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O poder é uma forma de controle social, capaz de dirigir a conduta do grupo
ou de cada um dos seus membros. Pelo fato de estar nas duas pontas da
relação, como governante e como governado, o homem é ao mesmo tempo,
sujeito e objeto dessa relação de Poder. O governante, como detentor do
Poder, tem a possibilidade de impor uma determinada orientação
(significativa de sua vontade do grupo que ele representa), para compelir os
indivíduos a determinado processo de ação, ou a uma omissão (2000, p.60).
Aguiar (1984) afirma que existem diferentes tipos de poder: formal e
disciplinar. O poder formal está extremamente vinculado ao direito de ser
representante do Estado. Esse poder está conformado para exercer o poder legal na
sociedade. Já o poder disciplinar define e seleciona aquilo que se convenciona como
boa ou má conduta, comportamentos aprováveis ou não.
O poder por seu aparato normativo e repressivo tem meios para, através de
várias vias, implementar a aceitação de seus desígnios. Ele, sutilmente,
integra ou marginaliza, faz de cada homem que se encontre sob seu
domínio um integrado ou um marginal. [...] os que insurgem contra a
disciplina receberão contra si o tapa da mão pesada da sanção, os que não
forem aptos a se disciplinarem, pura e simplesmente, sofrerão a sanção da
não-participação da vida econômico-financeira dos que se encontram sob a
égide daquele poder (IDEM, p.69).
Foucault (1999), em seu curso “Na defesa da sociedade”, analisa a realidade
do poder como uma tríade entre: poder, verdade e direito; ou seja, o poder se
relaciona intimamente com a produção de verdades que influenciam o direito. Assim,
há um estado belicoso permanente, coagindo os indivíduos à busca de verdades, o
qual perpassa todas as relações sociais, tais como: a política, a educação, os
costumes. Há uma conjuntura de poderes que se sustenta em verdades propostas e
às vezes impostas pelos diversos grupos que lutam entre si. Diante de tudo isso,
Foucault diz que:
O poder não para de questionar, de nos questionar, não para de inquirir, de
registrar; ele institucionaliza a busca da verdade, ele, a profissionaliza, a
recompensa. Temos que produzir a verdade como, temos que produzir
riquezas, e temos que produzir a verdade para produzir riquezas. E, de
outro lado somos igualmente submetidos à verdade, no sentido do que a
verdade é a norma; é o discurso verdadeiro que, ao menos em parte,
decide; ele veicula, ele próprio propulsa efeitos de poder. Afinal de contas,
somos julgados, condenados, classificados, obrigados a tarefas, destinados
a uma certa maneira de viver ou a uma certa maneira de morrer, em função
de discursos verdadeiros, que trazem consigo efeitos específicos de poder.
Portanto: regras de direito, mecanismos de poder e poder dos discursos
verdadeiros (IDEM, p.29).