
É preciso levar em conta ainda que o movimento pró-gays e lésbicas, a partir da
argumentação norte-americana, se tornou um movimento de massa internacional. A
opressão heterocentrista, a discriminação à diversidade sexual, a luta contra o machismo e o
patriarcalismo e, resumidamente, a defesa do direto à prática homossexual transcendem
fronteiras nacionais. Os movimentos homófilos, apesar de serem obviamente influenciados
por peculiaridades culturais locais, vão além de limitações de nacionalidade ou regionais.
As propostas favoráveis aos direitos humanos dos homossexuais são globalizadas, uma vez
que a homofobia e a discriminação estão presentes em todas as organizações humanas
majoritárias contemporâneas (levamos em conta especialmente a religião e pensamos aqui
no cristianismo, no islã e mesmo no hinduísmo
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; mas muitos governos, como o brasileiro,
se abstêm de seu caráter laico e, pressionados por grupos religiosos, continuam
discriminando cidadãos homossexuais).
Nossa visão é que a questão homossexual é globalizada e fortemente influenciada
pelo pensamento norte-americano. É importante lembrar ainda a escassez de textos
acadêmicos sobre a homossexualidade feminina no Brasil
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. A busca por informação e
visibilidade, nesse âmbito, não deve, a nosso ver, ser limitada por questões geográficas.
Theodore Zeldin fala sobre essa busca transnacional de acolhimento ou, como diz, de
“almas gêmeas”:
...a busca, em âmbito mundial, de almas gêmeas e confidentes com que formar
outra espécie de família e ligações de um novo nível: famílias de coração e da imaginação,
escolhidas livremente, incapazes de impor obrigações punitivas. Os seres humanos já não
podem ser considerados mais que residentes da cidade em que habitam, posto que, de forma
crescente, falam, escrevem e ouvem pessoas a centenas e às vezes milhares de quilômetros
de distância, mais do que aos seus vizinhos. São mais cidadãos da república das letras, ou da
ciência, ou dos negócios, ou do futebol, ou seja lá de que paixão, do que do seu próprio país.
Cada pessoa está construindo devagar uma confederação internacional de indivíduos
escolhidos pessoalmente. Um número crescente de seres humanos está se recusando a ser
cenouras, enfiadas na lama, inseparáveis das raízes da família. Alguns ainda tentam se
comportar como tal, alimentar-se inteiramente da própria seiva, mas isso se torna quase
impossível; e, sub-repticiamente, eles despacham pedidos a regiões distantes em busca de
nutrientes mais variados. Agora que o ar contém não apenas oxigênio, mas também sinais
de rádio e televisão, família alguma, por mais bem estruturada que seja, pode resguardar-se
de pensamentos que entram voando como abelhas pelas janelas, fertilizando a imaginação e
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Na Índia, um grupo de hindus fundamentalistas reagiu quebrando cinemas contra o filme Fire (1996), de
Deepa Mehta, que questiona tradições e conta uma história de amor entre mulheres.
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Sobre o movimento homossexual no Brasil, recomendo a leitura de O Homem que Amava Rapazes (LOPES,
2002), especialmente o capítulo Escritor, gay. Sugiro também Devassos no Paraíso, de João Silvério
Trevisan. Sobre a história lésbica destacam-se O que é Lesbianismo (2000), de Tânia Navarro-Swain, e O
Lesbianismo no Brasil (1987), de Luiz Mott.
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