
específicos. Foram também incluídos artigos que tecem comentários sobre programas, não se cons-
tituindo uma avaliação propriamente dita, os que os mencionam para subsidiar reflexões mais am-
plas por eles suscitadas e, finalmente, os que se reportam a questões de caráter teórico-metodológico
relativas à avaliação de programas.
Embora a demanda de avaliação de programas pelo Poder Público tenha aumentado
na última década, foram poucos os artigos que podem ser enquadrados nesse grupo, o que leva a
supor que essa modalidade de estudo não chega facilmente ao grande público leitor Investigações
dessa natureza são tradicionalmente realizadas, sobretudo por institutos de planejamento e/ou agên-
cias de pesquisa, por se constituírem, geralmente, estudos onerosos e de grande porte Exigem,
quase sempre, composição de numerosas equipes de trabalho e razoável infra-estrutura que dê
suporte à sua operacionalização. Esses estudos, por via de regra, não são divulgados em artigos,
ficando restritos a relatórios extensos, entregues aos órgãos que os requisitaram, pois nem sempre
os gestores do setor público consideram interessante a divulgação de dados e resultados que po-
dem comprometer a legitimidade de suas ações.
No entanto, na bibliografia consultada, mesmo os estudos de caráter acadêmico que
avaliam programas também constam em número reduzido, confirmando o fato de que esse tipo de
avaliação ainda precisa consolidar-se no País.
De modo geral, os artigos que se reportam à avaliação de programas, seja de caráter
acadêmico, seja sob encomenda, têm a intenção de estender certas reflexões suscitadas pelas aná-
lises avaliativas a um público mais amplo, dada a natureza do veículo escolhido Por isso, nem sem-
pre seus autores explicitam a metodologia empregada, os procedimentos utilizados ou os modelos
teóricos que subsidiaram a análise, o que, em muitos casos, dificulta sobremaneira o esclarecimen-
to, para o leitor, do desenho utilizado na avaliação. Em outros casos, ainda, a seleção de aspectos
parciais dos programa para análise impede mesmo a compreensão da lógica própria do programa.
No contexto das avaliações que se reportam ao programa como um todo. ainda que
possam privilegiar determinadas regiões/locais, Teresa Roserley Neubauer da Silva e Cláudia Davis
(1993) e Zoraide Faustinoni Silva (1991) focalizam o Ciclo Básico de Alfabetização. A análise das
duas primeiras autoras incide sobre ações envolvidas no Programa em dois estados, Minas Gerais e
São Paulo, e sua eficácia como medida que se propõe melhorar o fluxo dos alunos na escola básica.
Faustinoni, por sua vez, tece considerações sobre o Programa com base em pesquisa realizada em
quatro escolas da cidade de São Paulo, focalizando principalmente a presença ou não, nas escolas,
dos fatores que garantiriam o seu sucesso.
Ainda que por caminhos diferentes, ambas as avaliações procuram detectar o nível de
aceitação do Programa por parte da rede, tendo em vista as modificações introduzidas, as quais,
com pequenas diferenças, se referem a aspectos como desseriação, concepção de alfabetização,
avaliação, horário de trabalho pedagógico, apoio pedagógico e material, mudanças na prática peda-
gógica, promoção automática, classes organizadas por faixa etária, remanejamentos,
instrumentalização do professor, avaliação e controle de desempenhos mínimos e, ainda, rendimen-
to escolar/cultura da repetência
Ferretti, Vianna e Souza (1991) focalizam o Programa de Formação Integral da Criança
(Profic), implantado no Estado de São Paulo, em 1986, pela Secretaria de Estado da Educação, e
destinado a escolares de baixa renda, tendo como finalidade oferecer-lhes uma "educação integral",
ou seja, mais do que instrução, ampliando assim o papel da escola.
Os dados coletados e analisados pelos autores, a partir de um amplo mapeamento das
escolas que implantaram o Programa entre 1986 e 1988, e o estudo em profundidade de duas dessas
unidades escolares indicam que o Profic assumiu características centralistas, tanto em sua formulação
como na implementação Além disso, o processo de implantação foi precário, criando vários proble-
mas para as escolas que o adotaram, e o índice de adesão ficou muito aquém do esperado
Os avaliadores também denunciam o caráter psicologizante e assistencialista subjacente
à abordagem, pelo Programa, dos problemas enfrentados pelas populações a que ele se destina e o