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são arquitetos do mundo inteiro, um cai fora, o outro volta”. Quando cheguei
em Paris, eu procurei ele, eu tinha o endereço desse arquiteto português, e ele
disse: “ih, você deu sorte, tem uma mesa, mas é lá no fundo, você quer
entra?”, eu digo: quero, “então vai uma manhã lá e se inscreve”. Eu fui, me
inscrevi, e fui chamado, apresentei um currículo e trabalhei lá durante 3 meses,
trabalhei no detalhamento de um palácio do Chamdigard, porque Le Corbusier
na época estava fazendo o projeto dos edifícios públicos da capital da Índia,
Chandigard. Ele parava na minha mesa: “você é brasileiro?” tudo em francês,
queria mais saber sobre o Brasil, não tanto a arquitetura, queria saber como
era o país, eu digo: lá é tudo grande professor, tudo muito grande, as
propriedades agrícolas são enormes, têm rebanhos de 30, 40 mil bovinos.
Ele já tinha vindo para o Brasil, não é?
Já tinha, mas conhecia só o RJ, ele se limitou a dar acessoria ao Ministério de
Educação e Saúde, um convite do Gustavo Capanema, que era ministro da
Educação e Saúde. Gustavo Capanema era um homem muito inteligente,
evoluído, já existia um projeto para o ministério em estilo, vamos dizer, eclético
(rs), teve um concurso que foi anulado, foi constituída uma equipe que eram
arquitetos brilhantes na época que era chefiada por Lúcio Costa, da qual fazia
parte o Oscar Niemeyer, Afonso Eduardo Reidy, que era excelente arquiteto.
Posso fazer um parêntesse? Em Paris, nós tínhamos um grupo que se reunia
no Café du flour que tinham vários brasileiros, o Ivo Pitanguy, um arquiteto da
equipe do MES, o Vanconcelos e ele me confidenciou que de todos os
arquitetos da equipe, o mais influente era o Afonso Eduardo Reidy, ele de certa
maneira era o chefe da equipe. Então, Le Corbusier nunca falava de
arquitetura, ele comparecia relativamente pouco no escritório, ele tinha muitos
acessores de caráter internacional. O ateliê era perto do meu hote, eu ia a pé
pra lá, era um porão enorme, dependia de iluminação artificial, tinha uma parte
que era o escritório do Le Corbusier. Nós tínhamos que comer fora, não tinha
nem cozinha, só tinha banheiro (rs). Eu encerrei esse detalhamento e resolvi
viajar, fiz ponto em Paris, levei o carro para uma cidade próxima, o
estacionamento era muito caro em Paris, deixei meu carro em Tour , daí segui
viagem com dois brasileiros que tinham alugado um carro pequeno, um
Renault, tinha motor atrás, viajei com eles, fui para Espanha, Suiça, Alemanha.
O senhor visitou alguma obra do Le Corbusier?
Sim, estavam terminnado a Unidade de Habitação de Marsellhia, por sinal eu
não gostei, os quartos eram muito pequenos, teto muito baixo, os móveis eram