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A economia política que sustentava o Estado do Bem-
Estar possuía, grosso modo, três características principais:
1. o fordismo na produção, isto é, as grandes plantas
industriais que realizavam a atividade econômica desde a
produção da matéria-prima até sua distribuição no mercado
de bens e de consumo, controlando, por meio do
planejamento e da chamada “gerência científica”, a
organização do trabalho, a produção de grandes estoques
[[...]] 2 . a inclusão crescente dos indivíduos no mercado de
trabalho, orientando-se pela idéia de pleno emprego; 3.
monopólios e oligopólios que, embora transnacionais ou
multinacionais, tinham como
referência reguladora o Estado
Nacional. Para que essa economia realizasse o Bem Estar
foi preciso que
o Estado nela interviesse como regulador e
como parceiro, o que foi feito pela criação do fundo público.
(CHAUÍ, 2001 , p 178)
A concepção de Estado como interventor no âmbito do mercado tal
como concebido no modelo keynesiano ou do bem-estar vislumbrava um
modelo liberal com certas restrições, em que a mão invisível do mercado não
agisse de forma completamente livre.
A partir do início da década de 70 do século passado, o ideário toyotista
ganha corpo na maioria dos países do globo, conhecido principalmente pelo
Just-in-Time, que
[...]é um sistema de controle de estoques desenvolvido pela
empresa homônima, no qual as partes e componentes são
produzidos e entregues nas diferentes seções um pouco antes
de serem utilizados. A definição mais sintética deste sistema
seria “ a peça certa, no lugar certo, no momento certo”. A
Toyota começou a desenvolver este sistema durante os anos
30, mas só iniciou sua difusão no final dos anos 50 e início dos
60. A principal razão que levou a sua adoção e difusão, nas
palavras de Taiichi Ohno, vice presidente daquela empresa e
um dos seus principais implementadores: “O sistema Toyota de
Produção ( Just-in-Time – Kanban) nasceu da necessidade de
desenvolver um sistema de produção de pequenas
quantidades de automóveis diferentes no mesmo processo
produtivo”. Esta necessidade estava vinculada ao princípio de
“suprir o mercado com aquilo que é demandado, quando é
demandado, e na exata quantidade necessária”. Esta razão
fundamental também ajudou não apenas a minimizar o nível de
estoques, reduzindo os respectivos custos financeiros, como
também as necessidades de espaço físico (tão caro no Japão)
para a armazenagem dos estoques. Este sistema permite
grande agilidade para a mudança de modelos nas linhas de
montagem, e, portanto, adaptação mais rápida às alterações
nos gostos dos consumidores e da demanda em geral. Esta
forma de administração da produção, que reduz sensivelmente