espa¸co H que mantˆem os pontos da pseudo-esfera sobre a pseudo-esfera, ou seja, o grupo
ortogonal indefinido [36] O(p + 1, q) para R > 0 e O(p, q + 1) para R < 0 (denotaremos
ambos genericamente por O(P, Q), de modo que P + Q = p + q + 1 = n + 1 = N), cujas
transforma¸c˜oes R satisfazem
H
AB
R
A
C
R
B
D
= H
CD
. (2.25)
Os campos de Killing de g(x), por´em, corresponder˜ao apenas `aquelas transforma¸c˜oes
pertencentes a O(P, Q) que possam ser expressas como uma sucess˜ao de transforma¸c˜oes
infinitesimais, ou seja, que possam ser obtidas continuamente a partir da identidade.
Portanto, o grupo de movimento do espa¸co (p, q)
R
ser´a a componente de identidade
de O(P, Q), ou seja, o grupo ortogonal restrito SO
+
(P, Q) (corespondente `as “rota¸c˜oes
r´ıgidas” do espa¸co (P, Q)
0
). Este grupo (bem como O(P, Q)) possui N(N − 1)/2 =
n(n + 1)/2 dimens˜oes, provando que o espa¸co assim constru´ıdo ´e de fato maximalmente
sim´etrico. E, como sabemos que cada espa¸co desse tipo ´e determinado univocamente pela
sua assinatura e pela sua a curvatura escalar, vemos que a constru¸c˜ao acima fornece
todos os espa¸cos maximalmente sim´etricos com curvatura n˜ao-nula. No caso em que
R = 0, ou seja, em que a pseudo-esfera degenera-se no plano (p, q)
0
(correspondendo ao
limite l → ∞), o grupo de isometria corresponde `as rota¸c˜oes SO
+
(p, q) acrescidas das
transla¸c˜oes em p+q dimens˜oes, o que forma o grupo afim ou inomogˆeneo [37] ISO
+
(p, q).
´
E interessante notar que tanto os grupos SO
+
(p + 1, q) e SO
+
(p, q + 1) quanto o
grupo ISO
+
(p, q) possuem o grupo SO
+
(p, q) como subgrupo. Estas transforma¸c˜oes se
caracterizam por manterem a origem fixa e formam, portanto, o subgrupo de isotropia
destes grupos (para qualquer valor de R). Torna-se evidente da´ı que a mecˆanica cl´as-
sica n˜ao ´e uma teoria efetivamente quadrimensional, vez que os boosts galileanos n˜ao
possuem a estrutura de “rota¸c˜oes” (transforma¸c˜oes ortogonais). Com efeito, n˜ao existe
uma entidade que se possa considerar com propriedade como sendo “o espa¸co-tempo
quadridimensional da mecˆanica cl´assica”. Isso porque a mecˆanica cl´assica “acontece”
n˜ao em E
4
ou E
3,1
, mas sim em E
3
munido de um parˆametro universal t. O conceito
de espa¸co-tempo passa a fazer sentido a partir do momento em que os boosts galileanos
s˜ao substitu´ıdos pelos boosts lorentzianos, os quais possuem a forma de “rota¸c˜oes” (hi-
perb´olicas) espa¸co-temporais, emaranhando derradeiramente tempo e espa¸co por meio
do parˆametro de convers˜ao c.
Trataremos destes grupos em mais detalhes nos pr´oximos cap´ıtulos, no contexto
espec´ıfico do espa¸co de Minkowski, que ´e o caso p = 3, q = 1, R = 0 (cap´ıtulo 3) e dos
espa¸cos de de Sitter e anti-de Sitter, que s˜ao o caso p = 3, q = 1, R = 0 (ca´ıtulo 4).
O que se torna claro aqui, contudo, ´e que estes trˆes espa¸cos s˜ao casos particulares de
uma mesma estrutura geral, qual seja, a dos espa¸cos maximalmente sim´etricos (em 3 + 1
dimens˜oes).
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