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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ
SERGIO LUIS DO NASCIMENTO
RELAÇÕES RACIAIS EM LIVROS DIDÁTICOS DE
ENSINO RELIGIOSO DO ENSINO FUNDAMENTAL
Curitiba
2009
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2
SERGIO LUIS DO NASCIMENTO
RELAÇÕES RACIAIS EM LIVROS DIDÁTICOS DE
ENSINO RELIGIOSO DO ENSINO FUNDAMENTAL
Dissertação apresentada à banca
examinadora da Universidade Federal
do Paraná, como exigência parcial para
obtenção do título de mestre em
Educação, sob orientação do Profº. Dr.:
Paulo Vinicius Baptista da Silva.
UFPR/ Curitiba
2009
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3
SERGIO LUIS DO NASCIMENTO
RELAÇÕES RACIAIS EM LIVROS DIDÁTICOS DE
ENSINO RELIGIOSO DO ENSINO FUNDAMENTAL
BANCA EXAMINADORA: AVALIAÇÃO:
PROF.Dr. PAULO VINICIUS BAPTISTA DA SILVA
Universidade Federal do Paraná - UFPR
Aprovação com
recomendação para
publicação.
(Orientador)
PROF. Dr. PEDRINHO ARCIDES GUARESCHI
Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
Aprovação com
recomendação para
publicação.
(Prof.Convidado)
PROF.Dr.SERGIO ROGÉRIO AZEVEDO JUNQUEIRA
Pontifícia da Universidade Católica do Paraná (PUCPR)
Aprovação com
recomendação para
publicação.
(Prof. Convidado)
4
AGRADECIMENTOS
O mestrado possibilitou-me experiências que enalteceram a minha vontade de
viver e de celebrar a vida. Celebração que não tem nada de efêmero. Pelo contrário,
consolidou amizades, afetos e um grande amor que estou vivenciando ao lado de
uma pessoa admiravelmente dotada de paciência, de compreensão e solidariedade
pessoa que balbucia sons de companheirismo e que, na doçura do seu olhar,
encontrei coragem para continuar essa jornada, Fernanda, muito obrigado.
À minha querida mãe, Irene Bonifácio do Nascimento, mulher negra, pelos
exemplos de caráter. Pelos ensinamentos, valores e compromisso que me ensinou.
Aos meus queridos pais adotivos, José Carlos da Silva e Nelsi de Fátima de
Oliveira que, no momento mais difícil da minha vida, proporcionaram-me vivenciar
uma atitude de alteridade e compaixão.
A tia Maria da Graça (tia Graça) e a Scheila Cristina da Silva pelos cuidados
pós operatórios.
Ao meu irmão Sidney do Nascimento e a toda a minha família de Belo
Horizonte que deixei lá cerca de 12 anos e a nova família que fiz aqui em Curitiba
quando cheguei há cerca de 9 anos. Muito obrigado por me acompanharem nessa
travessia que resultou nesse trabalho.
Aos meus irmãos adotivos de Curitiba Scheila Cristina da Silva, Scharles
Chrystiam da Silva, Micaela Fernanda da Silva e Mayke Dayvid da Silva.
Ao meu, orientador e mestre com quem aprendi que a figura de mestre, se dá
na “coincidência do ensinamento e do ensinante”. Ao professor Dr. Paulo Vinicius
Baptista da Silva, muito obrigado pela sua amizade, sinceridade, dedicação, afeto e
pelo modelo de alteridade.
Ao Profº Dr.Sergio Junqueira pelas significativas contribuições para que o
trabalho dessa dissertação pudesse se realizar e por me instigar na luta a perseverar
na sequência dos estudos sobre o tema aordado.
Ao professor Dr. Pedrinho Arcides Guareschi, da Pontifícia Universidade
Católica do Rio Grande do Sul por aceitar o convite para participar da banca
examinadora.
De modo muito especial, à Profª Drª Taís de Moura Tavares a quem sou muito
grato pelos ensinamentos, estímulo, sensibilidade, firmeza e pela convivência e
5
aprendizado durante estes dois anos. Por seu intermédio estendo meus
agradecimentos a todos os professores (as) do Programa de pós-graduação em
Educação (PPGE) da UFPR, que fazem da Universidade um lugar de inspiração e
criação.
Aos amados amigos Leandro Zdradek, José Antonio Marçal, Abel Ribeiro dos
Santos, Marcio de Brito, Eliana Faganello, Lúcia Galeti, João Carlos de Oliveira,
Sara Viera Oliveira, Paulinho Lamarca Olszewski, Clovis Olszewski, Débora Cristina
de Araujo, Mauro Poddesu, Patrícia Alves Guimarães, Vilmar Chequeleiro, Daniele
Bathke, Jair Wrzvesinki, Antonio Silvério de Oliveira, Carlos Henrinque Trippia,.
A todos aqueles que, direta ou indiretamente, contribuíram para a conclusão
deste trabalho.
6
É chegada a hora da reeducação de alguém
Do Pai do Filho do Espirito Santo amém
O certo é louco tomar eletrochoque
O certo é saber que o certo é certo
O macho adulto branco sempre no comando
E o resto ao resto, o sexo é o corte, o sexo
Reconhecer o valor necessário do ato hipócrita
Riscar os índios, nada esperar dos pretos.
Caetano Veloso.
7
RESUMO
Na dissertação se efetuou análise dos discursos sobre os segmentos raciais
negros e brancos em livros didáticos de Ensino Religioso de 5ª e de 8ª séries do
ensino Fundamental, publicados entre 1977 e 2007. A análise foi produzida nos
contextos interpretativos da teoria da ideologia (Thompson, 1995) e dos estudos
contemporâneos sobre discursos racistas. Além disso, manteve-se como foco os
possíveis impactos da movimentação em torno do tema na produção de discurso
racista em livros didáticos de Ensino Religioso, procurando contemplar livros
didáticos produzidos de acordo com os três modelos tradicionalmente presentes em
diversas escolas do Brasil, a saber: as concepções denominadas Confessional,
Interconfessional e a Fenomenológica. A análise foi realizada em perspectiva
diacrônica. Foi adotada a proposta metodológica de Hermenêutica de
Profundidade/HP (Thompson, 1995), envolvendo três níveis de análise. O primeiro
nível foi a análise sócio-histórica de produção simbólica, que baseou-se em: a)
discussão sobre aspectos teórico-conceituais acerca do racismo e das relações
entre negros e brancos no Brasil; b) revisão de estudos sobre desigualdades raciais
em livros didáticos brasileiros e em livros de ensino religioso; c) uma revisão sobre a
história do Ensino Religioso nas escolas brasileiras e os modelos temáticos nesse
campo do conhecimento que vieram se construindo ao longo do período recente e
estabeleceram nuances de identidade pedagógica, no que se refere aos modelos:
Confessional, Interconfessional e Fenomenológico. Traçamos um panorama das
religiões no Brasil e a consonância das diversas manifestações religiosas, até
chegar ao cenário democrático representado na legislação que pela lei nº 9.475/97
(LDB) que assegura o respeito à diversidade cultural religiosa no Brasil. O segundo,
a análise formal ou discursiva, consistiu na análise interna às próprias formas
simbólicas, à qual buscou-se integrar técnicas de análise de conteúdo. Para análise
quantitativa foi analisada uma amostra de 229 unidades de leitura, retiradas de 20
livros didáticos de Ensino Religioso de 5ª e de 8ª séries do Ensino Fundamental, nas
quais foram observados 468 personagens nos textos e 433 personagens nas
ilustrações. O terceiro nível de análise consistiu na interpretação/reinterpretação das
formas simbólicas e como podem ser utilizadas para estabelecer e manter relações
de poder desiguais entre os grupos raciais. Os personagens negros analisados, no
modelo Confessional, foram submetidos, principalmente, a uma estratégia ideológica
de dissimulação que ocultava, negava a existência social desse grupo étnico. Além
disso, observamos que nos selos publicados e classificados do modelo
Interconfessional, em seu conteúdo as formas simbólicas atuaram de forma a
naturalizar os personagens brancos como representantes da espécie e como
interlocutores em potencial dos textos. O modo de operação ideológica da
fragmentação foi identificado nos três modelos e o principal nas publicações mais
recentes como os que são classificados de Fenomenológicos. Os livros desse
modelo apresentaram, ao mesmo tempo, rupturas e permanências nos discursos
sobre os personagens negros e brancos.
Palavras chave: relações raciais, livros didáticos, ensino religioso, discurso racista,
negros.
8
ABSTRACT
The paper analyzes the discourses on Blacks and Whites characters, in
school books generally used to teach Religion, from the 5
th
to the 8
th
year, of the First
Grade, published between 1977 and 2007. The analysis was produced over
interpretative contexts of the theory of ideology (Thompson, 1995) and contemporary
studies on racist discourses. Furthermore, it was kept the focus on possible impacts
related to the dynamics around the theme, in the production of racist discourse in
school books used to teach religion, aiming at encompassing school books printed in
accordance with the three models traditionally present in several different schools, all
over Brazil, that is: the so-called Confessional, Inter-Confessional and
Phenomenological conceptions. The analysis was carried out from a diachronic
perspective. The Depth Hermeneutics/HP (Thompson, 1995) methodology was
adopted, involving three different levels of analysis. The first was the social-historical
analysis of the symbolic production, based on: a) discussion about theoretical-
conceptual aspects of racism and the relationships between Blacks and Whites in
Brazil; b) review of studies on race inequalities in Brazilian school books and in
religion teaching books; c) review of the history of Religion Teaching in Brazilian
schools and thematic models in this field of knowledge that have been built along the
recent period and established the nuances of the pedagogical identity, in connection
with the models: Confessional, Inter-Confessional and Phenomenological. We have
drawn the scenario of all religions in Brazil and the consonance of several different
religious manifestations, until we got to the democratic scenario represented in the
legislation that, by means of Law no. 9475/97 (LDB), ensures the respect for cultural
and religious diversity in Brazil. The second was the formal or discursive analysis
consisting from the internal analysis to the very symbolic shapes, to which were
integrated contents-analysis techniques. For the quantitative analysis it was
subjected a sample with 229 reading units, taken from 20 different school books, for
religion teaching from the 5
th
to 8
th
years, of the First Grade, in which 468 characters
were observed in the texts and 433 characters in the illustrations. The third level of
analysis was the interpretation/re-interpretation of the symbolic shapes and how they
can be used to establish and keep relationships of uneven power between the races.
The analyzed black characters, in the Confessional model, were submitted, mainly, to
an ideological strategy of dissimulation that hid and denied the social existence of
this ethnical group. Moreover, we have observed the stamps published and
classified according to the inter-confessional model, which, in the contents, the
symbolic shapes have worked in order to naturalize the White characters as the
representatives of the species and also as potential interlocutors in the texts. The
ideological operation approach of fragmenting was not identified in the three models
and the main in the most recent publications such as the ones assorted as
Phenomenological. The books in this model presented, at the same time, ruptures
and permanencies in the discourses about black and white characters.
Key-words: race relationships, didactic books, religion teaching, racist discourse,
black.
9
LISTA DE ILUSTRAÇÕES
QUADRO 1 -
MODOS DE OPERAÇÃO DA IDEOLOGIA...................................... 37
FIGURA 1 -
FORMAS DE INVESTIGAÇÃO HERMENÊUTICA........................... 48
QUADRO 2 -
SÍNTESE DE RESULTADOS DE PESQUISA SOBRE O NEGRO
EM LIVROS DIDÁTICOS BRASILEIROS......................................... 65
QUADRO 3 - RELIGIÕES DO BRASIL DE 1940 A 2000 EM PORCENTAGEM.... 96
QUADRO 4 -
LISTA DE LIVROS DIDÁTICOS....................................................... 105
QUADRO 5 - TÍTULOS, AUTOR, SÉRIE, EDITORAS E ANOS DE REFERÊNCIA
DE EDIÇÃO ANALISADA......................................... 108
QUADRO 6 -
CATEGORIAS PARA CODIFICAÇÃO DOS DADOS
CATALOGRÁFICOS DAS UNIDADES DE LEITURA...................... 112
QUADRO 7-
ATRIBUTOS UTILIZADOS PARA DESCREVER PERSONAGENS
NO TEXTO........................................................................................
113
QUADRO 8 - ATRIBUTOS PARA DESCREVER PERSONAGENS NAS
ILUSTRAÇÕES DE CAPAS E NOS TEXTOS.................................. 113
QUADRO 9 -
DESCRIÇÃO DE PERSONAGENS MASCULINOS E FEMININAS
EM UNIDADE DE LEITURA.............................................................. 123
GRÁFICO 1 -
PERSONAGENS ESPECIFICAMENTE FEMININO E
MASCULINO.....................................................................................
127
QUADRO 10 -
DESCRIÇÃO DOS PERSONAGENS NEGROS DAS UNIDADES DE
LEITURA.....................................................................................
134
FIGURA 2 -
PÁGINA DE ABERTURA DA UNIDADE 2 “ESCOLHER E
CONVIVER” DA COLEÇÃO “REDESCOBRINDO O UNIVERSO
RELIGIOSO” (ROGÉRIO FRANCISCO NARLOCH -PETRÓPOLIS:
VOZES, 2007. VOL.2, P. 25)...................
147
FIGURA 3 -
EXEMPLO DE PERSONAGENS ILUSTRADOS NA UNIDADE DE
LEITURA DA COLEÇÃO “REDESCOBRINDO O UNIVERSO
RELIGIOSO” (MÁRIO RENATO LONGEN – PETRÓPOLIS: VOZES,
2007. VOL. 9, P. 44)...........................................................
148
FIGURA 4 -
PÁGINA DE FINALIZAÇÃO DE UNIDADE DE LEITURA DA
COLEÇÃO “TODOS OS JEITOS DE CRER” (DORA INCONTRI,
ALESSANDRO CÉSAR BIGHETO – SÃO PAULO: ÁTICA, 2004.
VOL. 4, P.210).................................................................................
149
FIGURA 5 -
EXEMPLO DE PERSONAGENS DA COLEÇÃO
“REDESCOBRINDO O UNIVERSO RELIGIOSO” (MÁRIO RENATO
LONGEN – PETRÓPOLIS: VOZES, 2007. P. 60)............
150
FIGURA 6 -
GRAVURA DE CRIANÇAS POBRES ATENDIDAS PELA UNICEF.
COLEÇÃO “REDESCOBRINDO O UNIVERSO RELIGIOSO”
(MÁRIO RENATO LONGEN – PETRÓPOLIS: VOZES, 2007, P. 55 151
FIGURA 7 -
GRAVURA ENCONTRADA NA COLEÇÃO “REDESCOBRINDO O
UNIVERSO RELIGIOSO” (MÁRIO RENATO LONGEN –
PETRÓPOLIS: 2007 P. 31)................................................................
152
FIGURA 8 -
EXEMPLO DE GRAVURA DA COLEÇÃO “REDESCOBRINDO O
10
UNIVERSO RELIGIOSO” (ROGÉRIO FRANCISCO NARLOCH –
PETRÓPOLIS: VOZES, 2007, P. 66.................................................... 152
FIGURA 9 -
GRAVURA DA COLEÇÃO “REDESCOBRINDO O UNIVERSO
RELIGIOSO” (ROGÉRIO FRANCISCO NARLOCH – PETRÓPOLIS:
VOZES, 2007, P.18)............................................................................
153
FIGURA 10 -
EXEMPLO DE PERSONAGEM DA COLEÇÃO “TODOS OS JEITOS
DE CRER” (DORA INCONTRI, ALESSANDRO CÉSAR BIGHETO –
SÃO PAULO: ÁTICA, 2004. VOL. 4 P. 107)........................................ 154
FIGURA 11 -
EXEMPLO DE PERSONAGEM DA COLEÇÃO “TODOS OS JEITOS
DE CRER” (DORA INCONTRI, ALESSANDRO CÉSAR BIGHETO –
SÃO PAULO: ÁTICA, 2004. VOL. 1, P. 192)....................................... 155
11
LISTA DE TABELAS
TABELA 1 -
CARACTERÍSTICAS PREDOMINANTES.............................................. 117
TABELA 2 -
ATRIBUTOS PREDOMINANTES NA CARACTERIZAÇÃO DOS
PERSONAGENS NO TEXTO..................................................................
122
TABELA 3 -
APREENSÃO DE COR -ETNIA............................................................... 128
TABELA 4 -
ATRIBUTOS PREDOMINANTES DE COR E ETNIA NA
CARACTERIZAÇÃO DE PERSONAGENS NOS TEXTOS.....................
129
TABELA 5 -
ATRIBUTOS RELATIVOS A PERSONAGENS BRANCOS NEGROS
PRESENTES EM AMOSTRA DE 467 UNIDADES DE LEITURA...........
131
TABELA 6 -
ATRIBUTOS DOS MODELOS CONFESSIONAIS,
INTERCONFESSIONAL E FENOMENOLÓGICO DE PERSONAGENS
BRANCOS NEGROS PRESENTES EM AMOSTRA DE 467
UNIDADES DE LEITURA........................................................................
138
TABELA 7 -
INDICADORES DE IMPORTÃNCIA DOS MODELOS
CONFESSIONAL, INTERCONFESSIONAL E FENOMENOLÓGICO
DE PERSONAGENS BRANCOS E NEGROS PRESENTES EM
AMOSTRA DE 467 UNIDADES DE LEITURA.........................................
141
TABELA 8 -
ATRIBUTOS DE PERSONAGENS NA ILUSTRAÇÃO DOS MODELOS
CONFESSIONAL, INTERCONFESSIONAL E FENOMENOLÓGICOS
DE PERSONAGENS BRANCOS E NEGROS PRESENTES EM
AMOSTRA DE 433 UNIDADES DE LEITURA.........................................
143
12
SUMÁRIO:
1. INTRODUÇÃO.....................................................................................................
13
CAPITULO 1 - TEORIA, MÍDIA E IDEOLOGIA......................................................
22
1.1. A TESE DA MIDIAÇÃO DA CULTURA MODERNA......................................... 22
1.2. PROCESSO DE MIDIAÇÃO DA CULTURA MODERNA.................................. 25
1.3 LIVRO DIDÁTICO COMO ARTEFATO DE MÍDIA........................................... 28
1.4. O CONCEITO DE IDEOLOGIA......................................................................... 34
1.5. IDEOLOGIA, MÍDIA E RACISMO..................................................................... 39
1.6. A (RE) INTERPRETAÇÃO DA IDEOLOGIA: O MÉTODO................................ 46
CAPITULO - 2 RELAÇÕES RACIAIS ..................................................................... 52
2.1 SOBRE O RACISMO NO BRASIL..................................................................... 52
2.2.RELAÇÕES RACIAIS EM LIVROSDIDÁTICOS....................................... 57
2.2.1. ESTUDOS ATÉ DÉCADA DE 1980.............................................................. 59
2.2. 2. ESTUDOS DE 1990 A 2003........................................................................ 61
2.2.3. ESTUDOS DE 2003 À ATUALIDADE............................................................ 64
CAPÍTULO 3 - RELIGIÃO E LIVROS DIDÁTICOS DE ENSINO RELIGIOSO:
CONTEXTO SÓCIO HISTÓRICO....................................................
74
3.1. PESQUISAS SOBRE LIVROS DIDÁTICOS DE ENSINO RELIGIOSO........... 75
3.2. ENSINO RELIGIOSO NO BRASIL................................................................... 80
3.2.1. MODELO CONFESSIONAL.......................................................................... 82
3.2.2. MODELO INTERCONFESSIONAL............................................................ 92
3.2.3. MODELO FENOMENOLÓGICO................................................................... 95
CAPÍTULO 4- PROCEDIMENTO DA ANÁLISE FORMAL..................................... 100
4.1.CONSTITUIÇÃO DA AMOSTRA.................................................................. 100
4.2. PROCEDIMENTOS DA ANÁLISE DE CONTEÚDO........................................ 110
CAPÍTULO 5 - ANÁLISE FORMAL E DISCURSIVA ............................................. 115
5.1 CARACTERIZAÇÕES DOS LIVROS E UNIDADES DE LEITURA................... 116
5.2. CARACTERIZAÇÃO GERAL DOS PERSONAGENS...................................... 121
5.3. ANÁLISE COMPARATIVA ENTRE OS TRÊS MODELOS............................... 131
5.3.1 ANÁLISE COMPARATIVA NA ILUSTRAÇÃO ENTRE OS TRÊS MODELOS..
142
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS................................................................................. 155
REFERÊNCIAS........................................................................................................ 162
ANEXOS.................................................................................................................. 169
13
1. INTRODUÇÃO
Ao ser questionado na banca de qualificação pela examinadora do meu
trabalho sobre o porquê pesquisar livros didáticos de Ensino Religioso e relações
raciais, fiquei durante o período entre a qualificação e o texto final refletindo sobre a
pergunta. Talvez a resposta seja que tematizar sobre “os (as) negros (as)” na cultura
escolar vai além de um trabalho acadêmico.
Recordo-me de situações que nem sempre foram muito boas. Estudante,
ouvia diferentes piadinhas quando o assunto em sala de aula era sobre escravidão
no Brasil. A pouca sensibilidade e conhecimento que os professores demonstravam
sobre o assunto não aliviava as situações de constrangimento e desconforto quando
eram expostas imagens de negros (as)
1
nas senzalas, no tronco, sendo que, muitas
vezes, eram os próprios negros que castigavam negros. A falta de sensibilidade e
acolhida dos profissionais da educação se refletiu também em um fato quando um
professor se referia a mim, então na 5ª série, como blackout e somente tempos mais
tarde fui entender que essa palavra em inglês significava “escuridão”. Também de
forma muito amarga fui entender que o racismo não está somente presente nos
bancos escolares e sim em toda uma sociedade que não consegue aceitar o
diferente.
Talvez não haja espaço nessa introdução para relatar as inúmeras situações
de preconceito às quais fui submetido. Dentre elas aponto uma ocasião em que fui
barrado por seguranças no meu próprio ambiente de trabalho; outra situação
ocorreu quando, ao me adentrar em uma loja, “boutique” uma das atendentes
ofereceu-me o produto mais barato, numa atitude clara de discriminação social e
racial.
O racismo permeia todas as etapas do ciclo da vida de um indivíduo negro
ou mestiço no Brasil. O racismo está na família, ou seja, na primeira agência
de socialização; o racismo está nas escolas; o racismo está em tudo que
tem a ver com a produção simbólica da sociedade; o racismo está no
mercado de trabalho; na violência policial. O racismo está, portanto, em todo
o cotidiano das pessoas (HASENBALG, 1979, p.201).
São lembranças que me trazem tristezas e também alegrias, pois foi também
num banco escolar que ouvi pela primeira vez e de forma positiva um professor
1
A partir deste ponto, a fórmula os (as) será abandonada, optando-se pelo genérico masculino.
14
relatar as lutas e reivindicações da população negra, ao descrever o Quilombo de
Palmares e seu grande líder Zumbi e o ato corajoso do Almirante negro João
Cândido diante da Revolta da Chibata. As palavras e a forma de expressar as
histórias desses dois personagens fizeram com que a minha autoestima e o orgulho
de ser negro se revigorassem. Isso me remete à uma máxima da escritora Souza
(1983), “ser negro não é condição dada, a priore. É um vir a ser. Ser negro é tornar–
se negro”. Experimentei o regozijo da minha negritude, da busca da minha
identidade positiva recuperando a minha autoestima por meio da e pela bênção do
axé
2
. Foi quando despertaram em mim duas vocações: a primeira de ser um
missionário e, a segunda, de ser educador e fazer dessas vocações ferramentas de
transformações no que tange possibilitar a outros negros e brancos a beleza de
respeitar o próximo e o diferente e, em específico, a população negra. Tenha como
objetivo de ajudar outros jovens negros a desenvolver a autoestima e a sua
negritude bem como procurar integrá-los no desenvolvimento de uma sociedade
justa e fraterna.
Nessa trajetória de formação acadêmica, fui estudante de um seminário
Católico durante cinco anos e participante do Grupo de Religiosos, Seminaristas e
Padres Negros (GRENI) que tinha como objetivo refletir sobre a presença negra na
Igreja católica e fazer dos seus membros estudiosos das questões que envolviam as
relações raciais no Brasil. Ao deixar o seminário, tornei-me professor de ensino
religioso numa instituição confessional e passei a ter contato com os livros e
materiais didáticos dessa área. Durante a prática escolar, em vários momentos, era
surpreendido por questionamentos relacionados às políticas públicas em relação aos
negros, em específico políticas de ações afirmativas: o que mais me instigava nas
indagações dos educandos era a forma como eles se referiam de maneira
estigmatizada, estereotipada e pejorativa aos grupos raciais negros contemplados
nessas políticas. Muitas vezes, essas polêmicas eram mediadas e motivadas pelos e
por meio dos livros didáticos que traziam em seus conteúdos temáticos, questões
relacionadas aos negros, mulheres e índios, como grupos sociais quase, ou sempre,
em posições reivindicatórias de direitos e de uma situação melhor de vida e
2
O axé é popularmente conhecido no Brasil como “boa energia” ou “alto astral”. Na tradição religiosa
Iorubá é a energia vital, verdadeira presença de Deus nas forças e nas formas da natureza assim
como no interior dos seres humanos (LIGIÉRO, 1993). Já no Candomblé, representa “o poder de
fazer coisas acontecerem, o comando espiritual, o poder da oração, do agradecimento, uma luz
própria de Olorum tornada acessível aos homens e mulheres”.
15
dignidade no que diz respeito, por exemplo: à igualdade salarial e de oportunidade
nos diferentes setores da sociedade, seja, nos órgãos públicos ou privados; no
combate ao sexismo; ao racismo; à xenofobia. As reivindicações que esses grupos
sociais faziam e os livros didáticos transcreviam não eram associadas a um projeto
coletivo que deveria mobilizar toda a sociedade e sensibilizar os diferentes pares. Os
livros, muitas vezes, estereotipavam e fragmentavam essas lutas, traçando-as
geralmente como lutas de uma minoria e de questões temáticas que, geralmente,
pautavam-se como questões menores ou menos importantes, algo casual,
momentâneo, efêmero.
O presente problema salientado estabelece um pressuposto que Rosemberg,
Bazilli e Silva (2003, p.127) descrevem muito bem: o desafio mais crítico para
aqueles que lutam contra o racismo no Brasil está justamente em convencer a
opinião pública do caráter sistemático e não-casual dessas desigualdades.
Combater o racismo não significa lutar contra indivíduos, mas se opor às práticas e
ideologias com as quais o racismo opera através das relações culturais e sociais
(p.128).
Entende-se que o conhecimento tem necessidade de refletir sobre si mesmo.
Reconhecer, situar, problematizar. É o que esta dissertação propõe: debate e
reflexão de um tema controverso, justamente em função de uma cultura de
naturalização do racismo que reflete, por exemplo, na exclusão de negros do
processo de escolarização. Frente a essa questão, Jaccoud e Beghin (2002)
salientam que:
A exclusão socioeconômica a que está submetida a população negra
produz perversas conseqüências. De um lado, a permanência das
desigualdades raciais naturaliza a participação diferenciada de brancos e
negros nos vários espaços da vida social, reforçando a estigmatização
sofrida pelos negros, inibindo o desenvolvimento de suas potencialidades
individuais e impedindo o usufruto da cidadania por parte dessa parcela de
brasileiros da injustiça à qual é negada a igualdade de oportunidades que
deve o país oferecer a todos (2002).
A educação sempre foi uma constante e persistente reivindicação dos grupos
negros, desde do escravismo que impedia a educação e a instrução dos negros e
dos escravizados, fixando às irmandades religiosas negras, por todo o país,
tomarem silenciosamente esse encargo. Muitas vezes, grupos que se reuniam e
pagavam o ensino particular foram organizados ou contavam com a participação de
16
outros afrodescendentes cultos. Tentativas de transpor as condições de vida em que
os negros estiveram imersos no pós-abolição levaram à realização de escolas
formais e informais em um sem número de agremiações negras com as mais
diversas denominações.
A histórica persistência da população negra na procura de níveis melhores de
escolaridade é reconhecida, apesar de o sistema escolar impor ao alunado negro
uma trajetória escolar mais difícil em relação àquela que impõe ao alunado branco
(ROSEMBERG, 1987). Vale lembrar ainda que, de acordo com Rosemberg (1987),
num estudo sobre atraso escolar e a participação do negro no mercado de trabalho,
estudantes negros apresentaram uma trajetória escolar com frequentes interrupções,
temporárias ou definitivas, para trabalhar. Entretanto, a pesquisadora salienta que
tais dados parecem sugerir que não seria a participação no mercado de trabalho que
determinaria o atraso escolar de alunos negros, mas sim alguns processos intra-
escolares que não permitem uma identificação do alunado negro com a sua história.
O que os pesquisadores como, por exemplo, Carvalho (2006) sugere em suas
análise e, de certa forma, reforça o que Rosemberg (1987) salientou, é a ausência
de temas que abordam a contribuição dos negros na formação e no
desenvolvimento do Brasil; a ausência de abordagens sobre os elementos culturais
dos negros; a negação dos negros na África e no Brasil e a invisibilidade dos negros
nos conteúdos dos livros didáticos contribuem para a interrupção da trajetória
escolar de negros (as). Por isso esta dissertação pretende analisar como tais
questões se apresentam nos livros didáticos de Ensino Religioso.
A dificuldade do alunado negro em se identificar-se com a sua própria história
dá-se, por exemplo, no currículo que se apresenta como um campo de disputa. Em
geral, ele é engessado e excludente. Etnias sequer são mencionadas como é o caso
dos ciganos; ou ainda são referenciadas de forma estereotipadas como é o caso dos
negros e de outros grupos étnicos como indígenas, asiáticos, latinos, que são
percebidos de forma pejorativa e desqualificada na estrutura curricular.
(CARVALHO, 2006, p.126).
A proposta desta dissertação não é discutir currículo, mas sim um instrumento
muito presente nele e na cultura escolar representados pelo livro didático que
apresenta falhas e dificuldades em contemplar em seus conteúdos os elementos
culturais das diferentes culturas e etnias que compõem nosso país. No caso
específico dessa dissertação, a população negra.
17
O ponto de partida para a nossa pesquisa foi a constatação empírica desse
pressuposto e isso motivou-nos a querer entender e pesquisar melhor que
processos intra-escolares são esses que Rosemberg (1987) salientou como
prejudiciais ao alunado negro se identificar como sujeito.
O acesso ao trabalho de Silva (2005) sobre Relações Raciais em Livros
Didáticos de Língua Portuguesa foi fundamental pois possibilitou contato com um
campo de estudo sobre livros didáticos no Brasil e suas implicações que revelam
que “os livros didáticos brasileiros são racistas”. É importante que mais pesquisas
nesse área apontem para os livros didáticos os seus equívocos, lacunas,
disparidades, desproporções, para além da palavra de ordem genérica que diz “é
necessário mudá-los” (ROSEMBERG, BAZILLI e SILVA, 2003, p.130-131).
Fúlvia Rosemberg, Paulo Vinícius Baptista da Silva, Célia Maria Escanfella,
Chirley Bazilli, realizam uma série de trabalhos que solicitam descrever e apreender
processos de discriminação racial, em particular no campo da Educação.
Integram, uma geração de pesquisadores que são contrários à ideologia
assimilacionista, a qual tem bloqueado o debate político sobre as relações
raciais brasileiras... assumindo que as relações raciais brasileiras
caracterizam-se pela dominação de brancos sobre negros, dominação esta
que não é totalmente explicada pela herança escravista, mas é atualizada
por meio de práticas racistas cotidianas e estruturais
(BAZILLI, 1999,
p.7).
Assim, a consolidação de uma sociedade mais justa e democrática, tão
almejada neste novo século, passa necessariamente pelo combate ao racismo, pelo
esforço urgente e consistente no reconhecimento de suas implicações e pela
tentativa de sua superação. Atitudes racistas e preconceituosas permeiam com
naturalidade o cotidiano de várias pessoas, de todas as classes, de todos os grupos
étnicos e condições sociais grupos que não perceberam como nem quanto o
racismo tornou-se uma prática culturalmente incorporada, e nem perceberam a
extensão dos danos que provocaram na população negra.
Os apoios teóricos para essa dissertação encontram-se em estudos e
pesquisa do núcleo de estudos de relação de Gênero, Raça e Idade (NEGRI) da
PUC-SP. Entre pesquisadores que fazem parte deste núcleo, temos duas pesquisas
que utilizaremos com mais freqüência nessa dissertação; são elas as de Escanfella
(2006) e Silva (2005) que realizam uma elaboração teórica de interpretação e
reinterpretação no campo das relações assimétricas de raça, idade e gênero.
18
Como referencial metodológico, utilizar-se-á a Hermenêutica da Profundidade
(HP), proposta por Thompson (1995). A análise da ideologia, para o autor, que é
uma forma particular de HP, cujo foco dirige-se às inter_relações entre significado e
poder. A HP compreende três fases: a análise sócio_histórica, que tem a função de
reconstruir as condições e os contextos sociais e históricos da produção, circulação
e recepção das formas simbólicas; a análise discursiva ou formal, através da qual
podemos examinar a organização interna das formas simbólicas, suas
características estruturais, padrões e relações; e a interpretação/reinterpretação, que
seria a análise dos discursos à luz da teoria da ideologia.
Este estudo volta-se para a análise da presença negra nos livros didáticos de
ensino religioso, o que é relevante para o campo do conhecimento educacional
tendo em vista que, segundo Batista, (apud SILVA, 2005, p. 9), existem na literatura
diversos argumentos e características importantes para que o livro didático seja mais
estudado no país: ele é a fonte de informação mais importante para grande parte
dos professores e dos alunos da escola brasileira; o seu uso é mais intenso nos
estratos econômicos mais baixos das populações escolares; e ele possui enorme
participação na produção editorial brasileira. SILVA (2005) salienta que, apesar de
todos esses motivos descritos acima, o discurso racista em livros didático ainda é
tema pouco estudado.
Os desafios e as implicações que nos movem em direção ao aprofundamento
dessa pesquisa dizem respeito à percepção do pequeno número de estudos sobre o
assunto, tanto no campo de estudos do livro didático quanto nos estudos sobre
relações raciais na educação. O que nos impulsiona ainda para esta pesquisa sobre
relações raciais nos livros de Ensino Religioso do Ensino Fundamental é o fato de
que até o presente momento as poucas pesquisas sobre esse tema privilegiaram as
disciplinas escolares de História e Língua Portuguesa. Encontramos somente o
estudo de Triumpho (1987), que, em virtude do centenário da Abolição em 1988,
analisou manuais de catequese utilizados à época. Os manuais analisados foram
utilizados nas diversas regiões do país onde ocorria atuação de Agentes da Pastoral
Negra, da Igreja Católica. A autora percebeu nestes manuais de catequese o uso de
metáforas religiosas nas quais o negro representava o mal, a negatividade, o
pecado. Expressões como alma negra, ou coração negro, eram, segundo a
pesquisadora, comuns nos manuais e os mesmos orientavam as crianças para
serem honestas e não se tornarem ladrões, maus elementos na sociedade
19
(TRIUMPHO, 1987). Outro trabalho analisou imagens iconográficas do livro de
Ensino Religioso de Therezinha Motta, apontando duas situações intrigantes (ROZA,
2006). A primeira é que as imagens do livro didático estão associadas ao conceito
de família divina Cristã. A segunda, aponta a figura feminina simplesmente como
elemento auxiliar na manutenção da estrutura familiar cujo posto central é a figura do
patriarca (ROZA, 2006, p.92).
Ambos os estudos contemplam um foco de reflexão diferente do que se
pretende investigar nessa dissertação. Triumpho analisou um paradidático, nesse
caso um livro de catequese
3
. Já Roza (2006) direcionou sua pesquisa a relações de
gênero. Nesta pesquisa aborda-se as implicações das relações raciais expressas no
livro didático no que diz respeito aos livros didáticos de Ensino Religioso. Neste,
sentido, a presença dos “discursos racistas”, estereótipos e preconceito em relação
ao negro no livro didático constituem objeto de estudo na presente investigação. A
partir dessa perspectiva a dissertação pretende analisar os discursos sobre os
segmentos raciais, negros e brancos em livros didáticos de Ensino Religioso para
quinta e oitava séries do Ensino Fundamental publicados entre anos de 1977 e
2007.
A dissertação está estruturada em cinco capítulos: No capítulo 1 realizamos
uma revisão da teoria de Thompson e como a midiação da cultura moderna
possibilitou a produção e circulação das formas simbólicas. Discutimos sobre a
origem e todo o processo de produção do livro didático que começa com a imprensa
Gutenberg até o grande mercado livreiro que cerca a indústria do livro didático.
Neste mesmo capítulo, é apresentada uma análise do conceito de ideologia e como
essa categoria funciona como eixo para compreendermos as questões relacionadas
ao livro didático, a mídia e as relações raciais. Apresento a metodologia da
Hermenêutica da profundidade/HP. O que segue na dissertação está estruturado
conforme a HP: a análise sócio-histórica focaliza práticas e discursos sobre relações
raciais no Brasil; discursos sobre livros didáticos de Ensino Religioso e debate
recente sobre Ensino religioso no Brasil.
O capítulo 2 realiza a atualização do estado da arte sobre relações raciais em
livros didáticos estudados por Silva (2009), que faz análise de resultados de sete
dissertações sobre relações raciais em livros didáticos aprovadas após 2003 (ano
3
O estudo de Triumpho (1987) constitui a nossa amostra não como um estudo de livro didático, mas como o
primeiro estudo sobre relações raciais e manuais paradidático de catequese.
20
que foi limite das pesquisas analisadas pelo autor). São também apresentados
dados sobre a desigualdade entre negros e brancos no cenário educacional
brasileiro e estudos sobre relações raciais no Brasil.
O capítulo 3 se compõe de duas partes: estudo sobre a origem do Ensino
religioso na história da educação no Brasil. Discute seus diferentes modelos e a
produção de livros didáticos de ensino religioso de algumas editoras católicas.
Apresentamos neste capítulo três proposições que modelam o ensino religioso; entre
elas a Confessional, que foi no Brasil a concepção de aprendizagem mais antiga e
duradoura, começou no século XVI e foi até o século XX. Apresentam ainda o
modelo Interconfessional que articulou a partir dos anos 70 diferentes confissões
cristãs e com o passar do tempo diversas tradições religiosas. A leitura teológica e o
referencial teórico comum destas confissões religiosas eram as ciências humanas,
que possibilitaram um ecumenismo entre os diferentes credos cristãos, em especial
as religiões históricas como a Luterana, Anglicana e a Metodista. O modelo
Fenomenológico cujo ponto de partida nos remete à compreensão do pluralismo
religioso, é relativamente recente em nossa história tendo em vista que sociedade
brasileira era “uni religiosa” até o final do século XIX e o catolicismo a religião oficial
do estado brasileiro. Ser católico não era uma opção e sim uma condição para ser
considerado cidadão. Esse modelo surge como eixo curricular nos finais dos anos
90, período em que a sociedade passa ter como pauta de discussão o respeito pela
pluralidade religiosa.
No capítulo 4 serão traçados procedimentos da análise formal (segundo nível
de análise da HP) e constituição da amostra, para o qual definimos o uso da análise
de conteúdo, conforme a perspectiva adotada por Bardin (1977), Rosemberg (1981)
e Silva (2005), com o objetivo de analisar os discursos sobre os segmentos raciais
negros e brancos, em livros didáticos de Ensino Religioso.
No capítulo 5 está a análise formal, na qual apresentamos os resultados da
análise de personagens dos textos e das ilustrações das unidades de leitura e das
ilustrações das capas, de livros didáticos de Ensino Religioso dirigidos de 5ª e de 8ª
séries do ensino fundamental, publicados entre 1977 e 2007.
Nas considerações finais procuramos responder ao problema central dessa
dissertação: se os discursos dos livros didáticos de 5ª e de 8ª séries sobre os
segmentos raciais negros e brancos são discursos ideológicos? Verificarmos que
após dois anos de pesquisa os selos didáticos de Ensino Religioso publicados entre
21
1977 e 2007 apresentaram avanços e permanências no que se refere a relações
entre brancos e negros. Ressaltamos nas considerações finais, como os
movimentoo sociais negros contribuíram e como as editoras reagiram as ações,
mobilizações e reividicações desse segmento.
Resgatamos o problema da pesquisa sobre discursos ideológicos na
perspectiva de Thompson (1995) remetendo suas proposições estratégicas
apreendidas na análise formal nos modelos Confessional, Interconfessional e
Fenomenológico os modos de operação ideológica de dissumulação, fragmentação,
unificação. Finalmente, apresentamos o que a nossa amostragem revelou em
relação aos livros didáticos do Ensino Religioso, após a Lei de Diretrizes de
Bases/1998 a respeito dos conteúdos e a diversidade cultural e religiosa no Brasil.
22
CAPITULO 1 - TEORIA, MÍDIA E IDEOLOGIA
O presente trabalho tem como referencial a Hermenêutica da
Profundidade/HP proposta por Jonh B. Thompson (1995) e práticas e discursos
sobre relações raciais no Brasil, no que tange as políticas educacionais do livro
didático.
Utilizar-se o termo mídia num sentido amplo, compreendendo a produção em
suas diversas formas e meios, incluindo, como meios midiáticos, (no caso específico
da dissertação) os livros didáticos. Conforme Silva (2005), a indústria do livro
brasileira tem no livro didático seu principal segmento, num mercado em que as
cifras estão nas casas dos milhões quanto ao número de exemplares, vendas,
faturamento. Consideramos como Thompson (1995) que na “sociedade moderna” a
mídia ocupa um papel central na definição de pautas e de conteúdos do discurso
público.
Discutir-se a definição de Thompson sobre a problemática da ideologia, pois
entendemos a necessidade de definir o sentido que damos a esse termo, uma vez
que o mesmo fundamentará a nossa investigação que tem como ponto central a
indagação: Os discursos dos livros didáticos de Ensino Religioso de 5ª de 8ª séries
sobre os segmentos raciais negros e brancos são discursos ideológicos?
Utiliza-se o conceito de ideologia de Thompson (1995) para quem esta se
define uso de formas simbólicas para criar e manter desigualdades sociais.
Estaremos atentos, portanto, a formas de hierarquização entre brancos e negros nos
discursos dos livros didáticos de Ensino Religioso.
1.1 A TESE DA MIDIAÇÃO DA CULTURA MODERNA
O acesso à teoria de Thompson para a construção desta dissertação se deu
por intermédio dos seminários promovidos nos anos de 2007 e 2008 no programa de
pós-graduação da Universidade Federal do Paraná, nos quais conceito de ideologia
e a metodologia da HP foram tematizados. Silva tem utilizado conceitos e
metodologia para a realização de estudos (2005, 2008) sobre a produção e
circulação das formas simbólicas que criam, instituem, mantêm e reproduzem
relações de dominação. O autor propõe que os discursos dos livros didáticos sejam
tomados, portanto, sobre o prisma da análise ideológica, ou seja, como forma de
23
produção e difusão de discursos que fundam e sustentam relações de desigualdade
racial.
Thompson (1995, p.78) colabora para a construção desta dissertação quando
fornece instrumentos teóricos para a análise da midiação na cultura moderna e
análise ideológica das formas simbólicas. Defende que as formas simbólicas são
ideológicas quando atuam, em contextos específicos, para estabelecer ou manter
relações de desigualdade no acesso aos bens materiais e simbólicos. Comenta
ainda que, em contextos sociais estruturados as pessoas têm localizações sociais
diferentes e, em virtude de sua localização, diferentes graus de acesso aos recursos
disponíveis. O autor estabelece uma interpretação abrangente quanto à teoria da
reprodução social e defende que esta vai além da concepção de ideologia apenas
como instrumento de manutenção das relações de classe e considera as outras
assimetrias de poder de gênero, raça, idade igualmente importantes. Como defende
em citação abaixo:
É, certamente, verdade que as relações de dominação e subordinação entre
classes e facções de classes são de grande importância para a análise da
ideologia; mas seria muito enganador, no meu ponto de vista, defender que
as relações de classe são a única, ou, em todas as circunstâncias, a
principal, características estrutural dos contextos sociais com referência aos
quais a análise da ideologia devesse ser feita. Ao contrário, parece-me
fundamental reconhecer que existem relações de poder sistematicamente
assimétricas que estão baseadas em fatores diferentes dos de classe - de
que estão baseadas, por exemplo, em fatores de sexo, idade, origem étnica
- e parece-me essencial ampliar o marco referencial para análise da
ideologia para dar conta desses fatores (THOMPSON, 1995, p.127).
Conforme Thompson (1995) ocorre uma marginalização de outros tipos de
dominação, de como as formas simbólicas se servem para garantir e legitimar a
ideologia ao longo da modernidade. Comenta que os teóricos sociais sobrevalorizam
a importância do discurso sobre classe na análise da ideologia. Essa objeção que o
autor levanta ajuda a definir o foco desta dissertação: a análise relativa à presença
de ideologia racista em livros didáticos que são uma das fontes de informação mais
importantes para grande parte de professores e dos alunos da escola brasileira.
O autor refere-se às sociedades modernas que ocupam os territórios
comumente chamados de política, que são territórios extremamente importantes de
relação poder e dominação, salienta, no entanto, que esse território não é
necessariamente o mais importante para a maioria das pessoas na maior parte do
tempo. Para a maioria das pessoas, as relações de poder e dominação que as
24
atingem mais diretamente são as caracterizadas pelos contextos sociais dentro dos
quais elas vivem suas vidas cotidianas, ou seja, em casa, no local de trabalho, na
sala de aula, entre os companheiros. Esses são contextos em que os indivíduos
gastam a maior parte de seu tempo, agindo e interagindo, falando e escutando,
buscando seus objetivos e seguindo os objetivos dos outros. Esses contextos estão
organizados de maneiras complexas e essas relações implicam desigualdades e
assimetrias de poder e recursos que passam de um contexto a outro se referindo às
relações entre homens e mulheres, entre negros e brancos circunscritos em
ambientes micros ou macros (THOMPSON, 1995, p.18).
Ao estudar a teoria de Thompson (1995), percebe-se como em contextos da
vida cotidiana bem como nas estruturas mais amplas da esfera pública e privada, as
formas simbólicas são construídas e reconhecidas socialmente como significativas.
Elas podem ser linguísticas, não-linguísticas ou mistas, compreender falas e ações,
imagens e escritos, numa ampla acepção, referindo-se a manifestações verbais,
textos, programas de televisão, obras de arte e também a ações, gestos e rituais.
São empregadas e articuladas e se entrecruzam com relações de poder nos
contextos sociais estruturados nos quais muitos de nós vivemos a maior parte do
nosso tempo (p.19).
O referido autor propõe uma reformulação do conceito de ideologia em termos
da interação entre sentido e poder, evitando com isso a tendência comum na
literatura teórica de pensar a ideologia como uma pura ilusão ou como uma imagem
invertida e distorcida do que é “real”. Essa visão teve como base os estudos de Marx
e Engels que compararam a operação da ideologia com o trabalho de uma câmara
escura. Estes autores propõem que a ideologia reflete o mundo por meio de uma
imagem invertida. Segundo Thompson (1995), “essa visão__atraente em sua
simplicidade, alarmante em sua autoconfiança teórica__pode enganar-nos”, pode
nos seduzir e induzir-nos ao erro de pensar a ideologia como um conjunto de
imagens e ideias. Para ele, o mundo social raramente é tão simples como esta
visão de ideologia sugere. Como pessoas, nós estamos imersos em “conjuntos de
relações sociais e estamos constantemente envolvidos em comentá-las, em
representá-las a nós mesmos e aos outros, em verbalizá-las, em recriá-las e em
transformá-las por meio de ações, símbolos e palavras” (THOMPSON, 1995, p.19).
Na concepção de Thompson (1995), os atores sociais são ativos nesse
campo da vida cotidiana em que a contestação e a luta se travam tanto por
25
intermédio de palavras e símbolos como pelo uso da força física. E a Ideologia, no
sentido que o autor propõe e discute, é uma parte integrante dessa luta; é uma
característica constitutiva da vida social, é sustentada e reproduzida, contestada e
transformada, por meio de ações e interações que incluem a troca contínua de
formas simbólicas (p.19). A análise das formas simbólicas como ideológicas nos
pede que as analisemos em relação aos contextos sócio__históricos específicos nos
quais elas são empregadas e persistem. Nesse sentido, a aplicação desta teoria,
significa para essa dissertação a denúncia da pouca atenção dos teóricos sociais à
ampla circulação das “formas simbólicos pelos meios de comunicação de massa.
1. 2 PROCESSOS DE MIDIAÇÃO DA CULTURA MODERNA
Para Thompson (1995) o que define nossa cultura como “moderna” é o fato
que a produção e a circulação das formas simbólicas tornaram-se, desde o fim do
século XV, cada vez mais e de uma forma irrefutável, parte de um processo de
mercantilização e transmissão que é, agora, de caráter global “midiação da cultura
moderna__Isto é as maneiras como as formas simbólicas, nas sociedades tornaram
crescentemente mediadas pelos mecanismos e instituições da comunicação de
massa...”(p.104).Thompson (1995) afirma que discutir ou elaborar uma teoria social
e política nas sociedades modernas é impossível se não ressaltarmos a produção e
a reprodução das formas simbólicas mediadas cada vez mais pelos meios de
comunicação de massas (1995 p.105).
O autor toma a mídia como uma característica central da vida social moderna.
Afirma que o desenvolvimento da mídia vem entrelaçado de modo fundamental com
as principais transformações institucionais que modelaram o mundo atual. Apesar de
todo o desenvolvimento dos meios midiáticos que, muitas vezes, pautam os
diferentes discursos presentes no mais variados setores da sociedade, também o
autor questiona o fato de muitos teóricos sociais não terem atentado para a
importância da mídia. O autor sinaliza que essa omissão é devido ao fato dos
teóricos sociais acreditarem no caráter passageiro e superficial com que, a princípio,
esse fenômeno se apresentou ou ao legado e a fidelidade às teorias clássicas da
Sociologia que desconsideraram o papel do desenvolvimento dos meios de
comunicação para a sociedade moderna. Essas teorias clássicas associam a
dinâmica cultural típica desta sociedade ao processo de racionalização e
26
secularização que eliminaria os mitos e as superstições. Conforme Thompson
descreve:
Preocupados com o suposto processo de secularização e racionalização,
esses teóricos tenderam a negligenciar um processo de muito maior
significado que estava acontecendo diante de seus olhos: isto é, a
proliferação rápida de instituições e meios de comunicação de massa e o
crescimento de redes de transmissão através das quais formas simbólicas
mercantilizadas se tornaram acessíveis a um grupo cada vez maior de
receptores. Esse é o processo de que descrevo como midiação da cultura
moderna. Esse processo constitui, no meu ponto de vista, uma das
transformações-chave associadas como o surgimento das sociedades
modernas. A compreensão desse processo é fundamental para se entender
o mundo de hoje, um que é sempre mais atravessado por redes
institucionalizadas de comunicação e em que as experiências das pessoas
estão cada vez mais mediadas por sistemas técnicos de produção e
transmissão simbólica (THOMPSON, 1995, p. 21).
Para Thompson (1999) o avanço dos meios de comunicação criou “novas
formas de ação e de interação no mundo social, novas maneiras de relacionamentos
do indivíduo com os outros e consigo mesmo” (p.13). Neste sentido, Escanfella
(2006) concorda com o autor no sentido de que os meios de comunicação passaram
a exercer novas formas de poder para além da interação face a face, desenvolvendo
com isso mecanismos de interação mediada e quase-mediada, o que resultou numa
transformação da organização espacial e temporal da vida social. Essa interação
entre as pessoas é uma experimentação desarticulada do compartilhamento local
“apesar de poderem ser recebidos e entendidos na perspectiva local, pois são
interpretadas por sujeitos que vivem em contextos específicos, fato que não pode
ser desconsiderado” (p.28).
Ao mesmo tempo, observa Escanfella (2006), se por um lado Thompson
valoriza o poder da mídia quando afirma que ela tem exercido uma influência
significativa na formação do pensamento político e social, alerta a pesquisadora que
o autor evita os excessos ao evidenciar que não é possível estudar o
desenvolvimento dos meios de comunicação e seus impactos desconsiderando
outros processos históricos e sociais mais amplos. Nesse caso, seriam as
transformações institucionais que se iniciaram no último período da Idade Média e
início da Era Moderna, entre elas as transformações do feudalismo em capitalismo
que abrangeram a área econômica e transformações políticas que resultavam na
redução e reagrupamento das numerosas unidades políticas em estados-nações
que passaram a concentrar o monopólio do uso legítimo da força em seu território
(ESCANFELLA, 2006 p.29). A pesquisadora ressalta que essa transformação
27
apontada pelo autor encontra-se em uma vasta bibliografia, com base principalmente
nos estudos de Marx e Weber. Por exemplo, o sentimento de identidade nacional,
que acompanha o desenvolvimento dos estados-nações, encontra-se articulado ao
desenvolvimento da mídia que possibilitou a divulgação rápida e sistemática de
idéias e símbolos nacionais (ESCANFELLA, 2006, p. 29). Sobre o livro didático
nesse processo, Alain Choppin descreve:
A partir do século XIX, com a Constituição dos estados nacionais e com o
desenvolvimento, nesse contexto, dos principais sistemas educativos, o livro
didático se afirmou como um dos vetores essenciais da língua, da cultura e
dos valores das classes dirigentes. Instrumento privilegiado de construção
de identidade, geralmente ele é reconhecido, assim como a moeda e a
bandeira, como um símbolo da soberania nacional e, nesse sentido, assume
um importante papel político. Essa função, que tende aculturar - e, em
certos casos, a doutrinar _ as jovens gerações, pode se exercer de maneira
explícita, até mesmo sistemática e ostensiva, ou, ainda, de maneira
dissimulada,sub-reptícia,implícita,mas não menos eficaz (CHOPPIN, 2004,
p.553).
Thompson (1999 apud Escanfella, 2006) sinaliza três mudanças que teriam
ocorrido quanto à reorganização do poder simbólico. A primeira diz respeito à
mudança do papel que as instituições religiosas mantiveram na Idade Média quanto
ao monopólio e difusão de símbolos religiosos. Com a formação dos estados
europeus essa influência continuou sendo exercida por meio de alianças entre as
elites religiosas e políticas. O papado durante um período arbitrou sobre os
governantes e somente com o fortalecimento dos estados nacionais e o advento do
protestantismo esse poder acabou sendo minimizado e dividido entre autoridade
religiosa e os governantes, o que abalou o poder da Igreja Católica e possibilitou que
outros segmentos da sociedade pudessem também divulgar estilos de vida e bens
simbólicos e culturais (p.30).
A pesquisadora descreve como segunda mudança, a crescente expansão de
sistema de conhecimento e instrução secularizados que se libertaram da tradição
religiosa, o que não só possibilitou o desenvolvimento das ciências como também
originou a formação de sociedades literárias que resultaram nas mudanças do
currículo universitário e das escolas (ESCANFELLA, 2006, p.30).
Por fim, a terceira mudança que está diretamente relacionada com o próximo
tópico que abordaremos nesse capítulo sobre a editoria de livros didáticos e sob a
qual consiste o eixo argumentativo de Thompson, foi a mudança da escrita para
impressão, com o conseqüente desenvolvimento da mídia. As instituições religiosas
28
e estatais tentaram controlar de algum modo os novos centros de poder simbólico,
porém isso ocorreu de forma limitada. Descreve a pesquisadora que Thompson
(1999) observou que desde o “início do século XIX, três tendências podem ser
encontradas das no desenvolvimento das indústrias de mídia: 1) a transformação
das instituições da mídia em interesses comerciais de grande escala; 2) a
globalização da comunicação; 3) o desenvolvimento das formas de comunicação
eletronicamente mediadas.”Junto a esses aspectos, outro dado relevante para esta
dissertação que o autor ressalta é que “as novas mídias não destruíram os
conteúdos tradicionais, mas ampliaram a forma dos sujeitos as vivenciarem para
além das experiências face a face, pois os sujeitos podem experimentar tradições de
sua própria cultura ou de outras culturas por meios de relações mediadas e quase-
interação mediadas” (THOMPSON, 1995).
1.3 LIVRO DIDÁTICO COMO ARTEFATO DE MÍDIA
A concepção de midiação das culturas modernas de Thompson (1995)
postula que os meios de comunicação de massa exercem um papel fundamental na
produção, transmissão e recepção das formas simbólicas. Segunda Silva (2005) A
indústria editorial brasileira e, em específico, a editoria de livros didáticos, são
partícipes desse processo. Os dados sobre produção, venda e faturamento da
indústria brasileira do livro revelam um mercado com cifras enormes. A década de
1990 apresentou-se como sendo um dos períodos de crescimento significativo para
a indústria editorial brasileira, sendo produzidos quase três bilhões de livros, com
média anual de quase 300 milhões de exemplares (SILVA, 2005, p. 86). O intuito
desse tópico é apresentar tais dados e traçar uma perspectiva histórica do
aparecimento e uso do livro didático, contextualizando os impactos e mobilizações
que envolvem a produção e veiculação do mesmo.
O alemão Jonhann Gutenberg (1400-1468) foi quem desenvolveu o processo
de impressão com tipos móveis de metais, dando assim um grande passo para a
divulgação da literatura em maior escala. Surgiram vários impressores que, através
da publicação de obras, passaram a divulgar os ideais humanistas do
Renascimento, a saber: o racionalismo que passaria a explicar o mundo não mais
pela fé e sim pela razão, e o humanismo que, em vez de um mundo centrado em
29
Deus (teocentrismo), pregava que era preciso construir um mundo centrado no
homem (antropocentrismo).
A invenção de Gutenberg, como descrevemos, atendeu num primeiro
momento aos ideais do pensamento moderno, mas há um fato que não podemos
deixar de levar em consideração: tanto impressores quanto livreiros, desde o
princípio, trabalharam para obter lucro. A prova disso é a história da primeira
sociedade publicadora, Fust e Schoeffer. Como seus sucessores no século XV, só
financiavam o gênero de livro que julgavam que pudesse vender um número
suficiente de exemplares capaz de dar lucro dentro de um prazo razoável. A ideia
era multiplicar os livros às centenas e depois aos milhares. Esse novo fenômeno,
trazido com o advento da imprensa, possibilitou não somente aumentar o volume
das publicações como, simultaneamente, fez com uma seleção mais rigorosa das
obras disponíveis que já haviam alcançado sucesso em forma manuscrita e aquelas
de menor popularidade fossem deixadas de lado. (KOLESNIK, 1958, apud APPLE;
1995 p. 86).
A comercialização do livro está relacionada com as relações de dominação
existentes concomitante com as lutas para alterar essas relações. Não reconhecer
isso significa ignorar uma imensa quantidade de dados disponíveis, nos diferentes
países (nesse caso, ocidentais), que ligam o conhecimento escolar às dinâmicas de
classe, gênero e raça, dentro e fora de nossas instituições educacionais.
Esse impresso ( o livro) terminou por se converter na principal referência para
a formação e inserção na escrita de um expressivo número de docentes e discentes
no mundo e no Brasil e, por esta razão, consequentemente, para a construção do
fenômeno do letramento (BATISTA, 2002).
A produção de livros didáticos, no Brasil, se iniciou em 1808, com a Imprensa
Régia, órgão oficial que produzia os manuais para os cursos criados por D.João VI
(BITTENCOURT, apud SILVA; 2008 p.88). Após 1822, com o término do monopólio
da Imprensa Régia, começaram a surgir as editoras particulares em 1885 destacam-
se E. & Laemmert, Nicolau Alves e B.L. Garnier, que eram responsáveis por 44% da
produção. Já no final do século XIX e início do século XX os livros didáticos
correspondiam a dois terços dos livros publicados, segundo (CHOPPIN, 1995).
Ainda no século XIX, as grandes editoras de livro didático iniciaram a articulação
com os dirigentes da educação. No final da primeira década do século XX, a editora
Francisco Alves (que havia comprado a Laemmert) dominava a maioria absoluta da
30
produção, seguida da FTD, criada anos antes em São Paulo, e da Garnier, já com a
produção estagnada (SILVA; 2005 p. 88).
De acordo com Silva (2005), até 1920 a maior parte dos livros didáticos
utilizados no Brasil era de autores estrangeiros e publicados no exterior. É a partir de
1930 que a produção de autores cresceu devido à expansão do sistema de ensino.
Entre as décadas de 30 a 60, o livro didático apresentava algumas características
comuns, como argumenta Silva (2005). O título permanecia por longos anos no
mercado. Geralmente os autores eram personalidades importantes para a
intelectualidade da época; a linguagem não era adaptada para diferentes faixas
etárias e o título era publicado por poucas editoras, que, frequentemente, não o
tinham como mercadoria mais importante (GATTI, apud, SILVA; 2005, p..88).
Com a instalação do regime militar nos 60, a produção de livros didáticos
passou por uma nova fase no Brasil. As políticas governamentais para o setor
possibilitaram a expansão e as modificações da produção do livro didático. A
modificação mais significativa desse momento, segundo SILVA (2005), constava do
acordo MEC- SNEL - USAID que tinha o intuito de incentivar, avaliar, orientar,
coordenar, executar, produzir, editar, aprimorar e distribuir livros didáticos. Também
os resultados do decreto de 04/10/64 asseguraram a distribuição de 51 milhões de
livro nos três anos subsequentes, sendo que o MEC comprou livros obsoletos,
“salvando” editoras (CASTRO, apud, SILVA; 2005 P.88 - 90).
A produção de livros didáticos entre 1967 e 1997 passou por profundas
modificações de produção artesanal à indústria editorial; da autoria individual à
equipe técnica responsável; e da escola de elite à escola de massa. O livro didático,
principalmente nos anos 70, tornou-se um objeto privilegiado na educação brasileira
e converteu-se num organizador dos conteúdos a serem transmitidos e das
atividades didático-pedagógicas desenvolvidas nas escolas. Ausências de formação
adequada e de condições de trabalho levaram os professores a tornarem-se
dependentes dos livros didáticos (GATTI, apud, SILVA; 2005 P.88 - 90).
Neste período a indústria editorial passou por modificações no que se refere
às formas de produção. Ocorreu a expansão da indústria brasileira de livros com a
diversificação e segmentação do mercado; a profissionalização dos agentes
envolvidos na produção e distribuição e a “tecnicização” da produção.
Pesquisadores como Salgado (1995) e Silva (2005) salientam que essas
modificações consolidaram-se nos anos 80. Entre essas modificações, a
31
institucionalização permitiu que o mercado editorial tornasse fortes e competitivos
setores diferenciados tanto no mercado livreiro como na formação de nichos de
atividades cada vez mais especializadas.
As grandes editoras produtoras de livros didáticos que iniciaram suas
atividades no final dos anos de 1960 experimentaram enorme expansão nas
décadas de 1980 e 1990. Com apoio federal ao programa do livro didático, criaram-
se políticas sustentadas por órgãos e legislação específicos como, por exemplo, o
Programa Nacional do Livro Didático que substitui o antigo programa PLIDEF. Na
transição de um programa para outro foram detectados muitos problemas nos livros
didáticos utilizados anteriormente. O grupo de trabalho constituído pelo MEC
apresentou duas recomendações: expansão do atendimento e seleção dos livros
pelo professor. Nesta nova fase os professores iriam indicar e selecionar os livros a
serem comprados. O PNLD estava diante de dois desafios que eram a
universalização da distribuição dos livros e a escolha destes pelo professor (SILVA,
2005). Esse argumento pode ser verificado em Leão e Neto na seguinte citação:
Desde os anos de 1990, periodicamente, o governo federal realiza
programas nacionais de avaliação das coleções didáticas voltadas para o
Ensino Fundamental, com intuito de melhorar a qualidade dessas coleções
e, por consequência, na visão do MEC, promover a melhoria da qualidade
do ensino e da aprendizagem escolar. De modo articulado, o governo
federal divulgou, na segunda metade da década de 1990, os Parâmetros
Curriculares Nacionais, tentativa de normatizar o currículo escolar de todo
o país. Associou, assim, ao programa Nacional do Livro Didático (PNLD),
as novas diretrizes curriculares e todo um sistema nacional de avaliação
educacional desde o Ensino Fundamental até a Educação Superior. Deste
modo, é de esperar que haja grande sintonia e articulação entre diretrizes,
programas de avaliação dos livros didáticos e sistema de avaliação escolar.
(LEÃO & NETO, 2006; p.35).
Conforme os pesquisadores citados, a preocupação com a melhoria do livro
didático, em termos mais amplos, inicia-se a partir de 1994, quando o MEC passa a
programar medidas visando avaliá-lo de maneira contínua e sistemática (LEÃO &
NETO, 2006; P.35). É com esse processo que entram em cena dois personagens no
que se refere à avaliação do livro didático: Os “guias” contendo as relações de livros
para escolhas dos professores, sendo que alguns deles continham um catálogo com
a listagem de todos os livros menos os classificados na categoria excluídos. (B) e o
setor privado com uma grande participação no mercado editorial de livros didáticos
no Brasil.
32
O Programa Nacional do Livro Didático incorporou orientações emanadas do
Banco Mundial (BIRD). A política educacional brasileira sofreu interferência direta, a
partir dos 1990, do BIRD, como salientado pelo autor:
A qualidade educativa, na concepção do Banco Mundial, seria o resultado
da presença de determinados “insumos” que intevêm na escolaridade. Para
o caso da escola de primeiro grau, consideram-se nove fatores como
determinantes de um aprendizado efetivo, nesta ordem de prioridades,
segundo a percentagem de estudos que revelariam uma correlação e um
efeito positivos: (1) biblioteca; (2) tempo de instrução; (3) tarefas de casas;
(4) livros didáticos; (5) conhecimentos do professor; (6) experiência do
professor; (7) laboratórios; ( 8) salário do professor; (9) tamanho da classe
(TORRES, apud,LEÃO & NETO,2006;p.37).
As proposições do BIRD aos países em desenvolvimento estabeleceram
prioridades na alocação de recursos, deixando de lado, por exemplo, os
investimentos com a capacitação e formação continuada dos professores que
demandavam elevados recursos e financiamento. Torres, Leão e Neto (2006)
descrevem que o BIRD, por esta razão, aconselhou que os países investissem em
três pontos prioritários que são os seguintes:
(a) aumentar o tempo de instrução, através da prolongação do ano escolar,
da flexibilização e adequação dos horários, da atribuição de tarefas da casa;
(b) proporcionar livros didáticos, vistos como a expressão operativa do
currículo e contando com eles como compensadores dos baixos níveis de
formação docente. Recomenda aos países que deixem a produção e
distribuição dos livros didáticos em mãos do setor privado, que capacitem os
professores na sua utilização, além de elaborar guias didáticos para estes
últimos; (c) melhorar o conhecimento dos professores privilegiando a
capacitação em serviço à formação inicial e estimulando as modalidades à
distância (TORRES, apud, LEÃO & NETO, 2006; p.39).
Nessa relação intrigante entre o setor privado e os “Guias”, chama-nos a
atenção que o Banco Mundial propõe a melhoria dos livros didáticos no sentido de
compensar os “baixos níveis” de formação docente elaborando “Guias” para dirigir o
trabalho dos professores com esses livros. Acrescenta-se, nesse cenário da Nova
República, a não preocupação com a capacitação e melhorias da condição de vida
profissional do principal agente do processo de aprendizagem que é o professor (a).
Temos, ainda, um outro aspecto que passou a interferir nos programas de avaliação
dos livros didáticos: a participação das editoras. De acordo com Silva (2005), a
indústria editorial brasileira e, em específico, a editoria de livros didáticos revelam
para nós um mercado em que a produção, venda e faturamento é de cifras
33
bilionárias. O pesquisador argumenta que o faturamento anual do mercado editorial
brasileiro manteve média superior a dois bilhões anuais, entre 1995 e 2002, num
montante de 16, 346 bilhões de reais no período.
O objetivo de apresentar tais dados é informar a dimensão do mercado
editorial e de livros didáticos no Brasil para percebermos o quanto esse mercado de
massa é lucrativo e o quanto a aprendizagem torna-se vulnerável, quando o assunto
é lucratividade, percentual, montante, vendas, cifras, faturamento. É importante
observamos mais diretamente esses dados que exemplificam muito bem o que
chamamos hoje de “economia política da cultura”, ou seja, a organização e
distribuição da cultura são “mediadas” pelas estruturas econômicas. Nesse cenário
um outro agente se insere: o poder público como o principal comprador deste
mercado. “O governo Federal, via PNLD, constituiu-se um comprador de escol da
principal fatia do mercado livreiro sendo responsável por alto percentual de compras
que girou entre 22% e 51% no período. A grande participação dos livros didáticos no
conjunto de exemplares vendidos no Brasil correspondeu a mais da metade das
vendas entre 1994 e 2002, significando, em média, 60% do total de vendas do
mercado editorial brasileiro” (SILVA; 2005 p.87).
A mediação desta relação entre o setor público, o setor privado e o professor;
é feita através dos “Guias”. Estes guias continham resenhas dos livros avaliados nas
seguintes categorias: livros classificados como “recomendados” e os “não-
recomendados”, “recomendados com ressalvas”, “excluídos”. Esse processo de
avaliação surgiu em virtude do muitos problemas que os livros didáticos
apresentaram, como por exemplo: erros conceituais, desconhecimento de avanços
teóricos, predomínio de exercícios mecânicos, uso inadequado da escrita e
ilustrações, presença de estereótipos de raça, gênero, idade, classe social ou de
religião (SILVA, 2005). Além disso, os livros didáticos são avaliados como bastante
deficientes; conforme argumentam Leão e Neto quando dizem que:
Os pesquisadores acadêmicos têm apontado graves deficiências nos
manuais escolares, revelando que eles reforçam estereótipos e
preconceitos raciais e sociais, mitificam a ciência, favorecem o
desenvolvimento de noções científicas equivocadas parcial ou totalmente,
não abordam de maneira adequada aspectos fundamentais do ensino na
área de Ciências Naturais (LEÃO & NETO, 2006;p.35).
34
Os livros didáticos de Ensino de Religioso não são comprados pelo governo
nem objeto de tais avaliações, mas, provavelmente, sofrem impacto indireto na sua
produção, devido as influências nos processos produtivos das editoras.
1.4 O CONCEITO DE IDEOLOGIA
Ao manifestar a importância da mídia na estruturação das sociedades,
Thompson (1995) retoma o sentido crítico de ideologia, como instrumento para
entender como as formas simbólicas se articulam com as relações de dominação.
Como já mencionamos, o autor considera formas simbólicas toda ação, fala,
imagem e texto que são socialmente reconhecidas como construções significativas,
podendo, portanto, ser verbais, não verbais ou mistas, desde que mobilizem
sentidos. Sendo a dominação para o autor qualquer relação de poder assimétrica.
Ao conceber que a sociedade se estrutura com base em relações de
dominação, Thompson (1995) retorna o conceito de ideologia em sua dimensão
crítica e discute seu papel nas sociedades modernas em sua relação com a
importância dos meios de comunicação. Para isso “recuperou a herança histórica do
conceito desde a sua origem em Destutt de Tracy, passou por Napoleão Bonaparte
na sua crítica aos ideólogos, por Marx e seus seguidores como Lênin e Lukács e por
Mannheim” (THOMPSON, 1995, p.45). Ao fazer essa trajetória histórica com
diversos autores que elaboraram teorias sociais e políticas, constatou que esse
terreno é marcado por contraposições e ambigüidades.
O autor ressalta que o filósofo francês Destutt de Tracy foi o primeiro a usar o
termo ideologia, isso para descrever o seu projeto de uma nova ciência que estaria
interessada na análise sistemática das idéias e sensações.
Ainda na mesma discussão Guareschi (1998) ressalta que, a partir do século
XV e XVI, estudos mais pertinentes começaram a ser feitos sobre o tema, mesmo
que o nome ideologia ainda não tivesse sido empregado neste período. Para o
pesquisador, Bacon foi quem desenvolveu um estudo mais próximo daquilo que hoje
se costuma entender por ideologia. Bacon apresentou quatro classes de ídolos que
para ele seriam ídolos que dificultavam a proximidade com a verdade. Esses ídolos
eram “os da caverna: nossas idiossincrasias
4
, caráter; da tribo: superstições,
4
Formas individuais de compreensão
35
paixões; da praça; as inter-relações humanas, principalmente no meio da linguagem;
e os ídolos do teatro: a transmissão das tradições e doutrinas dogmáticas” (1998,
p.90).. Ressalta Guareschi (1998) a crescente importância da ideologia em nossos
dias atuais, o fato de que nossa sociedade e nosso mundo tornam-se, a cada dia,
mais “imateriais”, sempre mais sustentados numa comunicação verbal e simbólica
(p.90).
Portanto, reforçando o que já foi descrito acima, Guareschi (1998) salienta
que ao refletirmos sobre ideologia é muito importante prestarmos atenção aos
inúmeros enfoques teóricos, que dão, ao conceito de ideologia, diferentes
significados e funções. Com uma perspicácia histórica, Thompson (1995), subdivide
as diferentes concepções de ideologia em neutras e críticas.
As neutras consideram ideologia como sistema de idéias, sem atribuir
qualificativo, a tais ideias, de ilusórias ou falsas, nem ligá-las a interesses de algum
grupo em particular. Nessa concepção poderíamos situar autores como o próprio
criador do termo ideologia, Destutt De Tracy (1803) para quem a ideologia é o
estudo das ideias, que por sua vez são uma emanação do cérebro; também
estariam nessa concepção Lênin (1969) e Lukács (1971) que concebem a ideologia
como sendo as idéias de um grupo revolucionário; outro autor que estaria inserido
nessa concepção é Mannheim (1954) que afirma “tudo o que pensamos é
ideológico, pois é impossível não se deixar contaminar pela situação social em que
alguém nasce e vive” (p. 91) e nota-se aqui que Mannheim identifica ideologia como
conhecimento, ou seja, todo conhecimento é condicionado à ideologia.
(GUARESCHI, 1998).
As concepções críticas atribuem ao conceito de ideologia um sentido
negativo, pejorativo. “O fenômeno caracterizado como ideologia _ ou como
ideológico _ é enganador, ilusório, ou parcial” (THOMPSON, 1995, p. 73). Nesta
concepção podemos situar as três ideias de Marx entre elas as ideias puras como
autônomas e eficazes, como defendiam os hegelianos, sem ligação com a realidade;
as ideias da classe dominante e um “sistema de representações que serve para
sustentar relações de dominação” e, também, seria inserida, nesta concepção, a
idéia restrita de ideologia de Mannheim em que o mesmo concebe “as idéias
dominantes de um grupo sobre outro” (GUARESCHI, 1998, p. 91).
Thompson (1995) adota a concepção crítica de ideologia, em oposição às
perspectivas que neutralizam o conceito, mantendo uma conotação negativa e
36
associando a análise da ideologia à questão da crítica social. Analisando que os
“idéologues” se tornaram os bodes expiatórios de Napoleão que acreditava que
Tracy e o Instituto Nacional, criado junto com seus companheiros, tinham fortes
ligações com republicanismo, uma vez que, após a desastrosa campanha na Rússia,
Napoleão acusou-os de subverter o Estado e o poder da lei e, dirigindo-se ao
Conselho de Estado, condena a ideologia e a caracteriza como a negação de uma
arte política astuta.
Thompson (1995) apresenta Marx como o pensador que contribui para que o
termo tenha assumido o sentido negativo, oposicional, implícito e “presente no uso
do termo como feito por Napoleão, porém Marx transformou o conceito,
incorporando-o a um marco referencial teórico e a um programa político que eram
profundamente dependentes do espírito do iluminismo” (p.49). O autor sustenta que
na obra de Marx são perceptíveis três distintos conceitos de ideologia, todos críticos,
dentre esses há um que o autor denomina “latente”. Na análise de Marx sobre a
Revolução Francesa, no Dezoito Brumário de Luís Bonaparte, Thompson (1995)
aponta que, apesar das condições concretas para a “emancipação”, a sociedade
francesa regrediu, em função de ideias equivocadas na tradição, que foram
reativadas por palavras e imagens. Para o autor, Marx anteviu o significado da
dimensão simbólica da vida social. As construções simbólicas, neste caso,
apresentaram certa eficácia, reativando a tradição e funcionando como meio de
sustentação de uma ordem social opressiva (SILVA, 2005 p.26).
A concepção que Thompson denomina de “latente” em Marx se aproxima da
proposta de voltar o foco do estudo da ideologia para o entrecruzamento das formas
simbólicas com as relações de poder. Partindo dessa discussão, Thompson (1995),
formula seu conceito de ideologia, entendida como formas simbólicas que, em
determinados contextos, servem para estabelecer (produzir, instituir e sustentar,
manter e reproduzir) relações de poder sistematicamente desiguais, ou seja,
relações de dominação. Os fenômenos simbólicos não são intrinsecamente
ideológicos, mas devem ser analisados em contextos sócio-históricos definidos.
O aspecto que Thompson denominou de “contextual” indica que as formas
simbólicas estão sempre inseridas em contextos sociais estruturados, nos quais
podem atuar para estabelecer e sustentar relações desiguais.
Thompson (1995) afirma que a pesquisa social deve se voltar aos contextos
específicos e que é necessário analisar atentamente a interação entre sentido e
37
poder em situações concretas da vida social. O autor esboça um quadro que focaliza
determinadas formas pelas quais a ideologia opera, a partir do qual pretendemos
vincular a nossa proposta metodológica de crítica à ideologia.
Elas são cinco: Legitimação, dissimulação, unificação, fragmentação e
reificação. Para cada um desses modos gerais típicos de construção simbólica
correspondem algumas estratégias típicas de operação ideológica. No quadro 1,
estão dispostos os modos gerais de funcionamento da ideologia e as estratégias
típicas de funcionamento. Segundo Silva (2005), os modos de operação descritos
não são os únicos pelos quais a ideologia opera, eles podem sobrepor-se e reforçar-
se mutuamente e, em situações particulares, a ideologia pode operar de modos
distintos (27).
Legitimação
Racionalização
Universalização
Narrativização
Dissimulação
Deslocamento
Eufemização
Tropo (sinédoque, metonímia, metáfora)
Unificação
Padronização
Simbolização da unidade
Fragmentação
Diferenciação
Expurgo do outro
Estigmatização
Reificação
Naturalização
Eternalização
Passifização
QUADRO1 – MODOS DE OPERAÇÃO DA IDEOLOGIA
FONTE: adaptado de THOMPSON, 1995. p.81
Por “legitimação” entende-se a apresentação das relações de dominação
como justas e dignas de apoio, isto é, legítima, baseada em “fundamentos racionais
(que fazem apelo à legalidade de regras dadas), fundamentos tradicionais (que
fazem apelo à sacralidade de tradições imemoriais), e fundamentos carismáticos
(que fazem apelo ao caráter excepcional de uma pessoa individual que exerça
autoridade)” (WEBER, 1978 apud THOMPSON, 1995, p.82).
A legitimação pode ser expressa por meio da racionalização que se manifesta
em argumentos racionais que justificam as relações com objetivo de persuadir e com
isso, obter apoio. A universalização em que os interesses de alguns são
apresentados como de todos; por fim a Narrativização que eternizam as tradições
por meio de histórias.
38
A dissimulação se apresenta quando formas simbólicas são representadas de
modo que desviam a atenção. Seria a ocultação, a negação ou o obscurecimento
das relações de dominação e processos existentes, por meio do deslocamento
transferência de sentidos, conotações positivas ou negativas, de pessoas ou objeto
a outro (a). Na Eufemização, determinadas ações, instituições ou relações sociais
são referidas de forma a suavizar suas características e estabelecer valorização
mais positiva. O tropo, uso de figuras de linguagem como sinédoque, é caracterizado
pelo uso do todo pela parte, do plural pelo singular, do gênero pela espécie, ou vice-
versa; a metonímia, tropo caracterizado pelo uso de atributo ou característica de
algo para designar a própria coisa, e a metáfora que consiste na aplicação de termo
ou frase a outro, de âmbito semântico distinto.
A unificação é o processo pelo qual se cria uma identidade coletiva,
independentemente das diferenças individuais e sociais, por meio da padronização;
as formas simbólicas são adaptadas a determinados padrões, que são
reconhecidos, partilhados e aceitos e da simbolização da unidade da identidade e de
identificação coletivos são criados e difundidos.
A fragmentação significa a segmentação de grupos ou indivíduos que podem
representar um desafio aos grupos dominantes. Ela ocorre por meio da
diferenciação em que a ênfase em características de grupos ou indivíduos, de forma
a dificultar sua participação no exercício de poder, do expurgo do outro na
construção social de inimigo, a que são atribuídas características negativas, ao qual
as pessoas devem resistir e a estigmatização que consiste na desapropriação de
indivíduo(s) ou grupo(s) do exercício de alguma condição física, moral ou social
(ANDRADE ,2001 apud SILVA, 2005).
A Reificação é concebida como a tendência a retratar processos como coisas,
retirando-lhes o caráter transitório e histórico. A reificação processa-se por meio da
naturalização: fenômeno social ou histórico é tomado como natural e inevitável e da
Eternalização; fenômeno social ou histórico é considerado como permanente,
recorrente ou imutável. A reificação também pode ocorrer por meio “de vários
recursos gramaticais e sintáticos, tais como a nominalização da transformação de
partes de frases ou ações descritas em nomes, ou substantivos, atribuindo-lhes
sentido de coisa” e a Passifização consiste no uso de voz passiva que leva à retirada
de sujeitos das ações.
39
Com base na seleção de alguns aspectos da teoria formulada por Thompson,
a dissertação pretende pautar numa teoria social a compreensão da natureza e o
desenvolvimento da comunicação de massa e, neste sentido, afirmar a importância
central das mídias na construção da sociedade moderna. Como já ressaltamos
anteriormente, Thompson entende que a sociedade é palco de conflitos e relações
assimétricas de poder de classe, raça, gênero e idade. Que o sujeito é ativo e
mantém a capacidade de, em alguma medida, contrapor-se ao status quo; que a
ideologia é um entre outros mecanismos que concorrem para estabelecer e
sustentar essas assimetrias de poder e que as “mídias têm um papel central na
construção e reprodução do universo simbólico, ideológico ou não (ESCANFELLA,
2006, p.39).
Thompson (1995) considera que os fenômenos simbólicos não são
ideológicos em si mesmo, por isso deve ser analisado em relação a contextos sócio-
históricos específicos, situados temporal e espacialmente, sem universalizar ou
generalizar resultados (ESCANFELLA, 2006, p. 37). O tópico seguinte contextualiza,
no Brasil, os discursos sobre os grupos raciais negros e brancos na mídia brasileira
e discute como a ideologia se apresenta nesse fenômeno.
1.5 IDEOLOGIA, MÍDIA E RACISMO
Os estudos sobre racismo discursivo na mídia brasileira revelaram uma faceta
no que tange a midiação da cultura moderna
5
e das relações raciais no Brasil. No
primeiro caso, pudemos ver o desenvolvimento das indústrias da mídia
6
,
desenvolvimentos esses que estão baseados em fatores econômicos, políticos e
tecnológicos. Estes fatores incluem uma concentração e uma diversificação sempre
crescente dentro das indústrias da mídia, bem como a globalização das atividades
referentes aos meios e ao desdobramento de novas tecnologias de comunicação.
Exemplo disso é a transmissão por cabo e via satélite (Thompson, 1995; p.25). No
segundo caso, o contexto atual reflete a existência de um racismo difuso, porém
5
Subtítulo de THOMPSON (1995, p.22), que faz referencia ao desenvolvimento da comunicação de
massa como um desenvolvimento na esfera da cultura, como uma transformação cultural.
6
O termo mídia, no seu sentido amplo, compreende a produção cultural de massa, em diversas
formas e meios, incluindo, também, a literatura e o livros didáticos.
40
efetivo, com repercussões negativas
7
na vida cotidiana da população negra. As
discussões que envolvem esse tema passam pela superação do mito da democracia
racial
8
. A III Conferência Mundial das Nações Unidas contra o Racismo, Xenofobia e
Intolerância Correlata (realizada em Durban, em 2001) e o Brasil, em 1995, ter se
reconhecido um Estado racista, possibilitaram políticas públicas que amenizassem e
buscassem superar as desigualdades, econômicas e políticas naquilo que se refere
à relação entre negros e brancos. Os argumentos de Carlos Moore (2008),
encontrados numa carta aberta ao presidente de Cuba a respeito das relações
raciais e do racismo em Cuba, são contundentes quando se refere à luta contra as
desigualdades:
O racismo é a última fronteira do ódio entre humanos, precisamente porque
raça é a mais profunda e duradoura linha divisória que determina quem tem
acesso privilegiado e protegido aos recursos da sociedade, e a quem é
vedada qualquer oportunidade de usufruto desses mesmos recursos. O
racismo é uma estrutura de distribuição diferenciada, racialmente seletiva,
dos recursos da sociedade e do planeta, que se perpetua através do
monopólio do poder político. Portanto, trata-se de um modus operandi
permanente, não de uma aberração; de uma estrutura de poder total que
funciona maravilhosamente bem para garantir a permanência do domínio de
uma raça específica em detrimento das outras, e não um mero reflexo das
simpatias e antipatias que surgem do jogo interpessoal.( Jornal online
Irohin,2008).
A junção dos dois temas mídia e racismo, com a construção teórica da
dissertação traz certa implicação. A implicação a que nos referimos está justamente
nas maneiras como os meios técnicos de comunicação de massa transformaram, e
são capazes de transformar, a natureza da interação social nas sociedades
modernas, como argumenta Thompson. Segundo o autor, é somente com o
desenvolvimento da comunicação de massa que os fenômenos ideológicos podem
tornar-se fenômenos de massa, e a mesma se torna um meio importante para a
produção e transformação de formas simbólicas. A idéia da dissertação, ao associar
a questão da mídia e das relações raciais, é interpretar a ideologia e explicitar a
conexão entre o sentido mobilizado pelas formas simbólicas e as relações de
dominação que esse sentido mantém.
7
Alguns autores como Munanga consideram que o racismo pode ter repercussões positivas quando,
diante das dificuldades, os grupos oprimidos tornam-se mais solidários e combativos diante situações
concretas em que um Estado adota políticas de segregação entre eles, como na África do sul nos
EUA.
8
Segundo Rosemberg, Bazilli e Silva (2003, p.128), este é um modo de operação da ideologia
racista.
41
Segundo Rosemberg, Bazilli e Silva (2003), o racismo é uma ideologia, uma
estrutura e um processo pelo qual grupo específicos, com base em características
biológicas e culturais verdadeiras ou atribuídas, são percebidos como raça ou grupo
étnico inferior. Os fundamentos biológicos e culturais servem para excluir esses
grupos do acesso a recursos materiais e não materiais. Tais autores salientam que
na ideologia dominante o racismo não é reconhecido como um problema estrutural,
trata-se apenas de uma crença e de ações que apóiam abertamente a ideia de
hierarquias de base genética ou biológica entre grupos de pessoas. Nesse caso, a
culturalização do racismo constitui a substituição do determinismo biológico pelo
cultural. O resultado disso é um conjunto de diferenças étnicas reais ou atribuídas
que representam a cultura dominante como sendo a norma, e as outras culturas
como diferentes, problemáticas e geralmente, também atrasadas (p.128).
Devido à naturalização e universalização da condição do “Branco”, sua
pertença racial não necessita ser reafirmada. Podemos observar na mídia, por
exemplo, o processo de branquidade entre as principais âncoras televisivas.
Contrário às reinvidicações dos militantes sobre a presença de negro em situação de
destaque e que fazem referência ao seu comportamento. Indicadores apontam que
negros estão em sub-representação e posições de subalternidade na mídia e esta
participa da sustentação e produção do racismo estrutural e simbólico da sociedade
brasileira, na medida em que produz e veicula um discurso que naturaliza a
superioridade branca, acata o mito da democracia racial e discrimina os negros
(SILVA, ROSEMBERG; 2008). Em recente pesquisa para a sua tese de doutorado,
Iara Beleli (2005) ressalta que muitos empresários e publicitários afirmam que seus
clientes não querem incorporar imagens de modelos negros nas suas peças
publicitárias. De acordo com Beleli (2005), a escassez e a tardia presença dessas
imagens são justificadas, por boa parte dos publicitários, pelas restrições dos
clientes, exceto quando a “cor” é irrelevante ao sucesso dos personagens. Conforme
ela, quando um publicitário diz: “queimar produto”; significa utilizar imagens de
negros, porque estes não geram identificação no consumidor e ainda dificultam a
criação ou consolidação de marcas/logos no mercado (BELELI, 2005).
Destacar o sucesso e a conquista de um personagem negro é sinal de
contradiscurso ao racismo. Vamos usar o exemplo de Diogo Silva para ilustrar o
42
posicionamento teórico desta dissertação que trabalha com a teoria da resistência
9
.
Esta questão da resistência ocorre justamente porque as ideologias impostas (nesse
caso, a predominância branca nas diferentes mídias) pelo sistema são
contraditórias, isto é, trazem em si mesma a gênese da contestação (PIZA, 1998).
As notícias sobre os jogos Pan-Americanos de 2007 apontaram que o
primeiro medalhista de ouro brasileiro foi um negro, Diogo Silva. Algumas situações
daquela tarde de domingo chamaram atenção. Além do fato de percebemos que o
atleta estampava um dreadlok ao estilo rastafari, nas entrevistas que concedeu, para
alguns jornais, demonstrou grau de consciência e de preocupação em torno,
principalmente, do racismo e das dificuldades que os negros enfrentam quando se
aventuram numa área que, geralmente, não é o campo de ação costumeiro como na
natação, automobilismo, regata. Apesar disso, há uma segunda situação que se
contrapõe à primeira: o fato de que ele ganhou a sua medalha num esporte
diferenciado, numa modalidade em que não estamos acostumados a ver negros
terem prestígio. Um outro fato que nos chamou a atenção foi a grande imprensa ter
dado destaque à família de Diogo Silva, apresentando e entrevistando a mãe Estael
de Oliveira Silveira. Esta, como o filho, apresentava, no corte de cabelo e nas
roupas, características marcantes da cultura afro. Alguns jornais e sites estamparam
e destacaram a ancestralidade do atleta nascido em São Sebastião, litoral norte de
São de Paulo. Os fatos apresentados chamam a atenção para a significação da
construção da identidade e papel do negro na nossa sociedade. Isto nos coloca uma
reflexão diante de uma constatação.
Por outro lado, pesquisadores como Silva e Rosemberg (2008) que tratam
das relações raciais na mídia, têm levantado situações bem peculiares quando
tratam da presença dos negros nos meios midiáticos. A mídia, segundo esses
pesquisadores, geralmente sub-representa o negro. Silencia-se quando o assunto é
desigualdade e discriminação racial ocultando sobre a racialização das relações
sociais. Segundo os mesmos, o branco é tratado, nos diversos meios midiáticos,
como representante natural da espécie, ou seja, a naturalização e universalização
da condição do branco se estendem à representação ao público a que as
mensagens, via de regra, se dirigem. A branquidade se constitui nesse caso como
9
Segundo PIZA (1998), têm origem em estudos desenvolvidos na área da Educação, como tentativas
de respostas a certos impasses teóricos e políticos gerados por estudos de abordagem funcionalista,
reprodutivista, ou credencialista.
43
um fato interessante de análise pelos pesquisadores, porque quando assistimos à
televisão, ou lemos um jornal, uma revista, os discursos impregnados em seu
conteúdo, quase sempre estão associados ao modo e comportamento do branco.
“Dentre as formas latentes de discriminação contra o não-branco, talvez seja a
negação de seu direito à existência humana__ao ser__a mais constante: é o branco
o representante da espécie. Por esta condição, seus atributos são tidos como
universais” (ROSEMBERG, 1985). Apesar disso a questão parece-nos mais
complexa. Consideremos o argumento do seguinte trecho:
Tanto quanto na sociedade (...), prevalecem nos meios de comunicação
_ainda que combinados a outros mecanismos , os mecanismos da
denegação, do recalque, do silêncio e da invisibilidade. O racismo não se
reproduz na mídia (...) através da afirmação aberta da inferioridade e da
superioridade, através da marca da racialização, ou de mecanismos
explícitos de segregação. O racismo tampouco se exerce por normas e
regulamentos diferentes no tratamento de brancos e negros e no tratamento
de problemas que afetam a população afro-descendente. As dinâmicas de
exclusão invisibilização e silenciamento são complexas, híbridas e sutis
ainda que sejam decididamente racistas (RAMOS, apud SILVA e
ROSEMBERG; 2008 p.11).
A autora chama atenção para as sutilezas e a complexidade da forma como
os meios de comunicação silenciam e tornam invisível a questão racial no Brasil.
Neste sentido se encontra o desafio mais crítico para aqueles que lutam contra o
racismo no Brasil: convencerem a opinião pública do caráter sistemático e não-
casual dessas desigualdades.
Além da sub-representação os discursos raciais sobre negros na mídia
brasileira recaem nos estereótipos, ressaltando o ponto da auto-categorização, que
categoriza membros de um grupo em vez de indivíduos. Em especial a televisão
brasileira atua para sustentar o mito da democracia racial. Em seus produtos vias de
regra os negros atuam em situação de subalternidade, como “favelado”, “jogador de
futebol”, “sambista”, “mulata”, “malandro”.Tais personagens carregam características
estereotipadas do negro”.
O termo estereótipo tem sua origem nas expressões gregas: stereos,
significando “sólido”, e tupos, significando “impresso, placa de impresso colada a um
molde, mesma impressão, a mesma imagem. O jornalista americano Walter
Lippmann, em 1922 adaptou e usou o termo para referir-se a imagens simplificadas
que algumas pessoas têm de outras, imagens estas que não são construídas na
experiência direta entre estas pessoas. Nas décadas de 1930 a 1950, o termo
44
estereótipo torna-se parte de um outro conceito: o de “preconceito”. É esta a noção
que PIZA (1995) vai atrelar aos estudos sobre estereótipo. Segundo DORAI (apud.
PIZA et. al. 1995, p.87), a diferença entre estereótipo e preconceito encontra-se na
definição e utilização dos termos: o preconceito se confunde com a atitude, isto é,
pressupõe a ação preconceituosa. Estereótipo revela e manifesta o preconceito, que
pode existir antes e independentemente dele próprio.
O estereótipo é a face visível do preconceito. Para (PIZA, 1995), os
estereótipos não estão armazenados na mente como estruturas fixas, mas são
produções dinâmicas dos processos sociais de julgamento e inferência significativa.
Silva, citando Brookshaw, apresenta diferentes exemplos dessa estereotipação ao
longo da nossa história nas mídias em geral. Entre eles, cita o “bom crioulo” que
tinha como principais características as subserviência e fidelidade aos
senhores/patrões, capacidade para o trabalho árduo e a dependência do
paternalismo branco. A “mãe preta”, sofredora e conformada, dedicada
integralmente a uma família branca. Ambas características muito presentes nos
romance abolicionista e no cinema.
Outro exemplo, muito presente na literatura e no cinema é o “preto velho” que
geralmente é apresentado com passivo, conformista e supersticioso. O mesmo era
sempre apresentado com o cachimbo recordando dias felizes do cativeiro. O
“escravo nobre” e o “negro vítima” eram outros que sempre apareciam na literatura
abolicionista de forma estereotipada. Ambos tinham como principal característica a
assimilação aos ideais de comportamento do grupo racial dominante. O “negro
revoltado”, muitas vezes é estereotipado como sendo violento, cruel, rebelde e por
selvagem brutal. O “escravo algoz” ou “escravo demônio”. É importante entendermos
que esses estereótipos construídos ao longo de nossa história que suas
considerações receberam influência da teoria eugenista que chegou ao Brasil por
volta do século XIX e criou no imaginário dos diferentes pensadores do Brasil a ideia
do branqueamento. Boa parte desses pensadores queria superar o passado
escravocrata e rural do Brasil e ingressar na modernidade. Para muitos, a
modernidade estava associada à urbanidade, ao progresso, à técnica e à ruptura.
Era representada pelos personagens brancos adultos. Os negros eram relacionados
a significados opostos, como a tradição e ignorância, universo rural e passado. Os
personagens negros eram associados à ingenuidade, ao primitivismo. Esse
45
argumento pode ser verificado em Gouvêa na literatura infanto-juvenil do início do
século XX:
Lobato apontava a contradição entre o projeto de resgate da tradição oral e
sua inadequação ao presente, na medida em que era associada à
ignorância e à falta de criatividade. Lobato falava do fim de uma tradição,
sepultada pelos valores da modernidade, que, ambiguamente, de um lado
buscava recuperar as raízes nacionais e, de outro, enxergava nessas raízes
as origens da ignorância que impediam a construção de um Brasil moderno
(GOUVÊA, 2005; p.85).
Monteiro Lobato, na literatura, foi um dos principais representante desse
modernismo, principalmente quando colocava na contrapartida a personagem da Tia
Nastácia e a Dona Benta; a primeira representava a tradição oral e a inadequação
ao presente e, a segunda, inteligente e instruída (GOUVÊA, 2005). Segundo
Munanga, “todos estavam interessados na formulação de uma teoria do tipo étnico
brasileiro, ou seja, na questão da definição do brasileiro enquanto povo e do Brasil
como nação”. O negro era a influência negativa nesse processo de formação da
identidade étnica brasileira (Munanga, 2004). Pensadores como Nina Rodrigues,
Silvio Romero, João Batista Lacerda e, outros, acreditavam que o negro não era a
representação do Brasil, sendo que este último chegou afirmar, em discurso na
primeira Conferencia Mundial sobre as raças, que no espaço de três gerações não
existiriam mais negros no Brasil e as políticas de branqueamento resultariam num
país essencialmente branco. Com a introdução da democracia racial defendida por
Gilberto Freire e Oliveira Viana, o sincretismo, a imigração, o mestiço e a harmonia
das três etnias que constituíam a base cultural do Brasil passaram a ser o novo
projeto a ser alcançado pelas nossas elites (MUNANGA, 2004). Gilberto Freire em
Casa grande e senzala” completa definitivamente os contornos de uma identidade
que há muito vinha sendo desenhada. O mesmo consolida o mito originário da
sociedade brasileira configurada num triângulo cujos vértices são as raças negra,
branca e índia. O cruzamento deu origem a uma mestiçagem cultural, à ideia daquilo
que Gilberto Freire classifica como sendo uma democracia, porque essa mistura
gerou, segundo esse autor, um povo sem barreira, sem preconceito, comenta
Kabengele Munanga.
O mito de democracia racial, baseado na dupla mestiçagem biológica e
cultural entre as três raças originárias, tem uma penetração muito profunda
na sociedade brasileira: exalta a ideia de convivência harmoniosa entre os
indivíduos de todas as camadas sociais e grupos étnicos, permitindo às
46
elites dominantes dissimular as desigualdades e impedindo os membros das
comunidades não-brancas de terem consciência dos sutis mecanismos de
exclusão da qual são vítimas na sociedade (MUNANGA, 2004; p.89).
Comenta ainda o autor que além de dissimular as desigualdades, a ideologia
racista proporcionou um outro dano às populações afro-brasileira que vive numa
“zona vaga e flutuante”. A idéia da democracia racial e a mestiçagem tendo como
modelo o mulato enfraqueceram o sentimento de solidariedade entre os mulatos e
os chamados negros “puros”. Os “mulatos” tenderiam assimilar os valores culturais
do mundo branco o que dificultou a formação de sentimento de solidariedade,
identificação e de identidade coletiva entre os afro-brasileiros. Para Munanga ambos
caíram na armadilha de um branqueamento ao qual não terão todos os acessos,
abrindo mão da formação de sua identidade de excluídos.A mestiçagem que
seguindo o padrão cultural do homem branco representa o modelo da sociedade
brasileira supõe a negação absoluta da diferença, ou seja, uma avaliação negativa
de qualquer diferença, e sugere no limite um ideal implícito de homogeneidade que
deveria se realizar pela miscigenação e pela assimilação cultural do homem branco
(MUNANGA, 2004). A mestiçagem, para esse autor, tanto biológica quanto cultural,
teria, entre outras consequencias, a destruição da identidade racial e étnica dos
grupos dominados, ou seja, etnocídio.
1.6 A (RE) INTERPRETAÇÃO DA IDEOLOGIA: O MÉTODO
Como já citado na introdução, o referencial teórico da hermenêutica da
Profundidade/HP, proposto por Thompson (1995) norteará a discussão desta
dissertação.
O ponto de partida para análise, como proposta por Thompson, é a
interpretação da doxa, ou hermenêutica da vida cotidiana (1995 p. 363). É um
estágio preliminar quando se busca a apreensão de como as formas simbólicas são
compreendidas em contextos concretos da vida social.
O termo doxa é originário do grego, e o dicionário de Aurélio B. H. Ferreira
(1986, p. 610) assinala os significados de crença e opinião. É nesse sentido que
Thompson (1995, p. 364) utiliza o termo. O ponto de partida da investigação é o
estudo das crenças e opiniões sustentadas e partilhadas pelas pessoas que
47
compõem o contexto a ser estudado. É um conceito cuja aplicação difere do
realizado por Bourdieu (1994), que utiliza o termo para discutir a acumulação de
capital simbólico, particularmente no campo de ciência. Doxa, para esse autor,
refere-se a ordens sociais estáveis, ao que é prescrito pela tradição, devido a tal,
naturalizado, implícito, que não pode ser questionado. A tradição determina aquilo
que não é preciso mencionar. Quando existem desafios à doxa, trata-se das
“heterodoxias”. Por vezes, estas motivam a organização de argumentos em defesa
da doxa, as “ortodoxias”. Diferem da doxa, pois são implícitas, não precisam de
argumentos para sustentá-la, são a posição, ao passo que as ortodoxias precisam
organizar argumentos em prol das tradições (BOURDIEU, 1994). Quando
explicitadas, passam a ser somente uma das posições possíveis.
Para Thompson (1995), a interpretação da doxa, é o primeiro passo da HP.
Mas essa se caracteriza por ir além da interpretação da doxa, é necessária uma
“ruptura metodológica com a hermenêutica da vida cotidiana” (1995, p. 364, grifos do
original). A interpretação da doxa é, para o autor, um passo necessário, mas não
suficiente. O ponto de partida é o reconhecimento dos sentidos compartilhados no
contexto a ser estudado. Mas outros aspectos da vida simbólica devem constituir o
campo-simbólico da pesquisa. As formas simbólicas são construções significativas,
mas são também construções estruturadas de forma específicas e inseridas em
contextos sociais e históricos determinados. Para ir além da hermenêutica da vida
cotidiana, é necessário tentar compreender as formas em que os sentidos fundam e
mantêm relações de dominação. Thompson propõe, nesse aspecto, o referencial
metodológico da HP, constituído de três fases principais. Tais fases “devem ser
vistas não tanto como estágios separados de um método sequencial, mas antes
como dimensões analiticamente distintas de um processo interpretativo complexo”
(1995 p. 365).
48
Hermenêutica da
vida quotidiana
Interpretação da doxa
FIGURA 1 - FORMAS DE INVESTIGAÇÃO HERMENÊUTICA
FONTE; adaptado de THOMPSON, 1995, p.365.
A primeira fase é a análise sócio-histórica, cujo objetivo é “reconstruir as
condições sociais e históricas de produção, circulação e recepção das formas
simbólicas” (Thompson, 1995, p. 366, grifos do autor). Algumas situações podem ser
particularmente relevantes: 1) A estrutura social na qual as relações de poder são
estabelecidas e mantidas, e as assimetrias e diferenças relativamente estáveis; 2) as
circunstâncias espaço-temporais nas quais as formas simbólicas são produzidas e
reproduzidas; 3) os campos de interação
10
, suas regras e convenções, as posições
das pessoas e o “capital” a elas disponível; 4) as instituições sociais, os conjuntos de
regras, recursos e relações que a constituem, as formas particulares que dão aos
campos de interação; 5) os meios técnicos de construção e transmissão das formas
simbólicas, que lhes conferem características determinadas.
A preocupação com a ideologia dirige a atenção para as relações de
dominação do contexto no qual as formas simbólicas são produzidas, difundidas e
recebidas. Determinadas relações de poder “são sistematicamente assimétricas e
relativamente duráveis” (1995, p. 366), como é o caso das relações raciais no Brasil.
A pesquisa sócio-histórica deve tentar compreender a contextualização social das
10
“Segundo Bourdieu, um campo de interação pode ser conceituado, sincronicamente, como um
espaço de posições e, diacronicamente, como um conjunto de trajetórias. Essas posições e trajetórias
são determinadas, em certa medida, pelo volume e distribuição de variados tipos de recursos ou
“capital” [econômico, cultural, simbólico]. Dentro de qualquer campo de interação, os indivíduos
baseiam-se nesses diferentes tipos de recursos para alcançar seus objetivos particulares”
(Thompson, 1995, p.195).
Referencial
metodológico da
Hermenêutica de
Profundidade
Análise
sócio-histórica
Análise formal
ou discursiva
Interpretação/
reinterpretação
Situações espaço-temporais
Campos de interação
Instituições sociais
Estrutura social
Meios técnicos de transmissão
Análise semiótica
Análise da conversação
Análise sintática
Análise narrativa
Análise argumentativa
Análise de conteúdo
49
formas simbólicas. “A produção de objetos e expressões significativas - desde falas
cotidianas até obras de arte _ é uma produção tornada possível pelas regras e
recursos disponíveis ao produtor, e é uma produção orientada em direção à
circulação e recepção antecipada dos objetos e expressões dentro do campo social”
(Thompson, 1995, p. 368). Nesta dissertação, a análise sócio-histórica focaliza: a)
práticas e discursos sobre relações raciais no Brasil; b) discursos de livro didático de
Ensino Religioso e debate recente sobre Ensino religioso no Brasil.
As instâncias do discurso estão sempre situadas em circunstâncias sócio-
históricas particulares, mas apresentam características e relações estruturais que
podem ser analisadas formalmente. Para Thompson, estas características devem
ser estudadas por meio de análise formal ou discursiva, a segunda fase da HP.
Segundo Thompson (1995) podem ser empregados métodos distintos de análise
discursiva, que devem ser relacionados em função dos objetivos e circunstâncias
específicas da pesquisa. Na análise formal são utilizadas técnicas específicas com
um sentido de “objetivação” das formas simbólicas, para analisar certas
características internas, regras, padrões, recursos, relações. “Formas simbólicas são
os produtos de ações situadas que estão baseadas em regras, recursos, etc,
disponíveis ao produtor” (Thompson, 1995, p. 369). A análise formal enfoca as
estruturas articuladas das formas simbólicas e tem como foco as características
estruturais das formas simbólicas que mobilizam significados a serviço do poder.
Nesta dissertação iremos privilegiar técnicas de análise de conteúdo, baseada em
Bardin (1985) e Rosemberg (1981), para a análise formal dos textos de livros
didáticos de Ensino de Religioso/LDs. Para Rosemberg:
A técnica de análise de conteúdo se propõe a descrever aspecto de uma
mensagem, objetiva e sistematicamente, e algumas vezes, se possível,
quantificavél, afim de interpretá-la, de acordo com os processos da
investigação.O processo de análise de conteúdo, nesta perspectiva, nada
mais é que tentativa de categorizar partes de um discurso, tentando, assim,
desvendar significados pouco claros ou trazer, para o primeiro plano,
aspectos comuns subjacentes e sossobrados na diversidade estilística
( ROSEMBERG,1981,P.70).
Entendemos que a análise de conteúdo de procedimentos deve ser posta a
serviço de objetos de estudos e teorias. Analogamente às outras formas discursivas,
“este tipo de análise torna-se ilusório quando [...] discutido isoladamente da
interpretação (e re-interpretação)” (Thompson, 1995, p. 369), pois as formas
50
simbólicas, construções com uma estrutura articulada, são também construções
simbólicas complexas, por meio das quais algo é expresso ou dito, e devem ser
examinadas em relação ao contexto em que são evocadas. Na perspectiva crítica
que adotamos, a análise de conteúdo visa auxiliar a desvendar se os livros didáticos
de Ensino Religioso pesquisado de 1977 a 2007 apresentam características
discriminatórias ou estereotipadas sobre os negros.
A terceira fase da HP é a interpretação/reinterpretação da ideologia. Tem um
sentido de continuidade e complementaridade da fase anterior, mas difere desta. A
análise discursiva procede por análise e, a interpretação, por síntese. Nesta fase, o
intuito será estabelecer a articulação dos resultados das duas fases anteriores, isto
é, a interpretação do que foi expresso pela análise discursiva à luz dos contextos
socialmente estruturados de sua produção. A síntese dos dois momentos leva à
“construção criativa de novos significados” (THOMPSON, 1995, p.3750), que
transcendem os sentidos dados nas fases anteriores. As formas simbólicas são
sempre um “território pré-interpretado” pelos sujeitos que compõem o campo-objeto
da investigação. Devido a isso Thompson utiliza a ideia de “reinterpretação”, a
atribuição de novos sentidos às formas simbólicas estudadas. Para Thompson
(1995), estudar a ideologia é explicar os sentidos que criam e sustentam relações de
poder desiguais. A terceira fase da HP tem este sentido, de evitar que a pesquisa
social se limite à “falácia do internalismo” (THOMPSON, 1995, p.377), isto é, que as
formas simbólicas sejam estudadas somente em suas características internas,
minorando as condições sócio-históricas e os processos cotidianos de sua produção
e recepção.
Interpretar a ideologia para Thompson é “explicitar a conexão entre o sentido
mobilizado pelas formas simbólicas e as relações de dominação que este sentido
ajuda a estabelecer e sustentar” (1995, p.379). O trabalho de análise formal ou
discursiva, de análise de formas simbólicas em um contexto determinado, procura
estabelecer as características formais/ estruturais da formas simbólicas como
instâncias ou processos específicos de construção ideológica. Pode-se, então,
argumentar que nas situações específicas de construção das formas simbólicas elas
podem estar ligadas a certos modos de operação da ideologia. A Análise parte das
estratégias ideológicas para caracterizar a atuação de modos de operação da
ideologia, conforme exemplo de Thompson:
51
Assim podemos tentar mostrar que o uso generalizado de verbos
nominalizados e da modalidade passiva são indicativos das estratégias ou
processos de nominalização e passivização; podemos continuar a
argumentar que,em circunstâncias específicas, essas estratégias ou
processos servem para sustentar relações de dominação através da
reificação dos fenômenos sócio-históricos, isto é, apresentando uma
situação transitória, histórica, como se fosse permanente, natural, fora do
tempo ( THOMPSON, 1995, p. 379).
A interpretação da ideologia busca explicar o significado e, em seguida,
compreender como o significado serve ao estabelecimento e manutenção de
relações de dominação. “É um trabalho que exige tanto uma sensibilidade às
características estruturais das formas simbólicas, como uma consciência das
relações entre indivíduos e grupos” (THOMPSON, 1995, p.380).
O capítulo a seguir empreende o primeiro nível de análise, isto é, explicita
algumas “características típicas dos contextos sociais”, relacionadas às formas
simbólicas a serem estudadas.
Com base nisso, (THOMPSON, 1995, p.89) chama a atenção para algumas
das estratégias e maneiras como o sentido pode ser construído e difundido no
mundo social, servindo para estabelecer e sustentar relações de dominação. O
exame dos contextos específicos dentro dos quais as formas simbólicas são
produzidas e recebidas, somente através do exame dos mecanismos específicos por
meio dos quais elas são transmitidas dos produtores para os receptores, e somente
por meio do exame do sentido que essas formas simbólicas possuem para os
sujeitos que as produzem e as recebem. Essas estratégias de construções
simbólicas são instrumentos com as quais as formas simbólicas criam e sustentam
relações de dominação, ou seja, são instrumentos simbólicos que produzem e
sustentam relações de dominação. Reforçando com isso o que pretendemos abordar
no próximo capítulo, o discurso como uma construção social sendo o mesmo
percebido como uma forma de ação no mundo. Nesse caso, os livros didáticos
justificam-se como um objeto rico de pesquisa por se constituir como espaço
privilegiado de disputas políticas de constituição de identidades.
52
CAPÍTULO 2 – RELAÇÕES RACIAIS NO BRASIL
2.1 SOBRE O RACISMO NO BRASIL
Neste capítulo situaremos brevemente o marco teórico sobre relações raciais
no Brasil com o objetivo de apresentar algumas considerações sobre os livros
didáticos que, via de regra, contém conteúdos depreciativos em relação aos povos e
culturas não oriundos da cultura européia. O discurso dos textos e ilustrações dos
livros didáticos,em geral, não deveriam caracterizar valor de superioridade ou
inferioridade ao se falar sobre diversidade entre os grupos humanos. Pelo contrário a
diversidade é um fator de complementaridade e de enriquecimento da humanidade
que em geral ajuda no reconhecimento positivado do alunado negro discriminado a
“assumir com orgulho e dignidade os atributos de sua diferença, sobretudo quando
esta foi negativamente introjetada em detrimento de sua própria natureza humana”
(MUNANGA, 2005, p.15).
Outra consideração importante para o desenvolvimento dessa dissertação é
despojarmos-nos do medo de sermos preconceituosos e racistas. Como argumenta
Munanga (2005) essa é uma condição primordial, para que possamos transformar
radicalmente nossa estrutura mental herdada do mito da democracia racial, mito
segundo o qual no Brasil “não existe preconceito étnico-racial e, consequentemente,
não existem barreiras sociais baseadas na existência da nossa diversidade étnica e
racial, podemos então enfrentar o segundo desafio de como inventar as estratégias
educativas e pedagógicas de combate ao racismo” (p.18).
Os estudos sobre relações raciais no Brasil podem ser classificados em três
correntes de pensamentos diferentes. Uma primeira posição é a de Gilberto Freire
com a proposta de compreensão do Brasil como lócus da democracia racial, cuja
ideia baseava-se na crença da convivência cordial e harmoniosa das raças/etnias
que compuseram a sociedade brasileira. A segunda posição teve, na chamada
“escola de São Paulo”
11
e em Florestan Fernandes seu expoente no que se refere,
à crítica ao “mito da democracia racial” preconizado por Freire. Para Freire o racismo
11
Segundo BAZILLI (1999, p.21) “contou com a participação de figuras importantes da época, ou
atuais (Octavio Ianni, Thales de Azevedo, Charles Wagley, Roger Bastide, Noemi Silveira, Fernando
Henrique Cardoso), que desenvolveram, inicialmente, afinidades em torno de um projeto
encomendado pela UNESCO que visava entender a democracia racial brasileira”.
53
é negado, velado, enfatiza a miscigenação racial e sustenta a tese de que as
relações raciais no Brasil são cordiais, amigáveis. Para Florestan Fernandes as
relações raciais são enfocadas pela grande distância sociais entre brancos e negros;
a discriminação racial é transparente e marcada pela desigualdade. A terceira
posição é marcada pela atuação do Movimento Negro e de cientistas sociais que
“procuram, além de promover a crítica ao dogma da democracia racial, evidenciar
que o racismo é constitutivo das desigualdades sociais brasileiras” (BAZILLI, 1999,
p. 21).
Partindo da tomada de consciência que esses estudos revelaram, pretende-
se realizar o resgate histórico a respeito da questão da mestiçagem do final do
século XIX de que os intelectuais brasileiros se alimentaram a partir do referencial
teórico desenhado pelos cientistas ocidentais (europeus e americanos) sobre o
caráter ambivalente da mestiçagem. A idéia da mestiçagem tida ora como meio para
“estragar e degradar a boa raça; ora como um meio para reconduzir a espécie a
seus traços originais; as ideias sobre a degenerescência da mestiçagem”
(MUNANGA,2004,p.53).
Os intelectuais do final do século XIX e início do XX defendiam o ideal de
branqueamento como solução, pois estavam convictos de que os negros e os
considerados mulatos eram inferiores. Suas teses estavam respaldadas na tese da
mistura de brancos e não-brancos em que a alta taxa de fecundidade entre os
brancos e a crença de que “os genes brancos eram dominantes. Estes eugenistas
concluíram que a mistura de raças eliminaria a população negra e conduziria,
gradualmente, a uma população completamente branca” (TELLES, 2003, p. 46). O
lugar do negro no projeto de nação na visão dos intelectuais da época que se
desenhava neste período só era possível mediante a negação de suas marcas
raciais, pelo branqueamento.
Ao longo da história os discursos racistas no Brasil, passando pela “ideologia
do branqueamento” e pelo mito da democracia racial, construíram propostas sociais
que tinham como principal objetivo apagar a herança africana. O ufanismo
12
que
glorificava a grandeza do nosso povo e da nossa terra, nitidamente identificado com
a cultura européia, ausentava, marginalizava, estereotipava e discriminava a negros,
12
Segundo GOUVÊA ( 2005, p.82) , o movimento Modernista no Brasil como, por exemplo, a
Semana de 22, dialogava com as diversas expressões da vanguarda cultural européia.
54
dificultando com isso que a grande parcela dos negros cultivassem a sua auto-
estima (GOUVÊA, 2005).
Segundo Borges, d’ Adesky e Medeiros (2002, p.29) a intervenção do
Movimento Social Negro e os estudos recentes de pesquisas raciais no Brasil feitas
por setores do mundo acadêmico têm demonstrado que a exclusão e a
discriminação estão mais relacionadas à cor da pele e aos traços faciais do que à
ancestralidade. Essa é uma das razões pelas quais pesquisas trabalham com a
classificação de grupos de cor, ao invés de grupos raciais. Para esses
pesquisadores a proximidade de pretos e pardos em matéria de discriminação e
desigualdades justifica agrupá-los numa mesma categoria sociológica podendo
denominá-los de negros, afro-brasileiros ou afro-descendentes. A Síntese de
indicadores sociais 2000, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)
13
,
apresenta dados recentes sobre a situação socioeconômica do Brasil:
O quadro geral das desigualdades raciais [...] tendeu a se manter inalterado,
apesar dos avanços alcançados nos níveis de educação e rendimento da
população brasileira do mesmo período [1992 - 1999]. As taxas de
analfabetismo, embora tenham caído para todos os grupos de cor [brancos,
pretos, pardos, amarelos e indígenas], ainda são, em 1999, duas vezes
mais elevadas para pretos e pardos (da ordem de 20%) do que para
brancos (8,3%). No Nordeste, por exemplo, que possui as taxas mais altas
do País, o analfabetismo hoje ainda é mais expressivo entre os pretos
(35%) do que entre os pardos (28%,4) e entre os brancos (21,3%). Também
no Sudeste, onde são encontradas as menores taxas do Brasil, os pretos
(14,4%) e os pardos (11,4%) também apresentam uma taxa bastante
superior à dos brancos (5,6%). O analfabetismo funcional, isto é, pessoas
com menos de 4 anos de estudo, atingia, em 1999, cerca de 40% da
população preta e parda de 15 anos ou mais, enquanto incidia sobre 21%
da população branca da mesma faixa etária ( BORGES, D’ ADESKY e
MEDEIROS, 2002, p.29).
As desigualdades raciais no Brasil são evidentes e alarmantes, segundo o
Atlas Racial Brasileiro (2005), “os negros são maioria entre os pobres (65%); maioria
entre os indigentes (70%), em uma série histórica bastantes estável, com uma ligeira
tendência de aumento da proporção de negros”. Além disso, os mais de 72 milhões
de brasileiros pretos e pardos fazem com que o país apresente a maior população
13
População total: 183,9 milhões, sendo que no último PNAD (Pesquisa Nacional Por Amostra de
Domicílios) encontrou o Brasil sendo composto por 93.096 milhões de
brancos (49,7%), 79.782
milhões de pardos (42,6%), 12.908 milhões de negros (6,9), 919 mil amarelos (0,5%) e 519 mil
indígenas (0,3%).
Censo 2006.
55
afro-descendente do mundo, atrás apenas da Nigéria, país localizado na África
ocidental (BORGES, D’ ADESKY e MEDEIROS 2002, p.29).
As desigualdades entre negros e brancos não se devem somente às
diferenças das condições de origem. Elas acontecem não somente pela dificuldade
de ascensão social após abolição, mas, também, devido ao racismo dirigido aos
negros. Segundo Silva (2005, citando HASENBALG, 2005) a “herança da pobreza” é
um fato relevante, mas não explica suficientemente a situação de pobreza que
assola as famílias negras na atualidade. A mobilidade social que possibilita pessoas
de origens sociais/familiares diferentes alcançarem posições distintas na hierarquia
social é muito mais favorável aos indivíduos brancos que aos indivíduos negros. As
desigualdades se manifestam em áreas diversas, como a emprego e renda, saúde,
moradia, educação.
Segundo Silva (2005), os diversos estudos sobre preconceito educacional
dentro das escolas apontam a discriminação racial e a desigualdade nas relações
raciais. Estudos explicitam que a desigualdade educacional inicia-se na educação
infantil com o desnivelamento de custeio, de nível educacional dos profissionais, de
condições gerais de atendimento. A rotina de espera e subalternidade inicia-se nos
berçários e nas classes de educação infantil, onde as crianças negras e pobres;
recebem baixo investimento governamental (ROSEMBERG, 1997, apud, SILVA,
2005).
Estudo conduzido por Telles (apud SILVA, 2005) realizou uma comparação
de desempenho educacional entre irmãos de cor diferente (irmãos brancos
comparados com seus irmãos pretos ou pardos). O estudo demonstrou que os
irmãos brancos apresentaram maior propensão que seus irmãos negros a estarem
na série apropriada para a sua idade. As irmãs negras apresentaram diferenças de
desempenho de suas irmãs brancas. Segundo o autor, tais resultados evidenciam a
importância da variável raça, tendo em vista que os irmãos possuem em geral a
mesma classe social, família, moradia e outros fatores de capital social ou cultural
(71).
Um dos mecanismos que oculta as desigualdades raciais no Brasil é o
silêncio, que apresenta de forma não-direta uma centralidade eurocêntrica; valoriza
simbolicamente os aspectos culturais, históricos e artísticos da Europa em
detrimento aos legados de outros grupos étnicos que compõem a população
brasileira. Esse silêncio se manifesta em particular nos currículos escolares.
56
Por outro lado, observa-se, nos últimos anos, uma visibilidade crescente do
reconhecimento da identidade negra no país, em particular entre os afro-
descendentes. As mudanças sobre a identidade negra no Brasil relacionam-se às
discussões sobre políticas afirmativas. Exemplo disso é o aumento da presença de
negros militantes em instituições do poder Executivo, Judiciário e Legislativo,
instituições nas quais destacam-se conquistas de políticas públicas importantes
como: projeto, que foi aprovado por unanimidade pela Assembléia Legislativa e
sancionada pelo governo de estado do Rio de janeiro, na forma da Lei nº 3.708, de 9
de novembro de 2001, que instituiu 40% das vagas para negros e pardos na
Universidade do Estado de Rio de Janeiro (UERJ). Outra manifestação, nesse caso
local, é a diversificação de organizações do movimento negro em Curitiba (por
exemplo, Associação Cultural de Negritude e Ação Popular-ACNAP; o Instituto Brasil
e África; Instituto de Pesquisa do Afro descendente - IPAD; Instituto 21 Março; Rede
de Mulheres Negras – PR); que conseguem visibilidade em diferentes setores da
sociedade civil, por atuarem na defesa de direitos coletivos e das vítimas de
discriminação racial (ARAÚJO, 2000, p.31).
Essas crianças e jovens por serem negras, na sociedade brasileira, têm
como referência principal a escravidão e “dificilmente se consideram como parte da
sociedade ou alguém que tem um papel significativo na sua construção” (PEREIRA,
2006, p.17). O desejo e o ideal de embranquecer permanecem atuantes e podem
conduzir à baixa-estima:
A repressão ou persuasão leva o sujeito negro a desejar, invejar e projetar
um futuro identificatório antagônico em relação à realidade de seu corpo e
de sua história étnica e pessoal. Todo ideal identificatório do negro
converte-se desta maneira, num ideal de retorno ao passado, onde ele
poderia ter sido branco, ou na projeção de um futuro, onde seu corpo e
identidade negros deverão desaparecer (SOUZA, 1983, p.5).
Mesmo reconhecendo esses limitadores, é possível identificar manifestações
de identidade
14
negra brasileira, em particular via grupos de afro-descendentes que
expressam desejo manifesto de estabelecer metas comuns de proteção e
enfrentamento diante do preconceito e da discriminação racial existentes na
sociedade. Apesar da proliferação de discursos que muitas vezes competiram entre
si, observa-se uma relativa unidade na oposição ao racismo, o reforço da auto-
14
Para (PEREIRA, 2006, p.20) a identidade tem a ver com o sentimento de pertencimento do
indivíduo a um grupo étnico-racial, cujo processo não se desenvolve no isolamento, mas na interação.
57
estima pela valorização dos traços fenotípicos e da herança cultural africana
(ARAÚJO, 2000, p.31).
Tendo como parâmetro as análises sobre as desigualdades nas relações
raciais entre negros e brancos, esse capítulo tem continuidade na revisão da
literatura de pesquisas brasileiras sobre relações raciais em livros didáticos.
2.2 RELAÇÕES RACIAIS EM LIVROS DIDATICOS
Nessa parte está disposta análise sobre resultados de pesquisas sobre
brasileiros que estudaram relações raciais em livros didáticos, em estudaram
particular a hierarquização entre brancos e negros.
A pesquisa volta-se para a análise da presença negra nos livros didáticos de
Ensino Religioso, o que é relevante para o campo do conhecimento educacional
tendo em vista que, segundo Batista, (apud SILVA, 2005, p. 9), existem na literatura
diversos argumentos e características importantes para que o livro didático seja mais
estudado no país: ele é a fonte de informação mais importante para grande parte
dos professores e dos alunos da escola brasileira; o seu uso é mais intenso nos
estratos econômicos mais baixos das populações escolares; e ele possui enorme
participação na produção editorial brasileira. SILVA (2005) salienta que, apesar de
todos esses motivos descritos acima, o discurso racista em livros didático ainda é
tema pouco estudado.
O livro didático pode ser objeto rico de pesquisa por constituir-se espaço
privilegiado de disputas políticas de constituição de identidades; pois nele, há
diferentes personagens e modelos de interpretação, significados, saberes,
conceitos, normas, valores para seus leitores (RIBEIRO, 2004, p.365). Diversas
manifestações e ações transcorridas nas últimas décadas ao serem confrontadas na
revisão sobre livros didáticos no Brasil, tem sido, na maior parte das vezes, invisíveis
aos olhos de autores e editores, reforçando o que Silva constatou na sua análise
sobre livros didáticos:“a) lacunas nos conhecimentos acadêmicos acumulados sobre
o tema; b) intensa mobilização social sobre a questão; c) equívocos/ descaminhos
da ação governamental caso as medidas assumidas visassem enfrentar o racismo
constitutivo da sociedade brasileira” (2005, p.9).
Silva (2005), revisando a base de dados da Associação Nacional de Pós-
Graduação em Educação/ANPED, sobre teses e dissertações defendidas entre 1981
58
e 1998, encontrou 114 títulos sobre o tema “Livro Didático”. Entre eles, somente
quatros eram relacionados a racismo (estereótipos, preconceito ou racismo), em um
total de mais de oito mil títulos de teses e dissertações defendidas. O autor descreve
que encontrou 44 referências sobre discurso racista em livros didáticos em
publicações entre 1987 e 2001. A complexidade de temas e problematizações que
podem ser formulados a partir do livro didático têm transformado este objeto de
estudo no veículo mais estudado, no Brasil. Encontramos educadores, historiadores,
lingüistas, semiólogos, entre outros profissionais, preocupados em investigar
questões ligadas à dimensão simbólica do racismo, à sua continuidade e suas
transformações, aos usos e práticas na produção e reprodução, aos valores e
ideologias, aos estereótipos e preconceitos de seus conteúdos. Das 218 publicações
que Silva (2005, p.9) localizou tratando de discursos racistas, somando 47(21%),
analisavam livros didáticos.
A pesquisa bibliográfica realizada nas mesmas bases de dados verificados
por Silva (2005), para construção desse capítulo, chegou a resultado similar “o
número de referências, não reflete a quantidade de pesquisas, pois diversos escritos
são repetições sobre o mesmo material empírico” (p.10). Na incursão pelos trabalhos
publicados sobre livros didáticos e discursos racistas entre os anos de 2002 e
2007
15
, verificamos que os autores não fugiram à regra do que constatou Silva
(2005); os trabalhos focalizaram preferencialmente o Ensino Fundamental e a
disciplina de História esteve presente em quatro trabalhos publicados.
Para apresentar os resultados de pesquisas brasileiras sobre racismo em
livros didáticos, utilizou-se como base os trabalhos de estado da arte realizados por
Silva (2005) e por Rosemberg, Bazilli e Silva (2003) que afirmaram:
Em seu conjunto, a produção é relativamente frágil, teórica e
metodologicamente, fragmentada e inconstante. Isto é, os textos nem
sempre explicitam se dialogam com a produção ou a recepção, qual o
modelo societário subjacente às suas inferências e qual o alcance das
interpretações. São poucos os autores ou grupos de pesquisas que se
mantêm trabalhando sobre o tema por um período relativamente longo. A
produção sobre livro didático ignora este capítulo, ou o trata
superficialmente (Freitag et al., 1989; Munakata, 1997, 2000; Em Aberto,
1996), da mesma forma que , com raras exceções, essa produção ignora o
acúmulo de conhecimento sobre livros didáticos no Brasil.
Complementarmente, estudos sobre relações raciais no Brasil,
15 Todos os trabalhos estão citados na Bibliografia. Não temos como proposta analisar todas as
dissertações com profundidade, tendo em vista que a idéia é ressaltar, de forma breve, trabalhos que
focalizaram a temática que estamos abordando; nesse caso, relações raciais e livros didáticos.
59
especialmente sobre o movimento negro nas décadas de 1980 e 1990,
apesar de mencionarem o combate ao racismo em livro didático como um
dos itens do seu ideário político, omitem o acervo de pesquisas sobre livros
didáticos (D’Adesky,2001; Guimarães,2002). A despeito da tiragem bastante
significativa, os livros didáticos não entram na configuração da
representação do negro na mídia (D’Adesky, 2001). Além disso, observa-se
uma quase que ausência de referências a outros estudos sobre o próprio
tema. À exceção de pesquisas do próprio autor, ou de grupos de autores
com filiação direta, são raras as citações, as discussões, as contraposições
e críticas, mesmo em estudos de mesma universidade ou programa de pós-
graduação (Silva 2002). Isto é, defrontamo-nos com uma cultura e carências
que são velhas conhecidas da academia brasileira. Além da necessidade de
aprofundamento teórico conceitual indispensável à constituição de um
campo de estudos, notamos algumas lacunas nesse conjunto de textos:
ausência de diálogo com o campo de estudos das relações raciais no Brasil;
pouca preocupação com o tratamento dado á História da África, disciplina
reivindicada pelo movimento negro para integrar o currículo escolar; pouca
atenção dada ao vocábulo racial “nativo”, usado nos livros didáticos. As
implicações são sérias: dificilmente poderíamos falar em campo de
conhecimento constituído. Assim sendo, a retaguarda disponível para
propor e implementar ações práticas é frágil, para além do diagnóstico
genérico “ os livros didáticos brasileiro são racistas”, e das palavras de
ordem genérica “é necessário mudá-los” ( p.130-131)
Ao constatar tal fato ressaltado nas leituras realizadas nas dissertações,
pode-se dizer que os mesmos revelaram que os livros didáticos apresentaram
mudanças significativas, quanto a edições, diagramações, ilustrações, as
publicações ficaram mais diversificadas e amplas. De certa maneira houve uma
assimilação e determinados avanços pedagógicos, mas as mudanças foram mais
tênues no que diz respeito a relações entre negros e brancos. As pesquisas afirmam
que o discurso dos livros analisados tendem a personificar os negros ainda em
diversos momentos na escravidão e em expressiva subordinação ao branco.
2.2.1. ESTUDOS ATÉ A DÉCADA DE 1980
Estudos sobre preconceito racial e livros didáticos e paradidáticos no Brasil
iniciaram-se na década de 1950, com pesquisas realizadas por Leite e por Holanda
(apud SILVA, 2005). As pesquisas apontaram que o preconceito racial raramente era
explícito, mas que a discriminação racial estava presente, principalmente por formas
implícitas de racismo, pela ausência de personagens negros, pela presença de
estereótipos e pela correlação dos personagens negros com posições sociais
desvalorizadas.
Além do preconceito, essas novas pesquisas privilegiaram o conceito de
estereótipo, que vinha sendo popularizado pela entrada da psicologia social no
60
Brasil. A depreciação em relação aos negros apresenta-se muitas vezes em
ilustrações veiculando o negro sob forma estereotipada e negativa, o índio como
selvagem, a mulher como mãe e doméstica, o caboclo brasileiro como caipira
(FARIA 1984). Também para LUZ, (1983) os estereótipos justificam a exploração e a
opressão pelo índice imaginário de superioridade de um grupo humano sobre outro,
recalcando todo o processo histórico que engendrou esta determinada situação.
Nova leva de pesquisas foram realizadas a partir da década de 1980, tendo como
inspiração teorias reprodutivas que enfatizavam o papel da escola como reprodutora
das discriminações existentes na sociedade contra determinadas categorias étnico-
raciais. Algumas pesquisas propuseram novas metodologias capazes de captar as
nuances de discriminações raciais contra negros no Brasil e uma depreciação
sistemática de personagens negros, além de uma valorização sistemática de
personagens brancos (PINTO, apud SILVA, 2005).
Silva (2005) destaca a pesquisa de Pinto (1981), que analisou uma amostra
de 48 livros de leitura para quarta série do Ensino Fundamental, publicados entre
1941 e 1975. A pesquisa merece destaque porque tratou centralmente do tema e
adotou uma perspectiva diacrônica, recolhendo dados escolhidos com base em uma
listagem da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo e captando
permanências e transformações de discriminações. Mostrou em sua análise a
naturalização da condição de branquidade dos personagens nos textos e nas
ilustrações; sendo estes apresentados como representantes da espécie, ocupando
quase a totalidade de posições de destaque nas ilustrações de capa, com
identificação de nome próprio e em sua maioria por sua nacionalidade e inseridos
em contexto familiar. Os personagens brancos foram ilustrados em atividades
ocupacionais as mais variadas possíveis e com prestígio e poder de atuação e
autonomia. Em contraposição os personagens negros foram retratados em número
muito limitado, sempre em funções mais desvalorizadas socialmente, sem
possibilidade de atuação na narrativa, geralmente em posição coadjuvante ou como
objeto da ação do outro (PINTO, apud. SILVA, 2005). A esse respeito a
pesquisadora se pronunciou afirmando que:
Seja de uma maneira mais rigorosa em que os argumentos são subsidiados
pela comparação e quantificação dos exemplos apresentados,seja de uma
maneira mais impressionista, conseguem desvendar não só discriminações
e preconceitos explícitos, menos perceptível, que se configura através do
61
silêncio ou da ausência de representantes de outras raças ou etnias
(PINTO, apud. BAZILLI et. Al. 1999).
Outra pesquisa que empreendeu uma análise de uma amostra com 82 livros
de Comunicação e Expressão, da alfabetização à 4 série do Ensino Fundamental,
da pesquisadora Ana Célia Silva (1988). Os manuais que constituíram sua amostra
eram os mais utilizados numa determinada região de Salvador e a pesquisadora
selecionou para análise 16 livros que apresentavam maior incidência de
estereótipos. Os resultados foram bastante semelhantes aos de Pinto (1981). Na
comparação da representação de crianças negras e brancas, os dados reiteraram a
naturalização do branco, enquanto a criança negra foi representada de forma
negativa (p.13).
2.2.2 ESTUDOS DE 1990 A 2003
Silva (2005) discute os resultados de pesquisa que analisou em sua
amostra 100 crônicas mais frequentes numa amostra de 127 livros didáticos de
Língua Portuguesa, da 5ª série do Ensino Fundamental ao 3º ano do Ensino Médio.
A sua pesquisa revelou presença de estereótipos raciais, personagens negros com
pouca possibilidade de atuação na narrativa a incorporação de concepções
preconceituosas por personagens negros. A utilização de termos pejorativos e
grotescos e associação da imagem de uma menina negra como um “animalzinho” foi
um dos atributos raciais revelados na pesquisa haja vista que segundo Silva (2007),
outras terminações colocaram os negros presentes nas crônicas como pobres ou
miseráveis e desempenhando papéis sociais estereotipados, como mostra a citação
abaixo:
Os personagens negros trazidos nas crônicas eram estereotipados, em
classe social, atividades laborais, atributos negativos, ausência de nome e
quaisquer referências a atividades ou características positivas. Os
personagens, listados nas crônicas, foram: 1 - garoto de 16 anos, preto,
tomado como assaltantes; 2 - empregada doméstica e pintor “atrevido”,
“descarado”, sem vergonha”; 3 - “sambista de cor”; 4 - prostitutas, “uma
mulata e alta e uma baixa e preta”, “ambas pobres e feias”; 5 - empregada
doméstica; 6- “preto baixo, forte e desdentado”, malandro que aplica golpe
em médicos; 7 - “negrinha mirrada, raquítica, um fiapo de gente encostada
no poste como um animalzinho”; 8 - “casal de pretos”, “compostura da
humildade”, “uma negrinha de seus três anos, toda arrumadinha no vestido
pobre”, “três seres esquivos”, “ a negrinha finalmente agarra o bolo com as
duas mãos sôfregas e põe a comê-lo” (SILVA, 2007, p.9).
62
Procurando responder à indagação se os professores do curso de
magistério estariam proporcionando “aos seus alunos a oportunidade de refletir
sobre diferenças étnico-raciais de modo geral e particular no contexto escolar”
(PINTO, 1999, p.8) a autora realizou um primeiro estudo para o magistério de Ensino
Médio, analisando livros didáticos de História do Brasil, Biologia, Sociologia da
Educação e Psicologia da Educação e conclui que os livros didáticos suprimiram as
passagens mais criticadas pelo movimento negro nas décadas anteriores. A partir de
então, a cobrança do movimento negro e de pesquisadores de mencionar a história
de Zumbi e de Palmares, passou a ser atendida. A pesquisadora identificou ainda
lacunas no tratamento dos problemas que o negro enfrenta na sociedade brasileira
em questões importantes de como a “resistência negra no continente de origem e no
Brasil era tratada de forma superficial, enfatizando manifestações individuais, em
lugar de coletivas. O negro era muito mais tratado como objeto, que como sujeito”
(PINTO, 1999, apud SILVA, 2007, p.10).
As pesquisas do início da década atual (CRUZ, 2000; OLIVEIRA, 2000;
BEISIEGEL, 2001; CÉLIA SILVA, 2001; SILVA, 2005) apresentaram avanços e
permanências no que se refere aos discursos raciais nos livros didáticos. Nas
amostras analisadas os livros detectaram uma representatividade mais positiva em
relação aos personagens negros, como: diversificação de papéis e funções,
familiares e profissionais; adjetivação positiva; localização no centro ou em primeiro
plano em ilustrações; ausências de representação estereotipada, menções positivas
à criança negra; utilização de nome próprio para referir-se à criança negra;
representação em práticas de atividades de lazer. Os personagens negros humanos
passaram a existir e as editoras passaram a ter mais cuidados com as
representações gráficas de personagens negros (SILVA, 2007).
Na análise de conjunto de pesquisas por Silva (2007), algumas permanências
foram identificadas, como o uso de estratégias discursivas de forma a amenizar a
responsabilidade dos portugueses pela escravidão; a mão-de-obra imigrante dos
brancos europeus associados ao progresso. A associação do negro à figura do
escravo e a sua imagem à escravidão “foram pouco profícuas, pois, em lugar da
velha associação, foram realizadas outras, com personagens folclorizados e/ou
estereotipados” (SILVA, 2007, p.11). Os personagens negros mantiveram o uso da
voz passiva nas narrativas textuais e em geral sendo apresentados não como
sujeitos históricos, mas como dependente de ação de outros. Prevaleceu uma lógica
63
que coloca o negro sempre na condição de seus antepassados escravizados, com
ausência de menção às resistências e conquistas que a população negra conseguiu
pós-escravidão na sociedade contemporânea. Os textos didáticos analisados
mantêm a tendência de um discurso universalista e não oferecem espaço para a
diferença, para manifestações culturais, além das brancas. Em geral, os
personagens brancos atuaram e, muitas vezes, apresentaram uma função de
“salvadores” em relação a personagens negros. Por outras, atuaram, sutilmente,
para corrigí-los de suas crenças, opiniões e valores.
O estudo de Marco Oliveira (2000) trabalhou com uma amostra de 25 livros
didáticos de história, de 5ª a 8ª séries publicados entre 1978 e 1998. O pesquisador
aplicou um questionário a 111 professores da cidade de São Paulo e obteve nos
relatórios dos cursos de Prática de Ensino de História da USP, comparativos da
análise que informa sobre modificações na forma de abordagem dos conteúdos. Nos
livros editados no primeiro período com os editados no final sua abordagem localizou
modificações nos conteúdo dos editados na primeira década que apresentaram uma
história mais tradicional, definida pelo pesquisador como aquela centrada numa
narrativa linear, cronológica, positivista, espelhada na biografia de ‘heróis’. As
edições mais recentes buscaram se respaldar em outras perspectivas
historiográficas (OLIVEIRA, apud. SILVA et. Al. 2007).
Cruz (2000) trabalhou com livros de “Estudos sociais”, estando esta disciplina
escolar em processo de subdivisão, em História e Geografia, tendo sido privilegiados
os conteúdos de História. A pesquisa analisou nove livros didáticos de Estudos
sociais. Pautando seu critério nas políticas do livro didático do Brasil. A pesquisadora
estabeleceu três intervalos: dois títulos foram depositados entre 1982 e 1984,
período anterior ao PNLD; quatro foram depositados ou editados entre 1985 e 1994,
dez primeiros anos do PNLD; três foram editados entre 1996 e 1998, período de
início da avaliação sistemática do PNLD. Os dados de Cruz (2000) são convergentes
com os de Oliveira (2000) segundo Silva (2007, p.11).
A pesquisa sobre livros didáticos de Língua Portuguesa de Ana Célia Silva
(2001) constituiu uma amostra inicial com 15 livros didáticos, da alfabetização à 4ª
série, utilizados em uma escola estadual de São Carlos/SP. Foram selecionados
cinco livros publicados entre 1992 e 1997. A pesquisa fez comparações com a
realizada pela autora em 1988 e seu resultado final foi que na amostra mais recente
64
o discurso foi mais favorável aos personagens negros, tanto nos textos quanto nas
ilustrações.
2.2.3 ESTUDOS DE 2003 À ATUALIDADE
Aos resultados da pesquisa de Silva (2005) e do estado da arte realizado pelo
mesmo, que analisou pesquisas publicadas até 2003, se incorporam os resultados
de pesquisa bibliográfica realizada, de estudos entre 2003 e 2008. Um aspecto
significativo é que, pesquisando nas mesmas bases de dados para fazer o
levantamento bibliográfico, se observa um aumento de frequência de pesquisas
sobre a temática, mas quase que exclusivamente dissertações de mestrado, por
vezes com resultados das mesmas dissertações publicados como trabalho completo
em anais de congresso e uma das mesmas publicada como livro. Incorporam-se
nessa análise os resultados de sete dissertações. Significa uma preocupação mais
intensa de jovens que ascendem à pós-graduação para fazer trabalhos de
aprendizagem de pesquisa, mas pouca circulação dos resultados visto que a maior
parte das dissertações, em termos de circulação, vai pouco além da leitura pelas
bancas de avaliação. Pode-se considerar um interesse significativo sobre o tema, no
entanto restrito a trabalhos de pesquisas iniciais. Ou seja, não se observa teses e
nem artigos com novos resultados sobre a temática.
Em relação aos resultados de Silva (2005), a pesquisa analisou amostra
com total de 33 livros didáticos de Língua Portuguesa para a quarta série do ensino
fundamental, publicados entre 1975 e 2003. Numa análise diacrônica, comparou os
livros publicados entre períodos (1975-1984; 1985-1993; 1994-2003). Nos livros
foram contadas 794 unidades de leitura, das quais 252 foram analisadas. Os
números de personagens brancos somaram 698 nas unidades de leitura, para 43
personagens negros. A taxa de branquidade que fornece a relação de números de
personagens brancos correspondentes a cada unidade de personagens negros foi
de 16,2. Os resultados possibilitaram a afirmação que no longo prazo as mudanças
nos discursos racistas foram muito limitadas, permanecendo uma série de formas
discursivas de hierarquização entre brancos e negros.
A seguir estruturamos no quadro 2 uma síntese dos resultados das principais
pesquisas realizadas entre as décadas de 1980 até 2008 sobre racismo em livros
didáticos. O quadro é adaptação do quadro de Silva (2005). Somente o último item
65
do quadro é novo em relação ao quadro original. A maior parte são reiterações de
resultados, com acréscimos das novas pesquisas (OLIVA, 2003; COSTA, 2004;
RIBEIRO, 2004; FILHO, 2005; CARVALHO, 2006; PEREIRA, 2006; TEIXEIRA,
2006).
Pesquisas que apresentaram os personagens brancos como representantes da espécie
humana, muito mais frequente nas ilustrações, representado em quase a totalidade de
posições de destaque (Pinto, 1987; Ana Silva, 1988; Oliva, 2003; Costa, 2004; Ribeiro, 2004;
Carvalho, 2006; Pereira, 2006, Filho, 2005; Teixeira, 2006;); personagem negro menos
elaborado que branco (Pinto, 1987; Ana Silva 1988; Cruz, 2000; Paulo Silva, 2005; Carvalho,
2006; Pereira, 2006). Personagens negros sub-representado nos livros didáticos (Ana
Silva, 2001; Costa, 2004; Paulo Silva, 2005; Ribeiro, 2004; Filho, 2005; Carvalho, 2006;
Pereira, 2006;Teixeira, 2006;).
Personagens negros aparecem menos frequentemente em contexto familiar (Pinto,
1987; Ana Silva, 1988, 2001; Paulo Silva, 2005; Teixeira, 2006;) e desempenham número
limitado de atividades profissionais, em geral as de menor prestígio e poder (Pinto, 1987;
Ana Silva, 1988; Cruz, 2000).
Crianças negras representadas em situações consideradas negativas (Ana Silva, 1988),
raramente em contexto escolar ou desempenhando atividades de lazer (Ana Silva, 1988,
Paulo Silva, 2005; Ribeiro, 2004; Teixeira, 2006;).
Negros prevalentemente como personagens sem possibilidade de atuação na narrativa, em
posição coadjuvante ou como objeto da ação do outro, em contraponto com os
personagens brancos, com atuação e autonomia. (Pinto, 1987; Chinellato, 1996; Cruz, 2000,
Paulo Silva, 2005; Carvalho, 2006; Pereira, 2006; Teixeira, 2006;).
Discursos das crônicas transcritas em livros didáticos apresentam as concepções
preconceituosas compartilhadas pelos personagens negros (Chinellato, 1996).
As crônicas mais frequentes em textos didáticos apresentaram os personagens negros
pobres ou miseráveis, que desempenham os papéis sociais estereotipados ou
estigmatizados (Chinellato, 1996; Teixeira, 2006;). Por outro lado, as narrativas das
crônicas desvelaram a existência do preconceito e o utilizaram para expor ao ridículo
os agentes preconceituosos (Chinellato, 1996).
Personagens negros em contexto sócio-cultural omitido, prevalecendo valores da cultura
européia (Negrão 1988; Ana Silva, 1988, 2001; Chinellato, 1996; Pinto, 1999; Oliveira, 2000;
Oliva, 2003; Costa, 2004; Filho, 2005; Paulo Silva, 2005, Carvalho, 2006; Pereira, 2006;
Teixeira, 2006; Teixeira, 2006;).
Textos que condicionam a representação do negro como escravo, vinculado-o a uma
passagem daquela condição à de marginal contemporâneo (Oliveira, 2000,Oliva, 2003;
Ribeiro, 2004; Teixeira, 2006;), associando o trabalho livre e o progresso do país aos brancos
(Cruz, 2000; Ribeiro, 2004; Filho, 2005).
Manutenção da população negra confinada a determinadas temáticas que reafirmam o
lugar social ao qual ela está limitada (Oliveira, 2000; Pinto, 1999; Cruz, 2000; Costa, 2004;
Ribeiro, 2004; Paulo Silva, 2005; Carvalho, 2006; Pereira, 2006; Teixeira, 2006;).
Omissão e superficialidade ao estudo obrigatório do continente africano e das civilizações
africanas conforme a Lei de Diretrizes de Base10. 639/03 (Oliva, 2003; Filho, 2005;
Carvalho, 2006; Pereira, 2006; Teixeira, 2006;)
QUADRO 2 - SÍNTESE DE RESULTADOS DE PESQUISAS SOBRE O NEGRO EM LIVROS
DIDÁTICOS BRASILEIROS
FONTE; ADAPTADO DE SILVA, 2005, p.14.
Dentre as dissertações que incorporamos dos resultados, somente a
pesquisa de Carvalho (2006) apresentou um estado da arte sobre racismo em livros
didáticos. As escassas citações de outros trabalhos revelam a ausência de diálogo,
66
crítica e contraposições que dão forma a uma área de conhecimento. Apresentamos
sinteticamente alguns resultados dessas pesquisas.
A pesquisa de CARVALHO (2006)
16
apresentou como foco a análise do
cotidiano escolar e a utilização dos textos didáticos, com abordagem dirigida por
questões de análise de conteúdo e como a imagem do negro é representada nos
livros didáticos. Os resultados das suas análises nos livros didáticos de História
utilizados na amostragem da pesquisa entre os períodos de 1996 a 2001 apontaram
que as imagens dos negros não tiveram (re) significações como previam as
legislações do início da década de 1990
17
. Não houve mudanças nos conteúdos e
nos temas dos livros didáticos “no que diz respeito à História, às culturas, ao
Cotidiano e à Religião dos negros africanos e de seus descendentes na África e no
Brasil. Constata-se uma continuidade e uma repetição dos temas, textos e
conteúdos nos dois livros didáticos analisados de História” (p.127).
Um estudo de seis coleções didáticas de História do Brasil, realizado por
Oliva (2003)
18
apontou representações eurocêntricas nos manuais analisados;
apenas em cinco manuais a África possuía capítulo específico e, nas demais,
apareceu como um figurante sendo mencionada como um apêndice misterioso e
pouco interessante em relação a outras temáticas. Entre os livros analisados o
pesquisador ressalta a preocupação de um autor do livro com a África
contemporânea, porém, a “imagem que ele transmite aos alunos da África
contemporânea é simplista e falsa. Ninguém desconhece as dificuldades e carências
do Continente, mas resumir a África a essas faces é um perigoso argumento” (p.35).
Esse trecho revela ao pesquisador as grandes lacunas e pouco estudo acadêmico,
principalmente nas graduações, aliado às poucas traduções e publicações do
mercado editorial sobre o continente africano sem muita continuidade e sem muita
16 A pesquisadora analisou os seguintes manuais: PILETTI, Nelson e PILETTI, Claudino. História &
Vida Integrada – “Os Conteúdos de História Geral e História do Brasil Integrados” – 6ª série. Ed.
Ática. 1ª edição. 1ª impressão, 2002. PNLD 2002 – FNDE – MEC. PILETTI, Nelson e PILETTI,
Claudino. História e Vida: Brasil: da Pré-História à Independência. 5a série. V. 1. 19 ed. São Paulo:
Ática, 1996. MEC/FAE/PNLD.
17
A Lei Municipal nº 4446/96 que a pesquisadora faz referência foi sancionada em 1994 no município
de Florianópolis em que estabelecia a inclusão dos conteúdos da História afro-brasileira.
18
As obras pesquisadas por Oliva (2003), DREGUER, Ricardo &TOLEDO, Eliete (2000).História:
cotidiano e mentalidades. 5ª ,6ª, 7ª e 8ª séries. São Paulo, Atual. MACEDO, José Rivair & Oliveira,
Mariley W. (1996). Brasil: uma história em construção,vol. 3. São Paulo, Editora do Brasil.
MONTELLATO, Andrea; CABRINI, Conceição & CATELLI JR., Roberto (2000).História temática. 6ª
série. São Paulo, Scipione. MOZER, Sônia &TELLES, Vera (2002).Descobrindo a história, 5ª série.
São Paulo, Ática. RODRIGUE, Joelza Éster (2001). História em documento: Imagem e texto. 5ª, 6ª, 7ª
e 8ªséries. São Paulo, FTD. SCHMIDT, Mario (1999a). Nova história crítica, 6ª série. São Paulo, Nova
Geração.(1999b). Manual do professor. Nova história crítica, 6ª série. São Paulo, Nova Geração.
67
iniciativa sobre a história dessa civilização. O que reflete os preconceitos existentes
na sociedade brasileira, despreparo de professores e desatenção de editoras pela
temática.
À luz dos discursos raciológicos e suas representações no cenário
brasileiro, produzidos nos manuais escolares desde o século XIX e ao longo do
século XX, Ribeiro (2004)
19
analisou as permanências e as transformações
ocorridas nas práticas discursivas que forjam as imagens do Brasil como um país
“racializado” nos manuais escolares da disciplina de História. O pesquisador
analisou dez manuais didáticos com o intuito de realizar a “desconstrução das
práticas discursivas sobre a identidade nacional forjadas pelos manuais escolares de
história assentada na matriz estática e fechada de pensamento do conceito de raça
na formação da nossa sociedade e as implicações históricas, políticas, econômicas
sociais, culturais” (p.15). As considerações temáticas de sua proposta de pesquisa
abordam as representações forjadas sobre cada uma das três “raças” constituintes
da nacionalidade brasileira (índios, portugueses e negros). No caso, das populações
indígenas as caracterizações nos manuais publicados no segundo Reinado até os
dias de hoje se assemelham e apresentam as mesmas categorias descritivas como:
origens e classificação; aspectos físicos e usos e costumes; organização social e
política; língua e cultura; influências para a formação da sociedade nacional
(RIBEIRO, 2004, p.28). Os portugueses são representados por esses manuais
escolares como o descobridor, Portugal como pátria-mãe que deu origem à nação-
filha e o povo português escolhido para trazer a luz da civilização e da fé cristã;
sendo o português, europeu de origem racial “branca ou caucasiana”, o grande
19
Obras pesquisadas por Ribeiro (2004), MACEDO, Joaquim Manuel de. Lições de História do Brasil
para uso das escolas de instrução primara, 10ª Ed. ( Rio de Janeiro, H. Garnier, 1907),
RIBEIRO,João (J. Batista R. de Andrade Fernandes). História do Brasil - curso médio, 17ª Ed. Revista
e completada por Joaquim Ribeiro (Rio de Janeiro, Livraria Francisco Alves, 1935). SERRANO,
Jonathas. Epítome de História do Brasil, 3ª Ed. (Rio de Janeiro, F, Briguiet & Cia Editores, 1941).
SILVA. Joaquim. História do Brasil para a primeira série ginasial, 8ª Ed. (São Paulo, companhia
Editora Nacional, 1951). POMBO, José Francisco Rocha. Compêndio de História da América, 2ª Ed.
(Rio de Janeiro, Benjamim de Áquila Editor, 1925) História do Brasil, ª Ed. Revista e atualizada por
Helio Vianna (São Paulo, Companhia Melhoramentos de São Paulo, 1952). HOLANDA, Sérgio
Buarque de et al. História do Brasil - curso moderno (Das Origens à Independência), 5ª série, Estudos
Sociais (São Paulo, Companhia Editora Nacional, 1975). PILLETI, Nelson & PILLETI,Claudino.
História & Vida - Brasil: Da Pré- História à Independência, Volume 1, 1º grau, 4ª Ed. São Paulo,
Editora Àtica, 1991). ALENCAR Francisco et al. Brasil Vivo: Um Nova História da nossa gente,
Volume 1, 1º grau, 12ª Ed. (Petrópolis, RJ, Vozes, 1992). RODRIGUE, JOELZA Ester. História em
documentos: imagem e texto, 7ª série (são Paulo, FTD, 2001). HERMIDA, Antonio J. Borges. História
do Brasil, 5ª série (São Paulo, Companhia Editora Nacional, s.d).
68
“motor”, o rio, que congregaria as contribuições dos “afluentes” das raças negras e
indígenas para a formação da identidade nacional brasileira (RIBEIRO, 2004, p.29).
As representações sobre os negros nos manuais escolares não fugiram ao
roteiro editado pelos intérpretes do Brasil no século XIX, pois os manuais
apresentam uma ordem discursiva em que suas temáticas seguem uma trajetória
que passa pela justificativa da escravidão africana, o tráfico negreiro, o cotidiano do
cativeiro, as resistências, os hábitos e costumes, “as particularidades da escravidão
brasileira e as influências deste elemento na formação da nacionalidade têm sido
privilegiados pelos autores na composição das imagens do negro em seus manuais
escolares” (RIBEIRO, 2004, p.29). Segundo Ribeiro (2004) a pesquisa revelou que
os historiadores pesquisados, quando tomaram a tríade racializada (índios,
portugueses e negros) como uma verdade inquestionável, determinaram por meio
dos livros didáticos o lugar e ordem que cada um desses grupos iriam se situar na
fabricação de um passado para o Brasil e para a nação. De acordo com o
pesquisador “cada uma das raças foi definida, padronizada, comparada e
classificada de acordo com seus níveis de civilização - tendo os portugueses
(europeus e brancos) como padrão de humanidade e civilização superior” (p. 407)
Outra dissertação sobre livros didáticos e discursos racistas, (FILHO 2005)
apresenta um problema semelhante ao dos outros pesquisadores: “qual história os
livros didáticos, muito utilizados pelos professores em sala de aula, narram sobre os
negros na conformação da história nacional?” (p.13)
20
. Procurou contextualizar
aspectos sociopolíticos e culturais dos discursos verbais e iconográficos nos livros
didáticos e a apresentação de aspectos da organização das três edições. Em cada
volume foram analisados textos, imagens e atividades elaboradas para os alunos
pelos autores. Na análise de Filho (2005), a pesquisa constatou que a história do
Brasil Colonial e Imperial reconstituiu a temática escravista e apresentaram relações
entre dominantes e dominados. Os autores limitaram-se às representações sobre o
tráfico, sobre a escravidão e sobre a resistência daqueles que, reagindo ao castigo,
fugiam. Assim restringiram a discussão nesse campo e não abordaram a diversidade
da atuação dos negros na construção da sociedade brasileira. Prevaleceu no
discurso textual a temática escravista (p.166). O pesquisador ressalta ainda que os
20
O pesquisador analisou três edições de livro de História de PILLETI, Nelson. História do Brasil. São
Paulo: Àtica, 1986; PILETTI, Nelson; PILETTI, Claudino. História & Vida. Brasil: da Pré-história à
Independência. V.1. São Paulo: Àtica, 1997; e PILETTI, Nelson, Claudino. História & Vida Integrada.
&ª série. São Paulo: Àtica, 2001.
69
autores “não conseguiram superar a permanência de certas representações que
pouco têm colaborado para uma identificação positiva dos negros na sociedade
brasileira” (FILHO, 2005; p.168).
O estudo de (PEREIRA, 2006)
21
sobre os currículos escolares observou o
silenciamento dos manuais quanto à contribuição da população negra e indígena na
formação identitária brasileira. Nas 5ª e 8ª séries “não trata de forma devida a
questão da identidade e da diferença étnico-racial” (p.149). Observou-se ênfase dos
professores entrevistados na ideia da miscigenação, o que, na análise da
pesquisadora, prejudica o processo de identificação dos alunos negros e não
negros. Em específico, a pesquisadora constatou que entre os profissionais da
disciplina de Língua Portuguesa entrevistada numa Unidade de Educação Básica
não existia uma preocupação em trazer a temática racial para currículo da disciplina
e nem uma valorização da cultura africana e afro-brasileira por meio de textos
literários que abordassem a questão (p.152). Pereira (2006) salienta que entre os
professores de História entrevistados, há um silenciamento no currículo escolar
sobre a História da África e de outras regiões antes do contato com a “civilização”
branca. Ou seja, os resultados contrariam o disposto na Lei 10.639/03 que torna
obrigatório o ensino da História e cultura Afro-brasileira. Os professores da disciplina
de geografia afirmam que o continente africano “só é estudado, e muito
superficialmente, nas séries finais do Ensino Fundamental” (p.153). A pesquisadora
conclui que a temática racial não é tratada e não afirma a identidade étnico-racial no
tocante ao segmento negro. Nessa pesquisa e nas seguintes temos um aspecto
diferenciador em relação aos outros estudos, pois o livro didático não é estudado
somente por suas características textuais, mas são incorporadas análises de dados
coletados com professores (PERREIRA, 2006; COSTA, 2004) e com alunos
(COSTA, 2004; TEIXEIRA, 2006).
A pesquisa de Costa (2004)
22
detectou duas categorias principais nas quais
as formas correntes de depreciação do grupo de negros aparecem nos manuais: A
primeira é a invisibilidade que incide nos personagens negros. Para a pesquisadora,
num país que, segundo o IBGE de 2000, registra 45% da população se declarando
21
Pereira (2005) entrevistou 07 professores das disciplinas de História, Geografia e Língua
Portuguesa com o intuito de investigar como são “(re) produzidos discursos que envolvem a questão
da identidade e da diferença étnico-racial nas disciplinas” (p.125).
22
Entrevistou grupos professores e alunos de 5ª a 8ª série da rede pública do estado de Mato Grosso
com o objetivo de analisar como os mesmos percebem as situações de discriminação racial contra
negro, contidas nos livros didáticos de Língua Portuguesa.
70
negra, os manuais didáticos analisados apresentaram 11% de personagens negros
nos textos verbais e não - verbais representações coletivas e individuais. A segunda
é detratação dos personagens negros nos textos não-verbais individuais e coletivos
que foram 17% de representações de pessoas com fenótipos característicos do
grupo negro e, dos quais, 72% do total são apresentados em perspectivas
negativas. Os personagens negros associados, “à sujeira, ao abandono, às drogas,
à mendicância, à escravidão e miséria” (p.70).
A pesquisadora Costa (2004) constatou um fato peculiar em seus
resultados. Realizadas entrevistas com professores e com alunos, esses últimos
captaram de forma mais significativa que seus professores as situações de
preconceitos e discriminação racial presentes nos livros didáticos de Língua
Portuguesa. Sobre as respostas dos professores aponta que:
a maioria percentual, 66,66%, constitui o universo dos que afirmaram não
saberem se o livro tem poder de influência, não responderam ou afirmaram
não perceberem esse material didático como portador de conteúdos
ideológicos que, de alguma maneira, possa, interferir no modo como as
relações sociais se constroem. (COSTA, 2004, p.73).
Costa (2004) considera que a falta de interesse dos professores
entrevistados na sua amostragem em relação aos combates aos estereótipos e a
discriminação racial nos livros didáticos é refletida pela desatenção com o manuseio
dos livros, a influência dos ideais da “democracia racial” (aspas da pesquisadora) e a
“necessidade de implementação de políticas voltadas para o combate das formas
estruturadas de sustentação do racismo no imaginário social, com vista à promoção
da equidade racial” (p.76). Em relação aos alunos, na amostragem da sua pesquisa;
“ficou evidente no decorrer da entrevista que entre os alunos existe a certeza de que
o livro didático exerce papel de mediador das ideologias raciais e de fio condutor de
seus leitores para assimilação e multiplicação dos preceitos nele contidos” (p.76).
A pesquisa de Teixeira (2006)
23
teve como objeto de estudo a
identificação da imagem/representação da população negra brasileira, apresentada
em livros didáticos e paradidáticos.
23
Teixeira (2006) analisou sete coleções de Comunicação e Expressão e quatro coleções de História
Geral. A sua amostragem consistiu nos seguintes livros didáticos: NETO, A. G; GARCIA. E. G. Nova
Expressão. Ed. FTD, São Paulo, 2000. MONTELLATO, A; CABRINE, C; JUNIOR, R. C. História
Temática, v. 4; Ed. Scipione, São Paulo, 2001. FONSECA. L.; BRANCO. G; NUNES. E. Língua
Portuguesa. Ed. Moderna, São Paulo, 2001. TESOTO. L. Texto Voz, v. 3. Ed. Brasil; São Paulo,
2002. GUSSO, A. FINAL, R. Rumo ao Letramento. Ed. Brasil AS, Curitiba, 2002. MIRANDA, C.
71
Nos manuais de Comunicação e Expressão, examinados por Teixeira
(2006) constatou-se uma quantidade desproporcional de pessoas brancas que
aparecem nos livros, em relação à quantidade de negros e outros grupos, “só para
ter uma ideia, o livro da 7ª série, tem 9 (nove) negros e 64 (sessenta e quatro)
brancos” (p. 94). Segundo a pesquisadora, os autores caíram e cometeram os
mesmos deslizes e omissões nos livros didáticos quando relacionam personagens
negros e personagens brancos. As imagens dos personagens negros são
apresentadas nesses manuais em situação de cortadores de cana, crianças de rua,
escravos, trabalhadores da construção civil, cantores e jogadores de futebol. Os
personagens brancos em situações de lazer, propaganda, moda e namoro, etc.
(TEIXEIRA, 2006, p.132).
Segundo Teixeira (2006) os livros de história da sua amostragem
continuam trazendo como exemplo de grandes civilizações, “as ocidentais”, poucas
do Oriente Médio e a China. Grécia e Roma continuam requerendo de autores
espaços privilegiados, apresentados como modelo imprescindível para o
conhecimento “(p.131). O pensamento eurocêntrico predomina nas coleções
analisadas e os personagens negros continuam com suas imagens, associada à
mão-de-obra escrava no período Colonial e no primeiro e segundo Reinados a
abolição da escravatura é uma temática sempre presente. Na amostra da
pesquisadora o Quilombo dos Palmares é apresentado “como simples rebeldia dos
escravos contra o cativeiro, omitindo uma alternativa de organização política, social,
econômica e cultural” (p.131).
A pesquisa analisou resultados com o total de 360 alunos (distribuídos em
cinco turmas de 5ª série, quatro turmas de 6ª série e três turmas de 7ª série,
totalizando trinta alunos por turma) que participaram da tarefa de desenhar a
imagem do negro que se recordavam a partir das difundidas pelos livros didáticos de
História nos quais estudaram. Posteriormente, foram entrevistados quinze alunos,
representados por três alunos por série, afro-descendentes, meninos e meninas com
idade variando de 11 a 15 anos de idade (p.21-22). O principal acréscimo em termos
de resultado foi que os alunos negros representaram, em seus desenhos e
responderam em suas entrevistas, se sentirem discriminados e desvalorizados
LOPES, A. C. Vivenciar e Construção. Ed. Ática, São Paulo, 2003. CORREA, M. H. LUFT, C. P. A
palavra é sua. Ed. Scipione, São Paulo, 2004. TERRA, E. CAVALLETE, F. Português para Todos.
Ed. Scipione, São Paulo, 2004. SCHIMIDT, M. Nova História Crítica, v.2; Ed. Nova Geração; São
Paulo, 2005. CHIANCA, R. B. Pensar e Viver, v.1. Ed. Àtica; São Paulo, 2004.
72
pelas representações de negro dos discursos dos livros didáticos. As representações
racializadas, estereotipadas e desvalorizadoras do negro atuaram, segundo esse
alunos negros, de forma significativa em sua identidade racial.
A partir destas constatações podemos relacionar os resultados dos três
últimos estudos. Para professores a estereotipia e hierarquização entre brancos e
negros é um não-problema (PEREIRA, 2006; COSTA, 2004) ao passo que para os
alunos é significativa (COSTA, 2004; TEIXEIRA, 2006) e atua de forma significativa
na difusão de representações discriminatórias sobre os negros (TEIXEIRA, 2006).
De forma geral, as dissertações reiteraram os resultados das pesquisas
sobre racismo em livros didáticos. Continuam tratando os personagens negros de
forma desigual bem como a invisibilidade dos personagens negros são evidentes em
todas as sete dissertações analisadas neste período. Como já explicitado, são
trabalhos de pesquisas iniciais, restritos, a algumas disciplinas que constataram o
discurso racista presente nos manuais.
Os estudos continuam relativamente reduzidos, tanto no campo de estudos
do livro didático quanto nos estudos sobre relações raciais na educação. O que nos
impulsiona ainda para este trabalho dissertativo sobre relações raciais nos livros de
Ensino Religioso do Ensino Fundamental é o fato de que até o presente momento as
poucas pesquisas sobre esse tema privilegiaram as disciplinas escolares de História
e Língua Portuguesa.
A compreensão de um livro, para Circe Bittencourt (1998), tem sido um ato
contraditório quando isso implica a negação do outro e quando a negação de um
implica a afirmação do outro. Estudar o uso do Livro Didático é, dessa perspectiva,
importante para o educador e quanto mais se ampliar o estudo, maior será a
compreensão da dimensão desse objeto cultural.
Essa análise das pesquisas realizadas e da perspectiva teórico-
metodológica adotada, de análise crítica dos modos de ação e estratégias
ideológicas de discursos racializados, se articula com o problema de pesquisa dessa
dissertação, se os discursos dos livros didáticos de Ensino Religioso de 5ª e de 8ª
série sobre os segmentos raciais negros e brancos são discursos ideológicos.
A opção por livros da 8ª série como foco relaciona-se com o fato de ser um
momento de transição (última série dessa etapa e, em certa medida, preparatória
para o Ensino Médio) e com as possíveis implicações para a construção de
identidade dos alunos apontada pela literatura, pois durante “a adolescência, o
73
indivíduo começa a experimentar o sentimento de que possui uma identidade
própria, o sentimento que é ser humano único e, contudo, preparado para se
encaixar em algum papel significativo na sociedade” (HALL, 1999, p.71).
No próximo capítulo abordaremos as pesquisas sobre livros didáticos de
Ensino religioso; o processo de escolarização dessa disciplina no Brasil e uma
análise do percurso dos três modelos que, ao longo da história do Ensino Religioso,
foram estabelecidos e identificados como: Confessional, Interconfessional e o
Fenomenológico.
74
CAPÍTULO 3 - RELIGIÃO E LIVROS DIDÁTICOS DE ENSINO RELIGIOSO:
CONTEXTO SÓCIO- HISTÓRICO
Os procedimentos que nortearão este capítulo terão como discussão do
contexto a análise sócio-histórica de produção simbólica. Esta discussão será feita
via análise de documentos num determinado contexto histórico em que o Ensino
Religioso se constituiu como área de conhecimento integrante do currículo das
escolas brasileiras, como uma disciplina ou área do conhecimento trabalhada de
forma contextualizada e articulada com as demais áreas.
Um dos campos de estudo no qual a dissertação se apoiará será a sociologia
da religião que pressupõe uma compreensão social e histórica sobre a religião e o
Ensino Religioso na educação brasileira (ESCANFELLA, 2006, p.74).
A construção desta dissertação baseou-se em uma revisão sobre a história do
Ensino Religioso nas escolas brasileiras e os modelos temáticos nesse campo do
conhecimento que vieram se construindo ao longo do período recente e
estabeleceram nuances de identidade pedagógica, no que se refere aos modelos:
Confessional, Interconfessional e Fenomenológico. Traçaremos um panorama das
religiões no Brasil e a consonância das diversas manifestações religiosas, até
chegar ao cenário democrático representado na legislação que pela lei nº 9.475/97
(LDB) assegura o respeito à diversidade cultural religiosa no Brasil.
Na parte final deste capítulo, o foco recairá sobre a produção de livros
didáticos de Ensino Religioso, particularmente após a implementação do sistema de
avaliação do Plano Nacional do Livro Didático (PNLD) em 1996, e a estruturação e
organização dos Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino religioso, cujo ponto
de partida é o fenômeno religioso, especialmente a partir de 1997 em que foi
estabelecida uma nova concepção para Ensino Religioso, momento em que o foco
deixou de ser teológico para assumir um perfil pedagógico de releitura das questões
religiosas da sociedade (JUNQUEIRA, 2008, p.48).
75
3.1 PESQUISAS SOBRE LIVROS DIDÁTICOS DE ENSINO RELIGIOSO
A pesquisa bibliográfica foi bastante árdua, tendo em vista a especificação do
tema da dissertação “Relações Raciais e Livros Didáticos de Religião”, assunto
sobre o qual foram encontrados no Brasil apenas dois trabalhos publicados, um no
ano de 1987 e o outro em 2006. Para realizar a pesquisa bibliográfica sobre o tema
Ensino Religioso e relações raciais, utilizaram as seguintes palavras-chave: religião;
Confessional; Ensino religioso; diretrizes; educação religiosa; livro didático; livro
didático de religião; raça; racismo; relações raciais; relações raciais e religião;
laicização; etnia e Ensino Religioso; grupos étnicos e religião; Ensino Fundamental.
A partir dos novos Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Religioso e
com o papel que exerce a indústria editorial brasileira, em específico, as editoras de
livros didáticos de religião com seus mais variados catálogos, o estudo dos temas
passaram a ser mais discutidos. Apesar disso, os estudos encontrados sobre esse
tema na área da educação, da sociologia, da teologia, retratam-no na dimensão
político-ideológico. Portanto, o Ensino Religioso nas escolas públicas como fonte de
pesquisa; quando aparecem, focam a defesa ou da refutação dessa disciplina
(CUNHA, 2007, p.286).
A pesquisadora Vera Regina Santos Triumpho, da Secretaria de Educação do
Estado do Rio Grande do Sul e dos agentes de Pastoral Negros, analisou manuais
de catequese da Igreja Católica. Em artigo publicado nos Cadernos de Pesquisa no
ano de 1987, a pesquisadora não identificou o número de manuais analisados ou de
datas de publicação. Ela descreve que os manuais que circularam em todo o país
não fugiram à regra de outros livros didáticos de diferentes matérias como, por
exemplo, Matemática e História, que descreviam o negro de forma estereotipada e
usavam metáforas nas quais o negro representava o mal, a negatividade, o pecado,
o preguiçoso, o ladrão. A pesquisadora comenta que nesses manuais, quando uma
pessoa está em estado de pecado é porque está com a “alma negra”, com o coração
negro (TRIUMPHO, 1987, p.93).
O artigo de Triumpho apresenta uma reflexão a partir do engajamento que os
negros católicos tiveram no início da década de 1980. Nesse caso específico, os
APNs
24
surgiram com um grupo que teria que preparar um subsídio sobre a situação
24
Segundo Triumpho (1987), os agentes de Pastoral Negros são pessoas engajadas na comunidade negra que
lutam contra toda forma de racismo. A partir de sua própria identidade de fé, os agentes de Pastoral negros
76
do negro no Brasil para os Bispos brasileiros que iriam participar da conferência de
Puebla, em 1979. A tônica da ação do grupo se deu em torno do resgate da história
e da identidade negra, sobretudo no processo de formação de negros nas diferentes
paróquias, à luz da Bíblia.
O trabalho da pesquisadora Triumpho é subsídio para análise dos manuais
de catequese no ano anterior em que a CNBB iria utilizar como tema da campanha
da fraternidade, “o Negro”, “Ouvi o clamor deste povo”,em decorrência dos cem anos
da Abolição da escravatura do Brasil. O artigo destaca o velamento do racismo
brasileiro, a marginalização que se encontrava (e se encontra) o negro no Brasil em
específico na área educacional.
Mesmo após nove anos da participação dos bispos brasileiros na
Conferência de Puebla, Triumpho encontrou, nos manuais de catequese,
expressões estereotipadas que associavam a imagem do negro a seres humanos
“menores”, elevando os brancos a uma posição de superioridade. Também fez uma
série de questionamentos sobre como os livros didáticos de história tratam a
presença negra no cenário brasileiro, a começar pelos quilombos como uma
organização política, social e econômica e sobre a participação negra na construção
de cidades históricas como Ouro Preto (hoje Patrimônio Histórico pela UNESCO).
Também questiona a negação que os livros didáticos inferem às religiões de matriz
africana e por fim, pergunta sobre a falta de uma análise mais crítica e reflexiva nos
livros didáticos de história sobre a situação do escravo liberto que, sem terra e
marginalizado, viu-se obrigado a migrar para a vida urbana de forma desumana,
engrossando os cortiços e favelas.
O artigo faz uma análise sobre dois temas que cercam as discussões no
movimento negro nas décadas anteriores, a saber a questão da classe e da cor.
Posteriormente, conclui que os livros didáticos confundem estes dois temas,
salientando que os livros de matemática também revelam tal aspecto. No artigo
descreve: Num grupo de crianças que resolviam problemas de matemática, as
brancas apresentavam olhos vivos de quem sabe como fazer, enquanto que a
negrinha é apresentada com um enorme ponto de interrogação sobre a cabeça
(TRIUMPHO, 1987, p.94).
unem-se a todas as instituições e movimentos que lutam pela mesma causa, empenhando-se em colaborar para a
unidade da comunidade negra, sem nenhuma preocupação de fazer adeptos de fé.
77
Na análise descritiva, reforça que as gravuras de livros didáticos colocam
sempre os negros nos cantos, afastando-os do grupo, sendo os mesmos quase
sempre pessoas tímidas, pobres ou assaltantes. Essa constatação reforça a tese de
que os livros didáticos são instrumentos de inferiorização da raça negra.
Os estereótipos, segundo a pesquisa, são constantes neles bem como nos
manuais de catequese analisados que descrevem a criança negra em situação
degradante, onde as crianças brancas perguntam se o “negrinho” é também filho de
Deus (RODRIGUES et al, 1988, apud TRIUMPHO, 1987).
Preconizando a ação que os movimentos negros irão exercer na década de
1990 em algumas editoras, descreve ainda que estas mesmas modificaram
parcialmente sua postura e informa sobre a assessoria de negros engajados na
análise do que iria ser editado. Além disso, houve o envio de cartas às editoras
protestando sobre a representação dos negros nos textos e nas ilustrações
revelando o preconceito explícito e desvelando preconceitos, estereótipos e
discriminações implícitos por parte das editoras.
Esse artigo foi o primeiro a fazer uma análise de livros paradidáticos de
Ensino Religioso e livros catequéticos que circulavam somente nas paróquias de
todo país. O artigo ajudou a traçar uma meta para nossa pesquisa,bem como
auxiliou a percepção e análise do trato dado aos negros em edições religiosas, e no
próprio Ensino Religioso. As cussões e avanços que os movimentos negros
conseguiram se refletiram nas editoras modificaram como estas analisam e veem a
questão das relações raciais no cenário editorial.
Outro trabalho importante para a nossa pesquisa no que se refere ao histórico
do ensino religioso e sua legislação, mas que não toma como objeto a discussão
das relações raciais e o mercado editorial
25
, foi a dissertação de mestrado defendida
em 2006 por Fernando Lothario da Roza. A pesquisa analisou como a “ideologia” do
catolicismo é transmitida pelas publicações de Ensino Religioso.
O pesquisador analisou duzentas e trinta e quatro fotografias da coleção
“Descobrindo Caminhos” de Therezinha M. L. da Cruz do Ensino Fundamental.
Também salientou em sua pesquisa que apesar da existência de inúmeras editoras
que trabalham com literatura religiosa, as que trabalham com o ensino fundamental
25
Segundo Roza (2006, p.26), entre as obras existentes no mercado literário específico, selecionou
aleatoriamente uma editora que trabalhava com ensino fundamental. A editora escolhida foi FTD que
atende a escola confessional. Em nossa pesquisa pretendemos abranger um número maior de
editoras.
78
são em número relativamente pequeno, sendo que uma parte delas trabalha ligada
às escolas confessionais (ROZA, 2006, p.25).
O trabalho aponta que na estrutura educacional o livro didático é um dos
instrumentos responsáveis pela tarefa de domesticação, aos interesses da classe
dominante uma vez que as informações contidas em seu conteúdo correspondem
aos interesses da citada classe.
Roza (2006) realiza a primeira pesquisa acadêmica sobre um livro didático de
Ensino Religioso, mas nessa pesquisa não faz referência nenhuma à questão das
relações raciais. No seu trabalho aborda como os livros de Ensino Religioso dirigido
ao Ensino Fundamental, em específico “Descobrindo Caminhos”, tratam a figura da
mulher mantendo uma leitura de mulher fora da realidade que foi construída nesses
séculos pelos movimentos de mulheres. Na análise iconográfica que o pesquisador
realiza no livro de Ensino Religioso de Therezinha Motta, o mesmo aponta duas
situações intrigantes. A primeira é que as imagens do livro didático estão associadas
ao conceito de família divina Cristã. A segunda aponta a figura feminina
simplesmente como elemento auxiliar na manutenção da estrutura familiar cujo
posto central é a figura do homem (ROZA, 2006, p.92).
Para o autor, a “ideologia” está presente no livro didático de Ensino Religioso
porque, na maioria das fotografias do livro, a imagem da mulher centra-se no papel
de avó, de mãe, de filha e ou em prestação de serviço. Em nenhum momento
aparece em cargo de comando, mas subordinada tanto no mercado de trabalho
como na família. O autor acrescenta que as imagens que Therezinha Motta Lima da
Cruz mostra em seu livro “Descobrindo Caminhos” não condizem com o cenário
nacional em que dados estatísticos fornecidos pelos diversos institutos de
pesquisa
26
, atestam que a mulher vem exercendo um papel central no cenário
educacional.
No plano internacional localizarmos uma pesquisa realizada pelos
pesquisadores Otto Klineberg, Tullio Tentori, Franco Crespi e V. Filippone Thaulero
que analisaram livros didáticos de Ensino Religioso de diferentes segmentos da
escolarização italiana e espanhola. A pesquisa abordou a ampliação do uso dos
livros didáticos e o caráter didático e científico dos mesmos. A amostragem contou
com cerca de 350 títulos publicados entre as décadas de 1940 a 1964, sendo que 60
26
O referido autor não fornece na sua dissertação os dados e nem as fontes dessa pesquisa.
79
selos dela foram considerados esgotados e os pesquisadores trabalharam 290 selos
dos quais 115 eram publicações espanholas e 175 publicações italianas.
Para realizar a pesquisa foram utilizadas como fonte, catálogos oficiais das
Editoras Católicas, o Ministério Público de Instituições e o Ofício Catequético do
Vicariato de Roma, e a metodologia baseou-se em análise de conteúdo numa
perspectiva sócio-educativa religiosa cuja montagem de uma ficha de avaliação tinha
como critérios avaliar doutrinas da Igreja Católica e outros grupos religiosos.
"(...) Fine della presente ricerca è l´indivuazione nei libro cattolici di
insegnamento religioso, adottati come testi di Studio nelle scuole elementari,
medie e superiori, di possibili atteggiamenti pregiudicanti (favorevoli o
sfavorevoli) rispetto alle relazioni com altri gruppi. (...)
27
"( Klineberg,
Tentori, Crespi e Thaulero, 1964 p. 25).
De forma geral a pesquisa indicou um discurso que discriminava os
diferentes, principalmente judeus e religiões não ocidentais, mas também as
religiões cristãs diferentes do catolicismo romano.
Os textos que discutem Ensino Religioso e o Livro Didático analisados acima
contemplam um foco de reflexão diferente do que pretendemos investigar nessa
pesquisa. Triumpho analisou um paradidático, nesse caso um livro de catequese. Já
Roza direcionou sua pesquisa a relações de gênero. Neste sentido, ambos são
estudos pioneiros no Brasil e apresentam objeto de investigação diferente do que
pretendemos desenvolver e aprofundar na pesquisa que está focada nas
implicações das relações raciais expressas no livro didático no que tange ao Ensino
Religioso.
Todavia não foi a ausência de estudo nessa área do conhecimento que
motivou a pesquisa. O próprio contexto religioso se mostra relevante ao que se
pretende investigar nesta ou com esta pesquisa. O estudo tem como referência a
Igreja Católica e os modelos do Ensino Religioso, relacionando os períodos em que
o confessional, interconfessional e o fenomenológico permearam a relação entre
Estado e Igreja, construíram a identidade desta disciplina. Serão acrescentadas
algumas reflexões sobre o catolicismo e um panorama das religiões visando à
crítica, à hegemonia da hermenêutica católica e buscando abrir espaço a currículos
que contemplem temas que abordam a pluralidade religiosa.
27
"(...) A finalidade desta pesquisa foi verificar como os livros de Ensino Religioso Católico adotado
nas escolas primárias, secundária e superior compreendiam outros religiosos de forma favorável ou
desfavorável (...)" - Tradução livre.
80
3.2 ENSINO RELIGIOSO NO BRASIL
A tradição de estudos na área da sociologia da religião tem como base dois
teóricos sociais que coabitam ideias divergentes sobre a importância da religião para
a sociedade, Karl Marx e Max Weber. Eles afirmaram que a religião cumpre uma
função de conservação da ordem social contribuindo para uma legitimação do poder
dos dominantes e para a domesticação dos dominados (BOURDIEU, 1993, p.32, p.
78).
Segundo Escanfella (2006, p.78), Marx reconheceu que as formas simbólicas
tradicionais poderiam persistir no imaginário popular e atrapalhar as mudanças
revolucionárias, sendo que as emergências das forças capitalistas desintegraram
tradições e formas culturais, dentre elas, as tradições religiosas que eram
características das sociedades pré-capitalistas. Já Weber, segundo a pesquisadora,
ao contrário de Marx, descreve que as alterações nas tradições religiosas foram uma
das pré-condições culturais para o desenvolvimento do capitalismo industrial,
simultaneamente com o surgimento do Estado burocrático teriam sido responsáveis
pela racionalização da ação e pela adaptação do comportamento humano a critérios
de eficiência técnica.
A desmistificação e todo seu processo possibilitaram aos seres humanos,
pela primeira vez na história, ver suas relações sociais como realmente são, isto é,
relações de exploração. Os elementos puramente pessoais, espontâneos e
emocionais da ação tradicional foram limitados pelas exigências de um cálculo
racional interesseiro e pela eficiência técnica. Esse argumento pode ser verificado
em Thompson na seguinte citação:
Enquanto Marx falou da desmistificação das relações sociais e colocou isso
como uma precondição para emancipação última das relações de
exploração de classe, Weber falou, ao invés disso, do desencantamento do
mundo moderno, em que alguns dos valores tradicionais e distintivos da
civilização ocidental foram submersos por uma racionalização sempre
crescente e por uma burocratização da vida social, e ele viu isso com certa
pena, como o “destino dos tempos modernos” (THOMPSON, 1995, p.108).
No final do século XVIII, e começo do século XIX, o processo de
secularização começou a se firmar nos centros industriais da Europa. Os antigos
laços de servidão, construídos no tecido da lealdade e da reciprocidade, foram
sendo cada vez mais questionados, na medida que os indivíduos estavam sendo
81
forçados a entrar num novo conjunto de relações sociais. A propriedade privada dos
meios de produção, a troca de mercadorias e a força de trabalho no mercado,
desvinculavam o antigo do estado moderno. O poder tornar-se mais concentrado
nas mãos do Estado, em que a “noção de soberania é de império formal da lei”. Ou
seja, o poder que outrora fora legitimado pela vontade divina, ou por um apelo
religioso e místico passa a ser justificado com base em regras e direitos universais
(THOMPSON, 1995, p.109).
A secularização da vida social e política possibilitaram as condições
emergentes para o surgimento das ideologias, em seu sentido neutro, como o
Socialismo, o Comunismo, o Liberalismo, o Conservadorismo e o Nacionalismo.
Esses sistemas de ideias, a expansão da indústria do jornal e o crescimento da
alfabetização junto aos indivíduos tornaram-se participantes potenciais da “esfera
pública” (aspas do autor), em que os problemas eram debatidos e as posições
questionadas, ou apoiadas por meio de raciocínio e argumento, seriam marcos que
garantiriam a atribuição de sentido às novas condições de vida (THOMPSON, 1995,
P.110).
A supervalorização da racionalização e da secularização fez com que os
teóricos sociais deixassem de lado um conjunto de instituições que permitiam o fluxo
cada vez mais rápido e massivo de produção e transmissão de bens simbólicos. O
processo de secularização e racionalização não foi uniforme e crenças e práticas
religiosas “podem ser mais persistentes para atribuição de sentido à vida ordinária
do que os teóricos preconizavam” (ESCANFELLA, 2006, p.79).
Analisando um contexto específico da relação entre Igreja e Estado as duas
instituições foram as que dirigiram a colonização da América espanhola e
portuguesa a partir do século XVI. Para o Estado, a conquista material era vista
como instrumento de acumulação de riqueza e poder. Para a Igreja Católica, a
conquista espiritual era instrumento de recomposição e ampliação do “rebanho”
católico, diminuído e ameaçado na Europa pela ação da Reforma Protestante. Por
meio de serviços religiosos, a Igreja católica no Brasil implantou para os colonos o
atendimento nas primeiras igrejas e capelas, colégios, irmandades, seminários e
dioceses, geralmente a cargo dos bispos e sacerdotes do clero regular
28
. Exerciam o
28
Segundo Teixeira (2000, p.52) o clero regular é formado pelos membros das ordens e
congregações religiosas católicas, geralmente chamados de frades. Além de subordinados ao Papa,
eles estão vinculados às regras e hierarquias de suas próprias comunidades no interior da Igreja.
82
controle sobre a vida religiosa, intelectual e moral de toda sociedade colonial. O
trabalho da Igreja católica no Brasil, tanto em relação aos colonos quanto aos índios,
negros e mestiços, foi fundamental para formação da sociedade brasileira, sendo ela
detentora do monopólio dos serviços religiosos oficiais–missas, batizados,
casamentos, enterros, festas, peregrinações, irmandades.
Todos esses serviços religiosos fizeram com a Igreja Católica no Brasil
estruturasse o cotidiano social de uma população heterogênea, pequena e dispersa.
A igreja exerceu um domínio “absoluto das consciências, moldou hábitos, valores e
normas, combateu o que considerava ‘desvios’ de crença e de comportamento,
reforçou o sentimento de lealdade e obediência ao soberano, fortalecendo com isso
os vínculos entre colônia e metrópole” (TEIXEIRA, 2000, p.52).O regime do
Padroado
29
atuou como mediador de direitos e atribuições que subordinava a Igreja
ao Estado português. A Coroa assumia encargos importantes em relação à
manutenção da Igreja, pagando despesas de manutenção dos vigários e dos
seminários e com isso mantinha o controle da vida eclesiástica, interferindo na
nomeação dos párocos, bispos, na criação de irmandades, na abertura e
fechamento de conventos e seminários (p.53). Ao longo de toda a colonização e até
depois dela, todas essas interferências geraram disputas e conflitos constantes entre
essas duas Instituições. Ao longo da nossa história irão marcar a nossa cultura e
cimentar de forma explícita os modelos de aprendizagem e comportamento,
principalmente nas instituições escolares de confissão Católica. Os tópicos abaixo
resgataram historicamente como os modelos de aprendizagem presentes tanto nas
instituições escolares de confissão católica e nos livros didáticos se incorporam e se
estruturam ao longo da nossa história.
3.2.1 MODELO CONFESSIONAL:
O modelo Confessional de Ensino Religioso foi, no Brasil, a concepção de
aprendizagem mais antiga e duradoura. Seu modelo consiste em formar fieis, não
importando a tradição religiosa na qual esse modelo está inserido, seja nas religiões
29
Segundo Teixeira (2000, p.52) a aliança entre o Estado e a Igreja católica, baseada na concessão
mútua de direitos e privilégios. O regime comou a ser estabelecido no século XI, entre as
monarquias européias e o papado, visando ao fortalecimento da cristandade medieval; sobreviveu
nos tempos modernos, proporcionando ao estado grande margem de intervenção na administração
interna da Igreja.
83
tradicionais ou nas novas religiões. Ele se refere também a uma tradição religiosa
reconhecida oficialmente pelo Estado na qual a postura de religiosidade é expressa
por meio da definição dos programas, dos subsídios didáticos, na formação dos
professores. Nascido na Europa, como uma catequese na Escola por parte das
Igrejas da Alemanha, da Áustria e da Holanda que a princípio não possuíam uma
organização catequética paroquial, pois esta era toda realizada nas escolas, esse
modelo aponta para escolarização e estabeleceu a distinção entre Catequese e o
ensino Religioso. Nele o enfoque teológico é o pressuposto do conhecimento, sendo
este, revelado, dogmatizado, seguro e de caráter universal e absoluto. O professor é
um missionário, responsável por fazer fieis. A nomenclatura da disciplina é uma
variante de “aula de religião”, sendo a escola o espaço privilegiado para controlar
moralmente as gerações novas. A atitude de criatura é norteada para que o
educando, nesse caso, agente principal, assuma uma postura submissa a filho de
Deus, enquanto que o programa, horário, o método, local, material catequético
exerce papel secundário (JUNQUEIRA, 2008, p. 48).
Este modelo esteve presente no Brasil desde o período colonial, época em
que o Ensino Religioso teve a fase da “catequese de conversão e de instrução”.
Este processo visou à adesão dos indígenas e a confirmação das primeiras famílias
chegadas ao Brasil. Mesmo com a situação, gerada por uma crise entre Estado e
Igreja Católica no início do período republicano que acenou uma laicização do
Estado, o Ensino Religioso estritamente confessional predominou no Brasil até
meados da década de setenta do século XX (JUNQUEIRA, 2008, p.8 - 49).
O modelo de Ensino Religioso confessional foi garantido pelos instrumentos
políticos e econômicos que num primeiro momento estabeleceu a promoção da
ocidentalização e cristianização da população local e dos que chegaram livremente
ou foram obrigados por meio da escravização a morar nessa nova terra. Dentro
desse instrumento, a formação sistematizada a cargo da Companhia de Jesus
(jesuítas) que em 1549 inflama a “fé” e ao império ibérico foi outro instrumento que
cimentou diversas formas simbólicas ao longo desses séculos e teve a garantia
subvencionada pelo estatuto político do Padroado que orientou a atuação do estado
e a Igreja desde a Reconquista e reorganização de Portugal, pós domínio árabe até
a Proclamação da República em Portugal (JUNQUEIRA, 2008, p. 09).
O Padroado institucionalizou a Igreja Católica como única religião oficial e
legítima do Estado brasileiro, assegurando a manutenção econômica dos clérigos
84
que em contrapartida dependiam da autoridade real, até mesmo para nomeação dos
seus bispos. Nessa relação entre Estado e Igreja, estabelecida através do
Padroado, incluem-se os cargos públicos que cabiam à instituição política, enquanto
tais requeriam como precondição de investimento o juramento de fé. Entre esses
cargos estava o de professor que, para assumir o ensino, devia fazer o juramento à
fé Católica; nesse sentido, legitimando o monopólio das instituições de ensino a
religião Católica, que viu o ensino da religião como exigência de evangelização e
bem da cristandade (JUNQUEIRA, 2008, p. 10).
O marquês de Pombal, com sua reforma política que abrangeu também a
educação, pretendeu organizar uma escola que antes de servir aos interesses da fé,
servisse aos imperativos da coroa. Medidas como concurso público para professores
régios, criação de dezessete aulas de ler e escrever, criação de um novo imposto
que pagasse os novos professores leigos foram propostas. Essas mudanças tinham
umas concepções nacionalistas, reformistas e modernizante, sem, contudo repudiar
o catolicismo. Isso acabou sendo ratificado mais tarde quando a primeira
Constituição em 1827 no seu artigo 5º oficializou a religião cristã e o seu ensino
obrigatório. Indicava entre as diversas tarefas do professor, ensinar a ler, escrever e
fazer as quatro operações da aritmética e também cabia a ele o ensino dos
princípios da moral cristã e a doutrina católica.
Mesmo com a proclamação da independência do Brasil de Portugal pelo
primeiro imperador D. Pedro I sistema do Padroado permaneceu, ratificado
no quinto artigo da primeira constituição deste país que a religião cristã
católica seria oficial, quanto à educação o empenho foi muito menor do que
seria de se esperar, o ensino da religião oficial foi obrigatório como previu a
legislação de 1827 no sexto artigo que indicava as tarefas dos professores
no império, ensinar a ler, a escrever, as quatro operações de aritmética,
frações, decimais, proporções, as noções de geometria, gramática da língua
portuguesa, os princípios da moral cristã e da doutrina católica, assim como
indicava para leitura dos meninos a constituição do império e a história do
Brasil (IMPÉRIO DO BRASIL
30
,et al., 1827, apud JUNQUEIRA et al., 2008).
No plano político e econômico o primeiro reinado é também marcado por uma
mentalidade senhorial, um poder centralizado na grande propriedade, na
monocultura e no trabalho escravo com uma forte influência da hierarquia
eclesiástica nos diversos setores da vida pública brasileira. A figura de D. Pedro I
enfraquecida politicamente por diversas crises tornou-se impopular e em
30
IMPÉRIO, do Brasil. et al. Documentos complementares do Império do Brasil (15 outubro 1827)
85
consequência disso D. Pedro I abdicou em 1831 o trono em favor de seu filho D.
Pedro II. Com a posse deste após o regime regencial, o mesmo se viu envolvido em
grandes conflitos como a revolta Praieira e a Guerra do Paraguai. No cenário
educacional, a falta de professores e de colégios para parcela mais humildade do
império não alterava a situação do país nem da camada mais abastada tendo em
vista que esta tinha duas alternativas para educar os seus filhos: Os colégios
Católicos, ou, envio para a Europa. Para atender essa camada social os jesuítas já
haviam sido autorizados a retornar ao Brasil e aos seus colégios em 1841
(FIGUEIREDO et al, 1996, apud JUNQUEIRA et al, 2008).
Segundo Faoro (2001, p.455) e Junqueira (2008, p.12), o governo do segundo
reinado caracteriza-se pela centralização imperial, mudança da pacata, fechada e
obsoleta sociedade brasileira. As idéias abolicionistas, burguesas, liberais,
republicanas e eclesiásticas que neste período assumem o posicionamento de Pio
IX de combate à Maçonaria
31
, resultou em condenação e prisão de bispos e uma
ríspida crise entre Igreja e o império. Até mesmo porque o Episcopado viu os seus
poderes temporais abalados com a instalação e o crescimento das ideias positivistas
e uma independência do estado, “sobretudo em consequência das reformas do
Concílio vaticano I (1869 e 1870), com a romanização do clero brasileiro”
(JUNQUEIRA, 2008, p.12).
Nas primeiras décadas da República, o Ensino Religioso foi cortado das
escolas públicas. Essa ruptura entre Estado e Igreja foi oficializada pelo Decreto 119
- A (17 janeiro 1890), o estado brasileiro assume a concepção de Estado laico. Com
a “mesma moeda” e “troca de farpas”, o Episcopado reage com a “carta Pastoral
coletiva” (19 março 1890), que explicita o sentimento de separação entre as duas
Instituições que resultará na introdução do ensino leigo e a eliminação da aula de
religião
32
. A carta descreve; “enfim livres da proteção que nos oprimia...”. Tal
31
Segundo TEIXEIRA (2000, p.218), O conflito começou com a decisão dos bispos de Belém, dom
Macedo Costa, e de Olinda dom Vital Maria, de proibir a participação de maçons nas irmandades
religiosas, em cumprimento às determinações da Santa Sé.
32
A separação entre Igreja e Estado representa para a República brasileira uma conquista histórica e
um fortalecimento do estado democrático que respeita as diferentes manifestações religiosas.
Durante todo esse período houve a tentativa de se fazer valer essa laicidade do Estado e do Ensino
Público. O Ensino Público deve garantir o dialogo e a tolerância entre os indivíduos que manifestam
crenças distintas. A Constituição Federal contempla essa tendência e assegura como inviolável a
liberdade de consciência e de crença. Uma vez que o Ensino religioso esteja dentro da sala de aula,
preceitos importantes não devem faltar ao educador entre eles a multiconfessionalidade da disciplina,
ou seja, todas as religiões devem ter a mesma oportunidade de estudo e as manifestações de
proselitismo devem ficar bem longe do processo de aprendizagem.
86
sentimento revela o cenário social, político do final do século XIX e início do século
XX. A relação entre o Estado e a Igreja católica foi marcada pelo conflito em
decorrência do postulado positivista que incorporou o estado após a proclamação da
República, mas isso não significou na relação de poder, o enfraquecimento de uma
em decorrência da outra. Esse argumento pode ser verificado em Roza na seguinte
citação:
Porém, tal rompimento com a liderança laicista realizada pela proclamação,
não implicou um enfraquecimento da Igreja católica brasileira. Na realidade,
ela pode, a partir de então, iniciar um processo de reestruturação no campo
religioso, renovando o eclesiástico, na sua formação, na aplicação e mesmo
na moralização. Essa situação ocasionou uma aproximação com Roma,
tornando os laços com a santa Sé Romana mais forte. Com isso, a
aplicação das doutrinas elaboradas na Europa passa a ser executada agora
também no Brasil (ROZA, 2006, p.45).
Em decorrência dos acontecimentos históricos do período, a Igreja Católica
passau por transformações em função das determinações que o Estado
Republicano tomou, em se institucionalizar laico para possibilitar a abertura à
manifestação de diferentes credos religiosos. Os acontecimentos históricos iniciam-
se com a República Velha abrindo variáveis que interferiram na organização social,
política e econômica no Brasil.
Ocorreu o crescimento demográfico, devido às intensas migrações externas
que vieram formar os novos proletariados urbanos compostos, principalmente, por
italianos e espanhóis sendo esses com tendências anarquistas e anticlericais.
Imigrações alemãs e inglesas, (a presença dos primeiros colonos de confissão
luterana) os empresários, comerciantes, e, por fim, os protestantes americanos
fortaleceram esse crescimento. As migrações internas foram outro fator importante
nesse início de República e aconteceram do Nordeste para a Amazônia, e da zona
rural para as cidades. Por outro lado, como salienta, Silva e Hasenbalg (1988, p.131
- 132) com a entrada maciça de imigrantes europeus provocada pela fim da
escravidão e a não-inserção do negro como trabalhador livre, houve um
desajustamento social que se fez sentir por mais de uma geração, como salientado
pelos autores:
Em resumo: no resto do país ou Brasil subdesenvolvido, onde se concentra
a maior parte da população de cor, a massa de ex-escravos é reabsorvida
depois da abolição sem grandes comoções na rede de relações sociais
caracterizadas pela dependência senhorial e clientelismo, ficando nas
.
87
décadas seguintes predominantemente vinculada ao setor agrário da
região. Já na região Sudeste, onde a abolição coincide com o início da
entrada maciça de imigrantes europeus, a população de cor como um todo,
incluindo ex-escravos e libertos, ficou inicialmente marginalizada do núcleo
da economia capitalista em formação. Até a década de 1920, em
consequência da corrente imigratória européia oficialmente promovida,
fechou-se um espaço sócio-econômico que teria ficado disponível às
pessoas de cor e, de forma mais geral, à força de trabalho nacional,
concentrada fora da região e dentro dela. Apesar deste processo de
desajustamento social, que se fez sentir por mais de uma geração, o negro
e o mulato começam a acompanhar posteriormente o ritmo das
transformações sociais por que passa a região, sem que por isto a relação
hierárquica entre o grupo branco e de cor seja substancialmente modificada
(HASENBALG, SILVA, 1988, p.131-132).
O cenário contextual da República Velha estabelece essas consequências
sociais que refletirão também na educação. A começar pelo conflito do modelo de
educação que o Brasil deveria adotar na República, esse movimento ficou conhecido
como Manifesto dos Pioneiros que reunia, de um lado, positivistas, patrocinadores
da República, e outro, o Clero e sua intelectualidade leiga. Segundo Roza (2006,
p.46) os pioneiros estavam mais ligados ao capitalismo liberal e, principalmente,
aqueles que se localizavam nos centros urbanos e mais desenvolvidos do país,
projetavam nessa proposta uma maneira de colocar o país ao lado das grandes
nações da época e desejavam uma educação nacional de caráter liberal e
democrático. Como ressalta a citação abaixo:
Os pioneiros alinhar-se-ão na corrente das mudanças. Uns, com propostas
mais abertas e democráticas, outros subalternizando a democracia ao papel
dirigente das “elites”. Mas todos na linha de adaptação da política
educacional ao avanço do capitalismo no Brasil. Uma estrutura educacional
exclusivamente acadêmica ornamental e disfuncional para uma sociedade
que se queria presente no mundo urbano-industrial. O que determina dentro
desta necessidade e aspirações uma outra relação às necessidade do
capital (Cury,1988,p.172 - 173).
Segundo Roza (2006, p.46) os católicos estavam ligados às oligarquias
nacionais, de uma economia agrário-exportadora e desejavam uma educação que
privilegiasse um conteúdo espiritual, tradicionalista (entenda-se confessional) e
convencional conforme argumenta Cury:
Os católicos alinhar-se-ão dentro uma proposta autoritária e sacral de
educação que visa a manutenção da estrutura oligárquica. Tão grande era
seu medo à participação das classes populares que sua resistência às
alterações no quadro brasileiro se fará através de um nacionalismo cuja
proclamação não consegue disfarçar a importação de traços do fascismo
europeu. Tal autoritarismo se quisesse implantado, teria que fazer uso da
88
estratégia mais usual: o voto. Incapazes de aniquilar as mudanças tornar-
se-ão focos de resistência a elas (Cury, 1988, p.172).
O posicionamento dessas duas correntes vem à tona quando, dentro do
campo político ideológico entre Igreja e Estado, a militância católica organizada sob
a liderança do Cardeal Sebastião Leme e de um verdadeiro aparato de produção e
difusão ideológica faz frente aos movimentos de reestruturação dos conteúdos e à
organização das ciências segundo os critérios positivistas. Entre os anos 1922 e
1926, durante o governo de Artur Bernardes, deputados e senadores católicos
tentavam, na revisão constitucional de 1925 e 1926, suspender a proibição do
Ensino Religioso nas escolas públicas. Apesar de a bancada ser majoritária, seu
voto não foi suficiente para a reforma da constituição nesse ponto. Mesmo havendo
o veto na revisão constitucional, seis sistemas estaduais de educação já adotavam o
Ensino Religioso nas escolas públicas, “facultativa aos alunos fora do horário normal
de aulas” (CURY et al, 2003, apud CUNHA et al 2007).
Dentre esses sistemas estaduais, o estado de Minas Gerais transgrediu a
norma e em 1928, o Presidente mineiro Antônio Carlos de Andrada autorizou, por
decreto, o ensino do catecismo nas escolas mantidas pelo governo estadual. Num
estado de hegemonia católica, o ensino Religioso acontecia uma vez por semana,
dentro do horário normal de aulas. Nessa época, o assunto da educação competia
ao Secretário do Interior e justiça, Francisco Campos como deputado na revisão
Constitucional de 1922, já defendia a retomada do Ensino religioso nas Escolas
Públicas. Em 1930, Campos torna-se ministro da educação, facilitando em 1931 o
decreto n.19.941 que facultou o oferecimento nos estabelecimentos públicos de
ensino primário secundário e normal da instrução religiosa (CUNHA, 2007, p.288).
Podemos aqui observar na íntegra o texto que fora levado a público em abril 1931:
O chefe do governo provisório da República dos estados do Brasil decreta:
Art.1º - Fica facultativo, nos estabelecimento de instrução primária,
secundária e normal, o ensino de religião.
Art.2º - Da assistência às aulas de religião haverá dispensa para os alunos,
cujos pais ou tutores, no ato da matrícula, a requerem.
Art. 3º Para que o ensino religioso seja ministrado nos estabelecimentos
oficiais de ensino é necessário que um grupo de, pelo menos, vinte alunos
se proponha a recebê-lo (Cury, 1988, p.125).
Segundo Roza (2006, p.47-48), os artigos de número quatro, cinco seis e
nove demarcam a influência católica na Escola Pública. A mesma podia vetar e
89
liberar literaturas que considerava apropriada ou não na formação moral dos alunos
da rede oficial de ensino. Também tinha o poder de obstruir a manifestação do
professor sobre determinado conteúdo das aulas de religião, como podemos
observar nesse decreto, haja vista que, nas legislações posteriores, a autoridade da
Igreja será vetada e caberá somente à direção da escola intervir.
Art.4º - A organização dos programas de ensino religioso e a escolha dos
livros de textos ficam a cargo dos ministros do respectivo culto, cujas
comunicações, a este respeito, serão transmitidas às autoridades escolares
interessadas.
Art.5º - A inspeção e vigilância do ensino religioso pertencem ao estado, no
que respeita à disciplina escolar, e às autoridades religiosas, no que se
refere à doutrina e à moral dos professores.
Art.6º - Os professores de instrução religiosa serão designados pelas
autoridades do culto a que se referir o ensino ministrado.
Art7º - Os horários escolares deverão ser organizados de modo que
permitam aos alunos a cumprimento exato dos seus deveres religiosos.
Art8º - A instrução religiosa deverá ser ministrada de maneira a não
prejudicar o horário das aulas das demais matérias do curso.
Art.9º - Não é permitido aos professores de outras disciplinas impugnar os
ensinamentos religiosos ou, de qualquer outro modo, ofender os direitos de
consciências dos alunos que lhes são confiados. (Cury, 1988, p.125).
No artigo décimo, temos novamente a união do Estado e sociedade civil que
detêm o poder econômico e político e a diretriz daquilo que deve ser estabelecido à
população pelo processo de instrução, como descrevem abaixo os seguintes artigos:
Art.º 10 - Qualquer dúvida que possa surgir a respeito da interpretação
deste decreto deverá ser revolvida de comum acordo entre as autoridades
civis e religiosas, a fim de dar à consciência das famílias todas as garantias
de autenticidade e segurança do ensino religioso ministrado nas escolas
oficiais.
Art.º 11 - O Governo poderá, por simples aviso do ministério da Educação e
Saúde Pública, suspender o ensino religioso nos estabelecimentos oficiais
de instrução quando assim o exigirem os interesses da ordem pública e a
disciplina escolar.
Rio de Janeiro, 30 de abril de 1931, 110° da Independência e 43º da
República.
Getúlio Vargas
Francisco Campo (Cury, 1988, p.127).
O decreto descrito acima potencializou a organização da Igreja católica e
facilitou o surgimento lideranças como a do Cardeal Sebastião Leme, que patrocinou
a criação em 1932 da Liga Eleitoral Católica. Essas lideranças, não satisfeitas com o
decreto que previa que o ensino Religioso fosse oferecido nos estabelecimentos
oficiais e com, no mínimo, 20 alunos e que, ainda, essa disciplina não prejudicasse
as demais materiais quando fosse opção da estudante e tentaram suprimir o decreto
90
elegendo representantes na Assembléia que aceitassem o programa de igreja. O
alistamento e a instrução dos eleitores através da Liga Eleitoral Católica resultaram
numa forte bancada na assembleia que se definiu favorável nas escolas Públicas ao
Ensino Religioso ao invés de instrução religiosa. Mesmo havendo lideranças
contrárias à plataforma católica como o deputado Guaraci Silveira do Partido
Socialista Brasileiro, a constituição de 1934 promulgou que as escolas públicas
primárias, secundárias, profissionais e normais eram obrigadas a oferecer o Ensino
Religioso (CUNHA, 2007, p.289).
Nesse meio tempo, o Brasil sofre o Golpe do Estado, inaugurando o Estado
Novo. Uma das iniciativas de Getúlio Vargas nesse período ditatorial foi redigir uma
nova Constituição de inspiração polonesa e criar entre os dispositivos alguns
voltados à Constituição de 1891 que estabeleceu o Ensino religioso como facultativo
para a escola. Com o fim do Estado Novo em 1946 e a pressão da Liga Eleitoral
católica, foi proposto que a disciplina fosse ministrada fora dos horários normais de
aula, sem ônus para os cofres públicos. Na década de 50, foi realizada uma intensa
campanha para restringir “os efeitos práticos desse dispositivo constitucional, assim
como o tema do Ensino Religioso e da escola confessional, tornando-se uma
questão central para a Igreja da época” (OLIVEIRA et al, 2007 apud JUNQUEIRA,
2008).
O presidente Jânio Quadros, com o decreto n.50.505 reafirmou a
obrigatoriedade da Educação Moral e Cívica nos estabelecimento de ensino público
e privado. A rápida passagem de João Goulart conseguiu revogar as bases desse
decreto. Os projetos dos militares, que após o golpe de 1964, reeditaram com
sucesso o Decreto, vieram constituir a matriz do decreto lei n.869 de 12 dezembro
de 1969, baixado pela junta militar; tornando a disciplina Educação Moral e Cívica
obrigatória nas escolas de todos os graus e modalidades do sistema de ensino
(CUNHA, 2007, p. 295). Os propósitos da Educação e Moral e cívica representavam
uma junção do pensamento reacionário, do catolicismo conservador e da doutrina de
segurança nacional, como salientado por Cunha:
Apoiando-se nas tradições nacionais, essa disciplina teria por finalidade: a
defesa do princípio democrático, pela preservação do espírito religioso, da
dignidade da pessoa humana e do amor à liberdade com responsabilidade,
sob a inspiração de deus; b. a preservação, o fortalecimento e a projeção
dos espirituais e éticos da nacionalidade; c. o fortalecimento da unidade
nacional e do sentimento de solidariedade humana; do culto à pátria, aos
91
seus símbolos, ás suas tradições, instituições, e aos grandes vultos de sua
história; e. o aprimoramento do caráter, com apoio na moral, na dedicação à
família e à comunidade; f. a compreensão dos direitos e deveres dos
brasileiros e o conhecimento da organização sócio-político-econômica do
país; g. o preparo do cidadão para o exercício das atividades cívicas, com
fundamento na moral, no patriotismo para o exercício das atividades cívicas,
com fundamento na moral, no patriotismo e na ação construtiva, visando ao
bem comum; h. culto da obediência à lei, da fidelidade ao trabalho e da
integração na comunidade (CUNHA, 2007, p.296).
Conforme citação acima, o momento era propício para a Igreja católica, pois
lembrava a Era Vargas principalmente no que diz respeito ao Ensino Religioso nas
escolas públicas, pois as discussões se resumiam à questão da remuneração dos
seus professores pelo estado. A Lei Diretriz de Bases que vedava o ônus do ensino
religioso para os poderes públicos permaneceu em vigor e foi reafirmada pela Lei
Diretriz de Base do Ensino de 1º e 2º graus, lei nº 5.692 que vedava a remuneração
dos professores de ensino Religioso pelos cofres públicos, conforme dispositivo:
O ensino religioso constitui disciplina dos horários das escolas oficiais, é de
matrícula facultativa, e será ministrado sem ônus para os poderes públicos,
de acordo com a confissão religiosa do aluno manifestada por ele, se for
capaz, ou pelo seu representante legal ou responsável.
1. A formação de classe para o ensino religioso independe de número
mínimo de alunos.
2 o registro dos professores de ensino religioso será realizado
perante a autoridade religiosa respectiva. (LDB. nº4024/61: artigo 97, apud,
ROZA et AL 2006).
O decreto acima sobre o Ensino Religioso foi aprovado numa conjuntura
política de cassações de mandatos não permitindo discussões livres entre os
parlamentares. A Igreja Católica pretendeu aproveitar o momento, que lhe era
especialmente favorável, como o da Era de Vargas, para ampliar os benefícios
estatais a sua atuação religiosa e educacional. A LDB de 1961, ao contrário do que
os grupos conservadores da Igreja católica desejavam, vedou a remuneração dos
professores de Ensino Religioso pelos Poderes Públicos selando a priori uma
ruptura entre Estado e Igreja, restando aos dirigentes católicos, após a omissão dos
legisladores sobre a remuneração dos professores, passar a assediar os
governadores e prefeitos “para obter o deslocamento de professores do quadro do
magistério para o Ensino Religioso, assim como o pagamento de seus próprios
agentes nas escolas públicas de 1º e 2º graus” (CUNHA, 2007, p.297).
A década de 1970 reservava também uma transição a um modelo de Ensino
Religioso mais aberto ao diálogo com as outras denominações religiosas o que
92
resultaria um primeiro passo para o ecumenismo interconfessional entre as igrejas
cristãs. Esse cenário atendia aos interesses de uma corrente da Igreja Católica mais
progressista que estava mais atenta aos impactos sociais políticos e religiosos que o
Concílio Vaticano II (1962-1965) desempenhava nos rumos da instituição,
principalmente na América Latina, pois este foi o primeiro continente a se mobilizar
para implementar suas propostas (AZEVEDO, 2003 apud ESCANFELLA et al 2006).
A reunião ativa dos bispos latino-americanos serviu para denunciar as
estruturas políticas e econômicas que geravam desigualdades sociais, tanto em
Medellín, 1968 como em Puebla, 1979. As expressões “pecado social” e a “opção
preferencial pelos pobres” colocavam os pobres como atores centrais da vida da
Igreja e da sociedade com a possibilidade de sua libertação por meio de ações
concretas como as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs). Assim, a conjuntura
política na América-Latina, repleta de golpes de estado e de políticas autoritárias nos
diversos países, permitiu que setores ligados à Teologia da Libertação se
organizassem na defesa dos direitos humanos; no enfrentamento de políticas
sociais, como os relativos reforma agrária e à distribuição de solo urbano (SOUZA,
2004 apud ESCANFELLA et al 2006). Esse panorama conjuntural passa a refletir no
modelo de Ensino Religioso que foi implantado na década de 1970,
Interconfessional.
3.2.2 MODELO INTERCONFESSIONAL:
Esse modelo articulou, a partir dos anos 70, diferentes confissões cristãs e,
com o passar do tempo, diversas tradições religiosas. A leitura teológica e o
referencial teórico comum destas confissões religiosas eram as ciências humanas, o
eixo, a teologia. O Ensino Religioso interconfessional parte do pressuposto que o
aluno tenha uma identidade confessional sendo essa assumida e conhecida, até
mesmo porque a perspectiva que estabelecia este diálogo era a manutenção de
uma sociedade homogeneamente cristã tendo em vista que as experiências que
estabeleciam esse modelo interconfessional baseavam-se em uma proposta de
“Teologia Comparada”. Toda essa articulação respondia a um contexto histórico em
que o principal representante da igreja Católica no Brasil, a Conferência Nacional
dos Bispos do Brasil (CNBB), motivada pelo momento político que nos
encontrávamos de ditadura militar, estimulou o surgimento das diversas pastorais,
93
entre elas a Pastoral da Criança, Conselho Indígena Missionário (CIMI) e a CEBs
que se organizaram em torno da Teologia da Libertação e vivenciavam entre os seus
membros uma religião a partir de interesses coletivos (ESCANFELLA, 2006, p.96).
No entanto, o modelo interconfessional enquanto proposta de diálogo entre as
tradições cristãs, não foi somente resultado do contexto histórico que a igreja
católica no Brasil vivenciava. Foi desenvolvido a partir de alguns movimentos, sendo
que muitos surgem a partir do Concílio Vaticano II (1962 - 1965). Entre eles
Junqueira (2008, p.49) destaca o movimento Querigmático que, a partir da Segunda
Guerra Mundial, preconizou uma nova corrente de renovação doutrinal e
catequética. A mudança foi do tipo teológico-dogmático-moral para uma catequese
Bíblico-litúrgica. Em 1936 o Jesuíta Joseph Andre Jungman, professor da
Universidade Innsbruck, constatou nas paróquias que trabalhava, o baixo nível de
vida cristã uma vez que muitos teólogos e pastores estavam presos a umas
teologias clássicas, abstratas e intelectualista. Como podemos observar no trecho
abaixo:
O movimento Querigmático foi a corrente de renovação doutrinal, iniciada
nos anos da Segunda Guerra Mundial, que preconizava uma troca de
conteúdo da catequese. E seu grande sucesso foi à mudança da catequese
de tipo teológico-dogmático-moral para uma catequese bíblico-litúrgica. È
assim que o Movimento Bíblico e Litúrgico do início do século preparavam
também o advento do Movimento catequético. Apareceu um método
atentamente bíblico na perspectiva da história da salvação, a inspiração da
Teologia Querigmático e da Teologia Personalista. Depois, passou-se para
um método mais litúrgico, na perspectiva do ano litúrgico que atualiza e
celebra a história da Salvação. A Teologia Querigmático surgiu por iniciativa
principal dos jesuítas de innsbruck, com a intenção de tornar a Teologia
mais aderente à Psicologia do concreto, existencial, e à vida complexa de
um mundo em transformação.Os defensores dessa Teologia reprovavam a
Teologia clássica por ser muito abstrata e intelectualista. Preferiam uma
Teologia centralizada em Cristo e que atingisse todas as faculdades do
homem, um desejo de tornar as fontes do conteúdo de fé, em vista de
acentuar o núcleo da doutrina cristã de forma mais viva, histórica e orgânica
(JUNQUEIRA, 2008, p.50).
A reformulação Jungman após o Vaticano II concluiu que a “pregação Cristã
não podia ser uma simples vulgarização dos conceitos abstratos dos tratados
teológicos, nem o catecismo deveria ser um compêndio extraído de um manual de
Teologia dogmática” (JUNQUEIRA, 2008, p.51). Essa corrente passou a enfatizar a
necessidade de se partir da realidade concreta e viva dos homens e se representava
comprometida com a transformação do mundo e liberdade dos homens. Os
conteúdos doutrinais e hierarquizados preestabelecidos nos valores cristãos
94
deveriam ser deixados de lado pelo catequista. A nova catequese expressada por
este egente é aquela que se compromete com o homem e com suas situações,
inserido no povo convertendo a sua realidade, as angústias, atenuando o sofrimento
que a sociedade capitalista faz a esse povo sofrido. O quadro que reverenciava o
trabalho do missionário teólogo e do catequista do século XVI ao século XIX, mudou
no conjunto da estrutura catequética, a começar no tocante a sua linguagem:
às palavras usadas durante séculos - revelação, tradição, doutrina,
magistério, novas palavras vêm se juntar, tais como: relação, comunhão,
acontecimento, cultura, grupo, comunidade, busca, caminhada, experiência,
conversão, testemunho, valores, ambiente, mentalidade, aliança, promoção,
libertação, política, angústias, povo, conscientização, compromisso,
comprometer-se, transformação, realidade, impasses - todas elas a
formarem numerosas expressões usadas na catequese de hoje
(JUNQUEIRA, 2002
33
,2008,p.50).
.
Outros fatores passam a influenciar este modelo e, consequentemente, o
modo como o Ensino Religioso passou a ser praticado nas escolas, como por
exemplo: A preocupação com a doutrina perdeu a sua importância; a experiência de
vida recebeu nova atenção das ciências humanas fortalecida no Concílio Vaticano II;
e a história, a psicologia, a antropologia, sociologia, lingüística, ciência da
comunicação, passaram a revelar valores e direitos à cidadania na atividade pastoral
da igreja. Também questionamentos por meio de uma corrente de pensamento que
se fortalecia tanto na Europa como na América Latina que enfatizava a análise da
realidade, o confronto com os dados para optar por uma igreja engajada em prol da
libertação integral do homem (JUNQUEIRA, 2008, p.55).
Com a redescoberta do método indutivo, os métodos ativos possibilitaram
uma compreensão dos conceitos religiosos e fizeram com que o indivíduo vivesse a
sua fé há o método cíclico-progressivo que procura respeitar as possibilidades
psicológicas dos indivíduos que sofrem o processo de educação.Todos esses
métodos foram redescobertos e estruturados como forma de conteúdos
progressistas, sendo que esses modelos influenciaram a catequese e a educação
escolar (JUNQUEIRA, 2008, p.55).
Apesar disso a questão nos parece mais complexa.Consideremos os
argumentos do seguinte trecho:
33
JUNQUEIRA, Sérgio Rogério Azevedo. O processo de escolarização do Ensino religioso no Brasil.
Petrópolis: Vozes, 2002.
95
No processo de pedagogização da catequese e do Ensino da religião na
Escola, existiu uma grande busca de elementos que orientem o trabalho do
catequista e do professor. Entretanto, muitas vezes, pela falta de
compreensão do processo de estrutura metodológica, realiza-se um
ecletismo de estratégias que nem sempre atingem objetivos propostos. Com
esta perspectiva pedagógica ocorreu a valorização do homem, encontramos
a proposta do método da correlação, representada pelo trabalho de Barth e
Bultmann e, sobretudo, de Paul Tillichl, que propõem a relação entre a
pergunta humana e a resposta divina (JUNQUEIRA, 2008,p.55). .
Chama atenção o contexto sócio-cultural no qual a igreja Católica se encontra
no que tange às contribuições de Medellín, as CEBs, que visavam uma mensagem
libertadora e uma dimensão mais humana da igreja.Um forte movimento de
alteração social que exige da igreja uma interação mútua num cenário plurireligioso.
3.2.3 MODELO FENOMENOLÓGICO
Esse modelo nos remete à compreensão do pluralismo religioso.
Compreensão relativamente recente em nossa história. Como já analisamos
anteriormente, a sociedade brasileira era “uni-religiosa”, tendo o catolicismo como
religião oficial. Ser católico não era uma opção e sim uma condição para ser
considerado cidadão. Toda diferença religiosa era considerada como uma forma
desviante da religião oficial, por isso, muitas práticas foram perseguidas por não
seguirem a religião oficial.
O cenário das religiões no Brasil, segundo o Censo Demográfico de 2000,
alterou-se consideravelmente, houve um decréscimo das pessoas que se
autodenominam católicas, luteranas e umbandistas e um crescimento daqueles que
se autodenominavam pentecostais
34
e neo-pentecostais
35
e um crescimento
daqueles que se autodenominavam sem religião (ESCANFELLA, 2006, p.86-87).
A tabela indica a diversificação do cenário religioso no Brasil, principalmente a
partir da década de 1990.
Religião 1940 1950 1960 1970 1980 1991 2000
34
Segundo Sérgio Gwercman (2004, p.53), a palavra pentecostalismo vem de uma passagem da
Bíblia que diz que, num dia de Pentecoste a Páscoa judaica, o Espírito Santo desceu aos apóstolos e
começou operar milagres.
35
Segundo Sérgio Gwercman (2004, p.57), os neopentecostais diferem dos pentecostais pela
liberação dos costumes e pela Teologia da Prosperidade.
96
Católicos 95,2 93,7 93,1 91,1 89,2 83,2 73,8
Evangélicos 2,6 3,4 4,0 5,8 6,6 9,0 15,4
Outras religiões 1,9 2,4 2,4 2,3 2,5 2,9 3,5
Sem religião 0,2 0,5 0,5 0,8 1,6 4,4 7,3
Total** 100% 100% 100% 100% 100% 100% 100%
QUADRO 3 - RELIGIÕES DO BRASIL DE 1940 A 2000 EM PORCENTAGEM*
FONTE - IBGE, Censos demográficos (apud Pierucci, 2004, p. 20).
NOTA: (*) O título da tabela foi extraído do de Pierucci; (**) Não inclui religião declarada e não
determinada.
O modelo fenomenológico atende a essa diversificação religiosa, ligado à
diminuição do número de católicos, luteranos e umbandista, religiões essas
classificadas pela sociologia como tradicionais
36
. Como salienta Escanfella, em
citação abaixo:
De acordo com Pierucci (2004b), recuo do catolicismo está em consonância
com a teoria clássica da sociologia, segundo a qual religiões tradicionais
majoritárias tendem a recuar à medida que as sociedades se modernizam,
diferenciando-se, pluralizando-se. Enfim, após atingirem o ápice, começam
a apresentar fissuras e perdem terreno. Para o autor, nas sociedades pós-
tradicionais, as filiações sociais e culturais, dentre as quais a religiões,
tornaram-se opcionais e passíveis de revisão, sendo experimentadas de
forma não consistente (ESCANFELLA, 2006, p.87).
A pluralidade religiosa é sentida principalmente nas grandes capitais a partir
de 1991, como nas periferias de São de Paulo, Recife, Salvador, Belo Horizonte e,
principalmente, Rio de Janeiro. O Censo de 2000 indicou que essa pluralidade
religiosa avançou em todas as micro-regiões do país, com exceção nos lugares onde
o catolicismo é mais forte, como “sertão nordestino e maior parte de Minas Gerais,
mas também no interior do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul” (JACOB,
2004, p.11). O período de 1980 a 2000 assinalou o movimento de diversificação
religiosa em que o número de católicos reduziu (-15,1 pontos percentuais) e o
número de evangélicos cresceu (em torno de (+ 9 pontos) principalmente entre os
pentecostais. Outro dado importante nesse recenseamento é o expressivo aumento
de pessoas que se declararam sem religião (+5,8 pontos). Após séculos de
unificação no sentido thompsiano
37
, a Igreja Católica Romana, que, segundo o
36
Cada qual seja tradicional à sua maneira
37
Temos a compreensão que o modus operandi que a Igreja Católica Romana exerceu ao longo
desses séculos foi uma ideologia de unificação porque estabeleceu uma relação de dominação,
sustentadas através da construção, no nível simbólico, de uma forma de unidade que interliga os
indivíduos numa identidade coletiva, independentemente das diferenças e divisões que possam
separá-los (THOMPSON, 1995, P.86)
97
censo, continua majoritária, padronizou formas simbólicas e construiu símbolos
como a proclamação de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil. Esses
símbolos unem os indivíduos “supre as diferenças e divisões”.
Após o processo constituinte de 1988 e com o cenário pluri-religioso-
democrático-laico que as diferentes tradições religiosas e segmentos da sociedade
civil vão começar exigir no Brasil, temos a publicação dos Parâmetros Curriculares
Nacionais do Ensino Religioso e o Fórum Nacional Permanente do Ensino Religioso.
Ambos ressaltaram o fenômeno religioso presente na sociedade, como que a
abertura do homem ao sentido fundamental de sua existência, seja qual for o modo
como é percebido este sentido (JUNQUEIRA, 2008, p. 57). Os eixos organizadores
que nortearam a escola plural brasileira terão como referencial todas as ciências
humanas conjugadas com a fenomenologia e, a antropologia religiosas que
contemplaram conteúdos que abordavam as culturas e tradições religiosas,
Escrituras sagradas e/ ou Tradições orais, teologias, Ritos e Ethos.
O diálogo estabelecido entre os membros das diferentes tradições religiosas
facilitou, em dezembro de 1996, a elaboração da lei de Diretrizes de Bases da
Educação Brasileira na Seção III
38
que trata o Ensino Fundamental e que em seu
artigo trinta e três estaveleceu:
O ensino religioso, de matrícula facultativa constitui disciplina dos horários
normais das escolas públicas de ensino fundamental, sendo oferecido, sem
ônus para os cofres públicos, de acordo com as preferências manifestas
pelos alunos ou por seus responsáveis em caráter:
I - Confessional, de acordo com a opção religiosa ou do seu responsável,
ministrado por professores ou orientadores religiosos preparados e
credenciados pelas respectivas igrejas ou entidades religiosas, ou
II - Interconfessional resultante de acordo entre as diversas entidades
religiosas, que se responsabilizarão pela elaboração do respectivo
programa (NISKIER
39
, 1997 apud ROZA et al 2006).
Segundo Roza (2006, p.55- 56), a atual legislação resgatou muitos aspectos
da legislação formulada em 1961. A novidade da atual legislação está no fato de que
o profissional que irá ministrar a disciplina deverá ter os pré-requisitos necessários
para poder lecionar. No artigo trinta e três destacamos o caráter facultativo da
38
Segundo Junqueira (2008, p.58), o Parâmetro Curricular do Ensino Religioso (1996) ainda não foi
oficialmente reconhecido pelo Ministério de Educação e desporto, contudo oficiosamente, as
Secretarias Estaduais referem-se ao documento para orientar reuniões, programas e a formação
docente.
39
NISKIER, Arnaldo. L.D.B. A nova lei da Educação: Tudo sobre a lei de diretrizes e bases da
educação nacional: Uma visão crítica. 3ª. Edição, Rio de janeiro: Consultor, 1997.
98
matrícula da disciplina e a sua efetivação, de como, e a quem caberá o ato de
ministrar o Ensino Religioso. Após seis meses da promulgação da legislação, o
Congresso Nacional apresenta e o poder executivo sanciona a artigo trinta e três
que rege o Ensino Religioso da seguinte forma:
Art. 1º - O art. 33 da lei n.º 9.394, de 20 de dezembro de 1996, passa a
vigorar com a seguinte redação:
Art.33. O ensino religioso, de matrícula facultativa, é parte integrante da
formação básica do cidadão e constitui disciplina dos horários normais das
escolas públicas de ensino fundamental, assegurado o respeito à
diversidade cultural religiosa do Brasil, vedadas quaisquer formas de
proselitismo.
§ 1º Os sistemas de ensino regulamentarão os procedimentos para a
definição dos conteúdos do ensino religioso e estabelecerão as normas
para a habilitação e admissão dos professores.
& 2º Os sistemas de ensino ouvirão entidade civil, constituída pelas
diferentes denominações religiosas, para a definição dos conteúdos do
ensino religioso.
Art. 2º esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Art. 3º Revogam-se as disposições em contrário. (PARECER: 05/96 apud
ROZA et al 2006).
Segundo Junqueira (2008, p.74) foi a partir de julho de 1997 (Lei n.º 9. 745),
que o Ensino Religioso no legislativo foi considerado parte integrante da formação
básica do cidadão, assumido pelo Sistema Educacional no campo da organização
dos conteúdos do componente curricular. Houve a definição das normas para
habilitação e admissão dos professores da disciplina com nova significação na
estruturação desta área do conhecimento. O respeito à diversidade cultural e
religiosa do Brasil e a proibição de qualquer tipo de proselitismo e a matrícula
facultativa para a disciplina são os componentes centrais dessa lei que estabeleceu
um modelo para compreender o atual cenário do Ensino Religioso como um
componente curricular que contribui na formação do cidadão.
Cidadão este que vive em uma sociedade pluralista e necessita saber
dialogar nela e com ela. No artigo percebemos que a concepção de Ensino
religioso muda de um foco teológico para assumir um perfil pedagógico de releitura
das questões religiosas da sociedade (JUNQUEIRA, 2008, p. 57).
Cabe à escola instrumentalizar os alunos a oportunidades de se tornarem
capazes de entender os momentos específicos das diversas manifestações
religiosas, cujo substrato religioso colabora no aprofundamento para autêntica
cidadania. E, como nenhum conhecimento teórico, sozinho, explica completamente
o processo humano, se não articularmos cada elemento da cultura humana, o que à
99
primeira vista aparece descontínuo e mesmo, com frequência, estranho, absurdo,
jamais entenderemos o que os homens produzem e como eles vivem. A condição
humana é uma lenta e prolongada construção do próprio homem (ELIAS, 1993, p.9).
É o diálogo entre eles que possibilita construir explicações e referenciais que
escapam do uso ideológico, doutrinal ou catequético. Mesmo num país em que o
catolicismo predomina, incentivar o diálogo entre os diferentes movimentos
religiosos sob o prisma da construção de uma sociedade plurireligiosa é base para
que possamos respeitar as diferenças, pois um fato é vertiginosamente real no
cenário brasileiro: o catolicismo tem a passos largo perdido, ao longo do tempo, fiés
e isto tem impressionado os pesquisadores.
Segundo Escanfella (2006, p.86) e Pierucci (2004, p.18), mesmo havendo no
Brasil uma ampliação da diversidade religiosa, um crescimento de adeptos de
outras religiões e daqueles que se declararam sem religião, a Igreja Católica se
mantém como confissão hegemônica no país, congregando cerca de 73% de fiéis
em todo o território nacional. Quando o Ensino religioso é legitimado no Brasil pela
Constituição de 1988 e pela LDB, abre uma perspectiva interessante para o
mercado de trabalho e com repercussões no mercado livreiro “que têm as escolas
como público cativo e o Estado como grande comprador” (ESCANFELLA, 2006, p.
102). Esses fatos configuram e reafirmam a nossa pertença da escolha de editoras
católicas. Tendo esses fatos como base, pretendemos abordar. E analisar o material
didático referente ao Ensino Religioso nos últimos trinta anos. Selecionamos vinte
livros didáticos de Ensino Religioso do Ensino Fundamental brasileiro de 5ª e de 8ª
séries que datam de 1977 a 2007, e das mais variadas publicações editoriais que
publicam temas relacionados à essa disciplina, que nesse período, transitaram
pelos três modelos de Ensino Religioso que abordamos.
100
CAPÍTULO 4 – PROCEDIMENTOS DA ANÁLISE FORMAL
4.1 CONSTITUIÇÃO DA AMOSTRA
A proposta inicial para coleta de dados era contemplar livros didáticos
produzidos de acordo com três modelos tradicionalmente presentes em diversas
escolas do Brasil, a saber: as concepções denominadas Confessional,
Interconfessional e a Fenomenológica. Salientamos que, além destas três
proposições, existem outras derivadas. Além disso, as formas de classificação usam,
via de regra, de generalizações e estão pouco atentas a detalhes, gerando, quase
inexoravelmente, imprecisões ou ambiguidades. Reconhecendo estas possíveis
imprecisões, ou incertezas, ainda assim consideramos que a classificação em
diferentes “modelos” de Ensino Religioso no Brasil ajudam a compreender
mudanças de propostas pedagógicas e pensar que tais mudanças se refletem nos
livros didáticos. Tomamos, pois, a classificação em três modelos que se organizam
em períodos sucessivos, em função do Ensino Religioso presente nos currículos das
escolas brasileiras e que, também, estão de acordo com o Fórum Nacional
Permanente do Ensino Religioso (FONAPER) que reconhece essas três correntes
como marco estruturador de leitura e interpretação da realidade (JUNQUEIRA,
2008).
Fixamos um período de 30 anos para a análise de dados, porque nesse
período ocorreram momentos em que as propostas de ensino religioso passaram
pelas três proposições descritas. Consideramos que o período de 1977 até 2007
abrange momentos marcantes do Ensino Religioso, em particular alguns aspectos
da história recente da Igreja católica.
Pós Concílio Vaticano II em 1965, a Igreja Católica se abre para o mundo e
passa a rever seu lugar nele. A preocupação é como o homem concreto, o homem
histórico, reconhece a importância da cultura e se reconcilia com os avanços
tecnológicos uma vez que esses avanços são vistos como possibilidade para
progresso mundial. Todo esse processo postula o projeto de missão num cenário de
diversidade cultural que dinamiza a igreja Católica e leva-a substituir a noção de
aculturação pela noção de inculturação rompendo com a antiga concepção do
paganismo das culturas locais para uma concepção de alteridade cultural. Indianizar-
se e africanizar-se são perspectivas tensas, mas a Igreja Católica busca adaptar-se
101
às culturas locais e com isso manter a universalidade de suas verdades
(ESCANFELLA, 2006, p.102).
Todo esse processo pode ser observado nas duas Conferências dos bispos
latino-americanos em Puebla (1979) e Santo Domingo (1992). Ambas respondiam à
desafios diferentes em contextos históricos alterados pela situação política das
repúblicas latino-americanas que passavam de ditaduras a regimes mais
democráticos. Apesar das diferenças, Santo Domingo reforça atenção aos pobres e
às culturas indígenas e afro-americanas e a inculturação do Evangelho.
Nesse mesmo período, o Ensino Religioso legitimado no Brasil pela
Constituição de 1988 e pela Lei de Diretrizes Bases/LDB abriu perspectiva para o
mercado de trabalho, em detrimento do mercado livreiro que “têm as escolas como
público cativo e o Estado como grande comprador... com editoras católicas
participando ativamente da disputa desse mercado livreiro”. (ESCANFELLA, 2006,
p.102).
No período estudado, 1977 a 2007, alguns eventos sobre relações entre
negros e brancos foram marcantes, destacam-se: o surgimento do Movimento Negro
Unificado/ MNU, em 1979; os Agentes de Pastoral Negra/APNs, em 1983 e 1984.
Nesse período a Fundação para o Livro Escolar (FLE) propõe a busca de um livro
didático “livre da presença de preconceitos e inverdades”. Ao mesmo tempo,
aparece a Assessoria Técnica de Planejamento e Controle Educacional (ATPCE) da
Secretária de Educação do Estado de São Paulo com a criação da Comissão
Especial de Luta Contra as Formas de Discriminação. Em 1984, no mês de abril, foi
realizado, em São Paulo, o III Encontro de Agentes de Pastoral Negros. Em 1986, foi
concluída a pesquisa “Diagnóstico sobre a situação educacional de negros (pretos e
pardos) no Estado de São Paulo”, realizada pela fundação Carlos Chagas em
convênio com a Secretaria de Educação e o Conselho de Participação e
Desenvolvimento da Comunidade Negra do Estado de São de Paulo. Em 1988, o
Ministério da Cultura promoveu o Programa do Centenário da Abolição, com
incentivos à realização de trabalhos sobre o negro em que foi incluso o projeto
“Salve 13 de maio”, organizado pelo Grupo de trabalho para Assuntos Afro-
Brasileiros- GTAAB. Como parte das atividades, o Dia da Abolição da Escravatura
foi transformado e incorporado, por solicitação dos movimentos negros e por força
de uma Resolução da Secretaria da Educação, em dia de Debate e denúncia contra
o Racismo. Por ocasião do centenário da Abolição da Escravatura, em 1988, e
102
depois em 1994, o Ministério da Educação realiza e divulga um estudo
reconhecendo que os conteúdos veiculados pelo livro didático vinham estimulando o
preconceito racial (BEISIEGEL, 2001).
Nesta mesma época, (1995) as comemorações dos trezentos anos da morte
de Zumbi dos Palmares, resultou na Marcha Zumbi Contra o Racismo pela
Cidadania e Vida. Nessa mesma ocasião foi encaminhado um documento à
Presidência da República que incluía, dentre as reivindicações na área da
Educação, modificações nos livros didáticos e inclusão de conteúdos de História e
Cultura Afro-brasileira, além de definir o dia 20 de novembro como data de
Comemoração da Consciência negra. Em 2001 acontece em Durbam a III
Conferência Mundial das Nações Unidas Contra o racismo, discriminação racial,
xenofobia e intolerância correlata. Por fim, em 2003, o presidente Luiz Inácio Lula
da Silva sancionou a Lei nº 10.639 que estabelece a obrigatoriedade do ensino de
história e cultura afro-brasileira no Ensino Fundamental e Médio e criou a Secretaria
Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial/Seppir.
Ao longo desses 30 anos estabelecidos para realização da amostragem dos
livros de Ensino Religioso, as políticas educacionais para livros didáticos também
passaram por eventos significativos. No início da década de 1990 iniciou-se a re-
estruturação do Plano Nacional do Livro didático/PNLD. No ano de 1993, temos o
início do que se considera um novo processo de avaliação do livro didático. Nessa
fase a avaliação articula-se com os movimentos sociais e “os temas racismo e
sexismo nos livros didáticos aparecem citados diversas vezes e os critérios
utilizados para a avaliação dos livros demonstram a clara preocupação com as
formas explícitas e implícitas” (SILVA, 2005, p.101). Embora os livros de religião não
façam parte dos programas oficiais, o impacto e a influência das políticas públicas de
livros didáticos refletem-se nas editoras, nas formas de produção e distribuição dos
livros e também nas áreas que não são diretamente dirigidas ao PNLD.
O estudo de Junqueira (2008) analisou a origem e o desenvolvimento do
Ensino Religioso no contexto da educação brasileira e sua legislações a partir dos
modelos Confessional, Interconfessional e Fenomenológico. O intuito foi analisar
livros indicados nesses três modelos e, também porque as maiores publicações
nesse setor estão nas editoras católicas. Para realizar a pesquisa bibliográfica dos
livros recorreu-se ao depósito legal dos na Biblioteca Nacional/BN.
103
Escanfella (2006) lista: “entre as oito maiores editoras católicas, na
atualidade, estariam: Loyola, Paulus Editora, Paulinas Editora, Vozes, Santuário,
Ave-Maria, Salesiana e Canção Nova” (p.105)
40
. Procuramos visitar e fazer contato
cada uma dessas editoras com sub-sede em Curitiba. Com a editora Loyola só foi
possível contato telefônico e a sua representante de vendas na cidade informou que
a editora não publica mais livros didáticos de Ensino religioso para o Ensino
Fundamental. As demais visitas serão descritas posteriormente. As informações
obtidas via telefone e consulta eletrônica apontaram que as editoras Santuário e
Ave-Maria não publicam livros didáticos de Ensino Religioso e a Editora Salesiana
publica somente paradidáticos.
Fizemos tentativas de levantamento de dados via eletrônica, no site da
Biblioteca Nacional (BN); orientados por Silva (2005) utilizamos uma base de dados
HTTP://consorcio.bn/consorcios/bases.html. Obtivemos acesso aos índices dos
livros didáticos de Ensino Religioso do Ensino Fundamental. O índice geral de
Ensino Religioso deu como resposta 5232 entradas. Os sub-índices específicos
foram Ensino Religioso (fundamental), com 55 entradas. A partir dessas entradas,
foram separadas as referências de livros voltados de 5ª à 8ª séries. Excluíram-se as
repetições (livros com dados catalográficos iguais, ano de depósitos diferentes,
mesmo autor e editora) com intuito de diversificar ao máximo a amostra. Retiradas
todas as repetições, chegamos a uma listagem com 42 referências de livros
didáticos de Ensino Religioso, depositados na Biblioteca Nacional entre 1977 e
2007, listados no quadro 3.
Título e autor
Série Editora Ano
8ª Vozes 1977
1
Educação Religiosa Escolar
Conselho Interconfessional para Educação
5ª Vozes 1980
2
Educação Religiosa Escolar
Conselho Interconfessional para Educação
5ª Vozes 1981
3
Educação Religiosa Escolar
Deus chama a viver sua vida
6ª Vozes 1981
4
Educação Religiosa Escolar
Deus chama a viver e crescer com Jesus Cristo
7ª Vozes 1981
5
Libertação educação religiosa escolar
Deus salva em Jesus Cristo
Vozes 1983
6
Deus nos quer construtores de um mundo
Secretariado Arquidiocesano de Pastoral(São Luis.MA)
40
A pesquisadora Escanfella (2006) não inclui na sua lista a editora FTD, mas, no exame de
qualificação o pesquisador Junqueira (2009), membro da mesa examinadora lista a editora como
Católica, sendo a mesma pertencente aos Irmãos Marista.
104
Vozes 1983
7
Deus liberta o seu povo
Secretariado Arquidiocesano de Pastoral(São Luis.MA)
5ª Paulinas 1993
8
Maria Inês Carniato
Nossa opção Religiosa
6ª Paulinas 1993
9
Maria Inês Carniato
Nossa opção Religiosa
7ª Paulinas 1993
10
Maria Inês Carniato
Nossa opção Religiosa
8ª Paulinas 1993
11
Maria Inês Carniato
Nossa opção Religiosa
5ª Vozes 1996
12
Sem autor
Deus nos convida a viver e crescer em sua vida
6ª Vozes 1996
13
Sem autor
Deus nos convida a participar da vida em comunidade
7ª Vozes 1996
14
Sem autor
Deus nos convida à liberdade com responsabilidade,
5ª Moderna 1997
15
Alegria de Viver
Tongu, Oliveira I. Maria
6ª Moderna 1997
16
Alegria de Viver
Tongu, Oliveira I. Maria
8ª Moderna 1997
17
Alegria de Viver
Tongu, Oliveira I. Maria
5ª FTD 1998
18
Descobrindo caminhos
Maria Therezinha L. Cruz
5ª FTD 1999
19
Descobrindo caminhos
Maria Therezinha L. Cruz
5ª FTD 1999
20
Irmãos a Caminho: Religião na Vida
Maria Therezinha L. Cruz
6ª FTD 1999
21
Irmãos a Caminho: Religião na Vida
Maria Therezinha L. Cruz
7ª FTD 1999
22
Irmãos a Caminho: Religião na Vida
Maria Therezinha L. Cruz
8ª FTD 1999
23
Irmãos a Caminho: Religião na Vida
Maria Therezinha L. Cruz
Paulinas 2000
24
Religião e mudança
Catão, Francisco A. C.
5ª Paulinas 2001
25
A religião no mundo
Maria Inês Carniato
5ª Scipione 2002
26
De mãos dadas
Avelino A. Corre & Amélia Schneiders.
6ª Scipione 2002
27
De mãos dadas
Avelino A. Corre & Amélia Schneiders.
7ª Scipione 2002
28
De mãos dadas
Avelino A. Corre & Amélia Schneiders.
8ª Scipione 2002
29
De mãos dadas
Avelino A. Corre & Amélia Schneiders.
8ª Moderna 2004
30
Entre amigos
Diocese de São Paulo
5ª Ática 2004
31
Todos os jeitos de crer
Dora Incontri & Alessandro César Bigheto
6ª Ática 2004
32
Todos os jeitos de crer
Dora Incontri & Alessandro César Bigheto
7ª Ática 2004
33
Todos os jeitos de crer
Dora Incontri & Alessandro César Bigheto
8ª Ática 2004
34
Todos os jeitos de crer
Dora Incontri & Alessandro César Bigheto
105
5ª FTD 2006
35
Descobrindo caminhos
Maria Therezinha L. Cruz
6ª FTD 2006
36
Descobrindo caminhos
Maria Therezinha L. Cruz
7ª FTD 2006
37
Descobrindo caminhos
Maria Therezinha L. Cruz
8ª FTD 2006
38
Descobrindo caminhos
Maria Therezinha L. Cruz
5ª Vozes 2007
39
Redescobrindo o Universo Religioso
Mário Renato Longen
6ª Vozes 2007
40
Redescobrindo o Universo Religioso
Mário Renato Longen
7ª Vozes 2007
41
Redescobrindo o Universo Religioso
Mário Renato Longen
8ª Vozes 2007
42
Redescobrindo o Universo Religioso
Mário Renato Longen
QUADRO 4 - LISTA DE LIVROS DE ENSINO RELIGIOSO, 5ª à 8ª SÉRIES, DEPOSITADOS NA
BIBLIOTECA NACIONAL, 1977-2007.
FONTE: o autor (2009)
No caso das referências sobre livros didáticos de Ensino Religioso do Ensino
Fundamental, das 42 referências encontradas, todos contemplavam títulos para 5ª,
6ª, 7ª e 8ª séries. Definiu-se analisar os livros da 5ª e da 8ª do ensino fundamental.
Além disso, ao invés de definir uma amostra dentro do total de livros, optou-se por
analisar todos os livros e constituir uma amostra no interior de cada um dos selos,
com a análise de 30% das unidades de leitura de cada um dos 20 livros de 5ª e 8ª
séries.
O número de títulos definidos para a composição da amostra foi de 20 e, com
essa listagem, passamos a visitar editoras. Em visita a editora Paulinas obtivemos
dois livros para análise de nossa amostra com os títulos: “Religião no Mundo”, de 5ª
série e “Nossa opção religiosa” de 8ª série, e apuramos que as editoras Paulinas e
Paulus publicam conjuntamente os seus selos de livros didáticos. A editora Vozes
também forneceu dois selos para a nossa análise e amostragem que é:
“Redescobrindo o universo religioso”, um de 5ª e o outro da 8ª séries. A FTD, com
sede em Curitiba, não forneceu nenhum livro e sua representante informou-nos que
não estava autorizada a fornecer qualquer informação mais detalhada sobre a
editora. Conseguimos via acervo particular de um professor de Ensino Religioso os
selos “Descobrindo caminhos” de 5ª e 8ª séries, de uma Instituição de ensino na
cidade de Curitiba que é ligada a Editora FTD, irmãos Maristas.
A pesquisa no site da BN possibilitou a ampliação da mostra e, com isso,
identificamos as editoras que publicam especificamente material de Ensino Religioso
106
do Ensino Fundamental (FTD, Vozes, Paulinas, Scipione, Moderna, Àtica).
Identificamos três editoras que possuem representantes de vendas em
Curitiba e as mesmas forneceram para a nossa amostra os livros necessários para a
pesquisa. A editora Moderna nos forneceu o selo “Entre amigos” de 5ª e 8ª séries, a
editora Ática o selo “Vidas” de 5ª série e o selo “Idéias” de 8ª série. A editora
Scipione, os selos “De mãos dadas” de 5ª e 8ª séries. Todos foram unânimes ao
serem questionados sobre as listas editadas e de livros mais vendidos, alegaram
que tais informações somente com a matriz.
Realizamos um contato com o professor Sérgio Junqueira que é integrante do
Grupo de Pesquisa Educação e Religião/GPER. Este grupo tem como principal
objetivo a construção de uma rede de pesquisadores no campo da pedagogia
Religiosa, e é vinculado à Pontifícia Universidade Católica do Paraná/PUCPR. O
mesmo, além de conceder entrevistas e participar como informante privilegiado
sobre ensino religioso, forneceu-nos o restante da amostra de selos com os títulos:
“Deus liberta o seu povo” de 5ª série e “Deus nos quer construtores de um mundo
novo” de 8ª série, “Educação Religiosa Escolar” de 5ª série e 8ª série e os “Irmãos a
caminho” de 5ª e 8ª série.
O quarto quadro mostra os 20 livros que compõem a amostra e que foram
localizados e analisados, bem como informa os anos de suas respectivas edições.
Nesse período, as editoras lançaram títulos diferentes ao longo dessas três décadas
para atender a exigências do mercado e diferentes propostas pedagógicas. Tal
característica é importante para a análise que empreenderemos, pois isso indicará
em que medida essas mudanças foram feitas para atender aos contextos históricos
nos quais as publicações estavam inseridas, bem como, em que medida essas
mudanças estavam vinculadas às próprias contingências de mudanças culturais que
cada modelo do Ensino Religioso passou a exigir nesses períodos específicos
41
.
Na última coluna do quadro colocamos a classificação do selo segundo o foco
de conteúdo que cada selo apresentou. Nesse caso o modelo Confessional
incorpora uma linha de conteúdos doutrinais, Interconfessional que apresenta uma
linha de conteúdos cristãos e Fenomenológicos e outra de conteúdos culturais. Essa
classificação tem que ser compreendida como uma aproximação, não como um
41
No quadro 4 realizamos uma classificação das unidades de leitura seguindo as orientações de
Junqueira (2008), no que se refere aos modelos de educação religiosa e o perfil característico de
cada um dentro do contexto histórico em que foi publicado.
107
critério que engloba todos os aspectos de cada uma das obras. Assim, usando os
critérios de cronologia de publicação e de exame das obras, classificamos os selos
conforme a sua maior proximidade com essas linhas de conteúdos que os selos
apresentam. Ou seja, a classificação tem efeitos para essa pesquisa, mas não pode
ser compreendida como definidora precisa de cada umas das obras, isso porque, em
passagens específicas cada uma das obras pode possuir aspectos que são
peculiares a outro modelo de ensino religioso, mas na nossa classificação o esforço
foi de classificar os selos conforme o predomínio em um modelo.
Título e autor Série Editora Ano
Modelo
1
Deus nos quer construtores de um
mundo
Secretariado Arquidiocesano de Pastoral
(São Luis. MA)
Vozes
1983
Confessional
2
Deus liberta o seu povo
Secretariado Arquidiocesano de Pastoral
(São Luis. MA)
Vozes
1983
Confessional
3
Alegria de Viver - Educação religiosa
Maria Izabel de Oliveira Tongu
Moderna
1996
Confessional
4
Alegria de Viver - Educação religiosa
Maria Izabel de Oliveira Tongu
Moderna
1997
Confessional
5
De Mãos Dadas
Amélia Schneiders; Avelino Antônio Correa
Scipione
2002
Confessional
6
Educação Religiosa Escolar
Conselho Interconfessional para Educação
Vozes
1977
Interconfessional
7
Educação Religiosa Escolar
Conselho Interconfessional para Educação
Vozes
1980
Interconfessional
8
De Mãos Dadas
Amélia Schneiders; Avelino Antônio Correa
Scipione
1992
Interconfessional
9
Irmãos a Caminho
Therezinha Motta Lima da Cruz
FTD
1993
Interconfessional
10
Irmãos a Caminho
Amélia Schneiders; Avelino Antônio Correa
FTD
1993
Interconfessional
11
Descobrindo caminhos
Therezinha Motta Lima da Cruz
FTD
1998
Interconfessional
12
Descobrindo caminhos
Therezinha Motta Lima da Cruz
FTD
1998
Interconfessional
13
Religião no Mundo
Maria Inês Carniato
Paulinas
2001
Fenomenológico
14
Nossa opção Religiosa
Maria Inês Carniato
Paulinas
2002
Fenomenológico
15
Entre Amigos
André F. Seco; Luiz E. Fernandez; Márcia
Braga; Maria Del Mar I. Barbosa e
Sonsoles C.de La Peña
Moderna
2004
Fenomenológico
16
Entre Amigos
André F. Seco; Luiz E. Fernandez; Márcia
Braga; Maria Del Mar I. Barbosa e
Sonsoles C.de La
Moderna
2004
Fenomenológico
17
Todos os jeitos de crer-Vidas
Dora Incontri e Alessandro César Bigheto
Ática
2004
Fenomenológico
18
Todos os jeitos de crer-Vidas Idéias
Dora Incontri e Alessandro César Bigheto
Ática
2004
Fenomenológico
19 Redescobrindo o Universo Religioso Vozes 2007 Fenomenológico
108
Mário Renato Longen
20
Redescobrindo o Universo Religioso
Mário Renato Longen
Vozes
2007
Fenomenológico
QUADRO 5 - TÍTULOS, AUTORES, SÉRIE, EDITORAS E ANOS DE REFERÊNCIA DE EDIÇÃO
ANALISADA.
FONTE: O AUTOR (2009).
A estrutura física dos livros da amostra não manteve uma mesma forma,
apresentou variação no seu formato de editora para editora.
O formato dos dois primeiros selos são 220 mm por 150 mm, os terceiro e
quarto selos são 210 mm por 140 mm e os dezesseis selos restantes seguem um
formato semelhante de 280 mm por 200 mm, texto impresso com ilustração na capa.
As capas dos quatro primeiros remontam ilustrações de sacralidade, símbolos
católicos, figuras elípticas, vitrais que relembram a Idade Média, com crianças. Os
selos mais recentes, principalmente de 2004 em diante, já ilustram símbolos e
multidões em contextos étnico-religiosos de diferentes culturas. Os quatro primeiros
selos trazem somente na capa os títulos grafados e, os selos seguintes, já
descrevem na capa, título e autor (es). A contracapa contém praticamente os
mesmos dados e, no verso dessas, em geral, constam: ficha catalográfica e créditos
da produção do livro (funções e nomes de profissionais envolvidos na produção).
Com o passar do tempo às informações da contracapa tornaram-se
progressivamente mais completas.
Na maior parte das vezes, o sumário ou índice está na seqüência. Diferente
dos livros didáticos que passam pela avaliação no PNLD, não existe uma
padronização na organização no sumário e na listagem de títulos das unidades de
leitura. Os livros didáticos da amostra da pesquisa não apresentaram esse tipo de
padronização. Em alguns casos o sumário e a apresentação só aparecem após uma
longa orientação psicopedagógica que indica: objetivos, sugestões de atividades,
conteúdo, metodologia e depois é dirigida aos alunos/leitores. Muitas vezes, o
sumário não é dividido em unidade e sim em número de aulas, que o é caso dos
selos de 1977 e 1980. O selo de 1993 apresenta um índice de conteúdos divididos
em unidades e, logo em seguida, a apresentação do conteúdo, não focalizando uma
interface de diálogos com os alunos/leitores. O selo de 2001 apresenta o sumário na
capa final do livro e dedica uma orientação somente ao educador para, logo em
seguida, a apresentação do conteúdo da primeira unidade. Os outros selos, de
modo geral, realizam uma apresentação dirigida aos alunos/leitores, em alguns
109
acaso estando dispostas antes ou depois do sumário. A maioria absoluta dos
capítulos iniciou com textos para leitura e interpretação dos alunos (as). Em todos os
selos os textos são acompanhados com exercício ou propostas de atividades que
abordaram temáticas relacionadas ao conteúdo do texto. Por vezes, essas são
tematizadas em dinâmica de grupos, reflexões que possibilitam e os alunos (as)
relacionar a proposta messiânica do evangelho e a realidade em que eles (as) estão
inseridos.
Na amostra, os exercícios contextualizam-se em compreensões diferentes.
Em alguns casos, reforçam, por exemplo, os sacramentos católicos como, a
renovação do batismo. Outros exercícios mesclam questões religiosas com
problemas sociais, políticos e, por fim, selos que elaboram exercícios muito mais
voltados a questões filosóficas e antropológicas do que teológicas. Os selos trazem,
na sua grande maioria, informações e bibliografia de personagens históricos tanto do
meio religioso quanto do histórico e do científico. Ao final, alguns selos trazem
atividades complementares. Somente um selo trouxe glossário e quatorze
referências bibliográficas.
A ilustração variou de selo para selo. Nos dois primeiros não existe nenhuma
ilustração. Os selos sequentes contam com número limitado de ilustrações, com uso
limitado de cores. Essencialmente, examinamos ilustrações coloridas nas capas e
nas unidades. Nos quatro primeiros selos os personagens aparecem em contorno,
como croquis, dificultando a análise do personagem na ilustração nas categorias cor-
etnia e idade ou etapa da vida. Nos selos sequentes, que datam da década 1990,
verifica-se uso delimitado de cores e desenhos, basicamente todos com imagens
fotográficas. O aumento significativo de ilustrações e variedades de cores,
fotografias, ícones nos selos da década, 2000 ilustrações com os mais variados
tamanhos, padrões gráficos sofisticados e bem definidos.
Os textos para a leitura/análise pelos alunos se apresentam com formatos
distintos: Textos teológicos, bíblicos, filosóficos, sociológicos, antropológicos,
étnicos, gravuras, gênero, biografias, narrativas informativas, poesias, letras de
música, quadrinhos, pinturas, esculturas, fotografias.
Os recursos gráficos preenchem e contextualizam a mensagem escrita. A
princípio os livros seriam analisados por capítulos, seguindo a ordem dos múltiplos
de 3, devido ao fato dos livros didáticos não estarem, em sua maioria, dispostos em
110
lições ou encontros. Seguiu-se a mesma análise com os múltiplos de 3 analisando
os encontros e a lições.
Independente das diferentes formas de organização e denominação das
partes que compõem cada selo (unidades, capítulos, partes, etc.), numeramos as
unidades de leitura na ordem na qual estão dispostas. Selecionamos para a análise
de conteúdo as unidades de leitura numeradas em 3 e seus múltiplos, de forma que
pelo menos 30% das unidades de leitura de cada selo fossem selecionadas.
4.2 PROCEDIMENTOS DA ANÁLISE DE CONTEÚDO
A partir do momento em que localizamos os selos, passou a submeter-se as
unidades de leitura da amostra a procedimentos de análise de conteúdo. De acordo
com Silva (2005), a análise de conteúdo consiste em conjunto de procedimentos que
auxiliam a descrever, de forma sistemática e propositiva, aspectos selecionados das
formas simbólicas. O uso de técnicas de análise de conteúdo constitui instrumento
descritivo auxiliar para a interpretação dos textos e ilustrações de livros didáticos de
Ensino Religioso, é o que demonstra a situação abaixo:
As proposições da análise de conteúdo associam-se à metodologia
proposta por Thompson (1998) em três aspectos principais: o estudo das
formas simbólicas com ênfase na dimensão de sua significação; a
necessidade de procedimentos sistemáticos e objetivantes de descrição e
caracterização dos textos, que servem como suporte empírico à pesquisa,
no momento de sua análise; e a consideração de que os significados dos
produtos simbólicos são construídos a partir de sua contextualização social
e histórica. Além disso, a explicitação de procedimentos para efetuar cortes
e categorizar textos, habitual em análise de conteúdo, encaminha mais
facilmente a interpretação da interpretação, tal como sugere Thompson
(CALAZANS 2000 apud SILVA, 2005).
Entendemos que a análise de conteúdo consiste em um conjunto de
procedimentos que auxiliam-na a descrever, de forma sistemática e “objetivável”,
aspectos selecionados das formas simbólicas. Essa sistemática constitui na nossa
pesquisa, o uso de técnicas de análise de conteúdo como instrumento descritivo de
apoio para a interpretação dos textos, personagens e ilustrações de livros de Ensino
Religioso, ressaltando aspectos ocultos, conforme objetivos propostos nesta
dissertação: analisar os discursos sobre os segmentos raciais negros e brancos, em
livros didáticos de Ensino Religioso. As formas de hierarquização racial, via de regra,
ocorrem por formas implícitas, não diretas (SILVA, 2005, p.123).
111
O método de análise visou, neste sentido, classificar partes do discurso
(personagens nos textos e ilustrações) de Livros Didáticos de Ensino Religioso,
“tentando, assim, desvendar significados pouco claros ou trazer, para o primeiro
plano, aspectos comuns subjacentes e soçobrados na diversidade estilísticas”
(ROSEMBERG 1981 apud SILVA, 2005).
Definimos para análise de conteúdo, (BARDIN 1985 apud SILVA 2005):
unidade de contexto “as unidades de leitura” que se encontram nos capítulos dos
livros didáticos, e, como unidade de análise, o personagem, no texto e nas
ilustrações. Como unidades de conteúdo foram estabelecidas as informações
catalográficas, as informações sobre a unidade de leitura, as qualidades dos
personagens, conotações e denotações relacionadas aos personagens.
Foram adaptados os manuais catalográficos de análise de conteúdo de Silva
(2005) seguindo as categorias que foram conceituadas e explicitadas nas
características específicas dos manuais e resumos - Manual de ficha catalográfica;
Manual 1 (dados catalográficos dos Livros Didáticos); manual 2 (Ilustração na capa);
Manual 3 (Personagens na Ilustração); Manual 4 (Personagens no Texto) _ que
orientaram e uniformizaram o procedimento de coleta de dados.
Conforme Silva (2005) os dados catalográficos dos livros didáticos que
pretendemos utilizar contém, fundamentalmente, categorias sobre edição e
informação sobre os diversos profissionais relacionados à produção dos livros
(autores, editores, etc.). Os dados relativos às unidades de leitura contêm maior
diversidade de variáveis, que estão listadas no quadro 6.
112
1- Número do livro;
2- Número do autor;
3- Sexo do autor;
4- Cor/etnia do Autor;
5- Cor/ etnia do 2º Autor;
6- Cor/ Etnia do 3º Autor;
7- Data de nascimento do Autor;
8- Data de Nascimento do 2º Autor,
9- Data de Nascimento do 3º Autor,
10- Currículo Literário do Autor;
11- Número do Ilustrador;
12- Sexo do ilustrador;
13- Cor/etnia do Ilustrador;
14- Identificação do capista;
15- Número do capista;
16- Sexo do capista;
17- Cor/etnia do capista;
18- Número do Editor;
19- Sexo do editor;
20- Cor/Etnia do Editor;
21- Número da Editora;
22- Local de Publicação;
23- Data de 1ª Edição;
24- Data da Edição Analisada;
25- Número de capítulos;
26- Informações complementares.
QUADRO 6 - CATEGORIAS PARA CODIFICAÇÃO DOS DADOS CATALOGRÁFICOS DAS
UNIDADES DE LEITURA.
FONTE: o autor (2009)
O manual 4:, análise do personagem no texto, contém a definição detalhada
dos componentes utilizados para definição de personagem. Conforme Silva (2005),
os personagens foram definidos como equivalentes ficcionais de pessoas, podendo
assumir naturezas distintas (humana antropomorfizada ou fantásticas); existência no
contexto ficcional ou fora dele; realizar ações ou somente ser mencionado.
Enumeramos os personagens individuais uma única vez, conseqüentemente, os
coletivos também. Desconsideramos os personagens genericamente
indeterminados, personagens sonhados ou de mentira e personagens somente
evocados que não tinham ação própria ou antropomorfizada.
Os personagens que utilizamos e que constam das listagens foram descritos
no quadro 6 que é composto por categorias que formam uma grade de análise.
1- Natureza;
2- Individualidade;
3- Sexo;
4- Cor-Etnia;
5- Forma de apreensão da cor/etnia;
6- Idade ou Etapa da vida;
7- Nome;
113
8- Nacionalidade;
9- Contexto geográfico;
10- Vida e Morte;
11- Deficiências;
12- Importância do personagem;
13- Diálogo;
14- Narrador;
15- Ação;
16- Língua e Linguagem;
17- Religião;
18- Valor do Personagem;
19- Profissão;
20- Atividade Escolar;
21- Relação Conjugal;
22- Relação de Parentesco entre Personagens: Pais biológicos;
23- Relação de Parentesco entre personagens: Pais Adotivos;
24- Relação de Parentesco entre Personagens: filhos;
25- Relação de Parentesco entre Personagens: Filhos Adotivos;
26- Relação de Parentesco entre Personagens: Irmãos;
27- Relação de Parentesco entre Personagens: Posição na Família: Irmãos;
28- Relação de Parentesco entre Personagens: família ampla hierarquicamente superior;
29- Relação de Parentesco entre Personagens: Família ampla hierarquicamente inferior;
30- Relação de Parentesco entre Personagens: Família Ampla Sem Hierarquia;
31- Relação de Parentesco entre Personagens: família geral.
QUADRO 7- ATRIBUTOS UTILIZADOS PARA DESCREVER PERSONAGENS NO TEXTO
FONTE: o autor (2009)
Para as planilhas 2 e 3 foram usados os mesmos manuais de personagens
utilizados nas ilustrações dos textos e personagens que constavam nas nas
ilustrações das capas, como mostra o quadro 8.
1- Natureza;
2- Individualidade;
3- Sexo;
4- Cor/Etnia;
5 - Idade ou Etapa da Vida.
QUADRO 8 - ATRIBUTOS UTILIZADOS PARA DESCREVER PERSONAGENS NAS ILUSTRAÇÕES
DE CAPAS E NOS TEXTOS.
FONTE: o autor (2009).
Usando o programa Excel, criou-se planilhas eletrônicas nas quais foram
anotados, para cada variável, os códigos definidos nos manuais. Essas informações
foram postadas no programa SPSS
42
, versão 13.0. Sendo que, para cada um dos
manuais e cada uma das variáveis, foram geradas tabelas de frequência simples.
42
SPSS ( Statistical Package for the Social Sciences) é um software aplicativo (programa de
computador) permite realizar cálculos estatísticos complexos, visualizar resultados, de forma rápida
permitindo assim aos seus usuários uma apresentação e uma interpretação sucinta dos resultados
obtidos.
114
Para os dados relativos aos personagens, organizou-se tabelas de cruzamentos de
variável cor-etnia com todas as demais variáveis.
Com isso foi gerado um número elevado de tabelas, selecionadas tais
tabelas e dados, sistematizou-se as informações e por meio destas, deu-se a
análise de conteúdo. A primeira planilha apresentada tratou da análise dos dados
catalográficos dos livros didáticos que compuseram a amostra.
115
CAPÍTULO 5 - ANÁLISE FORMAL E DISCURSIVA
Nesta parte da dissertação são apresentados os resultados da análise de
personagens dos textos, das ilustrações das unidades de leitura e das ilustrações
das capas, de livros didáticos de Ensinos Religiosos, dirigidos à 5ª e à 8ª séries do
ensino fundamental, publicados entre 1977 e 2007. Nesta caracterização pretendeu-
se apresentar os dados da análise de conteúdo que empreendem a interpretação
dos resultados à luz da Hermenêutica da Profundidade e dos estudos críticos sobre
relações raciais em livros didáticos.
Foram analisados 20 livros didáticos de Ensino Religioso de 5ª e de 8ª séries
do Ensino Fundamental, publicados entre 1977 a 2007. Computados, o total de 229
unidades de leitura e 468 personagens nos textos. Nas ilustrações que
acompanham estes mesmos textos, foram observados 433 personagens e 43 nas
ilustrações de capas.
Divididos os resultados relativos aos dados catalográficos dos livros didáticos
e das unidades de leitura que compõem a amostra, examinou-se algumas das
características importantes. Analisados os principais atributos dos personagens.
Apresentou-se uma discussão sobre personagens brancos e negros (agrupamento
dos resultados obtidos para as categorias preto e pardo) e cotados os resultados
com outros estudos sobre relações entre negros em brancos em livros didáticos e
em alguns casos, com resultados de estudos sobre negros e brancos em outras
formas discursivas (em especial literatura infanto-juvenil e literatura). Além disso,
fez-se o exercício de comparar os personagens das unidades de leitura dos livros
categorizados como representantes das três diferentes propostas de educação
religiosa: confessional (os cinco primeiro selos constantes do quadro 4),
interconfessional (os sete selos do quadro 4) e o fenomenológico ( os oito selos
seguintes do quadro 4).
116
5.1. CARACTERIZAÇÃO DOS LIVROS E UNIDADES DE LEITURA
Os 20 livros didáticos analisados foram predominantemente produzidos nos
eixos São Paulo (70%) e Rio de Janeiro (30%). Os cinco primeiros selos
Confessionais abrangem as editoras Vozes, Modernas e Scipione. Os sete livros
sequentes do modelo Interconfessional foram editados pelas editoras Vozes,
Scipione e FTD. Representando o modelo Fenomenológico, oito selos
representados pelas editoras Paulinas, Moderna, Ática e Vozes (selos dispostos no
quadro 5). Tais editoras são grandes empresas e atingem o mercado editorial em
todo o país. Alguns pesquisadores (BAZILLI, 1999, ROSEMBERG, 1985,
ESCANFELLA, 2006) já salientaram que as produções desses livros didáticos são,
predominantemente, das cidades do Rio de Janeiro e São Paulo e relacionam-se ao
porte de tais estados, com maior número de compradores potenciais e à ampla
concentração de editoras com proeminência no mercado livreiro nestes locais.
O selo De Mãos dadas é o único dessa amostra que não possui co-autoria.
Os selos Irmãos a caminho, Alegria de Viver - Educação Religiosa, Descobrindo
Caminhos, de 5ª a 8ª séries possuem co-autoria. Os selos Educação Religiosa
Escolar de 5ª e 8ª e o selo “Deus liberta o seu povo”, de 5ª, “Deus nos quer
construtores de um mundo novo” de séries, pertencentes às editoras Vozes, não
possuem autores específicos. As obras foram elaboradas por grupos de trabalhos e
por orientadores de educação religiosa e conselhos interconfessionais e comissões
de assessoria para educação religiosa compostas por Bispos Católicos e Metodistas
e pastores de confissões Luteranas e Presbiterianas.
Dos 20 selos analisados para a pesquisa 9 possuem imprimatur
43
do Bispo
ou do seu secretariado Arquidiocesano na contracapa, que avalia e aprova o selo
didático. O imprimatur não levava em conta a Forania a qual Arquidiocese que
aprovou o livro pertencia, sendo que 9 selos que possuem o imprimatur são de
Arquidiocese e Dioceses diferentes desde São Paulo, Santo André, Santo Amaro -
SP, Joinville - Santa Catarina, São Luis no Maranhão.
43
Imprimatur: Declaração de aprovação, dada por um Bispo ou outra autoridade competente da
Igreja, certificando que um escrito católico não contém erros contra a Fé ou a Moral.
117
As certificações, apresentações e recomendações denotam aos leitores e
alunos cristãos uma legitimação, conforme Thompson (1995) fazem apelo à
legalidade de regras dadas, sacralizadas pela tradição ou por fundamentos racionais
ou atribuídos ao caráter excepcional de uma pessoa individual que exerce
autoridade. O autor considera que com a legitimação relações de dominação podem
ser estabelecidas e sustentadas.
Nos 20 selos da amostra analisados para a pesquisa, 35% são assinados por
autoras (sexo feminino), 55% são de autoria mista (contado como de autoria mista
os quatro primeiro selos, de autoria coletiva) e 10% de autoria masculina. A maior
parte das informações constantes do manual 1 dos dados catalográficos não foi
preenchida, por ausência de informação nos livros e as dificuldades ou
impossibilidade de obter as informações por outros meios, por exemplo, no que se
refere a cor-etnia e a data de nascimento dos autores.
Características predominantes N (%)
Rio de Janeiro 6 (30%)
Local de Publicação
São Paulo 14 (70%)
Currículo (N = 20)
Exclusivamente livros didáticos 20 (100%)
Masculino 2 (10%)
Feminino 7 (35 %)
Autor
Sexo (N = 20)
Misto 11 (55 %)
TABELA 1 – CARACTERÍSTICAS PREDOMINANTES DOS DADOS CATALOGRÁFICOS
FONTE: o autor (2009)
Sobre os outros profissionais envolvidos no processo de produção também
não identificaram e nem tiveram acesso a informações desses profissionais. A
princípio se propusemos realizar uma busca eletrônica para conseguir essas
informações relevantes que constam no manual 1, mas a busca pareceu ser
impossível, tendo em vista que os principais autores envolvidos no processo de
produção dos livros didáticos não constavam nenhuma informação. Para evitar
dados incompletos e informações falsas desses profissionais e, também, por não ser
o foco da pesquisa, não realizou-se por completo o preenchimento e nem análise
desses dados catalográficos.
No que se refere às unidades de leitura e os modelos estruturadores do
Ensino Religioso, identificou-se nas 28 unidades dos cinco primeiros selos, práticas
discursivas especificamente dirigidas à catequese e uma literatura voltada ao
118
modelo confessional em que os ensinamentos apóiam-se nos ensinamentos bíblicos
e o referencial de conduta humana em que o desenvolvimento dos alunos são as
práticas messiânicas de Jesus Cristo.
Os conteúdos são doutrináveis e pré-estabelecidos numa hierarquia de
valores cristãos e as práticas temáticas são catequéticas e litúrgicas, tanto no
sentido de difundir doutrinas quanto de fazer do livro didático de Ensino Religioso
subsídio para ensinamentos cristãos. As atividades propostas nos livros Alegria de
Viver - Educação Religiosa de 5ª série, os selos Deus liberta o seu povo, de 5ª,
Deus nos quer construtores de um mundo novo de série, sempre estiveram com a
Bíblia e com reflexões que reportam aos sacramentos cristãos. Já nos selo De mãos
Dadas da 5ª série, predominam textos temáticos cujas atividades, ensinamentos e
valores cristãos que sempre se reportam à Bíblia ou aos personagens bíblicos com
preenchimento de respostas às questões anunciadas ao final de cada unidade. Há
uma exceção, pois o selo faz referência ao líder indiano Mahatma Gandhi, e exalta
os seus atos como defensor dos negros na África do Sul e como principal articulador
da independência da Índia. Neste trecho do capítulo, os autores fazem menção ao
Hinduísmo como principal religião da índia, mas associa-o, exclusivamente à
temática da divisão em castas, não fazendo nenhuma menção aos conteúdos
doutrinais que a religião hinduísta possa vir a ter, ao contrário das outras unidades
desse mesmo selo que, ao final de cada uma delas, trazia uma associação com o
conteúdo apresentado e apreendido com uma atividade em que os leitores deveriam
descobrir na Bíblia trechos relacionados à temática abordada.
Nestes quatro primeiros selos, os conteúdos doutrinais predominam
reforçam os ensinamentos catequéticos a partir de um conhecimento revelado por
uma confissão religiosa. É o que identificamos por meio da citação de Junqueira:
O conhecimento será percebido em um enfoque teológico, sobretudo por
este ser revelado, justificando a adesão a uma tradição religiosa. É próprio
destas instituições promoverem a dogmatização dos conhecimentos, tanto
revelados como humanos. Ao mesmo tempo em que respondem à
necessidade de segurança para os crentes, esses processos de ensino das
crenças tende a conferir-lhes um caráter universal e absoluto.
(JUNQUEIRA, 2008, p.49)
O selo Alegria de Viver, da 8ª série, publicado nos anos noventa, traça um
discurso mais apropriado à transição que os educandos dessa série tradicionalmente
série de transição para o Ensino Médio. Encontram-se nos conteúdos desse selo,
119
personagens históricos como Gandhi, Martin Luter King, Bertold Brecht e Chico
Buarque. Tais personagens são citados e incluídos nos textos e na temática dos
mesmos. Não demonstram discutir as causas pelas quais lutaram, mas são
apresentados como modelos de persistência. Como pessoas que não desistiram de
lutar pelo que acreditavam ou por um ideal. Problemas sociais ou relações raciais
não têm prioridade neste selo. É comum imagem e manifestação de outras
confissões religiosas historicamente reconhecidas pela Igreja Católica como o
Hinduísmo, Budismo, Judaísmo, Islamismo. Nenhuma referência às religiões de
matrizes africanas no Brasil foi observada. Sobre essas religiões há uma negação e
um ocultamento.
Os selos do modelo Interconfessional do quadro 5 apresentam características
diferentes ao longo da suas publicações. A classificação que empreendida para essa
pesquisa usou como critérios os conteúdos que os selos apresentavam e, nesse
caso, os sete selos que compõem o modelo Interconfessional, apresentam uma linha
que incorporam conteúdos cristãos. Os selos “Educação Religiosa Escolar” de 5ª e
8ª séries foram publicações do final da década de 1970 e início da década de 1980 e
os mesmos são o resultado de trabalhos das igrejas Cristãs de Santa Catarina que
reuniu as seguintes denominações: Igreja católica, Igreja de Confissão Luterana,
Igreja Metodista e igreja Presbiteriana. O objetivo desse selo foi oferecer aos
professores de Religião um roteiro para a Educação do 1º Grau, não trabalhar a
doutrina exclusiva de uma igreja, mas trabalhar a doutrina das que compõem o
Conselho Interconfessional para a Educação religiosa – CIER. A dimensão
ecumênica era o que norteava a coleção.
Os outros cincos selos do modelo Interconfessional, apresentam o conteúdo
focado nos ensinamentos do cristianismo. Os selos Irmãos a Caminho de 5ª e 8ª
séries, De mãos dadas de 8ª série e Descobrindo caminhos de 5ª e 8ª séries traçam
um novo contexto para publicação de livros didáticos de Ensino Religioso. Conforme
Silva (2005) a indústria gráfica passou por uma “modernização” da produção de
livros didáticos e experimentou uma enorme expansão. Os selos de Ensino Religioso
não ficaram fora desse cenário e também se profissionalizaram. Diferente dos selos
da década de 1970 e início da década de 1980 que não possuíam autor(es) e nem
dados catalográficos, todos os selos dessa década, de 1990, possuem fichas
catalográficas, conteúdos programáticos dispostos em unidades temáticas. Constam
120
nesses selos listagem ampla com diversas funções e nomes, entre as quais as de
editor, ilustrador e diagramação.
As atividades descritas nesses selos são, na maioria, exercícios que reforçam
a visão cristã com leituras e reflexões sobre trechos da Bíblia. Os livros abrem
espaços para textos de outros autores como de Vinícius de Morais, Khalil Gibran,
Ruth Rocha, Gilberto Dimenstein, Herbert Souza, Mario Quintana, Manoel Bandeira
e Guimarães Rosa. Somente o selo Descobrindo caminhos de 8ª série, na página
45, faz referência à religião de matriz africana. Nesse caso, o livro traz uma imagem
de uma celebração religiosa. A imagem associa a manifestação religiosa ao papel
que a mulher exerce nos grupos que têm o seu ritual relacionado mais diretamente
com a natureza. Como a maternidade é mais visível do que paternidade, é comum
que esses povos considerem a mulher como fonte de vida ligada ao mistério divino
da criação. O texto descreve que as religiões de origem africana valorizam as
mulheres como grandes intermediárias entre os problemas deste mundo e o além.
Os oito últimos selos do quadro 5 foram classificados conforme o conteúdo de
modelo fenomenológico, isto porque a análise realizada de cada livro didático
permitiu verificar que os selos apresentavam uma temática de cunho mais
Sociológico, Filosófico e Antropológico do que Teológico. A análise sobre os selos
Religião no Mundo e Nossa opção Religiosa de 5 ª e 8ª séries de Maria Inês
Carniato, selos Entre Amigos de 5ª e 8ª séries de André F. Seco; Luiz E.
Fernandez; Márcia Braga; Maria Del Mar Barbosa e Sonsoles C. de La Penã, selos
Todos os jeitos de crer -Vidas de 5ª e Todos os jeitos de crer - Idéias de 8ª de
Dora Incontri e Alessandro César Bigheto e os selos Redescobrindo o Universo
Religioso de 5ª e 8ª de Mário Renato Longen, todos com publicações pós revisão
do Artigo de número trinta e três da lei de Diretrizes e Base da Educação Nacional,
apresentaram em seu conteúdo uma concepção de Ensino Religioso não mais
focados na concepção teológica e sim pedagógico de releitura das questões
religiosas da sociedade.
As publicações da editora Paulinas de 2001 e 2002, editora Moderna e editora
Ática de 2004, e editora Vozes de 2007, tentaram relacionar as temáticas com as
diversas tradições religiosas presentes no Brasil. Propunham um diálogo dessas
temáticas com os diversos problemas sociais que o Brasil e o mundo enfrentam na
atualidade. Sobre o aspecto político, encontram-se nos selos desses modelos
temas relacionados à questões ambientais, violência, homofobia, conflito entre
121
Estados Unidos e Iraque. Conflito do Apartheid na África do Sul, entre Palestina e
Isarel. Os livros abordam assuntos como comportamento, adolescência, juventude,
sexualidade, ateísmo, família, mercado de trabalho, lazer, a morte nas visões das
diferentes manifestações religiosas. A origem do mundo a partir das visões míticas,
religiosas, filosóficas e científicas, nesse caso, a perspectiva criacionista e
evolucionista. A pluralidade religiosa esteve presente em todos os selos. Alguns com
breves citações a religiões não cristã, outros com capítulos e atividades relacionadas
a essas religiões como no caso dos selos Todos os jeitos de crer -Vidas de 5ª e
Todos os jeitos de crer - Idéias de 8ª de Dora Incontri e Alessandro César Bigheto
que dedicaram capítulos exclusivos às religiões orientais como o Budismo,
Hinduísmo, Islamismo, Xintoísmo, religiões da antiga Mesopotâmia, Escandinava da
mitologia Odin, rituais Tupinambá e Karajás, Judaica, Espiritismo, Pentecostais e
religiões de matriz africana como Candomblé e Umbanda. Nesses selos o espaço
dedicado ao cristianismo é maior do que o espaço dedicado a outras manifestações
religiosas.
No que diz respeito aos personagens ilustrados, percebe-se que nestes selos
a representatividade do personagem negro é bem maior com relação aos demais,
porém, estes, muitas vezes, configuram, realmente, apenas uma ilustração, não
tendo participação ou menção dentro da categoria personagem no texto. Percebe-se
uma maior preocupação em representar os personagens negros nas ilustrações de
forma positiva e representativa, como famílias felizes, profissionais no desempenho
de suas funções, grupos de jovens descolados ou frequentando bancos
universitários, desempenhando cargos de chefia. Isso se confirma nos temas de
algumas das unidades que trabalham temas como “Todos Somos iguais”, ”Um novo
modo de viver”, ”raça ou etnia?”.
5.2. CARACTERIZAÇÃO GERAL DOS PERSONAGENS
Nas unidades de leitura observamos 467 personagens nos textos e 432
personagens ilustrados. O número de personagens, em cada unidade de leitura,
variou de 5 a 80. Os selos Educação Religiosa Escolar de 5ª e 8ª séries da amostra
não apresentaram nenhum personagem ilustrado. Em alguns trechos, personagens
de natureza religiosa/divina são muito frequentes em particular Deus, principalmente
122
no que se refere às mitologias indígena, grega, e aos personagens pertencentes a
religiões de matriz africana.
Atributos predominantes Total
N (%)
Natureza Humana 346 74,1
Religioso 107 22,9
Individualidade
Indivíduo único 391 83,7
Multidão ou grupo 76 16,3
Sexo
Especificamente masculino 309 66,0
Especificamente feminino 35 7,5
Idade
Criança 17 3,2
Adulto 345 73,9
Misto 30 6,4
TABELA 2 - ATRIBUTOS PREDOMINANTES NA CARACTERIZAÇÃO DE PERSONAGENS NOS
TEXTOS
FONTE: o autor (2009)
Na tabela 2 estão reproduzidos dados sobre as características predominantes
dos personagens das unidades de leitura. O levantamento demonstra, em sua
maioria, personagens individualizados 391 (83,7%) de natureza humana 346
(74,1%). Tais características, personagens predominantemente individuais e
humanos, indicam na amostra a prevalência do equivalente ficcional de pessoa, o
que dá maior confiabilidade a inferências sobre processos discriminatórios. “O
repertório de atributos dos personagens encontra-se mais próximo de pessoas
concretas e mais distanciado de seres surreais, folclóricos e míticos” (BAZILLI, 1999,
apud, SILVA 2005).
Como se observa na tabela 2, os personagens especificamente masculinos
são maioria 309 (66,0%) em relação aos especificamente femininos 35 (7,5%).
Mesmo com a maioria de autoras femininas 7 (35%) e 2 autores masculinos,
observa-se uma grande desigualdade no que se refere ao sexo dos personagens. O
universo quase exclusivamente masculino observado em nosso estudo é peculiar
em relação a outras pesquisas.
Em livros didáticos de Língua Portuguesa Pinto (1981) observou 1020 (74%)
de personagens masculinos e 256 (18,6%) de personagens femininas; Silva (2005) e
Moura (2007) contaram 812 (39%) personagens masculinos e 353 (26%) femininas.
Na literatura infanto-juvenil Rosemberg (1985) contou, nos textos, 3896 (75%)
personagens masculinos e 1299 (25%) femininas. Na literatura contemporânea,
Dalcastagné (2005) contabilizou 792 (62,1%) personagens masculinos e 471
123
(37,8%) personagens femininas. Destes números nota-se que a presença masculina
é, via de regra, sub-representada, ao passo que a proporção de mulheres “encolhe”
de metade para, na maior parte dos casos, cerca de ¼ da população. O discurso dos
livros didáticos de Ensino Religioso da amostra analisada aumenta de forma aguda
essa desproporção. O universo religioso construído nos discursos de tais livros é
quase que exclusivamente masculino mesmo sendo mulheres a maioria das que
construíram tais discursos.
O resultado auferido corrobora os resultados apontados por Roza (2006), de
que os discursos dos livros de Ensino religioso dirigidos ao Ensino Fundamental
mantêm uma leitura da mulher fora da realidade que foi construída pelos
movimentos de mulheres. Roza (2006) salienta, em sua pesquisa, o papel da mulher
na Igreja Católica e descreve que a instituição dimensiona esse papel não ao mundo
do trabalho, mas “sim à igreja ao acreditar que a maioria da população feminina vive
intensamente as atividades domésticas ligadas muito mais ao universo da família do
que as atividades ligadas ao mercado de trabalho” (p.72). Esse não é foco de nossa
pesquisa, mas os números de nossa amostra reforçam de certa maneira o que
pesquisador já havia salientado em sua pesquisa sobre livro didático de Ensino
Religioso: a figura da mulher como mãe, dona de casa, boa esposa... Transmite uma
idéia que a mulher se prepara e espera o casamento. Por exemplo, nos selos do
modelo confessional de 8ª série, “Educação Religiosa Escolar”, sexta aula, na
página 46, com a temática “Ele os criou homem e mulher” aparece o seguinte
quadro:
Ele Ela
Ativo, possessivo, forte,
dominador, protetor, conquistador.
Oblativa, tentadora, receptiva, acolhedora, graciosa, gestos
delicados.
Visa interesse, renome, esporte,
dinheiro, trabalho
Procura ser amada, agradar, ser protegida, preocupa-se com
os outros, observa os pormenores.
Intelectual. Coração.
Vê globalidade. Detalhes.
Simples na moda, mais
equilibrado, menos gosto.
Tem bom gosto, às vezes é escrava da moda,
sabe adornar-se.
Guia-se muito pelas idéias. Guia-se muito pelo coração.
QUADRO 9 – DESCRIÇÃO DE PERSONAGENS MASCULINOS E FEMININAS EM UNIDADE DE
LEITURA.
FONTE: Conselho Interconfessional para Educação. Educação Religiosa Escolar, 1980, p. 46.
124
Neste trecho, a cada característica destinada ao rapaz outra complementar é
destinada à moça. Fica explícito, no texto, que a mulher precisa do homem pela sua
liderança, firmeza de atitudes, qualidades estas presentes no papel de esposo.
Como descreve Roza (2006) a imagem de família divina como modelo “se reproduz
na família nuclear e serve como imigração de idéias para modelar a sociedade
ocidental e, ainda, sustentar sua dominação social no mundo contemporâneo”
(p.30). A figura feminina aparece simplesmente como elemento auxiliar na
manutenção da estrutura familiar cujo posto central é a figura do patriarca. Beisiegel
(2001) analisando os resultados de pesquisa sobre sexismo em livros didáticos,
afirma:
Um panorama geral dos resultados obtidos pelos estudos incluídos em seu
‘estado da arte’: segundo as autoras, o livro didático estaria valorizando um
homem branco adulto, apresentando-o como ‘representante’ privilegiado da
espécie. Personagens femininas surgem com pequena frequência nos
textos e nas ilustrações. Os destaques sempre incidem sobre figuras
masculinas, deixando-se as mulheres em planos subalternos. As
ilustrações, com frequência vinculam a mulher à vida doméstica, enquanto o
homem é associado a atividades profissionais. São poucas as situações em
que a figura feminina tem o papel principal. Personagens femininas são
indeterminadas e pouco elaboradas. Associam-se à mulher características
socialmente menos valorizadas, tais como: fragilidade, ignorância,
desinformação, passividade, submissão. Nas passagens em que são
apresentadas sob uma perspectiva mais favorável, as mulheres são vistas
como ‘um misto de fada, santa e rainha’ e como pessoas mais emotivas,
sujeitas a reações de medo, choro etc. No âmbito familiar, a mulher é
representada como dona de casa, cabendo ao homem a autoridade e a
provisão dos recursos materiais. As mulheres aparecem pouco no campo
profissional, quase sempre ocupações manuais não especializadas ou não
manuais de rotina. Embora o magistério apareça como ocupação
predominantemente feminina, o homem sempre ocupa os cargos de direção
(BEISIEGEL, 2001, p.10).
Os livros didáticos de Ensino Religioso da nossa amostra omitem a presença
feminina na esfera pública e a suprime de decisões e atitudes necessárias para
liderança e competitividade, requisitos estes, muitas vezes, atribuídos somente à
figura masculina. Na amostragem, a categoria gênero apresenta a porcentagem
masculina de 66,2% e a feminina 7,5% sendo que, além deste baixo percentual, as
personagens femininas não ocupam papéis principais nos textos, são em sua
maioria, personagens bíblicos, entre elas Maria, por ser a mãe de Jesus Cristo;
Madre Teresa de Calcutá pelo trabalho de ajudar os pobres e personagens
mitológicos como Isis, Anúbis, Atena. Para Roza (2006) a “ideologia” está presente
no livro didático de Ensino Religioso porque na maioria das fotografias do livro a
125
imagem da mulher é ressaltada no papel de avó, de mãe, de filha e ou em prestação
de serviço, inserindo as mulheres quase exclusivamente em contexto de cuidados
domésticos. Em nenhum momento aparece em cargo de comando e sim
subordinada tanto no mercado de trabalho como na família.
...os livros de Ensino religioso, produzidos para o Ensino Fundamental
podem acabar, por assim dizer, mantendo uma leitura da mulher fora da
realidade que foi construída desse século pelos movimentos de mulheres,
principalmente do território nacional (p.76).
A prevalência de personagens adultos em relação a crianças é também
bastante elevada e superior a outros estudos (PINTO, 1981; ROSEMBERG, 1985;
SILVA, 2005; DALCASTAGNÉ, 2005) o que, de acordo com Silva (2005) estabelece,
“o padrão de categorias sociais dominantes, homem e adulto” (p.137). Pode-se
afirmar que na amostra a infância é relegada e constitui um “grupo social
desprivilegiado” (ESCANFELLA, 2006, p, 53), reforçando um discurso adultocêntrico
(ROSEMBERG, 1985). O percentual de somente 3% de crianças contrasta com os
discursos de livros didáticos e literatura infanto-juvenil que tem uma tendência em
apresentar personagens infanto-juvenis mais frequentemente em discursos dirigidos
à infância (Escanfella, 2006, por exemplo, anotou 52,4% de protagonistas
criança/adolescente e somente 26,2% de protagonistas adultos). Na amostra
analisada a distribuição foi de 73,9% de personagens adultos e 3,2 de personagens
infantis. Sendo estes livros direcionados ao público infanto-juvenil a amostra
corrobora com a afirmação que “nossa sociedade é construída e pensada por e
para os adultos” (SILVA e SOUZA, 2007, p.24). Nos livros de Ensino Religioso a
tendência geral foi não incorporar as crianças e adolescentes como personagens
ativos e participativos nas tramas.
No que se refere à cor e etnia, inicialmente, trabalhou-se com as categorias
de cor-etnia do IBGE. Observou-se que uma parcela significativa dos personagens
eram personagens bíblicos que viveram da região da Ásia menor. Identifica-se tais
personagens como “pardos”, mas, refletindo melhor, percebeu-se que as categorias
brasileiras são inadequadas para a classificação de tais personagens que viveram
em outra região e época. Houve a necessidade de se criar uma nova categoria
devido ao fato dos personagens bíblicos não se encaixarem na classificação do
IBGE e optou-se pelo termo “judeu” para classificar tais personagens, que foram um
total de 104 (22,3%) nas unidades de leituras analisadas.
126
Dentre 467 personagens no texto, foram computados 152 (32,5%)
personagens brancos e 19 (4,1%) negros nas unidades de leitura. Nesta pesquisa,
optou-se pelo uso da expressão “personagens negros”, entendendo por negros o
equivalente a pretos e pardos. Observar-se em que esta tem sido a opção de vários
estudos, entre eles o de Rosemberg (1985), Bazilli (1999), Silva (2005) que
envolvem dados demográficos e relações raciais.
Rosemberg (1985) utilizou da razão entre personagens brancos e
personagens negros como indicador para o nível de desigualdades entre esses dois
grupos raciais e denominou tal razão de “taxa de branquidade”. Num patamar ideal
essa taxa seria de 1, ou seja, correspondente à proporção de negros e brancos na
sociedade brasileira (cerca de 50% para cada um dos grupos).
A taxa de branquidade fornece a “relação entre o número de personagens
brancos identificados correspondentes à unidade de personagem negro identificado”
(SILVA, 2005, p.137). Na nossa amostra essa taxa de branquidade correspondeu a
8,0 personagens brancos para cada personagem negro. Ou seja, observa-se a sub-
representação de personagens negros, que foi anotada por diversos outros estudos
sobre negros em livros didáticos (PINTO, 1981; SILVA, 2005) e em outros discursos
midiáticos (ARAÚJO, 2000; DALCASTAGNÉ, 2005).
A sub-representação que atinge os personagens negros estaria relacionada a
um padrão na representação dos personagens brancos incidindo sobre estes uma
naturalização da sua condição. Consideremos o argumento do seguinte trecho:
A pequena presença de negros e negras entre personagens sugere uma
ausência temática na narrativa brasileira contemporânea, que o contato com
a obra, dentro e fora do corpus, (...), confirma: o racismo. Trata-se de um
dos traços dominantes da estrutura social brasileira, que se perpetua e se
atualiza desde a Colônia, mas que passa ao largo da literatura recente. Se é
possível encontrar aqui e ali, a reprodução paródica do discurso racista,
com intenção crítica, ficam de fora a opressão cotidiana das populações
brasileiras e as barreiras que a discriminação impõe às suas trajetórias de
vida. O mito, persistente, da “democracia racial” elimina tais questões dos
discursos públicos (...) (DALCASTAGNÈ, 2005, p. 46).
No gráfico 1 estão dispostos os resultados relativos à cor-etnia dos
personagens. A distribuição apresenta uma elevada taxa de personagens
indeterminados na categoria cor-etnia com 32,8% do total (154 casos). Essa
categoria engloba personagens que, por diversos motivos, não explicitam nem cor e
nem etnia, por vezes, esses dados estão implícitos. Os personagens classificados
127
como judeus, com 22,2% (104), são, via de regra, personagens bíblicos localizados
em seu contexto de origem, a Judéia. No caso de Jesus Cristo, alguns selos o
apresentaram nas ilustrações com fenótipo europeu e outros selos com a cor parda
característica da região da Ásia Menor. Voltando aos textos, observou-se que os
personagens estavam em seus contextos de origem e não em representações
renascentistas (as quais “branquearam” os personagens bíblicos, em especial Jesus
Cristo e a Sagrada Família). A próxima categoria são os brancos, com 32,5% (152)
do total. Outras cores foram 4,3% (20) e os negros foram 3,8% (19 casos).
Cor- Etnia
33
%
4
%
23
%
33
%
3
%
4
%
brancos negros j udeus indeterminado indígenas outras cores
GRÁFICO 1 - DISTRIBUIÇÃO DE COR-ETNIA DOS PERSONAGENS, EM PERCENTUAIS
FONTE: o autor (2009)
O alto índice de personagens com cor-etnia indeterminados pode compor o
que sugere Rosemberg (1985, apud SILVA, 2005), que tais personagens não
classificados por cor-etnia seriam brancos na condição de cor-etnia representante da
espécie, ou naturalmente brancos. Esse argumento pode ser verificado em Bazilli na
seguinte citação:
Provavelmente tais personagens são brancos que, por pertencerem a uma
cor-etnia ‘neutra’ prescindem de descrição tal como observáramos com
personagens adultos. Enquanto representantes da espécie, seus atributos
específicos são tratados como universais, naturais. O diferente necessita ter
sua especificidade demarcada, pois não é universal (1999 p. 77).
Na tabela 3 estão dispostos resultados sobre formas de apreensão dos
personagens brancos, negros e judeus. Tais resultados, no entanto, não corroboram
a afirmativa acima sobre a norma branca de humanidade ser “natural”. Dos 152
personagens classificados como brancos 7 (63,6%) foram determinados pela
128
ilustração. 22 (17,2%), foram classificados como brancos prováveis (por suposição,
em decorrência de sua descendência ou pela cor explicitada de seus parentes).
Personagens brancos cuja apreensão de cor etnia foi determinada como histórica,
foram 114 (77,6%). Na forma de apreensão explicitada os personagens brancos
foram 1 (0,7%). Sobre as formas de apreensão os personagens negros foram 3
classificados pela ilustração (15,1%) e 6 como históricos (36,8%) e como provável 5
(26,3%). Comparado a outros estudos como o de Silva (2005), a forma de
apreensão de personagens brancos pela ilustração é menor, ou seja, menos
personagens que são neutros nos textos foram “naturalmente” definidos como
brancos pelas ilustrações.
Ao mesmo tempo, a forma de apreensão explicitada indicou 4 (21,7%)
personagens negros com algum atributo no texto, além da presença de personagens
classificados como negros por serem históricos ou ilustrados, o que aponta para
uma especificidade no discurso da amostra. A norma branca não está tão forte e os
poucos personagens negros apresentam padrão de menor estereotipia.
Total
(n = 466)
Brancos
(n= 152)
Negros
(n = 19)
Judeus
(n = 104)
N
%
N
%
N
%
N
%
Explicitada
17
3.6
1
0,7
4
21,7
0
0,0
Ilustrada 11
2,4
7
4,6
3
15,1
0
0,0
Provável
128
27,4
22
14,5
5
26,3
93
89,4
Histórica
147
31,5
114
75,0
6
36,8
6
4,1
Definida pelo contexto
6
1,3
4
2,6
0
0,0
0
0,0
Indeterminado
157
33,6
3
0,7
0
0,0
5
3,2
TABELA 3 – FORMA DE APREENSÃO DA COR-ETNIA
FONTE: o autor (2009)
Nos livros didáticos de Ensino Religioso o resgate dos personagens bíblicos é
recorrente. Na amostra os classificamos na categoria judeus e na forma apreensão
da cor e etnia a categoria mais frequente de classificação foi como provável devido
às características físicas da população do Oriente Médio.
Na tabela 3 e nas seguintes, os resultados em destaque são os relativos aos
personagens brancos e negros, em função do objetivo desta pesquisa, ser analisar
os discursos sobre tais personagens e discutir possíveis formas de hierarquização
racial.
Na tabela 4 estão dispostos alguns resultados relativos a atributos dos
personagens, para os grupos de cor “brancos” e “negros”. Observa-se a
129
superioridade dos personagens brancos sobre os personagens negros no que se
refere à proporção: 152 (33% do total) contra 19 (4,1% do total). A taxa de
branquidade é de 8,0 e informa sobre a significativa desigualdade entre brancos e
negros. É uma taxa menor que a calculada por Silva, que foi 16,2 para livros de
Língua Portuguesa de 4ª série, mas bastante elevada.
Brancos
(n = 152)
Negros
(n = 19)
Taxa de
branquidade
Atributos predominantes
de Cor e etnia
N % N %
Natureza
Humana 135 88,8 11 57,5 12,2
Religioso 13 8,6 6 36,8 2,1
Individualidad
e
Indivíduo único 150 98,7 19 100 7,8
Multidão ou grupo 2 1,3 0 0 2
Sexo
Especificamente masculino 132 86,8 14 73,6 9,4
Especificamente feminino 19 12,5 5 26,4 3,8
Idade
Criança 4 0,7 0 0,0 4
Adulto 145 96,0 19 100 7,6
Misto 0 0,0 0 0,0 0
TABELA 4 - ATRIBUTOS PREDOMINANTES DE COR E ETNIA NA CARACTERIZAÇÃO DE
PERSONAGENS NOS TEXTOS
FONTE: o autor (2009)
Os demais atributos da tabela 4 confirmam a diferenciação entre brancos e
negros. A maioria dos personagens brancos foram personagens humanos, ao passo
que os personagens negros eram humanos em sua totalidade. No entanto, os
personagens de natureza religiosa como Deus, Jesus, Maria e outros, foram 13
brancos (8,6%), e, personagens negros, 6 (36,8%). Interpretou-se esse resultado
como um indicativo dos livros de Ensino Religioso que foram publicados a partir de
1996 e seguiram as orientações da LDB (Lei de Diretrizes e Bases) em seu artigo 33
que estabelece o respeito à diversidade cultural religiosa do Brasil, tendo em vista
que todos os personagens de natureza religiosa são do modelo fenomenológico e os
selos que compõem essa amostra datam as suas publicações a partir da década de
2000.
A amostra acentua outra diferença com os estudos de Silva (2005) com
relação à variável indivíduo único. Na sua amostra os dados atingiram (38,4%) de
personagens brancos e na amostra analisada esse número foi de 150, quase todos
os personagens brancos e 19, todos os personagens negros, estabelecendo uma
taxa de branquidade de 7,9.
130
Os personagens especificamente masculinos brancos foram maioria 132
(86,8% do total) e, as especificamente femininas brancas, 19 (12,6%) (do total de
personagens brancos). Os especificamente masculinos negros 14 (73,6%) e,
especificamente femininas negras, 5 (26,4%). Observando-se a taxa de
branquidade, 9,4 para personagens especificamente masculinos e 3,8 para
especificamente femininas, percebe-se que a hierarquia de sexo correlaciona-se
com a hierarquia de raça: aumenta-se a desigualdade para homens brancos em
relação a homens negros e diminui-se para ¼ a desproporção entre mulheres
brancas e negras.
Observando-se a classificação por idade dos personagens, resulta o que Silva
(2005) descreve como sendo: “o padrão de categorias sociais dominantes, homem e
adulto” (p.137). No entanto, em livros dirigidos à população infanto-juvenil, esperava-
se uma proporção mais elevada de personagens crianças e adolescentes. O único
observado na amostra era branco, ou seja, são diminutas as possibilidades de
identificação com personagem infanto-juvenil para crianças brancas e não há essa
possibilidade para crianças negras.
Alguns indicadores de complexidade de personagens foram transpostos para
a tabela 5. Tais resultados ajudam a precisar se os personagens negros, além de
sub-representados, são menos complexos que os personagens brancos. A taxa de
branquidade acima da média do estudo em diversas variáveis (acima de 8,0) aponta
que, nessa amostra, via de regra, os personagens negros são menos complexos que
os brancos. Somente dois atributos, importância do personagem e valor do
personagem, sendo estes categorias descritas no manual catalográfico, apresentam
uma taxa de branquidade inferior à média. Além disso, prevalece a maior
complexidade de personagens brancos nas variáveis relacionadas à autonomia e
uso da linguagem. Em alguns casos, ter ação efetiva como narrar a própria história
foi prerrogativa exclusiva de personagens brancos. Em outro atributo relacionado, o
uso da fala, a taxa foi superior a geral (11) e em uso correto da linguagem a taxa
aumentou para 11,2. Ou seja, nas características relacionadas ao uso da palavra e à
autonomia permanecem a característica de, além de sub-representados, maior
complexidade de personagens brancos.
131
Brancos
(n = 152)
Negros
(n = 19)
Taxa de
N
%
N % branquidade
Nacionalidade – brasileira
11
7,2
1 5,8 11
Vida e Morte - personagem vivo/toda história
94
61,8
7 36,8 13
Importância do personagem – principal
80
52,6
11 57,5 7,2
Diálogo - o personagem fala
22
14,5
2 9,5 11
Narrador – é narrador de sua própria história
1
0,7
0 0
Ação - o personagem tem ação própria
9
5,9
0 0
Língua /Linguagem – fala corretamente
90
59,2
8 42,5 11,2
Religião- Católica há uma explicitação
15
9,9
1 5,8 15
Valor do personagem - positivo/negativo
147
96,7
19 1 7,7
TABELA 5 - ATRIBUTOS RELATIVOS A PERSONAGENS BRANCOS NEGROS PRESENTES EM
AMOSTRA DE 222 UNIDADES DE LEITURA
FONTE: o autor (2009)
De forma similar a outras pesquisas (SILVA, 2005; BAZILLI, 1999) os
personagens negros tiveram pouca ocorrência de autonomia e de uso da linguagem,
não tendo ação própria e demonstrando uma tendência já salientada anteriormente
dessa valorização dos personagens que se realiza com “o silêncio do texto sobre um
personagem é pleno de significado, pois dilui (sua) dimensão ficcional” (BAZILLI,
1999, p. 87).
No caso da variável, religião, para aqueles personagens classificados como
explicitado que confessam a religião Católica, os dados apontam uma significativa
superioridade numérica de identificação dos personagens brancos à religião
hegemônica no país, sendo 15 (9,9%), em proporção relativamente pequena e
ligeiramente superior a de personagens negros, somente 1 personagem, mas que
corresponde a 5,8 % do total desse grupo.
Esses resultados sugerem e reforçam a invisibilidade, a ausência de
identificação e a subtração da identidade dos personagens negros aos quais quase
sempre, nega-se protagonismo. Os personagens negros muitas vezes sem ação,
sem articulação com os temas centrais são discursivamente construídos, via de
regra, como personagens simples, sem motivação.
5.3 ANÁLISE COMPARATIVA ENTRE OS TRÊS MODELOS:
No quadro 10, estão dispostos os 19 personagens negros das unidades de
leitura, dos modelos confessionais, interconfessionais e fenomenológico. Os
132
personagens negros catalogados nos modelos Confessionais e Interconfessionais
aparecem nos selos em situações diversas ao apresentarem papéis diferentes na
sociedade. Algumas vezes como heróis de causas nobres, como a luta contra o
racismo e direitos humanos e, às vezes, perpetuando um modus operandi dos
discursos dos livros didáticos de naturalização/eternização de ações
discriminatórias, como os exemplos dos casos que ilustram estas tendências nas
personagens femininas, abaixo.
As personagens humanas, Maria José do Nascimento e Aparecida David Dias
são apresentados nos textos em posições socialmente desfavorecidas. Como nas
pesquisas de Rosemberg (1985), Bazilli (1999) e Silva (2005), não observaram-se
expressões explícitas de racismo e discriminação racial, mas da mesma forma,
como nas pesquisas anteriores, os personagens femininos da ilustração descritos
abaixo são estereotipados, sendo que a mulher negra não existe, quem aparece é a
empregada doméstica negra, representada monotonamente com os traços (lábios
grandes, gorda, lenço na cabeça, brincos e avental) (ROSEMBERG et al, 1985,
apud BAZILLI et al,1999).
A primeira personagem foi colocada numa situação de miséria, com signos de
pobreza muito explícitos, em especial a imagem de uma mulher desdentada. Evoca
a crença num milagre de São Cosme e Damião no combate a uma epidemia que se
alastrou em Pernambuco no século XVII, e da qual ninguém foi vítima. O texto
contrapõe essa “crendice” descrevendo que uma lavadeira de 41 anos deveria ter a
clareza de perceber a diferença entre o que é responsabilidade humana e o que é
ação de Deus. Ou seja, o papel desempenhado pela personagem negra é o de
ausência de capacidade de julgar, ausência de inteligência. O velho estereótipo de
“ingênuos”, “infantis”, representantes de uma cultura inferior, não-civilizada, tão
presentes na literatura infanto-juvenil (GOUVEIA, 2005) e na literatura (EVARISTO,
2005). A personagem caricaturada e envolta de lixo é apresentada como se
estivesse berrando para que todos acreditassem nos santos populares que
realizaram o milagre em outros tempos, em oposição à crença, na ciência e na
religião oficial. É explicitado, nesse exemplo, que as crenças populares baseadas na
tradição e costumes dos antepassados não têm valor nenhum diante do
conhecimento estabelecido no meio científico e na fé que segue princípios racionais
e institucionalizados na religião oficialmente detentora dos desígnios divinos.
133
A personagem Aparecida David Dias é representada no texto como moradora
de rua no viaduto da Praça Bandeirante no Rio de Janeiro, ao ter a matrícula de sua
filha recusada, e resolve educá-la no viaduto mesmo que, com o tempo, passa
abrigar outras crianças. O texto ressalta que a personagem não tem residência fixa e
por isso não pode realizar a matrícula. Por um lado, o texto é uma crítica social à
condição de pobreza que gera impossibilidade de acesso à educação. A mulher
negra é colocada numa posição de solução e é ativa, pois não tendo o direito à
educação respeitado, busca alternativa própria para tal situação. Por outro, é uma
das duas únicas personagens femininas negras e circunscrita à situação miséria e
de tarefas do lar.
É significativo que ambas as personagens estereotipadas foram as duas
únicas mulheres negras humanas que figuraram na amostra. Ou seja, a
representação de forma totalmente alienada da realidade e de forma exclusivamente
estereotipada vinculou-se especificamente às mulheres negras, reiterando que a
hierarquização racial pesa de forma particular nas mulheres negras e, que o discurso
dos livros didáticos de religião, acentua o papel ideológico quando olhado pela
perspectiva de gênero.
Ao lado dessas personagens estereotipadas figuram três personagens negros
que representam o contraponto. São discursivamente compostos de forma positiva e
representam características valorizadas, em particular na luta anti-racismo. Notável
que sejam todos personagens masculinos. Martin Luther King aparece em selos
diferentes, desempenhando papéis similares em ambos os textos. Dois deles foram
evocados pela sua importância histórica nas lutas contra a segregação racial tanto
nos Estados Unidos como na África do Sul. A presença de tais personagens, que
trazem aspectos de humanização e defesa de direitos humanos, embora diminuta, é
importante como forma de valorizar os personagens negros. Por outro lado, pelo fato
de serem justamente personagens que se destacam pela luta anti-racista, acabam
representando, para o discurso dos livros, uma mensagem de duplo sentido. Tais
personagens afirmam o anti-racismo,porém, ao mesmo tempo, reforçam velhas
práticas racistas que se mantêm implícitas no discurso dos livros.
N
o
N
o
do
livro (L)
N
o
do
texto (T)
Nome Caracterização Modelos
134
1 L4 T18
Martin Luther
King
Personagem que segundo a unidade de leitura
lutou contra o egoísmo e as injustiças.
Confessional
2 L 9 T9
Martin Luther
King
No texto o personagem é colocado como modelo
que deveríamos procurar conhecer.
Interconfessional
3 L9 T9
Maria José do
Nascimento
Personagem que ilustra na unidade de leitura e
aparece como personagem no texto. Na
ilustração é uma figura estereotipada, mal
vestida, desdentada, envolta em lixo e com balão
de fala que reafirma a crendice popular.
Interconfessional
4 L9 T15
Aparecida
David Dias
Personagem ilustrado e presente no texto.
Analfabeta, moradora de um barraco embaixo do
viaduto do metrô no RJ, que tentava matricular a
filha em uma escola, mas não conseguiu por não
ter residência fixa.
Interconfessional
5 L11 T3
Nelson
Mandela
Aparece como personagem ilustrado e no texto é
descrito como pessoa capaz de viver e morrer
por um ideal, ilustrando a frase: “... a conquista
dos direitos dos negros na África do Sul, nos
EUA,...”
Interconfessional
6 L13 T1.3 Kahlil Gibran
Aparece com um poema de sua autoria para abrir
o tema abordado no texto sinal no transcendente
em nosso mundo.
Fenomenológico
7 L13 T4.1 Oxossi
Apresentado como personagem dentro da
descrição de uma celebração destinada a este
Orixá designado como o deus da caça, dentro do
Candomblé.
Fenomenológico
8 L13 T4.1 Xangô
Descreve a festa de Xangô, orixá dos raios e
trovões, a festa descreve o mito de Xangô e suas
mulheres.
Fenomenológico
9 L13 T4.1 Oxalá
Festa de Oxalá o pai criador, descreve o texto
que a festa dura 16 dias e passa pelos rituais de
obrigações das “Águas de Oxalá”.
Fenomenológico
10 L13 T4.1 Oxumaré
Orixá que leva água da terra para o céu e para
os outros orixás.
Fenomenológico
11 L18 T3 Isis
Descrita no texto as muitas faces da divindade
como a deusa que criou ou o Nilo com suas
lágrimas
Fenomenológico
12 L18 T3 Hórus
Descrito no texto como deus do céu e protetor do
Faraó.
Fenomenológico
13 L18 T3 Faraó
Representante humano egípcio protegido pelo
deus Hórus
Fenomenológico
14 L18 T3 Osíris Esposo de Ìsis era o deus supremo. Fenomenológico
15 L18 T3 Nammu
Descrita como deusa mãe na Mesopotâmia que
deu à luz o céu e a terra.
Fenomenológico
16 L18 T15 Orunmilá
É apresentado no texto como Babalaô muito
procurado por doentes, os quais curavam suas
enfermidades com o uso das ervas miraculosas.
Fenomenológico
17 L18 T15 Ossaim
Descrito como o nome de um escravo que foi
vendido a Orunmilá e assim o ajudava a receitar
remédios aos doentes e acabou sendo conhecido
como um grande medico.
Fenomenológico
18 L18 T15 Aroni
Gnomo de uma perna só que ensinou todo o
segredo das ervas para Ossaim
Fenomenológico
19 L18 T15 Anúbis
Divindade egípcia que conduzia as almas no
além.
Fenomenológico
QUADRO 10 – DESCRIÇÃO DOS PERSONAGENS NEGROS DAS UNIDADES DE LEITURA
FONTE: o autor (2009)
135
No modelo fenomenológico foram catalogados 14 personagens negros sendo
que 12 são divindades, um personagem humano, Kahlil Gibran, (nesse caso
catalogado na categoria cor-etnia do manual catalográfico como parda, classificação
essa devido à origem libanesa do personagem) e outro personagem humano
presente na história mundial como Faraó. Os dados revelaram uma abordagem
diferente nos livros didáticos desse modelo em relação às religiões de matriz
africana. Em alguns selos são demonstradas ilustrações com rituais desses
segmentos religiosos. Também, verificou-se que as mesmas estão circunscritas a
espaços limitados e muitas vezes a ilustração desses rituais não está associada aos
textos.
Nesse modelo os personagens negros descritos em forma de divindades são
Xangô, Oxossi, Oxalá, Oxumaré que foram apresentadas em textos diferentes, de
selos distintos. Em uma das unidades analisada, houve uma reflexão sobre os
conflitos entre ciência e religião. O conto relatava sobre Ossaim, o orixá detentor da
sabedoria das folhas e ervas miraculosas. Vale salientar que para ilustrar a
discussão sobre ciência e religião houve menção nesse caso, de uma divindade de
religião de matriz africana. Num segundo selo observou–se uma unidade todo
dedicado às festas dos orixás Xangô, Oxalá, Oxossi, descrevendo as comidas dos
orixás e algumas passagens dos rituais festivos do Candomblé. Em ambos os casos,
os selos citam essas manifestações religiosas, mas não fazem menção às doutrinas,
ensinamentos, diferentemente das unidades que retratam o cristianismo: uma vez
que quando tratam deste assumem cunho catequético; compondo os textos com
atividades com consultas e pesquisas na Bíblia.
Com relação às religiões prestigiadas nos textos, os selos Confessionais e
Interconfessionais se quer mencionaram elementos das religiões de matriz africana.
Os selos que fazem menção a ela são selos recentes e datados na década de 2000
e seguem a orientação dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN,s) que
apresentam como um dos eixos transversais, o tema da Pluralidade Cultural. Essa
constatação trazendo à baila a necessidade de se levar em conta esta dimensão no
cotidiano escolar para contemplar o que diz a Leis de Diretriz e base da
Educação/LDB quando estabelece uma nova concepção para o Ensino Religioso,
cujo foco deixa de ser teológico para assumir um perfil pedagógico de releitura das
questões religiosas da sociedade. Nos selos analisados do modelo fenomenológico
136
foi possível perceber uma preocupação dos autores em conjugar as ciências
humanas com a fenomenologia religiosa e a antropologia religiosa.
De acordo com Piza (1998) isso é uma característica dos pensadores pós-
modernos que se inspiram na fenomenologia heideggariana, cuja filosofia do Ser
procura compreender a existência humana na dimensão fenomênica “(as formas de
aparecimento, permanência e desaparecimento), dedicando muito pouco espaço à
experiência humana, diferenciada nas sociedades, culturas e tempos históricos,
embora se refira à trama social onde o ser está mergulhado” (p.72).
Uma das considerações que deve ser levada em conta ao analisar
teoricamente esses assuntos, é que os autores abordam, nas suas temáticas, ao
relatar as manifestações religiosas na perspectiva da existência, a forma que é dada
ao ser humano comum e universal a todos e, a experiência, que não varia
intensamente não pode ser tomada como universal (VARIKAS, 1989, apud PIZA,
1998).
No final da década de 1987, o primeiro estudo que identificamos sobre
relações raciais em manuais catequéticos apresentava uma análise crítica ao
discurso racista que esses manuais ilustravam ao colocar a criança negra em
situação de inferioridade em relação às crianças brancas. O artigo de Triumpho
(1987), já citado anteriormente, foi inspirador, porque já passados 20 anos de todas
as reivindicações e mobilizações dos movimentos negros sobre os discursos de
brancos e negros em livros didáticos, pode ser, analisado os livros da nossa amostra
sobre o modelo Confessional, Interconfessional e Fenomenológico.
É importante ressaltar que da amostra analisada 4 dos 20 livros são
posteriores ao artigo de Triumpho (1987) e do III Encontro de Agentes de Pastoral
Negros, realizados em abril de 1984 em São Paulo, que propôs reflexão sobre a
presença dos negros nos livros didáticos. O encontro contou com a presença de
representes de algumas editoras
44
que participaram de um painel sobre “O negro e a
Educação” (TRIUMPHO, 1987, p.95). Segundo a pesquisadora, as discussões foram
polêmicas, entretanto “hoje, essas editoras já modificaram parcialmente sua postura
e, às vezes, até solicitaram nossa assessoria para uma análise crítica do que será
editado” (TRIUMPHO, 1987, p.95). Na constituição da amostragem, em específico
nos 16 livros do modelo interconfessional e fenomenológico, pode-se observar os
44
Triumpho (1987) não cita no seu artigo quais foram as editoras presentes neste encontro.
137
indicativos dessas modificações e assinalar a permanência ou a superação de
discursos racistas apontados pela pesquisadora.
Na tabela 6, no que se refere às características predominantes do modelo
Confessional, Interconfessional e Fenomenológico das unidades de leitura, analisa-
se os dados catalográficos dos 20 selos separadamente. Nos 5 primeiros selos, que
datam de 1983 a 2002 e correspondem ao primeiro modelo, os negros praticamente
não existiram enquanto personagem, reiterando resultados de outros pesquisadores
(como TRIUMPHO, 1987; Ana Célia SILVA, 1988; CHINELLATO, 1996; Marco
OLIVEIRA, 2000 e Paulo SILVA, 2005) e a omissão do personagem negro no
contexto sócio-cultural brasileiro (SILVA, 2005, p.14).
A negação da população negra que Triumpho (1987) ressalta na sua
pesquisa é transportada para os “livros didáticos, justamente por ser o pensamento
da sociedade dominante” (p.93). O silenciamento a este grupo étnico quando
refletirmos a distribuição por cor-etnia nesse modelo e cruzamos os dados que cada
categoria nos fornece, mostra o personagem branco muito mais freqüente nos textos
e nas ilustrações, representados na maioria das posições de destaque (SILVA,
2005).
Na tabela 6 os resultados dos livros dos três períodos, Confessional,
Interconfessional e Fenomenológico, foram dispostos de forma desagregada. No
caso da individualidade nos dois primeiros modelos os personagens foram 100%
indivíduos, e ocorrendo uma diferença no modelo fenomelógico com 2 (2,1%)
personagens brancos aparecendo na categoria multidão, do manual catalográfico.
Em todos as outras categorias os personagens negros apareceram 100% indivíduos
e 0,0% na categoria multidão. Os indicadores dispostos nessa tabela revelaram no
modelo Confessional e Interconfessional, uma diferença pequena ou inexistente. Por
exemplo, nesses dois modelos os personagens de natureza religiosa negros não
existiram; os livros didáticos publicados nesses dois modelos não fizeram
referências às religiões de matriz africana nem mesmo de elementos que as
caracterizam. Já no modelo fenomenológico os indicadores apresentaram
mudanças. Apareceram 7(50,6%) personagens negros de natureza religiosa nos
selos analisados. Os personagens citados no texto, divindades religiosas das
religiões de matriz africana, por exemplo os orixás citados no quadro 10,
representados na ilustração por pessoas. Exemplificando, o texto “A festa dos
138
orixás” onde a celebração era dirigida a divindade Xangô representado no terreiro
por um filho de santo, portanto pessoa humana.
Na categoria sexo, os índices de personagens negrosnovamente nos
modelos Confessional e Interconfessional são muito baixos. No período confessional
não observamos ocorrência de qualquer personagem feminina, negra. O índice de
personagens femininas negras no modelo Interconfessional foi 2 (50%) e no modelo
Fenomenológico 3 (21,1), sendo que a proporção de personagens negras, 50% e
21,1% foi muito superior à de personagens femininas brancas, 12,8%. Importante
salientar que a maior frequência de personagens negras nesses dois períodos não
amenizaram a estereotipia presente, principalmente, no modelo Interconfessional
que incorporou uma linha de conteúdos cristãos (conforme discutimos na análise das
personagens). Já no modelo fenomenológico essas estereotipias não se
apresentam; as personagens são descritas e os selos apresentam uma linha de
conteúdos que se orientam pelo conhecimento do conjunto de normas de cada
tradição religiosa e o contexto da respectiva cultura, sensibilizando o educando para
a força e a beleza da diversidade do fenômeno religioso.
Atributos
Modelo
Confessional
Cor-etnia
Modelo
Interconfessional
Cor-etnia
Modelo
Fenomenológico
Cor-etnia
Brancos
(N = 29)
Negros
(N =1)
Brancos
(N =29 )
Negros
(N = 4)
Brancos
(N =94 )
Negros
(N =14 )
N (%) N (%) N (%) N (%) N (%) N (%)
Humana 27 (93,3) 1 (100) 23 (79,3) 4 (100) 85 (90,4) 6 (42,3)
Natureza
Religiosa 2 (6,9) 0 (0,0) 4 (13,8) 0 (0,0) 7 (7,4) 7 (50,6)
Indivíduo 29 (100) 1 (100) 29 (100) 4 (100) 92 (97,9) 14 (100)
Individualidade
Multidão 0 (0,0) 0 (0,0) 0 (0,0) 0 (0,0) 2 (2,1) 0 (0,0)
Masculino 27 (93,1) 1 (100) 25 (86,2) 2 (50) 80 (85,1) 11(78,9)
Sexo
Feminino 2 (6.9) 0 (0,0) 4 (13,8) 2 (50) 13 (13,8) 3 (21,1)
Adultos 28 (96,6) 1 (100) 25 (86,2) 4 (100) 92 (98,9) 14 (100)
Idade
Crianças 1 (3,4) 0 (0,0) 2 (6,9) 0 (0,0) 1 (1,1) 0(0,0)
TABELA 6 - ATRIBUTOS DOS MODELOS CONFESSIONAIS, INTERCONFESSIONAL E
FENOMENOLÓGICO DE PERSONAGENS BRANCOS NEGROS PRESENTES
EM AMOSTRA DE 467 UNIDADES DE LEITURA
FONTE: o autor (2009)
Na amostra analisada ocorreu o predomínio de personagens do sexo
masculino nos três modelos, tendo sido 93,1 % no Confessional, 85,1% no
Interconfessional, e 78,9% no Fenomenológico os personagens brancos masculinos,
o que reforça contemporaneamente o que estudos dessa mesma época também
139
revelaram como, por exemplo, os de Rosemberg (1980); Pinto (1981) e Tavares
(1981, apud BEISIEGEL, 2001). No modelo Fenomenológico os personagens negros
masculinos foram 11(78,9%), um aumento significativo.
No que se refere à idade, observa-se a não existência de qualquer
personagem negro(a) ao passo que os personagens infanto-juvenis brancos foram
diminutos em número e em percentual nos três modelos, 3,4% no Confessional,
6,9% no Interconfessional e 1,1% no fenomenológico.
Os negros passam a ser mais frequentes no modelo fenomenológico, mas a
sub-representação praticamente se manteve, em função do aumento significativo de
personagens brancos que somam 94 e 14 negros. Calculadas as taxas de
branquidade houve uma redução em relação aos dois primeiros modelos. Taxa de
branquidade no modelo confessional 29, no modelo interconfessional é 7,25 e no
fenomenológico a taxa de branquidade é 6,7, ou seja, a diferença foi relativamente
pequena entre os dois últimos modelos.
No período de 1992 a 1998 correspondentes ao modelo Interconfessional a
ação de movimentos negros irão exercer, na década de 1990, uma preocupação
explícita e uma reivindicação de que “a inclusão de novas orientações escolares
privilegiam a História dos afro-brasileiros e africanos, além de ser a concretização de
uma política pública há muito almejada, é também a oportunidade de refletirmos
sobre a naturalização das desigualdades e oportunidades para trabalharmos
aspectos ainda pouco conhecidos da história de uma população que desconhece
sua própria história” (SILVA, 2007, p.14). No entanto, o impacto nos livros didáticos
de Ensino Religiosos parece ter sido relativamente pequeno nesse modelo, sendo
mais perceptível no posterior, o Fenomenológico.
No modelo Interconfessional verificamos os mesmos estereótipos e
preconceitos que a pesquisadora Rosemberg (1985) constatou na sua amostra de
literatura infanto-juvenil. Os personagens brancos, considerados pela pesquisadora
“os mais dignos” também aparecem em nossa amostra, o que vem validar as
observações feitas em seu estudo. Rosemberg (1985) verificou na sua pesquisa que
as personagens negras “eram apresentadas, nas ilustrações, em traços
estereotipados: gordas, lábios avantajado, lenço na cabeça, avental”
(ROSEMBERG, 1985). Na nossa pesquisa as personagens negras (e também as
brancas) foram apresentadas de forma similar conforme resultados nos quadros 9 e
10.
140
Já no período de vigência da nossa amostragem de 2001 a 2007 temos no
modelo fenomenológico uma mudança nesse cenário. Nos selos pesquisados, em
particular na análise qualitativa, quando os livros foram lidos na integra, os
personagens negros figuram com mais freqüência em situações e foram observados
em ilustrações que os reforçam positivamente. No selo “Todos os jeitos de crer” e no
capítulo 15, intitulado “Todos somos iguais” há subtemas que falam sobre o povo
escravizado, como surge um líder, a luta pela não violência nos quais, os
personagens ilustrados veem figurar e exemplificar os temas. Alguns estereótipos e
temáticas se mantêm. Por um lado, temos personagens que vêm à baila para dar
subsídios e reforço positivo a ideias e fatos como a resistência do povo negro a
escravidão. Por outro, os selos ainda estão presos a personagens importantes e
históricos como Zumbi e Martin Luther King. Negam informações valiosas no
sentido de oferecer aos estudantes negros a chance de reconhecimento e
pertencimento cultural e racial positivos que poderiam ser representados nos selos
por personalidades negras contemporâneas, pelos movimentos negros e pela Lei
10.639 que dispõe sobre ensino de História e Cultura Afro-Brasileiras.
Ao analisar os indicadores de importância dos personagens nos três modelos
nos qauis estamos realizando a comparação de cor-etnia (tabela 7), verificamos que
os personagens que tiveram menção no texto por serem nomeados ou por serem
narradores do texto ou, ainda, terem suas falas relatadas por outro narrador e
personagens que contribuem de maneira positiva para o texto ou apresentando-se
com neutralidade mas que, em ambos os modelos, tanto no Confessional,
Interconfessional e fenomenológico praticamente não existiram. No primeiro modelo
os personagens negros tenderam de 0 a 1 % no total em todas as categorias.
Nesse caso específico o modelo Confessional para esses indicadores destacou o
que Triumpho (1987) ressalta sobre a predominância de perspectiva eurocêntrica e a
não abordagem das culturas africanas nos livros didáticos.
No segundo modelo, o Interconfessional, houve um aumento da
representatividade, mas ainda ficando percentualmente muito inferior aos
personagens brancos. Calculando a taxa de branquidade temos para cada
personagem que recebe um nome nos textos, 9,3. Nos personagens vivos em toda
história 7,3. Portanto nesse modelo, observa-se a presença de personagens negros,
mas as relações de desigualdade entre brancos e negros continuou acentuada. No
modelo fenomenológico os personagens negros vivo em toda a história apresentam
141
uma taxa de branquidade em torno de 6,5 inferior ao do modelo anterior, mas com
um número de personagens brancos 92 (97,9%) bem superior aos personagens
negros 4 (28,9%).
Modelo
Confessional
Cor-etnia
Modelo
Interconfessional
Cor-etnia
Modelo
Fenomenológico
Cor-etnia
Indicadores de Importância
Brancos
(N =29 )
Negros
(N =1 )
Brancos
(N =29 )
Negros
(N = 4 )
Brancos
(N =94 )
Negros
(N = 14)
N (%) N (%) N (%) N (%) N (%) N (%)
Nome Recebe um nome 27(93,1) 1 (100) 29 (100) 4 (100) 92 (97,9) 14 (100)
Vida e Morte
Personagem vivo
em toda história
20 (69,0) 0 (0,0) 11 (37,9) 3 (75,0) 63 (67,0) 4 (28,9)
Diálogo Personagem fala 15 (51,7) 0 (0.0) 6 (20,7) 2 (50) 1 (1,1) 0 (0,0)
Valor do
Personagem
Positivo ou neutro 29 (100) 1 (100) 28 (96,6) 4 (100) 90 (95,7) 14 (100)
TABELA – 7 INDICADORES DE IMPORTÃNCIA DOS MODELOS CONFESSIONAL,
INTERCONFESSIONAL E FENOMENOLÓGICO DE PERSONAGENS
BRANCOS E NEGROS PRESENTES EM AMOSTRA DE 467 UNIDADES DE
LEITURA.
FONTE: o autor (2009)
Esses resultados comparativos dos personagens nas unidades de leitura
tanto no modelo Confessional e Interconfessional e Fenomenológico mostram que
os livros didáticos organizam os seus conteúdos, não permitindo a visibilidade dos
personagens negros e dos leitores negros enquanto sujeito do processo histórico.
Nossos resultados apresentam particularidades, mas as tendências gerais na
perspectiva racial, seguem tendência similar a de outros estudos (ROSEMBERG,
1985; TRIUMPHO, 1987; BAZILLI, 1999; SILVA, 2005) em que os personagens
negros continuam sub-representados, ocupando posição de menor destaque,
confinamento da população negra a determinadas temáticas, como escravidão,
apartheid, servidão e, mesmo no modelo fenomenológico o aumento de
personagens negros está circunscritos as religiões de matriz africana. Isso muitas
vezes, reafirmando o lugar social e negando a sua identidade enquanto grupo se
comparadas às de personagens brancos; além de representados, muitas vezes, de
forma estereotipa (ESCANFELLA, 2006).
142
5.3.1 Análise comparativa de personagens na ilustração entre os três modelos:
A distribuição de personagens brancos e negros na ilustração que
acompanhou as unidades de leitura, está apresentada na tabela 8. Esses
resultados apresentaram algumas variações importantes para os diversos modelos.
Foram observados um total de 432 personagens ilustrados, sendo 80 no modelo
Confessional, 155 no Interconfessional e 197 no Fenomenológico.
Os personagens brancos ilustrados do modelo Confessional prevaleceram
sobre os personagens negros. Esses, no entanto, que praticamente não existiam
nos textos do referido modelo, tiveram um número superior nas ilustrações. Uma
tendência observada nos livros desse modelo foi a maior freqüência de personagens
negros ilustrados, sendo a metade de tais personagens representada de imagens de
grupos ou de multidões.
A tabela mostra um gradativo aumento de personagens brancos e
personagens negros no modelo Interconfessional e Fenomenológico: Sendo que no
modelo Interconfessional foram 109 (70,9%) personagens brancos e 17 (10,1%)
personagens negros e no Fenomenológico foram 127 (64,5) de personagens
brancos e de 33 (16,5%) de personagens negros. Neste caso, repetiu o que
aconteceu com os personagens no texto, um aumento significativo de personagens
brancos (29 no modelo Interconfessional para 94 no Fenomenológico) e de
personagens negros (4 no modelo Interconfessional para 14 no modelo
Fenomenológico).
Calculadas as taxas de branquidade, para o modelo confessional foram 4,2
personagens brancos ilustrados para cada personagem negro; no modelo
Interconfessional foram 6,4 personagens brancos ilustrados para cada personagem
negro; no modelo Fenomenológico foram 3,8 personagens brancos ilustrados para
cada personagens negros. Ou seja, a tendência de apresentar personagens negros
nas ilustrações de forma mais freqüente que nos textos esteve presente em todos os
modelos, sendo mais acentuada no modelo Confessional (redução de 29 para 4,2).
Os livros do modelo Fenomenológico apresentaram a menor desproporção em
relação a personagens no texto (taxa de branquidade de 6,7) e nas ilustrações (3,8).
143
Atributos
Modelo
Confessional Cor-
etnia
Modelo
Interconfessional Cor-
etnia
Modelo
Fenomenológico Cor-
etnia
Brancos
(N = 34)
Negros
(N =8)
Brancos
(N =109
Negros
(N = 17)
Brancos
(N =127)
Negros
(N =33)
N (%) N (%) N (%) N (%) N (%) N (%)
Humana 32 (94,1) 8 (100) 106 (97,2) 17 (100) 123(96,9) 32 (96,7)
Natureza
Religiosa 2 (5,9) 0 (0,0) 3 (2,8) 0 (0,0) 2 (1,6) 1 (3,3)
Indivíduo 16 (47,1) 4 (50,0) 54 (49,5) 14 (82,9) 51 (40,2) 9 (27,7)
Individualidade
Multidão 18 (52,9) 4 (50,0) 55 (50,5) 2 (11,4) 76 (59,8) 24 (72,3,)
Masculino 16 (47,1) 1 (12,5) 57 (52,3) 12 (70,5) 59 (46,5) 17 (51,2)
Sexo
Feminino 5 (14.7) 2 (25,5) 19 (17,4) 4 (23,8) 21 (16,5) 3 (9,1)
Adultos 21 (61,8) 1 (12,5) 77(70,6) 8 (47,6) 102 (80,3) 18 (54,5)
Idade
Crianças 10 (29,4) 5 (62,5) 23 (21,1) 7 (41,9,) 5 (3,9) 8 (24,4)
TABELA 8- ATRIBUTOS DE PERSONAGENS NA ILUSTRAÇÃO DOS MODELOS CONFESSIONAL,
INTERCONFESSIONAL E FENOMENOLÓGICOS DE PERSONAGENS BRANCOS E
NEGROS PRESENTES EM AMOSTRA DE 433 UNIDADES DE LEITURA
FONTE: o autor (2009)
Repetiu-se nas ilustrações também a hegemonia de personagens de natureza
humana e ao passo que em todos os modelos figuram alguns personagens brancos
religiosos, porém inexistem personagens negros religiosos nas ilustrações dos
modelos Confessional e Interconfessional. Ou seja, somente no modelo
Fenomenológico o personagem negro religioso passa a existir.
Em relação aos atributos Indivíduo e Multidão, observou-se uma tendência a
apresentar muito maior proporção de personagens grupo-multidão, tanto para
negros quanto para brancos. Um detalhe peculiar entre os três modelos é fato que
no modelo Interconfessional os personagens negros foram 14, 82,9%, que sendo a
maior média percentual entre os modelos. Tal resultado indica uma maior
importância de personagens negros nas ilustrações dos livros desse modelo. Por
outro lado, a tendência se inverteu para o modelo Fenomenológico, com 24 (72,3%)
personagens negros apresentados como grupo-multidão. Ou seja, o aumento de
número e de proporção de personagens negros coincide com a tendência em
apresentá-los menos como indivíduos.
No caso do atributo sexo observa-se na tabela 8 uma presença feminina, de
forma geral, muito abaixo da masculina mas em presença relativa um pouco maior
que para as personagens no texto. No caso do modelo Interconfessional a
ocorrência de duas personagens femininas foi maior que a do único personagem
masculino ilustrado. Mesmo com ocorrências baixas, o percentual de personagens
negras femininas nas ilustrações foi superior ao percentual de personagens
144
femininas brancas nos modelos Confessional e Interconfessional. No modelo
Fenomenológico o percentual de personagens femininas negras passou a ser mais
baixo (9,1%) e a taxa de branquidade foi de 7,0. De uma forma geral, a mulher negra
praticamente não existiu como personagens nas ilustrações analisadas.
Os personagens infanto-juvenis ilustrados são minoria em relação aos
personagens adultos, mas bem mais frequentes nas ilustrações que nos textos. As
personagens infanto-juvenis negras que inexistiam nos textos e as brancas que
quase não existiam passaram a figurar com maior incidência nas ilustrações.
Aparecem distribuídos em todos os modelos com destaque ao modelo confessional
com 10 (29,4%) personagens brancos e 5 (62,5%) personagens negros, no único
caso em que os personagens infantis foram superiores aos adultos. No modelo
Interconfessional foram 23 (21,1%) personagens brancos infanto-juvenis ilustrados e
7 (41,9%) personagens negros. No modelo Fenomenológico 5 (3,9%) personagens
brancos e 8 (24,4%) personagens negros infanto-juvenis sendo a taxa de
branquidade 0,6, a menor de todos os personagens tabulados na amostra. Esse
dado revela-nos uma situação intrigante no que se refere a um indicador de público,
pois pesquisadores anteriores como Negrão (1988) e Silva (2005) salientaram em
suas pesquisas resultados desproporcionais entre personagens infantis brancos e
negros e interpretaram que as unidades de leitura se dirigiam a leitores
presumidamente brancos, indicando que os textos foram escritos para leitores
supostamente brancos. Na análise qualitativa e na leitura inicial dos livros em sua
totalidade já havíamos apreendido uma maior presença de personagens negros
infantis ilustrados nos selos pesquisados, em particular nos livros didáticos do
modelo Fenomenológico. O resultado quantitativo de maior número e proporção de
personagens negros infantis em relação a personagens negros infantis é
significativo, em função da possível identificação dos leitores infanto-juvenis com os
personagens de faixa etária similar. Interpretamos como um caso de contra-discurso
relativo à norma branca de humanidade que opera em diversos meios discursivos
midiáticos no Brasil (Silva, 2008).
O discurso religioso parece, mesmo no modelo Fenomenológico que procura
trabalhar mais com valores universais que com valores específicos de religião, muito
marcado por uma perspectiva masculina, branca e adulta. Interpretamos, a partir dos
resultados aferidos, que as ilustrações operam num sentido de minimizar tais
desigualdades, apresentando, as ilustrações, maior diversidade de gênero, raça e
145
idade em relação aos textos dos mesmos livros. No entanto, essa maior diversidade
relativa não representa discurso igualitário. Com exceção dos personagens infanto-
juvenis negros, desigualdades importantes se mantêm.
Os personagens negros ilustrados que eram exíguos no modelo Confessional
passaram a ter mais representatividade nos modelos Interconfessional e em
especifico no Fenomenológico. O aumento de personagens negros ilustrados no
modelo Fenomenológico atende, de certa forma, a preocupação das editoras em
responder aos movimentos sociais negros em torno dos livros didáticos.
Encontramos na pesquisa de Silva (2005) essa mesma observação no que consiste
à tentativa das editoras responder as críticas dos movimentos sociais e de
pesquisadores nas mudanças e na forma de produção dos livros. Caso dos livros
didáticos de Ensino Religioso a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional
(LDB) de 22 de julho de 1997/lei 9.745 que orienta o perfil do Ensino Religioso como
parte integrante da formação básica do cidadão, cabendo à disciplina assegurar o
respeito à diversidade cultural e religiosa do Brasil (JUNQUEIRA, 2001).
Contribuíram de forma bem salutar nessas transformações ao ilustrar,
principalmente nos selos publicados, pós LDB/1997, cultos e festas de religiões de
matriz africana, uma vês que enfatizaram aspectos importantes em torno dessas
manifestações religiosas como por exemplo: a vida em comunidade, a solidariedade,
o respeito pelo idoso. Os orixás que outrora não eram nem citados, ou citados de
maneira estereotipada e estigmatizada, são trazidos dentro do contexto de história e
contos se fazendo conhecer de uma maneira lúdica e despretensiosa dentro dos
selos. Um aspecto importante, no recurso imagético dos livros, foi o cuidado na
escolha positiva das imagens os quais refletem o cuidado na leitura, outro, e a
preservação dos elementos constituintes da estética negra. A representação visual
adquire múltiplas abordagens que sobrepõem ou são vista de forma particularizada.
Parece que as ilustrações têm apresentado resultados mais expressivos
nessa direção de atender a demandas sociais e a normativas relativas à diversidade.
Por um lado podemos interpretar como salutar o fato das ilustrações apresentarem
resultados melhores. A partir da análise das formas de produção dos livros didáticos,
podem ser resultados de equipes de arte e de ilustração mais atentas às demandas
sociais e à diversidade. Por outro lado, as ilustrações com maior diversidade podem
operar como expressão do modo de atuação ideológica da dissimulação, com a
146
estratégia ideológica de deslocamento, corroborando para obscurecer os discursos
racistas, sexistas e adultocênticos presentes nos textos.
Além disso, as ilustrações guardam resquícios de uma “midiação do
sofrimento” que descreve Silva (2007) em retratar a criança negra em situação de
exploração, de trabalho e pobreza. Em nossa análise qualitativa identificamos
ilustrações que relacionaram a infância a “problemas sociais” e, da mesma forma
que Silva (2007) descreve, a infância tem cor e origem. Essa cor é representada
tanto nos textos como nas ilustrações da amostragem nessa pesquisa, associadas a
figura da criança negra e pobre. As ilustrações, muitas vezes, operam como formas
complementares aos textos de comunicar determinados sentidos como atribuições
de juízo de valor levando à possíveis formas de interpretação (SILVA, p.16, 2007).
No caso específico, as imagens que se repetem de crianças negras em condições
de pobreza, sofrimento, desvalorização social, necessidade de assistência, por um
lado, podem, operar como mote para críticas sociais; por outro, circunscrevem um
espaço social específico para o negro, o espaço da miséria, da subalternidade e da
necessidade de assistência social ou de caridade. Seria expressão do modo de
operação da ideologia da fragmentação, da segmentação de grupos sociais em
espaço de poder específico.
O que se pretende avaliar com as ilustrações, em outras palavras, são as
imagens que podem dar sustentação ao racismo antinegro, ilustrações essas que
povoam o cotidiano e que nos acompanham no trabalho, nas ruas, nos
estabelecimentos públicos, que são amplamente difundidas em nossa cultura
popular e, muitas vezes, circulam via livros didáticos.
No modelo Fenomenológico que apresentou um número maior de imagens
ilustrativas de negros, os selos não apresentaram personagens negros com traços
deformados e o próprio discurso racista nas ilustrações tomou formato mais
elaborado. Ilustrações com estereótipos deram lugar a imagens que, principalmente,
circunscrevem o negro em situações de miséria e escravidão. De certa forma, selos
publicados da amostragem dessa pesquisa apartir da década de 2000 superaram
ilustrações estereotipadas que retratavam, principalmente as mulheres, com lenço
na cabeça, lábios exagerados, infantilizadas, próximas à natureza.
Além disso, são observadas diversas ilustrações, principalmente fotografias,
que valorizam aspectos fenotípicos dos personagens negros ou que tratam de forma
positivas a características da cultura afro.
147
FIGURA 2 – PÁGINA DE ABERTURA DA UNIDADE 2 “ESCOLHER E CONVIVER” DA COLEÇÃO
“REDESCOBRINDO O UNIVERSO RELIGIOSO” (ROGÉRIO FRANCISCO NARLOCH
- PETRÓPOLIS: VOZES, 2007. VOL.2, P. 25).
A página de abertura da unidade e a página seguinte trazem a mesma
ilustração dentro do tema “Quando a gente pode escolher”. O texto, em sua
essência, trabalha com o entendimento de liberdade dos leitores, afirmando que a
liberdade faz parte da condição humana e que o homem, enquanto cidadão, tem
direito a ela. A ilustração neste caso vem afirmar uma situação de liberdade.
Dentro da proposta desta dissertação, a imagem apresenta os caminhos
possíveis para abordar a questão do negro nos livros didáticos reforçando a questão
da identidade étnica passada no presente de maneira “natural”, sem cenas caricatas
ou preconceituosas. Além disso, o fato de apresentar uma relação de carinho entre
duas personagens que aparentam ser mãe e filha, é significativo.
O discurso dos livros didáticos de Língua Portuguesa e o discurso midiático
brasileiro levaram Silva (2007) a afirmar que ocorre uma “proibição tácita” de
apresentar o negro em família. Na imagem em questão, temos exemplo de discursos
148
difícieis de serm observados em outros meios discursivos, que valorizam
personagens negras em família.
Outra novidade nos livros didáticos do modelo Fenomenológico é tomar as
religiões afro-brasileiras como tema. Em geral tais partes são acompanhadas de
fotografias ilustrativas.
FIGURA 3 – EXEMPLO DE PERSONAGENS ILUSTRADOS NA UNIDADE DE LEITURA DA
COLEÇÃO “REDESCOBRINDO O UNIVERSO RELIGIOSO” (MÁRIO RENATO
LONGEN – PETRÓPOLIS: VOZES, 2007. VOL. 9, P. 44).
A imagem (figura 3), apresenta o Candomblé com o objetivo de ampliar o
conhecimento sobre a cultura afro-brasileira e das religiões de matriz africana,
ressaltando no texto alguns fundamentos da religiosidade de origem africana. O
Candomblé oferece, em especial, à população negra, subsídios para o
desenvolvimento de identidade. O texto que acompanha a ilustração reproduzida
descreve, de forma positiva, alguns valores relacionados com as religiões de matriz
africana. A seguir temos outro exemplo de valorização:
149
FIGURA 4 – PÁGINA DE FINALIZAÇÃO DE UNIDADE DE LEITURA DA COLEÇÃO “TODOS OS
JEITOS DE CRER” (DORA INCONTRI, ALESSANDRO CÉSAR BIGHETO – SÃO
PAULO: ÁTICA, 2004. VOL. 4 P.210).
Neste caso a unidade trabalha por meio do texto uns contos africanos, que
se encontra dentro da temática “Religião e ciência” na unidade analisada, onde o
texto afirma que povos que não praticam a ciência ocidental não deixam de ter a sua
própria ciência, associada à divindade, como a apresentada no conto afro-brasileiro.
Isso demonstra o cuidado com as diferentes manifestações religiosas, como as de
matriz africana. Tais informações eram inexistentes nos selos analisados no modelo
Confessional.
Por outro lado, a alta freqüência de personagens negros, nos textos e
ilustrações, nas partes que tratam de religiões de matriz africana, tendem a
circunscrever os personagens negros somente a tais contextos. Os discursos de
textos e imagens apresentam os personagens negros como “normais” nas religiões
150
afro-brasileiras ao passo que a “norma” nas religiões cristãs dominantes permanece
branca.
Outras imagens trouxeram personagens negros em outro contexto:
FIGURA 5 – EXEMPLO DE PERSONAGENS DA COLEÇÃO “REDESCOBRINDO O UNIVERSO
RELIGIOSO” (MÁRIO RENATO LONGEN – PETRÓPOLIS: VOZES, 2007. P. 60 ).
A imagem acompanhava abordagem de “mitos: linguagem dos sentimentos”
dando ênfase às escolhas que conduzem a uma vida melhor. A fotografia do jovem
negro comunica bem-estar por sua expressão, indicando satisfação com os traços
africanos pela expressão e pelo gesto de pegar no cabelo. No contexto de várias
civilizações africanas, o cabelo possui importância irrefutável, não só como
referencial estético, mas como referencial identitário.
Outras imagens apresentam personagens negros em situação de miséria ou
pobreza.
151
FIGURA 6 – GRAVURA DE CRIANÇAS POBRES ATENDIDAS PELA UNICEF. COLEÇÃO
“REDESCOBRINDO O UNIVERSO RELIGIOSO” (MÁRIO RENATO LONGEN –
PETRÓPOLIS: VOZES, 2007, P. 55).
As figuras 6, 7, 8 ilustram as tendências dos livros publicados, mesmo após
a década de 1990 e, nesse caso específico, selos que configuram essas imagens
publicadas já na década de 2000, em mantem os personagens negros confinados a
determinadas temáticas, limitando as posições sociais do negro às situações de
desvalorização social, no caso especifico, crianças negras circunscritas à situação
de miséria.
Na figura 6, observa-se o que se pode classificar como um componente
racista, que hierarquiza brancos e negros. A justaposição das imagens, as posições
e o texto que as acompanham descrevem, implicitamente, uma relação
hierarquizada, na qual o branco atua como “salvador” do negro. O discurso do negro
que atua para “salvar” o branco foi identificado por Giroux (1999) na produção
cultural norte-americana, em especial no cinema, como nova forma de manifestação
hierarquizada da branquidade. Em livros didáticos brasileiros de Língua Portuguesa
Silva (2005) apontou diversos exemplos. Na telenovela brasileira Silva, Oliveira e
Gomes (2009) analisaram exemplo do discurso salvacionista que estabelece o
branco como superior. As imagens de personagens negros (as) em situação de
152
desvantagem social, como personagens que precisam de assistência ou mesmo de
caridade, foram frequentes.
FIGURA 7 – GRAVURA ENCONTRADA NA COLEÇÃO “REDESCOBRINDO O UNIVERSO
RELIGIOSO” (MÁRIO RENATO LONGEN – PETRÓPOLIS: 2007 P. 31).
FIGURA 8 – EXEMPLO DE GRAVURA DA COLEÇÃO “REDESCOBRINDO O UNIVERSO
RELIGIOSO” (ROGÉRIO FRANCISCO NARLOCH – PETRÓPOLIS: VOZES, 2007, P.
66).
153
Na figura 8 observam-se pessoas na fila com bacias de diferente formato
pegando alimentação. A criança magérrima, com roupas rotas e expressão de
sofrimento tem destaque na imagem. Nesse caso é a criança negra que entra como
personagem que tem como espaço demarcado a situação de miséria, estabelecendo
a subalternidade como “natural”. Ao observar que os personagens negros
virtualmente não existiam nos livros dos modelos Confessional e Interconfessional,
eles passam a existir nos discursos dos livros do modelo Fenomenológico, mas sua
entrada é particularmente, em certas situações de subalternidade, principalmente
para mulheres e crianças.
Em síntese, as ilustrações dos livros didáticos de Ensino Religioso
estudados apresentam, no modelo Fenomenológico, alguns aspectos de valorização
do negro. No entanto, apresentam também algumas formas discursivas que
podemos qualificar de “discurso racista”, pois operam de forma a produzir e
reproduzir a hierarquia racial entre brancos e negros. Ocorreram modificações nas
ilustrações do negro, mas o discurso racista não deixou de existir, tomou outros
formatos.
FIGURA 9 – GRAVURA DA COLEÇÃO “REDESCOBRINDO O UNIVERSO RELIGIOSO” (ROGÉRIO
FRANCISCO NARLOCH – PETRÓPOLIS: VOZES, 2007, P.18)
154
Nas figuras 9 e 10, está em voga a questão da religiosidade afro-brasileira,
aparentemente com o objetivo de ampliar o conhecimento sobre a cultura afro-
brasileira, especificamente do Candomblé e de suas práticas simbólicas usadas para
educar os seus membros para um convívio harmonioso. O que se observa com a
imagem da mãe de santo no terreiro, e com o conto de Obatalá orixá da mitologia
afro-brasileira. Lembrando que o Candomblé:
(...) centenária e fortalecida, polariza não apenas a vida religiosa, mas
também a vida social, a hierárquica, a ética, a moral, a tradição verbal e não
verbal, o lúdico e tudo, enfim, que o espaço da defesa conseguiu manter e
preservar da cultura do homem africano (LODY, 1987, p. 10).
O Candomblé serve para a preservação da herança religiosa e cultural
africana, atuantes nas lutas do povo negro de resistência à opressão, exclusão,
buscando espaço e valorização dentro da cultura brasileira.
FIGURA 10 – EXEMPLO DE PERSONAGEM DA COLEÇÃO “TODOS OS JEITOS DE CRER” (DORA
INCONTRI, ALESSANDRO CÉSAR BIGHETO – SÃO PAULO: ÁTICA, 2004. VOL. 4
P. 107).
155
FIGURA 11 – EXEMPLO DE PERSONAGEM DA COLEÇÃO “TODOS OS JEITOS DE CRER” (DORA
INCONTRI, ALESSANDRO CÉSAR BIGHETO – SÃO PAULO: ÁTICA, 2004. VOL. 1
P. 192).
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS
A análise preliminar desse trabalho teve como investigação central a tentativa
de responder a seguinte indagação: os discursos dos livros didáticos Ensino
Religioso de 5ª e de 8ª séries sobre os segmentos raciais negros e brancos são
discursos ideológicos?
Nestes trinta anos de produção (1977 a 2007), os selos didáticos de Ensino
Religioso apresentaram avanços e permanências no que se refere a relações entre
brancos e negros. Ao longo de todo esse período de mobilização e sensibilização
junto às editoras. Essas, por sua vez, em certa medida, buscaram responder às
reivindicações dos movimentos sociais negros e aos pesquisadores sobre a
produção e a veiculação de discursos racistas.
156
A movimentação em torno do tema foi particularmente importante a partir do
final dos anos 1980, com a constituinte e a Constituição de 1988, o Centenário da
Abolição em 1988, em 1994 a Marcha Zumbi Contra o Racismo, pela Cidadania e
Vida, a estruturação do Programa Nacional do Livro didático/PNLD, o processo de
avaliação do Livro didático iniciado em 1996, a discussão e aprovação, em 1996, da
Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, as avaliações promovidas pelo
Ministério da Educação/MEC. Relacionado a toda essa movimentação o tema
racismo em livros didáticos manteve-se na agenda das discussões. O feito
influenciou para que os editores de livros didáticos mudassem sua aparência, seu
layout e assimilassem determinados avanços pedagógicos no combate às
manifestações de racismo explícito e implícito nos livros didáticos. Como ressalta a
citação abaixo, as ações e mobilizações do Movimento Negro, tinham propostas que
iam além do combate ao racismo e incluía, por exemplo:
(...) reivindicações do movimento negro foi a “mudança completa na
educação escolar, de modo a extirpar dos livros didáticos, currículos e
práticas de ensino os estereótipos e os preconceitos contra negros,
instilando, ao contrário, a auto-estima e o orgulho. Essas reivindicações
articulam-se com um projeto político de busca de africanidade como forma
de estabelecer identidade cultural. O apelo por um currículo com
valorização dos negros e da herança africana, por meio da modificações
nos livros didáticos e pela inclusão de conteúdos de história e cultura afro-
brasileira, vem a compor um projeto de sociedade multirracial, com vistas ao
acesso á cidadania ( afirmação dos direitos civis e combate à discriminação)
( GUIMARÃES, 2002, apud, SILVA , 2005).
Sobre o Ensino Religioso em seu artigo 33 da Lei de Diretriz e Base e na
nova Resolução do Ensino Religioso nº 2 de 7 de abril de 1998, da Câmara de
Educação Básica do Conselho Nacional de Educação estabeleceu que a disciplina
deixasse de ser somente aula de Valores humanos e passasse a ser uma área do
conhecimento, e que objeto de estudo fosse o fenômeno religioso. O Fórum
Nacional Permanente do Ensino Religioso/FONAPER teve papel atuante para a
viabilização dessa nova concepção de Ensino Religioso.
O problema de pesquisa sobre discursos ideológicos remete, nessa
dissertação, à perspectiva de Thompson (1995) sobre ideologia e suas proposições
sobre estratégias ideológicas (que a pesquisa buscou apreender na análise formal) e
os modos gerais de operação da ideologia.
No modelo Confessional, observaram-se publicações que negaram a
existência de negros no conjunto da sociedade brasileira. Os livros didáticos de
Ensino Religioso faziam referência a grupos humanos e as suas respectivas
157
religiões, mas os personagens negros analisados, no modelo Confessional, foram
submetidos, principalmente, ao modo de operação ideológica de dissimulação que
ocultava, negava a existência social desse grupo étnico. Além disso, a presença do
branco como representante natural da espécie, a “branquidade normativa”, que
expressa a estratégia ideológica de naturalização (umas das estratégias do modo de
operação reificação) esteve muito presente nos discursos das obras desse modelo.
No modelo Interconfessional, vistos os quatro personagens negros identificados na
amostra (quadro 10), as principais estratégias ideológicas identificadas foram a
diferenciação e a estigmatização. Compreendemos a estigmatização como uma
estratégia ideológica a ser acrescida no quadro traçado por Thompson (1995) como
uma estratégia relacionada ao modo de operação da fragmentação, em acordo com
a proposição de Andrade (apud SILVA, 2005
45
). Além disso, observamos que nos
selos publicados e classificados do modelo Interconfessional, em seu conteúdo as
formas simbólicas atuaram de forma a naturalizar os personagens brancos como
representantes da espécie e como interlocutores em potencial dos textos.
O modo de operação denominado por Thompson (1995) como
fragmentação esteve presente em todos os selos analisados, nos três modelos,
sendo mais acentuando no modelo Fenomenológico. Os livros didáticos desse
modelo apresentaram alterações na representação ficcional de personagens negros,
com modificações significativas em relação aos dois outros modelos, porém, não
escapou de apresentar esse modo de operação ideológica. Os livros didáticos
pesquisados nos três modelos, ainda atuam no sentido de diferenciação ou
estigmatização dos personagens negros, estabelecendo e difundindo sentidos que
dificultam a possibilidade do negro brasileiro de assumir posição de exercício de
poder. Os textos e as ilustrações, muitas vezes, procuram personificar os negros em
representações de expressiva subordinação aos personagens brancos. Os livros
mais recentes valorizaram aspectos fenotípicos de personagens negros, como no
caso do modelo Fenomenológico, mas, permanecem formas de hierarquia racial e a
sub-representação em relação aos personagens brancos.
O modelo Fenomenológico provocou, nesse trabalho, uma série de
indagações sobre a presença e o aumento de personagens negros nos selos
45
O autor cita a discussão, quando da defesa de doutorado de Andrade, sobre o status da estigmatização, se seria
uma estratégia ideológica, uma forma particular de expurgo do outro, ou se seria um outro modo de operação da
ideologia.
158
publicados. As mudanças observadas resultaram, por exemplo, na presença de
religiões de matriz africana, de mães de santo, de contos fazendo referência aos
Orixás. Esse fato é muito significativo para os anseios e desejos dos movimentos
negros e de pesquisadores que há muito tempo refletem as desigualdades raciais no
Brasil e a ausência de personagens negros nos livros didáticos. Essas mudanças
são importantes e significativas e respondem às lutas e reivindicações de outrora e
atuais. Os livros Didáticos do final da década 1990 e início da década seguinte dão
espaços em suas páginas às religiões de matriz africana, modificaram seu discurso
racista. No entanto, a análise qualitativa e quantitativa aponta que as modificações
nas estruturas simbólicas das publicações foram limitadas. Dentro das unidades de
leitura dos livros didáticos analisados, prevalecem enquanto legítimos, os discursos
cristãos, tendo mais representatividade e espaços de conexão entre as temáticas
abordadas e a realidade do seu público leitor: os brancos. A análise captou uma
preocupação em abrir espaço para a presença das religiões de matriz africana. Mas
estabeleceu esse espaço como o único do negro e os espaços hegemônicos, das
religiões cristãs, como exclusivo para brancos. Interpretamos que tais formatos
atuam na correlação entre o modo de operação ideológica da unificação,
construção de uma identidade coletiva tendencialmente cristã, branca e européia,
que seria a superior e desejável, complementar ao modo de operação ideológica da
fragmentação, a segmentação em relação às religiões de matrizes africanas,
negras, construídas discursivamente como o “outro”
Essa pesquisa fez com que percebêssemos que as editoras, diante de um
novo cenário de reivindicações e mobilizações engendradas pelos atores sociais,
reacomodasse essas novas tendências sociais e, de fato, ao analisarmos os selos,
principalmente os mais recentes, percebemos o aumento de personagens negros,
tanto no texto, como nas ilustrações. Esta reacomodação responde aos anseios da
sociedade e aos movimentos negros, porém, não os situam em contextos sociais de
vanguarda e com agentes de sua própria história. Podemos ilustrar essa situação
quando identificamos de que forma a ideologia racial se manifesta nos livros
didáticos de Ensino Religioso: por meioapreensão das formas simbólicas que
caracterizam os personagens negros no selo “Todos os jeitos de crer” – Vidas, um
capítulo dedicado questão racial com um subtema “Todos somos Iguais” que retrata
a luta do líder negro Martin Luther King e outros como Gandhi. A abordagem do selo
é interessante, mas as temáticas de circunscrever o personagem negro em situação
159
de escravidão e com as marcas concretas dessa escravidão registradas na imagem
de um negro com as costas marcadas pelas chicotadas, não faltaram. O livro
didático dedica 12 páginas ao subtema proposto, dentre as quais, 8 descrevem a
situação de racismo no Estados Unidos e das lutas e conquistas dos negros Norte
americanos por inrermédio de líderes importantes como o próprio Luther King e a
Rosa Parks. Apenas uma página faz referência à luta contra a escravidão no Brasil
ao citar o líder do Quilombo dos Palmares – Zumbi. A ausência, no selo, de uma
abordagem relativa à população negra e à sua vida na sociedade brasileira, propaga
um discurso que confirma a ideia de que, no decorrer da nossa história, “ser negro e
escravo se tornou uma condição pejorativa e, portanto, passível de apenas ser
mencionada no contexto de temas considerados mais importantes” (FILHO, 2005,
p.153), nesse caso, as conquistas dos negros norte-americanos e seu principal líder,
Martin Luther King. Neste sentido, Thompson (1995) oferece-nos uma interpretação
das formas simbólicas, em que reinterpretar um campo pré-interpretado é um
engajamento, um processo que, “por sua própria natureza, faz surgir um conflito de
interpretações (...) interpretar a ideologia é explicitar a conexão entre o sentido
mobilizado pelas formas simbólicas e as relações de dominação que esse sentido
mantém (...) com o objetivo de desmascarar o sentido que está a serviço do poder”
(p.35)
A análise diacrônica apontou o silêncio nos livros didáticos sobre a presença,
a participação e a contribuição da população negra na sociedade brasileira. A
diferenciação e a estigmatização em torno dos personagens negros, principalmente
nos textos, colabora para criar nos alunos negros o sentimento de não
pertencimento à sociedade brasileira. Essa constatação reforça a posição de
Rosemberg (1987) que sinalizou, em sua pesquisa, que o atraso escolar dos alunos
negros estava associado aos processos intra-escolares, que não lhes permitia uma
identificação com a sua própria história. Encontrou resultados similares que de
acordo com Carvalho (2006, p.126) sinaliza a ausência de referenciais positivos
voltados aos negros nos livros didáticos que “pode gerar sérios danos: aos alunos
negros. Danos que abalam sua auto-estima, a exemplo da inculcação do sentimento
de inferioridade que pode levá-los ao insucesso escolar ao ponto de abandonar a
escola. Aos alunos brancos, negra possibilidade de re(criar) outras imagens,
referenciais e valores que propiciem o devido re(conhecimento) e respeito aos
160
negros”. Analisando as relações raciais em livros didáticos de História, Carvalho
afirma que:
A ausência de temas com abordagens sobre as contribuições dos negros na
formação e no desenvolvimento do Brasil; a ausência de abordagens sobre
elementos culturais dos negros; a negação da história dos negros na África
e do Brasil, a invisibilidade dos negros nos conteúdos dos didáticos de
História, são alguns entre tantos outros descasos e desrespeito que
contribuem para a evasão e exclusão de alunas e alunos negros do sistema
brasileiro (CARVALHO, 2006,p.126)
A análise dos livros didáticos do Ensino Religioso da nossa amostragem
revelou que os selos editados após a Lei de Diretrizes de Bases/1998 que
regulamenta e orienta a disciplina estavam mais atentos a respeito de ressaltar, nos
seus conteúdos, a diversidade cultural e religiosa do Brasil e, também, de
proporcionar aos educandos conhecimento dos elementos básicos que compõem o
fenômeno religioso da nossa sociedade. O modelo Confessional atribuía aos seus
conteúdos uma linha mais doutrinal e o modelo Interconfessional, em seus
conteúdos, direcionava uma perspectiva mais cristã. No modelo fenomenológico,
constatou-se que seus conteúdos trazem uma abordagem do fenômeno religioso a
partir das experiências religiosas percebidas no contexto do educando, as temáticas
subsidiavam em suas tarefas formulações, éticas, existenciais, filosóficas,
antropológicas e sociológicas. Nesse aspecto, destacam-se dois selos da nossa
amostragem que seguiram com propriedade as determinações e orientações dos
Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Religioso que delimitaram no âmbito
dos conteúdos estabelecidos o conjunto de conhecimento que os livros didáticos
deveriam resgatar, entre eles, a função e os valores da tradição religiosa, relação
entre tradição religiosa e ética, teodicéia, tradição religiosa natural e revelada,
existência e destino do ser humano nas diferentes culturas e para intermediar essa
discussão no âmbito da Teologia e das Ciências Humanas os conteúdos deveriam-
se embasar na Filosofia da tradição religiosa, história e tradição religiosa, sociologia
e tradição religiosa, psicologia e tradição religiosa. A coleção “Todos os jeitos de
crer”, em específico os livros que analisamos, os de 5ª e de 8ª séries, foram, do
ponto de vista da nossa análise os que mais se aproximaram dessa proposta
curricular.
Entre os selos pesquisados, creio que todas as coleções terão que realizar,
em futuras publicações, um resgate mais aprofundado sobre o culto das religiões de
matriz africana. Sobre essas religiões, os selos mais recentes citam e descrevem
161
seus principais elementos, mas deixam a desejar no que se refere às doutrinas e
ensinamentos presentes nessas religiões.
Sobre a obrigatoriedade do Ensino Religioso e a laicidade da educação,
entendemos que o Ensino Religioso na escola pública não é obrigatório e que os
estudantes só poderão cursar as aulas por opção própria e com o consentimento da
família. Entende-se que o Ensino Religioso deve ser um instrumento que auxilia na
construção da cidadania do educando, proporcionando esclarecimentos sobre o
direito à diferença de estruturas religiosas, o papel das tradições religiosas no
contexto histórico da humanidade e na dinâmica social. Uma vez presente na escola,
o educador que atua nessa disciplina deve ter como referência teórica o respeito às
diferentes tradições religiosas, o respeito às diferentes formas e manifestações de
espiritualidade. A aula de Ensino Religioso não deve gerar entre educandos e
educadores atitudes de constrangimento. Dessa forma, o Ensino Religioso
contribuirá para um diálogo entre a cultura e o desenvolvimento da dimensão
religiosa, promovendo a participação do educando no processo educativo,
respeitando-se as diferenças.
Ao assumir o Ensino Religioso pela via do conhecimento, os conteúdos têm
como proposta proporcionar o diálogo e a participação dos educandos, por meio de
um procedimento que gera a atitude de alteridade em relação ao conhecimento
religioso pessoal e o entendimento do outro, contribuindo para que o educando
possa desenvolver-se sem preconceitos e tornar-se um cidadão crítico e participativo
e que promova a paz e a fraternidade.
Neste sentido, a família terá um papel importante, porque, em sala de aula, o
educando não terá uma formação religiosa específica da sua tradição, cabendo,
portanto, aos pais a conscientização de que este papel é da família. Compete a ela
educar seus filhos na sua própria crença, ensinando-lhes a doutrina, os valores e
gestos de sua tradição religiosa. E, ainda, o papel da escola, com as aulas de
Ensino Religioso, será o de contribuir, pela via do conhecimento, para que o
educando, na relação entre o seu conhecimento religioso e do outro, sensibilize-se
para o mistério, para as questões que envolvem o sentido da existência,
reconhecendo as centelhas divinas do Transcendente, que nele se manifesta e
revela-se na experiência que realiza na sua tradição.
162
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TRIUMPHO, V. R. S. O negro no Livro Didático e a Prática Dos Agentes de Pastoral
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169
ANEXOS
ANEXO 1 MANUAL 1 PARA CODIFICAÇÃO DOS DADOS
CATALOGRÁFICOS........................................................................................
170
ANEXO 2
MANUAIS 2 E 3 PARA ANÁLISE DO PERSONAGEM NA ILUSTRAÇÃO....
178
ANEXO 3 MANUAL 4 PARA ANÁLISE DO PERSONAGEM NO TEXTO...................... 180
ANEXO 4 CRUZAMENTO DE PERSONAGEM NO TEXTO............................................ 213
ANEXO 5 CRUZAMENTO DE PERSONAGEM NO TEXTO – MODELO
CONFESSIONAL.............................................................................................
238
ANEXO 6 CRUZAMENTO PERSONAGEM NO TEXTO – MODELO
INTERCONFESSIONAL..................................................................................
260
ANEXO 7 CRUZAMENTO PERSONAGEM NO TEXTO – MODELO -
FENOMENOLÓGICO.......................................................................................
281
ANEXO 8 PERSONAGENS NA ILUSTRAÇÃO DO MODELO CONFESSIONAL.......... 299
ANEXO 9 PERSONAGENS NA ILUSTRAÇÃO DO MODELO
INTERCONFESSIONAL..................................................................................
301
ANEXO 10 PERSONAGENS NA ILUSTRAÇÃO DO MODELO FENOMENOLÓGICO.... 302
170
ANEXO 1 – MANUAL 1 PARA CODIFICAÇÃO DOS DADOS CATALOGRÁFICOS
II - NÚMERO DO LIVRO
Colunas B
Preencher de acordo com o arquivo (ver amostra de livros).
III - NÚMERO DO AUTOR
Colunas C
Preencher de acordo com o arquivo (ver arquivo).
IV - SEXO DO AUTOR
Coluna D, E, F, G
Este item se propõe determinar a que sexo pertencem os autores. O indicador é o nome. Em
caso de pseudônimo, o verdadeiro nome deve ser investigado. Em caso de dúvida, informar-se junto
à editora.
Código:
1 - masculino;
2 - feminino;
3 - misto (em caso de co-autoria mista) ;
9 - indeterminado.
V – COR/ETNIA DO AUTOR (ou primeiro autor em co-autoria)
Coluna H
Código:
1 – branco;
2 – preto;
3 – pardo;
4 – amarelo;
5 – índio;
9 – indeterminado
171
VI – COR/ETNIA DO 2º AUTOR
Coluna I
Código:
1 – branco;
2 – preto;
3 – pardo;
4 – amarelo;
5 – índio;
9 – indeterminado
VII – COR/ETNIA DO 3º AUTOR
Coluna J, K
Código:
1 – branco;
2 – preto;
3 – pardo;
4 – amarelo;
5 – índio;
9 – indeterminado
VIII - DATA DE NASCIMENTO DO AUTOR (ou primeiro autor em co-autoria)
Coluna L
Código:
1 – anterior a 1800;
2 – 1800 a 1850;
3 – 1850 a 1900;
4 – 1900 a 1910;
5 - de 1910 a 1919;
6 - de 1920 a 1929;
7 - de 1930 a 1939;
8 - de 1940 a 1949;
9 - de 1950 a 1959;
10 - de 1960 a 1979;
11 – 1970 a 1979;
12 - de 1980 em diante;
99 - indeterminada.
IX - DATA DE NASCIMENTO DO 2º AUTOR
Coluna M
172
Código:
1 – anterior a 1800;
2 – 1800 a 1850;
3 – 1850 a 1900;
4 – 1900 a 1910;
5 - de 1910 a 1919;
6 - de 1920 a 1929;
7 - de 1930 a 1939;
8 - de 1940 a 1949;
9 - de 1950 a 1959;
10 - de 1960 a 1979;
11 – 1970 a 1979;
12 - de 1980 em diante;
99 - indeterminada.
X - DATA DE NASCIMENTO DO 3º AUTOR
Coluna N, O
Código:
1 – anterior a 1800;
2 – 1800 a 1850;
3 – 1850 a 1900;
4 – 1900 a 1910;
5 - de 1910 a 1919;
6 - de 1920 a 1929;
7 - de 1930 a 1939;
8 - de 1940 a 1949;
9 - de 1950 a 1959;
10 - de 1960 a 1979;
11 – 1970 a 1979;
12 - de 1980 em diante;
99 - indeterminada.
XI - CURRÍCULO LITERÁRIO DO AUTOR
Coluna P
Este item se propõe classificar os autores de acordo com sua dedicação exclusiva ou não à
literatura didática.
O escritor da obra dedicou-se:
Código:
1 - exclusivamente à livros didáticos;
173
2 – principalmente à literatura infantil;
3 - principalmente a obras não ficcionais para adultos;
4 - principalmente à literatura de ficção para adultos, incluindo romance(s);
5 - igualmente à produção para adultos e para crianças;
9 - indeterminado.
XII - NÚMERO DO ILUSTRADOR
Colunas AH
Preencher de acordo com o arquivo (ver arquivo).
Código:
00 - o livro não é ilustrado;
99 - indeterminado: o livro é ilustrado mas não foi possível identificar o ilustrador.
XII - SEXO DO ILUSTRADOR
Coluna AI
Código:
0 - o livro não é ilustrado;
1 - masculino;
2 - feminino;
3 - misto (em casos de co-ilustração mista);
4 - indeterminado: o livro é ilustrado, identificou-se o ilustrador mas não foi possível determinar seu
sexo;
9 - não foi possível identificar-se o ilustrador.
XIV – COR/ETNIA DO ILUSTRADOR
Coluna AJ, AK, AL
Código:
0 – o livro não é ilustrado;
1 – branco;
2 – preto;
3 – pardo;
4 – amarelo;
5 – índio;
9 – indeterminado: identificou-se o ilustrador mas não foi possível determinar sua cor/etnia.
XV - IDENTIFICAÇÃO DO CAPISTA
Coluna AM
Este item visa apreender a indicação ou não do capista.
Código:
174
0 - o livro não tem capa ilustrada;
1 - consta o capista;
2 - apesar de não constar, deduziu-se que o capista era o próprio ilustrador;
9 - indeterminado: o livro tem capa ilustrada mas não foi possível identificar o capista.
XVI - NÚMERO DO CAPISTA
Colunas AN
Preencher de acordo com o arquivo (ver arquivo).
Código:
00 - o livro não tem capa ilustrada;
98 - deduziu-se que o capista era o próprio ilustrador;
99 - indeterminado: o livro tem capa ilustrada mas não foi possível identificar o capista.
XVII - SEXO DO CAPISTA
Coluna AO
Código:
0 - o livro não tem capa ilustrada;
1 - masculino;
2 - feminino;
3 - misto (em caso de co-ilustração mista);
4 - indeterminado: o livro tem capa ilustrada, identificou-se o capista mas não foi possível
determinar a que sexo pertence;
9 - não foi possível identificar o capista.
XVIII – COR/ETNIA DO CAPISTA
Coluna AP, AQ
Código:
0 – o livro não tem capa ilustrada;
1 – branco;
2 – preto;
3 – pardo;
4 – amarelo;
5 – índio;
9 – indeterminado: identificou-se o capista mas não foi possível determinar sua cor/etnia.
XIX - NÚMERO DO EDITOR
Colunas Q
Preencher de acordo com o arquivo (ver arquivo).
Código:
00 - o livro consta o editor;
175
99 - indeterminado: não foi possível identificar o editor.
XX - SEXO DO EDITOR
Coluna R
Código:
0 – não foi possível identificar-se o editor;
1 - masculino;
2 - feminino;
3 - misto (em casos de co-edição mista);
9 - indeterminado: identificou-se o editor mas não foi possível determinar seu sexo.
XXI – COR/ETNIA DO EDITOR
Coluna S, T, U
Código:
0 – não foi possível identificar-se o editor;
1 – branco;
2 – preto;
3 – pardo;
4 – amarelo;
5 – índio;
9 – indeterminado: identificou-se o editor mas não foi possível determinar sua cor/etnia.
XXII - NÚMERO DA EDITORA
Coluna BA
Preencher de acordo com o arquivo (ver arquivo).
Código:
00 - não consta o nome da editora.
XXIII - LOCAL DE PUBLICAÇÃO
Coluna BC
Preencher de acordo com o fichário.
Código:
9 - indeterminado.
XXIV - DATA DE 1a. EDIÇÃO
Coluna BD
Este item analisa a data de 1a. edição do livro. Este dado deve ser procurado em todas as
fontes disponíveis.
Código:
176
1 - de 1970 a 1974;
2 – 1975;
3 – 1976;
4 – 1977;
5 – 1978 ;
6 – 1979;
7 – 1980;
8 – 1981;
9 – 1982;
10 – 1983;
11 – 1984;
12 – 1985;
13 – 1986;
14 – 1987;
15 – 1988;
16 – 1989;
17 – 1990;
18 – 1991;
19 – 1992;
20 – 1993;
21 – 1994;
22 – 1995;
23 – 1996;
24 – 1997;
25 – 1998;
26 – 1999;
27 – 2000;
28 – 2001;
29 – 2002;
30 – 2003;
99 - não há informação sobre este dado.
XXV- DATA DA EDIÇÃO ANALISADA
Coluna BE
Este dado só deve ser classificado quando constar do livro.
Código:
1 - de 1970 a 1974;
2 – 1975;
3 – 1976;
177
4 – 1977;
5 – 1978 ;
6 – 1979;
7 – 1980;
8 – 1981;
9 – 1982;
10 – 1983;
11 – 1984;
12 – 1985;
13 – 1986;
14 – 1987;
15 – 1988;
16 – 1989;
17 – 1990;
18 – 1991;
19 – 1992;
20 – 1993;
21 – 1994;
22 – 1995;
23 – 1996;
24 – 1997;
25 – 1998;
26 – 1999;
27 – 2000;
28 – 2001;
29 – 2002;
30 – 2003;
99 - não há informação sobre este dado.
XXVI – NÚMERO DE CAPÍTULOS
Coluna BG
Número de capítulos do livro.
XXVII – INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES
Coluna BH, BI, BJ
OBSERVAÇÃO:
As fontes que serão consultadas para a maioria dos dados são: o próprio livro em questão, a base
de dados da Biblioteca Nacional, Dicionários de Literatura, web.
178
ANEXO 2 - MANUAIS 2 E 3 PARA ANÁLISE DO PERSONAGEM NA
ILUSTRAÇÃO
A unidade de análise é o personagem e a unidade de contexto é o texto de
leitura.
EXISTÊNCIA DO PERSONAGEM
A definição de personagem adotada é a mesma para a existência do
personagem no texto, constante do manual 3. São consideradas as ilustrações de
personagens presentes nos textos de leitura.
I - NATUREZA
Coluna D
Código:
1 - humano;
2 - fantástico e folclórico: os tradicionais — fada, duende, bruxa, saci, curupira, Yara,
sereia, gigante, amazonas; aqui entram os personagens-personagens (personagem
humano criado por outrem ou da mitologia indígena e grega, não divinos);
3 - antropomorfizado;
9 - indeterminado: seres antropomorfizados mas cuja natureza específica é
impossível de ser determinada. Exemplo: A lebre fala: "Mas adeus, meu amigo! Vou
ver minha comadre". (Ribeirinho meu amigo, p.11) A única referência sobre a
comadre da lebre é esta. Sua relação de parentesco indica antropomorfismo, mas
sua natureza própria é indeterminada;
II - INDIVIDUALIDADE
Coluna E
Qualidade individual ou grupal do personagem.
Código:
1 - indivíduo: indivíduo único, original e singular (João é filho de Maria);
2 - multidão, grupo, coletivo ou par: grupo tratado como tal onde os componentes
individualizados não são considerados.
179
III - SEXO
Coluna F
Código:
1 - especificamente masculino: quando possui características ilustradas inequívocas
de ser de sexo masculino;
2 - especificamente feminino: quando possui características ilustradas de sexo
feminino;
3 - misto: grupos que trazem personagens masculinos e femininos;
4 - não se aplica: seres assexuados (ex.: anjo, assombração, almas etc.).
9 - Indeterminado
IV - COR-ETNIA
Colunas G
1 – Branco
2 – Preto
3 – Pardo
4 – Indígena
5 – Amarelo
6 – Outras cores
9 – Sem determinação
VI - IDADE OU ETAPA DA VIDA
Coluna H
1 – criança
2 - Adolescente
3 - adulto
4 - velho
5 – multidão mista
9 - Indeterminado
180
ANEXO 3 – MANUAL 4 PARA ANÁLISE DO PERSONAGEM NO TEXTO
A unidade de análise é o personagem e a unidade de contexto é o texto de
leitura.
EXISTÊNCIA DO PERSONAGEM
A definição de personagem adotada é bastante ampla, fato este que exigiu a
elaboração de uma série de regras necessárias para garantir a sistematização da
análise.
A adoção de definição ampla de personagem tem como objetivo não perder
informações veiculadas por “personagens” genéricos, conforme observação de
Rosemberg (1985) e de Bazilli (1999). A definição restrita de personagem, limitada a
seres determinados, isto é, possuindo uma realidade especifica na narrativa, poderia
causar, inicialmente, o abandono de grande número de personagens genéricos.
A opção por definição ampla de personagem exige a adoção de regras
complexas. Tais regras são, para este estudo, as definidas por Bazilli (1999)
adaptadas de Rosemberg (1985). O objeto de análise de nosso estudo difere das
pesquisas citadas, que analisaram personagens da literatura infanto-juvenil. No
presente estudo analisaremos os textos de leitura das unidades didáticas de livros
de 4ª série, que podem ser extraídos de meios diversos, mas o são, principalmente,
da literatura, adulta ou infanto-juvenil, portanto podem apresentar a complexidade
aferida por Rosemberg e Bazilli:
DEFINIÇÃO DE PERSONAGEM
Consideramos como personagem (unidade de análise) os seres figurando na
narrativa e possuindo as seguintes características:
a) ser de natureza humana, antropomorfizada ou fantástica (ver item I), isto é:
pessoas, seres religiosos, fantásticos, extraterrestres ou animais, plantas e
objetos antropomorfizados;
b) ser um indivíduo (pessoa única), grupo, multidão, ou coletividade (exemplos:
João, alunos, crianças, orquestra, exército) (ver item II);
181
c) existir no contexto ficcional da narrativa (seres determinados) ou fora dele,
enquanto seres genéricos (exemplo: as crianças são melhores que os adultos),
históricos (exemplo: Cristóvão Colombo, quando descobriu a América...) ou a-
temporais (alguns seres fantásticos ou mitológicos desvinculados da fonte
original, personagens de outras narrativas, certas divindades, etc.);
d) agir ou ser simplesmente mencionado na narrativa (exemplo: João é filho de
Tereza);
e) Ser vivo ou não, isto é, os seres mortos serão analisados desde que
preencham os demais requisitos da definição de personagem;
f) ter ou não a condição de personagem sonhado.
Cada ser, assim definido será considerado como um personagem, merecendo
ser analisado nos itens constantes deste MANUAL.
Por oposição não serão considerados como personagens:
a) Seres apenas evocados (Ai, meu Deus! Por que diabo? Minha mãe!);
b) Animal, planta ou objeto quando forem apenas receptores de ação
antropomorfizada, mas não emitirem, eles mesmos, tais comportamentos e não
assumirem nenhuma característica humana (exemplo: Ribeirinho andava bem
sossegado da vida. Tinha dormido toda noite de baixo de umas mangueiras,
ainda no mesmo sítio do monjolo. Na manhã daquele dia, ao despedir-se das
mangueiras, levava até uma porção de folhas..." Ribeirinho meu amigo, p.31).
Neste caso mangueiras, não são consideradas personagem;
c) Quando o caráter antropomorfizado do ser não for claro mas apenas sugerido
através de linguagem figurada (exemplo: "Parecia uma rosa, mas não era uma
rosa. Era uma flor diferente. Parecia uma pequena bandeira. Uma pequena
bandeira que o vento abanava dizendo adeus a Ribeirinho que ia longe",
Ribeirinho meu amigo, p. 21) ;
d) Quando o caráter antropomorfizado do ser não lhe for inerente mas existir
apenas como atributo projetado pela imaginação de um personagem. Por
exemplo, no livro A casa da Coruja Verde, o burrico Pão-de-ló parece falar.
Este seu comportamento, aparentemente antropomorfizado, constitui apenas
um atributo que lhe é conferido pelo grande amor de seu Caboclo JANJÃO.
Janjão descreve seu burrico:
182
"— Pão-de-ló é uma lindeza. Fala com os olhos. Responde, pergunta. Até letra
ele conhece de vista e de nome. Manhoso é inteligente corno ele só. A senhora
viu meu jerico, Dona Júlia?"
Mas logo em seguida, o professor Raposo acrescenta, ante a incredulidade de
Dona Júlia:
"— Como dono do jerico, meu amigo o descreveu enxergando-o com os olhos
do coração. Quem ama o feio bonito lhe parece. Pão-de-ló é esperto, sabe
alguns truques de circo..." (A casa da Coruja Verde, p. 61-62).
ORIGINALIDADE E UNICIDADE DOS PERSONAGENS
O caráter original no personagem (o que permitirá diferenciá-lo do anterior e
do posterior, ou ainda, o que permitirá enumerá-lo no rol nos personagens da
história) não constitui problema para os seres individuais (em oposição a grupo) e
determinados, isto é, possuindo uma existência singular, no quadro ficcional da
narrativa e a quem caberia corretamente a definição de personagem ou figurante.
No exemplo que seque, percebe-se nitidamente que os "cortes" permitindo a
inclusão dos personagens no rol de análise é simples. Cada um deles (Zézinho e
Chico) possui originalidade e identidade próprias: são seres individuais e
determinados.
"— Quando você ficar moço, que quer ser? perguntou Zézinho a Chico, certa
manhã, quando iam tornar banho no ribeirão" (Proezas na roça, p. 7).
Convém insistir no fato de que a unidade de análise é o personagem e que a
unidade de contexto é o texto de leitura. Neste sentido, o personagem deve ser
considerado em sua unicidade durante todo o processo de análise. Em termos
operacionais, a unicidade do personagem permite que a sua caracterização seja
feita e refeita a qualquer momento da narrativa. Por exemplo, se até um dado
momento da história o personagem parece ser órfão, mas no fim da história
aparecem seus pais vivos, deve-se considerá-lo como tendo pai e mãe. Deste
modo:
a) Cada personagem deve ser contado apenas uma vez, mesmo quando recebe
diferentes nomes ou apelações;
b) Quando um personagem muda de identidade, travestindo-se no decorrer da
narrativa, deve-se considerá-lo como um único ser, e não dois seres diferentes.
183
Exemplo: “— Estou desconfiada que você não é DUM coisa nenhuma! (...) Com
um acesso de raiva, a DUM retirou a fantasia. Apareceu um sujeito de cara
comprida..." (Júlia Pata, p. 64);
c) Quando se tiver dúvida, no decorrer da história, se o autor se refere a um único
ou a diferentes personagens (a unicidade do personagem não é claramente
mantida pelo autor) deve-se considerar a existência de mais um personagem.
Para os "personagens" coletivos (grupos, multidões) e genéricos ou
indeterminados (que existem independentemente do contexto ficcional), a unicidade
e a originalidade são mais difíceis de serem especificadas, necessitando pois de
regras fixas e bastante rígidas garantindo a sistematização do processo de análise.
As regras estabelecidas foram as seguintes:
a) os coletivos (orquestra, exército, batalhão, criançada, meninada, etc.), as
multidões (povo, pessoas, gente, bichos, outros, qualquer pessoa, etc.) e os
grupos (casal, par, alunos, crianças) serão contados como "personagens".
Quando o coletivo indicar instituição não se considera como personagem
(Exemplos: Banco do Brasil, Cia de navegação);
b) os personagens individuais destacados do grupo, coletivo ou multidão
constituirão novos personagens. O desmembramento do coletivo, grupo ou
multidão não implica em seu desaparecimento enquanto "personagem". Eles
perderão esta condição apenas quando todos os personagens individualizados
forem destacados (exemplo: o par ou dupla só desaparecerá quando seus dois
componentes forem mencionados separadamente);
c) os subgrupos destacados de grupo, coletivo ou multidão constituirão sempre
novos "personagens" quando forem subgrupos organizados (por exemplo:
batalhão destacado de um exército) ou quando apresentarem certas
particularidades próprias (cor-etnia - nacionalidade, sexo, idade, profissão-
ocupação, relação de parentesco, religião). Os subgrupos não organizados e/ou
que não apresentarem qualquer particularidade própria não serão contados como
novos "personagens";
d) "personagens" genéricos, isto é, existindo em si, independentemente do contexto
ficcional (os homens no sentido de humanidade, as crianças como classe de
idade dentro da humanidade, etc.) serão contados apenas uma vez na narrativa
em que aparecerem desde que tais "personagens" forem absolutamente
genéricos;
184
e) Quando os "personagens" são relativamente genéricos, isto é, existem
independentemente do contexto ficcional mas no contexto real possuem
originalidade própria, eles serão contados como novos personagens, desde que
haja alteração de certas características próprias (cor-etnia-nacionalidade, sexo,
idade, profissão-ocupação, relação de parentesco). Operacionalmente deve-se
contar sempre como novo personagem todas as vezes que houver qualquer
indício indicando de que não se trata das mesmas pessoas (exemplo: no livro
Rosinha vai a Nova York, os turistas são mencionados duas vezes: "...trazem
para vender aos turistas, colares, broches e braceletes feitos de semente..." (p.
46).
Mais adiante, já nos Estados Unidos: "Quase todos os turistas desejam descer ao
abismo e ver de perto o espetáculo... " (p. 68).
Na primeira passagem, o autor se refere a turistas que visitam a Ilha de Trindade
e, na segunda, aos turistas que visitam as cachoeiras do Niágara. Deste modo,
na contagem dos personagens deve-se considerar a presença de dois grupos de
turistas diferentes;
f) "personagens" indicados tão genérica e indeterminadamente como alguém,
ninguém, todos, etc., não serão contados;
g) "personagens" genéricos atuando unicamente através da uma fórmula
negativa, ou indicando ausência de, não serão contados;
h) comparação e atributos não entram na computação de personagens, mas
serão anotados à parte (não esquecer de anotar a página);
i) "personagens" de mentira ou sonhados são considerados personagens
(Exemplo: O menino mágico, p. 89).
ITENS
I - NATUREZA
Coluna E
Código:
1 Humano: personagem descrito como ser humano (homem, mulher, menino,
menina, etc.) ou cuja humanidade possa ser apreendida através de
comportamentos, traços, etc.;
185
2 Religioso: divindade, anjo, santo, etc., pertencente à tradição pagã, judaica, cristã
ou outras religiões. Nesta categoria devem entrar também personagens divinos
da mitologia grega ou indígena;
3 Fantástico e folclórico: os tradicionais — fada, duende, bruxa, saci, curupira,
Yara, sereia, gigante, amazonas; aqui entram os personagens-personagens
(personagem humano criado por outrem ou da mitologia indígena e grega, não
divinos);
4 Personagens humanos descritos em livros históricos e biográficos. Estes
personagens são obrigatoriamente humanos. Aqui não haverá distinção entre
personagens famosos e não-famosos. Terão natureza 4 tanto indivíduos quanto
multidões, citados, referidos ou atuando na história;
5 Personagem antropomorfizados: animais veja definição de antropomorfismo em
observações;
6 Personagens históricos ou famosos que aparecem em textos de ficção, não
tendo estatuto literário de personagem. E também aqueles personagens históricos
ou famosos recriados pelo autor;
9 Indeterminado: seres antropomorfizados mas cuja natureza específica é
impossível de ser determinada. Exemplo: A lebre fala: "Mas adeus, meu
amigo! Vou ver minha comadre". (Ribeirinho meu amigo, p.11) A única
referência sobre a comadre da lebre é esta. Sua relação de parentesco indica
antropomorfismo, mas sua natureza própria é indeterminada;
Observações:
1. Definição de antropomorfismo: característica humana, isto é, traço,
comportamento, relação de parentesco, organização (exemplo: exército de
piranhas) presente em animais, plantas e objetos.
Não serão considerados, porém, como indicadores de antropomorfismo:
a) Características humanas apenas projetadas em seres, pela imaginação ou
fantasia de personagens;
b) antropomorfismo apenas decorrente de linguagem figurada.
2. 0s personagens sonhados serão classificados com a natureza que assumem no
sonho.
186
II - INDIVIDUALIDADE
Coluna F
Qualidade individual ou grupal do personagem.
Código:
1 indivíduo: indivíduo único, original e singular (João é filho de Maria);
2 multidão, grupo, coletivo ou par: grupo tratado como tal onde os componentes
individualizados não são considerados. Quando um substantivo é usado no
singular como representante da classe ou do gênero deve entrar nesta categoria.
Exemplo: o cientista, inglês.
Observação:
Regra geral para indivíduo se destacar de multidão: a multidão (grupo, coletivo, par)
deve preceder o aparecimento do indivíduo destacado;
REGRAS GERAIS
1. Personagens históricos, fantásticos, lendários, mitológicos, folclóricos, famosos,
personagens-personagens, religiosos e divinos, tendo existência exterior à
narrativa em questão, serão analisados de acordo com sua natureza própria,
independentemente da história atual. No caso, porém, de sofrerem modificações
na narrativa atual serão analisados de acordo com as "novas características".
Exemplo: Brás Cubas, citado em história atual, será analisado como português,
branco, adulto, etc.; mesmo que estas categorias não apareçam na narrativa.
a) Tais personagens serão analisados em si, apenas nos itens seguintes:
- natureza;
- individualidade;
- sexo;
- cor-etnia;
- denominação racial;
- idade;
- nacionalidade;
- profissão;
- nome;
- religião;
- vida e morte e informações complementares.
187
b) Serão analisados no texto de leitura nos itens seguintes:
- importância;
- língua e linguagem;
- valor;
- atividade escolar e informações complementares.
c) Nos itens referentes a:
- origem geográfica I;
- origem geográfica II;
- deficiências;
- parentescos;
- informações complementares.
Serão classificados em O, a menos que haja informações específicas na
história.
Para auxiliar a descrição dos personagens históricos, mitológicos e folclóricos
servir-se de enciclopédias e dicionários.
2. Os coletivos, grupos e multidão serão analisados apenas em função dos itens:
- natureza;
- individualidade;
- sexo;
- cor-etnia;
- idade;
- nacionalidade;
- profissão;
- atividade escolar e informações complementares.
Nos demais itens irão para a categoria O.
VARIÁVEIS INDEPENDENTES
As variáveis independentes na análise dos personagens são: cor-etnia, sexo
e idade. As variáveis de cor/etnia são as mais importantes para o presente estudo,
ao passo que as relacionadas à gênero serão analisadas pelo estudo de Neide
Moura. Mantivemos a especial atenção, no manual, a estas três variáveis, sendo
minuciosamente analisadas, às vezes dando impressão de zelo exagerado.
188
A análise qualitativa das histórias, bem como a experimentação da primeira
versão do manual, realizadas por Rosemberg e colaboradoras (1980), sugeriram que
o estilo dos autores reflete, de certa maneira, uma visão própria do mundo, centrada
no adulto, homem e branco.
Estas qualidades parecem ser consideradas como "normais", não
necessitando sua explicitação em nível da descrição do personagem. Tentamos,
pois, na versão definitiva do manual captar esta nuance estilística o que acarretou a
multiplicidade de opções na descrição da cor-etnia, do sexo e da idade dos
personagens.
III - SEXO
Coluna G
Código:
1 Especificamente masculino: quando são efetivamente seres de sexo masculino
(o menino, o homem, o Sr. etc.);
2 Genericamente masculino: palavras de gênero masculino que possuem o
correspondente feminino usadas sem que se saiba se se trata efetivamente de
indivíduos apenas de sexo masculino (os coelhos sabidos, o homem é mortal);
3 Especificamente feminino: quando são efetivamente seres de sexo feminino (a
menina, a mulher, a vaca etc.);
4 Misto: palavras que dão idéia de pluralidade, sendo possível inferir a presença de
personagens masculinos e femininos (o casal, par, população etc.);
5 Palavras exclusivamente de gênero masculino que indicam seres cujo sexo não
se pode especificar;
6 Palavras exclusivamente de gênero feminino que indicam seres cujo sexo não se
pode especificar;
7 Palavras de gênero indeterminado que indicam seres cujo sexo não se pode
especificar;
8 Não se aplica: seres assexuados (ex.: anjo, assombração, almas etc.).
Observações:
1. Regras para determinação do sexo do personagem:
a) Quando uma palavra, masculina ou feminina, no singular ou plural, designa
indivíduo(s) pertencente(s) a um sexo determinado (exemplos: a mulher, o
189
homem vestido de azul etc.) o personagem a que ela se refere deve ser
classificado como especificamente feminino ou masculino, dependendo do sexo;
b) De acordo com as regras transcritas acima, as relações de parentesco usando
plural masculino (pais, avós, tios, primos etc.) sem que haja certeza de se tratar
do casal, devem ser consideradas como genericamente masculinas.
2. Indicadores do sexo do personagem:
a) Sr., Sra., Dona, nhô, nhá etc.;
b) Maneira de vestir-se (terno, vestido, fita no cabelo etc.);
3. Lembrete:
a) Personagens históricos, mitológicos etc. devem ser analisados;
b) Multidão, grupo, coletivo, devem ser analisados.
IV - COR-ETNIA
Colunas H
INTRODUÇÃO
As categorias previstas para analisar a cor-etnia referem-se conjuntamente ao
texto e à ilustração. As informações provenientes do texto permitirão caracterizar a
tez-etnia, a cor de olhos e cabelos dos personagens. A informação proveniente da
ilustração, confirmando ou contradizendo o texto, permitirá exclusivamente a
caracterização da tez-etnia do personagem.
Apesar das categorias previstas referirem-se ao texto e à ilustração, as
análises serão feitas independentemente. Isto é, a informação proveniente do texto
(ou da ilustração) não poderá ser extrapolada para a ilustração (ou texto).
CATEGORIAS
1. Cor da pele (texto e ilustração):
a) Branco: possuir cor branca ou outro indicador de cor branca (ver regras);
b) Preto: possuir cor preta ou outros indicativos de aparência afros (cabelo e traços
fisionômicos) (ver regras);
c) Pardo: ser descrito como tal, ou possuir tez e traços fisionômicos entre o preto e
o branco;
d) índio: ser descrito como tal;
e) amarelo: possuir traços orientais ou outros indicativos;
190
f) outros: outras cores e grupos étnicos não mencionados acima (ver regras);
g) misto: no caso de multidões quando mais de um grupo étnico não branco está
representado (ver regras).
2. Regras para classificação da cor na ilustração:
a) Para esta análise as ilustrações devem ser consideradas como um continuum,
isto é, a cor do personagem será decidida em função do conjunto das ilustrações
referentes a ele;
b) Para se classificar um personagem numa determinada cor deve-se considerar
além da tez, os traços, a textura dos cabelos e, algumas vezes, a vestimenta
(índios);
c) Os personagens que aparecem exclusivamente no texto (não sendo ilustrados),
ou cuja identificação na ilustração não seja possível de ser classificados
como não ilustrados;
d) Personagens que aparecem na ilustração, mas que não puderam ser
acoplado a um personagem do texto, não serão analisados.
3. Lembrete:
a) Personagens históricos, mitológicos, etc. devem ser sempre analisados neste
item;
b) Multidões, grupos e coletivos devem ser sempre analisados de acordo com este
item;
c) Quando a ilustração tem apenas o fundo colorido e os personagens aparecem
em contorno, não deverão ser classificados em outras cores. A análise da cor
neste caso será indicada por traços, vestimenta, etc.
1 – Branco
2 – Preto
3 – Pardo
4 – Indígena
5 – Amarelo
6 - Outras cores
7 - Judeu
9 – Indeterminado
191
V - Regras para classificação da cor nos texto:
a) A cor da tez e a etnia do personagem não devem ser inferidas nunca, a não ser
no caso de parentes em linha ascendente ou descendente, quando a cor de um
deles for explicitada, ou em alguns casos quando o personagem tem a condição de
escravo;
b) Cor explicitada: quando a cor da pele ou tez é declarada (exemplo: branco,
moreno, índio, mulato); quando o tom ou textura dos cabelos são mencionados e
específicos a uma cor (por exemplo: cabelos loiros, ruivos são específicos ao
branco; cabelos “pixaim” são quase sempre específicos ao preto ou pardo, cabelo
fino é quase sempre específico ao branco);
c) Outras cores explicitadas: outras cores grupos étnicos não mencionados acima
(vermelhos, cigano, árabe, etc.). Aqui entram também animais , plantas e objetos
descritos na sua cor original, desde que não se enquadre nas categorias acima.
Exemplo: onça pintada, coelho cinza, flor azul, etc.;
d) Cor não explicitada: quando no texto não há qualquer referência à cor do
personagem, ou quando não se pode determiná-la através de parentesco,
ascendente;
e) e) Cor provável: quando a cor do personagem humano não é explicitada e é
dada pela cor explícita parentes na linha ascendente ou descendente (colateral
não vale). Esta regra é válida para todas as categorias, até a 2ª. Geração;
f) A inferência de cor é possível para indivíduo pertencente a um grupo étnico, cuja
cor tenha sido explicitada;
g) Pardo: é considerado pardo todo personagem caracterizado como tal. Todo
personagem que tenha ascendência mista declarada (por exemplo: branco e
negro, branco e índio, índio e negro, etc., mas cuja cor não for explicitada será
classificado num dos itens pardo provável;
h) Foram criadas duas categorias mistas (misto 1 e misto 2);
- misto: no caso de multidões quando se pode inferir a presença simultânea de
personagens brancos e não brancos. Estes últimos podem pertencer a qualquer dos
grupos étnicos não brancos (preto, índio, pardo, outros);
- misto 2: no caso de multidões quando se pode inferir a presença simultânea de
personagens pertencentes a mais de um grupo étnico não branco ( preto, índio,
pardo, outros);
192
i) Cor de olhos e cor de cabelos só será analisada em função do texto. O
personagem será classificado como tendo uma das cores de cabelo ou olhos
previstas, quando houver no texto referência explicita. Exemplo: “o céu da
madrugada havia descido até ele nos olhos azuis e no rosto afogueado da menina”.
( Ribeirinho meu amigo, p.24);
j) Contexto índio e preto: quando a cor/etnia do personagem não é explicitada mas
ele é descrito em contexto étnico homogêneo ( tribo, quilombo), deve-se classificar
em contexto índio ou preto.
2. Regras para classificação da cor na ilustração:
a) Para esta análise as ilustrações devem ser consideradas como um continuum,
isto é, a cor de personagem será decidida em função do conjunto das ilustrações
referentes a ele:
b) Para se classificar um personagem numa determinada cor deve-se considerar ale
da tez, a textura dos cabelos e, algumas vezes, a vestimenta (índios);
c) Os personagens que exclusivamente no texto (não sendo ilustrado), ou cuja
identificação na ilustração não seja possível de ser classificados como não
ilustrados;
d) Personagens que aparecem na ilustração, mas que não puderam ser acoplado a
um personagem do texto, não serão analisados.
3. Lembrete;
a) Personagens históricos, mitológicos, etc. Devem ser sempre analisados neste
item;
b) Multidões, grupos e coletivos devem ser sempre analisados de acordo com este
item;
c) Quando a ilustração tem apenas o fundo colorido e os personagens aparecem em
contorno, não deverão ser classificados em outras cores. A análise da cor neste
caso será indicada por traços, vestimenta. Etc.
V - FORMA DE APREENSÃO DA COR-ETNIA
1 - Explicitada
2- Ilustrada
3- Provável
4- Histórica
193
5-Definida pelo contexto
6- Indeterminada
VI - IDADE OU ETAPA DA VIDA
Coluna K
CATEGORIAS
1 Bebê: recém-nascido, criança de colo;
2 Criança: de 2 a 12 anos aproximadamente;
3 Adolescente: jovem de 13 a 20 anos aproximadamente;
4 Adulto: de 21 anos a 55 anos aproximadamente;
5 Velho: mais de 55 anos;
6 Misto : no caso de multidões quando mais de uma das categorias estiver
presente;
9 Indeterminado: quando não há nenhuma referência à idade do personagem, e
não se puder inferi-la, de acordo com as regras abaixo mencionadas. Entram
aqui também animais, plantas, objetos antropomorfizados, seres fantásticos,
mitológicos ou de outros planetas, cuja idade não puder ser explicitada através
das regras citadas.
1. Regras que permitem a inferência
As regras abaixo mencionadas devem ser consideradas como indicadores
prováveis (e não obrigatórios) de idade. Tais indicadores devem ser
interpretados de acordo com o contexto geral da história:
a) Criança:
- utilização de diminutivo (ex. Joãozinho, Rochedinho);
- comportamentos característicos de criança (ex. brincar, jogar, etc.);
- relação de parentesco (hierarquicamente superior) ou posição no grupo
familiar (ex. fulano é neto, sobrinho, afilhado de alguém. Ser neto, ser sobrinho,
etc.);
- freqüência à escola primária, etc. (ser aluno).
b) Adulto:
- estar na força de trabalho;
- ser casado e/ou pai de família, e/ou morar com filhos pequenos, não adultos;
194
- receber denominação específica de adulto: senhor, senhora, seu, dona,
madame, nha, nhô, etc.;
- relação de parentesco (ex. compadre, tio, cunhado);
- comportamentos característicos de adulto (ex. guia carro, dirige caminhão,
dirige firma, etc.).
c) Velho:
- ser aposentado;
- ser pai de filhos adultos e/ou casados, que trabalham, etc.;
- certas relações de parentesco ou posição no grupo familiar (ex. ter netos,
ser avó de alguém).
2. Lembrete
a) Personagens históricos, mortos, famosos, personagens-personagens, divinos,
religiosos,
Mitológicos e fantásticos devem ser sempre analisados aqui;
b) Multidão, grupo e coletivo igualmente. Entretanto, nestes casos quando não
houver informação, codifica-se como indeterminado;
c) Os personagens históricos e famosos devem ser codificados de acordo com a
idade em
que entraram para a história. Por exemplo: Pelé, será codificado como adulto.
VII - NOME
Coluna L
Código:
0 Multidão ou não é mencionado;
1 O personagem recebe um nome (nome, sobrenome, apelido);
2 O personagem é denominado exclusivamente através de sua profissão. Exemplo:
o dono do bar;
3 O personagem é denominado exclusivamente através de outro atributo próprio.
Exemplo: Dona Flor, Dona Tartaruga, a criança, o aluno, etc.;
4 O personagem é denominado exclusivamente através de sua etnia -
nacionalidade (o negrinho, índio, etc.);
5 O personagem é denominado exclusivamente através de sua função familiar
(exemplo: minha mãe, meu filho, meu tio, etc.);
195
6 O personagem é denominado através de um partitivo (exemplo: filha de João)
referente a alguém de sexo masculino ( exemplo: filho(a) de João, irmã(o)
de Pedro, amiga de Carlos, etc.);
7 O personagem é denominado através de um partitivo referente a alguém de sexo
feminino (filho(a) de Joana, amiga(o) de Regina, etc.);
8 O personagem é denominado através de sua condição de cônjuge (esposa de
Pedro, Joana e seu esposo, etc.).
Observações:
a) As categorias têm posição hierárquica. Em caso de denominações diferentes
utilizarem o item hierarquicamente superior;
b) Quando o personagem é denominado através de sua natureza, mesmo no
caso de se utilizar letra maiúscula (Dona Formiga), deve-se classificá-lo em 3 e
não em 1;
c) Quando o personagem é denominado através de um partitivo referente a
personagens dos 2 sexos (filho dos Fontoura) deve-se classificá-lo em 5;
d) A denominação através do cônjuge deve ser sempre classificada em 8;
e) A denominação através da família pode entrar em 6 (quando não houver partitivo
e não se referir a cônjuge); em 7 (quando houver partitivo e não se referir a
cônjuge) e em 8 (com ou sem partitivo referindo-se a cônjuge).
VIII - NACIONALIDADE
Coluna M
Código:
1 Brasileiro: há menção de sua condição de brasileira. Sabe-se por indícios
indiretos que é brasileiro (nome, local de moradia, etc.) ou na ausência de
qualquer indício, quando o personagem não for descrito como estrangeiro e
morar no Brasil;
2 Estrangeiro no Brasil, vivendo ou de passagem;
3 Estrangeiro fora do Brasil, em seu lugar de origem ou em outro país rea1 ou
fantástico;
4 Misto no Brasil: estrangeiros e não estrangeiros, vivendo de passagem no Brasil;
5 Misto fora do Brasil: estrangeiros e não estrangeiros em seu lugar de
origem ou em outro país real ou fantástico;
196
6 Originário de país fantástico sem outra especificação; indeterminado em país
fantástico;
7 Originário de outro planeta;
8 Estrangeiro em local indeterminado. Ex.: personagens estrangeiros em viagens
marítimas;
9 Indeterminado: quando não há menção de nacionalidade, ou de qualquer
indício (nome, local de moradia, etc.).
Lembrete:
a) Personagens históricos, mitológicos, etc. devem ser sempre analisados neste
item;
b) Multidões, grupos e coletivos igualmente.
IX - CONTEXTO GEOGRÁFICO
Coluna O
A ser analisado principalmente o local de nascimento: na falta deste,
considerar a moradia ou o contexto da história.
Código:
0 Multidão, personagem histórico, morto, famoso, personagem – personagem,
religioso e divino;
1 Capital ou grande cidade;
2 Média e pequena cidade, vila, vilarejo, porto;
3 Cidade cujo tamanho seja impossível de ser determinado;
4 Subúrbio;
5 Meio rural: fazenda, chácara, sítio, castelo;
6 Natureza aberta: mar, rio, floresta, gruta;
7 País fantástico, quando além de ser originário de tais locais, não se pode aplicar
as categorias de 1 a 6;
8 Outro planeta;
9 Indeterminado, não se aplica: quando a informação não pode ser obtida, isto é,
quando não se sabe a origem do personagem, nem onde a história está se
passando.
Observação:
197
a) Na ausência de origem explicitada, classificar pelo local de moradia ou pelo
contexto da história.
X – VIDA E MORTE
Coluna P
Código:
0 - Multidão;
1 - personagem vivo durante toda a história ou quando não há referência explícita à
sua morte (isto é, pertence à classe dos não mortos + vivos + indeterminados)
2 - personagem atuando como vivo mas cuja natureza divina não permite classificá-
lo como vivo.
3 - personagens históricos, famosos, mortos, ou cuja morte não é explicitada;
personagens para os quais não tem sentido se falar em morte uma vez que têm
existência perene.
Estes personagens podem estar apenas citados ou atuar na história, ter
comportamentos descritos;
4 - personagem morre durante a história;
5 - personagem tem a condição de morto durante toda a história;
7 - transformação de natureza equivalente a morte. Ex.: Itai (transformado em
pedra);
9- indeterminado e não se aplica: quando por qualquer razão é impossível
determinar se o personagem está vivo ou morto.
Observações:
a) Personagem-personagem será sempre classificado em 3;
b) Personagem famoso atual será classificado em1.
XI – DEFICIÊNCIAS
Coluna Q
Código:
0 Multidão, personagem histórico, morto, famoso, personagem - personagem,
religioso e divino;
1 O personagem é cego;
2 O personagem é surdo ou mudo;
198
3 O personagem tem deficiência mental;
4 O personagem tem dificuldades de aprendizagem;
5 O personagem teve paralisia cerebral;
6 O personagem tem deficiência da mobilidade;
7 O personagem tem condutas típicas;
8 Personagem tem deficiências múltiplas;
9 O personagem não tem deficiência;
10 O personagem tinha deficiência e depois se cura.
Observação:
a) Não se devem considerar como deficiência física anomalias características da
natureza do personagem (exemplo: saci, curupira, etc.)
XII - IMPORTÂNCIA DO PERSONAGEM
Colunas R
INTRODUÇÃO
Neste item estão previstos alguns atributos (hierarquia, diálogo, ação,
narrador) que visam captar a importância atribuída ao personagem no texto.
As multidões não são analisadas (codificadas em 00) e os personagens
históricos, famosos, mortos, personagens-personagens, religiosos, são analisados
normalmente.
CATEGORIAS
I. Hierarquia
Este atributo, diferentemente dos demais baseia-se numa apreciação mais
qualitativa do texto. Ele objetiva captar a posição hierárquica do personagem na
história como um todo. Deve-se portanto comparar o destaque atribuído a cada
personagem e hierarquizá-los de acordo com as categorias:
a) Principal;
b) Secundário;
c) terciário;
d) não se aplica.
Observações:
199
1. Regras gerais para determinação da hierarquia:
a) Pode-se classificar numa mesma história mais de um personagem como
principal. Esta regra vale também para personagens secundários e terciários;
2. Regras específicas sobre a importância dos personagens:
a) Consideramos personagem principal aquele em torno do qual se desenvolve a
trama da história. Isto pode ser operacionalizado através das seguintes
situações:
- quando o personagem aparece do início ao fim da história numa posição de
destaque;
- quando ele conduz a trama da história;
- quando a maioria das ações dos outros personagens são realizadas em função
dele;
- quando o personagem dá título ao texto;
- quando o personagem é mais bem descrito que os demais.
NOTA: o herói é sempre personagem principal.
b) Consideramos personagem secundário aquele que participa da trama da história
sem o destaque atribuído aos principais. Ele assume uma posição de segundo
plano sendo equivalente a coadjuvante;
c) Consideramos personagem terciário aquele que “participa” da história apenas
como pano fundo, isto é, a trama central poderia desenvolver-se perfeitamente
sem a sua presença. Isto pode ser operacionalizado pelas seguintes situações:
- quando o personagem é apenas citado;
- quando o personagem aparece apenas em alguns momentos da história (em
"flashes”) .
Código:
1 Personagem principal;
2 Personagem secundário;
3 Personagem terciário;
9 Não se aplica
200
XIII. DIÁLOGO
1 O personagem fala. A fala do personagem aparece em forma de discurso direto
com uso de travessão, ou aspas, quando substituem o travessão (carta é
considerada fala direta);
2 Personagem não fala diretamente. Sua fala é transcrita pelo narrador principal ou
por qualquer outro personagem. Citação é considerada fala indireta;
3 Personagem não tem fala direta nem indireta;
9 Não se aplicam: quando o personagem não aprendeu a falar (bebê, por exemplo)
ou é mudo.
Observações:
a) Diálogo não deve ser confundido com citação ( que geralmente vem entre
aspas);
b) Certos textos envolvendo duas narrativas (história dentro da história) podem
apresentar dificuldades para codificação da fala. Nestes casos, quando o
personagem pertencente à narrativa mais englobante transcrever uma fala (entre
aspas ou antecedida de travessão) de um personagem pertencente à história
que está narrando, deve-se considerar esta fala como sendo direta.
XIV NARRADOR
1 É narrador de sua própria história (história na primeira pessoa);
2 É narrador da história principal dentro do livro (sendo a narrativa na terceira
pessoa);
3 Personagem torna-se narrador temporariamente, não é nem o autor nem o
narrador principal;
4 A narrativa é na terceira pessoa;
5 Não é narrador.
XV. AÇÃO
1 O personagem tem ação própria (no caso de narrativa em primeira pessoa) ou
descrita pelo narrador ( qualquer narrados, não necessariamente o principal);
201
2 O personagem tem ação descrita por outro que não o narrador ( ex: Joãozinho
fala: Pedro me atirou uma pedra. Neste caso Pedro entra nesta categoria);
3 O personagem não tem ação: ele é apenas citado ou mencionado e não emite
nenhum comportamento.
Observações:
a) Os comportamentos verbais não são considerados ação;
b) Os verbos de ligação (ser, estar, ficar, haver, permanecer) não indicam ação.
XVI - LÍNGUA E LINGUAGEM
Coluna S
Código:
0 multidão, não fala no texto;
1 O personagem fala corretamente ou não há indícios de incorreção na linguagem;
2 O personagem fala incorretamente: tem sotaque, erra a concordância, é gago,
etc.
Observação:
Para ser codificado em 2 o personagem deve falar sistematicamente errado,
isto é, deve ser uma qualidade inerente à seu ser.
XVII - RELIGIÃO
Coluna T
Código:
0 multidão;
1 Ausente: não há qualquer menção sobre religião;
2 Católica: quando há menção explícita ou presença de indícios indiretos de
catolicismo participa de festa religiosa católica, vai à missa, procissão, etc.;
3 Cristã não católica;
4 Espírita-personagens que revelam crença na reencarnação;
5 Judaica;
6 Afro-brasileira (candomblé, umbanda e outras)
7 Outras religiões que não as previstas (inclusive mitologia grega e indígena), ou
quando o personagem é crente sem que se conheça sua religião;
8 Cristã em geral (católica e não católica). Ex.: Jesus Cristo, apóstolos e sagrada
família no início da cristandade;
202
9 Ateu, não tem religião;
10 Divindades em geral. Deus;, Alá, Jeová, Tupã, deuses da mitologia, Nossa
Senhora, Jesus, Anjos, Diabo.
Observações:
a) Os indícios de pertencer ou adotar uma religião são tanto diretos quanto
indiretos. Neste caso, particular de manifestação religiosa de qualquer crença é
indicação suficiente para classificar-se o personagem como pertencendo a uma
religião;
b) Personagens assumindo natureza religiosa (santo, etc.) ou exercendo funções
religiosas (Sacerdote, pastor, médium, pajé, etc. ) serão sempre classificados
como religiosos, na categoria apropriada à sua religião.
XVIII - VALOR DO PERSONAGEM
Coluna U
Código:
0 multidão;
1 Personagem positivo ou neutro;
2 Personagem negativo: antipático, mau, ladrão, etc., isto é, quando executa más
ações;
3 Personagem evolui de positivo ou neutro para negativo, no transcorrer do texto;
4 Personagem evolui de negativo para positivo ou neutro, no transcorrer do texto;
9 Indeterminado: anti-herói com valor negativo mas apresentado de maneira
favorável.
Observação:
O aspecto negativo do personagem para ser classificado em 2, 3 ou 4 deve
ser essencial (qualidade) e não apenas circunstancial.
XIX - PROFISSÃO
Colunas V
Código:
0 O personagem não tem uma profissão ou ocupação ou não há referência
explícita a sua ocupação ou profissão;
1 O personagem exerce uma profissão ou tem uma ocupação "latu sensu";
203
2 O personagem já exerceu uma ocupação ou profissão (aposentado); também
quando o personagem deixa de exercer a ocupação por motivos de perda ou fica
desempregado;
3 A natureza do personagem (geralmente objeto antropomorfizados) confunde-se
com ocupação ou profissão (exemplos: instrumentos de trabalho
antropomorfizados); trabalhos de animais antropomorfizados próprios de sua
natureza. Ex. jumento, cavalo (dependendo do contexto), cigarra, formiga, etc;
4 casos duvidosos: quando não se tem certeza se o personagem exerce uma
profissão ou tem uma ocupação. Quando, por exemplo, uma atividade de lazer
pode se constituir em profissão (caçador, pescador, etc.);
5 misto: em caso da multidões, quando há indícios que uma parte entraria na
categoria 1 e a outra nas categorias de 2 a 5 e 7;
6 profissão esotérica: pirata, bandido, ladrão, contrabandista, feiticeiro, curandeiro,
cavaleiro andante.
Observações:
1. Conceito de ocupação aqui adotado é bastante amplo. São consideradas
ocupações:
a) Cargo de chefia e comando institucionalizados (presidente, rei, rainha, patrão,
empregado, ministro, etc.);
b) Indicador de posse associada a fonte de rendas (fazendeiro, capitalista, dono de
fábrica, bar, etc.);
c) Cargo religioso (padre, pajé, irmã de caridade, etc.);
d) Atividades artísticas profissionais (músico,bailarino,etc.);
e) Atividade doméstica remunerada (empregado doméstico, costurar, bordar, etc.,
por encomenda).
2. Lembrete:
a) Personagens históricos, mitológicos, etc. devem ser sempre analisados neste;
b) Multidão, grupo ou coletivo igualmente.
XX - ATIVIDADE ESCOLAR
Coluna W
Código:
0 Multidão, grupo
204
1 o personagem não estuda regularmente ou não há referência explícita ao feito de
ter estudado;
2 o personagem estuda, isto é, freqüenta escola, mesmo que durante a história
esteja de férias;
3 o personagem não estuda e passa a estudar;
4 o personagem estudou no seu passado pessoal ou no passado da história;
5 O personagem estuda ou estudou exclusivamente atividade artística (canto, balé,
etc.) ou outros cursos não escolares ( línguas, corte e costura, catecismo,
datilografia);
Observações:
1) as categorias 1, 2, 3 e 4 são exclusivamente válidas para atividade escolar
regular;
2) alunos, discípulos, estudantes entram na categoria 2, quando não houver outra
indicação;
3) os grupos, multidões e coletivos devem ser sempre analisados quanto a este
item;
4) estudar significa freqüentar escola;
5) para entrar em 4 ou 5 precisa ter estudado explicitamente.
RELAÇÕES DE PARENTESCO
INTRODUÇÃO
As relações de parentesco serão exaustivamente analisadas. Optamos por
efetuar análises independentes (cada relação ocupa uma coluna) a fim de facilitar o
trabalho de codificação.
REGRA GERAL
As relações de parentesco só deverão ser analisadas quando forem
explicitamente mencionadas. A inferência é apenas permitida nos seguintes casos:
a) havendo menção que um dos cônjuges possui filhos, netos, sobrinhos ou
afilhados, pode-se inferir que o outro cônjuge também possui essas relações de
parentesco, a menos que haja informação explicita em contrário;
205
b) havendo menção que um filho possua pai (ou mãe) e que este (ou esta) é
casado (a) pode-se inferir a filiação para o personagem, a menos que haja
informação explícita em contrário;
c) havendo menção que um irmão possui pais, avós, tios, primos, antepassados ou
outros irmãos, todos os irmãos terão estas mesmas relações de parentesco a
menos que haja informações explícitas em contrário;
d) quando um personagem é denominado como pai, mãe, tio, isto não é o suficiente
para classificá-los como tendo filhos ou sobrinhos, a menos que estes apareçam
ou sejam citados.
Exemplos:
a) Casos em que a inferência não é permitida: .
No livro A velha que tinha um gato aparecem 2 personagens: avó e neto. Os pais
não são mencionados. Neste caso deve-se considerar como presente apenas a
relação recíproca avó e neto.
Em outro livro, R.beirinho meu amigo, encontramos Ribeirinho e seu primo
Ri.beirão. Mesmo sabendo que Dona Fonte é mãe de Ribeirinho não se deve porém
codificá-la como tia de Ribeirão pois esta relação não é explicitada na história.
b) Casos em que a inferência deve ser feita:
No livro Proezas na roça, sabemos que Zezinho é filho de Dona Maruca e seu
Quinzinho. Zezinho possui três irmãs. Neste caso, mesmo que não seja
explicitamente dito que seu Quinzinho e dona Maruca sejam pais das três meninas,
elas devem ser analisadas como tendo pai e mãe.
Do mesmo modo, no livro Ribeirinho meu amigo encontramos a seguinte
passagem (p. 38):
“... uma choupana onde morava Tião com a Josefina e mais cinco filhos. Mas
Ribeirinho ficou ali mesmo perto da escada da choupana de Tião. ( ... ) E duas
coisas lhe agradaram muito: os marrequinhos e os filhos de Tião”.
Neste caso Tião e Josefina serão marido e mulher, obrigatoriamente ( a menos
que haja informação explícita em contrário) os filhos de Tião serão codificados como
tendo pai e mãe mencionados.
206
XXI – RELAÇÃO CONJUGAL
Coluna Y
As categorias descrevendo a relação conjugal dos personagens procuram
analisar tanto o estado civil quanto a presença ou ausência do cônjuge. Aqui serão
analisados exclusivamente personagens individuais (multidões, grupos e coletivos
não serão analisados).
Categorias
a) cônjuge descrito: quando o cônjuge do personagem em questão foi descrito;
b) cônjuge não descrito: quando o personagem em questão é passível de possuir
cônjuge (condição de casado explicitada, paternidade declarada) mas este não
foi mencionado, isto é, o personagem não é solteiro mas seu cônjuge não foi
referido;
c) cônjuge morto: quando o personagem é viúvo;
d) cônjuge vivo: quando o personagem possui cônjuge vivo;
e) novo casamento: quando o personagem é viúvo e casa-se pela segunda vez;
f) não há novo casamento: quando o personagem é viúvo e não se casa uma
segunda vez ou não há referência a novo casamento;
g) solteiro: quando a condição de solteiro é explicitada ou quando se trata de
crianças ou certas ocupações que impliquem na condição de solteiro (Ex.:
religiosos da religião católica);
h) outros: outras situações conjugais como separado, desquitado, etc.;
i) indeterminado e não se aplica: personagens jovens, adultos ou velhos, humanos
ou antropomorfizados, cuja a condição conjugal não for declarada e não
entrarem nas categorias 4,5 e 6.
CÓDIGO
0 – Multidão
1 – descrita
2 – não descrita
9 - Indeterminado
207
XXII - RELAÇÃO DE PARENTESCO ENTRE PERSONAGENS: PAIS
BIOLÓGICOS
Coluna Z
O personagem possui:
Código:
0 multidão, personagem histórico, morto, famoso, pers. - pers., religioso e divino;
1 pai e mãe mencionados;
2 pai mencionado
3 mãe mencionada;
4 não mencionados
XXIII - RELAÇÃO DE PARENTESCO ENTRE PERSONAGENS: PAIS ADOTIVOS
Coluna AA
O personagem possui:
Código:
0 multidão, personagem histórico, morto, famoso, pers. - pers., religioso e divino;
1 pai e mãe adotivos;
2 mãe adotiva;
3 pai adotivo;
9 não possui pais adotivos ou não são mencionados.
Observações:
a) ser adotado não significa obrigatoriamente que o processo seja legal;
b) mãe e/ou pai adotivos devem ser entendidos como mulher e/ou homem que
exercem a função de pai e/ou mãe.
XXIV - RELAÇÃO DE PARENTESCO ENTRE PERSONAGENS: FILHOS
BIOLÓGICOS
Coluna AB
O personagem possui:
Código:
0 multidão, personagem histórico, morto, famoso, pers. - pers., religioso e divino;
1 filho (s) de sexo masculino;
208
2 filha (s);
3 filho (s) e filha (s);
4 filho (s) cujo o sexo é indeterminado;
9 não possui filhos biológicos ou eles não são mencionados.
XXV- RELAÇÃO DE PARENTESCO ENTRE PERSONAGENS: FILHOS
ADOTIVOS
Coluna AC
O personagem possui:
Código:
0 multidão, personagem histórico, morto, famoso, pers. - pers., religioso e divino;
1 filho (s) adotivo (s) de sexo masculino;
2 filha (s) adotiva (s);
3 filho (s) e filha (s) adotivo (s);
4 filho (s) adotivo (s) cujo sexo é indeterminado;
9 não possui filhos adotivos, ou não são mencionados.
XXVI- RELAÇÃO DE PARENTESCO ENTRE PERSONAGENS: IRMÃOS
Coluna AD
O personagem possui:
Código:
0 multidão, personagem histórico, morto, famoso, pers. - pers., religioso e divino;
1 irmãos biológicos;
2 irmãos de criação;
3 irmãos biológicos e de criação;
4 o personagem é descrito como filho único;
9 não há referência a irmãos, isto é, não se sabe se o personagem é filho único ou
não.
XXVII- RELAÇÃO DE PARENTESCO ENTRE PERSONAGENS: POSIÇÃO NA
FAMÍLIA: IRMÃOS
Coluna AE
O personagem é:
Código:
209
0 multidão, personagem histórico, morto, famoso, pers. - pers., religioso e divino;
1 filho mais velho;
2 filho do meio (qualquer posição intermediária);
3 filho mais novo;
4 não há referência à hierarquia, quando o personagem tem irmãos;
9 não se aplica: o personagem é filho único, ou não há referência a irmãos
(gêmeos).
XXVIII - RELAÇÃO DE PARENTESCO ENTRE PERSONAGENS: FAMÍLIA AMPLA
HIERARQUICAMENTE SUPERIOR
Coluna AF
O personagem possui:
Código:
0 multidão, personagem histórico, morto, famoso, pers. - pers., religioso e divino;
1 padrinho (s);
2 tio (s);
3 avó (s);
4 tio (s) e padrinho (s);
5 avó (s) e padrinho (s);
6 avó (s) e tio (s);
7 avó (s), tio (s), padrinho (s);
9 não possui outros parentes, ou não são mencionados.
Observação:
Quando aparecer bisavô, tataravô, ou antepassados em geral, eles devem ser
incluídos na categoria avô.
XXIX - RELAÇÃO DE PARENTESCO ENTRE PERSONAGENS: FAMÍLIA AMPLA
HIERARQUICAMENTE INFERIOR
Coluna AG
O personagem possui:
Código:
0 multidão, personagem histórico, morto, famoso, pers. - pers., religioso e divino;
1 afilhado (s);
2 sobrinho (s);
210
3 neto (s);
4 sobrinho (s) e afilhado (s);
5 neto (s) e filhados(s);
6 neto (s) e sobrinho (s);
7 neto (s), sobrinho (s) e afilhado (s);
9 não possui outros parentes, ou não são mencionados.
Observação:
Quando aparecer bisnetos, tataranetos, etc. devem ser incluídos na categoria
neto.
XXX - RELAÇÃO DE PARENTESCO ENTRE PERSONAGENS: FAMÍLIA AMPLA
SEM HIERARQUIA
Coluna AH
O personagem possui:
Código:
0 multidão, personagem histórico, morto, famoso, pers. - pers., divino e religioso;
1 compadre (s);
2 cunhado (s);
3 primo (s);
4 cunhado (s), compadre (s);
5 primo (s), compadre (s);
6 primo (s), cunhado (s);
7 primo (s), cunhado (s), compadre (s);
9 não possui outros parentes ou não são mencionados.
XXXI - RELAÇÃO DE PARENTESCO ENTRE PERSONAGENS: FAMÍLIA GERAL
Coluna AI
Neste item será codificada a presença ou ausência de relação de parentesco
entre os personagens:
Código:
0 multidão, personagem histórico, morto, famoso, pers. - pers., divino e religioso;
1 possui pelo menos uma relação de parentesco;
2 não possui qualquer relação de parentesco.
211
XXXII- INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES
Coluna AJ
INTRODUÇÃO
Como foi visto nas Regras Gerais deste Manual, alguns itens, quando
ausentes do texto, serão classificados com informações provenientes de outras
fontes. Neste sentido, para tais personagens, a unidade de contexto não é a
história.
As razões que determinaram esta escolha são pertinentes para os objetivos
desta pesquisa: tentar caracterizar ao máximo a pseudo - neutralidade da ausência
de informação a respeito de certos atributos. Na medida, porém, que estas
informações não são provenientes do texto, foi necessário que se criasse um item
indicando que para certos personagens a unidade de contexto não é o texto de
leitura.
Código:
1 informações provenientes do texto;
2 todas as informações são exteriores ao texto;
3 religião e profissão são exteriores ao texto;
4 profissão e nacionalidade são exteriores ao texto;
5 religião e nacionalidade são exteriores ao texto;
6 profissão é exterior ao texto;
7 nacionalidade é exterior ao texto;
8 religião é exterior ao texto.
CLASSIFICAÇÃO DAS OCUPAÇÕES
Colunas AL, AM, AN
Foram utilizados os estratos sociais construídos por Pinto (1981), a
partir do agrupamento dos grupos profissionais em três conjuntos:
1 Estrato superior:
- altos cargos políticos e administrativos, proprietários de grandes empresas e
assemelhados;
- profissionais liberais, cargos de gerência, proprietários de empresas de tamanho
médio;
- altos cargos religiosos;
212
- descobridor, navegador, colonizador, bandeirante.
2 Estrato médio:
- pequenos proprietários, posições de supervisão ou inspeção;
- ocupações não manuais de rotina e assemelhadas;
- outros cargos religiosos (padre, freira, pastor, etc.);
- guerreiro
3 Estrato inferior:
- ocupações manuais especializadas e assemelhadas;
- ocupações manuais não-especializadas;
- supervisão de trabalho manual e ocupações assemelhadas.
Classificação das ocupações conforme Bazilli, 1997, p. 150-160.
213
ANEXO 4 – CRUZAMENTO DE PERSONAGEM NO TEXTO
no. livro * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 3 4 5 6 7 9
Total
Count 1 0 0 0 0 0 2 3 6
% within no. livro 16,7% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 33,3% 50,0% 100,0%
1
% within cor-etnia ,7% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 1,9% 1,9% 1,3%
Count 0 0 0 0 0 0 7 1 8
% within no. livro ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 87,5% 12,5% 100,0%
2
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 6,7% ,6% 1,7%
Count 10 0 0 0 0 0 2 5 17
% within no. livro 58,8% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 11,8% 29,4% 100,0%
3
% within cor-etnia 6,6% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 1,9% 3,2% 3,6%
Count 10 1 0 0 0 6 6 35 58
% within no. livro 17,2% 1,7% ,0% ,0% ,0% 10,3% 10,3% 60,3% 100,0%
4
% within cor-etnia 6,6% 8,3% ,0% ,0% ,0% 30,0% 5,8% 22,7% 12,4%
Count 8 0 0 0 0 0 6 12 26
% within no. livro 30,8% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 23,1% 46,2% 100,0%
5
% within cor-etnia 5,3% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 5,8% 7,8% 5,6%
Count 8 1 0 0 0 0 14 11 34
% within no. livro 23,5% 2,9% ,0% ,0% ,0% ,0% 41,2% 32,4% 100,0%
6
% within cor-etnia 5,3% 8,3% ,0% ,0% ,0% ,0% 13,5% 7,1% 7,3%
Count 2 0 0 0 0 0 8 9 19
% within no. livro 10,5% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 42,1% 47,4% 100,0%
7
% within cor-etnia 1,3% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 7,7% 5,8% 4,1%
Count 5 0 0 0 0 0 5 3 13
% within no. livro 38,5% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 38,5% 23,1% 100,0%
8
% within cor-etnia 3,3% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 4,8% 1,9% 2,8%
Count 3 2 0 0 0 1 6 5 17
% within no. livro 17,6% 11,8% ,0% ,0% ,0% 5,9% 35,3% 29,4% 100,0%
9
% within cor-etnia 2,0% 16,7% ,0% ,0% ,0% 5,0% 5,8% 3,2% 3,6%
no. livro
10 Count 6 0 0 0 0 0 5 4 15
214
% within no. livro 40,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 33,3% 26,7% 100,0%
% within cor-etnia 3,9% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 4,8% 2,6% 3,2%
Count 5 1 0 0 0 0 6 18 30
% within no. livro 16,7% 3,3% ,0% ,0% ,0% ,0% 20,0% 60,0% 100,0%
11
% within cor-etnia 3,3% 8,3% ,0% ,0% ,0% ,0% 5,8% 11,7% 6,4%
Count 0 0 0 0 0 0 3 2 5
% within no. livro ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 60,0% 40,0% 100,0%
12
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 2,9% 1,3% 1,1%
Count 2 4 1 1 0 2 1 3 14
% within no. livro 14,3% 28,6% 7,1% 7,1% ,0% 14,3% 7,1% 21,4% 100,0%
13
% within cor-etnia 1,3% 33,3% 16,7% 6,7% ,0% 10,0% 1,0% 1,9% 3,0%
Count 1 0 0 1 0 1 0 7 10
% within no. livro 10,0% ,0% ,0% 10,0% ,0% 10,0% ,0% 70,0% 100,0%
14
% within cor-etnia ,7% ,0% ,0% 6,7% ,0% 5,0% ,0% 4,5% 2,1%
Count 2 0 0 0 0 0 13 7 22
% within no. livro 9,1% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 59,1% 31,8% 100,0%
15
% within cor-etnia 1,3% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 12,5% 4,5% 4,7%
Count 11 0 0 0 0 2 2 5 20
% within no. livro 55,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 10,0% 10,0% 25,0% 100,0%
16
% within cor-etnia 7,2% ,0% ,0% ,0% ,0% 10,0% 1,9% 3,2% 4,3%
Count 30 0 0 0 2 1 8 6 47
% within no. livro 63,8% ,0% ,0% ,0% 4,3% 2,1% 17,0% 12,8% 100,0%
17
% within cor-etnia 19,7% ,0% ,0% ,0% 50,0% 5,0% 7,7% 3,9% 10,1%
Count 48 3 5 3 1 7 9 7 83
% within no. livro 57,8% 3,6% 6,0% 3,6% 1,2% 8,4% 10,8% 8,4% 100,0%
18
% within cor-etnia 31,6% 25,0% 83,3% 20,0% 25,0% 35,0% 8,7% 4,5% 17,8%
Count 0 0 0 5 0 0 0 4 9
% within no. livro ,0% ,0% ,0% 55,6% ,0% ,0% ,0% 44,4% 100,0%
19
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% 33,3% ,0% ,0% ,0% 2,6% 1,9%
Count 0 0 0 5 1 0 1 7 14
% within no. livro ,0% ,0% ,0% 35,7% 7,1% ,0% 7,1% 50,0% 100,0%
20
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% 33,3% 25,0% ,0% 1,0% 4,5% 3,0%
Total Count 152 12 6 15 4 20 104 154 467
215
% within no. livro 32,5% 2,6% 1,3% 3,2% ,9% 4,3% 22,3% 33,0% 100,0%
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
natureza * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 3 4 5 6 7 9
Total
Count 135 7 4 7 4 17 69 103 346
% within natureza 39,0% 2,0% 1,2% 2,0% 1,2% 4,9% 19,9% 29,8% 100,0%
1
% within cor-etnia 88,8% 58,3% 66,7% 46,7% 100,0% 85,0% 66,3% 66,9% 74,1%
Count 13 4 2 5 0 3 35 45 107
% within natureza 12,1% 3,7% 1,9% 4,7% ,0% 2,8% 32,7% 42,1% 100,0%
2
% within cor-etnia 8,6% 33,3% 33,3% 33,3% ,0% 15,0% 33,7% 29,2% 22,9%
Count 4 1 0 3 0 0 0 5 13
% within natureza 30,8% 7,7% ,0% 23,1% ,0% ,0% ,0% 38,5% 100,0%
3
% within cor-etnia 2,6% 8,3% ,0% 20,0% ,0% ,0% ,0% 3,2% 2,8%
Count 0 0 0 0 0 0 0 1 1
% within natureza ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0% 100,0%
natureza
4
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,6% ,2%
Count 152 12 6 15 4 20 104 154 467
% within natureza 32,5% 2,6% 1,3% 3,2% ,9% 4,3% 22,3% 33,0% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
individualidade * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 3 4 5 6 7 9
Total
Count 150 12 6 10 4 15 89 105 391
% within individualidade 38,4% 3,1% 1,5% 2,6% 1,0% 3,8% 22,8% 26,9% 100,0%
1
% within cor-etnia 98,7% 100,0% 100,0% 66,7% 100,0% 75,0% 85,6% 68,2% 83,7%
individualidade
2 Count 2 0 0 5 0 5 15 49 76
216
% within individualidade 2,6% ,0% ,0% 6,6% ,0% 6,6% 19,7% 64,5% 100,0%
% within cor-etnia 1,3% ,0% ,0% 33,3% ,0% 25,0% 14,4% 31,8% 16,3%
Count 152 12 6 15 4 20 104 154 467
% within individualidade 32,5% 2,6% 1,3% 3,2% ,9% 4,3% 22,3% 33,0% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0
%
100,0% 100,0
%
100,0
%
100,0% 100,0%
sexo * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 3 4 5 6 7 9
Total
Count 132 10 5 7 4 13 90 48 309
% within sexo 42,7% 3,2% 1,6% 2,3% 1,3% 4,2% 29,1% 15,5% 100,0%
1
% within cor-etnia 86,8% 83,3% 83,3% 46,7% 100,0% 65,0% 86,5% 31,2% 66,2%
Count 0 0 0 0 0 0 0 2 2
% within sexo ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0% 100,0%
2
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 1,3% ,4%
Count 19 2 1 3 0 0 4 6 35
% within sexo 54,3% 5,7% 2,9% 8,6% ,0% ,0% 11,4% 17,1% 100,0%
3
% within cor-etnia 12,5% 16,7% 16,7% 20,0% ,0% ,0% 3,8% 3,9% 7,5%
Count 1 0 0 4 0 4 8 50 67
% within sexo 1,5% ,0% ,0% 6,0% ,0% 6,0% 11,9% 74,6% 100,0%
4
% within cor-etnia ,7% ,0% ,0% 26,7% ,0% 20,0% 7,7% 32,5% 14,3%
Count 0 0 0 0 0 2 0 2 4
% within sexo ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 50,0% ,0% 50,0% 100,0%
5
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 10,0% ,0% 1,3% ,9%
Count 0 0 0 1 0 1 0 8 10
% within sexo ,0% ,0% ,0% 10,0% ,0% 10,0% ,0% 80,0% 100,0%
7
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% 6,7% ,0% 5,0% ,0% 5,2% 2,1%
Count 0 0 0 0 0 0 0 25 25
% within sexo ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0% 100,0%
8
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 16,2% 5,4%
Count 0 0 0 0 0 0 2 13 15
sexo
9
% within sexo ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 13,3% 86,7% 100,0%
217
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 1,9% 8,4% 3,2%
Count 152 12 6 15 4 20 104 154 467
% within sexo 32,5% 2,6% 1,3% 3,2% ,9% 4,3% 22,3% 33,0% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
forma de apreensão * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 3 4 5 6 7 9
Total
Count 1 4 0 12 0 0 0 0 17
% within forma de apreensão 5,9% 23,5% ,0% 70,6% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
1
% within cor-etnia ,7% 33,3% ,0% 80,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 3,6%
Count 7 3 0 0 0 0 0 1 11
% within forma de apreensão 63,6% 27,3% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 9,1% 100,0%
2
% within cor-etnia 4,6% 25,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,6% 2,4%
Count 22 0 5 3 0 4 93 1 128
% within forma de apreensão 17,2% ,0% 3,9% 2,3% ,0% 3,1% 72,7% ,8% 100,0%
3
% within cor-etnia 14,5% ,0% 83,3% 20,0% ,0% 20,0% 89,4% ,6% 27,4%
Count 114 5 1 0 4 16 6 1 147
% within forma de apreensão 77,6% 3,4% ,7% ,0% 2,7% 10,9% 4,1% ,7% 100,0%
4
% within cor-etnia 75,0% 41,7% 16,7% ,0% 100,0% 80,0% 5,8% ,6% 31,5%
Count 4 0 0 0 0 0 0 2 6
% within forma de apreensão 66,7% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 33,3% 100,0%
5
% within cor-etnia 2,6% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 1,3% 1,3%
Count 1 0 0 0 0 0 0 0 1
% within forma de apreensão 100,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
7
% within cor-etnia ,7% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,2%
Count 3 0 0 0 0 0 5 149 157
% within forma de apreensão 1,9% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 3,2% 94,9% 100,0%
forma de
apreensão
9
% within cor-etnia 2,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 4,8% 96,8% 33,6%
Count 152 12 6 15 4 20 104 154 467
% within forma de apreensão 32,5% 2,6% 1,3% 3,2% ,9% 4,3% 22,3% 33,0% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
218
idade/etapa * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 3 4 5 6 7 9
Total
Count 1 0 0 0 0 0 1 0 2
% within idade/etapa 50,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 50,0% ,0% 100,0%
1
% within cor-etnia ,7% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 1,0% ,0% ,4%
Count 1 0 0 0 0 0 0 5 6
% within idade/etapa 16,7% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 83,3% 100,0%
2
% within cor-etnia ,7% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 3,2% 1,3%
Count 2 0 0 0 0 0 0 7 9
% within idade/etapa 22,2% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 77,8% 100,0%
3
% within cor-etnia 1,3% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 4,5% 1,9%
Count 145 12 6 11 4 16 82 69 345
% within idade/etapa 42,0% 3,5% 1,7% 3,2% 1,2% 4,6% 23,8% 20,0% 100,0%
4
% within cor-etnia 96,0% 100,0% 100,0% 73,3% 100,0% 80,0% 78,8% 44,8% 74,0%
Count 2 0 0 0 0 0 13 1 16
% within idade/etapa 12,5% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 81,3% 6,3% 100,0%
5
% within cor-etnia 1,3% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 12,5% ,6% 3,4%
Count 0 0 0 4 0 4 4 18 30
% within idade/etapa ,0% ,0% ,0% 13,3% ,0% 13,3% 13,3% 60,0% 100,0%
6
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% 26,7% ,0% 20,0% 3,8% 11,7% 6,4%
Count 0 0 0 0 0 0 4 54 58
% within idade/etapa ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 6,9% 93,1% 100,0%
idade/etapa
9
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 3,8% 35,1% 12,4%
Count 151 12 6 15 4 20 104 154 466
% within idade/etapa 32,4% 2,6% 1,3% 3,2% ,9% 4,3% 22,3% 33,0% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
nome * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 3 4 5 6 7 9
Total
Count 0 0 0 0 0 0 2 10 12nome 0
% within nome ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 16,7% 83,3% 100,0%
219
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 1,9% 6,5% 2,6%
Count 148 12 6 6 4 18 96 59 349
% within nome 42,4% 3,4% 1,7% 1,7% 1,1% 5,2% 27,5% 16,9% 100,0%
1
% within cor-etnia 97,4% 100,0% 100,0% 40,0% 100,0% 90,0% 92,3% 38,3% 74,7%
Count 0 0 0 0 0 0 1 0 1
% within nome ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0% ,0% 100,0%
2
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 1,0% ,0% ,2%
Count 3 0 0 9 0 2 5 85 104
% within nome 2,9% ,0% ,0% 8,7% ,0% 1,9% 4,8% 81,7% 100,0%
3
% within cor-etnia 2,0% ,0% ,0% 60,0% ,0% 10,0% 4,8% 55,2% 22,3%
Count 1 0 0 0 0 0 0 0 1
% within nome 100,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
4
% within cor-etnia ,7% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,2%
Count 152 12 6 15 4 20 104 154 467
% within nome 32,5% 2,6% 1,3% 3,2% ,9% 4,3% 22,3% 33,0% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
idade/etapa * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 3 4 5 6 7 9
Total
Count 1 0 0 0 0 0 1 0 2
% within idade/etapa 50,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 50,0% ,0% 100,0%
1
% within cor-etnia ,7% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 1,0% ,0% ,4%
Count 1 0 0 0 0 0 0 5 6
% within idade/etapa 16,7% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 83,3% 100,0%
2
% within cor-etnia ,7% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 3,2% 1,3%
Count 2 0 0 0 0 0 0 7 9
% within idade/etapa 22,2% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 77,8% 100,0%
3
% within cor-etnia 1,3% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 4,5% 1,9%
Count 145 12 6 11 4 16 82 69 345
% within idade/etapa 42,0% 3,5% 1,7% 3,2% 1,2% 4,6% 23,8% 20,0% 100,0%
4
% within cor-etnia 96,0% 100,0% 100,0% 73,3% 100,0% 80,0% 78,8% 44,8% 74,0%
idade/etapa
5 Count 2 0 0 0 0 0 13 1 16
220
% within idade/etapa 12,5% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 81,3% 6,3% 100,0%
% within cor-etnia 1,3% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 12,5% ,6% 3,4%
Count 0 0 0 4 0 4 4 18 30
% within idade/etapa ,0% ,0% ,0% 13,3% ,0% 13,3% 13,3% 60,0% 100,0%
6
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% 26,7% ,0% 20,0% 3,8% 11,7% 6,4%
Count 0 0 0 0 0 0 4 54 58
% within idade/etapa ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 6,9% 93,1% 100,0%
9
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 3,8% 35,1% 12,4%
Count 151 12 6 15 4 20 104 154 466
% within idade/etapa 32,4% 2,6% 1,3% 3,2% ,9% 4,3% 22,3% 33,0% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0
%
100,0% 100,0
%
100,0% 100,0% 100,0%
nacionalidade * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 3 4 5 6 7 9
Total
Count 11 1 0 1 0 0 0 1 14
% within nacionalidade 78,6% 7,1% ,0% 7,1% ,0% ,0% ,0% 7,1% 100,0%
1
% within cor-etnia 7,2% 8,3% ,0% 6,7% ,0% ,0% ,0% ,6% 3,0%
Count 9 0 3 0 0 5 18 11 46
% within nacionalidade 19,6% ,0% 6,5% ,0% ,0% 10,9% 39,1% 23,9% 100,0%
3
% within cor-etnia 5,9% ,0% 50,0% ,0% ,0% 25,0% 17,3% 7,1% 9,9%
Count 0 0 0 0 0 0 2 0 2
% within nacionalidade ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0% ,0% 100,0%
5
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 1,9% ,0% ,4%
Count 0 0 1 0 0 0 0 0 1
% within nacionalidade ,0% ,0% 100,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
8
% within cor-etnia ,0% ,0% 16,7% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,2%
Count 132 11 2 14 4 15 84 142 404
% within nacionalidade 32,7% 2,7% ,5% 3,5% 1,0% 3,7% 20,8% 35,1% 100,0%
nacionalidade
9
75,0% 80,8% 92,2%% within cor-etnia 86,8% 91,7% 33,3% 93,3% 100,0% 86,5%
Total Count 152 12 6 15 4 20 104 154 467
221
% within nacionalidade 32,5% 2,6% 1,3% 3,2% ,9% 4,3% 22,3% 33,0% 100,0%
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
idade/etapa * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 3 4 5 6 7 9
Total
Count 1 0 0 0 0 0 1 0 2
% within idade/etapa 50,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 50,0% ,0% 100,0%
1
% within cor-etnia ,7% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 1,0% ,0% ,4%
Count 1 0 0 0 0 0 0 5 6
% within idade/etapa 16,7% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 83,3% 100,0%
2
% within cor-etnia ,7% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 3,2% 1,3%
Count 2 0 0 0 0 0 0 7 9
% within idade/etapa 22,2% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 77,8% 100,0%
3
% within cor-etnia 1,3% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 4,5% 1,9%
Count 145 12 6 11 4 16 82 69 345
% within idade/etapa 42,0% 3,5% 1,7% 3,2% 1,2% 4,6% 23,8% 20,0% 100,0%
4
% within cor-etnia 96,0% 100,0% 100,0% 73,3% 100,0% 80,0% 78,8% 44,8% 74,0%
Count 2 0 0 0 0 0 13 1 16
% within idade/etapa 12,5% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 81,3% 6,3% 100,0%
5
% within cor-etnia 1,3% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 12,5% ,6% 3,4%
Count 0 0 0 4 0 4 4 18 30
% within idade/etapa ,0% ,0% ,0% 13,3% ,0% 13,3% 13,3% 60,0% 100,0%
6
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% 26,7% ,0% 20,0% 3,8% 11,7% 6,4%
Count 0 0 0 0 0 0 4 54 58
% within idade/etapa ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 6,9% 93,1% 100,0%
idade/etapa
9
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 3,8% 35,1% 12,4%
Count 151 12 6 15 4 20 104 154 466
% within idade/etapa 32,4% 2,6% 1,3% 3,2% ,9% 4,3% 22,3% 33,0% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
222
contexto geográfico * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 3 4 5 6 7 9
Total
Count 1 1 0 0 0 5 4 1 12
% within contexto geográfico 8,3% 8,3% ,0% ,0% ,0% 41,7% 33,3% 8,3% 100,0%
1
% within cor-etnia ,7% 8,3% ,0% ,0% ,0% 25,0% 3,8% ,6% 2,6%
Count 0 0 0 0 0 0 4 0 4
% within contexto geográfico ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0% ,0% 100,0%
3
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 3,8% ,0% ,9%
Count 0 0 0 1 0 0 0 0 1
% within contexto geográfico ,0% ,0% ,0% 100,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
6
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% 6,7% ,0% ,0% ,0% ,0% ,2%
Count 151 11 6 14 4 15 96 153 450
% within contexto geográfico 33,6% 2,4% 1,3% 3,1% ,9% 3,3% 21,3% 34,0% 100,0%
contexto
geográfico
9
% within cor-etnia 99,3% 91,7% 100,0% 93,3% 100,0% 75,0% 92,3% 99,4% 96,4%
Count 152 12 6 15 4 20 104 154 467
% within contexto geográfico 32,5% 2,6% 1,3% 3,2% ,9% 4,3% 22,3% 33,0% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
vida e morte * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 3 4 5 6 7 9
Total
Count 1 0 0 0 0 0 0 0 1
% within vida e morte 100,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
0
% within cor-etnia ,7% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,2%
Count 94 4 3 9 2 11 30 97 250
% within vida e morte 37,6% 1,6% 1,2% 3,6% ,8% 4,4% 12,0% 38,8% 100,0%
1
% within cor-etnia 61,8% 33,3% 50,0% 60,0% 50,0% 55,0% 28,8% 63,0% 53,5%
Count 12 6 2 6 0 3 32 43 104
% within vida e morte 11,5% 5,8% 1,9% 5,8% ,0% 2,9% 30,8% 41,3% 100,0%
2
% within cor-etnia 7,9% 50,0% 33,3% 40,0% ,0% 15,0% 30,8% 27,9% 22,3%
Count 25 2 1 0 2 5 25 2 62
vida e morte
3
% within vida e morte 40,3% 3,2% 1,6% ,0% 3,2% 8,1% 40,3% 3,2% 100,0%
223
% within cor-etnia 16,4% 16,7% 16,7% ,0% 50,0% 25,0% 24,0% 1,3% 13,3%
Count 2 0 0 0 0 0 1 0 3
% within vida e morte 66,7% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 33,3% ,0% 100,0%
4
% within cor-etnia 1,3% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 1,0% ,0% ,6%
Count 5 0 0 0 0 1 4 0 10
% within vida e morte 50,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 10,0% 40,0% ,0% 100,0%
5
% within cor-etnia 3,3% ,0% ,0% ,0% ,0% 5,0% 3,8% ,0% 2,1%
Count 13 0 0 0 0 0 12 12 37
% within vida e morte 35,1% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 32,4% 32,4% 100,0%
9
% within cor-etnia 8,6% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 11,5% 7,8% 7,9%
Count 152 12 6 15 4 20 104 154 467
% within vida e morte 32,5% 2,6% 1,3% 3,2% ,9% 4,3% 22,3% 33,0% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
vida e morte * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 3 4 5 6 7 9
Total
Count 1 0 0 0 0 0 0 0 1
% within vida e morte 100,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
0
% within cor-etnia ,7% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,2%
Count 94 4 3 9 2 11 30 97 250
% within vida e morte 37,6% 1,6% 1,2% 3,6% ,8% 4,4% 12,0% 38,8% 100,0%
1
% within cor-etnia 61,8% 33,3% 50,0% 60,0% 50,0% 55,0% 28,8% 63,0% 53,5%
Count 12 6 2 6 0 3 32 43 104
% within vida e morte 11,5% 5,8% 1,9% 5,8% ,0% 2,9% 30,8% 41,3% 100,0%
2
% within cor-etnia 7,9% 50,0% 33,3% 40,0% ,0% 15,0% 30,8% 27,9% 22,3%
Count 25 2 1 0 2 5 25 2 62
% within vida e morte 40,3% 3,2% 1,6% ,0% 3,2% 8,1% 40,3% 3,2% 100,0%
3
% within cor-etnia 16,4% 16,7% 16,7% ,0% 50,0% 25,0% 24,0% 1,3% 13,3%
vida e morte
4 Count 2 0 0 0 0 0 1 0 3
224
% within vida e morte 66,7% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 33,3% ,0% 100,0%
% within cor-etnia 1,3% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 1,0% ,0% ,6%
Count 5 0 0 0 0 1 4 0 10
% within vida e morte 50,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 10,0% 40,0% ,0% 100,0%
5
% within cor-etnia 3,3% ,0% ,0% ,0% ,0% 5,0% 3,8% ,0% 2,1%
Count 13 0 0 0 0 0 12 12 37
% within vida e morte 35,1% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 32,4% 32,4% 100,0%
9
% within cor-etnia 8,6% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 11,5% 7,8% 7,9%
Count 152 12 6 15 4 20 104 154 467
% within vida e morte 32,5% 2,6% 1,3% 3,2% ,9% 4,3% 22,3% 33,0% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
deficiências * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 3 4 5 6 7 9
Total
Count 4 0 1 0 0 0 21 14 40
% within deficiências 10,0% ,0% 2,5% ,0% ,0% ,0% 52,5% 35,0% 100,0%
0
% within cor-etnia 2,6% ,0% 16,7% ,0% ,0% ,0% 20,2% 9,1% 8,6%
Count 1 0 0 0 0 0 0 1 2
% within deficiências 50,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 50,0% 100,0%
1
% within cor-etnia ,7% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,6% ,4%
Count 0 0 0 0 0 0 4 0 4
% within deficiências ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0% ,0% 100,0%
2
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 3,8% ,0% ,9%
Count 0 0 0 0 0 0 0 1 1
% within deficiências ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0% 100,0%
8
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,6% ,2%
Count 147 12 5 15 4 20 79 138 420
% within deficiências 35,0% 2,9% 1,2% 3,6% 1,0% 4,8% 18,8% 32,9% 100,0%
deficiências
9
% within cor-etnia 96,7% 100,0% 83,3% 100,0% 100,0% 100,0% 76,0% 89,6% 89,9%
Count 152 12 6 15 4 20 104 154 467
% within deficiências 32,5% 2,6% 1,3% 3,2% ,9% 4,3% 22,3% 33,0% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
225
import. pers * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 3 4 5 6 7 9
Total
Count 80 5 5 9 3 12 58 89 261
% within import. pers 30,7% 1,9% 1,9% 3,4% 1,1% 4,6% 22,2% 34,1% 100,0%
1
% within cor-etnia 52,6% 41,7% 83,3% 60,0% 75,0% 60,0% 55,8% 57,8% 55,9%
Count 58 7 1 6 1 6 36 43 158
% within import. pers 36,7% 4,4% ,6% 3,8% ,6% 3,8% 22,8% 27,2% 100,0%
2
% within cor-etnia 38,2% 58,3% 16,7% 40,0% 25,0% 30,0% 34,6% 27,9% 33,8%
Count 13 0 0 0 0 2 10 18 43
% within import. pers 30,2% ,0% ,0% ,0% ,0% 4,7% 23,3% 41,9% 100,0%
3
% within cor-etnia 8,6% ,0% ,0% ,0% ,0% 10,0% 9,6% 11,7% 9,2%
Count 1 0 0 0 0 0 0 0 1
% within import. pers 100,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
4
% within cor-etnia ,7% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,2%
Count 0 0 0 0 0 0 0 4 4
% within import. pers ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0% 100,0%
import. pers
9
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 2,6% ,9%
Count 152 12 6 15 4 20 104 154 467
% within import. pers 32,5% 2,6% 1,3% 3,2% ,9% 4,3% 22,3% 33,0% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
226
Diálogo * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 3 4 5 6 7 9
Total
Count 22 2 0 0 0 0 2 19 45
% within Diálogo 48,9% 4,4% ,0% ,0% ,0% ,0% 4,4% 42,2% 100,0%
1
% within cor-etnia 14,5% 16,7% ,0% ,0% ,0% ,0% 1,9% 12,3% 9,6%
Count 20 0 1 0 0 2 51 22 96
% within Diálogo 20,8% ,0% 1,0% ,0% ,0% 2,1% 53,1% 22,9% 100,0%
2
% within cor-etnia 13,2% ,0% 16,7% ,0% ,0% 10,0% 49,0% 14,3% 20,6%
Count 110 10 5 15 4 18 51 89 302
% within Diálogo 36,4% 3,3% 1,7% 5,0% 1,3% 6,0% 16,9% 29,5% 100,0%
3
% within cor-etnia 72,4% 83,3% 83,3% 100,0% 100,0% 90,0% 49,0% 57,8% 64,7%
Count 0 0 0 0 0 0 0 24 24
% within Diálogo ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0% 100,0%
Diálogo
9
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 15,6% 5,1%
Count 152 12 6 15 4 20 104 154 467
% within Diálogo 32,5% 2,6% 1,3% 3,2% ,9% 4,3% 22,3% 33,0% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
Narrador * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 3 4 5 6 7 9
Total
Count 1 0 0 0 0 0 1 0 2
% within Narrador 50,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 50,0% ,0% 100,0%
1
% within cor-etnia ,7% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 1,0% ,0% ,4%
Count 4 0 0 0 0 0 0 3 7
% within Narrador 57,1% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 42,9% 100,0%
2
% within cor-etnia 2,6% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 1,9% 1,5%
Count 2 0 0 0 0 0 0 2 4
Narrador
3
% within Narrador 50,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 50,0% 100,0%
227
% within cor-etnia 1,3% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 1,3% ,9%
Count 2 0 0 0 0 0 1 2 5
% within Narrador 40,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 20,0% 40,0% 100,0%
4
% within cor-etnia 1,3% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 1,0% 1,3% 1,1%
Count 143 12 6 15 4 20 102 147 449
% within Narrador 31,8% 2,7% 1,3% 3,3% ,9% 4,5% 22,7% 32,7% 100,0%
5
% within cor-etnia 94,1% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 98,1% 95,5% 96,1%
Count 152 12 6 15 4 20 104 154 467
% within Narrador 32,5% 2,6% 1,3% 3,2% ,9% 4,3% 22,3% 33,0% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
Ação * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 3 4 5 6 7 9
Total
Count 9 0 0 0 0 0 1 8 18
% within Ação 50,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 5,6% 44,4% 100,0%
1
% within cor-etnia 5,9% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 1,0% 5,2% 3,9%
Count 4 1 1 0 0 2 20 16 44
% within Ação 9,1% 2,3% 2,3% ,0% ,0% 4,5% 45,5% 36,4% 100,0%
2
% within cor-etnia 2,6% 8,3% 16,7% ,0% ,0% 10,0% 19,2% 10,4% 9,4%
Count 138 11 5 15 4 18 83 130 404
% within Ação 34,2% 2,7% 1,2% 3,7% 1,0% 4,5% 20,5% 32,2% 100,0%
3
% within cor-etnia 90,8% 91,7% 83,3% 100,0% 100,0% 90,0% 79,8% 84,4% 86,5%
Count 1 0 0 0 0 0 0 0 1
% within Ação 100,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
Ação
9
% within cor-etnia ,7% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,2%
Count 152 12 6 15 4 20 104 154 467
% within Ação 32,5% 2,6% 1,3% 3,2% ,9% 4,3% 22,3% 33,0% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
228
língua/linguagem * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 3 4 5 6 7 9
Total
Count 61 7 4 3 2 11 90 121 299
% within língua/linguagem 20,4% 2,3% 1,3% 1,0% ,7% 3,7% 30,1% 40,5% 100,0%
0
% within cor-etnia 40,1% 58,3% 66,7% 20,0% 50,0% 55,0% 86,5% 78,6% 64,0%
Count 90 5 2 12 2 9 14 33 167
% within língua/linguagem 53,9% 3,0% 1,2% 7,2% 1,2% 5,4% 8,4% 19,8% 100,0%
1
% within cor-etnia 59,2% 41,7% 33,3% 80,0% 50,0% 45,0% 13,5% 21,4% 35,8%
Count 1 0 0 0 0 0 0 0 1
% within língua/linguagem 100,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
língua/
linguagem
9
,7% ,0%% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,2%
Count 152 12 6 15 4 20 104 154 467
% within língua/linguagem 2,6%32,5% 1,3% 3,2% ,9% 4,3% 22,3% 33,0% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0%100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
religião * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
Total
3 4 5 6 7 9 1 2
Count 15 3 1 0 0 3 2 23 47
% within religião 31,9% 6,4% 2,1% ,0% ,0% 6,4% 4,3% 48,9% 100,0%
1
% within cor-etnia 9,9% 25,0% 16,7% ,0% ,0% 15,0% 1,9% 14,9% 10,1%
Count 15 1 0 0 0 1 2 12 31
% within religião 48,4% 3,2% ,0% ,0% ,0% 3,2% 6,5% 38,7% 100,0%
2
% within cor-etnia 9,9% 8,3% ,0% ,0% ,0% 5,0% 1,9% 7,8% 6,6%
Count 5 0 0 0 1 0 10 9 25
% within religião 20,0% ,0% ,0% ,0% 4,0% ,0% 40,0% 36,0% 100,0%
3
% within cor-etnia 3,3% ,0% ,0% ,0% 25,0% ,0% 9,6% 5,8% 5,4%
Count 5 0 0 0 0 0 0 0 5
% within religião 100,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
4
% within cor-etnia 3,3% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 1,1%
Count 10 0 0 0 0 0 37 3 50
religião
5
% within religião 20,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 74,0% 6,0% 100,0%
229
% within cor-etnia 6,6% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 35,6% 1,9% 10,7%
Count 0 7 0 0 0 0 0 0 7
% within religião ,0% 100,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
6
% within cor-etnia ,0% 58,3% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 1,5%
Count 12 0 5 14 3 15 0 2 51
% within religião 23,5% ,0% 9,8% 27,5% 5,9% 29,4% ,0% 3,9% 100,0%
7
% within cor-etnia 7,9% ,0% 83,3% 93,3% 75,0% 75,0% ,0% 1,3% 10,9%
Count 6 0 0 0 0 0 30 5 41
% within religião 14,6% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 73,2% 12,2% 100,0%
8
% within cor-etnia 3,9% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 28,8% 3,2% 8,8%
Count 80 1 0 0 0 1 11 54 147
% within religião 54,4% ,7% ,0% ,0% ,0% ,7% 7,5% 36,7% 100,0%
9
% within cor-etnia 52,6% 8,3% ,0% ,0% ,0% 5,0% 10,6% 35,1% 31,5%
Count 4 0 0 1 0 0 12 46 63
% within religião 6,3% ,0% ,0% 1,6% ,0% ,0% 19,0% 73,0% 100,0%
10
% within cor-etnia 2,6% ,0% ,0% 6,7% ,0% ,0% 11,5% 29,9% 13,5%
Count 152 12 6 15 4 20 104 154 467
% within religião 32,5% 2,6% 1,3% 3,2% ,9% 4,3% 22,3% 33,0% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
valor pers. * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 3 4 5 6 7 9
Total
Count 147 12 6 13 3 20 102 138 441
% within valor pers. 33,3% 2,7% 1,4% 2,9% ,7% 4,5% 23,1% 31,3% 100,0%
1
% within cor-etnia 96,7% 100,0% 100,0% 86,7% 75,0% 100,0% 98,1% 89,6% 94,4%
Count 5 0 0 2 1 0 1 8 17
% within valor pers. 29,4% ,0% ,0% 11,8% 5,9% ,0% 5,9% 47,1% 100,0%
2
% within cor-etnia 3,3% ,0% ,0% 13,3% 25,0% ,0% 1,0% 5,2% 3,6%
Count 0 0 0 0 0 0 1 0 1
% within valor pers. ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0% ,0% 100,0%
3
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 1,0% ,0% ,2%
valor pers.
4 Count 0 0 0 0 0 0 0 5 5
230
% within valor pers. ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0% 100,0%
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 3,2% 1,1%
Count 0 0 0 0 0 0 0 2 2
% within valor pers. ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0% 100,0%
9
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 1,3% ,4%
Count 0 0 0 0 0 0 0 1 1
% within valor pers. ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0% 100,0%
12
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,6% ,2%
Count 152 12 6 15 4 20 104 154 467
% within valor pers. 32,5% 2,6% 1,3% 3,2% ,9% 4,3% 22,3% 33,0% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
profissão * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 3 4 5 6 7 9
Total
Count 127 10 5 15 4 20 81 129 391
% within profissão 32,5% 2,6% 1,3% 3,8% 1,0% 5,1% 20,7% 33,0% 100,0%
0
% within cor-etnia 83,6% 83,3% 83,3% 100,0% 100,0% 100,0% 77,9% 83,8% 83,7%
Count 17 2 1 0 0 0 2 14 36
% within profissão 47,2% 5,6% 2,8% ,0% ,0% ,0% 5,6% 38,9% 100,0%
1
% within cor-etnia 11,2% 16,7% 16,7% ,0% ,0% ,0% 1,9% 9,1% 7,7%
Count 8 0 0 0 0 0 21 11 40
% within profissão 20,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 52,5% 27,5% 100,0%
profissão
4
% within cor-etnia 5,3% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 20,2% 7,1% 8,6%
Count 152 12 6 15 4 20 104 154 467
% within profissão 32,5% 2,6% 1,3% 3,2% ,9% 4,3% 22,3% 33,0% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
231
atividade escolar * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 3 4 5 6 7 9
Total
Count 0 0 0 0 0 0 1 6 7
% within atividade escolar ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 14,3% 85,7% 100,0%
0
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 1,0% 3,9% 1,5%
Count 151 12 6 14 4 20 103 145 455
% within atividade escolar 33,2% 2,6% 1,3% 3,1% ,9% 4,4% 22,6% 31,9% 100,0%
1
% within cor-etnia 99,3% 100,0% 100,0% 93,3% 100,0% 100,0% 99,0% 94,2% 97,4%
Count 0 0 0 1 0 0 0 2 3
% within atividade escolar ,0% ,0% ,0% 33,3% ,0% ,0% ,0% 66,7% 100,0%
2
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% 6,7% ,0% ,0% ,0% 1,3% ,6%
Count 0 0 0 0 0 0 0 1 1
% within atividade escolar ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0% 100,0%
4
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,6% ,2%
Count 1 0 0 0 0 0 0 0 1
% within atividade escolar 100,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
atividade
escolar
5
% within cor-etnia ,7% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,2%
Count 152 12 6 15 4 20 104 154 467
% within atividade escolar 32,5% 2,6% 1,3% 3,2% ,9% 4,3% 22,3% 33,0% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
relação conjugal * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 3 4 5 6 7 9
Total
Count 0 0 0 0 0 0 0 1 1
% within relação conjugal ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0% 100,0%
0
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,6% ,2%
Count 0 0 0 0 0 0 1 3 4
% within relação conjugal ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 25,0% 75,0% 100,0%
1
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 1,0% 1,9% ,9%
Count 152 12 6 13 4 20 102 143 452
relação conjugal
2
% within relação conjugal 33,6% 2,7% 1,3% 2,9% ,9% 4,4% 22,6% 31,6% 100,0%
232
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 86,7% 100,0% 100,0% 98,1% 92,9% 96,8%
Count 0 0 0 1 0 0 0 1 2
% within relação conjugal ,0% ,0% ,0% 50,0% ,0% ,0% ,0% 50,0% 100,0%
4
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% 6,7% ,0% ,0% ,0% ,6% ,4%
Count 0 0 0 1 0 0 1 6 8
% within relação conjugal ,0% ,0% ,0% 12,5% ,0% ,0% 12,5% 75,0% 100,0%
9
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% 6,7% ,0% ,0% 1,0% 3,9% 1,7%
Count 152 12 6 15 4 20 104 154 467
% within relação conjugal 32,5% 2,6% 1,3% 3,2% ,9% 4,3% 22,3% 33,0% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
parent. pais biol. * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 3 4 5 6 7 9
Total
Count 0 0 0 0 0 0 0 1 1
% within parent. pais biol. ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0% 100,0%
1
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,6% ,2%
Count 2 0 0 0 0 0 0 1 3
% within parent. pais biol. 66,7% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 33,3% 100,0%
2
% within cor-etnia 1,3% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,6% ,6%
Count 1 0 0 0 0 0 0 0 1
% within parent. pais biol. 100,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
3
% within cor-etnia ,7% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,2%
Count 148 12 6 13 4 20 104 149 456
% within parent. pais biol. 32,5% 2,6% 1,3% 2,9% ,9% 4,4% 22,8% 32,7% 100,0%
4
% within cor-etnia 97,4% 100,0% 100,0% 86,7% 100,0% 100,0% 100,0% 96,8% 97,6%
Count 1 0 0 2 0 0 0 3 6
% within parent. pais biol. 16,7% ,0% ,0% 33,3% ,0% ,0% ,0% 50,0% 100,0%
parent.
pais biol.
9
% within cor-etnia ,7% ,0% ,0% 13,3% ,0% ,0% ,0% 1,9% 1,3%
Count 152 12 6 15 4 20 104 154 467
% within parent. pais biol. 32,5% 2,6% 1,3% 3,2% ,9% 4,3% 22,3% 33,0% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
233
parent. pais adot. * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 3 4 5 6 7 9
Total
Count 152 12 6 15 4 20 104 154 467
% within parent.
pais adot.
32,5% 2,6% 1,3% 3,2% ,9% 4,3% 22,3% 33,0% 100,0%
parent.
pais adot.
9
% within
cor-etnia
100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
Count 152 12 6 15 4 20 104 154 467
% within parent.
pais adot.
32,5% 2,6% 1,3% 3,2% ,9% 4,3% 22,3% 33,0% 100,0%
Total
% within
cor-etnia
100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
parent. filhos biol. * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 3 4 5 6 7 9
Total
Count 2 0 0 0 0 0 0 1 3
% within parent. filhos biol. 66,7% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 33,3% 100,0%
1
% within cor-etnia 1,3% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,6% ,6%
Count 150 12 6 14 4 20 104 153 463
% within parent. filhos biol. 32,4% 2,6% 1,3% 3,0% ,9% 4,3% 22,5% 33,0% 100,0%
9
% within cor-etnia 98,7% 100,0% 100,0% 93,3% 100,0% 100,0% 100,0% 99,4% 99,1%
Count 0 0 0 1 0 0 0 0 1
% within parent. filhos biol. ,0% ,0% ,0% 100,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
parent.
filhos
biol.
99
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% 6,7% ,0% ,0% ,0% ,0% ,2%
Count 152 12 6 15 4 20 104 154 467
% within parent. filhos biol. 32,5% 2,6% 1,3% 3,2% ,9% 4,3% 22,3% 33,0% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
234
parent. filhos adot. * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 3 4 5 6 7 9
Total
Count 152 12 6 15 4 20 104 154 467
% within parent. filhos adot. 32,5% 2,6% 1,3% 3,2% ,9% 4,3% 22,3% 33,0% 100,0%
parent.
filhos adot.
9
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
Count 152 12 6 15 4 20 104 154 467
% within parent. filhos adot. 32,5% 2,6% 1,3% 3,2% ,9% 4,3% 22,3% 33,0% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
parent. irmãos * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 3 4 5 6 7 9
Total
Count 0 0 0 0 0 1 2 0 3
% within parent. irmãos ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 33,3% 66,7% ,0% 100,0%
1
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 5,0% 1,9% ,0% ,6%
Count 152 12 6 15 4 19 102 154 464
% within parent. irmãos 32,8% 2,6% 1,3% 3,2% ,9% 4,1% 22,0% 33,2% 100,0%
parent. irmãos
9
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 95,0% 98,1% 100,0% 99,4%
Count 152 12 6 15 4 20 104 154 467
% within parent. irmãos 32,5% 2,6% 1,3% 3,2% ,9% 4,3% 22,3% 33,0% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
235
parent. posição * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 3 4 5 6 7 9
Total
Count 0 0 0 0 0 0 0 1 1
% within parent. posição ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0% 100,0%
4
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,6% ,2%
Count 152 12 6 15 4 20 104 153 466
% within parent. posição 32,6% 2,6% 1,3% 3,2% ,9% 4,3% 22,3% 32,8% 100,0%
parent. posição
9
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 99,4% 99,8%
Count 152 12 6 15 4 20 104 154 467
% within parent. posição 32,5% 2,6% 1,3% 3,2% ,9% 4,3% 22,3% 33,0% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
parent. família sup. * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 3 4 5 6 7 9
Total
Count 152 12 6 15 4 20 104 154 467
% within parent. família sup. 32,5% 2,6% 1,3% 3,2% ,9% 4,3% 22,3% 33,0% 100,0%
parent. 9
família sup.
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
Count 152 12 6 15 4 20 104 154 467
% within parent. família sup. 32,5% 2,6% 1,3% 3,2% ,9% 4,3% 22,3% 33,0% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
parent. família inf. * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
Total
1 2 3 4 5 6 7 9
Count 152 12 6 15 4 20 104 154 467
% within parent. família inf. 32,5% 2,6% 1,3% 3,2% ,9% 4,3% 22,3% 33,0% 100,0%
parent. 9
família inf.
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
Count 152 12 6 15 4 20 104 154 467Total
% within parent. família inf. 32,5% 2,6% 1,3% 3,2% ,9% 4,3% 22,3% 33,0% 100,0%
236
parent. família inf. * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 3 4 5 6 7 9
Total
Count 152 12 6 15 4 20 104 154 467
% within parent. família inf. 32,5% 2,6% 1,3% 3,2% ,9% 4,3% 22,3% 33,0% 100,0%
parent.
família inf.
9
100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%% within cor-etnia
Count 152 12 6 15 4 20 104 154 467
% within parent. família inf. 32,5% 2,6% 1,3% 3,2% ,9% 4,3% 22,3% 33,0% 100,0%
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
parent. família amp. * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 3 4 6 5 7 9
Total
Count 0 0 0 0 0 0 0 44
% within parent. família amp. 100,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
1
% within cor-etnia 2,6% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,9%
Count 148 12 6 15 4 20 104 154 463
% within parent. família amp. 32,0% 2,6% 1,3% 3,2% ,9% 4,3% 22,5% 33,3% 100,0%
parent.
família amp.
9
% within cor-etnia 97,4% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 99,1%
Count 152 12 6 15 4 20 154104 467
% within parent. família amp. 32,5% 2,6% 1,3% 3,2% ,9% 4,3% 22,3% 33,0% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
237
parent. família geral * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 3 4 5 6 7 9
Total
Count 1 0 0 0 0 1 1 3 6
% within parent. família geral 16,7% ,0% ,0% ,0% ,0% 16,7% 16,7% 50,0% 100,0%
1
% within cor-etnia ,7% ,0% ,0% ,0% ,0% 5,0% 1,0% 1,9% 1,3%
Count 151 12 6 15 4 19 103 151 461
% within parent. família geral 32,8% 2,6% 1,3% 3,3% ,9% 4,1% 22,3% 32,8% 100,0%
parent.
família geral
2
% within cor-etnia 99,3% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 95,0% 99,0% 98,1% 98,7%
Count 152 12 6 15 4 20 104 154 467
% within parent. família geral 32,5% 2,6% 1,3% 3,2% ,9% 4,3% 22,3% 33,0% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
profissão ocupação * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 3 4 5 6 7 9
Total
Count 152 12 6 15 4 20 104 154 467
% within profissão ocupação 32,5% 2,6% 1,3% 3,2% ,9% 4,3% 22,3% 33,0% 100,0%
profissão
ocupação
9
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
Count 152 12 6 15 4 20 104 154 467
% within profissão ocupação 32,5% 2,6% 1,3% 3,2% ,9% 4,3% 22,3% 33,0% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
238
ANEXO 5 - CRUZAMENTO DE PERSONAGEM NO TEXTO – MODELO
CONFESSIONAL
Case Processing Summary
Cases
Valid Missing Total
N Percent N Percent N Percent
no. livro * cor-etnia 115 100,0% 0 ,0% 115 100,0%
natureza * cor-etnia 115 100,0% 0 ,0% 115 100,0%
individualidade * cor-etnia 115 100,0% 0 ,0% 115 100,0%
sexo * cor-etnia 115 100,0% 0 ,0% 115 100,0%
forma de apreensão * cor-etnia 115 100,0% 0 ,0% 115 100,0%
idade/etapa * cor-etnia 115 100,0% 0 ,0% 115 100,0%
nome * cor-etnia 115 100,0% 0 ,0% 115 100,0%
nacionalidade * cor-etnia 115 100,0% 0 ,0% 115 100,0%
contexto geográfico * cor-etnia 115 100,0% 0 ,0% 115 100,0%
vida e morte * cor-etnia 115 100,0% 0 ,0% 115 100,0%
deficiências * cor-etnia 115 100,0% 0 ,0% 115 100,0%
import. pers * cor-etnia 115 100,0% 0 ,0% 115 100,0%
Diálogo * cor-etnia 115 100,0% 0 ,0% 115 100,0%
Narrador * cor-etnia 115 100,0% 0 ,0% 115 100,0%
Ação * cor-etnia 115 100,0% 0 ,0% 115 100,0%
língua/linguagem * cor-etnia 115 100,0% 0 ,0% 115 100,0%
religião * cor-etnia 115 100,0% 0 ,0% 115 100,0%
valor pers. * cor-etnia 115 100,0% 0 ,0% 115 100,0%
profissão * cor-etnia 115 100,0% 0 ,0% 115 100,0%
atividade escolar * cor-etnia 115 100,0% 0 ,0% 115 100,0%
relação conjugal * cor-etnia 115 100,0% 0 ,0% 115 100,0%
parent. pais biol. * cor-etnia 115 100,0% 0 ,0% 115 100,0%
parent. pais adot. * cor-etnia 115 100,0% 0 ,0% 115 100,0%
parent. filhos biol. * cor-etnia 115 100,0% 0 ,0% 115 100,0%
parent. filhos adot. * cor-etnia 115 100,0% 0 ,0% 115 100,0%
parent. irmãos * cor-etnia 115 100,0% 0 ,0% 115 100,0%
parent. posição * cor-etnia 115 100,0% 0 ,0% 115 100,0%
parent. família sup. * cor-etnia 115 100,0% 0 ,0% 115 100,0%
parent. família inf. * cor-etnia 115 100,0% 0 ,0% 115 100,0%
239
parent. família amp. * cor-etnia 115 100,0% 0 ,0% 115 100,0%
parent. família geral * cor-etnia 115 100,0% 0 ,0% 115 100,0%
profissão ocupação * cor-etnia 115 100,0% 0 ,0% 115 100,0%
no. livro * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 6 7 9
Total
Count 1 0 0 2 3 6
% within no. livro 16,7% ,0% ,0% 33,3% 50,0% 100,0%
1
% within cor-etnia 3,4% ,0% ,0% 8,7% 5,4% 5,2%
Count 0 0 0 7 1 8
% within no. livro ,0% ,0% ,0% 87,5% 12,5% 100,0%
2
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% 30,4% 1,8% 7,0%
Count 10 0 0 2 5 17
% within no. livro 58,8% ,0% ,0% 11,8% 29,4% 100,0%
3
% within cor-etnia 34,5% ,0% ,0% 8,7% 8,9% 14,8%
Count 10 1 6 6 35 58
% within no. livro 17,2% 1,7% 10,3% 10,3% 60,3% 100,0%
4
% within cor-etnia 34,5% 100,0% 100,0% 26,1% 62,5% 50,4%
Count 8 0 0 6 12 26
% within no. livro 30,8% ,0% ,0% 23,1% 46,2% 100,0%
no. livro
5
% within cor-etnia 27,6% ,0% ,0% 26,1% 21,4% 22,6%
Count 29 1 6 23 56 115
% within no. livro 25,2% ,9% 5,2% 20,0% 48,7% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
Natureza - cor-etnia
1 2 6 7 9
Total
Count 27 1 6 13 45 92natureza 1
% within natureza 29,3% 1,1% 6,5% 14,1% 48,9% 100,0%
240
% within cor-etnia 93,1% 100,0% 100,0% 56,5% 80,4% 80,0%
Count 2 0 0 10 10 22
% within natureza 9,1% ,0% ,0% 45,5% 45,5% 100,0%
2
% within cor-etnia 6,9% ,0% ,0% 43,5% 17,9% 19,1%
Count 0 0 0 0 1 1
% within natureza ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0% 100,0%
3
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% ,0% 1,8% ,9%
Count 29 1 6 23 56 115
% within natureza 25,2% ,9% 5,2% 20,0% 48,7% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
individualidade * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 6 7 9
Total
Count 29 1 3 21 33 87
% within individualidade 33,3% 1,1% 3,4% 24,1% 37,9% 100,0%
1
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 50,0% 91,3% 58,9% 75,7%
Count 0 0 3 2 23 28
% within individualidade ,0% ,0% 10,7% 7,1% 82,1% 100,0%
individualidade
2
% within cor-etnia ,0% ,0% 50,0% 8,7% 41,1% 24,3%
Count 29 1 6 23 56 115
% within individualidade 25,2% ,9% 5,2% 20,0% 48,7% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
Sexo - cor-etnia
1 2 6 7 9
Total
Count 27 1 3 22 17 70
% within sexo 38,6% 1,4% 4,3% 31,4% 24,3% 100,0%
1
% within cor-etnia 93,1% 100,0% 50,0% 95,7% 30,4% 60,9%
Count 0 0 0 0 2 2
sexo
2
% within sexo ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0% 100,0%
241
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% ,0% 3,6% 1,7%
Count 2 0 0 0 2 4
% within sexo 50,0% ,0% ,0% ,0% 50,0% 100,0%
3
% within cor-etnia 6,9% ,0% ,0% ,0% 3,6% 3,5%
Count 0 0 3 1 23 27
% within sexo ,0% ,0% 11,1% 3,7% 85,2% 100,0%
4
% within cor-etnia ,0% ,0% 50,0% 4,3% 41,1% 23,5%
Count 0 0 0 0 2 2
% within sexo ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0% 100,0%
7
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% ,0% 3,6% 1,7%
Count 0 0 0 0 9 9
% within sexo ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0% 100,0%
8
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% ,0% 16,1% 7,8%
Count 0 0 0 0 1 1
% within sexo ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0% 100,0%
9
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% ,0% 1,8% ,9%
Count 29 1 6 23 56 115
% within sexo 25,2% ,9% 5,2% 20,0% 48,7% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
Forma de apreensão - cor-etnia
1 2 6 7 9
Total
Count 6 0 0 0 0 6
% within forma de apreensão 100,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
2
% within cor-etnia 20,7% ,0% ,0% ,0% ,0% 5,2%
Count 4 0 0 22 0 26
% within forma de apreensão 15,4% ,0% ,0% 84,6% ,0% 100,0%
3
% within cor-etnia 13,8% ,0% ,0% 95,7% ,0% 22,6%
Count 17 1 6 0 0 24
% within forma de apreensão 70,8% 4,2% 25,0% ,0% ,0% 100,0%
4
% within cor-etnia 58,6% 100,0% 100,0% ,0% ,0% 20,9%
forma de apreensão
5 Count 1 0 0 0 0 1
242
% within forma de apreensão 100,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
% within cor-etnia 3,4% ,0% ,0% ,0% ,0% ,9%
Count 1 0 0 1 56 58
% within forma de apreensão 1,7% ,0% ,0% 1,7% 96,6% 100,0%
9
% within cor-etnia 3,4% ,0% ,0% 4,3% 100,0% 50,4%
Count 29 1 6 23 56 115
% within forma de apreensão 25,2% ,9% 5,2% 20,0% 48,7% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
idade/etapa * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 6 7 9
Total
Count 1 0 0 0 2 3
% within idade/etapa 33,3% ,0% ,0% ,0% 66,7% 100,0%
2
% within cor-etnia 3,4% ,0% ,0% ,0% 3,6% 2,6%
Count 0 0 0 0 3 3
% within idade/etapa ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0% 100,0%
3
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% ,0% 5,4% 2,6%
Count 28 1 3 18 26 76
% within idade/etapa 36,8% 1,3% 3,9% 23,7% 34,2% 100,0%
4
% within cor-etnia 96,6% 100,0% 50,0% 78,3% 46,4% 66,1%
Count 0 0 0 4 0 4
% within idade/etapa ,0% ,0% ,0% 100,0% ,0% 100,0%
5
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% 17,4% ,0% 3,5%
Count 0 0 3 1 12 16
% within idade/etapa ,0% ,0% 18,8% 6,3% 75,0% 100,0%
6
% within cor-etnia ,0% ,0% 50,0% 4,3% 21,4% 13,9%
Count 0 0 0 0 13 13
% within idade/etapa ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0% 100,0%
idade/etapa
9
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% ,0% 23,2% 11,3%
Count 29 1 6 23 56 115Total
% within idade/etapa 25,2% ,9% 5,2% 20,0% 48,7% 100,0%
243
idade/etapa * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 6 7 9
Total
Count 1 0 0 0 2 3
% within idade/etapa 33,3% ,0% ,0% ,0% 66,7% 100,0%
2
% within cor-etnia 3,4% ,0% ,0% ,0% 3,6% 2,6%
Count 0 0 0 0 3 3
% within idade/etapa ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0% 100,0%
3
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% ,0% 5,4% 2,6%
Count 28 1 3 18 26 76
% within idade/etapa 36,8% 1,3% 3,9% 23,7% 34,2% 100,0%
4
% within cor-etnia 96,6% 100,0% 50,0% 78,3% 46,4% 66,1%
Count 0 0 0 4 0 4
% within idade/etapa ,0% ,0% ,0% 100,0% ,0% 100,0%
5
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% 17,4% ,0% 3,5%
Count 0 0 3 1 12 16
% within idade/etapa ,0% ,0% 18,8% 6,3% 75,0% 100,0%
6
% within cor-etnia ,0% ,0% 50,0% 4,3% 21,4% 13,9%
Count 0 0 0 0 13 13
% within idade/etapa ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0% 100,0%
idade/etapa
9
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% ,0% 23,2% 11,3%
Count 29 1 6 23 56 115
% within idade/etapa 25,2% ,9% 5,2% 20,0% 48,7% 100,0%
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
Nome - cor-etnia
1 2 6 7 9
Total
Count 27 1 6 21 15 70
% within nome 38,6% 1,4% 8,6% 30,0% 21,4% 100,0%
1
% within cor-etnia 93,1% 100,0% 100,0% 91,3% 26,8% 60,9%
Count 2 0 0 2 41 45
nome
3
% within nome 4,4% ,0% ,0% 4,4% 91,1% 100,0%
244
% within cor-etnia 6,9% ,0% ,0% 8,7% 73,2% 39,1%
Count 29 1 6 23 56 115
% within nome 25,2% ,9% 5,2% 20,0% 48,7% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
nacionalidade * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 6 7 9
Total
Count 6 0 0 0 0 6
% within nacionalidade 100,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
1
% within cor-etnia 20,7% ,0% ,0% ,0% ,0% 5,2%
Count 2 0 5 3 0 10
% within nacionalidade 20,0% ,0% 50,0% 30,0% ,0% 100,0%
3
% within cor-etnia 6,9% ,0% 83,3% 13,0% ,0% 8,7%
Count 0 0 0 1 0 1
% within nacionalidade ,0% ,0% ,0% 100,0% ,0% 100,0%
5
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% 4,3% ,0% ,9%
Count 21 1 1 19 56 98
% within nacionalidade 21,4% 1,0% 1,0% 19,4% 57,1% 100,0%
nacionalidade
9
% within cor-etnia 72,4% 100,0% 16,7% 82,6% 100,0% 85,2%
Count 29 1 6 23 56 115
% within nacionalidade 25,2% ,9% 5,2% 20,0% 48,7% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
Contexto Geográfico - cor-etnia
1 2 6 7 9
Total
Count 0 0 5 1 0 6
% within contexto geográfico ,0% ,0% 83,3% 16,7% ,0% 100,0%
1
% within cor-etnia ,0% ,0% 83,3% 4,3% ,0% 5,2%
Count 29 1 1 22 56 109
% within contexto geográfico 26,6% ,9% ,9% 20,2% 51,4% 100,0%
contexto geográfico
9
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 16,7% 95,7% 100,0% 94,8%
245
Count 29 1 6 23 56 115
% within contexto geográfico 25,2% ,9% 5,2% 20,0% 48,7% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
vida e morte * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 6 7 9
Total
Count 20 0 2 6 44 72
% within vida e morte 27,8% ,0% 2,8% 8,3% 61,1% 100,0%
1
% within cor-etnia 69,0% ,0% 33,3% 26,1% 78,6% 62,6%
Count 1 0 1 10 9 21
% within vida e morte 4,8% ,0% 4,8% 47,6% 42,9% 100,0%
2
% within cor-etnia 3,4% ,0% 16,7% 43,5% 16,1% 18,3%
Count 3 1 3 7 2 16
% within vida e morte 18,8% 6,3% 18,8% 43,8% 12,5% 100,0%
3
% within cor-etnia 10,3% 100,0% 50,0% 30,4% 3,6% 13,9%
Count 1 0 0 0 0 1
% within vida e morte 100,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
4
% within cor-etnia 3,4% ,0% ,0% ,0% ,0% ,9%
Count 3 0 0 0 0 3
% within vida e morte 100,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
5
% within cor-etnia 10,3% ,0% ,0% ,0% ,0% 2,6%
Count 1 0 0 0 1 2
% within vida e morte 50,0% ,0% ,0% ,0% 50,0% 100,0%
vida e morte
9
% within cor-etnia 3,4% ,0% ,0% ,0% 1,8% 1,7%
Count 29 1 6 23 56 115
% within vida e morte 25,2% ,9% 5,2% 20,0% 48,7% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
246
Vida e morte - cor-etnia
1 2 6 7 9
Total
Count 20 0 2 6 44 72
% within vida e morte 27,8% ,0% 2,8% 8,3% 61,1% 100,0%
1
% within cor-etnia 69,0% ,0% 33,3% 26,1% 78,6% 62,6%
Count 1 0 1 10 9 21
% within vida e morte 4,8% ,0% 4,8% 47,6% 42,9% 100,0%
2
% within cor-etnia 3,4% ,0% 16,7% 43,5% 16,1% 18,3%
Count 3 1 3 7 2 16
% within vida e morte 18,8% 6,3% 18,8% 43,8% 12,5% 100,0%
3
30,4% 3,6% 13,9%% within cor-etnia 10,3% 100,0% 50,0%
Count 1 0 0 0 0 1
% within vida e morte 100,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
4
% within cor-etnia 3,4% ,0% ,0% ,0% ,0% ,9%
Count 3 0 0 0 0 3
% within vida e morte 100,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
5
10,3% ,0%% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% 2,6%
Count 1 0 0 0 1 2
% within vida e morte 50,0% ,0% ,0% ,0% 50,0% 100,0%
vida e morte
9
% within cor-etnia 3,4% ,0% ,0% ,0% 1,8% 1,7%
Count 29 1 6 23 56 115
% within vida e morte 25,2% ,9% 5,2% 20,0% 48,7% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
247
cor-etnia
1 2 6 7 9
Total
Count 0 0 0 7 2 9
% within deficiências ,0% ,0% ,0% 77,8% 22,2% 100,0%
0
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% 30,4% 3,6% 7,8%
Count 1 0 0 0 0 1
% within deficiências 100,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
1
% within cor-etnia 3,4% ,0% ,0% ,0% ,0% ,9%
Count 0 0 0 0 1 1
% within deficiências ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0% 100,0%
8
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% ,0% 1,8% ,9%
Count 28 1 6 16 53 104
% within deficiências 26,9% 1,0% 5,8% 15,4% 51,0% 100,0%
deficiências
9
% within cor-etnia 96,6% 100,0% 100,0% 69,6% 94,6% 90,4%
Count 29 1 6 23 56 115
% within deficiências 25,2% ,9% 5,2% 20,0% 48,7% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
cor-etnia
1 2 6 7 9
Total
Count 14 0 1 18 27 60
% within import. pers 23,3% ,0% 1,7% 30,0% 45,0% 100,0%
1
% within cor-etnia 48,3% ,0% 16,7% 78,3% 48,2% 52,2%
Count 10 1 4 5 15 35
% within import. pers 28,6% 2,9% 11,4% 14,3% 42,9% 100,0%
2
% within cor-etnia 34,5% 100,0% 66,7% 21,7% 26,8% 30,4%
Count 4 0 1 0 14 19
% within import. pers 21,1% ,0% 5,3% ,0% 73,7% 100,0%
3
% within cor-etnia 13,8% ,0% 16,7% ,0% 25,0% 16,5%
import. pers
4 Count 1 0 0 0 0 1
248
% within import. pers 100,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
% within cor-etnia 3,4% ,0% ,0% ,0% ,0% ,9%
Count 29 1 6 23 56 115
% within import. pers 25,2% ,9% 5,2% 20,0% 48,7% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
Diálogo * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 6 7 9
Total
Count 15 0 0 0 7 22
% within Diálogo 68,2% ,0% ,0% ,0% 31,8% 100,0%
1
% within cor-etnia 51,7% ,0% ,0% ,0% 12,5% 19,1%
Count 1 0 0 14 3 18
% within Diálogo 5,6% ,0% ,0% 77,8% 16,7% 100,0%
2
% within cor-etnia 3,4% ,0% ,0% 60,9% 5,4% 15,7%
Count 13 1 6 9 37 66
% within Diálogo 19,7% 1,5% 9,1% 13,6% 56,1% 100,0%
3
% within cor-etnia 44,8% 100,0% 100,0% 39,1% 66,1% 57,4%
Count 0 0 0 0 9 9
% within Diálogo ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0% 100,0%
Diálogo
9
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% ,0% 16,1% 7,8%
Count 29 1 6 23 56 115
% within Diálogo 25,2% ,9% 5,2% 20,0% 48,7% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
249
Narrador * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 6 7 9
Total
Count 1 0 0 0 0 1
% within Narrador 100,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
1
% within cor-etnia 3,4% ,0% ,0% ,0% ,0% ,9%
Count 3 0 0 0 0 3
% within Narrador 100,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
2
% within cor-etnia 10,3% ,0% ,0% ,0% ,0% 2,6%
Count 1 0 0 0 1 2
% within Narrador 50,0% ,0% ,0% ,0% 50,0% 100,0%
3
% within cor-etnia 3,4% ,0% ,0% ,0% 1,8% 1,7%
Count 24 1 6 23 55 109
% within Narrador 22,0% ,9% 5,5% 21,1% 50,5% 100,0%
Narrador
5
% within cor-etnia 82,8% 100,0% 100,0% 100,0% 98,2% 94,8%
Count 29 1 6 23 56 115
% within Narrador 25,2% ,9% 5,2% 20,0% 48,7% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
Ação * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 6 7 9
Total
Count 5 0 0 0 3 8
% within Ação 62,5% ,0% ,0% ,0% 37,5% 100,0%
1
% within cor-etnia 17,2% ,0% ,0% ,0% 5,4% 7,0%
Count 1 0 0 7 4 12
% within Ação 8,3% ,0% ,0% 58,3% 33,3% 100,0%
2
% within cor-etnia 3,4% ,0% ,0% 30,4% 7,1% 10,4%
Count 22 1 6 16 49 94
% within Ação 23,4% 1,1% 6,4% 17,0% 52,1% 100,0%
3
% within cor-etnia 75,9% 100,0% 100,0% 69,6% 87,5% 81,7%
Ação
9 Count 1 0 0 0 0 1
250
% within Ação 100,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
% within cor-etnia 3,4% ,0% ,0% ,0% ,0% ,9%
Count 29 1 6 23 56 115
% within Ação 25,2% ,9% 5,2% 20,0% 48,7% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
língua/linguagem * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 6 7 9
Total
Count 9 1 6 22 45 83
% within língua/linguagem 10,8% 1,2% 7,2% 26,5% 54,2% 100,0%
0
% within cor-etnia 31,0% 100,0% 100,0% 95,7% 80,4% 72,2%
Count 20 0 0 1 11 32
% within língua/linguagem 62,5% ,0% ,0% 3,1% 34,4% 100,0%
língua/linguagem
1
% within cor-etnia 69,0% ,0% ,0% 4,3% 19,6% 27,8%
Count 29 1 6 23 56 115
% within língua/linguagem 25,2% ,9% 5,2% 20,0% 48,7% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
cor-etnia
1 2 6 7 9
Total
Count 4 1 0 0 8 13
% within religião 30,8% 7,7% ,0% ,0% 61,5% 100,0%
1
% within cor-etnia 13,8% 100,0% ,0% ,0% 14,3% 11,3%
Count 4 0 0 0 4 8
% within religião 50,0% ,0% ,0% ,0% 50,0% 100,0%
2
% within cor-etnia 13,8% ,0% ,0% ,0% 7,1% 7,0%
Count 0 0 0 0 1 1
% within religião ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0% 100,0%
3
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% ,0% 1,8% ,9%
religião
5 Count 7 0 0 11 3 21
251
% within religião 33,3% ,0% ,0% 52,4% 14,3% 100,0%
% within cor-etnia 24,1% ,0% ,0% 47,8% 5,4% 18,3%
Count 2 0 6 0 1 9
% within religião 22,2% ,0% 66,7% ,0% 11,1% 100,0%
7
% within cor-etnia 6,9% ,0% 100,0% ,0% 1,8% 7,8%
Count 0 0 0 8 2 10
% within religião ,0% ,0% ,0% 80,0% 20,0% 100,0%
8
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% 34,8% 3,6% 8,7%
Count 11 0 0 2 27 40
% within religião 27,5% ,0% ,0% 5,0% 67,5% 100,0%
9
% within cor-etnia 37,9% ,0% ,0% 8,7% 48,2% 34,8%
Count 1 0 0 2 10 13
% within religião 7,7% ,0% ,0% 15,4% 76,9% 100,0%
10
% within cor-etnia 3,4% ,0% ,0% 8,7% 17,9% 11,3%
Count 29 1 6 23 56 115
% within religião 25,2% ,9% 5,2% 20,0% 48,7% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
cor-etnia
1 2 6 7 9
Total
Count 29 1 6 23 49 108
% within valor pers. 26,9% ,9% 5,6% 21,3% 45,4% 100,0%
1
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 87,5% 93,9%
Count 0 0 0 0 4 4
% within valor pers. ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0% 100,0%
2
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% ,0% 7,1% 3,5%
Count 0 0 0 0 2 2
% within valor pers. ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0% 100,0%
4
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% ,0% 3,6% 1,7%
Count 0 0 0 0 1 1
% within valor pers. ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0% 100,0%
valor pers.
12
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% ,0% 1,8% ,9%
252
Count 29 1 6 23 56 115
% within valor pers. 25,2% ,9% 5,2% 20,0% 48,7% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
profissão * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 6 7 9
Total
Count 18 1 6 15 48 88
% within profissão 20,5% 1,1% 6,8% 17,0% 54,5% 100,0%
0
% within cor-etnia 62,1% 100,0% 100,0% 65,2% 85,7% 76,5%
Count 10 0 0 0 8 18
% within profissão 55,6% ,0% ,0% ,0% 44,4% 100,0%
1
% within cor-etnia 34,5% ,0% ,0% ,0% 14,3% 15,7%
Count 1 0 0 8 0 9
% within profissão 11,1% ,0% ,0% 88,9% ,0% 100,0%
profissão
4
% within cor-etnia 3,4% ,0% ,0% 34,8% ,0% 7,8%
Count 29 1 6 23 56 115
% within profissão 25,2% ,9% 5,2% 20,0% 48,7% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
atividade escolar * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 6 7 9
Total
Count 0 0 0 0 5 5
% within atividade escolar ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0% 100,0%
0
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% ,0% 8,9% 4,3%
Count 29 1 6 23 49 108
% within atividade escolar 26,9% ,9% 5,6% 21,3% 45,4% 100,0%
1
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 87,5% 93,9%
Count 0 0 0 0 1 1
% within atividade escolar ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0% 100,0%
atividade escolar
2
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% ,0% 1,8% ,9%
253
Count 0 0 0 0 1 1
% within atividade escolar ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0% 100,0%
4
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% ,0% 1,8% ,9%
Count 29 1 6 23 56 115
% within atividade escolar 25,2% ,9% 5,2% 20,0% 48,7% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
atividade escolar * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 6 7 9
Total
Count 0 0 0 0 5 5
% within atividade escolar ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0% 100,0%
0
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% ,0% 8,9% 4,3%
Count 29 1 6 23 49 108
% within atividade escolar 26,9% ,9% 5,6% 21,3% 45,4% 100,0%
1
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 87,5% 93,9%
Count 0 0 0 0 1 1
% within atividade escolar ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0% 100,0%
2
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% ,0% 1,8% ,9%
Count 0 0 0 0 1 1
% within atividade escolar ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0% 100,0%
atividade escolar
4
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% ,0% 1,8% ,9%
Count 29 1 6 23 56 115
% within atividade escolar 25,2% ,9% 5,2% 20,0% 48,7% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
254
cor-etnia
1 2 6 7 9
Total
Count 0 0 0 0 1 1
% within relação conjugal ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0% 100,0%
0
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% ,0% 1,8% ,9%
Count 0 0 0 0 1 1
% within relação conjugal ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0% 100,0%
1
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% ,0% 1,8% ,9%
Count 29 1 6 23 49 108
% within relação conjugal 26,9% ,9% 5,6% 21,3% 45,4% 100,0%
2
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 87,5% 93,9%
Count 0 0 0 0 1 1
% within relação conjugal ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0% 100,0%
4
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% ,0% 1,8% ,9%
Count 0 0 0 0 4 4
% within relação conjugal ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0% 100,0%
relação conjugal
9
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% ,0% 7,1% 3,5%
Count 29 1 6 23 56 115
% within relação conjugal 25,2% ,9% 5,2% 20,0% 48,7% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
255
parent. pais biol. * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 6 7 9
Total
Count 0 0 0 0 1 1
% within parent. pais biol. ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0% 100,0%
1
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% ,0% 1,8% ,9%
Count 2 0 0 0 1 3
% within parent. pais biol. 66,7% ,0% ,0% ,0% 33,3% 100,0%
2
% within cor-etnia 6,9% ,0% ,0% ,0% 1,8% 2,6%
Count 1 0 0 0 0 1
% within parent. pais biol. 100,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
3
% within cor-etnia 3,4% ,0% ,0% ,0% ,0% ,9%
Count 26 1 6 23 53 109
% within parent. pais biol. 23,9% ,9% 5,5% 21,1% 48,6% 100,0%
4
% within cor-etnia 89,7% 100,0% 100,0% 100,0% 94,6% 94,8%
Count 0 0 0 0 1 1
% within parent. pais biol. ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0% 100,0%
parent. pais biol.
9
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% ,0% 1,8% ,9%
Count 29 1 6 23 56 115
% within parent. pais biol. 25,2% ,9% 5,2% 20,0% 48,7% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
parent. pais adot. * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 6 7 9
Total
Count 29 1 6 23 56 115
% within parent. pais adot. 25,2% ,9% 5,2% 20,0% 48,7% 100,0%
parent. pais adot. 9
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
Count 29 1 6 23 56 115
% within parent. pais adot. 25,2% ,9% 5,2% 20,0% 48,7% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
256
parent. filhos biol. * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 6 7 9
Total
Count 1 0 0 0 1 2
% within parent. filhos biol. 50,0% ,0% ,0% ,0% 50,0% 100,0%
1
% within cor-etnia 3,4% ,0% ,0% ,0% 1,8% 1,7%
Count 28 1 6 23 55 113
% within parent. filhos biol. 24,8% ,9% 5,3% 20,4% 48,7% 100,0%
parent. filhos
biol.
9
% within cor-etnia 96,6% 100,0% 100,0% 100,0% 98,2% 98,3%
Count 29 1 6 23 56 115
% within parent. filhos biol. 25,2% ,9% 5,2% 20,0% 48,7% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
parent. filhos adot. * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 6 7 9
Total
Count 29 1 6 23 56 115
% within parent. filhos adot. 25,2% ,9% 5,2% 20,0% 48,7% 100,0%
parent. filhos adot. 9
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
Count 29 1 6 23 56 115
% within parent. filhos adot. 25,2% ,9% 5,2% 20,0% 48,7% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
parent. irmãos * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 6 7 9
Total
Count 0 0 0 2 0 2
% within parent. irmãos ,0% ,0% ,0% 100,0% ,0% 100,0%
1
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% 8,7% ,0% 1,7%
parent. irmãos
9 Count 29 1 6 21 56 113
257
% within parent. irmãos 25,7% ,9% 5,3% 18,6% 49,6% 100,0%
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 91,3% 100,0% 98,3%
Count 29 1 6 23 56 115
% within parent. irmãos 25,2% ,9% 5,2% 20,0% 48,7% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
parent. posição * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 6 7 9
Total
Count 0 0 0 0 1 1
% within parent. posição ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0% 100,0%
4
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% ,0% 1,8% ,9%
Count 29 1 6 23 55 114
% within parent. posição 25,4% ,9% 5,3% 20,2% 48,2% 100,0%
parent. posição
9
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 98,2% 99,1%
Count 29 1 6 23 56 115
% within parent. posição 25,2% ,9% 5,2% 20,0% 48,7% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
parent. família sup. * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 6 7 9
Total
Count 29 1 6 23 56 115
% within parent. família sup. 25,2% ,9% 5,2% 20,0% 48,7% 100,0%
parent. família sup. 9
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
Count 29 1 6 23 56 115
% within parent. família sup. 25,2% ,9% 5,2% 20,0% 48,7% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
258
parent. família inf. * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 6 7 9
Total
Count 29 1 6 23 56 115
% within parent. família inf. 25,2% ,9% 5,2% 20,0% 48,7% 100,0%
parent. família inf. 9
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
Count 29 1 6 23 56 115
% within parent. família inf. 25,2% ,9% 5,2% 20,0% 48,7% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
parent. família amp. * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 6 7 9
Total
Count 3 0 0 0 0 3
% within parent. família amp. 100,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
1
% within cor-etnia 10,3% ,0% ,0% ,0% ,0% 2,6%
Count 26 1 6 23 56 112
% within parent. família amp. 23,2% ,9% 5,4% 20,5% 50,0% 100,0%
parent. família amp.
9
% within cor-etnia 89,7% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 97,4%
Count 29 1 6 23 56 115
% within parent. família amp. 25,2% ,9% 5,2% 20,0% 48,7% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
parent. família geral * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 6 7 9
Total
Count 1 0 0 0 3 4parent. família geral 1
% within parent. família geral 25,0% ,0% ,0% ,0% 75,0% 100,0%
259
% within cor-etnia 3,4% ,0% ,0% ,0% 5,4% 3,5%
Count 28 1 6 23 53 111
% within parent. família geral 25,2% ,9% 5,4% 20,7% 47,7% 100,0%
2
% within cor-etnia 96,6% 100,0% 100,0% 100,0% 94,6% 96,5%
Count 29 1 6 23 56 115
% within parent. família geral 25,2% ,9% 5,2% 20,0% 48,7% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
profissão ocupação * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 6 7 9
Total
Count 29 1 6 23 56 115
% within profissão ocupação 25,2% ,9% 5,2% 20,0% 48,7% 100,0%
profissão ocupação 9
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
Count 29 1 6 23 56 115
% within profissão ocupação 25,2% ,9% 5,2% 20,0% 48,7% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
260
ANEXO – 6 CRUZAMENTO PERSONAGEM NO TEXTO – MODELO
INTERCONFESSIONAL
Cases
Valid Missing Total
N Percent N Percent N Percent
no. livro * cor-etnia 132 100,0% 0 ,0% 132 100,0%
natureza * cor-etnia 132 100,0% 0 ,0% 132 100,0%
individualidade * cor-etnia 132 100,0% 0 ,0% 132 100,0%
sexo * cor-etnia 132 100,0% 0 ,0% 132 100,0%
forma de apreensão * cor-etnia 132 100,0% 0 ,0% 132 100,0%
idade/etapa * cor-etnia 132 100,0% 0 ,0% 132 100,0%
nome * cor-etnia 132 100,0% 0 ,0% 132 100,0%
nacionalidade * cor-etnia 132 100,0% 0 ,0% 132 100,0%
contexto geográfico * cor-etnia 132 100,0% 0 ,0% 132 100,0%
vida e morte * cor-etnia 132 100,0% 0 ,0% 132 100,0%
deficiências * cor-etnia 132 100,0% 0 ,0% 132 100,0%
import. pers * cor-etnia 132 100,0% 0 ,0% 132 100,0%
Diálogo * cor-etnia 132 100,0% 0 ,0% 132 100,0%
Narrador * cor-etnia 132 100,0% 0 ,0% 132 100,0%
Ação * cor-etnia 132 100,0% 0 ,0% 132 100,0%
língua/linguagem * cor-etnia 132 100,0% 0 ,0% 132 100,0%
religião * cor-etnia 132 100,0% 0 ,0% 132 100,0%
valor pers. * cor-etnia 132 100,0% 0 ,0% 132 100,0%
profissão * cor-etnia 132 100,0% 0 ,0% 132 100,0%
atividade escolar * cor-etnia 132 100,0% 0 ,0% 132 100,0%
relação conjugal * cor-etnia 132 100,0% 0 ,0% 132 100,0%
parent. pais biol. * cor-etnia 132 100,0% 0 ,0% 132 100,0%
parent. pais adot. * cor-etnia 132 100,0% 0 ,0% 132 100,0%
parent. filhos biol. * cor-etnia 132 100,0% 0 ,0% 132 100,0%
parent. filhos adot. * cor-etnia 132 100,0% 0 ,0% 132 100,0%
parent. irmãos * cor-etnia 132 100,0% 0 ,0% 132 100,0%
parent. posição * cor-etnia 132 100,0% 0 ,0% 132 100,0%
parent. família sup. * cor-etnia 132 100,0% 0 ,0% 132 100,0%
parent. família inf. * cor-etnia 132 100,0% 0 ,0% 132 100,0%
parent. família amp. * cor-etnia 132 100,0% 0 ,0% 132 100,0%
parent. família geral * cor-etnia 132 100,0% 0 ,0% 132 100,0%
261
Cases
Valid Missing Total
N Percent N Percent N Percent
no. livro * cor-etnia 132 100,0% 0 ,0% 132 100,0%
natureza * cor-etnia 132 100,0% 0 ,0% 132 100,0%
individualidade * cor-etnia 132 100,0% 0 ,0% 132 100,0%
sexo * cor-etnia 132 100,0% 0 ,0% 132 100,0%
forma de apreensão * cor-etnia 132 100,0% 0 ,0% 132 100,0%
idade/etapa * cor-etnia 132 100,0% 0 ,0% 132 100,0%
nome * cor-etnia 132 100,0% 0 ,0% 132 100,0%
nacionalidade * cor-etnia 132 100,0% 0 ,0% 132 100,0%
contexto geográfico * cor-etnia 132 100,0% 0 ,0% 132 100,0%
vida e morte * cor-etnia 132 100,0% 0 ,0% 132 100,0%
deficiências * cor-etnia 132 100,0% 0 ,0% 132 100,0%
import. pers * cor-etnia 132 100,0% 0 ,0% 132 100,0%
Diálogo * cor-etnia 132 100,0% 0 ,0% 132 100,0%
Narrador * cor-etnia 132 100,0% 0 ,0% 132 100,0%
Ação * cor-etnia 132 100,0% 0 ,0% 132 100,0%
língua/linguagem * cor-etnia 132 100,0% 0 ,0% 132 100,0%
religião * cor-etnia 132 100,0% 0 ,0% 132 100,0%
valor pers. * cor-etnia 132 100,0% 0 ,0% 132 100,0%
profissão * cor-etnia 132 100,0% 0 ,0% 132 100,0%
atividade escolar * cor-etnia 132 100,0% 0 ,0% 132 100,0%
relação conjugal * cor-etnia 132 100,0% 0 ,0% 132 100,0%
parent. pais biol. * cor-etnia 132 100,0% 0 ,0% 132 100,0%
parent. pais adot. * cor-etnia 132 100,0% 0 ,0% 132 100,0%
parent. filhos biol. * cor-etnia 132 100,0% 0 ,0% 132 100,0%
parent. filhos adot. * cor-etnia 132 100,0% 0 ,0% 132 100,0%
parent. irmãos * cor-etnia 132 100,0% 0 ,0% 132 100,0%
parent. posição * cor-etnia 132 100,0% 0 ,0% 132 100,0%
parent. família sup. * cor-etnia 132 100,0% 0 ,0% 132 100,0%
parent. família inf. * cor-etnia 132 100,0% 0 ,0% 132 100,0%
parent. família amp. * cor-etnia 132 100,0% 0 ,0% 132 100,0%
parent. família geral * cor-etnia 132 100,0% 0 ,0% 132 100,0%
profissão ocupação * cor-etnia 132 100,0% 0 ,0% 132 100,0%
262
cor-etnia
1 2 6 7 9
Total
Count 8 1 0 14 10 33
% within no. livro 24,2% 3,0% ,0% 42,4% 30,3% 100,0%
6
% within cor-etnia 27,6% 25,0% ,0% 29,8% 19,6% 25,0%
Count 2 0 0 8 9 19
% within no. livro 10,5% ,0% ,0% 42,1% 47,4% 100,0%
7
% within cor-etnia 6,9% ,0% ,0% 17,0% 17,6% 14,4%
Count 5 0 0 5 3 13
% within no. livro 38,5% ,0% ,0% 38,5% 23,1% 100,0%
8
% within cor-etnia 17,2% ,0% ,0% 10,6% 5,9% 9,8%
Count 3 2 1 6 5 17
% within no. livro 17,6% 11,8% 5,9% 35,3% 29,4% 100,0%
9
% within cor-etnia 10,3% 50,0% 100,0% 12,8% 9,8% 12,9%
Count 6 0 0 5 4 15
% within no. livro 40,0% ,0% ,0% 33,3% 26,7% 100,0%
10
% within cor-etnia 20,7% ,0% ,0% 10,6% 7,8% 11,4%
Count 5 1 0 6 18 30
% within no. livro 16,7% 3,3% ,0% 20,0% 60,0% 100,0%
11
% within cor-etnia 17,2% 25,0% ,0% 12,8% 35,3% 22,7%
Count 0 0 0 3 2 5
% within no. livro ,0% ,0% ,0% 60,0% 40,0% 100,0%
no. livro
12
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% 6,4% 3,9% 3,8%
Count 29 4 1 47 51 132
% within no. livro 22,0% 3,0% ,8% 35,6% 38,6% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
263
natureza * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 6 7 9
Total
Count 23 4 1 32 28 88
% within natureza 26,1% 4,5% 1,1% 36,4% 31,8% 100,0%
1
% within cor-etnia 79,3% 100,0% 100,0% 68,1% 54,9% 66,7%
Count 4 0 0 15 21 40
% within natureza 10,0% ,0% ,0% 37,5% 52,5% 100,0%
2
% within cor-etnia 13,8% ,0% ,0% 31,9% 41,2% 30,3%
Count 2 0 0 0 1 3
% within natureza 66,7% ,0% ,0% ,0% 33,3% 100,0%
3
% within cor-etnia 6,9% ,0% ,0% ,0% 2,0% 2,3%
Count 0 0 0 0 1 1
% within natureza ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0% 100,0%
natureza
4
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% ,0% 2,0% ,8%
Count 29 4 1 47 51 132
% within natureza 22,0% 3,0% ,8% 35,6% 38,6% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
cor-etnia
1 2 6 7 9
Total
Count 29 4 0 44 45 122
% within individualidade 23,8% 3,3% ,0% 36,1% 36,9% 100,0%
1
% within cor-etnia 100,0% 100,0% ,0% 93,6% 88,2% 92,4%
Count 0 0 1 3 6 10
% within individualidade ,0% ,0% 10,0% 30,0% 60,0% 100,0%
individualidade
2
% within cor-etnia ,0% ,0% 100,0% 6,4% 11,8% 7,6%
Count 29 4 1 47 51 132
% within individualidade 22,0% 3,0% ,8% 35,6% 38,6% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
264
cor-etnia
1 2 6 7 9
Total
Count 25 2 1 43 20 91
% within sexo 27,5% 2,2% 1,1% 47,3% 22,0% 100,0%
1
% within cor-etnia 86,2% 50,0% 100,0% 91,5% 39,2% 68,9%
Count 4 2 0 1 3 10
% within sexo 40,0% 20,0% ,0% 10,0% 30,0% 100,0%
3
% within cor-etnia 13,8% 50,0% ,0% 2,1% 5,9% 7,6%
Count 0 0 0 3 7 10
% within sexo ,0% ,0% ,0% 30,0% 70,0% 100,0%
4
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% 6,4% 13,7% 7,6%
Count 0 0 0 0 1 1
% within sexo ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0% 100,0%
5
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% ,0% 2,0% ,8%
Count 0 0 0 0 6 6
% within sexo ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0% 100,0%
7
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% ,0% 11,8% 4,5%
Count 0 0 0 0 8 8
% within sexo ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0% 100,0%
8
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% ,0% 15,7% 6,1%
Count 0 0 0 0 6 6
% within sexo ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0% 100,0%
sexo
9
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% ,0% 11,8% 4,5%
Count 29 4 1 47 51 132
% within sexo 22,0% 3,0% ,8% 35,6% 38,6% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
265
forma de apreensão * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 6 7 9
Total
Count 0 3 0 0 1 4
% within forma de apreensão ,0% 75,0% ,0% ,0% 25,0% 100,0%
2
% within cor-etnia ,0% 75,0% ,0% ,0% 2,0% 3,0%
Count 6 0 0 42 1 49
% within forma de apreensão 12,2% ,0% ,0% 85,7% 2,0% 100,0%
3
% within cor-etnia 20,7% ,0% ,0% 89,4% 2,0% 37,1%
Count 19 1 1 1 0 22
% within forma de apreensão 86,4% 4,5% 4,5% 4,5% ,0% 100,0%
4
% within cor-etnia 65,5% 25,0% 100,0% 2,1% ,0% 16,7%
Count 1 0 0 0 1 2
% within forma de apreensão 50,0% ,0% ,0% ,0% 50,0% 100,0%
5
% within cor-etnia 3,4% ,0% ,0% ,0% 2,0% 1,5%
Count 1 0 0 0 0 1
% within forma de apreensão 100,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
7
% within cor-etnia 3,4% ,0% ,0% ,0% ,0% ,8%
Count 2 0 0 4 48 54
% within forma de apreensão 3,7% ,0% ,0% 7,4% 88,9% 100,0%
forma de apreensão
9
% within cor-etnia 6,9% ,0% ,0% 8,5% 94,1% 40,9%
Count 29 4 1 47 51 132
% within forma de apreensão 22,0% 3,0% ,8% 35,6% 38,6% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
idade/etapa * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 6 7 9
Total
Count 0 0 0 0 2 2
% within idade/etapa ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0% 100,0%
idade/etapa 2
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% ,0% 3,9% 1,5%
266
Count 2 0 0 0 2 4
% within idade/etapa 50,0% ,0% ,0% ,0% 50,0% 100,0%
3
% within cor-etnia 6,9% ,0% ,0% ,0% 3,9% 3,0%
Count 25 4 1 40 31 101
% within idade/etapa 24,8% 4,0% 1,0% 39,6% 30,7% 100,0%
4
% within cor-etnia 86,2% 100,0% 100,0% 85,1% 60,8% 76,5%
Count 2 0 0 6 0 8
% within idade/etapa 25,0% ,0% ,0% 75,0% ,0% 100,0%
5
% within cor-etnia 6,9% ,0% ,0% 12,8% ,0% 6,1%
Count 0 0 0 1 2 3
% within idade/etapa ,0% ,0% ,0% 33,3% 66,7% 100,0%
6
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% 2,1% 3,9% 2,3%
Count 0 0 0 0 14 14
% within idade/etapa ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0% 100,0%
9
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% ,0% 27,5% 10,6%
Count 29 4 1 47 51 132
% within idade/etapa 22,0% 3,0% ,8% 35,6% 38,6% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
nome * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 6 7 9
Total
Count 0 0 0 0 5 5
% within nome ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0% 100,0%
0
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% ,0% 9,8% 3,8%
Count 29 4 1 46 27 107
% within nome 27,1% 3,7% ,9% 43,0% 25,2% 100,0%
1
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 97,9% 52,9% 81,1%
Count 0 0 0 1 19 20
nome
3
% within nome ,0% ,0% ,0% 5,0% 95,0% 100,0%
267
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% 2,1% 37,3% 15,2%
Count 29 4 1 47 51 132
% within nome 22,0% 3,0% ,8% 35,6% 38,6% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
cor-etnia
1 2 6 7 9
Total
Count 1 1 0 0 1 3
% within nacionalidade 33,3% 33,3% ,0% ,0% 33,3% 100,0%
1
% within cor-etnia 3,4% 25,0% ,0% ,0% 2,0% 2,3%
Count 4 0 0 3 11 18
% within nacionalidade 22,2% ,0% ,0% 16,7% 61,1% 100,0%
3
% within cor-etnia 13,8% ,0% ,0% 6,4% 21,6% 13,6%
Count 0 0 0 1 0 1
% within nacionalidade ,0% ,0% ,0% 100,0% ,0% 100,0%
5
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% 2,1% ,0% ,8%
Count 24 3 1 43 39 110
% within nacionalidade 21,8% 2,7% ,9% 39,1% 35,5% 100,0%
nacionalidade
9
% within cor-etnia 82,8% 75,0% 100,0% 91,5% 76,5% 83,3%
Count 29 4 1 47 51 132
% within nacionalidade 22,0% 3,0% ,8% 35,6% 38,6% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
cor-etnia
1 2 6 7 9
Total
Count 0 1 0 1 1 3
% within contexto geográfico ,0% 33,3% ,0% 33,3% 33,3% 100,0%
1
% within cor-etnia ,0% 25,0% ,0% 2,1% 2,0% 2,3%
contexto geográfico
3 Count 0 0 0 3 0 3
268
% within contexto geográfico ,0% ,0% ,0% 100,0% ,0% 100,0%
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% 6,4% ,0% 2,3%
Count 29 3 1 43 50 126
% within contexto geográfico 23,0% 2,4% ,8% 34,1% 39,7% 100,0%
9
% within cor-etnia 100,0% 75,0% 100,0% 91,5% 98,0% 95,5%
Count 29 4 1 47 51 132
% within contexto geográfico 22,0% 3,0% ,8% 35,6% 38,6% 100,0%
Total
100,0% 100,0% 100,0% 100,0%% within cor-etnia 100,0% 100,0%
cor-etnia
1 2 6 7 9
Total
Count 11 3 0 10 22 46
% within vida e morte 23,9% 6,5% ,0% 21,7% 47,8% 100,0%
1
% within cor-etnia 37,9% 75,0% ,0% 21,3% 43,1% 34,8%
Count 4 0 0 14 20 38
% within vida e morte 10,5% ,0% ,0% 36,8% 52,6% 100,0%
2
% within cor-etnia 13,8% ,0% ,0% 29,8% 39,2% 28,8%
Count 6 1 1 14 0 22
% within vida e morte 27,3% 4,5% 4,5% 63,6% ,0% 100,0%
3
% within cor-etnia 20,7% 25,0% 100,0% 29,8% ,0% 16,7%
Count 1 0 0 0 0 1
% within vida e morte 100,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
4
% within cor-etnia 3,4% ,0% ,0% ,0% ,0% ,8%
Count 0 0 0 2 0 2
% within vida e morte ,0% ,0% ,0% 100,0% ,0% 100,0%
5
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% 4,3% ,0% 1,5%
Count 7 0 0 7 9 23
% within vida e morte 30,4% ,0% ,0% 30,4% 39,1% 100,0%
vida e morte
9
% within cor-etnia 24,1% ,0% ,0% 14,9% 17,6% 17,4%
Count 29 4 1 47 51 132 Total
% within vida e morte 22,0% 3,0% ,8% 35,6% 38,6% 100,0%
269
cor-etnia
1 2 6 7 9
Total
Count 11 3 0 10 22 46
% within vida e morte 23,9% 6,5% ,0% 21,7% 47,8% 100,0%
1
% within cor-etnia 37,9% 75,0% ,0% 21,3% 43,1% 34,8%
Count 4 0 0 14 20 38
% within vida e morte 10,5% ,0% ,0% 36,8% 52,6% 100,0%
2
% within cor-etnia 13,8% ,0% ,0% 29,8% 39,2% 28,8%
Count 6 1 1 14 0 22
% within vida e morte 27,3% 4,5% 4,5% 63,6% ,0% 100,0%
3
% within cor-etnia 20,7% 25,0% 100,0% 29,8% ,0% 16,7%
Count 1 0 0 0 0 1
% within vida e morte 100,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
4
% within cor-etnia 3,4% ,0% ,0% ,0% ,0% ,8%
Count 0 0 0 2 0 2
% within vida e morte ,0% ,0% ,0% 100,0% ,0% 100,0%
5
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% 4,3% ,0% 1,5%
Count 7 0 0 7 9 23
% within vida e morte 30,4% ,0% ,0% 30,4% 39,1% 100,0%
vida e morte
9
% within cor-etnia 24,1% ,0% ,0% 14,9% 17,6% 17,4%
Count 29 4 1 47 51 132
% within vida e morte 22,0% 3,0% ,8% 35,6% 38,6% 100,0%
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
270
deficiências * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 6 7 9
Total
Count 4 0 0 14 12 30
% within deficiências 13,3% ,0% ,0% 46,7% 40,0% 100,0%
0
% within cor-etnia 13,8% ,0% ,0% 29,8% 23,5% 22,7%
Count 0 0 0 0 1 1
% within deficiências ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0% 100,0%
1
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% ,0% 2,0% ,8%
Count 0 0 0 3 0 3
% within deficiências ,0% ,0% ,0% 100,0% ,0% 100,0%
2
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% 6,4% ,0% 2,3%
Count 25 4 1 30 38 98
% within deficiências 25,5% 4,1% 1,0% 30,6% 38,8% 100,0%
deficiências
9
% within cor-etnia 86,2% 100,0% 100,0% 63,8% 74,5% 74,2%
Count 29 4 1 47 51 132
% within deficiências 22,0% 3,0% ,8% 35,6% 38,6% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
cor-etnia
1 2 6 7 9
Total
Count 6 2 0 19 25 52
% within import. pers 11,5% 3,8% ,0% 36,5% 48,1% 100,0%
1
% within cor-etnia 20,7% 50,0% ,0% 40,4% 49,0% 39,4%
Count 18 2 1 19 18 58
% within import. pers 31,0% 3,4% 1,7% 32,8% 31,0% 100,0%
2
% within cor-etnia 62,1% 50,0% 100,0% 40,4% 35,3% 43,9%
Count 5 0 0 9 4 18
% within import. pers 27,8% ,0% ,0% 50,0% 22,2% 100,0%
import. pers
3
% within cor-etnia 17,2% ,0% ,0% 19,1% 7,8% 13,6%
271
Count 0 0 0 0 4 4
% within import. pers ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0% 100,0%
9
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% ,0% 7,8% 3,0%
Count 29 4 1 47 51 132
% within import. pers 22,0% 3,0% ,8% 35,6% 38,6% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
cor-etnia
1 2 6 7 9
Total
Count 6 2 0 1 10 19
% within Diálogo 31,6% 10,5% ,0% 5,3% 52,6% 100,0%
1
% within cor-etnia 20,7% 50,0% ,0% 2,1% 19,6% 14,4%
Count 16 0 0 28 16 60
% within Diálogo 26,7% ,0% ,0% 46,7% 26,7% 100,0%
2
% within cor-etnia 55,2% ,0% ,0% 59,6% 31,4% 45,5%
Count 7 2 1 18 18 46
% within Diálogo 15,2% 4,3% 2,2% 39,1% 39,1% 100,0%
3
% within cor-etnia 24,1% 50,0% 100,0% 38,3% 35,3% 34,8%
Count 0 0 0 0 7 7
% within Diálogo ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0% 100,0%
Diálogo
9
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% ,0% 13,7% 5,3%
Count 29 4 1 47 51 132
% within Diálogo 22,0% 3,0% ,8% 35,6% 38,6% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
272
cor-etnia
1 2 6 7 9
Total
Count 0 0 0 1 0 1
% within Narrador ,0% ,0% ,0% 100,0% ,0% 100,0%
1
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% 2,1% ,0% ,8%
Count 1 0 0 0 2 3
% within Narrador 33,3% ,0% ,0% ,0% 66,7% 100,0%
2
% within cor-etnia 3,4% ,0% ,0% ,0% 3,9% 2,3%
Count 1 0 0 0 1 2
% within Narrador 50,0% ,0% ,0% ,0% 50,0% 100,0%
3
% within cor-etnia 3,4% ,0% ,0% ,0% 2,0% 1,5%
Count 2 0 0 1 2 5
% within Narrador 40,0% ,0% ,0% 20,0% 40,0% 100,0%
4
% within cor-etnia 6,9% ,0% ,0% 2,1% 3,9% 3,8%
Count 25 4 1 45 46 121
% within Narrador 20,7% 3,3% ,8% 37,2% 38,0% 100,0%
Narrador
5
% within cor-etnia 86,2% 100,0% 100,0% 95,7% 90,2% 91,7%
Count 29 4 1 47 51 132
% within Narrador 22,0% 3,0% ,8% 35,6% 38,6% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
cor-etnia
1 2 6 7 9
Total
Count 3 0 0 1 4 8
% within Ação 37,5% ,0% ,0% 12,5% 50,0% 100,0%
1
% within cor-etnia 10,3% ,0% ,0% 2,1% 7,8% 6,1%
Count 3 1 0 4 7 15
% within Ação 20,0% 6,7% ,0% 26,7% 46,7% 100,0%
Ação
2
% within cor-etnia 10,3% 25,0% ,0% 8,5% 13,7% 11,4%
273
Count 23 3 1 42 40 109
% within Ação 21,1% 2,8% ,9% 38,5% 36,7% 100,0%
3
% within cor-etnia 79,3% 75,0% 100,0% 89,4% 78,4% 82,6%
Count 29 4 1 47 51 132
% within Ação 22,0% 3,0% ,8% 35,6% 38,6% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
cor-etnia
1 2 6 7 9
Total
Count 17 2 1 45 39 104
% within língua/linguagem 16,3% 1,9% 1,0% 43,3% 37,5% 100,0%
0
% within cor-etnia 58,6% 50,0% 100,0% 95,7% 76,5% 78,8%
Count 12 2 0 2 12 28
% within língua/linguagem 42,9% 7,1% ,0% 7,1% 42,9% 100,0%
língua/linguagem
1
% within cor-etnia 41,4% 50,0% ,0% 4,3% 23,5% 21,2%
Count 29 4 1 47 51 132
% within língua/linguagem 22,0% 3,0% ,8% 35,6% 38,6% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
cor-etnia
1 2 6 7 9
Total
Count 8 2 0 2 9 21
% within religião 38,1% 9,5% ,0% 9,5% 42,9% 100,0%
1
% within cor-etnia 27,6% 50,0% ,0% 4,3% 17,6% 15,9%
Count 5 1 1 2 7 16
% within religião 31,3% 6,3% 6,3% 12,5% 43,8% 100,0%
2
% within cor-etnia 17,2% 25,0% 100,0% 4,3% 13,7% 12,1%
Count 1 0 0 5 1 7
religião
3
% within religião 14,3% ,0% ,0% 71,4% 14,3% 100,0%
274
% within cor-etnia 3,4% ,0% ,0% 10,6% 2,0% 5,3%
Count 2 0 0 11 0 13
% within religião 15,4% ,0% ,0% 84,6% ,0% 100,0%
5
% within cor-etnia 6,9% ,0% ,0% 23,4% ,0% 9,8%
Count 0 1 0 0 0 1
% within religião ,0% 100,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
6
% within cor-etnia ,0% 25,0% ,0% ,0% ,0% ,8%
Count 3 0 0 22 3 28
% within religião 10,7% ,0% ,0% 78,6% 10,7% 100,0%
8
% within cor-etnia 10,3% ,0% ,0% 46,8% 5,9% 21,2%
Count 7 0 0 3 10 20
% within religião 35,0% ,0% ,0% 15,0% 50,0% 100,0%
9
% within cor-etnia 24,1% ,0% ,0% 6,4% 19,6% 15,2%
Count 3 0 0 2 21 26
% within religião 11,5% ,0% ,0% 7,7% 80,8% 100,0%
10
% within cor-etnia 10,3% ,0% ,0% 4,3% 41,2% 19,7%
Count 29 4 1 47 51 132
% within religião 22,0% 3,0% ,8% 35,6% 38,6% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
valor pers. * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 6 7 9
Total
Count 28 4 1 46 48 127
% within valor pers. 22,0% 3,1% ,8% 36,2% 37,8% 100,0%
1
% within cor-etnia 96,6% 100,0% 100,0% 97,9% 94,1% 96,2%
Count 1 0 0 0 1 2
% within valor pers. 50,0% ,0% ,0% ,0% 50,0% 100,0%
2
% within cor-etnia 3,4% ,0% ,0% ,0% 2,0% 1,5%
Count 0 0 0 1 0 1
% within valor pers. ,0% ,0% ,0% 100,0% ,0% 100,0%
valor pers.
3
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% 2,1% ,0% ,8%
275
Count 0 0 0 0 2 2
% within valor pers. ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0% 100,0%
9
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% ,0% 3,9% 1,5%
Count 29 4 1 47 51 132
% within valor pers. 22,0% 3,0% ,8% 35,6% 38,6% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
profissão * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 6 7 9
Total
Count 17 2 1 34 35 89
% within profissão 19,1% 2,2% 1,1% 38,2% 39,3% 100,0%
0
% within cor-etnia 58,6% 50,0% 100,0% 72,3% 68,6% 67,4%
Count 5 2 0 0 5 12
% within profissão 41,7% 16,7% ,0% ,0% 41,7% 100,0%
1
% within cor-etnia 17,2% 50,0% ,0% ,0% 9,8% 9,1%
Count 7 0 0 13 11 31
% within profissão 22,6% ,0% ,0% 41,9% 35,5% 100,0%
profissão
4
% within cor-etnia 24,1% ,0% ,0% 27,7% 21,6% 23,5%
Count 29 4 1 47 51 132
% within profissão 22,0% 3,0% ,8% 35,6% 38,6% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
cor-etnia
1 2 6 7 9
Total
Count 0 0 0 1 1 2
% within atividade escolar ,0% ,0% ,0% 50,0% 50,0% 100,0%
0
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% 2,1% 2,0% 1,5%
Count 28 4 1 46 49 128
% within atividade escolar 21,9% 3,1% ,8% 35,9% 38,3% 100,0%
atividade escolar
1
% within cor-etnia 96,6% 100,0% 100,0% 97,9% 96,1% 97,0%
276
Count 0 0 0 0 1 1
% within atividade escolar ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0% 100,0%
2
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% ,0% 2,0% ,8%
Count 1 0 0 0 0 1
% within atividade escolar 100,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
5
% within cor-etnia 3,4% ,0% ,0% ,0% ,0% ,8%
Count 29 4 1 47 51 132
% within atividade escolar 22,0% 3,0% ,8% 35,6% 38,6% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
cor-etnia
1 2 6 7 9
Total
Count 0 0 0 1 0 1
% within relação conjugal ,0% ,0% ,0% 100,0% ,0% 100,0%
1
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% 2,1% ,0% ,8%
Count 29 4 1 45 49 128
% within relação conjugal 22,7% 3,1% ,8% 35,2% 38,3% 100,0%
2
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 95,7% 96,1% 97,0%
Count 0 0 0 1 2 3
% within relação conjugal ,0% ,0% ,0% 33,3% 66,7% 100,0%
relação conjugal
9
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% 2,1% 3,9% 2,3%
Count 29 4 1 47 51 132
% within relação conjugal 22,0% 3,0% ,8% 35,6% 38,6% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
parent. pais biol. * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 6 7 9
Total
Count 29 4 1 47 51 132parent. pais biol. 4
% within parent. pais
biol.
22,0% 3,0% ,8% 35,6% 38,6% 100,0%
277
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
Count 29 4 1 47 51 132
% within parent. pais
biol.
22,0% 3,0% ,8% 35,6% 38,6% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
parent. pais adot. * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 6 7 9
Total
Count 29 4 1 47 51 132
% within parent. pais adot. 22,0% 3,0% ,8% 35,6% 38,6% 100,0%
parent. pais
adot.
9
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
Count 29 4 1 47 51 132
% within parent. pais adot. 22,0% 3,0% ,8% 35,6% 38,6% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
parent. filhos biol. * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 6 7 9
Total
Count 29 4 1 47 51 132
% within parent. filhos biol. 22,0% 3,0% ,8% 35,6% 38,6% 100,0%
parent. filhos biol. 9
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
Count 29 4 1 47 51 132
% within parent. filhos biol. 22,0% 3,0% ,8% 35,6% 38,6% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
parent. filhos adot. * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 6 7 9
Total
parent. filhos adot. 9 Count 29 4 1 47 51 132
278
% within parent. filhos adot. 22,0% 3,0% ,8% 35,6% 38,6% 100,0%
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
Count 29 4 1 47 51 132
% within parent. filhos adot. 22,0% 3,0% ,8% 35,6% 38,6% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
parent. irmãos * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 6 7 9
Total
Count 0 0 1 0 0 1
% within parent. irmãos ,0% ,0% 100,0% ,0% ,0% 100,0%
1
% within cor-etnia ,0% ,0% 100,0% ,0% ,0% ,8%
Count 29 4 0 47 51 131
% within parent. irmãos 22,1% 3,1% ,0% 35,9% 38,9% 100,0%
parent. irmãos
9
% within cor-etnia 100,0% 100,0% ,0% 100,0% 100,0% 99,2%
Count 29 4 1 47 51 132
% within parent. irmãos 22,0% 3,0% ,8% 35,6% 38,6% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
parent. posição * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 6 7 9
Total
Count 29 4 1 47 51 132
% within parent. posição 22,0% 3,0% ,8% 35,6% 38,6% 100,0%
parent. posição 9
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
Count 29 4 1 47 51 132
% within parent. posição 22,0% 3,0% ,8% 35,6% 38,6% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
279
parent. família sup. * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 6 7 9
Total
Count 29 4 1 47 51 132
% within parent. família sup. 22,0% 3,0% ,8% 35,6% 38,6% 100,0%
parent. família sup. 9
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
Count 29 4 1 47 51 132
% within parent. família sup. 22,0% 3,0% ,8% 35,6% 38,6% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
parent. família inf. * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 6 7 9
Total
Count 29 4 1 47 51 132
% within parent. família inf. 22,0% 3,0% ,8% 35,6% 38,6% 100,0%
parent. família inf. 9
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
Count 29 4 1 47 51 132
% within parent. família inf. 22,0% 3,0% ,8% 35,6% 38,6% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
parent. família amp. * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 6 7 9
Total
Count 29 4 1 47 51 132
% within parent. família amp. 22,0% 3,0% ,8% 35,6% 38,6% 100,0%
parent. família amp. 9
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
Count 29 4 1 47 51 132
% within parent. família amp. 22,0% 3,0% ,8% 35,6% 38,6% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
280
parent. família geral * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 6 7 9
Total
Count 0 0 1 1 0 2
% within parent. família geral ,0% ,0% 50,0% 50,0% ,0% 100,0%
1
% within cor-etnia ,0% ,0% 100,0% 2,1% ,0% 1,5%
Count 29 4 0 46 51 130
% within parent. família geral 22,3% 3,1% ,0% 35,4% 39,2% 100,0%
parent. família geral
2
% within cor-etnia 100,0% 100,0% ,0% 97,9% 100,0% 98,5%
Count 29 4 1 47 51 132
% within parent. família geral 22,0% 3,0% ,8% 35,6% 38,6% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
profissão ocupação * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 6 7 9
Total
Count 29 4 1 47 51 132
% within profissão ocupação 22,0% 3,0% ,8% 35,6% 38,6% 100,0%
profissão ocupação 9
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
Count 29 4 1 47 51 132
% within profissão ocupação 22,0% 3,0% ,8% 35,6% 38,6% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
281
ANEXO 7 - CRUZAMENTO PERSONAGEM NO TEXTO – MODELO -
FENOMENOLÓGICO
no.pers. * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 3 4 5 6 7 9
Total
Count
2010012 3 9
% within no.pers.
22,2% ,0% 11,1% ,0% ,0% 11,1% 22,2% 33,3% 100,0%
1
% within cor-etnia
2,1% ,0% 14,3% ,0% ,0% 7,7% 5,9% 6,7% 4,1%
Count
0001101 4 7
% within no.pers.
,0% ,0% ,0% 14,3% 14,3% ,0% 14,3% 57,1% 100,0%
2
% within cor-etnia
,0% ,0% ,0% 6,7% 25,0% ,0% 2,9% 8,9% 3,2%
Count
1 0 1 1 0 0 0 7 10
% within no.pers.
10,0% ,0% 10,0% 10,0% ,0% ,0% ,0% 70,0% 100,0%
3
% within cor-etnia
1,1% ,0% 14,3% 6,7% ,0% ,0% ,0% 15,6% 4,6%
Count
2012000 4 9
% within no.pers.
22,2% ,0% 11,1% 22,2% ,0% ,0% ,0% 44,4% 100,0%
4
% within cor-etnia
2,1% ,0% 14,3% 13,3% ,0% ,0% ,0% 8,9% 4,1%
Count
3011003 1 9
% within no.pers.
33,3% ,0% 11,1% 11,1% ,0% ,0% 33,3% 11,1% 100,0%
5
% within cor-etnia
3,2% ,0% 14,3% 6,7% ,0% ,0% 8,8% 2,2% 4,1%
Count
1011012 2 8
% within no.pers.
12,5% ,0% 12,5% 12,5% ,0% 12,5% 25,0% 25,0% 100,0%
6
% within cor-etnia
1,1% ,0% 14,3% 6,7% ,0% 7,7% 5,9% 4,4% 3,7%
Count
1010011 3 7
% within no.pers.
14,3% ,0% 14,3% ,0% ,0% 14,3% 14,3% 42,9% 100,0%
7
% within cor-etnia
1,1% ,0% 14,3% ,0% ,0% 7,7% 2,9% 6,7% 3,2%
Count
1110001 3 7
% within no.pers.
14,3% 14,3% 14,3% ,0% ,0% ,0% 14,3% 42,9% 100,0%
8
% within cor-etnia
1,1% 14,3% 14,3% ,0% ,0% ,0% 2,9% 6,7% 3,2%
Count
0101012 2 7
% within no.pers.
,0% 14,3% ,0% 14,3% ,0% 14,3% 28,6% 28,6% 100,0%
9
% within cor-etnia
,0% 14,3% ,0% 6,7% ,0% 7,7% 5,9% 4,4% 3,2%
Count
1100010 2 5
% within no.pers.
20,0% 20,0% ,0% ,0% ,0% 20,0% ,0% 40,0% 100,0%
10
% within cor-etnia
1,1% 14,3% ,0% ,0% ,0% 7,7% ,0% 4,4% 2,3%
Count
1101110 0 5
% within no.pers.
20,0% 20,0% ,0% 20,0% 20,0% 20,0% ,0% ,0% 100,0%
11
% within cor-etnia
1,1% 14,3% ,0% 6,7% 25,0% 7,7% ,0% ,0% 2,3%
Count
1001102 0 5
% within no.pers.
20,0% ,0% ,0% 20,0% 20,0% ,0% 40,0% ,0% 100,0%
12
% within cor-etnia
1,1% ,0% ,0% 6,7% 25,0% ,0% 5,9% ,0% 2,3%
Count
2001001 1 5
% within no.pers.
40,0% ,0% ,0% 20,0% ,0% ,0% 20,0% 20,0% 100,0%
no.pers.
13
% within cor-etnia
2,1% ,0% ,0% 6,7% ,0% ,0% 2,9% 2,2% 2,3%
282
Count
3002000 0 5
% within no.pers.
60,0% ,0% ,0% 40,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
14
% within cor-etnia
3,2% ,0% ,0% 13,3% ,0% ,0% ,0% ,0% 2,3%
Count
2000000 1 3
% within no.pers.
66,7% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 33,3% 100,0%
15
% within cor-etnia
2,1% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 2,2% 1,4%
Count
2000000 1 3
% within no.pers.
66,7% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 33,3% 100,0%
16
% within cor-etnia
2,1% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 2,2% 1,4%
Count
2001000 0 3
% within no.pers.
66,7% ,0% ,0% 33,3% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
17
% within cor-etnia
2,1% ,0% ,0% 6,7% ,0% ,0% ,0% ,0% 1,4%
Count
2001000 0 3
% within no.pers.
66,7% ,0% ,0% 33,3% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
18
% within cor-etnia
2,1% ,0% ,0% 6,7% ,0% ,0% ,0% ,0% 1,4%
Count
2001000 0 3
% within no.pers.
66,7% ,0% ,0% 33,3% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
19
% within cor-etnia
2,1% ,0% ,0% 6,7% ,0% ,0% ,0% ,0% 1,4%
Count
2000001 0 3
% within no.pers.
66,7% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 33,3% ,0% 100,0%
20
% within cor-etnia
2,1% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 2,9% ,0% 1,4%
Count
3000000 0 3
% within no.pers.
100,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
21
% within cor-etnia
3,2% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 1,4%
Count
2000000 1 3
% within no.pers.
66,7% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 33,3% 100,0%
22
% within cor-etnia
2,1% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 2,2% 1,4%
Count
1000000 2 3
% within no.pers.
33,3% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 66,7% 100,0%
23
% within cor-etnia
1,1% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 4,4% 1,4%
Count
2000000 1 3
% within no.pers.
66,7% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 33,3% 100,0%
24
% within cor-etnia
2,1% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 2,2% 1,4%
Count
2000001 1 4
% within no.pers.
50,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 25,0% 25,0% 100,0%
25
% within cor-etnia
2,1% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 2,9% 2,2% 1,8%
Count
0000003 1 4
% within no.pers.
,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 75,0% 25,0% 100,0%
26
% within cor-etnia
,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 8,8% 2,2% 1,8%
Count
2000011 0 4
% within no.pers.
50,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 25,0% 25,0% ,0% 100,0%
27
% within cor-etnia
2,1% ,0% ,0% ,0% ,0% 7,7% 2,9% ,0% 1,8%
Count
1000012 0 4
% within no.pers.
25,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 25,0% 50,0% ,0% 100,0%
28
% within cor-etnia
1,1% ,0% ,0% ,0% ,0% 7,7% 5,9% ,0% 1,8%
283
Count
2000011 0 4
% within no.pers.
50,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 25,0% 25,0% ,0% 100,0%
29
% within cor-etnia
2,1% ,0% ,0% ,0% ,0% 7,7% 2,9% ,0% 1,8%
Count
2000002 0 4
% within no.pers.
50,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 50,0% ,0% 100,0%
30
% within cor-etnia
2,1% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 5,9% ,0% 1,8%
Count
1000110 1 4
% within no.pers.
25,0% ,0% ,0% ,0% 25,0% 25,0% ,0% 25,0% 100,0%
31
% within cor-etnia
1,1% ,0% ,0% ,0% 25,0% 7,7% ,0% 2,2% 1,8%
Count
2000001 1 4
% within no.pers.
50,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 25,0% 25,0% 100,0%
32
% within cor-etnia
2,1% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 2,9% 2,2% 1,8%
Count
3000000 1 4
% within no.pers.
75,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 25,0% 100,0%
33
% within cor-etnia
3,2% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 2,2% 1,8%
Count
2000001 0 3
% within no.pers.
66,7% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 33,3% ,0% 100,0%
34
% within cor-etnia
2,1% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 2,9% ,0% 1,4%
Count
1000002 0 3
% within no.pers.
33,3% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 66,7% ,0% 100,0%
35
% within cor-etnia
1,1% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 5,9% ,0% 1,4%
Count
2000000 1 3
% within no.pers.
66,7% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 33,3% 100,0%
36
% within cor-etnia
2,1% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 2,2% 1,4%
Count
2000001 0 3
% within no.pers.
66,7% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 33,3% ,0% 100,0%
37
% within cor-etnia
2,1% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 2,9% ,0% 1,4%
Count
2000000 0 2
% within no.pers.
100,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
38
% within cor-etnia
2,1% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,9%
Count
2000000 0 2
% within no.pers.
100,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
39
% within cor-etnia
2,1% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,9%
Count
1000001 0 2
% within no.pers.
50,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 50,0% ,0% 100,0%
40
% within cor-etnia
1,1% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 2,9% ,0% ,9%
Count
2000001 0 3
% within no.pers.
66,7% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 33,3% ,0% 100,0%
41
% within cor-etnia
2,1% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 2,9% ,0% 1,4%
Count
2000000 1 3
% within no.pers.
66,7% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 33,3% 100,0%
42
% within cor-etnia
2,1% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 2,2% 1,4%
Count
1000001 0 2
% within no.pers.
50,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 50,0% ,0% 100,0%
43
% within cor-etnia
1,1% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 2,9% ,0% ,9%
284
Count
2000000 0 2
% within no.pers.
100,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
44
% within cor-etnia
2,1% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,9%
Count
1000010 0 2
% within no.pers.
50,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 50,0% ,0% ,0% 100,0%
45
% within cor-etnia
1,1% ,0% ,0% ,0% ,0% 7,7% ,0% ,0% ,9%
Count
1000000 0 1
% within no.pers.
100,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
46
% within cor-etnia
1,1% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,5%
Count
1000000 0 1
% within no.pers.
100,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
47
1,1% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,5%
% within cor-etnia
1000000 0 1
Count
100,0% ,0%
% within no.pers.
,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
48
1,1% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,5%
% within cor-etnia
1000000 0 1
Count
100,0% ,0%
% within no.pers.
,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
49
1,1% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,5%
% within cor-etnia
0000010 0 1
Count
,0% ,0%
% within no.pers.
,0% ,0% ,0% 100,0% ,0% ,0% 100,0%
50
,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 7,7% ,0% ,0% ,5%
% within cor-etnia
1000000 0 1
Count
100,0% ,0%
% within no.pers.
,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
51
1,1% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,5%
% within cor-etnia
Count
1000000 0 1
% within no.pers.
100,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
52
1,1% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,5%
% within cor-etnia
Count
1000000 0 1
% within no.pers.
100,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
53
% within cor-etnia
1,1% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,5%
Count
1000000 0 1
% within no.pers.
100,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
54
% within cor-etnia
1,1% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,5%
Count
1000000 0 1
% within no.pers.
100,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
55
% within cor-etnia
1,1% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,5%
Count
0000010 0 1
% within no.pers.
,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0% ,0% ,0% 100,0%
56
% within cor-etnia
,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 7,7% ,0% ,0% ,5%
Count
1000000 0 1
% within no.pers.
100,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
57
% within cor-etnia
1,1% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,5%
Count
1000000 0 1
% within no.pers.
100,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
58
% within cor-etnia
1,1% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,5%
285
Count
1000000 0 1
% within no.pers.
100,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
59
% within cor-etnia
1,1% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,5%
Count
1000000 0 1
% within no.pers.
100,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
60
% within cor-etnia
1,1% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,5%
Count
1000000 0 1
% within no.pers.
100,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
61
% within cor-etnia
1,1% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,5%
Count
1000000 0 1
% within no.pers.
100,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
62
% within cor-etnia
1,1% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,5%
Count
1000000 0 1
% within no.pers.
100,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
63
% within cor-etnia
1,1% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,5%
Count
1000000 0 1
% within no.pers.
100,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
64
% within cor-etnia
1,1% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,5%
Count
1000000 0 1
% within no.pers.
100,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
65
% within cor-etnia
1,1% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,5%
Count
1000000 0 1
% within no.pers.
100,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
66
% within cor-etnia
1,1% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,5%
Count
1000000 0 1
% within no.pers.
100,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
67
% within cor-etnia
1,1% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,5%
Count
0100000 0 1
% within no.pers.
,0% 100,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
68
% within cor-etnia
,0% 14,3% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,5%
Count
0100000 0 1
% within no.pers.
,0% 100,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
69
% within cor-etnia
,0% 14,3% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,5%
Count
0100000 0 1
% within no.pers.
,0% 100,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
70
% within cor-etnia
,0% 14,3% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,5%
Count
94 7 7 15 4 13 34 45 219
% within no.pers.
42,9% 3,2% 3,2% 6,8% 1,8% 5,9% 15,5% 20,5% 100,0%
Total
% within cor-etnia
100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
natureza * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 3 4 5 6 7 9
Total
Count
85 2 4 7 4 10 24 29 165
natureza 1
% within natureza
51,5% 1,2% 2,4% 4,2% 2,4% 6,1% 14,5% 17,6% 100,0%
286
% within cor-etnia
90,4% 28,6% 57,1% 46,7% 100,0% 76,9% 70,6% 64,4% 75,3%
Count
7 4 3 5 0 3 10 13 45
% within natureza
15,6% 8,9% 6,7% 11,1% ,0% 6,7% 22,2% 28,9% 100,0%
2
% within cor-etnia
7,4% 57,1% 42,9% 33,3% ,0% 23,1% 29,4% 28,9% 20,5%
Count
2 1 0 3 0 0 0 3 9
% within natureza
22,2% 11,1% ,0% 33,3% ,0% ,0% ,0% 33,3% 100,0%
3
% within cor-etnia
2,1% 14,3% ,0% 20,0% ,0% ,0% ,0% 6,7% 4,1%
Count
94 7 7 15 4 13 34 45 219
% within natureza
42,9% 3,2% 3,2% 6,8% 1,8% 5,9% 15,5% 20,5% 100,0%
Total
% within cor-etnia
100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
individualidade * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 3 4 5 6 7 9
Total
Count
92 7 7 10 4 12 24 25 181
% within individualidade
50,8% 3,9% 3,9% 5,5% 2,2% 6,6% 13,3% 13,8% 100,0%
1
% within cor-etnia
97,9% 100,0% 100,0% 66,7% 100,0% 92,3% 70,6% 55,6% 82,6%
Count
200501 10 2038
% within individualidade
5,3% ,0% ,0% 13,2% ,0% 2,6% 26,3% 52,6% 100,0%
individualidade
2
% within cor-etnia
2,1% ,0% ,0% 33,3% ,0% 7,7% 29,4% 44,4% 17,4%
Count
94 7 7 15 4 13 34 45 219
% within individualidade
42,9% 3,2% 3,2% 6,8% 1,8% 5,9% 15,5% 20,5% 100,0%
Total
% within cor-etnia
100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
287
sexo * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 3 4 5 6 7 9
Total
Count
807474925 10 146
% within sexo
54,8% 4,8% 2,7% 4,8% 2,7% 6,2% 17,1% 6,8% 100,0%
1
% within cor-etnia
85,1% 100,0% 57,1% 46,7% 100,0% 69,2% 73,5% 22,2% 66,7%
Count
13033003 1 23
% within sexo
56,5% ,0% 13,0% 13,0% ,0% ,0% 13,0% 4,3% 100,0%
3
% within cor-etnia
13,8% ,0% 42,9% 20,0% ,0% ,0% 8,8% 2,2% 10,5%
Count
1004014 20 30
% within sexo
3,3% ,0% ,0% 13,3% ,0% 3,3% 13,3% 66,7% 100,0%
4
% within cor-etnia
1,1% ,0% ,0% 26,7% ,0% 7,7% 11,8% 44,4% 13,7%
Count
0000020 1 3
% within sexo
,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 66,7% ,0% 33,3% 100,0%
5
% within cor-etnia
,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 15,4% ,0% 2,2% 1,4%
Count
0001010 0 2
% within sexo
,0% ,0% ,0% 50,0% ,0% 50,0% ,0% ,0% 100,0%
7
% within cor-etnia
,0% ,0% ,0% 6,7% ,0% 7,7% ,0% ,0% ,9%
Count
0000000 8 8
% within sexo
,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0% 100,0%
8
% within cor-etnia
,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 17,8% 3,7%
Count
0000002 5 7
% within sexo
,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 28,6% 71,4% 100,0%
sexo
9
% within cor-etnia
,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 5,9% 11,1% 3,2%
Count
94 7 7 15 4 13 34 45 219
% within sexo
42,9% 3,2% 3,2% 6,8% 1,8% 5,9% 15,5% 20,5% 100,0%
Total
% within cor-etnia
100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
forma de apreensão * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 3 4 5 6 7 9
Total
Count
1401200 0 017
% within forma de
apreensão
5,9% 23,5% ,0% 70,6% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
1
% within cor-etnia
1,1% 57,1% ,0% 80,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 7,8%
Count
100000 0 01
% within forma de
apreensão
100,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
2
% within cor-etnia
1,1% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,5%
Count
1205304 29 053
% within forma de
apreensão
22,6% ,0% 9,4% 5,7% ,0% 7,5% 54,7% ,0% 100,0%
3
% within cor-etnia
12,8% ,0% 71,4% 20,0% ,0% 30,8% 85,3% ,0% 24,2%
Count
78 3 2 0 4 9 5 0 101
forma de
apreensão
4
% within forma de
apreensão
77,2% 3,0% 2,0% ,0% 4,0% 8,9% 5,0% ,0% 100,0%
288
% within cor-etnia
83,0% 42,9% 28,6% ,0% 100,0% 69,2% 14,7% ,0% 46,1%
Count
200000 0 13
% within forma de
apreensão
66,7% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 33,3% 100,0%
5
% within cor-etnia
2,1% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 2,2% 1,4%
Count
0 0 0 0 0 0 0 44 44
% within forma de
apreensão
,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0% 100,0%
9
% within cor-etnia
,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 97,8% 20,1%
Count
94 7 7 15 4 13 34 45 219
% within forma de
apreensão
42,9% 3,2% 3,2% 6,8% 1,8% 5,9% 15,5% 20,5% 100,0%
Total
% within cor-etnia
100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
idade/etapa * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 3 4 5 6 7 9
Total
Count
1 0 0 0 0 0 1 0 2
% within idade/etapa
50,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 50,0% ,0% 100,0%
1
% within cor-etnia
1,1% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 2,9% ,0% ,9%
Count
0 0 0 0 0 0 0 1 1
% within idade/etapa
,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0% 100,0%
2
% within cor-etnia
,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 2,2% ,5%
Count
0 0 0 0 0 0 0 1 1
% within idade/etapa
,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0% 100,0%
3
% within cor-etnia
,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 2,2% ,5%
Count
92 7 7 11 4 12 24 11 168
% within idade/etapa
54,8% 4,2% 4,2% 6,5% 2,4% 7,1% 14,3% 6,5% 100,0%
4
% within cor-etnia
98,9% 100,0% 100,0% 73,3% 100,0% 92,3% 70,6% 24,4% 77,1%
Count
0 0 0 0 0 0 3 1 4
% within idade/etapa
,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 75,0% 25,0% 100,0%
5
% within cor-etnia
,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 8,8% 2,2% 1,8%
Count
0 0 0 4 0 1 2 4 11
% within idade/etapa
,0% ,0% ,0% 36,4% ,0% 9,1% 18,2% 36,4% 100,0%
6
% within cor-etnia
,0% ,0% ,0% 26,7% ,0% 7,7% 5,9% 8,9% 5,0%
Count
0 0 0 0 0 0 4 27 31
% within idade/etapa
,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 12,9% 87,1% 100,0%
idade/etapa
9
% within cor-etnia
,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 11,8% 60,0% 14,2%
Count
93 7 7 15 4 13 34 45 218
% within idade/etapa
42,7% 3,2% 3,2% 6,9% 1,8% 6,0% 15,6% 20,6% 100,0%
Total
% within cor-etnia
100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
nome * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia Total
289
1 2 3 4 5 6 7 9
Count
0000002 5 7
% within nome
,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 28,6% 71,4% 100,0%
0
% within cor-etnia
,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 5,9% 11,1% 3,2%
Count
92 7 7 6 4 11 29 16 172
% within nome
53,5% 4,1% 4,1% 3,5% 2,3% 6,4% 16,9% 9,3% 100,0%
1
% within cor-etnia
97,9% 100,0% 100,0% 40,0% 100,0% 84,6% 85,3% 35,6% 78,5%
Count
0000001 0 1
% within nome
,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0% ,0% 100,0%
2
% within cor-etnia
,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 2,9% ,0% ,5%
Count
1 0 0 9 0 2 2 24 38
% within nome
2,6% ,0% ,0% 23,7% ,0% 5,3% 5,3% 63,2% 100,0%
3
% within cor-etnia
1,1% ,0% ,0% 60,0% ,0% 15,4% 5,9% 53,3% 17,4%
Count
1000000 0 1
% within nome
100,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
nome
4
% within cor-etnia
1,1% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,5%
Count
94 7 7 15 4 13 34 45 219
% within nome
42,9% 3,2% 3,2% 6,8% 1,8% 5,9% 15,5% 20,5% 100,0%
Total
% within cor-etnia
100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
nacionalidade * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 3 4 5 6 7 9
Total
Count
400100 0 05
% within nacionalidade
80,0% ,0% ,0% 20,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
1
% within cor-etnia
4,3% ,0% ,0% 6,7% ,0% ,0% ,0% ,0% 2,3%
Count
303000 12 018
% within nacionalidade
16,7% ,0% 16,7% ,0% ,0% ,0% 66,7% ,0% 100,0%
3
% within cor-etnia
3,2% ,0% 42,9% ,0% ,0% ,0% 35,3% ,0% 8,2%
Count
001000 0 01
% within nacionalidade
,0% ,0% 100,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
8
% within cor-etnia
,0% ,0% 14,3% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,5%
Count
87 7 3 14 4 13 22 45 195
% within nacionalidade
44,6% 3,6% 1,5% 7,2% 2,1% 6,7% 11,3% 23,1% 100,0%
nacionalidade
9
% within cor-etnia
92,6% 100,0% 42,9% 93,3% 100,0% 100,0% 64,7% 100,0% 89,0%
Count
94 7 7 15 4 13 34 45 219
% within nacionalidade
42,9% 3,2% 3,2% 6,8% 1,8% 5,9% 15,5% 20,5% 100,0%
Total
% within cor-etnia
100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
contexto geográfico * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 3 4 5 6 7 9
Total
Count
100000 2 03
contexto
geográfico
1
% within contexto
33,3% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 66,7% ,0% 100,0%
290
geográfico
% within cor-etnia
1,1% ,0% ,0% ,0%
,0% ,0% 5,9% ,0% 1,4%
Count
000000 1 01
% within contexto
geográfico
,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0% ,0% 100,0%
3
% within cor-etnia
,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 2,9% ,0% ,5%
Count
000100 0 01
% within contexto
geográfico
,0% ,0% ,0% 100,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
6
% within cor-etnia
,0% ,0% ,0% 6,7% ,0% ,0% ,0% ,0% ,5%
Count
93 7 7 14 4 13 31 45 214
% within contexto
geográfico
43,5% 3,3% 3,3% 6,5% 1,9% 6,1% 14,5% 21,0% 100,0%
9
% within cor-etnia
98,9% 100,0% 100,0% 93,3% 100,0% 100,0% 91,2% 100,0% 97,7%
Count
94 7 7 15 4 13 34 45 219
% within contexto
geográfico
42,9% 3,2% 3,2% 6,8% 1,8% 5,9% 15,5% 20,5% 100,0%
Total
% within cor-etnia
100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
vida e morte * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 3 4 5 6 7 9
Total
Count
100000 0 0 1
% within vida e morte
100,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
0
% within cor-etnia
1,1% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,5%
Count
63 1 3 9 2 9 14 30 131
% within vida e morte
48,1% ,8% 2,3% 6,9% 1,5% 6,9% 10,7% 22,9% 100,0%
1
% within cor-etnia
67,0% 14,3% 42,9% 60,0% 50,0% 69,2% 41,2% 66,7% 59,8%
Count
7 6 3 6 0 2 8 13 45
% within vida e morte
15,6% 13,3% 6,7% 13,3% ,0% 4,4% 17,8% 28,9% 100,0%
2
% within cor-etnia
7,4% 85,7% 42,9% 40,0% ,0% 15,4% 23,5% 28,9% 20,5%
Count
16 0 1 0 2 1 4 0 24
% within vida e morte
66,7% ,0% 4,2% ,0% 8,3% 4,2% 16,7% ,0% 100,0%
3
% within cor-etnia
17,0% ,0% 14,3% ,0% 50,0% 7,7% 11,8% ,0% 11,0%
Count
000000 1 0 1
% within vida e morte
,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0% ,0% 100,0%
4
% within cor-etnia
,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 2,9% ,0% ,5%
Count
200001 2 0 5
% within vida e morte
40,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 20,0% 40,0% ,0% 100,0%
5
% within cor-etnia
2,1% ,0% ,0% ,0% ,0% 7,7% 5,9% ,0% 2,3%
Count
5 0 0 0 0 0 5 2 12
% within vida e morte
41,7% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 41,7% 16,7% 100,0%
vida e morte
9
% within cor-etnia
5,3% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 14,7% 4,4% 5,5%
Count
94 7 7 15 4 13 34 45 219
% within vida e morte
42,9% 3,2% 3,2% 6,8% 1,8% 5,9% 15,5% 20,5% 100,0%
Total
% within cor-etnia
100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
291
deficiências * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 3 4 5 6 7 9
Total
Count
0 0 1 0 0 0 0 0 1
% within deficiências
,0% ,0% 100,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
0
% within cor-etnia
,0% ,0% 14,3% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,5%
Count
0 0 0 0 0 0 1 0 1
% within deficiências
,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0% ,0% 100,0%
2
% within cor-etnia
,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 2,9% ,0% ,5%
Count
94 7 6 15 4 13 33 45 217
% within deficiências
43,3% 3,2% 2,8% 6,9% 1,8% 6,0% 15,2% 20,7% 100,0%
deficiências
9
% within cor-etnia
100,0% 100,0% 85,7% 100,0% 100,0% 100,0% 97,1% 100,0% 99,1%
Count
94 7 7 15 4 13 34 45 219
% within deficiências
42,9% 3,2% 3,2% 6,8% 1,8% 5,9% 15,5% 20,5% 100,0%
Total
% within cor-etnia
100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
import. pers * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 3 4 5 6 7 9
Total
Count
60 3 6 9 3 11 21 35 148
% within import. pers
40,5% 2,0% 4,1% 6,1% 2,0% 7,4% 14,2% 23,6% 100,0%
1
% within cor-etnia
63,8% 42,9% 85,7% 60,0% 75,0% 84,6% 61,8% 77,8% 67,6%
Count
30 4 1 6 1 1 12 10 65
% within import. pers
46,2% 6,2% 1,5% 9,2% 1,5% 1,5% 18,5% 15,4% 100,0%
2
% within cor-etnia
31,9% 57,1% 14,3% 40,0% 25,0% 7,7% 35,3% 22,2% 29,7%
Count
4 0 0 0 0 1 1 0 6
% within import. pers
66,7% ,0% ,0% ,0% ,0% 16,7% 16,7% ,0% 100,0%
import. pers
3
% within cor-etnia
4,3% ,0% ,0% ,0% ,0% 7,7% 2,9% ,0% 2,7%
Count
94 7 7 15 4 13 34 45 219
% within import. pers
42,9% 3,2% 3,2% 6,8% 1,8% 5,9% 15,5% 20,5% 100,0%
Total
% within cor-etnia
100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
292
Diálogo * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 3 4 5 6 7 9
Total
Count
1000001 1 3
% within Diálogo
33,3% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 33,3% 33,3% 100,0%
1
% within cor-etnia
1,1% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 2,9% 2,2% 1,4%
Count
3 0 1 0 0 2 9 3 18
% within Diálogo
16,7% ,0% 5,6% ,0% ,0% 11,1% 50,0% 16,7% 100,0%
2
% within cor-etnia
3,2% ,0% 14,3% ,0% ,0% 15,4% 26,5% 6,7% 8,2%
Count
90 7 6 15 4 11 24 33 190
% within Diálogo
47,4% 3,7% 3,2% 7,9% 2,1% 5,8% 12,6% 17,4% 100,0%
3
% within cor-etnia
95,7% 100,0% 85,7% 100,0% 100,0% 84,6% 70,6% 73,3% 86,8%
Count
0000000 8 8
% within Diálogo
,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0% 100,0%
Diálogo
9
% within cor-etnia
,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 17,8% 3,7%
Count
94 7 7 15 4 13 34 45 219
% within Diálogo
42,9% 3,2% 3,2% 6,8% 1,8% 5,9% 15,5% 20,5% 100,0%
Total
% within cor-etnia
100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
Narrador * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 3 4 5 6 7 9
Total
Count
94 7 7 15 4 13 34 45 219
% within Narrador
42,9% 3,2% 3,2% 6,8% 1,8% 5,9% 15,5% 20,5% 100,0%
Narrador 5
% within cor-etnia
100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
Count
94 7 7 15 4 13 34 45 219
% within Narrador
42,9% 3,2% 3,2% 6,8% 1,8% 5,9% 15,5% 20,5% 100,0%
Total
% within cor-etnia
100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
Ação * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 3 4 5 6 7 9
Total
Count
1000000 0 1
% within Ação
100,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
1
% within cor-etnia
1,1% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,5%
Count
0010029 5 17
% within Ação
,0% ,0% 5,9% ,0% ,0% 11,8% 52,9% 29,4% 100,0%
2
% within cor-etnia
,0% ,0% 14,3% ,0% ,0% 15,4% 26,5% 11,1% 7,8%
Count
93 7 6 15 4 11 25 40 201
% within Ação
46,3% 3,5% 3,0% 7,5% 2,0% 5,5% 12,4% 19,9% 100,0%
Ação
3
% within cor-etnia
98,9% 100,0% 85,7% 100,0% 100,0% 84,6% 73,5% 88,9% 91,8%
Count
94 7 7 15 4 13 34 45 219
% within Ação
42,9% 3,2% 3,2% 6,8% 1,8% 5,9% 15,5% 20,5% 100,0%
Total
% within cor-etnia
100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
293
língua/linguagem * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 3 4 5 6 7 9
Total
Count
35 4 4 3 2 4 23 37 112
% within língua/linguagem
31,3% 3,6% 3,6% 2,7% 1,8% 3,6% 20,5% 33,0% 100,0%
0
% within cor-etnia
37,2% 57,1% 57,1% 20,0% 50,0% 30,8% 67,6% 82,2% 51,1%
Count
58 3 3 12 2 9 11 8 106
% within língua/linguagem
54,7% 2,8% 2,8% 11,3% 1,9% 8,5% 10,4% 7,5% 100,0%
1
% within cor-etnia
61,7% 42,9% 42,9% 80,0% 50,0% 69,2% 32,4% 17,8% 48,4%
Count
100000 0 01
% within língua/linguagem
100,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
língua/linguagem
9
% within cor-etnia
1,1% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,5%
Count
94 7 7 15 4 13 34 45 219
% within língua/linguagem
42,9% 3,2% 3,2% 6,8% 1,8% 5,9% 15,5% 20,5% 100,0%
Total
% within cor-etnia
100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
religião * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 3 4 5 6 7 9
Total
Count
3 0 1 0 0 3 0 6 13
% within religião
23,1% ,0% 7,7% ,0% ,0% 23,1% ,0% 46,2% 100,0%
1
% within cor-etnia
3,2% ,0% 14,3% ,0% ,0% 23,1% ,0% 13,3% 5,9%
Count
6 0 0 0 0 0 0 0 6
% within religião
100,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
2
% within cor-etnia
6,4% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 2,7%
Count
4 0 0 0 1 0 5 7 17
% within religião
23,5% ,0% ,0% ,0% 5,9% ,0% 29,4% 41,2% 100,0%
3
% within cor-etnia
4,3% ,0% ,0% ,0% 25,0% ,0% 14,7% 15,6% 7,8%
Count
5 0 0 0 0 0 0 0 5
% within religião
100,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
4
% within cor-etnia
5,3% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 2,3%
Count
1 0 0 0 0 0 15 0 16
% within religião
6,3% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 93,8% ,0% 100,0%
5
% within cor-etnia
1,1% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 44,1% ,0% 7,3%
Count
0 6 0 0 0 0 0 0 6
% within religião
,0% 100,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
6
% within cor-etnia
,0% 85,7% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 2,7%
Count
10 0 5 14 3 9 0 1 42
% within religião
23,8% ,0% 11,9% 33,3% 7,1% 21,4% ,0% 2,4% 100,0%
7
% within cor-etnia
10,6% ,0% 71,4% 93,3% 75,0% 69,2% ,0% 2,2% 19,2%
Count
3 0 0 0 0 0 0 0 3
% within religião
100,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
religião
8
% within cor-etnia
3,2% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 1,4%
294
Count
62 1 0 0 0 1 6 17 87
% within religião
71,3% 1,1% ,0% ,0% ,0% 1,1% 6,9% 19,5% 100,0%
9
% within cor-etnia
66,0% 14,3% ,0% ,0% ,0% 7,7% 17,6% 37,8% 39,7%
Count
0 0 1 1 0 0 8 14 24
% within religião
,0% ,0% 4,2% 4,2% ,0% ,0% 33,3% 58,3% 100,0%
10
% within cor-etnia
,0% ,0% 14,3% 6,7% ,0% ,0% 23,5% 31,1% 11,0%
Count
94 7 7 15 4 13 34 45 219
% within religião
42,9% 3,2% 3,2% 6,8% 1,8% 5,9% 15,5% 20,5% 100,0%
Total
% within cor-etnia
100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
valor pers. * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 3 4 5 6 7 9
Total
Count
90 7 7 13 3 13 33 40 206
% within valor pers.
43,7% 3,4% 3,4% 6,3% 1,5% 6,3% 16,0% 19,4% 100,0%
1
% within cor-etnia
95,7% 100,0% 100,0% 86,7% 75,0% 100,0% 97,1% 88,9% 94,1%
Count
4 0 0 2 1 0 1 3 11
% within valor pers.
36,4% ,0% ,0% 18,2% 9,1% ,0% 9,1% 27,3% 100,0%
2
% within cor-etnia
4,3% ,0% ,0% 13,3% 25,0% ,0% 2,9% 6,7% 5,0%
Count
0 0 0 0 0 0 0 2 2
% within valor pers.
,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0% 100,0%
valor pers.
4
% within cor-etnia
,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 4,4% ,9%
Count
94 7 7 15 4 13 34 45 219
% within valor pers.
42,9% 3,2% 3,2% 6,8% 1,8% 5,9% 15,5% 20,5% 100,0%
Total
% within cor-etnia
100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
profissão * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 3 4 5 6 7 9
Total
Count
92 7 6 15 4 13 32 44 213
% within profissão
43,2% 3,3% 2,8% 7,0% 1,9% 6,1% 15,0% 20,7% 100,0%
0
% within cor-etnia
97,9% 100,0% 85,7% 100,0% 100,0% 100,0% 94,1% 97,8% 97,3%
Count
2010002 1 6
% within profissão
33,3% ,0% 16,7% ,0% ,0% ,0% 33,3% 16,7% 100,0%
profissão
1
% within cor-etnia
2,1% ,0% 14,3% ,0% ,0% ,0% 5,9% 2,2% 2,7%
Count
94 7 7 15 4 13 34 45 219
% within profissão
42,9% 3,2% 3,2% 6,8% 1,8% 5,9% 15,5% 20,5% 100,0%
Total
% within cor-etnia
100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
atividade escolar * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 3 4 5 6 7 9
Total
atividade escolar 1 Count
94 7 7 14 4 13 34 45 218
295
% within atividade escolar
43,1% 3,2% 3,2% 6,4% 1,8% 6,0% 15,6% 20,6% 100,0%
% within cor-etnia
100,0% 100,0% 100,0% 93,3% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 99,5%
Count
000100 0 01
,0%
% within atividade escolar
,0% ,0% 100,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
2
,0% ,0% ,0% 6,7% ,0% ,0% ,0% ,0% ,5%
% within cor-etnia
94
Count
7 7 15 4 13 34 45 219
% within atividade escolar
42,9% 3,2% 3,2% 6,8% 1,8% 5,9% 15,5% 20,5% 100,0%
Total
% within cor-etnia
100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
relação conjugal * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 3 4 5 6 7 9
Total
Count
000000 0 22
% within relação conjugal
,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0% 100,0%
1
% within cor-etnia
,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 4,4% ,9%
Count
94 7 7 13 4 13 34 43 215
% within relação conjugal
43,7% 3,3% 3,3% 6,0% 1,9% 6,0% 15,8% 20,0% 100,0%
2
% within cor-etnia
100,0% 100,0% 100,0% 86,7% 100,0% 100,0% 100,0% 95,6% 98,2%
Count
000100 0 01
% within relação conjugal
,0% ,0% ,0% 100,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
4
% within cor-etnia
,0% ,0% ,0% 6,7% ,0% ,0% ,0% ,0% ,5%
Count
000100 0 01
% within relação conjugal
,0% ,0% ,0% 100,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
relação conjugal
9
% within cor-etnia
,0% ,0% ,0% 6,7% ,0% ,0% ,0% ,0% ,5%
Count
94 7 7 15 4 13 34 45 219
% within relação conjugal
42,9% 3,2% 3,2% 6,8% 1,8% 5,9% 15,5% 20,5% 100,0%
Total
% within cor-etnia
100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
parent. pais biol. * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 3 4 5 6 7 9
Total
Count
93 7 7 13 4 13 34 43 214
% within parent. pais biol.
43,5% 3,3% 3,3% 6,1% 1,9% 6,1% 15,9% 20,1% 100,0%
4
% within cor-etnia
98,9% 100,0% 100,0% 86,7% 100,0% 100,0% 100,0% 95,6% 97,7%
Count
100200 0 25
% within parent. pais biol.
20,0% ,0% ,0% 40,0% ,0% ,0% ,0% 40,0% 100,0%
parent. pais biol.
9
% within cor-etnia
1,1% ,0% ,0% 13,3% ,0% ,0% ,0% 4,4% 2,3%
Count
94 7 7 15 4 13 34 45 219
% within parent. pais biol.
42,9% 3,2% 3,2% 6,8% 1,8% 5,9% 15,5% 20,5% 100,0%
Total
% within cor-etnia
100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
296
parent. pais adot. * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 3 4 5 6 7 9
Total
Count
94 7 7 15 4 13 34 45 219
% within parent. pais adot.
42,9% 3,2% 3,2% 6,8% 1,8% 5,9% 15,5% 20,5% 100,0%
parent. pais adot. 9
% within cor-etnia
100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
Count
94 7 7 15 4 13 34 45 219
% within parent. pais adot.
42,9% 3,2% 3,2% 6,8% 1,8% 5,9% 15,5% 20,5% 100,0%
Total
% within cor-etnia
100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
parent. filhos biol. * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 3 4 5 6 7 9
Total
Count
100000 0 01
% within parent. filhos
biol.
100,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
1
% within cor-etnia
1,1% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,5%
Count
93 7 7 14 4 13 34 45 217
% within parent. filhos
biol.
42,9% 3,2% 3,2% 6,5% 1,8% 6,0% 15,7% 20,7% 100,0%
9
% within cor-etnia
98,9% 100,0% 100,0% 93,3% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 99,1%
Count
000100 0 01
% within parent. filhos
biol.
,0% ,0% ,0% 100,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
parent. filhos
biol.
99
% within cor-etnia
,0% ,0% ,0% 6,7% ,0% ,0% ,0% ,0% ,5%
Count
94 7 7 15 4 13 34 45 219
% within parent. filhos
biol.
42,9% 3,2% 3,2% 6,8% 1,8% 5,9% 15,5% 20,5% 100,0%
Total
% within cor-etnia
100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
parent. filhos adot. * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 3 4 5 6 7 9
Total
Count
94 7 7 15 4 13 34 45 219
% within parent. filhos
adot.
42,9% 3,2% 3,2% 6,8% 1,8% 5,9% 15,5% 20,5% 100,0%
parent. filhos
adot.
9
% within cor-etnia
100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
Count
94 7 7 15 4 13 34 45 219
% within parent. filhos
adot.
42,9% 3,2% 3,2% 6,8% 1,8% 5,9% 15,5% 20,5% 100,0%
Total
% within cor-etnia
100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
297
parent. irmãos * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 3 4 5 6 7 9
Total
Count
94 7 7 15 4 13 34 45 219
% within parent. irmãos
42,9% 3,2% 3,2% 6,8% 1,8% 5,9% 15,5% 20,5% 100,0%
parent. irmãos 9
% within cor-etnia
100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
Count
94 7 7 15 4 13 34 45 219
% within parent. irmãos
42,9% 3,2% 3,2% 6,8% 1,8% 5,9% 15,5% 20,5% 100,0%
Total
% within cor-etnia
100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
parent. posição * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 3 4 5 6 7 9
Total
Count
94 7 7 15 4 13 34 45 219
% within parent. posição
42,9% 3,2% 3,2% 6,8% 1,8% 5,9% 15,5% 20,5% 100,0%
parent. posição 9
% within cor-etnia
100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
Count
94 7 7 15 4 13 34 45 219
% within parent. posição
42,9% 3,2% 3,2% 6,8% 1,8% 5,9% 15,5% 20,5% 100,0%
Total
% within cor-etnia
100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
parent. família sup. * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 3 4 5 6 7 9
Total
Count
94 7 7 15 4 13 34 45 219
% within parent. família
sup.
42,9% 3,2% 3,2% 6,8% 1,8% 5,9% 15,5% 20,5% 100,0%
parent. família
sup.
9
% within cor-etnia
100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
Count
94 7 7 15 4 13 34 45 219
% within parent. família
sup.
42,9% 3,2% 3,2% 6,8% 1,8% 5,9% 15,5% 20,5% 100,0%
Total
% within cor-etnia
100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
298
parent. família inf. * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 3 4 5 6 7 9
Total
Count
94 7 7 15 4 13 34 45 219
% within parent. família
inf.
42,9% 3,2% 3,2% 6,8% 1,8% 5,9% 15,5% 20,5% 100,0%
parent. família
inf.
9
% within cor-etnia
100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
Count
94 7 7 15 4 13 34 45 219
% within parent. família
inf.
42,9% 3,2% 3,2% 6,8% 1,8% 5,9% 15,5% 20,5% 100,0%
Total
% within cor-etnia
100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
parent. família amp. * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 3 4 5 6 7 9
Total
Count
100000 0 01
% within parent. família
amp.
100,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
1
% within cor-etnia
1,1% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,5%
Count
93 7 7 15 4 13 34 45 218
% within parent. família
amp.
42,7% 3,2% 3,2% 6,9% 1,8% 6,0% 15,6% 20,6% 100,0%
parent. família
amp.
9
% within cor-etnia
98,9% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 99,5%
Count
94 7 7 15 4 13 34 45 219
% within parent. família
amp.
42,9% 3,2% 3,2% 6,8% 1,8% 5,9% 15,5% 20,5% 100,0%
Total
% within cor-etnia
100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
parent. família geral * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 3 4 5 6 7 9
Total
Count
94 7 7 15 4 13 34 45 219
% within parent. família
geral
42,9% 3,2% 3,2% 6,8% 1,8% 5,9% 15,5% 20,5% 100,0%
parent. família
geral
2
% within cor-etnia
100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
Count
94 7 7 15 4 13 34 45 219
% within parent. família
geral
42,9% 3,2% 3,2% 6,8% 1,8% 5,9% 15,5% 20,5% 100,0%
Total
% within cor-etnia
100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
299
profissão ocupação * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 3 4 5 6 7 9
Total
Count
94 7 7 15 4 13 34 45 219
% within profissão
ocupação
42,9% 3,2% 3,2% 6,8% 1,8% 5,9% 15,5% 20,5% 100,0%
profissão
ocupação
9
% within cor-etnia
100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
Count
94 7 7 15 4 13 34 45 219
% within profissão
ocupação
42,9% 3,2% 3,2% 6,8% 1,8% 5,9% 15,5% 20,5% 100,0%
Total
% within cor-etnia
100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
ANEXO 8 - PERSONAGENS NA ILUSTRAÇÃO – MODELO CONFESSIONAL
natureza * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 3 4 5 8
9
Total
Count 32 2 6 1 7 5 5 58
% within natureza 55,2% 3,4% 10,3% 1,7% 12,1% 8,6% 8,6% 100,0%
1
% within cor-etnia 94,1% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 20,0% 72,5%
Count 2 0 0 0 0 0 0 2
% within natureza 100,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
2
% within cor-etnia 5,9% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 2,5%
Count 0 0 0 0 0 0 16 16
% within natureza ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0% 100,0%
3
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 64,0% 20,0%
Count 0 0 0 0 0 0 4 4
% within natureza ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0% 100,0%
natureza
9
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 16,0% 5,0%
Count 34 2 6 1 7 5 25 80
% within natureza 42,5% 2,5% 7,5% 1,3% 8,8% 6,3% 31,3% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
individualidade * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 3 4 5 8
9
Total
Count 16 0 4 0 2 0 15 37
% within individualidade 43,2% ,0% 10,8% ,0% 5,4% ,0% 40,5% 100,0%
1
% within cor-etnia 47,1% ,0% 66,7% ,0% 28,6% ,0% 60,0% 46,3%
individualidade
2 Count 182215 5 942
300
% within individualidade 42,9% 4,8% 4,8% 2,4% 11,9% 11,9% 21,4% 100,0%
% within cor-etnia 52,9% 100,0% 33,3% 100,0% 71,4% 100,0% 36,0% 52,5%
Count 00000 0 11
% within individualidade ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0% 100,0%
9
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 4,0% 1,3%
Count 34 2 6 1 7 5 25 80
% within individualidade 42,5% 2,5% 7,5% 1,3% 8,8% 6,3% 31,3% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
sexo * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 3 4 5 8
9
Total
Count 16 0 1 0 4 0 2 23
% within sexo 69,6% ,0% 4,3% ,0% 17,4% ,0% 8,7% 100,0%
1
% within cor-etnia 47,1% ,0% 16,7% ,0% 57,1% ,0% 8,0% 28,8%
Count 502010 1 9
% within sexo 55,6% ,0% 22,2% ,0% 11,1% ,0% 11,1% 100,0%
2
% within cor-etnia 14,7% ,0% 33,3% ,0% 14,3% ,0% 4,0% 11,3%
Count 13 2 2 0 2 5 2 26
% within sexo 50,0% 7,7% 7,7% ,0% 7,7% 19,2% 7,7% 100,0%
3
% within cor-etnia 38,2% 100,0% 33,3% ,0% 28,6% 100,0% 8,0% 32,5%
Count 000000 2 2
% within sexo ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0% 100,0%
4
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 8,0% 2,5%
Count 001100 18 20
% within sexo ,0% ,0% 5,0% 5,0% ,0% ,0% 90,0% 100,0%
sexo
9
% within cor-etnia ,0% ,0% 16,7% 100,0% ,0% ,0% 72,0% 25,0%
Count 34 2 6 1 7 5 25 80
% within sexo 42,5% 2,5% 7,5% 1,3% 8,8% 6,3% 31,3% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
Idade/etapa * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 3 4 5 8
9
Total
Count 21 1 0 1 6 1 4 34
% within Idade/etapa 61,8% 2,9% ,0% 2,9% 17,6% 2,9% 11,8% 100,0%
1
% within cor-etnia 61,8% 50,0% ,0% 100,0% 85,7% 20,0% 16,0% 42,5%
Count 10 1 4 0 0 1 0 16
% within Idade/etapa 62,5% 6,3% 25,0% ,0% ,0% 6,3% ,0% 100,0%
2
% within cor-etnia 29,4% 50,0% 66,7% ,0% ,0% 20,0% ,0% 20,0%
Idade/etapa
4 Count 302013 2 11
301
% within Idade/etapa 27,3% ,0% 18,2% ,0% 9,1% 27,3% 18,2% 100,0%
% within cor-etnia 8,8% ,0% 33,3% ,0% 14,3% 60,0% 8,0% 13,8%
Count 0 0 0 0 0 0 19 19
% within Idade/etapa ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0% 100,0%
9
% within cor-etnia ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 76,0% 23,8%
Count 34 2 6 1 7 5 25 80
% within Idade/etapa 42,5% 2,5% 7,5% 1,3% 8,8% 6,3% 31,3% 100,0%
Total
% within cor-etnia 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
ANEXO 9 - PERSONAGENS NA ILUSTRAÇÃO – MODELOS
INTERCONFESSIONAL
natureza * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
0 1 2 3 5 8 9
Total
Count
200000 0 2
% within natureza
100,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
0
% within cor-etnia
100,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 1,3%
Count
0 106 9 8 6 16 2 147
% within natureza
,0% 72,1% 6,1% 5,4% 4,1% 10,9% 1,4% 100,0%
1
% within cor-etnia
,0% 97,2% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 40,0% 94,8%
Count
030000 0 3
% within natureza
,0% 100,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
2
% within cor-etnia
,0% 2,8% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 1,9%
Count
000000 3 3
% within natureza
,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0% 100,0%
natureza
3
% within cor-etnia
,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 60,0% 1,9%
Count
2 109 9 8 6 16 5 155
% within natureza
1,3% 70,3% 5,8% 5,2% 3,9% 10,3% 3,2% 100,0%
Total
% within cor-etnia
100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
individualidade * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
0 1 2 3 5 8 9
Total
Count
20000 0 0 2
% within individualidade
100,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
0
% within cor-etnia
100,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 1,3%
Count
054773 0 2 73
% within individualidade
,0% 74,0% 9,6% 9,6% 4,1% ,0% 2,7% 100,0%
1
% within cor-etnia
,0% 49,5% 77,8% 87,5% 50,0% ,0% 40,0% 47,1%
individualidade
2 Count
055113 16 3 79
302
% within individualidade
,0% 69,6% 1,3% 1,3% 3,8% 20,3% 3,8% 100,0%
% within cor-etnia
,0% 50,5% 11,1% 12,5% 50,0% 100,0% 60,0% 51,0%
Count
00100 0 0 1
% within individualidade
,0% ,0% 100,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
3
% within cor-etnia
,0% ,0% 11,1% ,0% ,0% ,0% ,0% ,6%
Count
2109986 16 5 155
% within individualidade
1,3% 70,3% 5,8% 5,2% 3,9% 10,3% 3,2% 100,0%
Total
% within cor-etnia
100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
sexo * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
0 1 2 3 5 8 9
Total
Count
200000 0 2
% within sexo
100,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
0
% within cor-etnia
100,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 1,3%
Count
0577534 0 76
% within sexo
,0% 75,0% 9,2% 6,6% 3,9% 5,3% ,0% 100,0%
1
% within cor-etnia
,0% 52,3% 77,8% 62,5% 50,0% 25,0% ,0% 49,0%
Count
0191321 0 26
% within sexo
,0% 73,1% 3,8% 11,5% 7,7% 3,8% ,0% 100,0%
2
% within cor-etnia
,0% 17,4% 11,1% 37,5% 33,3% 6,3% ,0% 16,8%
Count
0 30 1 0 1 11 1 44
% within sexo
,0% 68,2% 2,3% ,0% 2,3% 25,0% 2,3% 100,0%
3
% within cor-etnia
,0% 27,5% 11,1% ,0% 16,7% 68,8% 20,0% 28,4%
Count
030000 4 7
% within sexo
,0% 42,9% ,0% ,0% ,0% ,0% 57,1% 100,0%
sexo
9
% within cor-etnia
,0% 2,8% ,0% ,0% ,0% ,0% 80,0% 4,5%
Count
2 109 9 8 6 16 5 155
% within sexo
1,3% 70,3% 5,8% 5,2% 3,9% 10,3% 3,2% 100,0%
Total
% within cor-etnia
100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
303
Idade/etapa * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
0 1 2 3 5 8 9
Total
Count
200000 0 2
% within Idade/etapa
100,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
0
% within cor-etnia
100,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 1,3%
Count
0 77 5 3 3 5 2 95
% within Idade/etapa
,0% 81,1% 5,3% 3,2% 3,2% 5,3% 2,1% 100,0%
1
% within cor-etnia
,0% 70,6% 55,6% 37,5% 50,0% 31,3% 40,0% 61,3%
Count
0 23 3 4 2 7 0 39
% within Idade/etapa
,0% 59,0% 7,7% 10,3% 5,1% 17,9% ,0% 100,0%
2
% within cor-etnia
,0% 21,1% 33,3% 50,0% 33,3% 43,8% ,0% 25,2%
Count
031100 0 5
% within Idade/etapa
,0% 60,0% 20,0% 20,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
3
% within cor-etnia
,0% 2,8% 11,1% 12,5% ,0% ,0% ,0% 3,2%
Count
060014 0 11
% within Idade/etapa
,0% 54,5% ,0% ,0% 9,1% 36,4% ,0% 100,0%
4
% within cor-etnia
,0% 5,5% ,0% ,0% 16,7% 25,0% ,0% 7,1%
Count
000000 3 3
% within Idade/etapa
,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0% 100,0%
Idade/etapa
9
% within cor-etnia
,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 60,0% 1,9%
Count
2 109 9 8 6 16 5 155
% within Idade/etapa
1,3% 70,3% 5,8% 5,2% 3,9% 10,3% 3,2% 100,0%
Total
% within cor-etnia
100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
ANEXO 10 - PERSONAGENS NA ILUSTRAÇÃO – MODELO FENOMENOLÓGICO
natureza * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 3 4 5 8
9
Total
Count
123 28 4 1 6 12 8 182
% within natureza
67,6% 15,4% 2,2% ,5% 3,3% 6,6% 4,4% 100,0%
1
% within cor-etnia
96,9% 96,6% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 44,4% 92,4%
Count
210000 0 3
% within natureza
66,7% 33,3% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
2
% within cor-etnia
1,6% 3,4% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 1,5%
Count
200000 10 12
% within natureza
16,7% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 83,3% 100,0%
naturezaA
3
% within cor-etnia
1,6% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 55,6% 6,1%
Count
127 29 4 1 6 12 18 197
% within natureza
64,5% 14,7% 2,0% ,5% 3,0% 6,1% 9,1% 100,0%
Total
% within cor-etnia
100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
304
individualidade * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 3 4 5 8
9
Total
Count
515404 0 10 74
% within individualidade
68,9% 6,8% 5,4% ,0% 5,4% ,0% 13,5% 100,0%
1
% within cor-etnia
40,2% 17,2% 100,0% ,0% 66,7% ,0% 55,6% 37,6%
Count
7624012 12 8 123
% within individualidade
61,8% 19,5% ,0% ,8% 1,6% 9,8% 6,5% 100,0%
individualidade
2
% within cor-etnia
59,8% 82,8% ,0% 100,0% 33,3% 100,0% 44,4% 62,4%
Count
12729416 12 18 197
% within individualidade
64,5% 14,7% 2,0% ,5% 3,0% 6,1% 9,1% 100,0%
Total
% within cor-etnia
100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
sexo * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 3 4 5 8
9
Total
Count
59143133 1 84
% within sexo
70,2% 16,7% 3,6% 1,2% 3,6% 3,6% 1,2% 100,0%
1
% within cor-etnia
46,5% 48,3% 75,0% 100,0% 50,0% 25,0% 5,6% 42,6%
Count
2130012 1 28
% within sexo
75,0% 10,7% ,0% ,0% 3,6% 7,1% 3,6% 100,0%
2
% within cor-etnia
16,5% 10,3% ,0% ,0% 16,7% 16,7% 5,6% 14,2%
Count
46120027 4 71
% within sexo
64,8% 16,9% ,0% ,0% 2,8% 9,9% 5,6% 100,0%
3
% within cor-etnia
36,2% 41,4% ,0% ,0% 33,3% 58,3% 22,2% 36,0%
Count
100000 0 1
% within sexo
100,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
4
% within cor-etnia
,8% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,5%
Count
001000 12 13
% within sexo
,0% ,0% 7,7% ,0% ,0% ,0% 92,3% 100,0%
sexo
9
% within cor-etnia
,0% ,0% 25,0% ,0% ,0% ,0% 66,7% 6,6%
Count
127 29 4 1 6 12 18 197
% within sexo
64,5% 14,7% 2,0% ,5% 3,0% 6,1% 9,1% 100,0%
Total
% within cor-etnia
100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
305
Idade/etapa * cor-etnia Crosstabulation
cor-etnia
1 2 3 4 5 8
9
Total
Count
102 16 2 1 2 8 6 137
% within Idade/etapa
74,5% 11,7% 1,5% ,7% 1,5% 5,8% 4,4% 100,0%
1
% within cor-etnia
80,3% 55,2% 50,0% 100,0% 33,3% 66,7% 33,3% 69,5%
Count
562021 0 16
% within Idade/etapa
31,3% 37,5% 12,5% ,0% 12,5% 6,3% ,0% 100,0%
2
% within cor-etnia
3,9% 20,7% 50,0% ,0% 33,3% 8,3% ,0% 8,1%
Count
110000 0 2
% within Idade/etapa
50,0% 50,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 100,0%
3
% within cor-etnia
,8% 3,4% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 1,0%
Count
1860023 3 32
% within Idade/etapa
56,3% 18,8% ,0% ,0% 6,3% 9,4% 9,4% 100,0%
4
% within cor-etnia
14,2% 20,7% ,0% ,0% 33,3% 25,0% 16,7% 16,2%
Count
100000 9 10
% within Idade/etapa
10,0% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 90,0% 100,0%
Idade/etapa
9
% within cor-etnia
,8% ,0% ,0% ,0% ,0% ,0% 50,0% 5,1%
Count
127 29 4 1 6 12 18 197
% within Idade/etapa
64,5% 14,7% 2,0% ,5% 3,0% 6,1% 9,1% 100,0%
Total
% within cor-etnia
100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
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