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Janeiro, no mesmo período. Claro está que isso só é possível
pelo fato de que nas demais AP, à exceção da AP4, ter havido
significativos decréscimos de população”
“É, assim, a principal área de expansão da Cidade
, o que
representa uma verdadeira mudança em sua ocupação: mais
do que se expandindo, a cidade estaria se transferindo, à
cata de alternativas mais baratas de moradia” (Andrade,
1998)
Evidentemente, a Barra da Tijuca também apresentou um crescimento
vertiginoso, abrigando os migrantes de classe média que, da mesma forma,
buscaram imóveis mais baratos e, principalmente, crédito farto, já que a maioria dos
novos imóveis, para esta classe de renda, foi construída naquele bairro.
Trata-se, entretanto de um fenômeno que, embora intenso, pode estar
entrando em declínio, uma vez que depende intensivamente de ainda haver
Observe-se que a Baixada Fluminense é ainda a área que maiores contingentes populacionais
assimila pois, no mesmo período, recebeu mais 180 000 habitantes, ou seja, um crescimento 2,5
vezes superior ao do Rio.
No processo de mudança apresentado pela população carioca, os agentes de produção
imobiliária não se distinguem das ações acima descritas, mas se regionalizam [
], isto é, enquanto a
Barra da Tijuca é o principal foco das empresas de incorporação, a Zona Oeste, se caracteriza pela
produção não mercantil, sendo a área da cidade onde mais favelas e loteamentos irregulares são
construídos. Não obstante, a produção sob encomenda do Estado ocorre através do Plano PAR
(Plano de Arrendamento Residencial), criado pela Caixa Econômica Federal, pelo qual, empresas
privadas constroem habitações a serem por ela arrendadas, aos moradores. Da mesma forma,
pequenas empresas imobiliárias já ali atuam na produção mercantil, com a construção de conjuntos
de casas e pequenos edifícios.
A identificação entre as diversas forças que agem sobre o espaço urbano, em várias cidades
do então chamado Terceiro-Mundo (Ásia e América Latina), encontra-se bem expressa em Britto
(1990).
A autora, baseando-se em Topalov e Ribeiro, classifica diversas formas de produção
imobiliária a saber:
Produção não mercantil, na qual a predominância no processo de produção é do usuário e
na qual o valor de uso sobrepõe-se ao valor de troca;
Produção rentista, na qual a obtenção de uma renda é o motor do processo, o que
determina o surgimento de aluguéis , seja de casas, seja do terreno, no qual um construtor produza
casas para aluguel;
Promoção fundiária, onde o proprietário exerce as funções de loteador, fracionando o
terreno, provendo de infra-estrutura e vendendo os lotes.
Incorporação imobiliária, em que o agente, a imobiliária, compra o terreno, contrata projeto
e construtora e, através de uma empresa de corretagem, vende o imóvel, geralmente, repassando um
financiamento bancário, obtido para a realização da operação. E, finalmente,
A produção sob encomenda do Estado, forma de produção bastante presente nos até os
anos 1980 e bastante raras nos dias atuais. As ações do Estado vem se dando, no caso brasileiro,
principalmente através de repasse de fundos públicos a agentes privados, que estabelecem alguma
das ações anteriores, ou através da reurbanização de aglomerados favelados.