O esforço individual, de alguns professores pelo menos, de buscar um modelo
alternativo de educação, em contraponto ao modelo tradicional, que realmente
promova o desenvolvimento da cidadania. Esse esforço se expressa por meio de
estudos, leitura de textos que tragam idéias novas que possam esclarecer a respeito
da decisão sobre o caminho a seguir, da observação da própria prática e, a partir daí,
realizar novas experiências na sala de aula. E o esforço coletivo de alguns grupos de
estudos, que procuram, no mesmo sentido, refletir acerca das teorias e das práticas
de ensino, visando encontrar um novo modelo de educação, que promova, de
maneira efetiva, o desenvolvimento da cidadania. (Participante P).
Oportunizar, acima de tudo, a formação dos diferentes pensares, para que em
conjunto se possa chegar à um senso comum dos diferentes saberes vivenciados na
escola. Mas também, vivenciar regras e contextos, para que sejam observados na
prática os diferentes conteúdos e a partir disso, aperfeiçoar o que merece ser
mudado. (Participante H).
Nesse grupo de estudos são realizadas leituras sistematizadas de textos sobre educação,
de Paulo Freire, ao mesmo tempo em que se debatem assuntos do cotidiano escolar, através
do relato e memória dos educadores participantes.
As reuniões e encontros são de fundamental importância para a escola, para a educação.
No entanto, eles podem não representar um espaço aberto e democrático, pelas contradições,
pelas correlações de força que se dão no âmbito escolar, pela manifestação do poder. As
reuniões podem servir para a efetivação de comunicados e afirmação do poder, como a prática
bancária de Freire, ou podem servir como espaço de crescimento pedagógico, com o direito
de cada um “dizer a sua palavra”.
Os educadores sentem a necessidade de reunirem-se, ao mesmo tempo em que, ao se
referirem às reuniões existentes, fazem a crítica:
O espaço seria o diálogo, as reuniões, e são poucas. Enquanto não se garantir,
quinzenalmente ou mensalmente o espaço pra discussão não só dos problemas
administrativos e pedagógicos; mas também sentar para estudar, mesmo como
humanização. É preciso reuniões com pais, formação para os pais, para os jovens.
Precisaria muito também trabalhar o espírito crítico para eles se descobrirem
cidadãos, pois eles se deixam levar muito fácil, eles são acomodados, eles não se
descobriram como sujeitos de um processo de aprendizagem, eles não se sentem
parte, eles estão ali para esperar, e os pais a mesma coisa. Acho que nos
precisaríamos uma consciência, uma formação meio geral, para pais, professores e
nossos alunos. (Participante B).
A gente teria que se reunir mais, fazer reuniões, não só pra conselho de classe, mas a
gente mesmo está assim, tu não tem tempo pra ler um livro, e tudo isso vai
acumulando e vai ficando aquelas aulas que a gente sabe, não tem uma idéia nova.
Eu acho que teria que se reunir mais, ter mais diálogo, mesmo com os alunos. As
vezes eles dizem é professora porque foi feito isso ou aquilo, quem decidiu, acho
que está muito fechado. (Participante F).