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BOLÍVAR RAFAEL GARCETE BARRETT
Revisão sistemática do gênero Stenonartonia Giordani Soika
(Hymenoptera: Vespidae: Eumeninae)
Dissertação apresentada à Coordenação do
programa de Pós-Graduação em Ciências
Biológicas, Área de Concentração em
Entomologia, do Departamento de Zoologia da
Universidade Federal do Paraná, como requisito
parcial para obtenção de título de Mestre em
Ciências Biológicas.
Orientador: Prof. Dr. Gabriel A. R. Melo
CURITIBA
2010
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iii
Che ahayhu opaite mba’e:
ahayhu pe ita ha umi ñana mimi heñóiva tape yke rupi
Antonio Ortiz Mayans
“Todos los que se han ocupado de Eumenéidos saben
que son demasiado cosmopolitas, numerosos
y difíciles para la vida de un hombre”
A.W. Bertoni
iv
AGRADECIMENTOS
Ao Programa de Pós-Graduação em Ciências Biológicas, Área de Concentração em
Entomologia do Departamento de Zoologia da Universidade Federal do Paraná, pela
oportunidade de realização do presente estudo e a infra-estrutura necessária para o mesmo.
Ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) pela
concessão da bolsa de mestrado.
A meu orientador, Professor Gabriel Augusto Rodrigues de Melo, por me aceitar no
seu grupo de trabalho, me orientar, pôr à minha disposição a infraestrutura do Laboratório
de Biologia Comparada de Hymenoptera e me ajudar de maneira importante no começo da
minha vinda para o Brasil.
Aos curadores das coleções citadas no capítulo “Material e Métodos”, pelo
empréstimo do material estudado.
A Vitor A. Nardino (Taxonline) pelo auxílio na obtenção de fotografias e o seu
processamento com o software Automontage.
A John Kochalka pelo constante apoio no meu trabalho durante os anos que tenho
colaborado com o Museo nacional de Historia Natural del Paraguay.
A James M. Carpenter, Abraham Willink e Jean-Michel Maes pela confiança e
apoio brindados desde os primeiros anos do meu trabalho com vespas. Sem sua ajuda as
coisas agora seriam muito mais difíceis. Em especial aos dois primeiros por me auxiliarem
na obtenção de publicações e até material próprio não publicado de grande importância.
Ao bem lembrado Ian Gauld e o pessoal do andar de Hymenoptera do Natural
History Museum em Londres pelo grande presente que foi ter me dado a oportunidade e
facilidades para visitar e trabalhar as coleções de vespas nessa importante instituição
durante os primeiros dois meses de 1998.
A Diomedes Quintero, pelo apoio em todos estes anos que venho estudando os
himenópteros.
Aos meus colegas e amizades dentro do Programa, especialmente Marcel Hermes,
Paschoal Grossi e Angélico Asenjo pelas dicas e discussões construtivas que me ajudaram
a melhorar meu trabalho.
À minha esposa Paula Romina Giménez e a meu filho Elías Nahuel por estar
sempre no meu lado e me brindar energias para continuar trabalhando apesar das
dificuldades.
v
SUMÁRIO
RESUMO......................................................................................................................................vi
ABSTRACT .................................................................................................................................vii
INTRODUÇÃO ............................................................................................................................ 1
MATERIAIS E MÉTODOS ......................................................................................................... 3
Material examinado ............................................................................................................ 3
Morfologia .......................................................................................................................... 4
Distribuição geográfica....................................................................................................... 7
Análise filogenética ........................................................................................................... 8
RESULTADOS ............................................................................................................................ 10
T
AXONOMIA
....................................................................................................................... 10
Stenonartonia Giordani Soika .................................................................................... 10
Chave de Identificação das espécies do gênero Stenonartonia................................... 12
Grupo de Stenonartonia occipitalis ............................................................................ 18
Stenonartonia rejectoides n. sp. ......................................................................... 18
Stenonartonia occipitalis n. sp. .......................................................................... 21
Grupo de Stenonartonia polybioides .......................................................................... 23
Stenonartonia polybioides (Schulthess) . ............................................................ 24
Stenonartonia hasyva n. sp. ................................................................................ 27
Stenonartonia cooperi n. sp. ............................................................................... 28
Stenonartonia guaraya n. sp. .............................................................................. 32
Grupo de Stenonartonia apicipennis .......................................................................... 34
Stenonartonia mimica (Kohl) ............................................................................. 35
Stenonartonia flavotestacea (Giordani Soika) .................................................... 38
Stenonartonia guaranitica (Bertoni) .................................................................. 43
Stenonartonia apicipennis (Fox) ........................................................................ 45
Stenonartonia tanykaju n. sp. ............................................................................. 51
Stenonartonia hermetica n. sp. ........................................................................... 54
Stenonartonia grossa n. sp. ................................................................................ 56
A
NÁLISE
F
ILOGENÉTICA
.................................................................................................... 58
Carateres e estados ..................................................................................................... 58
Stenonartonia e sua relação com outros gêneros ....................................................... 65
Filogenia interna de Stenonartonia ............................................................................ 67
REFERÊNCIAS ........................................................................................................................... 69
FIGURAS E TABELAS .............................................................................................................. 74
vi
RESUMO
Stenonartonia é um gênero neotropical restrito a regiões com floresta da América do Sul
ao leste dos Andes. Os seus membros podem ser reconhecidos pelo primeiro tergo
metassomal sub-peciolado assim como carenado transversalmente; a válvula propodeal
lamelar translúcida bem desenvolvida e contínua com a lamela apical do propódeo que
também é desenvolvida e translúcida; a redução da abertura da fossa axilar, devida à
expansão interna da crista escutelar e o do painel lateral da axila; a existência de pelo
menos uma pequena fóssula axilar anterior vizinha à paratégula; a presença de duas
pequenas fóveas próximas uma da outra e posicionadas à meia distânçia entre os ocelos
posteriores e o occipício numa área mais ou menos plana de forma semielíptica com
escultura e pilosidade diferenciada no rtice da fêmea; o metanoto com uma linha
transversal de dentes e o propódeo simples, livre de carenas ou lamelas além da carena
medial. Outros caracteres úteis incluem a redução ou desaparecimento das carenas
occipital e epicnemial; a presença de carena pretegular; a ausência de notaulos, as tégulas
fusiformes não expandidas e com o ápice posterior agudo, decotado e ligeiramente torcido
para dentro no nível da paretégula; a margem simples dos tergos e esternos metassomais e
a ausência de projeção ou superfície truncada sub-basal no segundo esterno metassomal. O
gênero é revisado aqui totalizando 13 espécies, incluindo 8 espécies novas e 3 novas
combinações para espécies conhecidas: S. polybioides (Schulthess) n. comb., S. mimica
(Kohl) n. comb., S. flavotestacea (Giordani Soika) n. comb., S. hasyva n. sp., S. cooperi n.
sp., S. guaraya n. sp., S. rejectoides n. sp., S. occipitalis n. sp., S. tanykaju n. sp., S.
hermetica n. sp. e S. grossa n. sp. São fornecidas neste trabalho uma chave de
identificação, descrições completas, ilustrações das estruturas morfológicas e mapas de
distribuição para todas as espécies. As hipóteses de relacionamento filogenético para as
espécies de Stenonartonia foram reconstruídas com base em 82 caracteres morfológicos.
Vinte terminais foram incluídos, treze deles pertencendo ao grupo estudado e sete
pertencendo aos grupos externos. Dois esquemas de pesagem dos caracteres, igual e
implícita, foram implementados nas análises, resultando cada um deles numa única árvore,
diferindo uma topologia da outra somente pela posição relativa de duas espécies na base de
um dos grupos de espécies reconhecidos. A análise corrobora a monofilia de Stenonartonia
e permite reconhecer três grupos de espécies dentro do gênero.
Palavras-chave: Eumeninae, filogenia, Stenonartonia, revisão taxonômica.
vii
ABSTRACT
Stenonartonia is a neotropical genus restricted to the forested regions of South America
east of the Andes. Their members are recognized by the subpetiolate and transversely
carinate first metasomal tergum, the highly salient lamellar and translucid apical propodeal
valvula which is continuous with the also enlarged and lamellar apical propodeal lamella;
the reduction of the opening of the axillary fossa by the innerly expansion of the scutellar
crest and the lateral axillary pannel; the existence of at least a small anterior axillary fovea
neighbour to the parategula; the presence of two rather closely set foveae midway between
the ocelli and the occiput in a rather flat crescentic area of differentiated sculpture and
pilosity on the female vertex; the transversely toothed metanotum and the relatively simple
propodeal structure devoid of carinae or lamellae apart from the medial carina. Other
useful characters include the reduced to absent occipital and epicnemial carinae; the
presence of pretegular carina; the absence of mesoscutal notauli; the non-expanded
fusiform tegula with a sharp, notched and slightly introflexed tip at the level of the
parategula; the simple posterior margin of the metasomal terga and sterna and the second
metasomal sternum devoid of any subasal truncation or projection. The genus is here
revised totalizing 13 species, including 8 new species and 3 new combinations: S.
polybioides (Schulthess) n. comb., S. mimica (Kohl) n. comb., S. flavotestacea (Giordani
Soika) n. comb., S. hasyva n. sp., S. cooperi n. sp., S. guaraya n. sp., S. rejectoides n. sp.,
S. occipitalis n. sp., S. tanykaju n. sp., S. hermetica n. sp. and S. grossa n. sp. An
identification key, along with full descriptions, illustrations of morphological features and
distribution maps for all of the species are provided in this work. A phylogenetic analysis
for the species of Stenonartonia was carried out based on 82 morphological characters.
Twenty terminals were included; thirteen of them belonging to the group here studied and
seven to outgroup taxa. Two character weighting schemes, equal and implied, were
implemented in the analysis, resulting in a single tree for each one, differing one topology
from the other only in the relative position of two species at the base of one of the species-
groups recognized. The analysis corroborates the monophyly of Stenonartonia and allows
the recognition of three species groups in the genus.
Keywords: Eumeninae, phylogeny, Stenonartonia, taxonomic revision.
1
INTRODUÇÃO
Os Vespidae contituem uma das grandes famílias de Hymenoptera Aculeata, com
mais de 4500 espécies e 268 gêneros descritos (Sarmiento & Carpenter 2006) distribuídos
em todas as grandes regiões biogeográficas do globo. Dentro desta família, a subfamília
Eumeninae possue uma importância radical por conter a maioria das espécies da família —
mais de 3200 espécies e 210 gêneros descritos (Sarmiento & Carpenter 2006)— e pela sua
posição central no esquema filogenético da família, entre as subfamílias basais de espécies
solitárias e as subfamilias apicais que contem as espécies sociais (Carpenter 1982).
A classificação genérica dos Eumeninae se inicia com o trabalho de Latreille (1802)
onde são descritos os gêneros de vespas solitárias Synagris, Eumenes e Odynerus, se
baseando nas peças bucais e formato do mesossoma e —especialmente— do metassoma.
Alguns poucos gêneros novos foram criados nas décadas seguintes e antes da volumosa
monografia de Saussure (1852-1858). Nesta monografia, além de serem descritos alguns
gêneros adicionais, uma importante parte das espécies de metassoma peciolado foram
incluídas no gênero Eumenes, enquanto a maior parte das espécies de metassoma séssil
foram consideradas como sendo parte de um grande gênero Odynerus, uma prática que a
maioria dos autores subsequentes continuou aplicando na descrição de espécies novas.
Saussure (1852-1858) dividiu estes dois gêneros em subgêneros e divisões designadas por
nomes (alguns deles correspondendo a gêneros descritos anteriormente por outros autores)
ou por letras gregas. Muitas destas divisões infrasubgenéricas agora são nomes genéricos
válidos desde que foram validadas na Opinião 893 da Comissão Internacional de
Nomenclatura Zoológica (1970).
A separação entre Eumenes e Odynerus começou a ficar menos clara desde que
Saussure (1869) descreve o gênero Nortonia com base em duas espécies (Odynerus
intermedius e Nortonia amaliae Saussure) que tinham o metassoma subpeciolado. Desde
então o nome Nortonia virou um táxon de conveniência e muitos autores subsequentes
descreveram espécies novas neste gênero às vezes com dúvida— quando não existia
clareza no caráter peciolado ou subpeciolado do metassoma. Existem casos, (tal como
aconteceu com Stenonartonia apicipennis) onde os seus diferentes sinônimos foram
descritos dentro de Odynerus (ou Eumenes, dependendo do caso) e Nortonia dependendo
do critério dos autores. Foi somente na década de 1930 quando esta prática começou a ser
questionada.
Em 1934, Bertoni descreve o gênero Paranortonia com base em três espécies
(Nortonia tolteca Saussure, N. sulcata Ducke e N. surinama Schulthess), mas sem
2
designação de espécie tipo, ficando o nome indisponível (Artigo 13.3 do Código de
Nomenclatura Zoológica). A designação do tipo (Nortonia tolteca Saussure) foi feita
poucos anos depois por Bequaert (1940). Este nome é hoje considerado sinônimo do
gênero Parazumia Saussure —uma ex-divisão do gênero Montezumia a partir do
catálogo de Vecht & Carpenter (1990) (Carpenter & Garcete-Barrett 2005).
Enquanto isso, Giordani Soika (1936; 1938) redefine Nortonia com base em sua
espécie tipo e espécies similares, todas na bacia do mar Mediterrâneo e coloca o nome
como um subgênero do gênero paleártico Pareumenes Saussure (descrito originalmente
como uma divisão do gênero Eumenes). Pouco tempo depois inicia a realocação das outras
espécies até então descritas como Nortonia e descreve o gênero Paranortonia (Giordani
Soika 1941) baseado em cinco espécies neotropicais (Nortonia polybioides Schulthess
[designada como espécie tipo], N. lugens Schulthess, N. mimica Kohl, N. guaranitica
Bertoni e Paranortonia flavotestacea Giordani Soika) que caracteriza pela presença de
uma carena transversal no T-I e pelo formato do propódeo uniformemente convexo. O
trabalho apresentava breves redescrições e uma chave parcial que não incluía N. mimica
nem N. guaranitica.
Décadas depois, o mesmo autor (Giordani Soika 1973) corrige a homonímia
resultante e propôs, em uma nota de rodapé, o nome Stenonartonia como nome de
substituição para Paranortonia Giordani Soika 1941.
Estabelecido o táxon, dois trabalhos mencionaram o gênero Stenonartonia. Por
uma parte Carpenter & Vecht (1991), no seu estudo sobre os tipos da coleção Fox,
reconheceram Odynerus apicipennis Fox como sinônimo sênior de Nortonia lugens
Schulthess, proveram novos caracteres para reconhecer Stenonartonia e sugeriram sua
posição filogenética dentro do clado Pseudodynerus-Montezumia de Carpenter &
Cumming (1985) na base da sua fossa axilar estreita; e por outra parte Garcete-Barrett
(2003), redescreveu Stenonartonia guaranitica (Bertoni) comparando-a com Stenonartonia
apicipennis.
O presente trabalho tem o fim de redescrever o gênero Stenonartonia, testar a sua
posição dentro de Eumeninae e a sua monofilia como grupo, reconstruir as relações
filogenéticas entre as suas espécies e prover a primeira revisão completa para o gênero,
com chave de identificação, redescrição das espécies conhecidas, descrição de espécies
novas, ilustração dos caracteres diferenciais e apresentação em mapas da distribuição
conhecida das espécies.
3
MATERIAIS E MÉTODOS
Material Examinado:
Foram examinados 229 espécimes de Stenonartonia, a maioria deles (144)
pertencendo a Stenonartonia apicipennis, uma espécie comum e amplamente distribuída,
seguida, em ordem decrescente, por S. flavotestacea (22 espécimes), S. cooperi (20
espécimes) e S. guaranitica (17 espécimes). O restante das espécies foi representada por
cinco ou menos espécimes. A maioria do material foi estudada durante o tempo do meu
trabalho de tese (2008-2009), ao passo que a coleção William Fox do CMNH,
temporariamente depositada no AMNH, e o material depositado no BMNH foram
examinados durante minha visita a Nova York e Londres em 1998. Por outra parte, o tipo
de Nortonia mimica, depositado no NMW, foi examinado somente a partir de fotografias
enviadas no 2007 por Dominique Zimmermann. Por último, Gavin Broad forneceu, em
2009, fotografias dos ninhos de S. cooperi depositados no BMNH. A seguir, os acrônimos
das coleções examinadas e pessoas contatadas para cada uma delas são apresentados:
AMNH: American Museum of Natural History, New York, USA (James
Carpenter).
BMNH: The Natural History Museum, London, UK (Ian Gauld, Sondra Ward
e Gavin Broad).
CMNH: Carnegie Museum of Natural History, Pittsburgh, USA (John
Rawlins).
ETHZ: Eldgenössische Technische Hochschule-Zentrum, Zürich, Switzerland
(Andreas Müller).
DZUP: Coleção de Entomologia Pe. J. S. Moure, Departamento de Zoologia,
Universidade Federal do Paraná, Curitiba, Brasil (Gabriel Melo e
Marcel Hermes).
IML: Instituto y Fundación Miguel Lillo, Tucumán, Argentina (Maria Virginia
Colomo).
INBPY: Museo Nacional de Historia Natural del Paraguay, San Lorenzo,
Paraguay (John Kochalka).
INPA: Instituto de Pesquisas da Amazônia, Manaus, Brasil (Augusto
Henriques).
NMW: Naturhistorisches Museum, Wien, Austria (Dominique Zimmermann).
MCNV: Museo di Storia Naturale di Venezia, Venezia, Italia (Marco Uliana).
4
MPEG: Museu Paraense Emilio Goeldi, Belém, Brasil (Orlando Tobias
Silveira).
OLML: Oberösterreichisches Landesmuseum, Linz, Austria (Josef
Gusenleitner e Fritz Gusenleitner).
UCD: University of California, Davis, USA (Lynn Kimsey e Steve Heydon).
UNISC: Universidade de Santa Cruz do Sul, Brasil (Andreas Köhler).
Além destas instituições, o tipo de Odynerus paraguayensis Bréthes, que não
esteve disponível para estudado, está depositado na seguinte instituição:
MACN: Museo Argentino de Ciencias Naturales, Buenos Aires, Argentina.
Morfologia:
O estudo da morfologia externa foi realizado com auxílio de um microscópio
estereoscópio ZEISS Stemi SV6, equipado com ocular micrométrica e câmara clara. As
fotografias das estruturas externas de interesse foram realizadas com auxílio de câmera
digital Leica DFC 500 acoplada ao microscópio estereoscópio Leica MZ 16. A captura das
imagens foi realizada através do software IM 50 (Image Manager) e a confecção das
mesmas através do software Auto-Montage Pro 5.03.0040. O estudo e confecção das
ilustrações de genitália dos machos foram realizados utilizado um microscópio ZEISS
Standard 20 com câmara clara acoplada. A genitália foi destacada do metassoma,
submergida em solução de KOH 10% por 24 36 horas, neutralizada em ácido acético e
acondicionada em glicerina. oito das 13 espécies reconhecidas de Stenonartonia tem
macho conhecido e dentro dos grupos externos o macho de Parazumia carinulata
(Spinola) é ainda desconhecido. As fotografias e desenhos foram editadas e as pranchas
geradas com o programa Adobe Photoshop 5.
Alguns termos morfológicos foram abreviados da seguinte maneira: T = tergo
metassomal; S = esterno metassomal; F = flagelômero. Para eses casos a numeração
consecutiva das partes respectivas foi feita em meros romanos (por exemplo F-X, F-XI,
etc.).
Sempre que foi possível, as mensurações foram tomadas de exemplares tipo.
Mensurações de algumas partes do corpo merecem explicação, pois foram tomadas da
seguinte maneira: o comprimento do corpo foi tomado desde a frente, na cabeça, até a
borda posterior do T-II; o comprimento da asa foi tomado desde a base da veia costal até o
ápice da asa; a largura do clípeo (Fig. 1) corresponde à distância mínima inferior entre os
5
olhos compostos e o seu comprimento foi medido ao longo da linha média desde a sua
margem superior até a ponta dos dentes apicais; as medidas do T-I (Fig. 3) foram tomadas
em vista dorsal, com o tergo completamente exposto: a sua largura corresponde à sua
largura máxima perto da margem posterior e o seu comprimento foi medido ao longo da
linha média entre a borda posterior da inserção do músculo suspensor e a margem posterior
do tergo; para o S-I (Fig. 4) as medidas foram tomadas somente para o seu disco (a região
expandida posterior à carena sub-basal): a largura corresponde à sua largura máxima;
porém para o comprimento, sendo que a margem posterior ncava, foram tomadas duas
medidas, sempre ao longo da linha média e iniciando na carena sub-basal: um
comprimento parcial medido até o ponto médio da margem posterior e um comprimento
total medido até o nível dos extremos laterais; a largura do T-II foi medida em vista dorsal
e é referida à máxima largura do tergo, normalmente posteriormente à linha média
transversal.
A terminologia para a morfologia externa foi adaptada principalmente do trabalho de
Bohart & Stange (1965), com considerações especiais e adaptações de terminologia
tomada de outras fontes (Duncan 1939; Carpenter & Cumming 1985; Gibson 1985,
Willink & Roig-Alsina 1998). É preciso explicar aqui as terminologias (Figs 2 e 5-8)
utilizadas para o complexo escutelo-axilar (segundo Gibson 1985), por ter sido uma região
do corpo tratada com pouca profundidade em outros trabalhos (Giordani Soika 1978;
Carpenter & Cumming 1985), mas as modificações dos seus componentes têm utilidade
especial na identificação das espécies de Stenonartonia e também interessantes
implicações filogenéticas dentro da subfamília Eumeninae.
Em primeiro lugar, poderíamos dividir o complexo escutelo-axilar numa região
escutelar posteromedial e duas regiões axilares anterolaterais, separadas uma da outra a
cada lado pela linha demarcada pelo sulco escuto-escutelar (Gibson 1985) e a carena
trans-escutelar (Duncan 1939). Dentro da região escutelar distinguimos o escutelo, as
fossas axilares e as cristas escutelares. O escutelo (Fig. 2: Sct) é a área medial elevada. Ao
lado o escutelo está delimitado pela borda da fossa axilar. Esta borda pode ser simples,
arredondada e mais ou menos em ângulo reto (Figs 5 e 7) ou pode estar projetada na forma
de carena ou lamela longitudinal (Figs 2, 6 e 8: cls) que se projeta por cima da fossa axilar.
Mais para trás da fossa axilar, um sulco acabado em uma leve indentação posterior
normalmente marca o limite entre o escutelo e a crista escutelar.
A fossa axilar (Carpenter & Cumming 1985; scutellar pocket segundo Duncan 1939)
é uma depressão sublateral da região escutelar e que forma um átrio (encerrada na fig. 2)
que normalmente em Eumeninae é profundo e se extende antero-lateralmente por dentro as
6
estruturas laterais do complexo escutelo-axilar. Corresponde topologicamente com o que
Gibson (1985) chama de axillula. O carater amplo” ou “estreito” da abertura da fossa
axilar (Figs 2 e 5-8: fa) teve relevância filogenética na análise feita por Carpenter &
Cumming (1985), e seu formato depende da extensão com que se sobrepõem sobre ela
várias outras estruturas, principalmente a lamela interna da crista escutelar. Essa extensão
da lamela interna da crista escutelar vai estar normalmente acompanhada pela extensão
medial e posterior do painel axilar lateral. Em gêneros como Pseudodynerus, Montezumia,
Monobia (Fig. 6), Parazumia e nos grupo de Stenonartonia polybioides (Figs 2 e 8) e S.
occipitalis também a borda lateral do escutelo e até o canto posterior da axila podem
contribuir ao fechamento da abertura da fossa axilar.
A crista escutelar (Duncan 1939 em parte) (Figs 2 e 5-8: sc) é a borda lateral afiada
da região escutelar. No seu sentido original abrange desde o seu limite com o escutelo até o
processo notal posterior da asa. Mas, considerando que a carena trans-escutelar separa a
região axilar da região escutelar, este seria o limite da crista escutelar num sentido mais
restrito, que é o preferido aqui. A crista escutelar está comumente coberta de pelos longos
dirigidos para dentro e em muitos Eumeninae a sua borda interna é comumente simples e
arredondada, caindo quase imperceptivelmente dentro da fossa axilar, existindo uma
sutil lamela no seu setor anterior (Fig. 5). Esta lamela interna da crista escutelar (Figs. 2 e
5-8: lic) se encontra desenvolvida em diferentes graus em diferentes gêneros de Eumeninae
e constitui uma tipo de teto que cobre o átrio da fossa axilar (Figs. 6-8).
Dentro da região axilar distinguimos a axila e o painel axilar lateral. A axila (Duncan
1939; Gibson 1997) (Fig. 2: ax) é a porção mais medial que possui uma porção antero-
medial horizontal, mais ou menos triangular, e cai abruptamente para trás e aos lados,
numa depressão confluente com a fossa axilar (Figs 5-7). Esta depressão separa a axila do
painel axilar lateral e se encontra estreitada, devido ao avanço —medial e
posteriormente— do painel axilar lateral, naqueles gêneros com fossa axilar estreita (Figs
6-8). Na maioria desses gêneros a adesão do painel axilar lateral sobre a axila é completa,
resultando num sulco pouco profundo e estreito ao longo de todo o limite com a carena
axilar (Fig. 6), mas em Stenonartonia (e de modo similar em Ancistrocerus
flavomarginatus, uma espécie com fossa axilar “ampla”) é parcial, de modo que a porção
anterior desta depressão —separada da fossa axilar pela carena trans-escutelar (Fig. 7: cas)
ou pelo comprimento do sulco vizinho à carena axilar (Fig. 8)— continua mais ou menos
ampla e profunda. Esta depressão adicional recebe o nome de fóssula axilar anterior (Figs
2 e 7-8: af) neste trabalho.
7
A carena trans-escutelar (Duncan 1939), é uma linha elevada transversal que sai
lateralmente da axila e que serve, em grande parte, de limite anterior para o átrio da fossa
axilar (Figs 2 e 7: cas). Sobre a crista escutelar (no sentido de Duncan 1939) uma
importante porção da carena trans-escutelar (Fig. 2: cas) atua de limite (às vezes um pouco
difuso) entre o painel axilar lateral e a crista escutelar propriamente dita.
O painel axilar lateral (lateral axillar surface segundo Gibson 1985 ou lateral panel
of the axilla segundo Gibson 1997) (Figs 2 e 5-8: lap) é uma área na forma de lâmina, boa
parte dela inclinada para adiante por baixo das articulações da asa. A sua borda medial,
mais ou menos longitudinal, é a carena axilar (Gibson 1985) (Fig. 2: cax) que se dobra
posteriormente para fora, de modo que a borda posterior do painel forma parte da carena
trans-escutelar. Este painel é quase vertical e encontra-se quase escondido por baixo da
tégula em Polistinae e muitos gêneros de Eumeninae com fossa axilar ampla (Fig. 5).
Contudo, em muitos gêneros (Figs 2 e 6-8) este painel avança, em diversos graus
dependendo do táxon, nos sentidos medial e posterior em direção à axila e ao escutelo,
projetando-se horizontalmente por cima da fossa axilar para formar boa parte do seu “teto”
e contribuindo desse jeito à condição de “estreita” da abertura da fossa axilar.
É provável que estas modificações do complexo escutelo-axilar tenham respondido a
uma pressão evolutiva originada por ácaros simbióticos da família Winterschmidtiidae, que
em muitos Eumeninae utilizam as fossas axilares (Makino & Okabe 2003), assim como
também outras partes do corpo (Bequaert 1918; Cooper 1955; Giordani Soika 1985), como
esconderijos (acarinários) durante o seu estado de deutoninfa. Estes ácaros apresentam
relações específicas com diferentes espécies de hymenópteros e pôdem ser saprofitas se
alimentando de fungos que crescem dentro do ninho do himenóptero (Vecht 1981), ou ser
parasitas se alimentando da hemolinfa das larvas e pupas do himenóptero hospedeiro
(Makino & Okabe 2003) ou mesmo possuir uma biologia complexa com fases saprofíticas
e parasíticas ao longo do seu desenvolvimento (Okabe & O’Connor 2002).
No caso das espécies parasíticas, Okabe & Makino (2008) descrevem uma relação
muito interessante, onde a presença do ácaro parásito Ensliniella parasitica —de baixo
impacto na supervivência do hospedeiro— nos ninhos do eumenino Allodynerus
delphinalis reduz as chaces de supervivência da vespa parasitoide e pelo tanto de alto
impacto— Melittobia acasta. Desta maneira, a presença destes ácaros —mesmo que eles
serem parasíticos— é muito mais beneficiosa do que prejudicial para a vespa hospedeira.
Distribuição geográfica
8
Os registros de distribuição geográfica das espécies foram retirados das etiquetas do
material examinado. As coordenadas geográficas, quando não indicadas nas etiquetas,
foram obtidas através do software Google Earth 4.3.7284.3916 (beta). Os mapas de
distribuição foram gerados com auxílio do programa Arcview Gis 3.2a e editados no
programa CorelDRAW Graphics Suite X3.
Análise filogenética
A análise incluiu todas as espécies reconhecidas de Stenonartonia como grupo
interno. Para grupo externo, foi escolhida uma espécie representante de cada um dos
gêneros do Novo Mundo incluídos dentro do clado Pseudodynerus-Montezumia por
Carpenter & Cumming (1985): Pseudodynerus subapicalis (Fox), Parazumia carinulata
(Spinola), Monobia angulosa Saussure e Montezumia pelagica Saussure. Foram incluídas
também uma espécie (A. flavomarginatus (Brèthes)) sulamericana de Ancistrocerus —um
gênero feneticamente similar a Stenonartonia pela presença de carena transversal no T-I—
como representante do clado irmão do grupo citado, e dois representantes bem diferentes
do gênero de posição incerta Ancistroceroides, caracterizado também pela presença de
carena transversal no T-I. Neste caso foram escolhidas a espécie tipo (A. alastoroides
Saussure) e um dos representantes do gênero que possui fossa axilar estreita (A.
acuminatus (Brèthes)).
A construção dos caracteres levou em consideração a correspondência topológica
entre as estruturas observadas, assim como a independência e a hierarquia dos caracteres e
estados. Optou-se por realizar a “construção contigente” (Forey & Kitching 2000) na
maioria das ocorrências de estruturas apresentando mais de um estado por carater. A
contingência deriva da dependência gica de se aplicar um caráter contingente ao estado
recebido em outro caráter e ainda evita que sejam misturados presença/ausência de uma
estrutura com suas respectivas formas (Forey & Kitching 2000). Contudo, para a
construção de alguns poucos caracteres foi necessária a utilização de estados múltiplos.
Todos os caracteres foram tratados como não aditivos.
A matriz de dados foi confeccionada com o programa Winclada versão 1.00.08
(Nixon 1999-2002). As análises foram feitas através do programa TNT versão 1.1
(Goloboff et al. 2003). A memória foi ajustada para conter um máximo de 30000 árvores,
aplicando uma busca tradicional dentro do algoritmo de embaralhamento de ramos (TBR),
com 1000 replicações e salvando 20 árvores por replicação. Este esquema simples foi
aplicado para a busca com pesos iguais. Para uma busca com pesagem implícita foi ativada
a função correspondente e aplicando a constante padrão do programa (K = 3).
9
O suporte para os ramos foi verificado através do suporte de Bremer (Bremer 1994)
utilizando-se o programa TNT dentro de um esquema de busca com pesos iguais na
primeira rodada e aumentando o nível de sub-otimidade em cada busca sucessiva com o
algoritmo TBR utilizando as árvores armazenadas na memória e ativando a função “stop
when maxtrees hit” de forma que as árvores sub-ótimas não sofressem embaralhamento de
ramos desnecessário (Goloboff et al. 2008). Os valores foram finalmente plotados
aplicando o comando “bremer support”.
A visualização dos cladogramas, a otimização dos caracteres e a sua editoração
foram realizadas com o auxílio do programa Winclada.
10
RESULTADOS
R
EVISÃO
T
AXONÔMICA
Stenonartonia Giordani Soika
Paranortonia Giordani Soika, 1941, Boll. Soc. Veneziana Stor.
Nat. 2: 154, gênero [homônimo junior de Paranortonia
Bequaert, 1940]. Espécie tipo: Nortonia polybioides von
Schulthess, 1904, por designação original.
Stenonartonia Giordani Soika, 1973, Boll. Mus. Civ. Stor. Nat.
Venezia 24: 25 (nota ao da gina), nome de substituição
para Paranortonia Giordani Soika, 1941.
D
IAGNOSE
: O gênero Stenonartonia contém um conjunto de espécies que possuem a
seguinte combinação de caracteres: mandíbula com três dentes preapicais (Fig. 1), sendo o
basal levemente emarginado e consequentemente bidentado, e o distal aplanado e mais
largo que o precedente (menos evidente em S. flavotestacea); carena acetabular da
mandíbula incompleta (Fig. 1), não atingindo a indentação preapical; palpo maxilar com
seis artículos; palpo labial com quatro artículos; alvéolos antenais separados do clípeo por
uma distância de entre um quinto e um quarto do seu próprio diâmetro e entre si por uma
distância aproximadamente igual ao seu diâmetro; antena do macho com gancho apical
(Figs 56-63) formado pela redução do F-X e a retroflexão do F-XI sobre o F-IX; olhos
glabros; vértice da fêmea apresentando uma área especializada (Figs 32-34) sub-oval (Fig.
32) ou cimbaliforme (Figs 33-34), aplanada ou muito levemente deprimida, livre de
macropontuação, coberta com micropontuação marcada densa e pilosidade mais densa e
ereta que no restante da cabeça e com um par de fóveas puntiformes por trás do espaço
interocelar posterior e a uma distância intermédia entre os ocelos posteriores e o nível da
carena occipital; gena aproximadamente tão larga como o olho na vista lateral; carena
occipital enfraquecida em direção ao meio, interrompida por trás do espaço interocular
(completa somente no grupo de S. occipitalis); face anterior do pronoto leve e
regularmente côncava, lisa e livre de fóveas ou pontuação; carena pronotal completa e
formando um ângulo humeral mais ou menos marcado ainda que um pouco obtuso em
várias espécies; face inferior lateral do pronoto convexa ou muito levemente côncava;
fóvea lateral do pronoto presente (Figs 64-75); carena pretegular presente; mesoscuto sem
notaulo e com linha parapsidal muito fraca; tégula fusiforme com o ângulo posterior agudo
que alcança o nível do ápice da paratégula, com a margem adjacente à paratégula
11
emarginada e dobrada para dentro (Figs 85-93); painel axilar lateral projetado por cima da
axila na direção do escutelo (Figs 2 e 76-93); entre a axila e o painel axilar lateral existe
um sulco que se abre anteriormente numa fóssula axilar anterior justo dentro da
emarginação posterior interna da paratégula (Figs 7-8); a crista escutelar se encontra
expandida para dentro na forma de uma lamela por cima da fossa axilar, desse modo
determinando uma fossa axilar relativamente estreita (Figs 7-8); carena sublobular no
mesepisterno ausente; sulcos mesepisternal e escrobal bem desenvolvidos, mesmo que
lineares na maioria das espécies; carena epicnemial ausente (somente presente, porém
muito fraca, no grupo de S. occipitalis) (Figs 64-665); metanoto com uma crista transversal
de dentes ao longo da dobra que separa a faixa anterior da declividade posterior (Figs 2 e
76-84), sendo esta dobra muito fraca na maioria das espécies; propódeo oblongo na vista
dorsal e com uma declividade posterior formada pelo conjunto pouco diferenciado das
superfícies sublaterais, uma área ou banda média mais ou menos deprimida e o canal
médio (Figs 87-93) (somente no grupo de S. occipitalis a área média está bem diferenciada
e portanto o propódeo é truncado) (Figs 85-86); carenas laterais do propódeo ausentes e as
carenas sublaterais representadas apenas por curtos vestígios inferiores conectados com a
carena submarginal; carena submarginal do propódeo expandida ao lado formando a
lamela apical do propódeo (Figs 64-75, 119-121, 123-124, 126-131), geralmente projetada
para cima ou para trás; válvula propodeal também lamelar e perfeitamente fusionada com a
lamela apical do propódeo, no máximo delimitada ao lado por uma dobra ou na borda por
uma emarginação regular gerada pelo deslocamento relativo da lamela apical do propódeo
(Figs 127-131); metassoma subpeciolado a subséssil, com o T-I entre 0,6 e 0,77 vezes tão
largo quanto o T-II; T-I variável, cônico, campanulado ou subquadrado (Figs 106-118),
com uma carena transversal na dobra entre a sua declividade anterior e o seu disco; S-I
(Figs 132-143) com sulco lateral separando o seu pecíolo do tergo e uma carena sub-basal
separando o pecíolo do disco; T-II (Figs 144-154) sem lamela premarginal e com, no
máximo, somente leves vestígios de lamela marginal; S-II regularmente convexo (Figs 35-
52), no máximo imperceptivelmente aplanado na sua base, sem sulco longitudinal e sem
nenhum tipo de carena ou projeção separando uma declividade anterior de uma superfície
posterior.
A chave de Carpenter & Garcete-Barrett (2003) também inclui, como caráter
diferencial de Stenonartonia, que a segunda veia recorrente (2m-cu) acaba quase
intersticial entre a segunda e a terceira células submarginais (2rs-m). O exame de mais
material demonstrou que esse caráter é extremamente variável, ainda intraespecíficamente,
de maneira que a segunda veia recorrente apresentou diferentes graus de distanciamento,
12
desde plenamente acabando dentro da segunda célula submarginal, até plenamente
intersticial e colineal com a veia 2rs-m. Pelo tanto, esse caráter não foi utilizado nem na
identificação nem na análise filogenética para o gênero Stenonartonia.
Chave de Identificação das espécies do gênero Stenonartonia
1. Escutelo completamente convexo, não deprimido ao lado, mas expandido em forma
de lamela translúcida cor de âmbar sobre a fossa axilar (Figs 78-81), a qual tem a sua
abertura muito estreita. Axila (Figs 78-81) também não deprimida para dentro da
fossa axilar. Vespas grandes, amarelas com desenhos pretos na cabeça e mesossoma
e regiões marrom ou marrom alaranjado no metassoma (Figs 37-38) que assemelham
à vespa social Agelaia fulvofasciata…………………………………………………2
Escutelo e axila fortemente deprimidos para dentro da fossa axilar (Figs 76-77, 82-
84), este último ao máximo com uma leve expansão ou carena, opaca e da mesma cor
que o resto do escutelo, oculta dentro da depressão. Abertura da fossa axilar maior.
Vespas de tamanho médio, na sua maioria predominantemente escuras com poucos
desenhos amarelos, assemelhando-se a outras espécies de vespas…………………5
2. Escutelo com uma grande “janela” translúcida redonda na vizinhança da axila (Figs
78-79). Painel axilar lateral curto, largo e reto. Metanoto de perfil arredondado (Fig.
67), com crista de dentes fracamente marcada (Fig. 78-79). Superfície sublateral do
propódeo coberta de abundantes estrias oblíquas finas e mais ou menos retas e com
macropontuação pouco importante (Figs 95-96). Margem apical do clípeo reta em
ambos os sexos (Figs 11-12, 24-25). Lamela apical do propódeo reduzida e com o
seu ápice arredondado na vista lateral (Figs 66-67, 121). Primeiro segmento do
metassoma mais estreito e se expandindo mais gradualmente (Figs 108-109): T-I
aproximadamente 1,3 vezes mais longo que largo e S-I se expandido gradualmente
(Figs 134-135). Fêmur médio do macho muito modificado por duas concavidades,
uma ventral basal e outra dorsal medial (Fig. 53). F-IX côncavo ventralmente. F-XI
muito alongado, curvado e aplanado (Figs 57-58)……………………………………3
Escutelo sem “janela”, no máximo com uma fina borda translúcida nas vizinhanças
da axila. Painel axilar lateral estreito, alongado e curvado para dentro e atrás em
forma de língua (Figs 80-81). Metanoto de perfil angular (Fig. 68), com crista de
dentes bem marcada (Figs 80-81). Superfície sublateral do propódeo com estrias
13
muito fortes e lateralmente dobradas para trás (Fig. 97) ou muito fracas (Fig. 98),
misturadas com macropontuação mais ou menos evidente. Margem apical do clípeo
côncavo em fêmeas (Figs 13-14) e machos conhecidos (Fig. 26). Lamela apical do
propódeo elevada, com o ápice angular na vista lateral (Figs 68-69, 123-124).
Primeiro segmento metassomal mais grosso e campaniforme (Figs 110-111): T-I
aproximadamente 1,2 vezes mais longo que largo e S-I se expandindo abruptamente
(Figs 136-137). Machos conhecidos com somente uma leve depressão ventral basal
no fêmur médio (Fig. 55), F-IX não deprimido ventralmente e F-XI curto, cilíndrico
e afinado no ápice (Fig. 59)…………………………………………………………4
3. Superfície sublateral do propódeo mais aplanada e reta (Fig. 87). Base do T-I reta aos
lados na vista dorsal (Fig. 108) e acima na vista de perfil (Fig. 121). S-I com algumas
estrias transversas fracas (Fig. 134). Clípeo da fêmea quase 1,4 vezes mais largo que
longo (Fig. 11). Macho com o clípeo não distintamente pontuado e vértice mais
achatado (Fig. 24), F-XI mais aplanado e F-IX com concavidade mais aprofundada
(Fig. 57)…………………………………………………S. polybioides (Schulthess)
Superfície sublateral do propódeo convexa (Fig. 88). Base do T-I convexa aos lados
na vista dorsal (Fig. 109) e acima na vista de perfil (Fig. 122). S-I com uma série de
estrias na forma de arcos concêntricos (Fig. 135). Clípeo da fêmea aproximadamente
1,2 vezes mais largo que longo (Fig. 12). Macho com o clípeo distintamente
pontuado e vértice mais convexo (Fig. 25), F-XI subcilíndrico e F-IX mais levemente
côncavo (Fig. 58)……………………………………………………S. hasyva n. sp.
4. Superfície sublateral do propódeo coberta por estrias fortes oblíquas dobradas para
trás e não ocultas pela macropontuação (Figs 80, 97). T-I com carena transversal bem
marcada, acompanhada posteriormente de um sulco transversal lustroso e com sulco
longitudinal bem marcado (Fig. 110). Perfil do metanoto projetado em ângulo agudo
(Fig. 68). Projeção posterior do painel axilar lateral mais longa que a paratégula e
crista escutelar coberta de pilosidade fina que não oculta a abertura da fossa
axilar(Fig. 80). Clípeo da fêmea aproximadamente 1,2 vezes mais largo que longo.
Áreas escuras do metassoma de cor castanho alaranjado (Fig. 147)…S. cooperi n. sp.
Superfície sublateral do propódeo coberta de macropontuação densa que oculta
estrias oblíquas muito finas e retas (Figs 81, 98). T-I com carena transversal muito
14
fraca, não acompanhada posteriormente de sulco transversal lustroso e sem sulco
longitudinal (Fig. 111). Perfil do metanoto formando ângulo reto. Projeção posterior
do painel axilar lateral aproximadamente tão longa quanto a paratégula e crista
escutelar coberta de pilosidade grossa que oculta a abertura da fossa axilar (Fig. 80).
Clípeo da fêmea aproximadamente 1,3 vezes mais largo que largo. Áreas escuras do
metassoma de cor castanho escuro (Fig. 148)………………………S. guaraya n. sp.
5. Carena occipital completa no meio. Propódeo truncado posteriormente, com uma
concavidade posterior bem marcada e definida (Figs 85-86, 94), com a sua superfície
lateral coberta com fóveas grandes de fundo plano e com lamela apical arredondada
(Figs 64-65). Fossa axilar mais estreita, fechada por uma projeção lamelar deprimida
do escutelo (Figs 76-77, 85-86). T-I muito curto e largo (Figs 106-107), de perfil
fortemente convexo ou até angulado (Figs 119-120). Disco do S-I curto,
cimbaliforme (Figs 132-133). Área modificada do vértice das fêmeas semielíptica
(Fig. 32). Mesepisterno com indicações de carena epicnemial (Figs 64-65). Dentes da
crista do metanoto bem desenvolvidos e agudos. Aspecto geral do inseto mais
robusto (Figs. 35-36, 47), lembrando membros dos gêneros de Eumeninae
Pseudodynerus ou Ancistrocerus……………………………………………………6
Carena occipital amplamente interrompida no meio. Propódeo posteriormente em
declive (Figs 89-93, 99-105), apenas com uma depressão posterior levemente
marcada, com a sua superfície lateral coberta de pontos grossos normais e com
lamela apical angular (Figs 70-75). Fossa axilar mais aberta; escutelo sem projeção
lamelar (Figs 82-84, 89-93). T-I em geral mais estreito e alongado (Figs 112-118), de
perfil mais levemente convexo (Figs 125-131). Disco do S-I variável (Figs 138-143),
desde curto cimbaliforme (Fig. 140) até triangular e alongado (Fig. 139). Área
modificada do vértice da fêmea semilunar fino (Fig. 34). Mesepisterno simplesmente
convexo, sem indicações de carena epicnemial (Figs 70-75). Dentes da crista do
metanoto baixos e obtusos. Aspecto geral do inseto mais delgado, lembrando
membros do gênero de Polistinae Polybia (Figs. 39-46, 48-52)…………………7
6. Concavidade propodeal coberta por pubescência decumbente dourada e delimitada
acima por uma borda bem definida (Figs 76, 85). T-I de perfil anguloso, com uma
carena transversal bem afiada (Figs 106, 119). Disco do S-I semilunar grosso e
predominantemente amarelo (Fig. 132). Macropontos do escutelo muito grossos no
15
disco, mas ausentes na declividade lateral (Figs 76, 85). Dorso do pronoto,
mesoscuto e escutelo coberto por pilosidade mais curta e espalhada que não oculta a
superfície (Figs 64, 76, 85). Mesossoma e tégula com algumas marcas amarelas.
Asas bicoloridas de forma contrastante: de cor alaranjada forte nos dois terços basais
e fortemente infumadas no terço apical (Fig. 35). Tarsos médio e posterior com
padrão de anelos esbranquiçados (Fig. 35)………………………S. rejectoides n. sp.
Concavidade propodeal coberta de pelos eretos não refletivos e sem uma borda bem
definida acima (Figs 77, 86, 94). T-I de perfil convexo, com a carena transversal
rombuda (Figs 107, 120). Disco do S-I semilunar fino e predominantemente escuro
(Fig. 133). Macropontos do escutelo um pouco mais finos, mas se espalhando quase
até a abertura da fossa axilar (Figs 77, 86). Dorso do pronoto, mesoscuto e escutelo
coberto por pilosidade mais longa e densa que oculta a superfície em grande parte
(Figs. 65, 77, 86, 94). Mesossoma e tégula sem marcas amarelas. Asa com coloração
diferente: de cor âmbar no quarto basal e se infumando leve e gradualmente em
direção ao ápice (Fig. 36). Tarsos médios e posteriores completamente escuros (Fig.
36)…………………………………………………………………S. occipitalis n. sp.
7. Propódeo com o canal médio fortemente expandido e aprofundado inferiormente
formando uma depressão polida onde a carena média desaparece muito antes de
alcançar a carena submarginal (Fig. 100), e com a lamela apical simplesmente
contínua com a válvula (Figs 71, 126). T-I com uma carena longitudinal bem
definida na sua declividade anterior (Fig. 126). Disco do S-I aproximadamente 1,5
vezes mais largo que longo (Fig. 139)……………S. flavotestacea (Giordani Soika)
Propódeo com o canal médio opaco, levemente expandido e pouco aprofundado
inferiormente, com a carena média completa alcançando a carena submarginal (Figs.
82-84, 89-93, 99, 101-105) e geralmente com a lamela apical mais ou menos
delimitada da válvula por uma dobra longitudinal e ao menos uma leve emarginação
marginal (Figs 72-75, 127-131). T-I sem carena longitudinal bem definida na sua
declividade anterior. Disco do S-I mais curto, pelo menos duas vezes mais largo que
longo (Figs 138, 140-143)………………………………………… …………………8
8. Disco do S-I na forma de meia lua, mais de três vezes mais largo que longo (Fig.
140). Insetos parecidos com à vespa social Brachygastra lecheguana no padrão de
16
cor: corpo preto cinzento sem marcas amarelas no mesossoma, bandas apicais
amarelo-alaranjadas bem definidas no metassoma e asa de cor âmbar na metade
basal, se infumando leve e gradualmente em direção ao ápice (Figs 42,
50)…………………………………………………………S. guaranitica (Bertoni)
Disco do S-I triangular, no máximo 2,5 vezes mais largo que longo (Figs 138, 141-
143). Insetos com padrões de cor diferentes (Figs 39-41, 43-46, 48-49, 51-52)……9
9. Fóssula anterior da axila pequena e completamente exposta, afastada detrás da
paratégula (Figs 82, 89). Paratégula fina e careniforme (Figs 82, 89). Propódeo de
aspecto ovóide na vista dorso-lateral, com as superfícies posterior, sublateral e lateral
formando uma curva quase contínua e com a pilosidade do canal médio ereta, não
formando uma banda refletiva prateada (figs 82, 89, 99)…………S. mimica (Kohl)
Fóssula anterior da axila grande e em parte oculta por baixo da paratégula (Figs 83-
84, 90-93). Paratégula mais grossa, digitiforme (Figs 83-84, 90-93). Propódeo mais
anguloso, com as superfícies posterior, sublateral e lateral mais ou menos separadas
em diferentes planos e com a pilosidade do canal médio decumbente, formando uma
banda refletiva prateada pelo menos no setor inferior (Figs 83-84, 90-93, 101-105)
………………………………………………………………………………………10
10. Clípeo opaco, muito microreticulado e densamente micropontuado em ambos os
sexos (Figs 19, 30) e coberto apenas por pubescência fina, cerdas grossas ausentes na
fêmea. Carena transversal do T-I relativamente fraca, interrompida no meio (Fig.
115) sem se projetar para trás e sumindo ao lado antes de alcançar o nível do
espiráculo (Fig. 128). Macropontos no T-II bem marcados e numerosos, separados
entre si na sua maioria por uma distância mínima de 1-2 diâmetros no meio do tergo
e formando uma banda apical mais definida de pontuação mais grossa e densa (Fig.
152). Área discal externa da tégula lisa, sem micropontuação pilífera (Fig. 91).
Insetos com coloração parecida com a da vespa social Polybia ignobilis: corpo preto
cinzento devido à pilosidade esbranquiçada, asas enegrecidas ao longo da região
costal (cinzentas no resto) e pernas com desenhos amarelos reduzidos (Figs 43,
51)………………………………………………………………S. apicipennis (Fox)
17
Clípeo um pouco mais lustroso, com microreticulação mais fraca e micropontuação
mais espalhada em ambos os sexos e com numerosas cerdas grossas amarelas na
fêmea (Figs 20-22, 31). Carena transversal do T-I forte e contínua (Figs 116-118),
alcançando o nível do espiráculo ao lado (Figs 129-130), e normalmente projetada
para trás no meio, onde pode estar apenas pontualmente interrompida. Macropontos
do T-II mais fracos, na sua maioria separados por uma distância mínima de 2 a 3
diâmetros no médio do tergo e sem formar uma banda apical de pontuação mais
densa ou grossa (Figs 153-154). Área discal externa da tégula coberta por
micropontuação pilífera (Figs 92-93). Insetos com coloração parecida com a das
vespas sociais Agelaia vicina e Polybia minarum: corpo preto amarronzado devido à
pilosidade marrom-amarelada, asas marrons e pernas com extensas regiões amarelas
ou avermelhadas (Figs 44-46, 52)…………………………………………………11
11. Carena dentada do metanoto bem marcada. Ângulo humeral obtuso e arredondado.
T-II com macropontos mais espalhados e perceptíveis entre micropontuação e
pilosidade mais finas (Fig. 153). Clípeo com micro e macropontuação fraca e
espalhada (Figs 20, 31). Mandíbula da fêmea e grande parte da gena inferiormente
amarelas (Figs 20, 44). Mesonoto, metanoto e mesepisterno com marcas
avermelhadas escuras (Figs 44, 74, 84, 92, 103). Asas com área basal âmbar mais
clara (Fig. 44)………………………………………………………S. tanykaju n. sp.
Carena dentada do metanoto borrada. Ângulo humeral marcado e reto. T-II com
macropontos mais densos e difíceis de distinguir entre micropontuação e pilosidade
mais densas (Fig. 154). Machos desconhecidos. Fêmeas com macro ou
micropontuação do clípeo mais profunda e densa, pelo menos no terço superior (Figs
21-22), e sem marcas claras nas mandíbulas, genas, mesonoto, metanoto nem
mesepisterno (Figs 21-22, 45-46, 75, 93, 104-105). Asas mais uniformemente
marrons escuras (Figs 45-46)………………………………………………………12
12. T-I com a declividade anterior deprimida e com a carena transversal dobrando-se
para trás no nível do espiráculo (Fig. 130). Lamela apical do propódeo na forma da
uma pequena projeção dirigida para trás e separada da válvula por uma emarginação
semicircular (Fig. 130). Clípeo coberto por macropontuação mais espalhada, fina e
superficial e com micropontuação abundante na sua metade superior (Fig.
21)…………………………………………………………………S. hermetica n. sp.
18
T-I com a declividade anterior mais convexa e com a carena transversal reta ao nível
do espiráculo (Fig. 131). Lamela apical do propódeo na forma de uma grande
projeção triangular dirigida para cima e separada da válvula por uma emarginação
angular obtusa (Fig. 131). Clípeo coberto por macropontuação grossa, profunda e
abundante e com micropontuação mais espalhada concentrada principalmente no
terço superior (Fig. 22)………………………………………………S. grossa n. sp.
Grupo de Stenonartonia occipitalis
Este pequeno grupo com duas espécies é notavelmente distinto do restante do
gênero. Possuem o dente subapical da mandíbula plano e largo; carena occipital completa;
área especializada do vértice da fêmea muito extensa, formando uma semi-elipse ampla;
ângulo humeral projetado; tégulas fortemente micropontuadas; axila com a superfície
latero-posterior quase perpendicular; fóssula axilar anterior pequena e completamente
exposta; escutelo plano e deprimido em declive ao lado formando uma curta lamela opaca
que estreita a abertura da fossa axilar; um sulco separa o escutelo da crista escutelar; crista
do metanoto formada por dentes fortes e agudos; indicações de carena epicnemial
presentes; sulco mesepisternal profundo e grosso; propódeo fortemente truncado, com uma
concavidade posterior ampla; superfície lateral do propódeo coberta por grandes alvéolos
de fundo plano no seu canto ântero-superior e que decrescem em tamanho inferiormente;
lamela apical do propódeo arredondada e completamente fusionada de forma inseparável
com a válvula; primeiro segmento metassomal muito curto e grosso, com o T-I de formato
quase quadrangular e de perfil muito dobrado e o S-I de formato semilunar; grádulo do T-
II raso e área pregradular de superfície opaca. Ambas as espécies têm aspecto geral robusto
parecido com espécies do gênero Ancistrocerus.
Stenonartonia rejectoides n. sp.
(Figs. 1, 9, 32, 35, 64, 76, 85, 106, 119, 132, 144, 173)
D
IAGNOSE E
C
OMENTÁRIOS
: S. rejectoides é reconhecível pelo T-I de perfil angular
e com carena transversal afiada, pela pilosidade refringente da concavidade propodeal, pela
pilosidade curta e espalhada do mesossoma e pelo padrão de coloração que lembra à vespa
social Polybia rejecta: preta com reflexos de pilosidade bronze, principalmente evidente no
metassoma, e asas alaranjadas brilhantes com o ápice enegrecido.
D
ESCRIÇÃO
:
19
Fêmea: Coloração: integumento preto com marcas de cor amarela pálida como
segue: centro das mandíbulas; banda lateral no clípeo; linha orbital interna curta; linha
interantenal breve; face inferior do escapo; uma pequena marca pós-ocular na gena
inferior; uma pequena e leve marca difusa no ângulo inferior do pronoto e outra na frente
da fóvea pronotal; uma marca difusa no lóbulo pronotal; uma faixa muito fina ao longo da
margem posterior do pronoto; marcas anterior e posterior na gula; uma banda transversal
no metanoto; pequenas marcas articulares vizinhas às coxas no mesepisterno e na
metapleura; uma linha ao longo da base da válvula propodeal; uma linha anterior ao longo
da metade distal do fêmur anterior, tíbia e basitarso anterior inteiramente; articulação
fêmur-tíbia das pernas média e posterior brevemente; linha anterior ao longo da metade
apical da tíbia média e do quarto apical da tíbia posterior; basitarso médio e posterior
inteiramente com exceção do ápice; metade basal do tarsômero II das pernas média e
posterior; lados dos tarsômero III e IV das pernas média e posterior; uma marca mínima no
meio da carena transversal do T-I; fina margem posterior do T-I continuando nas margens
laterais; o S-I inteiro e fina margem posterior nos segmentos metassomais II a V
(escurecidas a partir do III). São marrom claro: face inferior de pedicelo e flagelo; um
pouco de coloração difusa perto do ápice da mandíbula; uma mancha externa média na
tégula; área marginal e parte inferior do canal médio do propódeo; articulações difusas
fêmur-tíbia de todas as pernas; último tarsômero de todas as pernas; face inferior dos tarsos
médio e posterior a partir do ápice do basitarso e uma mancha central escura no T-VI.
Membrana alar e venação laranja brilhante na base e contrastantemente marrons escuras a
partir do pterostigma.
Medidas e proporções: Comprimento do corpo: 9,4 mm. Comprimento da asa
anterior: 8,6 mm. Clípeo 1,2 vezes mais largo que longo, com os dentes apicais separados
por uma distância similar ao espaço interantenal. T-I 1,2 vezes mais largo que longo e a
sua largura 0,77 vezes a largura do T-II, dando um aspecto séssil ao metassoma. S-I
semilunar: 3,3 vezes mais largo que o seu comprimento no meio e 1,96 vezes mais largo
que o seu comprimento total.
Estrutura: Clípeo moderadamente convexo, com uma leve depressão apical
triangular e com a margem apical côncava em semicírculo entre os dentes que são
translúcidos, arredondados e apontam levemente para fora. Cabeça regularmente
arredondada, levemente elevada e plana apenas na área especializada do vértice. Carena
occipital apenas levemente enfraquecida no meio e descrevendo um arco regular. Ângulo
humeral reto e de ponta aguçada em vista frontal.
Carena pronotal muito leve e
amplamente emarginada em baixo do ângulo humeral. Linha parapsidal vestigial.
20
Paratégula falciforme, carenada dorsalmente. Painel axilar lateral completamente
transversal a pouca distância atrás do nível da paratégula. Expansão interna da crista
escutelar brevemente emarginada de modo que a abertura da fossa axilar é pequena e oval.
Metanoto em declive, o angularmente dobrado em vista lateral, e quase desconectado da
concavidade posterior do propódeo. Limite metapleura-propódeo não marcado.
Concavidade posterior do propódeo com os seus limites fortemente definidos, quase
formando carena. Carena média do propódeo completa. Carena submedial do propódeo
muito curta e fina. T-I fortemente dobrado em ângulo quase reto, com declividade anterior
quase plana mais com levíssima indicação de uma linha longitudinal média elevada.
Carena transversal do T-I contínua, muito elevada e afiada e dobrada para trás no seu
extremo lateral ao nível do espiráculo. Sulco longitudinal do T-I completo, porém
extremamente fino.
Pontuação: Clípeo coberto com macropontos fusiformes na sua maior parte,
separados entre si por aproximadamente a metade do seu diâmetro. Cabeça
moderadamente brilhante, coberta com micropontuação pilífera regularmente espaçada.
Mesossoma mais opaco, especialmente no dorso, onde a micropontuação é um pouco mais
densa. Cabeça, pronoto, mesoscuto, escutelo e mesepisterno cobertos com macropontuação
grossa e densa, tornando-se mais espaçada aos lados. Declividade lateral do escutelo livre
de macropontos. Macropontos fusiformes e especialmente densos na face. Micropontuação
da tégula um pouco mais espalhada perto da margem externa. Metanoto com uma faixa
crenada anterior irregular e com o restante coberto de macropontos confluentes. Superfície
sublateral do propódeo coberta com fóveas grossas, densas e em parte confluentes e que se
tornam mais finas e espaçadas sobre as superfícies laterais do propódeo, onde se encontram
distribuídos espaçada e irregularmente. Canal médio do propódeo opaco e finamente
chagrinado. Metassoma com micropontuação regularmente densa. T-I com poucos
macropontos muito finos espalhados na sua declividade anterior e coberto de macropontos
grossos e regularmente espaçados no seu disco. T-II coberto com macropontos muito finos
e amplamente espaçados anteriormente e no meio que se tornam rapidamente mais grossos
posteriormente e para os lados para formar uma banda marginal destacada de pontuação
grossa mais densa. T-III a T-VI cobertos com pontuação regularmente densa, mas não
muito grossa. S-I macropontuado de forma grossa e reticular. S-II coberto com
macropontos finos espalhados que apenas se tornam um pouco mais densos lateralmente.
S-III a S-V com macropontuação de grossura média regularmente espaçada. S-VI sem
macropontos.
21
Pilosidade: Corpo coberto com uma pubescência bronze muito curta, fina e não
muito densa que se torna mais clara (amarelo dourado a esbranquiçado) nos lados e
ventralmente. Essa pubescência é especialmente evidente nos tergos metassomais, que tem
um aspecto geral cor de bronze. Cabeça e metassoma com muito poucas cerdas pálidas,
dobradas na sua maioria, espalhadas entre a pubescência. Concavidade propodeal coberta
com pilosidade refletiva deitada dirigida para abaixo.
Macho: Desconhecido.
E
TIMOLOGIA
: O nome desta espécie indica sua coloração parecida com a da vespa
social Polybia rejecta.
D
ISTRIBUIÇÃO
: Brasil: Amazonas.
M
ATERIAL EXAMINADO
: HOLÓTIPO: BRASIL: Amazonas: Manaus, Reserva
Biológica do Cueiras, ZF2, 100 m, 02°35'S, 60°12'W, 10.vii.2008 (M.G. Hermes) [1
fêmea: DZUP].
Stenonartonia occipitalis n. sp.
(Figs. 10, 23, 36, 47, 56, 65, 77, 86, 94, 107, 120, 133, 145, 155, 163, 174)
D
IAGNOSE E
C
OMENTÁRIOS
: Estruturalmente, S. occipitalis está evidentemente
relacionada com S. rejectoides, se diferenciando pelo T-I de perfil mais arredondado e com
carena transversal mais obtusa, pela pilosidade da concavidade posterior do propódeo não
refringente e pelo padrão de coloração que lembra a vespa social Brachygastra
lecheguana: preta com reflexos de pilosidade densa e comprida dourada, praticamente sem
marcas amarelas no mesossoma, metassoma com bandas amarelas completas e assas
ambarinas opacas que escurecem gradualmente em direção ao ápice.
D
ESCRIÇÃO
:
Fêmea: Parecida com S. rejectoides, mas diferindo em vários aspectos a seguir:
Coloração: as marcas claras são amarelo laranja e estão distribuídas como segue:
marca inferior na gena pequena ou inexistente; tégula completamente preta ou com pouco
amarelo no seu ângulo posterior; mesossoma completamente preto com exceção de nódoas
articulares parduscas vizinhas ás coxas média e posterior; fêmur anterior com uma marca
preapical externa amarela pelo menos num exemplar; tíbia posterior completamente
escura; tarsos escuros com a exceção da face ventral pardusca dos tarsômero preapicais e o
tarsômero V que é na sua maior parte marrom amarelado; carena transversal do T-I sem
marca amarela; bandas apicais nos segmentos metassomais II a V mais grossas; T-VI pelo
menos com uma grande marca medial amarela ou completamente amarelo; S-VI escuro,
marcado no meio ou extensamente amarelo apicalmente; membrana alar ambarina clara,
22
gradualmente tornando-se marrom cinzenta em direção ao ápice; venação marrom escura,
tornando-se ambarina só na base mesmo.
Medidas e proporções: Comprimento do corpo: 10,9 mm. Comprimento da assa
anterior: 10 mm. Clípeo 1,24 vezes mais largo que longo. T-I 1,40 vezes mais largo que
longo e com a sua largura 0,77 vezes a largura do T-II. S-I finamente semilunar: 3,72 vezes
mais largo que o seu comprimento no meio e 2,21 vezes mais largo que o seu comprimento
total.
Estrutura: Sulco interantenal mais profundo; carena occipital obcordada no meio;
ângulo humeral com a ponta mais arredondada; pronoto alargando mais fortemente
alargado posteriormente; paratégula mais grossa, não carenada dorsalmente; declividade
lateral do escutelo mais perpendicular; painel axilar lateral projetado posteriormente
afastando-se da paratégula; expansão interna da crista escutelar quase reta de modo que a
abertura da fossa axilar é muito estreita; perfil do metanoto em ângulo reto, com a sua face
posterior caindo perpendicularmente e tocando brevemente a concavidade propodeal;
indicações da carena epicnemial mais fracas; limites da concavidade propodeal não
marcados; carena submedial do propódeo mais grossa, na forma de uma ponte; lamela
apical do propódeo menos projetada para acima; perfil do T-I mais arredondado, com a
declividade anterior muito convexa; carena transversal do T-I mais baixa, não afiada e
mais levemente dobrada para trás no seu extremo lateral; sulco longitudinal do T-I ainda
mais fraco.
Pontuação: Clípeo chagrinado entre os macropontos; corpo inteiro mais opaco
devido à micropontuação um pouco mais densa; macropontuação de cabeça, pronoto,
mesoscuto e mesepisterno levemente mais fina e não especialmente espaçada nos lados do
pronoto; tégula mais uniformemente micropontuada e com alguns pontos maiores
espalhados no meio; axila com macropontos mais abundantes; escutelo mais densamente
macropontuados, ainda na declividade lateral; metanoto com uma faixa anterior dupla
crenada de maneira confusa e confluentemente; superfície sublateral do propódeo coberta
com macropontuação muito grossa de intervalos careniformes que se espalha um pouco
na forma de alvéolos dispersos nas partes superiores da concavidade e da superfície lateral
do propódeo; concavidade propodeal chagrinada e com microestriado transversal;
macropontos no T-I mais finos e na sua maior parte mais densos; escultura do S-I mais
espaçada; macropontuação do restante do metassoma no geral um pouco mais grossa e
densa.
Pilosidade: pubescência mais longa, abundante e de cor mais amarelado, misturada
com abundantes cerdas pálidas semieretas que são mais curtas e menos abundantes no
23
mesossoma; concavidade propodeal coberta com pilosidade não refletiva deitada e dirigida
para acima e para fora misturada com cerdas eretas muito finas.
Macho: Diferindo da fêmea como segue:
Coloração: O amarelo na mandíbula está reduzido a um triângulo sub-basal; as
linhas laterais do clípeo podem ser mais grossas.
Medidas e proporções: Comprimento do corpo: 9,1 mm; comprimento da assa
anterior: 8,1 mm; clípeo 1,12 vezes mais largo que longo.
Estrutura: Escutelo levemente convexo; concavidade propodeal mais plana e com os
seus limites levemente mais definidos.
E
TIMOLOGIA
: O nome faz referência à carena occipital completa desta espécie, uma
característica notável dentro do gênero Stenonartonia.
D
ISTRIBUIÇÃO
: Mesopotâmia da Argentina.
M
ATERIAL EXAMINADO
: 3 fêmeas e 2 machos. HOLÓTIPO: ARGENTINA:
Corrientes: Las Marías, Ca. Virasoro, 10-15.xi.1969 (C. Porter) [1 fêmea: IML].
PARÁTIPOS: ARGENTINA: Corrientes: Las Marías, Ca. Virasoro, 7.xi.1971 (C.
Porter) [1 macho e 1 fêmea: IML]; mesma localidade, 10-15.xi.1969 (C. Porter) [1 fêmea:
MCNV]; Misiones: Bompland, sem mais dados [1 macho: IBNPY].
Grupo de Stenonartonia polybioides
Este é um grupo de espécies bastante homogêneo na estrutura e no aspecto geral.
Possuem o dente subapical da mandíbula plano e largo; carena occipital interrompida
detrás do espaço interocular; área especializada do vértice semilunar estreita; ângulo
humeral não projetado; tégulas quase polidas no meio; axilas quase planas, sem uma
declividade posterior forte e com o seu ângulo posterior ambarino translúcido; fóssula
axilar anterior pequena e completamente exposta; escutelo convexo e contínuo com a área
lateral não deprimida e formando uma lamela ambarina translúcida que se sobrepõe à axila
e cobre a maior parte da fossa axilar deixando uma pequena abertura; sulco separando o
escutelo da crista escutelar presente; formato geral do metanoto e a sua crista transversal
variável; carena epicnemial ausente; sulco mesepisternal fino; propódeo de formato geral
oblongo, com declividade dorsal regularmente convexa, sem concavidade nem área
posterior plana ou deprimida, com um canal médio estreito bem marcado e carena média
completa; superfície sublateral do propódeo coberta de numerosas estrias oblíquas de
natureza variável dependendo da espécie; superfície lateral do propódeo com poucos
macropontos espaçados no máximo; lamela apical do propódeo muito pobremente
diferenciada e completamente fusionada com a válvula; primeiro segmento metassomal
24
alongado, com o T-I cônico ou campanulado e o S-I de formato alongado estreito ou
campanulado; grádulo do T-II raso e área pregradular é de superfície opaca. As suas quatro
espécies são vespas medianamente grandes similares em forma geral e coloração com a
vespa social Agelaia fulvofasciata.
Stenonartonia polybioides (Schulthess) n. comb.
(Figs. 11, 24, 33, 37, 57, 66, 78, 87, 95, 108, 121, 134, 146, 156, 164, 173)
Nortonia polybioides Schulthess, 1904, Z. Syst. Hym. Dipt. 5: 272,
279, 281. LECTÓTIPO: fêmea, Peru, Callanga (ETHZ),
designado aqui [examinado].
Paranortonia polybioides, Giordani Soika, 1941, Boll. Soc.
Veneziana Stor. Nat. 2: 159, fig. 6.
D
IAGNOSE E
C
OMENTÁRIOS
: S. polybioides e S. hasyva são espécies esbeltas que se
destacam pelo grande tamanho da cavidade interna da fossa axilar evidenciada pela
presença de uma grande “janela” oval translúcida ântero-lateralmente no escutelo, a mais
de outros caracteres mencionados na chave. O clípeo muito largo, a crista do metanoto
borrada, o propódeo estreito com sua superfície sublateral coberta de estrias oblíquas retas
e o metassoma subpeciolado com o T-I muito estreito e deprimido caracterizam a S.
polybioides.
D
ESCRIÇÃO
:
Fêmea: Coloração: Integumento amarelo laranja com marcas pretas (tornando-se
parduscas no vértice e nas pernas) como segue: dentes mandibulares; côndilo mandibular
posterior; parte da face superior do escapo; desenho complexo interconectado que inclui a
área interocelar, um par de braços frontais grossos que se afinam justo antes de tocar as
inserções antenais e a área postocelar semilunar modificada do vértice; um triângulo
supraocular apontando para o centro desde cada olho; faixa occipital fina que volta semi-
bífida no contato com a carena occipital com um braço posterior truncado e grosso e um
braço anterior fino e na forma de uma gota alongada; marca no centro da face anterior do
pronoto; linha humeral curta na forma de um L perto do ângulo posterior do pronoto;
mesoscuto inteiro com a exceção das paratégulas e um par de linhas longitudinais; pequena
marca subalar e outra marca em baixo do lóbulo pronotal; sulco escrobal; grande marca
escutelar na forma de taça curta; faixa fina anterior e ângulo posterior do metanoto; canal
médio do propódeo; anéis propodeais sublaterais anteriores fusionados no meio;
escurecimento difuso nas fossetas submarginais; linha dorsal longitudinal nos fêmures
médio e posterior; linha interna na tíbia posterior; uma nódoa na inserção muscular no T-I;
25
anel gradular no T-II. São marrom alaranjado: antenas; centro da tégula; “janelas”
escutelares e parte dos escleritos laterais axilares e escutelares; áreas difusas importantes
nas pernas média e posterior; halo difuso acompanhando as marcas escuras no propódeo;
T-I e T-II com a exceção de um setor basal difuso e a banda apical, ambos amarelos; base
de T-III a T-VI. Membrana alar amarela cinzenta subhialina, um pouco mais escura ao
longo da região costal. Venação amarelada que se torna mais escura perto da base da assa.
Medidas e proporções: Comprimento do corpo: 11 mm. Comprimento da assa
anterior: 12,7 mm. Clípeo 1,38 vezes mais largo que longo. T-I 1,36 vezes mais longo que
largo e com a sua largura 0,6 vezes a largura do T-II. S-I 1,28 vezes mais largo que longo
no meio e 1,02 vezes mais largo que o seu comprimento total.
Estrutura: Clípeo com a sua superfície muito levemente convexa, quase plana, sem
depressão apical, com a margem truncada e finamente translúcida. Cabeça amplamente
arredondada. Ângulo humeral em ângulo reto na vista frontal. Carena pronotal apenas
emarginada em baixo do ângulo humeral. Linha parapsidal visível. Paratégula na forma de
um pé. Escutelo com uma grande “janela” em forma de bolha na vizinhança da axila.
Painel axilar lateral não projetado posteriormente. Perfil do metano em declive simples,
com indicações muito fracas de crista transversal. Limite metapleura-propódeo marcado e
finamente careniforme na sua quinta parte posterior. Propódeo muito levemente convexo,
de lados quase retos. Carena submedial do propódeo apenas elevada. Lamela apical do
propódeo reduzida, retraída em relação com a válvula. T-I alongado, de lados retos que se
alargam gradualmente para trás, com tubérculos espiraculares proeminentes, e com a
declividade anterior de perfil reto e quase sem indicações de carena longitudinal. Carena
transversal do T-I fortemente marcada por um sulco posterior liso que a acompanha, muito
brevemente interrompida no meio e acabando reto lateralmente no nível do espiráculo.
Sulco longitudinal do T-I profundamente marcado. S-I isoscélico alongado, de lados retos
que divergem gradualmente para trás.
Pontuação: Clípeo finamente granulado e com escassos pontos muito finos e
espalhados. Cabeça e mesossoma muito levemente brilhante, subopacos, cobertos com
micropontuação pilífera moderadamente espaçada e abundante. Metassoma com
micropontuação pilífera abundante que é mais densa nos tergos e nos esternos se encontra
mais concentrada posteriormente. Frente, vértice, superfície superior do pronoto e
mesoscuto cobertas com macropontuação reticular de intervalos subcareniformes
convexos, um pouco maiores no mesoscuto. A macropontuação se torna espaçada na gena
e na superfície lateral do pronoto. Escutelo e mesepisterno superior cobertos com
macropontos medianos separados por intervalos de 1 ou 0,5 diâmetro respectivamente.
26
Metanoto densamente estriatopontuado no sentido longitudinal e com uma faixa crenada
anterior apenas diferenciada. Mesepisterno inferior coberto com poucos macropontos finos
espalhados, mais grossos e concentrados dorso-posteriormente. Mesepímero fina e
densamente macropontuado nos seus três quartos dorsais. Metapleura e superfície lateral
do propódeo quase livres de macropontos. Superfície sublateral do propódeo coberta com
abundante estriado fino diagonal reto, acompanhado de alguns macropontos ao longo da
junção com a superfície lateral. Canal médio do propódeo opaco e finamente chagrinado.
T-I com poucos macropontos grossos e superficiais espalhados na sua declividade anterior
e com macropontos finos pouco marcados no seu disco. T-II coberto com macropontos
finos pouco marcados e muito espaçados, repentinamente mais grossos e moderadamente
densos na banda apical amarela. T-III a T-VI com macropontuação moderadamente densa.
S-I com algumas rugas transversais irregulares. S-II a S-V com macropontuação espalhada
e gradualmente densa em direção à margem posterior. S-VI sem macropontos. T-I a T-V e
S-II a S-IV com uma borda apical extremamente fina livre de pontuação.
Pilosidade: Clípeo quase nu, com umas poucas cerdas microscópicas espalhadas.
Frente, vértice, ganas acima, pronoto dorsalmente, mesoscuto e escutelo cobertos com
pubescência fina e densa fulva, menos evidente na frente, misturada com abundantes
cerdas grossas e ereta marrons. Metanoto, propódeo, parte baixa da frente e lados da
cabeça e do mesossoma cobertos com uma fina pubescência esbranquiçada, menos
evidente na cabeça e mais longa no propódeo. Metassoma coberto com uma pubescência
curta fulva e poucas cerdas, eretas no segmento I e subdecumbentes nos restantes
segmentos, mais oncentradas nas bandas apicais.
Macho: Diferindo da fêmea como segue:
Coloração: Escapo sem área preta dorsal; flagelo mais escuro dorsal e apicalmente;
marcas supraoculares fusionadas com a marca interocelar; braço anterior da banda
occipital desconectado, tarsômero V das pernas média e posterior preto.
Medidas e proporções: Comprimento do corpo: 10 mm. Comprimento da assa
anterior: 11,3 mm. Clípeo 1,23 vezes mais largo que longo.
Estrutura, pontuação e pilosidade: Aspecto geral mais delgado com a cabeça
proporcionalmente menor; cabeça levemente quadrangular, um pouco mais larga acima
que em baixo; F-IX muito côncavo ventralmente e recebendo ao F-XI que é aplanado,
curvado e muito alongado; ângulo humeral levemente mais agudo; fêmur médio muito
distorcido: plano por trás e com uma carena na frente (que forma um dente na vista dorsal)
entre duas concavidades fortes, uma ventro-basal e outra dorso-medial que está coberta de
27
pelos longos; estrias propodeais um pouco mais fortes; lados do propódeo mais planos,
quase côncavas e com alguns macropontos mais evidentes.
B
IOLOGIA
: As fêmeas examinadas possuem um ácaro na abertura de pelo menos
uma das fossas axilares. O macho tinha ácaros entre os esternos metassomais.
D
ISTRIBUIÇÃO
: Peru: Cusco.
Esta espécie é conhecida pelos tipos, provenientes de “Callanga” (Peru) uma
localidade nas Yungas perto do Parque Nacional Manu (na base deas coordenadas
apresentadas por Rasmussen & Asenjo 2009).
As citas de Stenonartonia polybioides para Iquitos (Peru) e Óbidos (Brasil) feitas por
Ducke (1910) foram baseadas em exemplares de Stenonartonia cooperi.
M
ATERIAL EXAMINADO
: 2 fêmeas e 1 macho. LECTÓTIPO: PERU: Callanga, sem
mais dados [1 fêmea: ETHZ]. PARALECTÓTIPOS: mesmos dados que o lectótipo [1
macho: ETHZ]; SEM ETIQUETA DE LOCALIDADE: [1 fêmea: MCNV].
Stenonartonia hasyva n. sp.
(Figs. 12, 25, 53, 58, 67, 79, 88, 96, 109, 122, 135, 157, 165, 173)
D
IAGNOSE E
C
OMENTÁRIOS
: Esta espécie é extremamente similar a S. polybioides,
mas é separada por ter o clípeo levemente mais estreito, o propódeo e o T-I mais convexos,
a crista dentada do metanoto mais definida e a antena do macho com o F-IX menos
côncavo e o F-XI menos achatado.
D
ESCRIÇÃO
:
Fêmea: Muito similar com S. polybioides, mas diferindo nos seguintes detalhes:
Coloração: Marca supraocular mais alongada, se fundindo com a marca postocelar;
marca sublateral do propódeo na forma de um triângulo invertido com uma nódoa amarela
anterior; pernas médias sem áreas escuras e pernas posteriores com marcas reduzidas; T-I
com uma faixa preta acompanhando à carena transversal.
Medidas e proporções: Comprimento do corpo: 12,5 mm. Comprimento da assa
anterior: 12,7 mm. Clípeo 1,2 vezes mais largo que longo; T-I 1,34 vezes mais longo que
largo; S-I 1,3 vezes mais largo que longo no meio e 1,06 vezes mais largo que o seu
comprimento total.
Estrutura: Paratégula digitiforme e curvada quase em ângulo reto; crista transversal
do metanoto mais definida; propódeo mais convexo, principalmente na vista dorsal; lamela
apical do propódeo desenvolvida ao mesmo nível da válvula; T-I convexo nos lados e na
sua declividade anterior.
28
Pontuação: Metanoto mais bem grosseiramente macropontuado que
estriatopontuado e com uma faixa anterior crenada bem definida; mesepisterno coberto
com macropontos mais grossos; estrias da superfície sublateral do propódeo levemente
mais transversais, especialmente na vista posterior; S-I com uma série de estrias fortes
concêntricas na forma de U invertida.
Pilosidade: um pouco mais fina.
Macho: Diferindo da fêmea como segue:
Coloração: Discutida em Variação.
Medidas e proporções: Comprimento do corpo: 11,5 mm. Comprimento da assa
anterior: 12,7 mm. Clípeo 1,19 vezes mais largo que longo.
Estrutura, pontuação e pilosidade: Aspecto geral não muito mais delgado; cabeça
mais arredondada que no macho de S. polybioides; clípeo coberto com numerosos
macropontos dispersos e superficiais evidentes; ápice da antena parecido com aquele do
macho de S. polybioides, mas com o F-IX menos convexo e o F-XI menos achatado,
subcilíndrico; fêmur médio como no macho de S. polybioides; superfície lateral do
propódeo com numerosos macropontos finos dispersos.
Variação: Os parátipos diferem do holótipo como segue: marca postocelar ausente,
marca supraocular mais curta, marca sublateral do propódeo reduzida a uma linha curta
postespiracular e áreas pretas do T-I são menores (com a faixa transversal ausente no
macho). Esta variação e a sua distribuição geográfica são similares com a variação
observada em S. cooperi. O escurecimento do escapo é também reduzido no macho.
B
IOLOGIA
: O holótipo parece ter as aberturas das fossas axilares tapadas por ácaros.
E
TIMOLOGIA
: O nome escolhido para esta espécie significa doloroso ou difícil em
língua Guarani, indicando a dificuldade inicial para separar esta espécie de Stenonartonia
polybioides.
D
ISTRIBUIÇÃO
: Amazônia do Brasil e Guiana.
M
ATERIAL EXAMINADO
: 4 fêmeas e 1 macho. HOLÓTIPO: BRASIL: Rondônia:
Vilhena, 15.x.1986 (C. Elias) [1 fêmea: DZUP]; PARÁTIPOS: GUIANA: Mazaruni,
25.viii.1937 (O.W. Richards & Smart) [1 fêmea: MCNV]; BRASIL: Amazonas: Estrada
Manaus-Balbina, Am 240, km 12, Pousada Água Viva, 16.x.2004 (M.L. Oliveira & S.T.P.
Amarante) [1 macho: INPA]; Pará: Melgaço, Caxiuanã Estação Científica Ferreira Penna,
Percurso 11, Heliporto, 27.iii.1998 (O. Silveira & J. Pena) [1 fêmea: MPEG]; Belém,
Mocambo, armadilha Malaise, 14.iii.1978 (sem coletor) [1 fêmea: MPEG].
Stenonartonia cooperi n. sp.
29
(Figs. 2, 3, 8, 13, 26, 38, 55, 59, 68, 80, 97, 110, 123, 136, 147, 158, 166, 171, 172, 173)
Nortonia polybioides, Ducke 1910, Rev. Ent. 28: 187.
D
IAGNOSE E
C
OMENTÁRIOS
: Esta espécie difere da dupla de S. polybioides e S.
hasyva pela ausência de “janela” oval no escutelo, o painel axilar lateral muito estreito e
prolongado para trás, o metanoto muito proeminente, anguloso e com uma crista dentada
bem desenvolvida, as estrias propodeais muito fortes misturadas com macropontuação
forte no meio e dobradas para trás no lado, o clípeo com emarginação apical, a lamela
apical do propódeo mais projetada e angulosa, o T-I mais grosso e convexo, o fêmur médio
do macho levemente côncavo apenas ventralmente na base e o gancho da antena do macho
mais reduzido e simples.
D
ESCRIÇÃO
:
Fêmea: Parecida com S. polybioides, mas diferindo em:
Coloração: marca supraocular separada do olho, alongada, tocando a marca
postocelar e com um braço adicional estendido em direção à faixa occipital; banda
occipital reduzida e com o seu braço anterior separado; linha humeral interrompida no
meio; linhas mesonotais amarelas curvadas anteriormente para fora em forma de gancho;
tégula com uma linha interna enegrecida; axila e painel axilar lateral pretos; a marca
sublateral do propódeo é um grande triângulo invertido com uma pequena nódoa amarela
anterior; as marcas escuras das pernas média e posterior são mais definidas e escuras.
Medidas e proporções: Comprimento do corpo: 12 mm. Comprimento da assa
anterior: 13,1 mm. Clípeo 1,19 vezes mais largo que longo. T-I 1,16 vezes mais longo que
largo e com a sua largura 0,63 vezes a largura do T-II. S-I 1,63 vezes mais largo que o seu
comprimento no meio e 1,22 vezes mais largo que seu comprimento total.
Estrutura: Clípeo com uma depressão apical semicircular translúcida e com a sua
margem apical levemente côncava; carena interantenal levemente afiada; paratégula
digitiforme curvada; escutelo mais convexo e sem “janelas” arredondadas distintas; axila
mais larga; painel lateral da axila se projetando para dentro e trás na forma de uma língua
alongada que se sobrepõe ao ângulo posterior da axila e toca brevemente o escutelo;
metanoto de perfil projetado muito angular e com uma crista transversal bem marcada;
limite metapleura-propódeo sem carena delimitante; propódeo um pouco mais convexo,
com a carena média mais elevada e a carena submedial formando uma lamela curvada
translúcida; lamela apical do propódeo expandida e projetada angularmente para acima; T-
I campaniforme de lados convexos; carena transversal do T-I mais forte, com um sulco
acompanhante mais amplo, acabando no lado com uma dobra posterior ao nível do
espiráculo; sulco longitudinal do T-I menos aprofundado, porém continuando fraca e
30
brevemente na declividade anterior; S-I de formato equilateral com os lados levemente
curvados e se abrindo abruptamente para trás.
Pontuação: Área especializada do vértice reduzida a duas áreas separadas ao redor
de cada fóvea; macropontos do escutelo mais grossos e densos, separados por intervalos
menores que o seu próprio diâmetro; macropontos do mesepisterno mais grossos e
separados por menos que seu próprio diâmetro; metanoto muito grossamente
macropontuado e com uma faixa anterior crenada bem definida; metapleura com
indicações mais claras de macropontos finos espalhados; lados do propódeo com
macropontos moderadamente abundantes que são mais grossos e densos perto do
espiráculo; superfície sublateral do propódeo com estrias fortes, diagonais acima e se
curvando para trás embaixo até serem quase longitudinais; estrias misturadas com pontos
grossos perto do canal médio; área livre de estrias e coberta com macropontos irregulares
espalhados ao longo da borda do canal médio; S-I com uma carênula longitudinal média e
coberto com striatopontuação irregular e superficial, transversal na base do esterno e
longitudinal posteriormente; pontuação do metassoma mais definida e grossa.
Pilosidade: mais fina e curta exceto no propódeo, que está coberto de abundantes
pelos longos.
Macho: Diferindo da fêmea como segue:
Coloração: Discutida em Variação.
Medidas e proporções: Comprimento do corpo: 10,6 mm. Comprimento da assa
anterior: 12,3 mm. Clípeo 1,04 vezes mais largo que longo.
Estrutura e pontuação: Aspecto geral não especialmente delgado; cabeça de formato
quase circular, não especialmente pequena; clípeo com emarginação apical mais profunda;
F-IX é cilíndrico, sem concavidade ventral; F-XI curto, digitiforme e levemente afinado na
ponta; macropontuação do mesepisterno mais densa; fêmur médio com uma leve
depressão basal; propódeo tão convexo como na fêmea; estrias propodeais mais finas,
quase tornando-se estriatopontuação acima..
Variação:
a descrição da coloração é característica dos exemplares colombianos.
Existe variação na extensão das marcas pretas: na cabeça tendem a se fundir ainda mais
umas com as outras, incluindo conexão da marca postocelar com a faixa occipital, com a
subsequente formação de um par de nódoas preoccipitais amarelas; a faixa occipital do
macho é quase inexistente, a linha humeral pode ser completa ou se reduzir a uma
pequena mancha; a região axilar pode ter áreas claras importantes e o metanoto pode ter
áreas pretas mais ou menos reduzidas.
31
A variação mais importante correlacionada com a distribuição é na coloração do
propódeo: enquanto o canal médio é sempre preto (só variando na carena média que pode
ser preta ou contrastadamente amarela), as áreas pretas sublaterais são mais extensas nos
exemplares da alta Amazônia (Colômbia Peru e Equador) até o ponto de que os exemplares
de Mocoa têm a declividade propodeal completamente preta com duas linhas amarelas
longitudinais submediais; os exemplar de Rondônia tem um padrão mais parecido com
aquele da S. polybioides; os exemplares das Guianas, Tumucumaque e Bragança têm
uma pequena marca submedial e uma linha postespiracular, enquanto o material de
Santarém e Óbidos não tem marcas pretas além do canal médio.
B
IOLOGIA
: Os exemplares de La Macarena e La Chorrera foram coletados —e
alguns deles etiquetados como emergidos— associados com dois ninhos que estão
depositados no BMNH e referidos a números (147 e 99) num caderno de notas de Martin
Cooper. Cada um dos ninhos está feito com barro entre avermelhado e amarelado e foi
construído na face inferior de uma folha. O ninho de La Chorrera está mais bem
conservado e possui três células de aspecto externo mais ou menos quadrado, colocadas
num padrão imbricado. O ninho de La Macarena está muito destruído mais aparenta ter
tido uma estrutura similar.
Quase todos os exemplares estudados possuem um ácaro na abertura da fossa axilar.
Num exemplar de Surinam depositado no MCNV até é possivel ver outro ácaro dentro do
átrio da fossa axilar, a través da lamela interna translúcida da cresta escutelar.
E
TIMOLOGIA
: Dedico esta espécie ao conhecido pesquisador independente Martin
Cooper, compartilhando a intenção de Antonio Giordani Soika, que etiquetou os
exemplares colombianos com este nome.
D
ISTRIBUIÇÃO
: Bacia Amazônica de Colômbia, Equador e Brasil; assim como
Guiana Francesa e Suriname.
M
ATERIAL EXAMINADO
: 18 fêmeas e 2 macho. HOLÓTIPO: COLÔMBIA:
Amazonas: La Chorrera, 14-23.viii.1976 (M. Cooper) [1 fêmea: MCNV]. PARÁTIPOS:
COLÔMBIA: Amazonas: La Chorrera, 14-23.viii.1976 (M. Cooper) [1 fêmea: BMNH];
Meta: La Macarena, 20-29.xi.1976 (M. Cooper) [1 fêmea: MCNV; 2 fêmeas: BMNH];
Putumayo: Mocoa, 31.x.1974 (M. Cooper) [1 fêmea: MCNV]; EQUADOR: Napo: Coca,
iii.1982 (G. Onore) [1 fêmea: OLML]; PERU: Amazonas: Iquitos, 1.viii.1906 (Ducke) [1
macho e 1 fêmea: MPEG]; SURINAME: sem localidade exata, 6.v.1965 (J.v.d. Vecht) [1
fêmea: MCNV]; Raleigh Vallen, Voltzberg Res., Foengoe, 04°43'N, 56°12'W, 26.i -
15.ii.1982 (J.M. Carpenter & D. Trail) [1 fêmea: MCNV]; Raleigh Vallen, Voltzberg Res.,
Voltzberg Camp, elev. 90 m, 29.i-13.ii.1982 (J.M. Carpenter & D. Trail) [1 fêmea:
32
MCNV]; GUIANA FRANCESA: Saint Jean du Maroni, viii. (Le Moult) [1 fêmea:
AMNH]; BRASIL: Pará: Tumucumaque, Paru do Oeste, iv.1966 (W. França) [1 fêmea:
MPEG]; Óbidos, i.1908 (sem coletor) [1 fêmea: MPEG]; mesma localidade, 27.xii.1904
(Ducke) [1 fêmea: MPEG]; Santarém, sem mais dados [1 macho: MCNV]; Belém,
Mocambo, mata de terra firme, armadilha de Malaise, 9.v.1978 (sem coletor) [1 fêmea:
MPEG]; Bragança, 5.vii.1908 (Ducke) [1 fêmea: MPEG]; Rondônia: Territorio Federal
Rondônia, 11.ix.1963 (Eduardo) [1 fêmea: INPA].
Stenonartonia guaraya n. sp.
(Figs. 14, 69, 81, 98, 111, 124, 137, 148, 173)
D
IAGNOSE E
C
OMENTÁRIOS
: Esta é possivelmente a espécie mais distinta do grupo
de S. polybioides. O corpo é mais robusto, com muito pouca pilosidade ereta curta; as
estrias do propódeo são quase transversais, muito fracas e estão quase completamente
ocultas pela macropontuação; o T-I é bem mais largo (quase subséssil com o T-II) e com a
carena transversal fraca; o metassoma tem as áreas escuras marrom escuro e pontuação
mais marcada e grossa. Na estrutura geral do clípeo, escutelo e metanoto, S. guaraya é
similar a S. cooperi, mas o perfil do metanoto não é proeminente e o painel axilar lateral é
menos projetado para trás.
D
ESCRIÇÃO
:
Fêmea: Parecida com S. polybioides, mas diferindo em:
Coloração: Escapo preto na sua face dorsal; flagelo marrom por acima; marcas
pretas da cabeça completamente interconectadas como nos exemplares de S. cooperi com
cabeça mais escura, mas com as linhas supra-antenais quase quebradas acima; linha
humeral na forma de um bastão de beisebol; mesoscuto com uma linha amarela adicional
ao longo da margem lateral; marca média do escutelo muito estreita; metanoto inteiramente
amarelo; propódeo amarelo, um pouco escurecido ao longo do canal médio e numa leve
marca sublateral; pernas sem marcas escuras; T-I extensamente amarelado na sua metade
anterior; tergos metassomais com as áreas marrons mais escurecidas, em parte enegrecidas,
de modo que as áreas amarelas estão mais bem definidas; S-II com escurecimento
subbasal; venação mais escura, completamente marrom, um pouco mais clara na região
costal.
Medidas e proporções: Comprimento do corpo: 12,6 mm. Comprimento da assa:
11,3 mm. Clípeo 1,28 vezes mais largo que longo. T-I 1,21 vezes mais longo que largo e a
sua largura 0,67 vezes a largura do T-II. S-I 1,8 vezes mais largo que o seu comprimento
no meio e 1,27 vezes mais largo que o seu comprimento total.
33
Estrutura: Clípeo mais convexo e com a margem apical obviamente côncava; carena
pronotal mais levemente emarginada embaixo do ângulo humeral; linha parapsidal não
distinguível; paratégula em forma de gancho; axila um pouco mais larga; painel axilar
lateral projetado para dentro e trás na forma de uma língua curta que se sobrepõe ao ângulo
posterior da axila, mas sem alcançar o escutelo; escutelo levemente mais convexo, sem
“janela” lateral; metanoto com perfil formando ângulo reto, pouco projetado e com uma
crista transversal bem marcada; limite metapleura-propódeo não marcado; propódeo
fortemente convexo, com o canal médio muito estreito; lamela apical do propódeo
expandida e levemente angular acima; T-I fortemente convexo nos lados; carena
transversal do T-I fraca, levemente retusa para frente e brevemente interrompida no meio,
não acompanhada de sulco posteriormente, reta no lado e apenas alcançando o nível do
espiráculo; sulco longitudinal do T-I muito superficial, apenas marcado; S-I campaniforme
amplo, de lados ligeiramente curvos.
Pontuação: Clípeo coberto com macropontuação superficial bem marcada ao largo
do seu quarto superior; pronoto grosseiramente macropontuado, ainda na sua face lateral;
macropontos escutelares mais grossos e densos, separados entre si por menos que o seu
próprio diâmetro; metanoto coberto com macropontos grossos quase confluentes e faixa
anterior crenada bem marcada; macropontuação do mesepisterno abundante, com
intervalos equivalentes a 0,5-1 macroponto; metapleura com alguns macropontos finos
espalhados; superfície lateral do propódeo com macropontos finos, dispersos, que se
concentram perto do espiráculo; superfície sublateral do propódeo mais bem
punctoestriolada do que estriada, coberta de macropontuação superficial densa misturada
com estriolado fino transversal pouco distinguível entre a macropontuação; área coberta
unicamente com macropontos espalhados ao longo da borda do canal médio; T-I com
macropontuação bem definida no seu disco; S-I coberto com macropontuação grossa e
densa; T-II coberto com macropontos bem definidos, moderadamente espaçados, que se
tornam mais densos e grossos na banda apical amarela.
Pilosidade: Pilosidade geral muito mais curta e menos evidente; expansão interna da
crista escutelar especialmente pilosa, com pelos longos deitados dirigidos em direção à
fossa axilar e cobrindo ela em parte.
Macho: desconhecido.
E
TIMOLOGIA
: Esta espécie é nomeada em homenagem aos Guarayos, o povo
Guarani que habita a província de Santa Cruz na Bolívia.
D
ISTRIBUIÇÃO
: Bolívia: Santa Cruz de la Sierra.
34
M
ATERIAL EXAMINADO
: HOLÓTIPO: BOLÍVIA: Santa Cruz: Santa Cruz, Jardín
Botánico, 26-27.vii.1977 (C. Porter & Calmbacher) [1 fêmea: IML].
Grupo de Stenonartonia apicipennis
Este é o grupo maior e morfologicamente mais complexo dentro do gênero. Entre
as suas características gerais podemos mencionar: dente subapical da mandíbula largo e
plano na maioria das espécies —exceto por S. flavotestacea que tem o dente projetado e
anguloso—;carena occipital sempre interrompida por trás do espaço interocular; área
especializada do vértice estreita e na forma de um bumerangue; ângulo humeral variável,
de não projetado a pouco projetado; gulas extensamente cobertas com micropontuação
—com exceção de S. apicipennis—; axilas com uma face anterior horizontal fina e outra
posterior quase vertical; fóssula axilar anterior reduzida e exposta em S. mimica e
ampla, profunda e se em parte escondia por baixo da paratégula no restante das espécies;
escutelo sem projeção lamelar nem carena, plano ou apenas levemente convexo que cai
lateralmente quase em sentido vertical dentro da fossa axilar que deste jeito tem uma
abertura oval relativamente grande; sulco que separa o escutelo da crista escutelar ausente
em S. flavotestacea e presente nas outras espécies; formato geral do metanoto variável,
com crista transversal leve a moderadamente marcada; carena epicnemial ausente; sulco
mesepisternal fino; limite metapleura-propódeo marcado por um fino sulco só em S.
flavotestacea e borrado nas outras espécies; propódeo de formato geral variável: oblongo
com declive dorsal regularmente convexo e canal médio mais ou menos bem marcado (S.
mimica e S. flavotestacea), subtruncado em declive e com leve depressão média
longitudinal confluente com o canal médio (S. guaranitica e S. apicipennis) ou em declive
com face posterior aplanada ampla confluente com o canal médio (S. tanykaju, S.
hermetica e S. grossa); carena média do propódeo completa em todas as espécies exceto
por S. flavotestacea; superfície sublateral do propódeo coberta de macropontuação variável
em grossura e densidade, mas nunca alveolar nem estriada; superfície lateral do propódeo
com abundante macropontuação de grossura e densidade moderada; lamela apical do
propódeo sempre angular e projetada em diversos graus por cima da válvula, da qual se
encontra delimitada também em graus variáveis: quase indiferenciada (S. flavotestacea),
levemente diferenciada por uma dobra lateral (S. mimica), diferenciada por uma dobra
lateral e fortemente projetada por cima da válvula (S. guaranitica, S. apicipennis, S.
tanykaju e S. grossa) ou pequena e sem dobra lateral, mas diferenciada da válvula por uma
emarginação semicircular na margem (S. hermetica); primeiro segmento metassomal
moderadamente mais estreito que o restante do metassoma, cônico equilateroide na maioria
35
das espécies com exceção de S. guaranitica (campaniforme curto) e S. flavotestacea
(alongado); T-I com carena longitudinal marcada na declividade anterior em S.
flavotestacea e apenas ou nada indicada nas outras espécies; sulco longitudinal do T-I
muito fraco, quase ausente; S-I equilateroide (na maioria das espécies), isoscélico alongado
(S. flavotestacea) ou cimbaliforme muito transversal (S. guaranitica); área pregradular do
T-II lisa e brilhante e grádulo na forma de sulco transversal marcado (exceto S.
flavotestacea que tem o grádulo raso). Suas oito espécies são todas de tamanho mediano e
na sua maioria lembram vespas sociais dos gêneros Polybia ou Agelaia no seu formato
geral e padrões de cor com exceção de S. guaranitica, que lembra à vespa social
Brachygastra lecheguana.
Stenonartonia mimica (Kohl) n. comb.
(Figs. 4, 15, 16, 39, 40, 70, 82, 89, 99, 112, 125, 138, 149, 174)
Nortonia mimica Kohl, 1907, Denkschr. Akad. Wiss. Wien, Math.-
Naturw. Kl. 71: 248, 247. Holótipo: fêmea, Brasil: Rio
Grande do Sul (NMW) [examinado].
Paranortonia mimica, Giordani Soika, 1941, Boll. Soc. Veneziana
Stor. Nat. 2: 159.
D
IAGNOSE E
C
OMENTÁRIOS
: Esta espécie destaca entre as outras do grupo por ser a
única que tem a fóssula axilar anterior pequena e exposta, a mais de ter a paratégula
estreita, o propódeo de formato oval simples convexo com canal médio mais ou menos
diferenciado e sem pilosidade refletiva e a lamela apical do propódeo sutilmente fusionada
com a válvula. São vespas pequenas, de assas marrons em parte ambarinas, com
populações flavínicas que lembrar à forma típica da vespa social Agelaia multipicta e
populações melânicas que lembram à Agelaia vicina.
D
ESCRIÇÃO
:
Fêmea: Coloração baseada no holótipo: integumento preto com áreas difusas de cor
marrom avermelhado escuro como segue: margens das mandíbulas; lados do propódeo;
lados da declividade anterior e ao largo do disco do T-I; base do T-II; lados do S-II;
margem posterior dos segmentos metassomais III a V; segmento VI inteiro. As marcas
amarelas se encontram distribuída da seguinte maneira: mandíbulas com exceção das suas
margens; face ventral do escapo; linha lateral larga no clípeo; linha orbital interna desde o
clípeo até a altura do ocelo posterior; linha frontal desde o nível das inserções antenais até
o ocelo médio; linha genal completa desde quase o meio do vértice e se estendendo dentro
do occipúcio inferior; faixa anterior e margem posterior completos e muito finos no
36
pronoto incluindo o lóbulo; linha humeral grossa que acaba por embaixo do lóbulo
pronotal; linhas mesonotais finas e curvadas para fora na frente; tégulas com exceção de
uma nódoa central grande de cor marrom claro; grande nódoa lateral no escutelo; faixa
metanotal grossa; mesepímero e os dois terços posteriores do mesepisterno com exceção
dos sulcos; metapleura em grande parte; nódoa submedial inferior grande no propódeo;
parte da carena média do propódeo; carena submarginal aos lados; perna anterior inteira;
coxas média e anterior em grande parte; face anterior dos fêmures médio e posterior (este
último com uma grande área escura média); tíbias média e posterior com exceção de um
pequeno escurecimento interno subapical; tarsos médio e posterior; margem posterior e
lateral do T-I; S-I inteiro; bandas apicais nos segmentos metassomais II a V (mais finas nos
tergos); nódoa medial nos T e S VI. Face ventral do flagelo marrom, gradualmente mais
claro em direção ao ápice. Membrana alar marrom ambarino claro, mais intenso ao longo
da região costal. Venação da mesma cor, tornando-se marrom em direção ao ápice da assa.
Medidas e proporções: Comprimento do corpo: 9,1 mm. Comprimento da assa
anterior: 9,4 mm. Clípeo 1,11 vezes mais largo que longo. T-I tão largo quanto longo e
com a sua largura 0,71 vezes a largura do T-II. S-I 2,25 vezes mais largo que longo no
meio e 1,55 vezes mais largo que o seu comprimento total.
Estrutura: Clípeo cordiforme de lados semiretos e moderadamente convexo, com
uma depressão apical leve e margem apical levemente emarginada entre um par de dentes
apenas carenados e quase rombos que apontam para abaixo. Ângulo humeral fraco, obtuso
na vista frontal. Carena pronotal quase reta embaixo do ângulo humeral. Linha parapsidal
muito fraca. Paratégula falcada, careniforme por cima. Escutelo levemente convexo.
Fóssula axilar anterior pequena, pouco profunda e completamente exposta. Painel axilar
lateral quase completamente transversal, pouco projetado para trás na frente da fossa
axilar. Metanoto de perfil quase em ângulo reto, com crista transversal baixa bem marcada.
Propódeo de formato geral oblongo e regularmente convexo, quase sem dobras laterais ao
longo da linha postespiracular. Canal médio do propódeo distinguível, mas relativamente
superficial e fortemente estreitado acima. Carena média do propódeo completa. Lamela
apical do propódeo projetada para trás e apenas levemente diferenciada da válvula. T-I
cônico, convexo e de perfil apenas dobrado. Carena transversal do T-I bem marcada,
projetada para trás no meio e fortemente dobrada para trás no lado ao nível do espiráculo.
S-I triangular equilateróide.
Pontuação: Clípeo sublustroso, coberto com fina reticulação, micro pontos muito
espaçados e pouco marcados, e abundante macropontuação moderadamente espaçada.
Pontuação de cabeça e mesossoma como em S. apicipennis que muito menos opaca
37
devida a uma micropontuação mais fina e espaçada, e diferindo nos seguintes detalhes:
Faixa anterior do metanoto bem definida, caótica e densamente macropontuada; tégula
semilustrosa, coberta com micropontuação espaçada; metapleura sem macropontos no seu
setor superior e com apenas poucos macropontos finos no seu setor inferior; superfície
lateral do propódeo coberta com macropontos finos e não muito profundos que se tornam
levemente mais grossos em direção ao espiráculo; superfície sublateral do propódeo
coberta com fino chagrinado transversal acompanhado por macropontuação densa e
moderadamente fina que se vai se espaçando em direção ao espiráculo. Canal médio do
propódeo subopaco, densamente microponteado. Metassoma sublustroso, coberto com
micropontuação moderadamente densa que é mais espaçada nos esternos. T-I com
macropontos finos espalhados na sua declividade anterior e moderadamente espaçados no
seu disco. T-II coberto com macropontos muito finos e espaçados que se tornam mais
grossos, mas não muito mais densos no meio de uma faixa marginal posterior. S-I grossa e
densamente macropontuado. S-II com macropontos espalhados que se tornam mais grossos
no meio e mais cercanos entre si na margem posterior. Segmentos metassomais III a V
cobertos com macropontos moderadamente densos. T-VI com uns poucos macropontos
finos espalhados. S-VI sem macropontos.
Pilosidade: Corpo coberto com pubescência amarronzada curta e espaçada
subdecumbente a subereta que se torna mais clara e deitada nos lados do mesossoma e em
todo o propódeo. A pilosidade no meio da declividade propodeal se encontra deitada e
dirigida para acima e para fora, sem formar uma banda refletiva na vista dorsal. Pilosidade
do metassoma deitada e mais fina.
Macho: Desconhecido.
V
ARIAÇÃO
:
O holótipo é o único exemplar com o padrão de cor descrito acima
(padrão flavínico). O restante do material pertence a uma forma melânica que defere como
segue: a maioria das marcas claras tem tom alaranjado (especialmente em mandíbula,
clípeo e pernas) ou são diretamente ferrugíneas (em antenas, gênas e mesossoma com
exceção da margem posterior do pronoto). Muitas marcas se encontram reduzidas: linha
lateral do clípeo interrompida no meio ou presente inferiormente; linhas orbitais
alcançando apenas o seno ocular, podendo existir uma pequena nódoa isolada no canto
superior do olho; linha frontal reduzida a uma doa interantenal e às vezes também uma
nódoa adicional no meio da frente; banda pronotal anterior ausente; margem posterior do
pronoto interrompida no meio; linha humeral difusa e quase inexistente; linhas do
mesoscuto muito finas e desaparecendo longe da margem do pronoto; nódoa lateral do
escutelo pequena, escura ou ausente; T-I com marcas laterais difusas e margem posterior
38
muito fino; restante das bandas metassomais finas, tendendo a se interromper no meio e
sendo substituídas, além do T-II e do S-IV, em grande parte por uma banda difusa
ferrugínea.
É possível que a forma flavínica provenha de uma altitude menor que a forma
melânica, como acontece também em S. flavotestacea e em algumas espécies de vespas
sociais (Agelaia vicina e Polybia fastidiosuscula).
D
ISTRIBUIÇÃO
: Sul e Sudeste do Brasil.
M
ATERIAL EXAMINADO
: 5 fêmeas. BRASIL: Paraná: Londrina, 4.x.1985 (Exc.
Dep. Zool.) [1 fêmea: DZUP]; Rio Grande do Sul: sem localidade exata (Stieglmayr) [1
fêmea HOLÓTIPO: NMW]; Santa Catarina: Nova Teutônia, 300-500 m, 27°11'S,
52°23'W, ii.1965 (F. Plaumann) [1 fêmea: UCD]; São Paulo: Cajuru, Fazenda Rio
Grande, 21°12'S, 47°09'W, 2-18.xii.1999 (G.A.R. Melo & Nascimento) [2 fêmeas: DZUP].
Stenonartonia flavostestacea (Giordani Soika) n. comb.
(Figs. 17, 27, 28, 41, 48, 49, 60, 61, 100, 113, 126, 139, 150, 159, 167, 174)
Paranortonia flavotestacea Giordani Soika, 1941, Boll. Soc.
Veneziana Stor. Nat. 2: 155, figs. 1-4. Lectótipo: fêmea,
"Brasile: Itatiaya" (MCNV) [examinado]. Giordani Soika,
1973, Boll. Mus. Civ. Venezia 24: 25 (designação do
lectótipo).
Stenonartonia sp., Hermes & Melo, 2008, Syst. Ent. 33: 365.
D
IAGNOSE E
C
OMENTÁRIOS
: S. flavotestacea é uma espécie de corpo esbelto que
destaca pelo propódeo oblongo e convexo com o canal médio, formando uma concavidade
polida e sem carena média na sua metade inferior, que possivelmente funciona como
acarinário. São característicos também o clípeo muito alongado, a carena longitudinal da
declividade do T-I bem desenvolvida, a superfície do corpo sublustrosa e a lamela apical
do propódeo angular para trás, mas fusionada inseparavelmente com a válvula. São vespas
de tamanho mediano, de assas marrom ambarinas (um pouco mais escuras na forma
melânica), com populações melânicas que lembram à vespa social Agelaia vicina nas terras
altas e flavínicas que lembram à forma típica da Agelaia multipicta nas terras baixas.
D
ESCRIÇÃO
:
Fêmea: Coloração baseada no holótipo: Integumento preto amarronzado com
marcas amarelas a amarelo parduscas como segue: centro da base da mandíbula,
degradando a marrom em direção ao ápice; face ventral apical do flagelo a partir do F-II;
margem lateral fino no clípeo; linha orbital interna fina desde o clípeo até o seno ocular;
39
linha orbital posterior comprida; carena pronotal por baixo da fóvea lateral; indicação
lateral de margem pronotal posterior; lóbulo pronotal; borda externa da gula com
escurecimento no meio; pequena nódoa subalar; linha vertical curta no setor
inferoposterior do mesepisterno; setor inferior da metapleura em grande parte; grande
nódoa sublateral inferior no propódeo; coxa anterior; linhas lateral e ventral na coxa média;
linha laterodorsal na coxa posterior; linha anterior dorsal ao longo de todos os fêmures e
tíbias; linha posterior escurecida nas coxas média e posterior e em todas as tíbias; todos os
tarsos; linha lateral escurecida no T-I, apenas se estendendo na margem posterior na forma
de uma linha extremamente fina; S-I inteiro; bandas marginais nos segmentos metassomais
II a V, mais finas e se borrando medialmente nos tergos, e gradualmente mais finas e
escurecidas em cada segmento sucessivo. Propódeo com parte inferior do canal médio,
carena premarginal e área premarginal de tonalidade testácea escura. Mambrana alar
marrom ambarina, mais intensas na região costal. Venação marrom escura, mais
amarelada na região costal assim como o pterostigma.
Medidas e proporções: Comprimento do corpo: 11,5 mm. Comprimento da assa
anterior: 12,5 mm. Clípeo 1,05 vezes mais largo que longo. T-I 1,26 vezes mais longo que
largo e com a sua largura 0,68 vezes a largura do T-II. S-I 1,55 vezes mais largo que o seu
comprimento no meio e 1,27 vezes mais largo que o seu comprimento total.
Estrutura: Clípeo alongado, funiliforme, com a sua superfície levemente convexa,
com uma depressão apical muito superficial e a margem apical levemente côncava. Dente
subapical da mandíbula mais estreito que nas outras espécies. Ângulo humeral apenas
saliente, levemente obtuso na vista frontal. Carena pronotal quase reta embaixo do ângulo
humeral. Linha parapsidal fina. Paratégula digitiforme e convexa acima. Escutelo quase
plano. Fóssula axilar anterior formando um “bolso” aprofundado que se esconde
parcialmente embaixo da paratégula. Painel axilar lateral estreitamente projetado para trás
e não se sobrepondo muito acima da fossa axilar. Metanoto de perfil muito obtuso, com
crista dentada relativamente fraca e com um dente médio mais forte. Limite metapleura-
propódeo marcado por uma linha impressa mais bem fraca que se encontra borrada em
alguns exemplares. Propódeo de formato geral oblongo e regularmente convexo, quase
sem dobras laterais ao longo da linha postespiracular. Superfície lateral do propódeo
levemente convexa. Canal médio do propódeo abruptamente expandido, formando uma
forte concavidade na sua metade inferior. Carena média do propódeo desaparecendo na
depressão inferior do canal. Carena submedial do propódeo curta e aplanada. Lamela
apical do propódeo com o seu ângulo dirigido para trás e fusionada inseparavelmente com
a válvula. T-I alongado, de perfil convexo, baixo e muito obtuso. Carena transversal do T-I
40
baixa, ondulada, fortemente projetada para trás no meio e desaparecendo no lado antes de
alcançar o nível do espiráculo. Declividade anterior do T-I com carena longitudinal bem
marcada. S-I isoscélico alongado.
Pontuação: Clípeo sublustroso, coberto com microreticulação muito superficial
subchagrinada e macropontos superficiais moderadamente espaçados. Corpo inteiro
sublustroso, coberto com micropontuação muito espaçada e fina. Apenas o setor inferior da
metapleura e a superfície lateral do propódeo levemente mais opacos e com microestriado
subvertical. Cabeça, pronoto e mesoscuto cobertos com macropontuação mediana
moderadamente densa. Escutelo, mesepisterno e lados do pronoto com macropontuação
mediana mais espaçada. Tégula coberta com micro pontos bem marcados moderadamente
espaçados, desaparecendo apenas numa área média muito pequena perto da margem
externa. Metanoto com a faixa anterior irregularmente reticulada e com uma concentração
de macropontos na declividade posterior. Propódeo e setor inferior da metapleura cobertos
com macropontos finos separados entre si no promédio pelo seu próprio diâmetro, mais
densos no propódeo perto do metanoto. Setor expandido do canal médio do propódeo
perfeitamente liso e lustroso. T-I com macropontos espalhados na sua declividade anterior
e regularmente espaçados no seu disco, mais grossos e densos ao longo da linha média. S-I
coberto com macropontuação grossa moderadamente densa. T-II coberto com macropontos
muito finos e espaçados que se tornam apenas mais grossos e densos no meio da margem
posterior. S-II coberto com macropontos medianos espalhados, tornando-se mais finos na
margem posterior. Segmentos metassomais III a V cobertos com macropontuação mediana
abundante e moderadamente espaçada. Macropontuação do T-VI parecida com os tergos
precedentes. S-VI sem macropontos.
Pilosidade: Corpo coberto com pubescência curta subereta e espalhada misturada
com cerdas eretas claras um pouco mais longas. A pilosidade se torna mais clara e deitada
nos lados do mesossoma e no propódeo, se encontrando maiormente dirigidas para os lados
e acima neste último. No metassoma pubescência é deitada e as cerdas são mais evidentes.
Macho: Diferindo da fêmea como segue:
Coloração: A coloração dos machos basicamente é igual à das fêmeas só que com os
dois segmentos terminais da antena inteiramente claros. Mais detalhes são discutidos em
Variação.
Medidas e proporções: Comprimento do corpo: 10,4 mm. Comprimento da assa
anterior: 11,4 mm. Clípeo 1,05 vezes mais largo que longo.
41
Estrutura e pontuação: Corpo mais delgado e com a cabeça proporcionalmente
menor; propódeo mais curto; F-IX cilíndrico; F-XI curto digitiforme e com a ponta afiada;
macropontuação do metassoma mais grossa e um pouco mais densa.
V
ARIAÇÃO
: Os tipos e a maioria do material adicional pertence a uma forma
melânica onde as marcas claras podem se encontrar mais reduzidas que as descritas no
holótipo ou mais estendida e até com algumas marcas adicionais (especialmente no
material de Nova Teutônia e da Argentina) como segue: mandíbulas mais extensamente
claras; linha lateral do clípeo reduzida a uma nódoa basal e outra apical ou uma apical;
pode existir uma linha frontal completa; pode existir uma linha entre o olho e o ocelo
posterior; a linha orbital posterior pode se estender mais para acima ou para abaixo; a
margem posterior do pronoto pode ser quase completa, mas pelo geral difusa; pode existir
uma linha humeral mais ou menos definida; podem se encontrar senhas posteriores e em
geral escurecidas de um par de linhas mesoscutales; podem haver uma nódoa lateral
anterior escurecida no escutelo e uma faixa transversal no metanoto; a mancha subalar
pode não existir; a marca propodeal pode estar ausente, reduzida ou se estender e fusionar
com a área clara da metapleura; as bandas metassomais comumente estão ausentes, mais se
encontram bem marcadas (incluindo o T-I) nos machos de Nova Teutônia e a Argentina.
Ao igual que o teorizado para S. mimica, esta forma melânica —mimética com as
populações simpátricas das vespas sociais Agelaia vicina e Polybia fastidiosuscula e das
congenéricas Stenonartonia mimica e S. tanykajuse encontra em áreas montanhosas ou
elevadas do nordeste da Argentina e o sul do Brasil.
Dois machos peculiares coletados numa área baixa no Paraguai pertencem a uma
forma flavínica —mimética das populações locais das vespas sociais Agelaia multipicta e
Polybia fastidiosuscula de coloração descrita a continuação: Integumento amarelo
intenso com marcas pretas (mais marrom escuro nas marcas pequenas) como segue: dentes
e côndilo posterior da mandíbula; marca central no clípeo; dorso e bulbo do escapo; dorso
do pedicelo e do flagelo com exceção do ápice do F-IX e os F-X e FXI inteiramente; marca
interocelar que estende braços para os olhos e as inserções antenais; área occipital superior
e linha anterior média saindo dela; grande marca no meio da face anterior do pronoto; linha
humeral grossa; mesoscuto com exceção da paratégula e um par de linhas submediais
grossas; axilas; bordas anterior, posterior e lateral assim como uma linha média completa
no escutelo; borda posterior e axilas do metanoto; face anterior do mesepisterno; suturas e
sulcos laterais do mesossoma; área postespiracular do propódeo; borda em contato com o
disco do metanoto e canal médio no propódeo; faces dorsais posteriores das coxas médias e
posteriores; dorso dos trocânteres médio e posterior; boa parte da face interna do fêmur
42
posterior; área difusa subapical interna nas tíbias média e posterior; grande parte do dorso
do T-I; três quartos basais do T-II; três marcas difusas basais no S-II; segmentos
metassomais III a V com exceção da banda marginal. São de cor marrom alaranjado: face
ventral de pedicelo e flagelo; ápice do F-IX; F-X e F-XI inteiramente; segmento
metassomal VI exceto por uma nódoa apical e um par de nódoas laterais respectivamente.
Tégula inteiramente amarela com exceção de uma nódoa central marrom. Assas apenas um
pouco mais claras que na forma melânica.
B
IOLOGIA
: Não existe evidência direta (nenhum exemplar possue ácaros na área
indicada), mas é possivel que a peculiar concavidade que esta espécie possue, justo antes
da carena submarginal do propódeo, seja algum tipo de acarinário. A estrutura lembra em
certa forma aquelas ilustradas por Giordani Soika (1985: figs. 1 e 2) para Acarozumia
amaliae e Pseudonortonia gambiensis, que menos aprofundada. Existe o precedente em
Pseudonortonia bisuturalis (Bequaert 1918) e Stenonartonia apicipennis (este trabalho)
desse mesmo espaço, mesmo que com menos modificação, sendo aproveitado por ácaros
para serem transportados. A presença de acarinários onde a superfície do integumento é
lisa é um fato muito comum em Eumeninae, como acontece com a área pregradular do T-II
no gênero Parancistrocerus (Bohart 1952; Carpenter & Garcete-Barrett 2003) e com as
várias depressões propodeais da Acarepipona insolita (Giordani Soika 1985).
D
ISTRIBUIÇÃO
: Sul e Sudeste do Brasil, Mesopotâmia da Argentina e bacia do
Paraná no Paraguai.
M
ATERIAL EXAMINADO
: 10 fêmeas e 12 machos. Rio de Janeiro: Itatiaia, 10.ii.1927
(Dr. Seitz) [1 fêmea HOLÓTIPO: MCNV]; mesma localidade, 16.ii.1927 (Dr. Seitz) [1
macho: IML]; BRASIL: Paraná: Piraquara, Mananciais da Serra, 8.ii.2003 (G.A.R. Melo)
[1 fêmea e 1 macho: DZUP]; mesma localidade, 18.xii.2006 (A. Aguiar) [1 macho:
DZUP]; mesma localidade, iii.2007 (M.G. Hermes) [1 fêmea: DZUP]; Piraquara, ii.2006
(P.C. Grossi) (3 fêmeas: DZUP]; mesma localidade, 3.ii.2006 (M.G. Hermes) [1 fêmea:
DZUP]; mesma localidade, 23.xi.2006 (A. Pires) [1 macho: DZUP]; mesma localidade,
4.xii.2006 (M.G. Hermes) [1 macho: DZUP]; Tijucas do Sul, Vossoroca, 18.iv.1970 (J.
Moure) [1 fêmea: DZUP]; Guaratuba, Pontal do Itararé, 4.iii.2007 (P.C. Grossi) [1 macho:
DZUP]; Santa Catarina: Campo Alegre, iv.1946 (A. Maller) [1 fêmea: MCNV]; Nova
Teutônia, 21.ii.1963 (F. Plaumann) [1 macho: MCNV]; mesma localidade, i.1966 (F.
Plaumann) [1 macho: MCNV]; mesma localidade, 30.iii.1966 (F. Plaumann) [1 macho:
AMNH]; mesma localidade, xi.1966 (F. Plaumann) [1 fêmea: AMNH]. PARAGUAI:
Itapúa, Pirapó, Pirapó, 1-31.xii.1971 (L. Peña) [2 machos: AMNH]; ARGENTINA:
Misiones: Bernardo de Irigoyen, 12.xi.1973 (Escobar & Claps) [1 macho: IML].
43
Stenonartonia guaranitica (Bertoni)
(Figs. 18, 29, 42, 50, 61, 72, 83, 90, 101, 114, 127, 140, 151, 160, 168, 176)
Nortonia guaranitica Bertoni, 1918a, An. Cient. Parag. 2 (3): 195,
207. Holótipo: fêmea, Paraguay: "Puerto Bertoni" (INBP)
[examinado].
Paranortonia guaranitica, Giordani Soika, 1941, Boll. Soc.
Veneziana Stor. Nat. 2: 161.
Stenonartonia guaranitica, Garcete-Barrett, 2003, Bol. Mus. Nac.
Hist. Nat. Parag. 14 (1-2): 40, figs. 3a-3d.
D
IAGNOSE E
C
OMENTÁRIOS
: S. guaranitica é uma espécie de corpo relativamente
curto que lembram à vespa social Brachygastra lecheguana: preta cinzenta devido à
pilosidade, praticamente sem marcas amarelas no mesossoma, metassoma com largas
bandas amarelas (reduzidas aos setores laterais no T-I) e assas ambarinas que se tornam
gradualmente marrons perto do ápice. Estruturalmente destacam o S-I semilunar muito
curto, a carena transversal do T-I fraca e a lamela apical do propódeo muito proeminente.
A primeira vista S. guaranitica assemelha muito com S. occipitalis, mas numerosas
diferenças estruturais e detalhes nos desenhos da cabeça as separam.
D
ESCRIÇÃO
:
Fêmea: Coloração: Integumento preto com marcas amarelo alaranjado como segue:
linha orbital inferior curta; pequena marca difusa no ângulo posterior do pronoto; linha
longitudinal interna curta no fêmur anterior; face interna da tíbia anterior; anel apical
difuso nos fêmures médio e posterior; linha externa nas tíbias média e posterior; linha
difusa ao longo da margem lateral e às vezes também pequena marca difusa no meio da
margem posterior do T-I; marcas difusas no S-I; bandas apicais grossas nos segmentos
metassomais II a VI. São marrons: face ventral do flagelo; mandíbulas com exceção dos
dentes e o triângulo basal; tarsômeros apicais e grande parte do S-I. Membrana alar e
venação ambarinos, tornando-se marrom em direção ao ápice.
Medidas e proporções: Comprimento do corpo: 9,8 mm. Comprimento da assa
anterior: 9,6 mm. Clípeo 1,11 vezes mais largo que longo. T-I 1,36 vezes mais largo que
longo e com a sua largura 0,77 vezes a largura do T-II. S-I 3,42 vezes mais largo que o seu
comprimento no meio e 2,10 vezes mais largo que o seu comprimento total.
Estrutura: Clípeo cordiforme, com a sua superfície moderadamente convexa que vai
tornando-se aplanada em baixo, com uma leve depressão apical e com a sua margem apical
emarginada em leve semicírculo entre um par de dentes carenados, moderadamente
44
salientes, que apontam para abaixo. Ângulo humeral muito fraco, obtuso na vista frontal.
Carena pronotal levemente ondulada embaixo do ângulo humeral. Linha parapsidal
vestigial. Paratégula quase triangular, na forma de um polegar muito curto. Escutelo,
fóssula axilar anterior e painel axilar lateral como foram descritos para S. flavotestacea.
Metanoto dobrado em ângulo reto, com crista transversal baixa, porém bem definida.
Propódeo curto, subtruncado em declive, com as superfícies sublaterais arredondadas, as
laterais planas, o canal médio pobremente definido dentro de uma banda longitudinal
levemente côncava, carena longitudinal completa e carena sublateral lamelar e baixa.
Lamela apical do propódeo projetada para trás em ângulo proeminente por cima da válvula
à qual ultrapassa e da qual se encontra delimitada por uma dobra lateral. T-I largo,
campanifome, regularmente convexo na vista lateral. Carena transversal do T-I reta e
baixa, desaparecendo no lado antes de alcançar o nível do espiráculo. S-I na forma de uma
meia lua muito transversal.
Pontuação: Clípeo moderadamente opaco, levemente chagrinado e coberto com
abundante micropontuação, mais abundante na metade superior, e com abundante
macropontuação superficial moderadamente espaçada. Corpo inteiro subopaco, coberto
com micropontuação moderadamente densa. Pontuação de cabeça e mesossoma como em
S. apicipennis que no geral um pouco mais espaçada, em parte mais grossa, e diferindo
nos seguintes detalhes: Tégula inteiramente coberta com micropontos bem marcados e
moderadamente densos; metanoto com a faixa anterior muito densa e reticularmente
macropontuada, com a declividade posterior coberta com macropontuação moderadamente
densa; setor superior da metapleura com numerosas estrias fracas; macropontuação da
superfície lateral do propódeo e do setor inferior da metapleura mais grossa; superfície
sublateral do propódeo muito densamente macropontuada-reticular e levemente estriolada
no sentido diagonal, especialmente embaixo. T-I com alguns macropontos muito finos
espalhados na sua declividade anterior, e coberto com macropontuação moderada que se
torna mais grossa no meio no seu disco. S-I densa e grossamente macropontuado. T-II
cobertro com macropontuação moderadamente espaçada que se torna gradualmente mais
grossa e um pouco mais densa na direção das margens lateral e posterior. Macropontuação
do S-II similar à do T-II, mas especialmente mais grossa no meio. Segmentos metassomais
III a V cobertos com macropontuação moderadamente densa que é um pouco mais
espaçada nos esternos. Segmento metassomal VI com macropontos finos escondidos entre
a micropontuação.
Pilosidade: Corpo coberto com uma pubescência fulvo-cinzenta semideitada
misturada com cerdas semieretas espalhadas. A pilosidade está direccionada para abaixo
45
no setor médio inferior do propódeo, onde tem efeito refletivo. Pilosidade do metassoma
mais plenamente deitada.
Macho: Diferindo da fêmea como segue:
Coloração: Mandíbula maiormente preta ou com uma curta linha amarela sub-basal;
clípeo —com exceção das suas margens pretas—inteiramente amarelo ou no máximo com
uma curta linha basal média que pode estar conectada com a margem basal; escapo
amarelo na sua face ventral; linha orbital interna se estende até o seno ocular; nódoa
interantenal amarela presente; ápice da antena a partir do F-IX maiormente marrom
alaranjada; segmento metassomal VII marrom com uma banda ao largo do meio.
Medidas e proporções: Comprimento do corpo: 8,5 mm. Comprimento da assa
anterior: 8,1 mm. Clípeo 1,04 vezes mais largo que longo.
Estrutura: Clípeo mais oval, com a margem apical translúcida, com uma
concavidade um pouco mais profunda e os dentes mais leves e não carenados; F-IX
cilíndrico e F-XI curto, digitiforme e de ponta afiada; propódeo mais curto com a
declividade posterior um pouco mais abrupta.
D
ISTRIBUIÇÃO
: Bacia do Rio Paraná no Paraguai, Mesopotâmia da Argentina e Sul
do Brasil.
M
ATERIAL EXAMINADO
: 11 fêmeas e 6 machos. BRASIL: Rio Grande do Sul:
Santa Cruz do Sul, 12.xii.2007 (F. Noronha) [1 macho: UNISC]; Viamão, Parque Estadual
de Itapuã, 22.xi.2003 (B. Truylio) [1 macho: PUCRS]; Santa Catarina: Nova Teutonia,
9.xi.1964 (F. Plaumann) [1 fêmea: MCNV]; PARAGUAI: Alto Paraná: Puerto Bertoni,
xii.1911 (A. W. Bertoni) [1 fêmea LECTÓTIPO: IBNPY]; mesma localidade, ix.1919 (A.
W. Bertoni) [1 fêmea: DZUP]; mesma localidade, x.1919 (A. W. Bertoni) [1 fêmea:
IBNPY]; mesma localidade, xi.1919 (A. W. Bertoni) [2 fêmeas e 1 machos: DZUP; 1
machos: IBNPY]; ARGENTINA: Corrientes: Monte Caseros, iv.1978 (M. A. Fritz) [1
macho: AMNH]; Entre Ríos: Salto Grande, iv.1978 (M. A. Fritz) [1 fêmea e 1 macho:
AMNH]; Misiones: Parque Nacional Iguazú, 24.xi.1980 (A. Willink, P. Fidalgo, Claps &
Dominguez) [1 fêmea: IML]; Dos de Mayo, ix1978 (M. A. Fritz) [1 fêmea: AMNH];
Leandro N. Alem, Inst. Alberdi, 17-19.xi.1969 (C. Porter) [1 fêmea: IML]; San Javier,
12.xi.1971 (C. Porter) [1 fêmea: IML].
Stenonartonia apicipennis (Fox)
(Figs. 19, 30, 43, 51, 54, 62, 73, 91, 102, 115, 128, 141, 152, 160, 169, 175)
Odynerus apicipennis Fox, 1902, Proc. Acad. Nat. Sci.
Philad. 1902: 44, 67 (chave), fêmeas e machos (no subgênero
46
Stenancistrocerus) - “Brazil: Chapada" (lectótipo fêmea CMNH)
[examinado]; também de Corumbá. — Dalla Torre, 1904, Gen.
Insect. 19: 40 (no subgênero Ancistrocerus; cat.). Brèthes, 1906,
An. Mus. Nac. Buenos Aires 3(6): 357, f. 31 (Paraguay: Villa
Morra). Brèthes, 1909a, An. Mus. Nac. Buenos Aires 3(12): 59
(mimetismo com O. (Stenodynerus) griseolus Brèthes).
Zavattari, 1911, Zool. Jahrb. Syst. 31: 55 (no subgênero
Stenancistrocerus; Paraguai: San Bernardino). Zavattari, 1912,
Arch. Naturgesch. 78A (4): 195 (no subgênero Ancistrocerus,
divisão Stenancistrocerus; Paraguay: San Bernardino). Bertoni,
1918b, An. Cient. Paraguay 2(3): 207 (no subgênero
Stenancistrocerus; Paraguai). Carpenter & van der Vecht, 1991,
Ann. Carnegie Mus. 60: 232 (designação do lectótipo).
Nortonia lugens Schulthess, 1904, Z. Syst. Hym. Dipt. 5:
274, 280, 281, fêmea (ETHZ) [examinado]. Ducke 1910, Rev.
Ent. 28: 187. (Brasil: Ceará: Serra de Baturité, 800 m). Bertoni,
1918a, An. Cient. Parag. 2(3): 194. (Paraguai: Puerto Bertoni;
sinônimo: Odynerus (Stenodynerus) paraguayensis Brèthes;
mimetismo com Polybia atra [= Polybia ignobilis Haliday]).
Odynerus paraguayensis Brèthes, 1909b, An. Mus. Nac.
Buenos Aires 3 (12): 234, macho (no subgênero Stenodynerus) -
Paraguai: "Puerto Bertoni" (MACN) [não examinado].
Odynerus apicalipennis [!] Bertoni 1911, An. Mus. Nac.
Buenos Aires 3 (15): 112 (Paraguay: Puerto Bertoni, em flores de
Talinum patens).
Stenonartonia apicipennis; Carpenter & van der Vecht, 1991,
Ann. Carnegie Mus. 60: 211, 232 (sinônimos: Nortonia lugens von
Schulthess, Odynerus paraguayensis Brèthes; distribuição: Brasil;
Bolívia; Paraguai; Argentina). Stenonartonia apicipennis,
Garcete-Barrett, 2003, Bol. Mus. Nac. Hist. Nat. Parag. 14 (1-2):
41 (figs. 3e-3h).
D
IAGNOSE E
C
OMENTÁRIOS
: Esta espécie destaca-se entre as outras espécies com S-
I triangular pelo clípeo opaco e sem cerdas destacadas, a macropontuação muito abundante
e marcada do T-II, a lamela propodeal muito proeminente, a depressão dia do propódeo
ainda levemente côncava, a carena do T-I muito fraca, as tégulas em grande parte livres de
47
micropontuação e o seu padrão de coloração que lembra à vespa social Polybia ignobilis:
corpo preto coberto de pilosidade cinzenta muito curta, com poucas marcas amarelas e
assas hialinas cinzentas com a região costal preta que, quando dobradas, aparentam serem
pretas com o ápice mais claro.
O tipo de Odynerus paraguayensis Bréthes não foi examinado, mas julgando pela
descrição original, pela procedência do exemplar, e contando também com a sinonimia
estabelecida por Bertoni (1918) e corroborada por Carpenter & Vecht (1991), não
dúvidas da certeza da sinonimia.
D
ESCRIÇÃO
:
Fêmea: Coloração: Integumento preto com marcas amarelas como segue: linha
orbital inferior curta; pequena marca difusa no ângulo posterior de pronoto; ângulos
anterior e posterior da gula unidas por uma linha fina ao longo da margem externa; linha
transversal no metanoto, interrompida no meio; uma mácula difusa nas articulações com as
coxas média e posterior; face interna do fêmur e a tíbia anteriores; anel apical difuso em
todos os fêmures; linha anterior difusa ou ausente ao longo das tíbias média e posterior;
margem posterior; margem lateral e margem posterior muito fino no T-I; todas as margens
do S-I. Podem existir marcas marrons como segue: face ventral apical do flagelo a partir
do F-V; às vezes uma área difusa subapical na mandíbula; um pouco de coloração difusa
muito escura nas tíbias e nos tarsos; linha difusa extremamente fina e escura nas margens
dos segmentos metassomais II a VI. Membrana alar cinzenta com o ápice mais claro e a
região costal preta. Venação preta pardusca.
Medidas e proporções: Comprimento do corpo: 12,2 mm. Comprimento da assa
anterior: 11 mm. Clípeo 1,03 vezes mais largo que longo. T-I igual de largo que longo e
com a sua largura 0,71 vezes a largura do T-II. S-I 2,11 vezes mais largo que o seu
comprimento no meio e 1,59 vezes mais largo que o seu comprimento total.
Estrutura: Clípeo cordiforme, parecido com o clípeo de S. guaranitica, mas com a
emarginação apical um pouco mais ampla. Ângulo humeral muito fraco, arredondado e
levemente obtuso na vista frontal. Carena pronotal muito levemente ondulada, quase reta,
embaixo do ângulo pronotal. Linha parapsidal muito fracamente marcada. Paratégula na
forma de um polegar. Escutelo, fóssula axilar anterior e painel axilar lateral como foram
descritos para S. flavotestacea, mas com a projeção posterior desse último um pouco mais
grossa. Metanoto com o perfil em declive quase regular, com crista transversal completa
porém baixa. Propódeo como foi descrito para S. guaranitica, porém mais alongado, em
declive menos abrupto, com a depressão média um pouco mais aprofundada e com a
carena sublateral lamelar um pouco mais elevada. Lamela apical do propódeo como em S.
48
guaranitica, só que ainda mais saliente e aguda. T-I cônico, de perfil moderadamente baixo
e obtuso. Carena transversal do T-I muito fraca, reta, brevemente interrompida no meio e
desaparecendo no lado aproximadamente ao nível do espiráculo. S-I triangular largo.
Pontuação: Clípeo opaco, finamente reticulado, quase chagrinado e coberto com
micropontuação progressivamente mais densa acima, especialmente na metade superior, e
com macropontos numerosos, superficiais, não muito grossos e separados no promédio
pelo seu próprio diâmetro. Corpo inteiro subopaco, coberto com pontuação
moderadamente densa. Frente, vértice, genas, mesoscuto, escutelo e metanoto um pouco
menos opacos que o restante do corpo. Cabeça, pronoto, mesoscuto, mesoscuto, escutelo,
mesepisterno e a declividade posterior do metanoto cobertos com macropontuação densa
de grossor mediano que é um pouco mais espaçada em genas, escutelo e mesepisterno.
Tégulas sem micropontos numa grande área central externa. Faixa anterior do metanoto
dupla crenada confluente. Face lateral do propódeo coberta com macropontos finos
espaçados que se tornam gradualmente um pouco mais grossos e densos na direção do
espiráculo e com leve chagrinado mais evidente perto da carena submarginal. Superfície
sublateral do propódeo densamente macropontuada acima e tornando-se mais grossa, quase
estriatopontuada no sentido diagonal embaixo. Na depressão média a macropontuação se
torna rapidamente espaçada e fina, especialmente embaixo, onde fica mais evidente um
estriolado transversal. T-I com alguns macropontos muito finos espalhados na sua
declividade anterior e com macropontuação mediana moderadamente espaçada, mais
concentrada no meio, no disco. S-I densa e grossamente macropontuado. T-II coberto com
macropontuação fina e espaçada na base, que posteriormente vai aumentando de grossor e
densidade até formar uma faixa marginal de pontuação muito grossa e densa. S-II com
macropontuação mediana moderadamente espaçada e mais grossa no meio. Segmentos
metassomais III a V cobertos com macropontuação densa, mais espaçada nos esternos.
Segmento metassomal VI com macropontos finos moderadamente espaçados.
Pilosidade: Corpo coberto com uma pubescência fulva cinzenta muito curta e fina,
semideitada misturada com algumas cerdas suberetas claras que são mais longas no
propódeo e no T-I. Pilosidade do metassoma mais plenamente deitada.
Macho: Diferindo da fêmea como segue:
Coloração: O clípeo tem uma linha submedial curvada que pode se fundir acima com
a do outro lado para formar uma marca na forma de ferradura; linha orbital interna se
extendendo até o seno ocular; nódoa interantenal presente; a mandíbula pode ser amarela
na sua depressão basal média; F-XI é completamente claro; marcas claras nas pernas mais
bem definidas.
49
Medidas e proporções: Comprimento do corpo: 10,3 mm. Comprimento da assa
anterior: 8,2 mm. Clípeo 0,96 vezes mais largo que longo.
Estrutura e pontuação: Clípeo oval mais estreito, com a emarginação apical mais
profunda e os dentes apicais não carenados; F-IX cilíndrico; F-XI curto digitiforme,
levemente grosso e de ponta afiada; propódeo mais curto, com a declividade posterior mais
abrupta; macropontuação dos tergos mais grossa e densa: banda apical do T-II em alguns
exemplares extremamente densa, de aspecto reticular, com muitos pontos confluentes.
B
IOLOGIA
: Bertoni (1911) menciona que esta espécie visitava as flores de Talinum
patens (Portulaccaceae). Eu tenho coletado S. apicipennis em inflorescências de Hyptis sp.
(Lamiaceae) e Borreria sp. (Rubiaceae).
Um dos machos coletados em Cororó e depositado no AMNH tem as fossas axilares
e a concavidade posterior do propódeo cheias de ácaros em forma similar à como foi
ilustrado por Giordani Soika (1985: 191: fig. 3) para a espécie africana Pseudonortonia
malelensis.
D
ISTRIBUIÇÃO
: Yungas da Bolívia; Peru (sem localidade, mas provavelmente
também Yungas); Piemonte Andino da Argentina; bacia do sistema Paraguai-Paraná no
Brasil, Paraguai e Argentina, e um registro isolado da Serra de Baturité no Ceará, Brasil.
A distribuição desta espécie tem uma correspondência notável com a das Florestas
Deciduais Sazonais definidas por Prado (2000).
M
ATERIAL EXAMINADO
: 59 fêmeas e 85 machos. PERU: sem mais dados [1 fêmea,
HOLÓTIPO de Nortonia lugens: ETHZ]; BRASIL: Ceará: Serra de Baturité, 800 m,
23.iv.1909 (Ducke) [1 macho: MPEG]; Mato Grosso: Chapada dos Guimarães, iii (sem
coletor) [1 fêmea, LECTÓTIPO de Odynerus apicipennis: CMNH]; mesma localidade, xii
(sem coletor) [1 macho, paralectótipo de Odynerus apicipennis: CMNH]; Cáceres,
9.xii.1984 (C. Elias) [1 fêmea: UFPR]; mesma localidade, 27.iii.1985 (C. Elias) [1 fêmea:
DZUP]; Mato Grosso do Sul: Corumbá, iv (sem coletor) [1 macho, paralectótipo de
Odynerus apicipennis: CMNH]; Minas Gerais: Patrocínio, 5.x.1965 (C. Elias) [1 fêmea:
DZUP]; Passos, iii.1960 (C. Elias) [1 fêmea: DZUP]; mesma localidade, v.1961 (C. Elias)
[1 macho: DZUP]; Paraná: Parque Estadual de Vila Velha, 25°14'S, 49°59'W, 23.xi.2002
(G.A.R. Melo) [1 fêmea: DZUP]; Rio Grande do Sul: Santa Cruz do Sul, 6.ii.2002 (D. J.
Krise) [1 fêmea: UNISC]; mesma localidade, 20.xi.2003 (A. Köhler) [1 fêmea: UNISC];
Santa Catarina: Nova Teutonia, 4.x.1956 (F. Plaumann) [1 macho: MCNV]; mesma
localidade, x.1964 (F. Plaumann) [1 fêmea: MCNV]; mesma localidade, i.1965 (F.
Plaumann) [1 macho: MCNV; 2 machos: UCD]; mesma localidade, 20.xii.1972 (F.
Plaumann) [1 macho: UCD]; São Paulo: Teodoro Sampaio, P. E. Morro do Diabo,
50
22°31'S, 52°19'W, 14.ii.1999 (G.A.R. Melo) [1 macho: UFPR]; São Paulo, 29-31.i.1969
(C. Porter) [1 macho: AMNH]; Santo Amaro, 26.ix.1926 (S.V. Ohaus) [1 macho: MCNV];
sem estado: sem localidade, 1848 (C. Beske) [1 fêmea: MCNV]; BOLÍVIA: La Paz: Nor
Yungas, Coroico, sem mais dados [1 fêmea: UCD]; Santa Cruz: Piedra Blanca, iv (sem
coletor) [1 fêmea: CMNH]; PARAGUAI: Alto Paraná: Puerto Bertoni, sem data (A. W.
Bertoni) [2 machos: DZUP; 1 macho e 2 fêmeas: IML]; mesma localidade, xii (sem
coletor) [1 fêmea: DZUP]; mesma localidade, i.1909 (sem coletor) [1 macho: DZUP];
mesma localidade, xii.1909 (sem coletor) (A. W. Bertoni) [1 fêmea: DZUP]; mesma
localidade, iv.1919 (A. W. Bertoni) [2 machos: DZUP]; mesma localidade, xi.1919 (A. W.
Bertoni) [1 fêmea, 2 machos: DZUP]; Caaguazú: Santa Rosa del Mbutuy, 15 km SE de
Colonia Juan Ramón Chávez, 14-15.ii.2008 (J. Halada) [2 machos: OLML]; Canindeyú:
Reserva Natural del Bosque Mbaracayú, 26-27.iv.1997 (B. Garcete) [1 macho: IBNPY];
Reserva Natural del Bosque Mbaracayú, Jejui-mi, 10.i.1997 (B. Garcete) [1 macho:
DZUP]; Reserva Natural del Bosque Mbaracayú, La Morena, 15-16.i.1997 (B. Garcete) [1
macho: DZUP]; Reserva Natural del Bosque Mbaracayú, Lagunita, 10.ix.1995 (B.
Garcete) [1 macho: DZUP]; mesma localidade, 13.ix.1995 (B. Garcete) [1 macho: DZUP];
Reserva Natural del Bosque Mbaracayú, Trayecto Horqueta-mi Lagunita, 18.i.1997 (B.
Garcete) [1 macho: DZUP]; Reserva Natural del Bosque Mbaracayú, Trayecto Jejui-mi
Lagunita, 14.i.1997 (B. Garcete) [1 fêmea: IBNPY; 1 fêmea DZUP]; Villa Ygatimí,
22.iv.1920 [1 fêmea: DZUP]; Capital: Asunción, iv.1920 (sem coletor) [1 macho: DZUP];
Jardín Botánico, 11.iv.1999 (B. Garcete) [1 fêmea e 5 machos: DZUP]; Villa Morra,
4.xii.1906 (J.D. Anisits) [1 fêmea: MCNV]; Concepción: Estancia Don Carlos, 25.ii.1997
(B. Garcete) [1 fêmea e 2 machos: DZUP]; mesma localidade, 26.ii.1997 (B. Garcete) [5
machos: DZUP]; mesma localidade, 27.ii.1997 (B. Garcete) [3 machos: DZUP]; mesma
localidade, 28.ii.1997 (B. Garcete) [2 fêmeas e 3 machos: DZUP; 1 macho: IBNPY];
mesma localidade, 1.iii.1997 (B. Garcete) [2 fêmeas e 2 machos: DZUP]; Retiro Saité,
22°5'19''S, 57°37'19''W, 15-17.x.1999 (B. Garcete) [1 fêmea: DZUP]; Cordillera: San
Bernardino, sem data (Babarczy) [1 fêmea e 1 macho: MCNV]; Piribebuy, Compañía
Naranjo, Barrio San José, 28-30.iii.2002 (B. Garcete) [1 macho: DZUP]; Itapúa: Parex,
Estancia Parabel, 14.ii.1997 (B. Garcete) [1 fêmea: DZUP]; Alto Verá, Estancia Mendieta,
9-11.ii.1999 (B. Garcete) [1 fêmea e 1 macho: DZUP]; Paraguarí: Pirayú, 7.iii.1997 (B.
Garcete) [1 macho: DZUP]; Ybycuí, Parque Nacional Ybycuí, 18.i.1993 (B. Garcete) [1
fêmea: IBNPY; 1 macho: DZUP]; mesma localidade, 1-4.v.1996 (B. Garcete) [1 macho:
DZUP]; San Pedro: Río Ypané, Cororó, ii.1979 (M. A. Fritz) [1 macho: AMNH]; mesma
localidade, xii.1983 (M. A. Fritz) [2 machos: AMNH]; Lima, Lima, 27.iii.1920 (sem
51
coletor) [1 macho: IBNPY]; ARGENTINA: Corrientes: Ituzaingo, sem data, (M. A.
Fritz) [1 macho: AMNH]; mesma localidade, x.1981 (M. A. Fritz) [1 macho: AMNH];
mesma localidade, xii.1982 (M. A. Fritz) [1 fêmea: AMNH]; Las Marías, Ca. Virasoro, 10-
15.xi.1969 (C. Porter) [5 fêmeas e 4 machos: IML]; mesma localidade, 7.xi.1971 (C.
Porter) [3 machos: IML]; Paso de la Patria, 5-7.xi.1969 (C. Porter) [1 mea: MCNV];
mesma localidade, 1.xi.1971 (C. Porter) [1 macho: IML]; Santa Ana, 8.v.1971 (C. Porter
& L. Stange) [1 macho: IML]; Sombrerito, 8.xi.1969 (C. Porter) [1 fêmea: IML]; Jujuy:
Calilegua, 13.ii.1950 (A. Willink & F. Monrós) [1 macho: IML]; Misiones: Cataratas del
Iguazú, 5-9.xi.1970 (C. Porter & L. Stange) [1 fêmea: IML]; Dos de Mayo, 18.xi.1973
(Escobar & Claps) [1 macho: IML]; Iguazú, 30i-13.iii.1945 (K. Hayward, A. Willink & R.
Golbach) [3 machos: IML]; Leandro N. Alem, Inst. Alberdi, 17-19.xi.1969 (C. Porter) [1
fêmea: IML]; Puerto Esperanza, xii.1976 (M. A. Fritz) [1 macho: AMNH]; Salta: 24 km W
Aguas Blancas, Cpto Jakolica, 2.vii.1973 (C. Porter & E. Demarest) [2 fêmeas: IML];
Aguaray, 18.ii.1950 (R. Golbach) [1 fêmea: IML]; Pocitos, xi.1978 (M. A. Fritz) [3
machos: AMNH]; Rio Pescado (Est. YPF), 19-25.xi.1967 (C. Porter & E. Willink) [1
fêmea: AMNH]; Río Pescado, 20 km W Orán, 25.xi.1979 (A. Willink, P. Fidalgo &
Dominguez) [1 macho: IML]; Río Pescado, Ca. Orán, 22°53'S, 64°27'W, 11-20.vii.1970
(C. Porter) [2 fêmeas: IML]; mesma localidade, 12.vii.1970 (C. Porter) [1 fêmea: IML];
Río Piedras, 20 km W El Galpón, 27.ii.1979 (A. Willink, P. Fidalgo & Dominguez) [1
macho: IML]; Rosario de Lerma, xii.1986 (M. A. Fritz) [1 macho: AMNH]; Ruta 34, 12
km N Urundel, Arroyo Riacho Seco, 24-29.vii.1978 (C. Porter & P. Fidalgo) [1 fêmea:
IML]; San Martín, Macueta, 1-3.vi.1977 (P. Fidalgo) [1 fêmea: IML]; Tucumán: El
Cadillal, 17.iv.1966 (L. Stange) [1 fêmea: IML]; Mts, Parque Biológico, elev. 700 m,
24.xi.1974 (L. Stange) [1 macho IML]; Quebrada de Lules, 2.ii.1927 (R.C. & E.M.
Shannon) [1 fêmea: IML]; Reserva Forestal, Ruta 9 ca. El Cadillal, 20.vi.1973 (C. Porter
& E. Demarest) [1 fêmea: IML]; Tafí, Horco Molle, 9-11.xi.1969 (C. Porter) [1 fêmea:
IML]; mesma localidade, 19.xi.1970 (C. Porter) [1 fêmea: IML]; mesma localidade,
1.xii.1971 (C. Porter) [1 macho]; Horco Molle, Sierras San Javier, elev. 700 m, 22.iii.1974
(L. Stange) [1 fêmea: IML]; SEM ETIQUETA DE LOCALIDADE: [1 macho DZUP].
Stenonartonia tanykaju n. sp.
(Figs. 7, 20, 31, 34, 44, 52, 63, 74, 84, 92, 103, 116, 129, 142, 153, 162, 170, 176)
D
IAGNOSE E
C
OMENTÁRIOS
: Espécie pequena, com o T-I cônico com uma carena
transversal bem marcada e uma forma geral e padrão de coloração que a primeira vista
lembra muito à forma melânica de S. mimica, mais a fóssula axilar anterior grande e
52
escondida em baixo da paratégula, a paratégula digitiforme e o propódeo mais anguloso e
com a face posterior quase plana a separam rápidamente.
D
ESCRIÇÃO
:
Fêmea: Coloração: Integumento preto com marcas amarelas a testáceas como
segue: base das mandíbulas; linha orbital interna desde o clípeo até o seno ocular; face
ventral do escapo; nódoa interantenal; linha frontal fina, curta e escurecida; linha na forma
de vírgula alongada entre o olho e o ocelo posterior; setor inferior na gena e o occipúcio;
fina linha borrada no meio ao largo da margem posterior do pronoto; pequena marca difusa
no ângulo inferior do pronoto e outra maior no lóbulo pronotal; par de linhas submediais
posteriores curtas e finas no mesoscuto; faixa fina ao largo do metanoto que pode estar
ausente; nódoa subalar escurecida; pequena nódoa nas articulações com as coxas média e
posterior; nódoa submedial posterior no propódeo; grande parte da coxa anterior; face
interna extensa no fêmur anterior; tíbia anterior com exceção de uma grande marca escura
externa; todos os tarsos; anel apical se estendendo pelos três quartos apicais da face
anterior do fêmur médio; anel apical se estendendo pelos três quartos apicais da face dorso-
posterior do fêmur posterior; face externa e anel apical nas tíbias média e posterior; S-I
com algumas partes escurecidas; lados difusos e fina banda posterior no T-I; bandas
apicais muito difusas e escuras nos segmentos metassomais II a V. Existem regiões
marrons como segue: face ventral do flagelo, tornando-se mais clara em direção ao ápice;
escurecimento da mandíbula em direção ao seu ápice; faixa grossa diagonal posterior na
tégula; áreas difusas laterais no segmento metassomal II; segmento metassomal VI em
quase a sua totalidade. Cor das assas como foi descrito para S. mimica.
Medidas e proporções: Comprimento do corpo: 9,8 mm. Comprimento da assa
anterior: 10 mm. Clípeo 1.12 vezes mais largo que longo. T-I tão largo quanto longo e com
a sua largura 0,71 vezes a largura do T-II. S-I 2,43 vezes mais largo que o seu
comprimento no meio e 2,15 vezes mais largo que o seu comprimento total.
Estrutura: Clípeo cordiforme, de lados bem arredondados, moderadamente convexo,
com uma depressão apical baixa, porém bem estendida, e com a emarginação apical
semicircular entre um par de dentes carenados agudos que apontam para abaixo. Ângulo
humeral, carena pronotal, linha parapsidal e metanoto como em S. mimica. Paratégula,
escutelo, fóssula axilar anterior e painel axilar lateral como foram descritos para S.
flavotestacea, porém com a projeção posterior do painel axilar lateral um pouco mais
alargado. Propódeo levemente alongado em declive plano amplo, com as superfícies
sublaterais aplanadas e anguladas obtusamente nos lados, as superfícies laterais planas, o
canal médio não definido dentro da declividade plana posterior, carena longitudinal
53
completa e carena sublateral curta e afiada. Lamela apical do propódeo como foi descrita
para S. mimica, que mais saliente por cima da válvula e delimitada dela por uma dobra
lateral bem marcada. T-I como foi descrito para S. mimica, só que levemente menos
convexo na declividade anterior e com a carena transversal mais reta. S-I como foi descrito
para S. apicipennis.
Pontuação: Clípeo subopaco, finamente reticulado, coberto com pouca
micropontuação e macropontuação superficial moderadamente espaçada. Pontuação do
corpo inteiro parecida com a de S. mimica, mais no geral a superfície um pouco mais opaca
e a macropontuação mais fina, incluindo a banda apical dos segmentos metassomais que
tem pontuação menos diferenciada, no propódeo a macropontuação torna-se muito
espalhada onde começa a superfície posterior aplanada e o chagrinado transversal é
muito menos evidente.
Pilosidade: No geral parecida com a descrita para S. mimica, mais clípeo com
numerosas cerdas amareladas e propódeo com pilosidade mais parecida com a de S.
apicipennis, com uma banda inferior de pilosidade refletiva deitada e dirigida para abaixo.
Macho: Diferindo da fêmea como segue:
Coloração: Clípeo com uma linha lateral grossa fusionada embaixo com a do outro
lado; região amarela das mandíbulas mais extensa; antenas mais claras por baixo e com a
cor clara ocupando grande parte do F-IX e os F-X e F-XI inteiramente; linhas da frente e
do metanoto mais definidas e claras; fêmures médio e posterior mais claros na sua face
externa; T-I com um par de nódoas marrons difusas na sua declividade anterior e com o
seu disco amarronzado; Segmento metassomal II amarronzado.
Medidas e proporções: Comprimento do corpo: 8,5 mm. Comprimento da assa
anterior: 9,2 mm. Clípeo 1.01 vezes mais largo que longo.
Estrutura e pontuação: Clípeo pequeno, quase sem depressão apical, com a margem
apical lamelar translúcida incluindo os dentes que não são carenados. A sua superfície é
sublustrosa, sem micropontos e com macropontos mais finos e muito espaçados.
E
TIMOLOGIA
: O nome desta espécie deriva de termos em língua Guarani: tañykã
significando queixada e ju significando pálido ou amarelo, se referindo à gena inferior
marcada de amarelo.
D
ISTRIBUIÇÃO
: Brasil: Paraná e Santa Catarina.
M
ATERIAL EXAMINADO
: 2 fêmeas e 2 machos. HOLÓTIPO: BRASIL: Paraná:
Piraquara, Mananciais da Serra, 26.ii.2006 (G.A.R. Melo) [1 fêmea: DZUP]. PARÁTIPOS:
BRASIL: Paraná: Tijucas do Sul, Associação dos Professores, 10.iv.2003 (A.M. Siqueira)
[1 fêmea: DZUP]; Santa Catarina: Nova Teutonia, iv.1964 (F. Plaumann) [1 macho:
54
MCNV]; mesma localidade, 300-500 m, 27°11'S, 52°23'W, ii.1965(F. Plaumann) [1
macho: MCNV].
Stenonartonia hermetica n. sp.
(Figs. 21, 45, 93, 104, 117, 130, 143, 154, 176)
D
IAGNOSE E
C
OMENTÁRIOS
: S. hermetica, na estrutura geral, e bastante parecida
com a S. apicipennis, mais o clípeo mais arredondado, menos opaco e coberto com cerdas,
o propódeo mais anguloso nos lados, e plano na sua declividade e a carena transversal do
T-I mais forte, a levam mais perto da S. tanykaju. O clípeo muito micropontuado, o ângulo
humeral marcado, o metanoto em declive regular, a lamela apical do propódeo de forma
particular e o T-I deprimido servem para diferenciar esta espécie. São vespas
moderadamente grandes, pretas com muito poucas marcas amarelas, marcas avermelhadas
nas pernas, pilosidade pardusca e assas marrom escuro que lembram à vespa social Polybia
minarum.
D
ESCRIÇÃO
:
Fêmea: Coloração: Integumento preto com as seguintes marcas amarelas: linha
orbital inferior muito curta; vestígios laterais de linha marginal posterior no pronoto;
diminutos pontos nas articulações com as coxas média e posterior; pequena marca na
carena sublateral do propódeo; fina linha na base da válvula propodeal; margem lateral
escuro continuado por uma linha fina na margem posterior no T-I; todas as margens do S-I.
São de cor marrom avermelhado claro as seguintes partes: face ventral do flagelo; margem
externa da tégula; face interna e anel apical do fêmur anterior; face interna e linha externa
da tíbia anterior; todos os tarsos; articulação fêmur-tíbia das pernas média e posterior; face
anterior e linha posterior das bias média e posterior; margem muito fina e quase
imperceptível nos segmentos metassomais II a VI. Membrana alar infumada marrom
escura com a venação marrom negrusca.
Medidas e proporções: Comprimento do corpo: 11,2 mm. Comprimento da assa
anterior: 11,5 mm. Clípeo 1,18 vezes mais largo que longo. T-I 1,01 vezes mais largo que
longo e com a sua largura 0,69 vezes a largura do T-II. S-I 2,32 vezes mais larga que o seu
comprimento no meio e 1,65 vezes mais larga que o seu comprimento total.
Estrutura: Cabeça e mesossoma como em S. tanykaju mais diferindo como segue:
emarginação do clípeo levemente maior; ângulo humeral moderadamente projetado, em
ângulo reto e com a ponta arredondada na vista frontal; carena pronotal amplamente
ondulada embaixo do ângulo pronotal; linha parapsidal obsolescente; metanoto em declive
regular e com crista transversal quase obsoleta; propódeo um pouco mais plano ainda no
55
declive posterior; lamela apical do propódeo pequena, não separada da válvula por uma
dobra lateral, mas delimitada inferiormente por uma emarginação semicircular bem
marcada. Segmento metassomal I como em S. apicipennis, só que o T-I é muito deprimido,
com a declividade anterior aplanada, com tubérculos espiraculares salientes e com a carena
transversal forte, muito ondulada e fortemente dobrada para trás ao nível do espiráculo.
Pontuação: Clípeo subopaco, finamente reticulado, coberto com micropontuação
densa na sua metade superior, dissipando-se rápidamente embaixo e com macropontos
finos moderada a plenamente espaçados. Corpo inteiro subopaco, coberto com
micropontuação densa. Pontuação da cabeça e o mesossoma como em S. apicipennis,
que mais superficial e espaçada e diferindo nos seguintes detalhes: tégula coberta com
micropontuação moderadamente densa; banda anterior do metanoto coberta com
macropontos medianos que apenas formam crenação; Declividade do propódeo menos
opaca, sem chagrinado transversal e com macropontos finos apenas densos acima,
rápidamente tornando-se bem espaçados no restante da superfície e desaparecendo
embaixo no meio. Metassoma opaco, muito densamente micropontuado nos tergos e um
pouco menos densamente nos primeiros dois esternos. T-I sem macropontos evidentes
na sua declividade anterior e com macropontos muito finos e superficiais moderadamente
espaçados no seu disco. S-I coberto com macropontuação superficial densa. T-II coberto
com macropontuação espaçada muito fina difícil de diferenciar da micropontuação,
tornando-se apenas um pouco mais grossa e densa numa faixa marginal posterior. S-II
coberta com macropontos finos espaçados. Segmentos metassomais III a V com
macropontuação parecida com aquela da faixa posterior do T-II. Segmento metassomal VI
com macropontos finos espalhados.
Pilosidade: Corpo coberto com uma pubescência marrom fina, subdecumbente e
moderadamente espaçada misturada com abundantes cerdas pálidas semieretas curvadas. A
pilosidade se torna mais longa e pálida com tons amarelados ou prateados nos lados do
mesossoma e no propódeo. O propódeo tem uma banda central inferior de pilosidade
refletiva deitada como em S. apicipennis. Pilosidade do metassoma mais fina, curta, densa
e plenamente deitada.
Macho: Desconhecido.
E
TIMOLOGIA
: Esta espécie é nomeada em homenagem ao meu colega e amigo
Marcel Gustavo Hermes, mas também faz referência ao caráter hermético, difícil, quase
esotérico que teve chegar à conclusão desta ser uma espécie boa.
D
ISTRIBUIÇÃO
: Brasil: Paraná.
56
M
ATERIAL EXAMINADO
: HOLÓTIPO: BRASIL: Paraná, Piraquara, Piraquara,
30.xi.2005 (M.G. Hermes) [1 fêmea: DZUP].
Stenonartonia grossa n. sp.
(Figs. 22, 46, 75, 105, 118, 131, 174)
D
IAGNOSE E
C
OMENTÁRIOS
: Esta espécie é extremamente parecida com S.
hermetica em estrutura e coloração, diferindo na macropontuação mais marcada e grossa
no clípeo, cabeça e mesossoma; pela lamela apical do propódeo de maior tamanho e
separada inferiormente da válvula por uma emarginação obtusa; pelo T-I mais grosso,
convexo e com a carena transversal sem dobra lateral e pelo aspecto geral do corpo mais
preto devido a uma pilosidade mais clara, curta e espaçada.
D
ESCRIÇÃO
:
Fêmea: Muito parecida em coloração, medidas, estrutura e pilosidade com S.
hermetica mais diferindo como segue:
Medidas e proporções: Comprimento da assa anterior: 11,7 mm. Clípeo 1,13 vezes
mais largo que longo. T-I 1,09 vezes mais largo que longo. S-I 2,24 vezes mais largo que o
seu comprimento no meio e 1,56 vezes mais largo que o seu comprimento total.
Estrutura: Dentes apicais do clípeo mais obtusos e levemente mais separados;
ângulo humeral menos projetado; lados do pronoto mais convexos na vista dorsal;
declividade propodeal levemente mais deprimida ao longo da linha média; lamela apical do
propódeo maior, apontando diagonalmente para acima, delimitada da válvula por uma
dobra lateral muito leve e uma emarginação inferior ampla e obtusa; T-I divergindo para
trás mais abruptamente, com os tubérculos espiraculares apenas visíveis, com a declividade
anterior muito convexa e a carena transversal acabando abruptamente no lado, ao nível do
espiráculo, sem se curvar para trás.
Pontuação: Clípeo coberto com micropontuação espaçada e com macropontuação
bem marcada, medianamente grossa e de densidade moderada; corpo no geral um pouco
menos opaco e com a micropontuação mais espaçada; pontuação geral da cabeça e
mesossoma mais marcada, com macropontos mais definidos e profundos; declividade
posterior do propódeo em parte levemente chagrinada; T-I com macropontos mais
definidos na declividade anterior; S-I coberto com macropontuação densa bem definida;
restante do metassoma com macropontos um pouco mais visíveis.
Pilosidade: Um pouco mais clara, curta e espaçada.
Macho: Desconhecido.
B
IOLOGIA
: O holótipo contêm vários ácaros nas suas fossas axilares.
57
E
TIMOLOGIA
: O nome faz referência ao grande tamanho desta espécie e do seu T-I
quando comparada com outras do grupo de S. apicipennis. Na Argentina o termo “grosso”
é usado para falar de uma pessoa que tem feito alguma coisa muito boa e desinteressada,
neste caso eu agradeço ao meu colega e amigo Paschoal Grossi por ter coletado o holótipo
e pela grande ajuda brindada quando precisei de computador para preparar o texto da
dissertação.
D
ISTRIBUIÇÃO
: Brasil: Rio de Janeiro.
M
ATERIAL EXAMINADO
: HOLÓTIPO: BRASIL: Rio de Janeiro, Nova Friburgo,
14-19.xi.2007 (P.C. Grossi) [1 fêmea: DZUP].
58
A
NÁLISE
F
ILOGENÉTICA
Caracteres e estados
A Tabela I apresenta os caracteres e seus respectivos estados. Abaixo são listados os
caracteres e estados empregados além de observações sobre sua aplicação. Foram extraídos
82 caracteres da morfologia dos adultos, 72 deles relativos à morfologia externa e 10
relativos à genitália dos machos. Os caracteres foram distribuídos na matriz de acordo com
a sua posição no corpo, sendo numerados da região anterior para a posterior. No caso de
estados não aplicáveis, foi atribuído um sinal de hífen (“-”) na matriz. Um sinal de
interrogação (“?”) indica que não foi possível observar o caráter, isto no caso de carateres
dos machos para espécies com macho desconhecido.
Cabeça
01. Palpo maxilar: (0) com 6 palpômeros; (1) com 5 palpômeros.
02. Palpo labial: (0) com 4 palpômeros; (1) com 3 palpômeros.
03. Mandíbula: dente preapical distal: (0) dentiforme; (1) molariforme (Fig. 1).
04. Mandíbula: carena acetabular: (0) alcançando a emarginação preapical; (1)
desaparecendo na base do dente preapical (Fig. 1).
05. Clípeo da fêmea: depressão preapical: (0) Apenas ou nada indicada (Fig. 11); (1)
bem marcada (Fig. 19).
06. Clípeo da fêmea: margem apical: (0) incisa (Fig. 12); (1) reta (Fig. 13).
07. Clípeo da fêmea: região translúcida na margem apical: (0) ausente (Fig. 19); (1)
presente (Fig. 14).
08. Clípeo da fêmea: margem lateral livre: (0) regular (Fig. 13); (1) com uma dobra
preapical.
09. Clípeo da fêmea: cerdas da superfície: (0) finas e pouco abundantes (Fig. 19); (1)
grossas e numerosas (Fig. 20).
59
10. F-XI: alcance quando dobrada para trás: (0) se fechando sobre o F-IX (Figs 56-63);
(1) se fechando sobre o F-VIII.
11. F-XI: formato: (0) digitiforme aplanado e alongado (Fis 57-58); (1) cilíndrico curto
(Figs 56 e 59-63).
12. F-IX: (0) cilíndrico (Figs 56 e 59-63); (1) ventralmente côncavo (Fis 57-58).
13. Fóveas cefálicas da fêmea: distançamento da carena occipital: (0) cercanas; (1)
afastadas (Figs 32-34).
14. Fóveas cefálicas da fêmea: distançamento entre si: (0) confluentes; (1) cercanas
(Figs 32-34); (2) amplamente afastadas.
15. Vértice da fêmea: depressão foveal e carena posterior: (0) marcadas; (1) não
marcadas (Figs 32-34).
16. Vértice da fêmea: área com pontuação e pilosidade diferenciada: (0) ausente; (1)
presente (Figs 32-34).
17. Vértice da fêmea: forma da área especializada (só aplicável para terminais que
receberam 1 no caráter 16): (0) ampla, oval (Fig. 32); (1) fina, semilunar (Figs 33-
34); (2) fina, reduzida e interrompida no meio.
18. Carena occipital: (0) completa; (1) interrompida no meio.
Mesossoma
19. Carena pronotal: (0) contínua (Fig. 34); (1) interrompida no meio.
20. Carena humeral oblíqua: (0) ausente (Figs 64-75); (1) presente.
21. Área subhumeral: (0) deprimida; (1) convexa (Figs 64-75).
22. Carena pretegular: (0) presente (Fig. 68); (1) ausente.
60
23. Carena sublobular: (0) ausente (Fig. 72); (1) presente.
24. Carena epicnemial: (0) completa; (1) levemente marcada (Figs 64-65); (2) ausente
(Figs 66-75).
25. Notauli: (0) ausentes (Fig. 91); (1) presentes.
26. Paratégula: na vista posterior: (0) plana horizontal; (1) projetada para baixo (Fig.
97).
27. Paratégula: superfície superior: (0) arredondada (Fig. 92); (1) carenada (Fig. 89).
28. Tégula: superfície do ângulo posterior: (0) inclinada em direção à paratégula (Fig.
102); (1) não inclinada (Fig. 6).
29. Tégula: pontuação: (0) lisa no meio (Fig. 87); (1) inteiramente micropontuada (Fig.
90).
30. Prestigma: (0) Mais curto que a borda posterior do pterostigma (Fig. 36); (1) Pelo
menos tão longo quanto a borda posterior do pterostigma.
31. Escutelo: crenado da articulação trans-escutal: (0) não reduzido no meio; (1) mais
fino no meio (Fig. 83).
32. Escutelo: área lateral na vizinhança da fossa axilar: (0) caindo verticalmente, sem
carena (Figs 7 e 83-84); (1) expandida em carena por cima da fossa (Figs 6 e 8: cls e
Figs 76 e 79).
33. Escutelo: expansão lateral (só aplicável para terminais que receberam 1 no
caracter 32): (0) deprimida, opaca (Fig. 76); (1) elevada, translúcida (Fig. 80).
34. Escutelo: “janela” lateral anterior: (0) ausente (Figs. 80-81); (1) presente (Figs 78-
79).
61
35. Painel axilar lateral: extensão: (0) não extendido por cima da axila (Fig. 5); (1)
extendido por cima da axila (Figs 6-8).
36. Painel axilar lateral: tipo de extensão (só aplicável para terminais que receberam
1 no caráter 35): (0) tocando à axila brevemente, fóssula axilar anterior expandida
(Fig. 7); (1) tocando à axila amplamente, fóssula axilar anterior pequena (Fig. 8); (2)
tocando à axila amplamente, fóssula axilar anterior obliterada (Fig. 6).
37. Crista escutelar: limite com o escutelo: (0) contínuo, sem sulco; (1) delimitado por
um sulco longitudinal (Fig. 76).
38. Crista escutelar: borda interna: (0) apenas carenada (Fig. 5: lic); (1) lamelar, pouco
expandida; (2) lamelar, amplamente expandida por cima da fossa axilar (Figs 6-8:
lic).
39. Metanoto: crista transversal de dentes: (0) ausente; (1) presente (Fig. 2: mtc).
40. Metanoto: banda anterior de pontuação grossa: (0) ausente; (1) presente (Fig. 2:
bam).
41. Perna média: fêmur do macho: (0) normal; (1) com depressão ventral basal (Fig. 55);
(2) com depressões ventral basal e dorsal medial (Fig. 53).
42. Perna posterior: margem apical ventral do tarsômero IV: (0) inciso no meio; (1)
truncado.
43. Propódeo: superfície sublateral: (0) elevada, bem diferenciada da concavidade média
(Figs 85-86); (1) declive, mais ou menos confluente com a concavidade média (Figs
87-93).
44. Propódeo: concavidade média (só aplicável para terminais que receberam 1 no
caráter 43): (0) formando uma banda ampla deprimida, canal médio pouco
diferenciado (Figs 101-105); (1) pouco definida e com o canal médio bem definido
(Figs 95-100).
62
45. Propódeo: escultura da superfície sublateral: (0) primariamente pontuada (Figs 98-
105); (1) primariamente estriada (Figs 95-97).
46. Propódeo: cristas superiores: (0) ausentes (Figs 94-105); (1) presentes.
47. Propódeo: fóvea basal medial: (0) muito curta; (1) moderadamente alongada (Figs
94-105); (2) muito alongada.
48. Propódeo: carena medial: (0) alcançando a carena submarginal (Figs 94-99 e 101-
105); (1) desaparecendo antes de alcançar a carena submarginal (Fig. 100).
49. Propódeo: região lustrosa no setor inferior do canal médio: (0) ausente (Fig. 98);
(1) presente (Fig. 105).
50. Propódeo: região lustrosa presente (só aplicável para terminais que receberam 1
no caráter 49): (0) reduzida (Fig. 105); (1) ampla (Fig. 100).
51. Propódeo: pilosidade no setor inferior da depressão média: (0) refletiva, deitada
para abaixo (Figs 85 e 90-93); (1) não refletiva, não deitada (Figs 86-89).
52. Lamela apical do propódeo: (0) curta, grossa e opaca; (1) saliente, fina e translúcida
(Figs 64-75).
53. Lamela apical do propódeo: projeção lateral (só aplicável para terminais que
receberam 1 no caráter 52): (0) arredondada (Figs 64-69); (1) angular (Figs 70-75).
54. Lamela apical do propódeo: relação com a válvula propodeal: (0) fussionada e
contínua ao lado com a válvula propodeal (Figs 64-75); (1) não fusionada com a
válvula, contínua ao lado com a carena submarginal.
55. Lamela apical do propódeo: contato com a válvula (só aplicável para terminais
que receberam 0 no caráter 54): (0) sem emarginação (Figs 64-71); (1) com
emarginação (Figs 72-75).
Metassoma
63
56. T-I: perfil geral: (0) fortemente curvado (Figs 119-120); (1) obtuso (Figs 121-131).
57. T-I: carena longitudinal na declividade anterior: (0) ausente (Fig-. 129); (1)
presente (Fig. 126).
58. T-I: carena longitudinal presente (só aplicável para terminais que receberam 1 no
caráter 58): (0) apenas indicada; (1) forte (Fig. 126).
59. T-I: carena transversal: (0) ausente; (1) presente (Figs 106-118).
60. T-I: sulco lustroso transversal acompanhando à carena transversal (só aplicável
para terminais que receberam 1 no caráter 59): (0) não marcado (Figs 106-107 e
111-118); (1) forte (Figs 108-110).
61. T-I: carena transversal no meio (só aplicável para terminais que receberam 1 no
caráter 59): (0) reta (Figs 114-115); (1) projetada para trás (Figs 112-113).
62. T-I: carena transversal no lado (só aplicável para terminais que receberam 1 no
caráter 59): (0) reta, apenas alcançando o nível do espiráculo (Figs 126-128); (1)
dobrada para trás ao nível do espiráculo (Figs 125 e 129-130).
63. T-I: sulco longitudinal no disco: (0) ausente; (1) presente (Fig 106).
64. T-I: sulco longitudinal presente (só aplicável para terminais que receberam 1 no
caráter 63): (0) fraco (Fig. 106); (1) forte (Fig. 110).
65. S-I: formato geral: (0) cimbaliforme (Figs 132-133 e 140); (1) triangular amplo (Figs
138 e 141-143); (2) isoscélico alongado (Figs 134-139).
66. S-I: carena sub-basal: (0) ausente; (1) presente (Fig. 4: sbc).
67. S-I: pecíolo: (0) fusionado com o tergo; (1) com sulco que o separa do tergo (Fig. 4).
68. T-II: área pregradular: (0) opaca; (1) lustrosa.
64
69. T-II: grádulo: (0) raso; (1) sulco marcado.
70. T-II: margem posterior: (0) sem lamela marginal; (1) com lamela marginal.
71. T-II: lamela premarginal: (0) ausente; (1) presente.
72. S-II: área sub-basal: (0) convexa, quase aplanada (Fig. 127); (1) truncada.
Genitália do macho
73. Parâmero: (0) sem projeção ventral aguda; (1) com uma projeção ventral aguda Figs
167-170).
74. Basivolsella: (0) sem gâncho agudo (Figs 164-170); (1) com gâncho agudo (Fig. 163).
75. Membrana basal da volsella: pilosidade: (0) espalhada; (1) densa (Fig. 164).
76. Dígito: raiz: (0) simples (Figs 163 e 167-170); (1) anular (Figs 164-166).
77. Dígito: vexilo: (0) alongado e membranoso (Figs 163 e 167-170); (1) curto e não
membranoso (Figs 164-166).
78. Dígito: pilosidade: (0) espalhada e ausente em grande parte do vexilo (Fig. 163); (1)
densa na maior parte do vexilo (Figs 164-170).
79. Digito: espículas dorsais grossas: (0) ausentes (Fig 163); (1) presentes (Figs 164-170)
80. Cúspide: (0) pequena (Figs 163 e 167-170); (1) grande (Figs 164-166).
81. Edeago: denticulação ventral: (0) ausente (Figs 155-157); (1) presente (Figs 158-
162).
82. Edeago: extensão da denticulação ventral (só aplicável para terminais que
receberam 1 no caráter 81): (0) reduzida (Fig 162); (1) extendida (Figs 158-161).
Cada uma das análises produziu somente uma árvore mais parcimoniosa. O
65
cladograma obtido com pesagem sob pesos iguais (Fig. 177) foi de 160 passos, com índice
de consistência 0,56 e índice de retenção 0,73. A topologia obtida com pesagem implícita
(Fig. 178) teve comprimento de 161 passos, com índice de consistência 0,55 e índice de
retenção 0,73. Os cladogramas foram enraizados entre Ancistrocerus flavomarginatus e o
restante dos táxons. As topologias diferiram na posição relativa de Stenonartonia mimica e
S. flavotestacea na base do clado representando o grupo de S. apicipennis. A análise com
pesagem implícita colocou S. mimica como irmã do grupo inteiro e S. flavotestacea como
irmã do restante do grupo. Esta hipótese é tomada como preferida, principalmente na base
da otimização para o caráter 36 (extensão do painel axilar lateral). Na discussão a seguir
será tomada em conta esta topologia e as mudanças de estados de caráter não ambíguas.
Algumas diferências achadas no cladograma obtido com pessagem igual serão brevemente
comentados.
Stenonartonia e sua relação com outros gêneros:
Seis carateres sustentam a monofilia do gênero Stenonartonia: dente preapical
distal largo ou molariforme (Caracter 3 (1): Fig. 1: dpd); painel axilar lateral amplamente
estendido sobre a axila, mas com a existência de uma pequena fóssula axilar anterior
(Caracter 36 (1): Figs 2 e 8: af); metanoto com crista transversal de dentes (Caracter 39 (1):
Fig. 2: mtc); presença de uma banda anterior com escultura grossa diferenciada no
metanoto (Caracter 40 (1): Fig. 2: bam); fóvea basal medial do propódeo moderadamente
alongada (Caracter 47 (1): Fig. 2: fbPp) e a lamela apical do propódeo saliente, fina e
translúcida (Caracter 52 (1): Figs 119-121, 123-124, 126-131). De todos esses caracteres,
apenas a crista de dentes no metanoto aparece também em várias espécies de Monobia e
Montezumia e em outros grupos não incluídos na análise (Pachodynerus por exemplo; vide
Willink & Roig-Alsina 1998). Ancistroceroides alastoroides possui uma crista transversal
no metanoto, mas é lamelar e não dentada, e pela sua forma não parece corresponder à
mesma estrutura presente em Stenonartonia. A lamela apical do propódeo fina, translúcida
e saliente ocorre também—com diferentes formas—em Montezumia e no componente
Stenodynerus-Microdynerus de Carpenter & Cumming (1985), dentro do qual poderiam
estar inseridas as espécies de Ancistroceroides. Esse caracter (Caracter 52 (1)) está menos
desenvolvido nas espécies basais (Figs 119-121, 123-124) de Stenonartonia e mais
desenvolvido nas espécies do grupo de S. apicipennis (Figs 126-131), o que daria
sustentação à hipótese de um desenvolvimento independente dentro de Stenonartonia. A
análise com pesagem sob pesos iguais agregou o grádulo raso como uma sinapomorfia a
mais para Stenonartonia.
66
Na presente análise, Stenonartonia aparece inserida dentro do componente
Pseudodynerus-Montezumia de Carpenter & Cumming (1985) como fora proposto por
Carpenter & Vecht (1991) e dentro dele como grupo irmão do clado Parazumia +
(Monobia + Montezumia), unidos pela ausência de cristas superiores no propódeo
(Caracter 46 (0): Figs 94-105), a presença de um sulco longitudinal no disco do T-I
(Caracter 63 (1): Fig. 3) e a área sub-basal do S-II convexa (Caracter 72 (0): Figs 125 e
127). Pseudodynerus aparece como grupo irmão de todo o clado anteriormente citado e o
conjunto inteiro é sustentado pela expansão lateral do escutelo fechando a fossa axilar
(Caracter 32 (1): Figs 2 e 6-8), pela fóvea basal medial do propódeo muito alongada
(Caracter 47 (2)) e pela pilosidade muito densa da membrana basal da volsela (Caracter 75
(1): Figs 164-166).
Dentro deste clado, Pseudodynerus destaca-se por possuir as fóveas cefálicas da
fêmea muito afastadas entre si (Caracter 14 (2)), um ponto de vista especial ao caráter de
“forte modificação das fóveas cefálicas” mencionado por Hermes & Melo (2008). A
deformação do fêmur médio (Caracter 41 (1)) tem importância menor neste caso, por ser
um caráter variável no gênero e aplicável à espécie incluída na análise (Pseudodynerus
subapicalis). O clado Parazumia + (Monobia + Montezumia) é sustentado pelo ápice plano
da tégula (Caracter 28 (1): Fig. 6), pelo prestigma muito longo (Caracter 30 (1)), o pecíolo
do S-I fusionado com o tergo (Caracter 67 (0)) e pela presença de lamela preapical no T-II
(Caracter 71 (1)). Este último caráter é variável nas espécies de Montezumia e Monobia e
aparece também—com um formato um pouco diferente—em Ancistroceroides
alastoroides. Dentre estes, o caráter referente ao prestigma foi recuperado também na
análise de Hermes & Melo (2008).
Dentre os carateres que separam Parazumia, devemos destacar a ausência de carena
sub-basal no S-I (Caracter 66 (0)). Outros caracteres têm mais valor ao nível de espécies. A
sinapomorfia mais evidente para a dupla Montezumia + Monobia é a redução dos palpos
maxilar e labial (Caracter 1 (1)). Outros caracteres observados na otimização podem ser
considerados simplesmente plesiomórficos, sendo parte do plano básico de Eumeninae.
Dentre os carateres que sustentam e separam Montezumia de Monobia apenas a lamela
apical do propódeo saliente (Caracter 52 (1)) na primeira e a presença de carena sublobular
no mesepisterno (Caracter 23 (1)) têm valor genérico.
A sustentação das duas espécies de Ancistroceroides por numerosos caracteres e o
seu estabelecimento como grupo irmão de todo o conjunto antes discutido poderia estar
refletindo simplesmente que elas fazem parte de um clado maior (talvez o componente
Stenodynerus-Microdynerus de Carpenter & Cumming 1985) claramente afastado do
67
restante do conjunto incluído nesta análise.
Filogenia interna de Stenonartonia
Três clados principais dentro do gênero Stenonartonia foram recuperados nesta
análise e foram tratados como grupos de espécies na parte taxonômica. O primeiro clado é
irmão do restante do gênero e contém o grupo de S. occipitalis, suportado pela presença de
uma carena epicnemial parcialmente marcada (Caracter 24 (1): Figs 64-65)) e a presença
de uma carena longitudinal fina e baixa ao longo da declividade anterior do T-I (Caracter
58 (0): Figs 106-107).
O agrupamento dos outros dois grupos de espécies está suportado principalmente
pelos caracteres únicos referentes ao formato estreito da área especializada do vértice da
fêmea (Caracter 17 (1): Figs 33-34) e carena occipital interrompida no meio (Caracter 18
(1)). Além disso, os caracteres homoplásticos do propódeo em declive e com a
concavidade posterior pouco diferenciada (Caracter 43 (1): Figs 87-93), o tergo 1 de perfil
obtuso (Caracter 56 (1): Figs 121-131) e a pilosidade densa cobrindo grande parte do dígito
(Caracter 78 (1): Figs 164-170). A análise com pesagem igual agregou também a carena
transversal do T-I reta nos lados (Caracter 62 (0): Figs 121-122, 124, 126-128 e 131) como
caráter homoplástico suportando este ramo e o formato isocélico alongado do S-I (Caracter
65 (2): Figs 134-135 e 139) como autapomorfia.
O grupo de S. polybioides está suportado por dois caracteres homoplásticos:
presença de margem translúcida no clípeo da fêmea (Caracter 7 (1): Figs 11-14) e ausência
de pontuação pilífera em grande parte da gula (Caracter 29 (0): Figs 87-88). O clado
contendo S. cooperi + (S. polybioides + S. hasyva) está suportado por três sinapomorfias: a
escultura principalmente estriada da superfície sublateral do propódeo (Caracter 45 (1):
Figs 87-88 e 95-97), a presença de sulco transversal liso por trás da carena transversal no
T-I (Caracter 59 (1): Figs 108-110) e o aprofundamento do sulco longitudinal do disco do
T-I (Caracter 64 (1): Figs 108-110). O par S. polybioides + S. hasyva está suportado por
três sinapomorfias: margem apical do clípeo da fêmea reto (Caracter 6 (0): Figs 11-12), F-
IX côncavo ventralmente (Caracter 12 (1): Figs 57-58) e a presença de “janelas” no
escutelo (Caracter 34 (1): Figs 78-79 e 87-88). O formato alongado e aplanado do F-XI
(Caracter 11 (0): Figs 57-58) se apresenta como caráter homoplástico neste grupo por se
apresentar similarmente em Montezumia e Monobia.
O terceiro clado é o do grupo de S. apicipennis. Está suportado pelo escutelo caindo
verticalmente na fossa axilar (Caracter 32 (0): Figs 7, 82-84 e 89-93), propódeo com pelo
menos um pequeno setor lustroso medial antes da carena submarginal (Caracter 49 (1)) e
68
pelo formato angular da lamela apical do propódeo (Caracter 53 (1): Figs 70-75). Todos
eles são carateres homoplásticos presentes repetidas vezes fora do gênero. Aceitando a
topologia produzida na análise com pesagem implícita, S. mimica fica na base deste clado e
o restante das espécies está suportado pelo painel axilar lateral tocando a axila brevemente
e a fóssula axilar anterior expandida (Caracter 36 (0): Figs 7, 82-84 e 90-93).
Stenonartonia flavotestacea, com algumas peculiaridades próprias, então se apresenta
como irmã do que resta do grupo, sendo o grupo suportado pelo propódeo possuindo mais
uma banda larga deprimida do que um canal médio (Caracter 44 (0): Figs 83-84, 90-93 e
101-105), pela pilosidade decumbente refletiva no setor inferior dessa banda deprimida
(Caracter 51 (0): Figs Figs 83-84, 90-93 e 101-105) e pela emarginação na união entre a
lamela apical e a válvula do propódeo (Caracter 55 (1): Figs 72-75 e 127-131). O caráter
da pilosidade refletiva (Caracter 44 (0)) aparece como homoplástico por existirem casos
similares em S. rejectoides (Figs 76 e 85) e em vários membros do grupo externo. A
existência de uma projeção ventral aguda no parâmero (Caracter 73 (1): Figs 167-170) é
dada como um caráter a mais suportando este clado na topologia obtida na análise com
pesagem igual. É difícil avaliar bem este caráter dentro do grupo por muitos dos machos
serem desconhecidos. Além disso, este caráter aparece também em Ancistroceroides
alastoroides, e segundo Martin Cooper (com. pess.) é um caráter compartilhado por várias
espécies de Ancistroceroides.
Na análise com pesagem igual, onde S. flavotestacea aparece como grupo imão
para todo o grupo, o clado contendo S. mimica + ((S. guaranitica + S. apicipennis) + (S.
grossa + (S. tanykaju + S. hermetica)) aparece sustentado pelos caracteres homoplásticos
de S-I de formato triangular amplo (Caracter 65 (1): Figs. 138 e 141-143) e grádulo do T-II
na forma de sulco marcado (Caracter 69 (1)).
Nesse ponto os ramos do cladograma estão sustentados apenas por homoplasias e se
divide entre a dupla S. guaranitica + S. apicipennis suportada apenas por apresentarem a
carena transversal do T-I reta no meio (Caracter 61 (0): Figs 127-128), e o clado de S.
grossa + (S. tanykaju + S. hermetica), sustentado apenas pela pilosidade grossa do clípeo
da fêmea (Caracter 9 (1): Figs 20-22). A dupla S. tanykaju + S. hermetica é sustentada
apenas pela dobra lateral da carena transversal do T-I (Caracter 62 (1): Figs 129-130).
69
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Figs. 1-4. Diagramas esquemáticos da morfologia externa. 1: Clípeo e mandíbula (fêmea), vista anterior. 2: Porção
posterior do mesossoma (fêmea), vista dorsal, com os átrios da fossa axilar e da fóssula axilar anterior demarcados por
linhas claras. 3: T-I (fêmea), vista dorsal. 4: S-I (fêmea), vista ventral. 1: Stenonartonia rejectoides. 2 e 3: S. cooperi. 4:
S. mimica. adTI = declividade anterior do T-I; af = fóssula axilar anterior; ax = axila; bam = banda anterior do metanoto;
cam = carena acetabular; cas = carena trans-escutelar; cax = carena axilar; CH = comprimento do clípeo; cls = projeção
lateral do escutelo; CW = largura do clípeo; dpd = dente preapical distal; dpMt = declividade posterior do metanoto; dsSI
= disco do S-I; dsTI = disco do TI; fa = abertura da fossa axilar; fbPp = fóvea basal medial do propódeo; lap = painel
axilar lateral; lic = lamela interna da crista escutelar; lsTI = sulco longitudinal do T-I; mcPp = canal médio do propódeo;
mtc = crista transversal do metanoto; ptg = paratégula; ptSI = pecíolo do S-I; sbc = carena sub-basal do S-I; sc = crista
escutelar; Sct = escutelo; SIML = comprimento meio do S-I; SITL = comprimento total do S-I; SIW = largura do S-I; slPp
= superfície lateral do propódeo; st = tubérculo espiracular; tcTI = carena transversal do T-I; TIL = comprimento do T-I;
tsTI = sulco transversal do T-I.
75
Figs. 5-8. Diagramas esquemáticos comparativos do complexo escutelo-axilar em diferentes representantes da subfamília
Eumeninae. 5: Brachymenes dyscherus (Saussure). 6: Monobia angulosa Saussure. 7: Stenonartonia tanykaju n. sp. 8:
Stenonartonia cooperi. af = fóssula axilar anterior; cas = carena trans-escutelar (na sua porção estritamente axilar); cls =
projeção lateral lamelar do escutelo; fa = abertura da fossa axilar; lap = painel axilar lateral; lic = lamela interna da crista
escutelar; sc = crista escutelar.
76
Figs. 9-22. Cabeça (fêmeas), vista frontal. 9: Stenonartonia rejectoides (Holótipo). 10: S. occipitalis (Parátipo: Las
Marías). 11: S. polybioides (Paralectótipo). 12: S. hasyva (Parátipo: Mazaruni). 13: S. cooperi (Holótipo). 14: S. guaraya
(Holótipo). 15: S. mimica (Holótipo). 16: S. mimica (forma melânica: Fazenda Rio Grande). 17: S. flavotestacea
(Holótipo). 18: S. guaranitica (Holótipo). 19: S. apicipennis (Parque Nacional Ybycui). 20: S. tanykaju (Holótipo). 21: S.
hermetica (Holótipo). 22: S. grossa (Holótipo). Escala = 1mm.
77
Figs. 23-34. 23-31: Cabeça (machos), vista frontal. 32-34: Cabeça (fêmeas), vista dorsal. 23: S. occipitalis (Parátipo: Las
Marías). 24 e 33: S. polybioides (Paralectótipos). 25: S. hasyva (Parátipo: Pousada Água Viva). 26: S. cooperi (Parátipo:
Santarem). 27: S. flavotestacea (forma melânica: Itatiaya). 28: S. flavotestacea (forma flavínica: Pirapó). 29: S.
guaranitica (Monte Caseros). 30: S. apicipennis (Reserva Natural del Bosque Mbaracayú). 21 e 34: S. tanykaju
(Parátipos: Nova Teutônia e Mananciais da Serra). 32: Stenonartonia rejectoides (Holótipo). Escala = 1mm.
78
Figs. 35-46. Hábito (fêmeas), vista lateral. 35: Stenonartonia rejectoides (Holótipo). 36: S. occipitalis (Parátipo: Las
Marías). 37: S. polybioides (Lectótipo). 38: S. cooperi (Parátipo: Voltzberg Camp). 39: S. mimica (Holótipo). 40: S.
mimica (forma melânica: Fazenda Rio Grande). 41: S. flavotestacea (Holótipo). 42: S. guaranitica (Holótipo). 43: S.
apicipennis (Holótipo de Nortonia lugens). 44: S. tanykaju (Holótipo). 45: S. hermetica (Holótipo). 46: S. grossa
(Holótipo). Escala = 1mm.
79
Figs. 47-55. 47-52: Hábito (machos), vista lateral. 53 e 55: Fêmur médio (machos), vista anterior. 54: Escutelo, metanoto
e propódeo (macho), vista dorso-posterior. 47: S. occipitalis (Parátipo: Las Marías). 48: S. flavotestacea (forma melânica:
Pontal do Itararé). 49: S. flavotestacea (forma flavínica: Pirapó). 50: S. guaranitica (Puerto Bertoni). 51 e 54: S.
apicipennis (Lagunita e Cororó). 52: S. tanykaju (Parátipo: Nova Teutônia). 53: S. hasyva (Parátipo: Pousada Água
Viva). 55: S. cooperi (Parátipo: Santarem). Escala = 1mm.
80
Figs. 56-63. Últimos artículos da antena (machos), vista lateral (acima) e vista ventral (embaixo). 56: S. occipitalis
(Parátipo: Las Marías). 57: S. polybioides (Paralectótipo). 58: S. hasyva (Parátipo: Pousada Água Viva). 59: S. cooperi
(Parátipo: Santarem). 60: S. flavotestacea (forma melânica: Mananciais da Serra). 61: S. guaranitica (Monte Caseros).
62: S. apicipennis (Lagunita). 63: S. tanykaju (Parátipo: Nova Teutônia). Escala = 1mm.
81
Figs. 64-75. Mesossoma (fêmeas), vista lateral. 64: Stenonartonia rejectoides (Holótipo). 65: S. occipitalis (Parátipo: Las
Marías). 66: S. polybioides (Paralectótipo). 67: S. hasyva (Parátipo: Mazaruni). 68: S. cooperi (Parátipo: Saint Jean du
Maroni). 69: S. guaraya (Holótipo). 70: S. mimica (forma melânica: Nova Teutônia). 71: S. flavotestacea (forma
melânica: Piraquara). 72: S. guaranitica (Holótipo). 73: S. apicipennis (24 km W Aguas Blancas). 74: S. tanykaju
(Holótipo). 75: S. grossa (Holótipo). Escala = 1mm.
82
Figs. 76-84. Porção posterior do mesossoma (fêmeas), vista dorsal. 76: Stenonartonia rejectoides (Holótipo). 77: S.
occipitalis (Parátipo: Las Marías). 78: S. polybioides (Lectótipo). 79: S. hasyva (Parátipo: Mazaruni). 80: S. cooperi
(Parátipo: Suriname). 81: S. guaraya (Holótipo). 82: S. mimica (forma melânica: Fazenda Rio Grande). 83: S. guaranitica
(Salto Grande). 84: S. tanykaju (Parátipo: Tijucas do Sul). Escala = 1mm.
83
Figs. 85-93. Porção posterior do mesossoma (fêmeas), vista dorso-lateral. 85: Stenonartonia rejectoides (Holótipo). 86: S.
occipitalis (Parátipo: Las Marías). 87: S. polybioides (Lectótipo). 88: S. hasyva (Parátipo: Mazaruni). 89: S. mimica
(forma melânica: Fazenda Rio Grande). 90: S. guaranitica (Parque Nacional Yguazú). 91: S. apicipennis (Estancia Don
Carlos). 92: S. tanykaju (Tijucas do Sul). 93: S. hermetica (Holótipo). Escala = 1mm.
84
Figs. 94-105. Propódeo (fêmeas), vista posterior. 90: S. occipitali (Parátipo: Las Marías) s. 95: S. polybioides (Lectótipo).
96: S. hasyva (Parátipo: Mazaruni). 97: S. cooperi (Parátipo: Mocoa). 98: S. guaraya (Holótipo). 99: S. mimica (forma
melânica: Fazenda Rio Grande). 100: S. flavotestacea (forma melânica: Piraquara). 101: S. guaranitica (Salto Grande).
102: S. apicipennis (Estancia Don Carlos). 103: S. tanykaju (Tijucas do Sul). 104: S. hermetica (Holótipo). 105: S. grossa
(Holótipo). Escala = 1mm.
85
Figs. 106-118. T-I (fêmeas), vista dorsal. 106: Stenonartonia rejectoides (Holótipo). 107: S. occipitalis (Parátipo: Las
Marías). 108: S. polybioides (Lectótipo). 109: S. hasyva (Parátipo: Mazaruni). 110: S. cooperi (Parátipo: Suriname). 111:
S. guaraya (Holótipo). 112: S. mimica (forma melânica: Nova Teutônia). 113: S. flavotestacea (Holótipo). 114: S.
guaranitica (Holótipo). 115: S. apicipennis (Parque Nacional Ybycui). 116: S. tanykaju (Holótipo). 117: S. hermetica
(Holótipo). 118: S. grossa (Holótipo). Escala = 1mm.
86
Figs. 119-131. T-I (fémeas), vista lateral. 119: Stenonartonia rejectoides (Holótipo). 120: S. occipitalis (Parátipo: Las
Marías). 121: S. polybioides (Paralectótipo). 122: S. hasyva (Parátipo: Mazaruni). 123: S. cooperi (Parátipo: Voltzberg
Camp). 124: S. guaraya (Holótipo). 125: S. mimica (forma melânica: Nova Teutônia). 126: S. flavotestacea (Holótipo).
127: S. guaranitica (Holótipo). 128: S. apicipennis (Parque Nacional Ybycui). 129: S. tanykaju (Holótipo). 130: S.
hermetica (Holótipo). 131: S. grossa (Holótipo). Escala = 1mm.
87
Figs. 132-143. S-I (fêmeas), vista ventral. 132: Stenonartonia rejectoides (Holótipo). 133: S. occipitalis (Parátipo: Las
Marías). 134: S. polybioides (Lectótipo). 135: S. hasyva (Parátipo: Mazaruni). 136: S. cooperi (Parátipo: Voltzberg
Camp). 137: S. guaraya (Holótipo). 138: S. mimica (forma melânica: Nova Teutônia). 139: S. flavotestacea (Holótipo).
140: S. guaranitica (Holótipo). 141: S. apicipennis (Estancia Don Carlos). 142: S. tanykaju (Holótipo). 143: S. hermetica
(Holótipo). Escala = 1mm.
88
Figs. 144-154. T-II (fêmeas), vista dorsal. 144: Stenonartonia rejectoides (Holótipo). 145: S. occipitalis (Parátipo: Las
Marías). 146: S. polybioides (Lectótipo). 147: S. cooperi (Parátipo: Mocoa). 148: S. guaraya (Holótipo). 149: S. mimica
(forma melânica: Fazenda Rio Grande). 150: S. flavotestacea (forma melânica: Mananciais da Serra). 151: S. guaranitica
(Salto Grande). 152: S. apicipennis (Parque Nacional Ybycui). 153: S. tanykaju (Parátipo: Tijucas do Sul). 154: S.
hermetica (Holótipo). Escala = 1mm.
89
Figs. 155-162. Genitália masculina (aedeago), vistas ventral (esquerda) e lateral (direita). 155: S. occipitalis (Parátipo:
Las Marías). 156: S. polybioides (Paralectótipo). 157: S. hasyva (Parátipo: Pousada Água Viva). 158: S. cooperi
(Parátipo: Santarem). 159: S. flavotestacea (Piraquara). 160: S. guaranitica (Monte Caseros). 161: S. apicipennis
(Estancia Don Carlos). 162: S. tanykaju (Parátipo: Nova Teutônia). Escala = 1mm.
90
Figs. 163-170. Genitália masculina (parámero e volsella), vista lateral (interna). 163: S. occipitalis (Parátipo: Las Marías).
164: S. polybioides (Paralectótipo). 165: S. hasyva (Parátipo: Pousada Água Viva). 166: S. cooperi (Parátipo: Santarem).
167: S. flavotestacea (Piraquara). 168: S. guaranitica (Monte Caseros). 169: S. apicipennis (Estancia Don Carlos). 170: S.
tanykaju (Parátipo: Nova Teutônia). Escala = 1mm.
91
Figs. 171-172. Ninho de Stenonartonia cooperi de La Chorrera. 171: Vista frontal. 172: Vista lateral.
92
Figs. 173-174. Mapas dos registros de coletas para as espécies de Stenonartonia.
93
Fig. 175-176. Mapas dos registros de coletas para as espécies de Stenonartonia.
94
Tabela 1. Matriz de dados dos carateres e estados utilizados na análise filogenética entre as espécies de Stenonartonia.
95
Fig. 177. Cladograma de relacionamento filogenético entre as espécies do gênero Stenonartonia obtido na análise com
pessagem igual (160 passos, Ci = 0,56, Ri = 0,73). Otimização não ambígua. Círculos pretos representam transformações
únicas, círculos brancos representam transformações múltiplas. Valores para o suporte de Bremer mostrados abaixo dos
ramos.
96
Fig. 178. Cladograma de relacionamento filogenético entre as espécies do gênero Stenonartonia obtido na análise com
pessagem implícita (161 passos, Ci = 0,55, Ri = 0,73). Otimização não ambígua. rculos pretos representam
transformações únicas, círculos brancos representam transformações múltiplas.
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