RESUMO
A Contabilidade tem como finalidade, tanto para uma organização com fins
lucrativos quanto para uma organização sem fins lucrativos, estudar, interpretar e
registrar os fenômenos que afetam o patrimônio de uma entidade, ou seja, a
contabilidade alcança sua finalidade por meio do registro e análise de todos os fatos
relacionados com a formação, a movimentação e as variações do patrimônio da
entidade, com o propósito de assegurar seu controle e fornecer a seus gestores as
informações necessárias à ação administrativa e demais pessoas interessadas. O
presente estudo tem como objetivo geral evidenciar as práticas de contabilidade das
organizações sem fins lucrativos de Curitiba, Paraná. As novas oportunidades
exigem das organizações sem fins lucrativos clareza das práticas de contabilidade,
uma vez que os beneficiários cobram dessas entidades como se estas fossem
empresas prestadoras de serviços. Para entrar em um mercado competitivo, é
necessário atentar para as variáveis que afetam o grau de excelência de uma
empresa em termos de resultado no mercado em que atua, começando por uma boa
escrituração das movimentações e geração dos relatórios contábeis. Na revisão da
literatura, o estudo aborda aspectos das empresas sem fins lucrativos e suas
características, classificação das organizações sem fins lucrativos, práticas de
contabilidade, prestação de contas e artefatos internos. Metodologicamente, trata-se
de um estudo descritivo, ex post facto, em condições de campo, transversal,
utilizando-se de coleta de dados com questionário previamente formulado, aplicado
aos responsáveis pelas organizações sem fins lucrativos cadastradas pelo Ministério
da Justiça e pelo Mapa do Terceiro Setor. A mensuração dos dados da pesquisa foi
realizada com o auxílio da estatística descritiva e do teste de Kruskal-Wallis. Os
resultados apresentados identificam as práticas de contabilidade das organizações
sem fins lucrativos de Curitiba, sendo que 100% das organizações pesquisadas
elaboram o BP; quanto à DSDE, DMPS, DOAR, DFC, DVA e balanço social, estes
são elaborados em maior frequência por uma ou mais áreas de atuação das
organizações investigadas, mas não se pode afirmar que as mesmas usem esses
artefatos para outras finalidades, como, por exemplo, para fins gerenciais. O controle
dos custos é baixo, pois apenas 45% calculam os custos dos serviços ou produtos
oferecidos, sendo que 23,34% afirmaram saber qual o método de custeio, enquanto
21,67% das organizações não conseguiram determinar ao certo o método utilizado.
Foi constatado também que há relação entre os cargos/funções dos gestores e as
práticas de contabilidade das organizações pesquisadas, bem como entre as áreas
de atuação das organizações e suas práticas de contabilidade.
Palavras-chave: Práticas contábeis, Terceiro setor, Prestação de contas.