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Para a realização das reformas urbanas foi necessário que o poder público contraísse
grandes empréstimos, junto a bancos nacionais e estrangeiros, a fim de angariar as quantias
necessárias para tal. Em consequência dos novos traçados urbanísticos dos planos de
melhoramentos houve a demolição de várias edificações que estavam localizadas nas vias que
seriam alargadas ou criadas.
Consequentemente, o impacto, em médio prazo, nestes “espaços reformados” foi a
valorização dos lotes urbanos e da área construída, proporcionando uma maior arrecadação de
impostos para a municipalidade, como também, ocasionando o afastamento das classes
populares para pontos periféricos da cidade, uma experiência pela qual a Paris de Haussmann
já havia passado na segunda metade do século XIX.
O contexto das mudanças socioculturais, políticas e econômicas no Rio Grande do Sul
e na capital gaúcha fomentaram, também, a construção civil da iniciativa privada com a
instalação de grandes empresas construtoras estrangeiras, como as alemãs Dyckerhoff &
Widmann S.A.
167
(1865); e a Gruen & Bilfinger
168
(1928); a nacional E. Kemnitz & Cia.
Ltda.
169
; e, principalmente, as locais, fundadas na década de 1920 como a Azevedo Moura &
Gertum
170
(1924); A. D. Aydos & Cia. Ltda.
171
(1927); Barcelos & Cia.
172
(1927); Dahne,
Conceição & Cia.
173
(1928); entre outras.
A modificação no panorama construtivo de Porto Alegre foi manchete na Revista do
Globo, destacando o papel da construção civil no processo de modernização da cidade. “[...]
As construções, como se sabe, tomam nesta capital [...] notável incremento, o que constitui
167
A Dyckerhoff & Widmann S.A. foi uma empresa alemã com filiais na América do Sul nas cidades do Rio de
Janeiro, Montevidéu, Buenos Aires e Santiago do Chile. Destacam-se entre suas obras o Viaduto Otávio
Rocha (1930), as Lojas Bromberg e a casa Johann Wihan (1930). Chegou ao continente no ano de 1911.
168
Multinacional alemã com sedes americanas em São Paulo e Buenos Aires, de onde, desta última, eram
administradas as obras executadas em Porto Alegre. A especialidade desta empresa eram as construções de
grande porte como pontes, estradas, túneis, usinas, pavimentações, entre outras.
169
Com matriz no Rio de Janeiro, a E. Kemnitz & Cia. Ltda. possuía filiais nas cidades de São Paulo, Santos,
Pelotas, Belo Horizonte e Ribeirão Preto, e, nos estados da Bahia e Recife. Suas obras variavam entre
fundações, silos, edifícios industriais, barragens, pontes, moinhos etc. Destacam-se a Ponte Internacional
Barão de Mauá (1927) em Jaguarão, o edifício Bier & Ulmann (1930), e o edifício Alcaraz (1930).
170
Fernando de Azevedo Moura e Oscar Gertum, dois engenheiros formados pela Escola de Engenharia de Porto
Alegre, fundaram a Azevedo Moura & Gertum, uma das maiores empresas construtoras da cidade,
responsável por edificações como o edifício Imperial (1929), o edifício Renner (1932), o edifício Guaspari
(1936).
171
A empresa A. D. Aydos & Cia. Ltda. foi fundada pelo engenheiro Alberto Aydos, também formado pela
Escola de Engenharia de Porto Alegre. Durante a sua existência, a A. D. Aydos & Cia. Ltda. contratou
profissionais como Fernando Corona, Adolf Siegert e Franz Filsinger.
172
A empresa construtora Barcelos & Cia. atuou em Porto Alegre entre os anos de 1930 a 1945. Monteiro Neto
atuou durante muitos anos nesta empresa sendo responsável pelo Departamento de Arquitetura, onde
desenvolveu as casas Manglio Agrifoglio (1931), Osvaldo Coufal (1931) e a Octávio de Souza (1933).
173
A Dahne, Conceição & Cia. foi fundada pelos engenheiros João de Abreu Dahne e Laurí Antunes Conceição,
formados pela Escola de Engenharia de Porto Alegre. Suas obras mais importantes foram o edifício Nunes
Dias (1939), o edifício do Clube do Comércio e as rodovias entre Porto Alegre e São Leopoldo, e Porto
Alegre a Gravataí e Osório, entre outras.