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associação com personagens antropomorfizados (não-humanos) (ROSEMBERG, 1985; OLIVEIRA,
GOUVÊA, 2004, 2005);
associação, pela cor, com maldade, tragédia, sujeira, escravidão (ROSEMBERG, 1985; LIMA, 1999;
, 2003; FRANÇA, 2006; PESTANA, 2008);
correlação de personagens negras com profissões socialmente desvalorizadas (ROSEMBERG, 1985;
1999; OLIVEIRA, 2003; SOUZA, 2005; PESTANA, 2008);
a/o branca/o é apresentada/o como condição humana “natural”, como representante da espécie. Ser
branco é a condição normal e neutra da humanidade: os não
-brancos constituem exceção (ROSEMBERG,
NEGRÃO 1988; NEGRÃO E PINTO, 1990; PESTANA, 2008; FERREIRA, 2008);
glamuralização do mundo branco, em que se vinculam imagens de luxuosidade, requinte e riqueza a
KAERCHER, 2006);
os livros são produzidos pressupondo como leitores crianças brancas. O cotidiano e a experiência da
ão alijados do ato de criação das personagens e do enredo dessa literatura (ROSEMBERG,
NEGRÃO, 1987; NEGRÃO, 1988; NEGRÃO E PINTO; 1990);
mulher negra presa ao estereótipo de empregada doméstica, particularmente as senhoras submissas,
sem vida própria, devotada aos patrões brancos (
ROSEMBERG, 1985; NEGRÃO, 1998; NEGRÃO E
995; LIMA, 1999; GOUVÊA, 2004, 2005; SOUZA, 2005; KAERCHER, 2006;
Na literatura infanto-juvenil publicada após a década de 1970, entrada de outra
personagem estereotipada, a “mulata sensual”
(PIZA, 1995; KAERCHER, 2006; FRANÇA, 2006);
ascensão social de personagem negra devido ao auxílio de personagem branca, por meio de adoção ou
de incentivo financeiro e moral, personagens brancas conseguem mudar o destino de personagens negras
OLIVEIRA, 2003; FERREIRA, 2008);
maioria de personagens masculinos, adultos e brancos, que, além de heterossexuais e representando a
normatividade sexual, indicam, nos seus caracteres e personalidades, modelos a serem seguidos
KAERCHER, 2006);
ênfase no discurso sobre a mestiçagem, em uma perspectiva de “evolução da espécie” (OLIVEIRA,
; FRANÇA, 2006);
clareamento, nas ilustrações, de personagens negras (Negritude radializada
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), de modo a promover a
ocultação das características fenotípicas de tais personagens,
padronizando as ilustrações (KAERCHER,
personagem negra com identidade construída de modo fragmentado, em que não há referências
específicas e corretas sobre sua verdadeira origem (
OLIVEIRA, 2003);
discurso de tolerância às diferenças ao invés de valorização das diferenças, reafirmando a
inferioridade e desconsiderando uma perspectiva de olhar altero acerca de personagens não
-brancas
KAERCHER, 2006);
auto-rejeição e desejo de embranquecimento por parte de personagens negras, como uma fuga diante
nto que as atingem (OLIVEIRA, 2003; FRANÇA, 2006);
nomes atribuídos a personagens negras que representam metaforicamente uma carga negativa ou
, seja pela sua relação de vinculação comumente feita com profissões de menor
cial ou pobreza (OLIVEIRA, 2003; PESTANA, 2008);
configuração pedagógica e didática formando um “manual da cultura afro-brasileira”, em que
ilustrações indicam a composição de instrumentos musicais, mapas de quilombos e de locais de origem de
povos africanos, minivocabulários, etc. (FRANÇA, 2006).
QUADRO 1 – SÍNTESE DE FORMAS DE HIERARQUIZAÇÃO CAPTADAS POR PESQUISAS
SOBRE PERSONAGENS NEGRAS NA LITERATURA INFANTO-JUVENIL BRASILEIRA
FONTE: PAULO SILVA (2007, p. 161-162); ADAPTAÇÃO E AMPLIAÇÃO DA AUTORA
A maior parte dos resultados destas pesquisas foi apresentada por Paulo Silva (2007)
e, portanto, não serão retomadas aqui. As demais compõem aspectos relevantes para este
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A autora define Negritude radializada como o “[...] resultado da fusão dos conceitos de raça e cor no Brasil
que [...] termina por criar um leque de matizes cromáticos (como um radial) que pode chegar ao infinito e que,
apesar disto, exclui as cores localizadas nas extremidades: o branco e o preto. Ou seja, ao articular o processo de
reificação da branquidade com o processo de radialização da negritude, terminamos por criar representações
cromáticas da negritude que excluem o preto, e os demais matizes escuros, como cores possíveis de serem
utilizadas em suas ilustrações. Deste modo, ao promover o desaparecimento do escuro implementa-se um
embranquecimento” (KAERCHER, 2006, p. 137-138).