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UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS
ESCOLA DE ENFERMAGEM
CRISTIANE RABELO LISBOA
RISCO PARA ÚLCERA POR PRESSÃO EM IDOSOS
INSTITUCIONALIZADOS
BELO HORIZONTE
2010
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CRISTIANE RABELO LISBOA
RISCO PARA ÚLCERA POR PRESSÃO EM IDOSOS
INSTITUCIONALIZADOS
Dissertação apresentada ao Programa de Pós-
Graduação em Enfermagem, nível Mestrado, da
Escola de Enfermagem da Universidade Federal
de Minas Gerais para obtenção do título de Mestre
em Enfermagem.
Linha de pesquisa: Cuidar em Saúde e na
Enfermagem
Orientadora: Profa. Dra. Tânia Couto Machado
Chianca
Co-Orientadora: Profa. Dra. Eline Lima Borges
BELO HORIZONTE
2010
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Universidade Federal de Minas Gerais
Reitor: Ronaldo Tadêu Pena
Vice-Reitora: Heloisa Maria Murgel Starling
Pró-Reitora de Pós-Graduação: Elizabeth Ribeiro da Silva
Escola de Enfermagem
Diretora: Marília Alves
Vice-Diretora: Andréa Gazzinelli Corrêa Oliveira
Departamento de Enfermagem Básica – ENB
Chefe: Aidê Ferreira Ferraz
Sub-Chefe: Ann Kristine Jansen
Colegiado de Pós-Graduação
Coordenadora: Cláudia Maria de Mattos Penna
Sub-Coordenadora: Tânia Couto Machado Chianca
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RESUMO
LISBOA, C. R. Risco para úlcera por pressão em idosos institucionalizados.
Belo Horizonte (MG), 2010. 121 p. Dissertação (Mestrado) - Escola de Enfermagem,
Universidade Federal de Minas Gerais.
A úlcera por pressão (UP), agravo importante encontrado na população idosa
institucionalizada, além de aumentar os gastos com os cuidados prestados, tem
repercussões relevantes em suas vidas, como o aumento na morbidade e diminuição da
qualidade de vida, podendo até levar à morte. Este estudo descritivo transversal e
correlacional teve como objetivo analisar os fatores de risco para o desenvolvimento de UP
apresentados por idosos institucionalizados. Foi desenvolvido com 97 idosos, com 60 anos
ou mais, residentes em duas instituições de longa permanência para idosos (ILPI) de uma
cidade do interior de Minas Gerais. Para a coleta de dados foram utilizados instrumentos
para identificação do idoso, com variáveis sócio-demográficas e condições clínicas; Escala
de Braden; Escala de Katz; Avaliação Nutricional Subjetiva Global e avaliação do nível
sérico de albumina, que foram aplicados pela pesquisadora e por três enfermeiras treinadas.
Os dados obtidos foram submetidos a análise descritiva e inferencial, utilizando os testes de
Kolmogorov-Smirnov, t de Student, qui-quadrado de Pearson, Teste Exato de Fisher e de
Mann Whitney. Buscou-se por associações entre incapacidade funcional, estado nutricional
e risco para o desenvolvimento de UP, a fim de estabelecer a predão de risco. Para avaliar
os fatores que contribuíram para a ocorrência de UP, utilizou-se o modelo de regressão
logística tendo a ocorrência de UP como variável resposta. A maioria dos idosos era do sexo
feminino (59%), com média de idade de 77 anos, analfabetos (55%), de cor ou raça branca
(67%), solteiros (63%), sem filhos (68%) e provenientes de domicílio próprio (49%).
Anteriormente, 30% moravam sozinhos e tinham dificuldades para realizar atividades de
vida diária (AVD), sendo este o motivo principal da institucionalização. Houve predomínio de
doenças cardiovasculares (72%), uso de neurolépticos ou psicotrópicos (80,4%) e anti-
hipertensivos (57,7%). A hipertensão arterial e diabetes estiveram presentes em 62% e 20%
dos idosos, respectivamente. O escore médio da escala de Braden foi de 19,24 pontos,
sendo que 36% dos idosos apresentaram risco para desenvolvimento de UP. Entre os
idosos, 77% possuíam alguma dependência para AVD, todos foram classificados como bem
nutridos e a maioria (88%) tinha nível rico de albumina normal. Observou-se que 10,3%
possuíam UP, com localizações frequentes na região sacral (45%) e trocantérica (19%).
Houve predomínio de UP em estágio IV (37%) e III (24%). o houve diferença
estatisticamente significativa (p>0,05) entre os indivíduos com ou sem UP nas variáveis
clínicas, uso de medicamentos e nas sócio-demográficas, exceto para grau de instrução.
Encontrou-se diferença estatisticamente significativa para as variáveis referentes às AVD e
subescalas de Braden (p<0,05) e na presença de nível sérico normal de albumina (p<0,002),
além de depleção leve (p<0,009). Houve alta correlação entre Categorias da Escala de Katz
e Pontuação da Escala de Braden (coeficiente de correlação = 0,839; p<0,05) e baixa
correlação entre subescala nutrição de Braden e vel sérico de albumina (coeficiente de
correlação = 0,277; p<0,05). Encontrou-se uma relação estatisticamente significativa entre
nível sérico de albumina, pontuação na escala de Braden e existência de UP. Este estudo
contribui para o conhecimento sobre os fatores de risco para UP em idosos
institucionalizados, mas outros devem ser realizados a fim de verificar a relação entre as
condições clínicas, psicossociais e o desenvolvimento de UP.
Palavras-chave: úlcera de pressão, fatores de risco, idoso, instituão de longa
permanência para idosos, enfermagem.
ABSTRACT
LISBOA, C. R. Risk for pressure ulcer in institutionalized elderly. Belo Horizonte
(MG), 2010. 121 p. Master’s Thesis College of Nursing, Federal University of
Minas Gerais.
Pressure ulcer (PU), an important health problem in the institutionalized elderly population,
does not only increase spending on care delivery, but also entails important repercussions
for their lives, such as increased morbidity and decreased quality of life, and may even lead
to death. This descriptive cross-sectional correlation study aimed to analyze the risk factors
for the development of PU among institutionalized elderly. Participants were 97 elderly, aged
60 years or older, who lived at two homes for the aged (HA) in an interior city in Minas
Gerais, Brazil. For data collection, the following were used: instruments to identify the elderly,
with sociodemographic variables and clinical conditions; Braden Scale; Katz Scale;
Subjective Global Nutritional Assessment and serum albumin level assessment, applied by
the researcher and three trained nurses. The collected data were submitted to descriptive
and inferential analysis, using Kolmogorov-Smirnov, Student’s t, Pearson’s chi-square,
Fisher’s Exact and Mann Whitney’s Test. The researcher looked for associations between
functional disability, nutritional status and risk for the development of PU, so as to establish
the risk prediction. To assess the factors that contributed to the occurrence of PU, the logistic
regression model was used, with PU occurrence as the response variable. Most elderly were
women (59%), with 77 years as the mean age, illiterate (55%), white (67%), single (63%),
without children (68%) and coming from their own home (49%). Before being
institutionalized, 30% lived alone and faced difficulties to perform activities of daily living
(ADLs), which was the main reason for the institutionalization. Cardiovascular diseases
predominated (72%), as well as the use of neuroleptics or psychotropics (80.4%) and
antihypertensives (57.7%). Arterial hypertension and diabetes were present in 62% and 20%
of the elderly, respectively. The mean score on the Braden scale was 19.24 points, and 36%
of the elderly presented risk for the development of PU. Among the elderly, 77% were
somewhat independent for ADLs, all were classified as well nourished and the majority
(88%) had normal serum albumin levels. It was observed that 10.3% had PU, frequently
located in the sacral (45%) and trochanter (19%) region. Stage IV (37%) and III (24%) PU
predominated. No statistically significant difference (p>0.05) was found between people with
or without PU in terms of clinical variables, medication use and with regard to
sociodemographic variables, except for instruction level. Statistically significant differences
were found for variables related to ADLs and Braden subscales (p<0.05) and in the presence
of normal serum albumin levels (p<0.002), besides mild depletion (p<0.009). High correlation
was found between the Katz Scale Categories and the Braden Scale Score (correlation
coefficient = 0.839; p<0.05) and low correlation between Braden’s nutrition subscale and
serum albumin level (correlation coefficient = 0.277; p<0.05). A statistically significant relation
was found between serum albumin level, Braden Scale Score and existence of PU. This
research contributes to knowledge on risk factors for PU in institutionalized elderly, but
further studies are needed to verify the relation between clinical and psychosocial conditions
and PU development.
Key words: pressure ulcer, risk factors, aged, homes for the aged, nursing.
RESUMEN
LISBOA, C. R. Riesgo para úlcera por presión en ancianos institucionalizados.
Belo Horizonte (MG), 2010. 121 h. Disertación (Maestría) - Escuela de Enfermería,
Universidad Federal de Minas Gerais.
La úlcera por presión (UP), agravio importante encontrado en la población anciana
institucionalizada, además de aumentar los gastos con los cuidados prestados, tiene
repercusiones relevantes en sus vidas, tales como el aumento en la morbilidad y
disminución de la calidad de vida, pudiendo inclusive llevar a la muerte. La finalidad de este
estudio descriptivo transversal y correlacional fue analizar los factores de riesgo para el
desarrollo de UP presentados por ancianos institucionalizados. Fue llevado a cabo con 97
ancianos, con edad de 60 años o más, residentes en dos hogares para ancianos (HA) de
una ciudad do interior de Minas Gerais. Para la recolecta de datos fueron utilizados
instrumentos para identificación del anciano, con variables socio-demográficas y condiciones
clínicas; Escala de Braden; Escala de Katz; Evaluación Nutricional Subjetiva Global y
evaluación del nivel de albúmina sérica, que fueron aplicados por la investigadora y por tres
enfermeras capacitadas. Los datos obtenidos fueron sometidos al análisis descriptivo e
inferencial, utilizando los testes de Kolmogorov-Smirnov, t de Student, qui-cuadrado de
Pearson, Teste Exacto de Fisher y de Mann Whitney. Fueron buscadas asociaciones entre
incapacidad funcional, estado nutricional y riesgo para el desarrollo de UP, a fin de
establecer la predicción de riesgo. Para evaluar los factores que contribuyeron a la
ocurrencia de UP, fue utilizado el modelo de regresión logística, con la ocurrencia de UP
como variable respuesta. La mayoría de los ancianos era del sexo femenino (59%), con
edad promedia de 77 años, analfabetos (55%), de color o raza blanca (67%), solteros (63%),
sin hijos (68%) y procedentes de domicilio propio (49%). Anteriormente, el 30% vivía solo y
tenía dificultades para realizar actividades de vida diaria (AVD), siendo este el motivo
principal de la institucionalización. Predominaron enfermedades cardiovasculares (72%), uso
de neurolépticos o psicotrópicos (80,4%) y anti-hipertensivos (57,7%). La hipertensión
arterial y diabetes estuvieron presentes en el 62% y 20% de los ancianos, respectivamente.
El score promedio de la escala de Braden fue de 19,24 puntos, siendo que el 36% de los
ancianos revelaron riesgo para desarrollo de UP. Entre los ancianos, el 77% poseía alguna
dependencia para AVD, todos fueron clasificados como bien nutridos y la mayoría (88%)
tenía nivel de albúmina sérica normal. Se observó que el 10,3% tenía UP, con localizaciones
frecuentes en la región sacra (45%) y trocantérica (19%). Predominaron UP en estadio IV
(37%) y III (24%). No fue encontrada diferencia estadísticamente significante (p>0,05) entre
los individuos con o sin UP en las variables clínicas, uso de medicamentos y en las socio-
demográficas, excepto para grado de instrucción. Fue encontrada diferencia
estadísticamente significativa para las variables referentes a las AVD y subescalas de
Braden (p<0,05) y en la presencia de nivel normal de albúmina sérica (p<0,002), además de
depleción leve (p<0,009). Fueron encontradas correlación alta entre Categorías de la Escala
de Katz y Puntuación de la Escala de Braden (coeficiente de correlación = 0,839; p<0,05) y
correlación baja entre subescala nutrición de Braden y nivel de albúmina sérica (coeficiente
de correlación = 0,277; p<0,05). Una relación estadísticamente significativa fue identificada
entre nivel de albúmina sérica, puntuación en la escala de Braden y existencia de UP. Este
estudio contribuye al conocimiento sobre los factores de riesgo para UP en ancianos
institucionalizados, pero otros son necesarios para verificar la relación entre las condiciones
clínicas, psicosociales y de desarrollo de UP.
Palabras-clave: úlcera por presión, factores de riesgo, anciano, hogares para ancianos,
enfermería.
LISTA DE TABELAS
TABELA 1: Demonstrativo dos dados sócio-demográficos, segundo ILPI. Itaúna, MG,
2009 (n=97)...............................................................................................................64
TABELA 2: Ocorrência de UP, segundo variáveis sócio-demográficas. Itaúna, MG,
2009 (n=97)...............................................................................................................69
TABELA 3: Ocorrência de UP, segundo variáveis clínicas. Itaúna, MG, 2009 (n=97)
..................................................................................................................................71
TABELA 4: Presença de UP, segundo tipos de medicamentos em uso. Itaúna, MG,
2009 (n=97)...............................................................................................................72
TABELA 5: Ocorrência de UP, segundo nível de independência para realização das
atividades de vida diária. Itaúna, MG, 2009 (n=97)...................................................73
TABELA 6: Ocorrência de UP, segundo a avaliação de independência funcional pelo
Índice de Katz. Itaúna, MG, 2009 (n=97)...................................................................74
TABELA 7: Presença de UP, segundo a classificação de risco pela Escala de
Braden, Itaúna, MG, 2009 (n=97)..............................................................................75
TABELA 8: Associação entre as subescalas de Braden e a presença de UP. Itaúna,
MG, 2009 (n=97) .......................................................................................................76
TABELA 9: Associação entre o nível sérico de albumina, a classificação pela ANSG
e a presença de UP. Itaúna, MG, 2009 (n=97)..........................................................77
TABELA 10: Regressão linear tendo a escala de Katz como explicação para a
pontuação na escala de Braden. Itaúna, MG, 2009 (n=97).......................................78
TABELA 11: Análise de regressão logística univariada para a avaliação das variáveis
possivelmente preditoras para o desenvolvimento de úlcera por preso. Itaúna, MG,
2009 (n=97)...............................................................................................................81
TABELA 12: Análise de regressão logística multivariada das varveis uso de
neurolépticos ou psicotrópicos, dosagem de albumina e pontuação na escala de
Braden. Itaúna, MG, 2009 (n=97)..............................................................................82
LISTA DE GRÁFICOS
GRÁFICO 1: Localização das Úlceras por Pressão por região corporal. Itaúna, MG,
2009 (n=10)...............................................................................................................67
GRÁFICO 2: Estadiamento das Úlceras por Pressão. Itaúna, MG, 2009 (n=10)......68
GRÁFICO 3: Nível sérico de albumina conforme as categorias da subescala nutrição
de Braden. Itaúna, MG, 2009 (n=97)........................................................................79
LISTA DE FIGURAS
FIGURA 1: Suspeita de Lesão Tissular Profunda (Fonte: NPUAP, 2009b)...............33
FIGURA 2: Úlceras por Pressão em Estágio I (Fonte:NPUAP, 2009b).....................33
FIGURA 3: Úlceras por Pressão em Estágio II (Fonte: NPUAP, 2009b)...................34
FIGURA 4: Úlceras por Pressão em Estágio III (Fonte: NPUAP, 2009b)..................35
FIGURA 5: Úlceras por Pressão em Estágio IV (Fonte: NPUAP, 2009b)..................36
FIGURA 6: Úlceras por Pressão que não podem ser classificadas (Fonte: NPUAP,
2009b) .......................................................................................................................36
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................15
2 OBJETIVOS .......................................................................................................23
2.1 Objetivo Geral...............................................................................................23
2.2 Objetivos Específicos ...................................................................................23
3 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ..........................................................................25
3.1 Envelhecimento e Úlcera por Pressão..........................................................25
3.2 Avaliação de Risco para Úlcera por Pressão................................................38
3.2.1 Escala de Braden.................................................................................39
3.3 Envelhecimento, Estado Nutricional e Úlcera por Pressão...........................41
3.3.1 Avaliação Nutricional Subjetiva Global.................................................43
3.3.2 Dosagem de Albumina .........................................................................45
3.4 Envelhecimento e Capacidade Funcional.....................................................46
3.4.1 Avaliação Funcional pela Escala de Katz.............................................48
4 METODOLOGIA.................................................................................................52
4.1 Tipo de Estudo..............................................................................................52
4.2 Local e Período do Estudo............................................................................52
4.3 População e Amostra ...................................................................................54
4.4 Instrumentos para a Coleta de Dados ..........................................................55
4.5 Procedimentos para a Coleta de Dados.......................................................56
4.5.1 Treinamento dos observadores............................................................56
4.5.2 Validação dos observadores................................................................57
4.6 Questões Éticas............................................................................................59
4.7 Procedimentos de Tratamento e Análise dos Dados....................................60
4.7.1 Consisncia do Banco de Dados ........................................................60
4.7.2 Prevalência...........................................................................................61
4.7.3 Análise Descritiva e Inferencial ............................................................61
5 RESULTADOS ...................................................................................................63
5.1 Caracterização Sócio-Demográfica dos Idosos, segundo ILPI.....................63
5.2 Prevalência das Úlceras por Pressão...........................................................67
5.3 Associação entre Variáveis Sócio-Demográficas, Clínicas e Úlcera por
Pressão..................................................................................................................68
5.4 Associação entre Nível de Independência para Realização das Atividades de
Vida Diária e o Desenvolvimento de Úlcera por Pressão.......................................72
5.5 Avaliação do Risco e Desenvolvimento de Úlcera por Pressão ...................74
5.6 Associação entre Avaliação Nutricional e Desenvolvimento de Úlcera por
Pressão..................................................................................................................77
5.7 Análise de Correlação entre a Avaliação pelas Escalas de Katz e Braden ..78
5.8 Análise de Correlação entre o Nível de Albumina e a Subescala Nutrição da
Escala de Braden...................................................................................................79
5.9 Análise dos Fatores Preditivos para o Desenvolvimento de Úlcera por
Pressão..................................................................................................................80
6 DISCUSSÃO DOS RESULTADOS.....................................................................83
7 CONCLUSÕES ..................................................................................................97
8 CONSIDERAÇÕES FINAIS..............................................................................103
9 REFERÊNCIAS................................................................................................106
10 ANEXOS E APÊNDICES............................................................................113
15
1 INTRODUÇÃO
O envelhecimento populacional é uma realidade na maioria das
sociedades atuais, decorrente de mudanças ocorridas em alguns indicadores de
saúde, especialmente queda da fecundidade e mortalidade, que aliadas aos
avanços tecnológicos e científicos, têm possibilitado um aumento da expectativa de
vida (MOREIRA, 1997; SCHARFSTEIN, 2006; BRASIL, 2002a). Este é considerado
um femeno mundial, que em nosso país vem ocorrendo de maneira bastante
acelerada (BRASIL, 2002a; BRASIL, 2002b; MOREIRA, 1997). É definido como o
aumento na fração da população idosa em uma dimensão tal que, de forma
sustentada, amplia a sua participação relativa no total da população (MOREIRA,
1997).
Entende-se por idoso o indivíduo com idade igual ou superior a 60 anos,
de acordo com a definição apresentada pela Política Nacional do Idoso, Lei 8.842,
de 04 de janeiro de 1994 e do Estatuto do Idoso, Lei 10.741, de 1º de outubro de
2003 (BRASIL, 1994; BRASIL, 2006). A Organização Mundial da Saúde (OMS)
define idoso como aquele com 60 anos ou mais nos países em desenvolvimento,
aumentando para 65 anos de idade quando se trata de países desenvolvidos
(BRASIL, 2002a).
Estima-se que em 2050 o número de pessoas idosas no mundo poderá
chegar a dois bilhões. Os números atuais mostram que uma em cada dez pessoas
tem 60 anos de idade ou mais e, para 2050, a relação será, em média, de uma para
cinco em todo o mundo, sendo que nos países desenvolvidos a relação será de uma
16
para três. A projeção do mero de idosos com 100 anos ou mais de idade no ano
2050 é de 2,2 milhões (BRASIL, 2002b).
Atualmente em nosso país, estima-se existir uma população idosa de
cerca de 17,6 milhões de pessoas (BRASIL, 2006a), que corresponde a 8,6% da
população total (BRASIL, 2002b). Destaca-se que a maior concentração de idosos
(10,7%) encontra-se no estado do Rio de Janeiro (BRASIL, 2002b). Para o ano de
2025, projetou-se que existirão no Brasil 32 a 33 milhões de idosos (DUARTE,
2001).
No Brasil, as mulheres vivem em média oito anos a mais que os homens.
Em 1991, as mulheres correspondiam a 54% da população de idosos, passando
para 55,1% em 2000. A diferença de expectativa de vida entre os sexos é um
fenômeno mundial e, no Brasil, é bastante intenso (BRASIL, 2002b).
O Censo realizado em 2000 constatou que 8,9 milhões (62,4%) de idosos
eram responsáveis financeiramente pelos domicílios. Grande parte desses idosos
(64,7%) morava com ou sem cônjuge, mas com filhos, outros parentes, ou com
ambos na mesma casa, sendo que 37,6% eram do sexo feminino, e a idade média
encontrada foi de 69,4 anos (70,2 anos quando o responsável era do sexo feminino
e 68,9 anos do sexo masculino). Os domicílios que possuíam apenas um morador
perfaziam 17,9% do total, sendo que 67% eram constitdos por mulheres. Quando
a idosa era a responsável pelo domicílio, a forma de organização familiar mais
frequente era sem o cônjuge (93,3%), porque, nestes casos, provavelmente a
mulher estava viúva (BRASIL, 2002a).
Com o desemprego, o declínio da renda média e a instabilidade crônica
da economia brasileira observados nas últimas décadas, o idoso passou a contribuir
com grande parte da renda familiar, ou até mesmo a ser responsável pela renda
17
total. Com um rendimento médio de R$ 657,00, o idoso ocupa, cada vez mais, um
papel importante na economia da sociedade brasileira (BRASIL, 2002a). O seu
rendimento é proveniente de aposentadoria e, às vezes, é acrescido de salário. O
idoso no mercado de trabalho, mesmo aposentado é outra realidade brasileira. As
principais fontes de renda dos idosos responsáveis pelo domicílio são aposentadoria
e pensão, entretanto, 36% do total de rendimento é proveniente do trabalho do idoso
(BRASIL, 2002a).
Os idosos que desfrutam de boas condições de sde e financeiras não
trazem preocupações para a família e tampouco para a sociedade. São bons
consumidores, além de ajudarem os seus familiares. Entretanto, quando ficam
doentes e dependentes, demandando gastos financeiros com doenças e cuidados,
passam a interferir na vida dos familiares, tornando-se uma fonte de preocupação.
Na atualidade, um dos desafios enfrentados pelos idosos é a
discriminação e a desvalorização. Conforme Scharfstein (2006, p.45) “os velhos
perderam o status social de indivíduos, decorrente das perdas de papéis sociais,
transformando-se em um peso para a família e para o Estado”.
No contexto social onde se insere a nova configuração da família, o ritmo
de vida imposto pelo mundo capitalista e as dificuldades de ordem financeira da
maioria das famílias brasileiras, têm gerado obstáculos para a manutenção do idoso
em seu lar. Além disso, a geração que hoje é responsável por assistir aos mais
velhos, sobretudo as mulheres, não está mais tão disponível para a prestação dos
cuidados como antes.
Sendo assim, em decorrência da intensificão do processo de
envelhecimento populacional somada à diminuição gradativa da capacidade da
família em prestar os cuidados necessários aos seus membros mais idosos, parece
18
ocorrer o aumento na demanda das pessoas por instituição de longa permanência
para idosos (ILPI), anteriormente denominada asilo. Este termo foi substituído devido
ao seu significado pejorativo, por se referir às casas que se destinavam aos pobres e
excluídos (SCHARFSTEIN, 2006).
A maioria dos idosos independentes permanece junto à sua família, e
quando a demanda por cuidados é mais intensa e sobrecarrega os familiares, o
mesmo, algumas vezes, é institucionalizado. Parece que a maioria das famílias
assiste os idosos pelo maior período de tempo e tão bem quanto possível. Quando
ocorre a institucionalização, os familiares alegam ter chegado ao limite de sua
capacidade de cuidar de seus parentes idosos (BRASIL, 2006a).
A demanda por cuidados advém das várias alterações fisiológicas que
ocorrem com a senescência, com velocidades variáveis e mais ou menos
acentuadas, de acordo com as características pessoais. A principal alteração é a
diminuição progressiva na capacidade funcional (DUARTE, 2001), definida como
competência para executar atividades que lhes permitem cuidar de si próprios e
viver independentemente em seus meios (COSTA e MONEGO, 2003).
O idoso pode apresentar, progressivamente, várias alterações orgânicas e
fisiológicas, alterações sensoriais, psíquicas, sociais, cognitivas, comportamentais e
funcionais. Uma das limitações mais preocupantes para familiares e cuidadores está
relacionada à disfunção cognitiva e sensorial, pois resulta em dependência e perda
de autonomia (COSTA e MONEGO, 2003).
O idoso, na maioria das vezes, é institucionalizado em condição de
grande fragilidade. A fragilização no processo de envelhecimento se constitui em
uma síndrome de origem multidimensional envolvendo um conjunto de fatores
biológicos, psicológicos e sociais, que levam o idoso à um estado maior de
19
vulnerabilidade e ao maior risco de declínio funcional, quedas, hospitalização e
morte (BRASIL, 2007).
Outro problema relevante que pode advir de várias alterações decorrentes
do envelhecimento, que é foco deste trabalho, é a úlcera por pressão (UP).
Indivíduos com mais de 65 anos possuem alto risco para o desenvolvimento de UP
(WOCN, 2003). A prevalência dessas úlceras aumenta com a idade, sendo que 50 a
70% se desenvolvem em pessoas acima de 70 anos (GOMES e MAGALHÃES,
2008). Muitos idosos podem se encontrar na condição de imóvel, confinado à cama
ou cadeira de rodas, com comprometimento da percepção sensorial, incontinentes,
além de apresentarem outras características que os tornam mais susceptíveis ao
desenvolvimento de UP.
Conforme o Estatuto do Idoso (Brasil, 2006), as entidades devem manter
no seu quadro de pessoal profissionais com formação específica, porém, mesmo os
idosos demandando cuidados de enfermagem, sabe-se que algumas instituições de
longa permanência para idosos não contam com profissionais enfermeiros em seu
quadro de pessoal. Além disso, o existe plano de intervenções visando a
prevenção de UP nestas instituições.
O enfermeiro, em conjunto com a equipe de enfermagem e outros
profissionais que prestam assistência a essa população, m a responsabilidade de
implementar medidas preventivas, a fim de diminuir a incidência deste agravo, assim
como contribuir para a melhoria da qualidade de vida desses idosos.
Para o incremento na qualidade de vida de idosos institucionalizados
acredita-se que diversos fatores devem ser monitorados, entre eles a capacidade
funcional, na maioria das vezes deficiente. Esses idosos podem apresentar
20
capacidade funcional bastante prejudicada e risco para desenvolver UP,
apresentando-se bastante vulneráveis à formação dessas lesões.
No entanto, não se conhece a quantificação do risco para o
desenvolvimento de UP, nem a correlação existente entre este risco e a capacidade
funcional apresentada por esses idosos.
Diante das alterações que ocorrem em consequência do processo
fisiológico de envelhecimento, do potencial de risco do idoso para desenvolver UP,
da importância da detecção dos fatores de risco e da necessidade de se
implementar medidas preventivas deste agravo nas populações de idosos
institucionalizados, formulou-se as seguintes questões: Qual é o risco para o
desenvolvimento de UP da população idosa de instituições de longa permanência?
Quais são os fatores de risco mais relevantes apresentados por esta população?
Qual é a associação entre a capacidade funcional, estado nutricional e o risco para o
desenvolvimento de UP apresentada pelos idosos institucionalizados?
O interesse por este trabalho surgiu, primeiramente, por observar que os
idosos institucionalizados apresentam, progressivamente, um déficit significativo da
capacidade funcional e relevante incidência de UP. No entanto, não se conhece a
quantificação do risco para o desenvolvimento de UP, nem a correlação existente
entre este risco e a capacidade funcional apresentada por esses idosos.
Além disso, são conhecidas algumas instituições de longa permanência
do interior de Minas Gerais que não contam com enfermeiros próprios e não
trabalham com plano de intervenções que visem a prevenção de UP. Apesar da
existência de órgãos de fiscalizão atuantes, como os conselhos de classe,
Conselhos do Idoso, Ministério blico, Vigilância Sanitária e outros, muitas vezes
as instituições não conseguem cumprir as recomendações de forma integral,
21
alegando dificuldades financeiras. No entanto, para oferecer uma atenção
adequada, segura, ética e com qualidade ao idoso, faz-se necessária a efetivação
de políticasblicas que atendam às reais necessidades desta população.
A identificação dos fatores e classificação de risco propiciarão o
estabelecimento de recomendações e a alocação de recursos de uma forma mais
precisa, a fim de contribuir para o planejamento e implementação de ações voltadas
à prevenção desse agravo. Identificar os indivíduos com necessidades de medidas
preventivas e reconhecer os fatores específicos que os colocam em risco, fornece
subsídios para a análise e determinação das intervenções mais apropriadas (WOCN,
2003). É imprescindível a capacitação dos profissionais de enfermagem para o
cuidado com o idoso e a implementação de políticas públicas que garantam a
alocação de recursos.
Assim, pode-se oferecer uma melhor assisncia ao idoso, tendo em
vista, sobretudo, a manutenção da integridade da pele, promoção de saúde e
favorecendo uma melhor qualidade de vida a essa população.
Pesquisar sobre os fatores de risco para o desenvolvimento de UP em
idosos é de grande valor para os profissionais de enfermagem, pois visa contribuir
no aprimoramento de seus conhecimentos acerca do tema e contribuir para avanços
voltados para a prevenção de UP.
Este estudo é relevante para as instituições onde foi realizado, sobretudo
para os idosos residentes, pois fornecerá informações para os profissionais, para
que possam prestar uma assistência de melhor qualidade. Foi disponibilizado aos
profissionais das instituições, durante o período em que foi realizado o estudo,
informações importantes sobre úlcera por pressão, nutrição e cuidados gerais com
idosos. Foram ministradas aulas e fornecidas orientações direcionadas ao cuidado
22
individual e coletivo dos idosos. Além disso, ao caracterizar essa população, o
estudo fornecesubsídio para a alocação de recursos e profissionais importantes
para uma melhor assistência. Ressalta-se que, após o início do estudo, uma das
instituições, reconhecendo as características de seus idosos e a importância desses
profissionais na assistência dada a eles, incluiu médico e enfermeiro ao seu quadro
de pessoal.
Os resultados obtidos neste estudo tamm fornecerão informações que
servio para subsidiar novos estudos, como fonte para novas investigações sobre o
tema, agregando, assim, conhecimento científico. Vale ressaltar ainda a importância
da realização de pesquisas sobre fatores de risco para UP na população idosa,
sobretudo institucionalizada, uma vez que os estudos encontrados são escassos e
apresentam baixo nível de evidência científica (LISBOA, 2008).
23
2 OBJETIVOS
2.1 OBJETIVO GERAL
- Analisar os fatores de risco para UP apresentados pelos idosos que residem em
instituições de longa permanência de um município de Minas Gerais.
2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS
- Descrever as características sócio-demográficas e clínicas dos idosos
institucionalizados;
- Identificar o escore de risco para UP, o nível de independência funcional e o
estado nutricional apresentado por esses idosos;
- Estabelecer a prevalência de úlceras por pressão nesta população;
- Relacionar variáveis sócio-demográficas, clínicas, classificação de risco para o
desenvolvimento de UP, nível de independência e avaliação nutricional com a
presença ou não de UP;
24
- Determinar a associação estatística existente entre o nível de independência
funcional, avaliado pela escala de Katz, e o risco de desenvolvimento de UP,
determinado pela escala de Braden;
- Determinar a associação estatística existente entre a subescala nutrição da
escala de Braden, a avaliação nutricional subjetiva global e o nível sérico de
albumina;
- Determinar os fatores preditivos para o desenvolvimento de UP apresentado por
esta população.
25
3 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
3.1 ENVELHECIMENTO E ÚLCERA POR PRESSÃO
Conceituar envelhecimento é algo bastante complexo à medida que
envolve vários fatores que se interagem. “Existem vários conceitos de
envelhecimento, variando de acordo com a vio social, econômica e principalmente
com a independência e qualidade de vida do idoso” (SESMG, 2006, p.14).
A Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), define envelhecimento
como:
Um processo sequencial, individual, acumulativo,
irreversível, universal, não patológico, de deterioração de um
organismo maduro, próprio a todos os membros de uma espécie, de
maneira que o tempo o torne menos capaz de fazer frente ao
estresse do meio-ambiente e, portanto, aumente sua possibilidade de
morte (BRASIL, 2006a, p.8).
O envelhecimento “é o conjunto de alterações estruturais e funcionais do
organismo que se acumulam progressiva e especificamente com a idade” (SESMG,
2006, p.15). O organismo envelhecido pode apresentar dificuldades em manter o
equilíbrio homeostático quando submetido a situações de sobrecarga funcional, o
que poderá levá-lo a desenvolver processos patológicos. É importante que se faça a
distinção entre sinais e sintomas próprios da senescência com processos
patológicos passíveis de tratamento, cura, ou ambos (DUARTE, 2001). Alguns erros
devem ser evitados na abordagem da pessoa idosa. Um deles é considerar que
todas as alterações que ocorrem no idoso sejam decorrentes do envelhecimento,
26
impedindo a detecção e tratamento de certas patologias. Outro erro é tratar o
envelhecimento natural como doença, buscando, a partir de sinais e sintomas
explicados pela senescência, realizar exames e tratamentos desnecessários
(BRASIL, 2007).
Assim, observa-se que o envelhecimento é um processo dinâmico e
progressivo, no qual ocorre modificações morfológicas, fisiológicas, bioquímicas e
psicológicas com o indivíduo, que determinam a perda progressiva da capacidade
de se adaptar e manter-se em equilíbrio com o meio, aumentando sua
vulnerabilidade e sua predisposição a desenvolver processos patológicos. É
importante considerar que as manifestações relacionadas aos fatores cronológico e
biológico, trazem consequências em todas as dimensões da vida e da saúde do
idoso.
As alterações biofisiológicas observadas no processo de envelhecimento
ocorrem em todo o organismo. Nas alterações orgânicas têm-se a diminuição da
água corporal total (correspondendo a 70% do peso na criança e 52% no idoso),
distribuição mais centrípeta da gordura e diminuição de peso e estatura (DUARTE,
2001). A diminuição do componente drico (15%-20%), associado ao aumento da
gordura corporal (20%-40%) poderá influenciar na alteração da absorção,
metabolização e excreção de drogas. Outra alteração importante é a redução de
albumina, que altera o transporte de drogas no sangue (SESMG, 2006).
Ocorrem também alterações morfológicas, principalmente no tórax,
crânio, nariz e orelhas (DUARTE, 2001).
As alterações que ocorrem nos olhos, ouvidos, boca e nariz interferem em
suas funcionalidades, diminuindo apetite, sede, audição e acuidade visual. Observa-
27
se tamm, como comprometimento dos sentidos, a diminuição da percepção
dolorosa e térmica (DUARTE, 2001).
No sistema músculo-esquelético ocorre diminuição da massa corporal, da
força, do tônus e da velocidade de contração muscular, levando a uma lentificação
de movimentos. Ocorre aumento da base de sustentação, provocando alteração da
marcha, e diminuição dos movimentos dos braços. A diminuição da massa óssea,
que ocorre principalmente nas mulheres após a menopausa, leva à osteoporose e
aumenta a predisposição a fraturas e deformações das vértebras (DUARTE, 2001).
No sistema respiratório ocorre diminuição na capacidade vital e na
expansibilidade pulmonar, e aumento do volume residual. No sistema cardiovascular
comprometimento do músculo e das válvulas cardíacas, com diminuição da força
de contração e do débito cardíaco; aumento na rigidez das paredes dos vasos,
somada ao aumento na espessura e diminuição da luz (DUARTE, 2001).
As alterações no sistema renal e urinário compreendem a diminuição no
número de néfrons, além de outras alterações que diminuem a filtração glomerular e
tubular, reduzindo o filtrado plasmático e lentificando a excreção de metabólitos.
Devido a essas alterações, em condições de sobrecarga, pode haver
comprometimento na função renal. Com o envelhecimento, diminui a produção de
hormônios sexuais, que repercute sobre os órgãos do aparelho genital, o que pode
aumentar, assim, a ocorrência de infecções, obstrução das vias urinárias,
incontinência urinária e transtornos nas relações sexuais (DUARTE, 2001).
No sistema gastrointestinal ocorre diminuição na motilidade intestinal e na
capacidade digestiva; diminuição no tônus muscular do esfíncter interno do intestino
grosso, o que pode levar à incontincia anal; entre outras alterações (DUARTE,
2001).
28
Além de apresentar diminuição na capacidade digestiva, o idoso tamm
apresenta modificações fisiológicas que interferem no apetite, consumo e absorção
de nutrientes (MAGNONI et al, 2005).
Alterações neuromusculares, desregulação do sistema neuroendócrino e
disfunção do sistema imunológico são as principais mudanças relacionadas à idade
subjacentes à ndrome de fragilidade, caracterizada pela diminuição da reserva
energética e pela resistência reduzida a estressores. A fragilidade causa
vulnerabilidade às condições diversas, por ocorrer dificuldades na manutenção da
homeostase naquelas situações de maior exposição às perturbações e variações na
condição de saúde (BRASIL, 2007).
Com relação às alterações que ocorrem na pele, pode-se citar:
lentificação da renovação epidérmica; adelgaçamento da derme; diminuição da
elasticidade, com surgimento de rugas; diminuição da lubrificação devido à redução
no número de glândulas sebáceas; ressecamento devido à redução no número de
glândulas sudoríparas; diminuição do tecido subcutâneo; as células de pigmentação
tornam-se hipertrofiadas (manchas senis), ocorrendo também despigmentação e
palidez (DUARTE, 2001).
A pele começa a apresentar sinais de involução por volta dos 40 anos, e
com o avançar da idade, principalmente após 65 anos, as alterações estruturais,
numéricas e funcionais nas estruturas e células da pele tornam-se mais aceleradas
(BORGES et al, 2008).
A espessura da epiderme é reduzida, retificam-se os cones
epiteliais, diminui o número de fibroblastos, modificam-se as fibras
colágenas, elásticas e reticulares, decresce a quantidade de
mucopolissacárides e água.(...) Ocorre também uma redução no
número e na luz dos vasos sanguíneos(...). Há diminuição do número
e volume das terminações nervosas (...) glândulas écrinas e
apócrinas, que atrofiam, e glândulas sebáceas, que hipertrofiam, mas
tornam-se hipofuncionantes (BORGES et al, 2008, p.46).
29
Assim, o idoso apresenta redução da vascularização, perda na
elasticidade da pele, dificuldade de ajuste às variações térmicas do meio ambiente,
diminuição da sensibilidade, sequidão da pele e perda de gordura. Com a diminuição
de tecido subcutâneo e de massa muscular, ocorre maior exposição das
proeminências ósseas e diminuição na capacidade do tecido de distribuir pressão
(GOMES e MAGALHÃES, 2008).
O envelhecimento desencadeia a perda da massa corpórea, a diminuição
do nível de albumina sérica, a redução da resposta inflamatória, da coesão entre a
epiderme e a derme. O idoso, geralmente, convive com outros agravos, como
fraturas, acidente vascular cerebral e infecções respiratórias (BERGSTROM et al,
1994). Observa-se que todas estas alterações predispõem os idosos a desenvolver
UP.
A UP constitui um sério problema de saúde que traz várias implicações
na vida daquele indivíduo que a possui, de seus familiares e da instituição onde se
encontra, quando este está institucionalizado. É fonte de dor, desconforto,
sofrimento emocional, aumento do risco para o desenvolvimento de outras
complicações, influenciando na morbidade e mortalidade do idoso, além do
considerável aumento de custos financeiros.
As úlceras por pressão são conhecidas séculos. Durante muitos anos,
estudiosos consideraram a lesão como consequência puramente de um cuidado de
enfermagem deficiente, o que acarretou culpabilizão e responsabilizão do
enfermeiro por essas lesões, o que tamm interferiu na realização de pesquisas
sobre a incidência desse agravo. Atualmente, evidências científicas têm mostrado
que as úlceras são causadas por rios fatores, e não são de responsabilidade
apenas da equipe de enfermagem (RABEH, 2001).
30
Quando a UP é decorrente de ão ou omissão da equipe de
enfermagem, pode ser considerada iatrogenia. Na legislação é vista como lesão
corporal leve, desde que não deixe sequela nem incapacidades por mais de 30 dias
(RABEH, 2001).
O custo para se tratar uma UP é maior do que a sua prevenção,
principalmente no que se refere aos aspectos psíquicos e sociais relacionados ao
sofrimento dos pacientes e de seus familiares.
A discussão sobre a causalidade, fisiopatogenia e a responsabilidade
para a prevenção de UP, principalmente em grupos considerados mais vulneráveis,
como aqueles em condições críticas e crônicas, em cuidados paliativos e os idosos
institucionalizados, mostram que o fenômeno UP ultrapassa o cuidado de
enfermagem, embora este seja fundamental na prevenção destas lesões (SOUZA,
2005).
A UP é uma lesão localizada, de pele e/ou tecidos moles, geralmente
sobre uma proeminência óssea, como resultado de pressão, ou pressão em
combinação com frião e cisalhamento (NPUAP, 2007).
A UP é resultante da diminuição do aporte sanguíneo, provocando uma
trombose capilar, desnutrindo a região que foi comprimida, devido a uma diminuição
na oferta de nutrientes e oxigênio, levando a uma isquemia, anóxia tecidual e
necrose (GIARETTA, 2002). É provocada pela pressão que ocorre quando um tecido
mole é comprimido entre uma proeminência óssea e uma superfície dura por um
período prolongado de tempo, resultando numa área localizada de necrose celular
(WOCN, 2003).
31
A necrose ocorre quando a pressão aplicada à pele, em um determinado
tempo, é maior que a pressão capilar normal, considerada como 35 mmHg para
arteríolas e 10 mmHg para vênulas (GUYTON e HALL, 2002)
O desenvolvimento de UP é ocasionado por vários fatores. A pressão
capilar é o maior deles, sendo esta influenciada pela intensidade e duração da
pressão, e tolerância do tecido para suportar a pressão. Alguns termos incorretos
o frequentemente usados para este agravo, como úlceras de decúbito, escara e
escara de decúbito. Por ser a pressão o principal agente para a sua formão,
recomenda-se a adoção do termo úlcera por preso (AHCPR, 1992).
Vários fatores foram identificados como responsáveis pela redução da
tolerância da pele à pressão. Eles podem ser agrupados em fatores intrínsecos e
extrínsecos. No grupo de fatores extrínsecos podem ser citados a exposição da pele
à fricção, o cisalhamento e a umidade; no grupo de fatores intrínsecos, encontra-se
qualquer fator fisiológico que adversamente afete a arquitetura e a integridade da
estrutura de suporte da pele diminuindo a capacidade dos tecidos moles de absorver
e distribuir a carga mecânica e, assim, tolerar a pressão, como a desnutrição, o
envelhecimento e a baixa pressão arteriolar (WOCN, 2003). Muitos pacientes idosos
apresentam tanto os fatores intrínsecos quanto os extrínsecos, o que contribui para
aumentar o risco desta clientela de desenvolver UP.
As UP ocorrem, frequentemente, em áreas de proeminências ósseas. Os
locais de pressão, mais comuns para o desenvolvimento da lesão, são as regiões
sacras, ísquios, trocânteres, calcâneos, maléolos, região occipital, dorso do e
região patelar. Cerca de 60% das UP se desenvolvem na região da proeminência
sacral e 15% em ísquio, trocânter maior e calcanhares (GOMES e MAGALHÃES,
2008). Essas áreas são mais acometidas por UP porque são áreas em que o peso
32
do corpo da pessoa mais se concentra durante o repouso prolongado. No entanto,
outras áreas do corpo que sofram excesso de pressão, poderão desenvolver UP,
como glúteos, por exemplo (NPUAP, 2009a).
Os tecidos tegumentares, musculares e até ósseos podem ser
comprometidos. A classificação das úlceras por pressão é feita conforme a
profundidade de comprometimento tecidual (CALIRI, 2001).
Em 2007, o National Pressure Ulcer Advisory Panel (NPUAP) atualizou a
descrição dos estágios, observando-se mudança na descrição das lesões em
estágio I e II e a inclusão da suspeita de lesão tissular profunda:
A suspeita de lesão tissular profunda (FIGURA 1) envolve a
identificação de uma área localizada de pele intacta, de coloração púrpura ou
castanha ou bolha sanguinolenta, devido a dano no tecido mole, decorrente de
pressão e ou cisalhamento. A área pode ser precedida por um tecido que se
apresenta dolorido, endurecido, amolecido, esponjoso e mais quente ou frio
comparativamente ao tecido adjacente. Este tipo de lesão pode ser de difícil
detecção em indivíduos com pele de tonalidade escura. A evolução pode incluir uma
fina bolha sobre o leito escurecido da ferida. A lesão pode evoluir e ficar coberta por
uma fina escara. Sua evolução pode ser pida com exposição de camadas
tissulares adicionais mesmo com tratamento adequado (NPUAP, 2007).
33
FIGURA 1: Suspeita de Lesão Tissular Profunda (Fonte: NPUAP, 2009b)
A UP em estágio I (FIGURA 2) é caracterizada por pele intacta com
presença de hiperemia de uma área localizada que não embranquece após remoção
da pressão, geralmente sobre proeminência óssea. A UP neste estágio em pessoas
de pele escura, sua cor pode diferir da pele ao redor, podendo não apresentar
embranquecimento visível. A área pode apresentar-se dolorosa, endurecida,
amolecida, mais quente ou mais fria comparando-se com os tecidos adjacentes.
Feridas em estágio I podem ser de difícil detecção em pessoas de pele com
tonalidades escuras. Pode indicar pessoas “em risco”, sendo, então, um sinal
precursor de risco (NPUAP, 2007).
FIGURA 2: Úlceras por Pressão em Estágio I (Fonte:NPUAP, 2009b)
34
Estágio II (FIGURA 3) é quando ocorre a perda parcial da pele
envolvendo epiderme, derme ou ambas. Apresenta-se como úlcera superficial com o
leito de coloração rosada, sem esfacelo. Pode apresentar-se ainda como uma bolha
preenchida com exsudado seroso, intacta ou aberta, isto é, rompida. Apresenta-se
como uma úlcera superficial brilhante ou seca sem esfacelo ou arroxeamento
(aspecto de equimose). Se tiver esfacelo ou arroxeamento do tecido indicará
suspeita de lesão tissular profunda. Este aspecto não deve ser usado para
descrever skin tears, abrasões por adesivos, dermatite perineal, maceração ou
escoriação (NPUAP, 2007).
FIGURA 3: Úlceras por Pressão em Estágio II (Fonte: NPUAP, 2009b)
No estágio III (FIGURA 4) ocorre a perda de pele na sua espessura total
envolvendo danos ou necrose do tecido subcutâneo. Pode apresentar
aprofundamento, porém músculos, tendões ou ósseos o são comprometidos.
Esfacelo pode estar presente sem prejudicar a identificão da profundidade da
perda tissular. Pode incluir descolamentos e túneis. A profundidade da UP em
estágio III varia conforme a localização anatômica. A asa do nariz, orelha, as regiões
35
occipital e maleolar não possuem tecido subcutâneo e, portanto, as úlceras podem
ser rasas neste estágio. Entretanto, áreas com quantidade significativa de tecido
adiposo podem desenvolver UP em esgio III bastante profundas (NPUAP, 2007).
FIGURA 4: Úlceras por Pressão em Estágio III (Fonte: NPUAP, 2009b)
O estágio IV (FIGURA 5) envolve a perda de pele na sua espessura total
com destruição extensa, danificando músculos, ossos, ou outras estruturas de
suporte como tendões ou articulações. Pode haver presença de esfacelo ou escara
em algumas partes do leito da ferida. Frequentemente, inclui descolamento e neis.
A profundidade da UP em estágio IV tamm varia conforme a localização
anatômica. A exposição de osso ou tendão é visível ou diretamente palpável
(NPUAP, 2007).
36
FIGURA 5: Úlceras por Pressão em Estágio IV (Fonte: NPUAP, 2009b)
FIGURA 6: Úlceras por Pressão que não podem ser classificadas (Fonte:
NPUAP, 2009b)
As úlceras com perda total de tecido, na qual a base é coberta por
esfacelo (amarelo, marrom, cinza, esverdeado ou castanho) ou escara (marrom,
castanha ou negra) no leito da lesão são úlceras que não podem ser classificadas
(FIGURA 6). A classificação pode ocorrer após o desbridamento das lesões,
possibilitando a exposição da base da ferida a fim de identificar a profundidade do
dano tecidual. Escara estável (seca, aderente, intacta, sem eritema ou flutuação) nos
37
calcâneos serve como “cobertura natural (biológica) corporal”, e não deve ser
removida (NPUAP, 2007).
Uma vez que a úlcera é estadiada, o seu estadiamento é mantido até sua
cicatrização, não podendo ser classificada em ordem reversa à medida que diminui a
profundidade. A cicatrização ocorrerá às custas de tecido de granulação, por
segunda intenção, e sua avaliação deve ser feita pela mensuração de sua dimensão
(GOMES e MAGALHÃES, 2008).
Os vários estudos sobre UP tem trazido muitos avanços tecnológicos nos
últimos 20 anos, colaborando para o desenvolvimento de diferentes tipos de
coberturas e sistemas de suporte e de superfície para abolição e redução da
pressão, além de outros dispositivos que visem a diminuão da ocorrência destas
lesões (SOUZA, 2005).
A avaliação global do indivíduo é fundamental na administração do
cuidado relacionado a UP, tendo como objetivos fundamentais a identificação dos
indivíduos em risco para o desenvolvimento de UP e o início precoce de programas
de prevenção; implementar planos de cuidados apropriados que contenham
estratégias para manter a integridade da pele, prevenir complicações e envolver o
paciente e o cuidador no auto-cuidado; e implementar estratégias efetivas na
prevenção e tratamento de UP (WOCN, 2003).
Para a prevenção de úlceras por pressão, recomenda-se a avaliação do
risco do paciente para UP na admissão em qualquer serviço de saúde e a
reavaliação periódica; a inspeção da pele diariamente e proteção contra excesso de
umidade, ressecamento, fricção e cisalhamento; tratamento precoce ao detectar
anormalidades; uso de superfícies de suporte e alívio da carga mecânica para
minimizar os efeitos do excesso de pressão causado pela imobilidade; avaliação
38
nutricional e promoção de uma alimentação hiperproteica e hipercalórica; e a
educação de profissionais de sde, pacientes, familiares e cuidadores sobre as
causas, os fatores de risco e maneiras de se minimizar os riscos (WOCN, 2003).
3.2 AVALIAÇÃO DE RISCO PARA ÚLCERA POR PRESSÃO
Identificar as pessoas em risco e conhecer os fatores de risco para o
desenvolvimento de UP permitem aos profissionais a implementação de medidas
preventivas desse agravo. Para isso, vários instrumentos têm sido desenvolvidos,
como as Escalas de Norton, Gosnell, Waterlow, Braden e a Braden Q score
(adaptada para a população pediátrica) utilizadas para identificar os fatores
preditivos e quantificar o risco para desenvolver UP (COSTA, 2003). Estes
instrumentos permitem identificar os indivíduos com necessidades de medidas
preventivas e reconhecer os fatores específicos que os colocam em risco, dando
subsídios para a análise e determinação das intervenções mais apropriadas
(AHCPR, 1992).
A avaliação de risco deve ser feita na entrada do indivíduo ao serviço e
repetida em períodos regulares ou quando houver mudança importante no estado
clínico do paciente. Aqueles que vivem em instituições de longa permanência devem
ser avaliados semanalmente durante as quatro primeiras semanas, depois a cada
três meses, e sempre que a condição do residente mudar ou piorar (WOCN, 2003).
Dentre os instrumentos de avaliação de risco para o desenvolvimento de
UP, as escalas de Braden e Norton são as mais estudadas (WOCN, 2003), sendo
39
que a escala de Braden, compreendida neste estudo, é a mais utilizada entre os
americanos (HESS, 2002).
3.2.1 Escala de Braden
A escala de Braden, desenvolvida por Bergstrom et al, em 1987, teve
como objetivo direcionar as ações de enfermagem na prevenção de UP e diminuir a
incidência destas lesões (SERPA, 2006). Foi traduzida e validada no Brasil por
Paranhos e Santos (1999), em um estudo com pacientes internados em um Centro
de Terapia Intensiva. As autoras identificaram na primeira avaliação uma
sensibilidade de 81% e especificidade de 52%; na terceira avaliação a sensibilidade
foi de 89% e a especificidade de 80% (PARANHOS e SANTOS, 1999).
As autoras Braden e Bergstrom (1987) se basearam nos fatores causais
da UP: a pressão capilar, que é influenciada pela intensidade e duração da pressão
e tolerância do tecido para suportar a pressão. A escala é composta por seis
parâmetros ou subescalas: percepção sensorial, umidade, atividade, mobilidade,
nutrição, fricção e cisalhamento (WOCN, 2003). Dos seis parâmetros, três medem
determinantes clínicos de exposição a pressão percepção sensorial, atividade e
mobilidade; e três mensuram a tolerância do tecido à pressão umidade, nutrição,
fricção e cisalhamento (GOMES e MAGALHÃES, 2008). Cada parâmetro é
acompanhado de um título e cada nível, de um conceito descritor chave e uma ou
duas frases descrevendo ou qualificando os atributos a serem avaliados.
O parâmetro percepção sensorial avalia a habilidade de responder
significativamente à pressão relacionada com o desconforto (RABEH, 2001), que
40
pode ser totalmente limitado, muito limitado, levemente limitado e ter nenhuma
limitação. Quando se tem alteração da percepção sensorial, não se tem o desejo de
mudar de posição, o que aumenta o risco para UP.
O parâmetro umidade avalia o grau ao qual a pele está exposta à
umidade. Esta umidade pode ser promovida pela incontinência anal ou urinária,
perspirão, resíduos de alimentos ou exsudação de feridas (RABEH, 2001). A pele
pode estar completamente molhada, muito molhada, ocasionalmente molhada e
raramente molhada.
O parâmetro atividade avalia o grau de atividade física fora do leito, tendo
como categorias: acamado, confinado à cadeira, anda ocasionalmente e anda
frequentemente.
A mobilidade é a habilidade de mudar e controlar as posições do corpo,
aliviando a pressão por meio de movimentos, podendo ser totalmente ivel,
bastante limitado, levemente limitado e não apresenta limitações. A mobilidade é um
dos fatores de risco mais relevantes na formação de UP, estando, tamm,
relacionado ao bem-estar físico e psíquico do indivíduo (COSTA, 2003).
Com relação ao estado nutricional, se avalia o padrão usual de ingestão
alimentar (RABEH, 2001), que pode ser muito pobre, provavelmente inadequado,
adequado e excelente.
o parâmetro que avalia a predisposição a fricção e cisalhamento, tem
como categorias: problema, problema em potencial e nenhum problema.
As primeiras cinco subescalas, de acordo com a escala de Braden, são
pontuadas de 1 (menos favorável) a 4 (mais favorável); a sexta subescala, fricção e
cisalhamento, é pontuada de 1 a 3. A pontuação total pode variar de 6 a 23. A
contagem de menor mero de pontos, na Escala de Braden, indica que o indivíduo
41
tem alto risco para desenvolver a UP. Pacientes com um valor de 15 a 18 pontos,
o considerados em risco; de 13 a 14, risco moderado; de 10 a 12, alto risco; e de 9
ou menos pontos, risco muito elevado (WOCN, 2003).
Serpa (2006) afirma querios estudos concluíram que a Escala de
Braden tem elevados níveis de sensibilidade e especificidade, e ser um ótimo
preditor para as UP. Embora se saiba da evidente importância da escala de Braden
para predizer o risco para o desenvolvimento de UP, o estudo de Serpa (2006),
realizado com 170 pacientes, em duas instituições privadas de São Paulo, mostrou
que a subescala Nutrição sozinha, que avalia ingestão alimentar, é frágil para
predizer o risco para desenvolver UP.
3.3 ENVELHECIMENTO, ESTADO NUTRICIONAL E ÚLCERA POR PRESSÃO
A nutrição é um importante fator envolvido na causa de úlceras por
pressão e o comprometimento do estado nutricional pode ter influência sobre as
taxas de morbidade e mortalidade. “Os distúrbios nutricionais são comuns entre os
idosos e o estado nutricional representa tanto um fator de risco como um marcador
de doenças (SESMG, 2006, p.33).
Os indicadores antropométricos e os indicadores nutricionais bioquímicos
não se alteram com o envelhecimento. Sendo assim, o processo de envelhecimento
não tem consequências importantes sobre o estado nutricional. O estado nutricional
do idoso recebe influência de hábitos alimentares, doenças crônicas, uso de
medicamentos, alterações no apetite, olfato, paladar, mastigação, deglutição e,
42
tamm, na autonomia para realizar refeições e a percepção sensorial (SESMG,
2006).
No estudo que foi realizado no Brasil, por Souza (2005), com objetivo de
analisar os fatores de risco para o desenvolvimento de UP em idosos
institucionalizados, utilizando a Escala de Braden, o fator nutrição muito pobre ou
inadequada esteve presente em 51,3% dos idosos acometidos pelo agravo.
Para uma avaliação completa do estado nutricional é importante a
inclusão de antropometria, avaliação de padrões alimentares e a ingestão de energia
e nutrientes, complementados com alguns parâmetros bioquímicos e indicadores de
independência funcional e atividade física (SESMG, 2006).
A avaliação do estado nutricional do idoso é de grande importância para
identificar os idosos desnutridos ou em risco aumentado de complicações
relacionadas ao estado nutricional. Porém, a literatura não dispõe de padrão-ouro
para diagnóstico das desordens nutricionais (ACUÑA e CRUZ, 2004). O estudo de
PAULA et al (2007) tamm conclui que não um consenso sobre qual seria o
melhor método para a avaliação nutricional da população geriátrica. Mas, a maioria
dos autores considera como padrão-ouro as medidas antropométricas e exames
laboratoriais (linfócitos totais, albumina, colesterol sérico, hemoglobina e transferrina)
(ACUÑA e CRUZ, 2004 e PAULA et al, 2007). Muitas vezes, observa-se que estes
métodos tornam-se invveis na prática clínica em geriatria, em decorrência das
limitações físicas apresentadas pelos idosos, como tamm financeiras,
apresentadas pelo sistema de saúde. Assim, os métodos subjetivos se tornam
instrumentos úteis na detecção de risco nutricional na população idosa (PAULA et al,
2007).
43
Também não uma medida ou combinação de medidas de avaliação
nutricional que possam predizer, com acurácia, o risco para desenvolvimento de UP
(WOCN, 2003).
Vários instrumentos foram desenvolvidos para avaliar o estado nutricional
de idosos, dentre eles merece destaque a Miniavaliação Nutricional (MAN), que
engloba antropometria, avaliação dietética, avaliação clínica global e autopercepção
de saúde e estado nutricional (ACUÑA e CRUZ, 2004).
A Avaliação Subjetiva Global (ASG) tem sido utilizada na população
geriátrica, sendo considerada um instrumento útil na avaliação do estado nutricional
em idosos (ACUÑA e CRUZ, 2004).
3.3.1 Avaliação Nutricional Subjetiva Global
Um método de avaliação clínica, padronizado por Detsky et al (1987),
denominado Avaliação Nutricional Subjetiva Global (ANSG), desenvolvida para ser
aplicada a pacientes cirúrgicos, tem sido utilizado em diversas situações clínicas
(MAGNONI, CUKIER e OLIVEIRA, 2005). É um método baseado na história cnica e
no exame físico, que considera não apenas alterações da composição corporal, mas
tamm alterações funcionais do paciente. Tem como objetivo identificar pacientes
de alto risco de complicações por seu estado nutricional. É considerado um método
simples, de baixo custo, realizável à beira do leito e em pouco tempo (SILVA, 2006).
Este instrumento avalia a perda de peso corpóreo, gordura e massa
muscular, além das mudanças na ingeso alimentar.
44
Um estudo realizado em São Paulo com 106 pacientes hospitalizados,
com o objetivo de analisar a Avaliação Nutricional Subjetiva Global para o
diagnóstico de desnutrição em pacientes cardiopatas, identificou maior número de
pacientes desnutridos utilizando a ANSG do que os métodos tradicionais de
avaliação nutricional (YAMAUT et al, 2006).
Em outro estudo brasileiro, que tinha como objetivo analisar a eficácia e a
praticidade da ANSG para diagnosticar o estado nutricional de pacientes idosos,
encontrou-se redução entre moderada e grave de reserva adiposa em 83% dos
pacientes ao utilizar avaliação antropométrica, e 91,5% ao utilizar ANSG, e perda de
massa magra em 70% pela antropometria e 87% pela ANSG (CORDEIRO e
MOREIRA, 2003).
A ANSG é aplicada utilizando anamnese e exame físico. Cada categoria
do instrumento ANSG é pontuado com os valores de 0 a 3 pontos. As categorias
alteração no peso corpóreo (se > 10% = 2 e se < 10% = 1), dieta, sintomas
gastrointestinais, capacidade funcionalsica evel de estresse relacionado ao
diagnóstico são avaliadas utilizando anamnese. As categorias perda de gordura
subcutânea (tríceps, rax), perda de músculo estriado, edema sacral, edema no
tornozelo e ascite, são avaliadas, utilizando exame físico, como: 0 = normal, 1 = leve
ou moderadamente depletado e 2 = gravemente depletado. Em cada item, serão
somadas a pontuação de cada categoria e, no final, se obtém a soma total.
Conforme a ANSG, os indivíduos serão classificados de acordo com a
pontuação: < 17 pontos = bem nutrido; 17 22 pontos = desnutrido moderado, > 22
pontos = desnutrido grave.
Um estudo de revisão sistemática de literatura na Medline, com o objetivo
de revisar o uso da avaliação nutricional subjetiva em outras situações clínicas e
45
estudos de intervenção, sugere a complementação da ANSG com outras cnicas de
avaliação nutricional, uma vez que o método o possui sensibilidade adequada
para identificar pequenas variações no estado nutricional (SILVA, 2002).
3.3.2 Dosagem de Albumina
A albumina é a proteína mais abundante do plasma e dos líquidos
extracelulares e tem importância preponderante na determinação da pressão
colóido-osmótica do plasma, exercendo função de proteína de transporte (cálcio,
ácidos graxos de cadeia longa, medicamentos, dentre outros). É uma das proteínas
sérica mais frequentemente utilizadas para determinação do estado nutricional e
está fortemente relacionada com aumentos na morbidade, cicatrização deficiente de
feridas e da mortalidade (ACUÑA e CRUZ, 2004).
A concentração sérica de albumina depende de muitos fatores, como a
síntese hepática; perdas anormais de albumina (doença renal, eclâmpsia,
enteropatia perdedora de proteína e queimaduras); catabolismo aumentado
(estresse, hipermetabolismo, síndrome de Cushing e algumas neoplasias); trocas
entre os compartimentos, que são alteradas em situações patológicas, com
sequestro para o extravascular (trauma, infecção) e volume de distribuição, afetado
pelo estado de hidratação (ACUÑA E CRUZ, 2004).
São classificados como de baixo risco nutricional aqueles indivíduos com
vel sérico de albumina de 2,8 a 3,5 mg/dl, como de risco moderado aqueles que
têm entre 2,1 e 2,7 mg/dl e como em alto risco nutricional os que apresentam níveis
menores que 2,1 mg/dl (WOCN, 2003).
46
O baixo nível de albumina causa alterações da pressão oncótica e,
consequentemente, edema, o que compromete a difusão de oxigênio e nutrientes
nos tecidos, predispondo a hixia e morte celular (WOCN, 2003).
No estudo que mostrou que a subescala Nutrição da Escala de Braden
sozinha é frágil para predizer o risco para desenvolver UP, verificou-se que a
albumina, a avaliação nutricional subjetiva global e a idade foram variáveis
preditoras para o desenvolvimento de UP. Este estudo mostrou também que a
albumina é um dos parâmetros mais importantes na predição de risco para UP
(SERPA, 2006).
3.4 ENVELHECIMENTO E CAPACIDADE FUNCIONAL
Os idosos têm maior risco para desenvolver depressão e demência
(COSTA e MONEGO, 2003). As funções intelectuais mais atingidas são a memória,
o tempo de reação e a percepção, comprometendo a capacidade de interação e
adaptação com o meio (DUARTE, 2001).
À medida que o ser humano envelhece, muitas tarefas do dia a dia,
consideradas simples e de cil execução, de forma imperceptível e progressiva vão
tornando-se cada vez mais difíceis de serem realizadas, até que o indivíduo percebe
que já depende de outra pessoa para executá-las (ARAÚJO E CEOLIM, 2007).
Uma das limitações mais preocupantes para familiares e cuidadores es
relacionada à disfunção cognitiva e sensorial, pois resulta em dependência e perda
de autonomia (COSTA e MONEGO, 2003).
47
A dependência é definida como a incapacidade de realizar uma ou mais
atividades da vida diária (AVD), sem auxílio. É definida em graus, leve, moderada e
avançada” (SESMG, 2006, p.16). A independência e autonomia nas AVD estão
relacionadas ao funcionamento integrado de quatro grandes funções: cognição,
humor, mobilidade e comunicação. Quando estas funções são comprometidas direta
ou indiretamente, de forma isolada ou associada, em consequência de uma ou mais
doenças, podem comprometer as AVD (SESMG, 2006).
É sabido que o envelhecimento aumenta o risco de doenças crônicas
não-transmissíveis, que podem afetar a funcionalidade das pessoas, levando-as a
uma situação de dependência para o desempenho de AVD como banhar-se, vestir-
se, alimentar-se, transferir-se da cama para a cadeira, usar o sanitário e manter a
continência urinária, anal, ou ambas. Assim, requerem cuidados pessoais em tempo
integral. Essa dependência tende a aumentar cerca de 5% na faixa etária de 60
anos para cerca de 50% entre os com 90 ou mais anos (BRASIL, 2007).
Defini-se capacidade funcional como a “manutenção plena das
habilidades físicas e mentais desenvolvidas ao longo da vida, necessárias e
suficientes para uma vida com independência e autonomia” (SESMG, 2006, p.16).
Ressalta-se que a expressão capacidade funcional é universal, sendo assim, a
equivalência conceitual es estabelecida (LINO et al, 2008).
Para se medir a capacidade funcional, utiliza-se instrumentos
padronizados que avaliam o desempenho do idoso nas atividades da vida diária e
nas atividades instrumentais da vida diária (LINO et al, 2008). A capacidade
funcional é considerada um indicador de saúde dos idosos e a dependência um sinal
de falência da habilidade física, psicológica ou social, causada por doença, por uso
48
de medicamentos, por trauma ou pelo processo contínuo do envelhecimento
(SESMG, 2006).
Um dos instrumentos mais antigos e mais citados na literatura nacional e
internacional para avaliação da capacidade funcional é o Índice de Independência
em Atividade da Vida Diária (EIAVD) (DUARTE, ANDRADE e LEBRÃO 2007).
3.4.1 Avaliação Funcional pela Escala de Katz
Este instrumento foi desenvolvido por Sidney Katz e sua equipe,
publicado pela primeira vez em 1963, para a avaliação dos resultados de
tratamentos em idosos e predizer o prognóstico nos doentes cnicos (LINO et al,
2008). A escala de Katz se propõe medir a autonomia dos indivíduos, considerando
os aspectos físicos para a realização de AVD (FAUSTINO, 2008).
No Brasil, a tradução livre da Escala de Katz vinha sendo amplamente
utilizada antes de ter sido realizada a adaptação transcultural, “passo imprescindível
antes de se conduzir um estudo e aplicar seus resultados” (LINO et al, p.104, 2008).
Utilizava-se o instrumento de diferentes formas, em especial no que se refere à
classificação da dependência/independência e das atividades envolvidas, o que
dificulta uniformização de conceitos e a comparabilidade dos estudos (DUARTE,
ANDRADE E LEBRÃO, 2007).
Em 2008 foi publicada por Lino e colaboradores a adaptação transcultural
para o português da Escala de Independência em Atividades da Vida Diária (Escala
de Katz). Neste estudo, foram feitas duas traduções e duas retrotraduções que
analisaram as equivalências conceituais, de itens e semântica para a escolha da
49
versão final. Um estudo piloto avaliou a equivancia operacional, testando-se a
confiabilidade e a consistência interna da versão adaptada por meio de reteste no
mesmo dia em 156 pacientes, ou após sete dias da primeira entrevista. A
concordância corrigida para o acaso (Kappa ponderado) foi de 0,91 e o alfa de
Chronbach variou de 0,80 a 0,92 (LINO et al, 2008), o que mostra que o instrumento
tem grau de validade, confiabilidade e consistência interna desejáveis.
Os autores consideraram que a versão final da Escala de Katz é cil de
se entender e de aplicar e é equivalente à original em inglês. Os itens apresentaram
consistência interna e as taxas foram confiáveis (LINO et al, 2008).
Este é um instrumento de medida das atividades de vida diária
hierarquicamente relacionadas e organizado para mensurar independência no
desempenho de seis funções consideradas básicas e biopsicossocialmente
integradas: banhar-se, vestir-se, ir ao banheiro, transferir-se da cama para a cadeira
e vice-versa, ser continente e alimentar-se (DUARTE, ANDRADE E LEBRÃO, 2007).
Cada função possui três alternativas categorizadas como independente ou
dependente (LINO et al, 2008).
A função tomar banho avalia a capacidade do idoso de banhar-se sem
ajuda, seja no chuveiro, na banheira ou no leito. Aqueles indivíduos que recebem
auxílio para banhar uma parte do corpo como, por exemplo, as extremidades ou
região dorsal, são considerados independentes. Aqueles que recebem ajuda para
banhar-se em mais de uma parte do corpo ou necessita de ajuda para entrar ou sair
do chuveiro ou banheira ou que não são capazes de se banharem sozinhos, são
considerados dependentes (LINO et al, 2008).
A função vestir-se avalia a necessidade de auxílio para pegar as roupas
e vesti-las. Compreende roupas íntimas, roupas externas, fechos e cintos. Não se
50
avalia a capacidade de calçar sapatos. Aqueles que necessitam de algum auxílio
o classificados como dependentes (LINO et al, 2008).
A função uso do vaso sanitário refere-se à ida ao banheiro ou local
equivalente para evacuar e urinar; realizar higiene íntima e arrumão das roupas.
São considerados dependentes aqueles que recebem qualquer auxílio direto,
aqueles que não conseguem desempenhar a função e aqueles que usam “marrecos”
ou “comadres” (LINO et al, 2008).
A função transferência avalia a necessidade de auxílio para deitar-se e
levantar-se da cama e da cadeira.
A função continência refere-se ao controle da micção e evacuação,
sendo a dependência relacionada à presença de incontinência.
A função alimentação avalia a capacidade do idoso para alimentar-se, ou
seja, de levar a comida do prato à boca. São considerados dependentes aqueles
que necessitam de alguma ajuda para alimentar-se ou utilizam cateteres enterais ou
parenterais (LINO et al, 2008).
Conforme a Escala de Katz, a classificação é feita de acordo com os
diferentes graus de independência funcional para cada função, sendo os índices de
0 a 6 (LINO et al, 2008): 0 - independente em todas as seis funções; 1 -
independente em cinco funções e dependente em uma função; 2 - independente em
quatro funções e dependente em duas; 3 - independente em três funções e
dependente em três; 4 - independente em duas funções e dependente em quatro; 5 -
independente em uma fuão e dependente em cinco funções; 6 - dependente em
todas as seis funções.
A independência significa que a função é realizada sem supervisão. Esta
avaliação é feita de acordo com a situação real e não de acordo com a habilidade
51
de realizar a tarefa sem auxílio de terceiros. Então, mesmo que o sujeito tenha
capacidade de executar uma função, se ele nega a cumpri-la ou se as condições
ambientais são desfavoráveis, considera-se que ele não a realiza. Assim, um idoso
que necessita que um parente esteja presente dentro do banheiro para que possa
tomar banho é considerado dependente, apesar de ser capaz de realizar o ato sem
auxílio direto (ARAÚJO e CEOLIM, 2007; LINO et al, 2008).
52
4 METODOLOGIA
4.1 TIPO DE ESTUDO
Trata-se de um estudo descritivo transversal e correlacional. A finalidade
da pesquisa descritiva é observar, descrever, classificar e documentar os aspectos
de uma situação. No estudo descritivo correlacional, busca-se descrever a relação
entre as variáveis (POLIT, BECK E HUNGLER, 2004).
4.2 LOCAL E PERÍODO DO ESTUDO
O estudo foi desenvolvido nas duas instituições de longa permanência
para idosos, de caráter filantrópico, localizadas no município de Itaúna-MG. A coleta
dos dados compreendeu o período de 30 de abril a 30 de julho de 2009.
As instituições são reconhecidas como de utilidade pública federal e
registradas no Conselho Nacional de Serviço Social. Atende à população idosa
carente e são mantidas por doações da comunidade, parte dos benefícios de
aposentadoria dos idosos e por convênios com a Secretaria do Estado do Trabalho
e Assistência Social e Prefeitura Municipal de Itaúna. A Secretaria Municipal de
Saúde do município oferece apoio com a assistência de profissionais e recursos
materiais.
53
Neste estudo as instituições o intituladas Instituição A e Instituição B,
preservando o sigilo ético quanto aos nomes das mesmas.
A instituição A tem capacidade para 75 idosos. A estrutura sica desta
instituição conta com nove quartos coletivos femininos, sete quartos coletivos
masculinos, sendo que a ocupação desses quartos variam de dois a seis leitos.
Todos os quartos possuem banheiro. Possui um quarto duplo de um casal de idosos
que oficializou a união durante o período da coleta de dados. Uma idosa, devido a
problemas mentais e comportamentais, reside em um quarto individual na parte
inferior da instituição. Possui uma sala de enfermagem, onde ocorre os
atendimentos médicos, sala de fisioterapia, salão de confraternizão, capela,
lavanderia, cozinha, refeitório e uma ampla área aberta para lazer, jardins, horta e
área administrativa.
A instituição A não possuía enfermeiro e médico até o início da coleta de
dados e tinha como referência os profissionais da equipe de saúde da família (ESF)
responsável pela área de abrangência onde a instituição es localizada.
Atualmente, a assistência é prestada por uma médica generalista, um psiquiatra,
uma psicóloga, uma assistente social, uma enfermeira, duas auxiliares de
enfermagem e 14 cuidadores leigos, que o possuem formação e capacitação
técnica, sendo que 11 trabalhadores se revesavam em plantões de 12 por 24 horas
no diurno e 3 no noturno. Os atendimentos fisioterápicos são oferecidos pelo
fisioterapeuta da ESF. Recebe acadêmicos dos cursos de graduação em
Fisioterapia e Enfermagem da universidade da cidade.
A instituição B tem capacidade para 45 idosos. Es abrigada em uma
construção emprestada provisoriamente, uma vez que o prédio oficial está passando
por reforma. Para acessar o prédio, é necessário subir escadas ou rampa. Conta
54
com dois quartos coletivos femininos, cinco quartos coletivos masculinos, sendo que
a ocupação desses quartos variam de quatro a dez leitos. Apenas um quarto possui
banheiro. Possui uma sala de enfermagem, lavanderia, cozinha, refeitório, área
administrativa e três banheiros.
A instituição B não possui enfermeiro. Tem como referência o médico e a
enfermeira da ESF responsável pela área de abrangência onde o prédio oficial, que
esem reforma, localiza-se. Atualmente, a assistência é prestada por três técnicas
de enfermagem e sete cuidadores leigos. Tamm recebe acadêmicos dos cursos
de graduação em Fisioterapia e Enfermagem da universidade da cidade.
A assistência de enfermagem nas duas instituões não é sistematizada e
não possui protocolo para prevenção de UP. Não é realizada avaliação dos idosos
quanto ao risco para o desenvolvimento de UP e as medidas preventivas e o
tratamento deste tipo de lesão geralmente se iniciam após detecção de UP em
estágio II. Ambas instituições não possuem nutricionista e toda a dieta dos idosos é
definida pelas cozinheiras e cuidadoras. Quando há alguma prescrição médica ou de
enfermagem relacionada à dieta de algum idosos, esta é seguida.
4.3 POPULAÇÃO E AMOSTRA
A população do estudo foi constituída por idosos com 60 anos ou mais,
residentes nas instituições de longa permanência para idosos - ILPI de um município
mineiro, no período da coleta de dados, que concordaram em participar do estudo.
55
No início da coleta de dados as Instituições A e B possuíam 73 e 37
residentes, respectivamente. Na instituição A havia 1 (um) residente que não era
idoso e na instituição B havia 9 residentes menores de 60 anos.
Durante o período da coleta, quatro idosos foram a óbito antes de serem
submetidos à coleta de dados e ocorreram duas admissões na instituição A. Um
idoso residente na instituição B se recusou a participar do estudo.
Assim, a amostra final constituiu-se de 70 idosos na instituição A e 27
idosos na instituição B, perfazendo um total de 97 pessoas idosas.
4.4 INSTRUMENTOS PARA A COLETA DE DADOS
Para a coleta de dados foram utilizados os seguintes instrumentos:
- Instrumento de identificação do idoso, que aborda tamm as variáveis sócio-
demográficas e condições clínicas apresentadas (Apêndice I);
- Instrumento de avaliação de risco para o desenvolvimento de UP - Escala de
Braden, proposto por Braden e Bergstrom (1987), traduzida e validada no Brasil
por Paranhos e Santos (1999) (Anexo I);
- Instrumento de avaliação funcional Escala de Independência em Atividade da
Vida Diária (EIAVD), ou Escala de Katz, desenvolvido por Sidney Katz e sua
equipe (1963), adaptada e validada no Brasil por Lino et al (2008) (Anexo II);
- Instrumento de avaliação nutricional – Avaliação Nutricional Subjetiva Global,
proposta e validada por Detsky e colaboradores (1987) (ANEXO III).
- Avaliação laboratorial: nível sérico de albumina.
56
4.5 PROCEDIMENTOS PARA A COLETA DE DADOS
Os instrumentos para a coleta de dados foram aplicados por quatro
enfermeiras, a pesquisadora, especialista em estomaterapia, e outras três
voluntárias, treinadas especificamente para a colaboração na aquisição dos dados.
Antes de se iniciar a coleta dos dados, foi realizado treinamento das enfermeiras
voluntárias e, posteriormente, um pré-teste e avaliação de concordância entre
observadores.
4.5.1 Treinamento dos observadores
O treinamento das enfermeiras observadoras seguiu a seguinte
sequência:
- Etapa 1: aula teórica ministrada por especialista sobre envelhecimento e úlcera
por pressão (carga horária: 3 horas);
- Etapa 2: participação no Curso: “Prevenção e Tratamento de Úlcera por Pressão”,
ministrada pela Professora Doutora Maria Helena L. Caliri, promovido pelo Curso
de Especializão em Enfermagem Hospitalar EE/UFMG Especialidade
Estomaterapia, no ambulatório de Dermatologia/HC-UFMG (carga horária: 6
horas);
57
- Etapa 3: aula teórica ministrada por especialista sobre os instrumentos de coleta
de dados e exercícios simulados, utilizando estes instrumentos na avaliação em
estudos de casos fictícios (carga horária: 3 horas);
- Etapa 4: aplicação dos instrumentos em pacientes da comunidade, com
discussão posterior dos casos e respostas.
4.5.2 Validação dos observadores
Após o treinamento, todas as enfermeiras que participaram da coleta,
aplicaram os instrumentos Escala de Braden e Escala de Katz, simultaneamente em
46 pacientes internados em um hospital universitário de Belo Horizonte MG. Os
dados desta avaliação foram inseridos em um banco de dados do Statistical
Package for the Social Sciences (SPSS) versão 16.0 e a análise estatística foi
procedida para identificar o grau de concordância entre as avaliadoras voluntárias
(Avaliador 2, 3 e 4) e a especialista (Avaliador 1).
Para o teste de concordância, utilizou-se o coeficiente Kappa, que
“quantifica o grau de confiabilidade, comparando a concordância observada com a
concordância que seria esperada” (GOULART, 1999, p.76).
Os índices de concordância variam de 0,00 a 1,00, sendo aqueles entre
0,85 e 0,95 uma concordância preferível entre avaliadores. Quanto mais próximo de
1,00, mais confiável (POLIT, BECK E HUNGLER, 2004). É considerada uma
concordância excelente, na interpretação do Kappa, aquela maior que 0,75; razoável
e boa quando estiver entre 0,40 e 0,75 e fraca abaixo de 0,40 (GOULART, 1999).
58
O índice de concordância entre o avaliador 1 (enfermeira especialista) e
avaliadores 2, 3 e 4 (enfermeiras voluntárias) para a classificação de risco pela
Escala de Braden foi de 0,351, 0,462 e 0,616, respectivamente. Observa-se que
houve uma concordância fraca entre as avaliadoras 1 e 2 (Kappa < 0,40), e
razoável entre as avaliadoras 1 e 3, e 1 e 4 (Kappa 0,40-0,75).
Na classificação do nível de independência pela Escala de Katz, obteve-
se índices Kappa de 0,789, 0,827 e 0,751 (Kappa > 0,75), apresentando uma
concordância excelente entre as avaliadoras.
Considerando os índices de concordância obtidos e que o melhor índice
de concordância é aquele próximo de 1 (POLIT, BECK E HUNGLER, 2004),
procedeu-se a uma avaliação por pares, realizada em dois tempos distintos: uma
avaliação primária e outra denominada secundária. Definiu-se que as avaliadoras
voluntárias ficariam responsáveis pela coleta primária dos dados sócio-
demográficos, condições clínicas, ANSG e aplicação da Escala de Katz. A
enfermeira especialista ficaria responsável pela aplicação da Escala de Braden,
estadiamento das UP, avaliação secundária dos pacientes com confirmão dos
dados documentados na coleta primária.
Os dados para o preenchimento dos instrumentos foram coletados
utilizando dados contidos nas fichas de admiso e prontuários institucionais,
entrevista com os profissionais das instituições e exame sico dos idosos. Quando o
idoso não apresentava condições de informar, realizou-se entrevista com os seus
cuidadores. A psicóloga e assistente social da instituição A também foram
entrevistadas com relação aos dados sócio-demográficos dos idosos.
Optou-se por entrevistar os profissionais a fim de garantir a fidedignidade
das informões e coletar o máximo de dados possível, uma vez que alguns idosos
59
não apresentavam condições de informar e os dados contidos nos registros serem,
muitas vezes, insuficientes para o preenchimento dos instrumentos.
Os dados sobre doenças e medicamentos foram obtidos após consulta
aos prontuários dos idosos da instituição B. Na instituição A, os dados sobre
doenças foram obtidos após consulta aos prontuários dos idosos e entrevista com a
médica de referência da instituição. Quanto aos medicamentos, consultou-se o
“caderno de medicamentos”, onde fica toda a relação da medicação usada por cada
idoso da Instituição A.
Para estabelecer o estadiamento das UP naquela população, baseou-se
na classificação internacional proposta pela NPUAP (2007), já descrita
anteriormente.
Os dados para a aplicação das Escalas de Katz, Braden e ANSG, foram
obtidos por entrevista com idosos e cuidadores, além do exame físico nos idosos.
A coleta de sangue para exame laboratorial foi realizada pela bioquímica
responsável pelo laboratório de análises clínicas contratado. Utilizou-se o método
“verde bromo-aut” na análise laboratorial.
4.6 QUESTÕES ÉTICAS
Foram solicitadas autorizações prévias dos responsáveis pelas
instituições de longa permanência para que a pesquisa fosse realizada (Apêndice II).
O projeto de pesquisa foi submetido à análise e aprovado pelo Comitê de
Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais (Parecer COEP - ETIC
267/09) (Anexo IV).
60
Para participar do estudo, cada idoso foi convidado e recebeu orientações
sobre o mesmo. Aqueles que concordaram em participar, assinaram o Termo de
Consentimento Livre e Esclarecido dos sujeitos da pesquisa - TCLE (Apêndice III),
conforme preconiza a Resolução Nº196/96 do Conselho Nacional de Saúde. Quando
o idoso não apresentava condições cognitivas e físicas para tal, as orientações e a
solicitação de consentimento foram feitas aos familiares responsáveis ou aos
responsáveis pelas instituições, que assinaram o TCLE dos responsáveis pelos
sujeitos da pesquisa (Apêndice IV).
4.7 PROCEDIMENTOS DE TRATAMENTO E ANÁLISE DOS DADOS
4.7.1 Consistência do Banco de Dados
Os dados levantados apresentavam-se em 54 varveis previamente
definidas. Estas referiam-se aos dados sócio-demográficos e de identificação (14
variáveis), de situação clínica (22 variáveis), de classificação de risco para o
desenvolvimento de UP (8 variáveis); de avaliação funcional (7 variáveis) e de
avaliação nutricional (3 variáveis). As variáveis constavam em quatro instrumentos
distintos (Anexos I,II,III e Apêndice I)
Todos os dados coletados foram digitados em uma planilha do SPSS -
versão 16.0 e redigitados para avaliação de consistência. Foi procedida a dupla
digitação, por pessoas distintas, para os dados de 51 variáveis, num total de 4.947
registros. Três variáveis não foram submetidas ao teste por se tratarem de variáveis
61
relacionada à identificação dos sujeitos. Houve erro de digitação em 81 registros
(1,6% de erro), apresentando-se confiável. Após a avaliação de concordância entre
as variáveis, aquelas que apresentaram erro de digitação, passaram por criteriosa
correção até se atingir 100% de coincidência entre as digitações.
4.7.2 Prevalência
A prevalência de UP é definida como uma proporção de pessoas que
apresentam úlcera por pressão em um ponto específico no tempo (NPUAP, 2001
apud DORNER, POSTHAUER e THOMAS, 2009). Então, dividiu-se o número de
idosos com UP, no período da coleta de dados (3 meses), pelo número total da
amostra e multiplicou-se por 100, para obtenção da porcentagem:
Prevalência de UP = número de idosos com UP X 100
número total de idosos
4.7.3 Análise Descritiva e Inferencial
Para caracterização da amostra estudada, utilizou-se a análise descritiva
com apresentação de frequências simples e percentuais, média, desvio-padrão,
valoresximos e mínimos foi procedido.
As variáveis foram testadas para normalidade pelo teste Kolmogorov-
Smirnov. Foram realizados testes de hipótese para as variáveis paramétricas
62
contínuas, utilizando o teste t de Student e para as variáveis categóricas utilizou-se o
qui-quadrado de Pearson (x
2
). Quando o valor esperado das caselas foi menor que
5, utilizou-se o teste Exato de Fisher para comparar a proporção entre dois grupos.
Para variáveis não paramétricas utilizou-se o teste Mann Whitney.
Verificou-se se havia correlação linear entre as variáveis através da
medida do coeficiente de Pearson. Quando o valor p (probabilidade) é maior (>) que
0,05 é considerado como associação estatisticamente não significativa e um valor
p<0,05 (chance de ocorrência ao acaso de 5%) é considerado como associação
estatisticamente significativa (GOULART, 1999).
Buscou-se por associações entre incapacidade, suporte nutricional e risco
para o desenvolvimento de UP a fim de estabelecer a predição de risco. A análise
foi efetivada por tabelas de contingência e apresentou-se dois modelos de regressão
linear: (1) tendo a pontuação da Escala de Braden como variável resposta e
categorização da Escala de Katz como varvel explicativa; e (2) o valor da albumina
sérica como variável resposta e a pontuação da subescala nutrição da escala de
Braden como variável explicativa.
Para avaliar os fatores que contribuíram para a ocorrência de UP, utilizou-
se o modelo de regressão logística tendo a ocorrência de UP como varvel
resposta. As variáveis avaliadas foram pontuação na escala de Braden, sexo
masculino, idade, nível sérico de albumina, tempo de institucionalização, cor branca,
cor preta, cor parda, hipertensão arterial, diabetes e uso de neurolépticos ou
psicotrópicos. Realizou-se análise univariada com pontos de corte para significância
de valor p<0,10. Manteve-se então o modelo multivariado com as variáveis
significativas estatisticamente ao valor p<0,05.
63
5 RESULTADOS
O estudo foi desenvolvido com uma amostra de 97 idosos
institucionalizados, residentes em duas ILPI de uma cidade do interior de Minas
Gerais.
Considerando os fatores que podem predispor os idosos a desenvolver
UP, buscou-se conhecer as características dos idosos institucionalizados, avaliando
o escore de risco para UP, ovel de independência funcional, o valor da albumina e
a classificação pela ANSG apresentada pelos idosos, como estes fatores se
correlacionam entre si e com a ocorrência de UP.
Os resultados serão apresentados na forma de tabelas e figuras,
distribuídos em: caracterização sócio-demográfica dos idosos, segundo ILPI;
prevalência, localização e estadiamento das úlceras por pressão; associação entre
variáveis sócio-demográficas, clínicas, nível de independência para realização de
AVD; avaliação do risco para UP, estado nutricional e ocorrência de UP; análise de
correlação entre as avaliações pelas escalas de Katz e Braden; análise de
correlação entre o nível de albumina e a subescala nutrição de Braden; e determinar
os fatores preditivos para o desenvolvimento de UP.
5.1 CARACTERIZAÇÃO SÓCIO-DEMOGRÁFICA DOS IDOSOS, SEGUNDO ILPI
Realizou-se a caracterização sócio-demográfica dos idosos segundo a
ILPI a fim de conhecer o perfil dos idosos institucionalizados e verificar diferenças
64
estatísticas relacionadas aos idosos destas instituições, utilizando a análise
descritiva (TABELA 1).
TABELA 1: Demonstrativo dos dados sócio-demográficos, segundo ILPI.
Itaúna, MG, 2009 (n=97)
Instituição
A (n=70) B (n=27) Total (n=97) Valor p
Variáveis
N % N % N %
Sexo
0,002
Masculino 22 31 18 67 40 41
Feminino 48 69 9 33 57 59
Categorização da Idade
(BRASIL, 2002b)
0,117
60 - 64 anos 4 6 2 7 6 6
65 - 69 anos 7 10 7 26 14 14
70 - 74 anos 14 20 8 30 22 23
75 - 79 anos 12 17 4 15 16 16
80 e mais 33 47 6 22 39 40
Grau de Instrução (BRASIL, 2002b)
0,538
Analfabeto(a) 38 54 15 56 53 55
Alfabetizado(a) 29 41 10 37 39 40
Nível fundamental 0 0 1 4 1 1
Nível médio 2 3 1 4 3 3
Nível superior 0 0 0 0 0 0
Não informado 1 1 0 0 1 1
Cor ou Raça (BRASIL, 2002b)
0,305
Branca 44 63 21 78 65 67
Preta 13 19 2 7 15 15
Amarela / Indígena 0 0 0 0 0 0
Parda 13 19 4 15 17 18
Estado Civil
0,558
Solteiro(a) 46 66 15 56 61 63
Casado(a) 2 3 1 4 3 3
Viúvo(a) 16 23 6 22 22 23
Amasiado(a) 0 0 0 0 0 0
Divorciado(a) 6 9 5 19 11 11
Número de Filhos
0,842
Média 1 1,1 1
Mínimo 0 0 0
Máximo 9 7 9
Desvio Padrão 2 1,7 1,9
65
Continuação da TABELA 1:
Instituição
A (n=70) B (n=27) Total (n=97) Valor p
Variáveis
N % N % N %
Local de Procedência
0,008
Domicílio Próprio 40 57 8 30 48 49
Domicílio de Parentes 17 24 8 30 25 26
ILPI/Casa para Idosos 8 11 3 11 11 11
Desabrigado 1 1 3 11 4 4
Hospital 0 0 3 11 3 3
Não Informado 4 6 2 7 6 6
Motivo Principal de Institucionalização 0,094
Morava Sozinho e Apresentava
Dificuldades para Realizar AVD
23 33 6 22 29 30
Dificuldade Financeira 2 3 1 4 3 3
Sofria Maus Tratos 1 1 2 7 3 3
Opção 11 16 1 4 12 12
Morava com Outro Idoso 7 10 0 0 7 7
Dificuldade da Falia em Prestar
Cuidados/ Relacionamento
16 23 9 33 25 26
Abandono 1 1 2 7 3 3
Sem Informação 9 13 6 22 15 15
Tempo de Institucionalização (em
meses)
0,037
(a)
Média 77,3 50,8 69,9
Mínimo 1 1 1
Máximo 328 168 328
Desvio Padrão 82,5 40 73,9
Presença de Úlcera por Pressão
0,559
Não 62 89 25 93 87 90
Sim 8 11 2 7 10 10
(a) Desigualdade de variância avaliado pelo Teste Levene´s (p<0,05)
Os resultados apresentados, mostram que as idosas são a maioria (59%),
porém há um predomínio de mulheres na instituição A (69%) e de homens na
instituição B (67%), mostrando uma diferença significativa (p=0,002) na variável
sexo.
A idade dos idosos que compõem a amostra varia entre 61 e 94 anos,
com dia de 77 anos e desvio padrão de 8,5 anos. A maior parte dos idosos das
instituições A tem 80 ou mais anos (47%), sendo que aqueles com 80 anos ou mais
perfazem 40% do total da amostra deste estudo. Ocorre diferenças significativas em
relação à idade (p=0,007) dos idosos entre as instituições. Os idosos da instituição A
66
possuem média de anos vividos (78,4 anos) maior que os idosos da instituição B
(73,3 anos).
Em relação ao grau de escolaridade, o estudo mostra que 55% dos
idosos institucionalizados o analfabetos, sendo 28% homens e 72% mulheres não
alfabetizadas, e que o diferenças estatísticas significativas (p=0,538) no grau
de instrução entre os idosos destas instituições. Os idosos de cor ou raça branca
o maioria nas instituições A (63%) e B (78%), correspondendo a 67% da amostra
estudada.
Observa-se que não diferença estatística significativa entre as
variáveis estado civil (p=0,558) e número de filhos (p=0,842) entre os idosos das
instituições A e B. predomínio de idosos solteiros (63%) e sem filhos (68%), em
ambas as instituições.
Quanto ao local de procedência e motivo da institucionalização, 49% dos
idosos são provenientes de domicílio próprio e 30% moravam sozinhos e tinham
dificuldades para realizar AVD, sendo este o motivo principal da institucionalização.
Na variável local de procedência, observa-se diferenças significativas entre as
instituições (p=0.008). Na instituição A concentra-se o mero de idosos
provenientes de domicílio próprio ou de parentes (81%). Na instituição B, apesar da
maioria também ser provenientes de domicílio próprio ou de parentes (60%), ocorre
maior distribuição de idosos provenientes de outros locais, como hospitais (11%), ou
desabrigados (11%).
O tempo médio de institucionalização é de 70 meses, variando entre 1 e
328 meses na instituição A (Média =77,3) e 1 e 168 meses na instituição B (Média
=50,8). Entre as instituições há diferença significativa (p=0,037) em relação ao
tempo de institucionalização.
67
Não houve diferenças estaticamente significativas em relação à presença
de UP nos idosos (p= 0,559) entre as instituições A e B.
5.2 PREVALÊNCIA DAS ÚLCERAS POR PRESSÃO
Dos 97 idosos analisados, 10 possuíam alguma UP, sendo que 3
possuíam uma segunda e mesmo terceira úlcera. A média de UP por paciente foi 1,6
e estavam distribuídas em diversas regiões (GRÁFICO 1). A prevalência de UP
encontrada entre os idosos institucionalizados foi de 10,3%.
45%
6%6%
19%
6%
6%
6%
6%
Sacral Calcâneo Maléolo Trocânter
Crista Iliaca Hálux Dorso do Tibial Anterior
GRÁFICO 1: Localização das Úlceras por Pressão por região corporal. Itaúna,
MG, 2009 (n=10)
As úlceras por pressão foram predominantemente localizadas na região
sacral (45%), seguida por aquelas na região trocantérica (19%).
68
13%
13%
24%
37%
0%
13%
Estágio I Estágio II
Estágio III Estágio IV
Suspeita de Lesão Tissular Profunda Não Pode Ser Classificada
GRÁFICO 2: Estadiamento das Úlceras por Pressão. Itaúna, MG, 2009 (n=10)
A maioria das úlceras por pressão apresentadas pelos idosos foi
classificada como em esgio IV (37%), seguidas pelas UP em estágio III (24%). Não
foi encontrada suspeita de lesão tissular profunda (GRÁFICO 2:).
5.3 ASSOCIAÇÃO ENTRE VARIÁVEIS SÓCIO-DEMOGFICAS, CLÍNICAS E
ÚLCERA POR PRESSÃO
Considerando-se a importância de se avaliar os fatores de risco para o
desenvolvimento de UP, buscou-se relacionar variáveis sócio-demográficas, cnicas,
classificação de risco para o desenvolvimento de UP, nível de independência e
avaliação nutricional com a presença ou não de UP. Foram realizadas análises
descritivas, de correlação e de regressão logística.
A TABELA 2 apresenta a associação entre UP e condições sócio-
demográficas.
69
TABELA 2: Ocorrência de UP, segundo variáveis sócio-demográficas. Itaúna,
MG, 2009 (n=97)
UP
Não (n=87) Sim (n=10) Total (n=97) Valor p
Variáveis
N % N % N %
Sexo 
*
Masculino
     
Feminino
     
Categorização da Idade (Brasil, 2002b) 
60 - 64 anos
     
65 - 69 anos
     
70 - 74 anos
     
75 - 79 anos
     
80 e mais
     
Grau de Instrução (Brasil, 2002b) 
Analfabeto(a)      
Alfabetizado(a)      
Nível fundamental      
Nível médio      
Nível superior      
Não informado      
Cor ou Raça (Brasil, 2002b) 
Branca
     
Preta
     
Amarela / Indígena
     
Parda
     
Sem Declaração
     
Tempo de Institucionalização (em
meses)

Média
  
Mínimo
  
Máximo
  
Desvio Padrão
    

* Teste Exato de Fisher
Entre os 97 idosos que comem a amostra, 10 (10,3%) apresentaram
UP e 87 (89,7%) não a apresentaram. Entre aqueles que apresentaram UP, 60%
o do sexo masculino, mostrando que o existe diferença estatística significativa
(p=0,0175) na variável sexo entre os idosos com e sem UP nesta amostra.
A idade média dos idosos que apresentaram ou não UP é de 79 anos e
76,7 anos, respectivamente. Observa-se que 50% dos idosos que apresentaram UP
tinham 80 anos ou mais, seguida por 30% com idade entre 70 e 74 anos, 10% entre
70
75 e 79 anos e 10% entre 65 e 69 anos, sem diferença estatística significativa
(p=0,799) na variável idade.
Sobre o grau de instrução, o estudo mostra que 80% dos idosos que
apresentaram UP são alfabetizados, seguidos por 10% analfabetos. Os idosos
analfabetos representam 59,8% daqueles que não apresentaram UP. Assim, na
variável grau de instrução, há diferença estatisticamente significativa entre os
indivíduos com e sem UP (p=0,001).
Entre aqueles que apresentaram e aqueles que não apresentaram UP,
70% e 67,7% desses, respectivamente, foram classificados como brancos,
demonstrando que não diferenças estatísticas significativas (p=0,874) em relação
à cor da pele.
Na variável tempo de institucionalização não se obteve diferença
estatística significativa (p=0,469) para presença ou não de UP, sendo o tempo médio
de institucionalizão entre aqueles que apresentam ou não UP de 68,8 e 70,1
meses, respectivamente.
Assim, observou-se que, dos 97 indivíduos analisados, o houve
diferença estatisticamente significativa (p>0,05) entre os indivíduos com UP e
aqueles sem a úlcera nas variáveis sócio-demográficas, exceto para grau de
instrução, onde alfabetizado representa 80% dos indivíduos com UP, enquanto
representa 36% daqueles que não tem a presença da úlcera.
A seguir são apresentados os dados referentes a associação entre a
ocorrência de UP e condições clínicas apresentadas pelos idosos (TABELA 3).
71
TABELA 3: Ocorrência de UP, segundo variáveis clínicas. Itaúna, MG, 2009
(n=97)
UP
Não (n=87) Sim (n=10) Total (n=97) Valor p
Variáveis
N % N % N %
Tabagismo
10 11,5 0 0 10 10,3 0,318
*
Hipertensão Arterial
54 62,1 6 60 60 61,9 0,576
*
Diabetes
17 19,5 2 20 19 19,6 0,624
*
Doenças de Base
0,874
*
Cardiovascular 63 72,4 7 70 70 72,2 0,565
*
Respiratório 3 3,4 0 0 3 3,1 0,719
*
Neurológico 28 32,2 6 60 34 35,1 0,084
*
Urinário 2 2,3 0 0 2 2,1 0,803
*
Digestório 1 1,1 0 0 1 1 0,897
*
Endócrino 3 3,4 0 0 3 3,1 0,719
*
Psiquiátrico 26 29,9 4 40 30 30,9 0,372
*
Dermatológico 0 0 0 0 0 0 *
Outros** 6 6,9 2 20 8 8,2 0,191
*
Não Informado 5 5,7 0 0 5 5,2
* Teste Exato de Fisher
** Reumatismos, doenças músculo-esqueléticas, neoplasias
Entre os 97 indivíduos analisados, não houve diferença estatisticamente
significativa entre os idosos com UP e aqueles sem a úlcera nas variáveis clínicas.
Eram tabagistas 10,3% dos idosos, sendo que aqueles que tinham hipertensão
arterial e diabetes perfaziam 61,9% e 19,6%, respectivamente. A maioria (72,2%)
dos idosos institucionalizados apresentavam doenças cardiovasculares, 35,1%
doenças neurológicas e 30,9% doenças psiquiátricas.
A TABELA 4 apresenta os dados referentes ao uso de medicamentos e a
presença de UP.
72
TABELA 4: Presença de UP, segundo tipos de medicamentos em uso. Itaúna,
MG, 2009 (n=97)
UP
Não (n=87) Sim (n=10) Total (n=97) Valor p
MEDICAMENTOS EM USO
N % N % N %
Anti-hipertensivos
52 59,8 4 40 56 57,7
0,215
*
Hipoglicemiantes
16 18,4 2 20 18 18,6
0,591
*
Neurolépticos/Psicotrópicos
70 80,5 8 80 78 80,4
0,084
*
Cardiotônicos
12 13,8 0 0 12 12,4
0,249
*
Broncodilatadores
3 3,4 0 0 3 3,1
0,719
*
Antiplaquetário
26 29,9 5 50 31 32
0,174
*
Analgésicos/Antiinflamatórios
2 2,3 1 10 3 3,1
0,281
*
Outros**
45 51,7 2 20 47 48,5
0,056
*
Nenhum
2 2,3 0 0 2 2,1
0,803
*
* Teste Exato de Fisher
**Sulfato Ferroso, vitaminas, vasoativos, antiácidos, hormônios e hipocolesterinêmico
A maioria dos idosos que compuseram a amostra fazia uso de
neurolépticos ou psicotrópicos (80,4%) e anti-hipertensivos (57,7%). Apenas 2,1%
dos idosos o usava algum tipo de medicamento. Não houve diferença
estatisticamente significativa entre os idosos com UP e aqueles sem a úlcera em
relação aos medicamentos em uso (p>0,05).
5.4 ASSOCIAÇÃO ENTRE NÍVEL DE INDEPENDÊNCIA PARA REALIZAÇÃO
DAS ATIVIDADES DE VIDA DRIA E O DESENVOLVIMENTO DE ÚLCERA
POR PRESSÃO
Buscou-se determinar a associação estatística existente entre o nível de
independência para a realização no desempenho de seis funções: banhar-se, vestir-
73
se, ir ao banheiro, transferir-se da cama para a cadeira e vice-versa, ser continente e
alimentar-se, e a presença de UP (TABELA 5).
TABELA 5: Ocorrência de UP, segundo nível de independência para realização
das atividades de vida diária. Itaúna, MG, 2009 (n=97)
UP
Não (n=87) Sim (n=10) Total (n=97) Valor p
Atividades de Vida Diária
N % N % N %
Tomar Banho

*
Dependente
     
Independente
     
Vestir-se

*
Dependente
     
Independente
     
Uso do Vaso Sanitário

*
Dependente
     
Independente
     
Transferência

*
Dependente
     
Independente
     
Continência

*
Dependente
     
Independente
     
Alimentação
*
Dependente
     
Independente
     
* Teste Exato de Fisher
Observa-se que todas as variáveis referentes a atividades de vida diária
(TABELA 5) apresentam diferença estatisticamente significativa entre os idosos com
úlcera e aqueles sem a UP (p<0,05). Esses dados mostram uma relação entre
dependência para AVD e risco para o desenvolvimento de UP.
74
TABELA 6: Ocorrência de UP, segundo a avaliação de independência funcional
pelo Índice de Katz. Itaúna, MG, 2009 (n=97)
UP
Não (n=87) Sim (n=10) Total (n=97) Valor p
Índice de Katz (IK)
(Lino et al, 2008)
N % N % N %
0
22 25 0 0 22 23 0,06
*
1
13 15 0 0 13 13 0,22
*
2
9 10 1 10 10 10 0,726
*
3
4 5 1 10 5 5 0,427
*
4
16 18 0 0 16 16 0,149
*
5
17 20 2 20 19 20 0,624
*
6
6 7 6 60 12 12
0
*
* Teste Exato de Fisher
Em relação ao Índice de Katz (IK), entre os 97 indivíduos da amostra,
23% eram independentes nas 6 funções (IK=0) e 77% possuíam alguma
dependência para AVD (IK=1, 2, 3, 4, 5 ou 6). Entre os idosos que não
apresentaram UP, 25% eram independentes nas 6 funções (IK=0) e 7% eram
dependentes em todas as funções (IK=6). Já para os indivíduos com UP, 60% eram
dependentes em todas funções (IK=6). Apenas a variável Índice de Katz 6
(dependente em todas as funções) mostrou diferea significativa entre os idosos
com ou sem UP (p=0).
5.5 AVALIAÇÃO DO RISCO E DESENVOLVIMENTO DE ÚLCERA POR
PRESSÃO
Quanto ao risco para o desenvolvimento de UP, o escore médio da escala
de Braden foi de 19,24, variando entre 9 e 23 pontos. Ao classificar os idosos com
75
presença ou o de UP conforme o risco pela escala de Braden, obteve-se o
seguinte resultado (TABELA 7):
TABELA 7: Presença de UP, segundo a classificação de risco pela Escala de
Braden, Itaúna, MG, 2009 (n=97)
UP
Não (n=87) Sim (n=10) Total (n=97) Valor p
Classificação de Risco pela
Escala de Braden
N % N % N %
Nenhum Risco 62 71 0 0 62 64
0
*
Em Risco 19 22 3 30 22 23 0,405
*
Risco Moderado 3 3 5 50 8 8
0
*
Alto Risco 3 3 1 10 4 4 0,358
*
Risco Muito Elevado 0 0 1 10 1 1 0,103
*
* Teste Exato de Fisher
Dos 97 idosos, 35 (36%) apresentaram escore de Braden 18, ou seja,
apresentaram algum risco. Desses idosos com risco, 10 (28,57%) apresentaram UP.
Entre os indivíduos que não apresentaram UP, 71% encontravam-se sem risco para
este agravo avaliado pela escala de Braden, enquanto 50% daqueles que
apresentavam UP encontravam-se com risco moderado. Entre aqueles que
apresentaram UP, nenhum foi classificado como sem risco para o desenvolvimento
de UP. Assim, encontrou-se diferenças estatísticas significativas entre os idosos com
e sem UP quando se encontravam sem risco e com risco moderado.
Em relão às subescalas de Braden (TABELA 8), observa-se que todos
os pacientes com UP apresentaram algum comprometimento nos domínios
mobilidade e atividade e nenhum deles era confinado à cadeira.
76
TABELA 8: Associação entre as subescalas de Braden e a presença de UP.
Itaúna, MG, 2009 (n=97)
UP
Não (n=87) Sim (n=10) Total (n=97) Valor p
Domínios da Escala de Braden
N % N % N %
Percepção Sensorial
0
Totalmente Limitado
0 - 0 - 0 -
Muito Limitado
0 - 2 20 2 2,1
Levemente Limitado
23 26,4 7 70 30 30,9
Nenhuma Limitação
64 73,6 1 10 65 67
Umidade
0
Completamente Molhada
6 6,9 2 20 8 8,2
Muito Molhada
8 9,2 6 60 14 14,4
Ocasionalmente Molhada
19 21,8 1 10 20 20,6
Raramente Molhada
54 62,1 1 10 55 56,7
Atividade
0
Acamado
3 3,4 5 50 8 8,2
Confinado à Cadeira
23 26,4 0 - 23 23,7
Anda Ocasionalmente
15 17,2 5 50 20 20,6
Anda Frequentemente
46 52,9 0 - 46 47,4
Mobilidade
0
Totalmente Imóvel
2 2,3 2 20 4 4,1
Bastante Limitado
5 5,7 3 30 8 8,2
Levemente Limitado
16 18,4 5 50 21 21,6
Não Apresenta Limitações
64 73,6 0 - 64 66
Nutrição
0
Muito Pobre
3 3,4 4 40 7 7,2
Provavelmente Inadequado
11 12,6 1 10 12 12,4
Adequado
34 39,1 4 40 38 39,2
Excelente
39 44,8 1 10 40 41,2
Fricção e Cisalhamento
0
Problema
5 5,7 3 30 8 8,2
Problema em Potencial
13 14,9 6 60 19 19,6
Nenhum Problema
69 79,3 1 10 70 72,2
Entre os indivíduos que apresentaram UP, 70% e 20% foram classificados
como levemente e muito limitado, respectivamente, para percepção sensorial; 60%
como muito molhado e 20% completamente molhado; 50% eram acamados, 50%
tinham mobilidade levemente limitada e 60% apresentavam a fricção e o
cisalhamento como problemas em potencial. Observa-se que diferenças
estatisticamente significativas (p<0,05) em todas as subescalas da Escala de
Braden.
77
5.6 ASSOCIAÇÃO ENTRE AVALIAÇÃO NUTRICIONAL E DESENVOLVIMENTO
DE ÚLCERA POR PRESSÃO
Considerando a importância da nutrição na nese da UP, buscou-se
avaliar o estado nutricional dos idosos pela Avaliação Nutricional Subjetiva Global
(ANSG) e pelo nível sérico de albumina (TABELA 9).
TABELA 9: Associação entre o nível sérico de albumina, a classificação pela
ANSG e a presença de UP. Itaúna, MG, 2009 (n=97)
UP
Não (n=87) Sim (n=10) Total (n=97) Valor p
Avaliação Nutricional
N % N % N %
Categoria da ANSG
Bem Nutrido 87 100 10 100 97 100
Classificação do Nível Sérico de
Albumina
Normal
80 92 5 50 85 88
0,002
*
Depleção Leve
6 7 4 40 10 10
0,009
*
Depleção Moderada
0 0 1 10 1 1 0,103
*
Depleção Grave
0 0 0 0 0 0 -
Exame não Realizado
1 1 0 0 1 1 -
* Teste Exato de Fisher
Todos os idosos foram classificados como bem nutridos pela escala de
ANSG. A maioria (88%) dos idosos tinha nível de albumina normal, sendo que 92%
dos que não apresentavam UP obtiveram níveis séricos de albumina normais. Entre
aqueles que apresentavam UP, 50% tinham nível normal, seguido por 40% com
depleção leve e 10% com depleção moderada. Encontrou-se diferenças estatísticas
significativas entre os idosos com e sem UP quando apresentavam albumina normal
e depleção leve (p<0,05).
78
5.7 ANÁLISE DE CORRELAÇÃO ENTRE A AVALIAÇÃO PELAS ESCALAS DE
KATZ E BRADEN
Realizou-se o teste de correlação por postos de Spearman para associar
as variáveis Categorias da Escala de Katz e Pontuação da Escala de Braden.
Encontrou-se um coeficiente de correlação entre as escalas de 0,839 e um valor de
p<0,05, indicando alta correlação linear entre as variáveis.
TABELA 10: Regressão linear tendo a escala de Katz como explicação para a
pontuação na escala de Braden. Itaúna, MG, 2009 (n=97)
Categorias da Escala de Katz
Pontuação da Escala
de Braden
Valor p
Independente em cinco funções e dependente em uma função -0,47 0,463
Independente em quatro funções e dependente em duas funções -0,92 0,192
Independente em três funções e dependente em três funções -3,52 0
Independente em duas funções e dependente em quatro funções -2,44 0
Independente em uma função e dependente em cinco funções -6,11 0
Dependente em todas as funções -9,23 0
Adicionalmente, foi realizada uma análise de regressão linear. As
categorias da escala de Katz foram consideradas variáveis explicativas, enquanto a
variável resposta foi a pontuação da escala de Braden. Observa-se que ser
Independente em três funções e dependente em três funções diminui 3,52 pontos no
escore de risco da escala de Braden. A mesma relação é observada,
subsequentemente, para cada categoria de aumento da dependência. Ou seja, o
79
aumento da dependência para a realização de AVD, es proporcionalmente
relacionado ao decréscimo no escore da escala de Braden. Sendo assim, conclui-se
que quanto maior o nível de dependência para a realização das atividades de vida
diária, menor o escore da escala de Braden e maior o risco para UP.
5.8 ANÁLISE DE CORRELAÇÃO ENTRE O NÍVEL DE ALBUMINA E A
SUBESCALA NUTRIÇÃO DA ESCALA DE BRADEN
Realizando o teste de correlação de Spearman para as variáveis
subescala nutrição de Braden e nível sérico de albumina, encontrou-se um
coeficiente de correlação de 0,277 e um valor de p<0,05, indicando baixa correlação
entre as variáveis.
GRÁFICO 3: Nível sérico de albumina conforme as categorias da subescala
nutrição de Braden. Itaúna, MG, 2009 (n=97)
80
Pode-se observar (GRÁFICO 3) que na categoria “muito pobre da
subescala nutrição de Braden, obteve-se alto valor mediano (4,10 mg/dl) de nível
sérico de albumina. Há uma queda neste valor na categoria seguinte “provavelmente
inadequado” com aumento nas categorias “adequado” e “excelente”.
Na análise por regressão linear, considerou-se a subescala nutrição de
Braden como varvel explicativa e o vel sérico de albumina como variável
resposta. Observou-se baixo poder do modelo para explicar o resultado, ou seja,
não foi possível afirmar que o decréscimo no escore da subescala nutrição de
Braden possui relação com o decréscimo do nível de albumina.
Independentemente do comportamento da variável explicativa subescala
nutrição, a variável resposta vel sérico de albumina tem comportamento não
regular. Ou seja, não se pode dizer que o nível de albumina apresenta aumento
linear à medida que aumenta o escore da escala nutrição de Braden. Assim, não é
possível correlacioná-los. A medida da albumina sérica apresentada por aqueles
com nutrição muito pobre (valor mediano = 4,10 mg/dl), assemelha-se à medida de
quem possui nutrição excelente (valor mediano = 4,09 mg/dl) (Fig. 3).
5.9 ANÁLISE DOS FATORES PREDITIVOS PARA O DESENVOLVIMENTO DE
ÚLCERA POR PRESSÃO
Como observado anteriormente, houve alta correlação entre as variáveis
de risco para UP e dependência para AVD. Assim, optou-se por não incluir a escala
de Katz no modelo de regressão.
81
Inicialmente foi realizado um modelo univariado para cada uma das
possíveis variáveis explicativas, a fim de analisar os fatores preditivos para o
desenvolvimento de UP (TABELA 11).
TABELA 11: Análise de regressão logística univariada para a avaliação das
variáveis possivelmente preditoras para o desenvolvimento de úlcera por
pressão. Itaúna, MG, 2009 (n=97)
Variável
Coeficiente
da
Regressão
ODDs Valor p 95% IC
Pontuação da Escala de Braden -0,61 0,54 0 0,39 0,76
Sexo masculino 0,85 2,34 0,213 0,61 8,9
Idade 0,03 1,03 0,426 0,96 1,11
Albumina Sérica -3,43 0,03 0,001 0 0,24
Tempo de Institucionalização 0 1 0,959 0,99 1,01
Cor Branca 0 0 0,877 0 0
Cor Preta -0,52 0,59 0,636 0,07 5,21
Cor Parda 0,1 1,1 0,907 0,21 5,87
Hipertensão Arterial -0,09 0,92 0,899 0,24 3,49
Diabetes 0,03 1,03 0,972 0,2 5,29
Uso de Neurolépticos/Psicotrópicos 1,15 3,16 0,093 0,83 12,1
* Variáveis que apresentaram valor p< 0,10 e o desenvolvimento de UP
Observa-se que os fatores pontuão da escala de Braden, albumina
sérica e uso de neurolépticos/psicotrópicos mostraram significância estatística.
Posteriormente, foram utilizadas as variáveis cujas estatísticas
apresentam-se com valor p<0,10 (TABELA 11) como variáveis explicativas para o
modelo de regressão logística multivariada (TABELA 12), tendo a variável presença
82
de UP como variável resposta. O modelo final apresentou um (poder de
explicação) no valor de 0,29, indicando baixa explicação destas varveis para a
ocorrência de UP. Encontrou-se uma relão estatisticamente significativa (p<0,05)
entre as variáveis valor de albumina e pontuação na escala de Braden e a existência
de UP.
TABELA 12: Análise de regressão logística multivariada das variáveis uso de
neurolépticos ou psicotrópicos, dosagem de albumina e pontuação na escala
de Braden. Itaúna, MG, 2009 (n=97)
Variáveis Coeficiente Valor p ODDs 95% IC ODDs
Uso de Neurolépticos/Psicotrópicos 0,88 0,37 2,41 0,36 16,27
Valor da Albumina -2,32 0,06 0,1 0,01 1,05
Pontuação Escala de Braden -0,62 0 0,54 0,35 0,81
* Variáveis que apresentaram valor p< 0,10 e o desenvolvimento de UP
Constatou-se que um aumento na albumina rica de 1mg/dl, diminui a
chance de UP em 0,10 vezes, enquanto um aumento de 1 ponto da escala de
Braden diminui a chance de ocorrência de UP em 0,54 vezes. Já o uso de
neurolépticos/psicotrópicos o está significativamente relacionado como explicação
para UP.
83
6 DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
foi comprovado, por meio de numerosos estudos demográficos e
epidemiológicos, que há um crescente aumento da população idosa em todo o
mundo e que esse tem ocasionado, para os órgãos governamentais e para a
sociedade, desafios médicos e socioeconômicos próprios do envelhecimento
populacional (NETTO, YUASO e KITADAI, 2005).
A longevidade da população tem determinado importantes repercussões
nos campos social e econômico, manifestando-se de forma diferente entre os vários
países do mundo. Nos países desenvolvidos, esse processo aconteceu de forma
lenta ao longo de mais de cem anos. Já no Brasil, um país ainda em
desenvolvimento, esse processo de envelhecimento populacional se caracteriza pela
rapidez com que o aumento absoluto e relativo da população adulta e idosa vem
modificando a pirâmide populacional (VERAS, 2001).
O processo acelerado de transição demográfica, vivido atualmente pelo
Brasil, se associou, em diversos países, ao aumento da demanda por instituições de
longa permanência. A correlação multicausal entre estrutura etária da população e
demanda por ILPI é determinada por seu perfil social e de saúde. Os principais
fatores, considerados predisponentes à institucionalização dos idosos são: doenças
crônico-degenerativas e suas sequelas, hospitalização recente e dependência para
realizar atividades da vida dria (CHAIMOWICS E GRECO, 1999).
Associada à esses fatores, temos a nova configuração familiar, em que a
mulher está inserida no mercado de trabalho e não esmais tão disponível para a
prestação de cuidados aos idosos de sua família. A falta de um cuidador somada às
84
dificuldades de ordem financeira da maioria das famílias brasileiras, têm gerado
obstáculos para a manutenção do idoso em seu lar.
É realidade para muitos idosos brasileiros morarem sozinhos, não terem
suporte social satisfatório, além de possuírem baixa renda, o que pode levar ao
aumento na demanda dessas pessoas por ILPI.
Geralmente o idoso é institucionalizado quando não consegue realizar
AVD de forma independente ou quando es com alguma doença limitante,
necessitando de prestação de cuidados de forma mais intensa. Os familiares, os
idosos e a sociedade acreditam que o idoso institucionalizado estará melhor
assistido.
Em um estudo com o objetivo de discutir a dinâmica da institucionalização
de idosos no município de Belo Horizonte, observou-se uma baixa taxa de
institucionalizão (0,6%), atribuída à pequena proporção de idosos muito idosos na
população. Porém evidenciou-se uma elevada taxa de ocupação, indicando
dificuldade de acesso (CHAIMOWICS E GRECO, 1999).
A maioria dos idosos institucionalizados de uma cidade do interior de
Minas Gerais, onde foi realizado este estudo, é do sexo feminino, de raça branca,
com média de idade em torno de 77 anos (±8,5).
Esses dados são semelhantes ao estudo realizado por Souza (2005), com
94 idosos de quatro instituições de longa permanência do interior de Minas Gerais. A
autora constatou um predomínio de mulheres (62,8%), que pode ser justificado pela
maior expectativa de vida entre elas, além da raça branca (68,1%), e uma média de
idade em torno de 79,1 anos (±9,59).
Inouye e Pedrazzani (2007), ao descrever o perfil de 80 octogenários de
uma cidade do interior de São Paulo - Brasil, observou que 58 eram mulheres idosas
85
e 22 eram homens idosos. Em outro estudo brasileiro com o objetivo de identificar as
características demográficas, socioeconômicas e a situação de saúde de 98 idosos
da área de abrangência de um PSF (Programa de Saúde da Família), constatou-se
predomínio da população idosa feminina (62,2%), com média de idade de 69,9 anos
6,8) para as mulheres e 68,8 anos (± 4,8) para os homens (SOUZA, MORAIS e
BARTH, 2006).
Alves (2004) afirma em seu estudo que o número de mulheres idosas é
maior que o número de homens em todos os grupos etários e essa diferença torna-
se ainda maior com o aumentar da idade (75 anos e mais), em consequência das
maiores taxas de mortalidade experimentadas pelos homens e à maior longevidade
feminina.
As mulheres vivem em média cinco a sete anos a mais que os homens.
Essa maior longevidade pode ser explicada por diferenças biológicas, como fator
protetor exercido pelo hormônio feminino sobre os eventos cardio-circulatórios,
principalmente angina do peito e infarto agudo do miocárdio e suas consequências;
e a maior exposição dos homens a fatores de risco, como maior consumo de álcool
e fumo, com maior exposição a fatores externos de mortalidade. Em relação aos
fatores relacionados a acidentes (de trabalho, de trânsito e domésticos), homicídios
e suicídios são menos frequentes entre as mulheres. Assim, morrem mais homens
por esses fatores (NETTO, YUASO e KITADAI, 2005).
Observou-se em estudo realizado em ILPI de Belo Horizonte (MG), que as
mulheres representavam a maioria (81%), e que estas tamm eram mais velhas
que os homens (76,4 x 70,4 anos), além de residirem mais tempo nestas ILPI
(CHAIMOWICS e GRECO, 1999).
86
Tratando-se de escolaridade, observou-se que a maioria dos idosos é
analfabeta, sendo que a porcentagem de mulheres analfabetas é maior que de
homens analfabetos. Alves (2004) afirma que os idosos apresentam baixo nível de
escolaridade, e esse declina ainda mais com o aumento da idade, sendo essa
situação mais frequente nas mulheres, quando comparadas com os homens.
Segundo Inouye e Pedrazzani (2007) e Paskulin e Vianna (2007), o alto índice de
analfabetismo presente na população idosa, se deve principalmente, à dificuldade de
acesso à escola no passado. Essa diferença entre os sexos reflete as menores
oportunidades de acesso à escola sofrida pelas mulheres (ALVES, 2004; PASKULIN
e VIANNA, 2007), “visto que no passado, a cultura não valorizava a educação
escolar para as mulheres que muitas vezes, eram criadas para serem boas esposas,
mães e donas-de-casa” (INOUYE e PEDRAZZANI, 2007, p.5).
A maioria dos idosos institucionalizados que compuseram a amostra era
solteira, sem filhos, provenientes de domicílio próprio, onde moravam sozinhos e
tinham dificuldades para realizar AVD. Pelo fato de não terem condições físicas e até
mesmo psicossociais para viverem sozinhos, e por não terem suporte familiar de
filhos ou cônjuges, muitos se institucionalizaram. Os novos arranjos familiares, como
aqueles em que a mulher mora , mães solteiras, casais sem filhos e filhos que
emigraram, reduzem a perspectiva de envelhecimento com um suporte familiar,
aumentando o risco para a institucionalização (CHAIMOWICS e GRECO, 1999).
Depois que os idosos vão viver em ILPI, por permanecem por muito
tempo ou até a morte. Como a institucionalização, geralmente, é a última opção para
os idosos, a possibilidade de voltarem a viver na comunidade ou com a família é
muito pequena.
87
Entre os idosos institucionalizados, a úlcera por pressão é um agravo
muito temido por todos os envolvidos, sejam os cuidadores, os familiares e os
próprios idosos. Sabe-se que a UP, além de aumentar os gastos com os cuidados
prestados aos idosos e ser motivo de frustração para os cuidadores das instituições,
as repercussões na vida do idosos são ainda mais relevantes. Este agravo pode
trazer um aumento da morbidade, diminuição da qualidade de vida e, amesmo,
levar à morte.
Neste estudo, observamos que, dos 97 idosos avaliados, 10 possuíam
alguma UP, sendo que 3 possuíam uma segunda e mesmo terceira úlcera. A
prevalência de UP entre os idosos institucionalizados foi de 10,3%. Entre aqueles
em risco (escore de Braden 18), a taxa de UP foi de 28,57%. As UP foram
predominantemente localizadas na região sacral (45%), seguida por aquelas na
região trocantérica (19%), sendo que grande parte foi classificada em estágio IV
(37%), seguida do estágio III (24%).
Estudo realizado no Canadá, mostrou uma taxa de prevalência de 30%
em instituições long-term care(cuidados de longo prazo) (NPUAP, 2005). Já nos
Estados Unidos da América, no mesmo tipo de instituição, estima-se taxas de
prevalência de UP entre 2.3 e 28% (DORNER, POSTHAUER e THOMAS, 2009).
No estudo de Faustino (2008), sobre UP e fatores de risco em pacientes
hospitalizados com fratura de fêmur e quadril, atendidos em um Hospital
Universitário do interior de São Paulo, houve uma frequência maior de UP em região
sacral (42,85%) e em calcâneo (28,57%). Esta frequência pode ser justificada pela
posição corporal assumida por estes pacientes na maior parte do tempo durante a
hospitalização.
88
O envelhecimento desencadeia a perda da massa corpórea, a diminuição
do nível de albumina sérica, a redução da resposta inflamatória, da coesão entre a
epiderme e a derme. Ocorre perda da gordura subcutânea dos braços, pernas e
proeminências ósseas, que prejudica a habilidade do tecido em distribuir a carga
mecânica sem comprometer a circulação do sangue, favorecendo o surgimento da
UP. O idoso, geralmente, convive com outros agravos, como fraturas, acidente
vascular cerebral e infecções respiratórias (BERGSTROM, 1994).
Estudos sugerem que os idosos são mais susceptíveis ao
desenvolvimento de UP devido às alterações que ocorrem com o envelhecimento,
sobretudo na pele. A taxa de UP aumenta com a idade, sobretudo acima de 85
anos, sendo as idosas mais acometidas por UP que os homens (MORALES, 2005;
SOUZA, 2005), com diferenças estatísticas significativas entre os sexos (SOUZA,
2005). Estes resultados, relacionados a variável sexo, não foram observados neste
estudo, em que a maioria dos idosos com UP é do sexo masculino, sem difereas
significativas entre os sexos. Em relação à idade, observou-se que 50% dos idosos
que apresentaram UP tinham 80 anos ou mais, mas, tamm, o houve diferença
estatística significativa na variável idade.
Não houve diferenças estatísticas significativas na variável raça, assim
como em outros estudos (SOUZA, 2005; COSTA, 2003). O mesmo aconteceu com a
variável tempo de institucionalização (SOUZA, 2005).
A fim de observar a relação entre UP e condições clínicas, observou-se
que não houve diferença estatisticamente significativa, corroborando com o estudo
de Faustino (2008). Grande número de idosos tinham hipertensão arterial, sendo
que as doenças cardiovasculares, doeas neurológicas e doenças psiquiátricas
foram as mais frequentes. A Diabetes também foi bastante frequente (20%).
89
As condições clínicas relacionadas ao desenvolvimento de UP, segundo
Margolis et al (2003) são: doença de Alzheimer, insuficiência cardíaca congestiva,
doença pulmonar obstrutiva crônica, acidente vascular cerebral, diabetes melittus,
trombose venosa profunda, fratura de colo de fêmur, cirurgia de fêmur, paralisia de
membros, edema de membros inferiores, câncer, desnutrição, osteoporose, doença
de Parkinson, artrite reumatoide e infecção do trato urinário. A angina, hipertensão e
pneumonia foram inversamente associadas ao risco de UP. A propensão do idoso
para desenvolver o agravo era aumentada em duas vezes na presença de Doença
de Alzheimer, desnutrição, paralisia de membros, doença de Parkinson e artrite
reumatoide (MARGOLIS et al, 2003).
Observa-se que muitas das patologias consideradas por Margolis et al
(2003) como relacionadas ao desenvolvimento de UP o aquelas classificadas
como cardiovasculares e neurológicas, frequentes entre os idosos deste estudo.
Sobre o uso de medicamentos, observou-se que grande número de
idosos faziam uso de neurolépticos ou psicotrópicos (80,4%) e anti-hipertensivos
(57,7%). Estes resultados corroboram com resultados do estudo de Souza (2005),
em que 52,1% dos idosos institucionalizados usavam neurolépticos ou psicotrópicos
e 38,3%, anti-hipertensivos. Apesar de o haver diferença estatisticamente
significativa entre os idosos com UP e aqueles sem a úlcera em relação aos
medicamentos, sabe-se que o uso de neurolépticos ou psicotrópicos pode ocasionar
sonolência, com consequente diminuição de atividade, mobilidade, ingestão de
alimentos, além de contribuir para incontinência urinária. Além disso, o uso destes
medicamentos pode diminuir nestes usuários a sensação de necessidade de
mudança de posição.
90
Dentre os idosos institucionalizados, 36% apresentaram risco para o
desenvolvimento de UP, sendo que o escore médio da escala de Braden foi de
19,24 (9-23) pontos. Dos 35 idosos que apresentaram algum risco, 28,57%
apresentaram UP. Outro estudo desenvolvido em ILPI brasileiras, observou-se uma
porcentagem ainda maior (40,34%) de idosos que apresentava algum risco para UP
(SOUZA, 2005).
A taxa de risco para o desenvolvimento de UP apresentada pelos idosos
institucionalizados (36%) foi um pouco inferior aquela apresentada por idosos
hospitalizados. Um estudo desenvolvido no Hospital Nacional Cayetano Heredia, no
Peru, com os objetivos de avaliar o risco para o desenvolvimento de UP em
pacientes idosos hospitalizados usando a Escala de Norton, e relacionar os
resultados com as características e problemas geriátricos, evidenciaram que na
amostra de 124 idosos, 42,7% apresentavam risco para o desenvolvimento de UP à
admiso hospitalar, sendo que 29% desses tinham alto risco (VERÁSTEGUI et al,
2000). Já em outro estudo, realizado na mesma instituição, mostrou que 47% dos
100 idosos estudados foram classificados como de alto risco para o desenvolvimento
de UP e desses, 34,04% apresentaram úlcera durante a hospitalização (MORALES,
2005).
Identificar as pessoas em risco e conhecer os fatores de risco para o
desenvolvimento de UP são fundamentais no manejo e prevenção deste agravo,
pois permitem aos profissionais a implementação de medidas apropriadas.
A escala de Braden, baseada nos fatores causais da UP, composta pelas
subescalas percepção sensorial, umidade, atividade, mobilidade, nutrição, fricção e
cisalhamento, tem sido um dos instrumentos mais estudados e utilizados para
avaliar risco para o desenvolvimento de UP (WOCN, 2003).
91
Observou-se, neste estudo, que houve diferenças estatisticamente
significativas em todas as subescalas da Escala de Braden para aqueles que
apresentaram ou não UP.
No estudo de Costa (2003), as subescalas percepção sensorial,
mobilidade, atividade, fricção e cisalhamento revelaram diferenças estatísticas
significativas. No estudo de Souza (2005), apresentaram diferenças estatísticas
significativas as subescalas umidade, fricção e cisalhamento e nutrição, entre os
idosos com presença ou não de UP. No estudo desenvolvido por Serpa (2006),
umidade, nutrição e fricção e cisalhamento foram os principais fatores de risco para
predizer o desenvolvimento de UP.
Todos os pacientes com UP, que fizeram parte da amostra deste estudo,
apresentaram algum comprometimento nos domínios mobilidade e atividade. Em
relação à umidade, 60% dos idosos foram classificados como muito molhados.
Apenas 10% deles não apresentaram problema para fricção e cisalhamento. A
nutrição muito pobre ou inadequada esteve presente em 50% dos idosos com UP.
No estudo de Souza (2005), o comprometimento da mobilidade foi o fator
de risco mais importante para o desenvolvimento dessas lesões. A autora relacionou
os fatores de risco com o desenvolvimento de UP e constataram que a umidade
estar muito molhado é um fator de risco bastante significativo; a frião e
cisalhamento estavam significativamente presentes; e a nutrição muito pobre ou
inadequada esteve presente em 51,3% dos idosos acometidos pelo agravo.
As chances de desenvolver UP entre os indivíduos com nutrição muito
pobre e provavelmente inadequada da subescala nutrição de Braden é maior que
entre aqueles com nutrição adequada ou excelente (SERPA, 2006).
92
Encontrou-se diferenças estatísticas significativas entre os idosos com e
sem UP quando apresentavam nenhum risco e risco moderado. Aqueles que não
apresentaram risco, também não apresentaram UP. Quando o idoso foi classificado
como de risco muito elevado, este apresentava UP, sendo que 80% daqueles com
UP foram classificados como em risco ou risco moderado. Entre aqueles com risco
moderado, 62,5% tiveram UP e quando classificados como de alto risco, 33,33%
desenvolveram UP. Serpa (2006) também identificou uma chance maior daqueles
com risco moderado e alto para desenvolver UP. Este resultado pode se dar pelo
fato daqueles em que o risco é mais evidente ao olhar dos cuidadores, como alto e
muito alto, recebem uma atenção maior em relação aos cuidados de prevenção de
UP, que aqueles de risco moderado. Ao se utilizar um instrumento de avaliação de
risco, verificando o risco e os fatores mais importantes para o desenvolvimento de
UP, medidas apropriadas poderão ser implementadas aos idosos que necessitarem,
baseadas nos fatores de risco apresentados.
Avaliando o nível de independência para realização de AVD, observou-se
que muitos dos idosos (77%) institucionalizados possuíam alguma dependência para
AVD, sendo 23% deles independentes. No estudo de Araújo e Ceolim (2007),
verificou-se que 37% dos idosos institucionalizados podiam ser considerados
independentes para o desempenho das AVD, segundo o Índice de Katz. Nas ILPI de
Belo Horizonte, parcela significativa dos idosos institucionalizados era de idosas
independentes e homens com menos de 65 anos. A maioria destas instituições não
aceitam idosos demenciados ou acamados, e várias recusavam idosos com doenças
orgânicas. Ao contrário das instituições locais deste estudo, que não têm esta
exigência e recebem, muitas vezes, idosos já nestas condições, o que pode justificar
uma prevalência maior de idosos dependentes nestas ILPI.
93
Todas as varveis referentes a AVD apresentaram diferenças
estatisticamente significativas entre os idosos com úlcera e aqueles sem a UP. Entre
os indivíduos com UP, 60% eram dependentes em todas funções (IK=6), sendo que
na variável Índice de Katz 6 constatou-se diferença significativa entre os idosos com
ou sem UP.
Ao correlacionar as escalas de Katz e Braden, encontrou-se alta
correlação entre elas. Na análise de regressão, observou-se que o aumento da
dependência para a realização de AVD, está proporcionalmente relacionado ao
decréscimo no escore da escala de Braden. Conclui-se que quanto maior o nível de
dependência para a realização de AVD, maior o risco para UP.
O resultado encontrado corrobora com o estudo de Faustino (2008), que
constatou que o estado de dependência para AVD aumenta o risco para o
desenvolvimento de UP.
Quanto ao estado nutricional, todos os idosos foram classificados como
bem nutridos pela escala de ANSG. A maioria (88%) dos idosos tinha nível de
albumina normal e apenas 12% apresentaram depleção. Apesar das instituições não
contarem com nutricionista, observou-se uma grande preocupação dos profissionais
das ILPI com a qualidade e frequência da alimentação dos idosos, distribuída em 5 a
6 refeições diárias, incluindo leite, carnes, frutas, verduras, legumes e massas. Os
horários das refeições eram muito respeitados, e os idosos conheciam bem e
seguiam rigorosamente a rotina referente a alimentação.
Observou-se, então, que mesmo sendo avaliados como bem nutridos pela
ANSG, alguns idosos apresentaram nível de albumina alterado.
O estudo de Sena et al. (1999), realizado com o objetivo de avaliar a
presença de desnutrição protéico-energética em pacientes hospitalizados, concluiu
94
que a ANSG não foi capaz de detectar o real comprometimento do estado nutricional
de alguns pacientes, visto que ao se considerar as alterações do peso corporal ou
da ingestão alimentar os pacientes não demonstravam alterações significativas no
momento da avaliação, mas possuíam uma depleção crônica dos compartimentos
corporais decorrente das doença que possuíam.
O estudo de Serpa (2006), desenvolvido com pacientes internados em
hospitais privados do município São Paulo, evidenciou uma porcentagem de 18,23%
de pacientes desnutridos quando avaliados pela ANSG, sendo que 52,38% do total
da amostra apresentaram depleção no nível de albumina. Observa-se que, apesar
dos pacientes desta amostra não serem todos idosos, o estado nutricional dos
mesmos estava mais comprometido que dos idosos institucionalizados.
Pelo fato de todos os idosos deste estudo serem avaliados como bem
nutridos pela ANSG, não foi possível afirmar, assim como no estudo de Serpa
(2006), que a desnutrição medida pela ANSG indica, significativamente, maior
número de chance para o desenvolvimento de UP, quando comparada a condição
de boa nutrição.
Em outro estudo realizado com idosos, observou-se que os valores de
albumina sérica não mostraram diferença estastica significativa entre os idosos
considerados desnutridos ou não pela ANSG (EK et al, 1996 apud SILVA e
BARROS, 2002).
Quanto ao resultado do vel de albumina, este estudo corroborou com o
de Serpa (2006), que evidenciou que pacientes com albumina baixa apresentam
maior possibilidade de ter UP, quando comparados àqueles com níveis normais
(p<0,001; OR=3,475). Encontrou-se diferenças estatísticas significativas entre os
idosos com e sem UP quando apresentavam albumina normal e depleção leve,
95
evidenciando a associação entre nível de albumina e risco para UP. Na avaliação de
risco para UP, avaliar a dosagem de albumina sérica é considerada com nível de
evidência C, sendo que o baixo nível de albumina pode refletir um estado de doença
crônica ao invés de representar o estado nutricional global (WOCN, 2003).
Ao correlacionar as variáveis subescala nutrição de Braden e nível sérico
de albumina, encontrou-se baixa correlação entre as variáveis. Na análise por
regressão linear, não foi possível afirmar que o decréscimo no escore da subescala
nutrição de Braden possui relação com o decréscimo do nível de albumina. Este
resultado pode se justificar pela subescala nutrição medir ingestão e não estado
nutricional e pelo nível sérico de albumina refletir melhor um estado de doença
crônica. O nível sérico de albumina o é uma medida sensível, devido a meia vida
longa da mesma (20 dias) (WOCN, 2003), interferindo na detecção de alterações
agudas do estado nutricional (ACUÑA e CRUZ, 2004).
A concentração sérica de albumina depende de vários fatores. Dentre
estes, a síntese hepática, pois o vel de albumina pode depender da função do
hepatócito e da ingestão e absorção de substratos protéicos, encontrando-se
diminuída no hipotireoidismo, quando níveis circulantes excessivos de cortisol
durante estresse, e em doença parenquimatosa hepática. Pode haver também
perdas anormais de albumina em pacientes com doença renal (síndrome nefrótica),
eclâmpsia, enteropatia perdedora de proteína e queimaduras. Quando o indivíduo
estiver com catabolismo aumentado, causado por estresse, hipermetabolismo,
síndrome de Cushing e algumas neoplasias, poderá ter alteração na concentração
sérica de albumina. Nas condições patológicas em que ocorrem trocas alteradas
entre os compartimentos, com sequestro para o extravascular (trauma, infecção); e
quando houver o volume de distribuição afetado pelo estado de hidratação, tamm
96
se pode ter níveis séricos de albumina diminuídos. Por isso, é uma variável muito
utilizada para predizer prognósticos e complicações, por ser fortemente relacionada
com a morbidade (tempo de internação prolongado, cicatrização deficiente de
feridas) e mortalidade (ACUÑA e CRUZ, 2004).
Ao avaliar os fatores de risco preditores para o desenvolvimento de UP,
utilizando análise de regressão univariada, observou-se que os fatores pontuação da
escala de Braden, albumina sérica e uso de neurolépticos/psicotrópicos mostraram
significância estatística. Ao realizar análise de regressão multivariada destas
variáveis, encontrou-se uma relação estatisticamente significativa entre valor de
albumina e pontuação na escala de Braden e a existência de UP. Constatou-se que
um aumento na albumina sérica de 1mg/dl, diminui a chance de UP em 0,10 vezes,
enquanto um aumento de 1 ponto da escala de Braden diminui a chance de
ocorrência de UP em 0,54 vezes. Assim, ficou evidenciada a importância da escala
de Braden na predição de risco para UP. o uso de neurolépticos/psicotrópicos
não está significativamente relacionado como explicação para UP.
Ao considerarmos o nível sérico de albumina como preditor para o
desenvolvimento de UP, assim como os vários fatores que interferem nesta variável,
podemos concluir que o desenvolvimento de UP esrelacionado a fatores clínicos
importantes que levam a uma piora do estado geral do idoso.
97
7 CONCLUSÕES
As conclusões permitidas pelo estudo realizado com 97 idosos
institucionalizados, residentes em duas ILPI de uma cidade do interior de Minas
Gerais, são apresentadas de acordo com os objetivos propostos:
1. Quanto às características sócio-demográficas e clínicas dos idosos,
evidenciou-se:
- Predomínio do sexo feminino (59%) no total da amostra, porém observou-se um
número maior de homens na instituição B (67%), mostrando uma diferença
significativa (p=0,002) na variável sexo entre as ILPI.
- Média de idade 77 (61-94) anos, mediana de 76 anos e desvio padrão de 8,5
anos, com diferenças significativas em relação à idade (p=0,007) dos idosos entre
as ILPI (A: dia = 78,4 anos; B: média = 73,3 anos).
- Predomínio de idosos analfabetos (28% homens; 72% mulheres), de cor ou raça
branca (67%), solteiros (63%) e sem filhos (68%).
- 49% dos idosos são provenientes de domicílio próprio.
- 30% dos idosos moravam sozinhos e tinham dificuldades para realizar AVD,
sendo este o motivo principal da institucionalizão.
98
- O tempo médio de institucionalização é de 70 meses (1–328), com desvio padrão
74 anos, com diferença significativa (p=0,037) em relação ao tempo de
institucionalização entre as instituições.
- O tabagismo esteve presente em 10,3% dos idosos.
- Hipertensão arterial e diabetes estiveram presentes em 61,9% e 19,6% dos
idosos, respectivamente.
- Doeas cardiovasculares (72%), neurológicas (35%) e psiquiátricas (31%) foram
as mais frequentes.
- Houve predomínio no uso de neurolépticos/psicotrópicos (80,4%) e anti-
hipertensivos (57,7%).
- Apenas 2,1% dos idosos não usavam algum tipo de medicamento.
2. Quanto ao risco para UP, o nível de independência funcional e o estado
nutricional apresentado pelos idosos institucionalizados, evidenciou-se:
- O escore médio da escala de Braden foi de 19,24 (9 – 24) pontos, sendo que 36%
dos idosos apresentaram escore de Braden 18.
- 23% dos idosos eram independentes nas 6 funções (IK=0) e 77% possuíam
alguma dependência para AVD (IK=1, 2, 3, 4, 5 ou 6).
- Todos os idosos foram classificados como bem nutridos pela escala de ANSG.
- A maioria (88%) dos idosos tinha nível de albumina normal.
99
3. Quanto a prevalência e características das UP apresentadas pelos idosos,
evidenciou-se:
- Não houve diferenças estaticamente significativas em relação à presença de UP
nos idosos (p= 0,559) entre as instituições A e B.
- 10 idosos (10,3%) possuíam alguma UP, sendo que 3 possuíam uma segunda e
mesmo terceira úlcera. A média de UP por paciente foi 1,6.
- Entre os idosos que apresentaram escore de Braden 18, 28,57% apresentaram
UP.
- Predomínio de UP localizadas na região sacral (45%) e na região trocantérica
(19%).
- Predomínio de UP em estágio IV (37%) e em estágio III (24%).
4. Quanto a relação existente entre as variáveis sócio-demográficas, clínicas,
classificação de risco para o desenvolvimento de UP, nível de
independência e avaliação nutricional com a presença ou não de UP,
constatou-se:
- Não houve diferença estatisticamente significativa (p>0,05) entre os indivíduos
com UP e aqueles sem a úlcera nas variáveis sócio-demográficas, exceto para
grau de instrução (p=0,001).
100
- Não houve diferença estatisticamente significativa entre os idosos com UP e
aqueles sem a úlcera nas variáveis clínicas e em relão aos medicamentos em
uso (p>0,05).
- Todas as variáveis referentes às AVD, pela Escala de Katz, apresentaram
diferença estatisticamente significativa entre os idosos com úlcera e aqueles sem
a UP (p<0,05).
- Apenas a varvel Índice de Katz 6 (dependente em todas as funções) mostrou
diferença significativa entre os idosos com ou sem UP (p=0).
- Houve diferenças estatisticamente significativas (p<0,05) em todas as subescalas
da Escala de Braden.
- Houve diferenças estatísticas significativas entre os idosos com e sem UP quando
apresentavam nenhum risco e risco moderado para o desenvolvimento de UP,
segundo a escala de Braden.
- Houve diferenças estatísticas significativas entre os idosos com e sem UP quando
apresentavam albumina normal (p<0,002) e depleção leve (p<0,009).
5. Quanto a associação estatística entre o nível de independência funcional,
avaliado pela escala de Katz, e o risco de desenvolvimento de UP
determinado pela escala de Braden, constatou-se:
- Houve alta correlação entre as variáveis Categorias da Escala de Katz e
Pontuação da Escala de Braden (coeficiente de correlação = 0,839; p<0,05).
- Quanto maior o nível de dependência para a realização das atividades de vida
diária, maior o risco para UP.
101
6. Quanto a associação estatística entre a subescala nutrição de Braden, a
avaliação nutricional subjetiva global e o nível sérico de albumina,
evidenciou-se:
- Como todos os idosos foram classificados como bem nutridos pela ANSG, a
correlação entre esta varvel e a variável nível sérico de albumina não permitiria
uma análise representativa.
- Houve baixa correlação entre as variáveis subescala nutrição de Braden e vel
sérico de albumina (coeficiente de correlação = 0,277; p<0,05).
- Independentemente do comportamento da variável explicativa subescala nutrição,
a variável resposta nível sérico de albumina tem comportamento não regular.
7. Quanto a alise dos fatores preditivos para o desenvolvimento de UP,
constatou-se:
- Houve alta correlação entre as variáveis de risco para UP e dependência para
AVD.
- Pelo modelo de regressão logística univariada, observou-se que os fatores
pontuação da escala de Braden (p=0), albumina sérica (p=0,001) e uso de
neurolépticos/psicotrópicos (p=0,093) mostraram significância estatística.
- Pelo modelo de regressão logística multivariada, encontrou-se uma relação
estatisticamente significativa entre duas varveis, valor de albumina e pontuação
102
na escala de Braden, e ocorrência de UP, uma vez que se obteve um valor
p0,05 no teste de hipótese.
- O aumento na albumina sérica de 1mg/dl, diminui a chance de UP em 0,10 vezes.
- Um aumento de 1 ponto da escala de Braden diminui a chance de ocorrência de
UP em 0,54 vezes.
- O uso de neurolépticos/psicotrópicos não está significativamente relacionado
como explicação para UP.
103
8 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O envelhecimento populacional tem trazido preocupação para os
profissionais enfermeiros com relação ao planejamento e implementação de
cuidados que visem melhorar a qualidade de vida dos idosos. Esta preocupação tem
gerado um incentivo para estudos que caracterizem melhor este grupo e discutam
intervenções de enfermagem que se apliquem a essa população.
Os idosos que eso institucionalizados trazem uma preocupação ainda
maior, pela fragilidade social, psicológica e física em que podem se encontrar.
Percebe-se que estes idosos demandam, progressivamente, cuidados de
enfermagem mais qualificados, justificados pelo nível de dependência, patologias
instaladas, número de medicamentos utilizados e riscos de complicações
apresentadas. Por outro lado, muitas ILPI não estão preparadas para oferecer um
cuidado adequado, sobretudo no que diz respeito a estrutura física e qualificação de
pessoal que presta os cuidados, muitas vezes leigos e despreparados. Assim, faz-se
necessária a implementação de políticas públicas direcionadas aos cuidados com os
idosos institucionalizados, a fim de garantir uma atenção adequada, segura, ética e
com qualidade à esta população.
A presença de idosos com UP nestas instituições é frequente. Pom, em
geral, não existe plano de intervenções visando a prevenção de UP, além de não
possuírem profissionais de enfermagem capacitados. O enfermeiro, em conjunto
com outros profissionais que prestam assistência a essa população, tem a
responsabilidade de oferecer um cuidado integral, implementar medidas preventivas,
104
a fim de diminuir a incidência deste agravo, assim como contribuir para a melhoria
da qualidade de vida desses idosos.
Os resultados da avaliação dos idosos institucionalizados permitiram
caracterizar essa população e identificar os fatores ou as condições que os colocam
em risco para o desenvolvimento de UP.
Os idosos apresentam várias alterações orgânicas decorrentes do
processo de envelhecimento que dificultam a manutenção da integridade da pele.
Essas alterações, somadas às condições patológicas, representam uma associação
de vários fatores de risco que os tornam mais vulneráveis ao desenvolvimento de
UP. Estas condições e fatores influenciam na percepção sensorial, mobilidade,
atividade, umidade, nutrição, fricção e cisalhamento, e outros, o que aumenta a sua
propensão ao desenvolvimento dessas lesões.
Uma condição importante e frequente entre estes idosos é a dependência
para a realização de AVD. Grande parte dos idosos institucionalizados demanda
ajuda para tomar banho, se vestir, ir ao banheiro, se transferir de um lugar a outro e
se alimentar, além de muitos terem incontinência urinária e/ou anal.
Evidenciou-se que quanto maior o nível de dependência para a realização
das AVD, maior a vulnerabilidade do idoso à formão de UP. De acordo com a
escala de Braden, um número considerável de idosos encontrava-se em risco para o
desenvolvimento de UP.
A pontuação na escala de Braden e o nível sérico de albumina foram as
variáveis mais importantes relacionadas ao desenvolvimento de UP.
Assim como demonstrado em outros estudos, ficou evidenciada a
importância da predição de risco para UP apresentada pela escala de Braden. Este
instrumento de avaliação é uma ferramenta que norteia as ações de enfermagem,
105
permitindo identificar os indivíduos em risco, que necessitam de medidas preventivas
e reconhecendo os fatores específicos que os colocam nesta situação, dando
subsídios para análise e determinação das intervenções.
O nível sérico de albumina é outro fator importante na gênese da UP. Este
parâmetro também é um indicativo de várias condições patológicas apresentadas
pelo indivíduo, que podem estar diretamente relacionadas ao risco para o
desenvolvimento de UP.
No entanto, apesar da detecção de fatores de riscos físicos para o
desenvolvimento de UP, observou-se que as causas podem ir muito além das
condições orgânicas. As condições psicossociais, possivelmente, tamm devem
ser consideradas na avaliação, uma vez que é conhecida a existência de relação
entre fatores psicossociais e orgânicos. A falta de suporte familiar, o isolamento
social e a falta de privacidade, presentes na condição de institucionalizado, podem
ocasionar sofrimentos, gerando uma piora do estado geral do idoso.
Dessa forma, os profissionais responsáveis pela assistência prestada a
essa população devem estar orientados sobre a importância de se prestar um
cuidado integral e interdisciplinar, a fim de melhorar a qualidade de vida do idoso.
Vale ressaltar ainda a importância da realização de mais estudos sobre os
fatores de risco para o desenvolvimento de UP na população idosa
institucionalizada, uma vez que os estudos encontrados são escassos. Além disso, a
investigação da condição psicossocial destes idosos merece atenção, a fim de
verificar a sua relão com as condições orgânicas e o desenvolvimento de UP.
106
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Belo Horizonte: SAS/MG, 2006. 186p.
- MORALES, F.Y.I. Relación entre riesgo e incidência de úlcera por presión em
el adulto mayor hospitalizado em el servicio de medicina del hospital
medicina del Hospital Nacional Cayetano Heredia. Lima: 2005. 66p.
Monografia – Universidad Nacional Mayor de San Marcos
110
- MOREIRA, M.M. Envelhecimento da População Brasileira. Belo Horizonte:
1997.149p. Tese (Doutorado em Demografia) - Centro de Desenvolvimento e
Planejamento Regional da Universidade Federal de Minas Gerais.
- NATIONAL PRESSURE ULCER ADVISORY PANEL NPUAP. Pressure Ulcer
Staging Illustrations. 2009b. Disponível em <www.npuap.org>. Acesso em:
19/12/2009.
- NATIONAL PRESSURE ULCER ADVISORY PANEL NPUAP. Treatment of
pressure ulcers: Quick Reference Guide, 2009a. Disponível em
<www.npuap.org>. Acesso em: 01/12/2009.
- NATIONAL PRESSURE ULCER ADVISORY PANEL NPUAP. Update Staging
System: Pressure Ulcer Stages Revised by NPUAP, 2007. Disponível em
<www.npuap.org>.
- NETTO, M.P.; YUASO, D.R.; KITADAI, F.T. Longevidade: desafio no terceiro
milênio. O Mundo da Saúde, São Paulo, v. 29, n. 4, p. 594-607,
outubro./dezembro 2005.
- PARANHOS, W.Y; SANTOS, V.L.C.G. Avaliação de risco para úlceras de pressão
por meio da escala de Braden, na língua portuguesa. Rev.Esc.Enferm.USP, São
Paulo, v. 33, n. esp., p.191-206,1999.
- PASKULIN, L.M.G.; VIANNA, L.A.C. Perfil sociodemográfico e condições de
saúde auto-referidas de idosos de Porto Alegre. Revista Saúde Pública, Porto
Alegre, v. 41, n. 5, p. 757-68, maio, 2007. Disponível em:
<http://www.revistasusp.sibi.usp.br/pdf/rsp/v41n5/5764.pdf>. Acesso em:
09/10/2009.
- PAULA, H.A.A. et al. Avaliação do estado nutricional de pacientes geriátricos. Rev
Bras Nutr Clin. v. 22, n. 4, p. 280-285, 2007.
- POLIT, D.F., BECK, C.T. e HUNGLER, B.P. Fundamentos de Pesquisa em
Enfermagem. 5º Ed. Porto Alegre: Artmed, 2004. 487p.
- RABEH, S.A.N. Úlcera de pressão: a clarificão de conceitos e estratégias para
divulgação do conhecimento na literatura de enfermagem. Ribeirão Preto:
2001.195p. Dissertação (Mestrado) - Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da
Universidade de São Paulo.
111
- SCHARFSTEIN, E.A. Instituições de Longa Permanência: uma alternativa de
moradia para idosos brasileiros na vida contemporânea. Rio de Janeiro:
2006.134p. Tese (Doutorado) - Instituto de Psicologia da Universidade Federal do
Rio de Janeiro. Disponível em
<http://www.eicos.psycho.ufrj.br/programaeicos/bancoteses/arqteses/eloisaadler.pdf.
> Acesso em 27 jul.2007.
- SENA, F.G., TADDEO, E.F. et al. Estado nutricional de pacientes internados em
enfermaria de gastroenterologia. Rev. Nutr., Campinas, v. 12, n.3: 233-239,
set./dez., 1999.
- SERPA, L.F. Capacidade preditiva da subescala Nutrição da Escala de
Braden para avaliar o risco de desenvolvimento de UP. São Paulo, 2006,
150p. Tese (Doutorado) – Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo.
- SILVA, M.C.G.B. Avaliação Subjetiva Global. In: WAITZBERG, D.L. Nutrição
Oral, Enteral e Parenteral na Prática Cnica. Ed.São Paulo: Editora Atheneu,
2006. Cap.15, p.241-253.
- SILVA, M.C.G.B. Utilização da avaliação nutricional subjetiva e bioimpedância
como fatores prognósticos para complicões pós-operatórias em cirurgia do
aparelho digestivo. Pelotas, 2002, 214 p. Tese (Doutorado) Universidade
Federal de Pelotas.
- SILVA, R. C.; FIGUEIREDO, N. M. A; MEIRELES, I. B. Feridas: fundamentos e
atualizações em enfermagem. São Paulo: Yendis Editora, 2007. 424p.
- SOUZA, D.M.S.T.. Incidência de Úlceras por Pressão e fatores de risco em
idosos institucionalizados. o Paulo, 2005, 119p. Dissertação (Mestrado)
Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo.
- SOUZA, L.M.; MORAIS, E.P.; BARTH, Q.C.M.. Características demográficas,
socioeconômicas e situação de saúde de idosos de um programa de saúde da
família de Porto Alegre, Brasil. Revista Latino-americana de Enfermagem,
Ribeirão Preto, v. 14, n. 6, p.79-85 , novembro/dezembro 2006. Disponível em:
<http://www.revistasusp.sibi.usp.br/pdf/rlae/v14n6/pt_v14n6a11.pdf>. Acesso em:
09/10/2009.
112
- VERAS, R.P. Velhice numa perspectiva de futuro saudável. 2001. 144p.
Organização Renato Peixoto Veras UERJ, UnATI– (Envelhecimento Humano),
Rio de Janeiro.
- WOUND, OSTOMY and CONTINENCE NURSES SOCIETY WOCNS.
Guideline for Prevention and Management of Pressure Ulcers. 2003. 52p.
- YAMAUT, A.K.; OCHIAI, M.O.; BIFULCO, P.S. et al. Avaliação Nutricional
Subjetiva Global em Pacientes Cardiopatas. Arq. Bras.Cardiol., São Paulo, v. 86,
n.6, p. 772-777. 2006.
113
10 ANEXOS E APÊNDICES
114
ANEXO I
ESCALA DE BRADEN*
Percepção Sensorial:
capacidade de
reagir
significativamente à
pressão relacionada
ao desconforto.
1. Totalmente Limitado:
Não reage (não
geme, não se segura a nada, não se
esquiva) a estímulo doloroso, devido ao nível
de consciência diminuído ou devido a
sedação, ou capacidade limitada de sentir
dor na maior parte do corpo.
2. Muito Limitado:
Somente reage a estímulo
doloroso. Não é capaz de comunicar o
desconforto exceto através de gemido ou
agitação. Ou possui alguma deficiência
sensorial que limita a capacidade de sentir dor
ou desconforto em mais de metade do corpo.
3. Levemente limitado:
Responde a comando
verbal, mas nem sempre é capaz de
expressar necessidade de ser mudado de
posição ou tem um certo grau de deficiência
sensorial que limita a capacidade de sentir
dor ou desconforto em uma ou duas
extremidades.
4. Nenhuma limitação:
Responde a comandos verbais. Não tem déficit
sensorial que limitaria a capacidade de sentir
ou verbalizar dor ou desconforto.
Umidade: vel ao
qual a pele está
exposta à umidade.
1. Completamente molhada:
A pele é mantida
molhada quase constantemente por
transpiração, urina, etc... Umidade é
detectada às movimentações do paciente.
2. Muito molhada: A pele está frequentemente,
mas nem sempre molhada. A roupa de cama
deve ser trocada pelo menos uma vez por
turno.
3. Ocasionalmente molhada:
A pele fica
ocasionalmente molhada, requerendo uma
troca extra de roupa de cama por dia.
4. Raramente molhada:
A pele geralmente está seca, a troca de roupa
de cama é necessária somente nos intervalos
de rotina.
Atividade: Grau de
atividade sica.
1. Acamado: Confinado á cama.
2. Confinado à cadeira:
A capacidade de andar
está severamente limitada ou nula. Não é capaz
de sustentar o próprio peso e/ou precisa ser
ajudado a se sentar.
3. Anda ocasionalmente:
Anda
ocasionalmente durante o dia, embora
distâncias muito curtas, com ou sem ajuda.
Passa a maior parte de cada turno na cama
ou na cadeira.
4. Anda freqüentemente:
Anda
fora do quarto pelo menos duas vezes
por dia e dentro do quarto pelo menos a cada
duas horas durante as horas em que está
acordado.
Mobilidade:
Capacidade
de mudar
e controlar a posição
do corpo.
1. Totalmente imóvel:
Não faz nem mesmo
pequenas mudanças na posição do corpo ou
extremidades sem ajuda.
2. Bastante Limitado:
Faz pequenas mudanças
ocasionais na posição do corpo ou
extremidades mas é incapaz de fazer
mudanças freqüentes ou significantes sozinho.
3. Levemente Limitado:
Faz frequentes,
embora pequenas, mudanças na posição do
corpo ou extremidades, sem ajuda.
4. Não apresenta limitações:
Faz importantes e frequ
entes mudanças sem
ajuda.
Nutrição: padrão
usual de consumo
alimentar.
1. Mui
to Pobre: Nunca come uma refeição
completa. Raramente come mais de 1/3 do
alimento oferecido. Come 2 porções ou
menos de proteína (carne ou laticínios) por
dia. Ingere pouco líquido. Não aceita
suplemento alimentar líquido. Ou é mantido
em jejum e/ou manti
do com dieta líquida IVS
por mais de 5 dias.
2. Provavelmente inadequado:
Raramente come
uma refeição completa. Geralmente come cerca
de metade do alimento oferecido. A ingestão de
proteína inclue somente 3 porções de carne ou
de laticínios por dia. Ocasionalmente aceita um
suplemento alimentar ou recebe abaixo da
quantidade satisfatória de dieta líquida ou
alimentação por sonda.
3. Adequado:
Come mais da metade da
maioria das refeições. Come um total de 4
porções de alimento rico em proteína (carne
e laticínios) todo dia. Ocasionalmente
recusará uma refeição mas, geralmente
aceitará um complemento oferecido. Ou é
alimentado por sonda ou regime de Nutrição
Parenteral Total, o qual provavelmente
satisfaz a maior parte das necessidades
nutricionais.
4. Exc
elente: Come a maior parte de cada
refeição. Geralmente ingere um total de 4 ou
mais porções de carne e laticínios
Ocasionalmente come entre as refeições. Não
requer suplemento alimentar.
Fricção e
cisalhamento
1. Problema:
Requer assistência moderada a
máxima para se mover. É impossível levantá-
lo ou erguê-lo completamente sem que haja
atrito da pele com o lençol. Frequentemente
escorrega na cama ou cadeira, necessitando
freqüente a ajustes de posição com o
máximo de assistência. Espasticidade,
contratura ou agitação leva quase constante
fricção.
2. Problema em Potencial:
Move-se mas, sem
vigor ou requer nima assistência. Durante o
movimento provavelmente ocorre um certo
atrito da pele com o lençol, cadeira ou outros.
Na maior parte do tempo mantém posição
relativamente boa na cama ou na cadeira, mas
ocasionalmente escorrega.
3. Nenhum Problema:
Move-se sozinho na
cama ou cadeira e tem suficiente força
muscular para erguer-se completamente
durante o movimento. Sempre mantém boa
posição na cama ou na cadeira.
TOTAL DE PONTOS:
* Adaptada por Paranhos e Santos (1999)
115
ANEXO II
ESCALA DE KATZ*
Ficha de avaliação: para cada área de funcionamento listada abaixo assinale a descrição que se
aplica (a palavra “ajuda” significa supervisão, orientação ou auxílio pessoal).
Área de funcionamento Independente (I) /
Dependente(D)
Tomar banho (leito, banheira ou chuveiro)
( ) não recebe ajuda (entra e sai da banheira sozinho, se este for o modo
habitual de tomar banho)
( ) recebe ajuda para lavar apenas uma parte do corpo (como, por exemplo,
as costas ou uma perna)
( ) recebe ajuda para lavar mais de uma parte do corpo, ou não toma banho
sozinho
I
I
D
Vestir-se (pega roupas, inclusive peças íntimas, nos armários e gavetas, e
manuseia fechos, inclusive os de órteses e próteses, quando forem utilizadas)
( ) pega as roupas e veste-se completamente, sem ajuda
( ) pega as roupas e veste-se sem ajuda, exceto para amarrar os sapatos
( ) recebe ajuda para pegar as roupas ou vestir-se, ou permanece parcial ou
completamente sem roupa
I
I
D
Uso do vaso sanitário (ida ao banheiro ou local equivalente para evacuar e
urinar; higiene íntima e arrumação das roupas)
( ) vai ao banheiro ou local equivalente, limpa-se e ajeita as roupas sem
ajuda (pode usar objetos para apoio como bengala, andador ou cadeira de
rodas e pode usar comadre ou urinol à noite, esvaziando-o de manhã)
( ) recebe ajuda para ir ao banheiro ou local equivalente, ou para limpar-se,
ou para ajeitar as roupas após evacuação ou micção, ou para usar a comadre
ou urinol à noite
( ) não vai ao banheiro ou equivalente para eliminações fisiológicas
I
D
D
Transferência
( ) deita-se e sai da cama, senta-se e levanta-se da cadeira sem ajuda (pode
estar usando objeto para apoio, como bengala ou andador)
( ) deita-se e sai da cama e/ou senta-se e levanta-se da cadeira com ajuda
( ) não sai da cama
I
D
D
Continência
( ) controla inteiramente a micção e a evacuação
( ) tem “acidentes” ocasionais
( ) necessita de ajuda para manter o controle da micção e evacuação; usa
cateter ou é incontinente
I
D
D
Alimentação
( ) alimenta-se sem ajuda
( ) alimenta-se sozinho, mas recebe ajuda para cortar carne ou passar
manteiga no pão
( ) recebe ajuda para alimentar-se, ou é alimentado parcialmente ou
completamente pelo uso de catéteres ou fluidos intravenosos
I
I
D
*Adaptada por Lino et al (2008)
0: independente em todas as seis funções; 1: independente em cinco funções e dependente em uma
função;
2: independente em quatro funções e dependente em duas;
3: independente em três funções e dependente em três;
4: independente em duas funções e dependente em quatro;
5: independente em uma função e dependente em cinco funções;
6: dependente em todas as seis funções.
116
ANEXO III
Questionário da Avaliação Nutricional Subjetiva Global
A) Anamnese
1) Peso corpóreo
( 1 ) Mudou nos últimos 6 meses
( ) sim ( ) não
( 1 ) Continua perdendo atualmente
( ) sim ( ) não
Peso atual _____ kg
Peso habitual _____ kg
Perda de peso (PP) ____ %
Se > 10% ( 2 ) ( )
Se < 10% ( 1 ) ( )
Total parcial de pontos_____
2) Dieta
( 1 ) Mudança de dieta ( ) sim ( ) não
A mudança foi para:
( 1 ) ( )dieta hipocalórica
( 2 ) ( )dieta pastosa hipocalórica
( 2 ) ( ) dieta líquida >15 dias ou solução
de infusão intravenosa > 5 dias
( 3 ) ( ) jejum > 5 dias
( 2 ) ( ) mudança persistente > 30 dias
Total parcial de pontos_____
3) Sintomas gastrointestinais (persistem
por mais de duas semanas)
( 1 ) ( ) disfagia e/ou odinofagia
( 1 ) ( ) náuseas
( 1 ) ( ) vômitos
( 1 ) ( ) diarréia
( 2 ) ( ) anorexia, distensão abdominal,
dor abdominal
Total parcial de pontos_____
4) Capacidade funcional física (por mais
de 2 semanas)
( 1 ) ( ) abaixo do normal
( 2 ) ( ) acamado
Total parcial de pontos_____
5) Diagnóstico
( 1 ) ( ) baixo estresse
( 2 ) ( ) moderado estresse
( 3 ) ( ) alto estresse
Total parcial de pontos_____
B) Exame físico
( 0 ) Normal
( + 1) leve ou moderadamente depletado
( + 2) gravemente depletado
( ) perda de gordura subcutânea (tríceps, tórax)
( ) músculo estriado
( ) edema sacral
( ) ascite
( ) edema tornozelo
Total parcial de pontos_____
Somatória total de pontos_____
C) Categoria da ANSG
( ) bem nutrido < 17 pontos
( ) desnutrido moderado 17 22 pontos
( ) desnutrido grave > 22 pontos
117
ANEXO IV
118
APÊNDICE I
Instrumento para identificação do idoso
Nome: ____________________________________________ Data da Avaliação: ___/___/___
1) Sexo ( ) Feminino ( ) Masculino 2) Data de Nascimento: ___/___/___ Idade: ________anos
3) Grau de instrução (BRASIL,2002):
( ) Analfabeto(a) ( ) Alfabetizado(a)( ) Nível Fundamental ( ) Nível médio ( ) Nível superior
3) Cor ou raça (BRASIL,2002):
( ) Branca ( ) Preta ( ) Amarela ( ) Indígena ( )Parda ( )Sem declaração
4) Estado civil (BRASIL,2002):
( ) Solteiro(a) ( ) Casado(a) ( )Viúvo(a) ( ) Amasiado(a) ( ) Divorciado(a)
5) Número de filhos: ________ 6) Idade dos filhos: _________________________
7) Sexo dos Filhos: ______Feminino _____ Masculino
8) Local de procedência:_________________________________________________________
9) Tempo de Institucionalização: ______anos
10) Motivo principal da Institucionalização:___________________________________________
_____________________________________________________________________________
11) Possui UP: ( ) Sim ( ) Não Quantas:_____________
Localização:______________________________Classificação:__________________________
12) Tabagismo: ( ) Sim ( )Não
13) Doenças de Base:___________________________________________________________
14) Medicamentos de uso
contínuo:_______________________________________________________
119
APÊNDICE II
AUTORIZAÇÃO DA INSTITUIÇÃO PARA A REALIZAÇÃO DA PESQUISA
Título do estudo: Risco para o desenvolvimento de UP em idosos de instituições de longa
permanência no município de Itaúna-MG
Itaúna, de de 2008.
Prezado(a)_________________________________________________
Presidente da Instituição______________________________________
Várias alterações que ocorrem no organismo com o envelhecimento podem predispor o idoso
a apresentar úlceras por pressão. Identificar as pessoas em risco e conhecer os fatores de risco para
o desenvolvimento de UP, permite aos profissionais a implementação de medidas preventivas desse
agravo. Assim, poderão oferecer uma melhor assistência ao idoso, tendo em vista, sobretudo, a
manutenção da integridade da pele, promoção de saúde e favorecendo uma melhor qualidade de
vida a essa população.
Essa pesquisa tem como objetivo verificar o risco de desenvolver UP apresentado pelos
idosos que residem em instituições de longa permanência no município de Itaúna-MG.
Para participar deste estudo, cada idoso será convidado e receberá orientações sobre a
pesquisa. Aqueles que concordarem em participar, assinarão o Termo de Consentimento Livre e
Esclarecido conforme preconiza a resolução Nº196/96 do Conselho Nacional de Saúde. Aqueles que
não tiverem condições cognitivas e físicas para tal, terão seus responsáveis contactados para
assinarem a autorização. A avaliação será feita utilizando-se de entrevista e exame físico geral, que
serão realizados por enfermeiros treinados especificamente para este estudo.
Toda informação obtida é considerada CONFINDENCIAL e a identificação dos idosos e da
instituição será mantida como informação sigilosa.
A realização do estudo na instituição não trará nenhuma despesa adicional, por outro lado,
também não trará nenhum benefício financeiro.
Esta pesquisa não trará nenhum risco para os idosos e tem como benefícios trazer
informações que subsidiarão o planejamento de medidas preventivas de UP, além de propiciar
alocação de recursos que visem a melhoria de qualidade de vida desses idosos.
Em caso de dúvida, pode-se comunicar com Cristiane Rabelo Lisboa ou Tânia Couto
Machado Chianca, coordenadora deste projeto na Escola de Enfermagem da UFMG, na Avenida
Alfredo Balena, nº 190 – Santa Efigênia – Belo Horizonte/MG. Telefone: (31) 34099887 / (31)
32974905 ou no Comitê de Ética em Pesquisa da UFMG pelo telefone: (31) 34094592.
Agradecendo a sua colaboração, solicitamos a declaração de sua autorização para que a
pesquisa possa ser realizada na instituição que preside.
____________________________ _______________________________________
Dra. Tânia Couto Machado Chianca
Rua Júlia Nunes Guerra, 197, apto 701
Luxemburgo. BH – MG.(31) 3297-4905
Enfermeira Cristiane Rabelo Lisboa
Rua Hermílio Alves, 235/apto202B, Santa Tereza. 31010-
070. BH MG. (31) 8511-0241
Consentimento:
Declaro que, após receber os esclarecimentos sobre o estudo, autorizo que este possa ser realizado
na Instituição...........
____________________________________
Assinatura do Presidente da Instituição
120
APÊNDICE III
TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO DOS SUJEITOS DA PESQUISA
(De acordo com o item IV da Resolução n° 196/96 do Conselho Nacional de Saúde sobre
Pesquisa envolvendo seres humanos)
TÍTULO DO ESTUDO: RISCO PARA O DESENVOLVIMENTO DE UP EM IDOSOS DE
INSTITUIÇÕES DE LONGA PERMANÊNCIA DE MUNICÍPIO DE ITAÚNA-MG.
Itaúna, de de 2009.
Prezado(a) Sr.(a)________________________________________________________________________
Eu, Cristiane Rabelo Lisboa, sou enfermeira, aluna do Curso de Mestrado da Escola de Enfermagem da
UFMG, e sou orientada pela professora Dra. Tânia C. Machado Chianca.
Estamos realizando uma pesquisa sobre UP, que tem como objetivo verificar o risco que os idosos
residentes em instituições de longa permanência no município de Itaúna-MG apresentam para desenvolver este
tipo de lesão.
Os idosos podem apresentar vários fatores que os colocam em risco para desenvolver UP. Identificar as
pessoas em risco e conhecer os fatores de risco para o desenvolvimento de UP, permite aos profissionais
utilizarem medidas direcionadas para a prevenção deste problema, e assim, oferecer uma melhor assistência ao
idoso e favorecer uma melhor qualidade de vida a essa população.
Viemos por meio desta, convidá-lo(a) a participar deste estudo. Para realizar este trabalho, nós e
enfermeiras treinadas para este estudo, faremos uma entrevista com o(a) senhor(a), coletaremos dados de seu
prontuário e faremos um exame físico geral. Tamm será realizada coleta de sangue para avaliação do nível de
albumina a fim de avaliar seu estado nutricional.
A coleta de sangue será feita dentro da própria instituição, por profissionais do laboratório contratado,
que utilizarão seringa e agulha descartáveis. Farão uma limpeza da pele, no local da coleta, com algodão
umedecido em álcool 70% antes de introduzir a agulha. Todas as normas de segurança serão obedecidas a fim
de evitar possíveis complicações.
Esta pesquisa tem como benefício trazer informações que ajudarão a planejar ações preventivas contra a
UP.
O senhor terá total liberdade de aceitar ou não participar da pesquisa, e se aceitar, poderá se retirar a
qualquer momento, sem que isto traga nenhum tipo de prejuízo, pois sua participação é voluntária. Sua
participação não trará nenhuma despesa adicional, por outro lado, também não trará nenhum benefício
financeiro.
Toda informação obtida é considerada CONFINDENCIAL e a identificação será mantida como informação
sigilosa. Os relatórios e resultados deste estudo serão apresentados sem nenhuma forma de identificação
individual.
Após seu consentimento, uma cópia deste termo ficará com o(a) senhor(a) e a outra com as
pesquisadoras.
Em caso de dúvida, comunicar com as pesquisadoras responsáveis ou com o Comitê de Ética em
Pesquisa da UFMG
i
.
Agradecendo a sua colaboração, solicitamos a declaração de seu consentimento livre e esclarecido neste
documento.
Atenciosamente,
____________________________ _________________________________________
Dra. Tânia Couto Machado Chianca
Rua: Júlia Nunes Guerra, 197, apto 701
Luxemburgo. BH MG. (31) 32974905
Enfermeira Cristiane Rabelo Lisboa
Rua: Hermílio Alves235/apto 202B, Santa Tereza. 31010-
070. BH MG. (31) 8511-0241
CONSENTIMENTO: Sei que minha participação é totalmente voluntária e que poderei recusar ou abandonar o
estudo sem qualquer prejuízo pessoal. Todas as informações prestadas por mim serão sigilosas e utilizadas
somente para esta pesquisa. A divulgação das informações seanônima e em conjunto com as respostas de
um grupo de pessoas. Eu li este formulário e recebi as instruções necessárias.
___________________________________________
Assinatura do volunrio
Comitê de Ética em Pesquisa da UFMG - Av. Antônio Carlos nº 6627, CEP 31270-901, Unidade Administrativa
II, 2º andar, sala 2005, Belo Horizonte – MG. 34094592.
121
APÊNDICE IV
TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO DOS RESPONSÁVEIS PELOS
SUJEITOS DA PESQUISA
(De acordo com o item IV da Resolução n° 196/96 do Conselho Nacional de Saúde sobre
Pesquisa envolvendo seres humanos)
TÍTULO DO ESTUDO: RISCO PARA O DESENVOLVIMENTO DE UP EM IDOSOS DE
INSTITUIÇÕES DE LONGA PERMANÊNCIA DE MUNICÍPIO DE ITAÚNA-MG.
Itaúna, de de 2009.
Prezado(a) Sr.(a)______________________________________________________
Eu, Cristiane Rabelo Lisboa, sou enfermeira, aluna do Curso de Mestrado da Escola de Enfermagem da
UFMG, e sou orientada pela professora Dra. Tânia C. Machado Chianca.
Estamos realizando uma pesquisa sobre UP, que tem como objetivo verificar o risco que os idosos
residentes em instituições de longa permanência no município de Itaúna-MG apresentam para desenvolver este
tipo de lesão.
Os idosos podem apresentar vários fatores que os colocam em risco para desenvolver UP. Identificar as
pessoas em risco e conhecer os fatores de risco para o desenvolvimento de UP, permite aos profissionais
utilizarem medidas direcionadas para a prevenção deste problema, e assim, oferecer uma melhor assistência ao
idoso e favorecer uma melhor qualidade de vida a essa população.
Viemos por meio desta, solicitar seu consentimento para que o(a) paciente
Senhor(a)_________________________________________________________________possa participar deste
estudo. Para realizar este trabalho, nós e enfermeiras treinadas para este estudo, faremos uma entrevista com
o(a) paciente, coletaremos dados do prontuário e faremos um exame físico geral. Tamm será realizada coleta
de sangue para avaliação do nível de albumina, a fim de avaliar o estado nutricional.
A coleta de sangue será feita dentro da própria instituição, por profissionais do laboratório contratado,
que utilizarão seringa e agulha descartáveis. Farão uma limpeza da pele, no local da coleta, com algodão
umedecido em álcool 70% antes de introduzir a agulha. Todas as normas de segurança serão obedecidas a fim
de evitar possíveis complicações.
Esta pesquisa tem como benefício trazer informações que ajudarão a planejar ações preventivas contra
a UP.
O senhor terá total liberdade de aceitar ou o participar da pesquisa, e se aceitar, podese retirar a
qualquer momento, sem que isto traga nenhum tipo de prejuízo, pois sua participação é voluntária. Sua
participação não trará nenhuma despesa adicional, por outro lado, também não trará nenhum benefício
financeiro.
Toda informação obtida é considerada CONFINDENCIAL e a identificação será mantida como
informação sigilosa. Os relatórios e resultados deste estudo serão apresentados sem nenhuma forma de
identificação individual. Após seu consentimento, uma cópia deste termo ficará com o(a) senhor(a) e a outra com
as pesquisadoras.
Em caso de dúvida, comunicar com as pesquisadoras responsáveis ou com o Comitê de Ética em
Pesquisa da UFMG
ii
.
Agradecendo a sua colaboração, solicitamos a declaração de seu consentimento livre e esclarecido
neste documento.
Atenciosamente,
____________________________ _________________________________________
Dra. Tânia Couto Machado Chianca
Rua: Júlia Nunes Guerra, 197, apto 701
Luxemburgo. BH – MG. (31) 32974905
Enfermeira Cristiane Rabelo Lisboa
Rua: Hermílio Alves235/apto 202B, Santa Tereza.
31010-070. BH MG. (31) 8511-0241
CONSENTIMENTO: Sei que a participação do(a)
Senhor(a)________________________________________________é totalmente voluntária e que poderá
recusar ou abandonar o estudo sem qualquer prejuízo pessoal. Todas as informações serão sigilosas e utilizadas
somente para esta pesquisa. A divulgação das informações será anônima e em conjunto com as respostas de
um grupo de pessoas. Eu li este formulário e recebi as instruções necessárias.
___________________________________________
Assinatura do volunrio
Comitê de Ética em Pesquisa da UFMG - Av. Antônio Carlos nº 6627, CEP 31270-901, Unidade Administrativa
II, 2º andar, sala 2005, Belo Horizonte – MG. 34094592.
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