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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ
SETOR DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS VETERINÁRIAS
TALITA ELLY TREML
O USO DA DEXAMETASONA E A FERTILIDADE DO TOURO
CURITIBA
2010
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II
TALITA ELLY TREML
O USO DA DEXAMETASONA E A FERTILIDADE DO TOURO
Dissertação apresentada ao Programa
de Pós-Graduação em Ciências
Veterinárias, Linha de Pesquisa
Reprodução e Melhoramento Genético
Animal, do Setor de Ciências Agrárias
da Universidade Federal do Paraná,
para obtenção do título de Mestre em
Ciências Veterinárias.
Orientador: Prof. Dr. Romildo Romualdo
Weiss.
CURITIBA
2010
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III
IV
A meus pais e minha irmã, por estarem sempre presentes nos bons
e maus momentos de minha vida, pelo apoio, paciência, dedicação,
incentivo e carinho...
À minha amiga Ana Cristina e meus amigos e colegas de trabalho
pelo enorme apoio, indispensável à conclusão deste mestrado...
Ao meu grande amigo Anselmo Reynaud dos Santos, pelo apoio,
dedicação, incentivo e amizade, sem os quais jamais teria
conseguido chegar até aqui;
E à pessoa, cujo apoio embora recente fez uma grande
diferença, Cristiano Schmitt.
V
AGRADECIMENTOS
Ao Prof. Dr. Romildo Romualdo Weiss, que além de meu Orientador foi meu grande
incentivador à realização deste mestrado, e que como Orientador sempre esteve
presente e disposto a me passar todo seu conhecimento com enorme presteza e
responsabilidade;
Aos Médicos Veterinários Milton da Silva Nemecek e Rubem Rosso Baptista, por
abrirem as portas para que este projeto pudesse ser realizado, pelo grande apoio e
ajuda na realização deste e pela transmissão de conhecimentos;
À equipe do laboratório de Patologia Clínica do Hospital Veterinário da UFPR, em
especial ao técnico Olair Carlos Beltrame, pela amizade e apoio para a realização
das análises bioquímicas;
À Profa. Dra. Rosana Moraes e a aluna Katlyn Barp Meyer, pela disposição e
dedicação na realização das análises de Testosterona;
À minha grande amiga M.Sc. Tatiane Micheletti, a pessoa que mais entende de
estatística que eu conheço, e que sem sua enorme ajuda eu estaria perdida.
.
VI
SUMÁRIO
LISTA DE FIGURAS.......................................................................................... VIII
LISTA DE TABELAS.......................................................................................... IX
RESUMO............................................................................................................
X
ABSTRACT........................................................................................................
XI
INTRODUÇÃO................................................................................................... 12
OBJETIVO GERAL ...........................................................................................
13
OBJETIVOS ESPECÍFICOS..............................................................................
13
CAPÍTULO 1: REVISÃO DE LITERATURA: EFEITOS DA
DEXAMETASONA NA CLÍNICA MÉDICA E REPRODUTIVA.........................
14
RESUMO............................................................................................................
15
ABSTRACT........................................................................................................
15
INTRODUÇÃO................................................................................................... 16
CARACTERÍSTICAS DOS GLICOCORTICÓIDES...........................................
18
PROPRIEDADES FARMACOLÓGICAS...........................................................
19
Propriedades Antiinflamatórias...................................................................... 20
Propriedades Imunossupressoras................................................................. 20
EFEITOS COLATERAIS....................................................................................
21
EFEITOS NA REPRODUÇÃO...........................................................................
23
Efeitos na Reprodução das Fêmeas...............................................................
23
Efeitos na Reprodução dos Machos.............................................................. 25
CONCLUSÃO.................................................................................................... 29
REFERÊNCIAS..................................................................................................
30
CAPÍTULO 2: O USO DA DEXAMETASONA E A FERTILIDADE DO
TOURO..............................................................................................................
34
RESUMO............................................................................................................
35
ABSTRACT........................................................................................................
36
INTRODUÇÃO................................................................................................... 37
MATERIAL E MÉTODOS.................................................................................. 38
Animais e Manejo............................................................................................. 38
Plano Experimental.......................................................................................... 39
Exames Reprodutivos......................................................................................
40
Exame Morfológico dos Testículos.................................................................... 40
VII
Comportamento Sexual......................................................................................
40
Colheita do Sêmen.............................................................................................
40
Avaliação do Sêmen.......................................................................................... 40
Alise de Testosterona..................................................................................
41
Alise de Frutose e Ácido Cítrico.................................................................
43
Alise Estatística............................................................................................
44
RESULTADOS...................................................................................................
44
DISCUSSÃO...................................................................................................... 51
CONCLUSÃO.................................................................................................... 52
REFERÊNCIAS..................................................................................................
54
VIII
LISTA DE FIGURAS
Figura 1 – Aferição visual da concentração espermática em sêmen bovino..
41
Figura 2 – Comparação das médias dos valores de frutose e ácido cítrico
entre os grupos experimental e controle pré e pós tratamento.....
47
Figura 3 – Comparação das médias dos valores de morfologia espermática
entre os grupos experimental e controle pré e pós tratamento.....
48
Figura 4 – Comparação das médias dos valores de concentração de
espermatozóides entre os grupos experimental e controle pré e
pós tratamento...............................................................................
48
Figura 5 – Comparação das médias dos valores de volume e pH entre os
grupos experimental e controle pré e pós tratamento...................
49
Figura 6 – Comparação das médias dos valores de motilidade entre os
grupos experimental e controle pré e pós tratamento...................
49
Figura 7 – Comparação das médias dos valores de turbilhonamento e vigor
entre os grupos experimental e controle pré e pós tratamento.....
50
Figura 8 – Comparação das médias dos valores de testosterona entre os
grupos experimental e controle pré e pós tratamento...................
50
IX
LISTA DE TABELAS
Tabela 1 – Comparação entre grupo controle (n=3) e experimental (n=3)
das variáveis avaliadas por estatística paramétrica por teste
ANOVA.......................................................................................
45
Tabela 2 – Comparação entre grupo controle (n=3) e experimental (n=3)
pré e pós tratamento das variáveis avaliadas por estatística
não-paramétrica por teste Kruskall-
Wallis..........................................................................................
46
Tabela 3 – Comparação de médias e desvio padrão entre os grupos
controle (n=3) e tratamento (n=3) das variáveis testadas por
estatística paramétrica por meio do teste
ANOVA.......................................................................................
46
Tabela 4 – Comparação de médias e desvio padrão entre os grupos
controle (n=3) e tratamento (n=3) das variáveis testadas por
estatística não-paramétrica por meio do teste Kruskal
Wallis..........................................................................................
47
X
RESUMO - Desde que os efeitos benéficos da cortisona foram descobertos, os
esteróides adrenais e seus derivados sintéticos têm sido utilizados em larga escala e
muitas vezes de maneira exagerada. A sua grande utilização se deve aos seus
efeitos antiinflamatórios e imunossupressores, porém estes são acompanhados de
efeitos metabólicos gerais, responsáveis pela maioria dos efeitos colaterais
observados no uso crônico e/ou maciço. Já os efeitos destes medicamentos na
reprodução animal o pouco conhecidos, principalmente no que diz respeito às
funções sexuais dos machos. Visto que este grupo de medicamentos é de grande
importância no tratamento de diversas afecções, tendo seu uso bastante amplo,
torna-se necessária a investigação de possíveis interferências que o uso destes
fármacos possa trazer à atividade de reprodutores. O objetivo deste estudo foi
avaliar os possíveis efeitos que este grupo de medicamentos têm sobre a função
sexual de touros. Para tanto foram avaliados 6 touros provenientes de uma central
de inseminação de Santa Catarina, divididos em dois grupos, sendo um
experimental e outro controle.
Palavras-chave: antiinflamatórios; esteróides; uso crônico; machos
XI
ABSTRACT - Since the benefits of cortisone were discovered, the adrenal steroids
and its synthetically derivable medicaments have been largely used, sometimes
abused. This great utility is linked to its anti-inflammatory and immunosuppressive
actions. Unfortunately, these good effects can’t be separated from its collateral
effects, mainly when these drugs are used for long periods of time. But these effects
on animal reproduction aren’t largely known, mainly about the male reproductive
functions. As this group of medicaments is so important in the treatment of several
affections, it become necessary an investigation of possible interferences, that the
use of them can bring to the male reproduction. The aim of this study was to evaluate
the possible effects that these drugs may have to the bull’s sexual function. To
achieve this objective six bulls from an insemination central in Santa Catarina state
were evaluated and divided into two groups, one experimental and other control.
Key words: anti-inflammatory; male; steroids
12
INTRODUÇÃO
A dexametasona é um fármaco sintético inserido no grupo dos glicocorticóides.
Estes são hormônios esteróides sintetizados a partir do colesterol na porção cortical
das glândulas adrenais, os corticosteróides ou corticóides. Estes hormônios podem
ser classificados como mineralocorticóides, glicocorticóides e esteróides sexuais. Os
glicocorticóides são amplamente utilizados na Medicina Veterinária para o
tratamento dos sinais clínicos de desordens inflamatórias, alérgicas e
imunomediadas.
Estes fármacos possuem atividade antiinflamatória e imunossupressora, porém
não é possível a dissociação destas duas características dos efeitos metabólicos
gerais, como a ação sobre o metabolismo de carboidratos e de proteínas, mesmo
em preparações sintéticas, porém nestas a atividade antiinflamatória e
imunossupressora foi ampliada.
Os fármacos glicocorticóides mais utilizados são a hidrocortisona (de ação
rápida), a prednisona e a prednisolona (de ação intermediária) e a dexametasona e
betametasona (de ação prolongada).
Em geral, a dose imunossupressora é duas vezes maior que a dose
antiinflamatória, sendo esta dez vezes maior que a dose fisiológica.
Os efeitos benéficos objetivados na terapia com glicocorticóides são pronta e
seguramente atingidos. Por outro lado, sabe-se que seu uso contínuo leva ao
aparecimento de inúmeros efeitos indesejáveis. Dentre estes efeitos estão a
interferência na vascularização, secreção gástrica e nos mecanismos de
reepitelização da mucosa; inibição da síntese de material conjuntivo, com
conseqüente diminuição da espessura rmica dificultando a cicatrização; atrofia e
fraqueza muscular, devido ao seu efeito proteolítico (SPINOSA et al., 1999).
13
Muito se sabe a respeito das ações, indicações, efeitos colaterais e toxicidade
dos glicocorticóides. Porém, pouca informação sobre os seus efeitos na
reprodução, principalmente com relação aos machos.
O objetivo deste trabalho é avaliar o efeito da administração de um
glicocorticóide (dexametasona) sobre o comportamento sexual e características
seminais do touro.
OBJETIVO GERAL
Avaliar os efeitos da administração do glicocorticóide dexametasona sobre as
funções sexuais dos touros.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Avaliar o efeito da dexametasona no comportamento sexual dos touros, no
desenvolvimento dos órgãos genitais palpáveis, no pH do sêmen, vigor dos
espermatozóides, volume do ejaculado, concentração espermática, porcentagem de
espermatozóides anormais, na concentração plasmática de testosterona e na
concentração de frutose e ácido cítrico no plasma seminal.
14
CAPÍTULO 1
REVISÃO DE LITERATURA: EFEITOS DA DEXAMETASONA NA CLÍNICA
MÉDICA E REPRODUTIVA
15
EFEITOS DA DEXAMETASONA NA CLÍNICA MÉDICA E REPRODUTIVA
(dexamethasone effects on medical and reproductive clinics)
RESUMO A dexametasona, glicocorticóide sintético, possui inúmeras
atividades. Destacam-se entre elas sua ação antiinflamatória, sendo um potente
antiinflamatório esteroidal de longa ação. Possui também efeito imunossupressor, e
age na regulação de genes cancerígenos. Por todos estes efeitos benéficos tornou-
se um fármaco amplamente utilizado na clínica tanto de seres humanos quanto de
animais. Apesar de apresentar tantos benefícios, este glicocorticóide sintético causa
vários efeitos colaterais, principalmente quando usado por períodos prolongados.
Esta revisão tem como objetivo abordar as características da dexametasona, seus
efeitos benéficos e colaterais e outras atividades, como é o caso de sua atuação na
consolidação da memória e sua utilização no diagnóstico de certas afecções.
Palavras-chave: antiinflamatório; glicocorticóide; reprodução
ABSTRACT Dexamethasone, a synthetic glucocorticoid, has many functions.
One of the most important is the anti-inflammatory action. Dexamethasone is a
potent long action steroidal anti-inflammatory, and it also has function as an
immunosuppressant, it regulates cancer cells’ genes. Because these benefits,
dexamethasone has become a drug largely used in human and veterinary medicine.
However, dexamethasone has side-effects when used for long period of time. The
aim of this literature review is to dissert over dexamethasone drug characteristics,
contraindications and side-effects, and other functions such as memory consolidation
and in a diagnostic context.
16
Key words: anti-inflammatory; glucocorticoid; reproduction
INTRODUÇÃO
Os corticosteróides ou corticóides são hormônios esteróides sintetizados a
partir do colesterol na porção cortical das glândulas adrenais. Estes hormônios
podem ser classificados como mineralocorticóides, glicocorticóides e esteróides
sexuais (SPINOSA et al., 1999).
Os glicocorticóides possuem atividade antiinflamatória e imunossupressora,
porém não é possível a dissociação destas duas características dos efeitos
metabólicos gerais, como a ação sobre o metabolismo de carboidratos e de
proteínas, mesmo em preparações sintéticas, muito embora nestas a atividade
antiinflamatória e imunossupressora tenha sido ampliada. Ainda assim, estes
fármacos estão entre os grupos de medicamentos usados com maior freqüência na
Medicina Veterinária e são amplamente utilizados no tratamento de diversas
condições clínicas, sendo comumente prescritos para o tratamento dos sinais
clínicos de ampla variedade de desordens inflamatórias, alérgicas e imunomediadas
(SPINOSA et al., 1999).
Os efeitos benéficos objetivados na terapia com glicocorticóides são pronta e
seguramente atingidos. Por outro lado, sabe-se que seu uso contínuo leva ao
aparecimento de inúmeros efeitos indesejáveis. Dentre estes efeitos estão a
interferência na vascularização, na secreção gástrica e nos mecanismos de
reepitelização da mucosa; inibição da síntese de material conjuntivo, com
conseqüente diminuição da espessura rmica dificultando a cicatrização; atrofia e
fraqueza muscular, devido ao seu efeito proteolítico (SPINOSA et al., 1999).
17
Em indivíduos normais o produto fisiológico do estresse, os corticosteróides
(cortisol em humanos e corticosterona em ratos), normalizam a atividade axial por
meio de feedback negativo em múltiplos locais, incluindo o hipotálamo, glândula
pituitária e córtex adrenal. A inibição desta ação resulta em secreção endógena e
níveis anormais de glucocorticóides, o que é correlacionado com várias doenças
como hipertensão, inflamação, obesidade, doenças cardíacas e diabetes (BAID e
NIEMAN, 2004; WITHWORTH et al., 2005; PASQUALI et al., 2006; TOMLINSON e
STEWART, 2007; TAIT et al., 2008).
Recentemente, a combinação de CRH (hormônio liberador de corticotropina) e
dexametasona, provou ser 90% eficiente para diagnosticar indivíduos imuno-
suprimidos (VARGHESE e BROWN, 2001).
Os corticosteróides também são amplamente utilizados na Medicina em seres
humanos, e são utilizados em aplicações pré-natais com a finalidade de promover a
maturação pulmonar fetal em gestantes com início de trabalho de parto prematuro.
Esta aplicação também tem como benefícios a redução da ocorrência em
prematuros da síndrome do desconforto respiratório, da hemorragia peri e
intraventricular e da mortalidade neonatal (MENEGUEL et al., 2002).
A presente revisão tem como objetivo reunir informações sobre o
glicocorticóide sintético dexametasona, medicamento amplamente utilizado tanto na
clínica de seres humanos como na medicina veterinária, abordando todos os seus
efeitos benéficos, importantes no tratamento de diversas afecções, seus efeitos
colaterais, e outras aplicações deste fármaco, enfocando suas ações na área
reprodutiva.
18
CARACTERÍSTICAS DOS GLICOCORTICÓIDES
A função vital do córtex adrenal depende de sua produção e secreção regulada
de um grupo de hormônios, todos de natureza esteróide. Demonstrou-se que no
córtex adrenal existem mais de cinqüenta esteróides naturais, mas que apenas
poucos têm efeitos biológicos significativos. De acordo com o efeito biológico
predominante, os esteróides adrenocorticais são classificados em
mineralocorticóides e glicocorticóides. Estudos das propriedades químicas dos
esteróides adrenocorticais demonstraram que a atividade antiinflamatória tem
grande correlação com sua atividade glicocorticóide. Os efeitos colaterais
indesejáveis em cães e gatos (retenção sódica, edema) são associados com a
atividade mineralocorticóide (FELDMAN e NELSON, 1991).
Numerosos hormônios glicocorticóides têm sido sintetizados com a intenção de
aumentar a potência antiinflamatória e reduzir a atividade mineralocorticóide
(WESTERHOF e PELLICAN, 1995).
A dexametasona, glicocorticóide sintético, é o fármaco de primeira escolha
para a indução de uma terapia com corticóides. Alguns clínicos preferem iniciar a
terapia com dexametasona e depois substituí-la pela prednisona ou prednisolona
quando a doença estiver em remissão. A dexametasona tem custo mais elevado e é
o fármaco deste grupo com maior potencial de causar efeitos colaterais durante uma
terapia prolongada em cães e gatos (MULLER, 1989).
Os glicocorticóides atuam na consolidação da memória, o que facilita a
memorização de situações estressantes. Nesse sentido demontrou-se que o
tratamento prolongado com dexametasona promoveu uma fixação de memória clara
em pacientes com desordem de estresse pós-traumático (ROHLEDER et al., 2009).
19
Além de todas estas atividades, este glicocorticóide também possui ação
inibitória sobre a secreção e/ou atividade de algumas substâncias. Evidências
experimentais demonstraram que fêmeas de Setaria cervi, parasitas de bovinos,
contêm níveis significantes da enzima prostaglandina H sintase e que a
dexametasona inibe tal enzima (RATHAUR et al., 2009).
PROPRIEDADES FARMACOLÓGICAS
A dexametasona mostrou-se eficaz na redução dos efeitos provocados por
endotoxemia experimental em eqüinos com lipopolissacarídeos de Escherichia coli.
Dentre estes efeitos inclui-se a temperatura retal, dimimuída com a aplicação do
glucocorticóide, tendo este medicamento atenuado também a neutropenia, linfopenia
e leucopenia resultantes do quadro de endotoxemia (ROSA et al., 2003).
A diminuição da temperatura decorrente do uso da dexametasona pode ser
devido à inibição que este medicamento faz da liberação de muitas substâncias
biologicamente ativas, incluindo substâncias quimioatrativas dos leucócitos. Os
corticosteróides interferem nos mediadores quimiotáticos, bloqueando o último
passo de migração, retendo os neutrófilos entre o endotélio e a membrana basal
(ROSA et al., 2003).
A dexametasona possui efeitos regulatórios sobre a expressão de genes de
células cancerígenas mamárias e pode ser usada como tratamento de carcinomas
mamários. Em comparação com outros reguladores como o acetato de
medroxiprogesterona (MPA), a enzima R5020, a progesterona e a
dihidrotestosterona (DHT), a dexametasona fica em segundo lugar em potência de
inibição dos genes cancerígenos, sendo a ordem decrescente de inibição: MPA,
dexametasona, R5020, progesterona e DHT (PENNANEN et al., 2009).
20
Propriedades Antiinflamatórias
Os glucocorticóides são amplamente usados pela sua atividade
imunossupressiva e antiinflamatória. Esses medicamentos possuem efeito inibitório
na produção e ação das citocinas (ROSA et al., 2003).
Os glicocorticóides sintéticos têm a capacidade de previnir ou suprimir as
reações inflamatórias. Eles inibem os fenômenos iniciais do processo inflamatório
como a formação do edema, deposição de fibrina, migração leucocitária, dilatação
capilar e atividade fagocitária. Também limitam as manifestações tardias da
inflamação como a proliferação fibrocapilar, acúmulo de colágeno e cicatrização
(BEVIER, 1990).
Segundo BLACKWELL (1980), estes fármacos podem impedir os neutrófilos de
se aderirem às lulas endoteliais nas áreas de inflamação. Além disso, impedem
que os neutrófilos produzam uma enzima que converte plasminogênio em plasmina,
a qual facilita a migração leucocitária para as áreas inflamadas.
Devido às sua atividades antiinflamatórias, os corticosteróides têm sido usados
na prevenção de displasia broncopulmonar em humanos, mas em um estudo com
recém-natos de 10 a 14 dias de vida, demonstrou-se que o uso destes
medicamentos, não reduziu a incidência de displasia broncopulmonar, e causou uma
desaceleração no crescimento destes indivíduos (MATALOUN et al., 2005).
Propriedades Imunossupressoras
Dependendo da dose, um glicocorticóide pode ter um efeito imunossupressor
sobre diferentes componentes da resposta imune em bovinos, incluindo linfopenia,
eosinopenia, redução da atividade mitogênica e redução da ação citotóxica
(DOHERTY et al, 1995).
21
De acordo com FELDMAN e NELSON (1991), quando doses altas são
administradas em cães e gatos, a produção de anticorpos diminui, principalmente se
for um glicocorticóide de ação prolongada.
Segundo FEKETY (1992), os glicocorticóides modificam vários aspectos do
sistema imune, secundariamente a suas propriedades antiinflamatórias. Eles alteram
a função dos macrófagos, monócitos e neutrófilos, deprimindo a fagocitose,
respostas quimiotáticas e o ingresso dessas células até os sítios de inflamação.
Glicocorticóides causam pida lise das células linfóides em algumas cobaias
de laboratório (incluindo ratos, camundongos e coelhos), mas outras espécies
animais (humanos, cães e gatos) chegam a ser resistentes a este tipo de lise
(SARGISON, 1993). Segundo STUCK (1989), apesar desta resistência geral, células
da leucemia linfoblástica aguda e linfomas podem ser lisados pelos glicocorticóides.
A dexametasona incita a inibição de uma molécula de adesão leucocitária
poucas horas após a administração. Em um estudo com vacas que apresentavam
mastite subclínica, demonstrou-se que a aplicação de glucocorticóides levou ao
aparecimento de sinais clínicos, possivelmente devido à imunossupressão causada
por estes medicamentos (MALLARD et al., 2009).
A aplicação de dexametasona também causa uma redução dramática na
secreção de interferon-γ pelas células mononucleares e inibe a secreção de IgM
pelas células B (MALLARD et al., 2009).
EFEITOS COLATERAIS
Os corticosteróides afetam o metabolismo de carboidratos, proteínas, gorduras
e purinas, além de influenciar no equilíbrio hidroeletrolítico (CALVERT e
CORNELIUS, 1990).
22
De acordo com observações de FELDMAN e NELSON (1991), os efeitos no
metabolismo são geralmente de natureza catabólica.
Os níveis plasmáticos de corticosteróides também influenciam os sistemas
cardiovascular e nervoso, rins, músculos esqueléticos e outros órgãos e tecidos.
Glicocorticóides promovem doença ulcerativa progressiva e hemorragia
gastrointestinal por aumento da secreção de ácido e pepsina e retardo na
cicatrização. Esse efeito pode ser agravado se o corticóide for associado à outra
droga antiinflamatória não esteróide (BUTTERWORTH e WEAVER, 1992).
A administração prolongada de altas doses de glicocorticóides causa uma
redistribuição da gordura corporal. Segundo CORAH et al. (1995), em um estudo
com bovinos, o cortisol atuou no tecido adiposo facilitando a lipólise.
Hormônios glicocorticóides estimulam a síntese de proteína em alguns tecidos
tais como o fígado. Em outros, o efeito é catabólico, como no caso das células
linfóides e fibroblastos. Esta ação catabólica dos glicocorticóides é refletida em
atrofia dos tecidos linfóides, redução da massa muscular, osteoporose, diminuição
da atividade dos fibroblastos e redução da espessura dérmica (DESLER et al.,
1995).
Os glucocorticóides podem causar laminite em eqüinos por meio da
potencialização da ação das catecolaminas no tono vascular e imunossupressão
(ROSA et al., 2003).
O uso prolongado destes rmacos no período antenatal em seres humanos
levou a redução do peso ao nascimento, redução do perímetro cefálico, maior risco
de óbito, infecção neonatal e supressão adrenal mais prolongada e evidente
(MENEGUEL et al., 2002).
23
A exposição pré-natal à aplicação de dexametasona em roedores machos
tratados cruzados com fêmas controle resultou numa diminuição de peso da
progênie de ambos os sexos. o cruzamento de fêmeas tratadas com machos
controle afetou apenas os machos da progênie (DRAKE et al., 2005).
EFEITOS NA REPRODUÇÃO
Efeitos na Reprodução das Fêmeas
Os glicocorticóides induzem ao abortamento tardio, no terço final da gestação,
nos ruminantes, podendo também ser utilizados para induzir o parto nestas
espécies. Em vacas gestantes recomenda-se 20 mg de dexametasona ou 5 a 10 mg
de flumetasona, para no mencionado período da gestação determinar o abortamento
ou indução prematura do parto. Nesses animais o abortamento ou parto é induzido
em até 80% dos casos, entre 2 a 4 dias após a aplicação do corticosteróide. O
abortamento ocorre por contração uterina conseqüente à abrupta e intensa
diminuição da concentração sangüínea de progesterona e ao aumento dos valores
sangüíneos de estrógenos e prostaglandina. Na maioria dos casos, o abortamento
ou parto são seguidos de retenção da placenta, fato que exigirá, para perfeito
controle da evolução do caso, antibioticoterapia profilática e adequado tratamento
para que não ocorram as complicações, entre as quais, destacam-se: endometrites,
provocando vários graus de catarro genital e esterilidade (GRUNERT, et al., 2005).
As doses elevadas de glicocorticóides usadas para tratar transtornos
imunomediados, problemas alérgicos agudos e outras afecções importantes podem
levar ao aborto (AUSTAD E LUNDE, 1976).
VIGHIO e LIPTRAP (1990) demonstraram que altas doses de glicocorticóides
administradas na metade do ciclo estral de vacas podem adiar o início do próximo
24
estro. Este atraso parece ser atribuído a uma atividade luteal prolongada. O
mecanismo deste efeito não foi esclarecido.
A administração parenteral de dexametasona em vacas no período de diestro
pode atrasar a transição deste período para o estro. Este atraso se em função da
extensão do período para reiniciar o ciclo estral após a luteólise. Com isto há
inibição do crescimento folicular. uma interferência sobre a capacidade
esteroidogênica tanto do folículo em crescimento como do corpo lúteo em regressão,
além de existir diminuição da secreção de gonadotropinas da pituitária anterior. A
freqüência e amplitude dos pulsos de LH são diminuídas inibindo o desenvolvimento
dos folículos e a produção de estradiol, muito embora a produção basal de LH não
seja afetada (BROUSSARD et al., 1997).
Em um trabalho feito com o objetivo de avaliar os efeitos da indução de parto
com dexametasona em vacas, MALMA (1993) observou um aumento na incidência
de retenção de placenta, mortalidade materna, nascimento de bezerros mortos ou
extremamente fracos. Relatos não confirmados em pesquisa realizada com vacas
tratadas com uma dose única de 20 mg de dexametasona, que após 265 dias de
gestação, apresentaram o parto entre 36 e 47 horas após a injeção. A incidência de
retenção de placenta foi de 40% e não foram observados efeitos adversos quanto à
viabilidade dos bezerros, produção leiteira, fertilidade ou involução uterina (MEDINA
e ULBERICH, 1997).
estudos que demonstram que 10 dias de tratamento com dexametasona na
dose de 5 mg duas vezes ao dia ocasiona morte intra-uterina e reabsorção
embrionária quando feita até os 30 dias de gestação e promove aborto se a
administração for iniciada a partir dos 35 dias (FELDMAN, 1991).
25
Ratas expostas à administração de dexametasona no período pré-natal
apresentaram queda no peso da progênie, e a aplicação de dexametasona nesta
mesma espécie no útero não gravídico, teve como conseqüência uma progênie de
baixo peso ao nascimento, intolerância à glucose, e altos níveis de produção
hepática de glucose, normalizando-se a partir da terceira geração (DRAKE et al.,
2005).
Nos casos de hidropsia, a dexametasona na dose de 20 a 40mg, juntamente
com a prostaglandina F2α, é utilizada com sucesso no tratamento desta afecção. A
hidropsia é o acúmulo anormal de líquido seroso em tecidos ou cavidades, e pode
ocorrer durante a prenhez na cavidade alantóica ou amniótica, na membrana
corioalantóica da placenta, ou no feto propriamente. A dexametasona, juntamente
com a prostaglandina usada nestes casos, tem como finalidade a indução do parto
em 24 a 48 horas (MOMONT, 2005).
Em ratas demonstrou-se que este glicocorticóide inibe a produção da segunda
isozima da enzima ciclooxigenase (COX), enzima esta importante na formação de
prostaglandina (BROUSSARD et al., 1997).
A dexametasona mimetisa os efeitos do cortisol na supressão da reponsividade
da pituitária ao GnRH (BREEN e KARSCH, 2006).
Efeitos na Reprodução dos Machos
TAHA et al. (1981) mostraram que injeções de betametasona na dose de 2 mg
aplicadas duas vezes por semana em dois machos Beagle causaram alterações nas
características seminais logo no primeiro dia de tratamento, com redução no volume
do ejaculado, na concentração de espermatozóides e na concentração de
testosterona plasmática. Não houve alteração significante na motilidade espermática
26
e em um dos animais houve aumento no número de espermatozóides anormais.
Como resultado da supressão da secreção de gonadotropinas, observou-se um
declínio na testosteronemia e nos níveis de FSH plasmático, com conseqüente
atrofia testicular, ausência de libido, oligospermia e infertilidade no cão.
O trabalho de FELDMAN e NELSON (1991) revelou que a medicação com
corticóides no cão leva à oligospermia pela supressão do FSH e LH, efeito este
reversível logo após a interrupção da medicação.
O tratamento com este gicocorticóide sintético durante 21 dias em cães, com
doses iniciais de 0,5 mg/kg, reduzida a 0,25 mg/kg e então para 0,125 mg/kg, não
teve efeito na libido e na morfologia externa dos órgãos reprodutivos. Também não
houve efeito no aspecto do sêmen e no vigor dos espermatozóides, e na
porcentagem dos espermatozóides anormais no ejaculado. Entretanto, houve uma
redução significativa no volume do ejaculado, na concentração espermática e no
número total de espermatozóides no ejaculado, assim como na concentração de
testosterona (WEISS et al., 2001).
A administração oral de vitamina E em cães superou os efeitos negativos na
qualidade do sêmen que o tratamento com dexametasona (para mimetizar estresse)
induziu (HATAMOTO et al., 2006).
Em um estudo com seis touros, nos quais foram injetadas 20 mg de
dexametasona, realizando-se dosagem de testosterona e LH em intervalos de meia
hora, por seis horas consecutivas, dois dias antes e dois dias após a aplicação,
constatou-se que as taxas de LH decresceram rapidamente após a aplicação, e as
taxas de testosterona sofreram um pico imediatamente após a aplicação e esses
níveis caíram a concentrações baixas até quatro horas após a injeção. Concluiu-se
que a dexametasona suprime a secreção de testosterona. Também diminui a
27
liberação de LH e indiretamente reduz a síntese e/ou liberação de testosterona
(THIBIER et al., 1976).
A aplicação de 20mg de dexametasona altera a resposta da aplicação de LH-
RH, provocando um aumento menor nas concentrações de androstenediona em
touros da raça Holandesa (CHANTARAPRATEEP et al.; 1981).
BOLY et al. (1994) observaram que a administração de 20 mg de
dexametasona intra-muscular diminui drasticamente as concentrações de LH e
testosterona em touros.
HORN et al. (1999) induziram degeneração testicular experimental por meio de
aplicação de 20 mg de dexametasona durante sete dias consecutivos em touros de
uma raça taurina pura (Aberdeen Angus) e de sua sintética derivada (Brangus-
Ibagé) com o objetivo de averiguar o comprometimento da espermatogênese e o
tempo de recuperação entre estas duas raças. Demonstraram que a aplicação de
dexametasona levou a um decréscimo qualitativo significativo no aspecto do
ejaculado, turbilhonamento e vigor dos espermatozóides. As dias de motilidade e
espermatozóides normais apresentaram decréscimo no segundo dia após o início
do tratamento. A recuperação do quadro normal se deu no 4 dia do início da
aplicação do corticóide, mas não houve diferenças entre os dois grupos.
Em um estudo realizado com ovinos, o uso da dexametasona em aplicações
semanais por três semanas, levou a um aumento no volume do ejaculado, aumento
da motilidade em massa e motilidade individual. Não se observou diferença
significativa na concentração espermática e na concentração plasmática de
testosterona (ALKASS, 2009).
28
TOHEI et al. (1997) demonstraram que ratos machos tratados com
dexametasona apresentaram um declínio nos níveis plasmáticos de testosterona e
inibina, mas o mesmo não ocorreu com os níveis de LH e FSH.
Em roedores o estresse materno pré-natal pode desmasculinizar e feminilizar o
comportamento sexual adulto da progênie, efeito este que pode ser simulado com a
aplicação pré-natal de ACTH e dexametasona. Tal estresse resulta numa diminuição
da ação da 3β-hidroxiesteróide desidrogenase nos testículos fetais e reduz a
concentração basal de testosterona nos machos adultos (FERIN, 2006).
O aumento do cortisol em humanos e de corticosterona em roedores, resultado
de situações de estresse, predispõe a problemas de saúde como hipertensão e
disfunções reprodutivas na vida adulta. O estresse induzido em fêmeas de roedores
resultou numa queda de peso da ninhada ao nascimento, e um encurtamento da
distância anogenital nos machos. Alterações no comportamento sexual dos machos
adultos também foi correlacionado com a administração pré-natal de dexametasona,
sendo que o excesso do nível de glicocorticóides sangüíneo pode ser uma das
causas da síndrome da disgenesia testicular (HU et al., 2009).
A dexametasona é capaz de diminuir o comportamento agressivo de machos
de marsupiais até dois meses antes da temporada de acasalamento, por inibir a
secreção de cortisol. Mas durante a temporada, esta inibição não tem mais efeito.
Este glicocorticóide também é capaz de reduzir os níveis de testosterona no mesmo
período, mas não quando o nível deste hormônio es próximo de seu pico
(WINGFIELD, 2006).
29
CONCLUSÃO
A dexametasona, glucocorticóide sintético, é um fármaco de ampla utilização
no tratamento de uma grande variedade de afecções, seja por suas atividades
antiinflamatórias e imunossupressoras, como por sua capacidade de regular genes
cancerígenos, ou na reprodução animal como indutor de parto. Entretanto também
traz uma série de efeitos colaterais, principalmente quando é utilizado em períodos
prolongados. Por essas razões é importante o estudo e o conhecimento de todos os
efeitos da dexametasona, sejam eles benéficos ou colaterais, para que o uso deste
medicamento seja feito de maneira racional e com o sucesso esperado. Nesta
revisão sentiu-se falta de maior número de estudos envolvendo os efeitos da
dexametasona na reprodução animal, principalmente no que diz respeito aos
machos, sendo que as poucas pesquisas nesta área ainda estão um pouco
defasadas. Mostra-se assim, a necessidade de desenvolver pesquisas sobre o efeito
da dexametasona na fertilidade de machos.
30
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34
CAPÍTULO 2
O USO DA DEXAMETASONA E A FERTILIDADE DO TOURO
35
O USO DA DEXAMETASONA E A FERTILIDADE DO TOURO
(use of dexamethasone and the fertility of the bull)
RESUMO - A dexametasona, antiiflamatório esteroidal sintético de longa ação,
é amplamente utilizada no tratamento de afecções inflamatórias, alérgicas e
imunomediadas. Além destas ações, os antiinflamatórios esteroidais também
possuem atividade hiperglicemiante, efeito sobre o metabolismo protéico e lipídico,
promovem retenção de sódio, excreção de potássio e expansão do volume
extracelular, levam ao incremento da diurese e agem sobre o metabolismo do cálcio.
Na área reprodutiva podem levar a aborto, retenção de placenta, disfunções do ciclo
estral e redução da fertilidade de machos. O objetivo deste estudo foi o de avaliar os
efeitos da dexametasona na reprodução de touros. Para tanto avaliou-se a atividade
sexual de 6 touros divididos em dois grupos, sendo um experimental que recebeu
dexametasona, e outro controle. A função reprodutiva destes animais foi avaliada
durante duas espermatogêneses, sendo uma antes e uma após a aplicação do
medicamento. Sobre as funções avaliadas, libido, morfologia dos testículos, níveis
de frutose e ácido cítrico no plasma seminal, níveis de testosterona sangüínea,
volume e pH do ejaculado, concentração de espermatozóides no ejaculado,
motilidade, turbilhonamento, vigor e defeitos morfológicos dos espermatozóides, não
foi observada qualquer alteração significativa com o uso da dexametasona.
Palavras-chave: antiinflamatório; esteróide; machos; reprodução
36
ABSTRACT – Dexamethasone, a long action steroidal anti-inflammatory, is
largely used on treatment of inflammatory, allergic and immunomediated diseases.
Besides these actions, steroidal anti-inflammatory have hyperglycemiant activity,
effect on protein and lipid metabolism, promote sodium retention, potassium
excretion, and expand the extracellular volume. Besides they also have a diuretic
effect. In the reproductive area, this drugs can cause abortion, placenta retention,
dysfunctions of the estral cycle, and decrease on male fertility. The aim of this study
was to evaluate the effect of dexamethasone on bull’s fertility. In order to achieve this
goal the sexual activity of six bulls was evaluated. These animals were divided into
two groups. One of these groups received dexamethasone. The other group was
taken as control. The evaluation of the sexual activity was made during the period of
two spermatogenesis, one before and one after the treatment with dexamethasone.
Above the functions evaluated, libido, testicles morphology, biochemistry of seminal
plasma, blood testosterone, volume and pH of the ejaculate, vigor and morphological
defects of the spermatozoids, wasn’t observed any significantly effect with the use of
dexamethasone.
Key words: anti-inflammatory; male; reproductive; steroidal
37
INTRODUÇÃO
Os hormônios esteróides são produzidos na porção cortical das glândulas
adrenais, glândulas estas presentes em todos os animais vertebrados. Estes
hormônios podem ser classificados em mineralocorticóides, glicocorticóides e
esteróides sexuais. Os mineralocorticóides interferem na manutenção do equilíbrio
hídrico e eletrolítico. Os glicocorticóides afetam o metabolismo de carboidratos e
proteínas, e possuem atividade antiinflamatória e imunossupressora. Nos esteróides
de ocorrência natural os efeitos mineralocorticóides e glicocorticóides estão
associados em maior ou menor escala. Devido às atividades antiinflamatórias e
imunossupressoras dos glicocorticóides, estes se tornaram medicamentos
amplamente utilizados tanto na medicina como na medicina veterinária para o
tratamento de desordens inflamatórias, alérgicas e auto-imunes. Porém estes efeitos
benéficos não podem ser dissociados dos efeitos colaterais como hiperglicemia,
retenção de sódio, aumento da excreção de potássio, alteração no metabolismo de
carboidratos, proteínas e gorduras entre outros. Para minimizar estes efeitos
indesejáveis e potencializar as atividades benéficas dos glicocorticóides foram
desenvolvidas preparações sintéticas, sendo uma destas a dexametasona, um
glicocorticóide sintético de longa ação (SPINOSA et al., 1999).
Na reprodução o uso da dexametasona tem dentre outras funções combater
desordens inflamatórias, determinar abortamento ou indução do parto.
Em ruminantes os medicamentos à base de corticóides causam abortamento
no terço final de gestação. Isto ocorre por contração uterina conseqüente à abrupta
e intensa diminuição da concentração sangüínea de progesterona e ao aumento dos
valores de estrógeno e prostaglandina (GRUNERT et al., 2005). Porém o uso destes
38
medicamentos para abortamento ou indução de parto pode levar à ocorrência de
retenção de placenta (MALMA, 1993).
Em cães machos demonstrou-se que a aplicação de dexametasona leva à
redução do volume do ejaculado, concentração espermática e no número total de
espermatozóides do ejaculado, assim como diminuição dos níveis de testosterona
sangüínea (WEISS et al., 2001). Porém ainda existem poucos estudos a respeito da
influência que o uso da dexametasona possa trazer à fertilidade de machos. O
objetivo deste estudo foi avaliar os efeitos que este fármaco pode ter sobre a
fertilidade de touros.
MATERIAL E MÉTODOS
Animais e Manejo
Foram utilizados 6 touros, sendo 4 touros da raça Jersey, 1 da raça Nelore e 1
da raça Red Angus. Os mesmos possuíam peso aproximado de 600kg e idade em
torno dos 5 anos. Estes animais são provenientes de uma Central de Inseminação
do sul do Brasil, cujo nome será mantido em sigilo por se tratar de um
estabelecimento comercial.
Todos os animais foram submetidos à avaliação clínica e andrológica,
vacinados e vermifugados anteriormente ao início do trabalho.
Durante o experimento, os animais foram alimentados com ração balanceada,
pastoreio em piquetes individuais e sal mineral ad libitum.
39
Plano Experimental
O experimento foi conduzido no período de 22/04/2008 a 12/08/2008, durante
18 semanas, tempo correspondente a duas espermatogêneses, e dividido em dois
períodos, preliminar e experimental.
Durante a fase preliminar, foi colhido um ejaculado de cada touro uma vez por
semana, por um período de 9 semanas, com o objetivo de avaliar o seu perfil
seminal durante uma espermatogênese. Os exames bioquímicos foram realizados
semanalmente durante cinco semanas. Também foram realizadas colheitas de
amostras de sangue dos animais para dosagem de LH e testosterona sangüínea.
Esta colheita foi realizada semanalmente durante quatro semanas, posteriormente
se realizou esta colheita durante quatro dias consecutivos até o primeiro dia de
aplicação de dexametasona.
A fase experimental foi iniciada com a divisão dos animais em dois grupos
compostos por três indivíduos cada grupo, sendo um experimental e outro controle.
O grupo experimental recebeu aplicações diárias de 20 mg dexametasona I.M
durante cinco dias, e o grupo controle recebeu aplicações equivalentes de solução
salina 0,9%. De ambos os grupos foi colhido um ejaculado de cada touro uma vez
por semana, durante 9 semanas para avaliação do perfil seminal. Os exames
bioquímicos do sêmen foram realizados por mais 10 semanas. Para dosagem de
testosterona sangüínea nos animais na fase experimental, foram realizadas
colheitas de sangue durante os cinco dias correspondentes às aplicações de
dexametasona.
40
Exames Reprodutivos
Exame Morfológico dos Testículos
Durante o experimento, foram realizados exames físicos semanais do aparelho
genital em todos os touros. Os testículos foram explorados sistemática e
sucessivamente, por meio de palpação manual e inspeção visual, para verificação
de tamanho, consistência e simetria.
Comportamento Sexual
Os animais foram avaliados quanto ao comportamento sexual pela
classificação da libido (CHENOWETH, 1980) com escore variando de 0 a 6, com
este representando o valor máximo da libido.
Colheita do Sêmen
O sêmen foi colhido por meio de vagina artificial modelo Hannover.
Avaliação do Sêmen
As amostras de sêmen foram avaliadas imediatamente após a colheita. As
características avaliadas foram: volume, pH, turbilhonamento, vigor, motilidade,
concentração, e morfologia espermática.
O volume foi avaliado pela verificação do tubo de ensaio coletor graduado de 0
a 10 ml.
O pH foi aferido por meio de fitas indicadoras de pH.
O vigor foi classificado de 0 a 3, sendo 0 = ausência de motilidade, 1 = pouca
força de deslocamento, 2 = força de deslocamento moderada e 3 = força de
deslocamento rápida.
41
A motilidade foi avaliada de maneira subjetiva, em gota pendente entre lâmina
e lamínula, previamente aquecidas a 38ºC, observada no microscópio em aumento
de 400 vezes.
A concentração espermática foi aferida por meio de tubo graduado, sendo a
leitura efetuada em tabela própria.
Figura 1 – Aferição visual da concentração espermática em sêmen bovino.
A avaliação da morfologia dos espermatozóides foi realizada em esfregaço
celular de sêmen, previamente conservado em formol salina, utilizando-se
microscopia de contraste de fase.
Alise de Testosterona
O sangue proveniente da colheita foi centrifugado e o soro congelado até o
momento da análise, realizada no laboratório de Fisiologia da Reprodução Animal da
Universidade Federal do Paraná.
A dosagem foi realizada pelo método de enzima-imuno-ensaio (ELISA -
Enzyme Linked ImmunoSorbent Assay), com leitura de absorbância em 405 nm,
conforme descritos por BROWN et al. (2004).
Para este ensaio inicialmente 66,7µl do anticorpo (Polyclonal anti-testosterona
R156/7, Coralie Munro, University of California, Davis, EUA.) foram diluídos em 5 ml
42
de tampão (coating buffer; Na
2
CO
3
, NaHCO
3
, H
2
O ultra pura, pH ajustado para 9,6)
e 50µl desta solução de anticorpo foram adicionados em cada poço da placa (NUNC
Immuno TM plates, Maxisorp). Após isso, a placa foi coberta com selador plástico e
mantida a 4ºC por 12 horas no máximo.
Uma vez preparada a placa, preparou-se a curva padrão, por meio de diluições
seriadas de 250µl do padrão de concentração 600 pg/50µl de testosterona (17-
hydroxy-4-androsten-3-one, Steraloids, Sigma A6950) até a concentração de 2,3
pg/50µl, em 250µl de solução de ensaio de ELISA (NaH
2
PO
4
; Na
2
HPO
4
; NaCl; BSA -
Sigma Aldrich, A7906; H
2
O ultra pura, pH ajustado para 7,00). O hormônio
conjugado com a enzima HRP (Testosterone-horseradish Peroxidase) foi também
diluído (33,3µl em 5 ml da solução de ensaio de ELISA).
Imediatamente antes de dar início ao ensaio, a placa foi lavada 5 vezes com a
solução de lavagem (NaCl; Tween 20 Sigma, P1379; H
2
O ultra pura) e o excesso
de solução é retirado batendo-se a placa em papel toalha. A seguir, em cada poço
correspondente foram pipetados 50µl dos padrões, controles e amostras e logo após
50µl da HRP, com o cuidado de não se ultrapassar mais que 10 minutos neste
processo. A placa foi novamente coberta com o selador e deixada incubando por
exatamente 1 hora, em temperatura ambiente. Após esse período foi repetido o
procedimento de lavagem.
Finalmente, preparou-se, imediatamente antes do uso, a solução de substrato
para ELISA combinando 40µl 0,5M H
2
O
2
, 125µl 40 mM ABTS (Calbiochem, ABTS
TM
Chromophore, Diammonium Salt) e 12,5 ml de solução de substrato para ELISA
(ácido cítrico; H
2
O ultra pura, pH ajustado para 4,00). Adicionou-se 100µl em todos
os poços contendo padrão, controle ou amostra. Cobriu-se a placa, para incubar em
temperatura ambiente e sob agitação (Multi-Pulse Vortexer; modelo 099A VB4,
43
50/60Hz – Glass-Col), até que a densidade óptica dos poços zero fique entre 0.9 e
1. Procedeu-se então a leitura no leitor de microplacas (TECAN).
Todas as amostras foram lidas em duplicata, com coeficiente de variação intra
e inter-ensaio menor do que 10%.
Alise de Frutose e Ácido Cítrico
A amostra de sêmen foi centrifugada e o plasma foi congelado até o momento
da análise. Esta foi realizada no Laboratório de Patologia Clínica do Hospital
Veterinário da UFPR. Para tanto foi utilizado kit para aferição de componentes
bioquímicos do sêmen e a leitura realizada em espectrofotômetro.
A determinação de ácido cítrico se baseia no desenvolvimento de uma
coloração amarela originada quando o ácido cítrico reage com a piridina e anidrido
acético. Para a realização do teste pipetou-se 0,5ml de água deionizada para os
tubos branco, teste e padrão, 25µL de plasma seminal para os tubos teste e 25µL de
solução padrão (frutose 300mg/dL, ácido cítrico 300mg/dl e ácido benzóico 0,1%)
para o tubo padrão. Colocou-se os tubos em banho de gelo por dois minutos. Ainda
no banho pipetou-se 0,6ml de piridina para os tubos branco, teste e padrão. Foi
realizada então homogeneização. Posteriormente pipetou-se 2,5ml de anidrido
acético para todos os tubos. Homogeneizou-se e manteve-se no banho por mais
dois minutos. Depois os tubos foram transferidos para o banho-maria a 37ºC e
incubados por cinco minutos. Posteriormente efetuou-se as leituras em 420nm (filtro
azul). O resultado foi calculado dividindo-se a absorbância do teste pela absorbância
do padrão, sendo este valor multiplicado por 300.
A determinação da frutose baseia-se na reação de Selivanoff, que provoca a
transformação da frutose em furfural, que junto com o resorcinol produz uma
44
coloração rosa. O procedimento foi realizado pipetando-se 0,5ml de água deionizada
para os tubos branco, teste e padrão, 25µL de plasma seminal para os tubos teste,
25µL de solução padrão (frutose 300mg/dL, ácido cítrico 300mg/dl e ácido benzóico
0,1%) para o tubo padrão, 0,5ml de reagente de cor (resorcinol 0,1%, tiouréia 0,1% e
etanol 100%) para todos os tubos e 2,5ml de reagente ácido (ácido clorídrico 55%)
também para todos os tubos. Homogeneizou-se e colocou-se em banho fervente por
cinco minutos. Os tubos foram esfriados e as leituras realizadas em 530nm (filtro
verde). O resultado foi calculado dividindo-se a absorbância do teste pela
absorbância do padrão, sendo este valor multiplicado por 300.
Alise Estatística
Os resultados de frutose, ácido cítrico, porcentagem de defeitos morfológicos e
concentração foram submetidos à análise estatística paramétrica por meio do teste
ANOVA (Análise de Variância) para comparar os grupos tratamento e controle. Já os
valores encontrados para testosterona, volume, pH, motilidade, turbilhonamento e
vigor foram submetidos a estatística não-paramétrica por se tratarem de valores não
normais ou não homogêneos, sendo avaliados pelo teste de Kruskall-Wallis para os
mesmos grupos. Para ambos os testes foi utilizado um alfa de 0,05 (diferenças
significativas = p<0,05).
RESULTADOS
Durante os quatro meses que compreenderam o experimento, incluindo o
período pré e s tratamento, não houve alteração no comportamento sexual dos
touros avaliados, sendo a libido dos mesmos mantida em pontuação 6, segundo a
classificação de CHENOWETH, 1980, representando o valor máximo da libido.
45
Também não houve nenhuma alteração na morfologia dos testículos, sendo a
consistência, tamanho e simetria mantidos desde o início até o final do estudo.
Para as variáveis, frutose, ácido cítrico, concentração e morfologia, avaliadas
por estatística paramétrica pelo teste de ANOVA, não houve diferença estatística
entre os grupos controle e experimental pré e pós tratamento.
Tabela 1 Comparação entre grupo controle (n=3) e experimental (n=3) das
variáveis avaliadas por estatística paramétrica por teste ANOVA.
Variáveis Controle X Experimental
Frutose (ng/dL) 0,434062
a
Ácido Cítrico (ng/dL) 0,551094
a
Concentração 0,778565
a
Morfologia (%) 0,761880
a
a
Não existe diferença significativa para as variáveis testadas
Para as variáveis, volume, pH, motilidade, turbilhonamento, vigor e
testosterona, avaliadas por estatística não paramétrica pelo teste Kruskall-Wallis,
houve diferença significativa apenas para uma das variáveis testadas.
46
Tabela 2 - Comparação entre grupo controle (n=3) e experimental (n=3) pré e s
tratamento das variáveis avaliadas por estatística não-paramétrica por
teste Kruskall-Wallis.
Variáveis Controle X Experimental
Volume (mL) 0,663500
a
pH 0,113495
a
Motilidade 0,529660
a
Turbilhonamento 0,198710
a
Vigor 0,358605
a
Testosterona (ng/mL) 0,00740
b
a
Não existe diferença significativa para as variáveis testadas.
b
Existe diferença significativa para a variável testada.
Comparando-se as médias entre os grupos, pré e pós tratamento observamos
esta homogeneidade de valores.
Tabela 3 Comparação de médias e erro padrão entre os grupos controle (n=3) e
tratamento (n=3) das variáveis testadas por estatística paramétrica por
meio do teste ANOVA.
Pré Tratamento Pós Tratamento
Variáveis Controle Experimental Controle Experimental
Média EP Média EP Média EP Média EP
Frutose 339,05 31,04 278,77 30,55 422,06 29,34 412,82 28,97
Ácido Cítrico 715,66 55,06 597,81 68,19 889,05 47,85 722,81 42,49
Concentração 1269,67 89,06 1418,14 66,96 1464,23 61,96 1445,03 60,04
Morfologia (%) 10 0,92 8 0,83 6 0,61 7 0,54
*EP= Erro Padrão
47
Tabela 4 Comparação de médias e erro padrão entre os grupos controle (n=3) e
tratamento (n=3) das variáveis testadas por estatística não-paramétrica
por meio do teste Kruskal Wallis.
Pré Tratamento Pós Tratamento
Variáveis Controle Experimental Controle Experimental
Média
EP Média EP Média EP Média EP
Volume 6,20 0,43 5,80 0,60 6,00 0,27 5,30 0,29
pH 6,59 0,03 6,50 0,00 6,55 0,02 6,42 0,06
Motilidade 90,71 1,62 92,85 0,81 86,16 1,85 80,70 3,55
Turbilhonamento 4,86 0,10 4,95 0,05 4,66 0,09 4,23 0,26
Vigor 4,95 0,05 4,95 0,05 4,83 0,07 4,43 0,23
Testosterona (ng/mL) 5,18 0,61 8,18 1,53 4,70 0,70 3,11 0,62
*EP= Erro Padrão
Graficamente temos os seguintes perfis, comparando-se as médias entre os
grupos experimental, composto pelos indivíduos 1, 2 e 3 e o grupo controle,
composto pelos indivíduos 4, 5 e 6.
Figura 2 Comparação das médias dos valores de frutose e ácido cítrico entre os
grupos experimental e controle pré e pós tratamento.
Nesse caso, o perfil gráfico da bioquímica, tanto para frutose quanto para o
ácido cítrico, apresentou um pequeno aumento após o tratamento. Porém este
aumento ocorreu tanto no grupo experimental, como no grupo controle, não tendo
48
sua origem na aplicação da dexametasona. Este fato também não apresentou
significância estatística.
Figura 3 Comparação das médias dos valores de morfologia espermática entre os
grupos experimental e controle pré e pós tratamento.
Figura 4 Comparação das médias dos valores de concentração de
espermatozóides entre os grupos experimental e controle pré e pós
tratamento.
49
Figura 5 Comparação das médias dos valores de volume e pH entre os grupos
experimental e controle pré e pós tratamento.
Figura 6 – Comparação das médias dos valores de motilidade entre os grupos
experimental e controle pré e pós tratamento.
50
Figura 7 Comparação das médias dos valores de turbilhonamento e vigor entre os
grupos experimental e controle pré e pós tratamento.
Figura 8 Comparação das médias dos valores de testosterona entre os grupos
experimental e controle pré e pós tratamento.
Para os níveis de testosterona sagüínea, observamos um decréscimo após o
tratamento, somente no grupo experiemental. Sendo esta a única variável para a
qual encontramos diferença estatística (α= 0,05). Mesmo assim esta significância é
pequena, próxima de ruídos.
51
DISCUSSÃO
No presente estudo constatou-se que houve uma pequena interferência
negativa na concentração sangüínea de testosterona, fato este também encontrado
nos estudos de TAHA ET al. (1981) em cães, THIBIER et al. (1976) em touros,
BOLY et al. (1994) por meio de injeções intra-testiculares em touros, TOHEI et al.
(1997) em ratos, WEISS et al. (2001) em cães e WINGFIELD (2006) em marsupiais.
ALKASS (2009) não encontrou diferença significativa na concentração plasmática
de testosterona em ovinos.
TAHA et al. (1981) ainda relatou em seu estudo que o declínio na
testosteronemia resultou em atrofia testicular, ausência de libido, oligospermia e
infertilidade no o, com redução no volume do ejaculado, concentração de
espermatozóides e até aumento de anormalidades dos espermatozóides. Alguns
destes fatos são corroborados por estudo posterior realizado por WEISS et al.
(2001) na mesma espécie, como redução do volume do ejaculado, na concentração
de espermatozóides, e no número total de espermatozóides no ejaculado. Porém,
não houve interferência na libido dos animais, na morfologia dos testículos, no vigor
dos espermatozóides, e na porcentagem de espermatozóides anormais.
No estudo realizado por ALKASS (2009) em ovinos, além de não ter havido
interferência nos níveis de testosterona, houve aumento no volume do ejaculado, na
motilidade em massa e na motilidade individual.
Em uma degeneração testicular experimental em touros provocada por
dexametasona, HORN et al. (1999) encontraram um decréscimo qualitativo
significativo no aspecto do ejaculado, turbilhonamento e vigor dos espermatozóides.
os touros avaliados neste presente estudo, apresentaram uma diferença muito
pequena nos níveis sangüíneos de testosterona, e o não tiveram interferência
52
na libido como a mantiveram em níveis máximos de pontuação. Para os outros
parâmetros houve apenas uma diferença pouco significativa em um indivíduo para a
variável motilidade, sendo esta tenuamente reduzida. Volume, pH, turbilhonamento,
vigor, concentração, porcentagem de espermatozóides anormais, níveis de frutose e
ácido cítrico no plasma seminal permaneceram inalterados.
Estatisticamente os resultados encontrados nesta pesquisa não diferenciam
significantemente entre o grupo controle e o grupo experimental. Mesmo a única
variável que apresentou diferença significativa entre os dois grupos, a testosterona,
tem essa diferença muito tênue. Diante disso e de todas as controvérsias entre os
estudos realizados até hoje, que até mesmo são escassos, faz-se necessária a
averiguação de tais resultados, principalmente no que diz respeito aos bovinos, pois
não foram encontradas evidências suficientes para afirmar que a dexametasona
cause algum prejuízo à fertilidade de touros. Nestes animais ainda o agravante
da dificuldade de conseguir um número grande de indivíduos a serem testados. Mas
é importante que estas avaliações sejam feitas em um número maior de indivíduos e
que as análises sejam feitas com maior freqüência.
Aconselha-se evitar o uso do medicamento até que próximos estudos sejam
realizados e que venham a confirmar a inocuidade deste fármaco à vida reprodutiva
de machos bovinos.
CONCLUSÃO
No presente experimento podemos concluir que o uso da dexametasona no
grupo experimental não causou nenhum dano aos parâmetros reprodutivos nos
indivíduos deste grupo, comparando-se aos parâmetros reprodutivos dos animais do
grupo controle. Não houve alteração significativa para as variáveis avaliadas, sendo
53
estas libido, morfologia dos testículos, níveis de frutose e ácido cítrico no plasma
seminal, níveis de testosterona sangüínea, volume e pH do ejaculado, concentração
de espermatozóides no ejaculado, motilidade, turbilhonamento, vigor e defeitos
morfológicos dos espermatozóides.
54
REFERÊNCIAS
ALKASS, Z.M.Y. The effect of the dexamethasone on sperm characteristic and
testosterone level on Awassi rams. Journal of Animal and Veterinary Advances, v.
8, n. 3, p. 598-602, 2009.
BOLY, H.; HUMBLOT, P.; TILLET, Y. Imunohistochemistry of LH and FSH secreting
cells and response of plasma LH and testosterone to combined dexamethasone and
GnRH treatment. Journal of Reproduction and Fertility, v. 100, p. 157-162, 1994.
BROWN, J. L.; WALKER, S. E.; STEINMAIN, K. Endocrine manual for the
reproductive assessment of domestic and non-domestics species. Conservation
and Research Center, Smithsonian´s National Zoological Park, Front Royal, Virginia
– EUA, 93 p, 2004.
CHENOWETH, P.J. Libido and mating ability in bulls. In: Morrow D.A. Current
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GRUNERT, E.; BIRGEL, E.H.; VALE, W.G. Patologia e Clínica da Reprodução
dos Animais Mamíferos Domésticos. São Paulo: Livraria Varela, 2005. p. 541.
HORN, M.M.; MORAES, J.C.F.; GALINA, C.S. Qualidade do sêmen de touros das
raças Aberdeen Angus e Brangus-Ibagé em frente à degeneração testicular
experimental induzida por dexametasona. Ciência Rural, v. 29, n. 3, 1999.
MALMA, J. Calving induction. Proceedings of the National Academy of Sciences
of the United States of America, p. 225-238, 1993.
SPINOSA, H. S.; GORNIAK, S. L.; BERNARDI, M. M. Farmacologia aplicada à
Medicina Veterinária, 2ª ed., p. 227-237, 1999.
TAHA, M.B.; NOAKS, D.E.; ALLEN, W.E. The effect of some exogenous hormones
on seminal characteristics, libido and peripheral plasma testosterone concentrations
in the male Beagle. Journal of Small Animal Practice, v.22, p. 587-595, 1981.
THIBIER, M.; ROLLAND, O. The effect of dexamethasone on circulating testosterone
and luteinizing hormone in young postpubertal bulls. Theriogenology, v. 5, n. 2, p.
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TOHEI, A.; TOMABECHI, T.; MAMADA, M.; AKAIM, M. Effects of repeated stress on
the hypothalamic-pituitary-testes axis in adult rats. Journal of Veterinary Medical
Science, v.59, p. 329-334, 1997.
WEISS, R.R.; AMARAL, M.C.; MESSIAS, C. The effect of dexamethasone on dog
fertility. Archives of Veterinary Science, v.6, n. 1, p. 26, 2001.
WINGFIELD, J.C. [2006]. Communicative behaviors, hormone-behavior interactions,
and reproduction in vertebrates. Knobil and Neill´s Physiology of Reproduction, v.
3, p. 1996-2040, 2006.
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