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UNESP
UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA
“Júlio de Mesquita Filho”
Instituto de Artes
Programa de Pós-Graduação em Artes
Mestrado
REFLEXÕESVISUAIS...
UMPORTFOLIODOARTISTA
ALESSANDRA TAMI KOBAYASHI
Trabalho Equivalente submetido à UNESP como requisito parcial
exigido pelo Programa de Pós-graduação em Artes,
área de concentração em Artes Visuais,
linha de pesquisa Processos e Procedimentos Artísticos,
sob a orientação do Prof. Dr. Pelópidas Cypriano de Oliveira,
para a obtenção do título de Mestre em Artes.
São Paulo – 2008
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KOBAYASHI, Alessandra Tami.
Reflexões visuais... um portfolio do artista.
São Paulo, 2008 – 158 p., 145 il.
Dissertação – Mestrado. Instituto de Artes da
Universidade Estadual Paulista – UNESP.
Orientador: Prof. Dr. Pelópidas Cypriano de Oliveira
Palavras-chave: Artemídia, Portfolio, Técnicas Artísticas.
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REFLEXÕESVISUAIS...
UMPORTFOLIODOARTISTA
ALESSANDRA TAMI KOBAYASHI
Trabalho Equivalente submetido à UNESP como requisito parcial
exigido pelo Programa de Pós-graduação em Artes,
área de concentração em Artes Visuais,
linha de pesquisa Processos e Procedimentos Artísticos,
sob a orientação do Prof. Dr. Pelópidas Cypriano de Oliveira,
para a obtenção do título de Mestre em Artes.
Data de aprovação:
________________________ ________________________
Profª. Drª. Maria Silvia Barros de Held Prof. Dr. Issao Minami
PUC - Campinas FAU – Universidade de São Paulo
Banca Examinadora Banca Examinadora
___________________________
Prof. Dr. Pelópidas Cypriano de Oliveira
Instituto de Artes – UNESP
Banca Examinadora
DEDICATÓRIA
AGRADECIMENTOS
À minha família, por acreditar em todos os meus projetos.
À Izumi, Lalinha, Lilian e Lucas, por estarem sempre presentes.
Aos amigos do Estúdio Arena Artes Visuais:
André Vazzios, pelo feliz encontro de nossos ideais;
Marco Antonio, Tânia Sangali, Izaura Tsukamoto, Vanessa Rigo, Simone Schleier, Camila Kfouri,
Luciano de Almeida, Márcio Baptista da Cruz, Nélia Nunes, Bel Benites, Mariana Baron, Beth Vilas
Boas, Jescir Pivetta, Graziela Vancine, Marina Perez e Cláudio Niigaki pelo privilégio de tê-los como
alunos e por incentivarem a realização deste trabalho.
Aos amigos do mestrado, por nosso excelente convívio durante esses dois anos.
À Mônica de Oliveira, por sua generosidade em compartilhar seus conhecimentos.
RESUMO
A pesquisa que apresento, sob a forma de Trabalho Equivalente, investiga os procedimentos
artísticos envolvidos na produção de um portfolio, a partir do estudo de alguns conjuntos de trabalhos
plásticos produzidos ou orientados por mim.
A primeira etapa do processo consistiu em analisar os dez anos iniciais de minha produção
artística partindo das primeiras composições, realizadas em 1996, e chegando até as pinturas mais
recentes executadas durante o primeiro ano de mestrado, em 2006. Organizei os trabalhos mais
significativos, cronologicamente, em quatro portfolios que traduzem os interesses, as necessidades e
as expectativas de períodos específicos. O segundo momento da pesquisa foi dedicado ao relato de
algumas das minhas experiências no ensino de arte, ocorridas nos anos de 2006 e 2007, através das
quais tive a oportunidade de orientar a produção de uma série de visualidades.
Como produto final dessa sistematização propus a elaboração de um novo portfolio que
sintetiza o meu percurso como artista visual e como professora na área de Artes. As imagens
presentes neste relatório circunstanciado não desempenham função ilustrativa; elas constituem o
verdadeiro substrato desta reflexão comunicada, essencialmente, através da linguagem visual.
Palavras-chave: Artemídia, Portfolio, Técnicas Artísticas.
Grande área: Letras, Lingüística e Artes.
Área: Artes.
ABSTRACT
The research that I present, in a form of Equivalent Work, investigates the artistic procedures
envolved in the production of a portfolio, from the study of some plastic art work set produced or
orientated by me.
The first stage of the process consisted in analyse the first ten years of my artistic production,
starting from the first composition, realized in 1996, and finishing until the most recent paintings
executed during the first year of the Visual Art Masters, in 2006. I organized the most significant works,
chronologically, in four portfolios that express the interests, needs and expectations of specifc periods.
The second stage was dedicated to the report of some art teaching experiences of mine, occured in
the years of 2006 and 2007, through them I had the opportunity to orientate the production of
visualitics.
As the result of this system I proposed an elaboration of a new portfolio that synthetizes my
trajectory as a visual artist and as a teacher in the Art area. The present images in the written report
don’t represent illustrative function; t hey compose the real abstract of this communicated reflection,
essentially, through the visual language.
Key-words: Artemídia, Portfolio, Artistic Techniques.
General Area: Liberal Arts, Linguistics and Arts.
Area: Arts.
LISTADEIMAGENS
1- 1996. Grafite s/ papel Lay-out. 22x24cm. 29
2- 1996. Estudo em ecoline e hidrocor s/ papel pautado. 25x20cm. 30
3- 1996. Estudo em ecoline, sépia e sanguínea s/ papel pautado. 20x18cm. 31
4- 1996. Estudo em lápis de cor s/ papel jornal. 10x15cm. 32
5- 1996. Estudo em lápis de cor s/ papel jornal. 10x15cm. 33
6- 1996. Estudo em lápis de cor s/ papel jornal. 10x15cm. 34
7- 1996. Estudo em lápis de cor s/ papel jornal. 10x15cm. 35
8- 1996. Estudo em lápis de cor s/ papel jornal. 10x15cm. 36
9- 1996. Estudo em lápis de cor s/ papel jornal. 10x15cm. 37
10- 1997. Lápis de cor s/ papel Fine-face. 24x34cm. 38
11- 1997. Ecoline s/ papel Montval. 24x18cm. 39
12- M
ICHAEL HARRIS/ FOTOGRAM-STONE. Varanasi, cidade indiana. Fotografia. 39
13- 1997. Ecoline s/ papel Montval. 24x18cm. 40
14- G
ERARD & MARGY MOSS. Aldeia de Bori, Indonésia. Fotografia. 40
15- 1997. Ecoline s/ papel Fabriano Uno. 24x18cm. 41
16- J. M. T
RUCHET/ GLMR. Igreja em Vermont, EUA. Fotografia. 41
17- 1997. Ecoline e aquarela s/ papel Fabriano 5. 23x21,5cm. 42
18- A
NDREA BOOHER/ FOTOGRAM-STONE. Criança indiana. Fotografia. 42
19- 1997. Ecoline e aquarela s/ papel Montval. 21x29,5cm. 43
20- 1997. Aquarela e caneta nanquim s/ papel Montval. 6x14cm. 44
21- H
IERONYMUS BOSCH. Retablo de Santa Liberata.
El martírio. 1505. Óleo s/ tela. 104 x 63cm. 45
22- 1997. Estudo em grafite s/ papel Lay-out. 22x15cm. 45
23- 1997. Ecoline s/ papel Watercolour. 18x28cm. 46
24- 1997. Ecoline s/ papel Watercolour. 23,5x14cm. 46
25- I
SODA KORIUSAI. Lovers in the snow. 1770. Xilogravura. 26x18,4cm. 47
26- 1997. Estudo em grafite s/ papel Lay-out. 13x16cm. 47
27- 1997. Estudo em grafite s/ papel Lay-out. 15x21cm. 47
28- 1997. Estudo em grafite s/ papel Lay-out. 25x25cm. 48
29- 1997. Acrílica s/ lona. 145x40cm. 48
30- K
ATSUKAWA SHUNEI. Yoshitsune’s Koshigoe petition.
1790. Xilogravura. 29,4x13,9cm. 49
31- 1997. Estudo em grafite s/ papel Lay-out. 21x25cm. 49
32- 1997. Acrílica s/ lona. 145x40cm. 49
33- TORII KIYOMASU. The snow-clogged geta. 1730. Xilogravura. 31,8x15,2cm. 50
34- 1997. Estudo em grafite s/ papel Lay-out. 25x25cm. 50
35- 1997. Acrílica s/ lona. 145x40cm. 50
36- 1998. Xilogravura s/ papel arroz. 14x20cm. 52
37- 1998. Água-tinta e ponta seca s/ papel Rafaello. 17x26cm. 53
38- 1999. Aquarela e lápis de cor s/ papel Fabriano Artístico. 6x18cm. 54
39- 1999. Aquarela, ecoline e lápis de cor s/ papel Montval. 9x14cm. 55
40- 1999. Aquarela e lápis de cor s/ papel Watercolour. 6,5x18cm. 56
41- 1999. Ecoline e lápis de cor s/ papel Fabriano 5. 9x14cm. 57
42- 1999. Ecoline e caneta nanquim s/ papel Montval.
Tríptico: 4,5x3,5cm/ 3,0x4,5cm/ 3,0x5,0cm. 58
43- 1999. Ecoline e lápis de cor s/ papel Fabriano 5. 10x16cm. 59
44- 1999. Aquarela e ecoline s/ papel Fabriano Artístico. 9x14cm. 60
45- 1999. Aquarela e lápis de cor s/ papel Fabriano Artístico. 9x14cm. 61
46- 1999. Ecoline, lápis de cor e dermatográfico s/ papel Fabriano 5. 6x14cm. 62
47- S
EBASTIÃO SALGADO. Fotografia extraída do livro Terra. 64
48- 2001. Grafite s/ papel Rafaello. 16x29,5cm. 65
49- S
EBASTIÃO SALGADO. Fotografia extraída do livro Terra. 66
50- 2001. Grafite s/ papel Rafaello. 27x19cm. 67
51- S
TEVE DUNWELL. Tailandesa da etnia akkha. Fotografia. 68
52- 2001. Grafite s/ papel Fine Face. 28x22cm. 69
53- S
EBASTIÃO SALGADO. Fotografia extraída do livro Terra. 70
54- 2001. Grafite s/ papel Rafaello. 17,5x26cm. 71
55- H
ERBERT PONTING. Tripulante de expedição à Antártida. Fotografia. 72
56- 2002. Grafite s/ papel Fabriano Artístico. 26x25cm. 73
57- 2002. Grafite s/ papel Fine-face. 21x29cm. 74
58- 2002. Grafite s/ papel Lay-out. 16x28cm. 74
59- 2002. Ensaio fotográfico no centro da cidade de Santo André. 10x15cm. 75
60- 2002. Ensaio fotográfico no centro da cidade de Santo André. 10x15cm. 75
61- 2002. Ensaio fotográfico no centro da cidade de Santo André. 10x15cm. 75
62- 2002. Fotografia selecionada para ser reproduzida. 18x24cm. 76
63- 2002. Lápis de cor s/ papel Fabriano 5. 38x53cm. 77
64- 1999. Fotografia em pinhole. 10x12cm. 78
65- 1999. Fotografia em pinhole. 8x12cm. 78
66- 1999. Fotografia em pinhole. 8x12cm. 78
67- 1999. Fotografia em pinhole. 9x11cm. 78
68- 1999. Fotografia selecionada para ser reproduzida. 9x12cm. 79
69- 1999. Negativo captado em papel foto-sensível. 9x11cm. 79
70- 2003. Sépia, sanguínea e lápis branco s/ papel Murillo. 75x105cm. 80
71- 2003. Guache s/ papel Montval. 21x29cm. 81
72- 2002. Ensaio fotográfico no centro de Santo André. 10x15cm. 82
73- 2002. Ensaio fotográfico no centro de Santo André. 10x15cm. 82
74- 2002. Fotografia selecionada para ser reproduzida. 18x24cm. 82
75- 2003. Óleo s/ tela. 40x120cm. 83
76- 2003. Esboço em grafite s/ papel Lay-out. 63x30cm. 83
77- 1999. Fotografia selecionada para ser reproduzida. 18x24cm. 84
78- 2003. Nanquim s/ papel Fabriano Uno. 20x30cm. 85
79- 2003. Nanquim aguado e bico-de-pena s/ papel Biblos. 58x23 cm. 86
80- 2003. Nanquim aguado e bico-de-pena s/ papel Biblos. 58x23 cm. 86
81- 2003. Nanquim aguado e bico-de-pena s/ papel Biblos. 58x23 cm. 86
82- 2006. Estudo em caneta esferográfica s/ papel Lay-out. 21x29cm. 92
83- 2006. Estudo em caneta esferográfica s/ papel Lay-out. 21x29cm. 92
84- 2006. Estudo em caneta esferográfica s/ papel Lay-out. 21x29cm. 92
85- 2004. L
ENO CABRAL. Escultura em argila. Fotografia de Laura Dias. 94
86- 2006. Lápis de cor s/ papel Fine-face. 11x16cm. 95
87- 2006. Aquarela s/ papel Montval. 15,5x11cm. 96
88- 2006. Aquarela e guache s/ papel Montval. 19x12cm. 96
89- 2002. Fotografia selecionada para ser reproduzida. 18x24cm. 97
90- 2006. Lápis de cor s/ papel Mi-teintes. 15x22cm. 98
91- 2006. Peças em compensado, pintadas em acrílica. 6x12x1,8cm. 102
92- 2006. Peças em compensado, pintadas em acrílica. 6x12x1,8cm. 103
93- 2006. Ensaio fotográfico. 10x15cm. 106
94- 2006. Ensaio fotográfico. 10x15cm. 106
95- 2006. Fotografia selecionada para ser reproduzida. 10x15cm. 106
96- 2006. Óleo s/ tela. 60x90cm. 107
97- 1999. Fotografia selecionada para ser reproduzida.18x24cm. 108
98- 2006. Aplicação do fundo da pintura. Óleo s/. 90x60cm. 108
99- 2006. Óleo s/ tela. 90x60cm. 108
100- 2006. Caneta esferográfica s/ papel jornal. 9x18cm. 111
101- 2006. Caneta esferográfica s/ papel jornal. 9x18cm. 112
102- 2006. Lápis de cor s/ papel Vergé. 7x10cm. 113
103- FRANCISCO L. DA SILVA. Índio pescador. Escultura em bronze. 113
104- 2006. Lápis de cor s/ papel Vergé. 10x12cm. 114
105- V
ICTOR BRECHERET. Fauno. Escultura em granito. 114
106- 2006. Lápis de cor s/ papel Vergé. 4x13cm. 115
107- F
RANCISCO L. DA SILVA. Aretusa. Escultura em mármore. 115
108- 2006. Lápis de cor s/ papel Vergé. 10x10cm. 116
109- D
OMENICO CALABRONE. Grande megatério. Escultura em granito. 116
110- 2006. Lápis de cor s/ papel Vergé. 7x10cm. 117
111- F
RANZ KRAJCBERG. Sem título. Escultura com raízes calcinadas. 117
112- 2006. Estudos em caneta esferográfica s/ papel Lay-out. 21x29cm. 119
113- 2006. Logotipo para o informativo mensal do
Programa de Pós-graduação. Corel Draw. 119
114. S
IMONE SCHLEIER. 2006. Pastel seco s/ papel Rafaello. 21x29cm. 123
115. S
IMONE SCHLEIER. 2006. Pastel seco s/ papel Ingres. 21x35cm. 123
116. S
IMONE SCHLEIER. 2006. Aquarela s/ papel Montval. 21x35cm. 124
117. S
IMONE SCHLEIER. 2006. Aquarela s/ Papel para desenho. 21x29cm. 124
118.
CAMILA KFOURI. 2007. Lápis de cor s/ Papel para desenho. 25x35cm. 125
119. C
AMILA KFOURI. 2007. Grafite s/ papel Lay-out. 25x35cm. 125
120. C
AMILA KFOURI. 2007. Grafite s/ Papel para desenho. 25x35cm. 126
121. CAMILA KFOURI. 2007. Lápis de cor s/ Papel para desenho. 25x35cm. 126
122. C
AMILA KFOURI. 2007. Grafite s/ papel Lay-out. 25x35cm. 126
123. G
ABRIELA GIL. 2006. Fotografia. 10x15cm. 135
124. G
ABRIELA GIL. 2006. Acrílica s/ Papel para desenho. 29x42cm. 135
125. G
ABRIELA GIL. 2006. Acrílica s/ Papel para desenho. 29x42cm. 135
126. G
ABRIELA GIL. 2006. Fotografia. 10x15cm. 135
127. G
ABRIELA GIL. 2006. Acrílica s/ Papel para desenho. 29x42cm. 136
128. G
ABRIELA GIL. 2006. Fotografia. 10x15cm. 136
129. G
ABRIELA GIL. 2006. Fotografia. 10x15cm. 136
130. G
ABRIELA GIL. 2006. Acrílica s/ Papel para desenho. 29x42cm. 136
131. R
EBECA ALCÂNTARA. 2007. Aquarela s/ papel Montval. 21x29cm. 139
132. V
INÍCIUS NAKAMURA. 2007. Aquarela s/ papel Montval. 21x29cm. 139
133. C
IBELE BERNARDO. 2007. Aquarela s/ papel Montval. 21x29cm. 140
134. J. P
ATRÍCIO NETO. 2007. Aquarela s/ papel Montval. 21x29cm. 140
135. T
AMARA TAKAOKA. 2007. Aquarela s/ papel Montval. 21x29cm. 141
136. C
IBELE BERNARDO. 2007. Aquarela s/ papel Montval. 21x29cm. 141
137. L
ÍVIA BOTAZZO. 2007. Aquarela s/ papel Montval. 21x29cm. 141
138. J
ONATHAN DOS SANTOS. 2007. Técnica mista s/ papel. 21x29cm. 146
139. AMANDA CARMELLO. 2007. Técnica mista s/ papel. 21x29cm. 146
140. M
ATHEUS RODRIGUES. 2007. Técnica mista s/ papel. 21x29cm. 147
141. D
AFYNE COELHO. 2007. Técnica mista s/ papel. 21x29cm. 147
142. I
SABELA MARTINEZ. 2007. Técnica mista s/ papel. 21x29cm. 148
143. I
SABELA ALARCON. 2007. Técnica mista s/ papel. 21x29cm. 148
144. D
ANIEL BATISTA E TAMI KOBAYASHI. 2007. Projeto para
um painel de pintura. Grafite sobre Lay-out. 21x29cm. 151
145. A
LUNOS DO INSTITUTO ARTE NATIVA. 2007. Painel coletivo
em acrílica e guache s/ Papel para desenho. 200x500cm. 152
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO 19
ANTECEDENTES 23
SEÇÃO 1: PORTFOLIOS PRODUZIDOS
1.1. 1996: O início da graduação em Artes Plásticas 27
1.2. 1999: A conclusão do bacharelado 51
1.3. 2003: Os primeiros anos de atuação profissional 63
1.4. 2006: O ingresso no Programa de Mestrado 87
1.4.1. As reuniões de orientação 90
1.4.2. As disciplinas cursadas 99
1.4.3. As atividades complementares 118
SEÇÃO 2: PORTFOLIOS ORIENTADOS
2.1. Curso livre de Desenho Artístico - Estúdio Arena Artes Visuais 121
2.2. Disciplina Desenho II - Instituto de Artes / UNESP 127
2.3. Projeto Vivência de Atelier - Instituto de Artes / UNESP 137
2.4. Disciplina Artes - Colégio Santer 142
2.5. Curso livre de Pintura - Instituto Arte Nativa 149
CONSIDERAÇÕES FINAIS 153
BIBLIOGRAFIA 154
19
INTRODUÇÃO
O Programa de Mestrado em Artes Visuais do Instituto de Artes – UNESP desenvolve três
linhas de pesquisa distintas: ”Processos e procedimentos artísticos”, “Abordagens teóricas, históricas
e culturais da arte” e “Ensino e aprendizagem da arte”.
A pesquisa que apresento, sob a forma de Trabalho Equivalente, investiga os processos e
procedimentos artísticos envolvidos na produção de um portfolio, a partir da análise de alguns
conjuntos de trabalhos plásticos produzidos ou orientados por mim. Não se trata, portanto, de uma
abordagem teórica ou de um levantamento histórico sobre o conceito do termo portfolio.
A etapa inicial do estudo consistiu em resgatar centenas de trabalhos - entre desenhos,
pinturas, gravuras, esculturas e fotografias - produzidos durante os dez primeiros anos de minha
trajetória artística, entre 1996 e 2006. A tarefa envolveu não só a reunião das obras finalizadas, mas
também a procura por referências, estudos e esboços que deram origem a elas. O objetivo era reunir
subsídios que permitissem a análise de cada conjunto de obras, considerando as técnicas adotadas,
as temáticas desenvolvidas, a existência de unidade poética, a busca pela definição de um estilo. Os
trabalhos mais significativos foram organizados, cronologicamente, em quatro portfolios que traduzem
os interesses, as necessidades e as expectativas de períodos específicos.
20
1996: O início da graduação em Artes Plásticas.
Compreende estudos realizados, durante os dois primeiros anos do curso, com o
principal objetivo de experimentar materiais, técnicas, estilos.
1999: A conclusão do bacharelado.
Reúne trabalhos produzidos, nos dois últimos anos da graduação, com a finalidade de
construir uma poética visual.
2003: Os primeiros anos de atuação profissional.
Corresponde às visualidades realizadas, durante os três primeiros anos em que atuei
profissionalmente, com o intuito de aperfeiçoar minhas técnicas.
2006: O ingresso no Programa de Mestrado.
Engloba estudos executados durante o meu primeiro ano de mestrado, direcionados ao
desenvolvimento da pesquisa.
O segundo momento do estudo é dedicado ao relato de algumas das minhas experiências no
ensino de arte, ocorridas durante os anos de 2006 e 2007, através das quais tive a oportunidade de
orientar a produção de uma série de visualidades:
21
Curso livre de “Desenho Artístico”, no Estúdio Arena Artes Visuais.
Aberto ao público acima de 12 anos.
Disciplina “Desenho II”, no Instituto de Artes – UNESP.
Ministrada aos alunos do 1
o
. ano do curso de Bacharelado e Licenciatura em Artes
Visuais, o BLAV.
Projeto “Vivência de Atelier”, no Instituto de Artes – UNESP.
Oficina de aquarela direcionada aos estudantes do 1
o.
e 2
o
. ano do BLAV.
Disciplina “Artes”, no Colégio Santer.
Ministrada aos alunos do 2
o
. ao 5
o
. ano do Ensino Fundamental.
Curso livre de “Pintura”, no Instituto Arte Nativa.
Aberto ao público acima de 5 anos.
Como produto final dessa sistematização proponho um novo portfolio, cuja versão digital
encontra-se anexada ao final deste exemplar, que sintetiza o meu percurso como artista visual e como
professora na área de artes. A versão impressa será apresentada na ocasião do exame.
É importante enfatizar que as imagens presentes neste relatório circunstanciado não
desempenham uma função ilustrativa; elas constituem o verdadeiro substrato desta reflexão
22
comunicada, essencialmente, através da linguagem visual.
O Trabalho Equivalente diferencia-se da dissertação tradicional por fazer uma apologia ao
empirismo que, segundo o historiador social Gildo Magalhães, sustenta o argumento de que
conhecemos apenas aquilo que experimentamos através dos sentidos.
1
Daí a importância das formas
de expressão não verbais. De acordo com o historiador econômico Abbott Payson Ushers, a ciência
surge da experiência prática e só começa a exercer uma influência sobre os processos de descoberta
quando experimentações substanciais em análise tiverem ocorrido.
2
_
_
_________________________
_
1
MAGALHÃES, Gildo. Introdução à metodologia científica: caminhos da ciência e tecnologia. São Paulo: Ática, 2005.
2
USHERS, Abbott Payson. Uma história das invenções mecânicas; tradução Lenita M. Rimolli Esteves. Campinas: Papirus, 1993.
23
ANTECEDENTES
Iniciei meu estudo a partir da leitura das dissertações já orientadas pelo Prof. Dr. Pelópidas
Cypriano de Oliveira, a fim de encontrar pesquisas relacionadas à minha. A opção por procurar
antecedentes históricos nada remotos surgiu como uma atitude mais coerente com a linha de
“Processos e procedimentos artísticos”, que trata de relatar práticas artísticas contemporâneas. A
esse respeito, meu orientador relembra o legado de Giorgio Vasari – pintor, arquiteto e biógrafo
italiano –conhecido por documentar a vida de artistas de seu tempo.
3
Vasari foi autor do livro Le vite
de’ più eccellenti aschitetti, pittori, et scultori italiani, comumente chamado de Vidas dos artistas, de
1550, que se tornou uma das principais fontes de informação sobre a arte renascentista. A biografia
que escreveu sobre Michelangelo, por exemplo, foi a única a ser dedicada a um artista ainda vivo.
Identifiquei, então, a pesquisa de Ana Paula intitulada O design da capa como uma referência
muito próxima ao meu estudo. A pesquisadora abordou os procedimentos envolvidos no design de
capas de livro, através da análise de 146 protótipos produzidos por ela mesma, entre os anos de 1999
e 2004. Ela considerou os mais importantes aspectos de seu processo de trabalho, como a fase de
criação, as fontes de referência, a utilização dos recursos digitais, o estudo cromático e as alterações
solicitadas pelas editoras. Como Trabalho Equivalente foram produzidas cinco sugestões de capa
para vestir o volume da pesquisa. Na ocasião do Exame de Qualificação foi simulada uma situação
bastante conhecida pelo designer gráfico: a banca examinadora, desempenhando o papel das
_
_________________________
_
3
CHILVERS, Ian. Dicionário Oxford de arte – 2
a
.ed. São Paulo: Martins Fontes, 2001.
24
editoras, analisou as capas apresentadas e elegeu a proposta mais adequada.
Num primeiro momento do estudo a designer faz uma reflexão a respeito dos fatores
determinantes na construção de seu conhecimento: a formação acadêmica, os pensamentos de
alguns teóricos, as informações imediatas da internet. Como acontece com muitos profissionais de
sua área, Ana Lima vive constantemente o conflito de trabalhar no limite entre a objetividade da
comunicação e a subjetividade da expressão.
A análise começa pela elaboração de uma espécie de portfolio reunindo todas as suas capas
produzidas, dispostas numa linha do tempo relativa ao período de 1999 a 2004. Além dessa
organização cronológica é feita também uma distinção entre as primeiras opções apresentadas às
editoras, as alternativas criadas quando a aprovação não é imediata e, finalmente, as capas
efetivamente publicadas. Através dessa visualização é possível reconhecer os padrões presentes na
preferência das editoras. Em seguida são apresentados onze gráficos que apontam informações
sobre as capas:
criadas por ano, entre publicadas e não publicadas,
produzidas por editora,
aprovadas por número de lay-outs,
aprovadas na primeira apresentação, na segunda ou não aprovadas,
relacionadas a assuntos profissionais ou acadêmicos.
25
Considerando a cor como fator determinante para a aprovação das capas foi realizado também
um estudo cromático através de três abordagens.
Sistematização de cores a partir de uma guia de combinações, similar à pantone, proposto por
Hideaki Chijiima em Color Harmony (1987). Trata-se de uma paleta com 61 cores obtidas com a
variação de 11 matizes oferecendo mais de 1600 combinações agrupadas segundo significados
emocionais e culturais.
Sistematização da constituição espacial das cores. Utilizando recurso digital a resolução das
capas foi reduzida de 300 para 1 pixel/polegada a fim de se obter uma visão das cores
predominantes em cada área, sem a interferência de figuras ou letras, que aparecem diluídas
neste nível de definição.
Sistematização de cores a partir da redução à cor tônica. Cada uma das capas foi representada
por uma cor tônica através de um retângulo monocromático. Foram construídos dois gráficos: o
primeiro relaciona a preferência da cor tônica pelas editoras e o segundo localiza o uso da cor
tônica no lay-out (no título, nas figura ou no fundo).
A reunião de todos esses dados permitiu a Ana Lima o esclarecimento dos principais
procedimentos existentes na criação de capas de livro, contribuindo para a potencialização de seu
próprio processo criativo e para a configuração de algumas tendências contemporâneas do design
nesse segmento.
produzidos
portfolios
1
seção
27
1.1. 1996: O início da graduação em Artes Plásticas
A série de trabalhos que apresento a seguir foi produzida durante os anos de 1996 e 1997,
período que corresponde aos meus dois primeiros anos no curso de Bacharelado em Artes Plásticas,
no Instituto de Artes da UNESP.
Por mais redundante que seja dizer que o primeiro ano da graduação foi repleto de novidades,
este relato não seria completo se omitisse tal comentário. O impacto mais imediato foi estabelecer um
convívio diário com um grupo de pessoas completamente envolvidas por uma grande paixão pela arte.
Estava diante de uma situação que oferecia a oportunidade de compartilhar minhas preferências,
dúvidas e expectativas relacionadas à área. Tive o privilégio de vivenciar uma produtiva troca de
experiências entre os colegas de classe, que logo se estendeu aos demais estudantes do campus e
aos professores.
O primeiro e o segundo ano foram intensos, carregados de informações e dedicados a muitas
experimentações. Havia um grande estímulo por parte dos professores para que a prática do desenho
fosse exercitada diariamente. Chegava a realizar trinta, quarenta, cinqüenta desenhos por semana. O
exercício incluía a busca de suportes inusitados e de novos materiais.
As indicações bibliográficas e as aulas expositivas começavam a ampliar também meu
repertório teórico em relação a assuntos como estética, história da arte, semiótica, fundamentos da
28
linguagem visual, entre outros. Discussões em torno da função desempenhada pela arte, da
ampliação de seus limites e da evolução tecnológica de seus suportes, por exemplo, foram essenciais
para que procurasse desenvolver meus trabalhos dentro de uma linguagem contemporânea.
Era apenas o início da graduação. Muitas questões ainda estariam por vir...
29
A
partir das aulas de
desenho adquiri o hábito de
desenhar diariamente.
Registrava cenas cotidianas
buscando, em sua
simplicidade, a harmonia
das formas, o movimento
das linhas, a beleza da
incidência de luz...
1- 1996. GRAFITE S/ PAPEL LAY-OUT. 22X24CM.
30
Procurava experimentar os mais variados tipos de suporte: papelões, tecidos,
superfícies de metal, vidro, plástico, etc. Os desenhos desta página foram
realizados em caneta hidrocor sobre papel pautado manchado com tinta ecoline.
2- 1996. ESTUDO EM ECOLINE E HIDROCOR S/ PAPEL PAUTADO. 25X20CM.
31
Com o mesmo tipo de suporte esbocei mais um desenho
utilizando o lápis pastel nas cores sépia e sanguínea.
3- 1996. ESTUDO EM ECOLINE,
SÉPIA E SANGUÍNEA SOBRE PAPEL
PAUTADO
. 20X18CM.
32
A
inda nessa época, produzi um pequeno caderno de
artista usando folhas de papel jornal cortadas em formato
A6 e presas por um barbante em sua margem superior.
4- 1996. ESTUDO EM LÁPIS DE COR SOBRE PAPEL JORNAL. 10X15CM.
33
Cada estudo era realizado em, no máximo, 10 min. Estabeleci
um curto intervalo de tempo a fim de que fossem preservadas
apenas as linhas essenciais de cada estrutura representada.
5- 1996. ESTUDO EM LÁPIS DE COR SOBRE PAPEL JORNAL. 10X15CM.
34
Procurava registrar situações comuns, preferencialmente em ambiente doméstico.
6- 1996. ESTUDO EM LÁPIS DE COR SOBRE PAPEL JORNAL. 10X15CM.
35
Os desenhos eram executados diretamente em
lápis de cor. Os traços não eram corrigidos.
7- 1996. ESTUDO EM LÁPIS DE COR SOBRE PAPEL JORNAL. 10X15CM.
36
As limitações do suporte, tanto em relação ao formato quanto ao
tipo de papel, e a restrição do tempo de execução dos trabalhos
resultaram num desprendimento favorável à proposta do exercício.
8- 1996. ESTUDO EM LÁPIS DE COR SOBRE PAPEL JORNAL. 10X15CM.
37
A
ausência do compromisso em produzir trabalhos finalizados
proporcionou uma liberdade na escolha dos temas e dos enquadramentos.
Nesse primeiro caderno de artista foram realizados 30 desenhos.
9- 1996. ESTUDO EM LÁPIS DE COR SOBRE PAPEL JORNAL. 10X15CM.
38
Com o intuito de exercitar também o desenho realizado ao ar livre, esbocei
uma cena no bosque do Museu Paulista. Procurei valorizar o contraste
cromático entre as áreas de maior luminosidade e as de penumbra.
10- 1997. LÁPIS DE COR SOBRE PAPEL FINE-FACE. 24X34CM.
39
V
12- M
ICHAEL HARRIS/ FOTOGRAM-
S
TONE. VARANASI, CIDADE INDIANA À
S
M
ARGENS DO RIO GANGES. FOTOGRAFIA.
A
lém dos desenhos captados
pela observação direta, foram
realizados também muitos
estudos a partir de
referências bidimensionais.
A
pintura à esquerda, em
ecoline, foi baseada em uma
fotografia extraída de revista.
11- 1997. ECOLINE SOBRE PAPEL MONTVAL. 24X18CM.
40
14- G
ERARD & MARGY MOSS. ALDEIA D
E
B
ORI, NA INDONÉSIA. FOTOGRAFIA.
Minha primeira experiência com
a ecoline havia ocorrido em
1991, num curso livre de
desenho. Os resultados obtidos
não tinham sido nada
satisfatórios, em grande parte
devido à falta de habilidade
com a técnica, mas também em
virtude da qualidade da tinta
utilizada.
13- 1997. ECOLINE SOBRE PAPEL MONTVAL. 24X18CM.
41
A experimentação de materiais
é uma parte essencial do ofício
do artista. As marcas de
qualidade superior, po
r
exemplo, oferecem produtos
que facilitam a aplicação das
técnicas e conservam os
trabalhos por mais tempo.
16- J. T
RUCHET/ GLMR. IGREJA E
M
VERMONT, EUA. FOTOGRAFIA.
15- 1997. ECOLINE SOBRE PAPEL FABRIANO UNO. 24X18CM.
42
18- A
NDREA BOOHER/ FOTOGRAM-
S
TONE. CRIANÇA INDIANA NA OC
A
SIÃO D
E
SEU CASAMENTO. FOTOGRAFIA.
A
pintura ao lado foi produzida
em ecoline e aquarela. Pude
constatar diferenças em
relação aos tons, à fluidez e à
aderência de cada uma delas.
Testei a aquarela Cotman, da
Winsor & Newton e a Van
Gogh, da Talens.
17- 1997. ECOLINE E AQUARELA SOBRE PAPEL FABRIANO 5. 23X21,5CM.
43
A ilustração abaixo também foi realizada com a combinação
dos dois materiais. A composição é o resultado da integração
entre desenhos de observação, de memória e de criação.
19- 1997. ECOLINE E AQUARELA SOBRE PAPEL MONTVAL. 21X29,5CM.
44
O estudo abaixo, executado em aquarela, teve como referência a
fotografia de uma favela. A imagem, extraída das páginas de um
j
ornal, havia sido captada em condições de iluminação que agregavam
fortes valores estéticos a uma situação completamente desfavorável.
20- 1997. AQUARELA E CANETA NANQUIM SOBRE PAPEL MONTVAL. 6X14CM.
45
21- HIERONYMUS BOSCH. RETABLO DE S
A
NTA
L
IBERATA. EL MARTÍRIO. 1505. ÓLEO SOBRE
TELA
. 104 X 63CM.
A
partir do segundo ano de
graduação iniciei um importante
estudo a respeito das linhas de
força presentes nas pinturas de
grandes mestres, como
Hieronymus Bosch.
22- 1997. ESTUDO, EM GRAFITE, DAS LINHAS DE FORÇA DA OBRA. 22X15CM.
46
Mantendo as principais linhas estruturais de uma das obras
de Bosh elaborei uma releitura sugerindo formas figurativas,
mas tendendo à abstração. Posteriormente, baseada nesta
experiência, produzi um segundo trabalho, este sim abstrato.
Nos dois casos, experimentei o papel Watercolour 280g/m,
100% celulose, da Fabriano.
23- 1997. ECOLINE S/ PAPEL WATERCOLOUR. 18X28CM. 24- 1997. ECOLINE SOBRE PAPEL WATERCOLOUR. 23,5X14CM.
47
Realizei também alguns estudos
relacionados a gravuras japonesas.
25- ACIMA À ESQUERDA: ISODA KORYUSAI. LOVERS IN TH
E
SNOW
. 1770. XILOGRAVURA. 26X18,4CM.
26- A
CIMA À DIREITA: 1997. ESTUDO, EM GRAFITE, DA
ESTRUTURA MODULAR DA OBRA
. 13X16CM.
27- A
O LADO: 1997. ESTUDO, EM GRAFITE, DE
SOBREPOSIÇÃO DOS MÓDULOS
. 10X16CM.
48
28- ACIMA: 1997. MAIS ALGUNS ESTUDOS EM GRAFITE. 25X25CM.
29- A
O LADO: 1997. PINTURA EM ACRÍLICA SOBRE LONA. 145X40CM.
49
30- AO LADO: KATSUKAWA SHUNEI. ASAO TAMEJURO I
AS
THE DRUNKEN
GOTOBEI DOING A “SANBASO
D
ANCE IN TH
E
P
LAY “YOSHITSUNES KOSHIGOE PETITION. 1790.
X
ILOGRAVURA. 29,4X13,9CM.
31- A
BAIXO: 1997. ESTUDO EM GRAFITE DAS LINHAS DE
FORÇA DA OBRA
. 21X25CM.
32- À
EXTREMA DIREITA: 1997. ACRÍLICA SOBRE LONA.
145
X40CM.
50
33- AO LADO: TORII KIYOMASU. THE SNOW-CLOGGED
GETA
. 1730. XILOGRAVURA. 31,8X15,2CM.
34- A
BAIXO: 1997. ESTUDO, EM GRAFITE, D
A
ESTRUTURA MODULAR DA OBRA. 25X25CM.
35- À
EXTREMA DIREITA: 1997. ACRÍLICA SOBRE LONA.
145
X40CM.
51
1.2. 1999: A conclusão do bacharelado
Este portfolio reúne trabalhos produzidos durante os anos de 1998 e 1999, que correspondem
ao período em que cursei o terceiro e o quarto ano da graduação.
Enquanto os dois primeiros anos foram dedicados basicamente a experimentações, os dois
últimos já apresentaram um direcionamento maior para a realização de uma produção mais coesa.
Talvez essa preocupação excessiva tenha reduzido de certa forma a liberdade criativa do grupo, uma
vez que passamos a descartar qualquer possibilidade que não se adequasse à linha de trabalho que
estávamos construindo. Entretanto, essa busca parece inevitável e ainda constitui um dos maiores
desafios do artista visual.
A partir do terceiro ano, comecei a ter contato com processos artísticos reprodutíveis como
xilogravura, gravura em metal, litografia, serigrafia, fotografia, entre outras. A possibilidade de ver
meus projetos expressos em diferentes meios era fascinante. O último ano foi basicamente voltado
para o Trabalho de Conclusão de Curso.
52
36- 1998. XILOGRAVURA SOBRE PAPEL ARROZ. 14X20CM.
53
O trabalho abaixo foi produzido durante as aulas de gravura.
Em 2003, foi selecionado para a “2
a
. Bienal de Gravura de
Santo André”, onde recebeu o Prêmio João Ramalho.
37- 1998. ÁGUA-TINTA E PONTA SECA SOBRE PAPEL RAFAELLO. 17X26CM.
54
A
série de nove pinturas que apresento a seguir integrou um
conjunto de trinta e dois trabalhos plásticos – incluindo ainda
esculturas e fotografias – produzidos para o meu Trabalho de
Conclusão de Curso, apresentado em 1999. As composições
agregam referências da arte rupestre a cenários urbanos
contemporâneos.
38- 1999. AQUARELA E LÁPIS DE COR SOBRE PAPEL FABRIANO ARTÍSTICO. 6X18CM.
55
39- 1999. AQUARELA, ECOLINE E LÁPIS DE COR SOBRE PAPEL MONTVAL. 9X14CM.
56
O intuito era justamente trabalhar o paradoxo existente
entre as imagens primitivas e os elementos da paisagem
urbana atual – edifícios, construções, postes, torres de
transmissão de energia, entre outros.
40- 1999. AQUARELA E LÁPIS DE COR SOBRE PAPEL WATERCOLOUR. 6,5X18CM.
57
41- 1999. ECOLINE E LÁPIS DE COR SOBRE PAPEL FABRIANO 5. 9X14CM.
58
42- 1999. ECOLINE E CANETA NANQUIM SOBRE PAPEL
M
ONTVAL. TRÍPTICO: 4,5X3,5CM/ 3,0X4,5CM/ 3,0X5,0CM.
59
43- 1999. ECOLINE E LÁPIS DE COR SOBRE PAPEL FABRIANO 5. 10X16CM.
60
44- 1999. AQUARELA E ECOLINE SOBRE PAPEL FABRIANO ARTÍSTICO. 9X14CM.
61
45- 1999. AQUARELA E LÁPIS DE COR SOBRE PAPEL FABRIANO ARTÍSTICO. 9X14CM.
62
Procurei preservar nas composições a representação
sintetizada das formas, coerente com a arte produzida
nas cavernas.
Esta série de trabalhos foi composta, integralmente,
por onze pinturas, sete esculturas e catorze fotografias.
46- 1999. ECOLINE, LÁPIS DE COR E LÁPIS DERMATOGRÁFICO SOBRE PAPEL FABRIANO 5 6X14CM.
63
1.3. 2003: Os primeiros anos de atuação profissional
Esta série foi realizada entre os anos de 2001 e 2003, período que compreende os primeiros
anos em que atuei profissionalmente, ministrando aulas de desenho artístico e pintura.
Assim que comecei a exercer o complexo ofício de lecionar senti a necessidade de aprimorar
meu repertório e minhas habilidades. Não ficaria satisfeita em transmitir aos alunos apenas
procedimentos artísticos extraídos de livros técnicos. Tinha a intenção de acrescentar informações
mais precisas, que só poderia obter através de experimentações e do contato direto com os materiais.
Enquanto meu compromisso esteve limitado a um desenvolvimento artístico pessoal, mantive a
confortável situação de produzir trabalhos utilizando, exclusivamente, as técnicas de minha
preferência. Contudo, a partir do momento em que assumi a responsabilidade de transmitir
conhecimentos, passei a dedicar minha produção ao desenvolvimento de diferentes meios
expressivos como grafite, lápis de cor, pastel seco, nanquim, aquarela, guache, acrílica e óleo.
64
A
fotografia abaixo foi utilizada como
referência para o desenho da página seguinte.
47- SEBASTIÃO SALGADO. FOTOGRAFIA EXTRAÍDA DO LIVRO TERRA.
65
Esta reprodução marca o momento em que
retomei meus estudos envolvendo fundamentos do
desenho e da pintura, ao mesmo tempo em que
dei início a uma pesquisa de materiais artísticos.
48- 2001. GRAFITE SOBRE PAPEL RAFAELLO. 16X29,5CM.
66
Durante os anos de graduação,
minha maior preocupação como
aluna se resumia a produzir bons
conjuntos de trabalhos plásticos
assimilando as experiências
vividas na universidade e através
deles obter uma oportunidade
profissional.
49- SEBASTIÃO SALGADO. FOTOGRAFIA EXTRAÍDA DO LIVRO TERRA.
67
CONDIÇÃO
A
o ingressar no mercado de
trabalho abandonei a condição de
aluna para me tornar uma
professora. Através da
apresentação dos portfolios que
produzi entre 1996 e 1999, fui
admitida numa escola de arte,
para ministrar um curso de
Desenho Artístico.
50- 2001. REPRODUÇÃO EM GRAFITE SOBRE PAPEL RAFAELLO. 27X19CM.
68
A
escola já seguia uma
programação estabelecida. Ainda
assim, procurei fazer um
levantamento bibliográfico com as
referências que havia adquirido na
graduação e alguns livros
complementares.
A
s leituras foram fundamentais para
organizar os conceitos teóricos que
trabalharia em aula. Entretanto, em
relação a alguns aspectos da
aplicação das técnicas e da escolha
dos materiais, por exemplo, senti a
necessidade de realizar uma
verificação prática.
51- STEVE DUNWELL . TAILANDESA DA ETNIA AKKHA. FOTOGRAFIA.
69
Comecei por exercitar,
exaustivamente, o desenho da
figura humana. As publicações que
encontrei sobre o tema
apresentavam divergências em
relação aos esquemas de
construção e às técnicas de
sombreamento.
A
princípio, fiquei extremamente
insatisfeita com esse conjunto de
informações desencontradas. No
entanto, foi exatamente a parti
r
dessa diversidade que pude
esboçar uma metodologia de
ensino a respeito do assunto.
52- 2001. DESENHO EM GRAFITE SOBRE PAPEL FINE FACE. 28X22CM.
70
53- SEBASTIÃO SALGADO. FOTOGRAFIA EXTRAÍDA DO LIVRA TERRA.
71
54- 2001. GRAFITE SOBRE PAPEL RAFAELLO. 17,5X26CM.
72
A
figura humana, retratada de
forma realista, exige uma
destreza na representação de
superfícies de tons e texturas
distintas, tais como: a pele
(branca, asiática, negra), o
cabelo (liso, ondulado, crespo,
loiro, ruivo, grisalho), o tecido
das roupas (algodão, malha,
j
eans), os acessórios (brincos,
colares, botões de roupa,
óculos), etc.
Por esse motivo resolvi pratica
r
também exercícios que
desenvolvessem tal habilidade.
55- HERBERT G. PONTING. TRIPULANTE DE EXPEDIÇÃO À ANTÁRTIDA. FOTOGRAFIA.
73
56- 2002. GRAFITE SOBRE PAPEL FABRIANO ARTÍSTICO SATINADO. 26X25CM.
No desenho ao lado experimentei
um papel extremamente liso, o
Fabriano 5, em versão satinada.
Procurava um suporte que
favorecesse a representação da
textura da pele, uma vez que
evitava utilizar recursos, como o
esfuminho para obter superfícies
homogêneas. Os trabalhos
finalizados em esfuminho tendem a
atribuir a todos os elementos da
composição um único padrão de
textura. Além disso, é um
instrumento que, em geral, elimina
os registros característicos de cada
artista.
74
A fim de aperfeiçoar minhas técnicas de representação de
texturas, realizei alguns exercícios de desenho de observação
buscando materiais de origens diversas: cerâmica, porcelana,
metal, madeira, tecido, vidro, etc. Cada um deles foi diferenciado
pelo tipo de superfície, pela forma como refletiam a luz que
incidia sobre eles, além de outras particularidades.
Para a representação do vidro, po
r
exemplo, utilizei uma lapiseira 0,5mm
com grafites de maior dureza, como HB,
B e 2B, capazes de penetrar nas fibras
mais profundas do papel e assim
produzir áreas mais homogêneas. Para
atingir os valores mais baixos,
acrescentei os lápis 4B e 6B sobre as
primeiras camadas.
58- 2002. G
RAFITE SOBRE
PAPEL
LAY-OUT. 16X28CM.
57- 2002. GRAFITE SOBRE PAPEL FINE-FACE. 21X29CM.
75
Os estudos não se restringiram ao grafite. Meu
objetivo era praticar todas técnicas previstas no
curso: grafite, lápis de cor, pastel seco, nanquim,
aquarela, guache e tinta óleo.
Somente através de experimentações práticas
pude verificar que certas generalizações e regras
estudadas em livros não procediam.
59, 60, 61- 2002. ENSAIOS
FOTOGRÁFICOS NO CENTRO DA CIDADE
DE
SANTO ANDRÉ. 10X15CM.
76
62- 2002. FOTOGRAFIA SELECIONADA PARA SER REPRODUZIDA EM LÁPIS DE COR. 18X24CM.
77
63- 2002. LÁPIS DE COR SOBRE PAPEL FABRIANO 5. 38X53CM.
78
65- 1999. FOTOGRAFIA EM PINHOLE. 8X12CM.
Procurando referências fotográficas para
os meus trabalhos, acabei encontrando
uma série de imagens que havia
produzido em uma pinhole, durante o
terceiro ano de graduação.
64- 1999. FOTOGRAFIA EM PINHOLE. 10X12CM.
66- 1999. FOTOGRAFIA EM PINHOLE. 8X12CM. 67- 1999. FOTOGRAFIA EM PINHOLE. 9X11CM.
79
A pinhole, que pode ser traduzida como
“buraco de agulha”, é uma espécie de
câmera fotográfica artesanal. A minha foi
produzida a partir de uma lata de leite em pó
pintada internamente de preto.
69- 1999. NEGATIVO CAPTADO EM
PAPEL FOTO
-SENSÍVEL. 9X11CM.
Um pequeno orifício
funcionava como lente e
diafragma. O negativo era
diretamente gravado no
papel foto-sensível.
68- 1999. FOTOGRAFIA SELECIONADA PARA SER REPRODUZIDA EM PASTEL SECO. 9X12CM.
80
70- 2003. SÉPIA, SANGUÍNEA E LÁPIS BRANCO SOBRE PAPEL MURILLO.
75
X105CM. COLEÇÃO DE PELÓPIDAS CYPRIANO DE OLIVEIRA.
O maior desafio para executar o desenho acima foi, sem dúvida, o seu grande formato.
Sentia-me mais confortável e habituada a “lapidar” áreas de pequenas dimensões. O
processo foi bastante trabalhoso desde as primeiras linhas de construção, já que a
imagem havia sido ampliada em 9 vezes. Como se não bastasse, optei po
r
experimentar um papel que não era específico para a técnica, fato que prejudicava a
fixação do pigmento no suporte.
81
71- 2003. GUACHE S/ PAPEL MONTVAL. 21X29CM.
82
72- 2002. ENSAIO FOTOGRÁFICO NO CENTRO DE SANTO ANDRÉ. 10X15CM.
73- 2002. ENSAIO FOTOGRÁFICO NO CENTRO DE SANTO ANDRÉ. 10X15CM.
74- 2002. F
OTOGRAFIA SELECIONADA PARA SE
R
REPRODUZIDA EM ÓLEO SOBRE TELA
. 18X24CM.
83
76- 2003. ESBOÇO EM GRAFITE S/ PAPEL LAY-OUT. 63X30CM.
75- 2003. ÓLEO SOBRE TELA. 40X120CM.
84
77- 1999. FOTOGRAFIA SELECIONADA PARA SER REPRODUZIDA EM NANQUIM. 18X24CM.
85
78- 2003. NANQUIM AGUADO E BICO-DE-PENA SOBRE PAPEL FABRIANO UNO.20X30CM.
86
80- 2003. N
ANQUIM AGUADO E BICO-DE-
PENA SOBRE PAPEL BIBLOS. 58X23 CM.
81- 2003. N
ANQUIM AGUADO E BICO-DE-
PENA SOBRE PAPEL BIBLOS. 58X23 CM.
79- 2003. NANQUIM AGUADO E BICO-DE-
PENA SOBRE PAPEL BIBLOS. 58X23 CM.
87
1.4. 2006: O ingresso no Programa de Mestrado
Somente depois de quatro anos de experiência ministrando aulas em escolas de arte decidi
cursar uma pós-graduação. A procura por um programa de mestrado representava, na realidade, a
busca por transformações profundas, muito além do que a obtenção de um título pudesse vir a me
proporcionar. Mudanças em relação à minha postura como artista visual e ao modo como havia
conduzido minha trajetória profissional até então. A idéia de desenvolver uma pesquisa relacionada
aos meus portfolios surgiu como uma grande oportunidade de reavaliar esse percurso.
Não imaginava que o processo de reunir minha produção pudesse reservar tantas surpresas.
Afinal, tratavam-se de registros produzidos num passado relativamente recente. O fato é que, por
alguns momentos, observando meus trabalhos mais antigos tive a sensação de estar diante da obra
de algum outro artista; e, de certa forma, estava.
Fui tomada por um forte sentimento saudosista ao me deparar com propostas despretensiosas
e carregadas de ingenuidade. Os conhecimentos, as experiências e as técnicas adquiridas com o
tempo não permitiriam que voltasse a realizar algo semelhante. No entanto, senti também um certo
constrangimento diante de algumas composições visivelmente elaboradas sem muitos critérios ou,
então, mal executadas. Com tantos sentimentos envolvidos pude constatar que seria incapaz de fazer
uma análise distanciada dos meus trabalhos, como eu havia imaginado inicialmente.
88
Essa preocupação com o distanciamento e com a objetividade do estudo estava relacionada
com a idéia presente não só nas Artes Visuais, mas em outras Ciências Humanas, de que o caráter
científico de uma pesquisa esteja condicionado a esses fatores. Como se a objetividade devesse
prevalecer mesmo nos casos em que o maior valor da pesquisa resida em sua subjetividade e na
proximidade, no envolvimento do pesquisador com o assunto estudado. Sobre esse assunto, o
historiador e sociólogo Max Weber dizia que só seria científica a disciplina que impedisse a qualquer
custo que os juízos de valor fossem tomados como forma de argumentação.
1
Defendia a busca pela
“verdade dos fatos”, que deveria ser a mesma para todos, independente do tempo e do espaço. No
entanto, a própria neutralidade já constitui uma maneira de assumir um posicionamento. Além disso, a
objetividade propriamente dita nem mesmo existe. A realidade objetiva só é conhecida a partir da
visão do sujeito. O que existe é simplesmente uma objetivação, que é uma objetividade em processo,
uma forma de aproximação com o real. A descrença na existência de verdades absolutas ocorre até
mesmo nas Ciências Exatas. O conceito da etnomatemática, por exemplo, surge da impossibilidade
em sustentar a idéia da universalidade da matemática. Ela estuda a evolução dos conceitos de
matemática dentro de uma estrutura cultural e antropológica.
2
O mestrado introduz uma nova situação de aprendizado na qual o conhecimento, que desde os
primeiros anos escolares até a graduação havia sido de domínio exclusivo do professor, passa a ser
produzido pelo aluno. A necessidade de atuar na produção do conhecimento modifica uma postura
_
_______________
_
__________
1
JAPIASSU, Hilton. Introdução às Ciências Humanas. São Paulo: Letras e Letras, 1994.
2
GAMA, Ruy (org). Ciência e técnica: analogia dos textos históricos. São Paulo: T. A. Queiroz, 1992.
89
extremamente passiva, adquirida ao longo dos anos, de esperar que as informações sejam
transmitidas pelo docente. Conseqüentemente, essa autonomia acaba gerando também muitas
dúvidas em relação ao andamento da pesquisa. Entretanto, somente as incertezas é que podem
constituir objetos de estudo para o pesquisador.
Todos essas informações, que agora entendo com maior clareza, foram sendo assimiladas
gradativamente. As reuniões de orientação, as disciplinas cursadas e as atividades complementares
desenvolvidas durante o mestrado apontaram novas possibilidades para minha pesquisa. Foram
responsáveis também por incentivar a produção de visualidades que acabaram configurando um novo
portfolio.
90
1.4.1. As reuniões de orientação
Desde dezembro de 2005, três meses antes do início do ano letivo para os ingressantes em
2006, as reuniões de orientação do Prof. Dr. Pelópidas Cypriano de Oliveira começaram a
proporcionar uma profunda imersão no mundo acadêmico. Recordo que, no primeiro encontro,
fizemos o estudo de uma matéria extraída do jornal da UNESP a respeito de uma das pesquisas
concluídas no programa de mestrado. A partir dessa simples leitura percebi a importância da
divulgação artístico-científica da pesquisa e pude projetar o objetivo final do meu trabalho, antes
mesmo de iniciá-lo.
O orientador sempre valorizou a formação de uma equipe, por isso todos os orientandos eram
convocados simultaneamente. As discussões em conjunto permitiram uma significativa troca de
experiências e informações que seria suprimida pelo atendimento individual. O contato com os
colegas já em fase de qualificação, por exemplo, foi muito importante para que tomasse conhecimento
do volume de atividades a serem cumpridas num período de um ano e da estrutura formal exigida no
relatório.
As qualificações de Débora Miller sobre pintura digital, de Roberto Bertani acerca da gestão
da obra de arte e de Rosângela Canassa a respeito da questão do feminino no cinema foram
fundamentais para o estabelecimento de alguns parâmetros dentro de um universo de possibilidades.
91
Tive acesso também a algumas pesquisas estruturadas em forma de papers, como por exemplo: a do
próprio orientador, relatando suas experiências com o Laboratório de Mídia no curso de Bacharelado e
Licenciatura em Artes Visuais, a do orientando Márcio Rinaldi, sobre videografismo e a de Tânia
Ribeiro, aluna do Lato Sensu, abordando a questão da divulgação artístico-científica.
Em relação ao meu projeto, uma das primeiras providências do orientador foi ministrar uma
aula introdutória ao Adobe Premier 6.0, salientando a importância da mídia digital para um estudo
relacionado a portfolio. Em outra ocasião, atendendo a uma solicitação dele, apresentei alguns dos
meus trabalhos plásticos, que foram comentados pelos colegas presentes. Em seguida, o professor
conduziu uma análise em relação às possíveis variáveis existentes na execução de um trabalho
pictórico, tais como o tempo de execução, a dimensão, a técnica, a temática e o estilo. Por sugestão
dele esbocei alguns estudos, ainda durante a reunião, tendo como critério a variável “tempo”: o
exercício consistia em definir três propostas hipotéticas que pudessem ser cumpridas em prazos já
estipulados.
92
84- 2006. ESTUDO EM CANETA
ESFEROGRÁFICA
.
T
EMA: PAISAGEM NATURAL
EXECUÇÃO: 1 ANO
T
ÉCNICA: ÓLEO S/ TELA
F
ORMATO: 80X200CM
83- 2006. ESTUDO EM CANETA
ESFEROGRÁFICA
.
T
EMA: PAISAGEM URBANA
EXECUÇÃO: 1 MÊS
T
ÉCNICA: PASTEL SECO
F
ORMATO: A1
82- 2006. ESTUDO EM
CANETA ESFEROGRÁFICA
.
T
EMA: RETRATO
EXECUÇÃO: 2 DIAS
T
ÉCNICA: GRAFITE
F
ORMATO: A3
93
O tempo que tenho disponível para executar uma obra é decisivo no momento de elaborar a
imagem, escolher os materiais a serem utilizados e definir as dimensões do suporte. Não encontrei
muita dificuldade em definir o projeto de 2 dias e o de 1 mês, pois tinha como referência algumas
experiências anteriores. Para a proposta de um ano optei por uma cena aparentemente simples – um
gramado visto praticamente ao nível do solo – mas bastante elaborada, onde o grande desafio seria
reproduzir seus detalhes mais minuciosos sem perder a leveza e o movimento natural das gramíneas.
Um outro encontro que resultou em produção de visualidades aconteceu no vernissage do
escultor paulista Leno Cabral na “Galeria Dom Pedro”, localizada na Sub-prefeitura do Ipiranga.
Professor Pelópidas solicitou à orientanda Laura Dias que ficasse responsável pelo registro fotográfico
das obras, a fim de exercitar a ferramenta de trabalho que estaria presente em sua pesquisa. Na
reunião seguinte, sugeriu que eu selecionasse uma das fotografias e fizesse a sua reprodução.
Recomendou que utilizasse um suporte no formato A5 e que a tarefa fosse executada num prazo de 2
dias. Considerando o tempo disponível e as dimensões do trabalho, encontrei no lápis de cor a
solução mais viável.
Somente a partir das diretrizes propostas pelo orientador pude compreender melhor a
erdadeira essência de minha pesquisa. Paralelamente às reuniões, continuei produzindo novos
trabalhos em busca de técnica e expressividade.
94
85- 2004. LENO CABRAL. ESCULTURA EM ARGILA. FOTOGRAFIA DE LAURA DIAS.
95
86- 2006. LÁPIS DE COR SOBRE PAPEL FINE-FACE. 11X16CM.
96
87- 2006. AQUARELA SOBRE PAPEL MONTVAL. 15,5X11CM. 88- 2006. AQUARELA E GUACHE S/ PAPEL MONTVAL. 19X12CM.
97
89- 2002. FOTOGRAFIA SELECIONADA PARA SER REPRODUZIDA EM LÁPIS DE COR. 18X24CM.
98
90- 2006. LÁPIS DE COR SOBRE PAPEL MI-TEINTES. 15X22CM.
99
1.4.2. As disciplinas cursadas
Espaço Lúdico
A disciplina “Espaço Lúdico”, ministrada pela Profª. Drª. Clice de Toledo Sanjar Mazzilli, teve
sua estrutura dividida em duas fases. A primeira, correspondente aos quatro primeiros encontros,
consistiu na exposição do conteúdo teórico organizado em três tópicos principais: cultura lúdica,
linguagem visual lúdica e percepção/cognição ambiental. Cada conceito estudado foi complementado
por um exercício prático através do qual a teoria era transformada em visualidade. Utilizando critérios
de tensão, movimento, módulo e ritmo foram produzidos trabalhos bidimensionais em assemblagem e
protótipos tridimensionais em arame e em papel. Ressalto a importância e a coerência das aulas
práticas, considerando o assunto abordado e seu enquadramento na linha de pesquisa “Processos e
Procedimentos Artísticos”.
A segunda fase foi iniciada com a presença do artista plástico Sérgio Régis Martins, que
ofereceu uma palestra bastante ilustrativa a respeito de artistas contemporâneos que aplicam
aspectos do humor e do lúdico em suas obras. Os encontros restantes foram reservados à
apresentação de seminários em grupo, envolvendo os seguintes temas: livro objeto, brinquedos e
jogos, o lúdico na arte (trabalhos bidimensionais e trabalhos tridimensionais) e animação. Como
100
trabalho final foi proposto que cada aluno desenvolvesse um projeto pessoal prático, acompanhado de
um memorial descritivo, devidamente relacionado à sua pesquisa no Programa de Pós-graduação e
ao conteúdo da disciplina.
Apresentei como projeto pessoal a elaboração e a construção em protótipo de um dominó
educativo. Ao invés de induzir às tradicionais relações numéricas, o jogo tinha a proposta de
estabelecer analogias entre imagens e ideogramas. O objetivo era criar um brinquedo didático que
auxiliasse na memorização da mais complexa classe de ideogramas japoneses, denominada kanji. A
lógica do dominó consistia na busca da associação visual entre o ideograma e a imagem que lhe deu
origem.
Na escrita japonesa, muitos kanjis foram criados a partir da síntese do desenho das próprias
figuras que eles representam, ao contrário do que acontece, por exemplo, com a escrita romana, cuja
estrutura não se vincula a correspondências visuais. Eles se desenvolveram a partir de desenhos
usados pelos chineses, há milhares de anos, como uma forma de representar o mundo ao seu redor.
No entanto, através dos tempos, essa escrita sofreu várias transformações e acabou perdendo suas
formas originais.
O intuito do projeto foi, resgatar as origens figurativas dos ideogramas, propondo que os
participantes aprendessem a relacionar analogicamente palavra e imagem. O jogo seria destinado a
crianças japonesas ou de descendência japonesa, em fase de alfabetização, entre 5 e 7 anos. O
101
protótipo consistiu em 15 peças de madeira com as seguintes dimensões: 6cm de largura x 12cm de
comprimento x 1,8cm de espessura. Cada peça foi pintada em tinta acrílica e impermeabilizada com
verniz fosco.
O conteúdo da disciplina trouxe grandes contribuições à pesquisa que desenvolvo, na medida
em que abordou os fundamentos da linguagem visual, aplicados não só nos ambientes lúdicos, mas
nas artes visuais de uma forma geral. Os conceitos teóricos associados a atividades práticas
permitiram um estudo mais aprofundado sobretudo em relação a aspectos formais da composição
visual e à utilização criteriosa da cor.
Elaborar o trabalho final da disciplina foi uma oportunidade de testar empiricamente a eficácia
de uma linguagem estruturada a partir de imagens. A referida proposta – o dominó educativo – foi
aplicada aos colegas do curso, que sem nenhum conhecimento da escrita japonesa fizeram
corretamente a associação entre imagem e ideograma. A seguir, algumas
das peças do jogo:
102
91- 2006. PEÇAS EM COMPENSADO, PINTADAS EM ACRÍLICA. 6X12X1,8CM.
103
1.3 Seminários de Pesquisa em Arte
92- 2006. PEÇAS EM COMPENSADO, PINTADAS EM ACRÍLICA. 6X12X1,8CM.
104
Artemídia e videoclip: o emergente devir das Artes Visuais do terceiro milênio
A disciplina, ministrada pelo Prof. Dr. Pelópidas Cypriano de Oliveira, teve como principal
objetivo propor a materialização do objeto de estudo de cada aluno através da produção de obras
artísticas. Para que fosse estimulada a criação e assimilado o conceito de linguagem visual, foram
exibidos alguns filmes: “Entr´act”, filme dadaísta do início do século e “Um homem com uma câmera”
de Dziga Vertov, ambos suprimindo o uso da linguagem verbal, e ainda “O mistério de Picasso”, onde
o pintor é filmado em plena atividade artística. O exercício deveria incluir o projeto, a produção das
obras e a montagem de uma exposição. A idéia era que cada aluno manifestasse a essência de sua
pesquisa através de um trabalho artístico, em qualquer forma de expressão visual.
Comunicar uma pesquisa sem empregar a linguagem verbal, utilizando apenas imagens, sons
e objetos foi uma experiência tão inusitada quanto reveladora. E, arriscaria dizer, que teve um
significado especial para os integrantes das linhas teóricas de pesquisa, a partir do momento em que
puderam observar seu objeto de estudo sob pontos de vista completamente distintos dos habituais.
Houve um envolvimento intenso por parte dos alunos, todos tomados pelo mesmo objetivo: expressar
o indizível. Idéias, impressões e sentimentos tiveram sua tradução concretizada em diferentes meios
como pintura, escultura, serigrafia, instalação, vídeo, etc. Essa atividade permitiu que a minha
pesquisa delimitasse seus elementos essenciais, na mesma medida em que ampliou as possibilidades
de seu desenvolvimento.
105
Os trabalhos ficaram expostos no Instituto de Artes, durante o período de 31 de julho a 04 de
agosto de 2006. Através de tintas, papéis coloridos, colagens, formas tridimensionais e imagens
captadas em vídeo cada aluno procurou expressar angústias, dúvidas e objetivos relacionados a sua
pesquisa. Optei por apresentar pinturas em tela, que apresento a seguir, acompanhadas de suas
referências fotográficas.
106
94- 2006. ENSAIO FOTOGRÁFICO. 10X15CM.
93- 2006. ENSAIO FOTOGRÁFICO. 10X15CM.
95- 2006. FOTOGRAFIA SELECIONADA PARA SER REPRODUZIDA À ÓLEO. 10X15CM.
107
96- 2006. ÓLEO SOBRE TELA. 60 X 90CM.
108
97- 1999. A REFERÊNCIA FOTOGRÁFICA UTILIZADA PARA
A IMAGEM
77 DO PORTFOLIO DE 2003 FOI EXPLORADA
N
OVAMENTE EM OUTRA PRODUÇÃO ARTÍSTICA.
98- 2006. APLICAÇÃO DO FUNDO D
A
PINTURA. ÓLEO SOBRE TELA. 90X60CM.
99- 2006. ÓLEO SOBRE TELA. 90X60CM.
109
Arte Pública
A disciplina “Arte Pública”, ministrada pelo Prof. Dr. João Jurandir Spinelli, foi de extrema
relevância para uma maior compreensão de um conceito até então muito vago no meu entendimento.
Num primeiro momento do curso, discutimos as possíveis definições da expressão “arte pública”,
segundo o repertório de cada aluno. As opiniões de certa forma convergiram para um senso comum,
no qual o termo em questão acaba se definindo muito mais por sua condição antagônica à “arte
privada” do que por suas próprias características.
Com o decorrer das aulas, tive a oportunidade de identificar outros valores relacionados ao
conceito. Monumentos, murais e mosaicos, por exemplo, podem constituir arte pública, mas só
adquirem significado verdadeiro quando se articulam às histórias do local e das pessoas que ali
circulam. A historicidade, portanto, é um fator fundamental para a caracterização da arte pública. Além
dela, devemos considerar também os critérios de: visibilidade (se a obra está num local acessível),
cobertura (quantidade e freqüência de pessoas que tenham acesso a ela), singularidade (se possui
características que a tornem única), contraste local, significado (sugerido ou explícito), entre outros.
Os critérios de análise estudados puderam ser exercitados na prática, a partir de três roteiros
de visita propostos pelo professor: o Museu Paulista, as artes públicas da Av. Paulista e os
monumentos localizados no centro da cidade. Através de fotografias e apontamentos visuais ou
verbais retratamos nossas impressões.
110
A principal contribuição da disciplina foi a de retomar a idéia de que o desenvolvimento de um
olhar mais sensível depende de um exercício constante, mas que muitas vezes deixa de ser praticado
até mesmo pelos artistas visuais. Além disso, a valorização da linguagem visual de uma forma geral e
como instrumento de análise de obras articula-se intimamente com a minha pesquisa. A seguir, alguns
de meus registros:
111
O desenho abaixo foi esboçado no Museu
Paulista, localizado no bairro Ipiranga.
100- 2006. CANETA ESFEROGRÁFICA SOBRE PAPEL JORNAL. 9X18CM.
112
Registrei também um dos desenhos do
mosaico que cobre o piso do museu.
101- 2006. CANETA ESFEROGRÁFICA S/ PAPEL JORNAL. 9X18CM.
113
103- FRANCISCO LEOPOLDO DA SILVA.
Í
NDIO PESCADOR. ESCULTURA EM BRONZE.
102- 2006. LÁPIS DE COR SOBRE PAPEL VERGÉ. 7X10CM.
114
105- 1924. VICTOR BRECHERET.
F
AUNO. ESCULTURA EM GRANITO.
104- 2006. LÁPIS DE COR SOBRE PAPEL VERGÉ. 10X12CM.
115
107- FRANCISCO LEOPOLDO DA SILVA.
A
RETUSA. ESCULTURA EM MÁRMORE.
106- 2006. LÁPIS DE COR SOBRE PAPEL VERGÉ. 4X13CM.
116
109- DOMENICO CALABRONE. GRAND
E
M
EGATÉRIO. ESCULTURA EM GRANITO.
108- 2006. LÁPIS DE COR SOBRE PAPEL VERGÉ. 10X10CM.
117
111- FRANZ KRAJCBERG. SEM TÍTULO.
E
SCULTURA COM RAÍZES CALCINADAS.
110- 2006. L
ÁPIS DE COR SOBRE PAPEL VERGÉ. 7X10CM.
118
1.4.3. Atividades complementares
Entre as oito atividades complementares desenvolvidas, selecionei as duas que mais
contribuíram para minha pesquisa.
Monitoria no Laboratório de Ensino e Pesquisa do Programa de Pós-Graduação
A monitoria, ocorrida entre março de 2006 e agosto de 2007, consistiu na digitação dos
informativos mensais do Programa de Pós-Graduação, no desenvolvimento de aplicativos e na
realização de projetos gráficos.
A grande contribuição da atividade foi, sem dúvida, proporcionar minha aproximação com a
mídia digital. Depois de muitos erros e alguns acertos pude extrair desta experiência um aprendizado
que foi aplicado na organização deste relatório.
Dentre os projetos, destacaria a elaboração do novo logotipo do informativo mensal do
Programa de Pós-Graduação. Muito mais do que explorar todas as possibilidades oferecidas por um
programa específico, minha expectativa era compreender a lógica de um pensamento que se
apresenta em diferentes formas e que a cada dia se renova. Apresento, a seguir, alguns estudos e o
resultado final do logotipo.
119
113- 2006. LOGOTIPO PARA O INFORMATIVO
MENSAL DO PROGRAMA DE PÓS
-GRADUAÇÃO.
A
proposta do projeto visual foi utilizar o logotipo da
UNESP associado às iniciais do campus “Instituto de
Artes”. As letras fazem referência às duas áreas existentes
na unidade: Artes e Música.
112- 2006. ESTUDOS EM CANETA ESFEROGRÁFICA. 21X29CM.
120
Participação no Núcleo de Ensino e Pesquisa da UNESP
Durante o ano de 2006, o Núcleo de Ensino e Pesquisa da UNESP teve como uma de suas
prioridades estudar a possibilidade de uma parceria com a “ETE Getúlio Vargas” para a implantação
de um curso de Desenho e História da Arte preparatório para o vestibular em Artes Visuais.
Destacaria nessa atividade a importância das discussões em relação ao conteúdo
programático do referido curso. O levantamento dos possíveis critérios avaliados numa prova de
aptidão em Artes Visuais suscitou opiniões divergentes e conduziu cada integrante do grupo a uma
construtiva reflexão sobre sua própria formação artística. No meu caso, tive a oportunidade de
reavaliar o meu trabalho como professora de desenho e como artista visual.
portfolios
2
seção
121
2.1. Curso livre de Desenho Artístico – Estúdio Arena Artes Visuais
Em dezembro de 2005, depois de quatro anos de experiência em escolas de arte, decidi
estruturar meu próprio atelier em parceria com André Vazzios, coordenador da equipe de criação da
produtora “Fábrica de Quadrinhos”.
Vazzios e eu havíamos trabalhado juntos na “Escola Oficina de Artes” considerada, em seu
segmento, como a principal instituição da região do ABC paulista. A programação e a metodologia
oferecidas pela escola eram bastante eficientes, mas tínhamos a idéia de elaborar cursos com
conteúdos e cargas horárias mais flexíveis, que pudessem atender melhor as necessidades
específicas de cada aluno. Criamos, então, o “Estúdio Arena Artes Visuais”. A opção por um trabalho
autônomo surgiu também como a alternativa mais viável para que pudesse adaptar minha jornada de
trabalho em função das atividades a serem desenvolvidas no programa de mestrado. Durante o
primeiro semestre de 2006, por exemplo, dediquei 16h semanais ao cumprimento de créditos em
disciplinas.
Alugamos uma sala comercial de 28m
2
localizada em Santo André, na Grande São Paulo.
Equipamos nosso pequeno atelier com pranchetas, mesa de luz, cavaletes, computadores e armários.
Para a divulgação do espaço fizemos anúncios em informativos locais, distribuimos folders e
enviamos mala-direta através de e-mail para nossas redes de contato.
122
Elaboramos o conteúdo de cinco cursos distintos: Desenho Artístico e Técnicas de Pintura,
Ilustração Fantástica, Ilustração Publicitária, Pintura Digital e Linguagem Artística (para
vestibulandos).
Procuramos aliar minha formação acadêmica à experiência de André Vazzios nas áreas
editoriais e publicitárias. Vazzios já teve suas ilustrações publicadas em Portugal, França e Espanha.
Como quadrinhista, foi vencedor de dois prêmios “HQ Mix” e dois “Ângelo Agostini” pelos projetos Lua
dos Dragões e Holy Avenger, além de integrar exposições coletivas no Museu da Imagem e do Som.
Desde 1995, desenvolve projetos nas áreas de animação, web dynamics, concept design, criação de
personagens, catálogos e peças publicitárias. Entre eles: matérias e capas na Veja, Nova Escola,
Digital Designer, Kid+, Playboy, anúncios da Elma Chips, Close-up, Confort, Mitsubishi, etc. Todo esse
conhecimento adquirido confere a ele grande credibilidade na criação de cursos que reproduzem a
dinâmica das grandes produtoras e agências publicitárias.
A programação dos cursos é adaptada aos reais interesses e necessidades de cada aluno.
Optamos por conduzir o estúdio paralelamente a outras atividades profissionais, a fim de preservar
suas características essenciais relacionadas à qualidade de ensino, que o diferenciam de outras
instituições preocupadas exclusivamente com a captação desenfreada de alunos.
A seguir, alguns dos trabalhos produzidos pelas minhas alunas Simone Schleier, do curso de
Desenho Artístico, e Camila Kfouri, do curso de Linguagem Artística para vestibulandos.
123
Curso de “Desenho Artístico e Técnicas de Pintura”
115-SIMONE SCHLEIER. 2006. PASTEL
SECO SOBRE PAPEL
INGRES. 21X35CM.
114-SIMONE SCHLEIER. 2006. PASTEL
SECO S
/ PAPEL RAFAELLO. 21X29CM.
124
117-S
IMONE SCHLEIER. 2006. AQUARELA
S
/ PAPEL MONTVAL. 21X29CM.
116-SIMONE SCHLEIER. 2006. AQUAREL
A
SOBRE PAPEL MONTVAL. 21X29CM.
125
118- CAMILA KFOURI. COMPOSIÇÃO COM O TEMA: MEIO
S
D
E TRANSPORTE URBANO. 2007. LÁPIS DE COR. 25X35CM.
Curso de “Linguagem Artística” para
vestibulandos em Artes Visuais,
Arquitetura, Moda e Design Gráfico.
119- CAMILA KFOURI. COZINHA EM PERSPECTIV
A
A
RTÍSTICA. 2007. GRAFITE. 25X35CM.
126
120- C
AMILA KFOURI. DESENHO DE CRIAÇÃO CO
M
O
TEMA: CIDADE FUTURISTA. 2007. GRAFITE. 25X35CM.
122- C
AMILA KFOURI. FIGURA HUMANA E
M
P
ERSPECTIVA. 2007. GRAFITE. 25X35CM.
121- CAMILA KFOURI. S
A
LA EM PERSPECTIVA
A
RTÍSTICA. 2007. LÁPIS DE COR. 25X35CM.
Camila Kfouri foi aprovada na FUVEST 2008 para o curso de Arquitetura da FAU.
127
2.2. Disciplina Desenho II – Instituto de Artes UNESP
Com o desligamento da Profª. Drª. Clice de Toledo Sanjar Mazzilli de suas atividades na
UNESP no final do primeiro semestre de 2006, a disciplina “Desenho II” oferecida ao 1
o
. ano do
Bacharelado e Licenciatura em Artes Visuais (BLAV) perdia sua docente. A fim de reparar essa
lacuna, meu orientador, na condição de coordenador do curso, propôs uma solução nada
convencional: convocou duas de suas orientandas e um ex-orientando para que assumissem essas
aulas em conjunto. Para minha satisfação, estava incluída nesse projeto. O professor responsável
seria Antônio Maués, que já havia concluído o mestrado e possuía experiência no ensino superior.
Teríamos ao nosso lado também Débora Miller que, na época, estava em fase final de sua dissertação
e, assim como eu, lecionava em cursos livres de desenho e pintura.
Com a orientação do professor Pelópidas e da pedagoga Mônica de Oliveira, fizemos o
planejamento das aulas.
128
PLANOS DE AULA
AULA
ASSUNTO
OBJETIVO
CONTEÚDO
01
Avaliação do conhecimento desenvolvido
na disciplina Desenho I no primeiro
semestre de 2006.
Conscientizar o aluno
do conhecimento visual
apreendido na disciplina
Desenho I.
Realização de 5
desenhos:
1) de observação
2) de perspectiva
3) de luz e sombra
4) de criação
5) do próprio atelier.
02
Analisar a correspondência entre o
conhecimento visual desenvolvido na
disciplina Desenho I e o conteúdo
abordado na aula 01.
Avaliar o conteúdo
abordado na aula 01.
1) Análise dos
desenhos produzidos 2)
Pesquisa teórica sobre
os conceitos presentes
na aula 1
3) Discussão em grupos
sobre os trabalhos
realizados.
4) Redesenhar a
proposta de um dos
colegas.
129
AULA
ASSUNTO
OBJETIVO
CONTEÚDO
03
Desenvolvimento e exploração do traço.
Desenvolver a
habilidade de utilizar
vários tipos de traço no
desenho bidimensional.
1) Apresentação da
pesquisa teórica.
2) Realização de 5
desenhos de
observação explorando
os conceitos de forma,
formato, linha, volume e
textura.
04
A técnica do carvão.
Apresentar a técnica do
carvão, visando a
exploração do material
para obtenção de
resultados plásticos
distintos.
1) Conteúdo teórico
sobre o material e as
diversas formas de
aplicação no suporte. 2)
Exploração das
possibilidades plásticas
do carvão.
3) Produção de
desenhos de
observação.
130
AULA
ASSUNTO
OBJETIVO
CONTEÚDO
05
Registro visual do ambiente da
Subprefeitura do Ipiranga.
Desenhar o ambiente
da subprefeitura e
realizar o registro visual
da montagem de uma
exposição de arte.
1) Realização de
estudos do ambiente da
subprefeitura,
movimentado pela
montagem de uma
exposição de arte,
utilizando caneta
esferográfica.
2) Produção de 3
trabalhos utilizando a
técnica preferida por
cada um. Apresentar na
aula 06.
06
Exploração e utilização de texturas.
Explorar e descobrir as
possibilidades de
aplicação de texturas
em desenhos.
1) Frottage e
reprodução de texturas.
2) Análise dos trabalhos
solicitados na aula 05.
131
AULA
ASSUNTO
OBJETIVO
CONTEÚDO
07
Técnica do nanquim e figura humana.
Modelo vivo.
Desenvolver a
habilidade de utilizar a
técnica do nanquim
(aguada, caneta e bico
de pena), utilizando a
figura humana como
referência.
1) Introdução ao
material.
2) Realização de
estudos de modelo vivo
em seis diferentes
posições, com aguadas
e/ou bico-de-pena.
08
Técnicas alternativas do nanquim.
Apresentação de kendo: figura humana
em movimento.
Explorar e aplicar
técnicas alternativas do
nanquim, para obtenção
de resultados plásticos
diversificados.
1) Explanação sobre o
material e suas
possibilidades.
2) Experimentação de
recursos como vela e
soprador.
3) Estudo da figura
humana em movimento,
com referência numa
apresentação da arte
marcial kendo.
132
AULA
ASSUNTO
OBJETIVO
CONTEÚDO
09
Introdução à técnica da aquarela.
Proporcionar ao aluno
um contato inicial com a
aquarela através do
conhecimento das
características
essenciais do material
(componentes químicos,
suporte utilizado,
pincéis mais indicados,
etc.) e de sua
experimentação.
Produção de 1 proposta
em aquarela, construída
a partir de referências
fotográficas (extraídas
de revistas ou
produzidas pelos
próprios alunos).
10
Aquarela/ Planejamento do projeto final.
1) Realizar a segunda
proposta em aquarela.
2) Propor aos alunos o
projeto final: produção
de 10 trabalhos
realizados com as
técnicas estudadas e
organizados em um
portfolio.
1) Exploração das
possibilidades
oferecidas pela
aquarela.
2) Orientação dos
projetos.
133
AULA
ASSUNTO
OBJETIVO
CONTEÚDO
11
Desenvolvimento do projeto final.
Dar início à produção
das propostas que
integrarão o projeto
final.
1) Produção dos
trabalhos para o
portfolio.
2) Esclarecimentos
técnicos e discussões
sobre a poética de cada
projeto.
12
Desenvolvimento do projeto final.
Dar continuidade à
produção do projeto
final.
Execução do projeto
final.
13
Desenvolvimento do projeto final. Início
das apresentações dos portfolios.
Analisar os primeiros
projetos já concluídos.
1) Avaliação dos
primeiros portfolios.
2) Finalização dos
demais projetos.
14
Apresentação dos projetos finais.
Avaliar os projetos finais
e a evolução de cada
aluno.
Apresentação e análise
dos portfolios.
134
A proposta de conduzir uma disciplina ao lado de mais dois professores, com formações
bastante distintas da minha, foi uma experiência enriquecedora. As discussões quanto ao conteúdo
das aulas, à metodologia e às formas de avaliação convergiram para um planejamento que reuniu
cinco visões distintas - incluindo a do coordenador do curso e a da pedagoga Mônica de Oliveira -
sobre a atividade do desenho.
Analisando a minha atuação, percebo que tive um grande envolvimento com os projetos
desenvolvidos em aula, mas que talvez tenha assumido uma postura condescendente demais com as
atitudes dos alunos. Na realidade, o fato de já ter sido aluna do Instituto de Artes fazia com que eu
reconhecesse algumas das principais angústias, dúvidas e anseios de um estudante dessa instituição.
Sentia-me mais próxima dos alunos do que dos meus próprios colegas de trabalho.
Através do projeto final da disciplina, que consistia na produção de dez trabalhos plásticos,
pude extrair dos alunos suas impressões a respeito do conceito de portfolio. Enquanto alguns se
preocuparam exclusivamente com a proposta de cada visualidade, outros dedicaram seus esforços à
forma de apresentação do conjunto de trabalhos. A grande maioria demonstrou muita criatividade na
construção de seus portfolios, experimentando diversos formatos, materiais e ferramentas de trabalho.
Ao final do primeiro ano de graduação, estavam todos com seus portfolios em mãos. Nas
páginas seguintes, algumas das propostas apresentadas pela aluna Gabriela Gil.
135
124- G
ABRIELA GIL. 2006. ACRÍLICA
SOBRE PAPEL PARA DESENHO
. 29X42CM.
123- GABRIELA GIL. 2006.
F
OTOGRAFIA. 10X15CM.
125- G
ABRIELA GIL. 2006. ACRÍLIC
A
SOBRE PAPEL PARA DESENHO. 29X425CM.
126- GABRIELA GIL. 2006. FOTOGRAFIA. 10X15CM.
136
128- GABRIELA GIL. 2006. FOTOGRAFIA. 10X15CM.
127- GABRIELA GIL. 2006. ACRÍLICA
SOBRE PAPEL PARA DESENHO
. 29X425CM.
130- GABRIELA GIL. 2006. ACRÍLIC
A
SOBRE PAPEL PARA DESENHO. 29X425CM.
129- G
ABRIELA GIL. 2006. FOTOGRAFIA. 10X15CM.
137
2.3. Projeto Vivência de Atelier Instituto de Artes UNESP
O projeto “Vivência de atelier”, idealizado em janeiro de 2007 pelo Prof. Dr. Pelópidas Cypriano
de Oliveira, visa a implantação de oficinas diversas com o intuito de complementar a formação dos
alunos de Bacharelado e Licenciatura em Artes Visuais do Instituto de Artes da UNESP. A carga
horária das oficinas é de 30h, divididas em dez encontros. Os participantes recebem créditos que
podem ser aproveitados para o cumprimento das Atividades Programadas, previstas na estrutura
curricular do curso.
Meu orientador, em mais uma atitude generosa, sugeriu que eu ministrasse a oficina de
Aquarela. Entre inúmeros profissionais com experiência em ensino superior, preferiu dar a
oportunidade a uma iniciante, que nem mesmo era aquarelista.
Foram formadas duas turmas: a primeira, composta por 10 alunos do 2
o
. ano, ocorreu durante
o período de 30 de maio a 22 de agosto de 2007 e a segunda, constituída por 24 alunos do 1
o
. ano,
teve início em 24 de setembro e foi concluída em 3 de dezembro de 2007.
Num primeiro momento do curso procurei fazer alguns esclarecimentos técnicos a respeito da
aquarela, discorrendo sobre as funções de seus principais componentes químicos (goma arábica,
glicerina, agente umectante), as suas formas de apresentação (pastilha, fôrma e bisnaga), os papéis
mais recomendados quanto à textura (not pressed, cold pressed, hot pressed) e gramatura (200, 300,
138
500g/m), os pincéis mais utilizados (kolinsky, marta, orelha de boi), os procedimentos para o
esticamento do papel, etc.
No entanto, a essência da oficina não estava relacionada à aplicação de técnicas, mas sim a
uma experimentação intensa do material, que conduzisse o aluno a “vivenciar” o processo. Pensando
nessa finalidade, sugeri que os participantes explorassem temas variados, sobrepondo manchas,
reproduzindo texturas, definindo formas, desfocando figuras. A experiência adquirida seria muito mais
valorizada do que os resultados obtidos.
Acredito que a maior dificuldade de adaptação ao projeto tenha vindo de minha parte. Até
então, todos os cursos que já havia estruturado baseavam-se no ensino de procedimentos técnicos.
Essa nova situação fez com que refletisse sobre a minha metodologia: que conhecimentos poderia
transmitir além dos conceitos relacionados a técnicas artísticas?
Apresento, a seguir, alguns dos trabalhos desenvolvidos pelos alunos.
139
132- V
INÍCIUS NAKAMURA 2007.
A
QUARELA S/ PAPEL MONTVAL. 21X29CM.
131- REBECA ALCÂNTARA. 2007.
A
QUARELA S/ PAPEL MONTVAL. 21X29CM.
140
134- JOSÉ PATRÍCIO NETO. 2007.
A
QUARELA S/ PAPEL MONTVAL . 21X29CM.
133- C
IBELE BERNARDO. 2007.
A
QUARELA. S/ PAPEL MONTVAL. 21X29CM.
141
136- CIBELE BERNARDO. 2007.
A
QUARELA S/ PAPEL MONTVAL. 21X29CM.
137- LÍVIA MARA BOTAZZO. 2007.
A
QUARELA S/ PAPEL MONTVAL.. 21X29CM.
135-
TAMARA TAKAOKA. 2007.
A
QUARELA S/ PAPEL MONTVAL. 21X29CM.
142
2.4. Disciplina Artes Colégio Santer
Até o ano de 2004, os estudantes interessados em Artes Visuais, que quisessem ingressar no
Instituto de Artes – UNESP, deveriam optar entre o Bacharelado em Artes Plásticas e a Licenciatura
em Educação Artística.
Em 1995, fiz minha escolha. Não tive dúvidas em decidir pelo bacharelado, uma vez que a
idéia de estudar música, artes cênicas, disciplinas pedagógicas e ainda futuramente ministrar aulas,
estava bem distante dos meus planos. Entretanto, ironicamente, desde que concluí a graduação em
1999, tenho me dedicado exclusivamente ao ensino relacionado a Artes Visuais, mais
especificamente, a aulas de desenho e pintura em escolas de arte e ateliês livres.
Assim como a maioria dos profissionais que procuram um programa de mestrado, meu objetivo
é atuar como professora universitária. A experiência de lecionar na UNESP, citada anteriormente,
agregou um valor inestimável à minha formação. No entanto, enquanto não surgiam novas
oportunidades, continuei a procura de trabalho em diversas instituições educacionais.
Em agosto de 2007, através de meu curriculum e da apresentação de meu portfolio, fui
admitida no Colégio Santer, localizado em Santo André, na grande São Paulo. Assumi a disciplina
“Artes”, destinada aos alunos do 2
o
. ao 5
o
. ano do Ensino Fundamental. Por tratar-se de uma escola
recente, com cinco anos de existência, tive o privilégio de elaborar o planejamento das aulas, ao
143
contrário do que acontece em algumas instituições mais tradicionais, nas quais o conteúdo
programático a ser seguido já está estabelecido. Procurei definir a programação de um semestre,
correspondente a onze aulas, com o principal objetivo de conhecer o repertório visual, a habilidade
motora, a disposição ao aprendizado e o potencial criativo dos alunos.
As propostas foram estruturadas a partir de exercícios envolvendo:
desenho de memória, com elementos próximos à realidade dos alunos;
desenho de observação, com o desenvolvimento do conceito de proporção;
desenho de criação, com temas dirigidos;
interpretação e releitura de obras de arte;
Havia chegado o momento de combater minha resistência em lecionar no ensino de 1
o
. grau.
Por estar habituada a um público extremamente dedicado, comprometido e com interesses bastante
específicos, não sabia como reagiria diante de situações de indisciplina e comportamentos
inadequados. Aquelas aulas de pedagogia, que havia menosprezado na graduação, teriam sido muito
bem-vindas nesse momento. No entanto, fico satisfeita em saber que o mesmo não acontecerá com
as próximas turmas a se graduarem no Instituto de Artes. Em 2005, o coordenador do curso, Prof. Dr.
Pelópidas Cypriano de Oliveira, integrou o Bacharelado em Artes Plásticas e a Licenciatura em
Educação Artística num único curso, renomeado “Bacharelado e Licenciatura em Artes Visuais”. A
nova estrutura curricular permite a formação de profissionais mais completos e versáteis. Foi também
144
atualizada com disciplinas relacionadas a produções multimídias e ao empreendedorismo em arte,
entre outras alterações.
Retomando as minhas expectativas em relação aos alunos do colégio... Fui surpreendida por
crianças extremamente educadas, habilidosas, criativas e aplicadas. Envolviam-se intensamente com
cada atividade apresentada, demonstrando um potencial artístico e uma sensibilidade muito grande.
Por outro lado, as limitações impostas pela coordenação causavam sérios prejuízos ao
desenvolvimento das propostas. Começando pelos materiais disponíveis, que não correspondiam com
o alto nível do colégio. Com muito sacrifício, consegui folhas de sulfite A4, em quantidade insuficiente,
para utilizar como suporte. Durante todo o semestre, os alunos utilizaram apenas lápis de cor e giz de
cera, trazidos por eles mesmos. Trabalhávamos numa sala estruturada com ramal, iluminação
adequada, piso alemão anti-derrapante e jardim de inverno, que contrastava com escassez de
materiais a serem explorados. A maior preocupação da diretoria era com o piso, por sua superfície ser
altamente absorvente e manchar com facilidade. Desde o primeiro dia de aula fui alertada sobre o
“perigo” das tintas nas mãos das crianças. Justamente por isso, reservei apenas os últimos encontros
para a realização de uma pintura. A condição imposta era a de que todo o chão e todas mesas fossem
forradas com sacos plásticos. A comoção foi grande: faxineira, coordenadora, e diretora
abandonaram seus afazeres para zelar, não pelo aprendizado dos alunos, mas pelo piso alemão.
O produto mais valioso extraído dessa experiência foi, certamente, o trabalho final executado
145
por mais de 80 alunos e apresentado numa exposição realizada no próprio colégio. A proposta era
que cada uma das ciranças escolhesse um grande mestre da pintura e elaborasse uma
reinterpretação de sua obra. Estabeleci todos os procedimentos que deveriam ser seguidos:
desenhar o esboço tendo como referência a obra em questão;
acrescentar outros elementos visuais, construindo novo contexto;
começar a pintura pelos planos mais distantes;
desenvolver o primeiro plano.
Nas páginas a seguir, alguns dos resultados obtidos.
146
138- JONATHAN DOS SANTOS (3ºANO). 2007. RELEITURA DA OBRA SONHO
CAUSADO PELO VÔO DE UMA ABELHA EM TORNO DE UMA RO
M
à UM SEGUNDO
A
NTES DE ACORDAR (1944), DE DALÍ. TÉCNICA MISTA SOBRE PAPEL. 21X29CM.
139- A
MANDA CARMELLO (5ºANO). 2007.
R
ELEITURA DA OBRA MOÇA VISTA EM UMA
P
ORTA ENTREABERTA (1645), DE REMBRANDT
TÉCNICA MISTA SOBRE PAPEL. 21X29CM.
147
141- D
AFYNE COELHO (5ºANO). 2007.
R
ELEITURA DA OBRA LUAR (1895), DE MUNCH.
T
ÉCNICA MISTA SOBRE PAPEL. 21X29CM.
140- MATHEUS RODRIGUES (2ºANO). 2007.
R
ELEITURA DA OBRA RETRATO DO ARTISTA (1837), DE
DELACROIX. TÉCNICA MISTA SOBRE PAPEL. 21X29CM.
148
142- ISABELA MARTINEZ (2ºANO). 2007.
R
ELEITURA DA OBRA COCO ESCREVENDO (1906), DE
R
ENOIR
.
T
ÉCNICA MISTA SOBRE P
APEL
.21
X
29
CM
.
143- ISABELA ALARCON (5ºANO). 2007. RELEITURA
DA OBRA
RETRATO COM RISCA VERDE (1905), DE
MATISSE. TÉCNICA MISTA SOBRE PAPEL. 21X29CM.
149
2.5. Curso livre de Pintura Instituto Arte Nativa
Em setembro de 2007 recebi uma proposta para ministrar aulas de pintura num instituto
denominado Arte Nativa, em São Bernardo do Campo, na grande São Paulo. Trata-se de uma escola
que tem como objetivo promover uma ampla formação artística e cultural a crianças, jovens e adultos,
através de cursos de desenho, pintura, informática, inglês, música, judô, capoeira, teatro e dança.
A instituição ocupa dois andares de um prédio localizado no centro da cidade. A divulgação
dos cursos é feita por representantes que abordam os transeuntes nas ruas mais próximas. O valor
das mensalidades, as facilidades nas formas de pagamento e as promoções de curso do tipo “leve 3 e
pague 1” são alguns dos atrativos oferecidos. O resultado dessa prática é a captação de um público
de origem mais humilde.
Os alunos que procuram as aulas de pintura salvo raras exceções, não possuem
conhecimento algum sobre o desenho. Conseqüentemente, sem as noções de proporção,
perspectiva, lógica da luz, textura e composição o que lhes resta é simplesmente “colorir” um desenho
feito por mim. Numa mesma turma existem alunos das mais variadas faixas etárias, entre 5 e 50 anos.
Existe apenas uma mesa compartilhada por todos, que em virtude de suas pequenas dimensões
acaba restringindo o formato das pinturas. A pequena sala de aula, em determinados horários, não
comporta todos os alunos. O habitual silêncio, que em geral favorece a prática da pintura, é
150
substituído pelas músicas em altíssimo volume das aulas de dança de salão. Por todos esses fatores,
diria que o meu maior aprendizado nesta escola tem sido o de trabalhar em condições adversas,
contribuindo para a socialização da arte.
No final do ano de 2007, os alunos de todos os cursos expuseram suas habilidades. Em
parceria com o professor do curso de Desenho, Daniel Pereira Batista, elaborei o projeto para um
painel de 200x500cm, constituído por 50 módulos de 40x40cm. Cerca de 70 alunos participaram da
execução desse trabalho.
151
144- DANIEL BATISTA E TAMI KOBAYASHI. 2007. PROJETO PARA UM PAINEL DE PINTURA. GRAFITE SOBRE LAY-OUT. 21X29CM.
152
145- ALUNOS DO INSTITUTO ARTE NATIVA. 2007. PAINEL COLETIVO EM ACRÍLICA E GUACHE SOBRE PAPEL PARA DESENHO. 200X500CM.
153
CONSIDERAÇÕESFINAIS
Os portfolios apresentados nesta pesquisa foram resultantes de um estudo, iniciado há dez
anos, envolvendo conceitos relacionados à estética, a elementos da linguagem visual - tais como
proporção, perspectiva, composição, linhas de força, lógica da luz, textura, cor – e a técnicas e
materiais artísticos.
Avaliando o conjunto de trabalhos plásticos produzidos destacaria como o seu maior diferencial
a diversidade, tanto na experimentação das técnicas expressivas quanto nas temáticas e estilos
desenvolvidos. No entanto, essa mesma característica acaba adquirindo também uma conotação
negativa, na medida em que revela a ausência de uma unidade poética entre as propostas.
Deficiência que pretendo suprir nos próximos projetos a serem elaborados.
A organização dessas visualidades permitiu o encerramento de um período extremamente
representativo para minha trajetória artística. Já os relatos referentes à minha atuação no ensino de
arte proporcionaram uma construtiva análise a respeito de meu desempenho profissional. Todas
essas constatações geraram uma profunda reflexão que irá possibilitar o início de uma nova jornada.
Quanto à relevância e à amplitude de um estudo dedicado exclusivamente à produção de uma
artista visual pouco experiente, acredito que seja pertinente a idéia de documentar procedimentos
artísticos contemporâneos e, assim, registrar uma história que ainda se encontra em processo.
154
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Referente à metodologia da pesquisa
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Terezinha de Faria. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2005.
CALABRESE, Omar. A linguagem da arte; tradução Tânia Pellegrini; revisão técnica e prefácio
Rodrigo Naves. Rio de Janeiro: Globo, 1987.
COUCHOT, Edmond. A tecnologia na arte: da fotografia à realidade virtual; tradução Sandra Rey.
Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2003.
DOMINGUES, Diana (Org.). Arte e vida no século XXI: tecnologia, ciência e criatividade. São Paulo:
Editora UNESP, 2003.
DONDIS, Donis A. Sintaxe da linguagem visual; tradução Jefferson Luiz Camargo – 2
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Martins Fontes, 1997.
WONG, Wucius. Princípios de forma e desenho; tradução Alvamar Helena Lamparelli. São Paulo:
Martins Fontes, 1998.
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PARRAMÓN, José M. El Gran Libro de la Acuarela. Barcelona: Parramón ediciones, 1985.
_____ Así se pinta con lápices de colores – 7ª. ed. Barcelona: Parramón ediciones, 2000.
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SZABO, Zoltan. Zoltan Szabo’s 70 favorite watercolor techniques. Ohio: North Light Books, 1995.
Referente a artistas visuais
ELUF, Lygia. Lygia Eluf. – São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo: Imprensa Oficial do
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KIDD. Chip. Mythology. The DC comics art of Alex Ross. New York: Pantheon books 2005.
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_____ São Paulo: Editora Azul, ano 5, nº2, edição 46, fevereiro de 1996.
_____ São Paulo: Editora Azul, ano 5, nº4, edição 48, abril de 1996.
_____ São Paulo: Editora Azul, ano 6, nº4, edição 60, abril de 1997.
SALGADO, Sebastião. Terra/ Sebastião Salgado; prefácio José Saramago. – São Paulo: Companhia
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ULAK, James T. Japanese prints – The Art Institute of Chicago. New York: Abbeville Press Publishers,
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Lúcio de Campos – 2
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158
SAMARA, Timothy. Grid: construção e desconstrução; tradução Denise Bottmann. São Paulo: Cosac
Naify, 2007.
PEDROSA, Israel. Da cor à cor inexistente – 8
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2002.
Dissertações
LIMA, Ana Cristina Paula. O design da capa – a arte fora da arte. 2005. São Paulo: Universidade
Estadual Paulista – Instituto de Artes, 2005. Trabalho Equivalente ( Mestrado em Artes).
RINALDI, Marcio Antonio. Ipsis Vídeo Litteris: processos e procedimentos artísticos da escrita na
televisão – videografia. São Paulo: Universidade Estadual Paulista – Instituto de Artes, 2006. 142p.,
31il. Trabalho Equivalente ( Mestrado em Artes).
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