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sistema. Ultrapassando os limites da frase, considerada como nível último da
análise na combinatória estruturalista, esforço para escapar da dupla redução da
linguagem à língua, objeto ideologicamente neutro, e ao código, com função
puramente informativa; tentativa de reintroduzir o sujeito e a situação de
comunicação excluídos em virtude do postulado da imanência, esta lingüística do
discurso se confrontou com o problema do extralingüístico.
Diante dessa realidade, a AD teve de enfrentar problemas de ordem metodológica:
a interdisciplinaridade própria da disciplina fez com que os terrenos se tornassem, de certa
forma, fluidos e, por vezes, distantes da Lingüística – o que gerou um questionamento em
torno do “fazer lingüística” no âmbito da AD. As dificuldades de ordem teórica são notórias,
especialmente quando nos deparamos com conceitos um tanto quanto maleáveis. Além disso,
ao investigar o discurso, a Lingüística tende a se filiar a outras teorias que preenchem lacunas
em relação a questões que, ela – a Lingüística – sozinha, não dá conta de resolver. Assim,
tentar fazer uma lingüística do discurso sem tocar nesses outros territórios significa não dar
conta do discurso. Pensamos que uma sistematização parece ser ainda uma carência da AD,
em especial na linha pechetiana.
Apesar dessas dificuldades, julgamos que, na atualidade, a AD ainda é a teoria que
nos fornece princípios relevantes para lidar com nosso objeto de estudo, contemplando a
relação texto/contexto que nos interessa investigar. Entretanto, como já afirmamos,
buscaremos em outros autores e/ou perspectivas teóricas subsídios para preencher as lacunas
com que, provavelmente, nos defrontaremos.
A AD se opõe à idéia de discurso definido no interior de um conjunto de signos;
procura observar a utilização da língua dentro de um quadro que considere a história, a
ideologia, o papel das instituições e o aparecimento do sujeito no discurso (sujeito que não
está imune a coerções de diferentes ordens, sendo, portanto, em grande medida, assujeitado).
O discurso, definido como uma prática ou um conjunto de enunciados que obedecem a certas
regularidades, será investigado enquanto um objeto mutável e analisável sob a perspectiva da
história, das relações de poder e dos aparelhos ideológicos do Estado (conforme foi proposto
por Pêcheux, inspirado em Althusser). As regularidades do discurso serão, assim, encontradas
no interior das formações discursivas (FDs)
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que se articulam no interdiscurso e que são
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Pêcheux & Fuchs (1990, p.163-167) consideram uma formação ideológica como “um conjunto de
representações que não são nem ‘individuais’ nem ‘universais’, mas se relacionam mais ou menos a posições de
classe em conflito umas com as outras” (grifo dos autores). As formações ideológicas, por sua vez, comportam
necessariamente, como um de seus componentes, uma ou várias formações discursivas interligadas que
determinam o que pode e o que deve ser dito a partir de uma posição dada numa conjuntura, isto é, numa certa
relação de lugares, no interior de um aparelho ideológico, e inscrita numa relação de classes. Dialogando com a