Download PDF
ads:
Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde:
Cardiologia e Ciências Cardiovasculares
Repercussões cardiovasculares da ingestão aguda de álcool
Tese de Doutorado
Paulo Fernando Dotto Bau
Orientador: Flávio Dani Fuchs
Co-orientador: Guido Bernardo Aranha Rosito
Porto Alegre
2009
ads:
Livros Grátis
http://www.livrosgratis.com.br
Milhares de livros grátis para download.
ii
Dedicatória
À minha esposa Roseane e aos meus filhos Sophia e Felipe, com amor.
ads:
iii
Agradecimentos
Ao meu orientador Prof. Dr. Flávio Danni Fuchs, pela atenção, disponibilidade e
competência na condução dessa Tese;
Ao meu irmão Prof. Dr. Claiton H. D. Bau, pela amizade, estímulo constante e
orientação;
Aos Prof. Dr. Guido A. Rosito e Prof. Dr. Ruy S. Moraes, pela co-orientação
especializada;
Ao Eng. Elton Ferlin, pela competente análise dos dados de Variabilidade da
Frequência Cardíaca;
Aos meus pais, sogros (in memoriam), irmãos, cunhados e sobrinhos, pelo apoio
incondicional;
Aos colegas e funcionários do ICARDIO, Instituto Cardiovascular, pela amizade e
receptividade no uso de sua estrutura para o desenvolvimento do projeto;
Aos colegas do Departamento de Clínica Médica do Centro de Ciências da Saúde
da Universidade Federal de Santa Maria, pela liberação e substituição nas
atividades docentes;
Às secretárias do consultório, pelo imprescindível apoio diário;
Aos professores, colegas e funcionários do Programa de Pós-Graduação em
Ciências da Saúde: Cardiologia e Ciências Cardiovasculares – UFRGS, pelas
sugestões e companheirismo.
Ao Vilceu Niederauer, meu educador físico e aos amigos da Academia Fisiocardio,
pela ótima estrutura disponibilizada.
A todos os amigos que me incentivaram;
Aos indivíduos voluntários desse estudo, pela inestimável cooperação;
ÍNDICE
Lista de Abreviaturas 2
Resumo 3
Abstract 5
Capítulo I 7
Introdução 8
Álcool e doença cardiovascular 8
Efeitos do álcool sobre a pressão arterial (PA) 10
Álcool e função endotelial 12
Efeitos do álcool sobre a variabilidade da frequência cardíaca (VFC) 15
Referências bibliográficas da introdução 17
Capítulo II 25
Artigo de Revisão: Alcohol consumption, cardiovascular health, and
endothelial function markers
26
Capítulo III 36
Justificativa 37
Objetivo Geral 38
Objetivos Específicos 38
Capítulo IV 39
Diurnal variation of vascular diameter and reactivity in healthy young men 40
Capítulo V 44
Acute ingestion of alcohol and cardiac autonomic modulation in healthy
volunteers
45
Capítulo VI 67
Discussão 68
Referências bibliográficas da discussão 72
Anexo 1 74
Termo de consentimento livre e esclarecido
Anexo 2 76
Resolução do comitê de ética em pesquisa - UFRGS
Anexo 3 77
Early and late effects of alcohol ingestion on blood pressure and endothelial
function
2
Lista de abreviaturas
DAB – diâmetro da artéria braquial
FC – freqüência cardíaca
FMD – vasodilatação mediada pelo fluxo
HDL - lipoproteínas de alta densidade
LDL - lipoproteínas de baixa densidade
MAPA – monitorização ambulatorial da pressão arterial
NFMD – vasodilatação não mediada pelo fluxo
PA – pressão arterial
PAD - pressão arterial diastólica
PAS - pressão arterial sistólica
PNN50 - percentual de diferenças entre intervalos R-R maiores de 50 ms adjacentes
RMSSD - raiz quadrada média das diferenças sucessivas dos intervalos R-R
adjacentes
SDNN - desvio padrão dos intervalos R-R
VFC – variabilidade da freqüência cardíaca
3
Resumo
Introdução: A pressão arterial (PA), a variabilidade da freqüência cardíaca (VFC) e
o consumo de bebidas têm sido associados com desfechos cardiovasculares, que
têm maior incidência de eventos no período da manhã.
Objetivos: Avaliar em indivíduos jovens e saudáveis a variação em parâmetros
cardiovasculares (diâmetro da artéria braquial - DAB, dilatação mediada pelo fluxo -
FMD, dilatação não mediada pelo fluxo - NFMD, freqüência cardíaca - FC, PA, VFC)
em diferentes momentos do dia. Investigar se a ingestão aguda de álcool tem um
efeito em diferentes horários após consumo sobre vários índices da VFC no domínio
do tempo, e se tal efeito é independente ou não da FC.
Métodos: Os parâmetros foram mensurados em três horários (17h, 22h e 7h) por
ecodoppler da artéria braquial (DAB, FMD, NFMD) e avaliação clínica (PA, FC) em
50 indivíduos saudáveis do sexo masculino, com idades entre 18 e 25 anos (média
de 20,74 anos), A VFC foi avaliada por Holter e comparada entre indivíduos jovens
e saudáveis que consumiram 60g de álcool ou placebo (35 indivíduos por grupo)
durante 17h após a ingestão.
Resultados: O DAB foi menor às 7h quando comparado às 17h e 22h (P < 0.001).
Os valores de FMD não se modificaram ao longo do dia, enquanto o NFMD
aumentou às 7h, quando comparado aos demais horários. A VFC caiu após a
ingestão de álcool, paralelamente a um aumento na freqüência cardíaca. A variação
hora a hora da VFC e FC foram simetricamente opostas, sugerindo que a redução
da VFC seria uma conseqüência da ativação simpática associada ao aumento da
FC.
Conclusões: O estado fisiológico de vasoconstrição após acordar, com reatividade
endotelial e capacidade de dilatação preservada pela manhã, deveria ser
4
considerado como parte de uma adaptação cardiovascular saudável e levada em
conta nos estudos sobre fatores de risco e disfunção endotelial em uma idade mais
tardia. Os efeitos autonômicos recorrentes da ingestão de álcool, particularmente em
grandes quantidades e por indivíduos com um padrão de consumo abusivo,
poderiam estar relacionados com os efeitos deletérios do álcool sobre o coração. Os
dois conjuntos de resultados desta Tese apontam para a necessidade de mais
estudos controlados em uma faixa etária mais avançada, em indivíduos de ambos os
sexos, hipertensos ou normotensos, para avaliar tanto o risco coronariano matinal
como também os efeitos do consumo de álcool sobre o aumento da PA e potencial
arritmogênico.
5
Abstract
Introduction: The blood pressure (BP), heart rate variability (HRV) and alcoholic
beverage consumption have been associated with negative cardiovascular outcomes
which in turn have a higher incidence in the morning period.
Objectives: To evaluate in health young men the variation in cardiovascular
parameters (brachial artery diameter - BAD, flow mediated dilation - FMD, non flow
mediated dilation - NFMD, heart rate - HR, BP and HRV) in different times of day. To
verify if an acute ingestion of alcohol has a time-dependent influence over time
domain indices of HRV, and if this effect is independent of heart rate.
Methods: The parameteres were measured in three different times (7 am, 5 pm and
10 pm) by brachial artery ultrasound (BAD, FMD, NFMD) and clinical evaluation (BP,
HR) in 50 healthy young males, age range: 18 to 25 years, averaging 20,8 years.
HRV was evaluated by Holter and compared between healthy young males who
ingested 60 g of ethanol or placebo (35 per group) before and during 17 hours after
ingestion.
Results: BAD was smaller at 7 am in comparison with 5 pm and 10 pm (P < 0.001).
FMD values did not change significantly during the day, while NFMD increased more
at 7 am, when compared to the other times of day (P = 0.04). There was a fall in HRV
after the ingestion of alcohol, accompanied by an increase in heart rate. The hourly
change in heart rate and HRV measures were roughly symmetrically opposed to
each other, suggesting that the acute ingestion of alcohol promoted a variation in
HRV as a consequence of sympathetic activation and increased heart rate.
Conclusions: The physiological state of vasoconstriction after awakening, with
preserved capability to dilate in the morning, should be considered to be part of the
healthy cardiovascular adaptation before considering later life risk factors and
6
endothelial dysfunction. The recurrent autonomic effects of alcohol consumption,
particularly at higher amounts by individuals with a pattern of abusive consumption,
could be related to the deleterious effects of alcohol over the heart. The two sets of
results of this Thesis point towards the need for further controlled studies focused on
an advanced age range, in subjects of both genders, hipertensives or normotensives,
in order to evaluate both the morning coronary risk as well as the effects of alcohol
consumption on hypertension and arrythmias.
7
Capítulo I - Introdução
8
Introdução
Álcool e doença cardiovascular
Vários estudos sugeriram uma correlação inversa entre consumo moderado
de álcool e mortalidade coronariana (Albert e cols., 1999; Rimm e cols., 1999;
Belleville e cols., 2002; Grombaek e cols., 2002). No entanto, doses altas de álcool
aumentam o risco de mortalidade por várias causas, incluindo cirrose e câncer
(Marmot e cols., 1981; Friedman e cols., 1986; Renaud e cols., 1998) Isso resulta
em uma curva tipo J entre mortalidade e consumo de álcool (Klatsky e cols., 1992).
De acordo com as diretrizes dos departamentos federais de agricultura e saúde dos
Estados Unidos (USDA/ DHHS Dietary Guidelines, 2005), com base em um relatório
do instituto nacional de abuso de álcool e alcoolismo do mesmo país (Gunzenrath e
cols., 2004), o consumo moderado de álcool corresponderia a 1 a 2 doses por dia
(15 a 30 g de álcool), que é a quantidade associada com a menor mortalidade por
todas as causas.
No início do século XX, observou-se pela primeira vez essa relação inversa
entre o consumo de álcool e doença aterosclerótica (Cabot 1904 apud Klatsky,
2002). O termo “paradoxo francês” foi cunhado por epidemiologistas para chamar a
atenção sobre a incidência relativamente baixa de doença coronariana na população
francesa, apesar do grande consumo de gorduras saturadas (Artaud-Wild e cols.,
1993; Tunstall-Pedoe e cols., 1999; Belleville, 2002).
O projeto WHO-MONICA (“monitoring trends and determinants in
cardiovascular disease”) foi delineado para analisar as relações entre fatores de
risco e eventos cardiovasculares. Os dados foram coletados de mais de 100.000
homens e mulheres, de 38 populações, em 21 países (Kuulasmaa e cols., 2000;
Tunstall-Pedoe e cols., 2000). Esse estudo confirmou a existência de um gradiente
9
decrescente na freqüência de eventos coronarianos, do norte para o sul da Europa,
com os maiores valores encontrados na Escócia e os menores na Espanha e
sudoeste da França. A menor freqüência de eventos coronarianos na França e
outros países mediterrâneos foi associada com um escore de risco comparável ao
encontrado em populações de outros países desenvolvidos. Entretanto, a razão
dessa menor incidência de eventos coronarianos nas populações mediterrâneas
ainda não foi explicada. Embora o vinho seja apenas um dos componentes da dieta
mediterrânea, foi sugerido que pudesse ter efeito benéfico contra a doença
coronariana (Marmot e cols., 1981).
Apesar desses dados favoráveis ao vinho, não há consenso quanto ao tipo de
bebida (vinho, cerveja ou destilados), bem como a quantidade que produziria esse
impacto favorável das bebidas alcoólicas (Klatsky e cols., 1997; Goldberg e cols.,
2001; Di Castelnuovo e cols., 2002). Para determinar os possíveis efeitos benéficos
dos componentes alcoólicos e não-alcoólicos (ex: polifenóis) do vinho tinto, um
estudo (Senault e cols., 2000) comparou o vinho, uma solução com a mesma
quantidade de álcool e vinho tinto sem álcool, verificando um efeito benéfico sobre
os níveis lipídicos um pouco maior com o consumo moderado de vinho tinto com
álcool, provavelmente devido à ão do álcool e dos polifenóis sobre as
lipoproteínas. O efeito antioxidante de vários compostos presentes na casca da uva,
como o resveratrol, quercetina e ácido tânico diminuem a oxidação das lipoproteínas
de baixa densidade (LDL) e a doença cardiovascular (Belleville, 2002). A diferença
fundamental entre os vinhos tinto e branco é o conteúdo fenólico, 20 vezes superior
no vinho tinto (Belleville, 2002).
O aparente efeito benéfico do álcool poderia na realidade ser devido a um
viés relacionado com o estilo de vida dos usuários de bebidas alcoólicas. Nesse
10
sentido o “Atherosclerosis Risk in Communities Study” não demonstrou uma direção
consistente para as associações entre consumo de álcool e doença coronariana em
homens brancos e negros. O efeito seria protetor para os brancos, e prejudicial para
os negros. Além disso, o efeito protetor seria mais intenso entre os brancos que
consumiam raramente as bebidas alcoólicas. Esses dados sugerem que os níveis
de consumo de álcool poderiam ser apenas indicadores indiretos das causas reais
de doenças das artérias coronárias (Fuchs e cols., 2004, Fuchs e Chambless, 2007).
Efeitos do álcool sobre a pressão arterial (PA)
O consumo de álcool é um fator de risco estabelecido para a hipertensão.
Verificou-se que o consumo diário de álcool aumentaria a pressão arterial (PA)
sistólica em aproximadamente 2 mmHg em homens normotensos que consumiam
quatro doses diárias de álcool (vinho tinto ou cerveja) (Zilkens e cols., 2005).
McFarlane e cols. (2007) compararam os efeitos do álcool sobre a PA em homens e
mulheres de uma amostra de base populacional. Eles verificaram que o consumo de
mais de duas doses diárias de álcool aumentava a PA em homens, mas não em
mulheres.
Tendo em conta os dados epidemiológicos sobre a associação entre o álcool
e a PA, foram realizados vários experimentos controlados comparando a PA entre
indivíduos que consumiram ou não uma dose de álcool antes do período da
avaliação. McFadden e cols., (2005) revisaram nove estudos publicados entre 1984
e 1992, verificando que o álcool provocava um pequeno porém significativo aumento
na PA considerando a média das avaliações durante 24 horas. A maioria desses
estudos dispunha de números amostrais muito pequenos, com poucas mulheres.
Apenas uma avaliação que incluiu hipertensos comparou seus resultados com
11
normotensos, sugerindo que o aumento da pressão só seria significativo entre os
hipertensos (Malhotra e cols., 1985). No entanto, a precisão dessas avaliações pode
ter sido prejudicada já que elas precederam o estudo de Abe e cols. (1994), que
demonstrou que a resposta pressórica ao álcool não era linear. O efeito do álcool na
monitorização ambulatorial da PA de 24 horas (MAPA) revelou um efeito bifásico,
com um valor mais baixo 4 h após o consumo, e um pico de elevação após 10 h
(Abe e cols., 1994; Rosito e cols., 1999, Bau e cols., 2005), mais pronunciado com
uma dose mais alta (Rosito e cols., 1999). Há apenas um estudo comparando a
evolução temporal do efeito agudo do álcool sobre a PA em homens e mulheres
(Moreira e cols., 1998), com base em uma amostra populacional onde uma das
variáveis consideradas foi o momento da última dose de álcool. Os dados sugeriram
que o aumento da PA nas mulheres se daria de maneira mais intensa e rápida do
que nos homens.
Não há relatos comparando a resposta bifásica ao consumo agudo de álcool
em normotensos e hipertensos. A presença de uma elevação mais acentuada da PA
em indivíduos hipertensos no período entre 10 e 14 h após o consumo poderia
representar um aumento ainda maior no risco cardiovascular, tornando muito
questionável a existência de benefícios advindos do consumo de álcool nesses
indivíduos.
A redução na PA induzida pelo álcool é considerada como uma resposta da
vasodilatação (Abe e cols., 1994), mas até o momento nenhum mecanismo
fisiológico foi capaz de explicar convincentemente as respostas hemodinâmicas do
álcool (Vlachopoulos e cols., 2003; Fazio e cols., 2004). Várias hipóteses foram
levantadas para explicar o aumento na PA algumas horas após o consumo de
álcool. Uma delas propõe que o aumento poderia resultar de uma propriedade
12
intrínseca do etanol de alterar a atividade de canais iônicos das membranas
celulares (Tawakol e cols., 2004). Na segunda hipótese, a vasodilatação inicial
poderia desencadear um aumento compensatório na atividade simpática (Randin e
cols., 1995). Outra possibilidade seria de que a retenção de sódio induzida pelo
álcool participaria da elevação subsequente na PA (Kawano e cols., 2004).
Álcool e função endotelial
A camada endotelial da parede vascular possui características endócrinas,
produzindo substâncias que agem localmente e a distância, em várias partes do
organismo (Furchgott e Zawadzki, 1980; Vapaatalo e Mervaala, 2001). O endotélio
é sensível às mudanças de fluxo sangüíneo, pressão arterial, sinais inflamatórios e
hormônios circulantes, com capacidade de integrar sinais hemodinâmicos e
humorais e modular o tônus vasomotor, de acordo com suas necessidades
metabólicas teciduais locais.
A disfunção endotelial precede a formação da placa ateromatosa e tem valor
preditivo para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares (Schachinger e cols.,
2000). A avaliação da vasodilatação mediada pelo fluxo, endotélio dependente
(FMD) e da vasodilatação independente do endotélio, mediada pela nitroglicerina
(NFMD) com um ultra-som é um método não-invasivo e validado para a medida da
função endotelial (Corretti e cols., 2002). Uma resposta endotelial prejudicada está
associada com vários fatores de risco para doença cardiovascular (Gaenzer e cols.,
2000; Vapaatalo & Mervaala, 2001).
Embora o abuso de álcool tenha sido associado com redução da FMD
(Maiorano e cols., 1999; Puddey e cols., 2001), o mesmo não parece ocorrer com
bebedores moderados (Zilkens e cols., 2003). Está bem definido que a principal
13
conseqüência vascular de uma dose aguda de álcool é a vasodilatação (Agewall e
cols., 2000; Bau e cols., 2005; Hashimoto e cols., 2001; Vlachopoulos e cols., 2003;
Tawakol e cols., 2004); no entanto, não existe consenso quanto à sua ação no FMD.
Enquanto Hashimoto e cols. (2001) observaram uma redução no FMD após o uso
agudo de álcool, outros não observaram nenhuma alteração (Djousse e cols., 1999;
Agewall e cols., 2000). Um estudo do nosso grupo (Bau e cols., 2005) avaliou os
efeitos precoces e tardios do álcool sobre a função endotelial em uma amostra
homogênea de homens jovens e saudáveis. Verificou-se importante vasodilatação
4h após o consumo, mas nenhum efeito tardio (após 13h) sobre a função endotelial,
embora tenha sido observado um efeito bifásico sobre a PA.
Uma limitação importante nos estudos sobre os efeitos do álcool sobre a
função endotelial é a escassez de estudos sobre a variação ao longo do dia dos
parâmetros fisiológicos relacionados com o diâmetro da artéria braquial e função
endotelial, fundamentais para os estudos de fisiologia cardiovascular. Por exemplo,
a maior incidência de evento cardiovasculares no período da manhã poderia talvez
ser explicada por um menor diâmetro ou menor reatividade vascular pela manhã. Os
dois principais estudos que avaliaram tais dados contavam com um tamanho
amostral muito pequeno (Etsuda e cols., 1999) ou com uma amostra heterogênea e
de faixa etária elevada (Otto e cols., 2004).
Outro tema sob discussão é a dimensão do efeito endotelial atribuível ao
álcool em si ou a outros elementos contidos nas bebidas alcoólicas, em especial o
vinho tinto. A injúria endotelial pelo LDL oxidado está envolvida na aterogênese e na
trombose. Assim, a prevenção da oxidação do LDL pelos polifenóis do vinho ou por
outros extratos alcoólicos pode ter um efeito anti-trombótico e anti-aterosclerótico
(Ridker e cols., 1994). Um estudo de 15 pacientes com doença arterial coronariana e
14
prejuízo da função endotelial demonstrou que a ingestão regular, mas por curto
espaço de tempo, de suco de uva tinta melhorou significativamente a função
endotelial e reduziu a suscetibilidade do LDL à oxidação, sugerindo que os
flavonóides e outros componentes possam prevenir eventos cardiovasculares,
independentemente do conteúdo alcoólico (Stein e cols., 1999).
Embora possam existir efeitos específicos do vinho, indícios de um efeito
benéfico sobre o endotélio devido especificamente ao etanol, independentemente do
tipo de bebida alcoólica (Goldberg e cols., 2001). O embasamento para esse
possível efeito protetor do álcool em baixas doses ainda o foi bem estabelecido,
mas tem sido atribuído à ão do álcool sobre outros fatores de risco. Em particular,
o papel do álcool em aumentar as lipoproteínas de alta densidade (HDL) parece
contribuir para uma redução no risco coronariano (Stoclet e cols., 2001). Também se
sugeriu que os efeitos do álcool sobre as artérias seriam mediados em parte por
uma desaceleração da aterogênese (Kiechl e cols., 1998).
evidências de que as vias mediadoras iniciais da ação do álcool sobre o
endotélio vascular seriam o estresse oxidativo, lipoproteínas, resistência à insulina e
produção de produtos finais da glicosilação avançada (AGEs). A proteção ou dano
induzidos pelo álcool sobre esses mecanismos poderiam estar relacionados com a
síntese ou ação de vários marcadores, como o óxido nítrico, cortisol, endotelina-1,
moléculas de adesão, fator de necrose tumoral alfa, interleucina-6, proteína c-reativa
e fatores hemostáticos. A expressão desses marcadores é coerente com a curva J
entre o consumo de álcool e saúde cardiovascular. Ou seja, de maneira geral, os
níveis dessas substâncias se mostram bastante diferentes quando o consumo de
álcool é moderado ou intenso. Na publicação referente ao Capítulo 2 dessa Tese
(Bau e cols., 2007) apresentamos uma revisão extensa desses mecanismos.
15
Efeitos do álcool sobre a variabilidade da frequência cardíaca (VFC)
A redução na VFC está associada a um aumento no risco de eventos
cardíacos e mortalidade (Tsuji e cols., 1996a; Lauer, 2009). Além disso, demostrou-
se que flutuações na freqüência cardíaca relacionadas com o ritmo circadiano
endógeno aumentam a vulnerabilidade cardiovascular pela manhã, com um pico em
torno das 10 horas (Hu e cols., 2004). Eventos cardiovasculares tais como morte
súbita, acidente vascular cerebral e síndromes coronarianas agudas apresentam um
pico de incidência pela manhã (Muller e cols., 1985; Cannon e cols., 1997). Assim,
estes dados sugerem que alterações da variabilidade da freqüência cardíaca dentro
dos limites da normalidade podem ter grande importância sobre o risco
cardiovascular.
Há evidências de que o álcool pode influenciar o sistema nervoso autônomo e
a regulação do ritmo cardíaco. A síndrome da arritmia pós-feriado (“holiday heart”),
típica dos finais-de-semana, caracteriza-se por fibrilação atrial secundária à ingestão
aguda de álcool (Ettinger e cols., 1978; Nissen e Lemberg, 1984; Rich e cols., 1985).
Entretando, o mecanismo exato que vincula o consumo de álcool com as arritmias
ainda não está completamente estabelecido.
O efeito do álcool sobre a VFC pode ser um dos mecanismos arritmogênicos
(Britton e cols., 2008). Vários estudos transversais têm avaliado a relação entre o
consumo de álcool e a VFC. Alguns demonstraram que o consumo de álcool diminui
a VFC (Masters e cols., 2004; Thayer e cols., 2006), mas isso poderia ser
secundário ao aumento da frequência cardíaca (FC) induzido pela substância (Ryan
e Howes, 2002). O ajuste para a FC poderia diminuir o efeito do álcool sobre a VFC,
mas poderia também mascarar um efeito real e independente do mesmo sobre a
16
modulação vagal (Koskinen e cols., 1994). Outras investigações não detectaram um
efeito significativo do consumo de álcool sobre a VFC (Kageyama e cols., 1997;
Fagard e cols., 1999; Tsuji e cols., 1996b e Britton e cols., 2008).
Alguns desses estudos contavam com um número pequeno de consumidores
pesados, e o consumo era auto-referido, limitando a confiabilidade dos dados.
Portanto, estudos experimentais são necessários para melhor se compreender as
relações entre o consumo de álcool e a VFC. Koskinen e cols. (1994) estudaram 12
homens saudáveis que beberam 1g/kg de álcool e verificaram que o consumo agudo
diminuía a raiz quadrada média das diferenças sucessivas dos intervalos R-R
adjacentes (RMSSD) durante o breve período estudado (3 horas após o consumo), e
essa diferença permanecia significativa mesmo quando controlada para a FC. Os
autores sugeriram que o efeito residual sobre a VFC poderia ser explicado por uma
modulação vagal reduzida causada pelo consumo de álcool. Vaschillo e cols. (2008)
compararam parâmetros de VFC em indivíduos que ingeriram álcool, placebo e
controles (n=12 em cada grupo). Os dados não foram ajustados para a FC,
sugerindo que o álcool reduzia a VFC.
17
Referências bibliográficas da introdução
Abe H, Kawano Y, Kojima S, Ashida T, Kuramochi M, Matsuoka H, Omae, T.
Biphasic effects of repeated alcohol intake on 24-hour blood pressure in
hypertensive patients. Circulation. 1994;89:2626-2633.
Agewall S, Wright S, Doughty RN, Whalley GA, Duxbury M, Sharpe N. Does a glass
of red wine improve endothelial function? Eur Heart J. 2000;21:74-78.
Albert CM, Manson JE, Cook NR, Ajani UA, Gaziano JM, Hennekens CH. Moderate
alcohol consumption and the risk of sudden cardiac death among US male
physicians. Circulation. 1999;100:944-950.
Artaud-Wild SM, Connor SL, Sexton G, Connor WE. Differences in coronary mortality
can be explained by differences in cholesterol and saturated fat intakes in 40
countries but not in France and Finland. A paradox. Circulation. 1993;88:2771-
2779.
Bau PF, Bau CH, Naujorks AA, Rosito GA. Early and late effects of alcohol on blood
pressure and endothelial function. Alcohol. 2005;37:53-58.
Bau PF, Bau CH, Rosito GA, Manfroi WC, Fuchs FD. Alcohol consumption,
cardiovascular health, and endothelial function markers. Alcohol. 2007;41:479-
488.
Belleville J. The French paradox: possible involvement of ethanol in the protective
effect against cardiovascular diseases. Nutrition. 2002;18:173-177.
Britton A, Malik M, Marmot M. The cardioprotective effects of alcohol consumption:
does cardiac autonomic function play a role? Eur J Epidemiol. 2008;23:105-108.
Cannon CP, McCabe CH, Stone PH, Rogers WJ, Schactman M, Thompson BW,
Pearce DJ, Diver DJ, Kells C, Feldman T, Williams M, Gibson RS, Kronenberg
MW, Ganz LI, Anderson HV, Braunwald E. The electrocardiogram predicts one-
18
year outcome of patients with unstable angina and non-Q wave myocardial
infarction: results of the TIMI III Registry ECG Ancillary Study. Thrombolysis in
Myocardial Ischemia. J Am Coll Cardiol. 1997;30:133-140.
Corretti MC, Anderson TJ, Benjamin EJ, Celermajer D, Charbonneau F, Creager MA,
Deanfield J, Drexler H, Gerhard-Herman M, Herrington D, Vallance P, Vita J,
Vogel R. Guidelines for the ultrasound assessment of endothelial-dependent
flow-mediated vasodilation of the brachial artery. J Am Coll Cardiol.
2002;39:257-265.
Di Castelnuovo A, Rotondo S, Iacoviello L, Donati MB, De Gaetano G. Meta-analysis
of wine and beer consumption in relation to vascular risk. Circulation.
2002;105:2836-2844.
Djousse L, Ellison RC, McLennan CE, Cupples LA, Lipinska I, Tofler GH, Gokce, N
Vita JA. Acute effects of a high-fat meal with and without red wine on endothelial
function in healthy subjects. Am J Cardiol. 1999;84:660-664.
Etsuda H, Takase B, Uehata A, Kusano H, Hamabe A, Kuhara R, Akima T,
Matsushima Y, Arakawa K, Satomura K, Kurita A, Ohsuzu F. Morning
attenuation of endothelium-dependent, flow-mediated dilation in healthy young
men: possible connection to morning peak of cardiac events? Clin Cardiol.
1999;22:417-421.
Ettinger PO, Wu CF, De La Cruz C Jr, Weisse AB, Ahmed SS, Regan TJ.
Arrhythmias and the "Holiday Heart": alcohol-associated cardiac rhythm
disorders. Am Heart J. 1978;95:555-562.
Fagard RH, Pardaens K, Staessen JA. Influence of demographic, anthropometric
and lifestyle characteristics on heart rate and its variability in the population. J
Hypertens. 1999;17:1589-1599.
19
Fazio M, Bardelli M, Fabris B, Macaluso L, Fiammengo F, Vran F, Bossi M, Candido
R, Gerloni R, Carretta R. Large-artery hemodynamics after acute alcohol
administration in young, healthy volunteers. Angiology. 2004;55:139-145.
Friedman LA, Kimball AW. Coronary heart disease mortality and alcohol consumption
in Framingham. Am J Epidemiol. 1986;124:481-489.
Fuchs FD, Chambless LE, Folsom AR, Eigenbrodt ML, Duncan BB, Gilbert A, Szklo
M. Association between alcoholic beverage consumption and incidence of
coronary heart disease in whites and blacks: the Atherosclerosis Risk in
Communities Study. Am. J. Epidemiol. 2004;160: 466-474.
Fuchs FD, Chambless LE. Is the cardioprotective effect of alcohol real? Alcohol.
2007;41:399-402.
Furchgott RF, Zawadzki JV. The obligatory role of endothelial cells in the relaxation
of arterial smooth muscle by acetylcholine. Nature. 1980;288:373-376.
Gaenzer H, Sturm W, Kirchmair R, Neumayr G, Ritsch A, Patsch J. Circadian
variation of endothelium-dependent vasodilatation of the brachial artery as a
confounding factor in the evaluation of endothelial function. Atherosclerosis.
2000;149:227-228.
Goldberg IJ, Mosca L, Piano MR, Fisher EA. Wine and your heart. Circulation.
2001;103:472-475.
Gronbaek M. Alcohol, type of alcohol, and all-cause and coronary heart disease
mortality. Ann N Y Acad Sci. 2002;957:16-20.
Gunzerath, L., Faden, V., Zakhari, S., Warren, K. National Institute on Alcohol Abuse
and Alcoholism report on moderate drinking. Alcohol. Clin. Exp. Res.
2004;28:829-847.
20
Haak T, Marz W, Jungmann E, Hausser S, Siekmeier R, Gross W, Usadel KH.
Elevated endothelin levels in patients with hyperlipoproteinemia. Clin Investig.
1994;72:580-584.
Hashimoto M, Kim S, Eto M, Iijima K, Ako J, Yoshizumi M, Akishita M, Kondo K,
Itakura H, Hosoda K, Toba K, Ouchi Y. Effect of acute intake of red wine on flow-
mediated vasodilatation of the brachial artery. Am J Cardiol. 2001;88:1457-1460.
Hu K, Ivanov PCh, Hilton MF, Chen Z, Ayers RT, Stanley HE, Shea SA. Endogenous
circadian rhythm in an index of cardiac vulnerability independent of changes in
behavior. Proc Natl Acad Sci U S A. 2004;101:18223-18227.
Kageyama T, Nishikido N, Honda Y, Kurokawa Y, Imai H, Kobayashi T, Kaneko T,
Kabuto M. Effects of obesity, current smoking status, and alcohol consumption
on heart rate variability in male white-collar workers. Int Arch Occup Environ
Health. 1997;69:447-454.
Kawano Y, Abe H, Kojima S, Takishita S, Matsuoka H. Effects of repeated alcohol
intake on blood pressure and sodium balance in Japanese males with
hypertension. Hypertens Res. 2004;27:167-172.
Kiechl S, Willeit J, Rungger G, Egger G, Oberhollenzer F, Bonora E. Alcohol
consumption and atherosclerosis: what is the relation? Prospective results from
the Bruneck Study. Stroke. 1998;29:900-907.
Klatsky AL, Armstrong MA, Friedman GD. Alcohol and mortality. Ann Intern Med.
1992;117:646-654.
Klatsky AL, Armstrong MA, Friedman GD. Red wine, white wine, liquor, beer, and risk
for coronary artery disease hospitalization. Am J Cardiol. 1997;80:416-420.
Klatsky AL. Alcohol and cardiovascular diseases: a historical overview. Ann N Y
Acad Sci. 2002;957:7-15.
21
Koskinen P, Virolainen J, Kupari M. Acute alcohol intake decreases short-term heart
rate variability in healthy subjects. Clin Sci (Lond). 1994;87:225-230.
Kuulasmaa K, Tunstall-Pedoe H, Dobson A, Fortmann S, Sans S, Tolonen H, Evans
A, Ferrario M, Tuomilehto J. Estimation of contribution of changes in classic risk
factors to trends in coronary-event rates across the WHO MONICA Project
populations. Lancet. 2000;355:675-687.
Lauer MS. Autonomic function and prognosis. Cleve Clin J Med. 2009;76 Suppl
2:S18-22.
Maiorano G, Bartolomucci F, Contursi V, Minenna FS, Di Mise R, Palasciano A,
Allegrini B, Amoruso M, Kozakova M. Noninvasive detection of vascular
dysfunction in alcoholic patients. Am J Hypertens. 1999;12:137-144.
Malhotra H, Mehta SR, Mathur D, Khandelwal PD. Pressor effects of alcohol in
normotensive and hypertensive subjects. Lancet. 1985;326:584-586.
Marmot MG, Rose G, Shipley MJ, Thomas BJ. Alcohol and mortality: a U-shaped
curve. Lancet. 1981;317:580-583.
Masters JA, Stevenson JS, Schaal SF. The association between moderate drinking
and heart rate variability in healthy community-dwelling older women. Biol Res
Nurs. 2004;5:222-233.
McFadden CB, Brensinger CM, Berlin JA, Townsend RR. Systematic review of the
effect of daily alcohol intake on blood pressure. Am J Hypertens. 2005;18:276-
286.
McFarlane SI, von Gizycki H, Salifu M, Deshmukh M, Manieram M, Gebreegziabher
Y, Gliwa AA, Bordia S, Shah S, Sowers JR. Alcohol consumption and blood
pressure in the adult US population: assessment of gender-related effects. J
Hypertens. 2007;25:965-970.
22
Moreira LB, Fuchs FD, Moraes RS, Bredemeier M, Duncan BB. Alcohol intake and
blood pressure: the importance of time elapsed since last drink. J Hypertens.
1998;16:175-180.
Muller JE, Stone PH, Turi ZG, Rutherford JD, Czeisler CA, Parker C, Poole WK,
Passamani E, Roberts R, Robertson T, et al. Circadian variation in the frequency
of onset of acute myocardial infarction. N Engl J Med. 1985;313:1315-1322.
Nissen MB, Lemberg L. The "holiday heart" syndrome. Heart Lung. 1984;13:89-92.
Otto ME, Svatikova A, Barretto RB, Santos S, Hoffmann M, Khandheria B, Somers V.
Early morning attenuation of endothelial function in healthy humans. Circulation.
2004;109:2507-2510.
Puddey IB, Zilkens RR, Croft KD, Beilin LJ. Alcohol and endothelial function: a brief
review. Clin Exp Pharmacol Physiol. 2001;28:1020-1024.
Randin D, Vollenweider P, Tappy L, Jequier E, Nicod P, Scherrer U. Suppression of
alcohol-induced hypertension by dexamethasone. N Engl J Med. 1995;332:1733-
1737.
Renaud SC, Gueguen R, Schenker J, d'Houtaud A. Alcohol and mortality in middle-
aged men from eastern France. Epidemiology. 1998;9:184-188.
Rich EC, Siebold C, Campion B. Alcohol-related acute atrial fibrillation. A case-
control study and review of 40 patients. Arch Intern Med. 1985;145:830-833.
Ridker PM, Vaughan DE, Stampfer MJ, Glynn RJ, Hennekens CH. Association of
moderate alcohol consumption and plasma concentration of endogenous tissue-
type plasminogen activator. JAMA. 1994;272:929-933.
Rimm EB, Williams P, Fosher K, Criqui M, Stampfer MJ. Moderate alcohol intake and
lower risk of coronary heart disease: meta-analysis of effects on lipids and
haemostatic factors. BMJ. 1999;319:1523-1528.
23
Rosito GA, Fuchs FD, Duncan BB. Dose-dependent biphasic effect of ethanol on 24-
h blood pressure in normotensive subjects. Am J Hypertens. 1999;12:236-240.
Ryan JM, Howes LG. Relations between alcohol consumption, heart rate, and heart
rate variability in men. Heart. 2002;88:641-642.
Schachinger V, Britten MB, Zeiher AM. Prognostic impact of coronary vasodilator
dysfunction on adverse long-term outcome of coronary heart disease.
Circulation. 2000;101:1899-1906.
Senault C, Betoulle D, Luc G, Hauw P, Rigaud D, Fumeron F. Beneficial effects of a
moderate consumption of red wine on cellular cholesterol efflux in young men.
Nutr Metab Cardiovasc Dis. 2000;10:63-69.
Stein JH, Keevil JG, Wiebe DA, Aeschlimann S, Folts JD. Purple grape juice
improves endothelial function and reduces the susceptibility of LDL cholesterol to
oxidation in patients with coronary artery disease. Circulation. 1999;100:1050-
1055.
Stoclet JC. Bonum vinum laetificat cor hominum. Med Sci Monit. 2001;7:842-847.
Tawakol A, Omland T, Creager MA. Direct effect of ethanol on human vascular
function. Am J Physiol Heart Circ Physiol. 2004; 286:2468-2473.
Thayer JF, Hall M, Sollers JJ 3rd, Fischer JE. Alcohol use, urinary cortisol, and heart
rate variability in apparently healthy men: Evidence for impaired inhibitory control
of the HPA axis in heavy drinkers. Int J Psychophysiol. 2006;59:244-250.
Tsuji H, Larson MG, Venditti FJ Jr, Manders ES, Evans JC, Feldman CL, Levy D.
Impact of reduced heart rate variability on risk for cardiac events. The
Framingham Heart Study. Circulation. 1996a;94:2850-2855.
Tsuji H, Venditti FJ Jr, Manders ES, Evans JC, Larson MG, Feldman CL, Levy D.
Determinants of heart rate variability. J Am Coll Cardiol. 1996b;28:1539-1546.
24
Tunstall-Pedoe H, Kuulasmaa K, Mahonen M, Tolonen H, Ruokokoski E, Amouyel P.
Contribution of trends in survival and coronary-event rates to changes in
coronary heart disease mortality: 10-year results from 37 WHO MONICA project
populations. Monitoring trends and determinants in cardiovascular disease.
Lancet. 1999;353:1547-1557.
Tunstall-Pedoe H, Vanuzzo D, Hobbs M, Mahonen M, Cepaitis Z, Kuulasmaa K, Keil
U. Estimation of contribution of changes in coronary care to improving survival,
event rates, and coronary heart disease mortality across the WHO MONICA
Project populations. Lancet. 2000;355:688-700.
U.S. Department of Health and Human Services and U.S. Department of Agriculture.
(2005). Dietary Guidelines for Americans, 6th Edn (Washington, DC: U.S.
Government Printing Office).
Vapaatalo H, Mervaala E. Clinically important factors influencing endothelial function.
Med Sci Monit. 2001;7:1075-1085.
Vaschillo EG, Bates ME, Vaschillo B, Lehrer P, Udo T, Mun EY, Ray S. Heart rate
variability response to alcohol, placebo, and emotional picture cue challenges:
effects of 0.1-Hz stimulation. Psychophysiology. 2008;45:847-858.
Vlachopoulos C, Tsekoura D, Tsiamis E, Panagiotakos D, Stefanadis C. Effect of
alcohol on endothelial function in healthy subjects. Vasc Med 2003;8:263-265.
Zilkens RR, Burke V, Hodgson JM, Barden A, Beilin LJ, Puddey IB. Red wine and
beer elevate blood pressure in normotensive men. Hypertension 2005;45:874-
879.
Zilkens RR, Rich L, Burke V, Beilin LJ, Watts GF, Puddey IB. Effects of alcohol intake
on endothelial function in men: a randomized controlled trial. J Hypertens
2003;21:97-103.
25
Capítulo II
Artigo de Revisão: Alcohol consumption, cardiovascular
health, and endothelial function markers
26
27
28
29
30
31
32
33
34
35
36
Capítulo III
Justificativa e objetivos
37
Justificativa:
Esta Tese é parte de uma série de estudos sobre os efeitos do consumo
agudo de álcool em parâmetros cardiovasculares. Os primeiros objetivos foram alvo
da Dissertação de Mestrado do autor, e consistiram na avaliação da função
endotelial e PA em diferentes momentos após o consumo de álcool. O efeito do
álcool sobre alguns parâmetros foi muito intenso, especialmente na confirmação do
efeito bifásico do mesmo sobre a PA, o que acabou por originar novas hipóteses de
pesquisa a fim de preencher algumas lacunas importantes na área.
Em primeiro lugar, entendemos que o estado atual das pesquisas na área
demandava um estudo de revisão amplo sobre os mecanismos subjacentes aos
efeitos do álcool sobre a saúde cardiovascular. Havia um volume muito grande de
publicações sobre o tema nos últimos anos, tornando necessária uma análise crítica
sobre as evidências, a qual veio a constituir o Capítulo II desta Tese.
Entre os artigos originais, o primeiro estudou em um grupo de indivíduos
jovens e saudáveis a variação ao longo do dia do diâmetro da artéria braquial e
função endotelial, parâmetros fundamentais para os estudos de fisiologia
cardiovascular. A maior incidência de evento cardiovasculares no período da manhã
poderia talvez ser explicada por um menor diâmetro ou reatividade vascular pela
manhã. Os dois principais estudos anteriores a avaliar os dados sobre o diâmetro
contavam com um tamanho amostral muito pequeno (Etsuda e cols., 1999) ou com
uma amostra heterogênea e de maior faixa etária (Otto e cols., 2004). Este estudo
constitui o Capítulo IV da Tese.
No segundo estudo, investigamos se o potencial arritmogênico do uso de
álcool poderia ser explicado por uma influência do mesmo sobre a variabilidade da
38
freqüência cardíaca (Capítulo V). Novamente, havia uma carência de experimentos
controlados avaliando esses parâmetros após o consumo de álcool.
Objetivo Geral:
Investigar o efeito agudo decorrente de ingestão de dose isolada de álcool
sobre parâmetros cardiovasculares em indivíduos jovens livres de doença
cardiovascular.
Objetivos Específicos:
1- Avaliar em indivíduos jovens e saudáveis a variação em parâmetros
cardiovasculares (DAB, FMD, NFMD, PA, FC, VFC) em diferentes horários do
dia;
2- Investigar se a ingestão aguda de álcool tem um efeito em diferentes horários
após consumo sobre vários índices da VFC no domínio do tempo.
39
Capítulo IV
Diurnal variation of vascular diameter and
reactivity in healthy young men
40
41
42
43
44
Capítulo V
Acute ingestion of alcohol and cardiac
autonomic modulation in healthy volunteers
45
Acute ingestion of alcohol and cardiac autonomic modulation in healthy
volunteers
Paulo FD Bau
1, 2
, Ruy S Moraes
3
, Claiton HD Bau
4
, Elton L Ferlin
3
, Guido A
Rosito
4
, Flávio D Fuchs
3
1
Departamento de Clínica Médica, Centro de Ciências da Saúde, Universidade
Federal de Santa Maria,
2
ICARDIO, Santa Maria,
3
Serviço de Cardiologia, Hospital de Clinicas de Porto Alegre, Porto Alegre, RS,
Brazil
4
Departamento de Genética, Instituto de Biociências, Universidade Federal do Rio
Grande do Sul, Porto Alegre,
5
Departamento de Saúde Coletiva, UFCSPA, Porto Alegre,
Bau et al. Alcohol and heart rate variability
Correspondence and reprint requests to:
Paulo F. D. Bau
Departamento de Clínica Médica, UFSM
Rua Appel, 655/903
97015-030 Santa Maria, RS, Brazil
Tel: (55) 3222-0200
Fax: (55) 3223-7300
46
Abstract
Cardiac risks of alcohol consumption may be intermediated by its effects over
heart rate variability (HRV). Most studies about the effects of alcohol over HRV were
observational and did not explore the temporal influence of alcohol ingestion over
autonomic modulation. The aim of this study was to verify if an acute ingestion of
alcohol has a time-dependent influence over time domain indices of HRV. In a
randomized controlled trial, we compared the effect of the ingestion of 60 g of ethanol
or placebo over autonomic modulation in healthy men (35 per group), with 18 to 25
years of age, before and during 17 hours after ingestion. Alcohol promoted a fall in
standard deviation of all normal R-R intervals (SDNN), root-mean-square of
successive differences (RMSSD), and percentage of pairs of adjacent R-R intervals
differing by more than 50 ms (PNN50) and in two indices of the three dimensional
return map, by a period up to 10 hours after the ingestion of alcohol, accompanied by
an increase in heart rate. The indices returned to values similar of the control group
10 hours after ingestion. The effects over HRV indices were attenuated by
adjustment for heart rate. The ingestion of alcohol induces a broad cardiovascular
adaptation secondary to vagal withdrawal and sympathetic activation that may be
responsible for the arrhythmogenic effects of alcohol ingestion.
Key words: cardiovascular risk factor, ethanol, heart rate, arrhythmia.
47
Introduction
Habitual alcohol consumption may have protective and harmful effects on
cardiovascular health. Beneficial effects were described in regard to endothelial
function and lipids profile (Vasdev et al., 2006; Bau et al., 2007), but on the other side
alcohol consumption is a risk factor for hypertension (Zilkens e cols., 2005). There is
also evidence that alcohol may influence autonomic nervous system and heart
rhythm regulation. The “holiday heart” syndrome presents as symptomatic atrial
fibrillation elicited by acute ingestion of high amounts of alcohol (Ettinger et al., 1978;
Nissen and Lemberg, 1984; Rich et al., 1985).
Population-based cohort and cross-sectional studies have evaluated the
influence of self-reported alcohol ingestion on autonomic modulation, evaluated by
HRV, and its association with cardiovascular outcomes. The findings have not been
homogeneous. Janszky et al. (2005) reported an increase in HRV with wine but not
with other alcoholic beverages drinking in 102 women with coronary artery disease..
The SAPALDIA study evaluated the effect of alcohol in 1742 randomly selected
participants aged > 50 years and described a decrease in HRV only with daily
moderate alcohol consumption but not with heavier consumption (Felber et al.,
2006). In the Whitehall study, based on a sample of 2197 civil servants, the
consumption of high amounts of alcohol was associated with higher heart rate and
reduced HRV and with the presence of other cardiovascular risk factors (Hemingway
et al., 2005). In the CARLA study, which evaluated 1779 elderly individuals with high
prevalence of cardiovascular risk factors and cardiovascular disease, alcohol
ingestion was not associated to HRV or cardiovascular disease (Greiser et al., 2009).
In healthy individuals, it has been demonstrated that alcohol ingestion has acute
cardiovascular and autonomic effects that depends on the time elapsed after alcohol
48
intake. It promotes a biphasic behavior in blood pressure with an initial decrease
followed by a latter increase in systolic and diastolic pressures (Abe et al., 1994;
Rosito et al., 1999; Bau et al., 2005). After 45 minutes of the ingestion, there is a
decrease in blood pressure, lasting up to four hours, accompanied by increases in
muscle
sympathetic nerve activity and heart rate and a reduction in baro-reflex
sensitivity and in HRV (van de Borne et al., 1997). After 12 hours of the ingestion,
there is a raise in blood pressure that lasts for about 6 hours (Rosito et al., 1999).
The autonomic influence of a single ingestion of alcohol beyond three hours after
ingestion has not been properly evaluated in healthy young individuals.
The aim of this controlled randomized trial was to evaluate early and late
effects of an acute ingestion of alcohol on HRV in healthy, nonsmoking young men,
using time domain and non linear methods.
Methods
2.1. Volunteers
The study group consisted of 70 healthy young men (18-25 years of age,
mean 20.7 ± 2.4 years), with no history of cardiovascular disease or medication use,
and non-smokers, recruited from the general population. The ethics committee of our
Institution approved the study and all volunteers signed an informed consent to
participate.
2.2. Procedures
All volunteers were asked to abstain from alcohol and other psychoactive
substances 48 h before the study. The allocation to the alcohol and control groups
was performed with a random seed generator. Investigators and volunteers were
49
blinded to the content of the drink. The beverage contained citric acid (2.6 g), glucose
(35.6 g) and, in 50% of the randomized study group, 60 g of ethanol. Distilled water
was added to complete 500 ml. The solution was administered between 5:30 PM and
6 PM.
Volunteers were evaluated by clinical history and physical examination
(including weight, height and blood pressure) at arrival at the laboratory and
afterwards, a Holter recorder was installed. A more detailed characterization of the
sample and the description of the experimental procedures were reported before
(Bau et al. 2005, 2008).
HRV
The electrocardiographic recording was performed and analyzed with a DMI
Burdick / Cardios Holter System V 6.00 B for approximately 19 hours. An investigator
blinded in relation to the experimental groups performed the evaluations. The
software distinguishes normal beats from ectopy and artifacts, and builds a time
series of normal R-R intervals. HRV was analyzed with time domain indices and
three-dimensional return map indices. The following time-domain indices were
calculated following the recommendations of the Task Force of the European Society
of Cardiology and the North American Society of Pacing and Electrophysiology
(1996): standard deviation of all normal R-R intervals (SDNN); root-mean-square of
successive differences (RMSSD); and percentage of pairs of adjacent R-R intervals
differing by more than 50 ms (PNN50). The three-dimensional return map, based on
non-linear dynamics, is able to reflect 24 hour sympathetic and vagal modulation
(Moraes et al., 2000). The map was constructed plotting normal R-R intervals (RR
n
)
versus difference between adjacent R-R intervals [(RR
n+1
)-(RR
n
) ] versus counts. In
50
short, normal R-R intervals were plotted on the X axis against the difference between
adjacent R-R intervals on the Y axis. Whenever superimposition of points occurred,
the number of superimposed points was expressed on the Z axis, normalized by the
maximum density (Figure 1). A set of indices (P
1
, P
2
, P
3
, MN) was calculated to
quantify the resulting three-dimensional images. P
1
was calculated as 100 minus the
double of the mean slope between 10% and 90% of maximum density, in the plane
that intersects the distribution in its maximum concentration of points, perpendicular
to RR
n
. To calculate P
2
and P
3
, three-dimensional images were displayed as 10
equally spaced contour curves: P
2
was calculated as the maximal longitudinal length,
and P
3
, as the maximal transversal length of the outermost contour curve. The
general index MN was calculated as the product of P
1
.P
2
.P
3
.10
-3
(Moraes et al.,
2000).
2.3. Statistical analysis
Data were analyzed using multivariate analysis of variance (MANOVA) for
repeated measurements to assess the effects of alcohol ingestion, time after
ingestion, and their interaction. Since the effects of alcohol are complex and
nonlinear, we decided to compare the effects in somewhat arbitrarily defined periods,
based on pharmacokinetics and on the effects of alcohol over blood pressure: pre-
ingestion; 1 to 4 hours after ingestion (high plasma levels of alcohol, with vasodilation
and lower blood pressure), 4 to 10 hours after ingestion (vanishing of alcohol) and
between 10 and 17 hours after ingestion (after elimination, when there is a late
increase in blood pressure). These time periods are consistent with the effect of
alcohol on blood pressure (Rosito et al., 1999; Bau et al., 2005). Since the evaluation
of HRV by the three-dimensional return map is better suited to evaluate autonomic
51
modulation parameters for longer periods, the post-ingestion period was not divided
in this analysis.
The Kolmogorov-Smirnov test was applied to all variables, but none of them
departed significantly from normality. All analyses were performed with the SPSS
software (Version 12.0; SPSS Inc., USA).
Results
The groups that ingested alcohol or placebo were very similar in regard to
several characteristics, as age (20.6 ± 2.4 years versus 20.9 ± 2.4 years,
respectively), baseline mean blood pressure (86.6 ± 9.0 mmHg versus 87.2 ± 7.8
mmHg), and BMI (22.1 ± 2.0 kg/m
2
versus 23.2 ± 2.2 kg/m
2
).
Figure 2 shows the circadian variation of heart rate and the change of heart
rate in the alcohol group, by time and experimental groups, showing that besides the
circadian variation of heart rate (time effect), there was an interaction between
alcohol consumption and time, with an increase of heart rate after ingestion.
Figure 3 shows the variation of variability indices by time and group. SDNN,
RMSSD and PNN50 were significantly lower in participants who ingested alcohol.
Table 1 presents the comparison of HRV indices in the different periods after
ingestion. As can be seen, the differences between the experimental groups were
mostly restricted to the periods between 1 and 4 hours and between 4 and 10 hours
after consumption, with the exception of SDNN, which was not different between
groups between 1 and 4 hours after consumption. In the period between 10 and 17
hours after consumption the two groups did not differ in any HRV index. With the
exception of the between-groups differences on PNN50 between 4 and 10 hours
after consumption, the remaining indices lost significance after adjustment for heart
52
rate.
The comparisons of the indices of HRV in the three-dimensional return map
are presented in Table 2. P
1
and MN were lower in the participants who did ingest
alcohol, but the differences were no longer significant after adjustment for heart rate.
Discussion
The results of this randomized controlled trial showed that in healthy young
subjects the ingestion of 60 g of ethanol increases heart rate and reduces HRV
evaluated in time domain indices and with the three-dimensional return map, a
method based on non linear dynamics. These findings suggest that alcohol acutely
promotes vagal withdrawal and increases sympathetic activity that persists for at
least 10 hours after ingestion. The autonomic changes observed may play a relevant
mediating role in alcohol-related harmful effects on cardiovascular health.
Koskinen et al. (1994) studied the effect of acute alcohol ingestion on HRV in
12 healthy young male adults during 3 hours. HRV was reduced during the whole
study after alcohol ingestion, compared to placebo ingestion, when evaluated with a
time domain index (RMSSD) and with baro-reflex sensitivity, obtained with
simultaneous blood pressure and heart rate spectral analysis. In the same way, in
the present study, the reduction in HRV was observed from the first hour after alcohol
ingestion for RMSSD and PNN50, and from the fourth hour for SDNN. The reduction
in all time domain indices persisted up to 10 hours. This reduction in time domain
indices of HRV suggests that there was vagal withdrawal with alcohol ingestion,
since these indices mainly represent vagal modulation to the sinus node (Polanczyk
et al., 1998). In the study of van de Borne et al. (1997), the effect of alcohol on the
autonomic nervous system was evaluated with muscle sympathetic nerve activity,
53
heart rate and heart rate spectral analysis during 85 minutes after alcohol ingestion.
They observed a substantial increase in sympathetic nerve activity, in heart rate and
in the low frequency:high frequency ratio during the whole experiment. As heart rate
can be used as the net result of autonomic modulation to the sinus node, and when
elevated, it reflects sympathetic predominance, in the present study, the increase in
heart rate observed with alcohol ingestion points to an early sympathetic over-activity
that persisted up to 10 hours after ingestion.
Because of its construction requirements, the three-dimensional return map is
more applicable to analyze longer periods of time. In this study, it was used to
analyze the whole experiment, starting before alcohol ingestion. The index P
1
,
calculated at the maximum concentration of points, reflects sympathetic modulation
to the sinus node and is increased by sympathetic blockade with propranolol. The
indices P
2
and P
3
are the maximum transversal and longitudinal axes of the
distribution and represent vagal modulation to the sinus node. Both are reduced by
atropine infusion. The global index MN is the product of P
1
.P
2
.P
3
.10
-3
and reflects
vagal and sympathetic modulation, being reduced by the infusion of propranolol and
atropine (Moraes et al., 2000). The lower values of P
1
, after alcohol ingestion,
indicate an increased sympathetic modulation to the sinus node during the whole
period analyzed. Considering that P
1
was calculated during a 19 hour period that also
included the period before alcohol ingestion, its reduction does not specify when the
increase in sympathetic modulation really occurred. On the other hand, it indicates
that this increase in sympathetic modulation was intense enough to change HRV
behavior during the whole experiment.
Our results are in accordance with the cross-over study of Rossinen et al.
(1997) that evaluated the effect of acute alcohol ingestion on 24-hour HRV, in 17
54
men and 3 women with coronary artery disease and evidence of myocardial
ischemia, using cardiovascular medication (beta blockers, calcium antagonists, etc.).
The 24-hour time domain indices SDNN and SDANN (standard deviation of the mean
RR interval calculated in 5-minute intervals during 24 hours) were reduced with
alcohol ingestion compared to placebo, but RMSSD was not affected by alcohol.
Heart rate increased 1 hour after alcohol ingestion and remained elevated during 13
hours compared to placebo. The same alcohol induced autonomic changes
described by Rossinen et al. (1997) were observed in our healthy subjects
suggesting that the effect of alcohol on HRV and heart rate is not substantially
influenced by the presence of myocardial ischemia and the use of cardiovascular
drugs.
Most population-based cohort and cross-sectional studies that evaluated the
influence of alcohol ingestion on autonomic modulation evaluated HRV during short
periods of time and did not report the temporal relationship between alcohol intake
and autonomic behavior (Janszky et al., 2005; Felber et al., 2006; Hemingway et al.,
2005; Greiser et al., 2009). In the study of Ohira et al (2009), a Japanese population-
based investigation, the authors evaluated the self-reported habitual alcohol intake in
539 men using 24 hour ambulatory blood pressure, heart rate and power spectral
components of HRV. Although this study did not look at the temporal relationship of
habitual alcohol intake with blood pressure and autonomic behaviors, 85.3% of
moderate drinkers (alcohol intake 23 to 45 g/d) and 97.5% of heavy drinkers (alcohol
intake > 46 g/d) reported daily alcohol consumption, enhancing the possibility of the
presence of alcohol effect during the 24-hour Holter recording. Compared with
nondrinkers, moderate drinkers and heavy drinkers showed higher mean values of
systolic and diastolic pressures during the morning and while awake, higher heart
55
rate while awake and asleep and higher low frequency:high frequency ratio while
asleep. These results point to an increased sympathetic modulation associated to
alcohol consumption, especially because of the presence of higher heart rates in
moderate and heavy drinkers.
The association between elevated heart rate and higher cardiovascular risk is
not fully understood but many epidemiological studies have shown that heart rate
predicts cardiovascular and non-cardiovascular mortality. In the general population,
higher heart rate values at rest are consistently associated with a worse prognosis,
even after controlling for other recognized risk factors such as age, gender, blood
pressure and serum cholesterol (Morcet et al., 1999; Heidland and Strauer, 2001).
Considering that heavy drinkers may have more than only one alcohol ingestion per
day, repeated ingestions could maintain an increased sympathetic activity and
chronically maintain elevated heart rates contributing to some of the possible harmful
effects of alcohol on cardiovascular health.
The conflicting results of the impact of alcohol on HRV (Janszky et al., 2005;
Felber et al., 2006; Hemingway et al., 2005; Greiser et al., 2009) could be explained
by the duration of the autonomic effect after alcohol ingestion demonstrated in our
study. After alcohol ingestion, the reduction in HRV was significant but lasted only 10
hours. In studies that used self-reported habitual alcohol ingestion, the time elapsed
since last drinking is not informed. It is possible that in many studies subjects were
not under the influence of alcohol during HRV analysis.
The Women's Health Study assessed the association of alcohol and atrial
fibrillation in 34715 women followed during 12.4 years. The consumption of more
than two drinks a day was associated with an increased risk of atrial fibrillation
(Conen et al., 2008). Maki et al. (1998) studied the effects of alcohol drinking in
56
patients with a history of alcohol-associated atrial fibrillation, and detected an
increase in lymphocytic beta-adrenoceptor density. Analysis of HRV with spectral
analysis revealed an increase in low-frequency/high-frequency ratio suggesting
increased sympathetic activity in patients with atrial fibrilation, but not in controls,
after ethanol drinking. In addition, Marcus et al. (2008) demonstrated a significant
positive association between alcohol use and atrial flutter (but not atrial fibrillation) in
younger patients, maybe through an alcohol-induced shortening of right atrial
effective refractory periods.
Our study has some limitations that deserve mention. Only male individuals
were investigated and therefore the results cannot be extrapolated to women. There
is evidence that women respond differently to alcohol ingestion compared to men
(Frost and Vestergaard, 2004). The enrollment of healthy and young individuals
aimed to have a more homogeneous sample, limiting the potential for confounding.
In conclusion, the ingestion of a single, relatively high dose of alcohol by
healthy young males increases heart rate and reduces HRV. These changes are
secondary to an increase in sympathetic modulation and a reduction in vagal
modulation of the sinus node. The recurrent autonomic effects of alcohol
consumption, particularly at higher amounts by individuals with a pattern of abusive
consumption, could be related to the deleterious effects of alcohol over the heart.
57
References
Abe H, Kawano Y, Kojima S, Ashida T, Kuramochi M, Matsuoka H, Omae, T.
Biphasic effects of repeated alcohol intake on 24-hour blood pressure in
hypertensive patients. Circulation. 1994;89:2626-2633.
Bau PF, Bau CH, Naujorks AA, Rosito GA, Fuchs FD. Diurnal variation of vascular
diameter and reactivity in healthy young men. Braz J Med Biol Res.
2008;41:500-3.
Bau PF, Bau CH, Naujorks AA, Rosito GA. Early and late effects of alcohol ingestion
on blood pressure and endothelial function. Alcohol. 2005;37:53-8.
Bau PF, Bau CH, Rosito GA, Manfroi WC, Fuchs FD. Alcohol consumption,
cardiovascular health, and endothelial function markers. Alcohol. 2007;41:479-
88.
Conen D, Tedrow UB, Cook NR, Moorthy MV, Buring JE, Albert CM. Alcohol
consumption and risk of incident atrial fibrillation in women. JAMA
2008;300:2489-96.
Ettinger PO, Wu CF, De La Cruz C Jr, Weisse AB, Ahmed SS, Regan TJ.
Arrhythmias and the "Holiday Heart": alcohol-associated cardiac rhythm
disorders. Am Heart J. 1978;95:555-62.
Felber Dietrich D, Schindler C, Schwartz J, Barthélémy JC, Tschopp JM, Roche F,
von Eckardstein A, Brändli O, Leuenberger P, Gold DR, Gaspoz JM,
Ackermann-Liebrich U; SAPALDIA Team. Heart rate variability in an ageing
population and its association with lifestyle and cardiovascular risk factors:
results of the SAPALDIA study. Europace. 2006;8:521-9.
Frost L, Vestergaard P. Alcohol and risk of atrial fibrillation or flutter: a cohort study.
Arch Intern Med. 2004;164:1993-8.
58
Greiser KH, Kluttig A, Schumann B, Swenne CA, Kors JA, Kuss O, Haerting J,
Schmidt H, Thiery J, Werdan K. Cardiovascular diseases, risk factors and short-
term heart rate variability in an elderly general population: the CARLA study
2002-2006. Eur J Epidemiol. 2009;24:123-42.
Heidland UE, Strauer BE. Left ventricular muscle mass and elevated heart rate are
associated with coronary plaque disruption. Circulation. 2001;104:1477-82.
Hemingway H, Shipley M, Brunner E, Britton A, Malik M, Marmot M. Does autonomic
function link social position to coronary risk? The Whitehall II study. Circulation.
2005;111:3071-7.
Janszky I, Ericson M, Blom M, Georgiades A, Magnusson JO, Alinagizadeh H, Ahnve
S. Wine drinking is associated with increased heart rate variability in women with
coronary heart disease. Heart. 2005;91:314-8.
Koskinen P, Virolainen J, Kupari M. Acute alcohol intake decreases short-term heart
rate variability in healthy subjects. Clin Sci (Lond). 1994;87:225-30.
Mäki T, Toivonen L, Koskinen P, Näveri H, Härkönen M, Leinonen H. Effect of
ethanol drinking, hangover, and exercise on adrenergic activity and heart rate
variability in patients with a history of alcohol-induced atrial fibrillation. Am J
Cardiol. 1998 Aug 1;82(3):317-22.
Marcus GM, Smith LM, Whiteman D, Tseng ZH, Badhwar N, Lee BK, Lee RJ,
Scheinman MM, Olgin JE. Alcohol intake is significantly associated with atrial
flutter in patients under 60 years of age and a shorter right atrial effective
refractory period. Pacing Clin Electrophysiol. 2008;31:266-72.
Moraes RS, Ferlin EL, Polanczyk CA, Rohde LE, Zaslavski L, Gross JL, Ribeiro JP.
Three-dimensional return map: a new tool for quantification of heart rate
variability. Auton Neurosci. 2000;83:90-9.
59
Morcet JF, Safar M, Thomas F, Guize L, Benetos A. Associations between heart rate
and other risk factors in a large French population. J Hypertens. 1999;17(12 Pt
1):1671-6.
Nissen MB, Lemberg L. The "holiday heart" syndrome. Heart Lung. 1984;13:89-92.
Ohira T, Tanigawa T, Tabata M, Imano H, Kitamura A, Kiyama M, Sato S, Okamura
T, Cui R, Koike KA, Shimamoto T, Iso H. Effects of habitual alcohol intake on
ambulatory blood pressure, heart rate, and its variability among Japanese men.
Hypertension. 2009;53:13-9.
Polanczyk CA, Rohde LE, Moraes RS, Ferlin EL, Leite C, Ribeiro JP. Sympathetic
nervous system representation in time and frequency domain indices of heart
rate variability. Eur J Appl Physiol Occup Physiol. 1998;79:69-73.
Rich EC, Siebold C, Campion B. Alcohol-related acute atrial fibrillation. A case-
control study and review of 40 patients. Arch Intern Med. 1985;145:830-3.
Rosito GA, Fuchs FD, Duncan BB. Dose-dependent biphasic effect of ethanol on 24-
h blood pressure in normotensive subjects. Am J Hypertens. 1999;12:236-240.
Rossinen J, Viitasalo M, Partanen J, Koskinen P, Kupari M, Nieminen MS. Effects of
acute alcohol ingestion on heart rate variability in patients with documented
coronary artery disease and stable angina pectoris. Am J Cardiol. 1997;79:487-
91.
van de Borne P, Mark AL, Montano N, Mion D, Somers VK. Effects of alcohol on
sympathetic activity, hemodynamics, and chemoreflex sensitivity.
Hypertension.1997;29:1278-83.
Vasdev S, Gill V, Singal PK. Beneficial effect of low ethanol intake on the
cardiovascular system: possible biochemical mechanisms. Vasc Health Risk
Manag. 2006;2:263-76.
60
Zilkens RR, Burke V, Hodgson JM, Barden A, Beilin LJ, Puddey IB. Red wine and
beer elevate blood pressure in normotensive men. Hypertension 2005;45:874-9.
61
Figure Legends
Figure 1. Definition of three-dimensional return map-derived indices. Top: 24-h three-
dimensional distribution constructed as RR
n
versus [(RR
n+1
)-(RR
n
)] x counts; the
plane depicted intercepts the distribution across its maximum density; counts
represent the number of times each event is repeated, generating
superimposition of points. Middle: 24-h distribution viewed along the RR
n
axis; P
1
was measured at maximum density along the plane described above; P
1
=(100-2 x
mean slope); mean slope=tangent of the angle Θ. Bottom: contour curves: P
2
is the
maximum longitudinal range and P
3
the maximum transversal range. MN is the
product P
1
. P
2
.P
3
.10
-3
. Source: Moraes et al., 2000.
Figure 2. Heart rate in the groups that ingested alcohol (squares) and placebo
(triangles). ANOVA: alcohol effect P=0.005; time effect P<0.001; interaction P=0.01.
Figure 3. Heart rate variability in the groups that ingested alcohol (squares) and
placebo (triangles). A. SDNN (standard deviation of all normal R-R intervals).
ANOVA: alcohol effect P=0.04; time effect P<0.001; interaction P=0.03. B. RMSSD
(root-mean-square of successive differences). ANOVA: alcohol effect P=0.06; time
effect P<0.001; interaction P=0.01. C. PNN50 (percentage of pairs of adjacent R-R
intervals differing by 50 ms). ANOVA: alcohol effect P=0.004; time effect P<0.001;
interaction P<0.001;
Table 1. Acute ingestion of alcohol and hourly heart rate and heart rate variability in the different periods
after ingestion (mean ± SD)
Time since intake
Before intake
1-4 h P P*
4-10 h P P*
10-17
h P P*
Heart rate
Alcohol (n=35)
77 ± 11 80 ± 10
0.001
0.001
70 ± 08
0.001 0.001
69 ± 09
0.19
Placebo (n=35)
75 ± 10 72 ± 09
63 ± 08
66 ± 09
SDNN
Alcohol (n=35)
117 ± 38 94 ± 27
0.09 0.79
109 ± 27
0.002 0.31
144 ± 37
0.31
0.83
Placebo (n=35)
119 ± 38 105 ± 25
131 ± 31
153 ± 29
RMSSD
Alcohol (n=35)
57 ± 27 41 ± 16
0.006
0.32
57± 25
0.005 0.37
66 ± 29
0.98
0.34
Placebo (n=35)
60 ± 25 54 ± 23
76 ± 28
66 ± 16
PNN50
Alcohol (n=35)
28 ± 16 18 ± 11
0.001
0.15
26 ± 14
<0.001
0.03
36 ± 14
0.14
0.66
Placebo (n=35)
28 ± 15 28 ± 14
33 ± 16
41 ± 10
ANOVA results are presented as unadjusted P values or adjusted (P*) for heart rate.
SDNN: standard deviation of all normal R-R intervals; RMSSD: root-mean-square of
successive differences; PNN50: percentage of pairs of adjacent R-R intervals differing by 50 ms.
63
Table 2. The effect of the acute ingestion of alcohol on the map of return of heart rate
variability (mean ±SD)
Experimental groups P P*
Alcohol (n=35) Placebo (n=35)
P
1
70 ± 10 76 ± 10
0.02 0.23
P
2
74 ± 11 78 ± 13
0.22 0.97
P
3
125 ± 22 130 ± 27
0.38 0.98
MN
657 ± 216 774 ± 236
0.03 0.58
P for ANOVA unadjusted and adjusted (P*) for heart rate.
Return Map parameters – P
1
: 100 minus the double of the mean slope between 10 %
and 90 % of maximum density, in the plane that intersects the distribution in its
maximum concentration of points, perpendicular to RR
n
; P
2
: maximal longitudinal
length of three-dimensional images; P
3
: maximal transversal length of the outermost
contour curve; MN: P
1
.P
2
.P
3
.10
-3
64
P
1
MN = P . P . P . 10
1 2 3
-3
RR(ms)
500 600 700 800 900
1000
-25
0
+
25
P
3
P
2
(ms)
[
(
R
R
)
n+1 n
-
(
R
R
)
]
65
50
60
70
80
90
-1 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17
Heart Rate; Hours after drink
66
A
80
100
120
140
160
180
-1 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17
SDNN; Hours after drink
B
20
30
40
50
60
70
80
90
100
-1 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17
Rmssd; Hours after drink
C
0
10
20
30
40
50
60
-1 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17
PNN50; Hours after drink
67
Capítulo VI - Discussão
68
Discussão
Uma discussão mais específica de cada um dos temas desta Tese está
contida nos Capítulos II, IV e V. Serão aqui abordados aspectos gerais que não
puderam ser considerados nos artigos específicos.
O diâmetro da artéria braquial em diferentes momentos do dia é um
parâmetro fisiológico básico para o sistema cardiovascular, e que pode estar sendo
negligenciado. Pouquíssimos estudos se voltaram para esse tema. Mais
especificamente, conseguimos (Capítulo IV) verificar dados comparáveis em apenas
dois estudos anteriores ao nosso. Um deles contava com um tamanho amostral
muito pequeno (Etsuda e cols., 1999), e observou uma diferença pequena, não
significativa no diâmetro, que poderia ser consistente com os nossos resultados.
Otto e cols. (2004) estudaram uma amostra heterogênea e de maior faixa etária, não
verificando nenhuma diferença entre os horários. Um estudo recente (Kollias e cols.,
2008) foi publicado simultaneamente ao nosso, tendo também observado um
diâmetro um pouco menor pela manhã, embora a diferença não fosse significativa
(P=0.14). No entanto, esse estudo foi realizado em pacientes hipertensos e com
sobrepeso.
Se confirmados em estudos com tamanhos amostrais maiores e levando em
conta diferentes faixas etárias e presença de fatores de risco, os presentes
resultados poderiam ter pelo menos duas conseqüências relevantes. A primeira
seria contribuir para o entendimento do maior risco cardiovascular pela manhã,
que esse poderia talvez ser explicado por um menor diâmetro ou reatividade
vascular nesse horário. Evidentemente, são necessários mais estudos controlados
em uma faixa etária mais avançada, onde existem alterações na função endotelial e
outros fatores de risco que poderiam precipitar, pela manhã, um evento coronariano.
69
Em segundo lugar, seria demonstrada a necessidade de considerar o momento da
avaliação na interpretação das medidas de função vascular e endotelial na prática e
na pesquisa clínica.
Entre os fatores que podem contribuir na explicação da relação complexa
entre o consumo de álcool e o risco cardiovascular encontram-se os seus efeitos
sobre a variabilidade da freqüência cardíaca. Demostrou-se que flutuações na
freqüência cardíaca relacionadas com o ritmo circadiano endógeno aumentam a
vulnerabilidade cardiovascular pela manhã, com um pico em torno das 10 horas (Hu
e cols., 2004). Como já foi mencionado, eventos cardiovasculares tais como morte
súbita, acidente vascular cerebral e síndromes coronarianas agudas apresentam um
pico de incidência pela manhã (Muller e cols., 1985; Cannon e cols., 1997). Assim,
alterações da variabilidade da freqüência cardíaca dentro dos limites da normalidade
podem ter grande importância sobre o risco cardiovascular, a qual poderia em
princípio ser também influenciada pelo uso de álcool.
No artigo que compõe o Capítulo 5 da Tese, avaliamos pela primeira vez os
efeitos de uma dose aguda de álcool sobre a VFC em um período de até 17h após a
ingestão. Os dois únicos experimentos prévios desse tipo (Koskinen e cols., 1994,
Vaschillo e cols., 2008) foram restritos a um período de apenas 3 horas, quando
apenas uma parte dos efeitos do álcool sobre o sistema cardiovascular poderia ser
observada. Ajustando os dados para a FC, Koskinen e cols. (1994) verificaram que o
RMSSD mantinha-se ligeiramente diminuído no grupo que consumiu álcool.
Vaschillo e cols. (2008) não ajustaram os dados para a FC, observando uma
redução significativa da VFC que em princípio poderia ser melhor explicada pelo
aumento na FC.
Nós verificamos uma redução em vários parâmetros da VFC durante as
primeiras 10 horas após o consumo, que consideramos em grande parte atribuível
70
ao aumento na FC, que as curvas representativas da VFC e FC eram
simetricamente opostas. Dessa maneira, os efeitos do álcool sobre a modulação
autonômica parecem resultar de efeitos hemodinâmicos substanciais que levam a
uma ativação reflexa do sistema nervoso simpático, com um aumento na freqüência
cardíaca. Novas investigações são necessárias com o objetivo de compreender os
possíveis mecanismos medidadores da relação entre essa adaptação cardiovascular
e os efeitos arritmogênicos e hipertensivos do consumo de álcool.
O consumo intenso de álcool aumenta sem dúvidas a mortalidade por várias
causas (Friedman e Kimball, 1986; Marmot e cols., 1981; Renaud e cols., 1998).
Portanto, existe uma necessidade de caracterizar detalhadamente esses efeitos,
tendo em conta a grande freqüência de consumo na população. Já o consumo
moderado de álcool tem efeitos mais complexos, e é alvo de maior discussão.
evidências sugestivas de que o uso regular, em quantidade pequena a moderada,
poderia conferir uma pequena proteção contra eventos arteriais coronarianos e
acidentes cerebrais isquêmicos (Gunzerath e cols., 2004). No entanto, mesmo doses
baixas poderiam predispor a um aumento na PA em alguns grupos de indivíduos.
São necessários mais estudos comparando os efeitos sobre a PA e VFC em
normotensos e hipertensos, homens e mulheres, e também levando em conta a
faixa etária.
Por outro lado, não é possível afastar-se vieses relacionados com o estilo de
vida nos estudos que apontam um efeito benéfico (Fuchs e Chambless, 2007), além
de efeitos diferenciais relacionados com o gênero, etnia e variabilidade genética. Os
dados obtidos em uma coorte dinamarquesa (Suadicani e cols., 2008) sugeriram que
o efeito do consumo de vinho nos riscos de doença cardíaca isquêmica e
mortalidade por todas as causas dependeria dos grupos sanguíneos ABO. Os
autores pautaram a sua conclusão em nosso artigo de revisão (Bau e cols., 2007),
71
no sentido de que as inconsistências observadas sobre o efeito do álcool na saúde
cardiovascular poderiam ser explicadas por diferenças em frequências gênicas entre
populações estudadas. Em princípio, o grupo sanguineo ABO não é um mediador
plausível para as relações entre o álcool e a mortalidade. São necessários mais
estudos testando interações entre genes com efeito concreto no sistema
cardiovascular e o uso de álcool, sobre desfechos relevantes.
O grande volume de evidências sobre o efeito do álcool no sistema
cardiovascular tem gerado uma ampla discussão sobre a atitude médica com
relação ao consumo de bebidas alcoólicas. É certo que há efeitos deletérios
relacionados com o uso do álcool em vários aspectos do sistema cardiovascular,
incluindo a PA e um potencial arritmogênico. Além disso, como foi mencionado o
álcool tem conseqüências negativas em muitos outros aspectos, principalmente no
âmbito da psiquiatria. Portanto, não é prudente apoiar a prescrição de um consumo
moderado de álcool para pacientes abstêmios. Do ponto de vista estritamente
técnico, há evidências de que o álcool pode levar a uma redução da mortalidade
cardiovascular, mas sob parâmetros muito estreitos e que representam uma fração
limitada das situações de consumo. Estes dados podem ter levado muitos médicos e
cientistas a um grau de entusiasmo e permissividade com o consumo,
especialmente de vinho, que talvez sejam muito negativos para a sociedade como
um todo.
72
Referências bibliográficas da discussão
Bau PF, Bau CH, Rosito GA, Manfroi WC, Fuchs FD. Alcohol consumption,
cardiovascular health, and endothelial function markers. Alcohol. 2007;41:479-
488.
Cannon CP, McCabe CH, Stone PH, Rogers WJ, Schactman M, Thompson BW,
Pearce DJ, Diver DJ, Kells C, Feldman T, Williams M, Gibson RS, Kronenberg
MW, Ganz LI, Anderson HV, Braunwald E. The electrocardiogram predicts one-
year outcome of patients with unstable angina and non-Q wave myocardial
infarction: results of the TIMI III Registry ECG Ancillary Study. Thrombolysis in
Myocardial Ischemia. J Am Coll Cardiol. 1997;30:133-140.
Etsuda H, Takase B, Uehata A, Kusano H, Hamabe A, Kuhara R, Akima T,
Matsushima Y, Arakawa K, Satomura K, Kurita A, Ohsuzu F. Morning
attenuation of endothelium-dependent, flow-mediated dilation in healthy young
men: possible connection to morning peak of cardiac events? Clin Cardiol.
1999;22:417-421.
Friedman LA, Kimball AW. Coronary heart disease mortality and alcohol consumption
in Framingham. Am J Epidemiol. 1986;124:481-489.
Fuchs FD, Chambless LE. Is the cardioprotective effect of alcohol real? Alcohol.
2007;41:399-402.
Gunzerath, L., Faden, V., Zakhari, S., Warren, K. National Institute on Alcohol Abuse
and Alcoholism report on moderate drinking. Alcohol. Clin. Exp. Res.
2004;28:829-847.
Hu K, Ivanov PCh, Hilton MF, Chen Z, Ayers RT, Stanley HE, Shea SA. Endogenous
circadian rhythm in an index of cardiac vulnerability independent of changes in
behavior. Proc Natl Acad Sci U S A. 2004;101:18223-18227.
Kollias GE, Stamatelopoulos KS, Papaioannou TG, Zakopoulos NA, Alevizaki M,
73
Alexopoulos GP, Kontoyannis DA, Karga H, Koroboki E, Lekakis JP,
Papamichael CM. Diurnal variation of endothelial function and arterial stiffness in
hypertension. J Hum Hypertens. 2009 Feb 26. [Epub ahead of print]
Koskinen P, Virolainen J, Kupari M. Acute alcohol intake decreases short-term heart
rate variability in healthy subjects. Clin Sci (Lond). 1994;87:225-230.
Marmot MG, Rose G, Shipley MJ, Thomas BJ. Alcohol and mortality: a U-shaped
curve. Lancet. 1981;317:580-583.
Muller JE, Stone PH, Turi ZG, Rutherford JD, Czeisler CA, Parker C, Poole WK,
Passamani E, Roberts R, Robertson T, et al. Circadian variation in the frequency
of onset of acute myocardial infarction. N Engl J Med. 1985;313:1315-1322.
Otto ME, Svatikova A, Barretto RB, Santos S, Hoffmann M, Khandheria B, Somers V.
Early morning attenuation of endothelial function in healthy humans. Circulation.
2004;109:2507-2510.
Renaud SC, Gueguen R, Schenker J, d'Houtaud A. Alcohol and mortality in middle-
aged men from eastern France. Epidemiology. 1998;9:184-188.
Suadicani P, Hein HO, Gyntelberg F. Wine intake, ABO phenotype, and risk of
ischemic heart disease and all-cause mortality: the Copenhagen Male Study-a
16-year follow-up. Alcohol. 2008;42:575-582.
Vaschillo EG, Bates ME, Vaschillo B, Lehrer P, Udo T, Mun EY, Ray S. Heart rate
variability response to alcohol, placebo, and emotional picture cue challenges:
effects of 0.1-Hz stimulation. Psychophysiology. 2008;45:847-858.
74
ANEXO 1
TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO
Muitos estudos têm demonstrado que o uso regular de álcool, em
quantidade pequena a moderada, parece conferir proteção contra eventos arteriais
coronarianos e acidentes cerebrais isquêmicos. Pelo contrário, o consumo pesado
de álcool aumenta o risco de tais doenças. Esse aparente efeito protetor do álcool
em baixas doses pode se dever às suas ações sobre a função do endotélio (que é o
tecido de revestimento dos vasos sangüíneos), o que ainda não foi demonstrado de
maneira convincente.
Essa pesquisa tem por objetivo avaliar o efeito do álcool sobre o tecido de
revestimento dos vasos sangüíneos.
Poderão fazer parte desse estudo pessoas do sexo masculino, com idade
entre 18 e 25 anos, que não apresentam hipertensão arterial sistêmica e que
ingerem álcool eventualmente.
Os participantes deverão ficar três dias sem ingerir álcool, devem dormir
cedo na noite anterior ao experimento e ingerir dieta balanceada. O estudo será
realizado no Hospital de Caridade de Santa Maria. Inicialmente serão instalados um
aparelho de Holter, que grava os batimentos cardíacos por 24 horas e a MAPA, que
monitora a pressão arterial por 24 horas.
Uma hora antes da ingestão da solução em estudo, todos os casos serão
avaliados do ponto de vista clínico (com verificação da PA e FC), será retirado
sangue em quatro frascos para posterior análise bioquímica e será submetido a
ecografia bidimensional com fluxo a cores da artéria braquial direita. Todos os
exames são de caráter não-invasivo, não apresentando riscos. A ecografia vascular
poderá causar algum desconforto, que será provocada uma isquemia temporária
do antebraço em estudo, havendo melhora rápida e total ao término do exame.
Após, os participantes serão selecionados ao acaso, em dois grupos: um
grupo tomará a solução-padrão que é composta de ácido cítrico (2,6 g), glicose (35,6
g) e água, até completar 500 mililitros. O outro grupo tomará 60 gramas de etanol
junto com a solução-padrão. A ingestão será por volta das 18 horas. Uma hora após,
todos os participantes farão uma refeição (arroz, feijão, purê de batatas, bife, salada
de alface e tomate).
Deverão permanecer no local do estudo, sendo que às 22 horas,
aproximadamente 4 horas após a ingestão da solução, serão novamente avaliados
clinicamente, retiradas novas amostras de sangue e será feita nova ecografia da
artéria braquial direita. Os voluntários passarão a noite no Hospital de Caridade
Astrogildo de Azevedo, onde se desenvolverá todo o experimento.
No dia seguinte, às 7 horas (13 horas após a ingestão da solução), serão
novamente avaliados clinicamente, serão coletadas novas amostras de sangue e
uma última ecografia da artéria braquial direita. Após, os pacientes serão liberados,
devendo retornar às 16 horas para a retirada do Holter e da MAPA.
Pelo presente Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, declaro que
autorizo a minha participação nesse projeto de pesquisa, pois fui informado, de
forma clara e detalhada, livre de qualquer forma de constrangimento e coerção, dos
objetivos, da justificativa, dos procedimentos a que serei submetido, dos riscos,
desconfortos e benefícios, assim como das alternativas às quais poderia ser
submetido, todos listados acima. Fui igualmente informado:
75
-da garantia de receber resposta a qualquer esclarecimento ou dúvida acerca dos
procedimentos, riscos, benefícios e outros assuntos relacionados com a pesquisa;
-da liberdade de retirar meu consentimento, a qualquer momento, e deixar de
participar do estudo, sem que isso traga prejuízo à continuação do meu cuidado e
tratamento;
-da garantia de que não serei identificado, quando da divulgação dos resultados e
que as informações obtidas serão utilizadas apenas para fins científicos vinculados
ao presente projeto de pesquisa;
-do compromisso de proporcionar informação atualizada durante o estudo, ainda que
possa afetar a minha vontade de continuar participando;
-da disponibilidade de tratamento médico e indenização, conforme estabelece a
legislação, caso existam danos a minha saúde, diretamente causados por essa
pesquisa;
-de que, se existirem gastos adicionais, esses serão absorvidos pelo orçamento da
pesquisa.
O pesquisador responsável por esse projeto de pesquisa é Paulo Fernando Dotto
Bau, fone 05599614676, tendo como orientador o Prof. Dr. Guido Aranha Rosito.
Este documento foi revisado e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da
UFRGS.
Data ----/----/----
----------------------------------------
----------------------------------------
Nome e assinatura do paciente ou voluntário.
------------------------------------------
Paulo Fernando Dotto Bau
Nome e assinatura do responsável pela obtenção do presente consentimento.
Observação: O presente documento, baseado no item IV das Diretrizes e Normas
Regulamentadoras para a pesquisa em Saúde, do Conselho Nacional de Saúde
(resolução 196/96), será assinado em duas vias, de igual teor, ficando uma via em
poder do paciente e outra com o pesquisador responsável.
76
ANEXO 2
77
ANEXO 3
78
79
80
81
82
Livros Grátis
( http://www.livrosgratis.com.br )
Milhares de Livros para Download:
Baixar livros de Administração
Baixar livros de Agronomia
Baixar livros de Arquitetura
Baixar livros de Artes
Baixar livros de Astronomia
Baixar livros de Biologia Geral
Baixar livros de Ciência da Computação
Baixar livros de Ciência da Informação
Baixar livros de Ciência Política
Baixar livros de Ciências da Saúde
Baixar livros de Comunicação
Baixar livros do Conselho Nacional de Educação - CNE
Baixar livros de Defesa civil
Baixar livros de Direito
Baixar livros de Direitos humanos
Baixar livros de Economia
Baixar livros de Economia Doméstica
Baixar livros de Educação
Baixar livros de Educação - Trânsito
Baixar livros de Educação Física
Baixar livros de Engenharia Aeroespacial
Baixar livros de Farmácia
Baixar livros de Filosofia
Baixar livros de Física
Baixar livros de Geociências
Baixar livros de Geografia
Baixar livros de História
Baixar livros de Línguas
Baixar livros de Literatura
Baixar livros de Literatura de Cordel
Baixar livros de Literatura Infantil
Baixar livros de Matemática
Baixar livros de Medicina
Baixar livros de Medicina Veterinária
Baixar livros de Meio Ambiente
Baixar livros de Meteorologia
Baixar Monografias e TCC
Baixar livros Multidisciplinar
Baixar livros de Música
Baixar livros de Psicologia
Baixar livros de Química
Baixar livros de Saúde Coletiva
Baixar livros de Serviço Social
Baixar livros de Sociologia
Baixar livros de Teologia
Baixar livros de Trabalho
Baixar livros de Turismo