
5
por muitos outros autores, dentre eles Bhabha [8] e Bhabha e Corben [9]. Esses autores, com base
no trabalho de Dirac [5], desenvolveram um modelo consistente, não só com a lei de conservação do
quadrimomento, como também com a conservação do momento angular.
Os modelos pontuais, ainda que apresentem vantagens em certos aspectos, como levar a equações
de movimento diferenciais, ao invés de integro-diferenciais, possuem sérias dificuldades. Uma delas é
o fato de que a energia eletromagnética do campo de Coulomb é infinita; essa energia está associada à
inércia da partícula, de forma que seria necessário uma quantidade ilimitada de trabalho para acelerá-
la.
Uma teoria, não discutida no presente trabalho, que vale citar pela sua importância histórica, é
a eletrodinâmica de Born e Infeld [10], de 1934. Essa teoria, assim como a de Mie, é não-linear, e
possui equações de campo que recaem nas equações de Maxwell, para campos suficientemente fracos.
O campo possui, para cada ponto do espaço, um limite superior, implicando que, à medida que a carga
seja mais localizada, a energia do campo não seja infinita; além da forte evidência experimental da
linearidade do campo electromagnético, essa teoria se torna matematicamente muito complicada para
se explorar suas conseqüências.
Esta dissertação tem ênfase na crítica de trabalhos, envolvendo o próprio campo eletromagnético
de Maxwell, que tentaram resolver as dificuldades do modelo pontual, devido às divergências da auto-
energia e do tensor momento-energia, como os de Pryce [11] e Gupta [12]. Uma outra proposta, que
já comentamos, é aquela feita em 1945 por Mario Schönberg e Leite Lopes [13], e posteriormente
desenvolvida por Mario Schönberg nos níveis clássico [14] e quântico [15].
Schönberg abriu mão da concepção de Faraday para o campo eletromagnético, como sendo o
único a intermediar as interações, entre todas as cargas do sistema, e desenvolveu um eletromag-
netismo com campos “disjuntos”: cada partícula interage com as demais através de um campo que
diverge na sua própria posição, mas não nas das demais, e interage com ela própria através de um
outro campo, que é regular nas suas vizinhanças.
A eletrodinâmica de Feynman-Wheeler [16], [17], desenvolvida também em 1945, é uma teoria
de ação à distância onde o processo de irradiação não é entendido como elementar. A irradiação por
uma carga ocorre como conseqüência de sua interação com o resto do sistema.
Uma outra teoria, importante historicamente, é a desenvolvida por Dirac [18] em 1951. A existên-
cia de uma transformação de gauge para os potenciais significa que há mais variáveis presentes do
que as fisicamente necessárias. Com base neste fato, Dirac elabora uma teoria onde a carga elétrica
é interpretada em termos dessa liberdade. Ao invés de utilizar uma condição de gauge subsidiária
para restringir a arbitrariedade do potencial, abre-se mão dessa condição para, a partir das equações
de campo livre, introduzir os graus de liberdade das cargas.
Apesar dos grandes aprimoramentos que a teoria do elétron recebeu ao longo de mais de um