36
que em cada telerradiografia em ortostatismo ântero-posterior as doses de radiação absorvidas
são de 0,173 Rads (com 0,011 Rads nas gônadas masculinas e 0,104 nas femininas), valores
que podem superar a radiação ionizante solar anual, que é de 0,5 Rem.
O estudo radiológico da coluna vertebral é, muitas vezes, feito por segmentos:
cervical, dorsal, lombar ou sacral. A radiografia panorâmica de toda a coluna é a mais usada
na avaliação das escolioses, por oferecer melhor visualização da deformidade (KNOPLICH,
2003). Entretanto, esse procedimento expõe o paciente a maior quantidade de radiação
(HEBERT, 2003).
A interação das radiações ionizantes com a matéria vivente podem gerar
alterações em nível celular, como morte da célula, interrupção ou desaceleração do processo
de divisão, modificação permanente que é transmitida às células-filhas. Uma exposição
excessiva para a execução de raio-X pode associar-se a um aumento de risco para: 1-
mutações genéticas ( a dose às gônadas humanas em torno de 50-200 Rads dobra a taxa de
mutação); 2-indução de neoplasias (órgãos particularmente vulneráveis são a medula óssea, a
mama e a tireóide) (TRIBASTONE, 2001). Por essas razões, muito se tem estudado sobre os
efeitos da radiação nos pacientes em acompanhamento da escoliose (LEVY et al., 1994;
GOLBERG, 1998; DOODY et al., 2000; BONÉ & HSIEH, 2000; RON, 2003;
BERRINGTON & DARBY, 2004). DOODY et al. (2000) relataram que pacientes
escolióticos são submetidos a uma média de 25 radiografias durante o acompanhamento da
deformidade, período no qual eles são expostos a relativamente altas doses de radiação
ionizante (média de 10,8 cGy). Os mesmos autores encontraram, em seu estudo, que a
exposição de múltiplos exames diagnósticos de radiografia, durante a infância e adolescência,
pode aumentar o risco de câncer de mama entre mulheres com escoliose. Nesse estudo, o risco
de mortalidade total entre 5.573 mulheres foi duas vezes maior que o estimado para a
população geral. BONE & HSIEH (2000) estudaram um grupo de crianças tratadas
cirurgicamente para escoliose idiopática, displasia de quadril e discrepância no comprimento
dos membros inferiores. Nesse grupo, o risco de desenvolver leucemia, câncer de mama ou
um problema hereditário foi, respectivamente, 0,8, 2,1 e 3%. LEVY et al. (1994) encontraram
um aumento de 1-2% no risco de contrair câncer (12-15/ 1000), entre mulheres em tratamento
para escoliose. Os mesmos autores, em outro estudo (1996), concluíram que o risco de câncer
aumentava em mulheres submetidas à cirurgia de correção de escoliose, realizada antes dos
13 anos de idade, com 238 casos por 100.000. GOLDBERG et al. (1998) reportaram que a
exposição à radiação dos ovários, em pacientes com escoliose, afetou desfavoravelmente os