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Nascido na Alemanha, Hans Jonas é considerado um dos maiores filósofos
contemporâneos, apreciado teórico do ambientalismo, elemento-chave do Partido Verde
alemão. Biólogo, além de filósofo, está entre os que deram início ao debate sobre a bioética,
tendo escrito especificamente a respeito do assunto o livro Técnica, medicina ed ética(Torino,
1997). Em Marburgo, sob a orientação de Bultmann, Husserl e Heidegger, iniciou uma
pesquisa que faria dele um dos maiores especialistas em gnosticismo – uma síntese desses
estudos está no volume La religione gnostica (1958). O princípio vida – fundamentos para
uma biologia filosófica (Petrópolis, 2004); Dalla Fede antica all’uomo tecnológico (Bologna,
1991); Dio dopo Auschwitz (Gênova, 1989) e Scienza come esperienza personale (Brescia,
1992) são as suas principais obras. Em meio aos estudiosos que buscavam orientação junto a
Heidegger, Jonas teve como companheiros grandes filósofos: Hannah Arendt (1906-75),
Herbert Marcuse (1898-1979) e Karl Lowith (1897-1973)
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Teria o pensamento de Heidegger influenciado Hans Jonas? Ele diz que sim, bem
mais que Bultmann no que concerne ao pensamento. Mas este último teria nutrido por Jonas
um sentimento de amizade paterna e a imagem que ficou dele foi a de um homem caloroso,
amigável. Além disso, a ele Jonas deve o tema da sua sucessiva atividade de pesquisa sobre a
com 74 anos): “Poiché un’equivalente formulazione nella língua acquisita mi costa ancor sempre il doppio o
addirittura il triplo del tempo riquiesto da quella nella mia língua madre, ho creduto, in considerazione sia dei
limiti della mia vita sai dell’oggetto, di dover scegliere per la stesura,dopo i lunghi anni del lavore concettuale
preparatório, la via piu breve, che comunque si è rivelata ancor sempre sufficientemente lenta” (Prefacio do
autor escrito nos EUA em julho de 1977 para a edição italiana de 1990 e 1993 ). É bom lembrar que Jonas
emigrou em 1933 para a Inglaterra, morou na Palestina, Canadá e, finalmente, nos Estados Unidos, onde faleceu
em 1993. Voltou à Alemanha apenas por questões de trabalho.
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Em Heidegger’s Children: Sins of the father (Princeton University Press, 2001), Richard Wolin discorre sobre
a influência que Heidegger teria exercido sobre Arendt, Marcuse, Lowith e Jonas. Leônidas Hegenberg, do
Instituto Brasileiro de Filosofia, comenta o livro numa sinopse feita para a Crítica – revista de filosofia e ensino.
“Estudiosos que analisaram o livro de Wolin ressaltam que ele errou ao considerar Arendt, Jonas, Lowith e
Marcuse como discípulos de Heidegger, pois na verdade, eles foram frutos de sua época. Errou, ainda, ao deixar
de lado Leo Strauss (1899-1973), um dos mais importantes judeus que estudaram com Heidegger. O erro mais
grave, porém, seria o de supor que Heidegger adotava certos princípios morais que, aparentemente, na opinião
desses críticos, ele de fato não teria abraçado”. (http//www.criticanarede.com/lds_heidegger.html – consulta feita
em 24/04/2006).
Em Jonas Sull’orlo dell’abisso – conversazioni sull rapporto tra uomo e natura (2.000), Jonas é questionado
durante entrevista a respeito da adesão de Heidegger ao nazismo. A resposta vem carregada de mágoa: “Foi para
mim uma terrível, amarga desilusão que não dizia respeito somente à pessoa, mas também à força da filosofia de
preservar os homens de uma coisa similar. Então me pareceu um fiasco da filosofia o fato de que essa não
houvesse tido a força de proteger Heidegger daquela estrada errada (...) Que falência da filosofia! Não devia
acontecer (...) Mas que o mais importante, o mais original pensador do meu tempo houvesse aderido ao nazismo
foi para mim um golpe tremendo” (p.51).
Na mesma entrevista, Jonas disse sobre Hanna Arendt que foi a melhor amiga que teve. Acrescentou que não
tiveram uma relação amorosa, mas uma autêntica amizade. E que, no entanto, tomaram caminhos diversos, não
trocando, por isso, mais idéias a respeito de seus trabalhos, com exceção de quando ele lhe mostrou um
importante capítulo do Princípio Responsabilidade. Depois de haver lido, Arendt respondeu: “Uma coisa é certa,
Hans. Este é o livro que o bom Deus tinha em mente para você” (p.53).