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BATISTA, O. M. A. As representações sociais da infecção hospitalar elaboradas
por enfermeiras. Teresina. 2008 - 120 p. Dissertação (Mestrado em Enfermagem) –
Departamento de Enfermagem – Universidade Federal do Piauí.
RESUMO
As infecções hospitalares (IH) apresentam-se como desafios para as
autoridades governamentais, instituições e profissionais de saúde, por constituírem
atualmente grave problema de saúde pública, e estarem entre as principais causas
de morbidade e letalidade, pois influenciam o aumento do tempo de hospitalização e,
conseqüentemente, elevados custos adicionais para o tratamento do paciente. As
ações práticas das enfermeiras para o controle das IH, cotidianamente
concretizadas no ambiente de trabalho, são construídas e reconstruídas nas
relações estabelecidas entre seu grupo de pertença e outros indivíduos. O estudo
teve como objetivos: apreender as Representações Sociais das IH e analisar como
essas representações influenciam nas práticas de enfermagem das enfermeiras de
um hospital público de ensino em Teresina-PI. Utilizou-se como instrumentos de
coleta dos dados: a entrevista semi-estruturada e a observação participante. Por ter
um caráter multidisciplinar, a Teoria das Representações Sociais contribuiu para
investigação do fenômeno da IH, por favorecer o desvelar de cognições e
representações das enfermeiras que não envolva somente questões de cunho
técnico-científico, mas também aspectos referentes à organização e criação do
saber permeado por crenças e valores. Os dados produzidos pelo software Alceste
4.8 revelaram uma Classificação Hierárquica Descendente em três classes
semânticas. Classe 1: Conhecimento frente à IH, evidenciado através da
manifestação/descrição e explicação das dificuldades enfrentadas pelas
enfermeiras; Classe 2: A prática de prevenção para o controle da IH, demonstrada
pelas descrições das enfermeiras sobre os elementos sócio-cognitivos que estão
ancorados nos aspectos socioculturais e psicológicos relacionados às técnicas
assépticas para prevenção e controle das IH, e na Classe 3: A relação da IH com a
qualidade da assistência, manifestada por descrições e explicações através dos
posicionamentos positivos e negativos das enfermeiras sobre a relação direta da
infecção hospitalar com a qualidade da assistência, demonstrando que essas
infecções aumentam se não houver uma preocupação – preparo e envolvimento dos
profissionais na realização das atividades cotidianas inerentes ao cuidar. Estas
classes revelaram que as enfermeiras objetivaram a IH pelos vocábulos “trabalh+”,
“ações”, “lid+”, “lav+”, “materi+”, “mão+”, “técnica+”, “qualidade” e “assistênci+”.
Manifestaram sentimentos de impotência diante da prevenção e controle das IH, e
da necessidade de implantação de programas de educação permanente, por parte
dos gestores, que contemplem as ações práticas de prevenção e controle das IH e
com isso proporcionar uma assistência de qualidade. Espera-se que este estudo
possa encorajar os profissionais de saúde, principalmente as enfermeiras,
estudantes, técnicos e auxiliares de enfermagem, servindo como subsídio para o
conhecimento das teorias científicas e saber do senso comum sobre a temática de
IH, seus meandros e os atores envolvidos. E ainda poder auxiliar na compreensão a
respeito das subjetividades desse grupo de enfermeiras, em seus universos
consensuais, na qual circulam ideologias, crenças, opiniões e atitudes sobre a IH.
Palavras-Chave: Enfermagem. Infecção Hospitalar. Psicologia Social. Prevenção.