo pode ou não ser estendido além do espelho de popa
da balsa através da utilização de um stinger. No método S-Lay, a catenánia é mantida
íntegra, ou seja, sem que sejam impostas tensões de flexão que levem o duto ao
colapso, pela aplicação de tração ao duto por um ou mais tracionadores. Estes
mecanismos, compostos de conjuntos de esteiras associadas a sapatas de borracha,
tem a capacidade não de aplicar tração ao duto como também compensar
variações de tração geradas pelos movimentos da balsa de lançamento,
especialmente o movimento de surge. A capacidade do tracionador em excercer
tração e em compensar variações de tração pode ser um diferencial na escolha de um
barco de lançamento de dutos S-Lay para instalação de dutos em águas muito rasas.
Este método se subdivide em duas opções, a saber:
S-Lay em água rasas;
S-lay em águas profundas.
No primeiro caso o conjunto catenária / rampa de lançamento se desenvolve
normalmente em regime elástico embora seja possível haver casos em que se aceita
plastificação do duto na rampa. As lâminas d’água em que este tipo de lançamento
ocorre se situam na faixa 10m até cerca de 200m dependendo da capacidade da balsa
de lançamento e do peso do duto a lançar. A balsa de lançamento de dutos da
PETROBRAS – a BGL-1 - se enquadra neste grupo. Estas balsas normalmente
utilizam sistema de ancoragem por amarras, podendo também utilizar sistema de
posicionamento dinâmico pela utilização de thrusters. A balsa pode ou não possuir um
stinger conectado, que vem a ser uma estrutura treliçada apoiada na balsa dotada de
roletes na conformação do raio de lançamento. A utilização de um stinger é limitada
pela lâmina d’água, já que em LDAs mais baixas a possibilidade de colisão desta
estrutura com o leito marinho devido, principalmente, aos movimentos de pitch da
balsa. Com o aumento da lâmina d’água passa a ser essencial a sua utilização, já que
sem o mesmo a transição rampa de lançamento / catenária livre sem uma forte reação
do duto no último rolete da balsa levaria à necessidade de trações cada vez maiores,
9
os quais estão limitados à capacidade do tracionador e à capacidade da ancoragem
da balsa.
A figura 2-1 mostra uma configuração genérica de lançamento S-Lay em
águas rasas. As figuras 2-3 e 2-4 mostram as balsas S-Lay.
Figura 2-1 – Lançamento S-Lay em Águas Rasas
Figura 2-2 – Balsa S-Lay BGL-1
10
Figura 2-4 – Balsa Hercules (GLOBAL)
No segundo caso, a rampa de lançamento, e em especial o stinger, possui
um raio de lançamento diminuto, havendo normalmente a plastificação do duto no
stinger. balsas que lançam dutos por este método até cerca de 2000m de lâmina
d’água. Nestes casos é necessariamente utilizado sistema de posicionamento
dinâmico (utilização de thrusters). Nestes casos a inclinação do duto na extremidade
do stinger é da ordem de 70º a 80º em relação à horizontal. Nestas balsas é
necessária a proximidade entre roletes, que as trações são maiores e os raios de
lançamento menores, o que amplifica o efeito de poligonalização do duto na rampa, o
qual nada mais é do que uma maior concentração de tensões nos roletes tendendo a
acentuar a deformação nestes pontos, sendo o limite a transformação do raio em uma
poligonal devido à formação de rótulas plásticas. Um exemplo deste método de
lançamento é a balsa SOLITAIRE da All-Seas. As Figuras 2-5 e 2-6 mostram esta
balsa.
11
Figura 2-5 – Balsa Solitaire - Foto
Figura 2-6 – Solitaire - Lançamento S-Lay em Águas Profundas
No capítulo 9, item 9.1, são apresentadas algumas fotos e esquemas que
mostram os equipamentos que compõem uma rampa S-Lay.
12
2.2.2. J-LAY
A balsa J-Lay recebe esta denominação devido à configuração em J que se
forma no lançamento. Juntamente com o sistema Reel é o sistema mais indicado para
lançamento em águas profundas.
No sistema J-Lay, ao contrário do S-Lay, não compensação de tração
pelo tracionador. O lançamento é feito a partir de uma torre, que pode ser situada na
popa da embarcação, no meio da mesma através de um moon-pool ou até mesmo a
boreste ou bombordo. A torre é formada por um sistema superior denominado follower
que é uma espécie de tracionador e que faz o pagamento de tubo entre soldagens dos
mesmos. Na parte inferior da torre existe um sistema denominado Clamp, responsável
por segurar a catenária enquanto está se processando a solda de tubos.
A torre J-Lay é um sistema cuja inclinação pode variar, assumindo desde a
posição vertical até inclinações da ordem de 40 graus a 30 graus em relação ao plano
horizontal. O range de variação do ângulo da torre varia de acordo com o barco.
A figura 2-7 mostra a balsa semi-submersível Balder da Heerema, um
exemplo de barco de lançamento pelo sistema J-Lay.
As figuras 2-8 e 2-9 mostram a operação de uma torre J-Lay.
Figura 2-7 – Balsa J-Lay Balder
13
Figura 2-8 – Torre J-Lay – Vista
14
Figura 2-9 – Torre J-Lay - Clamp
15
2.2.3. REEL
O sistema de lançamento pelo método reel é uma variante do sistema J-Lay,
podendo também trabalhar como tal. O atrativo do sistema reel é a possibilidade de se
armazenar no barco uma quantidade significativa de tubos pré-soldados em um
carretel e lançando-se os tubos armazenados sem a necessidade de paradas
intermediárias para solda. Isto aumenta significativamente a velocidade de
lançamento, diminuindo o tempo total gasto para se efetuar o lançamento em
comparação ao lançamento da mesma quantidade de tubo pelo método J-Lay. A
desvantagem deste sistema é a necessidade de se plastificar o tubo a ser lançado, o
que diminui a vida útil do duto. Isto ocorre, na verdade, duas vezes: a primeira ao se
carregar o carretel, o que é feito em um canteiro, e a segunda durante o lançamento
quando o duto sofre uma retificação, que nada mais é do que uma segunda
plastificação.
O lançamento pelo método reel é limitado a tubos com diâmetro até 16-pol.
Em alguns casos é possível lançar por este método até 18-pol.
As figuras 2-10 a 2-13 mostram exemplos de barcos de lançamento pelo
método reel.
Figura 2-10 – Balsa Reel-lay Seven Ocean (SUBSEA7)
16
Figura 2-11 – Balsa Reel-lay Seven Navica (SUBSEA7)
Figura 2-12 – Balsa Reel-lay Deep-Blue (TECHNIP)
Figura 2-13 – Balsa Reel Lay – Retificador
17
2.2.4. MÉTODOS ALTERNATIVOS
Existem alguns métodos de lançamento de dutos por métodos alternativos
aos citados acima. Serão apresentados três.
O primeiro foi utilizado pela empresa STENA alguns anos. O método é
uma simbiose dos métodos S-Lay e Reel. Trata-se de um barco provido de carretel
horizontal e stinger de águas profundas.
A Figura 2-14 mostra esta balsa.
Figura 2-14 – Balsa Reel-S-Lay (STENA)
O segundo método vem sendo largamente utilizado pela GDK para
lançamento de dutos na Baía de Guanabara. Como a lâmina d’água média na Baía é
da ordem de 5m, torna-se difícil a utilização de métodos convencionais. Por outro lado,
pela quantidade de dutos a ser instalado na Baía, métodos convencionais passam a
ser muito caros. Passou a ser atrativa economicamente a construção de uma rampa
de lançamento em terra, sendo os trechos de dutos lançados, os “strings”, dotados de
flutuadores que os mantém na superfície da Baía, sendo os mesmos rebocados até o
local de instalação.
A Figura 2-15 mostra uma rampa em terra.
18
Figura 2-15 – Rampa de Lançamento de Dutos em Terra
O terceiro método vem sendo utilizado pela PETROBRAS para instalação de
dutos no Nordeste do Brasil. Trata-se da construção de dutos, ou de “strings”, sobre
sacos de areia em uma praia com posterior reboque do mesmo até seu local de
instalação após arraste na praia por deflexão lateral, o que se dentro de limites
elásticos. Como no caso anterior, o duto é provido de flutuadores que o mantém na
superfície durante as operações de arraste e reboque.
As Figuras
2
-16 e
2
-17 mostram uma operação deste tipo.
19
Figura 2-16 – Deflexão Lateral na Praia (PETROBRAS – UN/RNCE)
Figura 2-17 – Reboque (PETROBRAS – Baía de Guanabara)
20
ainda métodos de instalação utilizados como o Sub-Bottom Tow onde o
duto é rebocado junto ao leito marinho, mas sem tocá-lo. O duto é provido de
flutuadores que anulam o peso submerso do duto associados a correntes que
impedem que o duto se afaste mais que o desejado do fundo do mar.
Ultimamente vem sendo utilizado no Brasil um método alternativo ao Shore-
Approach passando pela praia. Este método se chama Furo Direcional e se
caracteriza pela execução de um furo, como um tunel, partindo do mar a uma lâmina
d’água da ordem de 8m a 10m e reaparecendo após a praia. Um furo piloto é
executado utilizando-se a tecnologia de perfuração disponível, sendo posteriormente
alargado. O duto é então introduzido no furo a partir do mar para terra com injeção de
grande quantidade de lama bentonítica para redução do atrito até reaparecer em terra,
onde é utilizado um guincho de grande capacidade para se efetuar a puchada. O furo
direcional é um método que tem a vantagem de provocar um mínimo de intervenção
na área de shore approach. Exige, no entanto, que haja um relevo do leito marinho
que permita a execução da operação, pois limitação quanto ao comprimento do
furo. É um método que vem sendo utilizado cada vez mais na costa brasileira,
especialmente no Espirito Santo.
21
2.3. SOFTWARES DE ANÁLISE DE DUTOS
Até a pouco tempo havia um único software para instalação de dutos
submarinos aceito de forma unânime pela comunidade internacional, a saber, o
OFFPIPE. Com o decorrer dos anos e com a evolução da informática, esta mesma
comunidade se viu forçada a investir em outros softwares que se adaptassem ao novo
cenário de informática e que tirassem proveito destes avanços. Desta forma surgiram
novos softwares tanto no exterior como no Brasil.
Esta seção apresentará os principais softwares juntamente com uma
descrição das características e facilidades de cada software. As principais
características dos métodos de análise desses programas serão apresentadas mais
adiante no Capítulo 3.
2.3.1. OFFPIPE
O software OFFPIPE foi desenvolvido no mesmo período em que teve início
o PROSIM, tendo ao longo do tempo sido tomado uma referência na análise de dutos
submarinos rígidos.
Aceito até hoje pelo mercado, está cada vez sendo menos utilizado por não
ter acompanhado a evolução da informática, pois continua a operar em ambiente
DOS, o que torna cada vez mais difícil a sua utilização.
O OFFPIPE apresenta algumas facilidades para modelagem da rampa de
lançamento tais como fornecimento de um ponto de tangência, que vem a ser a
coordenada de um ponto da rampa de lançamento, gerando-se a rampa reta com sua
inclinação e a rampa curva com seu raio, a partir deste ponto. Opcionalmente permite
gerar a geometria da rampa a partir das coordenadas do rolete de popa e um ponto na
rampa reta juntamente com sua inclinação. O programa pesquisa, então, o ponto de
tangência.
O programa tem também facilidades para se modelar um stinger em um
modelo S-Lay, fornecendo-se as coordenadas do Hitch do stinger (ponto da popa em
torno do qual o stinger pivota) e girando-se a estrutura em torno deste ponto.
facilidades também para se modelar uma torre J-Lay ao se identificar o ponto em torno
do qual esta gira. Isto permite gerar as coordenadas em um plano horizontal e girar a
torre para o ângulo de lançamento desejado. Isto é útil quando se analisa o
22
lançamento pelo método J-Lay ao longo de uma diretriz em várias profundidades, pois
basta alterar a inclinação da torre.
O modelo de elementos finitos do programa permite facilidades de
discretização do duto no SAGBEND e no SEABED, onde se pode refinar o mesmo em
pontos onde se espera maior curvatura. O número de pontos, no entanto, é limitado.
Na rampa de lançamento é possível incluir pontos entre roletes, mas o ponto é incluído
na geometria da rampa embora não faça parte dela, o que limita o número de pontos
possíveis de se incluir.
O software tem módulos para análise de içamento lateral, essencial na
definição de um tié-in de superfície. Também permite análise de vãos livres a partir de
um perfil de solo fornecido e considerando-se rigidez linear do solo.
Os resultados são apresentados pelo OFFPIPE essencialmente por meio de
relatórios. Existe uma geração gráfica que não pode ser impressa em função da
obsolescência das interfaces de impressão existentes no software.
2.3.2. ORCAFLEX
O software ORCAFLEX foi desenvolvido para a realização de operações
navais tais como análise de ancoragem de uma embarcação, análise de instalação de
um PLEM, análise de içamento lateral de um duto rígido. Juntamente com o
ORCALAY é utilizado também na análise de instalação de dutos rígidos. É possível
realizar com o mesmo análise de vãos livres, análise de VIV, análise termomecânica
simplificada, etc.
Especificamente no que tange à análise de instalação de dutos rígidos, o
programa permite a modelagem de uma rampa de lançamento, realização de uma
análise estática e verificação desta segundo a DNV-OS-F101 [1] através do módulo
ORCALAY.
O ORCAFLEX possui a opção de se escolher o método de integração a ser
utilizado, a saber, se explícito ou implícito. Esta opção de escolha permite escolher a
melhor opção frente ao tipo de análise a realizar.
23
O modelo de elementos finitos do ORCAFLEX permite liberdade total de
refinamento da malha, quer na rampa de lançamento, quer no SAGBEND e SEABED,
refinando-se a malha nos locais em que isto for conveniente.
O código do ORCAFLEX permite que, embora as análises não sejam
acopladas, pois necessariamente devem ser fornecidos RAOs, haja a possibilidade de
se inferir sobra os efeitos de segunda ordem das ondas através do fornecimento de
funções de transferência quadráticas (QTFs).
Os resultados são fornecidos primordialmente em ambiente gráfico embora o
programa também tenha a opção de output em forma de relatório. Existe a facilidade
de se escolher um parâmetro em que se deseja obter a discretização do resultado a
partir do ambiente gráfico, gerando-se um relatório desta variável em um ponto
específico e no intervalo de tempo desejado ou a envoltória de esforços dinâmicos em
um trecho desejado da linha analisada.
2.3.3. PIPELAY
O software PIPELAY foi desenvolvido pela MCS com o objetivo de preencher
a lacuna deixada pelo OFFPIPE devido a sua obsolescência. O software é específico
para análise de dutos submarinos como o OFFPIPE, possuindo facilidades de
modelagem da rampa de lançamento como este último, mas sendo apresentado em
ambiente Windows e apresentando resultados tanto por meio de relatórios quanto por
meio gráfico.
2.3.4. SITUA / PROSIM / PETROPIPE
O SITUA / PROSIM / PETROPIPE é um software desenvolvido pela COPPE /
LAMCSO para a PETROBRAS e tem como característica relevante a possibilidade de
efetuar análises acopladas.
O desenvolvimento deste software teve início no final da década de 90,
motivado pela necessidade de se considerar a interação entre a análise de
movimentos do barco e a análise estrutural do número cada vez maior de risers em
plataformas flutuantes instaladas em águas profundas, através do uso de modelos
acoplados. Teve início, então, o módulo de análise PROSIM, que operava em
ambientes DOS lendo arquivos ASCII, de forma semelhante ao OFFPIPE.
24
Em função da evolução da informática, onde a evolução do Windows,
assumindo o papel de sistema operacional, limitou a atuação de programas DOS,
desenvolveu-se o módulo SITUA que vem a ser a interface gráfica entre o PROSIM e
o usuário. O SITUA tem recursos de pré-processamento e geração automática de
modelos, tendo sido inicialmente orientado para a geração de modelos de situações
de instalação e avaria de sistemas flutuantes offshore.
Ultimamente, também motivado pela lacuna deixada pelo OFFPIPE, por
solicitação da Petrobras o LAMCSO/ COPPE investiu na criação de um módulo
específico para geração de modelos e análise de dutos rígidos – o PetroPipe –
incorporado ao SITUA / PROSIM.
O PetroPipe é um software específico para análise de dutos rígidos que
utiliza a plataforma SITUA / PROSIM, tendo, portanto, a possibilidade de realizar
análises acopladas. Isto permite contabilizar os movimentos de segunda ordem, ou
seja, as derivas lenta e média.
Por outro lado este software possui um algoritmo robusto no que tange à
utilização de elementos de contato, modelando uma rampa de lançamento de forma
totalmente conveniente e amigável. É possível se definir a rampa de lançamento a
partir de dados como inclinação do trecho reto da rampa de lançamento, raio de
curvatura da rampa, interface entre trecho reto e curvo e locação dos berços ao longo
da curva, o que facilita em muito a modelagem da rampa. É possível também fornecer
explicitamente as coordenadas dos roletes na rampa de lançamento.
Quanto aos berços de roletes, existe a facilidade de se modelar um berço e
repetir este modelo para outros berços. Modelam-se tanto os berços “horizontais”,
realmente horizontais ou em V e que são aqueles que recebem o carregamento
vertical do duto, quanto os roletes “verticais”, que podem ser realmente verticais ou
inclinados, e que tem por objetivo receber as ações laterais do duto. É possível desta
forma se considerar em um modelo S-Lay tanto uma rampa de lançamento vertical
quanto uma rampa horizontal fruto da variação da abertura dos roletes verticais,
especialmente no stinger.
Outra característica do PETROPIPE é a possibilidade de se variar a
discretização do MEF, considerando-se o perfil de elementos desejado tanto dentro da
rampa de lançamento quanto fora desta, não havendo rigidez na discretização do
modelo no SAGBEND, o que permite refinar o modelo onde, por exemplo, é esperada
25
uma maior curvatura do duto enquanto se pode adotar uma modelagem mais pobre
onde não são esperados esforços significativos.
O PETROPIPE apresenta os seus resultados basicamente em ambiente
gráfico, o que é uma tendência atual em função da evolução da informática. Desta
forma, o software gera todos os resultados, armazenando-os em um banco de dados,
e fornecendo os resultados solicitados em um ambiente de pós-processamento.
26
3. FORMULAÇÃO DOS MÉTODOS DE ANÁLISE
3.1. INTRODUÇÃO
No modelo de instalação de um duto submarino a partir de uma balsa
ancorada há três componentes distintos a considerar:
a balsa de lançamento;
os cabos de ancoragem da balsa ao leito marinho;
o duto propriamente dito, razão de ser da operação.
Os itens a seguir descrevem os modelos hidrodinâmicos e estruturais
empregados para a simulação numérica e análise desses componentes. No item 4.2
do próximo capitulo será comentado que, em uma análise mais rigorosa, todos esses
componentes deveriam ser analisados simultaneamente, em uma metodologia
acoplada na qual a análise hidrodinâmica da embarcação sob ação de onda,
correnteza e vento, é associada à análise estrutural dos cabos de ancoragem e do
duto. No entanto, como mencionado na Introdução, no escopo dessa dissertação
considera-se uma metodologia desacoplada, onde esses componentes são analisados
separadamente empregando os modelos descritos a seguir.
27
3.2. MODELOS HIDRODINÂMICOS PARA O CASCO DA BALSA
A análise das ações de vento, onda e correnteza sobre uma embarcação
deveria, a rigor, ser feita através da utilização das equações de Navier-Stokes, as
quais são um conjunto de equações diferenciais que descrevem o escoamento dos
fluidos, permitindo determinar os campos de velocidade e pressão [2]. A utilização
destas equações, dada a sua complexidade, implicaria em imenso esforço
computacional. São feitas, então, simplificações na teoria original de Navier-Stokes
para viabilizar a sua utilização.
Uma simplificação largamente utilizada por softwares como os citados acima
é utilização do modelo de difração-radiação tendo por base a teoria potencial. O
modelo de difração-radiação é utilizado em corpos como uma balsa de lançamento de
dutos onde nenhuma das dimensões é desprezível em relação às outras. Isto provoca
uma alteração significativa na direção do fluxo ou difração do mesmo.
diversos softwares existentes no mercado com essas características para
a análise de modelos hidrodinâmicos do casco de embarcações como uma balsa de
lançamento de dutos, e determinação dos seus movimentos e dos coeficientes de
força de onda atuando sobre eles. Exemplos destes softwares são o Wamit e o
Wadam.
Vale recordar que, no contexto dos estudos apresentados nessa dissertação,
focando na segunda etapa da metodologia desacoplada que é a análise estrutural do
duto, tomaram-se resultados de análises previamente executadas com o Wamit para
obter os RAOs que definem os movimentos impostos no duto em sua análise
estrutural.
28
3.3. MODELOS DE ANÁLISE ESTRUTURAL DAS LINHAS
3.3.1. CARACTERÍSTICAS DO COMPORTAMENTO DAS LINHAS
De acordo com os carregamentos aplicados em uma linha, podem ser
identificados dois tipos de comportamento estrutural, aos quais correspondem duas
fases de análise:
Fase Estática;
Fase Dinâmica;
Na fase estática, correspondente à atuação apenas das ações permanentes,
a saber, peso próprio da linha, empuxo, ação de pesos discretizados (anodos, por
exemplo), empuxos discretizados (flutuadores), e correnteza, é definida a configuração
de equilíbrio inicial da linha.
Na fase dinâmica, correspondente à atuação que apresentam variação no
tempo com períodos próximos a períodos naturais da estrutura (especialmente as
ondas), a partir da configuração estática da linha pode-se determinar seu
comportamento ao longo do tempo. Nesta fase são parâmetros importantes os efeitos
de inércia e amortecimento, e podem aparecer efeitos importantes como a
ressonância quando o período médio do espectro de ondas se aproxima de um dos
períodos naturais de vibração da linha.
Além disso, também em função das propriedades da estrutura, de sua
geometria e das ações externas, é possível classificar o comportamento de uma
estrutura em dois grupos;
Linear
Não-linear.
Uma estrutura tem comportamento linear quando existe proporcionalidade
entre as ações aplicadas e a sua resposta. Isto ocorre desde que algumas hipóteses
sejam respeitadas, por exemplo: Pequenos deslocamentos e deformações (neste
caso, na formulação do modelo matemático, descrito a seguir, é possível desprezar os
deslocamentos e considerar que a configuração deformada é aproximadamente igual
à original); e Material com comportamento elástico linear
(ou seja, existe relação linear
29
entre tensões e deformações), e a lei de Hooke é obedecida. Em linhas e dutos,
geralmente estas hipóteses não são respeitadas, e estas apresentam portanto um
comportamento não-linear acentuado.
De modo geral dois tipos de não-linearidades podem ser identificados: A não
linearidade geométrica, que ocorre em estruturas muito flexíveis, sujeitas a grandes
deslocamentos (exatamente o caso das linhas de ancoragem e dutos). Por outro lado,
quando a relação entre as tensões e deformações deixa de ser linear, como em
materiais elastoplásticos, identifica-se a não linearidade física e as equações
constitutivas deixam de ser lineares [3].
30
3.3.2. FORMULAÇÃO DO MODELO MATEMÁTICO
O modelo matemático que define a formulação da análise estrutural de cada
linha é representado por um problema de valor inicial e de contorno (PVI/C), composto
por um sistema de equações diferenciais parciais (EDP) e um conjunto de condições
de contorno e condições iniciais.
As equações diferenciais parciais são representadas por:
Equações de equilíbrio, onde são relacionadas as cargas externas e as
tensões;
Relações cinemáticas, onde são relacionados deformações e
deslocamentos;
Equações constitutivas do material, onde são relacionadas tensões e
deformações.
As condições de contorno podem ser um conjunto de cargas ou
deslocamentos conhecidos no contorno enquanto as condições iniciais (no tempo) são
deslocamentos conhecidos no inicio da simulação (t=0).
3.3.3. SOLUÇÃO DO MODELO MATEMÁTICO: MÉTODOS NUMÉRICOS
Normalmente não é possível se obter uma solução analítica para o problema.
Recorre-se, então, a métodos numéricos. O método numérico mais largamente
utilizado é o método dos Elementos Finitos, podendo ser considerados também outros
métodos como o Método dos Elementos de Contorno (MEC) ou Método das
Diferenças Finitas (MDF).
No MEF a estrutura contínua é discretizada em elementos, o equilíbrio é
estabelecido para cada elemento, e em seguida considera-se a interação entre os
elementos, resultando no equilíbrio do conjunto expresso por um sistema de equações
algébricas. A qualidade do resultado está obviamente relacionada ao tamanho dos
elementos empregados na discretização.
Em síntese, transforma-se o modelo matemático contínuo expresso pelas
equações diferenciais parciais (EDP) em um modelo numérico discreto expresso, para
problemas estáticos, por um sistema de equações algébricas.
31
O problema estará resolvido para problemas estáticos, mas não para
problemas dinâmicos, pois nestes casos persiste a continuidade no tempo e o modelo
é expresso por um sistema de equações diferenciais ordinárias (EDO), como será
descrito mais adiante. A discretização ao longo do tempo é efetuada através de
algoritmos de integração, onde o equilíbrio em um instante t+1 pode ser obtido a partir
do equilíbrio no instante t.
Adiante falaremos sobre essas etapas de discretização, no espaço (pelo
Mëtodo dos Elementos Finitos) e no tempo (empregando algoritmos de integração).
a) Discretização no Espaço
Conforme descrito anteriormente, o comportamento da linha é descrito por
um problema de valor inicial e de contorno (PVI/C) composto por um conjunto de
equações diferenciais parciais (EDP), as quais, através do uso de um método
numérico como o Método dos Elementos Finitos (MEF), são discretizadas no espaço,
resultando em equações diferenciais ordinárias (EDO) transcritas a seguir.
(t)F(t)F(t)F
EXTINTI
=+
(3.1)
onde F
I
, F
INT
e F
EXT
são vetores cujos componentes correspondem aos graus de
liberdade dos nós da malha de elementos finitos, sendo:
F
I
= M u" (t ) - vetor de forças de inércia;
F
INT
= C u'(t) + K u(t) - vetor de forças internas elásticas e de
amortecimento.
F
EXT
= F(t) - vetor de cargas externas;
Nessas expressões, M, C e K são respectivamente as matrizes de massa,
amortecimento e rigidez, simétricas e, em problemas lineares, constantes ao longo do
tempo; e u(t), u' (t) e u"(t), respectivamente vetores de deslocamentos, velocidades e
acelerações, são incógnitas do problema. A matriz de amortecimento C pode ser
representada pela expressão de Rayleigh como uma combinação linear das matrizes
de massa e rigidez [4]:
α
m
M + α
k
K.
32
onde α
m
e α
k
são, respectivamente, coeficientes escalares proporcionais à massa e à
rigidez, a ser determinados a partir de dois pares de valores
(freqüência x percentagem de amortecimento crítico).
O sistema de equações diferenciais ordinárias pode, portanto, ser escrito
como:
M u"(t) + C u'(t) + Ku(t) = F
EXT
(t) (3.2)
Essas EDO ou “equações de movimento”, associadas às condições iniciais
u(0) = u
0
e u'(0) = v
0
compõem um problema de valor inicial semi-discreto”, porque
foram discretizadas no espaço por Elementos Finitos, mas ainda são contínuas no
tempo.
O sistema de EDO apresentado acima é válido para problemas lineares.
Entretanto, como já mencionado, na análise de cabos de ancoragem e de dutos
submarinos, deve-se considerar ao menos a não linearidade geométrica, que
estamos falando de grandes deslocamentos e não mais é válida a hipótese de que a
geometria indeformada e deformada não tem grandes variações.
ainda a possibilidade de haver não linearidade física na instalação de
dutos rígidos, pois ocasionalmente se utiliza rampas de lançamento S-Lay cujo raio de
curvatura supera a curvatura referente à tensão de escoamento do duto. Há também o
exemplo das balsas de lançamento pelo método Reel onde o carretel impõe
deformações plásticas ao duto. ainda a não linearidade advinda da possibilidade
da mudança de condições de contorno durante a aplicação de forças ao modelo de
elementos finitos [4].
Logo, faz-se necessário contabilizar estas não-linearidades. Quando ocorre a
não linearidade geométrica, as relações cinemáticas entre deformações e
deslocamentos devem incluir termos de segunda ordem. Na não linearidade física as
relações constitutivas do material, relacionando tensões e deformações, também
deixam de ser lineares [3].
Uma das alternativas para a descrição dos movimentos em uma análise não-
linear geométrica é a utilização da Formulação Lagrangeana, onde se seguem todas
as partículas do corpo ao longo do seu movimento desde a configuração original até a
configuração final [3]. A formulação lagrangeana envolve um procedimento
incremental que refere todas as quantidades físicas à última configuração calculada
33
(no caso da formulação Lagrangeana Atualizada) ou à configuração inicial (no caso da
formulação Lagrangeana Total). Em cada passo da solução a configuração do corpo é
atualizada, alterando-se também a configuração de referência.
Em qualquer caso, pode-se considerar que os termos não-lineares, agora
funções dos deslocamentos incógnitos u, estão incorporados na parcela de forças
internas elásticas e na parcela de cargas externas, de modo que as EDO podem ser
reescritas da seguinte forma:
M u"(t) + C u'(t) + R u(t) = F(u,t) (3.3)
Para a discretização espacial dos dutos e linhas de ancoragem, podem ser
empregados elementos reticulados de treliça e pórtico. A seguir apresenta-se uma
descrição sucinta das características destes elementos.
Elemento de Treliça
Os elementos de treliça possuem 3 graus de liberdade por nó. Os graus de
liberdade (U,V,W) representam movimentos lineares nas direções X, Y e Z, como
ilustra a figura 3-1 a seguir. Como este tipo de elemento não possui graus de liberdade
angulares, conseqüentemente não é possível fornecer rigidez flexional. Por este
motivo, estes elementos representam bem linhas que possuem baixa rigidez à flexão
tais como linhas de ancoragem e umbilicais.
X
Z
Y
Nó 1
Nó 2
U
V
W
U
V
W
Figura 3-1 – Elemento de treliça
Elemento de Pórtico
Elementos de pórtico espacial possuem 6 graus de liberdade por nó. Os
graus de liberdade (U,V,W,RU,RV,RW) representam movimentos lineares nas
direções x, y e z e movimentos angulares em torno destes mesmos eixos, como ilustra
a figura 3-2.
34
Com este tipo de elemento é possível considerar a rigidez à flexão das
linhas, de modo a representar linhas cuja rigidez à flexão é representativa, tais como
no caso dos dutos.
X
Z
Y
Nó 1
Nó 2
U
V
W
U
V
W
RU
R
V
RW
R
V
RW
Figura 3-2 – Elemento de Pórtico Espacial
Existem diferentes formulações de elementos de pórtico. Por exemplo, o
programa Prosim emprega um elemento finito de pórtico espacial baseado em uma
formulação co-rotacional. Esta formulação vem se impondo como alternativa às
formulações Lagrangeanas total e atualizada mencionadas acima, tradicionalmente
empregadas na mecânica dos sólidos para a descrição do movimento em problemas
com não-linearidade geométrica acentuada. O objetivo principal da formulação co-
rotacional é separar os movimentos de corpo rígido dos movimentos que geram
deformações. Com isso, obtém-se um elemento mais preciso, robusto e menos
sensível à magnitude das rotações incrementais.
b) Discretização no Tempo
Para a discretização no tempo e solução das equações de movimento,
podem ser empregados os membros da família de algoritmos de Newmark, onde são
estimados os resultados no instante seguinte n+1 a partir dos resultados disponíveis
no instante analisado n. através de operadores de diferenças finitas.
Para aplicar os algoritmos de Newmark em problemas lineares, inicialmente
as equações do movimento são escritas na seguinte versão discretizada no tempo.
1111 +
++
++
++
++
++
++
++
+
=
==
=+
++
++
++
+
nnnn
FKdCvMa
(3.4)
35
Os operadores de diferenças finitas para definir a variação dos
deslocamentos d, velocidades v e acelerações a em intervalos de tempo t tem a
seguinte forma:
(
((
( )
))
)
[
[[
[ ]
]]
]
1
2
1
221
2
+
++
++
++
+
+
++
+
+
++
+
+
++
+=
==
=
nnnnn
aa
t
tvdd
β
ββ
ββ
ββ
β
(3.5)
(
((
(
)
))
)
[
[[
[
]
]]
]
11
1
+
++
++
++
+
+
++
+
+
++
+=
==
=
nnnn
aatvv
γ
γγ
γγ
γγ
γ
Substituindo estas expressões nas equações de movimento e operando,
chega-se ao um Sistema Efetivo de equações algébricas lineares, que pode ser escrito
da forma
[
[[
[ ]
]]
]
(
((
( )
))
)
[
[[
[ ]
]]
]
β
ββ
β
+
++
+
+
++
+
γ
γγ
γ
+
++
+
=
==
=
β
ββ
β+
++
+
γ
γγ
γ+
++
+
+
++
++
++
+ n
2
nnnn1n1n
2
at
2
1
vtdKat1vCFaKtCtM
(3.6)
ou simplesmente
A x = b (3.7)
onde as incógnitas x são representadas pelas acelerações a; a matriz de
coeficientes A é a matriz efetiva, definida como uma combinação das matrizes de
massa, rigidez e amortecimento, afetadas por coeficientes escalares (os termos entre
colchetes no lado esquerdo); e o vetor de termos independentes b é o vetor de cargas
efetivas no lado direito, calculados em termos das cargas externas, e de forças
elásticas, de inércia e de amortecimento do passo anterior.
Verificamos, portanto que o processo de integração no tempo em problemas
lineares recai na solução de um sistema de equações algébricas lineares para cada
instante de tempo.
De acordo com os valores que se fornecem para os parâmetros γ
γγ
γ e β
ββ
β podem
ser identificadas duas classes de algoritmos:
Algoritmos explícitos;
Algoritmos implícitos.
36
Integração no tempo por algoritmos explícitos
Um exemplo de integração no tempo com a utilização de algoritmos
explícitos é o Método das Diferenças Centrais (MDC), que é um caso particular dos
operadores de Newmark considerando β=0 e γ=1/2.
Métodos explícitos apresentam a vantagem de requerer um pequeno custo
computacional por intervalo de tempo, já que, quando as matrizes de massa e
amortecimento são diagonais o sistema efetivo é desacoplado, o que quer dizer que
não necessidade de empregar uma técnica para resolução do sistema. As
incógnitas são obtidas diretamente pela divisão dos termos do vetor de cargas efetivo
pelos termos da diagonal da matriz efetiva.
Outra vantagem é, na solução de problemas não-lineares, não requerer
nenhum tratamento especial, já que os termos não-lineares relacionados ás forças
elásticas internas e às cargas externas são expressos no tempo n, quando as
incógnitas u são conhecidas.
A grande limitação dos métodos de integração por algoritmos explícitos está
no fato de não apresentar estabilidade incondicional e requerer que o passo de t ser
inferior ao valor t
crit
onde t
crit
é igual a T
n
/π, sendo T
n
o menor período do sistema de
elementos finitos. Como t
crit
é avaliado a partir do sistema de elementos finitos em um
dado instante, e, sendo o sistema não-linear, a matriz de rigidez varia a cada instante,
é necessário que se defina um valor de t bem abaixo de t
crit
para se garantir a
estabilidade [4].
Essa exigência de passos muito pequenos pode comprometer a eficiência do
método, principalmente em problemas inerciais como os de lançamento de dutos, nos
quais os modos naturais de vibração que dominam a resposta tem períodos
relativamente mais altos.
Integração no tempo por algoritmos implícitos
Membros da família de algoritmos de Newmark que possuem o parâmetro β
0 são implícitos, pois nesses casos o sistema efetivo é acoplado, e, portanto, exige-
se uma técnica para a resolução de sistemas de equações algébricas, o que acarreta
em maior custo computacional por instante de tempo.
37
Por outro lado, como no caso da regra trapezoidal que é um membro da
família de Newmark caracterizado pelos parâmetros γ
γγ
γ e β
ββ
β respectivamente iguais a 1/2
e ¼, a estabilidade é incondicional e não existe a restrição de empregar intervalos de
tempo menores do que o intervalo crítico t
crit
, podendo, portanto, ser usados valores
bem maiores de intervalo de tempo na solução de problemas inerciais como os de
lançamento de dutos.
Uma característica dos métodos implícitos em problemas não-lineares reside
no fato de, que a matriz efetiva A passa a ter contribuição da matriz de rigidez, os
termos não-lineares relacionados ás forças elásticas internas ficam no lado esquerdo
do sistema de equações, portanto exigindo o uso de procedimentos específicos para
tratar o problema não-linear. Neste caso pode ser empregado o Método de Newton-
Raphson, que considera que no entorno de uma configuração deformada d
n+1
o
problema pode ser considerado localmente linear, permitindo aproximar as parcelas
não-lineares através de séries de Taylor com termos de ordem superior truncados.
No caso da parcela de forças elásticas R(u), tem-se:
d
d
R
dRdR
n
d
nn
+
++
+=
==
=
+
++
+
|)()(
1
(3.8)
onde:
d = d
n+1
- d
n
R(d
n
) são os esforços calculados com os deslocamentos do
instante anterior;
n
d
d
R
|
define a Matriz de Rigidez Tangente K
T
.
De forma semelhante ao apresentado no item anterior para problemas
lineares, a forma discretizada das equações do movimento não lineares, expressas no
instante t
n+1
, desprezando-se o amortecimento, é dada por
111 +
++
++
++
++
++
+
=
==
=+
++
+
nnn
FRdMa
. (3.9)
Substituindo as parcelas incrementais acima nas equações do movimento
discretizadas, advêm as equações do movimento em forma incremental.
38
)(
11 nnTn
dRFdKMa
=
==
=
+
++
+
+
++
++
++
+
(3.10)
onde d
n+1
= d
n
+
d.
No entanto estas equações não mais garantem o equilíbrio dinâmico ao fim
do intervalo de tempo t
n+1,
devido às linearizações assumidas no truncamento da série
de Taylor. Por isto, é necessário empregar uma técnica iterativa para resolver o
problema não linear. Usualmente emprega-se o Método de Newton-Raphson e suas
variações, que consistem em escrever as equações de movimento na seguinte forma
incremental-iterativa:
M a
(k)
n+1
+ C v
(k)
n+1
+ K
T
∆∆d
(k)
= F
n+1
R(d
(k-1)
n+1
, ∆∆d
(k-1)
)
d
(k)
= d
(k-1)
+ ∆∆d
(k)
(3.11)
d
(k)
n+1
= d
(k-1)
n+1
+ ∆∆d
(k)
Nestas expressões, os superscritos k e k-1 indicam um contador de
iterações, e ∆∆d
(k-1)
representa a variação dos deslocamentos incrementais obtida a
cada iteração do ciclo de verificação do equilíbrio.
A formulação do Método de Newton-Raphson baseia-se portanto em adotar a
linearização da série de Tayhlor e iterar com matrizes tangentes. No Método de
Newton-Raphson Padrão NRP, a matriz tangente é reavaliada em todas iterações. No
entanto, em alguns casos os custos de montagem e decomposição associados não
compensam os ganhos com a convergência do processo, e o método de Newton-
Raphson modificado NRM é uma alternativa interessante. Nesta técnica, a matriz de
rigidez tangente K
T
é calculada ao início de cada intervalo de tempo e mantida
constante ao longo do ciclo iterativo, podendo ainda ser mantida constante ao longo
de um certo número de intervalos de tempo.
c) Algoritmos de Integração Utilizados nos Softwares
Em um método numérico, a dissipação das altas freqüências evita que
respostas espúrias associadas a estas freqüências sejam contabilizadas. Isto é feito
através do amortecimento. Entretanto, a dissipação das altas freqüências, que não
possuem valor significativo, não deve acarretar em perda de precisão, nem tampouco
39
resultar em excesso de amortecimento, promovendo também dissipação de baixas
freqüências.
Ao longo do tempo alguns métodos numéricos têm sido desenvolvidos, a
começar pela família de algoritmos propostos por Newmark em 1959. O algoritmo
mais conhecido desta família é a regra trapezoidal, onde β
ββ
β = ¼ e γ
γγ
γ = ½. Neste
algoritmo não está previsto amortecimento numérico. A partir da família de algoritmos
de Newmark tem-se pesquisado formas de se introduzir o amortecimento de forma
controlada tal que amorteça de forma significativa as freqüências mais altas, que não
tem nenhum significado físico além de poderem incluir parcelas “espúrias”, sem
amortecer significativamente as freqüências mais baixas, estas sim importantes na
resposta dinâmica, e nem tampouco provocar perda de precisão.
Alguns dos estudos que foram apresentados ao longo dos anos, procurando
incluir amortecimento das altas freqüências sem afetar as baixas freqüências, são:
- Método θ - Wilson (1968);
- Método αH-Newmark ou HHT-α - Hilber, Hughes e Taylor (1977);
- Método αB-Newmark ou WBZ-α - Wood, Bossak e Zienkiewicz (1981);
- Método ρ - Bazzi e Anderheggen (1982);
- Método θ
1
– Hoff e Pahl (1988 e 1989).
Serão descritos a seguir os métodos numéricos considerados pelos softwares
considerados nas análises dinâmicas realizadas nesta dissertação. Embora os
softwares ORCAFLEX e SITUA/PROSIM trabalhem com métodos de integração
implícito e explícito, as análises realizadas para este trabalho consideraram somente o
primeiro método para haver coerência entre todas as análises. Desta forma, somente
os métodos implícitos serão descritos abaixo.
OFFPIPE
O software OFFPIPE foi desenvolvido na década de 80. O programa adota
como método de integração das equações de movimento o método implícito, ou mais
precisamente uma forma da regra trapezoidal, pertencente à família de algoritmos de
Newmark.
Os métodos numéricos
associados à família de Algoritmos de Newmark têm
como principal característica o fato de promoverem a dissipação das altas freqüências,
sendo precisos, porém, apenas para os elementos de primeira ordem, e apresentando
alto amortecimento para freqüências de baixa ordem.
40
Segundo o manual do programa [4], a forma de integração através da
utilização da regra trapezoidal apresentada, “é uma forma de segunda ordem,
totalmente implícita e incondicionalmente estável. O método inclui amortecimento
numérico para garantir a estabilidade da integração no tempo e prevenir oscilações
espúrias da solução numérica.” “O amortecimento pode variar de 0 a 1, onde o valor 0
corresponde à ausência de amortecimento e o valor 1 corresponde ao amortecimento
máximo ou amortecimento de Euler de primeira ordem. O valor da razão de
amortecimento adotado deve ser o menor possível, pois quanto maior a razão, menor
a precisão da solução numérica.”
Apresentaremos abaixo o Algoritmo de Newmark, sem amortecimento
numérico, com seus operadores em termos de velocidades e acelerações para o caso
específico da Regra Trapezoidal, ou seja, γ = ½ e β = 1/4:
nn1n1n
v)dd(
t
2
v
=
==
=
+
++
++
++
+
nn1n1n
a)vv(
t
2
a
=
==
=
+
++
++
++
+
Consideremos, agora, o intervalo de tempo t composto de duas parcelas,
a saber, h
1
e h
2
. Teremos t = h
1
+ h
2
. Substituindo t nas equações acima, teremos:
nn1n
21
1n
v)dd(
hh
2
v
+
++
+
=
==
=
+
++
++
++
+
nn1n
21
1n
a)vv(
hh
2
a
+
++
+
=
==
=
+
++
++
++
+
Rearranjando os elementos das equações acima, teremos a forma da
Regra Trapezoidal adotada pelo programa OFFPIPE, a saber:
n
2
1
2
n1n
1n
v
h
h
h
dd
v
=
==
=
+
++
+
+
++
+
n
2
1
2
n1n
1n
a
h
h
h
vv
a
=
==
=
+
++
+
+
++
+
(3.12)
O amortecimento numérico proposto pelo OFFPIPE é a razão apresentada
abaixo e que deve ser fornecida pelo usuário do programa.
21
12
hh
hh
DR
+
++
+
=
==
=
(3.13)
A razão de amortecimento DR pode variar de 0 a 1. Quando h
1
e h
2
forem
iguais, DR será nulo, ou seja, não haverá amortecimento.
Se aplicarmos o algoritmo acima à equação do movimento, teremos:
+
++
++
++
+
+
++
+
+
++
++
++
++
++
+=
==
=
+
++
++
++
+
+
++
++
++
+
2
1
n
2
n
2
1
n
2
2
2
1
n
2
2
n
1n
2
2
2
1n
h
h
v
h
d
C
h
h
a
h
1
h
h
v
h
d
MFK
h
C
h
M
d
(3.14)
41
SITUA-PROSIM
O software Prosim possui tanto o algoritmo αB-Newmark, quanto αH-
Newmark.
O algoritmo conhecido como αB-Newmark ou WBZ-α, resultou da proposta de
Bossak e Zienkiewicz [24]. Para uma modificação no algoritmo original de Newmark,
com objetivos e metodologia semelhante à que levou ao desenvolvimento do algoritmo
HHT ou αH-Newmark.
O algoritmo αH-Newmark, utilizado em programas como o Anflex, é um
algoritmo implícito, com propriedades de dissipação numérica capaz de reduzir a
participação dos modos de vibração com freqüências mais altas, que poderiam
introduzir ruídos espúrios na resposta dinâmica. O algoritmo αH-Newmark emprega os
mesmos operadores que caracterizam a família de algoritmos de Newmark. A
particularidade do algoritmo αH-Newmark consiste na expressão das equações de
movimento discretizadas no tempo, que passam a ser escritas da seguinte forma:
α
αα
α+
++
++
++
++
++
++
++
++
++
+
=
==
=α
αα
α
α
αα
α+
++
++
++
+α
αα
α
α
αα
α+
++
++
++
+
1nn1nn1n1n
FKdKd)1(CvCv)1(Ma
(3.15)
onde
n1n1n
FF)1(F α
αα
α
α
αα
α+
++
+=
==
=
+
++
+α
αα
α+
++
++
++
+
Observa-se que estas expressões introduziram um parâmetro α. Trata-se de
um parâmetro ajustável que permite controlar o grau de dissipação, e que deve ser
fornecido pelo usuário no intervalo [-1/3;0]. Além disso, os parâmetros γ e β também
passam a ser definidos em função de α, da seguinte forma:
γ = (1-2α) / 2
β = (1-α / 4
Com isso o algoritmo αH-Newmark também incorpora, como caso particular, a
regra trapezoidal, já que, fornecendo-se α = 0, as equações discretizadas recaem na
forma trapezoidal dos algoritmos de Newmark, com os valores para os parâmetros γ e
β recaindo em γ = ½ e β = ¼. O algoritmo αH-Newmark é incondicionalmente estável,
com ordem de precisão 2, como demonstrado nos estudos das propriedades de
convergência, estabilidade, consistência e precisão apresentados em [25,26].
O algoritmo αB-Newmark também emprega os mesmos operadores que caracterizam
a família de algoritmos de Newmark. Emprega também um parâmetro ajustável α com
o mesmo objetivo de controlar o grau de dissipação numérica para reduzir ruídos
espúrios de alta frequência, e que deve ser fornecido pelo usuário no intervalo [-1/3;0].
Demonstra-se [27,28] que os métodos αH-Newmark e αB-Newmark fornecem
resultados muito semelhantes, principalmente para os valores mais usualmente
fornecidos para α, não muito próximos do limite -1/3.
42
A particularidade do algoritmo αB-Newmark consiste na expressão das
equações de movimento discretizadas no tempo, que passam a ser escritas da
seguinte forma:
1n1n1nn1n
FKdCvMaMa)1(
+
++
++
++
++
++
++
++
+
=
==
=+
++
++
++
+α
αα
α+
++
+α
αα
α
(3.16)
Comparando esta expressão com a que caracteriza o algoritmo αH-
Newmark, observa-se que os multiplicadores α não afetam os termos de
amortecimento e de forças elásticas (que dependem das matrizes C e K), mas
sim o termo de forças de inércia, que depende da matriz de massa M. Este fato
acarreta em diversas vantagens na implementação computacional, que se
torna mais simples, particularmente em problemas não-lineares.
ORCAFLEX
O ORCAFLEX adota como método de integração implícito o método α-
generalizado [29], que é uma combinação dos métodos HHT-α (ou αH-Newmark) e
WBZ-α ( ou αB-Newmark), vistos acima.
No método α-generalizado a equação de movimento discretizada no tempo
possui a seguinte forma:
fffm
1n1n1n1n
FKdCvMa
α
αα
α
+
++
+α
αα
α
+
++
+α
αα
α
+
++
+α
αα
α
+
++
+
=
==
=+
++
++
++
+
(3.17)
Onde d
0
= d; v
0
= v; a
0
= M
-1
[F(0)-Cv-Kd], sendo d, v, e a definidos pelas
expressões abaixo:
nf1nf1n
dd)1(d
f
α
αα
α+
++
+α
αα
α
=
==
=
+
++
+α
αα
α
+
++
+
nf1nf1n
vv)1(v
f
α
αα
α+
++
+α
αα
α
=
==
=
+
++
+α
αα
α
+
++
+
(3.18)
nm1nm1n
aa)1(a
m
α
αα
α+
++
+α
αα
α
=
==
=
+
++
+α
αα
α
+
++
+
nf1nf1n
tt)1(t
f
α
αα
α+
++
+α
αα
α
=
==
=
+
++
+α
αα
α
+
++
+
Como vemos, este método é realmente uma combinação dos métodos HHT-α
(ou αH-Newmark) e WBZ-α ( ou αB-Newmark). A questão crucial é a determinação da
relação entre os parâmetros α
f
, α
m
, β e γ. Com expressões apropriadas para β e γ, se
α
m
=0, o algoritmo se reduz ao método HHT-α; α
f
=0 produz o método WBZ-α; α
m
=α
f
=0
reduz o método a um algoritmo da família de Newmark.
43
3.4. GERAÇÃO DAS MALHAS DE ELEMENTOS FINITOS DAS LINHAS
3.4.1. INTRODUÇÃO
Como mencionado anteriormente, a primeira fase da análise de linhas
consiste na determinação da configuração de equilíbrio inicial sob a ação de cargas de
peso próprio e empuxo apenas. No caso de linhas de ancoragem e risers em
catenária, e também dutos lançados pelo método J-Lay, o primeiro passo dessa fase
pode ser executado empregando as equações da catenária.
No entanto, enquanto nesses casos a descrição geométrica das linhas ao
longo de sua configuração entre a conexão no topo e seu ponto de contato com o leito
marinho podem ser definidas pela equação da catenária, na definição da geometria e
esforços em um duto submarino sendo lançado pelo método S-Lay a sua rigidez à
flexão passa a ser fundamental, e o duto assume uma geometria (em S) que não é
definida pela equação da catenária.
Na definição da configuração de equilíbrio de um duto lançado pelo método
S-Lay, faz-se necessário portanto a descrição de sua rigidez à flexão e torção, o que
somente é possível pela utilização de solvers baseados no Método dos Elementos
Finitos, empregando elementos de pórtico. Quanto mais rígida a linha e quanto menor
a lâmina d’água, mais influência a rigidez à flexão terá. situações em que o duto
dispensa tração, podendo ser comparado com uma viga apoiada na balsa e no leito
marinho.
Assim, os itens seguintes descrevem os procedimentos que podem ser
empregados para definir as configurações de equilíbrio: respectivamente as equações
da catenária, e o Método dos Elementos Finitos associado a um procedimento de
solução de problemas estáticos não-lineares conhecido como o Método da Relaxação
Dinâmica.
3.4.2. EQUAÇÕES DA CATENÁRIA
Uma peculiaridade na forma básica destas equações é a ausência de
informações sobre as propriedades físicas do material. É considerada apenas a
geometria. Veremos adiante que é possível introduzir a rigidez axial nas equações
para viabilizar a análise de linhas mais flexíveis como aquelas compostas de
Polyester.
44
A figura 3-3 abaixo mostra os parâmetros relevantes para formulação da
equação da catenária, apresentada a seguir.
Figura 3-3 – Parâmetros para Equação da Catenária
A equação da catenária é dada pela expressão abaixo [5].
2
1
2
2
2
1
1
+
++
+=
==
=
dx
dy
a
dx
yd
(3.19)
onde a, conhecido como parâmetro da catenária, é dada pela relação F
x
/q,
sendo F
x
dada acima e q o peso submerso da linha por unidade de comprimento.
A solução desta equação diferencial, em coordenadas cartesianas, é obtida a
partir da expressão abaixo:
21
cosh CC
a
x
ay +
++
+
+
++
+=
==
=
(3.20)
Introduzindo as condições de contorno
(
((
(
)
))
)
00 =
==
=y
e
(
((
( )
))
)
00 =
==
=
dx
dy
referentes à
catenária livre tangente ao solo, e substituindo na equação acima, temos:
=
==
= 1cosh
a
x
ay
(3.21)
T
45
As seguintes expressões são também relevantes:
comprimento a partir do fundo:
(
((
(
)
))
)
θ
θθ
θ
tanaL =
==
=
força vertical:
(
((
(
)
))
)
(
((
(
)
))
)
xLqxW .=
==
=
tração em função de x:
(
((
( )
))
) (
((
( )
))
){
{{
{ }
}}
}
[
[[
[
]
]]
]
2
1
2
2
.. xLqxFxT +
++
+=
==
=
tração em função de y:
(
((
(
)
))
)
x
FyqyT +
++
+=
==
= .
raio de curvatura:
=
==
=
a
x
aR
2
cosh.
Quando se considera parte da linha apoiada no leito marinho, as expressões
acima se tornam:
geometria:
=
==
= 1cosh
a
xx
ay
, sendo
x
extensão apoiada no
solo;
comprimento suspenso:
=
==
=
a
xx
senhaxL .)(
Raio de curvatura:
(
((
( )
))
)
=
==
=
a
xx
axR
2
cosh.
As equações acima também podem ser apresentadas em coordenadas
curvilíneas e em função das coordenadas de topo.
Se considerarmos uma situação de deriva em relação à posição original,
conforme apresentado na figura 3-4 abaixo, temos:
46
Figura 3-4 – Condição de Deriva
+
++
+
=
==
=
+
++
++
++
+
h
h
hh
C
C
senhCC
D
21
.1.21
1
δ
δδ
δ
(3.22)
Onde:
Dq
F
C
x
h
.
=
==
=
Dq
T
CC
hT
.
1 =
==
=+
++
+=
==
=
A partir das equações acima, podemos ver que F
x
e T crescem exponencial
com o crescimento de δ em relação a D.
A formulação apresentada acima se aplica a linhas inextensíveis. É possível,
no entanto, considerar a extensibilidade através da introdução da rigidez axial.
As equações abaixo, apresentadas em função do comprimento da catenária
s, mostram a geometria da catenária com inclusão da rigidez axial.
( )
+
+=
x
0
1
x
0
1
xx
F
V
senh
F
Vqs
senh
q
F
s
EA
F
sx
(3.23)
( ) ( )
{
}
2
0
2
x
2
0
2
x0
VFVqsF
q
1
V
2
qs
EA
s
sy ++++
+=
Onde V
0
é a força vertical na extremidade s=0.
47
As equações da catenária descrevem com precisão a geometria e a tração
de linhas de ancoragem. É até razoável se imaginar que dutos rígidos com baixa
rigidez flexional lançados a partir de uma torre J-Lay em grandes lâminas d’água
possam ter a sua geometria e força axial conveniente representadas pelas equações
da catenária. Fica claro, no entanto, que quando se fala de dutos com grande rigidez
flexional sendo lançados em baixas lâminas d’água, o seu comportamento nada tem a
ver com as equações da catenária.
O duto deve ser representado, então, pelo Método dos Elementos Finitos
(MEF) conforme descrito no item 3.3, utilizando elemento de pórtico para representar
de forma correta os esforços associados à restrição de todos os seis graus de
liberdade.
softwares que utilizam a equação da catenária em fases preliminares de
uma análise. Um exemplo é o SITUA-PROSIM que em análises J-Lay utiliza a
equação da catenária para definir a geometria inicial do duto, utilizando o MEF a partir
da análise estática. em análises de modelos S-Lay isto não mais é possível em
função da configuração em S. O SITUA-PROSIM adota, então, o Método da
Relaxação Dinâmica, descrita no próximo item, para definir a configuração inicial do
duto sobre os roletes da rampa e em catenária livre.
Outro exemplo de software que utiliza a Equação da Catenária em fases
iniciais de uma análise é o ORCAFLEX. Diferentemente do SITUA / PROSIM, no
entanto, o ORCAFLEX faz isto em todos os tipos de análise, partindo para a condição
de equilíbrio na análise estática propriamente dita. Além da definição da geometria
através da equação da catenária, o ORCAFLEX possui mais quatro métodos de
definição da geometria: Spline, Quick, Prescribed e User Specified.
Os cinco métodos utilizados pelo ORCAFLEX estão descritos abaixo.
Catenária
O método define a geometria do duto sem considerar as rigidezas flexional e
torsional do duto, mas apenas a rigidez axial. O método considera os efeitos de peso,
empuxo, efeitos hidrodinâmicos. Inclui também o reconhecimento do solo, mas exclui
forças de contato entre o duto e estruturas rígidas incluídas no modelo.
Spline
É um método que parte de uma condição geométrica pré-definida,
procurando a partir daí atingir o equilíbrio.
48
Quick
Este método deixa o duto na condição geométrica em que foi desenhada. A
posição considerada ignora rigidez a flexão e torção, e forças de contato com corpos
sólidos modelados e o solo. Somente reconhece a rigidez axial.
Prescribed
Este método permite que se definam modelos com retas e curvas
repousando no leito marinho. É utilizado na análise de spools de interligação de um
duto com a riser.
User Specified
Este método deixa o duto na condição geométrica em que foi desenhada,
considerando-a a posição de equilíbrio. É utilizado quando se deseja partir de uma
condição de equilíbrio definida em análise prévia.
49
3.4.3. RELAXAÇÃO DINÂMICA
O Método da Relaxação Dinâmica (MRD) tem como suporte teórico o fato de
que a solução estática de uma análise pode ser considerada parte da parcela
transiente de uma análise dinâmica. Como o regime transiente tem como única
finalidade partir do repouso até se atingir o regime permanente, os seus resultados
são descartados em uma análise dinâmica.
Com base no exposto acima, o MRD utiliza matrizes de massa e
amortecimento que não necessariamente representam a realidade da linha analisada,
mas servem para acelerar a convergência do modelo considerado.
A aplicação do MRD em análise de dutos submarinos está em se partir de
uma configuração inicial reta em que a linha está parada, e aplicar à mesma as cargas
estáticas tais como peso e empuxo, mantendo-se as mesmas constantes. A partir do
instante inicial, a linha passa a se movimentar sob ação dos carregamentos
permanentes até atingir a conformação desejada, o que representa uma análise
dinâmica
[6] [7] [8]
.
Os parâmetros relevantes são massa, amortecimento e incremento de
tempo. Se forem consideradas as próprias propriedades físicas da linha, espera-se
que o tempo de resposta seja longo. A alternativa é, então, que, por ser uma fase
transiente e os resultados não serem relevantes, considerar propriedades artificiais
que garantam forte amortecimento. Resta saber como considerar estas propriedades.
Um passo de tempo muito grande pode, em vez de levar o modelo à convergência,
fazer com que o resultado divirja.
A consideração de amortecimento viscoso, utilizado para se atingir a
convergência, deve ser tal que se aproxime do amortecimento crítico, quando o
amortecimento será máximo. Cuidado deve ser tomado, no entanto, para não se
ultrapassar este valor, já que em uma condição de amortecimento super crítico pode-
se ter diferença entre iterações que atendam aos quesitos de convergência sem que
esta tenha sido atingida. É desejável, portanto, que o amortecimento viscoso seja
ligeiramente inferior ao amortecimento crítico, onde as oscilações passam a diminuir
de uma forma constante até atingir a convergência.
O amortecimento crítico é determinado a partir do período natural de
vibração. Como o comportamento oscilatório da linha não é relevante, pode-se estimar
densidades fictícias para o material que impliquem em aproximar o amortecimento
viscoso do crítico, não tendo estas densidades qualquer relação com a densidade real.
50
3.5. MODELOS HIDRODINÂMICOS PARA AS LINHAS
Ao contrário do cálculo das cargas hidrodinâmicas sobre a embarcação, que
como vimos no item 3.2 é efetuado com a utilização do modelo de difração-radiação
tendo por base a teoria potencial, na análise dos cabos de ancoragem e do duto sendo
lançado, as ações hidrodinâmicas são perfeitamente mensuradas através da
formulação de Morison, aplicável quando a dimensão da seção transversal destes
elementos é pequena frente ao comprimento dos componentes de onda que
representam o estado de mar. Segundo /9/, a formulação de Morison é aplicável para
o cálculo de forças de onda sobre tubos esbeltos quando γ > 5D, sendo γ o
comprimento de onda e D o diâmetro externo do tubo.
A formulação de Morison engloba dois efeitos, a saber, a força de arraste e a
força de inércia. A força arraste vem a ser a ação do fluido sobre a linha em função da
velocidade relativa entre os mesmos, enquanto a força de inércia vem a ser a ação do
fluido sobre a linha em função da aceleração relativa entre o fluido e a linha.
As forças hidrodinâmicas devem ser consideradas de forma vetorial, podendo
ser decompostas em três tipos de forças:
- Forças Tangenciais;
- Forças Normais;
- Forças de Elevação (Lift).
As forças tangenciais ao duto ao longo da linha elástica correspondem às
componentes de força agindo ao longo do eixo da linha.
As forças normais ao eixo da linha elástica correspondem às componentes
agindo perpendicular ao duto ao longo da linha.
As forças de elevação ou de lift são também forças normais ao eixo do duto
ao longo da linha elástica, porém também são normais à direção do fluxo ao qual o
duto é submetido.
Outra forma relevante de se classificar as forças hidrodinâmicas agindo sobre
o duto se refere à natureza da ação hidrodinâmica, ou seja, a origem do fluxo. Sob
este enfoque, as forças agindo sobre o duto podem apresentar a seguinte
classificação:
51
- Forças considerando o duto fixo sob ação de onda e corrente;
- Forças considerando o duto em movimento imerso em um fluido em
repouso;
- Forças considerando o duto em movimento sob ação de onda e corrente.
Forças Normais X Tangenciais
As forças hidrodinâmicas normais ao duto tem importância maior do que as
forças tangenciais, primordialmente em função das forças de arraste. Eames [30]
mostra que para risers com alguma rugosidade o coeficiente de arraste tangencial C
Dt
pode assumir valores até 5% de C
Dn
, onde C
Dn
é o coeficiente de arraste para fluxo
normal ao riser.
Na determinação de forças normais, o coeficiente de arraste normal C
Dn
é
função do Número de Reynolds e do ângulo de incidência do fluido. Para fluxos sub-
críticos e super-críticos, C
Dn
pode ser considerado independente do ângulo de
incidência. Entretanto, quando o fluxo ocorre no regime crítico, C
Dn
pode variar
sensivelmente com a direção de incidência do fluido (Sarpkaya & I saacson 1981
[31], Ersdal & Faltinsen – 2006 [32]).
Condições relativas de cálculo das forças hidrodinâmicas
O duto submarino, ao ser instalado, apresenta movimentos que podem ser
significativos no cálculo das forças sobre o mesmo. A sua inclinação ao longo da linha
elástica também varia, gerando variação no valor das forças normais e tangenciais ao
longo da mesma. As forças de onda variam em uma dada posição com a fase. O
próprio perfil de correntes submarinas pode mudar de direção além da mudança de
intensidade com a lâmina d’água.
Em função da descrição acima, é razoável se considerar a movimentação
relativa entre uma seção do duto e o fluido.
Forças considerando o duto fixo sob ação de onda e corrente
As forças correspondem à equação 3.24 apresentada abaixo, sendo a força
variável ao longo do tempo.
52
(
((
( )
))
)
v.ρACv.v.D.C
2
1
tF
mD
&
+
++
+ρ
ρρ
ρ=
==
=
(3.24)
Onde:
D é o diâmetro externo do duto incluindo revestimentos;
C
D
é o coeficiente de arraste. C
d
é função do Número de
Reynolds R
e
, do número de Keulegan-Carpenter k
C
e da
rugosidade da linha. O coeficiente de arraste normal pode
assumir desde valores da ordem de 0,6 até valores superiores a
1,2 [9];
v é a velocidade da partícula de fluido;
ρ
ρρ
ρ é a densidade do fluido onde o duto está imerso;
C
m
é o coeficiente de massa, composto da massa própria do
duto e a massa adicionada ao duto, representada por C
a
. A
massa adicionada, segundo /9/, pode assumir valores desde 0,2
até 1,0 em função do número de Keulegan-Carpenter k
C
e da
rugosidade da linha. O coeficiente de massa, portanto, pode
variar de 1,2 a 2,
v
&
é a aceleração da partícula de fluido,
A é a área da seção transversal do duto.
Forças considerando o duto em movimento imerso em um fluido em repouso
A Equação de Morison assume a forma apresentada na equação 3.25 abaixo.
(
((
( )
))
)
r
|r|r
&&
&&
.ρAC.D.C
2
1
tF
ad
ρ
ρρ
ρ
=
==
=
(3.25)
Onde:
C
d
é o coeficiente de amortecimento hidrodinâmico;
r
&
é a velocidade do duto;
r
&&
é a aceleração do duto;
Forças considerando o duto em movimento sob ação de onda e corrente
53
Esta equação engloba na Equação de Morison o efeito conjunto do
movimento do duto e a ação de onda e correnteza sobre o mesmo.
(
((
( )
))
)
r
|r|r.C.D.
2
1
D
&&
&
&&
.ρACv.ρAC..D.C
2
1
vvtF
amd
+
++
+ρ
ρρ
ρ
ρ
ρρ
ρ=
==
=
(3.26)
Forças considerando a velocidade e acelareção relativas entre o duto e o fluido
A força atuante em uma seção do duto pode ser escrita em função da
velocidade relativa entre o duto e o fluido a cada instante, o que é apresentado na
equação 3.27 abaixo.
(
((
( )
))
)
vρAa.ρACvvtF
rarr
&
+
++
++
++
+ρ
ρρ
ρ=
==
= .C.D.
2
1
D
(3.27)
Onde:
r
&
=
==
= vv
r
é a velocidade relativa duto - partícula de fluido;
r
&&
&
=
==
= va
r
é a aceleração relativa duto - partícula de fluido.
Forças de Elevação ou de Lift
As forças de elevação ou de lift são forças despertadas na direção normal ao
duto, porém também na direção normal ao fluxo. Existem formas variadas de
ocorrência deste tipo de força, sendo as principais discriminadas abaixo.
- forças devido ao efeito de parede;
- forças devido ao efeito de sombra;
- difusão de vórtices transversal.
Na instalação de dutos submarinos estes efeitos não chegam a ser
relevantes, embora não devam ser desprezados. O efeito de sombra pode ocorrer na
região do stinger em um lançamento S-Lay, enquanto o efeito de parede ocorre nas
proximidades do TDP onde o leito marinho representa o obstáculo ou parede. Este
último atua no sentido de aliviar a reação do solo solicitado pelo duto, possuindo
importância significativa quando da análise da estabilidade do duto já instalado.
54
3.6. CONCEITO DA FORÇA EFETIVA
Um dos conceitos mais importantes relacionado com a instalação e operação
de dutos submarinos é a Força Efetiva, conceito este que tem por base o Princípio de
Arquimedes. Para entender este conceito, devemos entender claramente este
princípio.
Segundo o Princípio de Arquimedes, o empuxo atuando em um corpo
submerso é uma força atuante para cima e igual ao volume de água deslocado por
este corpo.
Considere-se a figura 3-5 abaixo onde um corpo está submerso em água. A
pressão hidrostática varia linearmente com a profundidade. Desta forma a pressão que
surge sobre o corpo quando este ocupa o local originalmente ocupado pelo fluido é
maior nas regiões inferiores do corpo em relação aos superiores, resultando em uma
resultante para cima, resultante esta que passa pelo centro de gravidade do corpo. Se
considerarmos que o corpo em questão é o próprio fluido, então o mesmo estará em
equilíbrio.
Figura 3-5 – Exemplificação do Princípio de Arquimedes
Consideremos agora uma parte deste corpo como indicado na Figura 3-6.
Para que o Princípio de Arquimedes seja válido, é necessário que o campo de
pressões atue em todo o corpo. Por outro lado, ao se omitir parte de um corpo, deve-
se representá-lo pelos esforços existentes na interface (esforços internos).
Considerando apenas o esforço normal à seção, e incluindo-se a pressão
externa de tal modo que seja atendido o Princípio de Arquimedes, teremos a igualdade
indicada na Figura 3-6. A Figura 3-6(a) mostra a representação do corpo sem sua
parte superior. Como o trecho pontilhado representa a seção onde a parte superior do
corpo foi substituída pelos esforços internos atuantes na interface, não atuação de
pressão externa. A Figura 3-6(b) mostra a parte inferior do corpo onde foi incluída
pressão externa na seção de interface para atender ao Princípio de Arquimedes. A
Figura 3-6(c) retira esta pressão para restabelecer o equilíbrio.
55
Figura 3-6 – Conceito da Força Efetiva e Peso Efetivo
Consideremos, agora, a fusão das Figuras 3-6(b) e 3-6(c). Podemos adicionar
o peso real do corpo (W
real
na Figura 3-6(c)) com a resultante da pressão externa
sobre o corpo, dando origem ao peso aparente. Por outro lado, podemos adicionar a
parcela A
ext
P
ext
, força gerada para restituir o equilíbrio em função da inclusão de P
ext
na Figura 3-6(b) em atendimento ao Princípio de Arquimedes, dando origem à Força
Efetiva.
Assim, temos:
W
aparente
= W
real
+ E; N
efetiva
= N
real
+ P
ext
A
ext
. (3.28)
A Figura 3-6 nos mostra que a Força Efetiva pode ser obtida a partir do
equilíbrio de forças normais à seção, sendo função apenas do peso aparente. Os
demais esforços não sofrem alteração.
APLICAÇÃO DO CONCEITO DA FORÇA EFETIVA A UM DUTO
O conceito de força efetiva apresentado acima é válido também para um duto
onde atuam a pressão externa devido ao meio e a pressão interna devido ao fluido
existente no mesmo. Existem, porém, duas diferenças em relação ao exemplo acima
que necessitam ser resolvidas:
- O duto é contínuo em relação ao segmento que analisaremos, não sendo
possível aplicar o Princípio de Arquimedes, que para aplicá-lo o corpo precisa estar
totalmente imerso em um fluido como a água do mar, ou seja, o campo de pressões
deve atuar em todo o elemento;
- pressão interna atuando no elemento. Como acima, o campo de
pressões deve atuar em todo o elemento.
+ =
=
W
real
(a)
A
e
xt
N
real
M
V
(b)
P
e
xt
E
W
apar
(d)
N
efet
M
V
W
real
(c)
A
ext
P
ext
V
M
N
real
P
ext
56
Figura3-7 Força Efetiva e Peso Efetivo em um Duto
=
=
(W
d
+W
f
-E)δL =
(W
d
-ρ
e
gA
e
+ρ
i
gA
i
L =
(W
d
-γ
e
A
e
+γ
i
A
i
L
N
r
+
δ
N
r
+(p
e
+
δ
p
e
)A
e
-(p
i
+
δ
p
i
)A
i
=
W
ap
δL
(Peso Aparente)
N
ef
+
δ
N
ef
N
ef
N
r
+p
e
A
e
-p
i
A
i
N
r
+
δ
N
r
+
+
E δL
(Empuxo)
p
e
A
e
(p
e
+δp
e
)A
e
p
e
A
e
p
i
A
i
(p
e
+
δ
p
e
)A
e
(
p
i
+
δp
i
)A
i
N
r
p
i
A
i
(p
i
+
δ
p
i
)A
i
W
f
δL
(Peso Fluido)
W
d
δL
N
r
+
δN
r
p
e
p
i
W
d
δL
(Pes
o Real)
N
r
57
A solução desta questão é introduzir fechamentos imaginários nas
extremidades do elemento analisado, acrescentando as pressões externa e interna
para que o campo de pressões atue em todo o corpo, e retirando-as simultaneamente
para que o sistema não se altere.
Como vimos no item anterior, os demais esforços são os mesmos, quer
considerando a força real, quer considerando a força efetiva. Estes esforços podem,
portanto, ser omitidos na aplicação do conceito da força efetiva a um duto.
Consideremos um segmento de duto de comprimento δL onde atuam a
pressão externa p
e
e interna p
i
somente ao longo do seu comprimento. O seu peso
será w
d
.δL, onde w
d
é o peso por unidade de comprimento do duto sem considerar o
fluido ou o empuxo; N
r
é a tração real atuando na face inferior do elemento e N
r
+δN
r
é
a tração real atuando na face superior do elemento.
Em analogia com o exemplo acima, para que possa ser aplicado o Princípio
de Arquimedes, o elemento de duto deverá estar totalmente imerso no fluido externo e
totalmente sob ação do fluido interno. Isto significa que as pressões externa e interna
deverão atuar também nos limites fictícios do elemento. Para não alterar o equilíbrio
do sistema, porém, elas precisam também ser aplicadas em sentido contrário.
Analisemos a Figura 3-7 acima. Aplicando o Princípio de Arquimedes,
podemos decompor a condição de forças e pressões reais (elemento superior), em
três condições:
- Atuação da pressão externa em todo o elemento, sendo as parcelas fictícias
inferior e superior respectivamente p
e
A
e
e (p
e
+δ
δδ
δp
e
)A
e
. A resultante da pressão externa
atuando em todo o elemento será o empuxo E correspondente ao peso de fluido
externo deslocado pelo elemento;
- Atuação da pressão interna em todo o elemento, sendo as parcelas fictícias
inferior e superior respectivamente p
i
A
i
e (p
i
+δ
δδ
δp
i
)A
i
. A resultante da pressão interna
atuando em todo o elemento será o peso do fluido confinado no elemento W
f
;
- Retirada das parcelas de pressão interna e externa aplicadas nos dois casos
acima, considerando, também, as forças reais e o peso atuando sobre o elemento.
Desta forma atuarão as parcelas de pressão (–p
e
A
e
, +(p
e
+δ
δδ
δp
e
)A
e
) e (+p
i
A
i
, -
(p
i
+δ
δδ
δp
i
)A
i
) além das forças reais N
r
e N
r
+δ
δδ
δN
r
, e o peso do elemento de duto W
d
.
Examinando a soma das forças internas e externas dos três elementos,
considerando a resultante da pressão externa (o empuxo E), a resultante da pressão
interna (o peso do fluido interno W
f
) e as forças reais e pressões adicionais atuantes
no terceiro elemento, podemos concluir:
58
- A resultante do peso do elemento W
d
, do fluido W
f
e do empuxo E é o peso
aparente do elemento.
- De forma análoga, a força efetiva é a soma da força axial real atuando na
parede do elemento (N
r
) com as resultantes das parcelas extremas de pressão externa
e interna incluídas para equilibrar o sistema.
Desta forma podemos definir a força efetiva e o peso aparente através das
expressões abaixo:
iieeref
ApApNN
+
++
+=
==
=
;
iieedap
AAWW γ
γγ
γ+
++
+γ
γγ
γ
=
==
=
(3.29)
Como as expressões da força efetiva e do peso aparente foram obtidas a
partir da força real, peso real do duto e pressões externa e interna sem que houvesse
qualquer alteração no equilíbrio do sistema, a nova configuração deve produzir as
mesmas deflexões e curvaturas que a configuração original.
59
4. MÉTODOLOGIAS DE PROJETO
Este capítulo pretende descrever alguns aspectos da metodologia de projeto
de um duto submarino de condução de derivados de petróleo em aço-carbono. Serão
abordados aqui os critérios de norma considerados nas analises de instalação de um
duto submarino. Por ser a norma mais completa e seguida mundialmente no projeto de
um duto submarino quanto a sua instalação, os critérios da DNV-OS-F101/2007 [1]
serão abordados neste capitulo onde aplicável.
4.1. CRITERIOS DE PROJETO DE UM DUTO SUBMARINO
Um duto submarino é projetado para ser efetivo em diversas condições desde
a sua concepção, em função da natureza do material a conduzir, que pode ser óleo ou
gás natural, advindo do campo a explorar, ou água de injeção, utilizado para revitalizar
um poço já em fase final de produção.
O duto é concebido ou tem seu diâmetro interno definido, em função do
volume do produto a escoar. Quanto menor o diâmetro maior a velocidade do fluxo, a
pressão interna, a temperatura do fluido, principalmente se for óleo, em função do
atrito com a parede interna do duto, o que vem a provocar o seu desgaste.
Basicamente são as seguintes as fases pelas quais o projeto de um duto
passa até a sua instalação final:
Definição do diâmetro interno (escoamento);
Definição preliminar da espessura em função da pressão interna;
Verificação da espessura escolhida avaliando o duto ao colapso pela
pressão externa;
Verificação da espessura escolhida avaliando o duto à propagação de
colapso devido à pressão externa;
Escolha da espessura comercial mínima;
Avaliação da corrosão interna do duto (definição da sobre-espessura de
corrosão);
Dimensionamento do sistema de proteção catódica externa;
Verificação do duto na instalação;
Verificação do duto quanto a sua estabilidade no leito marinho;
Análise termomecânica do duto.
60
As fases de determinação da espessura em função da pressão interna e
externa do duto são conhecidas como Projeto Mecânico do duto.
4.1.1. ANÁLISE HIDRÁULICA DO DUTO
Esta é a fase inicial do projeto de um duto submarino. Esta fase consiste em
efetuar análises de modelos hidráulicos, considerando-se a vazão da produção a ser
escoada, a pressão de projeto desejada, o atrito viscoso entre a parede interna do
duto e o fluido, e a temperatura de operação do duto. Parâmetros como a velocidade
de escoamento e a rugosidade das paredes do duto são utilizados na determinação
das perdas de energia e da conseqüente pressão interna da tubulação. A partir da
análise desses parâmetros, torna-se possível dimensionar o diâmetro da tubulação.
A metodologia utilizada no desenvolvimento de uma Análise Hidráulica tem
por base a formulação proposta por Hazen-Williams (Equação 4.1).
As perdas localizadas, quando consideradas, são avaliadas com base na
fórmula cinética (Equação 4.2) a partir da velocidade do fluxo e do coeficiente de atrito
adotado para cada uma das singularidades. No modelo de simulação os
procedimentos de avaliação das perdas nas singularidades devem considerar todas as
peças curvas e reduções representadas na rede, levando em conta o tipo de
escoamento com base no Número de Reynolds laminar, crítico ou turbulentas e
dadas da geometria e da conformação da peça considerada, assegurando maior
precisão nos resultados.
852,1
17,1
1
81,6
=
C
V
D
j
(4.1)
onde:
j - perda de carga unitária (m/m)
D - diâmetro da tubulação (m)
V - velocidade do fluxo (m/s)
C - coeficiente de atrito
D
L f
K
2
1
2
1
=
=
g
V
Khf
(4.2)
61
onde,
hf – perda de carga localizada (m.c.a.)
K
1
– coeficiente característico de cada peça
V – velocidade do fluxo (m/s)
g – aceleração da gravidade
f – fator de atrito
L – comprimento dos tubos (trechos)
D – diâmetro hidráulico
+= hfjLhfT
(4.3)
onde,
h
fT
- perda de carga total (m.c.a.)
j - perda de carga unitária (m/m)
L - comprimento da tubulação (m)
h
f
- perda de carga localizada (m.c.a.)
62
4.1.2. DIMENSIONAMENTO MECÂNICO
No dimensionamento mecânico de um duto, já se dispondo do diâmetro
interno necessário para escoar o produto, o qual foi definido a partir de uma análise
hidráulica, o primeiro passo a ser seguido é definir é o tipo de aço que será utilizado,
uma vez que este tem que ser compatível com as especificações do eletrólito a ser
transportado e o metal de base do duto. Esses critérios estão bem definido nas
normas técnicas da API 5L [10] e DnV OS-F101 [1] entre outras. Em se determinando
o tipo de aço do duto, são calculadas a espessura de parede e a tensão máxima
admissível, tendo em vista os outros processos e análises a que essa tubulação
deverá atender, tais como instalação, operação e teste hidrostático entre outros.
As seguintes etapas devem ser seguidas na determinação da espessura de
um duto:
a) pressão interna:
Segundo a DNV-OS-F101/2007 a seguinte expressão deve ser atendida:
(
)
mSC
b
eli
tp
pp
γγ
.
1
(4.4)
em que,
p
li
- pressão interna incidental;
p
e
– pressão externa;
p
b
– pressão de resistência do duto;
t
1
– espessura do duto;
γ
SC
fator de classe de segurança;
γ
m
fator de resistência do material.
Sendo p
b
, que vem a ser a pressão mínima exigida para que ocorra
escoamento ou ruptura do material do duto, determinado segundo a DNV a
partir da equação 4.5 abaixo.
(
)
(
)
)();(
,,
xpxpMinxp
ubsbb
=
(4.5)
onde:
63
( )
3
2
..
.2
, ysb
f
xD
x
xp
=
(4.6)
( )
3
2
.
15,1
.
.2
,
u
ub
f
xD
x
xp
=
(4.7)
em que,
p
b,s
pressão de resistência do duto à condição de escoamento do
material;
p
b,u
pressão de resistência do duto à condição de ruptura do
material;
t
1
- espessura do duto;
t
2
- espessura do duto (descontada a espessura de corrosão);
x – variável que assume os valores de t
1
ou de t
2
;
D – diâmetro externo do duto;
f
y
- tensão de escoamento característica do material do duto;
f
u
- tensão de ruptura característica do material do duto.
b) pressão externa – verificação ao colapso:
(
((
(
)
))
)
mSC
1c
mine
.
tp
pp
γ
γγ
γγ
γγ
γ
(4.8)
onde,
p
e
– pressão externa;
p
min
– menor pressão interna possível;
P
c
– resistência característica ao colapso;
γ
SC
fator de classe de segurança;
γ
m
fator de resistência do material.
Segundo a DNV-OS-F101/2007, a resistência característica ao
colapso é obtida a partir da equação 4.9 abaixo:
64
t
D
.o
pelcpcelc
f).t(p).t(p).t(p)²)t(pt(p)).(t(p)t(p( =
==
=
(4.9)
Sendo p
el
, p
p
e f
o
obtidos das expressões abaixo:
2
3
el
v1
D
t
E2
)t(p
=
==
=
onde,
E
– módulo de elasticidade;
ν
– coeficiente de poisson;
f
y
– tensão de escoamento do material;
α
fab
fator fabricação;
D
max
e
D
min
Diâmetros externos máximo e mínimo que o duto pode
assumir.
c) pressão externa – verificação à propagação de colapso:
A resistência ao colapso não é suficiente para garantir a integridade de um
duto submarino. Mesmo resistindo ao colapso, no limite um duto que sofra um
amassamento (mossa) pode ter desencadeado um processo de propagação
dessa mossa até que chegue a uma região onde a propagação não seja mais
possível ou encontre um obstáculo um “buckel arrestor”. Para evitar esta
propagação a DNV propõe as seguintes expressões:
SCm
pr
e
p
p
γ
γγ
γγ
γγ
γ
<
<<
<
(4.10)
onde,
p
e
– pressão externa;
p
pr
– pressão de propagação;
γ
SC
fator de classe de segurança;
γ
m
fator de resistência do material.
D
t2
..f)t(p
fabyp
α
αα
α=
==
=
D
DD
f
minmax
o
=
==
=
5.2
fabypr
D
t
..f.35p
α
αα
α=
==
=
65
4.1.3. VERIFICAÇÃO AO COLAPSO LOCALIZADO
O objetivo da verificação proposta pela DNV-OS-F101 [1] é garantir a
integridade do duto no tocante ao Colapso Localizado (Local Buckling), o qual vem a
ser o colapso da parede do tubo frente aos esforços solicitantes.
A DNV propõe, na seção 5, uma verificação no Estado Limite Último onde os
esforços atuantes de cálculo devem ser inferiores aos limites de resistência de cálculo.
Ou,
1
i
Rd
Sd
R
L
f
(4.11)
onde:
L
Sd
- Esforços solicitantes de cálculo,
CAACFIEECFFSd
LLLLL
γγγγγγγ
....... +++=
(4.12)
sendo F, E, I e A sufixos relacionados respectivamente a carregamentos
funcionais (operação do duto), carregamentos ambientais (efeitos dinâmicos),
carregamentos relativos a interferências e cargas acidentais. Os parâmetros γ são
definidos em função do estado limite (Estado limite último, fadiga ou condição
acidental) e em função do tipo de carregamento.
R
Rd
- Resistência de cálculo, função do tipo de estado limite e da classe
do fator de segurança (baixo, normal ou alto).
i - representa os diferentes tipos de solicitação.
A verificação proposta pela DNV adotada na fase de instalação considera a
sobrepressão externa, que a DNV tem equações distintas para sobrepressão
externa e sobrepressão interna.
Na fase de instalação ausência de pressurização interna, a não ser em
casos específicos como a recuperação de contingência, que vem a ser a recuperação
após a ruptura do duto com inundação do mesmo, não havendo capacidade do
tracionador de recuperar o duto inundado. Neste caso é instalada uma cabeça de
recuperação de contingência na extremidade danificada e enviado um pig a partir da
balsa de lançamento até a extremidade inundada com a consequente expulsão da
água do interior do duto e mantida esta condição com o duto pressurizado
internamente.
66
A verificação proposta pela DNV dentro do regime elástico prevê duas
situações, a saber, pressão externa superior à pressão interna (Equação 4.13) e
pressão interna superior à pressão externa (Equação 4.14). Estas equações estão
apresentadas abaixo.
p
e
> p
i
1
p
pp
..
S.
S..
M.
M
..
2
c
mine
SCM
2
2
PC
SdSCM
PC
Sd
SCM
γ
γγ
γγ
γγ
γ+
++
+
α
αα
α
γ
γγ
γγ
γγ
γ
+
++
+
α
αα
α
γ
γγ
γγ
γγ
γ
(4.13)
p
i
> p
e
1
p.
pp
..
S.
S..
M.
M
..
2
bC
ei
p
2
2
PC
SdSCM
PC
Sd
SCM
α
αα
α
α
αα
α+
++
+
α
αα
α
γ
γγ
γγ
γγ
γ
+
++
+
α
αα
α
γ
γγ
γγ
γγ
γ
(4.14)
onde:
γ
M
- fator de resistência do material, função da classe do estado limite
considerado;
γ
SC
- classe de segurança do fator de, função da classe do estado limite
considerado;
M
Sd
– momento de cálculo;
α
c
– parâmetro de fluxo de tensão;
M
p
– momento plástico limite;
S
Sd
– força efetiva de cálculo;
S
p
– força axial plástica limite;
p
e
– pressão externa;
p
min
– pressão interna mínima que pode ocorrer;
p
c
– pressão de colapso característica;
p
b
– pressão interna limite.
A verificação proposta pela DNV quando plastificação é a seguinte, para
compressão axial (força efetiva + momento fletor):
67
1
.
min
8.0
+
SCM
c
e
C
Sd
p
pp
γγγ
ε
ε
ε
(4.15)
onde:
ε
Sd
– deformação compressiva de projeto;
ε
c
parâmetro função do diâmetro do tubo, espessura, pressão externa
e pressão de ruptura P
b
;
γ
ε
- fator de resistência de deformação;
Em fases iniciais de um projeto, a DNV permite que sejam adotados os
seguintes critérios:
Verificação no regime elástico ou tensão controlada:
SMYS
eq
87.0
σ
(4.16)
onde:
σ
Sd
– Tensão equivalente de Von-Mises;
SMYS – Tensão de escoamento do material
Verificação no regime de deformação controlada (overbend).
No regime de deformação controlada a DNV impõe limites para a deformação
máxima no duto considerando as condições estática e dinâmica.
A tabela abaixo apresenta estes valores.
Tabela 4-1 – Verificação à Deformação – Critério Simplificado
Critério Simplificado – Deformação Controlada
Condição
Aço X-70
Aço X-65
Aço X-60
Aço X-52
Estática
0.270%
0.250%
0.230%
0.205%
Dinâmica
0.325%
0.305%
0.290%
0.260%
68
4.1.4. ANÁLISE DE ESTABILIDADE HIDRODINÂMICA
A análise de estabilidade hidrodinâmica demanda o conhecimento prévio das
características geométricas e mecânicas do duto assim como das propriedades dos
fluidos. Nesta etapa define-se a estabilidade tanto vertical como horizontal do duto no
leito marinho, advinda dos efeitos de onda e correnteza e da interação solo/duto.
situação em que a análise de estabilidade do duto assentado no leito
marinho impõe a necessidade de peso adicional, condição esta que é mitigada através
do revestimento do duto com concreto, que pode ser leve (sem limalha de ferro) ou
pesado (com limalha de ferro).
Embora o concreto não deva ser considerado um elemento estrutural
(embora eventualmente se possa lançar mão de sua resistência a compressão mas
não a tração, que este concreto não é armado), é necessário limitar a sua
deformação para evitar que haja desprendimento do mesmo.
A DNV [1], no capítulo 13, define formulação para o cálculo da deformação
do concreto, limitando-o a um máximo de 0,24%.
4.1.5. ANÁLISE DE PROTEÇÃO CATÓDICA
As tubulações representam as mais importantes instalações preservadas
pela proteção catódica e dentre as mais críticas podemos citar os dutos submarinos. A
instalação de dutos submarinos tem crescido muito, principalmente em função do
avanço das fronteiras de exploração e produção de petróleo e gás no oceano.
A demanda de proteção anticorrosiva de um duto submarino precisa ser
analisada em função das características físico-químicas do fluído a ser transportado e
do meio marinho externo definindo assim os critérios básicos para o dimensionamento
de um projeto de proteção anticorrosiva utilizando-se como técnica a proteção
catódica.
O campo de aplicação da proteção catódica é vasto, porém apresenta uma
característica universal: a estrutura a ser protegida deve encontra-se em contato com
o eletrólito, no qual se instala um sistema de anodos e/ou uma fonte geradora de
corrente elétrica (retificador) por meios dos quais é provida a corrente elétrica
necessária à proteção catódica.
69
Para efeito de entendimento do mecanismo da proteção catódica, é
necessário que se compreenda o mecanismo da corrosão eletroquímica. A corrosão
eletroquímica sempre ocorre quando uma estrutura metálica entra em contato com um
eletrólito, provocando o surgimento de células de corrosão, as pilhas eletroquímicas,
onde se estabelece áreas anódicas e catódicas ao longo da estrutura. Este fenômeno
sempre ocorre, quer por características inerentes ao metal da estrutura quer por
razões inerentes ao meio onde tal estrutura encontra-se instalada.
As causas principais para o surgimento e potencialização/aceleração deste
mecanismo [11] [12] [13]:
dissimilaridades entre os metais usados na estrutura;
Impurezas na liga metálica;
agentes corrosivos no eletrólito do meio externo e/ou do fluído
transportado;
aeração diferencial e variação da composição do eletrólito ao longo da
locação da estrutura;
tensões internas e externas na estrutura, etc.
Com o aparecimento de regiões anódicas e catódicas em meio eletrolítico,
temos o fechamento do circuito eletroquímico caracterizado pelo fluxo de corrente
elétrica e assim, basicamente, se instala o processo de corrosão eletroquímica.
Figura 4.1 – Célula de Corrosão Básica
Um modelo genérico de representação de um sistema corrosivo de estruturas
em aço é dada pelo conjunto de reações descritas a seguir:
Fe2+ + 2OH- Fe(OH)2
2 Fe(OH)2 + H2O + ½ O2 2Fe(OH)3 (4.17)
2Fe(OH)3 2 FeO·OH ou Fe2O3·H2O + 2H2O
70
A base de qualquer técnica de proteção anticorrosiva por proteção catódica
está em, por meio de um processo artificial, transformar a estrutura a ser protegida em
uma grande área catódica e transferir as regiões anódicas para uma outra estrutura
projetada especificamente para este fim: se anodos de sacrifício, a proteção catódica
será caracterizada como proteção catódica por corrente galvânica e se leito de anodos
inertes, a proteção catódica será caracterizada pela injeção de corrente elétrica na
estrutura por intermédio de um retificador de corrente e será denominada proteção
catódica por corrente impressa.
Em se tratando de dutos, e pelo teor desta obra, especificamente os dutos
submarinos, devemos destacar as distinções entre duas interfaces onde ocorrem os
processos de corrosão: a interface de corrosão interna e a interface de corrosão
externa do duto.
Em linhas gerais trabalha-se combinando técnicas de revestimento
anticorrosivo das superfícies interna e externa dos dutos e os sistemas de proteção
catódica ajustada para as peculiaridades de cada interface em função do fluído
transportado e do meio marinho. O uso destes revestimentos anticorrosivos, tais como
pinturas epóxi em tripla camada, visam promover um isolamento, o mais eficiente
possível, da estrutura em relação ao eletrólito do meio. Este isolamento aumenta a
resistência à passagem da corrente elétrica entre as possíveis áreas anódicas e
catódicas o que reduzindo drasticamente o potencial destes sistemas corrosivos como
também as demandas de corrente elétrica para proteção catódica da estrutura. Desta
forma trazemos o perfil de custo dos projetos de proteção catódica para patamares
econômicos mais atrativos.
Pelo fato de se ter melhor controle sobre as propriedades físico-químicas do
fluído a ser transportado, para a proteção catódica interna, adota-se com mais
freqüência a combinação de revestimento anticorrosivo interno a base de pintura epóxi
em tripla camada, injeção de inibidores de corrosão e aplicação de anodos galvânicos
(anodos de sacrifício) nas juntas de solda dos tubos, definindo um sistema de proteção
catódica por corrente galvânica.
para o meio externo, como a água do mar apresenta variações em sua
concentração de eletrólitos, oxigenação, temperatura e agentes corrosivos, além de
um revestimento anticorrosivo tão ou mais eficiente do que o interno, opta-se por um
sistema de proteção mais ativo para se atingir um fluxo de corrente elétrica pela
estrutura do duto a fim de manter todo ele como área catódica. Para isso é necessário
que dimensionemos a densidade de corrente mínima para manter o duto polarizado
71
com um potencial sempre mais negativo do que o potencial dos seus respectivos
eletrodos de referência.
Se tais condições de ambiente marinho estejam dentro de um gradiente
previsível e estável sem influência de outras grandes estruturas metálicas que possam
promover grandes fugas de corrente, tende-se a adotar um sistema de proteção
catódica externa por corrente galvânica que consiste em ligar, estruturalmente,
massas de metal com um potencial de oxidação relativamente mais alto que o aço
constituinte do duto de modo este metal se transforme em uma potente área anódica,
sacrificando-se em prol do duto ao longo de sua vida de operação.
Havendo grande variação das condições de ambiente marinho, como trechos
enterrados e/ou emersos do duto, como também grandes fugas de corrente oriundas
de outras grandes estruturas metálicas adjacentes, adota-se um sistema de proteção
catódica externa por corrente impressa, sistema de proteção catódica externa por
corrente impressa, que se caracteriza pela injeção de uma corrente elétrica contínua
pela estrutura do duto através de um retificador de corrente apoiado por um ou mais
leitos de anodos inertes.
É importante ressaltar que, em quaisquer dos casos acima é imperativo que
o sistema de proteção catódica assegure uma densidade de corrente uniforme e com
potencial (energia de polarização) suficiente para estar sempre mais negativo do que o
potencial dos seus respectivos eletrodos de referência.
Estas energias de polarização são estudadas e teoricamente definidas
através da análise da variação da energia livre de Gibbs nas transformações
reversíveis:
G = -n·F·E (4.18)
onde:
n = nº de elétrons envolvidos na reação;
F = 01 faraday (96.500 coulombs);
E= potencial do eletrodo de referência.
Os “Diagramas de Pourbaix expressam a relação entre o potencial do
eletrodo de referência e o pH do meio eletroquímico com base no modelo proposto
pela “Equação de Nernst” :
(4.19)
72
onde:
E = potencial, numa dada condição, em volt;
E0 = potencial padrão da espécie;
R = constante dos gases perfeitos;
T = temperatura absoluta, em K;
n = nº de elétrons envolvidos na reação;
F = faraday – carga elétrica de um mol de elétrons;
k = coeficiente de equilíbrio da reação de corrosão.
Desta forma podemos definir os domínios de polarização para efetiva
proteção catódica da estrutura.
Os tipos de corrosão mais usuais são:
corrosão galvânica;
corrosão eletrolítica;
corrosão atmosférica;
corrosão microbiológica;
corrosão por aeração diferencial;
corrosão intergranular;
corrosão sob tensão.
As formas mais usuais de corrosão são:
corrosão uniforme;
corrosão por placas;
corrosão alveolar;
corrosão por pites;
corrosão intergranular;
corrosão transgranular
73
4.2. ANÁLISE DE INSTALAÇÃO
4.2.1. FASES DA ANÁLISE DE INSTALAÇÃO
A análise de instalação de um duto submarino pode ser efetuada em duas
fases:
Análise estática;
Análise dinâmica.
Análise Estática
Nesta primeira fase são desconsideradas as condições meteo-
oceanográficas, desprezando-se os movimentos dinâmicos da balsa de lançamento,
quando existente. São dados relevantes:
o peso do duto;
o empuxo do duto. Um revestimento térmico (da ordem de 5 cm) provoca
uma alteração considerável na configuração do lançamento;
a tensão de escoamento do aço;
a lâmina d’água.
Em um lançamento convencional (S-Lay, J-Lay ou Reel-Lay) esta fase é
utilizada para se definir a geometria da linha elástica do duto, empregando um dos
métodos descritos anteriormente no item 3.4.
Em um lançamento pelo método S-Lay, determina-se a tração necessária de
tal forma que não haja comprometimento do duto no último rolete da rampa de
lançamento da balsa ou do stinger, quando necessário. É nesta fase que se define a
configuração de lançamento, definindo-se o raio da rampa de lançamento e o trim da
balsa, se necessário. Conseqüentemente é nesta fase que se define o comprimento
da linha elástica. O duto sai da rampa da balsa com uma inclinação (em relação ao
plano horizontal) da ordem de 10 graus a 12 graus e da ordem de 20 graus em um
stinger de águas rasas. No lançamento em águas profundas pelo método S-Lay
atinge-se inclinações da ordem de 70 graus a 80 graus em relação ao plano horizontal.
74
O raio de uma rampa S-Lay dentro do regime elástico é definido pela
seguinte fórmula:
2.SMYS
E.D
R =
(4.20)
sendo E o módulo de elasticidade do aço, D o diâmetro externo do duto (aço)
e SMYS a tensão de escoamento do aço. É uma equação obviamente obtida a partir
da Lei de Hooke, e que representa o raio de curvatura do duto no escoamento. Como
a rampa não é contínua, mas sim formada por roletes discretos, o raio da rampa
adotado deve ser maior que este valor para contemplar as concentrações de tensões
nos roletes.
Nos métodos J-Lay e Reel (considerando-se neste caso apenas o trecho de
duto após o retificador) a tração necessária se destina praticamente a apenas
sustentar o peso do duto. Em águas profundas a inclinação da torre de lançamento é
da ordem de 80 graus a 85 graus em relação ao plano horizontal, caindo com a
redução da lâmina d’água. Quanto menor a lâmina d’água, menor a inclinação da torre
e mais a tração se destina a manter a configuração da catenária sem o que haveria
fortes tensões de flexão junto à torre.
Análise Dinâmica
Uma vez definida a configuração de lançamento, faz-se necessário definir o
cenário em que o duto pode ser lançado o qual vai compor os carregamentos
dinâmicos aplicados.
São dados relevantes nesta etapa:
a configuração da balsa de lançamento;
os dados meteo-oceanográficos ao longo da diretriz de lançamento do
duto.
As análises dinâmicas consideram as seguintes ações:
Correntes marinhas; são consideradas em conjunto com as ondas,
embora por si não tenham um efeito dinâmico sobre o conjunto balsa-
duto, a não ser o efeito de difusão de vórtices, não analisado no
lançamento
75
Ondas; O efeito das ondas sobre a balsa de lançamento e o duto pode
ser considerado por meio de ondas regulares considerando-se a resposta
(RAO) referente à freqüência considerada.
Consideram-se as teorias de Airy, Onda Solitária, Stokes ordem, etc. É
mais comum, no entanto, que o estado de mar seja representado por um espectro de
ondas irregulares. Existem vários espectros que se dispõe a reproduzir o estado de
mar real. Os mais conhecidos são Bretschneider, ITTC, ISSC, Ochi Ruble, Pierson
Moskovich e Jonswap. A PETROBRAS utiliza este último, modificando-o para as
condições de mar da Bacia de Campos.
A equação abaixo apresenta o espectro Jonswap adotado pela PETROBRAS
[14].
=
2
.
2
.2
2
)(
4
.).ln.287.01.(...
16
5
)(
.25.1
5
2
p
f
p
ff
p
e
f
f
p
ps
e
f
f
THfS
σ
γγ
(4.21)
Onde:
p
p
ff
ff
=
09.0
07.0
σ
49.0
.4.6
=
p
T
γ
(parâmetro de pico, adaptado à Bacia de Campos)
f = freqüência (em Hz)
f
p
= freqüência de pico (em Hz)
σ = parâmetro de forma ou largura de pico
76
4.2.2. METODOLOGIAS DE ANÁLISE
Como já mencionado no item 3.1, o modelo de lançamento de um duto
submarino envolve o próprio duto sendo lançado e a embarcação que o lança. A
embarcação abrange o próprio casco e, quando cabível, o sistema de ancoragem
deste ao leito marinho.
De acordo com a forma em que são empregados os modelos numéricos que
representam esses componentes envolvidos em procedimentos de instalação de um
duto submarino, podem ser identificadas as seguintes três diferentes metodologias de
análise:
Metodologia desacoplada;
Metodologia acoplada;
Metodologias híbrida.
Cada uma destas metodologias será descrita sucintamente abaixo.
a) METODOLOGIA DESACOPLADA
Praticamente todos os softwares para simulação do lançamento de dutos
submarinos atualmente disponíveis no mercado se baseiam na metodologia
desacoplada, representando a interação da balsa com as ações ambientais por meio
de RAOs Response Amplitude Operators. Estes representam as respostas da
embarcação em termos de movimentos lineares – Surge, Sway e Heave – e angulares
Roll, Pitch e Yaw todos em suas respectivas fases, para uma determinada direção
de ataque de onda, uma dada freqüência e uma altura de onda unitária.
Os RAOs são previamente obtidos, a partir da geometria e massa da balsa
de lançamento, por um programa de análise hidrodinâmica como o Wamit. Estes
programas tratam a embarcação como um corpo rígido, gerando os movimentos em
um ponto pré-selecionado para ondas incidindo em uma direção também pré-definida.
A análise de lançamento com utilização de RAOs pode ser vista como uma
ANÁLISE DESACOPLADA, pois parte de análises hidrodinamicas previamente
realizadas considerando condições de ancoragem da balsa também previamente
selecionadas, avaliando-se todos os efeitos hidrodinâmicos sobre a balsa, mas
desprezando-se a existência do duto.
77
São exemplos de softwares que efetuam este tipo de análise o OFFPIPE, o
ORCAFLEX associado ao ORCALAY e o PIPELAY. Nestes programas O resultado da
análise hidrodinâmica os RAOs - é fornecido ao programa de análise de dutos para
realizar a análise estrutural dinâmica do duto.
Portanto, no procedimento desacoplado, a análise é realizada em duas
etapas:
Na primeira etapa é realizada a análise hidrodinâmica do casco da
embarcação para obtenção dos movimentos do casco, e uma estimativa
das trações das linhas de ancoragem, é desprezado o comportamento
não linear dinâmico do duto. Nesta etapa o duto pode até vir a ser
representado simplificadamente por coeficientes escalares de massa,
rigidez e amortecimento, introduzidos na equação de movimentos da
balsa de lançamento, o que normalmente não é feito.
Na segunda etapa é realizada a análise estrutural e hidrodinâmica do
duto propriamente dita, onde os movimentos da balsa de lançamento
obtidos anteriormente são aplicados ao duto. Nessa etapa o duto é
representado por um modelo rigoroso de elementos finitos para a
avaliação de suas respostas estruturais.
Esse procedimento não considera, portanto, a interação entre a balsa de
lançamento e o duto. Dependendo das dimensões do duto e da lâmina d’água em que
estiver sendo lançado, este procedimento, embora de larga utilização no mercado,
pode vir a induzir a resultados pouco confiáveis.
As metodologias desacopladas introduzem simplificações que desprezam a
interação entre o comportamento dinâmico não-linear da balsa, das linhas de
ancoragem e do duto. Dessa forma, são desconsiderados efeitos importantes tais
como a interação entre o movimento de baixa freqüência da balsa, a saber, a deriva
(drift), as ações meteo-oceanográficas no duto e o amortecimento de baixa freqüência
gerado pela ação dinâmica do duto. Com isso podem surgir imprecisões, por exemplo,
na determinação do offset estático e na determinação do movimento de baixa
freqüência gerado pelas cargas e ordem. Estas incertezas são críticas para os
casos de águas profundas. São também críticas, porém, quando a rigidez axial do
duto sendo lançado interage diretamente com os movimentos da balsa como é o caso
de lançamento de dutos em águas muito rasas onde o movimento de surge da balsa
pode levar o duto rapidamente ao colapso junto ao TDP.
78
b) METODOLOGIA ACOPLADA
Metodologias de análise acoplada vêm sendo propostas pelo
LAMCSO/COPPE desde o final da década de 90 no contexto de plataformas flutuantes
de produção de petróleo tais como unidades FPSO, tendo sido implementadas no
módulo de análise do sistema SITUA/Prosim [15] [16], desenvolvido pelo LAMCSO-
COPPE para a PETROBRAS.
Um programa baseado em uma formulação acoplada incorpora um modelo
hidrodinâmico para a representação do casco da unidade flutuante, acoplado a um
modelo de elementos finitos para a representação das linhas de ancoragem, do
grande número de risers rígidos e flexíveis que pode existir em uma plataforma de
produção, e do duto no caso de uma balsa de lançamento.
No modelo acoplado, a cada instante do processo de integração no tempo
das equações de movimento da balsa de lançamento, efetua-se uma análise não-
linear dinâmica de um modelo de elementos finitos do duto sob ação de onda,
corrente, peso próprio, pressão hidrostática e componentes de movimento transmitidas
pela balsa de lançamento. As forças referentes à interação entre o duto e a balsa de
lançamento, obtidas como resultado destas análises, são então aplicadas no lado
direito das equações de movimento da balsa.
Estas análises obviamente dispensam os RAOs, pois realizam a análise de
movimentos simultaneamente à analise estrutural do duto para a condição analisada.
Este tipo de análise leva a resultados mais realistas, pois além de considerar a balsa
em sua configuração de lançamento, inclui efeitos de segunda ordem não
considerados nos RAOs, como a deriva lenta. Isto, como vimos, pode levar a
imprecisões na análise de risers e pode significar a diferença entre a estabilidade e o
colapso de um duto lançado em águas muito rasas, onde as rigidezes axial e flexional
do duto passam a ter importância significativa.
Nos últimos anos, com o advento de maiores recursos computacionais, a
metodologia acoplada tem sido alvo de diverso trabalhos de pesquisa, como os
apresentados em [15], [16], [17], [18] e [19] e tem sido aplicado no desenvolvimento
de outros softwares como o DeepC [20], o SIMO [21] e o RIFLEX [22].
79
5. DESCRIÇÃO DOS CENÁRIOS
Conforme descrito no capítulo 1 desta dissertação, a mesma tem dois
objetivos básicos:
Fazer uma análise comparativa entre diversos softwares para análise de
instalação de dutos submarinos existentes no mercado;
Considerando modelos de um mesmo software, fazer uma análise
paramétrica variando-se itens tais como:
tamanho do elemento da malha de elementos finitos;
passo de tempo considerado;
tempo total de análise considerado.
As atividades relacionadas acima serão realizadas considerando-se
respectivamente três cenários e quatro softwares distintos, a saber:
Cenários:
lançamento de um duto de 16” pelo método S-Lay em lâmina d’água
de 89m;
lançamento de um duto de 16” pelo método S-Lay em lâmina d’água
de 120m;
lançamento de um duto de 18” pelo método J-Lay em lâmina d’água
de 771m.
Softwares:
SITUA / PROSIM / PETROPIPE, programa desenvolvido em
ambiente windows pela LAMCSO/COPPE para a PETROBRAS;
OFFPIPE, programa DOS desenvolvido por Robert C. Malahy;
ORCAFLEX / ORCALAY, programa desenvolvido em ambiente
windows pela ORCINA, de Ullmann, UK;
PIPELAY, programa desenvolvido em ambiente windows pela MCS.
80
5.1. CENÁRIO 1 – S-LAY – DUTO 16” x 0,438”
O cenário 1 corresponde ao lançamento de um duto de 16” pelo método S-
Lay em lâmina d’água de 89m. Neste cenário serão comparados os resultados de três
softwares, a saber, OFFPIPE, ORCAFLEX e SITUA/PROSIM/PETROPIPE, sendo
apresentados os resultados estáticos e dinâmicos máximos.
Este item apresenta as propriedades intrínsecas à modelagem do duto por
cada software.
5.1.1. CARACTERÍSTICAS DO DUTO
Tabela 5-1 – Características do Duto
Características do Duto
Discriminação
Valor
Unidade
Tubo de Aço
Diâmetro Externo
16
pol
Espessura
0,438
pol
Densidade
7850
kg/m³
Tensão de Escoamento (SMYS)
414
MPa
Tensão de Ruptura (SMTS)
517
MPa
Módulo de Elasticidade (E)
207000
MPa
Rigidez Axial (EA)
2859694
kN
Rigidez a Flexão (EI)
55895
kN*m²
Coeficiente de Poisson (µ
µµ
µ)
0,3
-
Revestimento
Anticorrosivo
Espessura
3,2
mm
Densidade
950
kg/m³
Revestimento
de Concreto
Espessura
1,5
pol
Densidade
2240
kg/m³
Diâmetro Hidrodinâmico
489
mm
Peso no Ar
230,0
kg/m
Peso Submerso (Vazio)
37,6
kg/m
81
5.1.2. CARACTERÍSTICAS DA EMBARCAÇÃO
A embarcação lançadora de dutos utiliza o método S-Lay em águas de no
máximo 200m de lâmina d’água. É, portanto, uma embarcação que se destina ao
lançamento de dutos em águas rasas.
A embarcação possui as seguintes propriedades:
Comprimento: 121m
Boca: 30,5m
Pontal: 8,5m
Calado de Lançamento: 5m
Centro de Movimentos: no centro da embarcação (locação horizontal) e
na linha d’água (locação vertical)
Posição da Rampa de Lançamento na Embarcação: 13m a boreste
Altura do Convés da balsa em Relação à Linha D’água: 3,5m
5.1.3. CARACTERÍSTICAS DA RAMPA DE LANÇAMENTO
A rampa de lançamento da embarcação é composta por um trecho reto
levemente inclinado seguido de um trecho em curva com raio de 150m.
A embarcação também é dotada de um stinger, que vem a ser uma estrutura
treliçada fixada na popa da balsa, e que tem por finalidade estender a rampa de
lançamento além do limite da balsa. O seu comprimento é de aproximadamente 31m,
sendo considerado aqui um raio de curvatura de 150m.
As tabelas abaixo apresentam a locação dos roletes que compõem a rampa
de lançamento em relação à popa da embarcação (coordenada horizontal, positiva da
popa para a proa) e em relação ao convés (coordenada vertical, positiva para cima).
82
Tabela 5-2 – Coordenada dos Roletes – Rampa de Lançamento
Coordenadas dos Roletes da Rampa de Lançamento
Discriminação
Coord. Horizontal
(m)
Coord. Vertical
(m)
Comprimento
(m)
Tracionador
48,900
1,404
6,0
Berço de Roletes 1
39,030
1,146
3,0
Berço de Roletes 2
26,860
0,762
3,0
Berço de Roletes 3
18,290
0,036
3,0
Berço de Roletes 4
9,470
-1,240
3,0
Berço de Roletes 5
0,452
-3,089
2,5
Tabela 5-3 - Coordenada dos Roletes – Stinger
Coordenadas dos Roletes do Singer
Discriminação
Coord. Horiz.
(m)
Coord. Vert.
(m)
Espaçam.
(m)
Afast. Horiz.
(m)
Rolete 1
-5.230
-4.578
5.415
0,449
Rolete 2
-9.077
-5.728
4.00
0,456
Rolete 3
-12.879
-6.995
4.00
0,476
Rolete 4
-16.363
-8.371
4.00
0,510
Rolete 5
-20.348
-9.858
4.00
0,555
Rolete 6
-24.016
-11.454
4.00
0,612
Rolete 7
-27.643
-13.163
4.00
0,712
Rolete 8
-31.224
-14.780
4.00
0,861
83
5.1.4. DADOS METEO-OCEANOGRÁFICOS
O cenário 1 considerará o perfil de correnteza e espectro de onda
apresentados abaixo.
Perfil de Corrente
O perfil de correnteza apresentado abaixo incide de través pelo boreste.
Tabela 5-4 – Perfil de Correnteza
Perfil de Correnteza
Profundidade
(m)
Velocidade
(m/s)
Incidência
(º)
0
1,02
90
20
1,02
90
70
0,45
90
84
0,39
90
89
0
90
Dados de Onda
Foi considerado o Espectro Jonswap apresentado no item 3.2, considerando os
dados abaixo.
Tabela 5-5 – Espectro de Ondas Jonswap
Dados de Onda Irregular – Espectro Jonswap
Altura
Significativa
H
s
(m)
Período
de Pico
T
p
(s)
Direção de
Ataque
(º)
4,0
12,9
90
84
5.1.5. RAOS DA EMBARCAÇÃO
Serão apresentados abaixo em forma de PLOTs os RAOs do barco
considerado.
Figura 5-1 – RAOs da Embarcação
Analisando-se os RAOs, nota-se que para os principais movimentos
envolvidos, a saber, sway, heave e roll, os períodos críticos são da ordem de 20s para
sway e 7s para heave e roll. Para a onda considerada (Hs 4m x Tp 12,9s), o período
escolhido é compatível com a altura de onda quanto à ocorrência da mesma,
tomando-se como referência os dados meteo-oceanográficos disponíveis para a Bacia
de Campos. Entretanto, um período de 7s certamente amplificaria bem mais os
movimentos da balsa.
85
5.1.6. CARACTERÍSTICAS DO EXEMPLO CONSIDERADO
Este item descreve as características das análises estática e dinâmica. São
informados especificamente os dados relativos às análises realizadas.
- Análise estática
Tração aplicada no tracionador: 356 kN;
Sem consideração de correnteza;
Modelo utilizado para definição da geometria:
- OFFPIPE: não mencionado pelo manual;
- SITUA/PROSIM: Relaxação Dinâmica;
- ORCAFLEX: Equação da Catenária.
- Análise Dinâmica
A tração dinâmica é livre para variar (não há compensação);
Considera onda + correnteza incidindo de través (90º);
Tamanho do elemento do modelo de elementos finitos: 5 m (cte);
Tipo de análise considerado: mar irregular;
Espectro de ondas considerado: Jonswap;
Tempo total de simulação: 360 seg;
Rampa (início da simulação até início da fase steady-state: 100 seg;
Fase steady-state: 260 seg;
Passo de tempo considerado nas análises: 0,2 seg (Exceto SITUA:
0,01 seg);
Semente randômica (ORCAFLEX / SITUA): 12345;
Algoritmo de Integração das Equações de Movimento
- OFFPIPE: Método Implícito (Newmark - Regra Trapezoidal);
- SITUA/PROSIM: Método Implícito (αB-Newmark);
- ORCAFLEX: Método Implícito (α-Generalizado).
No exemplo em questão escolheu-se a incidência a 90º para haver uma área
maior de atuação das forças de onda e correnteza e avaliar seu efeito sobre o stinger
da balsa de lançamento, que existe como que uma rampa lateral formada por
roletes verticais que permitem uma acomodação do duto sem que o stinger trabalhe
lateralmente como um engaste.
86
O valor do tempo de simulação de 360s, fornecido em função das limitações
do software OFFPIPE, é pequeno demais para fornecer resultados confiáveis para o
tratamento estatístico da resposta.
87
5.1.7. MODELO DA EMBARCAÇÃO
Pretende-se apresentar através do cenário 1 uma comparação dos esforços
estáticos e dinâmicos máximos relativa aos softwares PETROPIPE, OFFPIPE e
ORCAFLEX. Serão apresentados abaixo os modelos dos três softwares para este
cenário.
SITUA / PROSIM / PETROPIPE
Será apresentada abaixo a modelagem do cenário proposto acima relativo ao
PETROPIPE.
Figura 5-2 – Sistema de Referência
A figura 5-2 identifica os eixos de coordenadas considerados pelo
SITUA/PROSIM. Nota-se que a origem é no espelho de popa da balsa de lançamento,
sendo o eixo Z o eixo vertical, positivo para cima; o eixo X o eixo longitudinal, positivo
para fora da balsa e na direção do duto em catenária livre; o eixo Y, obtido pela regra
da mão direita, é positivo a estibordo da balsa (para a direita).
88
Figura 5-3 – PETROPIPE - Geração da Geometria - Apresentação
A Figura 5-3 apresenta graficamente o modelo da rampa de lançamento
considerado pelo SITUA/PROSIM. A rampa é definida por roletes horizontais e
verticais definidos através de elementos de contato. O posicionamento do duto sobre
os roletes se a partir de uma análise de Relaxação Dinâmica, onde o duto é
posicionado acima da rampa de lançamento (e do mar), sendo posicionado lentamente
sobre a rampa e o leito marinho (vide item 3.4.3). Esta é uma fase anterior à análise
estática e visa definir a geometria do duto para permitir uma melhor convergência do
modelo de elementos finitos na análise estática.
89
Figura 5-4 – PETROPIPE - Geometria – Rampa de Lançamento
Figura 5-5 - PETROPIPE - Propriedades do Duto - Entrada
As figuras 5-4 e 5-5 apresentam as características físicas dos materiais e
malha de elementos finitos utilizados para caracterizar o duto.
90
Figura 5-6 – PETROPIPE - Parâmetros de Análise
A figura 5-6 apresenta os parâmetros utilizados na simulação dinâmica.
91
OFFPIPE
O OFFPIPE é um software que apresenta hoje um considerável grau de
obsolescência a ponto de não ser possível extrair PLOTs. É, porém, um software
ainda largamente utilizado pelo mercado de lançamento de dutos.
O modelo será apresentado através do seu Input Echo.
Figura 5-7 – OFFPIPE - Rampa de Lançamento
Figura 5-8 – OFFPIPE – Stinger
92
As figuras 5-7 e 5-8 apresentam a configuração da rampa de lançamento da
balsa. São fornecidos o ponto de tangência teórico entre o trecho reto e curvo da
rampa de lançamento, a inclinação do trecho reto, o raio do trecho curvo e as
coordenadas do centro de movimentos da balsa, a saber, o ponto em relação ao qual
os RAOs são definidos. É também fornecida a altura do convés da balsa em relação
ao espelho d’água. O sistema de coordenadas que define os roletes da rampa de
lançamento e o centro de movimentos é definido verticalmente em relação a este
plano.
No programa OFFPIPE, a exemplo do SITUA/PROSIM, os roletes são
simulados através de elementos de contato. Não está claro, no entanto, a forma como
o programa pré-define a geometria sobre a rampa de lançamento.
Nota-se que no OFFPIPE o eixo vertical é o eixo Y, positivo para cima; o eixo
longitudinal é o eixo X, positivo da popa para a proa da balsa e o eixo lateral é o eixo
Z, positivo a estibordo.
Figura 5-9 – OFFPIPE - Descrição Típica dos Roletes
A figura 5-9 apresenta as propriedades dos roletes tais como rigidez ou
deslocamento vertical e lateral, dimensões e configuração dos roletes. É possível
definir qualquer geometria de roletes tais como somente rolete horizontal, rolete em U
ou em V, roletes inferior e superior e um retângulo em torno do duto. É possível
também fornecer dimensão e rigidez axial ao tracionador.
93
Figura 5-10 – OFFPIPE - Descrição do Duto
Figura 5-11 – OFFPIPE - Descrição dos Revestimentos
Figura 5-12 – OFFPIPE - Descrição do Ambiente
As figuras 5-10 e 5-11 definem as características do duto tais como diâmetro,
espessura de parede, tensão de escoamento do aço, revestimento anti-corrosivo e
revestimento de concreto, este último juntamente com a extensão da junta de campo.
São fornecidas também as densidades de todos os elementos, incluindo a junta de
campo.
94
A figura 5-12 define o ambiente em que o duto é lançado juntamente com a
tração de topo (tracionador). É fornecida a lâmina d’água juntamente com o
comprimento do elemento utilizado no modelo de elementos finitos, caso este seja
constante, pois é possível fornecer ao programa elementos com comprimentos
variáveis. É fornecida uma estimativa da configuração do duto em catenária através da
distância entre a extremidade da rampa (ou do stinger) e o TDP, distância esta
utilizada como ponto de partida na simulação. É possível fornecer também a inclinação
do leito marinho, o que pode ocorrer em qualquer direção.
Figura 5-13 – OFFPIPE - Dados Ambientais e Parâmetros de Análise
A figura 5-13 apresenta o perfil de correnteza fornecido ao programa
juntamente com os parâmetros relativos à análise dinâmica. São fornecidos o passo
de tempo, a rampa da análise, o tempo total de simulação incluindo a rampa, o passo
de tempo em que os resultados são apresentados, a razão de amortecimento (varia de
0 a 1 onde 0 é ausência de amortecimento e 1 é amortecimento máximo ou de Euler),
o espectro de ondas utilizado, o número de ondas no espectro, s freqüências mínima e
máxima do espectro, a frequência de pico e os parâmetros alfa e gama associados ao
espectro Jonswap. Na figura acima estes dois últimos dados estão zerados, o que é
um “bug” do programa, pois se trata de um “input echo”. Os valores fornecidos ao
programa foram α = 0,00216 e γ = 2,49077.
95
ORCAFLEX
Será apresentada abaixo a modelagem do cenário proposto acima relativo ao
ORCAFLEX.
Figura 5-14 – ORCAFLEX - Sistema de Referência
Figura 5-15 – ORCAFLEX – Geometria – 3D
96
Figura 5-16 – ORCAFLEX – Geometria – Elevação
97
Figura 5-17 – ORCAFLEX – Geometria – Planta
As Figuras 5-14 a 5-17 apresentam a configuração da rampa de lançamento
no programa ORCAFLEX.
A Figura 5-14 mostra o sistema de eixos coordenados utilizado, onde o eixo X
é, como o OFFPIPE, positivo da popa para a proa da embarcação; o eixo Z é o eixo
98
vertical, positivo para cima e o eixo Y é o eixo lateral, positivo para bombordo ao
contrário do SITUA/PROSIM e OFFPIPE.
As figuras 5-15 a 5-17 apresentam a configuração adotada para os “roletes”
da rampa de lançamento da balsa e do stinger. No modelo atual do ORCAFLEX os
roletes foram simulados através de elementos de cabo denominados LINKS com
1000m de comprimento e rigidez axial compatível. Foram introduzidos LINKS normais
à rampa de lançamento à altura de cada rolete. Foram também considerados LINKS
horizontais para simular a abertura lateral do stinger.
A forma como o modelo lida com a rampa de lançamento no ORCAFLEX tem
o inconveniente de introduzir forças axiais ao duto caso os LINKS não sejam
perfeitamente normais à rampa ou com a movimentação do duto em relação à rampa
na Análise Dinâmica. Já é possível, no entanto, construir roletes no ORCAFLEX
através do mesmo comando que define o duto, fornecendo a opção de contato (Clash
check).
99
Figura 5-18 – ORCAFLEX – Parâmetros de Integração
A figura 5-18 acima mostra a utilização do método implícito com passo de
tempo 0,2 seg.
100
Figura 5-19 – ORCAFLEX – Modelo da Linha
Figura 5-20 – ORCAFLEX – Ambiente de Lançamento
As figuras 5-19 e 5-20 acima mostram a definição da geometria do duto, o
ambiente de lançamento e as propriedades do solo. Nota-se na figura 5-19 que a
geometria inicial (step 1) é definida pela Equação da Catenária, sendo a análise
estática realizada posteriormente através do Método dos Elementos Finitos (step 2). A
figura 5-20 mostra a lâmina d’água (89m), a inclinação do solo (sem inclinação) e a
rigidez do solo (default do programa simulando um solo rígido).
101
Figura 5-21 – ORCAFLEX – Propriedades da Linha
Figura 5-22 – ORCAFLEX – Perfil de Correnteza
102
Figura 5-23 – ORCAFLEX – Propriedades do Espectro de Ondas
As Figuras 5-22 e 5-23 acima apresentam respectivamente o perfil da
correnteza e as propriedades do espectro de ondas.
O perfil de correnteza é aplicado somente na Análise Dinâmica. Nota-se a
aplicação da mesma a 90º e a adoção de rampa durante a fase de estabilização da
Análise Dinâmica.
O espectro de ondas adotado é o espectro Jonswap. Nota se os parâmetros
alfa e gama do espectro, atuando a 90º, a semente randômica default do programa
(12345) e o número de componentes do espectro (100).
103
5.2. CENÁRIO 2 – S-LAY – DUTO 16” x 0,625”
O cenário 2 corresponde ao lançamento de um duto de 16” pelo método S-
Lay em lâmina d’água de 120m. Neste cenário serão apresentados os resultados de
do software ORCAFLEX.
Serão também apresentadas análises paramétricas variando-se a
discretização da malha de elementos finitos, o passo de tempo utilizado na simulação
e o tempo total de simulação. Estas análises paramétricas têm por objetivo mostrar a
variação dos resultados com o refinamento de cada item.
O presente item apresenta os modelos utilizados nas diversas análises,
identificando as suas particularidades.
104
5.2.1. CARACTERÍSTICAS DO DUTO
Tabela 5-6 - Características do duto
Características do Duto
Discriminação
Valor
Unidade
Tubo de Aço
Diâmetro Externo
16
pol
Espessura
0,625
pol
Densidade
7850
kg/m³
Tensão de Escoamento (SMYS)
448
MPa
Tensão de Ruptura (SMTS)
531
MPa
Módulo de Elasticidade (E)
207000
MPa
Rigidez Axial (EA)
4032000
kN
Rigidez a Flexão (EI)
92384
kN*m²
Coeficiente de Poisson (µ
µµ
µ)
0,3
-
Revestimento
Anticorrosivo
Espessura
3,0
mm
Densidade
950
kg/m³
Revestimento
de Concreto
Espessura
1,5
pol
Densidade
2240
kg/m³
Diâmetro Hidrodinâmico
488,6
mm
Peso no Ar
277,3
kg/m
Peso Submerso (Vazio)
85,2
kg/m
5.2.2. CARACTERÍSTICAS DA EMBARCAÇÃO
A embarcação lançadora de dutos utiliza o método S-Lay, sendo as
seguintes as suas características:
Comprimento: 121m
Boca: 30,5m
Pontal: 8,5m
Calado de Lançamento: 5m
Centro de Movimentos: no centro da embarcação e na linha d’água
Posição da Rampa de Lançamento na Embarcação: 13m a boreste
Altura do Convés da balsa em Relação à Linha D’água: 3,5m
105
5.2.3. CARACTERÍSTICAS DA RAMPA DE LANÇAMENTO
A rampa de lançamento da embarcação é composta por um trecho reto
levemente inclinado seguido de um trecho em curva com raio de 150m. O ponto
teórico de tangência entre os dois está distante 33,853m da popa da embarcação.
A embarcação é dotada de um stinger com comprimento de
aproximadamente 31m com raio de curvatura de 150m.
As tabelas abaixo apresentam a locação dos roletes que compõem a rampa
de lançamento em relação à popa da embarcação (coordenada horizontal, positiva da
popa para a proa) e em relação ao convés (coordenada vertical, positiva para cima).
Tabela 5-7 - Coordenadas dos Roletes da Rampa de Lançamento
Coordenadas dos Roletes da Rampa de Lançamento
Discriminação
Coord. Horizontal
(m)
Coord. Vertical
(m)
Comprimento
(m)
Tracionador
51,25
2,343
6,0
Berço de Roletes 1
39,783
2,225
3,0
Berço de Roletes 2
27,326
1,962
3,0
Berço de Roletes 3
18,883
1,207
3,0
Berço de Roletes 4
9,289
-0,240
3,0
Berço de Roletes 5
0,283
-2,186
2,5
106
Tabela 5-8 - Coordenadas dos Roletes do Stinger
Coordenadas dos Roletes do Singer
Discriminação
Coord.
Horizontal
(m)
Coord. Vertical
(m)
Espaça
mento
(m)
Rolete 1
-3,996
-3,316
4,425
Rolete 2
-5,299
-3,688
1,355
Rolete 3
-6,599
-4,071
1,355
Rolete 4
-7,846
-4,450
1,303
Rolete 5
-9,136
-4,855
1,352
Rolete 6
-10,421
-5,271
1,351
Rolete 7
-11,655
-5,683
1,301
Rolete 8
-12,932
-6,122
1,350
Rolete 9
-14,204
-6,572
1,350
Rolete 10
-15,425
-7,016
1,299
Rolete 11
-16,689
-7,489
1,349
Rolete 12
-17,947
-7,972
1,347
Rolete 13
-19,154
-8,448
1,298
Rolete 14
-20,404
-8,953
1,347
Rolete 15
-21,649
-9,469
1,348
Rolete 16
-22,843
-9,977
1,298
Rolete 17
-24,080
-10,516
1,349
Rolete 18
-25,312
-11,066
1,349
Rolete 19
-26,494
-11,606
1,300
Rolete 20
-27,716
-12,177
1,349
Rolete 21
-28,934
-12,761
1,351
Rolete 22
-29,773
-13,170
0,934
Rolete 23
-30,966
-13,765
1,333
107
5.2.4. DADOS METEO-OCEANOGRÁFICOS
O cenário 2 considerará o perfil de correnteza e espectro de onda
apresentados abaixo, utilizando o espectro Jonswap.
Perfil de Correnteza
O perfil de correnteza apresentado abaixo incide pela popa da embarcação
.
Tabela 5-9 – Perfil de Correnteza
Perfil de Corrente
Profundidade
(m)
Velocidade
(m/s)
Direção de Ataque
(º)
0
1,05
0
20
1,05
0
80
0,55
0
95
0,48
0
115
0,48
0
120
0
0
Dados de Onda
Foi considerado o Espectro Jonswap apresentado no item 3.2, considerando
os dados abaixo.
Tabela 5-10 – Espectro de Ondas
Dados de Onda Irregular – Espectro Jonswap
Altura
Significativa
H
s
(m)
Perí
odo
de Pico
T
p
(s)
Direção de
Ataque
(º)
2,0
8,0
0
108
5.2.5. RAOS DA EMBARCAÇÃO
Serão apresentados abaixo em forma de PLOTs os RAOs do barco
considerado.
Figura 5-24 – RAOs da Embarcação
Analisando-se os RAOs, nota-se a coerência dos RAOs com a incidência do
espectro de ondas. Desta forma os maiores movimentos são surge, heave e pitch.O
movimento de surge passa a ser significativo a partir dos 10 segundos, período que
corresponde a um pico dos movimentos de heave e pitch, sendo que o primeiro volta a
crescer a partir de períodos da ordem de 12s.
Nota-se que o movimento de roll destoa em relação aos demais, que
sendo a incidência de popa, não seria de se esperar este tipo de movimento. Isto se
em função da existência da rampa de lançamento, que é excêntrico em relação à
balsa, fazendo com que a popa da balsa deixe de ser simétrica (o acesso de ondas à
rampa de lançamento é excêntrico, provocando o movimento de roll).
109
5.2.6. CARACTERÍSTICAS DO EXEMPLO CONSIDERADO
Este item descreve as características das análises estática e dinâmica. São
informados especificamente os dados relativos às análises realizadas.
- Análise estática
Tração aplicada no tracionador: 711 kN (função da geometria);
Sem consideração de correnteza;
Modelo utilizado para definição da geometria:
- OFFPIPE: não mencionado pelo manual;
- SITUA/PROSIM: Relaxação Dinâmica;
- ORCAFLEX: Equação da Catenária.
- Análise Dinâmica
A tração dinâmica é livre para variar (não há compensação);
Considera onda + correnteza incidindo pela popa (0º);
Tipo de análise considerado: mar irregular;
Espectro de ondas considerado: Jonswap;
Rampa (início da simulação até início da fase steady-state: 100 seg;
Semente randômica: 12345;
Algoritmo de Integração das Equações de Movimento
- OFFPIPE: Método Implícito (Newmark - Regra Trapezoidal);
- SITUA/PROSIM: Método Implícito (αB-Newmark);
- ORCAFLEX: Método Implícito (α-Generalizado).
No exemplo em questão escolheu-se a incidência a 0º (pela popa) para
avaliar o efeito deste tipo de incidência sobre a embarcação. Procura-se avaliar a
capacidade do duto em absorver os movimentos de surge da balsa. Avalia-se também
o comportamento do duto no último rolete do stinger em função do movimento de
pitch, e da variação da tração devido ao movimento de surge.
Como veremos adiante, será realizada uma análise paramétrica em que se
variará o tempo total de simulação entre outros parâmetros. Esta variação tem por
finalidade detectar até onde, para cada tempo de simulação, o espectro é
convenientemente representado.
É interessante comentar que existem análises baseadas no aspecto do
espectro de ondas. Desta forma, se o espectro mostra um pico em um determinado
instante, inicia-se a simulação, digamos, 100s antes deste instante encerrando-se a
110
simulação 100s após. Embora haja uma boa possibilidade de que a resposta máxima
no duto ocorra no instante de ação máxima do espectro, isto pode também não
ocorrer, acontecendo a resposta máxima em outro instante.
111
5.2.7. MODELO DA EMBARCAÇÃO
Pretende-se apresentar através do cenário 2 os esforços estáticos e
dinâmicos máximos relativo ao software ORCAFLEX.
Será apresentada análise paramétrica variando parâmetros tais como
discretização do MEF, passo de tempo utilizado na integração e tempo total de
análise.
Será apresentado abaixo o modelo do ORCAFLEX para este cenário em cada
condição analisada.
As figuras 5-
25
à 5
-28
apresentam os modelos utilizados.
A tabela 5-
11
apresenta os parâmetros considerados na análise paramétrica.
Figura 5-25 – ORCAFLEX – Geometria – 3D
A Figura 5-25 acima mostra uma visão panorâmica da rampa de lançamento
onde os LINKS (na cor verde) representam os roletes. Os SHAPES (azuis) apenas
ilustram a sua posição, não tendo função prática. A linha é fixa à balsa na extremidade
superior, não havendo movimento relativo entre os mesmos.
112
Figura 5-26 – ORCAFLEX – Geometria – Elevação
113
Figura 5-27 – ORCAFLEX – Geometria – Planta
As Figuras 5-26 e 5-27 apresentam a configuração da rampa de lançamento
em perfil (Figura 5-26) e planta (Figura 5-27). Nesta última vemos o posicionamento
lateral da rampa de lançamento.
Figura 5-28 – ORCAFLEX – Parâmetros de Integração
A Figura 5-28 é uma tela típica do tipo de Análise Dinâmica realizada. Nesta
tela vemos que o método de integração considerado é o método implícito.
114
Figura 5-29 – ORCAFLEX – MEF
Figura 5-30 – ORCAFLEX – Ambiente de Lançamento
As Figuras 5-29 e 5-30 acima mostram respectivamente o MEF e o ambiente
de lançamento.
115
A Figura 5-29 mostra que a geometria do duto (anterior à análise estática) é
definida pela equação da catenária. A mesma figura mostra o modelo de elementos
finitos, apresentando o comprimento dos elementos na rampa de lançamento e no
princípio do sagbend (os quatro últimos).
A Figura 5-30 apresenta o ambiente de lançamento onde se que a lâmina
d’água é 120m e o solo tem um valor alto de rigidez (100 kN/m/m²).
Figura 5-31 – ORCAFLEX – Propriedades da Linha
Figura 5-32 – ORCAFLEX – Perfil de Correnteza
116
Figura 5-33 – ORCAFLEX – Espectro de Ondas
As Figuras 5-32 e 5-33 apresentam o perfil de correnteza e o espectro de
ondas. Na Figura 5-32 nota-se que a correnteza, incidindo a (pela popa), atua
somente na análise dinâmica e, como o espectro de ondas, através de rampa.
A Figura 5-33 mostra o espectro Jonswap, apresentando a altura de onda e o
período de pico considerados e os parâmetros alfa e gama do espectro. Nota-se
também que foi considerada a semente randômica e o número de componentes do
espectro default do programa, a saber, 12345 e 100.
117
Tabela 5-11 - ORCAFLEX – Parâmetros da Análise Paramétrica
A Tabela 5-11 acima mostra a parametrização utilizada nas análises.
Consideraram-se tempos de simulação de 300s, 1400s e 10800s associados a passos
de tempo de 0,01s, 0,05s e 0,20s e comprimento do elemento do MEF de 1m, 5m e
10m, sempre variando somente no sagbend.
A combinação destes parâmetros está indicada acima.
Adotou-se intencionalmente um tempo de simulação extremamente baixo
(300s) associado a um tempo médio (1400s) e o tempo de 3h (10800s) recomendado
pela DNV, mantendo-se o tempo médio associado à variação dos demais parâmetros.
Quanto ao passo de tempo, variou-se o mesmo de 0,01s, que pode ser
considerado um passo de tempo aceitável em termos de precisão dos resultados,
0,05s, ainda aceitável, e 0,20s, que pode ser considerado um passo de tempo de
simulação muito grande.
Quanto tamanho do elemento do MEF, também foram considerados valores
com grande variação, a saber, 1m, 5m e 10m.
O objetivo das variações acima é demonstrar o efeito que as mesmas
impõem aos resultados em termos de precisão do MEF e do algoritmo de integração.
Item
Tempo Total
de Análise
(s)
Passo de
Tempo
(s)
Tamanho do
Elemento
(Sagbend)
(m)
1
1400
0,05
1
2
1400
0,01
5
3
300
0,05
4
1400
5
10800
6
1400
0,20
7
1400
0,05
10
118
5.3. CENÁRIO 3 – J-LAY – DUTO 18” x 0,875”
O cenário 3 corresponde ao lançamento de um duto de 18” pelo método J-
Lay em lâmina d’água de 771m. Neste cenário serão comparados os resultados de
dois softwares, a saber, ORCAFLEX e PIPELAY, este último apenas quanto análise
estática.
Como nos cenários anteriores, serão apresentados para os três softwares
os resultados estáticos e dinâmicos visando a comparação dos mesmos.
Adicionalmente serão apresentados, apenas para o ORCAFLEX, resultados de
análises paramétricas variando-se a discretização da malha de elementos finitos, o
passo de tempo utilizado na simulação e o tempo total de simulação.
Estas análises paramétricas têm por objetivo mostrar a variação dos
resultados em função da variação de cada parâmetro, tendo em vista o modelo de
elementos finitos e o algoritmo de integração de cada software.
Este item tem por objetivo apresentar uma descrição dos modelos
utilizados por cada software.
119
5.3.1. CARACTERÍSTICAS DO DUTO
Tabela 5-12 – Características do Duto
Características do Duto
Discriminação
Valor
Unidade
Tubo de Aço
Diâmetro Externo
18
pol
Espessura
0,875
pol
Densidade
7850
kg/m³
Tensão de Escoamento (SMYS)
414
MPa
Tensão de Ruptura (SMTS)
517
MPa
Módulo de Elasticidade (E)
207000
MPa
Rigidez Axial (EA)
6287000
kN
Rigidez a Flexão (EI)
149072
kN*m²
Coeficiente de Poisson (µ
µµ
µ)
0,3
-
Revestimento
Anticorrosivo
Espessura
3,0
mm
Densidade
950
kg/m³
Revestimento
Térmico
Espessura
49,0
mm
Densidade
950
kg/m³
Diâmetro Hidrodinâmico
561,2
mm
Peso no Ar
313,3
kg/m
Peso Submerso (Vazio)
59,7
kg/m
120
5.3.2. CARACTERÍSTICAS DA EMBARCAÇÃO
A embarcação lançadora possui as seguintes propriedades:
Comprimento: 191,8m
Boca: 32,0m
Pontal: 17,5m
Calado: 7,5m a 8,95m
Centro de Movimentos: no centro da embarcação na linha d’água
Posição da Torre J-Lay na Embarcação: Moon-pool com centro a cerca
de 62m da popa
Altura do Convés em Relação à Linha D’água: 8,55m a 10,0m
5.3.3. CARACTERÍSTICAS DA TORRE J-LAY
A rampa de lançamento da embarcação é composta pela Torre J-Lay. A torre
é composta pelo CLAMP na parte inferior, a qual tem por finalidade segurar o duto em
catenária enquanto estiver sendo executado o processo de soldagem, e por uma
estrutura móvel suportada por cabos, na parte superior, responsável pela
movimentação do tubo. Para efeito de modelo será considerado o duto engastado ao
nível do convés da balsa.
121
Figura 5-34 – Suportação na Torre
Figura 5-35 – CLAMP
122
5.3.4. DADOS METEO-OCEANOGRÁFICOS
O cenário 3 considerará o perfil de correnteza e espectro de onda
apresentados abaixo, utilizando o espectro Jonswap.
Perfil de Correnteza
O perfil de correnteza apresentado abaixo incide pela popa da embarcação.
Tabela 5-13 – Perfil de Correnteza
Perfil de Corrente
Profundidade
(m)
Velocidade
(m/s)
Direção de
Ataque (º)
0
0,81
180
154
0,82
180
231
0,94
180
308
0,98
180
386
0,95
180
463
0,91
180
617
0,87
180
Dados de Onda
Foi considerado o Espectro Jonswap com os dados abaixo.
Tabela 5-14 – Altura Significativa e Período de Pico
Dados de Onda Irregular – Espectro Jonswap
Altura
Significativa
H
s
(m)
Período
de Pico
T
p
(s)
Direção de
Ataque
(º)
2,75
10,5
180
A direção de ataque considerada para correnteza e onda visa maximizar os
esforços na curva de fundo do duto.
123
5.3.5. RAOS DA EMBARCAÇÃO
Serão apresentados abaixo em forma de PLOTs os RAOs do barco
considerado.
Figura 5-36 – RAOs da Embarcação
Os RAOs apresentados na Figura 5-36 mostram que a embarcação tem uma
completa simetria, pois não há qualquer movimento lateral, ou seja, os movimentos de
sway, roll e yaw são nulos. Nota-se, no entanto, que o período considerado, a saber,
10,5 s, provocam baixos movimentos na balsa. Os RAOs mostram que o período
crítico da balsa é da ordem de 20 s, indicando que se trata de uma balsa
consideravelmente estável.
124
5.3.6. CARACTERÍSTICAS DO EXEMPLO CONSIDERADO
Este item descreve as características das análises estática e dinâmica. São
informados especificamente os dados relativos às análises realizadas.
- Análise estática
Tração aplicada no tracionador: 561 kN;
Sem consideração de correnteza;
Modelo utilizado para definição da geometria:
- OFFPIPE: não mencionado pelo manual;
- SITUA/PROSIM: Equação da Catenária;
- ORCAFLEX: Equação da Catenária.
- Análise Dinâmica
Considera onda + correnteza incidindo pela proa (180º);
Tipo de análise considerado: mar irregular;
Espectro de ondas considerado: Jonswap;
Rampa (início da simulação até início da fase steady-state: 100 seg;
Semente randômica: 12345;
Algoritmo de Integração das Equações de Movimento
- OFFPIPE: Método Implícito (Newmark - Regra Trapezoidal);
- SITUA/PROSIM: Método Implícito (αB-Newmark);
- ORCAFLEX: Método Implícito (α-Generalizado).
No exemplo em questão escolheu-se a incidência a 180º (pela proa) para
maximizar os esforços sobre a curva de fundo do duto. A intenção é avaliar o efeito da
ação de onda e corrente sobre o duto, que para a lâmina d’água considerada o
efeito dos movimentos da embarcação sobre a curva de fundo não são significativas.
Avalia-se também o duto em sua chegada à balsa, onde os movimentos da mesma
são relevantes.
Como no cenário anterior, será também realizada uma análise paramétrica
em que se variará o tempo total de simulação entre outros parâmetros. Esta variação
tem por finalidade detectar até onde, para cada tempo de simulação, o espectro é
convenientemente representado.
125
5.3.7. DESCRIÇÃO DOS MODELOS DAS EMBARCAÇÕES
Nos itens abaixo serão descritos de forma pormenorizada os modelos das
embarcações consideradas nas análises.
ORCAFLEX
Será apresentada abaixo a modelagem do cenário proposto acima relativo ao
ORCAFLEX. As figuras 5-37 e 5-38 apresentam os modelos utilizados. A Tabela 5-15
apresenta parâmetros considerados na análise paramétrica.
Figura 5-37 – ORCAFLEX – Geometria – 3D
Figura 5-38 – ORCAFLEX – Modelo
As Figuras 5-37 e 5-38 apresentam graficamente o modelo considerado.
Nota-se que a torre de lançamento fica no interior da balsa, a cerca de 1/3 do
comprimento da mesma a partir da popa e centrada em relação à boca da balsa.
126
Figura 5-39 – ORCAFLEX – Parâmetros de Integração
A Figura 5-39 acima indica o tipo de algoritmo de integração considerado, a
saber, um algoritmo implícito. Como visto anteriormente, o algoritmo utilizado pelo
ORCAFLEX é o algoritmo α-generalizado, gerado a partir dos algoritmos αH-Newmark
e αB-Newmark.
127
Figura 5-40 – ORCAFLEX – MEF
Figura 5-41 – ORCAFLEX – Cenário da Instalação
128
As Figuras 5-40 e 5-41 acima mostram respectivamente o MEF e o cenário
em que se dá a análise de instalação do duto.
A Figura 5-40 mostra que a geometria do duto (anterior à análise estática) é
definida pela equação da catenária. Mostra também o modelo de elementos finitos,
apresentando o comprimento dos elementos ao longo da catenária do duto. O
elemento considerado na análise paramétrica se refere à curva de fundo do duto..
A Figura 5-41 apresenta o ambiente de lançamento onde se que a lâmina
d’água é 771m e o solo tem um valor alto de rigidez (100 kN/m/m²).
Figura 5-42 – ORCAFLEX – Propriedades do Duto
129
Figura 5-43 – ORCAFLEX – Perfil de Correnteza
Figura 5-44 – ORCAFLEX – Espectro de Ondas
130
As Figuras 5-43 e 5-44 apresentam o perfil de correnteza e o espectro de
ondas. Na Figura 5-43 nota-se que a correnteza, incidindo a 180º (proa), atua somente
na análise dinâmica, onde passa a atuar progressivamente (rampa) até atingir o valor
indicado na tabela.
A Figura 5-44 mostra o espectro Jonswap, apresentando a altura de onda e o
período de pico considerados e os parâmetros alfa e gama do espectro. Nota-se que
foi considerada a semente randômica default do programa, a saber, 12345, e o
número 200 de componentes do espectro.
131
Tabela
5
-15 - ORCAFLEX – Parâmetros da Análise Paramétrica
A Tabela 5-15 acima mostra a parametrização utilizada nas análises.
Considerou-se, como no cenário anterior, tempos de simulação de 300s, 1400s e
10800s. Os tempos de simulação acima foram associados a passos de tempo de
0,01s, 0,05s, 0,10s e 0,20s e os comprimentos dos elementos do modelo de
elementos finitos, de 2m, 5m, 10m, 20m e 30m, sempre na curva de fundo.
A combinação destes parâmetros está indicada acima.
Como no cenário anterior, adotou-se intencionalmente um tempo de
simulação extremamente baixo (300s) associado a um tempo médio (1400s) e o
tempo de 3h (10800s) recomendado pela DNV, mantendo-se o tempo médio
associado à variação dos demais parâmetros.
Quanto ao passo de tempo, variou-se o mesmo de 0,01s, que pode ser
considerado um passo de tempo aceitável em termos de precisão dos resultados,
0,05s, ainda aceitável, e 0,20s, que pode ser considerado um passo de tempo de
simulação muito grande.
Item
Tempo Total de
Análise
(s)
Passo de Tempo
(s)
Tamanho do
Elemento
(m)
1
1400
0,05
2
2
1400
0,01
5
3
300
0,05
4
1400
5
10800
6
1400
0,10
7
1400
0,20
8
1400
0,05
10
9
1400
0,05
20
10
1400
0,05
30
132
O tamanho dos elementos do MEF também sofreu intencionalmente grande
variação para desta forma gerar resultados diversos.
O objetivo das variações acima é demonstrar o efeito que as mesmas
impõem aos resultados em termos de precisão do MEF e do algoritmo de integração.
133
PIPELAY
Será apresentada abaixo a modelagem do cenário proposto acima relativo ao
PIPELAY.
As Figuras 5-45 e 5-46 apresentam os modelos utilizados.
Figura 5-45 – PIPELAY – Modelo
Figura 5-46 – PIPELAY – Parâmetros de Análise
134
6. ESTUDOS PARAMÉTRICOS / RESULTADOS / COMPARAÇÕES
6.1. INTRODUÇÃO
O objetivo primeiro desta dissertação é, à luz dos conhecimentos referentes a
análise dinâmica estrutural e hidrodinâmica, analisar resultados gerados por diferentes
softwares para análise de dutos submarinos rígidos e, para um mesmo software,
analisar os resultados referentes a análises paramétricas através da variação do MEF,
do passo de tempo utilizado na integração das equações de movimento, e do tempo
total de simulação.
Além dos elementos acima, também serão considerados nas análises
comparativas os métodos de elementos finitos utilizados por cada software assim
como o tipo de algoritmo de integração.
Os itens 6.2, 6.3 e 6.4 apresentarão estas análises através dos resultados
gerados para os três cenários apresentados no capítulo 5, a saber, dois modelos S-
LAY e um modelo J-LAY. Nos três cenários será feita a comparação dos resultados
gerados por quatro softwares, a saber, OFFPIPE, PETROPIPE, ORCAFLEX e
PIPELAY. Adicionalmente nos cenários 2 e 3 serão apresentados resultados de
análises paramétricas.
A análise comparativa entre softwares procurará mostrar as similaridades e
diferenças entre os softwares quanto a Força Efetiva, Momento Fletor, e Tensão de
Von Mises nos ambientes estático e dinâmico, e uma comparação entre os espectros
de resposta de alguns casos quanto à força efetiva. Já a análise paramétrica procurará
comparar estes mesmos resultados, porem para um mesmo software o ORCAFLEX
variando parâmetros como o tamanho do elemento do MEF, o passo de tempo
utilizado na integração e o tempo total de simulação.
135
6.2. CENÁRIO 1 – S-LAY – DUTO 16” x 0,438”
O cenário 1, conforme características e modelo apresentados no capítulo 5,
se refere a um duto de 16” de diâmetro com espessura de 0,438” em aço API-5L-X60
revestido com 3,2mm de polietileno e 1,5” de concreto leve. Este duto será analisado
para uma lâmina d’água de 89m considerando o solo plano e aplicando se uma tração
estática de 355 kN.
Serão comparados neste item os resultados estáticos e dinâmicos máximos
de três softwares, a saber, OFFPIPE, PETROPIPE e ORCAFLEX.
Não se esperam resultados semelhantes nas análises dinâmicas por se tratar
de análises com tempo de simulação muito curto.
136
6.2.1. FORÇA EFETIVA
A figura
6
-1 apresenta as forças efetivas máximas geradas pelos programas
OFFPIPE, PETROPIPE e ORCAFLEX, ou seja, os resultados apresentados são uma
envoltória dos valores máximos obtidos ao longo de toda a análise para cada software.
Nota-se que a divergência entre os três é mínima.
Uma característica de lançamentos pelo método S-Lay em águas rasas é a
pequena diferença entre a tração no tracionador e a tração no TDP. Isto pode ser visto
na tração efetiva gerada pelos três softwares, o que acontece porque o ângulo de
saída do duto da rampa de lançamento é baixo em relação ao plano horizontal,
diferentemente de lançamentos pelo método J-Lay onde o duto sai da embarcação
praticamente na vertical.
A Figura
6
-2 mostra a série temporal de tração do duto no tracionador para os
três softwares. Nos três modelos considerados o tracionador está rigidamente unido à
balsa de lançamento, transmitindo ao duto todos os movimentos desta a que está
sujeito.
A Figura
6
-2 contempla a fase de rampa de integração de 100s onde as ações
ambientais são paulatinamente aplicadas ao modelo a partir do repouso. Exceção é
feita ao OFFPIPE que não apresenta esta fase. A rampa é reproduzida no crescimento
da variação da força efetiva. A partir do instante zero entra-se na fase “steady-state”
em que a tração efetiva traduz o efeito sobre o duto dos movimentos da embarcação
sob ação do espectro de ondas aplicado, a saber, o espectro Jonswap. Nota-se a
flutuação da tração em relação à tração estática, estando comprimida em alguns
momentos.
Em águas rasas este efeito se torna mais importante em função de não haver
comprimento de duto em catenária livre suficiente para absorver estes movimentos,
especialmente o de surge. Isto significa que o tracionador, que tem a capacidade de
compensar a variação da tração recolhendo ou “pagando” duto, deve ter velocidade de
resposta suficiente para absorver este movimento.
A Figura
6
-3 mostra os espectros de resposta da tração efetiva no tracionador
para tempo total de simulação de 360s, segundo os softwares SITUA / PROSIM,
OFFPIPE e ORCAFLEX. Estes espectros apresentam configurações similares e
energias diferentes, o que é indicado pelos parâmetros espectrais, e vem corroborar a
diferença entre as amplitudes de resposta das séries temporais (Figura
6
-2).
As séries temporais de tração dos três softwares mostram que houve
diferentes amplitudes de resposta, o que vem corroborar a diferença entre os
espectros de freqüência.
137
Com base nos gráficos abaixo e nos resultados comentados acima, pode-se
afirmar que pequenos tempos de simulação são insuficientes para se realizar uma
análise estatística de qualidade, o que vem corroborar a recomendação das normas
técnicas vigentes em se realizar análises com duração equivalente a pelo menos
3horas de simulação.
138
300
325
350
375
0 50 100 150 200 250 300 350 400 450 500 550 600
Força Efetiva (KN)
Comprimento do Duto (m)
OFFPIPE
PETROPIPE
ORCAFLEX
LAYBARGE
STINGER
SAGBEND
SEABED
340
345
350
355
360
0 20 40 60 80 100
Força Efetiva (KN)
Comprimento do Duto (m)
OFFPIPE
PETROPIPE
ORCAFLEX
LAYBARGE
STINGER
Figura 6-1 – Força Efetiva Estática
139
-200
0
200
400
600
800
1,000
-100 -50 0 50 100 150 200 250 300 350
Força Efetiva (kN)
Tempo de Simulão (s)
ORCAFLEX
Figura 6-2 – Força Efetiva Dinâmica – Variação da Tração no Domínio do Tempo no Tracionador
140
ESPECTRO DE FREQUÊNCIA - FORÇA EFETIVA
0
20000
40000
60000
80000
100000
120000
140000
160000
180000
200000
0 1 2 3 4 5
Frequência [rad/s]
Sp [w]
ORCAFLEX
SITUA-PROSIM
OFFPIPE
Figura 6-3 – Força Efetiva Dinâmica – Variação da Tração no Domínio da Frequência no Tracionador
Item
Software
Orcaflex Situa / Prosim Offpipe
Variância 40373 77509 64399
Desvio Padrão 201 278 254
Amplitude Significativa 402 557 508
141
6.2.2. MOMENTO FLETOR
A Figura 6-4 mostra o diagrama de momentos fletores ao longo da linha elástica
do duto. uma pequena variação do ORCAFLEX em relação aos demais softwares na
região da rampa de lançamento. Isto se deve à forma como os roletes são considerados
nos três softwares. Enquanto no OFFPIPE e no SITUA/PROSIM os berços de roletes são
simulados por elementos de contato que podem ter dimensão na direção do lançamento,
no ORCAFLEX os roletes são simulados por LINKS que funcionam como cabos
sustentando o duto, o que faz com que trabalhem de forma pontual, concentrando
tensões.
As figuras abaixo mostram que quanto mais a rampa física se aproxima da
curvatura desejada, diminuindo a “poligonalização”, mais suaves são os momentos
fletores e conseqüentemente as tensões.
142
-400
-300
-200
-100
0
100
0 50 100 150 200 250 300 350 400 450 500 550 600
Momento Fletor (KN.m)
Comprimento do Duto (m)
OFFPIPE
PETROPIPE
ORCAFLEX
LAYBARGE
STINGER
SAGBEND
SEABED
-450
-400
-350
-300
-250
20 30 40 50 60 70
Momento Fletor (KN.m)
Comprimento do Duto (m)
OFFPIPE
PETROPIPE
ORCAFLEX
LAYBARGE
STINGER
Figura 6-4 – Momento Fletor Estático
143
6.2.3. TENSÃO DE VON MISES
São apresentadas nas figuras 6-5 e 6-6 as tensões de Von Mises estática e
dinâmica respectivamente para os três softwares analisados.
Nota-se uma similaridade entre os diagramas de tensões apresentados pelos
três softwares, tanto na condição estática quanto na dinâmica. Mais uma vez nota-se aqui
o efeito concentrado dos LINKS no ORCAFLEX. No entanto isto não chega a
comprometer os resultados.
Nota-se também, tanto nos diagramas de tensões abaixo quanto nos diagramas
de momentos, que o ORCAFLEX apresenta uma flexão no tracionador superior aos
outros dois softwares, simulando bem o engastamento no mesmo.
144
0
100000
200000
300000
400000
0 50 100 150 200 250 300 350 400 450 500
Von Mises (KPa)
Comprimento do Duto (m)
OFFPIPE
PETROPIPE
ORCAFLEX
LAYBARGE
STINGER
SAGBEND
SEABED
150000
250000
350000
20 30 40 50 60 70
Von Mises (KPa)
Comprimento do Duto (m)
OFFPIPE
PETROPIPE
ORCAFLEX
LAYBARGE
STINGER
Figura 6-5 – Diagrama de Tensões de Von Mises Estáticas
145
0
100000
200000
300000
400000
500000
0 50 100 150 200 250 300 350 400 450 500 550 600
Von Mises (KPA)
Comprimento do Duto (m)
OFFPIPE
PETROPIPE
ORCAFLEX
LAYBARGE
STINGER
SAGBEND
SEABED
250000
300000
350000
400000
450000
20 30 40 50 60 70
Von Mises (KPA)
Comprimento do Duto (m)
OFFPIPE
PETROPIPE
ORCAFLEX
LAYBARGE
STINGER
Figura 6-6 – Diagrama de Tensões de Von Mises Dinâmicas
146
6.3. CENÁRIO 2 – S-LAY – DUTO 16” x 0,625”
O cenário 2 se refere a um duto de 16” de diâmetro como o cenário 1, mas com
espessura de 0,625” considerando aço API-5L-X65. O duto é revestido com 3,0mm de
polietileno e 1,5” de concreto leve (densidade de 2240 kg/m³). O ambiente de instalação é
uma lâmina d’água de 120m considerando o solo plano e aplicando se uma tração
estática de 711 kN.
6.3.1. COMPARAÇÃO DE MÁXIMOS
Serão comparados neste item os resultados estáticos e dinâmicos máximos de
dois softwares, a saber, SITUA/PROSIM e ORCAFLEX. Os valores dinâmicos máximos
se referem à envoltória dos valores máximos encontrados ao longo da simulação para
cada resultado em cada ponto do duto.
147
6.3.1.1. FORÇA EFETIVA
Estão apresentadas abaixo as Figuras 6-7, 6-8 e 6-9, que mostram
respectivamente as trações efetivas estática, dinâmica máxima (envoltória de máximos)
para um tempo de simulação de 1400s, e a série temporal de tração ao nível do
tracionador relativo ao mesmo tempo de simulação. Os modelos se referem, além das
informações acima, a um elemento do MEF de 5m e um passo de tempo de simulação de
0.05s.
Nota-se a resposta dinâmica da tração efetiva do duto em função dos
movimentos da balsa de lançamento. Enquanto a tração estática é da ordem de 715 kN, a
tração dinâmica alcança 1165 kN, o que significa uma amplificação de 63%. É evidente
que a tração real não seria esta em função da compensação realizada pelo tracionador.
A série temporal mostra a variação da tração ao longo do tempo. Nota-se que a
variação máxima ocorre em torno de 1200s, próximo ao tempo máximo de simulação. Isto
sugere que a tração pode ser maior quando considerado maior tempo de simulação.
148
500
600
700
800
0 50 100 150 200 250 300 350 400 450 500 550 600
Força Efetiva (KN)
Comprimento do Duto (m)
ORCAFLEX
LAYBARGE
STINGER
SAGBEND
SEABED
Figura 6-7 – Força Efetiva Dinâmica
1050
1100
1150
1200
0 50 100 150 200 250 300 350 400 450 500 550 600
Força Efetiva (kN)
Comprimento do Duto (m)
ORCAFLEX
LAYBARGE
STINGER
SAGBEND
SEABED
Figura 6-8 – Força Efetiva Estática
149
0
200
400
600
800
1000
1200
-100 0 100 200 300 400 500 600 700 800 900 1000 1100 1200 1300 1400
Força Efetiva (kN)
Tempo de Simulação (s)
ORCAFLEX
0
200
400
600
800
1000
1200
-100 -80 -60 -40 -20 0 20 40 60 80 100
Força Efetiva (kN)
Tempo de Simulão (s)
ORCAFLEX
Figura 6-9 – Força Efetiva Dinâmica no Tracionador no Domínio do Tempo
150
6.3.1.2. MOMENTO FLETOR
Estão apresentadas abaixo nas Figuras 6-10 e 6-11 os momentos fletores
estático e dinâmico. Não se nota grande diferença entre estes perfis, pois a deformação
imposta ao duto é controlada pela configuração da rampa de lançamento, não estando
sob ação direta dos movimentos da embarcação. O pequeno acréscimo que ocorre se
deve ao aumento das reações nos roletes gerado pelo incremento da força efetiva.
Como a discretização do MEF é bastante refinada na rampa, nota-se o
comportamento de uma viga contínua em que o momento negativo máximo se nos
apoios, mantendo a mesma configuração de flexão em função da configuração imposta
pela curvatura da rampa de lançamento.
Nota-se também uma grande diferença de comportamento entre a rampa na
balsa e no stinger, onde o afastamento entre os roletes é pequeno. Os vãos entre apoios
são bastante reduzidos uniformizando a forma do diagrama de flexão e aproximando-o da
flexão referente ao raio de curvatura adotado para a rampa.
151
0
100
200
300
400
500
600
700
0 50 100 150 200 250 300 350 400 450 500 550 600
M
o
m
e
n
t
o
F
l
e
t
o
r
(
K
N
-
m
)
Comprimento do Duto (m)
ORCAFLEX
SEABED
LAYBARGE
STINGER
SAGBEND
300
400
500
600
700
20 30 40 50 60 70 80 90
Momento Fletor (KN-m)
Comprimento do Duto (m)
ORCAFLEX
SAGBEND
LAYBARGE
STINGER
Figura 6-10 – Momento Fletor Estático
152
0
100
200
300
400
500
600
700
800
0 50 100 150 200 250 300 350 400 450 500 550 600
Momento Fletor (kN.m)
Comprimento do Duto (m)
ORCAFLEX
LAYBARGE
STINGER
SAGBEND
SEABED
575
600
625
650
675
700
20 30 40 50 60 70 80 90
Momento Fletor (kN.m)
Comprimento do Duto (m)
ORCAFLEX
LAYBARGE
STINGER
SAGBEND
Figura 6-11 – Momento Fletor Dinâmico
153
6.3.1.3. TENSÃO DE VON MISES
Estão apresentadas abaixo nas 6-12 e 6-13 os diagramas de tensões de Von
Mises estático e dinâmico (envoltória dos valores ximos). O comportamento é similar
aos diagramas de momentos. Isto mostra a maior sensibilidade que o duto tem à flexão.
154
0
100000
200000
300000
400000
500000
0 50 100 150 200 250 300 350 400 450 500 550 600
Von Mises (KPA)
Comprimento do Duto (m)
ORCAFLEX
LAYBARGE
STINGER
SAGBEND
SEABED
300000
350000
400000
450000
20 30 40 50 60 70 80
Von Mises (KPA)
Comprimento do Duto (m)
ORCAFLEX
LAYBARGE
STINGER
Figura 6-12 – Diagrama de Tensões de Von Mises Estáticas
155
0
100000
200000
300000
400000
500000
0 50 100 150 200 250 300 350 400 450 500 550 600
Von Mises (KPA)
Comprimento do Duto (m)
ORCAFLEX
LAYBARGE
STINGER
SAGBEND
SEABED
0
100000
200000
300000
400000
500000
0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100
Von Mises (KPA)
Comprimento do Duto (m)
ORCAFLEX
LAYBARGE STINGER
SAGBEND
Figura 6-13 – Diagrama de Tensões de Von Mises Dinâmicas
156
6.3.2. ANÁLISES PARAMÉTRICAS
Este item tem por finalidade mostrar a influência sobre os resultados do
processo de simulação de uma análise dinâmica de itens tais como tamanho do elemento
do MEF, passo de tempo de simulação e tempo total de simulação.
Serão apresentados a seguir os resultados das análises realizadas variando
parâmetros como indicado no parágrafo 5.
157
6.3.2.1. VARIAÇÃO DO TAMANHO DO ELEMENTO DO MEF
Será adotada a variação do MEF indicada no parágrafo 5, a saber, 1m, 5m e
10m, associado a tempo de simulação de 1400s e passo de tempo de 0,05s. Esta seleção
é válida para o sagbend, pois dentro da rampa de lançamento se está limitado à distância
entre roletes. Na rampa de lançamento da balsa a distância entre roletes se situa na
ordem de 8m a 12m, adotando-se o critério apresentado abaixo. No stinger a distância
entre roletes gira em torno de 1m. Em função disto não serão inseridas juntas
intermediárias em nenhum caso.
Na rampa de lançamento o critério utilizado foi:
discretização próxima a 1m, sendo o valor múltiplo do vão, para análise com
elemento de 1m;
inserção de uma junta intermediária no vão para análise com elemento de
5m;
comprimento inteiro do vão (sem juntas entre roletes) para análise com
elemento de 10m.
Nota-se que a variação da discretização produz efeitos significativos somente na
rampa de lançamento e, no caso, especificamente na rampa da balsa onde houve a
variação do elemento. Evidentemente, quanto mais refinada a discretização, mais
representativos são os resultados.
No sagbend este efeito não foi tão sensível. Teria sido em uma condição limite
em que ocorrem grandes compressões na linha impostas pelo movimento de surge da
balsa, o que ocorreria em um ambiente de lâmina d’água muito baixo e lançamento de um
duto muito rígido. Como não como o duto flambar por estar contido lateralmente pela
rampa e pelo atrito do solo e ser muito rígido para sofrer uma flambagem global elástica, o
que ocorre no limite é uma flambagem localizada, com colapso da seção, no TDP.
O diagrama de forças efetivas mostra uma pequena descontinuidade nos pontos
onde os roletes são simulados pelos LINKS, exceto o mais próximo do tracionador. Como
deslocamento da balsa, o “rolete” (LINK) deixa de ser precisamente vertical,
transmitindo pequena força axial ao duto. O rolete mais próximo ao tracionador
158
provavelmente está sem carga. Evidentemente quando o tamanho do elemento cresce,
este efeito é amortecido.
O diagrama de tensões de Von Mises reproduz exatamente o comportamento do
diagrama de momentos fletores, indicando que, como era esperado, a flexão é
preponderante no cálculo destas tensões.
Todos os valores dinâmicos apresentados neste item são envoltórias de máximos
ao longo da simulação.
159
1050
1075
1100
1125
1150
1175
1200
0 50 100 150 200 250 300 350 400 450 500 550 600
Força Efetiva (kN)
Comprimento do Duto (m)
1m
5m
10m
LAYBARGE
STINGER
SAGBEND SEABED
1175
1177
1179
1181
1183
0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 55 60
Força Efetiva (kN)
Comprimento do Duto (m)
1m
5m
10m
LAYBARGE
STINGER
Figura 6-14 – Variação da Malha de Elementos Finitos – Força Efetiva
160
0
100
200
300
400
500
600
700
800
0 50 100 150 200 250 300 350 400 450 500 550 600
Momento Fletor (kN.m)
Comprimento do Duto (m)
1M
5M
10m
LAYBARGE
STINGER
SAGBEND
SEABED
0
100
200
300
400
500
600
700
0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 110 120
Momento Fletor (kN.m)
Comprimento do Duto (m)
1M
5M
10m
LAYBARGE
STINGER
SAGBEND
Figura 6-15 – Variação da Malha de Elementos Finitos - Diagrama de Momentos Fletores
161
0
100000
200000
300000
400000
500000
0 50 100 150 200 250 300 350 400 450 500 550 600
Von Mises (KPA)
Comprimento do Duto (m)
1M
5m
10m
LAYBARGE
STINGER
SAGBEND
SEABED
100000
200000
300000
400000
500000
0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100
Von Mises (KPA)
Comprimento do Duto (m)
1M
5m
10m
LAYBARGE
STINGER
SAGBEND
Figura 6-16 – Variação da Malha de Elementos Finitos - Diagrama de Tensões de Von Mises
162
6.3.2.2. VARIAÇÃO DO PASSO DE TEMPO DA SIMULAÇÃO
Conforme indicado no parágrafo 5, são contemplados neste item passos de
tempo de 0,01s, 0,05s e 0,2s. Estas simulações consideram modelagem refinada em
termos de tamanho do elemento do MEF, pois, como vimos no item anterior, uma
simulação mais pobre pode distorcer os resultados. Estas simulações estão associadas a
elemento do MEF de 5m (sag) e tempo de simulação de 1400s.
No PLOT da força efetiva nota-se que os resultados são semelhantes para um
passo de simulação de 0,01s e 0,05s. Os resultados para passo de 0,20s, no entanto,
divergem dos outros dois, sendo maior na rampa e menor no leito marinho. Isto indica que
um passo de tempo maior pode distorcer os resultados, perdendo-se a confiabilidade nos
mesmos.
Os resultados referentes a momento fletor e tensão de Von Mises indicam uma
pequena variação junto ao TDP para 0,20s em relação a 0,01s e 0,05s indicando
novamente que um passo maior tende a gerar resultados menos confiáveis. Isto é
coerente com os resultados esperados de um algoritmo de integração, onde os resultados
do instante n+1 são obtidos a partir dos resultados do instante n. Quanto maior o passo
de tempo, maior o erro introduzido no algoritmo de integração.
163
1050
1075
1100
1125
1150
1175
1200
0 50 100 150 200 250 300 350 400 450 500 550 600
Força Efetiva (kN)
Comprimento do Duto (m)
0.01s
0.05s
0.2s
LAYBARGE
STINGER
SAGBEND SEABED
Figura 6-17 – Variação do Passo de Tempo de Simulação – Força Efetiva
164
0
100
200
300
400
500
600
700
800
0 50 100 150 200 250 300 350 400 450 500 550 600
Momento Fletor (kN.m)
Comprimento do Duto (m)
0.05s
0.01s
0.20s
LAYBARGE
STINGER
SAGBEND
SEABED
180
200
220
240
260
280
440 460 480 500 520
Momento Fletor (kN.m)
Comprimento do Duto (m)
0.05s
0.01s
0.20s
SAGBEND
SEABED
Figura 6-18 – Variação do Passo de Tempo de Simulação – Momento Fletor
165
0
100000
200000
300000
400000
500000
0 50 100 150 200 250 300 350 400 450 500 550 600
Von Mises (KPA)
Comprimento do Duto (m)
0.01s
0.05s
0.20s
LAYBARGE
STINGER
SAGBEND
SEABED
80000
100000
120000
140000
160000
425 450 475 500 525
Von Mises (KPA)
Comprimento do Duto (m)
0.01s
0.05s
0.2s
SAGBEND
SEABED
Figura 6-19 – Variação do Passo de Tempo de Simulação – Von Mises
166
6.3.2.3. VARIAÇÃO DO TEMPO TOTAL DE SIMULAÇÃO
A análise paramétrica variando o tempo total de simulação considerou três
tempos de simulação, a saber, 300s, 1400s e 10800s.
Os gráficos abaixo mostram uma grande sensibilidade da força efetiva ao
acréscimo do tempo total de simulação. também um acréscimo significativo do
momento fletor e da tensão de Von Mises. Isto indica que pouco tempo de simulação
pode gerar resultados pouco conservadores.
Os resultados abaixo mostram que tanto para 300s e 1400s os efeitos do
espectro de ondas não foram convenientemente contabilizados sobre o duto, o que
corrobora a recomendação da DNV-RP-C205 [9], que recomenda que o tempo de
simulação de uma análise dinâmica não linear não deve ser inferior a 10800s ou 3h.
167
1050
1100
1150
1200
1250
1300
1350
1400
0 50 100 150 200 250 300 350 400 450 500 550 600
Força Efetiva (kN)
Comprimento do Duto (m)
300s
1400s
10800s
LAYBARGE
STINGER
SAGBEND
SEABED
Figura 6-20 – Variação do Tempo Total de Simulação – Força Efetiva
168
0
100
200
300
400
500
600
700
800
0 50 100 150 200 250 300 350 400 450 500 550 600
Momento Fletor (kN.m)
Comprimento do Duto (m)
300s
1400s
10800s
LAYBARGE
STINGER
SAGBEND
SEABED
150
200
250
300
400 420 440 460 480 500 520
Momento Fletor (kN.m)
Comprimento do Duto (m)
300s
1400s
10800s
SAGBEND
SEABED
Figura 6-21 – Variação do Tempo Total de Simulação – Momento Fletor
169
0
100000
200000
300000
400000
500000
0 50 100 150 200 250 300 350 400 450 500 550 600
Von Mises (KPA)
Comprimento do Duto (m)
300s
1400s
10800s
LAYBARGE
STINGER
SAGBEND
SEABED
250000
300000
350000
400000
450000
20 30 40 50 60 70
Von Mises (KPA)
Comprimento do Duto (m)
OFFPIPE
PETROPIPE
ORCAFLEX
LAYBARGE
STINGER
60000
80000
100000
120000
140000
160000
180000
425 450 475 500 525 550
Von Mises (KPA)
Comprimento do Duto (m)
300s
1400s
10800s
SAGBEND
SEABED
Figura 6-22 – Variação do Tempo Total de Simulação – Von Mises
170
6.4. CENÁRIO 3 – J-LAY – DUTO 18” x 0,875”
O cenário 3 se refere a um duto de 18” de diâmetro com espessura de 0,875
considerando aço API-5L-X60. O duto é revestido com 3,0mm de polietileno e 49mm
revestimento térmico com densidade similar ao polietileno, totalizando 52mm de
revestimento. O ambiente de instalação é uma lâmina d’água de 771m considerando o
solo plano e considerando uma inclinação da torre de lançamento de 85º.
6.4.1. COMPARAÇÃO DE MÁXIMOS
Serão comparados neste item os resultados estáticos e dinâmicos máximos de
dois softwares, a saber, SITUA/PROSIM e ORCAFLEX. Serão também apresentados
resultados estáticos do software PIPELAY.
Os valores máximos se referem a envoltória de máximos ao longo de toda a
simulação e ao longo do duto.
A comparação realizada neste item considera elemento do MEF de 5m, passo
de tempo de simulação de 0,05s e tempo total de simulação de 1400s.
171
6.4.1.1. FORÇA EFETIVA
Estão apresentadas abaixo as Figuras 6-23 e 6-24 mostrando respectivamente
as trações efetivas estática e dinâmica máxima (envoltória de máximos).
A Figura 6-23 mostra as forças efetivas estáticas geradas pelos três softwares,
sendo praticamente idênticas. Isto valida os três softwares quanto ao cálculo da força
efetiva, mostrando que o método dos elementos finitos é corretamente aplicado nos
mesmos.
A resposta dinâmica da tração efetiva do duto em função dos movimentos da
balsa de lançamento é interessante, pois os valores dinâmicos são inferiores aos
correspondentes valores estáticos. Enquanto a tração estática máxima é da ordem de 560
kN, a tração dinâmica alcança cerca de 540 kN.
Há duas explicações para isto:
1 A balsa é bastante estável frente a ondas incidindo pela proa e pela popa
para o período analisado (Tp=10,5s), o que é corroborado pelos PLOTS dos RAOs no
capítulo 5;
2 O sentido de atuação, tanto das ondas quanto da correnteza é da proa para
a popa, o que significa uma tendência à redução da tração e incremento da flexão no
duto.
As duas alternativas acima são corroboradas pelas séries temporais de tração
apresentadas adiante, onde se que a tração inicial é da ordem de 560 kN, a qual cai
gradualmente durante a rampa de 100s devido à aplicação também gradual da corrente,
sendo que não há resposta dinâmica suficiente para atingir aquela tração original.
Os resultados referentes à força efetiva, quando comparados aos resultados dos
cenários 1 e 2, mostram como os movimentos da balsas são tão mais relevantes no
lançamento de dutos pelo método S-Lay em águas rasas em relação a águas profundas
lançadas pelos métodos J-Lay e Reel, o que também é válido para lançamentos por S-
Lay em águas profundas, já que o ângulo de saída do duto da rampa é similar à
inclinação da torre pelos métodos J-Lay e Reel.
172
condições específicas em que a ação da corrente, muito mais importante do
que a ação de ondas em águas profundas, implica proceder ao lançamento com o duto
inundado para com isto reduzir os deslocamentos impostos ao duto. que se notar que
o fato do duto estar inundado implica unicamente na necessidade de se suportar uma
carga maior de tração na balsa de lançamento, pois a linha elástica não altera a sua
conformação.
A Figura 6-24 mostra uma perfeita sintonia entra as trações efetivas dinâmicas
geradas pelo SITUA/PROSIM e pelo ORCAFLEX. Embora o tempo de simulação não seja
grande (1400s), os algoritmos de integração utilizados pelos dois softwares são muito
semelhantes, o que justifica em parte a proximidade dos resultados.
173
0
100
200
300
400
500
600
700
800
0 100 200 300 400 500 600 700 800 900 1000
Força Efetiva (kN)
Comprimento do Duto (m)
PETROPIPE
ORCAFLEX
PIPELAY
SAGBEND
SEABED
Figura 6-23 – Força Efetiva Estática
0
100
200
300
400
500
600
700
800
0 100 200 300 400 500 600 700 800 900 1000
Força Efetiva (kN)
Comprimento do Duto (m)
PETROPIPE
ORCAFLEX
SAGBEND
SEABED
Figura 6-24 – Força Efetiva Dinâmica Máxima
174
6.4.1.2. MOMENTO FLETOR
Estão apresentadas abaixo as Figuras 6-25 e 6-26 referentes aos diagramas de
momentos estático e dinâmico máximo.
A Figura 6-25 mostra uma divergência no diagrama, para os softwares
analisados, ao nível da balsa, provavelmente pela inclinação inicial da torre assumida.
Nota-se que o SITUA/PROSIM zera o momento na torre, o que indica uma perfeita
sintonia entre o ângulo assumido pelo duto na torre, função da tração imposta ao duto, e a
inclinação da torre. o ORCAFLEX e o PIPELAY apresentam flexões, sendo maior o
momento gerado pelo PIPELAY. É bom lembrar que os três softwares utilizam o MEF
para gerar a configuração, sendo que a geometria inicial no ORCAFLEX e no
SITUA/PROSIM (pré análise estática) é gerada pela equação da catenária.
O restante do diagrama mostra uma perfeita consonância entre os três
softwares, a não ser junto ao TDP, onde o PIPELAY apresenta valores levemente
inferiores.
A Figura 6-26 mostra uma amplificação do diagrama de momentos fletores, tanto
junto à balsa quanto próximo ao TDP, devido à ação dinâmica do espectro de ondas
sobre a balsa, refletida em movimentos da mesma, e devido à ação do perfil de
correnteza agindo no sentido de comprimir a curva junto ao TDP. Esta amplificação é
maior no ORCAFLEX do que no SITUA/PROSIM.
175
0
200
400
600
800
0 100 200 300 400 500 600 700 800 900 1000
Momento Fletor (kN.m)
Comprimento do Duto (m)
PETROPIPE
ORCAFLEX
PIPELAY
SAGBEND SEABED
Figura 6-25 – Momento Fletor Estático
0
200
400
600
800
1000
1200
1400
0 100 200 300 400 500 600 700 800 900 1000
Momento Fletor (kN.m)
Comprimento do Duto (m)
PETROPIPE
ORCAFLEX
SAGBEND
SEABED
Figura 6-26 – Momento Fletor Dinâmico Máximo
176
6.4.1.3. TENSÃO DE VON MISES
As Figuras 6-27 e 6-28, mostrando respectivamente os perfis de Von Mises
estático e dinâmico gerados pelos softwares, indicam uma perfeita consonância com os
perfis de momentos fletores gerados pelos mesmos assim como uma coerência entre os
resultados de todos os softwares.
Os resultados estáticos referentes às tensões de Von-Mises apresentam o
mesmo aspecto dos outros resultados estáticos, sendo válidos os mesmos comentários.
Quanto aos resultados dinâmicos, valem os mesmos comentários referentes ao tempo de
integração.
177
0
100000
200000
300000
400000
500000
0 100 200 300 400 500 600 700 800 900 1000
Von Mises (KPA)
Comprimento do Duto (m)
ORCAFLEX
PETROPIPE
PIPELAY
SAGBEND
SEABED
Figura 6-27 – Tensão de Von Mises Estática
0
100000
200000
300000
400000
500000
0 100 200 300 400 500 600 700 800 900 1000
Von Mises (KPA)
Comprimento do Duto (m)
ORCAFLEX
PETROPIPE
SAGBEND
SEABED
Figura 6-28 – Tensão de Von Mises Dinâmica Máxima
178
6.4.2. ANÁLISES PARAMÉTRICAS
Este item se propõe a apresentar análises paramétricas referentes a variação do
comprimento do elemento do MEF, variação do passo de tempo utilizado na simulação e
variação do tempo total de simulação.
As análises acima serão efetuadas com o software ORCAFLEX. Serão também
apresentados resultados paramétricos e comparativos entre o SITUA/PROSIM e o
ORCAFLEX especificamente para a tração efetiva no tracionador. Ao final serão
apresentados, para o ORCAFLEX e o SITUA/PROSIM, espectros de resposta no domínio
da freqüência para 300s, 1400s e 10800s.
179
6.4.2.1. VARIAÇÃO DO TAMANHO DO ELEMENTO DO MEF
A análise paramétrica com variação do comprimento do elemento do MEF
considerou a paramametrização correspondente a elementos de 10m, 20m e 30m de
comprimento considerando passo de tempo de 0,05s e tempo total de simulação de
1400s.
Nota-se que quase nenhuma variação da força efetiva. Entretanto uma
variação significativa do momento fletor e da tensão de Von Mises junto à balsa e junto ao
TDP, ou seja, nas regiões onde o duto é mais solicitado à flexão.
Isto indica a necessidade de refinamento do MEF nos locais onde há expectativa
de ocorrer maiores tensões de flexão. No caso específico, junto à balsa e nas
proximidades do TDP.
180
0
100
200
300
400
500
600
0 100 200 300 400 500 600 700 800 900 1000
Força Efetiva (kN)
Comprimento do Duto (m)
10m
20m
30m
SAGBEND
SEABED
Figura 6-29 – Força Efetiva
181
0
200
400
600
800
1000
1200
1400
0 100 200 300 400 500 600 700 800 900 1000
Momento Fletor (kN.m)
Comprimento do Duto (m)
10m
20m
30m
SAGBEND
SEABED
900
1000
1100
1200
1300
780 800 820 840 860
Momento Fletor (kN.m)
Comprimento do Duto (m)
10m
20m
30m
SAGBEND
Figura 6-30 – Momento Fletor
182
0
100000
200000
300000
400000
500000
0 100 200 300 400 500 600 700 800 900 1000
Von Mises (KPA)
Comprimento do Duto (m)
10m
20m
30m
SAGBEND
SEABED
350000
360000
370000
380000
390000
400000
800 810 820 830 840 850
Von Mises (KPA)
Comprimento do Duto (m)
20m
30m
10m
SAGBEND
Figura 6-31– Tensão de Von Mises
183
6.4.2.2. VARIAÇÃO DO PASSO DE TEMPO DE SIMULAÇÃO
A análise paramétrica através da variação do passo de tempo de simulação
considerou os tempos de 0,01s, 0,05s e 0,20s, considerando-se comprimento do
elemento do MEF de 5m e tempo total de simulação de 1400s.
Referente ao modelo J-Lay adotado não se notou qualquer alteração nos
resultados. Este não é o padrão esperado, e mostra apenas que não uma resposta
dinâmica efetiva que gere desvios para análises com passos de tempo mais refinados em
relação a passos de tempo mais pobres ou menos refinados.
184
0
100
200
300
400
500
600
0 100 200 300 400 500 600 700 800 900 1000
Força Efetiva (kN)
Comprimento do Duto (m)
0.01s
0.05s
0.20s
SAGBEND
SEABED
510
520
530
540
550
0 2 4 6 8 10
Força Efetiva (kN)
Comprimento do Duto (m)
0.01s
0.05s
0.20s
SAGBEND
Figura 6-32 – Força Efetiva
185
0
200
400
600
800
1000
1200
1400
0 100 200 300 400 500 600 700 800 900 1000
Momento Fletor (kN.m)
Comprimento do Duto (m)
0.05s
0.01s
0.20s
SAGBEND
SEABED
900
1000
1100
1200
1300
780 800 820 840 860
Momento Fletor (kN.m)
Comprimento do Duto (m)
0.05s
0.01s
0.20s
SAGBEND
Figura 6-33 – Momento Fletor
186
0
100000
200000
300000
400000
500000
0 100 200 300 400 500 600 700 800 900 1000
Von Mises (KPA)
Comprimento do Duto (m)
0.01s
0.05s
0.20s
SAGBEND
SEABED
325000
350000
375000
400000
425000
800 820 840 860
Von Mises (KPA)
Comprimento do Duto (m)
0.01s
0.05s
0.20s
SAGBEND
Figura 6-34 – Tensão de Von Mises
187
6.4.2.3. VARIAÇÃO DO TEMPO TOTAL DE SIMULAÇÃO
A análise paramétrica através da variação do tempo total de simulação
considerou os tempos de 300s, 1400s e 10800s (3h).
A região mais sensível do duto se mostrou ser a conexão com a balsa de
lançamento, simulada como um engaste perfeito ou a ausência de movimentos relativos
entre a balsa e o duto.
Nota-se que um pequeno acréscimo, tanto da força efetiva quanto do
momento fletor e, conseqüentemente, da tensão de Von Mises, entre os resultados
apresentados para tempo de simulação de 300s e 1400s. O acréscimo cresce quando se
compara os resultados de 1400s com 10800s.
O comentário acima mostra que não é eficaz se considerar em uma análise
dinâmica tempos de simulação pequenos, mesmo tempos da ordem de 1000s a 2000s. A
DNV-RP-C205 [9] recomenda que uma análise dinâmica o deve ter duração inferior a
10800s pois com tempo de simulação inferior ao recomendado corre-se o risco de não
contabilizar todo o efeito do espectro de ondas considerado sobre o duto.
188
0
100
200
300
400
500
600
0 100 200 300 400 500 600 700 800 900 1000
Força Efetiva (kN)
Comprimento do Duto (m)
300s
1400s
10800s
SAGBEND
SEABED
500
520
540
560
0 2 4 6 8 10
Força Efetiva (kN)
Comprimento do Duto (m)
300s
1400s
10800s
SAGBEND
Figura 6-35 – Força Efetiva
189
0
200
400
600
800
1000
1200
1400
0 100 200 300 400 500 600 700 800 900 1000
Momento Fletor (kN.m)
Comprimento do Duto (m)
300s
1400s
10800s
SAGBEND
SEABED
600
700
800
900
1000
1100
1200
1300
0 2 4 6 8 10
Momento Fletor (kN.m)
Comprimento do Duto (m)
300s
1400s
10800s
SAGBEND
Figura 6-36 – Momento Fletor
190
0
100000
200000
300000
400000
0 100 200 300 400 500 600 700 800 900 1000
Von Mises (KPA)
Comprimento do Duto (m)
300s
1400s
10800s
SAGBEND
SEABED
200000
250000
300000
350000
400000
0 2 4 6 8 10
Von Mises (KPA)
Comprimento do Duto (m)
300s
1400s
10800s
SAGBEND
Figura 6-37 – Tensão de Von Mises
191
6.4.2.4. SERIE TEMPORAL DA TRAÇÃO NO TRACIONADOR
Este capítulo apresenta resultados comparativos entre os softwares
SITUA/PROSIM e ORCAFLEX para séries temporais de tração no tracionador.
A comparação entre os resultados apresentados entre os softwares mostra total
coerência entre os mesmos, resultado esperado em função da baixa resposta dinâmica
do conjunto embarcação/duto e da semelhança dos algoritmos de integração.
A avaliação dos resultados quanto a variação dos parâmetros MEF e tempo de
simulação mostra que o resultado menos conservador ocorre para elemento de 2m e
1400s de simulação, e o mais conservador para elemento de 5m e tempo de simulação
de 10800s, resultados estes bem coerentes, pois uma melhor discretização do MEF tende
a amenizar os “picos”, enquanto um maior tempo de simulação tende a detectar picos de
movimento não vistos com uma simulação de 1400s.
192
0
100
200
300
400
500
600
700
800
900
1000
0 200 400 600 800 1000 1200 1400
Tração [kN]
Tempo [s]
Orcaflex
Situa-PROSIM
Figura 6-38 – Elemento 2m – Passo de 0,05s – Simulação de 1400s
193
480
490
500
510
520
530
540
0 200 400 600 800 1000 1200 1400
Tração [kN]
Tempo [s]
Série de Tração no Topo
Orcaflex
Situa-PROSIM
Figura 6-39 – Elemento 2m – Passo de 0,05s – Simulação de 1400s (detalhe)
194
0
100
200
300
400
500
600
700
800
900
1000
0 50 100 150 200 250 300
Tração [kN]
Tempo [s]
Orcaflex
Situa-PROSIM
Figura 6-40 – Elemento 5m – Passo de 0,05s – Simulação de 300s
195
460
470
480
490
500
510
520
530
540
550
560
0 50 100 150 200 250 300
Tração [kN]
Tempo [s]
Série de Tração no Topo
Orcaflex
Situa-PROSIM
Figura 6-41 – Elemento 5m – Passo de 0,05s – Simulação de 300s (detalhe)
196
0
100
200
300
400
500
600
700
800
900
1000
0 200 400 600 800 1000 1200 1400
Tração [kN]
Tempo [s]
Orcaflex
Situa-PROSIM
Figura 6-42 – Elemento 5m – Passo de 0,05s – Simulação de 1400s
197
480
490
500
510
520
530
540
0 200 400 600 800 1000 1200 1400
Tração [kN]
Tempo [s]
Série de Tração no Topo
Orcaflex
Situa-PROSIM
Figura 6-43 – Elemento 5m – Passo de 0,05s – Simulação de 1400s (detalhe)
198
0
100
200
300
400
500
600
700
800
900
1000
0 200 400 600 800 1000 1200 1400
Tração [kN]
Tempo [s]
Orcaflex
Situa-PROSIM
Figura 6-44 – Elemento 10m – Passo de 0,05s – Simulação de 1400s
199
480
490
500
510
520
530
540
0 200 400 600 800 1000 1200 1400
Tração [kN]
Tempo [s]
Série de Tração no Topo
Orcaflex
Situa-PROSIM
Figura 6-45 – Elemento 10m – Passo de 0,05s – Simulação de 1400s (detalhe)
200
Figura 6-46 – Elemento 5m – Passo de 0,05s – Simulação de 10800s
201
0
100
200
300
400
500
600
700
800
900
1000
0 200 400 600 800 1000 1200 1400
Tração [kN]
Tempo [s]
Série de Tração no Topo
Orcaflex
Situa-PROSIM
Figura 6-47– Elemento 5m – Passo de 0,10s – Simulação de 1400s
202
6.4.2.5. ESPECTROS DE FREQUÊNCIA FORÇA EFETIVA NO
TRACIONADOR
As figuras abaixo mostram os espectros de resposta da tração efetiva no
tracionador para tempos totais de simulação de 300s, 1400s e 10800s para os softwares
SITUA / PROSIM e ORCAFLEX.
Os espectros referentes ao tempo total de simulação de 300s (Figura 6-48 e
Figura 6-49) não apresentam a mesma energia comparada aos outros tempos de
simulação(1400s e 10800s). O baixo tempo de análise (300s) é insuficiente para
assegurar uma análise estatística de qualidade, razão pela qual se optou por apresentar
os parâmetros espectrais para 300s referentes à freqüência de corte de 0 a 2 rad/s. Pode-
se observar que a variância e o desvio padrão o maiores no ORCAFLEX do que no
SITUA-PROSIM, indicando que o primeiro apresenta uma maior energia de resposta.
Com base nos gráficos abaixo e nos resultados comentados acima, pode-se
afirmar que pequenos tempos de simulação são insuficientes para se realizar uma análise
estatística de qualidade, o que vem corroborar a recomendação das normas técnicas
vigentes em se realizar análises com duração equivalente a pelo menos 3horas de
simulação.
.
203
ESPECTRO DE FREQUÊNCIA - FORÇA EFETIVA
0
100
200
300
400
500
600
700
0 0.5 1 1.5 2
Frequência [rad/s]
Sp [w]
ORCAFLEX - 5m_0.05s_300s
ORCAFLEX - 5m_0.05s_1400s
ORCAFLEX - 5m_0.05s_10800s
Figura 6-48 – Força Efetiva no Domínio da Frequência no Tracionador (Software ORCAFLEX)
Item
ORCAFLEX – 5m_0.05s
300s 1400s
10800s
Variância 130.692 159.979
152.448
Desvio Padrão 11.432 12.648
12.347
Amplitude Significativa 22.864 25.296
24.694
204
ESPECTRO DE FREQUÊNCIA - FORÇA EFETIVA
0
100
200
300
400
500
600
700
0 0.5 1 1.5 2
Frequência [rad/s]
Sp [w]
SITUA-PROSIM - 5m_0.05s_300s
SITUA-PROSIM - 5m_0.05s_1400s
SITUA-PROSIM - 5m_0.05s_10800s
Figura 6-49 – Força Efetiva no Domínio da Frequência no Tracionador (Software Situa-PROSIM)
Item
Situa-PROSIM – 5m_0.05s
300s 1400s
10800s
Variância 41.474 184.770
152.451
Desvio Padrão 6.440 13.593
12.347
Amplitude Significativa - 27.186
24.694
205
7. CONCLUSÕES
7.1. COMENTÁRIOS FINAIS
As análise e comparações apresentadas no capítulo anterior mostraram que
softwares como SITUA/PROSIM, ORCAFLEX e PIPELAY podem ser considerados
adequados quanto a sua finalidade de efetuar análises de instalação de dutos
submarinos. Os resultados obtidos mostraram uma completa coerência, quer pela
comparação dos resultados obtidos frente ao OFFPIPE, software plenamente aceito pelo
mercado e exaustivamente testado, como pela comparação de resultados entre si.
Os resultados apresentados também mostraram coerência nos resultados quanto
à avaliação dos cenários apresentados, mostrando os resultados que se esperava dos
mesmos quanto a esforços e tensões máximas dos modelos S-Lay e J-Lay.
As análises paramétricas também se mostraram coerentes, indicando que o
refinamento de um parâmetro como o tamanho do elemento do MEF ou o passo de
simulação da análise leva a resultados mais confiáveis, não necessariamente mais
conservadores, enquanto que o incremento do tempo total de simulação pode este sim
produzir efeitos mais conservadores em função da real avaliação dos movimentos da
embarcação frente ao estado de mar representado pelo perfil de correnteza e o espectro
de ondas do mar irregular, indicando que períodos curtos de simulação não são
suficientes para reproduzir todo o comportamento da embarcação frente ao espectro de
ondas.
7.2. SUGESTÕES DE TRABALHOS FUTUROS
Tem sido escrito muito sobre a diferenciação entre análises acopladas,
desacopladas e mistas no que tange à interação entre embarcações com grande número
de risers como os mais recentes FPSOs encomendados pela PETROBRAS, onde os
risers interferem na ancoragem da própria embarcação, alterando o comportamento tanto
da embarcação quanto dos risers.
Muito pouco tem sido falado sobre o efeito que uma análise acoplada pode ter
sobre o projeto de instalação de um duto submarino, especialmente em águas rasas.
206
Um problema perante o qual os instaladores tem se deparado é em que
condições meteo-oceanográficas é possível lançar um duto em águas muito rasas onde a
rigidez do duto, especialmente a axial, interfere diretamente no lançamento devido à baixa
absorção dos movimentos, especialmente de surge, à flexão.
Nas análises desacopladas os movimentos da balsa de lançamento são
representados pelos RAOs, que são gerados sem a consideração da ancoragem. Esta
tem um papel preponderante sobre os movimentos da balsa, sendo plausível supor que
os resultados gerados nestas condições sejam extremamente conservadores, mesmo não
se considerando os movimentos de segunda ordem.
A falta de limites meteo-oceanográficos claros na instalação de dutos em águas
muito rasas, ou o que é pior, em função da definição de limites pífios tais como alturas de
onda significativas superiores a 50% de probabilidade de ocorrência, representando
grandes períodos de “stand-by”, o que é economicamente inaceitável, tem levado
instaladores a operarem às cegas, o que às vezes não permite tempo hábil para o
abandono de emergência do duto em função da “virada do tempo”, ou da adoção de
alternativas que tornam bem mais lenta a operação de lançamento em águas rasas como
o lançamento (pelo método S-Lay) em águas rasas abrindo o tracionador, o que significa
tração zero e o duto simplesmente apoiado no leito marinho e na balsa, evitando-se a
flexão excessiva do duto pela introdução de flutuadores que aumento a exposição do duto
a ações meteo-oceanográficas e permitindo um aumento da capacidade de lançamento
em estados de mar mais agressivos. Este tipo de medida não permite, no entanto, que se
viabilize a determinação de limites meteo-oceanográficos, especialmente alturas de onda
significativas com período de pico associado que sejam aceitáveis, gerando previsão de
períodos de “stand-by” econômicamente aceitáveis.
Uma proposta para trabalhos futuros seria a avaliação da instalação de dutos em
águas muito rasas considerando metodologia acoplada, especialmente aqueles com alta
rigidez tanto axial quanto à flexão. Este tipo de análise, embora gere um alto esforço
computacional, tem sido viabilizado pelo atual estágio da evolução da informática. Espera-
se com isto obter resultados bem menos conservadores e mais realistas do que os atuais,
indicando a necessidade da utilização de softwares que considerem este tipo de análise.
207
8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
[1] DnV OS F101/2001 – Submarine Pipeline Systems.
[2] http://pt.wikipedia.org/wiki/Equa%C3%A7%C3%B5es_de_Navier-Stokes,
[3] Notas de aula Prof. Breno Pinheiro Jacob – COPPE/UFRJ – 2007,
[4] Bathe, K-J., Finite Elemente Procedures, New Jersey – Prentice-Hall – 2007;
[5] Notas de aula do Prof. Marcos Queija de Siqueira – COPPE/UFRJ – 2007,
[6] D.M.Lawinscky S., B. P. Jacob e R.A.Bahiense, “Dynamic Relaxation Procedures for
the Definition of Initial Static Configuration of Flexible Lines”, Proceedings of the
XXVII Iberian Latin American Congress on Computational Methods in Engineering,
3
rd
-6
th
September 2006 – Belém, Pa – Brazil,
[7] A.L.Lima, F.N.Corrêa, B.P.Jacob, Avaliação de Metodologias de Análise de
Unidades Estacionárias de Produção de Petróleo Offshore”, Proceedings of the
XXVII Iberian Latin American Congress on Computational Methods in Engineering,
3
rd
-6
th
September 2006 – Belém, Pa – Brazil,
[8] D.M.Lawinscky S. e B. P. Jacob, Geração de Configurações Equilibradas de
Sistemas de Linhas Flexíveis Através de Métodos de Relaxação Dinâmica”,
Proceedings of the XXVII Iberian Latin American Congress on Computational
Methods in Engineering, 3
rd
-6
th
September 2006 – Belém, Pa – Brazil,
[9] DNV-RP-C205 – Environmental Conditions and Environmental Loads – 2007],
[10] API SPEC 5L – Specification for Linepipe – Forty-third Edition, March 2004,
[11] Vicente Gentil Corrosão, LTC, 5ª Edição – 2007
[12] Laerce de Paula Nunes Fundamentos de Resistência à Corrosão, Interciência,
Edição – 2007
[13] Aldo Cordeiro Dutra / Laerce de Paula Nunes Proteção Catódica Técnica de
Combate à Corrosão, Interciência, 4ª Edição – 2006
208
[14] ET-3000.00-1000-941-PPC-001_B Campos Basin Offshore Systems and Units
– Metocean Data,
[15] Corrêa F.N Ferramentas Computacionais para Análise Acoplada de Sistemas
Offshore. Tese de D. Sc, COPPE/UFRJ, Rio de Janeiro, Brasil, 2008.
[16] Senra, S.F. Metodologias de Análise e Projeto Integrado de Sistemas Flutuantes
para Explotação de Petróleo Offshore. Tese de D. Sc, COPPE/UFRJ, Rio de
Janeiro, Brasil, 2004.
[17] Jacob, B. P., Masetti, I Q. - PROSIM - Simulação Numérica Acoplada do
Comportamento de Unidades Ancoradas”, COPPETEC PETROBRAS Internal
Report, Rio de Janeiro, 1997.
[18] Da Siva, Danilo M. L. - Ferramentas Computacionais para Análise e Projeto de
Instalações de Dutos Submarinos. Tese de D. Sc, COPPE/UFRJ, Rio de Janeiro,
Brasil, 2009.
[19] Bahiense, R.A.,Implementação e Avaliação de uma Metodologia Fortemente
Acoplada para Análise de Sistemas Flutuantes Offshore. Dissertação de M. Sc,
COPPE/UFRJ, Rio de Janeiro, Brasil, 2007.
[20] DEEPC - Deep Water Coupled Floater Motion Analysis, Version 3.0 User
Manual, Det Norske Veritas, 2005.
[21] SIMO – Theory Manual, Version 3.4, Marintek, 2005.
[22] RIFLEX – Theory Manual, Version 3.4, Marintek, 2005.
[23] OFFPIPE – Users Guide, Version 2.05, Robert C. Malahy Jr, 1996.
[24] W.L. Wood, M. Bossak e O.C. Zienkiewicz, “An Alpha Modification of Newmark’s
Method”, International Journal for Numerical Methods in Engineering, vol 15 pp.
1562-1566, 1980.
209
[25] H.M. Hilber, T.J.R. Hughes e R.L. Taylor, “Improved Numerical Dissipation for Time
Integration Algorithms in Structural Dynamics”, Earthquake Engineering and Structural
Dynamics, vol. 5 pp. 283-292, 1977.
[26] H.M. Hilber e T.J.R. Hughes, “Collocation, Dissipation and Overshoot’ for Time
Integration Schemes in Structural Dynamics”, Earthquake Engineering and Structural
Dynamics, vol. 6 pp. 99-117, 1978.
[27] Hughes, T.J.R. , The Finite Element Method - Linear Static and Dynamic Finite Element
Analysis, Prentice-Hall, Englewood Cliffs, NJ, USA, 1987.
[28] D.D. Adams e W.L. Wood, “Comparison of Hilber- Hughes-Taylor and Bossak
α-methods
for the Numerical Integration of Vibration Equations”, International Journal for Numerical
Methods in Engineering, vol 19 n. 5 pp. 765-771, 1983.
[29] J. Chung G. M. Hulbert, “A Time lntegration Algorithm for Structural Dynamics
With Improved Numerical Dissipation: The Generalized-α Method”.
[30] Eames, M.C “Steady state theory of towing cables”. Trans. Of the Royal Inst. Of
Naval Architects. Vol. 10 – 1968.
[31] Sarpkaya, T. and Isaacson, M., “Mechanics of Wave Forces on Offshore
Structures”, Van Nostrand, Heinhold Company, New York, 1981.
[32] Ersdal, S. and Faltinsen, O.M., Normal Forces on cylinders in near-axial flow”,
Journal of Fluids and Structures No. 8, 2006.
210
9. APÊNDICES
A título de informação são apresentadas neste capítulo fotos adicionais de
embarcações lançadoras de dutos e componentes destas embarcações
9.1. S-LAY
Figura 9- 1 – Tracionador de Balsa S-Lay
211
Figura 9- 2 – Berço de Roletes
Figura 9- 3 – Duto Sobre a Rampa
212
9.2. J-LAY
Figura 9- 4 – Torre J-Lay – Movimentação do Tubo
213
Figura 9- 5 – Torre J-Lay - Carregando a Torre
214
Figura 9- 6 – Torre J-Lay - Soldando Tubos
215
9.3. REEL
Figura 9- 7 – Balsa Reel Lay - Carretel
216
Figura 9- 8 – Balsa Reel Lay - Carregando o Carretel
217
Figura 9- 9 – Balsa Reel Lay - Carregando o Carretel
Figura 9- 10 – Balsa Reel Lay - Carregando o Carretel – Visão Geral
218
Figura 9- 11 – Balsa Reel Lay – Carregando Carretel
219
Figura 9- 12 – Balsa Reel Lay – Carregando Carretel
Figura 9- 13 – Balsa Reel Lay – Carregando Carretel (Detalhe)
220
Figura 9- 14 – Balsa Reel Lay – Instalando Anodos
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