Download PDF
ads:
ads:
Livros Grátis
http://www.livrosgratis.com.br
Milhares de livros grátis para download.
ALINE VAN LANGENDONCK
PAISAGEM. RECORTES
CAMADAS
São Paulo
2009
Projeto artístico equivalente
a Dissertação, apresentado ao
Programa de Pós-Graduação em
Artes, Área de Concentração
Artes Visuais, Linha de Pesquisa
Poéticas Visuais, da Escola de
Comunicações e Artes da Univer-
sidade de São Paulo, como ex-
igência parcial para obtenção do
Título de Mestre em Artes, sob
a orientação do Prof. Dr. Luiz
Claudio Mubarac.
1
ads:
2
PROF. DR. Luiz Claudio Mubarac
PROF. DR. Marco Francesco Buti
PROF. DR. Miguel Chaia
São Paulo, de de 2009
3
4
aos meus pais, amigos e mestres
5
APRESENTAÇÃO
O Projeto artístico equivalente a disser-
tação de mestrado é composto por dois volumes.
O primeiro compila imagens de trabalhos
produzidos entre 2004 e 2009, comentários rela-
cionados ao processo de trabalho e ao projeto
desenvolvido nesse período. O segundo volume é
um fac-simile do caderno de bolso, com regis-
tros de imagens cotidianas.
Palavras-chave:
Desenho | Impressão | Intervenção | Paisagem
6
ABSTRACT
The artistic project is equivalent to a
Master dissertation composed of two volumes.
The first volume compiles images of works
produced between 2004 and 2009, commentaries
related to the working process and also the
project developed during this period. The sec-
ond volume is a facsimile of my sketchbook with
the registers of everyday images.
Key-words
Drawing | Printing | Intervention | Landscape
7
8
9
séries
monotipias, desenhos, intervenções
11
S. Título | monotipia e relevo seco s/ papel | 150x49,5cm | 2008
12
S. Título | monotipia s/ papel | 100x40cm cada | 2008
13
S. Título | monotipia s/ papel | 55,5x75cm | 2008
14
Escada (série) | monotipia s/ papel | 30x95cm cada | 2008
15
Canal | monotipia s/ papel | 45x95cm | 2008
16
S. Título | monotipia s/ papel | 41x100cm | 2008
17
S. Título | monotipia s/ papel | 32x50cm | 2008
18
Escada | monotipia s/ papel | 71,5x90cm | 2008
19
Conteúdo continente | monotipia e relevo seco s/ papel | 32x32cm cada
| 2008
20
Unidade de composição | monotipia e relevo seco s/ papel |
27x40cm cada | 2008
22
23
S. Título | monotipia e relevo seco s/ papel | 27,5x78,5cm |
2008
25
26
Unidade de composição | monotipia s/ papel | 40x110cm cada |
2008
27
S. Título | monotipia e relevo seco s/ papel | 54x39,5cm cada
| 2008
28
S. Título | monotipia e relevo seco s/ papel | 39x55cm | 2008
29
30
S. título | monotipia e relevo seco s/ papel | 49x78cm cada |
2007
31
S. Título | monotipia e relevo seco s/ papel | 19,5x27cm cada
| 2008
32
S. título | monotipia, guache e mica s/ papel | 78x49cm cada
| 2007
33
S. título | monotipia, guache e mica s/ papel | 49x78cm cada
| 2007
34
S. Título | vinil milimetrado, vidro, mdf e metal | 24x41cm |
2008
36
S. Título | vinil milimetrado, vidro, mdf e metal | 9,5x19cm
| 2008
37
38
Caixas | vinil milimetrado | 6,5x9cm cada | 2009
39
S. Título | vinil milimetrado, vidro, mdf e metal | 24x31cm |
2008
40
S. Título | vinil milimetrado, vidro, mdf e metal | 21x33cm |
2008
41
Coleção Janela MAPA DE BOLSO | impressão a laser e carimbo s/ papel |
10,5x14,85cm | edição ilimitada | 2008
42
Coleção Janela MAPA DE BOLSO | impressão a laser e carimbo s/ papel |
10,5x14,85cm | edição ilimitada | 2008
43
Coleção Janela MAPA DE BOLSO | impressão a laser e carimbo s/ papel |
20,2x40,4cm | edição ilimitada | 2006
44
S. Título | vinil milimetrado, vidro, mdf e metal | 15x10cm
cada | 2008
45
Paisagem milimetrada | Projeto de intervenção no Galpão |
2,5x7,5m | 2009
47
48
Observatório | Projeto de intervenção lambe-lambe Galeria
Cilindro | dimensões variáveis | 2009
51
Fachada Fachadas | Projeto de intervenção na fachada da Gale-
ria Vermelho | dimensões variáveis | 2009
54
apêndice: antecedências
55
Auto 6,7,8 | adesivo e tinta automotiva s/ mdf | 14x21,5,
15x23 e 15x21cm | 2006
56
Cômodos 2 | óleo s/ papel jornal | 17,5x12,5cm cada | 2007
57
Cômodos | óleo s/ papel jornal | 17,5x12,5cm cada | 2007
58
S. título | monotipia s/ papel | 50,5x61cm cada | 2006
59
S. título | monotipia s/ papel | 50,5x61cm cada | 2006
60
Experiência gravada | gravura na parede e impressões s/ papel
| 40x40cm cada | 2003
matriz e impressões
matriz gravada na parede
61
62
S. Título | limpeza de fuligem túnel Noite Ilustrada São Pau-
lo- Projeto Genius Loci | dimensões variadas | 2002
63
64
S. Título | guache s/ vidro e iluminação natural (Intervenção
na clarabóia Paço das Artes) | 7,5x7,5x2,8m | 2003
65
66
Impressão de visitantes | monotipia s/ tela | 0,5x7,5m | 2002
67
68
COMENTÁRIOS
69
70
1. Introdução
O trabalho apresentado parte de duas series
principais de monotipias, “Paisagens” e “Con-
struções Espaciais”, em processo desde 2005. E
da organização das imagens do caderno de bol-
so com referencias, esboços, que julguei im-
portantes, para a compreensão do meu processo
artístico.
Impressas manualmente, com diversas cores,
formatos e enquadramentos, as monotipias pre-
tendem compor um conjunto que corresponde a
um diagrama, mapa ou esquema compositivo de
horizontes e espaços arquitetônicos imaginári-
os (plantas/vistas). As cores preenchem a com-
posição, e a natureza destes espaços, sem um
projeto ou programação mais explicita, a infor-
mação cromática surge de forma intuitiva.
O desenho de espaços arquitetônicos, mapas
e volumes, também foi experimentado em chapas
de metal e mdf, previamente preparados e pinta-
dos com tinta automotiva. Nesses trabalhos as
linhas do desenho surgem do contato da ponta
seca com o material, onde a tinta é arranhada,
vê-se o fundo acinzentado, formando um grafismo
marcado por contrastes tonais e colagens.
Para tornar mais precisa a informação
cromática como linguagem, as linhas e a con-
strução das imagens, nas edições mais recentes,
optei pela escolha de uma cor e por contin-
71
trabalhando com a monotipia, o desenho e a co-
lagem.
Nas series de monotipias monocromáticas, a
cor e suas gradações tonais constroem no pro-
cesso do desgaste seqüencial das impressões, nas
renovações parciais e sobreposições de tinta,
a imagem, evidenciando seu caráter espacial e
temporal. A cor escolhida, “azul concentrado”,
remete intencionalmente às copias heliográficas,
processo de reprodução que utiliza vapor de
amônia, de coloração azul bem forte, que com a
ação do tempo fica arroxeada e desaparece. O azul
também faz referencia a cor da tinta das cane-
tas esferográficas, com o registro corriqueiro,
ordinário.
A cor aos trabalhos uma atmosfera esté-
tica de projeto, indicando o caráter cotidiano
e construtivo, de etapa, processo, alusão a um
espaço a ser construído. Talvez este seja um dos
lugares de onde surja a vontade espacial, os de-
senhos-colagem agregam matéria e profundidade a
cada camada, têm vontade de ocupar o espaço, de
pertencer ao entorno, adquirindo fisicalidade.
Os procedimentos de impressão de cada ima-
gem tomam rumos diferentes no próprio fazer, as
decisões compositivas são muitas vezes tomadas
no decorrer do processo, tempo/espaço próprio
de cada trabalho, portanto cada uma contém a in-
formação processual na composição, identificada
pelas sucessivas impressões e por cada camada
tonal. Quando mostradas em seqüência num
72
conjunto, o processo é evidenciado pela com-
posição, e alguns trabalhos, são assumidos como
instantes únicos, embora carreguem marcas de
antecedências e precedências. Cada imagem faz
parte de uma serie de desdobramentos impressos,
e os títulos, intencionalmente sugerem essa or-
ganização.
As informações cromáticas são acompanhadas
de relevos secos e estabelecem conversas com os
contornos da superfície da imagem - oriundos da
chapa matriz- onde os desenhos são realizados,
com o formato e a materialidade do suporte. A
ação determina a intercomunicação de dois pro-
cedimentos diferentes, camadas físicas e repre-
sentativas de desenho, com manchas, relevos e
deformações no suporte de ação do trabalho.
Os temas abordados surgem da vivencia de
situações cotidianas, da observação, memória e
do próprio desenho. O olhar fragmenta a paisa-
gem e recorta seus interesses, transformando o
objeto de estudo em código gráfico e visualidade,
re-elaborando o processo de trabalho enquanto
forma e ideia.
Os desenhos-colagem surgem dessa relação de
desenhar através da sobreposição de velaturas.
Dos mesmos procedimentos empregados nas monoti-
pias. O uso do vinil milimetrado, com linhas im-
pressas diagramadas numa ordem regular, propor-
ciona a informação cromática mais intensa dos
planos nos acúmulos e sobreposições, tanto pela
densidade do material como pelo cruzamento
73
das linhas. Nesses trabalhos as camadas são bas-
tante evidentes, e a precisão do desenho do suporte
impõe ortogonalidade às imagens. O material em si
me interessa, pois a imagem surge das condições de
mapeamento oferecidas pelo desenho impresso, que
orientados em diferentes posições, conferem sutile-
zas ao desenho no encontro das linhas, texturas,
planos, densidade e informações métricas.
2. Processos
O substantivo camada encerra definições que me
interessam como analogias do processo de produção e
raciocínio dos trabalhos, assim como faz parte do
assunto da pesquisa, o olhar sobre as transformações
urbanas, a construção/desconstrução dos espaços,
processos dinâmicos de apagamento ou substituição
das edificações e a fragmentação da cidade devido
ao crescimento desordenado. Aspectos que fazem com
que a metrópole esteja submetida a constante reor-
ganização espacial.
Numa rede gráfica imaginaria, os eixos se es-
tendem nas verticais, horizontais e profundidade
do campo, numa construção tridimensional infinita. A
estrutura espacial compositiva serve como principio
do raciocínio que está implícito nos trabalhos, or-
denando o pensamento, que parte de uma fragmenta-
ção da imagem organizada pela grade. Este modo de
operar a pesquisa no espaço/tempo diretrizes e
orienta as imagens na sua relação com o campo de
74
ação: o papel, a moldura e a ortogonalidade do
suporte.
Para elaborar e pensar as seqüências de
trabalhos, faço uma pesquisa gráfica cotidiana
1
,
que recorta a paisagem urbana, apontando os focos
de interesse a serem desenvolvidos, explorados
e enfatizados como assunto. As formas encontra-
das são parte da reelaboração de um contexto
vivido, das relações apreendidas na forma, cor,
tamanho e lugar dos objetos. A construção frag-
mentada desse repertorio é reforçada pela forma
como os trabalhos se apresentam, em seqüências
e series compositivas. O processo de confecção
organiza o espaço da imagem através da variação
tonal, mapeando novas relações de forma, escala
do objeto ou paisagem, mostrando o olhar subje-
tivo do caminhante, que ao editar os percursos
que realiza enquadra seus interesses.
O procedimento de impressão com o uso da
técnica da monotipia vai ao encontro da ideia
do percurso vivenciado e fragmentado, permite
que a construção do trabalho se através de
diversas camadas de tinta decalcadas no papel,
não demarcadas previamente pela gravação de um
campo na chapa de metal, mas delimitadas de
acordo com a necessidade instantânea de cada
uma. Assim, vão formando pelo processo de ju
______________________________
1
Algumas imagens deste percurso estão registradas no fac-símile
do meu caderno de bolso, que acompanha este volume.
75
staposição e sobreposição as camadas da imagem,
que ganham informação cromática pelo desgaste e
renovação das películas de tinta, num acontec-
imento dinâmico.
Depois de serem entintadas na chapa de
metal, são estampadas no papel, imprimindo alem
da própria imagem o relevo seco da chapa. Es-
tas marcações tomam parte das composições como
linguagem, que são somadas a outras informações
visuais. O trabalho é desenvolvido num espaço
de tempo, no qual a imagem demarca sua cronolo-
gia ao fixar graficamente os seus desdobramentos
em sua continuidade.
Os desenhos-colagem participam de procedi-
mentos similares ao das monotipias, as camadas
recortadas de vinil milimetrado reforçam sua
visualidade nas sobreposições, formando com-
posições articuladas por camadas sucessivas. A
intensidade da transparência somada a estampa
azulada das linhas vai ganhando força a medida em
que vão se cruzando, intercalando e sobrepondo.
Mais uma vez me debruço sobre os mesmos temas,
os desenhos indicam pelo adensamento de linhas
cruzadas, paisagens, espaços arquitetônicos ou
objetos, nos universos micro e macroscópicos,
onde o campo de trabalho é responsável por de-
terminar seus contornos e escala. As imagens são
fixadas entre placas de vidro, passando a incor-
porar qualidades intrínsecas ao suporte, como a
espessura do material, que confere ao trabalho
um espaço próprio, distancia-o do olho
76
através de uma barreira protetora, agregando
uma tonalidade esverdeada, como o verniz que ao
final do processo, sela a pintura. São dispos-
tas sobre prateleiras fixadas na parede em al-
turas precisas, sugerindo diferentes localiza-
ções, formando um desenho, como um mapeamento
do lugar, o que coloca os trabalhos entre o es-
paço representativo, físico e arquitetônico.
O uso de uma única cor e suas tonalidades
pretende organizar um código gráfico, estabele-
cendo níveis de entendimento para os desenhos.
O procedimento empregado nas series de
trabalhos gera imagens pensadas e constituídas
camada por camada, num acontecimento ritmado,
formado através da sedimentação dos estratos
da imagem. Numa analogia com a formação estru-
tural das camadas rochosas, os desenhos incor-
poram peso gráfico e dimensão temporal conforme
o acumulo de pigmento, ganhando densidade. As
extensões tonais cobrem como um véu continuo a
película anterior, formando níveis de planos de
cor, que constroem o todo da imagem. Esse dina-
mismo do processo técnico é evidenciado pelas
seqüências, pela quantidade de camadas impres-
sas em uma única imagem. Como numa animação, as
figuras vão se desdobrando, sofrendo pequenas
transformações, em operações de adição e subt-
ração de formas e tonalidades.
Desejo evidenciar aqui o assunto e os pro-
cedimentos empregados nas seqüências, através de
analogias processuais, suportadas muitas vezes
77
por referencias de textos de artistas, dos quais
levanto questões que interessam para a reflexão,
ou por palavras, que em suas definições ajudam
no entendimento do processo.
3. A construção/reconstrução da paisagem
Aonde meus olhos descansam? Por onde se de-
tém em atenção? Onde repousam sobre o conforto
de uma vista? Como se incomodam ou se acomodam
no espaço? Quando se viram para dentro e ficam
vagando no interior das minhas memórias visuais
e imaginação? E como as vezes se inquietam em
mostrar para os outros aquilo que viram! De que
forma meu raciocínio caminha pela paisagem, no
espaço vivenciado, e ordena de certa maneira o
seu conteúdo, desdobrando-o num arranjo gráfico-
visual?
Nesse processo, no qual os olhos são a
principal porta de entrada para a experiência,
no passeio atento e curioso por onde ando, sem
deixar de considerar a importância das referen-
cias da memória para a construção do olhar e dos
outros sentidos de percepção, faço-me perguntas
e reflexões, que procuro organizar a seguir.
A construção de imagens que evocam a pais-
agem é o tema central desse trabalho, como um
grande guarda-chuva que abarca outras questões,
é parte estrutural e constituinte do assunto
78
das composições. De diferentes pontos de vista,
os elementos gráficos e espaciais são enfatiza-
dos e organizados, conferindo aos trabalhos a
existência ou representação do espaço.
As imagens procuram articular elementos da
representação do espaço para a construção da
paisagem.
Conforme a definição do gênero, as paisagens
são compostas por uma reprodução de um recorte
do espaço visível, por exemplo: uma vista da
cidade, de seu interior, um pequeno detalhe, do
campo, da floresta, de uma encosta, montanhas,
ou seja, uma tomada de visão de certo ângulo que
aponta para uma visão do espaço. Por definição, a
paisagem é uma extensão de território que o ol-
har captura num lance, como também é a descrição
de um lugar, que frequentemente é formado por
elementos que sugerem algo continuo, como um
símbolo que remonta uma extensão espacial, que
mesmo enquadrada, pressupõe algo que está alem
das bordas, do que é visto. Um destes elementos
simbólicos, talvez o principal e mais enfático
deste gênero seja o horizonte, que divide con-
ceitualmente o espaço do céu e da terra, com
uma linha que serve de referencia à percepção
do espaço e profundidade.
O substantivo horizonte, do latim
horizon,ontis, este do grego horízõn,ontos,
79
(subentendido kúklos ‘círculo’) “circulo sepa-
rador”
2
, definido pelo espaço da superfície ter-
restre abrangido pela vista, agrupa noções es-
senciais da indicação da paisagem como lugar,
conceitualmente, forma uma linha imaginaria
contínua, de tal maneira que quando um objeto
ou figura humana é posicionada junto a linha,
este elemento divisor coloca toda a estrutura
em relação, sugerindo o espaço, mesmo que essa
linha não seja propriamente a do horizonte e sim
a de um lugar construído.
A referencia de horizonte dos gregos, ao
“circulo separador”, carrega em si a noção sim-
bólica de infinito, o continuo que escapa pelas
bordas e fecha-se em mesmo, repetindo-se em
voltas. É símbolo do que não está encerrado den-
tro de uma moldura.
Sobre a natureza e a paisagem, em A inven-
ção da Paisagem, Anne Cauquelin diz que o termo
paisagem é um conceito, uma descrição de uma
noção cultural. Segundo a autora, é a natureza
por sua vez que é uma fabrica de paisagens, mas
não é uma paisagem em sí, a paisagem se forma
por um conjunto de fatores subjetivos, corre-
sponde a uma idéia cultural que é determinada e
figurada, e que a identificamos ao nos depararmos
com a situação descrita, apresentada
3
.
______________________________
2
HOUAISS. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Rio de Ja-
neiro: Editora Objetiva, 2001. p.1551
3
CAUQUELIN, ANNE. A invenção da Paisagem, São Paulo: Ed. Mar-
tins Fontes, 2007. p.66
80
Conhecemos inúmeras referencias de paisa-
gem, que constroem cotidianamente nosso reper-
torio visual e memória. Imagens retratadas e
apresentadas de certa maneira, ponto de vista
e recortes que nos são emprestados pela obser-
vação do outro, e que reconhecemos como tal,
porque nos vemos inseridos e identificados por
aquela imagem. Esse tipo de emblema da paisagem
faz parte de uma configuração pré-estabelecida,
que originou um padrão, sempre sujeito a se
reconfigurar pela subjetividade de quem vive a
experiência do lugar. Nesse momento a paisagem
toma outro ponto de vista, o do interior, onde
os elementos que a constituem são eleitos pelo
sujeito segundo um grau de importância singu-
lar.
Como mencionei antes, carregamos muitas
imagens em nossa memória, entretanto a apreen-
são do que vivenciamos se sempre de maneira
única. Matisse, em seu texto, É preciso olhar a
vida com olhos de criança
4
, diz que pintar uma
rosa é uma das coisas mais difíceis de se fazer,
pois antes disso, ele deveria esquecer-se de
todas as imagens de rosas pintadas e observar
uma rosa como se fosse a primeira vez, como as
crianças fazem ao olhar atentamente tudo como
uma nova descoberta, porque só assim a ima
______________________________
4
MATISSE, HENRI / CARTIER-BRESSON, HENRI / BOTTMANN, DENISE.
Matisse - escritos e reflexões sobre arte. São Paulo: COSAC
NAIFY, 2007. p.371
81
gem guardaria a impressão daquela exata rosa,
naquele momento e lugar, e todo o frescor da
observação seria materializado na pintura.
A paisagem configura-se de maneira muito
subjetiva nos trabalhos, o espaço é reconhe-
cido e primeiro desenhado internamente, se faz
pelas impressões visuais e sensações múltiplas
do lugar, que movimenta e articula os elementos
de composição visíveis nos desenhos. E ainda se-
gundo Cauquelin, O objeto não pré-existe a ima-
gem que o constrói para um desígnio discursivo.
A imagem não está voltada para manifestações
territoriais singulares, mas para o acontec-
imento que solicita sua presença.
5
O observador
ativo é parte fundamental para a construção da
paisagem, pois ela nunca está pronta, de forma
única, é organizada no tempo e espaço.
Como são formadas as paisagens nos trabal-
hos? A partir de quais elementos?
Nas monotipias e colagens o espaço da
paisagem é remetido por outros elementos alem
da linha imaginaria do horizonte, como pelas
camadas sobrepostas das imagens, revelando seu
corpo e profundidade; pelo tempo/espaço de for-
mação de cada substrato que é depositado; pela
sugestão do tempo de deslocamento espacial rep
______________________________
5
CAUQUELIN, ANNE. A invenção da Paisagem, São Paulo: Ed. Martins
Fontes, 2007. p.49
82
resentado pelos pontos de vista inseridos na
perspectiva do objeto; pela representação grá-
fica e pictórica do ar na imagem (perspectiva
atmosférica); pelos elementos de composição que
sugerem a continuidade do que é visto para alem
do papel; e pelos títulos, que indicam encon-
tros através de situações, objetos e lugares.
A paisagem construída nas imagens surge da
investigação do lugar das coisas, como forma
de se relacionar com o entorno, em busca de um
contexto próprio. As imagens são construídas
a partir das abordagens visuais descritas a
seguir.
Vistas
Como uma camada única de paisagem, que ex-
clui a noção de volume do lugar ou objeto, apre-
sentando-o como uma fatia do todo, uma lamina
de cor e forma que lambe a superfície e revela
apenas uma faceta. É um fragmento, que exclui a
aparência total, uma face que se mostra lisa,
como uma empena cega.
Paisagens aéreas
De formação imaginaria, abrangentes, pro-
curam alcançar algo da forma estrutural das
coisas, dos telhados, da área construída que
ocupa o espaço. A imaginação é regada de refer-
encias de mapas, das possibilidades de visual-
83
qualquer ponto da terra por satélite, google-
maps, google earth, revelando outras aparências
do que é vivenciado, para a compreensão do ob-
jeto por um angulo de projeto.
Paisagens de bolso
Imagem compactada, ambulante, dobrável (no
caso da coleção: “mapas de bolso”), fragmenta-
da, construída através de seqüências, transpar-
ências, sobreposições e combinações. Os dois
lados do papel se comunicam por uma fenda e
consequentemente por dobras, por isso um contem
o outro. Dobrada, fechada, “zipada”, como uma
pasta arquivo que cada um acessa, manuseia e
compartilha.
Registradas num pequeno caderno, de bolso,
são esboços dos lugares percorridos cotidiana-
mente, dos objetos e formas intrigantes, que
servem de estudo para imagens posteriores.
Pequenas paisagens
São aquelas que o olhar alcança num lance
rápido e estreito; bem intimistas, como a pais-
agem de um objeto, grande ou pequeno, multipli-
cado, facetado no espaço; de uma sala, um espaço
apertado; do interior de uma caixa, paisagem
reduzida e recortada por um contexto.
84
Intervenções
Da produção gráfica, em pequeno formato, de
cunho intimista e da relação com a construção
da paisagem, nasce a ideia de ocupar o espaço
físico, de ampliar o trabalho, colocando-o em
outra dimensão em relação a cidade e ao obser-
vador. A vontade de interferir na arquitetura,
no meio habitado, emergiu outras vezes em
meu percurso artístico, como um desdobramento
da pesquisa gráfica, do embate do desenho com o
entorno e da relação das imagens com a tridi-
mensionalidade.
A ida ao espaço físico, trás outros modos
de se relacionar com o trabalho, ver de longe o
todo e o entorno; de perto em detalhe; o trab-
alho como anteparo, barreira espacial; aderên-
cia ao lugar; e como situação de convivência
temporária.
A construção do pensamento gráfico perman-
ece a mesma dos pequenos formatos, as colagens,
no caso do projeto de intervenção que será re-
alizada na fachada do galpão onde trabalho,
continuam aderidas ao vidro como suporte, ver-
ticalmente dispostas, fragmentadas conforme as
contingências do espaço, envolvendo outra trama
ao desenho, a da divisão em grade dos vidros da
janela. A coloração do material impresso, so-
mada ao vidro, se transmuta nas cores dos pas-
santes e da luz ambiente. O desenho ganha a di
85
mensão do entorno, do dia com um véu azulado que
tinge o interior do espaço, e da noite, quando
se mostra iluminado para o espaço externo.
O outro projeto de intervenção, na fachada
da Galeria Vermelho, surgiu aos poucos quando
ao visitar o lugar, observava a quantidade de
projetos registrados na fachada, sobrepostos no
tempo e no espaço. Pensando na construção dos
trabalhos gráficos pela adição de camadas, veio
a ideia de desenhar pela subtração das pelícu-
las de tinta da parede, de compor um desenho
utilizando as cores e estratos de pintura
existentes. A imagem construída adquire alem do
seu próprio desenho, a localização no tempo e
espaço, através da abertura de janelas em deter-
minadas partes da parede trazendo à tona outros
projetos. O projeto Fachada Fachadas, procura
estabelecer um dialogo com a construção/descon-
strução das imagens, a ação do tempo, a sobre-
posição, a articulação entre as imagens exis-
tentes, o registro e o recorte.
As fachadas estão inseridas na paisagem
urbana e são utilizadas como suporte para pen-
sar suas paisagens internas, o lugar, através
de projetos que propõe a relação espacial em seu
tema e nos próprios meios do fazer.
As traduções gráficas e decisões de como
ocupar o espaço de trabalho.
86
Código gráfico
Elementos da imagem arranjados de um certo
modo, pensados segundo uma lógica, produzidos
com certo material, compostos e ordenados de
maneira própria, depositados sobre um suporte,
de modo a dar visibilidade a algo.
Recortes
Fazem parte da edição do olhar, que pre-
viamente focado para a questão compositiva, es-
colhe o que é determinante para formação das
paisagens. O recorte se como mapeamento pre-
ciso do lugar do assunto e como síntese dos ele-
mentos contidos nele. Recortar, editar e colar,
procedimentos internos do trabalho, transforma-
ções do conteúdo reconfigurado pelo transporte
de sentido às imagens.
Camadas
Como uma fatia horizontal, vertical ou ori-
entada em qualquer outro sentido, que agregada
a outras, constroem um todo. Como um fragmen-
to, vista chapada em imagem, mostrada apenas
em parte, sem perspectiva ou volume, fatias de
paisagem, de um objeto, um recorte no tempo e
no espaço, ou de um projeto.
As camadas da imagem são organizadas em
87
construção de significado e sobreposição de ma-
teriais. Cada imagem é repetida, em posiciona-
mentos diferentes nas camadas, ganhando ou per-
dendo massa de cor, com a intenção de sugerir
um espaço e acontecimento próprios. Cada serie
é articulada e desdobrada.
Eixo
A ordenação construtiva das cidades é condi-
cionada pela ação gravitacional, entre outros
fatores, a força que o fenômeno exerce dire-
ciona magneticamente tudo ao centro da terra,
num eixo imaginário. A imposição do ângulo reto
em nossas vidas faz com que todas as edificações
sejam necessariamente paralelas em relação ao
solo, em diferentes níveis de altura e elevadas
num eixo vertical. Como num jogo, formam en-
caixes angulados entre planos seccionados, em
grandes prateleiras, entremeadas de espaços de
ar.
Numa rede gráfica imaginaria, os eixos se
estendem nas verticais, horizontais e na pro-
fundidade, numa construção tridimensional in-
finita. A estrutura espacial compositiva serve
como principio do raciocínio que está implícito
nos trabalhos, ordenando o pensamento em busca
de uma fragmentação organizada pela grade. Este
modo de operar a pesquisa no espaço/tempo,
diretrizes às imagens e orienta-as na sua rela-
ção com o campo de ação: o papel, a moldura, e
88
a ortogonalidade do suporte.
Os eixos construtivos ortogonais impreg-
nam em antecipação o olhar, que orienta-se a
partir de um sistema cognitivo assimilado. Os
percursos subjetivos pretendem desestabilizar
as direções confortáveis da paisagem, alteran-
do pontos de vista, horizontes, atravessando
transversalmente massas construídas, através da
movimentação no processo de elaboração da ima-
gem.
Ordenação
A ordenação dos conteúdos escolhidos pelo
olhar, tem referencias encontradas na observa-
ção e nos registros cotidianos. A produção das
imagens passa por uma elaboração mental, senso-
rial, estética e conceitual, um processamento
através da fragmentação, recorte, edição, co-
lagem, articulação e desdobramentos que fazem
parte tanto do procedimento como são o próprio
assunto dos trabalhos. O modo de operar é en-
fatizado pela visualidade que as imagens gan-
ham ao se desdobrar e a seriação mostra ainda o
caminho gráfico que o trabalho segue, propondo
diferentes regulações para cada imagem.
As composições esbarram em estratégias e
escolhas perante o objeto de estudo como: dispor
de certa forma, partes isoladas de um todo,
89
fazer ver, mostrar como desejado e ordenar de
maneira a dar visualidade a algo.
Estrato
Porção de material sólido formado por de-
posito de sedimento, como em prateleiras, se
sobrepõem horizontalmente formando um maciço.
A organização da estrutura física dos minerais
e elementos geológicos em estratos é análoga a
estrutura das ordens sociais, organização do
pensamento, construção civil e da ocupação da
urbe segundo Robert Smithson
6
, em diversos en-
saios emprega o termo estratificação, referindo-
se ao macro e ao micro universos, evidenciando
a semelhança estrutural de coisas vivas e in-
animadas.
Nos desenhos-colagem a sobreposição dos
vidros corresponde a espessura adquirida pelas
imagens, estrutura que ganha corpo, ocupação
espacial, adensamento da cor, profundidade em
camadas.
Como no projeto Fachada Fachadas o desenho
proposto é uma grande estratigrafia da fachada
da galeria, recurso frequentemente utilizado
pelos restauradores de pinturas parietais, que
investigam cada estrato de tinta presente nas
______________________________
6
FLAM, JACK. ROBERT SMITHSON: The Collected Writings, edited
by Jack Flam, University of California Press, Berkeley and Los
Angeles, Califórnia, 1996.
90
paredes das edificações históricas, através da
abertura de pequenas “janelas”, que vão delin-
eando a história do tempo e do lugar.
Relação espacial e escala
O processo organizacional, no plano da
visualidade, se no reconhecimento de sím-
bolos, códigos formais, visuais e sensórios.
Deste modo, a interação do sujeito com o objeto
e o mundo é parte fundamental na realização do
entendimento, implicando o estabelecimento de
uma rede de ligações de sentidos, que ao serem
absorvidos e fixados na mente, mapeiam as in-
formações artísticas e visuais. Tomando estes
conceitos como princípios da relação que esta-
belecemos com os objetos no mundo, baseada em
situações empíricas e estudos sobre a percepção
visual, surge um questionamento sobre a dimen-
são do objeto artístico
7
relacionado ao entorno,
lugar ocupado e pessoas com as quais interage.
A arte lida com ordenações de coisas par-
ticulares, pontos de vista diversos e raciocínios
até mesmo contrários determinam os caminhos in-
terrelacionais. Para Robert Smithson, “size de-
termines an object but scale determines art...
______________________________
7
Tomo por objeto artístico manifestações que se dão nos planos
bi e tridimensionais.
91
for me scale operates for uncertainty”
8
, para
o artista a materialização dos objetos de arte
provoca relações de estranhamento, a diferente
escala entre o objeto artístico e os outros dis-
tancia àqueles do uso cotidiano, da mecanização
do gesto no manuseio. As operações artísticas
são ações que causam incerteza, na forma e no
conteúdo, lidam com o inesperado, despertam no
observador elaborações visuais e mentais, que
não são situações dadas a priori, dependem de
envolvimento e participação ativa.
O jogo perceptivo proposto pela relação
com o objeto artístico determina suas próprias
regras, as operações empregadas na arte, ques-
tionam e sugerem o embate da relação física
com o espaço, corpo, mente, e tratando do as-
sunto Smithson completa, “there are times when
the great outdoors shrinks phenomenologically
to the scale of a prison, and times when the in-
doors expands to the scale of the universe”
9
.
O objeto artístico propõe relações de
deslocamento, remapeando o lugar e seus refer-
entes, reestabelecendo hierarquias e proporcio-
nalidades.
______________________________
8
FLAM, JACK. ROBERT SMITHSON: The Collected Writings, edited by
FLAM, JACK. University of California Press, Berkeley and Los
Angeles, California; 1996. p.147. (Tamanho determina o
objeto
mas escala determina a arte... para mim a escala opera por in
-
certeza) T.A.
9
Idem, p.152. (Tem vezes que as grandes “paisagens” diminuem
92
fenomenologicamente para a escala de uma prisão, e vezes que os
“interiores” expandem para a escala do universo.) T.A. Robert
Smithson utiliza “outdoors” em oposição a “indoors” exterior/
interior, sem tradução direta para o português.
93
Referências bibliográficas
BACHELARD, GASTON. A Poética do Espaço. [tradução
de] Antonio de Padua Danesi. Imprenta São Pau-
lo: Martins Fontes, 1993.
BRASSAI, Gilberte. Conversas com Picasso. São
Paulo, Cosac & Naify, 2000.
CABANNE, Pierre. Marcel Duchamp: Engenheiro do
tempo perdido. São Paulo, Perspectiva, 2001.
CALVINO, Ítalo. As cidades invisíveis. São Pau-
lo, Companhia das Letras, 1990.
CAUQUELIN, ANNE. A invenção da Paisagem. São
Paulo: Ed. Martins Fontes, 2007.
DANTO, ARTHUR C. Após o Fim da Arte: A Arte Con-
temporânea e os Limites da História. São Paulo,
Odysseus, 2006.
DIAS, ANTONIO, 1944. Antonio Dias : o país in-
ventado / edição, Antonio Dias; texto: Sônia
Salzstein ; São Paulo; Rio de Janeiro: Museu de
Arte Moderna de São Paulo: Museu de Arte Moderna
do Rio de Janeiro, 2001.
DUCHAMP, Marcel. Duchamp du signe. Paris, Flam-
marion, 1994.
FERREIRA, Glória, COTRIM, Cecília. Escritos de
artistas anos 60/70. Rio de Janeiro, Jorge Za-
har Editor, 2006.
GADAMER, Hans Georg. A atualidade do belo. A
arte como jogo símbolo e festa. Rio de Janeiro,
Edições Tempo Brasileiro, 1985.
HOCKNEY, DAVID. Espaços perceptíveis, Joiner
photographs. Entrevista com Melvyn Bragg, Los
Angeles, 1963.
KLEE, PAUL. Sobre Arte Moderna. Rio de Janeiro,
Jorge Zahar Editor, 2001.
KRAUSS, ROSALIND E. The originality of the
avant-garde and other modernist myths. Cam-
bridge, Mass. : MIT Press, c1985.
MATISSE, HENRI. Com olhos de criança. Idéias
coletadas por Regina Pernoud, Le Courrier de l’
U.N.E.S.C.O, vol. VI, n0 10, 1953.
PAZ, Otavio. Marcel Duchamp ou O castelo da
pureza. São Paulo, Editora Perspectiva, 2002.
PONTY, Maurice Merleau. Olho e espírito. São
Paulo, Cosac & Naify, 2004.
SALZTEIN, SÔNIA. No vazio do mundo. In No Vazio
do mundo-Mira Schendel (org. Sônia Salztein).
SP: Marca D’Água, 1996.
SCHELLE, KARL GOTTLOB. A Arte de Passear. São
Paulo, Martins Fontes, 2001.
SMITHSON, ROBERT. The collected writings, Edit-
ed by jack Flam. Berkeley and Los Angeles, Cali-
fornia, University of califórnia Press, 1996.
SYLVESTER, DAVID. Interviews with American Art-
ists. London, Pimlico Edition, 2002.
TASSINARI, Alberto. O espaço moderno. São Pau-
lo, Cosac & Naify, 2001.
94
Agradeço
Ao professor Luiz Cláudio Mubarac, que com
muita dedicação e paciência me ajudou no de-
senvolvimento desse trabalho; aos professores
Marco Buti e Miguel Chaia pela valiosa inter-
locução; aos amigos, Letissa Kanawati, Paulo
Ruiz, Helena Leopardi, Christina Stephano de
Queiroz e Vanessa Grossman, pela amizade, aju-
da e inspiração; aos meus pais, pelo carinho
e apoio constantes; e a todos que me incenti-
varam na elaboração desse projeto.
95
Livros Grátis
( http://www.livrosgratis.com.br )
Milhares de Livros para Download:
Baixar livros de Administração
Baixar livros de Agronomia
Baixar livros de Arquitetura
Baixar livros de Artes
Baixar livros de Astronomia
Baixar livros de Biologia Geral
Baixar livros de Ciência da Computação
Baixar livros de Ciência da Informação
Baixar livros de Ciência Política
Baixar livros de Ciências da Saúde
Baixar livros de Comunicação
Baixar livros do Conselho Nacional de Educação - CNE
Baixar livros de Defesa civil
Baixar livros de Direito
Baixar livros de Direitos humanos
Baixar livros de Economia
Baixar livros de Economia Doméstica
Baixar livros de Educação
Baixar livros de Educação - Trânsito
Baixar livros de Educação Física
Baixar livros de Engenharia Aeroespacial
Baixar livros de Farmácia
Baixar livros de Filosofia
Baixar livros de Física
Baixar livros de Geociências
Baixar livros de Geografia
Baixar livros de História
Baixar livros de Línguas
Baixar livros de Literatura
Baixar livros de Literatura de Cordel
Baixar livros de Literatura Infantil
Baixar livros de Matemática
Baixar livros de Medicina
Baixar livros de Medicina Veterinária
Baixar livros de Meio Ambiente
Baixar livros de Meteorologia
Baixar Monografias e TCC
Baixar livros Multidisciplinar
Baixar livros de Música
Baixar livros de Psicologia
Baixar livros de Química
Baixar livros de Saúde Coletiva
Baixar livros de Serviço Social
Baixar livros de Sociologia
Baixar livros de Teologia
Baixar livros de Trabalho
Baixar livros de Turismo