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Além desses temas, encontraremos os postais de boas-festas, com trenós e neves, os tão conhecidos “gruss aus” (Lembrança de,
Recordação de....), sobre inventos modernos
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, reprodução de obras de artes com pequena nota biográfica do autor
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, anúncios, costumes, etc.
Tudo era motivo para registro, coleção e envio, imagens do mundo, do nosso país, da nossa cidade, bem perto, guardados em álbuns, caixas ou
dentro de livros como fez Mario de Andrade
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usando-os como marcadores de páginas, conhecia-se o mundo sem sair de casa, uma espécie de
viagem virtual.
A produção tão diversificada destes postais representa um público receptivo e afoito por informação, novidades e rapidez que aceito logo
é transformado em objeto de coleção, indo além do seu primeiro objetivo: a correspondência.
No âmbito do colecionismo era prática comum a troca destes postais entre parentes e amigos, além das associações de colecionadores que
se constituíam mundo afora, com o objetivo de enriquecer as coleções
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. Por outro lado, o envio também sucedia por motivos variados, segundo
Carlos Drummond de Andrade, “não se expediam postais somente em viagens, mas sob qualquer pretexto e mesmo sem pretexto;
freqüentemente, só para receber, na volta outro postal, com uma frase gentil, um pensamento copiado sabe-se lá de onde” (1982) Drummond
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Aparelhos de Bettini, fonógrafos de Edison, bicicletas altíssimas, barômetros, além dos automóveis, quando surgiram em 1910 e foram reproduzidos choferes, aeroplanos.
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Nos postais de reprodução de obras, temos um dado interessante descrito na matéria já mencionada “Viajemos em cartões-postais”, texto este em que é abordado um
aspecto descrito por Pintó ao dizer “quando alguém ia a um museu ver um quadro que recebera num postal encontrava outra coisa muito diferente: um Van Dick com um divã
moderno, da época, e num quadro quando o editor de postais achava que o rosto da figura não merecia aparecer... cobria-o com flores. Os alemães aborrecidos com esses fatos
começaram a lançar cartões de arte com reproduções fiéis”, p. 65.
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Os postais de Mário de Andrade foram encontrados de forma aleatória em meio a livros em sua imensa biblioteca, como marcadores de páginas. Esses postais se encontram
no IEB (Instituto de Estudos Brasileiros), um material valioso tanto por seu caráter iconográfico (do Brasil e do mundo), mas também pelo seu remetente e textos, vindos de
amigos, poetas, escritores, estudiosos contendo mensagens que vão da saudade e da lembrança do velho amigo e dos lugares por onde o visitante passa (lembrei-me de você...)
a discussões literárias. Mário de Andrade que nunca foi a Paris conheceu a Europa pelo olhar de seus amigos não só em cartas, mas em postais. Parte desta coleção foi
publicada no livro “‘Tudo está tão bom, tão gostoso...’ Postais a Mario de Andrade”, organizado por Marcos Antonio de Moraes, nas palavras do autor (org.): “o mundo
convergia para a Lopes Chaves através de livros e das imagens. Era assim – como no poema “Acalanto do seringueiro” – pelos olhos dos outros que Mário de Andrade via o
mundo; pelos relatos dos amigos ele o sentia”, p. XVIII.
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Baudrillard no livro O sistema dos objetos, ao conceituar a coleção distingui-a de acumulação, sendo esta, considerada “estado inferior”, isto é, “amontoado de velhos
papéis, armazenamento de alimento” (p. 111), enquanto a coleção “emerge para a cultura: visa objetos diferenciados que têm frequentemente valor de troca, que são também
‘objetos’ de conservação, de comércio, de ritual social, de exibição”. (p. 111) O que separa uma da outra? Além da complexidade cultural, é pelo “inacabado”, a
incompletude, o que traduz na procura em encontrar, ou melhor, preencher essa lacuna, a idéia de objeto único. E é justamente isso que fascina o colecionador.