A proprietária também já foi professora desta, e seus dois filhos estudaram durante alguns
anos nesta escola. Mas, em função da continuidade dos estudos deles, o que muitos vivem,
teve que se mudar para a cidade.
A atual professora relata que quem foi trabalhar primeiro na escola foi o marido, que ficou um
ano. Antes disso, deram aulas em outras escolas rurais, todos os anos mudavam de escola, o
Estado trocava sempre. Mas, em 2006, ela conseguiu ficar ao lado do marido, na mesma
escola, o que facilitou em partes a vida do casal, já que têm duas filhas que ainda não têm
idade escolar. Ela conta que já passou várias dificuldades, tudo por falta de acesso à cidade,
como doença com as filhas, não tendo recurso de levá-las a um médico. Pude presenciar isso
nesta visita. Não havia nada a ser feito, a não ser esperar uma carona para ela poder levar a
criança até a cidade. Esta e outras dificuldades são comuns nesta região. Se numa região rural
não alagada já é difícil, lá encontrei dificuldades muito maiores. A professora já ficou até três
meses sem ir à cidade. Comenta que gostam de lecionar no meio rural, e até mencionou que
ficariam mais um ano nesta escola, mas há essa dificuldade de acesso. Não sabem o que vão
fazer no próximo ano.
A escola localiza-se longe da sede da fazenda (por volta de 10 km). Mas, há uma estrutura de
casas ali ao redor, onde vivem alguns trabalhadores. Bem próximo à escola, cerca de 100
metros, fica a casa da cozinheira, mãe de duas crianças estudantes da escola. È a casa mais
próxima. Fora ela, só mesmo a dos professores, que na verdade é um quarto que faz parte da
estrutura da escola, aos fundos, entre as salas de aula e os banheiros.
A escola tem uma estrutura média, possui três repartições. A primeira é uma sala grande
dividida ao meio por um armário, que se transforma em duas salas. Logo após, subindo um
degrau, fica um espaço onde é considerado a biblioteca e onde ficam os materiais dos alunos.
Seguindo em frente, fica a última sala de aula. Todas as salas têm janelas com telas protetoras
de mosquito, quadros negros com giz, mesas dos professores, com cadeiras, e mesinhas com
cadeiras para os alunos. A exceção é a sala da 2ª série, que conta com uma mesa grande que é
dividia pelos poucos alunos desta turma, ao invés de mesas escolares individuais. Cada um
senta em uma ponta, em bancos inteiriços. Ao fundo, separada por uma parede de madeira,
fica o quarto dos professores. Nas laterais destas salas ficam os alojamentos feminino e
masculino, também separados por uma parede de madeira. Em todas as paredes há cartazes
com informações de várias matérias, calendários, escalas de trabalho, abecedário, numerais,
tudo que possa servir para a didática.
No alojamento feminino, onde pude passar algumas noites, quatro beliches estão dispostas em
um pequeno espaço, e há um armário com um espaço igual para cada um dos internos. Os
banheiros ficam ali perto, mas é preciso atravessar um caminho aberto que leva até lá. Há um
banheiro feminino e outro masculino, apenas com um chuveiro cada. Entre os dois banheiros
há uma pia, e na lateral há um tanque com materiais de limpeza. Saindo da escola, há um
espaço de areia onde as crianças fazem sua recreação, jogam bola, brincam. Ao lado, um
sombreiro de palha aproveitando o tronco de uma árvore, também é utilizado como espaço
para recreação e outros trabalhos. Ao lado, também coberto com palha, há três mesas grande
de madeira com bancos inteiriços onde os alunos fazem suas refeições, e atividades do Projeto
Sapicuá Pantaneiro. Na frente deste refeitório improvisado, fica a copa e a cozinha, bem
estruturada, com acesso apenas aos funcionários.
No dia da avaliação haviam 23 alunos (13 do sexo feminino). Alguns haviam faltado, ainda
não tinham retornado da cidade, pois fomos logo no início das aulas. Desses, 13 são internos
(7 meninas e 6 meninos).
Para as sessões de grafismo, participaram alunos até 12 anos. Haviam três outros alunos que
possuíam mais de 12 anos, e que pediram para participar. Como a escola toda parou suas