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fases. Cabe a esse respeito breve comentário sobre a evolução da prática do ensino
médico entre nós. Até a metade da década de 1950, a um currículo demasiado denso
correspondiam horários que, se fossem cumpridos, ocupariam todas as horas úteis
do dia, todos os dias do ano ao longo de todo o curso, com aulas teóricas e com
práticas de demonstração, nas quais o estudante era mero espectador, não
participando ativamente dos exercícios práticos, nem das aulas de doutrina. Nenhum
médico dos que se formaram no Brasil até àquela época cumpriu senão parcela
reduzidíssima dos horários oficialmente estabelecidos pelas escolas. Era praxe
vincular-se cada estudante, desde o segundo, ou terceiro ano, a determinado serviço
clínico, onde, no horário oficialmente destinado ao aprendizado teórico das várias
disciplinas, procurava aprender, ou exercitar-se, nas tarefas necessárias à prática da
profissão, com desconhecimento quase completo do programa escolar.
(ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE EDUCAÇÃO MÉDICA, 1982, p. 7).
Desde o quarto ano era comum, na Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde da
PUC-SP, os alunos frequentarem as maternidades, principalmente de São Paulo, muitas vezes
levando-os a ser obstetra.
Naquela época era regra a especialização precoce. O estudante se tornava cirurgião,
psiquiatra, otorrinolaringologista, sem nunca chegar a adquirir, nem mesmo
superficialmente a visão global dos fenômenos mórbidos que podem incidir sobre o
homem. Reagindo a esse estado de coisas, que havia criado vigorosíssimas raízes ao
longo de muitas décadas, dispuseram-se as escolas de medicina, na segunda metade
dos anos 50, a oferecer condições que permitissem exigir-se dos respectivos
estudantes o rodízio pelas clínicas de diferentes especialidades, tornando-se,
destarte, mais prático o ensino oficial. Alterou-se profundamente a seriação das
disciplinas, adotou-se o chamado “horário em bloco”, o qual pela primeira vez
permitiu que os estudantes, no cumprimento de horários oficiais, permanecessem
nos ambulatórios e enfermarias tempo suficiente, sem interrupções, para cuidar de
doentes. Para fugir à especialização precoce que era regra, pretendeu-se, contudo,
ocupar todo o Curso de Graduação com programas destinados à formação do
“médico geral”. Ao procurar-se evitar o exagero em um sentido, descreveu-se
verdadeiro movimento pendular, cometendo-se exagero do mesmo grau em sentido
oposto. A força da própria realidade, contrariado os horários oficiais, mais uma vez
frustrou a intenção dos educadores Continuou a grande maioria dos estudantes, a
iniciar-se numa especialidade, ainda durante o Curso de Graduação, embora mais
tardiamente do que no passado. (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE EDUCAÇÃO
MÉDICA, 1982, p. 8).
Até 1967 era esse panorama que vigorava no curso de Medicina de Sorocaba.
A vivência do problema no contexto brasileiro leva-nos a acreditar que, ao fim de
4.500 horas, poderá a generalidade dos nossos estudantes do curso de graduação
haver adquirido a visão global dos problemas médicos, mediante rodízio nos
ambulatórios e enfermarias das diferentes especialidades. Nesses estágios o
estudante aprenderá as bases teóricas da especialidade e também participará da
rotina dos vários serviços, com responsabilidade limitada, porém crescente.
Integrando ainda o Curso de graduação, e em seguida às 4.500 horas mencionadas,
deverá o estudante cumprir o período de Internato, o qual será total, ou parcialmente,
um regime de livre escolha, isto é, oferecendo-se ao aluno a faculdade de adestrar-se
nas tarefas específicas abrangidas pelo gênero de atividades que irá exercer logo
após a formatura e ao longo da vida profissional. (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA
DE EDUCAÇÃO MÉDICA, 1982, p. 8).
Esse parecer fundamentou a resolução nº. 8, que oficializou o Internato, de acordo
com o item b de seu art. 12, como segue: