28
Esse período em sua obra é marcado por diversas experiências estruturais que
se tornaram marcas do arquiteto. Novas formas de pilotis para reduzir o número de
apoios no térreo, pilares em “V”, em “W”, “em forma de um ramo nascido de um tronco. E
cada vez mais esbeltos e audaciosos” (SABBAG, 1987).
Esse também é um período em que, essa nova arquitetura moderna proposta
por Oscar Niemeyer é bastante criticada. A mais polêmica dessas críticas foi a de Max
Bill, arquiteto e escultor, diretor da Escola de Ulm (Alemanha) que, em visita ao Brasil em
1953, concedeu uma entrevista a revista Manchete na qual critica pesadamente a nova
geração de arquitetos brasileiros: “(...) a arquitetura moderna brasileira padece um pouco
deste amor ao inútil, ao simplesmente decorativo (...) em arquitetura, tudo deve ter sua
lógica, sua função imediata” (BILL, 1953 appud CASTELLOTTI, 2006, pag. 61).
Mais especificamente sobre Niemeyer e sobre a Pampulha Max Bill diz:
“(...) não se levou em conta sua função social. O sentimento da coletividade
humana é aí substituído pelo individualismo exagerado. Niemeyer, apesar de seu
evidente talento, projetou por instinto, por simples amor à forma pela forma,
elaborou-o em torno de curvas caprichosas e gratuitas, cujo sentido arquitetural
apenas para si mesmo é evidente. O resultado (...) é um barroquismo excessivo
que não pertence à arquitetura nem á escultura. (...) Afirmo, mais uma vez, que,
em arquitetura, tudo deve ter sua lógica, sua função imediata”. (BILL, 1953
appud CASTELLOTTI, 2006, pág. 62)
Essas críticas foram todas duramente respondidas na época por Lúcio Costa,
que, na edição seguinte da mesma revista saiu em defesa da arquitetura moderna
brasileira, de Oscar Niemeyer e também da Pampulha, considerando essa um marco
importante, definidor da arquitetura brasileira:
“Ora, sem a Pampulha, a arquitetura brasileira na sua feição atual –o Pedregulho
inclusive– não existiria. Foi ali que as suas características diferenciadoras se
definiram. Aliás, os argumentos que traz à baila no caso são dignos da Beócia.
Trata-se de um conjunto de edificações programadas para a burguesia capitalista
(...) como era de se prever, foi qualificada de barroca com a habitual intenção
pejorativa. Ora graças, pois se trata no caso de um barroquismo de legítima e
pura filiação nativa que bem mostra não descendermos de relojoeiros, mas de
fabricantes de igrejas barrocas. Aliás, foi precisamente lá, nas Minas Gerais, que
elas se fizeram com maior graça e invenção”. (COSTA, 1953 appud
CASTELLOTTI, 2006, pág. 62)
Nesse mesmo ano, Niemeyer também recebeu outras críticas, estas menos
ofensivas, de grandes nomes da arquitetura moderna na Europa, como Walter Gropius,
mestre do modernismo alemão e do arquiteto italiano Ernesto Rogers. Gropius criticou
Niemeyer pelo seu aparente desinteresse no detalhamento de seus projetos, o que,
segundo ele, comprometia a qualidade de algumas obras (CASTELLOTTI, 2006).
Já o italiano Ernesto Rogers apontou erros nas obras de Niemeyer e criticou
seus croquis, que apesar de considerá-los virtuosos não concordava em considerá-los
grandes soluções técnicas arquitetônicas. Além disso, Rogers criticou o discurso social