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Honorato Filho é resultado dessas impressões, dessas marcas de leitura na sua formação
intelectual.
Essas marcas de leitura, em Honorato Bomfim, são, para servir de exemplo: Castro
Alves, Rui Barbosa, Olavo Bilac, Visconde de Taunay, Artur de Sales e Euclides da Cunha,
entre os brasileiros. Sobre o último, aliás, Honorato escreve um poema homônimo, em
homenagem póstuma, citando-o a propósito de sua mais conhecida composição, Os sertões.
Dentre os autores estrangeiros citados por Honorato Filho encontramos trechos de Goethe,
Longfellow, Alexander Pope, Whitman, Byron, Shakespeare, Wordsworth, La Fontaine,
Virgílio, Dante Alighieri, Lamartine, Walter Scott, Vargas Villa, Cale Young Rice, Schiller,
Vasari, Strozzi, Bergson, Comte, Bonnier, Voltaire, Mme. Stäel, Chateaubriand, Emily
Brontë, Cícero, Camões, Poe, dentre inúmeros. Deste último, rememora-o no poema O côrvo,
do qual sintetiza as idéias com o verso “Para longe de mim – ave negra de Poe!”, simulando
afastar de si os males que o afligiam.
Percebe-se a diversidade de estilos literários percorridos em leitura atenta e
disciplinada, o que não minimiza sua preferência diante do culto da forma. Indiciar tais
autores demonstra o nível de leitura de Honorato Bomfim, pois “a citação é um lugar de
acomodação previamente situado no texto. ela o integra em um conjunto ou em uma rede de
textos, em uma tipologia das competências requeridas para a leitura; ela é reconhecida e não
compreendida, ou reconhecida antes de ser compreendida”. (COMPAGNON, 1996, p. 22).
A experiência leitora de Honorato Bomfim, expressa em seus textos, transparece um
vasto conhecimento da literatura dita clássica
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, daqueles autores reconhecidos pelo cânone,
trazendo os textos deles e atualizando-os, a seu modo, em suas composições. Matos (2002)
lembra que citar é “trazer para si” e que “a citabilidade supõe eternidade da obra ou
permanência das virtualidades de um acontecimento do passado, eternidade que não é um
‘tempo infinito’, mas relação entre o passado e sua renovação”. A renovação na literatura,
nesse sentido, faz-se precisa, já que literatura é, rememorando Barthes, “frescor”.
Em um artigo publicado no jornal Folha do Norte, intitulado Flores, Honorato
Bomfim atribui alguns significados ao vocábulo “flor” e diz que
Victor Hugo, Flaubert, Racine, George Sand, Feuillet. Sandeau, Renan,
Moliére, Ruy Barbosa, Anatole France tiveram estylo especial a cada
individualidade literaria e produziram tantas flores espirituaes, tão bellas e
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Clássica, aqui, não só no sentido de antiguidade, visto que há nomes que inauguram modernidade na literatura,
como Poe, Whitman e Euclides da Cunha, dentre outros.