
Por ordem da sua Sinopse Parcial de uma Proposta para um Trabalho sobre Lógica
(2005:21), ocupado em aclarar - para as mentes menos afeitas ao raciocínio matemático
52
- a
natureza das idéias pré-lógicas, preambula:
Tento uma análise do que aparece no mundo (...). Portanto, não perguntamos o
que realmente existe, apenas o que aparece a cada um de nós em todos os momentos
das nossas vidas (...). Lembre-se (...) mais uma vez e de uma vez por todas, que não
pretendemos significar a natureza secreta do fato mas, simplesmente, aquilo que
pensamos que ela é.
O excerto nos dá a ver o inextrincável da conduta fenomenológica
53
peirceana ou seja a
observância de tudo aquilo que está presente ao espírito, constituído (o tudo) apenas pelos
elementos logicamente indecomponíveis, ou indecomponíveis na inspeção direta (Peirce,
1974:91)
54
. E porque está, durante a pesquisa acadêmica, aceso o raciocínio, pergunto-me, em
52
De acordo com Peirce, a matemática figura como a mais abstrata e genérica das ciências. É a única ciência
puramente hipotética, indiferente quanto a suas premissas expressarem fatos imaginados ou observados. É a
ciência das conclusões exatas a respeito de estado de coisas meramente hipotético. Fundada em premissas
não assertivas, não requer nenhum suporte experimental além das criações da imaginação (Santaella,
2005:34).
53
O apropriado seria adotarmos o termo Ideoscopia ao invés de fenomenologia, conforme notação de Peirce
(1974:119) em carta a Lady Welby, semanticista inglesa ocupada com o verbete significs, por ocaisão da
Encyclopaedia Britannica (Pignatari, 1979:22).
Diz o autor: não sei se o estudo daquilo que chamo Ideoscopia pode ser chamado idéia nova, mas a palavra
fenomenologia é usada em sentido diferente. Ideoscopia consiste em descrever e classificar idéias que
pertencem à experiência corrente ou derivam da vida cotidiana, sem levar em conta o serem válidas ou não,
ou sua psicologia. Jaz aqui, ainda, novo contudo. Peirce (idem:91) previne: os filósofos ingleses atribuíram à
palavra idea uma significação aproximada daquilo que entendo por faneron. Por motivos vários, restringiram o
âmbito da palavra, e deram-lhe uma conotação psicologista que desejo evitar (...). De maneira que, diante da
ciranda teorética, o melhor seria chamá-la Faneroscopia; em respeito a noção de phaneron.
Conquanto a extensão da nota, indico visita ao artigo Is phaneroscopy as a pre-semiotc science possible? em
que André de Tienne (2004) adensa a investigação: Peirce did not call the science of the phaneron by the
name of “phanero-logy” (except in one fleeting instance), but by that of ”phanero-scopy,” is certainly significant.
The suffix -scopy introduces the idea of observation, while the suffix -logy introduces the idea of discourse, a
corpus of systematized arguments. This distinction is crucial to understand the rôle of phaneroscopy, and is
found in many different guises throughout the writings.
Santaella (2005:35) assinala o caráter observacional da fenomenologia.
54
Eisenstein (1990:50), em 1942, ocupado com certa natureza dos fenômenos audiovisuais... Primeiro,
conclui, sem demora, que o Homem é a mais rica fonte de experiência. Daí abaliza: devemos ter plena