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nossas raízes e à nossa terra”
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. Esta afirmação de Josué Guimarães evidencia a
preocupação do escritor em se manter fiel ao seu público, mas também deixa claro,
como já constatou Lúcia Helena
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, que demonstra certo ressentimento do autor em
relação aos críticos. De fato, a fortuna crítica da obra de Josué Guimarães é
relativamente escassa. Além disso, incomodava ao autor serem-lhe atribuídos dois
rótulos: o primeiro, o de ser um “seguidor” ou mesmo o “substituto” de Erico Verissimo.
O segundo, era a fama de “escritor popular”, que, por ser reconhecido pelo público, não
seria digno de interesse da crítica especializada.
Assim como o autor de O tempo e o vento, Josué Guimarães
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escreveu sobre o
Rio Grande do Sul, sua história, sua gente, e considerava que o romancista deve ser,
antes de mais nada, um contador de histórias. Porém, uma leitura atenta das obras dos
dois escritores revela as diferenças de estilo e temática, para as quais o próprio
Guimarães já havia chamado a atenção em uma entrevista:
esse negócio de que eu sou o substituto do Erico Verissimo, isto é
bobagem. A pessoa morre, mas o escritor não, porque a sua obra fica.
Então eu não posso substituí-lo. A obra dele esta aí. Não posso ocupar o
lugar do Erico na literatura rio-grandense porque o lugar dele continua
ocupado. Minha temática é diferente da dele, ele tinha outro estilo, outro
enfoque da vida. “Ah, mas Os tambores silenciosos tem muito do Incidente
em Antares.” Não tem não. O que os críticos não perceberam é que eu
escrevo histórias que se passam no Rio Grande do Sul, nas mesmas
cidades que as do Erico. Então, realmente, não podem ser histórias muito
diferentes. O cenário é o mesmo, as pessoas são as mesmas, a localidade
é a mesma e os costumes também. Mas a maneira de enfocar é
completamente diferente. O Erico tinha um estilo clássico, acadêmico.
Escrevia bem, exatamente o que tinha de ser, com uma excelente técnica
de romance. O que eu quebro no meu linguajar de ação, pensamento,
diálogo misturado. Não é que eu queira ser diferente do Erico, até gostaria
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INSTITUTO ESTADUAL DO LIVRO. Josué Guimarães. Coleção Autores Gaúchos, p. 3.
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Cf. Lucia Helena. Josué Guimarães, o resgate da solidão. In: Remédios, Maria Luiza. (org) Josué
Guimarães: o autor e sua ficção. Porto Alegre: Editora da Universidade -UFRGS/EDIPUCRS,
1997.p. 38.
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Josué Marques Guimarães nasceu em São Jerônimo, no dia 7 de janeiro de 1921. Quando tinha
dois anos de idade, sua família transferiu-se para Rosário do Sul, onde o pai exercia as funções de
telegrafista e de pastor leigo da Igreja Episcopal. Na adolescência, Josué estudou em Porto Alegre,
no Ginásio Cruzeiro do Sul. Em 1940, partiu para o Rio de Janeiro, onde iniciou a carreira de
jornalista. De volta ao Rio Grande do Sul, trabalhou em diversos jornais, exercendo funções de
repórter, secretário de redação, colunista, editorialista. Em 1952, atuou como correspondente na
China e na União Soviética, experiência da qual surgiu o livro As muralhas de Jericó, que teve
publicação proibida. Nos anos 60, tornou-se diretor da Agência Nacional, como se chamava na época
o órgão de imprensa do governo. Com o golpe militar, foi obrigado a viver na clandestinidade em São
Paulo e em Santos, utilizando o nome falso de Samuel Ortiz e trabalhando como livreiro e vendedor
de montepios. Descoberto pelos órgãos de segurança, livrou-se de uma condenação, mas
posteriormente partiu para o exílio, indo viver em Portugal e na África. Foi nessa época que escreveu
Os tambores silenciosos. De volta ao Brasil, continuou publicando ficção e atuando no jornalismo.
Durante os anos 80, dirigiu a sucursal da Folha de São Paulo em Porto Alegre e dedicou-se a
escrever livros infanto-juvenis. Casou-se duas vezes e teve seis filhos. Faleceu de câncer em 23 de
março de 1986.