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[...] o currículo pode ser visto como um discurso que, ao corporificar
narrativas particulares sobre o individuo e a sociedade, nos constitui como
sujeitos – e sujeitos também muito particulares. Pode-se dizer, assim, que
o currículo não está envolvido num processo de transmissão ou de
revelação, mas num processo de constituição e de posicionamento: de
constituição do indivíduo como sujeito de um determinado tipo e de seu
múltiplo posicionamento no interior das diversas divisões sociais. (SILVA,
1995, p. 195).
Marisa Vorraber Costa, Rosa Hessel Silveira e Luis Henrique Sommer
(2003), colaboram para o entendimento de que estamos imersos em uma eterna
aprendizagem de coisas que nos atravessam e nos educam cotidianamente.
Segundo estes autores podemos afirmar:
Que a educação se dá em diferentes espaços do mundo
contemporâneo, sendo a escola apenas um deles. Quer dizer, somos
também educados por imagens, filmes, textos escritos, pela propaganda,
pelas charges, pelos jornais e pela televisão, seja onde for que estes
artefatos se exponham. Particulares visões de mundo, de gênero, de
sexualidade, de cidadania entram em nossas vidas diariamente. É a isto
que nos referimos quando usamos as expressões currículo cultural e
pedagogia da mídia. Currículo cultural diz respeito às representações de
mundo, de sociedade, do eu, que a mídia e outras maquinarias produzem e
colocam em circulação, o conjunto de saberes, valores, formas de ver e
conhecer que está sendo ensinado por elas. Pedagogia da mídia refere-se
à prática cultural que vem sendo problematizada para ressaltar essa
dimensão formativa dos artefatos de comunicação e informação na vida
contemporânea, com efeitos na política cultural que ultrapassam e/ou
produzem as barreiras de classe, gênero sexual, modo de vida, etnia e
tantas outras. (COSTA; SILVEIRA & SOMMER, 2003, p.57)
Nesse sentido, concordando com os autores acima, considero que as tiras
do personagem Giba compõem um currículo cultural que veicula saberes, que
constituem identidades e subjetividades. Compartilho também com Tomaz Tadeu
da Silva (1999a, p.10) o entendimento de que o “currículo está no centro da relação
educativa, que o currículo corporifica os nexos entre saber, poder e identidade”.
Podemos dizer que existe um currículo cultural operando na cultura fotocêntrica,
auditiva e televisual em que vivemos, e as imagens que aí são publicadas/
divulgadas corroboram para a codificação e decodificação daquilo que entendemos
como verdade, pois elas contribuem para a produção de significados a partir dos
códigos culturais que fazem circular. Considero, então, importante a abordagem e
problematização das representações veiculadas pela mídia – neste caso as tiras do
personagem Giba veiculadas no Jornal NH – como narrativas étnico-raciais que
produziram significados e legitimaram verdades as quais contribuíram para a