79
(subentendido kúklos ‘círculo’) “circulo sepa-
rador”
2
, definido pelo espaço da superfície ter-
restre abrangido pela vista, agrupa noções es-
senciais da indicação da paisagem como lugar,
conceitualmente, forma uma linha imaginaria
contínua, de tal maneira que quando um objeto
ou figura humana é posicionada junto a linha,
este elemento divisor coloca toda a estrutura
em relação, sugerindo o espaço, mesmo que essa
linha não seja propriamente a do horizonte e sim
a de um lugar construído.
A referencia de horizonte dos gregos, ao
“circulo separador”, carrega em si a noção sim-
bólica de infinito, o continuo que escapa pelas
bordas e fecha-se em sí mesmo, repetindo-se em
voltas. É símbolo do que não está encerrado den-
tro de uma moldura.
Sobre a natureza e a paisagem, em A inven-
ção da Paisagem, Anne Cauquelin diz que o termo
paisagem é um conceito, uma descrição de uma
noção cultural. Segundo a autora, é a natureza
por sua vez que é uma fabrica de paisagens, mas
não é uma paisagem em sí, a paisagem se forma
por um conjunto de fatores subjetivos, corre-
sponde a uma idéia cultural que é determinada e
figurada, e que a identificamos ao nos depararmos
com a situação descrita, apresentada
3
.
______________________________
2
HOUAISS. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Rio de Ja-
neiro: Editora Objetiva, 2001. p.1551
3
CAUQUELIN, ANNE. A invenção da Paisagem, São Paulo: Ed. Mar-
tins Fontes, 2007. p.66