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sobretudo de clientes comerciais, de clientes europeus. Aí teve uma
coisa...a Aracruz tinha tentado o FSC e não tinha conseguido, por
causa da questão dos indígenas. Então isso levou a ter um diferencial
em relação ao concorrente, né? Mas a implantação foi muito rápida
por causa disso, que já tinha preparado desde 1998 o processo. Mas
o motivo da implantação, vamos dizer assim, não foi comercial, foi
realmente de questão gerencial. Agora a certificação sim, foi
comercial. Diferenciando um pouquinho certificação do processo de
implantação, né? (Entrevistado 4, 2009).
E ai começou, como é que vamos fazer? Com o envolvimento de
todos, você para liderar, você tem que convencer, você tem que ser
uma pessoa convincente, praticar e convencer, não adianta só falar,
você tem que praticar o que você diz, quando você envolveu todos
num trabalho de visão, convocou todos a atingir essa visão, uma
gestão participativa, então não era o sonho do Murilo, era de todos,
gerou uma união muito grande na companhia, e todo mundo se sentia
muito feliz com cada conquista da companhia, era uma festa, uma
alegria, as pessoas adoravam trabalhar na companhia, sentiam-se
parte das decisões, das conquistas, o sonho da companhia era o
sonho de cada um (...) Quando se trata de uma certificação é um
trabalho muito envolvente, você faz uma pré análise, o certificador
vem, faz uma analise preliminar, identifica seus gaps em relação às
exigências, você tem todo um trabalho de melhorar, de aprimorar, de
corrigir, às vezes exige investimento, mudanças de práticas,
treinamento de equipes, o certificador volta e vê se você está em
conformidade ou não, (...) você irá ter revisões periódicas para ver se
você não desviou das melhores práticas, você vai na busca de um
aprimoramento constante, não só o certificador, mas você se impõe,
você está melhorando, você quer melhorar ainda mais (...)
Você precisa mudar a cultura da empresa, não adianta certificar na
FSC, ai me certifiquei, ai que bom, uma mudança dessa exige de
uma mudança de cultura, de práticas da empresa, e mudanças de
práticas precisa de mudança de cultura senão ela não é perene, se
você muda a prática, vamos fazer desse jeito, mas não muda a
essência a cultura, vai fazer desse jeito agora quando parar de
controlar, não faz mais, tem todo um processo de treinamento, de
conscientização, de envolvimento, então você tem que começar, para
você ter uma empresa que não só siga as praticas, implemente as
praticas, mas acredite nelas e a partir daí, siga essas praticas não por
obrigação mas por crença, tem todo um trabalho de convencimento,
de envolvimento, de conscientização, para que entre no DNA da
companhia, porque entrando no DNA, a própria organização expele
qualquer tentativa de práticas inadequadas, (de danos ao meio
ambiente, é preciso de muito tempo para destruir (uma cultura), esse
trabalho não é um trabalho que o presidente na época resolveu
montar um grupinho e vamos fazer isso, esse é um processo que veio
desde a primeira certificação passando por todas elas, tudo
envolvendo, qual é nossa missão, nossa visão, nossos valores, o que
queremos ser lá na frente, qual nosso trajeto para isso - e isso com a
empresa em altas dificuldades financeiras (Entrevistado 6, 2009).
Participação no dia-a-dia, antes a preocupação era só arrumar o
caminhão para sair, agora não, vai passar do lado de uma casa,