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dos mesmos por mim, eu os entregaria aos alunos para que eles, no grupo, decidissem
qual dos textos seria apresentado. Após a escolha, o grupo faria leitura e discussão para
definir o que poderia ser acrescentado no texto original, para, posteriormente, ser
realizada a re-escrita do mesmo. Feita a correção do texto final, os alunos decidiriam a
atuação, o cenário, a sonoplastia, o figurino, as luzes, enfim, quem faria o que na peça.
A partir daí, eles se organizariam para a realização das tarefas, bem como pesquisas
para aprimorar o trabalho e os ensaios.
Combinei com eles que queria tudo o que fosse resolvido pelo grupo no papel, para
eu poder acompanhar o trabalho. Marquei reuniões com cada grupo para saber sobre o
andamento das tarefas, dar sugestões, ajudar no que fosse preciso e assistir aos ensaios.
Também foi solicitado aos alunos que elaborassem um cartaz de divulgação da
peça, com nome do elenco e da direção, data da estréia, local, horário, imagem do grupo
e um breve resumo da história da peça. Além disso, eles teriam que fazer panfletos de
divulgação para serem distribuídos pela escola.
É interessante notar a empolgação dos alunos nesse projeto, a aptidão de alguns em
atuar, a de outros em dirigir os ensaios e outros ainda em confeccionar o cenário e o
figurino. É claro que sempre há aquele(a) que é tímido(a) ou inseguro(a) ao ponto de
“desistir”. E aí emerge um outro aspecto surpreendente, o companheirismo do grupo, a
compreensão com um(a) colega que está nervoso(a).
Lembro-me de um caso, de um garoto Emo. Durante as aulas, ele nunca participava,
não fazia as atividades ou deveres, não estudava e, consequentemente, ia muito mal nas
avaliações. No início do projeto, ele me disse que não faria e eu lhe disse que esse
trabalho fazia parte da avaliação, portanto, ele era obrigado a fazer. Muito a contra
gosto ele, então, participou.
Durante os ensaios, os outros integrantes me falaram da dificuldade dele em decorar
as falas, seu nervosismo, sua insegurança tamanha a ponto de chorar e parar a atuação.
Decidi, então, participar dos ensaios desse grupo. Ele se comportou do mesmo modo,
então, eu refiz suas falas, tornando-as mais simples. Todo o grupo foi muito paciente
com ele, ajudando-o a decorá-las, repetindo-as quando necessário, enfim, um trabalho
em grupo. Esse garoto era muito problemático, filho de pais separados, ele ficava muito
sozinho, pois a mãe, devido a separação, teve de trabalhar e sua irmãzinha ficava na
escolinha onde estudava o dia todo. Seu pai foi embora e pouco falava com ele. Além
disso, ele era tímido e já tinha sofrido de depressão.