
Em 1971, Nicholas Georgescu-Roegen (apud VEIGA, 2005) lançou um
alerta sobre o aumento da entropia
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. Baseado na segunda lei da
termodinâmica, ele assinalou que as atividades econômicas gradualmente
transformam energia em forma de calor tão difusas que são inutilizáveis. Para
manter seu próprio equilíbrio, a humanidade tira da natureza os elementos de
baixa entropia que permitem compensar a alta entropia que ela causa.
Segundo o autor, a natureza entrópica do processo econômico nos últimos
duzentos anos viu-se de forma crescente e bastante ampliada pelo
espetacular progresso científico-tecnológico. Este processo se deu
fundamentado no uso de recursos de baixa entropia do estoque terrestre de
modo crescente e irreversível.
Dado que estes recursos são finitos, este processo evidentemente
chegará a um fim. “O fato é que quanto maior o grau do desenvolvimento
econômico, maior deve ser a taxa de extração, portanto, mais curta se torna a
expectativa de vida da espécie humana.” (ROEGEN, 1971, p.52 in: VEIGA,
2005) O autor acredita que a pressão antrópica levará o homem a descobrir
outros meios de transformar energia e aponta como tendência a utilização da
energia solar na substituição do estoque de baixa entropia.
Contudo, a consideração da lei de entropia tem como implicação que seria
impossível o desenvolvimento compatível à preservação ambiental. De acordo
com Furtado (1974), os processos produtivos, naturalmente, por razões
estudadas pela física (segunda lei da termodinâmica), dissipam energia e
degradam matéria, uma parte da qual pode ser efetivamente reciclada, mas
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Entropia pode ser definida, de uma forma mais simples, como “uma medida de energia indisponível em um sistema
termodinâmico”. A energia existe em dois estados qualitativos: energia livre ou disponível (como um pedaço de
carvão, que pode ser facilmente convertido em calor) e energia confinada ou indisponível (como a energia da água).
Quando se queima um pedaço de carvão sua energia vai se dissipar na forma de calor e não pode mais ser utilizada.
Ela foi degradada em energia indisponível e com isso aumentou a entropia do sistema. Entropia define-se também
como medida de desordem de um sistema. Energia disponível tende sempre a converter-se em energia indisponível.
Estes processos não podem ser revertidos sem interferência externa, e portanto, em um sistema fechado a entropia
tende a crescer, até que toda sua ordem interna se converta em desordem.