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estilo comportamental, e, em outras circunstâncias, utilizaram seus recursos
internos.
4.4 Classe 2: As marcas deixadas pela violência sexual
A Classe 2, formada por 52 UCEs, com uma contribuição significativa de
24,08%, do total do corpus, encontra-se indiretamente relacionada a todas as outras
classes; descreve-se a realidade vivenciada pelas mulheres, na qual trazem as
marcas de um passado recente que as colocam em constante indagação, buscando
respostas para o que aconteceu, expressando dor e intenso sofrimento emocional.
Os vocábulos desta classe se apresentam em sua forma reduzida como:
“porta+”, entr+”, tava+”, roupa+”, diss+”, cham+” “casa+” que possuem χ
2
elevados
apresentados respectivamente 34, 26, 22, 20, 19, 17, 13, e outros com χ
2
de menor
valor, mas que contribuíram para a construção e nomeação desta classe como
menin+”, “hora+”, “abr+”, “barulho+” (Figura 1).
Os sujeitos que mais contribuíram nesta classe formam 1, 3, 4, 5, 6, 8, 9,
que...
De noite qualquer barulho que tiver, eu acordo, o coração acelera, tenho
muito pesadelo. Uma das coisas que me deixa mais traumatizada nos meus
sonhos é isso: é não saber de onde ele veio, porque ele não arrombou
nada, nada foi arrombado só quando ele saiu foi que ele abriu a porta do
quintal e saiu pela porta dos fundos. Assim [...] eu acho que ele estava
drogado, sei lá, bêbado, fedia muito, fedia a cigarro, maconha.
A gente se sente a pior das piores, a gente se sente mutilada, como se um
pedaço da gente tivesse sido arrancado fora, a gente fica com nojo de nós
mesmo, a gente se sente suja, marcada, é uma mancha que nunca vai sair
de você [...] não é mancha corporal, não é sujeira de corpo, é sujeira de
alma você fica com nojo de você mesmo.
Comecei a lutar com ele, dei um chute nele, e ele deu um murro no meu
olho que cortou logo que inchou, foi aí que aconteceu e ele disse que se
não aceitasse, ele me matava. Depois ele vestiu a roupa, e ficou andando
por dentro de casa, foi no guarda-roupa, pegou minha bolsa e dois reais, aí
ele disse: eu fui solto está com duas semanas.
Os conteúdos expressam indagações das mulheres sobre como o agressor
conseguiu aproximar-se delas; e muitas ainda buscam explicações sobre como eles
conseguiram adentrar em sua residência, a maneira como eles se encontravam e
como reagiram a essa situação, debatendo-se, chutando o agressor; mas os
homens detêm a força física além da imposição do medo, o que termina por dominá-
las. Chama a atenção o fato de que essas mulheres convivem com a dificuldade de