166
com que tipo de configuração de problema nos deparamos, ou seja, qual o
“montante de pistas, indicadores, sinais, sintomas e condições profissionais
que estão imediatamente disponíveis para quem avalia o problema e sobre os
quais trabalha para alcançar uma solução” (REASON J, 2003, p. 87). Reason
aponta três tipos de configurações de problemas: (i) configurações estáticas
[static configurations], nas quais as características do problema permanecem
fixas independentemente das ações daqueles que se debruçam para resolvê-
las, como por exemplo, a Lei de Responsabilidade Fiscal, no que diz respeito
ao montante de gastos possíveis; (ii) configurações de dinâmica reativa
[reactive-dynamic configurations], onde as configurações do problema mudam
como consequência direta das ações daqueles que intervêm; o que pode ser
observado na forma de enfrentamento de problemas cotidianos pelo gestor
hospitalar que varia segundo estilo pessoal, formação acadêmica e orientação
política; iii) configurações dinâmicas-múltiplas [multiple-dynamic configurations],
neste caso, as configurações do problema podem mudar tanto em função das
ações empreendidas por aqueles que buscam resolve-la, quanto paralelamente
a fatores situacionais ou do sistema que acontecem espontaneamente. Reason
chama atenção para uma importante distinção neste tipo de configuração, pois
ela pode ocorrer de tal modo que as variações do problema podem se originar
de fontes limitadas e conhecidas como no caso de um gestor de instituição
hospitalar pública cuja orientação política entra em conflito com a orientação
político-administrativa do Secretário de Saúde de seu município. Mas também
pode ser de natureza mais complexa, ao se originar de fontes muito diversas,
em que algumas delas são pouco conhecidas ou não são passíveis de serem
controlada, como ocorre com a premência de reestruturação do sistema de
navegação aéreo brasileiro após o acidente entre o avião de companhia
comercial aérea e a aeronave de pequeno porte.
O reconhecimento dessas diferenças requer estratégias diferenciadas e,
paralelamente, trazem à tona diferentes formas de patologias de solução de
problemas, ou seja, erros de raciocínio na solução dos problemas, que em
última instância geram enganos com base no conhecimento. Seleção
inapropriada de informação em função da tarefa, confiança excessiva na
avaliação da correção ou precisão do próprio conhecimento, simplificação na
relação de causa e efeito na análise do problema ocasionando subestimação
de irregularidades futuras, dentre outras, são algumas dessas patologias.
O sistema cognitivo como um todo tende, por ocasião da existência de
conflitos entre ações, atividades ou estruturas de conhecimento inespecíficas
(ou ainda não reconhecida dentro do sistema), selecionar apropriadamente
conforme o contexto, em favor das respostas que se apresentam em maior
frequência. A inespecificidade cognitiva [cognitive underspecification], conceito
introduzido pelo autor em função deste fenômeno, e que diz respeito às
operações cognitivas cujas características não são descritas ou delineadas de
forma rigorosa, minuciosa e precisa, dá origem a diversos tipos de erros.
Os erros provenientes da inespecificidade cognitiva se conformam
primariamente a partir de dois fatores: o de similaridade e o de frequência. Há
um processo de correção automática, em que estruturas de conhecimentos são
acionadas e o produto desta ação é levado para a consciência através de
pensamentos, imagens, palavras, e aí então para o ambiente do indivíduo
através das ações, falas ou gestos. Neste automatismo, há dois processos