
TESE DE DOUTORADO - Mattos, Rodrigo Rinaldi de. – Dezembro 2008
30
um mundo que se distingue pelo desdobramento e ampliação das divisões
técnica e social da produção. Passa-se, cada vez mais, de uma escala de
países para uma escala global, em boa parte possibilitada pelo
desenvolvimento de novas tecnologias de fluxo de comunicação e transporte.
O mundo fordista,
17
moderno, caracterizado pela divisão do trabalho e sua
organização em um mesmo espaço físico, cede lugar ao toyotista,
18
pós-
moderno, da mesma forma caracterizado pela divisão do trabalho,
extremamente ampliada e estendida a uma escala espacial mundial.
19
A
Europa, os Estados Unidos e alguns países asiáticos, destacadamente o
Japão, são as regiões nas quais se situam a grande maioria destas
megalópoles, cidades caracterizadas pela grande oferta de serviços e de
onde são gerenciadas as multinacionais espalhadas pelo mundo.
Não acidentalmente, foi nesses países que o turismo se consolidou como uma
das principais atividades. Também é sintomático que nas megalópoles ocorra
um processo de esvaziamento, abandono dos equipamentos industriais,
muitas vezes contemplados pelos urbanistas em projetos de reforma urbana,
também entendidos como espaços de reconversão.
20
17
Trata-se de um neologismo para sintetizar um modo de produção que, em linhas gerais,
caracteriza-se, pela produção em série de automóveis, a preço baixo, sendo um
aperfeiçoamento do taylorismo
. Um processo centralizado de produção que gera grandes
estoques, cria demanda e massa de consumo. Foi desenvolvido pelo industrial norte-
americano Henry Ford (1863-1947).
18
Trata-se de um termo criado para sintetizar um modo de organização da produção
capitalista que se desenvolveu a partir da década de 1980. Surgiu no Japão após a II Guerra
Mundial, mas só a partir da crise capitalista da década de 1970 é que foi caracterizado como
nova filosofia de produção industrial (modelo japonês), adquirindo uma projeção global.
Caracteriza-se por ser um processo descentralizado de produção que produz de acordo com a
demanda, minimizando estoques, just in time .
19
Ajudando a dar relevância ao tema em tela, cabe ressaltar que se os escritórios dos
executivos antes ficavam ao lado da linha de produção, hoje estão situados em grandes
cidades – megalópoles. Por outro lado, embora a produção industrial esteja espalhada por
todo o globo, ela encontra-se conectada em uma grande rede de fluxo de mercadorias e
comunicação. A título de curiosidade, um dos aeroportos de carga com maior intensidade de
fluxo está localizado no Alaska, ponto eqüidistante, a menos de cinco horas da maioria das
grandes cidades do circuito das bolsas de valores ─ EUA, Europa e Leste Asiático.
20
Segundo Urry (1996, p. 147), “[...] houve um aumento ainda mais notável do interesse
pelas vidas dos trabalhadores nas indústrias e nas minas. MacCannell chama a atenção para a
ironia dessas mudanças: ‘O Homem Moderno [sic] está perdendo suas ligações com o mundo
do trabalho, a vizinhança, a pequena cidade, a família, que outrora ele considerou ‘seus’, mas,
ao mesmo tempo, está desenvolvendo um interesse pelas ‘verdadeiras vidas’ dos outros’. Esse
interesse se nota principalmente no norte da Inglaterra, onde se instalou boa parte da
indústria pesada. Ao que parece, são essas indústrias que apresentam mais interesse para os
visitantes, particularmente devido à qualidade, aparentemente heróica, de boa parte do
trabalho, sobretudo aquele exercido nas minas de carvão e nas siderúrgicas. Isso, porém, não
deve ser excessivamente enfatizado, pois as pessoas também parecem se interessar por
aquelas tarefas domésticas extenuantes e nada heróicas desempenhadas pelas mulheres. Esse
fascínio pelo trabalho alheio liga-se à derrubada pós-moderna das barreiras, sobretudo entre o
palco e os bastidores em que se desenrolam as vidas das pessoas”.