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Eu o Príncipe Regente faço saber aos que este Alvará com força de lei virem,
que sendo-me presente a situação precária, e incômmoda , em que se acham o
Cabido e mais Ministros da Cathedral desta minha Corte no Rio de Janeiro,
em uma Igreja alheia e pouco decente para os Offícios Divinos e desejando
estabelecer-lhes um local, em que com o devido decoro possam exercer o
Ministério das suas funções sagradas, não só por seguir o exemplo dos meus
augustos predecessores, mas principalmente, por serem os Senhores Reis de
Portugal os Primitivos Fundadores, e Perpétuos Padroeiros de todas as Igrejas
do Estado do Brazil, concorrendo por esta razão com tudo o que era necessário
para a conservação e fabrica das mesmas Igrejas; e considerando por huma
parte as necessidades actuais, e urgentes do Estado, a que cumpre acudir sem
demora, e que Me não permittem continuar as obras da nova Cathedral, a que
dera principio Meu Augusto Avô, o Senhor Rei D. João V, de Gloriosa
Memoria; e por outra parte não querendo perder nunca o antiquíssimo
costume de manter junto do Meu Real Palacio uma Capella Real, não só para
maior comodidade, e edificação de Minha Real Família, mas, sobretudo, para
maior decência, e esplendor do Culto Divino, e Gloria de Deus, em cuja
Omnipotente Providencia confio, que abençoará os Meus cuidados, e os
desvelos, co que procuro melhorar a sorte dos Meus Vassalos na geral
calamidade da Europa (...).
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A Capela Real significava uma das mais importantes instituições da complexa trama
de elementos configuradores da imagem do monarca. Como soberano da Igreja em Portugal,
através do sistema de padroado, o rei era responsável pelas festas religiosas mais luxuosas,
além de responder pelas despesas de todos os funcionários envolvidos. Lilia Moritz Shwarcz
nos diz que:
A construção simbólica da figura pública de um soberano, a representação de
seus palácios suntuosos e das igrejas e catedrais imponentes, sempre
associadas ao seu reino, é uma constante. (...) O soberano marca seu
calendário e a própria eficácia de seu poder também a partir das grandes
arquiteturas que constrói, reforma ou amplia, e que de uma maneira ou de
outra parecem lembrar o seu império e as suas possessões. (SCHWARCZ,
2008, p. 63)
O antiquíssimo costume da monarquia portuguesa em edificar uma Capela Real
remonta ao século XII, tendo a sua expressão máxima no reinado de D. João V. Não
surpreende o fato do Príncipe Regente, logo no ano de seu estabelecimento no Rio de Janeiro,
procurar resolver definitivamente o velho problema da instalação da Sé. Desde que o Cabido
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Alvará de 15 de julho de 1808. FBN, Manuscritos e Obras Raras.